quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

RETROSPECTIVA POLÍTICA NA UCRÂNIA

Abrindo as cortinas para 2012, defrontamo-nos com duas reportagens: a do jornal "Verdade Ucraniana" onde o troglodita e  tirano presidente da Ucrânia se auto-vangloria com suas pseudo-realizações e a reportagem do jornal "Castelo Alto" onde o jornalista Ivan Farion faz uma retrospectiva política na Ucrânia em 2011, sob o governo do presidente mafioso.
As visões são paradoxas: enquanto o mafioso presidente da escola russa pinta o cenário com lentes "cor-de-rosa", o povo ucraniano vê esse mesmo mundo com lentes "cinzas", para não dizer "negras", pois não há perspectivas de mudanças ou melhoras e a solução não virá via eleições como muitos ucranianos acreditam. Voto jamais foi sinônimo de democracia, apenas um anestésico para entorpecer mentes ingênuas.
A democracia, se é que ela tenha existido algum dia, foi banida da Ucrânia. O país continua subjugado à tirania, aos comunistas e agora também aos mafiosos que se proliferam como praga sob a batuta de seu líder.
Boa leitura!

O Cossaco.


Yanukovych se gaba, de que viveu um ano determinativo

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 01.01.2012

Em seu discurso às vésperas de Ano Novo, entre outras coisas, Yanukovych disse:

"Ukraina viveu 2011 com dignidade". (De que dignidade o presidente está falando? AO)

"Nós construímos pontes e estradas, escolas e hospitais, estádios e aeroportos. Obtivemos colheitas recordes, nós abrimos Ukraina para o mundo".

Nós continuaremos a modernização do nosso país, continuaremos a construção de um Estado economicamente desenvolvido, um Estado democrático". (Destruir toda e qualquer oposição e calar a voz da imprensa é democracia? AO)

"No próximo ano receberemos o Campeonato Europeu de futebol. Nós receberemos os visitantes com dignidade e lhes mostraremos nossa sincera, natural reciprocidade. Eu sei, o espírito da vitória unirá nosso país". (Significa que o país está desunido! AO)

E, ainda, de acordo com Yanukovych, Ukraina, este ano, lançou um novo nível de relações com União Européia. (Depois do fracasso quanto à assinatura do Acordo para associação??? - OK).

É importante observar que após a apresentação do presidente não soou o Hino Nacional da Ukraina.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

Governo, no qual alguns ingênuos acreditavam
Vysokui Zamok (Castelo Alto), 29.12.2011
Ivan Farion

O que ganharam-perderam os ukrainianos no segundo ano do governo de Viktor Yanukovych

No final do ano é tempo de fazer um balanço das realizações do governo. Ao contrário do prometido, os ukrainianos não se alegraram com “rica” colheita. Eles perderam mais do que ganharam, apesar de alguns receberem grandes adiantamentos. Ukraina foi sacudida por tempestades sociais, promessas de estabilidade esperadas em vão. O barômetro político continua apontando para a palavra "nublado"...

Lembro, em janeiro de 2010, dias antes do segundo turno para eleições presidenciais, um amigo, pessoa de grande experiência vivencial dizia: "Talvez sejamos preconceituosos contra Yanukovych? Se ele é um gerenciador pragmático, chegará ao poder, veja, finalmente Ukraina viverá uma vida normal. Dê-lhe pelo menos um ano para trabalhar..." As previsões do meu amigo se baseavam no fato de que, após a derrota nas eleições de 2004, Yanukovych teria reavaliado e mudado radicalmente a si mesmo, o seu estilo e os seus métodos de trabalho.

Passaram-se dois anos. Encontrei meu amigo e ele admitiu: "Desculpe, eu era ingênuo..." Sentimentos semelhantes experimentam inúmeros ukrainianos. O último estudo sociológico do Centro Razumkov mostrou que um terço de compatriotas considera sua maior decepção o presidente Yanukovych. Os analistas observam: Yanukovych perde sua credibilidade muito mais rápido que seu antecessor, o presidente Yushchenko.

O maior fiasco do ano - fiasco com a assinatura do Acordo sobre Associação com UE, embora ele já estivesse, como se costuma dizer, em seu bolso. Com essa sua derrota Yanukovych, por um longo tempo complicou a vida de muitos ukrainianos - laços mais estreitos com Europa permitiriam aos nossos compatriotas conduzir com maiores êxitos suas pequenas e grandes empresas, com significativamente menores obstáculos burocráticos e menores custos financeiros para viajar a Europa, trabalhar lá, estudar. "Engagement" com a Europa teria acelerado o fluxo de investimentos ocidentais, e isto melhoraria significativamente a nossa débil economia. Não estava escrito. Com sua inconseqüência o pseudo-euro integrador Yanukovych ganhou reputação mundial de um homem que diz uma coisa e faz outra.

O presidente conseguiu não apenas brigar com a Europa, USA, mas não conseguiu construir pontes com a Rússia, para a qual, até então inclinava-se. Em particular, não realizou seu compromisso que prometia gás barato, apesar de fazer várias concessões a Kremlin. Então, no Ano Novo as pessoas novamente vivenciarão o que será escrito em seus recibos comunais (contas a pagar).

Em 2011 Yanukovych continuou usurpar o poder. Em particular, definitivamente subjugou a si, os tribunais. Isto é claramente visível nas decisões políticas dos tribunais Pecherskyi, Shevchenkivskyi, Apelação, Corte Suprema e Constitucional. O último não hesitou, em um curto período, em uma questão aprovar duas soluções mutuamente exclusivas. O "mais justo" Constitucional agradou o governo no branqueamento de Kuchma [1], e, contrariando a Lei Básica deu direito ao Gabinete Ministerial (Azarov) o ajuste de benefícios sociais (pensões). Nos últimos dias do ano, com pressão administrativa e intrigas políticas nos bastidores, Yanukovych estendeu sua influência também sobre o Supremo Tribunal.

