terça-feira, 18 de outubro de 2011

NOTAS POLÍTICAS DA UCRÂNIA

União Europeia adia a visita de Yanukovych a Bruxelas.

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana) 18.10.2011

O anúncio, pela "Interfax", foi feito pela porta-voz da Comissão Europeia Pia Hansen.

"Decidiu-se transferir esta visita para um momento mais favorável em nossas relações bilaterais", - disse Hansen.

Como afirmado pelo representante oficial da agência da Comissão européia Maya Kochianchyn, a visita foi adiada devido a necessidade de melhorar as condições para o progresso nas relações bilaterais.

"As circunstâncias, as quais lembramos, - é a necessidade para Ukraina alcançar progresso em áreas como o Estado de Direito e a independência do poder judiciário - Estes são os princípios fundamentais para UE e às relações com os parceiros da 'Parceria Oriental' ", explicou Kochianchyn.

Anteriormente, o presidente Yanukovych disse aos jornalistas estrangeiros que iria para Bruxelas na 5ª feira, dia 20, apesar do esfriamento nas relações com UE.

"Eu não vou pedir um favor. Nós somos parceiros. Se é imprescindível encontrar-se, estou pronto. Se não, eu voarei adiante", - disse ele, talvez referindo-se à próxima visita a Cuba e ao Brasil.

Ele também afirmou que o Acordo de Associação com UE pode ser adiado. "Se por alguma razão a Europa ou Ukraina não estão prontas, o acordo pode acontecer mais tarde."

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A visita de Yanukovych para Cuba e Brasil será de 21 a 24 deste mês.

Yanukovych vem ao Brasil porque foi convidado pela diáspora para comemoração dos 120 anos da imigração ukrainiana neste país. E para Cuba? Será que seria para aprender com os irmãos Castro como se mantém um povo na mais estrita dominação e conseqüente pobreza, por mais de 50 anos? Ou, também para espairecer já que os ventos europeus não lhe são muito agradáveis? - O.K.
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O Partido das Regiões considera que Europa não deve ditar condições para Ukraina

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 18.10.2011

A declaração foi feita pelo líder Oleksandr Yefremov, comentando a informação sobre abolição da visita de Yanukovych para Bruxelas.

"A pressão a partir de Bruxelas e dirigentes da UE, às vezes, não pode ser aceitável", - disse ele.

"Não podemos violar nossas leis, para o que nos empurram esses líderes" - acrescentou Yefremov. (Ele esquece que é a Ukraina que quer se unir à UE, portanto deve aceitar as regras da UE. - O.K.)
Yefremov também confirmou as intenções anteriores do Partido em não votar pela descriminalização de artigos do Código Penal, pelos quais Tymoshenko foi condenada.

Em publicações anteriores consta que os advogados da Tymoshenko vão entrar com Apelação, mas a oposição não tem muitas esperanças.

"Eu não tenho esperanças quanto ao Tribunal de Apelação. Atualmente na Ukraina, infelizmente, não há justiça. O Tribunal Europeu colocará um ponto final nesta questão, e eles (governo) entendem isto", - disse Turchynov.

No entanto, o advogado Andryi Fedur considera que, se Tymoshenko apelar ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, esta instância pode decidir sobre a sua denúncia após o final de sua prisão.

"Enquanto a questão possa ser analisada pelo Tribunal Europeu, então ela (Tymoshenko) já poderá, Deus não permita, cumprir todos os 7 (sete) anos, porque a questão pelo Tribunal pode ser considerada, na melhor das hipóteses, em 7 - 8 anos, ou mesmo 10" - disse ele.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

PLÁGIO: QUE VERGONHA !!!

Na Áustria REJEITAM o livro do Yanukovych

Terça-feira, 13 setembro, 2011 "União dos escritores e escritoras da Áustria" (IG Autorinnen Autoren) não fornece informações de suporte para apoiar o livro de Viktor Yanukovich "Opportunity Ukraine", que foi publicado na editora austríaca Mandelbaum.
Isto é afirmado pela direção da organização de Gerhard Ruiz, cuja declaração está na posse do jornal "A Verdade Ukrainiana".
O autor da carta-declaração lembra que, o IG Autorinnen Autoren "não fornecerá na sua plataforma de apresentação o livro de Yanukovych nem em sua apresentação em Frankfurt, ou em feiras do livro em Viena, nem no próximo ano na feira de Lipsing, nem em seu catálogo de livros novos."
Nesse comunicado, a organização não considera o surgimento do livro de Yanukovych como uma prática regular de publicação ", e que ela ainda não o ofere
ceu em redes de comércio eletrônico, conforme costume, o que a muito tempo deveria ter feito."
"Além disso, o editor deve orientar-se quanto às acusações de plágio, as quais direcionam-se para o endereço do autor ou ao seu 'escravo literário' do meio universitário da Ukraina", - diz o autor.
O autor da carta-declaração recorda que Viktor Yanukovych transformou a Ukraina em um "estado de regime semiditatorial, em que a oposição está confinada atrás das grades, e imprensa independente sofre opressão.
"De acordo com a oposição, este trabalho serve não só para embelezamento da política de Yanukovych, mas à remoção de suas acusações, uma vez que não foi publicado numa "editora amiga" doméstica mas na Áustria, numa editora conhecida por suas performances ativas no apoio da democracia e dos direitos humanos" - diz
IG Autorinnen Autoren.
"A publicação do livro do presidente Yanukovych, que foi capaz de sair na editora austríaca, logo tornar-se-á com ampla distribuição internacional e a Áustria poderá, assim, erroneamente ser relacionada com uma política equivocada de Yanukovych", - explica Ruiz o motivo da recusa de IG Autorinnen Autoren Áustria para participar do suporte de informação do
novo livro.
IG Autorinnen Autoren são influentes na associação de escritores austríacos.
De acordo com Gerhard Ruiz, a declaração oficial IG Autorinnen Autoren os motivos da recusa do livro de Yanukovych serão colocados em Autoren Solidaritet - Jornal de organização que sai três vezes por ano.
Como já é de conhecimento, o livro de Viktor Yanukovych "Opportunity Ucraine" revelou-se como plágio, por c
onter trechos de textos de outras pessoas sem qualquer referência aos autores.


Tradução: Oksana Kowaltschuk

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

JUDICIÁRIO CRIA O CAOS POLÍTICO NA UCRÂNIA

Agora ouviram, senhores yanukovych, lolesnikov e cia?

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana) 13.10.2011
Serhyi Lyshchenko

Confusão - eis a palavra que mais plenamente caracteriza o estado atual dos "donos" da vida do Partido das Regiões.

Eles realmente não entendem: o que aconteceu, pelo que o mundo todo olha como um lobo para Ukraina?

Certo estava Dmytro Vydrin [1], que há quase dez anos, em entrevista a este jornal, comparou o Partido das Regiões com dinossauro - "enorme massa corporal e cabeça pequena com pequenino volume de massa cinzenta".

Ukraina aos olhos do mundo ocidental mudou imperceptivelmente.

Ainda ontem ela foi um modelo para todo o espaço pós-soviético, e governos da UE colocavam-na como exemplo, como o mais avançado dentre os países vizinhos, a qual está prestes a concluir o Acordo de Associação - a última etapa, após o que poderá ter o status de país-candidato à adesão à UE.

A cerimônia oficial da rubrica do acordo já tinha sido marcada para a conferência Ukraina - UE em dezembro, com a intenção de no próximo ano assiná-la oficialmente e até mesmo tentar ratificá-la no Parlamento Europeu. As negociações finais foram marcadas para 20 de outubro, quando o presidente Yanukovych visitaria Bruxelas para reuniões com o dirigente da Comissão Européia José Manuel Barroso.

Duas semanas atrás, em Varsóvia, na cúpula da Parceria Oriental, esta agenda era atual - com a suposição da libertação de Tymoshenko, a qual para o mundo ocidental transformou-se num símbolo da repressão política.

Hoje, com a menção sobre Ukraina tem-se a impressão que se trata de um país praticamente diverso. Declarações do mundo ocidental impressionam com a sua dureza e não apelação. A visita de Yanukovych a Bruxelas em 20 de outubro está em risco. Realização da Cimeira Ukraina-UE, no mais alto nível - em risco. Acordos, que significam apenas cerimonioso final de negociações técnicas e nada mais - também estão sob ameaça.

Na Alemanha começam soar vozes de deputados da coalizão governista sobre sanções. Em primeiro lugar - cancelar o regime de vistos para funcionários do governo ukrainiano que possuem passaportes diplomáticos e hoje não precisam do visto de Schengen. E cancelar a realização de Euro - 2012 na Ukraina (campeonato de futebol). A seguinte declaração que não é difícil de prever - o bloqueio de contas bancárias [2]. Embora seja apenas agitação do vento, mas as sanções contra Bielorrússia e a Lista de Magnitsky [3] também começaram assim.

Ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ukraina não ficou alternativa, exceto preparar o terreno para cancelamento da viagem de Yanukovych a Bruxelas - mas já circula um comentário que "oficialmente ninguém marcou a data de 20 de outubro".

Na verdade, as palavras do funcionário responsável do Ministério dos Negócios Estrangeiros não se sustenta, porque a administração do presidente, ainda na semana passada começou a formar o grupo de jornalistas para a cobertura da visita de Yanukovych para a sede da UE para esta data.

Bankova caoticamente procura evidências de que a Europa não está realmente preocupada. Já é segundo dia que eles citam palavras do pouco conhecido funcionário francês, que revelou-se, seria autorizado representar o "partido do poder".

Epecialmente cômicas parecem estas tentativas referentes ao líder da ala jovem de Sarkozy, dado que uma posição nítida em relação a Tymoshenko pronunciou o Ministério do Exterior, e diretamente o ministro Alain Zhyupe, e o secretário geral do partido que representa o presidente francês.

A ilusão das relações saudáveis entre Ukraina do Yanukovych e UE foi destruída em um dia.

O que aconteceu? Por que Yanikovych equivocou-se?

A principal razão - é excessivamente grande auto-confiança na sua própria singularidade, que mostram os representantes do governo atual.

Neste contexto o exemplo ilustrativo do Vice-Primeiro-Ministro de Euro-2012 Borys Kolesnikov. No dia 7 de outubro ele foi convidado do programa de Yevhen Kyseliof "Grande Política". À pergunta da jornalista da Agência France-Presse Anne Tsukanov, que o ocidente considera o tribunal da Tymoshenko como perseguição política, Kolesnikov surpreendeu.

