sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

FRAUDE NAS ELEIÇÕES RUSSAS

Em algumas províncias da Rússia votaram até 146% (!) eleitores

Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 06.12.2011
Ihor Tymots - Ascold Yeromin


Medvedev (E) e Putin (D)

A contagem dos votos mostra que o apoio ao partido governante, "Rússia Unida", em comparação com as eleições parlamentares anteriores, caiu. O partido "Rússia Unida" perdeu a maioria das cadeiras na Duma. Dos 96% de votos computados, o partido "Rússia Unida" recebeu 49,5 dos votos, ou equivalente a 238 das 450 cadeiras.

Os observadores independentes falam sobre os fatos da interferência do governo e das fraudes em massa nas eleições. Verificam-se maiores quantidades de cédulas nas urnas que eleitores inscritos em diversas províncias, de até 146%, votos de "almas mortais", listas de eleitores não verificadas. A oposição chamou seus apoiadores para manifestação. Serhii Mironov, líder do partido "Rússia Justa”, disse que na capital do norte (São Petersburgo) a violação da lei foi total - descaradamente reescreviam os protocolos.

Então, o "patrão" já não é tão forte como antes... E o famoso "poder vertical", que com tanta obstinação construía Putin, pode mover-se.

Claro, ainda falta um bom tempo para as eleições presidenciais, e Putin fará todo o possível para corrigir a situação. Para evitar o segundo turno, Putin necessita aumentar seu ranking pessoal. O que precisa fazer para isso? Aquilo que esperam os seus eleitores. Para saber, é suficiente para Putin olhar o resultado da Duma. Parte de votos que esperava "Rússia Unida" não foi para os democratas, com foco na construção de uma "Rússia Européia". Esses votos receberam, principalmente, os comunistas de Zyuganov e os chauvinistas de Zhyrynovskyi... Para recuperar os votos desses eleitores para si, Putin claramente vai jogar nos próximos seis meses no campo eleitoral do Partido Comunista e LDPR (Partido Democrata Liberal da Rússia - Zhyrynovskyi) e continuará a construção da União Eurasiana. A melhor coisa para Putin seria, promover até a primavera, "uma pequena guerra vitoriosa". Então venceria no primeiro turno. Possíveis variáveis não são muitas.

Em 25.11.2011 Lukashenka negociou com a Rússia as ações da Byeltranshaz, que até então era propriedade da Bielorrússia, em troca de um crédito de USD10 bilhões a 15 anos, construção de uma usina nuclear no território bielorrusso e o preço do gás no mesmo valor de Yamalo-Nenetz, local onde é explorado, preço que já foi negociado anteriormente com a Rússia e não vigorou. Mas, segundo promessas de Putin entrará em vigor agora e isto porque Lukashenka ameaçou não entrar na União Aduaneira.

Na Geórgia guerra já é passado. Agora, verdade, na Ossétia do Sul - revolta - não quiseram votar no candidato "correto" [1]. É possível entrar em Tskhinvali. Mas Ossétia não é o escopo.

Resta Ukraina. Se Putin a domar, serão seus os votos da "Rússia Unida", dos comunistas de Zyuganov e do Zhyrynovskyi. Como grande vitória de Putin, aos olhos dos eleitores russos tornar-se-ia a não integração da Ukraina com UE. Se, em 19 de dezembro a cúpula UE-Ukraina não realizar-se (ou o Acordo dobre a Associação da Ukraina com UE não for rubricado), as chances da vitória de Putin no primeiro turno aumentam.

Nos protestos contra as fraudes, em Moscou e São Petersburgo já prenderam mais de 450 pessoas.