Em 2011 o presidente afirmou-se como pessoa vingativa. Colocou na prisão os principais oponentes políticos Yulia Tymoshenko e Yurii Lutsenko. Os processos sobre os líderes "Laranja" [2], que lembram lutas sem regras, chocaram o mundo democrático. Nem a ex-Primeira Ministra, nem ao ex-Ministro do Interior essas pressões não alquebraram. Da prisão a líder da "Batkivshchyna" escreveu para Bankova "Carta ao Ditador". Nela endereçou a Yanukovych estas palavras: "Ao senhor apenas parece, que é forte e influente, e na frente lhe espera uma gestão sem nuvens para longos anos. Não acredite nestes prognósticos. Porque mais alguns erros fatais - e o senhor será abandonado por todos, inclusive Chechetov".

A prisão e condenação da Tymoshenko tiveram um impacto negativo na unidade das fileiras oposicionistas. Revelou-se, que não há outro líder carismático, ao redor do qual agrupar-se-iam os oposicionistas ao poder. Não há, então não há força contrária que seguraria o presidente dentro da lei. Alguns deputados pularam para "aeródromos de reserva", alguns simplesmente saíram. Outros foram desmoralizados pelo governo que domou-os com "chicote" ou "pão de mel".

O estilo do comportamento de Yanukovych com a oposição não se encaixa na imagem de dirigente de país civilizado. Enfim, nem de pessoa que se posiciona como pessoa profundamente religiosa. Como chefe de Estado Yanukovych não fez nada para compreensão intercofessional. Evitando atenção a outras, abertamente declara benevolência a Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Moscou e, ao freqüente visitante de Moscou, Patriarca Curil, recebe quase todos os trimestres.

No ranking das liberdades civis, durante 2011, Ukraina (leia-se, poder) caiu em 12 pontos e ocupou lugar entre as "não democracias" e regimes autoritários. Essa regressão é visível a olhos vistos. Na Ukraina tornou-se problemático realizar um comício, comparecer a uma sessão do tribunal, receber cuidados médicos na prisão...

No governo Yanukovych criaram-se obstáculos para a imprensa livre. Os canais centrais estão subjugados a oligarcas, mantêm o nariz na direção do vento. Renasceu a censura. Num conhecido jornal da capital os jornalistas se rebelaram, porque segundo determinação de altos funcionários da administração presidencial, das colunas preparadas para impressão, retiravam materiais que lançavam sombra nos responsáveis por altos gabinetes... A jornalista de um importante canal puniram depois que ele perguntou ao presidente sobre um seu subordinado. Mesmo os assobios (vaias) antipresidenciais na abertura dos estádios de Kyiv e Lviv (euro 2012) os dedicados censores excluíram da TV...

Na Ukraina alargam-se as metástases do nepotismo, subserviência. Praticamente em todos altos cargos estratégicos o presidente colocou seus conterrâneos, parentes próximos, pessoas com reputação duvidosa. O passe para chefia freqüentemente não é a qualificação ou entendimento de altos negócios ou qualidades morais, mas é suficiente ter a certidão de nascimento de Donetsk, Makiivka ou Enakiev. Como ironicamente observam na pequena pátria (local de nascimento) do presidente, que até para conseguir emprego de foguista, precisa ter o registro no Partido das Regiões.

A despeito do slogan eleitoral "melhoria de vida a partir de hoje", sob Yanukovych os padrões de vida pioraram. Em apoio às camadas mais pobres da população, do orçamento do Estado alocam menos recursos que para manutenção de funcionários, especialmente para aparelho presidencial. Violação de direitos adquiridos sentiram os pensionistas, liquidatários do acidente de Chernobyl, antigos afegães, estudantes e educadores (professores do ensino fundamental e médio. A denominação "professor" é usada somente para os professores universitários. - OK). O país foi envolvido em protestos, para contê-los foram utilizados todos os destacamentos do exército, equipados até os dentes, os quais não guerreavam com bandidos armados, mas com pacíficas vovozinhas.

O governo preocupa-se não com os seus cidadãos pacíficos, mas com "líderes". Às pessoas que cercam o cabeça do país, assim chamada família, foram criadas condições ainda mais favoráveis para ainda maior aquisição de bens. Eles têm direito prioritário para adquirir empresas estatais. Assim a maioria das empresas energéticas passou à propriedade do conhecido magnata de futebol.

Não se destaca pela modéstia o próprio Yanukovych. A imprensa tem provas documentais do seu excessivo luxo - centenas de hectares de caça privada, fechados com altas cercas e valas profundas. Bem como acomodações de luxo com acessórios dourados e candelabros de cristal, campos de golfe, recintos para animais exóticos, piscinas, saunas, cais com barcos. E tudo - com guarda paramilitar. E, como não mencionar os helicópteros presidenciais, cujo preço é superior que dos chefes de países bem posicionados economicamente. Falar o que! - nosso presidente toma água somente de além mar...

Em 2011 nós observamos uma imitação de reformas. É difícil citá-las como mudanças estruturais com conseqüências positivas. A estatística estatal manipula as cifras da inflação. O cabelo fica em pé das transformações humanitárias de Tabachnek (1º Ministro). Cresce o ataque a língua oficial. Rola a corrupção. Os jovens riquinhos, filhos de deputados, juízes, promotores, em seus potentes e luxuosos carrões importados mutilam e matam as pessoas - e permanecem em liberdade...

Como sucesso de seu reinado Yanukovych considera as preparações para Euro 2012. Alegrar-se especialmente não há motivos. As construções dos estádios consumiram enormes somas do orçamento do governo, não fundos privados conforme a promessa. Os fluxos financeiros necessários às empreitadas, foram parar nas mãos de pessoas próximas ao presidente. Os serviços não foram contratados através de concorrência pública. Houve muitos rumores na imprensa sobre recebimento de grandes quantias. Essas notícias não são infundadas - muitos construtores dos estádios receberam em envelopes fechados, o que significa sem pagamento de impostos. Em última análise não há porque jactar-se com as conquistas para Euro-2012, quando a maioria das equipes ocidentais recusou-se participar - estão com medo da nossa realidade...

O novo ano eleitoral (Parlamento) promete aumento de paixões políticas. E esperança. Os ukrainianos têm oportunidade de mudar suas vidas para melhor - se escolherem outro governo, mais responsável.

[1] Leonid Danylovych Kuchma - presidente da Ukraina de 19.07.1994 a 23.01.2005, suspeito de ter dado ordem, ou ter sido conivente com quem a deu, de assassinar o jornalista Gongadze, o qual denunciava as falcatruas governamentais. O crime chocou sobremaneira porque o jornalista era uma pessoa conceituada e pela brutalidade. O corpo foi encontrado sem a cabeça, sobre a qual nunca ofereceram provas convincentes.