"Eu não ouvi de ninguém, exceto dos deputados do PPE (European People's Party), algumas duras avaliações". Isto foi anunciado quatro dias antes do veredicto da Tymoshenko, depois de um duro discurso na cúpula da Parceria Oriental pelo Presidente do Conselho Europeu Herman Van Rompuy, Presidente José Manuel Barroso e o Primeiro-Ministro Polonês Donald Tusk, após uma carta crítica de Catherine Ashton e Hillary Clinton, depois de uma chamada de Angela Merkel e recusa de Nicolas Sarkozy de se reunir com Yanukovych em Nova York.

Então, ou Kolesnikov monitora apenas as notícias da propaganda oficial, ou deliberadamente distorce a realidade.

Mas ainda mais impressionante foi o comentário do Vice-Primeiro-Ministro.


"... Amanhã chega Oleksandr Yefremov à França, apresenta-se na TV francesa... É o líder do maior partido do leste europeu. E ele dirá: "Não nos agrada a situação de Strauss-Khan, ele foi retido em Nova York, e aqui na França temos eleições..." "Então o que, alguém na França olhará para ele? Ou lhe dará Ouvidos? Ninguém!"
É um pronunciamento estranho para um homem que pretende ser um Balcerowicz [4] ukrainiano. Na verdade, o dito por Kolesnikov é uma brilhante ilustração dos estereótipos que vivem na mente dos atuais dirigentes de estado, provenientes da região de Donetsk.

Eles esquecem de um detalhe que rompe totalmente a lógica de seu pensamento. Não é a França que pede união política com Ukraina, para ouvir os conselhos de Yefremov, Chechetov e Bohuslovska.

É a Ukraina que pede aliança com França. E, corresponde àquele que quer se juntar aceitar as regras instituídas.

O exemplo da França é particularmente infeliz dadas as sensações de céticismo neste país, que foram reforçadas com a frustração de que, o ingresso na UE, não leva necessariamente a grandes reformas e ao progresso. Romênia e Bulgaria, que foram aceitas na UE, não justificaram as esperanças - então, nesse sentido a França não quer fazer tal presente a Ukraina como Acordos de Associação apenas "pelos belos olhos."

A situação é aquecida pelos meios de comunicação ocidentais, que com simpatia à oposicionista condenada descrevem a situação na Ukraina.


 
Era possível evitar a catástrofe diplomática causada com o veredicto da Tymoshenko? Sim, se os governantes ukrainianos acompanhassem o humor das elites européias.

Para isso era suficiente utilizar-se de fontes abertas. Como, por exemplo o Twitter do Ministro do Exterior sueco Carl Bildt - aliás um dos políticos do continente mais pró-Ukraina.

Seu microblog cronológico mostra como mudavam as atitudes na Europa.

24 de agosto: Hoje 20 anos da independência da Ukraina. O Estado deve preservar os seus valores europeus e orientação.

16 de setembro: Discutimos a futura tendência da política da Ukraina com o presidente Yanukovych. O Estado de direito e direitos da pessoa - este é o bilhete para Europa.

30 de setembro: A Cimeira da Parceria Oriental enviou um claro sinal de que o respeito pela democracia e direitos humanos são parte da integração na UE. Kyiv deve anotar isso.

10 de outubro: Voamos para Luxemburgo. Dia todo vai durar o encontro dos Ministros do Exterior da UE. Em foco - Oriente Médio, Norte da África, também haverá discussão sobre Ukraina.

10 de outubro: Início da reunião em Luxemburgo. Grande preocupação com a situação na Ukraina. Os tribunais políticos com elementos de show não tem lugar na nossa Europa.

11 de outubro: Nós fortemente reagimos ao veredicto contra Yulia Tymoshenko. Ele colocará sob ameaça todas as relações com Ukraina.

Outro problema de Yanukovych, é que até uma surpreendente libertação de Tymoshenko não vai mudar a opinião sobre ele para melhor.

A mola, que por um ano e meio apertava Yanukovych, começou reverter o curso. Agora ele - personagem odioso para todo o mundo civilizado. O ocidente e seus governantes - sem volta e, às vezes, pessoas ociosas, às quais é conveniente pensar em esteroótipos.

Eles felicitaram Yanukovych pela vitória nas eleições presidenciais, alegravam-se com a estabilidade política na Ukraina e por muito tempo, lentamente, mudavam o pensamento quanto ao novo dirigente. Quando Kyiv dispersava reuniões da oposição ou retornavam à censura, o Ocidente vivia de memória sobre mudança democrática do poder na Ukraina.

Mas o dia do veredicto da Tymoshenko - é o momento quando eles finalmente encheram a taça de seus estereótipos sobre Yanukovych. De agora em diante em sua imaginação - tirano vingativo e limitado déspota autoritário. E agora também por muito tempo e de modo fastidioso, Yanukovych precisará corrigir sua imagem, até que esta máquina de burocracia européia comece aceitar dele sinais positivos. Isso se ele desejar reavivar sua própria reputação em olhos europeus.

Se o cenário de Yanukovych residia no fato de que Tymoshenko será condenada, e ele, gentilmente, a libertará mostrando sua magnanimidade, o presidente calculou mal.

Primeiro sinal - condenação do ex-primeiro ministro - demonstrou ser mais forte de todos os posteriores. E até se Tymoshenko for libertada, os europeus receberão isso como prova da eficácia de sua própria pressão, e não manifestação da bondade ou humanidade de Yanukovych.

E então haverá mais - depois de pressionar pela libertação de Tymoshenko haverá pressão com exigência para libertar Lutsenko, depois - exigência libertar Ivashchenko, depois - exigência não aceitar a lei eleitoral conveniente " à sua pessoa", com exigência de permitir observadores internacionais, devolver plenos poderes ao Supremo Tribunall e assim por diante.

Todo o sistema de autoritarismo construído por Yanukovych começara desmoronar como castelo de cartas. Assim que em Kyiv começarem ações de rua em massa, a simpatia dos europeus será ao lado da oposição.

O ocidente estava pronto para fechar os olhos às características da democracia ukrainiana, enquanto Yanukovych não cruzava a fronteira. Mas agora ele cruzou - e cada iniciativa sua será vista com desconfiança, que com tal ato ele tenta reforçar o seu próprio autoritarismo.

A situação será ainda agravada pelo fato de que o primeiro semestre de 2012 a UE será presidida pela Dinamarca que na pessoa de Hanne Severinsen tem um excelente especialista sobre Ukraina e Yanukovych oponente feroz.

Além disso, o próprio Comitê de Helsinque dinamarquês para os direitos humanos realizou um monitoramento detalhado dos casos Tymoshenko, Lutsenko e outros oposicionistas. Desta forma, o poder na UE passa da leal aos ukrainianos Polônia às mãos escandinavas, os quais já formaram seu ponto de vista sobre Yanukovych.

Em outras palavras, não permanecendo nem dois anos completos como presidente, Yanukovych tornou-se Kuchma nº 2 - presidente, o qual aos olhos do ocidente parece a priori iníquo, e cuja missão é justificar-se. Mas até Kuchma esteve em condições mais favoráveis, porque ele com auxílio de seu genro Viktor Pinchuk podia, informalmente, dialogar com o Ocidente. Yanukovych simplesmente não tem um provedor assim.

Mas o ocidente até agora não recebeu resposta à pergunta, que lhes preocupa - destino do ex-primeiro-ministro. As consequências da libertação da Tymoshenko serão catastróficas para Yanukovych. O problema não é apenas, que ela não irá diretamente para casa, diretamente da prisão irá aos canais da TV para iniciar uma campanha presidencial.

A maior bobagem que fizeram os regionais no último meio ano - com suas ações transformaram no ícone da democracia pessoa, a qual ela não é devido a sua natureza. Exatamente aos obstinados inimigos Tymoshenko deve estar grata pela reanimação de sua própria carreira política.

A libertação da Tymoshenko carrega outros riscos - minará a legitimidade do governo Yanukovych aos olhos de seus apoiadores e subordinados.

"Tymoshenko na célula - é um símbolo sagrado da onipotência de Yanukovych. Com a prisão e condenação ele mostrou a todos, o que pode ser inacreditável - aprisionar seu principal concorrente, pelo qual, preocupam-se Europa, América e 45% de seus próprios cidadãos.

Deste modo, os personagens de menor calibre devem entender que com eles Yanukovych acabará muito mais rápido. Tal imagem permitia a Yanukovych ser um líder despótico, pelo gesto do qual os oligarcas deviam pagar tributo - as chefias de quaisquer forças armadas - suprimir sinais de protesto, e as humanidades - beijar sua mão na easperança de obter benevolência do tirano.

Mas, depois da libertação de Tymoshenko parece que tudo não será assim. Não existe o todo poderoso Yanukovych! Pelo contrário, existe a força que pode detê-lo. E essa força tem um endereço específico - Bruxelas e Washington. Assim, você pode recorrer a eles.

Que consequências os cidadãos comuns terão com as metamorfoses, que ocorrem com a reputação de Yanukovych no Ocidente? Muito simples. Seu governante, em 11 de outubro se transformou em marreco coxo que não é capaz proteger eficazmente os interesses de seus eleitores na arena internacional.

Agora as autoridades ocidentais verificarão cada decisão sobre Ukraina de outro ponto de vista: - Se não há semelhanças, como um presente ao líder autoritário? Se mereceu Yanukovych sentar a mesa com eles. Se nos perdoarão nossos eleitores europeus, se nós lhe dermos a mão na frente das câmeras de TV?

Hoje Viktor Yanukovych encontra-se numa situação complicada.

Não libertar Tymoshenko - seu fim será maior, mas as consequências pessoais mais tristes.

Libertar Tymoshenko - o fim virá mais rápido, mas ele poderá guardar parte dos recusrsos recebidos no cargo.

Estes dois cenários - são duas mandíbulas de uma armadilha, aonde sozinho entrou o presidente ukrainiano.

[1] Dmytro Vydrin - politólogo e filósofo ukrainiano.
[2] Se o dinheiro dos oligarcas ukrainianos vier a ser congelado nos bancos europeus, Yanukovych perderá o apoio deles, que são seu importante sustentáculo. São os oligarcas os grandes interessados na UE. É para UE que eles vendem seus produtos, é lá que estudam seus filhos, é lá que eles passam as suas férias.
[3] O Parlamento da Holanda aprovou por unanimidade a imposição de sanções contra as autoridades russas envolvidas na morte de Magnitsky.
[4] Economista e político polonês. Inspirador das rformas econômicas (terapia de choque ou Plano Balcerowicz) a transformação do país de uma economia planificada para um país com economia de mercado.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

UM EXEMPLO DE DIREITOS (DES)HUMANOS

Yulia Tymoshenko terá melhor sorte? Estão assassinando o Lutsenko !!!
O Editor.