[1] Alla Dzhyiova, oposicionista, venceu o 2º turno das eleições presidenciais, o que não foi reconhecido. Depois da decisão da justiça o presidente Kokoite declarou que todas as seguintes ações da Dzhyiova estarão fora da lei e reforçou que as eleições presidenciais realizar-se-ão em 25.03.2012. Em Ossétia realizam-se protestos contra ações do governo pró-Rússia.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

AO ENCONTRO DA DEMOCRACIA

Dniprohrad, 21.11.2011
Serhii Lyshchenko


Dístico: "Urna para votação"
 Casualmente e sensacionalmente o Parlamento ukrainiano aprovou a nova lei eleitoral. Finalmente a certeza chegou aos deputados que precisavam dividir-se entre o investimento na base e a acumulação de dinheiro para compra de espaço na lista.

A nova lei eleitoral foi aprovada. Ela foi apoiada por 366 deputados, neste número quase 2/3 do bloco Tymoshenko e metade da facção NUNS (Nossa Ukraina - Autodefesa Nacional).

As novas regras para as eleições parlamentares de 2012, aprovadas de acordo com a vontade de Viktor Yanukovych, pavimentam seu caminho para permanecer no poder.

Então, o que conseguiu Yanukovych? Conseguiu um sistema misto, com metade do Parlamento eleita através das listas, metade - pelas bases majoritárias.

Este retorno ao passado tem uma explicação óbvia. Só assim Yanukovych poderá manter o controle do novo Parlamento e, ao mesmo tempo derrubar o lastro de seus próprios deputados com fim de mandato, enviando-os para as bases majoritárias.

As últimas eleições sob este sistema ocorreram em 2002. Na época o bloco do ex-presidente Yushchenko, “Nossa Ukraina”, conseguiu o primeiro lugar com 25% e através das listas entraram mais 80 deputados, mesmo assim Yushchenko não constituiu a maioria. Assim, a maioria dos deputados majoritários uniu-se ao bloco "Pela Ukraina Unida" e unidos conseguiram os 226 votos (50%+1) deputados, constituindo a maioria parlamentar.

É exatamente na repetição do procedimento análogo que aposta Yanukovych, somente precisa mudar os nomes dos partidos.

E é por isso que Yanukovych precisa do sistema majoritário no parlamento. O argumento de que a nação precisa do deputado eleito em seu território cai por terra - tanto o governo, quanto a oposição não quiseram apoiar a lei sobre as eleições através de listas abertas.

O segundo requisito fundamental de Yanukovych que foi satisfeito pela nova lei é a proibição de blocos. Deste modo o presidente tenta nivelar a influência de seus oponentes carismáticos - Tymoshenko e Yatseniuk, quando na verdade seus partidos políticos têm identificação muito alta.

A terceira condição de Yanukovych foi a exigência de aumentar em 5% a barreira transitável. Isto foi feito não apenas com a meta de não deixar entrar no parlamento as forças menores de oposição, como também para educar os seus aliados - os comunistas e o bloco do Lytvyn, os quais, tendo facções dez vezes menores que o Partido das Regiões, tentaram ditar-lhe suas exigências.

Em resumo, o bloco do Lytvyn já anunciou sobre sua fusão com o partido das Regiões, enquanto os comunistas tentarão abrir passagem ao parlamento através de suas bases majoritárias.

Assim Yanukovych conseguiu os principais objetivos políticos na lei referente às eleições.

Por primeiro, a vontade popular será realizada através do sistema que lhe dá chance à maioria. Em segundo lugar, a lei foi apoiada por todas as facções parlamentares, sem exceção, o que atende às exigências do Ocidente, o qual, nos últimos meses "secou" o cérebro do Yanukovych exigindo que as regras sobre as eleições fossem escritas e aprovadas por consenso e não na Bankova (endereço da Presidência).

E os primeiros comentários positivos dos europeus não tardaram. "Esta é uma notícia positiva, que uma larga maioria no Parlamento da Ukraina chegou a acordo sobre uma nova lei eleitoral", - escreveu em seu Twitter o Ministro dos Negócios Estrangeiros Sueco e um dos lobistas da Ukraina, Carl Bildt.