[2] Revolução Laranja - assim chamada devido a cor do candidato derrotado, Yushchenko, ser laranja. Eram muitas as evidências de que as eleições foram fraudadas. Cerca de 250 mil pessoas tomaram parte nas manifestações iniciais. Alguns dizem que foram 500 mil. As manifestações iniciaram em 22.11.2004 e continuaram até 03.12.2004 quando o Supremo Tribunal determinou o 3º turno que realizou-se em 25.12.2004, com a vitória de Viktor Yushchenko, que assumiu o governo em 23.01.2005.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

TYMOSHENKO TRANSFERIDA PARA COLÔNIA PENAL

Tymoshenko foi enviada para uma Colônia em Kharkiv
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana) e Tyzhden (Semana), 30.12.2011
Segundo a informação da prisão, Tymoshenko foi enviada hoje, às 8 horas, para o local aonde deverá cumprir a sentença, e que fica na Província de Kharkiv.
"Antes da viagem ela foi examinada por médicos. Estes concluíram que sua condição de saúde permitia o transporte", - disse o responsável pelo Serviço Prisional.
"Para o transporte foi designado um micro-ônibus com todas as comodidades: sanitário, pia e dois sofás".
"Também foram mandados todos os seus objetos (12 malas), num carro à parte"
Ela foi enviada à Colônia "em conformidade com toda a legislação aplicável". Como já foi anunciado anteriormente, o Tribunal de Recursos validou a decisão do Pecherskyi Tribunal que a condenou a 7 (sete) anos de prisão e uma multa de USD 187.500.000.
Vlasenko (advogado) disse que esta ordem do presidente violou a lei. Segundo o chefe da prisão, a ordem chegou durante o horário laboral. Isto não podia acontecer porque somente às 18 horas o Tribunal de Recursos terminou, na íntegra, a leitura das decisões judiciais. Também foi violada a lei porque na decisão do segundo aprisionamento o Tribunal Distrital Shevchenkivskyi diz claramente que Tymoshenko deve permanecer na prisão de Kyiv.
O advogado permaneceu na prisão a tarde toda do dia anterior e todos lhe garantiam que não havia nenhum preparativo para transferência. (Como vemos, a história se repete. Nos anos do Grande Terror, sob ordens de Stalin, as prisões de pessoas se efetuavam quase sempre a noite, de surpresa, sem nenhum julgamento prévio. - OK).
Segundo foi dito ao advogado, Tymoshenko foi carregada ao micro-ônibus pelos funcionários da prisão, já que ela não consegue se locomover.
Segundo Oleksandr Turchenov a direção da prisão não forneceu nenhum documento sobre a transferência e também não há indicação certa para aonde Tymoshenko foi levada. Isto é especialmente feito para que o Ano Novo seja mais doloroso para Tymoshenko e para impossibilitar qualquer comunicação com ela, inclusive médica.
Um grupo de deputados da facção B'iut-Batkivshchyna viajou para Kharkiv para encontrar-se com Yulia Tymoshenko. Os deputados prometem acompanhar o futuro da Tymoshenko e informar a comunidade.
Quando pela manhã da sexta-feira a mãe trouxe uma entrega para filha (provavelmente alimento, Tymoshenko não se alimentava com comida da prisão), ela foi avisada que Tymoshenko já não se encontrava ali.

Vista aérea da Colônia Penal de Kharkiv

Segundo últimas notícias, um pouco antes das 14 horas, à Kachanivka, colônia de mulheres, nº 54, adentraram alguns automóveis da milícia, com um automóvel especial (de vidros escuros), provavelmente com Tymoshenko.
Neste momento, na entrada já havia um grande grupo de jornalistas e ativistas do partido com bandeiras. Desde cedo circulavam automóveis da milícia.
Às 14h20min o diretor da colônia, Ivan Pervushkin confirmou a chegada da Tymoshenko e disse que ela está em acomodações provisórias. A sua pergunta, como estava, Tymoshenko respondeu que estava cansada da viagem.
Nesta colônia, segundo informações oficiais, há, aproximadamente 900 mulheres, 14 das quais condenadas até a morte.
Segundo diretor da prisão a câmara à qual encaminharam Tymoshenko tem 37,5m² no total, 31m² para permanência. Em separado banheiro com lavatório, bidê, chuveiro e vaso sanitário. A câmara destina-se para 7 pessoas mas, no momento, além da Tymoshenko tem uma mulher.
A filha da Tymoshenko disse que a mãe foi levada ao micro-ônibus em cadeira de rodas e "jogada dentro como animal". E que a estória de 12 malas é mentirosa. (Como é que Tymoshenko iria acomodar 12 malas na câmara prisional e qual seria a necessidade disso se ela, constantemente recebia visitas de familiares que podiam levar-lhe várias trocas de roupas limpas? - OK)
Segundo correspondente do jornal "Comentários de Kharkiv" os preparativos para receber Tymoshenko começaram bem cedo. Os trabalhadores rodoviários tapavam os buracos no asfalto e ao território da colônia vieram três ônibus de guardas do destacamento especial "Berkut".
A escritora e poetisa Lina Kostenko e sua filha Oksana Pakhlovska, literata, assinaram a declaração conjunta, do coletivo da inteligência, não reconhecendo a decisão do Tribunal de Recurso, no caso da Tymoshenko.
Lina Kostenko, por princípio, nunca assina apelos e manifestações. Mas, este caso é excepcional. Lina e Oksana estão indignadas. Elas consideram a transferência da Tymoshenko para colônia como decisão sádica do governo, principalmente porque isto foi feito na véspera do Ano Novo.
"Isto parece um cálculo cínico de que a comunidade, com as preocupações festivas esquecerá a pessoa que sabe dizer "não" ao abuso do estado e por isso ainda hoje sofre determinações tzaristas-stalinistas", - disse Kostenko.
Como é do conhecimento geral, anteriormente os intelectuais se manifestaram contra a decisão do Tribunal de Recursos.
Na Colônia Kachanivka Tem um mercadinho onde as prisioneiras podem fazer compras, uma oficina de costura, uma sala para encontros com familiares, padaria, criação de aves.
Há possibilidade de profissionalização: costura, serviços de pedreiro, rebocador, colocador de azulejos, pintor (a colônia abriga somente mulheres).
Para garantir o laser cultural há uma biblioteca com 11 mil livros e trabalham grupos artísticos de iniciativa própria, criação literária e diversas medidas culturais. Os funcionários da colônia estimulam e apóiam os interesses de suas pupilas. Especialmente os grupos de tricô e crochê, bordado, frivolité, "ekibany".
Também tem um clube para 420 lugares, uma pracinha de esportes de verão e recentemente abriu uma sala esportiva.
Com a educação dos presos colaboram representantes de organizações comunitárias e estatais. Organizam-se os dias de visitas para os parentes.
Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