Saúde de Lutsenko
Agência de Informações UNIAN, 01.09.2011
Annia Yashchenko
 
Após a sessão no tribunal Lutsenko teria se queixado (A esposa é protetora , ela tem o direito de participar das sessões) que ele cai, que dorme... Já em 2010 ele tinha problemas e fazia tratamento numa clínica na Alemanha com diagnóstico de pancreatite e diabetes de 2° grau. Com isto ele entrou na prisão. A esposa diz que o diagnóstico realizado na prisão, em 28.05.11 esconderam até o dia anterior à entrevista dada a este jornal. A esposa lembra como no dia 23.05.11 Lutsenko foi trazido para sessão diretamente do hospital. Após a sessão que durou 8 horas ele foi levado para prisão onde houve perda de sangue e perda de consciência. Se não fosse seu colega de câmera, teria morrido. Então chamaram especialistas, obtiveram o diagnóstico que não apresentaram. E, durante os três meses, nada de tratamento.

Em julho, a esposa soube, que a prisão sozinha pediu ao juiz para nova verificação médica. Isto assustou a esposa e através de sua insistência foram pedidos novos exames com os especialistas que examinaram Lutsenko em maio e o diagnóstico foi cirrose de figado com hipertensão portal e varizes nas veias do esôfago. Os prejuízos na saúde de Lutsenko, em três meses aumentaram muito.

Assim que a esposa e advogados souberam da cirrose pediram ao juiz que permitisse a Lutsenko fazer o tratamento em clínica especializada e com médicos especializados. O juiz permitiu o tratamento somente na prisão.

Os defensores mostraram o documento com a relação de doenças, do Departamento da Ukraina para Execução de Sentenças com o Ministério da Saúde, que possibilita a libertação de presos para receber o tratamento. Particularmente os doentes com doenças do sisema digestivo e cirrose hepática não podem permanecer na prisão.

"O governo deliberadamente esconde da sociedade, da própria família e do próprio Lutsenko a gravidade de sua doença. Ele não está sendo tratado. Eles decidiram simplesmente destruí-lo", - diz Iryna Lutsenko. "É conveniente para todos: não vai ser necessário anunciar o veredicto, não será preciso libertá-lo, a pessoa simplesmente morrerá em silêncio... O governo conscientemente está destruindo meu esposo não lhe dando assistência médica".

O advogado Oleksii Bahanets apresenta a triste estatística: de acordo com os dados oficiais, em 2010 morreram nas prisões 739 pessoas. [Eis como funciona a "democracia" na Ucrânia de Yanukovich. AO]
Na falta de tratamento adequado haverá progressão da cirose hepática com a sua descompensação, sangramento e transformação em câncer. Este é o diagnóstico dos especialistas do Ministério da Saúde.

- Temos um intervalo de vinte dias. Enquanto vocês descansam na praia (claro, não dispensam Lutsenko porque o governo não quer) permitam que aproveitemos estes dias para exames e tratamento, pede Hrymchak aos juízes, lembrando que o pedido oficial de intervalo de 3 semanas foi motivado com a necessidade de proporcionar tratamento ao acusado.

O advogado Ihor Fomin salientou que a defesa não pediu pela libertação de Lutsenko, - "apenas queremos garantir-lhe o necessário tratamento que não pode ser dado em câmera prisional. Ele nem sequer está na divisão médica da prisão".

"Hoje, como político eu posso dizer que o nosso governo, encabeçado por Viktor Yanukovych conduz a situação, desculpe senhora Iryna, de maneira que Lutsenko não viva até a decisão final sobre seu aprisionamento," - completou Hrymchak.

O principal responsável pelo Departamento de Nutrição do Ministério da Saúde também declarou que na prisão a saúde do Lutsenko somente se acentuará.

O médico Oleh Shvets, que examinou Lutsenko em maio e também alguns dias atrás, nos disse que a doença progrediu muito. E para não haver complicações o tratamento deveria ser feito em em hospital com cuidados de gastroenterologista. "Nós demos as necessárias orientações aos responsáveis na prisão. Não sabemos se eles seguiram as orientações dadas, mas Lutsenko não foi transferido para hospital como recomendamos. É muito perigoso não receber o tratamento adequado, a doença vai progredir" - concluiu o médico.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik
 

terça-feira, 11 de outubro de 2011

YULIA TYMOSHENKO: CONDENAÇÃO OU IMOLAÇÃO ?

Veredicto da Tymoshenko: 7 anos mais 1,5 bilhões

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 11.10.2011

O juiz Rodion Kireev pronunciou a mais severa, de todas as possíveis sentenças a Yúlia Tymoshenko - 7 anos de prisão, 3 anos de privação do direito a cargo no governo. Reembolso de 1,5 bilhões de perdas do "Naftogaz" e alguns milhares referentes a custos de exames e despesas do tribunal.

Kireev leu o veredicto por 4 horas, com 4 intervalos. Tymoshenko esteve pálida e quieta. Somente quando Kireev começou ler a parte da resolução ela fez uma declaração e conclamou todos à luta pela Ukraina.

Assim soou o veredicto de Tymoshenko:
 


"As circunstâncias que agravavam ou facilitavam a culpa de Tymoshenko não estão estabelecidas. Levando em consideração o elevado prejuízo social cometido por crimes de Tymoshenko, sua personalidade, ausência de quaisquer remorsos no cometimento do crime, o tribunal não encontra condição para uma punição mais branda do que a prevista em lei.

O tribunal chegou à conclusão, que a ré deve eleger a punição necessária e suficiente para sua correção e prevenção de novos crimes apenas sob a forma de perda da liberdade dentro da sanção mínima prevista pelo artigo 365 do Código Penal... com privação da ré, do direito de ocupar cargos no governo, realização de organizações - regulação e responsabilidades administrativo-econômicas nos limites do artigo 365 do Código Penal.

Tymoshenko Yulia Volodymyrivna considerar culpada do crime prvisto no Artigo 365 do Código Penal da Ukraina e designar sua sentença sob forma de privação de direitos de liberdade por um período de 7 anos e privação de direitos para ocupar cargos no governo... pelo período de 3 anos.

Mantê-la na prisão... a contar de 5 de agosto de 2011, a partir da data da detenção.

Satisfazer a ação cívil do NAK "Naftogaz". Cobrar de Tymoshenko 1.516.365.234,94 UAH (aproximadamente USD 187.500.000), pelos danos causados.

Cobrar, em favor do Instituto de Kyiv, pelos exames judiciais 4.512 UAH (USD 564)".

"Este veredicto é a volta a 1937, respondeu Tymoshenko.

Ela deixou o tribunal após a saída de Kireev, acompanhado por alguns gritos de "Vergonha!".

"Adeus a todos - disse ela em voz baixa.
 







ATIRADORES NOS TELHADOS DOS PRÉDIOS PRÓXIMOS A PECHERSKYI TRIBUNAL FORAM VISTOS PELO FOTÓGRAFOS DO CANAL 5.

(Observem a quantidade de milicianos na retirada da Tymoshenko. O povo grita o nome da Tymoshenko: "Yulia!". OK)

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Opiniões de diversos países

Oleksandr Voytko, Canal 5



Liberar Tymoshenko e outros presos políticos - apelaram às autoridades ukrainianas os Estados Unidos. A representante do Departamento de Estado Victoria Nuland declarou a profunda decepção.

Decepcionaram-se também em Bruxelas. A Comissão de Assuntos Externos do Parlamento Europeu pode adiar a votação do relatório sobre o acordo de associação.

A reação dos países vizinhos também foi dura.

Praga oficial não reconhece o veredicto de Tymoshenko. Kyiv afasta-se das normas européias, realizando a justiça, a responsabilidade política e criminal diferentemente da UE, - declarou o ministro de Assuntos do Exterior da República Checa.

Polônia considera que o processo da lider da oposição estragou a imagem da Ukraina.

Moscou viu a conotação anti-russa na decisão do tribunal. O Primeiro-Ministro do país vizinho Volodymyr Putin, que fez os acordos do gás com Tymoshenko, pelos quais ela foi condenada, comentou o veredicto da China. "Os acordos sobre o gás assinaram Gazprom e Naftogaz (Companhias russa e ukrainiana). Portanto, não está claro por que Tymoshenko tem a responsabilidade por eles. Colocar assim sob suspeita os contratos de gás existentes é perigoso e contraproducente. Os acordos foram assinados em total conformidade com as leis da Rússia, Ukraina e direitos internacionais".

UE deve parar as negociações com Ukraina sobre a integração. O presidente do Partido Nacional Europeu Wilfried Martens chamou o veredicto da Tymoshenko de vergonhoso para um país que declara a escolha pela Europa.

Jerzy Buzek, presidente do Parlamento Europeu: ..."Lamento muito que a ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko foi condenada a sete anos de prisão. A honestidade e independência deste processo levantam sérias dúvidas. Espero, Tymoshenko não vai cumprir a pena na prisão. Em nossa opinião, o tribunal de Apelação deve reduzir a sentença. Esta é uma das nossas principais mensagens para o presidente da Ukraina Viktor Yanukovych.

No Conselho Europeu esperam modificações no Código Criminal da Ukraina em relação aos políticos. Sobre isso pronunciou-se o secretário geral Turbyorn Jangland comentando a decisão do tribunal quanto a Tymoshenko.

A UE vai rever seu relacionamento com Ukraina devido ao veredicto de Tymoshenko.

A UE está profundamente desapontada com o veredicto de Yulia Tymoshenko. Isso consta na declaração oficial do Comissário Supremo da UE de relacionamento exterior Catherine Ashton. O tribunal não esteve em conformidade com padrões internacionais de processo justo, transparente e independente. UE vai rever as relações com Ukraina, a decisão pode afetar o processo de negociação sobre acordo de associação - diz Ashton.