Mas, por que a oposição apoiou este projeto de Lei?

Segundo fontes, anteriormente à votação houve uma reunião da facção B'iut (Tymoshenko) onde Oleksandr Turchenov pediu aos deputados para votarem a favor, antes que Bankova tenha tempo para fazer alterações à lei. Vários membros apoiaram.

De 103 deputados do B'iut, 62 votaram a favor.

Interessante que nesta reunião surgiu a pergunta sobre o que achava Tymoshenko. Turchenov respondeu que não conseguiu encontrar-se com ela, mas que, segundo o advogado, Tymoshenko deu o seu consentimento. No entanto, neste caso, não está claro por que o advogado Serhii Vlacenko, que é deputado, não votou a favor da lei...

Os oposicionistas argumentam que "entre o ruim e o péssimo, escolheram o ruim".

Mas a pergunta é, caso este projeto não tivesse sido aprovado, tentaria Yanukovych aprovar o projeto odioso de Yefremov? Iria Yanukovych provocar ainda mais o cidente, adotando regras muito mais adequadas à fraude?

Ou será que o projeto de Yefremov foi introduzido com o único propósito de ser uma moeda de troca nas negociações? Então, Yanukovych abandonando-o criou a ilusão de que fez importantes concessões à oposição. Quando, na verdade, manteve a principal formação de sua maioria no parlamento - um sistema misto de 50 - 50.

Como resultado, todos os grandes jogadores estão satisfeitos com a nova lei.

Yanukovych porque lhe parece ter encontrado a maneira de resolver seu dilema para 2012.

Tymoshenko e Yatseniuk se convenceram que o novo sistema lhes garante a possibilidade de firmar-se, ao menos, nas posições atuais. Mas, precisaram dar muitas explicações aos jornalistas.


Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

BELICISMO RUSSO

Caro Leitor:

Fora dos continentes europeu-asiático, poucos são os que sabem como são os russos. Um povo belicista, dominador, cruel e sangüinário. Mesmo tendo o território mais extenso do mundo (17.075.400 Km2), nunca se satisfaz. Está sempre a busca de novas dominações, sejam elas territoriais, psicológicas ou ideológicas.
A cronologia apresentada a seguir, comprova a assertiva.

O Editor.