FECHANDO AS CORTINAS DE 2011

Caros Leitores e conterrâneos:

Encerramos com este post o ano de 2011. Esperamos que "Noticias da Ucrânia" tenha proporcionado a você informações de um país que se debate num dilema existencial, tanto da parte de seus governantes, quanto de seu povo que se encontra dividido e sem orientação segura.
Agradecemos as suas visitas e esperamos revê-los em 2012, se Deus assim o permitir.

Salve a Ucrânia!

Anatoli e Oksana



Notícias resumidas dos jornais eletrônicos: Tyzhden (Semana) e Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana)
24.12.2011 – Ivashchenko
Esposa do ex-ministro Ivashchenko acusa o Procurador Geral Viktor Pshonka pela divulgação falsa de que ao seu marido, tanto na prisão como fora dela, é dado o tratamento necessário para recuperação da saúde. Seu esposo, realmente foi levado para exames médicos fora da prisão, mas não lhe administraram nenhum remédio e nem está sendo submetido a nenhum tratamento indicado, sem o que as conseqüências podem tornar-se irreversíveis, segundo o diagnóstico dos médicos.
23.12.2011 - Viktor Yanukovych Jr.
Viktor Yanukovych JR. segue os passos do pai. Em sua dissertação científica há vários trechos de outros trabalhos, sem referência. O jornal Kyiv Post diz que encontrou plágio desde frases a parágrafos completos - fragmentos de livros publicados anteriormente. O jornal cita, entre outros, o livro "Fundamentos da gestão social", publicado em Moscou há 10 anos, e também o livro "Regulamento da Economia pelo Estado, publicado em Kyiv, em 2006.
23.12.2011 - Veredicto da Tymoshenko
O veredicto da Tymoshenko entra em vigor. É a decisão do Tribunal de Apelação, que confirmou o aprisionamento por 7 anos. Também obriga-a ao pagamento de USD 187.500.000 como indenização por perdas ocorridas em resultado de contratos de gás em 2009.
25.12.2011 - Adesão a OMC
A adesão da Rússia a OMC (Organização Mundial do Comércio) pode acelerar a integração da Ukraina a UA (União Aduaneira). Existiam problemas entre Rússia e outros membros potenciais da UA e União Eurasiana do espaço pós-soviético, que já pertenciam a OMC - Armênia e Quirguistão. A adesão da Rússia e proximamente de outros países da UA devem remover esse obstáculo.
26.12.2011 - "Carta ao ditador"
Tymoshenko pede a Yanukovych não entregar à Rússia o sistema de transporte de gás, em sua "carta ao ditador", postada em seu site pessoal.
"Não esqueça, que o futuro da Ukraina, a segurança da Ukraina, interesses dela e seus também, estão no plano europeu. E se o senhor quiser recuperar, ao menos um pouco, o respeito político, devolva Ukraina a estratégia do desenvolvimento europeu" - escreveu Tymoshenko.
"Não pense entregar o nosso sistema de transporte de gás. Este é o nosso último recurso estratégico. O senhor é recebido em Gorki (residência oficial do presidente russo - OK) apenas porque esse sistema ainda pertence a Ukraina. Se o perder não lhe sobrará nenhum argumento, nem a seu favor, nem a favor do país" - destacou ela.
"O senhor entregou Sepastopol pelo gás barato, e cadê ele? Agora quer entregar o sistema de Transporte de Gás... E o que vai entregar no próximo ano, Viktor Yanukovych? Sua "Honka" (Ela refere-se à casa do presidente que, como sabemos é um complexo palaciano. O nome da empresa finlandesa que a constrói é Honka, daí o nome dado pelo povo à residência presidencial - OK).
Sabemos que o senhor se casou ainda no tempo da União Soviética, quando havia o lema "Família forte - país forte". Mas o senhor exagera este princípio ao pé da letra. As pessoas poderiam compreender, se o senhor presenteasse seu filho com o melhor carro do mundo. Mas não o Banco Nacional com o Ministério do Interior e o sistema fiscal", finalizou ela.
26.12.2011 - Tribunal Europeu
A decisão do Tribunal Europeu sobre a questão Tymoshenko não é aguardada para antes de 20.04.2012, segundo seu advogado Serhii Vlasenko (mesmo o caso da Tymoshenko não ter entrado na fila no Tribunal Europeu. Deram preferência).
Além de Vlasenko, representará os interesses no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos a advogada Valyntyna Telechenko.
Além do Tribunal Europeu a defesa da Tymoshenko estuda possibilidades para recorrer a outros tribunais internacionais.
Filha da Tymoshenko teme que as injeções que a mãe recebe podem ser "manipuladas". E que isto pode estar acontecendo para que sua mãe forneça as provas desejadas.
Lembremos: em 2004 Viktor Yushchenko, adversário de Viktor Yanukovych, no meio da campanha eleitoral, de repente adoeceu devido a envenenamento por desconhecidos. Tais suspeitas ressoam em Kyiv não sem razão, diz o jornal.
26.12.2011 – Cazaquistão
O número de vítimas dos tumultos no Cazaquistão aumentou para 16, número do governo. Segundo números não oficiais foram mortas 50 pessoas, feridos mais de 600 e muitos aprisionados. Os policiais abriram fogo sobre os protestantes que teriam ateado fogo a seu ônibus.
Os protestos são direcionados a novos ricos do petróleo, sendo que os que o extraem permanecem na pobreza.
O governo se comporta com crueldade e astúcia. Usa de vazias e falsas promessas e cessação de todas as tentativas para mudanças de injustiça social.
Essa revolta ocorreu em Zhanaozen, Cazaquistão, em meados de dezembro. Foram queimados dezenas de edifícios. Em 17 de dezembro o presidente Nursultan Nazarbayev decretou estado de emergência até 05.01.2012. Opera o toque de recolher, circulação restrita, proibição de comícios, limitação de fotos, vídeos e técnicas copiadoras. Todas as comunicações e caminhos à cidade foram bloqueados.
Precederam às desordens longas greves dos funcionários das companhias petrolíferas insatisfeitos com os salários das companhias petrolíferas. O tribunal considerou a greve ilegal. Muitos trabalhadores foram dispensados. Os protestos iniciaram a dois anos.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