O caso da Tymoshenko não deve afetar a assinatura do acordo de associação com UE. - considera o Ministro de Assuntos do Exterior da Ukraina. Kyiv tem certeza - isso não pode ser usado como meio de pressão nas negociações sobre o acordo de associação. O Ministro de Assuntos do Exterior Kostiantyn Hryshchenko, no Parlamento Europeu, disse que Kyiv nunca esteve tão perto do acordo. No entanto, comentar o veredicto, o lider oposicionista recusou-se. Segundo o Ministro "o tribunal aprovou uma decisou concreta, não podemos comentá-la. A proteção de Tymoshenko poderá impugnar o veredicto no Tribunal de Apelação, depois no Tribunal Europeu dos direitos da pessoa. Os princípios democráticos não proporcionam tratamento especial para uma determinada pessoa cujas ações apresentam sinais de ofensa criminall".

Imediatamente após o veredicto, embaixadores acreditados na Ukraina, reuniram-se na Embaixada da Eslováquia com o vice-lider da "Batkivshchyna" (Partido da Tymoshenko) Gregory Nemyria. O político que ocupa-se com a imagem da Tymoshenko no exterior declarou que o presidente Yanukovych perdeu o apoio da Europa. "A decisou do tribunal é sem precedentes. Isso cria a nítida impressão de que o presidente Yanukovych perdeu o guarda-chuva europeu, sob o qual queria sair seco da água.

A reação doos Ministérios do Exterior dos países europeus continua a fluir. Já condenaram o veredicto a Tymoshenko a Grã-Bretanha, França, Suécia e Alemanha.


Tradução: Oksana Kowaltschuk
Video formatação: AOliynik

domingo, 9 de outubro de 2011

AINDA SOBRE O "MUNDO RUSSO"

"Mundo russo" como tecnologia
Tyszden (Semana), 29.08.2011
Petró Okhotin

O grupo de palavras "mundo russo", apesar de muito utilizado em discussões políticas, para muitos é pouco compreensível. O propósito deste artigo - mostrar, que "Mundo-russo" - é mais que revanche da língua e cultura russa, mais que ambições da Rússia à grandeza imperial e de outras características psicologicamente emocionais.



Antes de tudo nos lidamos com um fato flexível, pensado e difundido de influência de um grupo particular, que identifica seu interesse e visão do mundo com os interesses nacionais da Rússia (o espaço geográfico deste conceito aos ideólogos desta concepção "mundo russo" é significativamente mais amplo que os limites territoriais da Federação Russa).

Para começo tentaremos elucidar, o que introduziram na concepção do "Mundo russo" seus ideólogos. Olga Batanova define "Mundo russo" como um fenômeno cultural e civilizacional, que compõe-se da Rússia como Estado Mãe e países russos de além fronteiras, que unifica pessoas, que independentemente de sua nacionalidade sentem-se como russos, são portadores de cultura e idioma russo, espiritualmente relacionados com Rússia e não são indiferentes aos seus negócios e seu destino. A própria palavra "mundo" neste contexto não significa apenas "mundo", mas também "a vida no mundo", "espaço", etc.

O patriarca Cirilo em saudação ao Dia dos cossacos ortodoxos delineou a geografia desta concepção, chamando de herdeiros da Santa Rus,[1] Rússia, Ukraina, Bielorrússia, Moldávia e Cazaquistão. No artigo programático de A. Stavitsky "Ukraina" e "Mundo Russo" tem as seguintes linhas: O "Mundo russo não é contra Ukraina, mas por aquela Ukraina, que é civilizada, multiétnica e multicultural... daqui se compreende, que a variante "haletska"[2] da lógica russo-ukrainiana, interação ao princípio "tudo, que é bom para os russos, - é ruím para Ukraina e vice-versa para o mundo russo é absolutamente estranho..."

No artigo do consultor político Petró Shchedrovytskyi claramente ressoa o interesse do "mundo russo" - de todas as formas possíveis aumentar a produtividade do capital russo (como base de reprodução ampliada da riqueza; anexação do capital externo, não russo, criação de capital comum, examinando e avaliando tudo isso como um dos fatores de confortabilidade estrutural do capital russo). Como vemos, tal aspecto ideológico logicamente fundamenta a compra de ações de companhias energéticas do Báltico pelo Gazprom, a construção de usinas nucleares no território da Bielorrússia e outras ações práticas, direcionadas na criação de uma base potente para o "mundo russo".

"Mundo russo - não é um assunto somente para funcionários em Moscou. Para os métodos de seu trabalho nos territórios de outros países, os criadores do "mundo russo", apoderaram-se do que havia de melhor da experiência de interação entre a pátria e diáspora, o funcionamento das empresas de corporações transnacionais como Gazprom, Sberbank (banco) e Rosneft (empresa de petróleo) constantemente em destaque no ranking financeiro mundial, práticas de revoluções de veludo através das organizações não governamentais e suborno banal de pessoas influentes (por exemplo Gerhard Schroeder como um dos principais lobistas do "Nord Stream" [3].

Oficialmente no avanço do "mundo russo" ocupam-se: Comissão Governamental em assuntos de compatriotas além fronteiras, Associação Internacional de Professores de língua russa e literatura, Agência Federal sobre assuntos, Fundo "Mundo Russo", Igreja Ortodoxa Russa - ROC ( Russian Orthodox Church) incluindo o departamento de relações externas da igreja.

Passaremos à analise do Fundo "Mundo Russo" como a mais visível ferramenta de suporte às organizações pró-russas. A meta oficial de sua atividade é a difusão da cultura russa e apóio às ciências humanitárias. O presidente do Conselho, Viacheslav Nikonov, é designado por Putin. Ao quadro da direção e conselho tutelar, além de professores e cientistas, entram os representantes da Igreja Ortodoxa Ukrainiana, Administração do Presidente, Secretariado Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, diretores gerais de "médias Holding" do Rádio e Televisão da Rússia e Agência de Notícias da Rússia. Esse fundo é antes de tudo um instrumento financeiro e com seu auxílio pode-se apoiar os projetos necessários, legalmente.

O fato de que o próprio fundo foi criado em 2007 sugere que em sua base está a concepção de financiamento de revoluções de veludo através de fundos não governamentais. O principal, mas não o único parceiro do fundo na Ukraina é o Conselho de Coordenação Ukrainiana de Organizações Russas de Compatriotas, que inclui mais de 140 organizações não governamentais envolvidas na manutenção da cultura russa.

A escala de financiamento desta estrutura, dá a possibilidade de manter tal quantidade: somente do orçamento da FR, em 2009 foi alocado para o fundo 500 milhões de rublos (cerca de US$12.500.000), e considerando a participação no fundo de estruturas como "Russiam Railways", ROC, os média holding e outros, este montante é muito maior. Geograficamente atividades do fundo: de 2007-2010 foram incorporados 710 projetos, deles na Europa - 254, CIS - (Comunidade de Estados Independentes: Azerbaijão, Belarus, Armênia, Cazaquistão, Quirguistão, Moldova, Rússia, Tajiquistão, Uzbequistão) - 154, América do Norte e Sul - 35, Oriente Próximo - 20 Austrália - 6, África - 1.

ROC, em particular a sua representação na Ukraina, é um poderoso núcleo organizacional, que opera com recursos humanos e financeiros, tem acesso aos políticos e empresários de escala republicana e regional. Nos dias atuais a ROC conta com 11.790 comunidades (não incluindo as prisionais e hospitalares), 179 mosteiros, com cerca de 4.700 monges e monjas, 13 missões, 34 fraternidades, 20 escolas religiosas, onde a cada ano estudam mais de 4.000 alunos, aproximadamente 9.518 padres e 108 edições periódicas. Levando em conta a quantidade de outras organizações comunitárias russas, nós vemos um amplo alcance, o qual é sustentado não somente por especulações de temas históricos.

No exemplo da indústria petrolífera é claramente percebida a entrada de empresas russas na Ukraina nas bases perfeitamente legais. Deste modo "Kremenchug Refinaria" de 18,6 milhões de toneladas de petróleo ao ano, foi comprada pela empresa "Tatneft" ainda em 1994; Lisichanskiy Refinaria (16 milhões de toneladas por ano), no ano 2000 passou para propriedade da russa TNK; Refinaria Odessa (3,6 milhões de toneladas/ano) foi comprada em 1999 pela "Lukoil" empresa petrolífera russa e Kherson (8,7 milhões de toneladas/ano) em 2000 - NK "Aliance". Neste exemplo é completamente visível como a atual prática do desenvolvimento da corporação ajuda a realização de interesses nacionais.

Nós tópicos dedicados ao trabalho da diáspora russa, compreende-se a idéia "logística do Mundo Russo". Sua função é resguardada através de uma rede de organizações governamentais, comunitárias e de caridade. No nível estatal existe a definição legal de reconhecimento da categoria "compatriotas no exterior" que é consolidada na Lei Federal de 24.05.1999, nº 99-FZ "Sobre política estatal da FR em relação aos compatriotas no exterior".

Em 2007-2008 com o apoio da Comissão Governamental dos assuntos de compatriotas no exterior realizavam-se pesquisas e foram publicadas coleções de materiais sobre a história e o presente da diáspora russa no Cazaquistão, Uzbequistão, Turquia, Eslovaquia, Dinamarca, Alemanha, países bálticos e escandinavos. Realizavam-se regulares monitorizações das atividades da diáspora da UE, USA e da CEI. Além de estudar a situação existente, executa-se o trabalho com a publicação de jornais, que recebem recursos do orçamento do Estado e patrocinadores privados, possibilidades de ensino da língua a distância e comunicação através da internet, apoio jurídico, criação de centros russos na maioria dos países do mundo (programa "Escritórios do Mundo Russo", cujo objetivo é a organização em cada país de lugares onde se pode obter materiais sobre a Rússia, e entrar em contato com o representante autorizado.

Atrás de tais "inocentes ações culturais e espirituais da comunidade" caminha um trabalho estruturado de relações com a diáspora, seu apoio e trabalhos subsequentes direcionados para contatos com grupos políticos e empresariais dos países para influência crescente de representantes da diáspora. Por exemplo, antigo trabalhador da divisão externa do serviço secreto da KGB Aleksander Lebedev, até recentemente deputado da Duma (Parlamento russo), atualmente é proprietário de jornais britânicos Independenti Evening Standart.

"Mundo russo" - é uma concepção tecnológica, que responde às exigências de tempo e que reuniu os líderes russos do governo e culturais, com estruturas comerciais; a experiência na construção de negócios transnacionais e instalação da hegemonia geopolítica de apreciadores de buscas religiosas e metafísicas, e adeptos de decisões empresariais claras, analiticamente avaliadas. "O mundo russo" usa todos os métodos disponíveis, atuando não só em nível estatal, mas também na mídia, ensino, trabalho comunitário e empresarial.