Período
Histórico
1471 - 1496
- Guerra contra Novhorod-Siversky
1499
- Marcha para Ural.
1500 - 1503
- Guerra contra Lituânia.
1512
- Guerra contra Polônia
1550
- Guerra contra o Khan de Kazan
1550
- Segunda guerra contra Kazan
1556
- Guerra contra Astrakhan
1557
- Guerra contra Criméia
1558 - 1563
- Guerra contra Linflandia (?)
1579
- Guerra contra Polônia
1581
- Marcha para Sibéria
1590 - 1595
- Guerra contra Suécia
1598
- Guerra contra Khan da Sibéria - Kutchma
1600
- Marcha ao rio Ob na Sibéria
1608 - 1618
- Guerra contra Polônia
1610 - 1617
- Guerra contra Suécia
1632 - 1634
- Guerra contra Polônia
1637
- Guerra contra Azov
1643 - 1652
- Guerra contra China
1654 - 1667
- Guerra contra Polônia, início da ocupação da Ucrânia
1656 - 1661
- Guerra contra Suécia
1668 - 1669
- Guerra contra Pérsia - Iran
1671
- Marcha para Astrakhan
1676 - 1681
- Guerra contra Turquia, Criméia, Moldava (Moldávia)
1687
- Guerra contra Criméia
1689
- Marcha para Criméia
1695
- Marcha para Azov
1695 - 1697
- Marcha para Kamtchatka
1700 - 1721
- Guerra contra Suécia, início do extermínio do Hetmanato.
1711
- Guerra contra Turquia
1722 - 1724
- Guerra contra Pérsia - Iran
1733 - 1739
- Guerra contra Polônia
1735 - 1739
- Guerra contra Turquia, Criméia, Moldava
1741
- Guerra contra Polônia
1741 - 1743
- Guerra contra Suécia
1756 - 1762
- Guerra contra Alemanha
1764
- Catarina II liquida o país dos Hetmane
1768 - 1774
- Guerra contra Turquia e Moldava
1787 - 1792
- Guerra contra Turquia e Moldava. Ocupação da Criméia
1788 - 1790
- Guerra contra Suécia
1792
- Guerra contra Polônia
1794
- Guerra contra Polônia
1769
- Guerra contra Pérsia - Iran
1799
- Guerra contra a França
1800
- Guerra contra a Inglaterra
1804 - 1807
- Guerra contra França
1805 - 1812
- Guerra contra Turquia e Moldava
1806
- Marcha para Sakhalin
1808 - 1809
- Guerra contra Suécia
1812 - 1814
- Guerra contra Suécia
1812 - 1814
- Guerra contra França
1813
- Guerra contra Geórgia
1820
- Marcha para Cazaquistão
1826 - 1828
- Guerra contra Pérsia - Iran
1828 - 1829
- Guerra contra Turquia, Moldava, Valakhia
1833
- Marcha contra Constantinopla
1839
- Marcha para Khiva (?)
1843 - 1859
- Guerra contra Chechênia, Daguistão, Tcherkacia
1847
- Marcha para Cazaquistão
1850
- Marcha para KoshKurgan
1853
- Marcha para Ak-Metsheth (?)
1853 - 1856
- Guerra contra Turquia, França e Inglaterra , na Criméia
1850 - 1856
- Marcha para Kokand
1865
- Ocupação de Tashkend
1866 - 1868
- Marcha para Bukhar
1868
- Ocupação de Samarkand
1873 - 1875
- Marcha para Khiva
1877 - 1878
- Guerra contra Turquia
1880 - 1881
- Marcha para Turkmenistan
1884 - 1885
- Marcha para Afeganistão
1901
- Ocupação da Manchúria
1904 - 1905
- Guerra contra Japão
1914 - 1917
- Guerra contra Alemanha, Austro - Hungria, Bulgária e Turquia
1917
- Guerra contra a Finlândia
1918
- Guerra contra a Ucrânia
1918
- Marcha para Lituânia, Letônia e Estônia
1919
- Marcha para Bielorrússia
1919 - 1921
- Guerra contra Ucrânia
1920 - 1921
- Ocupação da Geórgia, Birmânia e Azerbaijão
1939
- Guerra contra Polônia
1939 - 1940
- Guerra contra Finlândia
1939
- Ocupação das terras ocidentais ucranianas
1940
- Ocupação da Bessarábia e sul da Bucovina
1941 - 1945
- Guerra contra Alemanha
1941
- Ocupação militar da Pérsia - Iran
1944
- Ocupação da República de Tubinsk
1945
- Marcha para Japão
1956
- Marcha para Hungria
1968
- Marcha para Tchecoslováquia
1979 - 1990
- Guerra em Afeganistão
1992
- Guerra em Moldava
1991 - 1994
- Guerra em Ossétia do Sul e Abhkazia, contra Geórgia
1992 - 1996
- Guerra em Tadgiguistão
1994 - 2000
- Guerra em Chechênia
2008
- Guerra contra Geórgia
???
QUEM SERÁ O PRÓXIMO ???



Fonte: Jornal ucraniano virtual “Vessokiy Zamok”

Decididamente este povo não gosta de paz. São 94 guerras ou conflitos militares em 537 anos. É muita coisa.

Nota: É possível que alguns países, regiões ou localidades se defrontem com a dificuldade de transliteração do ucraniano para o português.

Pesquisa, compilação e tradução: Oksana Kowaltschuk

Foto formatação: AOliynik