UNIÃO ADUANEIRA EXAURIU BIELORRÚSSIA E CAZAQUISTÃO

Caros Leitores:

Esta reportagem mostra o modus operandi do comunismo e suas repercussões para os países que decidem fazer acordos políticos, comerciais ou econômicos com países comunistas como a Rússia. Esses países imaginam que, com tais acordos, irão viver um paraíso e acabam descobrindo que ingressaram no verdadeiro inferno cujo ferrolho da porta só se abre pelo lado de fora.
A Ucrânia que se acautele com os acenos do urso russo e fuja de seu abraço que é sempre mortal. Ou já esqueceram o holodomor?

O Cossaco.


Tyzhden (Semana), 27.09.2011
Oleksandr Leonov

Segundo sabedoria popular, o tolo aprende com seus erros, o inteligente - com erros de estranhos. Isto também é característica de países - e a situação dos países da União Aduaneira (UA), é um testemunho expressivo ao convite insistente da Rússia a Ukraina.

Bielorrússia em exportação
Parece que Bielorrússia voltou ao início de 1990: quase desapareceram do mercado as lingüiças e há filas enormes para compra de carne, enquanto o valor dessas mercadorias no mercado, para cidadãos comuns, agora é inacessível.
O preço das lingüiças apenas durante uma semana de setembro quase dobrou. Em compensação, a desvalorização do rublo bielorrusso causou um aumento considerável na popularidade de produtos alimentares da Bielorrússia aos consumidores russos. Na verdade, apenas um mil rublos russos pode-se trocar por 300 mil rublos bielorrussos e comprar 6kg de um bom pedaço de lombo de porco.
Na mídia bielorrussa agora o tema principal são as histórias sobre os carregamentos russos em áreas de fronteira. A situação tornou-se de tal gravidade, que na república vizinha já foram constatados inúmeros casos de "corpo a corpo" em supermercados, entre russos e bielorrussos. Adquiriu ressonância especial o conflito que ocorreu em Mstyslau na fila do leite, onde os compradores russos não permitiram, de maneira grosseira e abusiva, a uma moradora local adquirir um litro de leite.
Na Bielorrússia, o mercado de alimentos era estritamente regulado por medidas administrativas. Para o consumo doméstico os produtos deveriam ser vendidos pelo chamado preço social, e as exportações, principalmente para Rússia, restritos. Atualmente, dentro dos limites da União Aduaneira as mercadorias devem ser deslocados sem restrições. E isto significa, que a economia russa por ser mais forte, como um aspirador, suga os recursos de seus "aliados".
Até os representantes das autoridades da Bielorrússia reconhecem que os produtos alimentares são massivamente exportados para Rússia. Recentemente, o vice-ministro da Agricultura Vasyl Pavlovskyi observou que o monitoramento dos técnicos mostrou que 70% do comércio fronteiriço na Rússia recai sobre os produtos bielorrussos lácteos e carnes. O presidente do centro de controle Oleksandr Yakobsen reclamou, que "limites e barreiras não há, e com os produtos exporta-se o orçamento do país, porque a produção de carne e leite na Bielorrússia é subvencionada pelo orçamento".
Como conseqüência do agravamento da balança comercial da Bielorrússia rapidamente processa-se a lavagem da moeda estrangeira. Apenas em três meses os bancos bielorrussos observaram uma queda de 1 bilhão de USD nas contas dos cidadãos, - exatamente assim explodiu o "pânico da moeda". Seguiram-se as primeiras notícias de uma possível troca forçada para investidores, em rublos bielorrussos. As situações não conseguiram subjugar, mas a troca da moeda ocorre somente com a apresentação do passaporte e em grau muito limitado.
As exportações de mercadorias russas vêm aumentando, enquanto as importações da Bielorrússia, em geral, vêm diminuindo não apenas na Federação Russa, mas também nos países da UE, que impuseram sanções sobre as principais empresas da república orientadas para exportação. Rússia não se apressa comprar bens industriais da Bielorrússia, o que piora o balanço de pagamentos - no momento que os cidadãos russos compram produtos, o que contribui para sua escassez e aumenta o pânico entre a população. Isto causa influência negativa na economia da qual Bielorrússia controla cada vez partes menores. O presidente Lukashenka já prometeu a Gazprom não só a metade das ações do Byeltranshaz, que atualmente é propriedade do país [1] e ações de outras empresas especialmente de indústria petrolífera. Provavelmente com ações das empresas será pago o empréstimo de USD 3 bilhões, que Lukashenka pediu aos russos para superar a crise.
É claro, Bielorrússia tinha um modelo econômico muito específico, que começou rachar nas emendas ainda no final do ano passado. No entanto, acontecem processos semelhantes com outro membro da UA, apesar de que a estrutura da economia, e sua força é significativamente diferente do modelo bielorrusso.
Decolagem travada
Hoje, Cazaquistão é forçado recorrer a técnicas semelhantes a Bielorrússia: congelar os preços de mercadorias socialmente importantes, introduzir o controle governamental de preços. Para regular a situação no mercado consumidor de Cazaquistão foi preciso criar uma comissão de preços liderada pelo Vice-Primeiro-Ministro Umirzaka Shukeeva. A situação é realmente complicada, pelo menos, incomum para um Cazaquistão próspero. Sim, praticamente dobrou o preço do açúcar, o preço do trigo sarraceno subiu 2,5 vezes, carne bovina 40%, de carneiro 33%, enquanto o poder de compra real da população diminuiu drasticamente. O aumento dos preços de alimentos básicos e serviços comunais afeta, em primeiro lugar, os bolsos dos grupos de baixa renda: aposentados, estudantes e pequenas empresas.
Os especialistas e funcionários do governo do Cazaquistão relacionam as dificuldades econômicas com a entrada do país na União Aduaneira. Como até a mídia russa observa, os empresários russos da iniciativa privada compram o trigo cultivado no Cazaquistão, embalam em invólucro russo e vendem ao Cazaquistão como produto russo duas vezes mais caro. O mesmo, pensam as autoridades, os russos fizeram com os preços dos combustíveis que já são incomensuráveis em relação a renda dos cazaques. O presidente do Cazaquistão já recebeu uma série de apelos e cartas abertas de pessoas de destaque da população. Políticos e representantes da mídia exigem denunciar o acordo sobre adesão do país à União Aduaneira. Os autores não indicam somente as perdas que sofre o país com a participação na associação, mas ameaçam com demissão a liderança do país, incluindo o presidente. E isto num país que ostentava crescimento econômico estável e decentes padrões sociais, podia atrair investimentos estrangeiros e com otimismo olhar para o futuro. No entanto, concordando na amizade com a Rússia, nas condições russas, Cazaquistão restringiu as oportunidades para decolagens futuras.
Os resultados da Associação
Na Bielorrússia, e em Cazaquistão os especialistas prevêem ações de protestos, os quais ameaçam com explosão social. Além disso, é importante notar mais dois problemas fundamentais, sobre os quais falam abertamente já na própria Rússia, e que podem tornar-se atuais também para Ukraina.
Em primeiro lugar, o assunto é as iniciadas guerras comerciais da UA contra vizinhos e separadamente a exclusão de alguns produtos do assim chamado distante exterior. Talvez tal procedimento permita, por algum tempo garantir certo crescimento industrial e informar sobre alcances imediatos da UA. No entanto, tal abordagem coloca uma grande cruz nos planos de modernização do todos os participantes da União Aduaneira. Porque é difícil argumentar, que os computadores, eletrônica, russos etc., diferenciam seus produtos  dos produtos japoneses, europeus ou americanos análogos. Então UA pode simplesmente conservar o atraso tecnológico em relação a todos os países avançados do mundo, mas ele fará esta diferença literalmente intransponível. Assim, garante para sempre a prescrição de seus membros no chamado gueto "terceiro mundo".
Em segundo lugar, o desastre da UA pode tornar-se um tsunami de contravenções fronteiriças. E esse problema vai prejudicar tanto os países quanto os consumidores comuns. De acordo com o Serviço de Fronteiras FSB (Rússia) 43% do contrabando é detido na fronteira com o Cazaquistão. As conseqüências do desaparecimento dessa fronteira, ninguém prevê. E aqui surge uma série de desafios sérios. Isto é extremamente baixa qualidade do contrabando, que afetará a segurança dos cidadãos. É também grande quantidade, que prejudicará a produção nos países da UA. O que fazer com isso - por enquanto ninguém sabe.
Portanto, Ukraina tem a chance de estudar minuciosamente a experiência dos participantes da UA, para fazer as devidas conclusões e não importar problemas desnecessários - quando seus já estão sobrando.