A resposta ao "mundo russo" não está na vã tentativa de calar clones políticos, mas numa reação adequada em todas as dimensões da vida social.

[1] Rus - primeiro nome do povo da atual Ukraina, dominada no século XVIII pelos "moscovitas", nome dos atuais russos. Os moscovitas apropriaram-se do nome "Rus", modificando-o para Rússia, legitimando dessa forma o seu domínio sobre o povo da "Rus".
[2] "haletska" palavra derivada de Halychyna, região ocidental da Ukraina cujo domínio os russos conseguiram apenas com a II Guerra Mundial e onde sua influência sobre o povo ukrainiano é bem menor que na região leste e central.
[3] Nord Stream é o gasoduto recem construído no Mar Báltico que leva combustível russo de São Petersburgo à Europa Ocidental.


[clique duas vezes na figura para ampliar]

Saiba mais sobre o "Mundo Russo"
O QUE É "MUNDO RUSSO"? - “Рускій мір”?


Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

sábado, 8 de outubro de 2011

Viktor Yanukovych sob pressão de Varsóvia

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 02.10.2011
Serhiy Leshchenko

"Nuvens sobre a nossa integração européia dissipam-se" , - olhava feliz o céu claro de Varsóvia o embaixador da Ukraina à UE Konstantin Eliseev.

O tempo estava bom e chegava ao final a Cimeira de Parceria Oriental.

Donald Tusk (E) primeiro-ministro da Polônia e Viktor Yanukovych (D) presidente da Ucrânia
Foto: Serviço de Imprensa do governo polonês

Por um lado, Ukraina pode realmente alcançar a profundidade sem precedentes de integração com a UE, depois disso, tornar-se um modelo para outras ex-repúblicas soviéticas. Por outro lado - ela estacionou a um passo de formalizar uma nova qualidade de relações - Acordo de Associação. Então, final feliz da história depende da pessoa, a qual hoje não tem outro status que prisioneira da câmera 242 da prisão de Lukianivka.

A relação do presidente da Ukraina chegou a uma encruzilhada. "Todo mundo olha para Yanikovych", - com estas palavras recebia a Cimeira de Parceria Oriental em Varsóvia o local Warsaw Business Journal, que incluía na primeira página a foto de Tymoshenko na cadeia.

Parceria Oriental: uma iniciativa da União Européia por seis países da antiga União Soviética: Ukraina, Moldávia, Geórgia, Azerbaijão, Armênia e Belarus. Surgiu dos esforços da Polônia e Suécia, em uma tentativa de incluir o espaço pós-soviético a UE, embora não prometendo perspectivas de associação.

A conclusão bem sucedida da história com Ukraina - é um desafio para Varsóvia e sua presidência na UE. Este é um teste às suas ambições que deseja reivindicar o papel de lider regional da UE.

Yanukovych calculou mal, acreditando que a Polônia, com base estratégica com a Ukraina, iria suavizar o golpe da prisão da Tymoshenko. Na verdade, Varsóvia se tornou o principal defensor da libertação da lider da oposição Yúlia Tymoshenko.

Ao encontro com Yanukovych em Varsóvia não se preparavam apenas os poloneses. A Cimeira de Parceria Oriental era uma plataforma para os líderes europeus enviarem a Yanukovych o último aviso. Nas sessões de julgamento da Tymoshenko esteve constantemente a vice-presidente da diplomacia alemã Anka Feldhuzen.

A uma semana da Cimeira estiveram em Bruxelas Arseniy Yatseniuk e Petró Poroshenko que pediram ao eurocomissário Stefan Fule não perder Ukraina de vista.

Mais um problema para Bankova (Presidência Ukrainiana) - à voz americana, alemã, francesa e polonesa, as quais publicamente advertem Ukraina sobre o risco de interrupção de integração européia, uniu-se ainda a voz britânica.

 Há um bom tempo e sem resultado, Yanukovych procura por um convite de David Kameron. A Grão-Bretanha foi representada na Cimeira pelo Vice-Primeiro Ministro Nick Clegg, que não teve meias palavras. - "... o Estado da Ukraina tem tudo para se tornar um titã europeu. Mas, só se for construída sobre uma economia de mercado dinâmica, combinada com a democracia viva. Para concluir as negociações com a UE - negociações, que devem transformar a economia ukrainiana de uma maneira revolucionária - nós devemoos presenciar eleições honestas, imprensa livre e garantia que o governo não está empenhado em perseguições a diversas opiniões políticas. Caso contrário, o Parlamento Europeu vai ter muita dificuldade em ratificar o acordo - acordo que está tão sedutoramente próximo."

Yanukovych repetiu aos poloneses que não pode influenciar na decisão da justiça (Como se alguém ainda acreditasse nisso - O.K.). Mas, que os deputados de seu partido poderiam votar pela descriminalização do artigo 365, parágrafo 3, pelo qual Tymoshenko seria presa por sete anos. E que ele assinaria este projeto, mas Tymoshenko deveria admitir publicamente seu erro e compensar as despesas ao "Naftogaz". (A esposa de Yanukovych apareceu em público com um Breguet Reine de Naples, de ouro branco 18, com 128 diamantes de aproximadamentee 0,83 quilates. O valor na Internet é de 422.930 dolares. O interessante é que em sua declaração do ano passado ela recebeu apenas 18.443 UAH - aproximadamente 2.305 dolares - O.K.)

Os interlocutores poloneses ficaram chocados com esta proposta porque tais condições mostraram claramente o não desejo de sair da situação. Eles perguntaram diretamente se Yanukovych está ciente das consequências para Ukraina.

Após as reuniões foi programado um jantar. No vídeo podemos observar a fria recepção dada ao presidente Yanukovych. Comparemos com a recepção a Vlad Filar, primeiro-ministro moldavo.



No dia seguinte Angela Merkel dedicou a Yanukovych menos de 10 minutos apesar de que foram programados 40. Mas dedicou uma hora e meia à oposição bielorussa.

Yanukovych já não parecia satisfeito. Seu lugar foi justamente ao lado da cadeira vazia de Lukashenko, que não foi convidado. Esta foi uma ilustração eloquente para perceber o jogo final de ditadores na Europa.
Yanukovych resolveu não participar do almoço, voou para casa.

O Presidente do Conselho Europeu Herman van Rompuy, numa conferência de imprensa levantou a questão e disse da sua preocupação com Tymoshenko e uso de justiça seletiva.

O Presidente da Comissão Européia José M. Barrozo declarou que todos ficaram satisfeitos com a escolha ukrainiana pela UE. E isto foi dito a Yanukovych. Mas, ao mesmo tempo não podem deixar de lado a sua preocupação pelo destino da Tymoshenko.

No final, jornalistas poloneses, ukrainianos e europeus fizeram três perguntas. Todas referiam-se a Tymoshenko. Donald Tusk declarou abertamente que a situação com Tymoshenko poderá prejudicar o Acordo sobre a Associação, e que isto foi dito claramente aos dirigentes ukrainianos. Em primeiro plano, para UE é a garantia dos direitos humanos. E, ninguém pode ter ilusões porque estes valores são declarados quando conversamos sobre perspectivas de integração com UE.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Vídeo formatação: AOliynik

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

NOTÍCIAS DA SEMANA

Os agricultores vieram a Azarov (Primeiro-Ministro) com forquilhas e foices.
Tyzhden (Semana), 04.10.2011



Cerca de 1.500 agricultores vieram protestar perante o Gabinete Ministerial. Eles seguravam cartazes com slogans: "Não - a destruição de aldeias!" , "Se houver aldeia - haverá Ukraina!", "Orçamento para aldeões, não para oligarcas!", "Taxa alfandegária - genocídio para produtores!", "Terra àqueles que nela trabalham!".

Alguns seguravam grandes forquilhas e foices.

De acordo com os aldeões, agora são estes os instrumentos que devem usar por causa do sub-financiamento da agricultura.

Os camponeses, particularmente, se opoõem à supressão dos direitos sobre as exportações de grãos e exigem "finalizar experiências sobre a agricultura de subsistência.

Eles encontraram o primeiro-ministro Mykola Azarov com gritos de "Vergonha" e "Demissão para Azarov".

Lembramos, o Ministério de Desenvolvimento Econômico e de Comércio propôs os impostos sobre exportações de grãos para 2012: trigo e centeio em - 9%, mas não menos de 17 euros/tonelada; cevada - 14%, mas não inferior a 23 euros/tonelada e de milho - 12%, mas não inferior a 20 euros/tonelada.

Além disso, o Ministério propõe a introdução de taxas de exportação sobre a soja de 12%, mas não menos de 33 euros/tonelada e semente de "ripak" (erva para alimento e extração de óleo) de 9%, mas não menos de 15 euros/tonelada, e ainda sobre o óleo de girassol de 10%, mas não menos de 84 euros/tonelada.

Os manifestantes também exortam o parlamento a aprovar o projeto de resolução de um referendo, para todos os ukrainianos, sobre reforma agrária.

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Seis e meio milhões

Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 02.10.2011

Seis e meio milhões de ukrainianos trabalham no estrangeiro. Isso representa 14,4% da população do nosso país. Tais dados estão contidos nos materiais que distribuiu a Organização Internacional de Migração.
Entre os trabalhadores 67% são homens.
Os países mais frequentemente escolhidos pelos migrantes trabalhadores sâo: Rússia, Israel, Itália, Espanha, República Checa, Hungria, Polônia.
54% dos trabalhadores imigrantes ukrainianos trabalham na construção cívil, 17% no atendimento domiciliar, 9% na agricultura, 6% na indústria e 5% em outras atividades.
Os que mais emigram para trabalho no exterior são das regiões de Transcarpatia e Chernivtsi. Das regiões que menos emigram trabalhadores ao exterior: Keiv, Odessa, Zhytomyr, Kirovohrad, Poltava e Dnipropetrovsk.
59% de trabalhadores que procuram o exterior para trabalhar concluíram o ensino secundário, 14% concluíram o ensino superior, 10% o preliminar ou o ensino secundário incompleto.

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Caso Lutsenko

Tyzhden (Semana), 05.10.2010

O deputado Hrymchak disse que a saúde de Lutsenko está piorando muito na prisão. Ele tem sentido muitas dores e até arrasta uma perna ao andar. É atendido pelos médicos da prisão. Não conseguiu tratamento com médicos de sua confiança, nem hospitalização.

Segundo os advogados as acusações estão se esvaziando, de 7 testemunhas 6 afirmam o contrário das afirmações a ele atribuídas. Até a contratação ilegal do motorista, a ele atribuída como contra lei, foi contestada pelas testemunhas. Mas ainda há muitas testemunhas a
serem ouvidas.

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 Tymoshenko será condenada mas não cumprirá a pena na prisão.

 Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana) 05.10.2011

Tymoshenko receberá a sentença condenatória mas será libertada pela lei de descriminalização. Essa lei não é aplicável ao artigo que lhe imputam, mas um projeto presidencial será aprovado pelo parlamento.

Segundo a fonte, Tymoshenko deve continuar culpada na consciência do público.

Esta manobra não impedirá que Tymoshenko candidate-se a cargo eletivo nas próximas eleições.

A lei sobre descriminalização deverá ser aprovada até o dia 20 de outubro, data em que Yanukovych deverá ir à Bruxelas.

Já no dia 06 de outubro o Parlamento deverá proceder a primeira leitura da nova lei da descriminalização.

No dia 11 do corrente, o juiz Rodion Kireev deverá dar início ao veredicto segundo o qual Tymoshenko será condenada.

(Esta previsão está nós jornais ukrainianos, espero que aconteça - O.K.)

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Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik
 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

PORQUE SOMOS UCRANIANOS - Final

Se você é ukrainiano dado por Deus...

Os cidadãos da Ukraina independente não só tem o direito, mas tem obrigação de saber a verdade sobre a guerra (qualquer que tenha sido) e, finalmente, livrar-se de dogmas ideológicos, o que nos permitirá dar nas mãos àqueles políticos e forças políticas que especulam sobre a história da guerra 1941-1945, e provocam conflitos internacionais, interreligiosos e interregional em nosso país.

Vale seguir exemplo dos japoneses.

Ainda no tempo da União Soviética no Japão decidiram distinguir a data redonda da vitória da frota japonesa sobre a russa na batalha próximo Tsusimy. Moscou reagiu a este fato com violência e amor-próprio.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros protestou, afirmando indelicadeza do lado japonês sobre esta questão.

A guerra já foi a tanto tempo, diziam que todos se esqueceram dela - e por isso os organizadores pretendem reviver a crença, no povo japonês, na superioridade do Japão sobre a Rússia, persuadir os japoneses sobre a realidade da revanche pela derrota na Segunda Guerra Mundial. Os inteligentes japoneses rapidamente encontraram uma solução de compromisso: o Estado não participa nas comemorações. Se os veteranos de guerra quiserem lembrar seus companheiros mortos, que comemorem.

O incidente foi esgotado.

Que fale, quem o que quiser, mas as pessoas que sobreviveram à guerra, em primeiro lugar, os participantes da Segunda Mundial, neste ou outro lado da batalha, têm o direito de considerar 9 de maio como seu feriado. Ou Dia da Memória ou Dia da Reconciliação. Não precisa perturbá-los, muito menos embebedá-los com cachaça barata e mingau de cevadinha para lanche (este ano o trigo "mourisco" estava em falta).

Isso é humilhante, especialmente na situação em que, nem todos os mortos na guerra foram determinados e enterrados, e os sobreviventes vencedores até agora não receberam uma vida decente, digna aposentadoria, status social adequado, mas dizer o que - muito frequentemente até mesmo uma cadeira de rodas, o que lhes permitiria, ao menos, sair do apartamento!

Parece que tudo se encaixou em seus lugares. Na Ukraina uns celebram 9 de maio como feriado "com lágrimas nos olhos", recordando seus dias de luta, outros - como dia de memória pelos amigos próximos e parentes, terceiros querem que este dia seja o dia nacional de reconciliação e consenso.

As pessoas colocam flores nos monumentos e túmulos dos mortos - como a soldados do Exército Vermelho, como a UPA (Exército insurgente ukrainiano). Tem também na Ukraina túmulos irmãos de combatentes.

Os veteranos do Exército Vermelho e UPA juntos comemoravam a libertação da Ukraina do nazismo

Habitualmente, os ukrainianos, que sonhavam com a independência da Ukraina, em primeiro lugar, aqueles que lutaram pela liberdade de seu país, não associam o Dia da Independência a outros eventos históricos e, é claro, não se opõem a ela em 9 de maio. Infelizmente os acontecimentos recentes na vida política da Ukraina inserem inquietação à nossa vida e ao futuro de nossos filhos e netos.

Na maioria dirigente do país uniram-se duas forças - capitalistas e comunistas. Capitalistas, como escrevia Dmytro Dontsov, levam uma vida vegetativa, que não implica tensões musculares, que não apresenta essência de criação nacional. Mas o Partido Comunista do Semonenko - não é aquele PCUS, que, reconhecendo a falibilidade do seu programa, sozinho desintegrou-se.

Digamos assim: bolcheviques às vias de capitulação, Enquanto Stalin liquidava os mencheviques com as mãos da NKVD. E, apesar disso, nas marchas festivas na rua Khryshchatek (Kyiv), às costas de Semonenko carregam retratos de Stalin! Como se não houvesse história da Ukraina: Kruty, Holodomor, Bykivnia...

Mas o problema não é somente na posição de nossos "comunistas", mas sim, que eles se tornaram executores de provocação política com bandeiras vermelhas, fabricadas no Kremlin. E pela enésima vez provocaram os ukrainianos do sul e do oeste, propiciando desentendimentos entre irmãos.

Quando é que nós, ukrainianos, finalmente compreenderemos que a nossa invencibilidade e nosso futuro - em nossa unidade nacional, e a bandeira da vitória dos ukrainianos em todos os tempos é azul-amarela, a Bandeira Nacional da Nação da Ukraina?!

Quando é que nós nos tormaremos os donos "em nossa casa", onde "nossa verdade, nosso poder, e liberdade", como falava o último bardo dos cossacos ukrainianos Taras Shevchenko?!

Até quando nós vamos suportar os insultos vindos da capital do país vizinho, que Ukraina, como país independente - "equívoco", qual igreja para nós é principal e para onde devemos ir rezar, qual é a nossa língua, história, cultura, quem são nossos heróis nacionais, com que nomes devemos designar nossas ruas, com quem devemos manter amizade e de que uniões participar?!

Quando nós, ukrainianos deixaremos de ser "pequenos russos", servos rasteiros, lama de Moscou, os quais condenou o Grande Kobzar (Taras Shevchenko), viver segundo o princípio "minha casa está ao lado...", "dois ukrainianos - três hetmany" (três mandatários) e aprenderemos distinguir o grão da palha?!! E ainda muitos até e quando...

A resposta a estas e outras questões similares é bastante simples: Quando cada ukrainiano (nós somos mais de 80% cidadãos da Ukraina; na Federação Russa, a nação russa é reconhecida por lei como titular o que determina a designação de Federação) despertar e corajosamente, em voz bem alta disser para si, seus filhos, netos e bisnetos: "Eu sou ukrainiano, dado por Deus, conforme minha nacionalidade, alma e espírito!" - nós, de habitantes, eleitorado, nos tornaremos Nação Ukrainiana monolítica - Povo Ukrainiano.

Esperamos que todos os ukrainianos entendam o que isto significa.

Perdas

Nos anos do pós guerra o número das perdas da URSS, referentes à Segunda Guerra Mundial várias vezes mudavam.

1946 - em março, Stalin, no jornal "Pravda" afirma que a União Soviética perdeu, durante a guerra, 7 milhões de pessoas.

1953 - 1960 - já se fala em 17 milhões de vítimas.

1061 - Khrushchev aumenta o número "oficial" a 20 milhões de pessoas.

Desde 1991 - o mais próximo da verdade considera-se o número 26-27 milhões de pessoas, das quais 8 - 9 milhões - militares. O acadêmico russo Oleksandr Yakovlev acredita que os números ofciais sobre as vítimas da Segunda Guerra Mundial ainda estão subestimados e, segundo suas próprias estimativas - 30 milhões de pessoas.

Perdas da Ukraina na Segunda guerra Mundial: informação para Putin.
Ao assunto

O atual 9 de maio não foi sempre "dia vermelho no calendário". Em 1945 na URSS, dia da assinatura do Ato sobre incondicional capitulação da Alemanha declararam feriado. Mas em dezembro de 1947, ainda sob Stalin, o 9 de maio foi transferido para 1º de janeiro. Em 1965, com Leonid Brezhnev, o Dia da Vitória toornou-se novamente feriado.

Especial para Ukainska Pravda (A Verdade Ukrainiana"

Viktor Yushchenko, presidente da Ukraina (2005-2010).

Hryhoriii Omelchenko, Herói da Ukraina, deputado, membro do PACE (Associação Parlamentar do Conselho da Europa) 2006-2010, Tenente-General do Serviço de Segurança da Ukraina. Candidato a Ciências Jurídicas.

Viacheslav Sabaldyr, acadêmico - Academia de Ciências da Ukraina, laureado - prêmio do Estado da Ukraina.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

PORQUE SOMOS UCRANIANOS - Parte 3

"Porque somos ukrainianos..." - Terceira parte
Quantos soldados havia no UPA? O segredo desvenda Klym Savur [8].
No caso de deportação em massa de ukrainianos, como relatavam em sua documentação secreta os tchekistas, à UPA, para proteger seus familiares, juntar-se-á não apenas a população local, mas também dezenas de milhares de soldados do Exército Vermelho. Na Ukraina poderá desencadear uma guerra de libertação nacional contra o regime stalinista comunista, cujos efeitos podem ser imprevisíveis.

Isso foi o que assustou Stalin e forçou-o a suspender a ordem de Beria - Zhukov, sobre a deportação de todos os ukrainianos.

Observamos que a deportação era parte inalienável da política interna de repressão do governo soviético comunista. De acordo com material de arquivo, para o período 1920-1935 foram realizados, no mínimo 130 operações de deportação de nações. Milhões de pessoas foram despejadas, a força, de suas casas e levadas para Sibéria, Cazaquistão, Uzbequistão. Quase metade delas - morreu na estrada (frio, péssima alimentação, excesso de pessoas nos não adaptados vagões de carga, convívio com verdadeiros bandidos - O.K.).

A nação ukrainiana que participou da guerra contra a Alemanha nazista, e tendo sofrido as maiores perdas humanas, permaneceu colônia de outro império totalitário - a URSS - e foi forçada a continuar sua luta pela independência.

É importante recordar, que análogo foi o destino em muitas outras nações do mundo. Enviando seus filhos para as frentes das batalhas, esperava-se, após a vitória sobre Hitler, encontrar a liberdade de metrópoles da Inglaterra, França, Holanda e outros participantes da coalizão anti-Hitler, mas elas permaneceram colônias depois de 1945.
Movimento guerrilheiro ukrainiano contra colonização
Posteriormente, de acordo com a resolução da ONU sobre a liquidação do colonialismo, as nações - colônias, finalmente encontraram a independência. Papel importante na descolonialização dos povos foi a sua contribuição na Segunda Guerra Mundial aos vitoriosos aliados.

Ukraina encontrou-se entre os países "vencedores", um dos fundadores da ONU, internamente da qual, por muitos anos a NKVD continuava aprisionar "traidores da pátria", e enviá-los, ou para exílio em regiões distantes da URSS, ou diretamente para outro mundo...

A ação da ordem de Beria - Zhukov "a deportação deve começar depois da colheita e entregue ao Estado para as necessidades do Exército Vermelho", tornou-se evidente já em 1945, quando surgiram os primeiros sinais da fome. Em 1946 - 1947 o deficit de alimentos na Ukraina atingiu níveis críticos e teve início a fome, que não se verificou no tempo da ocupação alemã!
"Em junho de 1947 verificou-se o pico da fome"
Segundo a contagem dos especialistas do Instituto Nacional de Estudos Demográficos da França, Frans Mele e Jacques Vallen, somente nos anos 1939 - 1949 na Ukraina formou-se um "buraco" para 12,6 milhões de pessoas, incluindo, ao londo dos anos a fome de 1946-1947.

Nas regiões ocidentais da Ukraina aldeias inteiras iniciaram a marcha para além das fronteiras da URSS. Mas isso não impedia a NKVD continuar sua suja ação.

Entre 1943-1947 os "órgãos" responsabilizaram pela "Atividade criminal" 769.535 ukrainianos, entre os quais "pelas atividades antissoviéticas" 570.396 pessoas. 29.733 pessoas foram fuziladas. (Dados do livro "Kyiv durante a invasão fascista").

A compreensão será incompleta, se estes dados não forem comparados com a dinâmica geral da ação repressiva dos departamentos de Beria. Graças a Laurenti P. Beria, ele, tornando-se comissário da NKVD, durante um ano de serviço escreveu ao companheiro Stalin um atestado sobre a realização das repressões em URSS, de 1919 a 1940.

Este documento contém dados interessantes (antes de tudo para os comunistas ukrainianos), então citamos o texto com pequenas abreviações, e de acordo com o original.

"Confidencial. Companheiro Stalin.

Referência

Entre 1919 - 1930, pelos órgãos da Tcheka - OGPU foram fuzilados 2,5 milhões de inimigos do povo, contrarrevolucionários,
sabotadores, etc.

Entre 1930 - 1940 os órgãos da OGPU - NKVD da URSS levaram à responsabilidade criminal e foram condenados inimigos do povo de acordo com sentenças judiciais 1.300.949 pessoas.

Destes foram fuzilados 892.985 indivíduos. Continuam sofrer punição 407.964 pessoas.

Incluindo:

Contrarrevolucionários, antigos líderes partidários de Lenin, que seguiram o caminho da contrarrevolução: condenados 937.110 pessoas. Fuzilados 686.271 pessoas. Continuam sofrer punição 250.839 pessoas.

Membros do Comintern, que seguiram o caminho da contrarrevolução e sabotagem: Condenadas 180.300 pessoas. Fuziladas 95.854 pessoas. Continuam sofrer punição 84.446.

No caso dos escritores "humanistas": condenados 39.870 pessoas. Fuzilados 33.000 pessoas. Continuam sofrer punição 6.870 pessoas.

Entre os participantes efetivos do Exército Vermelho e trabalhadores e camponeses do Exército Vermelho condenados pela traição a Pátria, espiões e inimigos do povo 76.634 pessoas. Fuziladas 35.000 pessoas. Continuam sofrer punição 37.568 pessoas.

Dos funcionários da NKVD, descobertos e revelados inimigos do povo, condenados 63.079 pessoas. Fuzilados 41.800 pessoas. Continuam sofrer punição 22.319 pessoas.

Os dados excluem as mortes nos campos.

Comissário do Povo dos Assuntos Internos da URSS (L. Beria)

Se não foi pela deportação, então foi pela fome
Na ordem de Beria - Zhukov a região de Vinnytsia é mencionada, onde a população ukrainiana supostamente quer o retorno dos ocupantes alemães, esconde os grãos em buracos, sem piedade mata o gado, etc.

Mas o antigo primeiro secretário do comitê do partido da Província de Vinnytsia, comandante do grupo guerrilheiro Dmytro T. Burchenko escreve em suas memórias: "Já nas primeiras semanas após a libertação, os participantes dos "kholkozes" trouxeram para o fundo do Exército Vermelho 4 milhões de "pound" (medida antiga equivale a 13,36kg) de grãos, 47 mil "tsentners" (quintal métrico) de carne e muitos outros produtos.

Os alemães, em retirada, não conseguiram pegar o pão e outros alimentos, em compensação NKVD "sacudiu" nos kholkozes" e casas, tudo. Os ukrainianos, naturalmente, protestaram. Daí, os "libertadores" nas pessoas de Beria - Zhukov decidiram deportá-los todos para Sibéria, e toda futura colheita entregar para o fundo do Exército Vermelho.

Exatamente tudo! E isto causou a fome de 1946-1947, que ceifou a vida de 1,5 milhões de ukrainianos. E ainda o excedente de grãos na Ukraina em 1942-1943.
Pois bem, se acreditar na ordem de Beria - Zhukov, a vida na terra ukrainiana "libertada" começou com a introdução das punitivas divisões da NKVD e restauração de repressões em massa da população pacífica. E isto apesar do fato que nas fileiras do Exército Vermelho, naquele momento, havia 4,6 milhões de ukrainianos: soldados, comandantes de frentes (9 a 15 frentes encabeçadas por naturais de Ukraina) exércitos, divisões, marechais, generais (mais de 300 generais) comandantes de regimentos, batalhões e outras unidades militares, dentre eles - dezenas de heróis da União Soviética.
Seus nomes - piloto exterminador Ivan Kozhedub; comandante da frente sul e sudeste Rodion Malynovskyi; comandante das tropas blindadas Paulo Rybalka; principal comandante da 2ª, 3ª e 4ª frente ukrainiana Semen Tymoshenko; chefe do 38º exército Kyrylo Moskalenko; comandante do 1º Exército de Guardas Andrii Hrechka; dirigente da mais célebre subdivisão em URSS de desembarque marítimo Kostiantyn Olshanskyi; legendários líderes dos guerrilheiros ukrainianos Sydor Kovpak e Oleksii Fedorov; o porta-bandeira Oleksii Berest e muitos outros - para sempre inscritos na história da Grande Vitória.
Ivan Kozhedub - melhor ás aéreo da coalizão anti-hitlerista!
Precisa admitir honestamente que a política repressiva de Stalin-Beria na maior parte desvalorizava a alegria da vitória da URSS sobre a Alemanha, deixando uma cicatriz profunda na alma de milhões de ukrainianos, o que determinou depois os resultados do referendo sobre a independência da Ukraina (mais de 92% "a favor").
De fato o "Dia da Vitória" para os ukrainianos - por sorte, pacífico - tornou-se o Dia da Proclamação da Independência da Ukraina, e também Rússia, Bielorrússia e outras anteriormente repúblicas da URSS tornaram-se, com plenos direitos, membros da comunidade mundial, livraram-se de inquisição na forma de Tcheká - OGPU - NKVD - MGB - KGB - da URSS, embora não tenham esquecido a repressão massiva, os gulags, tratamentos psiquiátricos.
[8] Klym Savur - pseudônimo de Kliachkivskyi Dmytro, nascido em Zbarazh, Ternopil. Filho de aldeões, estudou direito. Foi membro da OUN (Organização dos Nacionalistas Ukraiianos). Organizador e comandante do UPA (Exército Insurgente Ukrainiano). Morreu em luta contra NKVS (Comissariado do Povo dos Assuntos Internos que antecedeu NKVD).
Tradução: Oksana Kowaltschuk
 
Continua...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

PORQUE SOMOS UCRANIANOS - Parte 2

Continuação - Segunda parte:

Nação ukrainiana, seu campesinato, apesar da mágoa e ressentimento causado pela NKVD e Gestapo cumpriu sua missão na Terra. O pão, cultivado e produzido pelos trabalhadores dos 40 mil "kolkhozes" (fazendas coletivas do Estado) recebeu não só a Wehrmacht, Reich e a população da Ukraina, mas também as províncias da Rússia, Bielorrússia, Estados Bálticos e até Finlândia.

Desde 1943 e até o final da guerra, Ukraina abastecia com o pão e outros alimentos o Exército Vermelho, que destruia as tropas de Hitler em solo alemão. "Agradecer" por isso aos ukrainianos em Moscou decidiram de um modo muito peculiar.

"A todos os ukrainianos - em afastados locais do país".

Em meados de 1944, quando os batalhões ribombavam além das fronteiras ukrainianas, quando nas fileiras do Exército Vermelho 4,6 milhões de ukrainianos iam ao ataque ao lado de representantes de outras repúblicas soviéticas, surgiu "inteiramente secreta" ordem do Comissário de Assuntos Internos da URSS Lavrenti Beria e sub-Comissário da Defesa Georgy Zhukov. Apresentamos o texto na íntegra:

"Absolutamente secreto"
Ordem Nº 0078/42
22 de junho de 1944, Moscou
Pelo Comissariado Popular
De Assuntos Internos da URSS e
Comissariado Popular da Defesa
da União URSS.

A agência do serviço secreto determina:
Recentemente, na Ukraina, especialmente em províncias de Kyiv, Poltava, Vinnytsia, Rivne, e outras províncias, verifica-se claramente um clima hostil da população ukrainiana contra o Exército Vermelho e as autoridades soviéticas locais. Em alguns distritos e províncias a população ukrainiana se opõe com hostilidade à realização dos "kolkhozes" e entrega de pão para o Exército Vermelho.

Eles, com a intenção de interromper o funcionamento das fazendas coletivas, com selvageria matam o gado. Para interromper o abastecimento alimentar ao Exército Vermelho, enterram o pão em covas. Em vários locais, elementos hostis, principalmente pessoas que fogem da mobilização ao Exército Vermelho, organizam nas florestas bandas "verdes" os quais, além de prejudicar os escalões militares, ainda atacam as suas pequenas unidades, e também matam funcionários do governo local.

Alguns soldados e comandantes do Exército Vermelho influenciados pela população ukrainiana, simpática ao fascismo, das províncias libertadas da Ukraina, começaram a decompor-se e passar para o lado do inimigo. Do acima exposto fica claro que a população ukrainiana colocou-se, evidenemente no caminho à volta dos ocupantes alemães. Portanto, com a meta de liquidação e controle sobre os soldados mobilizados do Exército Vermelho e os comandantes das províncias libertadas da Ukraina,

Determino:

1. Deportar para remotos países da URSS todos os ukrainianos que viveram sob o domínio dos ocupantes alemães.

2. Efetuar a deportação:

- Em primeiro lugar os ukrainianos que trabalharam e serviram aos alemães;


- Em segundo lugar deportar todos os outros ukrainianos, que se familiarizaram com a vida durante a ocupação alemã, - a deportação deve começar depois da colheita e entregue ao Estado para as necessidades do Exército Vermelho;

- A deportação deve realizar-se somente a noite e de repente, para impedir que se escondam ou que saibam os membros de sua família que estão no Exército Vermelho.

3. Sobre os soldados e comandantes nas províncias ocupadas estabelecer os seguintes controles:

- Estabelecer em departamentos especiais questões específicas a cada um;

- Verificar todas as cartas, não pela censura mas através de um departamento especial:

- Fixar um funcionário secreto a cada 5 comandantes e soldados.

4. Para combate das bandas antissoviéticas transferir a 12ª e 25ª divisões punitivas da NKVD.

Anunciar a ordem ao comando do regimento, inclusive.


Comissário do Povo da Administração Interna
Assuntos da URSS - Beria

Sub-Comissário da Defesa da URSS
Marechal da União Soviética - Zhukov


A cada um que lê este texto pela primeira vez, pode surgir a pergunta: ou ele está enlouquecendo, ou Beria com Zhukov ainda em 1944 perderam a razão, assinando tal documento.

[A redação de A Verdade Histórica diz que muitos dos historiadores atuais consideam esta ordem falsa. As últimas pesquisas levam a crer que o texto desta ordem é uma falsidade nazista, não um verdadeiro documento soviético.]

Pessoas de avançada idade lembram, rumores sobre esta ordem rastejaram antes do término da guerra. Mais tarde apareceram os que sofreram consequências da ordem de Beria - Zhukov - deportadas aldeias e povoados inteiros da Ukraina Ocidental para Sibéria e Ásia Central, mas falavam sobre isso em sussurros e só aos mais próximos.

O documento em si não é apenas único, ele é fraudatário. O conteúdo do preâmbulo - evidente falsidade, construída pela NKVD. Afinal, nada semelhante ao que é afirmado no preâmbulo da Ordem, por Beria e Zhukov, não houve e não pôde ter havido.

Fatos listados na ordem, não constam em qualquer análise de acontecimentos na Ukraina. As bandas "verdes" houveram na região de Kyiv nos anos da guerra civil. Ademais só uma "banda verde" em Obukhov. Os últimos fatos não chamam atenção, além do sorriso amargo. Delírio qualquer!

Igualmente odiosa é a segunda parte da ordem. Claramente definidos os objetivos de Beria-Zhukov, e, é claro, de Stalin. Aliás, a palavra "determino" atesta o fato de que a ordem foi definida para assinatura de uma pessoa. Esta pessoa seria exatamente Stalin, mas ele decidiu "encostar" outros, em seu lugar. Este era seu truque favorito. Anteriormente, em 13 de abril de 1494, Beria assinou a ordem do Comissário do Povo de Assuntos do Interior da URSS e Comissário do Povo da Segurança do Estadoo Nº 00419/00137 "Sobre atividades de limpeza do território da Criméia - RSSA (República Socialista Soviética Autônoma de Bashkir) de elementos antissoviéticos". Agora lembrem os exemplos, quando Joseph Stalin assinava pessoalmente as diretrizes, na base das quais NKVD, em massa, realizava forçadas deportações das nações que habitavam Criméia. E ainda, Resolução do Comitê da Defesa do Estado da URSS, de 11.05.1944, Nº 5859, sobre a deportação do território da Criméia, de todos os tártaros para República Soviética de Uzbequistão. Resolução do Comitê de Defesa do Estado da URSS de 02.06.1944, Nº 5894 sobre a deportação do território de Criméia dos búlgaros, gregos e armênios. Resolução do Comitê da Defesa do Estado da URSS de 24.06.1944, Nº 6100 sobre deportação da Criméia dos iranianos, italianos, romenos, austríacos, ciganos e outros.

Como deportavam os tártaros da Criméia. Informação histórica.

Com base nestas resoluções de Stalin e determinações de Beria, de acordo com dados de arquivo, em resultado de operações punitivas da NKVD-URSS, somente em 18-20.05.1944, da Criméia foram deportados 194.111 tártaros. Ao todoo, na primavera e no verão daquele ano, à força deportaram mais de 200 mil tártaros da Criméia, Em 27.06.1944 deportaram da Criméia 12.422 búlgaros, 15.040 gregos, 9.621 armênios, 3.652 representantes de outras nacionalidades.

Já em 04.07.1944 Beria informou a Stalin, por escrito, que a deportação da Criméia, dos tártaros, gregos , armênios, búlgaros e outros elementos antissoviéticos foi concluída.

Com base na Resolução do Conselho de Ministros da URSS, de 29.01.1949, Nº 390 - 139 as forças de ocupação soviética, de 25 a 29.03. 1949 realizaram uma operação em grande escala, sob o codimome de "Preamar", de deportação dos habitantes da Estônia, Letônia e Lituânia. De acordo com essa resolução dos Estados Bálticos era necessário deportar pessoas com as seguintes características:

1. Membros de famílias de bandidos e/ou nacionalistas, incluindo as famílias de bandidos que se escondiam, os quais já foram condenados e os que foram condenados à morte;

2. Bandidos legalizados e suas famílias, que continuavam as atividades antissoviéticas;

3. Pessoas e suas famílias que ajudavam os bandidos;

4. "Kurkuli" (pessoas com algumas posses) e suas famílias.

A execução da operação "Preamar" era obrigação do Ministério da Defesa da URSS (MGB - Ministério da Segurança do Estado) e Ministério dos Assuntos do Interior da URSS (MVD).

O Ministério da Defesa do Estado era responsável pela primeira parte da Operação "Preamar" - compilação da lista de famílias para deportação, a apreensão destas pessoas e o envio deles para os especialmente preparados locais de carga nas estações de trem. O Ministério dos Assuntos do Interior devia preparar os comboios nos locais de carga e enviá-los ao seu destino.

À Siberia como no feriado! Vídeo humorístico estoniano sobre deportações. (Vídeo)

Durante o mês de março (25 - 29.03.1949) foram deportados à força, da região Báltica quase meio milhão de estonianos, letões, lituanos e outros povos que lá viviam.

Nos países do Báltico, após recebimento de sua independência, os tribunais condenaram dezenas de dirigentes, de vários níveis do MGB e MVD,os quais participaram das deportações em março de 1949. As deportações foram reconhecidas pelos tribunais como crimes contra a humanidade, e o regime de ocupação totalitária da União Soviética, como da Alemanha nazista - criminoso. (As pessoas que a União Soviética chama de "bandidos" na verdade eram as pessoas que se opunham ao domínio totalitário, a qualquer preço, pela Rússia, das nações cujos territórios lhe interessavam - O.K.).

Por que os ukrainianos tiveram sorte?

Então o objetivo - desterrar da Ukraina todos os ukrainianos, da Criméia - todos os tártaros, dos países Bálticos - estonianos, letões, lituanos e outros "elementos antissoviéticos"! Será que isto não é genocídio destas nações e crime contra a humanidade? A deportação dos países bálticos e da Criméia foi realizada em apenas alguns dias.E por que surge a pergunta, não foi totalmente executada a ordem de Beria - Zhukov Nº 0078/42 sobre a explusão de todos os ukrainianos às regiões remotas da União Soviética?
As razões são várias.
De acordo com os dados oficiais soviéticos, a população da URSR (República Social Soviética da Ukraina) em 1940 constituía-se de 41,3 milhões de pessoas. Em 1º de janeiro de 1945 em Ukraina os órgãos oficialmente registraram 27,383 milhões de pessoas. A diferença é de 13,917 milhões de indivíduos. Por conseguinte, durante os anos da Segunda Guerra Mundial, Ukraina perdeu 14 milhões (!) de pessoas.

As perdas da Ukraina na guerra foram tão grandes, que só em 1960, até com a adesão da região do Transcarpathia (1944) e Criméia (1954) a população aqui alcançou o nível de 1941! É fácil de calcular, que no dia da assinatura da destacada ordem (22.06.1944) viviam na Ukraina 27 milhões de pessoas que sobreviveram à ocupação alemã.

Deportados "em segredo", "somente à noite" e "de repente", tal quantidade de "todos os ukrainianos" em poucos dias, como fizeram na Criméia e nos Países Bálticos, era impossível. Na União Soiética simplesmente não havia para isto tal quantidade de vagões!

Além disso, quando a ordem de Beria - Zhukov começaram trazer até os "comandantes do regimento, incluíndo", e das províncias ocidentais da Ukraina foram deportados algumas centenas de milhares de ukrainianos, os funcionários expeditos da NKVD e SMERSH (significado da palavra Smerch: morte aos espiões - O.K) em seus relatórios secretos informaram à administração que no Exército começaram "os sentimentos em massa, prejudiciais, nacionalistas e antissoviéticos, entre soldados e oficiais.

Na frente da batalha aumentaram os casos, quando soldados e comandantes, conscientemente iam ao encontro da morte, ao tomar conhecimento, que suas famílias foram represadas pelo fato de ter permanecido em ocupação temporária.

Ao mesmo tempo, quase em todo território da Ukraina intensificava sua luta de libertação nacional o Exército Insurgente Ucrainiano (UPA), em cujas fileiras havia dezenas de milhares de soldados bem treinados , organizados, disciplinados e armados. Além disso eles contavam com o apoio da população.
Tradução: Oksana Kowaltschuk
Continua...