[1] Como já constou num artigo anterior, Lukashenka já negociou com a Rússia as ações de Byeltranshaz, em troca de um crédito de USD 10 bilhões a 15 anos, construção de uma usina nuclear no território bielorrusso e o preço do gás no mesmo valor de Yamalo-Nenetz, local onde é explorado, preço que já foi negociado com a Rússia anteriormente e, segundo promessas de Putin entrará em vigor agora porque Lukashenka ameaçou não entrar na UA.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

PARA LUTSENKO - FLORES, AOS JUÍZES - VARAS

Vysokyi Zamok (Castelo Alto, 20.12.2011
Inna Pukish-iunko
A trilha sonora para as sessões do tribunal na questão do ex-ministro tornou-se a canção "Lenta za lentoiú na bii podavai" [1].
Desde bem cedo amigos e colegas de Yurii Lutsenko tentavam criar próximo aos cinzentos muros do Pecherskyi Tribunal humor alegre e festivo. Havia flores e músicas com acompanhamento de guitarras, canções preferidas do ex-ministro que, elevando-se dos alto-falantes desanuviavam a atmosfera opressiva na sala do tribunal. Este presente organizaram a Lutsenko pelo dia de seu aniversário, aqueles cuja presença não foi permitida nas imediações da prisão, no dia 14 de dezembro.
No dia de nascimento de Yurii Lutsenko felicitá-lo na prisão somente permitiram a sua esposa e advogados. Os amigos e colegas congratularam-no com um baner gigante e que desfraldaram no centro de Kyiv. Com os cumprimentos pessoais precisaram esperar até a próxima sessão do tribunal. Como presente (a lista de presentes na prisão é limitada) encaminharam a Lutsenko um buquê de rosas e coleção de obras de Winston Churchil em seis volumes.
Como a sessão do tribunal realizava-se no dia de São Nicolau, não esqueceram os colegas do ex-ministro também dos juízes. Para os servidores "obedientes" trouxeram uma braçada de varas. E, simbolicamente, fustigaram o edifício do Pecherskyi Tribunal ao som de canções da insurreição provenientes dos alto-falantes.
Do outro lado dos muros o juiz Serhii Vovk decidia, realizar a sessão ou adiá-la até o retorno do estrangeiro do advogado Ihor Fomin (no que insistia a defesa). Quando o juiz anunciou que decidiu pela realização, Lutsenko reagiu ironicamente: "Pode conduzir, apenas em silêncio, para não atrapalhar as canções". E assim, ao som das músicas a sessão realizou-se por uma hora e meia. Durante esse tempo questionaram... uma testemunha. Próxima sessão foi marcada para 21.12.2011.
Enquanto isso...
Às doenças que os médicos diagnosticaram em Yurii Lutsenko anteriormente, acrescentaram agora a inflamação do estômago e do trato gastrointestinal, conforme relatado pela esposa. "No dia de seu aniversário, veio ver Yurii a comissão médica, porque na noite anterior ele sentiu-se muito mal. Ele recebeu analgésicos. Yurii emagreceu novamente 5 quilos".
[1] Esta canção animava os insurretos ukrainianos na luta pela liberdade da Ukraina durante a II Guerra Mundial e depois. O movimento insurgente prolongou-se até 1950, quando foi totalmente eliminado pelas forças da Rússia comunista.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

RESPOSTA DA TYMOSHENKO AO CHEFE DA PRISÃO [1]

Caro Leitor:
Esta reportagem dá seqüência ao desmacaramento do sistema prisional ucraniano. Na resportagem anterior foi apresentada a farsa das "celas fantasias", réplica de apartamentos de hoteis 5 estrelas do Ocidente. O comunismo vive de mentiras e exageram ao apresentá-las ao mundo, pelo menos àqueles que desejam ser enganados. Qualquer cidadão, de mediana inteligência, jamais acreditará que existam celas prisionais com o padrão apresentado pela farsa ucraniana.
Agora, Yulia confirma nesta carta que tudo não passou de um teatro dos mais grosseiros e farsescos, para enganhar estúpidos e idiotas úteis. Qualquer pessoa, que tenha algo próximo de meio neurônio, jamais acreditará na existência de uma cela prisional tal como apresentada.
O Cossaco.

Vysokyi Zamok (Castelo Alto) - 20.12.2011
Prezado Chefe da prisão de Kyiv
Sr. Dombrovskyi
Manifesto-lhe minha extrema indignação pelo vídeo-foto realizado pelos funcionários do SBU (Serviço de Segurança da Ukraina) no dia 14.12.2011, com minha presença na cela do setor médico-sanitário da prisão de Kyiv.
Exijo que o senhor refute publicamente a falsa informação, que este foto-vídeo realizou-se não se sabe por quem, com vídeo-câmera escondida. O senhor bem sabe, que no dia 14 de dezembro, acompanhado por funcionários da prisão, adentrou à câmara um oficial do SBU com fotógrafos, e, apesar de minhas objeções começaram a me fotografar, aproveitando a minha impossibilidade de escapar de vídeo-fotos diretamente do meu rosto.
Também expresso minha total indignação pelas fotos e condições de minha permanência na prisão. Ao senhor, como a um dos dirigentes da prisão, é bem conhecido o fato, que eu nunca!!! permaneci na cela nº 242 nas condições que foram mostradas na TV. A cela 242, na qual eu permaneci até a minha transferência para a parte médico-sanitária, era completamente outra. O senhor sabe muito bem, nós estivemos em três em 15m², com janela sem vidro, sem água quente, e às vezes também sem água fria, com piso de concreto, prateleiras ásperas, feitas de tábuas pelos prisioneiros e uma "paracha" (um balde grande para fezes e lavagem) atrás de uma divisória. Sobre que TV de plasma, cabines com chuveiro e azulejos espelhados falaram? O senhor desinforma as pessoas.
E é por isso que eu exijo que o senhor formalmente refute informações falsas e injustas, que a cela nº 242 possui o interior demonstrado na TV.
Além disso, eu categoricamente recuso a transferência para qualquer cela, especialmente remodelada, após a conclusão do meu tratamento na parte médico-sanitária da prisão.
Em primeiro lugar, considero isso como operação suja do SBU, recomendada por Yanukovych para continuar me comprometendo desonrosamente. E, em segundo lugar - considero imoral estar em cela especialmente decorada no momento em que outros presos permanecem em condições desfavoráveis, inumanas, e até dormem por turnos, inclusive no chão, - devido a superlotação crítica da prisão.
Exijo, depois do tratamento, transferir-me para uma cela normal, como verdadeiramente existe, com outros aprisionados, para quando chegarem os representantes europeus e/ou internacionais, para que vejam não uma cela artificial, glamurosa, mas a verdadeira tortura de prisioneiros, o tratamento desumano dado a eles, que é pior que dado a animais - além do mais, antes da justiça considerá-los culpados.
Se o senhor, depois da minha transferência para a parte médica da prisão, providenciou especiais reformas na cela 242, proponha-a ao morador do "Myzhyhiria" (palácio do presidente), não a mim. Casamatas reformadas não me são necessárias.
Yulia Tymoshenko.
[1] (Esta carta Tymoshenko enviou através de seu advogado)
Tradução: Oksana Kowaltschuk

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL !

Caros amigos e leitores:
Por ocasião do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, gostaríamos de saudar a cada um com uma palavra especial. Alegre com os que estão alegres, triste com os que estão tristes, como diria São Paulo, mas sempre cheia da esperança e da ternura que suscita a visão do Menino Jesus.
Oksana Kowaltschuk e Anatoli Oliynik

Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade!
Nestes dias augustos estabelecidos pela Igreja para o culto especial do Menino Deus, por alguns instantes, abramo-nos à luz do Natal, a fim de que se reanimem as nossas almas exaustas e desoladas. Depois, retomaremos com maior coragem para enfrentar as dificuldades e contar com as graças necessárias para 2012.
Que o Menino Jesus, Nossa Senhora e São José abençoem você e sua família.

Ajudai-nos, Mãe Santíssima, Sede da Sabedoria, com vossas preces, para que, iluminados pelas claridades que do Menino Jesus dimanam, possamos entender o cântico angélico que é o mais perfeito e autorizado comentário do Natal.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

UCRÂNIA E UNIÃO EUROPÉIA CONCLUEM NEGOCIAÇÕES

Ukraina e União Européia concluíram as negociações sobre o Acordo da Associação
Tyzhden (Semana), 19.12.2011

Ukraina e União Européia anunciaram a conclusão das negociações relativas ao Acordo de Associação. Isto foi afirmado pelo presidente ukrainiano Viktor Yanukovych na abertura da sessão plenária da Cimeira Ukraina - UE, no dia de hoje.

"Nós chegamos ao término da regulamentação do texto do Acordo de Associação e estamos prontos à preparação das assinaturas para continuação da implementação" - disse Yanukovych.
Segundo suas palavras, este acordo estabelece as bases para associação e integração plena da Ukraina com União Européia.
Yanukovych sublinhou que a assinatura do acordo tornar-se-á chave na realização do Estado na integração européia.
O presidente salientou que Ukraina está pronta para iniciar os preparativos técnicos para assinatura e implementação do acordo.
O presidente agradeceu aos grupos de trabalho, que por quatro anos negociaram este acordo.
Ele reiterou mais uma vez que é impossível Europa Unida sem Ukraina.
Além disso, em seu discurso, o presidente observou que Ukraina está aberta para diálogo com UE em todos os assuntos de interesse mútuo.
O presidente do Conselho Europeu Herman van Rompuy também confirmou a conclusão das negociações.
"Nós podemos declarar publicamente que as negociações sobre a associação estão concluídas. Esta não foi uma tarefa fácil" - disse ele.
Ao mesmo tempo ressaltou que a qualidade e perspectivas das relações da Ukraina com UE atravessam certas discordâncias.
"Estas preocupações relacionam-se com determinada politização do sistema judiciário da Ukraina, e justamente reveladora é a questão Tymoshenko. Ao mesmo tempo é indispensável o cumprimento das normas internacionais. Também trata-se de liberdade da imprensa e liberdade de reunião", disse van Rompuy.
"Sr. Presidente, estes princípios estabelecidos no programa de Parceria Oriental, e estes valores têm um peso decisivo na aproximação entre Ukraina e UE", - acrescentou ele.
Van Rompuy também destacou a necessidade de eleições parlamentares justas no próximo ano.
"O caminho deve estar aberto a todos os candidatos" - disse ele.
Ele também observou que o término das negociações para o Acordo - não é o final do processo". "Nós temos necessidade de ver o ulterior progresso nas áreas que eu acabei de mencionar", - frisou.
Lembramos, hoje acontece a Cimeira Ukraina - UE, em Kyiv.
Como sabemos, o presidente do Conselho Europeu Herman van Rompuy expressou esperança de que durante a cúpula Kyiv-Bruxélas poderão anunciar a conclusão das negociações referentes ao Acordo de Associação. No entanto, segundo suas palavras, a assinatura do Acordo sobre Associação com UE não será possível nesta cúpula.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

SISTEMA PRISIONAL UCRANIANO

A penitenciaria de Kyiv onde se encontra presa a ex-Primeira-Ministra Yulia Tymoshenko, recebeu duas visitas do Comitê Europeu para Prevenção de Tortura. 
A primeira aconteceu no período de 29/11 a 01/12/2011, quando uma Comissão do Comitê Europeu examinou as condições prisionais da penitenciária de Kyiv como parte das exigências para aceitação da Ucrânia na União Européia (UE).
A delegação do Comitê reuniu-se, na prisão, com a ex-Primeira-Ministra Yulia Tymoshenko e também com o ex-ministro Yuri Lutsenko, cujo teor da conversa não foi divulgado. Tymoshenko e Lutsenko encontram-se presos na penitenciária de Kyiv após um processo arranjado e um julgamento viciado conduzido por um judiciário parcial, corrupto e submisso ao atual presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych, cujo método político é a remoção de cena de seus adversários políticos. Uma acusação farsesca seguida de uma condenação viciada é a melhor tática para justificar o ato perante a opinião pública.
Segundo o serviço de imprensa da penitenciária foram dadas avaliações positivas aos quesitos: condições à detenção de menores presos, mulheres, instalações médicas, conclusão da ala feminina, manutenção do departamento alimentar, celas, água quente.
O jornal Pravda publicou que o chefe e especialistas da Comissão Européia expressaram os agradecimentos pelo não impedimento na inspeção e pela ajuda recebida da administração da penitenciária nesta primeira visita.
A administração penitenciária, por sua vez, observa que nesta fase ainda não é possível apresentar um relatório completo das conclusões dos trabalhos do Comitê Europeu para a Prevenção de Tortura.
A segunda visita foi do Comissário Europeu Stefan Fule, que veio a Ukraina para últimos acertos sobre Acordo de Associação a UE.
A seguir um breve vídeo da propaganda e as fotos da "cela padrão cinematográfica". Como é maravilhoso esse governo Yanukovych !!!


O TEATRO




O advogado da Tymoshenko acusa o Serviço de Segurança da Ukraina pelas imagens da Yulia Tymoshenko às quais ela não autorizou e mais, pediu para não ser filmada. O Serviço de Segurança nega a autoria das imagens (imagens na cama, na enfermaria da prisão).


A SUPOSTA PRIMEIRA CELA

Tymoshenko já esteve presa em duas celas diferentes. A penitenciária diz que a primeira cela ocupada por Tymoshenko é a que aparece nas fotos a seguir:


Vista geral

Camas ou sofas

Ar condicionado

Chuveiro

Na primeira cela que Tymoshenko esteve encarcerada, não se sabe se é esta apresentada pela penitenciária. O que se sabe é que nenhuma reclamação de seu advogado foi publicada. Entretanto, depois que ela foi transferida para uma segunda cela, houve reclamações de que a cela era úmida, muito fria e que ela precisava permanecer agasalhada com muitas roupas de lã, inclusive luvas para suportar o frio.

A ENFERMARIA

Somente agora, com a vinda das comissões e com o agravamento de sua saúde, é que ela foi transferida para enfermaria 5 estrelas que aparecereram no vídeo e cujas fotos mostramos a seguir.







Video e fotos do Jornal Pravda: www.pravda.com.ua/news/2011/12/14/6838233/

Porque somente após o agravamento do estado de saúde de Tymoshenko e o anúncio da visita da Delegação do Comitê Europeu que a administração da penitenciária promoveu a remoção dela para uma "cela faz de conta" para inglês ver? Teatro para mostrar ao Comitê que o sistema prisional de presos políticos na Ucrânia se parece com acomodações de hotéis 5 estrelas?
É muito cinismo! Nem criança de três anos de idade acredita nas imagens mostradas ao público e a Comissão: TV, ar condicionado, tapetes, sofás, etc. Além de cínicos, são cretinos.

A REALIDADE PRISIONAL NA UCRÂNIA


A celas visualizadas a seguir são as celas reais onde são encarcerados os presos comuns e políticos. Este é o mundo real de presos políticos na Ucrânia e não a fantasia divulgada para a imprensa pela administração da prisão.






Imagens do Jornal Pravda: http://www.pravda.com.ua/news/2011/12/12/6830918/

Observando as condições das celas carcerárias mostradas acima, pode-se entender porque tantos presos políticos adoecem tão rapidamente após serem encarcerados nas maravilhosas celas prisionais ucranianas. Impossível manter a saúde nessas condições.

O Cossaco


Pesquisa: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik