sábado, 10 de março de 2012

UNIÃO EURASIANA: Ressuscitando a antiga URSS

Caro Leitor:

Comporta uma explicação preliminar sobre o artigo e sobre o entrevistado.

O entrevistado, Alexandre Dugin (lê-se Dúguin), nasceu em 7 de janeiro de 1962 em Moscou em uma família de militares. Seu pai era oficial da KGB e sua mãe médica.

Líder do Movimento Eurasiano Internacional e diretor do Centro de Pesquisas Conservadoras da Faculdade de Sociologia da Universidade Estatal de Moscou. É também o guru intelectual de Vladimir Putin. Sua principal função junto a Putin e ressuscitar o domínio comunista compondo uma nova URSS porém com a alcunha de União Eurasiana. Uma questão semântica. Esclarecendo: Trata-se do "novo" comunismo, agora em escala mundial jamais visto e imaginado na história da humanidade. Um projeto satânico de dominação e totalitarismo mascarado sob o falso argumento de formação de um novo bloco econômico. Na verdade trata-se de um projeto insidioso visando a instituição de um governo mundial único. Leviatã que se levanta, porém, mais forte e poderoso para brigar pelo butim com a ONU que possui projeto semelhante e almeja ser a única a dominar o mundo. Será uma batalha de gigantes. Pobre humanidade!!!
Duguin utiliza-se de uma linguagem hermética, quase que cifrada, que só pode ser plenamente entendida e compreendida por estudiosos do assunto, especialistas e engajados.

O Cossaco

 
Alexander Dugin: União Eurasiana - pólo fundamental em um mundo multipolar
Pesquisa: Internet

Para realizar a idéia da União Eurasiana é indispensável rever todo o sistema internacional existente, porque a União só é possível conforme a Teoria do mundo multipolar.

No dia 4 de outubro, no jornal "Izvestia", foi publicado o artigo programático do primeiro-ministro russo Vladimir Putin sobre a criação da União Eurasiana. Como emana das teses propostas por Putin a União Eurasiana, pela analogia com a União Européia será o único espaço econômico em que as barreiras migratórias e de fronteiras serão removidas e, portanto, qualquer cidadão de um país da União vai sentir os privilégios. O filósofo e ideólogo Eurasiano Alexander Dugin chamou "absolutamente correto" o artigo de Putin "Novo projeto integracional para Eurasia - futuro, que nasce hoje", vendo no programa provavelmente do futuro presidente da Rússia o reflexo de suas idéias, que ele constantemente promovia durante muitos anos.

O Portal "Eurasia" publica a entrevista com Alexander Dugin, na qual o ideólogo mais detalhadamente se fixa em alguns aspectos da futura União Eurasiana.

"Rússia - um continente separado, civilização inteiramente original. Pode-se chamá-la 'outra Europa', mas então esta Europa será preciso ou esquecê-la, ou conquistá-la".


- Até que ponto EurAsEC (Comunidade Econômica Eurasiana) poderia tornar-se o primeiro núcleo de uma nova união política? Que formas poderia ou teria que aceitar se criada esta União?


- EurAsEC e União Aduaneira podem ser consideradas como base econômica da União Eurasiana. A composição de países incluídos nestas estruturas de integração, são o núcleo da União Eurasiana. Mas o projeto da União Eurasiana é um projeto precisamente de integração política. O que ele poderia ser? Esta é uma questão em aberto. Nursultan Nazarbayev (Cazaquistão) propõe repetir o modelo da União Européia, ele até já escreveu a Constituição da União Eurasiana, totalmente copiada da UE. Portanto, sua pergunta coloca outra pergunta: o que é a União Européia, a qual empreende-se pelo princípio - confederação, Estado nacional, ou uma nova forma de organização do espaço político - por exemplo, "Estado pós-moderno", como propôs Robert Cooper.

Eu considero que para União Eurasiana é necessária uma teoria política especial - Teoria de mundo multipolar. Nela os sujeitos, atores devem destacar-se. Não Estados tradicionais modernos (no espírito do sistema de Westfália) mas a civilização. Civilização como união. Para isso é necessário rever todo o sistema internacional existente. Isto é, a União Eurasiana deve tornar-se um novo sistema político, ter determinadas características de estado confederado, com base na subsidiariedade e larga autonomia das regiões, mas, concomitantemente determinadas características de centralismo estratégico inerente aos impérioos de aspiração clássica.

Idéia da União Eurasiana é idéia alternativa pós-moderna, distinta de Estado dominante moderno e de impérios pré-modernos. A principal diferença de impérios pré-modernos consiste que, o princípio de organização política de sistema internacional com atributo civilizacional torna-se contrução racional, reflete-se e descreve-se em termos técnicos. Existe a civilização como inércia, e existe como projeto. A União Eurasiana propões como projeto. Esta é a meta energicamente projetada.

- Muitos no Ocidente temem que a União Eurasiana pode tornar-se novamente uma repetição do velho russo-soviético império. O que, no seu pensamento, haverá nela de novo?
- Esta é uma pergunta correta. Sim. A aliança Eurasiana será o renascimento do russo-soviético império, mas na medida que a UE é renascimento do Império Carolíngio de Carlos Magno. As principais diferenças, no caso da Eurasia, da Rússia czarista e da União Soviética estão no fato, que ela não será um estado monárquico-ortodoxo e também não será um estado marxista. As diferenças ideológicas, políticas e legais, portanto são tão grandes, que os europeus, que tem medo, podem ser considerados impolidos em ciências políticas ou simplesmente atlantistas pró-americanos envolvidos em grosseira propaganda políticaa.

- A experiência da UE, fundada com base no puro monetarismo, revelou-se fracassada. O senhor afirma que a União Eurasiana deve ser construida em outros fundamentos, para se proteger de erros semelhantes? Se assim for, quais são esses princípios?
- Também é uma boa pergunta. No exemplo da crise da União Européia, nós vemos que para haver uma forte integração, a economia não é suficiente. Se não houver um projeto político global, se não tem uma geopolítica expressiva, criar algo promissor é impossível. E, a construção da União Eurasiana não deve ser considerada. Portanto deve-se começar com a construção da Teoria do mundo multipolar, não com etapas técnicas de integração econômica.

O Eurasinismo está na idéia subjacente da União Eurasiana. Esta é uma política filosófica particular - não nacionalista, não comunista, não manárquica, não nostálgica, não revisionista, mas também não liberal. É mais precisamente descrita em termos de Quarta Teoria Política (não é liberalismo, não é comunismo, não é fascismo). A ideologia Eurasiana, Quarta Teoria Política, Teoria do mundo multipolar, e também, concomitantemente a direções geopolíticas, filosóficas, sociológicas, e também teorias da esfera de relações internacionais, antropologia, etnologia, que hoje desenvolvem-se na Rússia, nos melhores institutos acadêmicos - particularmente no MSU (Universidade Estadual de Moscou - Lomonosou).

Tudo isso compõe o novo fundamento para integração, onde as ferramentas clássicas de ciências políticas estão ao lado de ciências inovadoras, em parte, pós-modernas e construtivistas (críticas quanto a democracia liberal, hegemonia americana e globalização individualista), e em parte, vistos sob nova ótica os princípios do tradicionalismo e conservadorismo revolucionário.

A atitude dos Estados Unidos para com União Eurasiana sob qualquer administração será radicalmente e abertamente hostil. A criação da União Eurasiana é diretamente contrária à estratégia de segurança adotada pelos Estados Unidos.

- Como principal representante do eurasionismo, que horizontes o senhor vê nesta União? Quais serão as futuras relações com a Europa Ocidental de um lado e China do outro?
- A União Eurasiana somente é possível em novos acordos radicais do sistema internacional. Nem no mundo global ("sem polaridade" - por Richard Haas), nem na hegemonia unipoloar americana (Robert Dzhilpin) a União Eurasiana pode existir. Se o mundo multipolar for construido, então Europa e China estarão nele como pólos independentes. A tarefa da União Eurasiana como mais um, e também pólo independente - construir com eles relações de parceria comum, e evitar situações em que Europa e China poderiam tornar-se aliados estratégicos dos Estados Unidos. Europa e China - são duas civilizações absolutamente distintas da União Eurasiana. Com elas é possível e necessário ter amizade, mas os sistemas de valores são a tal ponto diferentes, que deve prevalecer não a síntese, mas o diálogo.

- O senhor escreveu que a Eurasia localiza-se entre a estepe e a floresta. Nós, italianos apresentamo-nos como o que está entre a mancha do Mediterrâneo Central e floresta centro-européia. Naturalmente, são duas realidades geopolíticas diferentes, mas elas não poderiam encontrar-se?

- Eu acabo de terminar um livro muito importante, "A Geopolítica da Rússia". Até agora ninguém escreveu nada parecido. Quando eu estava trabalhando no livro, percebi que completa e precisa "história geopolítica da Europa" simplesmente não existe, ninguém escreveu. Carlo Terrachano, Francis Tyual, Yves Lacoste e outros geopolíticos europeus fizeram muito, mas serviço generalizado sobre estrutura geopolítica de toda história da Europa - desde as guerras do Peleponeso e guerras Púnicas até a nossa época não tem. Mas, poderia haver e deveria haver. Nela haveira a identidade geopolítica e seria compreendida no contexto geral.

Não se pode comparar geopolítica da Itália com a geopolítica da Rússia. Tanto a terra, como a floresta ou o mar executam diferentes funções, têm carga conceitual diferente. Itália - o pólo mais importante da Europa - a partir de Roma até os tempos atuais, de diferentes qualidades, com diferentes funções em diferentes fases. Isto requer uma compreensão detalhada, sistematização, antes de falar sobre os paralelos com a geopolítica de outras regiões. É mais correto comparar a Rússia com Europa como um todo ao invés de um determinado país europeu. Rússia - um continente separado, civilização com todas as características originais. Podemoos denominá-la "outra Europa", mas então "esta Europa" terá que ser esquecida, ou vencida.

- A crise da União Européia pode abrir novos espaços para a recém-nascida União Eurasiana?"
- Talvez. O fato é que a Europa Oriental está decepcionada com a União Européia. Grecia está pronta para cair fora. Turquia se recusa a pensar seriamente na sua admissão. Por isso, na Europa Oriental forma-se um vácuo civilizacional. Eu penso, que logo, logo deve-se formar um projeto de Grande Europa Oriental, como zona geopolítica independente - intermediária entre Europa Ocidental e Eurasia. A Grande Europa Oriental que incluiria paises ortodoxos (Grécia, Bulgária, Romênia, Servia, Macedônia, Montenegro), países eslavos (Polônia, República Checa, Eslováquia, Croácia, Eslovênia) e fino-úgricas raízes, Hungria e Turquia no sul - potenciais cooperadores da União Eurasiana. É pouco provável que esta área será verdadeiramente integrada à Eurasiaa, mas a identidade civilizacional da Grande Europa Oriental será algo intermediário entre Eurasia e Europa Ocidental, 50% a 50%.

Agora, para Washington. Como o senhor pensa, reagirá a atual administração dos EUA à criação da União Eurasiana? E de que perspectivas, nas futuras mudanças da equipe da Casa Branca, poderiam ser as relações entre Rússia e Estados Unidos?
- A atitude dos EUA à União Eurasiana sob qualquer administração será radical e abertamente hostil. A criação da União Eurasiana contradiz diretamente à estratégia de segurança nacional aceita pelos EUA, voltada para meta oposta - não permissão do surgimento no território Eurasiano desenvolvimento político, econômico e estratégico-militar capaz de reduzir o controle sobre esta zona pelos EUA. Isto está escrito no "Manual de Planejamento de Defesa" de Paul Volfovittsa (1992). E depois, repetido exatamente nos documentos básicos de perspectivas estratégicas dos EUA.

A criação da União Eurasiana significa desvantagem da hegemonia americana e transição para a construção de um mundo multipolar. Neste mundo multipolar, os EUA podem continuar a ser uma grande potência, mas não de escala global, mas de escala regional. A isto, em Washington parece ninguém está pronto. Significa, que haverá uma verdadeira luta do atlantismo contra eurasionismo (a qual não deixa de existir nem por um minuto). Grande Guerra doos Continentes.

- E finalmente, como influenciará a criação da União Eurasiana no novo equilíbrio das forças geopolíticas e geoeconômicas no mundo?
- União Eurasiana - pólo fundamental em um mundo multipolar. Como no estratégico e político, também no senso econômico. Obviamente, que hoje o lado mais forte da Eurasia é a energética e recursos naturais. Grande importância tem as armas nucleares e imenso território. Tudo isso cria um potencial geoeconômico significativo. Mas, ao mesmo tempo, a União Eurasiana não tem acesso suficiente a alta tecnologia, potencial industrialização, dinâmica de desenvolvimento tecnológico, mercado consumidor em escala suficiente. Isso o torna dependente da Europa e Asia. Mas não dos EUA.

Portanto o sucesso do estabelecimento da União Eurasiana é indispensável à parceria eurasiana-européia e eurasiano-chinesa. "Europa Unida de Lisboa a Vladivostok" (como escreveu V. Putin) e o eixo Moscou-Pequim. Além disso, para União Eurasiana tem grande importância a parceria com o mundo islâmico, América Latina e os países do Oceano Pacífico e África. Tudo isso são pólos potenciais do mundo multipolar.

Cada um tem vantagens e desvantagens, deficiências de um ou outro recurso. Juntos, com base no diálogo civilizado somos capazes de construir um mundo equilibrado e com justiça. Serão nele excluídos os conflitos? Não. Eles são sempre possíveis. No entanto, há sempre maneiras de evitá-los, ao invés da guerra, e dos choques de civilizações passar para um diálogo pacífico. No choque de civilizações não há nenhuma fatalidade.

A globalização e a Pax Americana nos dão exemplos de crimes de sangue, intervenções, assassinatos em massa (Sérvia, Iraque, Afeganistão, Líbia). A escolha não deve ser: guerra ou paz? E sim: que guerra e que paz? Guerra e paz entre quem e por quem, em nome de quê e em que condições? E também como construir um mundo mais justo (multipolar) e estável, e da guerra passar ao diálogo?

Não na base de total identidade e imposição forçada da democracia - como consideram os liberais em relações internacionais, mas com base no reconhecimento dos direitos do outro (outra civilização) ser diferente, distinta, não semelhante, mas que não merece "punição" e "destruição" por isso.

Precisamos aprender a construir um sistema internacional baseado numa ampla e pensada antropologia social e cultural, e não na base do ocidental americano-europeu racismo cultural, liberal-colonialismo e universalismo totalitário, valores puramente ocidentais(individualismo, mercantilismo, capitalismo).

Entrevista concedida a Daniele Ladzeri (Itália)


Tradução: Oksana Kowaltschuk

Foto formatação: AOliynik

quarta-feira, 7 de março de 2012

NOS BASTIDORES DA MÁFIA POLÍTICA

WikiLeaks: Putin e Medvedev negociavam a favor de Yanukovych e  Tymoshenko

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 29.02.2012

Inicialmente o premier Vladimir Putin apoiava a ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko, mas abandonou esta idéia a pedido do presidente Dmitry Medvedev e alinhou-se com o candidato V. Yanukovych.

Isto é afirmado na correspondência analítica entre agentes de inteligência e análise da Companhia Stratfor, publicado no site WikiLeaks.

A carta foi escrita em 14.09.2011 e assinada por analista sênior em questões da Eurásia Loren Goodrich. No endereço do autor da carta figura Reva Bala, que é diretor de análise de Statfor.

"Vocês já conhecem um pouco desta história. Putin nunca quis Yanukovych no poder sem ninguém contrapor para mantê-lo nos freios. Putin sabia que Yanukovych tinha absoluta maioria (nem tanto, os jornais ukrainianos anunciaram a vitória dele devido a muitas fraudes nas eleições do 2º turno - OK), mas queria reforçar o papel do Kremlin em Kyiv", - escreve o autor.

"Ele queria que fosse Tymoshenko. Não que ela fosse pró Rússia, mas porque, entre todos os candidatos de maior evidência, ela seria mais fácil comprar. Naturalmente, e isto foi o seu problema, quando ela foi presa..." - diz a carta.

"Medvedev nunca gostou de Tymoshenko, principalmente porque ela nunca o respeitou durante os encontros e tratava os assuntos somente com Putin", - escreve o analista.

"Medvedev decidiu que à Tymoshenko não se pode dar o poder. Ele prometeu a Putin que manteria Yanukovych nos freios se Putin deixasse de apoiar Tymoshenko. Putin concordou, mas em troca ele mesmo elaboraria a lista dos novos ukrainianos que deviam assumir o poder em: Serviço de Segurança da Ukraina, Exército, Ministérios", - diz na carta.

"Então, quando Tymoshenko e Yanukovych apareceram em Moscou no final de 2009, paralelamente informaram a Yanukovych que deixariam de apoiar Tymoshenko, se ele, Yanukovych, concordasse com a lista de exigências. Naturalmente, Yanukovych pegou a isca", - escreve o analista.

"Agora, quando Yanukovych comporta-se mal, Putin exige que Medvedev resolva esse problema. É por sso que somente Medvedev critica, (Segundo os jornais ukrainianos, quando Tymoshenko foi presa, Putin, por algum tempo a defendia - Ok) A pergunta é, que alavancas usará Medvedev, para segurar Yanukovych nos freios: ?..." - diz a carta.

Como é de conhecimento, após a publicação da correspondência exploratório-analítica da Companhia Stratfor, seu presidente George Friedman disse que a publicação desses documentos era ilegítima. Que esses documentos podem ser falsos ou incorretos. Mas ele não quis confirmar ou refutar a autenticidade dos fragmentos de correspondência publicados.

Se realmente Putin pretendia colocar suas pessoas no governo ukrainiano, Yanukovych está demonstrando sua independência até do Partido das Regiões.

Vejamos o que diz Oleksandr Kramar sobre a composição do governo Yanukovych, no jornal Tyzhden (Semana) do dia 01.03. 2012.

A mudança de pessoal não está limitada a substituições superficiais - é uma reformatação profunda que levou a uma estrutura vertical, o que é mais claramente visto nas estruturass armadas. Não é uma rotação normal do pessoal cujo objetivo poderia ser redirecionar os indivíduos a postos mais adequadoss com suas habilidades, mas as mudanças óbvias no equilíbrio de poder entre diferentes grupos de influência no governo. Após a abolição da reforma política (que deu a Yanukovych poderes muito maiores dos de seus antecessores) Yanukovych recebeu uma oportunidade real de ignorar a posição dos principais grupos do Partido das Regiões, e então começou um esperado processo de substituição gradual de altos funcionários por pessoas de suas relações ou de seu filho mais velho Oleksandr. As primeiras modificações foram a pedido de seu filho: o Banco Nacional da Ukraina assumiu Serhii Arbuzov, os Serviços Fiscais - Oleksandr Klimenko, o Ministério dos Assuntos do Interior - Vitalii Zakharchenko.

Mas, à reformatação mais ampla do governo, o presidente e sua "Família" encorajaram-se agora. (Família são os parentes de sangue e os amigos próximos).

Em 03 de fevereiro deste ano, foi designado para responder pelo SBU (Serviço de Segurança da Ukraina) o ex-chefe de segurança pessoal de Yanukovych Ihor Kalinin, e em 8 de fevereiro tornou-se Ministro da Defesa Dmytro Salamatin, que demonstrou suas habilidades de boxeador no Parlamento quando se discutia a ratificação do acordo de Kharkiv (ocasião em que Yanukovych entregou Sebastopol para permanência da frota russa até 2042, com possível prorrogação para mais 5 anos - OK). E, após uma semana foi dispensado Andrii Kliuyev, do cargo de vice-ministro para dar lugar a Valeri Khoroshkovskyi. O Ministro da Saúde Aleksandr Anishchenko deu lugar para Raisa Bohatyriova (que também é Vice-Primeiro-Ministro de Assuntos Comunitários.

O novo Ministro das Finanças - Yuri Kolobov foi indicado, em parte, pelo filho.

A lógica das nomeações acima mostra que o presidente não confia no "ilimitado pessoal da reserva", tradicional orgulho do Partido das Regiões. Ele dá preferência a personalidades pouco conhecidas, despojadas de autoridade no partido, porém afastadas de antigos companheiros e majoritários organizadores/patrocinadores das campanhas eleitorais anteriores. Por exemplo, as mudanças no governo levaram ao isolamento do Primeiro Ministro Azarov, o qual, entre os ministros, não tem mais nenhuma "sua pessoa" e, de fato, transformou-se em uma "rainha da Inglaterra". E, nessa qualidade, por algum tempo ele pode ser benéfico ao governo como pessoa que nada resolve, mas absorve todo o negativo e ainda não aspira a jogo político independente. Yanukovych em sua última entrevista disse que, nesta fase, "Azarov nos convém."

No entanto, a entrada para o Ministério de Valeri Khoroshkovskyi causou um forte impacto não apenas sobre o primeiro-ministro, mas também sobre a influência dos "antigos grupos de Donetsk" Kliuyev e Akhmetov (este é bilionário - maior ricaço da Ukraina). Primeiramente, a perda do cargo do representante do Conselho de Segurança Nacional da Ukraina que sempre serviu ao governo como um lugar para o exílio de certos colaboradores que deixavam de satisfazer. Em compensação Akhmetou recebeu uma parte adicional de influência, de mais uma cadeira - de Boris Kolesnikov - Vice-Primeiro-Ministro Humanitário e Ministro da Saúde. No entanto, a pergunta é: por quanto tempo?

Quem é Rynat Akhmetov?


Rynat Akhmetov nasceu em Donetsk-Ukraina, em 1966, filho de pai nascido na República Autônoma Socialista Soviética de Tartaristão. Em Donetsk, seu pai e seu irmão trabalhavam nas minas de carvão, como mineiros.

Em 2001 Rynat terminou a universidade de economia com especialidade em marketing.

Ele nunca foi claro sobre seus primeiros ganhos. Era somente amizade ou negócios que mantinha com Akhatem Brahim (também conhecido como Alik Hrek), que era um empresério de Donetsk, mais conhecido como presidente do Clube de Futebol "Shakhtar" - e que morreu em 1995, no Estádio "Shakhtar", em resultado de uma explosão planejada.

Os lucros de Akhmetov provêm de mais de 90 empresass, entre as quais: Ferro e Aço Iron & Steel Works, Primeiro Banco Internacional da Ukraina, Companhia de Seguros Aska, Operadora de Telefonia Móvel, Clube de Futebol "Shakhtar", outros. No total são mais de 160 mil empregados.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik
Imagem de Wikipédia

segunda-feira, 5 de março de 2012

LIBERDADE PARA LUTSENKO

Presidente da PACE exige da Ukraina a liberdade de Lutsenko
Tyzhden (Semana), 28.02.2012

O presidente da Assembléia do Conselho da Europa (PACE), Jean-Claude Mignon insta as autoridades ukrainianas para liberar o ex-ministro da Ukraina Yuri Lutsenko.

"O ex-ministro do Interior não teve um julgamento justo, as acusações pelas quais ele foi condenado, absolutamente não justificam a pena de prisão. O fato de que a ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko ainda está presa, e também a prisão de Lutsenko reforçam a percepção de que as acusações contra esses dois adversários do governo têm a natureza política" - observou na declaração.

Mignon disse que é inaceitável a perseguição de ex-funcionários por razões políticas no país, o qual é membro do Conselho Europeu. "Essa prática é contrária ao Estado de Direito e afasta Ukraina dos princípios da nossa organização, bem como da integração européia, que o país visa" - disse o presidente da PACE.

Os países europeus, EUA e Canadá reagiram ativamente contra a sentença do ex-ministro do Interior, Yuri Lutsenko.

Ansiedade pela sentença de Lutsenko expressaram os Ministros de Assuntos do Exterior da Alemanha, Grã-Bretanha, Polônia e França.

O ministro da Suécia Karl Bild disse que esta decisão do Tribunal "prova que o sistema legal da Ukraina está sendo usado para criminalizar as atividades essencialmente políticas".

O Ministro dos Negócios do Exterior da República Checa divulgou uma declaração onde manifesta seu medo e revolta pelo veredicto a Lutsenko. "Assim como no caso da ex-primeira-ministra Y. Tymoshenko, enfatizamos que o julgamento esteve muito distante dos padrões europeus e princípios dos direitos humanos" - diz a declaração.

Separadamente reagiram alguns políticos. O representante da UE na Ukraina José Manuel Pinto Teixeira observou que "a conclusão do acordo de associação está minada devido aos desenvolvimentos recentes na Ukraina.

Presidente da delegação do Parlamento Europeu sobre a cooperação com Ukraina Pavlo Koval (Polônia) chamou o veredicto "extremamente draconiano".

A relatora da PACE Marie-Louise Beck considera Lutsenko "vítima de vingança política".

EUA apelaram às autoridades ukrainianas para liberar Lutsenko, bem como permitir a ele e a outros ex-funcionários presos a participação nas próximas eleições parlamentares.

Por sua vez Canadá acredita que a sentença de Lutsenkoo solapa as instituições da sociedade democrática na Ukraina. John Baird, Ministro de Relações Exteriores está convencido de que este veredicto é político. Ele observou que o Canadá continuará a defesa do primado do direito e da democracia na Ukraina.

Segundo a União Ukraino-Helsinki dos Direitos Humanos, mais de 25 organizações, membros da OSCE, pediram para reverter o julgamento de Lutsenko. "A sentença de Y. Lutsenko - é o próximo passo para a destruição do Estado de Direito e a independência do poder judicial na Ukraina. Este veredicto afasta Ukraina muitos passos para trás em seu desenvolvimento democrático e mostra claramente a insistência das autoridades ukrainianas em riscar as conquistas do povo ukrainiano nos últimos 20 anos" - diz o recurso.

Agora fazem tudo para matar Lutsenko
Gazeta.ua, 29.02.2012

A vida de ex-ministro Y. Lutsenko corre perigo em qualquer colônia, disse o ativista de direitos humanos  Yevhen Zakharov, a este jornal.

"O ex-miliciano não pode ir para uma colônia comum, onde cumprem pena criminosos condenados. Na Colônia Menska, na Província de Chernihov, já citada como provável, também não, pois lá cumprem pena muitas pessoas, devido ao esforço de Lutsenko para acabar com as torturas na prática que havia na milícia. Por enquanto ele ficará na prisão de Kyiv - até o Tribunal de Apelação. Depois não se sabe." concluiu.

Os bens que poderão ser confiscados da família Lutsenko.

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 29.02.2012.

Após o veredicto, que terá efeito somente após a decisão do Tribunal de Recursos, faz-se a descrição dos bens, após o que realiza-se leilão com supervisão do governo.

"Trata-se de carros, móveis, objetos, livros. Podem ser confiscados os bens adquiridos por Lutsenko, mesmo se estiverem no nome da esposa", - explicou o jurista Oleksii Sviatohor.

"Com o imóvel é mais complicado. Existem vários métodos com os quais pode-se rechaçar o confisco", - acrescentou o jurista.

Lutsenko disse que sua propriedade foi declarada ainda em dezembro de 2010. (Então já sabiam que seria condenado??? -OK)

"Tudo o que havia foi declarado: Apartamento de 3 quartos no centro de Kyiv e três carros que pertencem a mim, minha esposa e filho: Mercedes, Lexus e Mitsubichi", - contou Lutsenko.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

sábado, 3 de março de 2012

UM HOMEM PERFEITO ! Uma entrevista fantástica

Hoje pela manhã depois de barbear-me olhei para minha imagem refletida no espelho e perguntei:
- "Espelho, espelho meu. Existe no mundo alguém mais perfeito que eu?"
E o espelho respondeu:
- "SIM!"
Incrédulo, repliquei:
- "Impossível!!! Quem? Onde?"
E o espelho, placidamente, respondeu-me:
- "Yanukovych ! Na Ucrânia".
Pode???

O Cossaco.

Yanukovych garantiu, que tudo está normal e não denunciou "círculo estreito".

Tyzhden (Semana), 25.02.2012
OleksandrMykhylson


Depois de dois anos na presidência Viktor Yanukovych está convicto: ele faz tudo certo. E isto não é pose, mas sua profunda convicção interior. Então assim, o país continuará no mesmo curso.

Conferência de imprensa durante os últimos dias do segundo ano do mandato Yanukovych não realizou. Em vez disso, ele deu uma longa (107 minutos) entrevista a três canais de TV.

O próprio formato da entrevista demonstrou o caminho percorrido pela Ukraina durante esses dois anos. Perante o presidente da República sentaram-se três apresentadores, dois dos quais são cidadãos de outro país e não dominam o idioma ukrainiano. O próprio presidente, condizente, a toda hora passava ao idioma russo (em sua execução ímpar de Donetsk).

Entrevistadores: Savik Shuster, Yevheni Kisyeliof e Adrii Kylykov - de tempo em tempo, com sucesso fingiam supostamente fazer questionamento quase de improviso, e com seriedade esperavam do interlocutor cruciais revelações. Na verdade, em uma esfera - na esfera das demissões e nomeações, que sempre acontecem no Olimpo do poder - Yanukovych nesta entrevista realmente colocou alguns pingos nos diversos "i". Quanto ao que diz respeito à perguntas estratégicas de desenvolvimento do país, na maior parte das vezes precisa adivinhar.

Quadros. Andrii Kliuyev - um verdadeiro desmoronamento. O recém-nomeado secretário do Conselho Nacional de Segurança e Defesa não chefiará o órgão eleitoral do Partido das Regiões nas próximas eleições parlamentares. Com a pergunta de Kisyeliof e Shuster, aos quais este assunto interessava sobremaneira, Yanukovych declarou isso muito claramente. E até acrescentou que, "precisa ainda olhar a Constituição": se não deve Andrii Kliuyev após assumir outro cargo suspender a filiação no partido?

Na verdade "olhar a Constituição" precisa antes da nomeação, e não depois. E, o garantidor da Constituição, após dois anos de trabalho deveria saber. Mas, para o exército de funcionários de Kliuyev a questão importante é outra: notícias de que Kliuyev, no assento no Conselho de Segurança Nacional de Segurança e Defesa construirá "rígida vertical" de apoio ao Partido das Regiões, não foram confirmadas. Sanção imperial não há.

Também não há - por enquanto - prontidão imperial para sacrificar o fiel Azarov (primeiro ministro). Embora haja, constantemente, questionamento sobre este assunto. "Nós discutimos abertamente este tema em círculo estreito - inicialmente sem M. Azarov, depois com M. Azarov... nós não temos "decisões de corredores", - Yanukovych provocou riso no autor dessas linhas. Mas concluiu com seriedade: Nós decidimos que Azarov deve "farejar".

Desse modo, o primeiro-ministro, provavelmente se manterá na função até outono. Afinal a demissão do presidente do gabinete ministerial levará à necessidade de reorganizar todo o governo, e isto é - desnecessária desordem e negociações com os grupos de apoio... Quem precisa disso com aproximação das eleições?

Pena. Três pilares do jornalismo não ousaram indagar ao presidente, quem são aquelas pessoas, com as quais ele "abertamente em círculo restrito" discute o destino do governo. E seria interessante"!

Felizmente, Yanukovych, em caso de necessidade, pode apoiar-se em quadros "jovens". Por exemplo, vice-primeiro-ministro Serhii Tihipko, o qual não teve medo de dizer, olhando nos olhos do presidente: "V. Yanukovych, eu não tenho medo de assumir responsabilidades, eu quero melhorar o nível de proteção social das pessoas!" Absolutamente foi assim porque foi o próprio presidente que contou.

Há rumores de que Tihipko pode encabeçar a lista eleitoral do Partido das Regiões (O partido de Tihipko "Ukraina forte" está em processo de fusão com o Partido das Regiões - OK), com um olho na cadeira do primeiro-ministro após as eleições. Mas aqui, é claro, pouco depende de Yanukovych: como declara o presidente "cumpridor das leis". O primeiro nome da lista eleitoral pode designar apenas o congresso do partido.

Tymoshenko. Como presidente do país, Yanukovych pode influenciar na "condição de aprisionados" não apenas de seus companheiros, mas também de seus oponentes. Sim - sim, ele, certamente, concorda que Tymoshenko, Lutsenko e outros foram julgados por um não muito perfeito Código e não muito europeu Código de Processo Penal. Mas, como agir?! O Código Penal deve ser respeitado, e exigências "políticas" européias de permitir a Tymoshenko e Lutsenko de participar nas eleições, infelizmente cumprir é muito, muito difícil.

"Quem mais de todos sofreu na Ukraina sobre esta questão? Mais que todos é mesmo eu!" - sinceramente queixou-se Yanukovych (bem, na verdade, não estou aprisionado!) Embora, naturalmente, o caminho para libertar Tymoshenko existe. Primeiramente devem concluir-se todas as apelações nos tribunais, "e em seguida pode haver o indulto".

"E se esse procedimento houver - e ele começa com declaração da pessoa condenada apelando ao presidente (Tymoshenko já declarou que não fará isto, nem aceitará perdão de Yanukovych caso ele ofereça. - OK). O presidente tem uma Comissão que estuda estas questões de perdão. E eu estou convencido que somos obrigados pela Constituição considerar esta questãoo e decidir", - esclareceu Yanukovych.

Na verdade o apelo para o perdão automaticamente prevê o reconhecimento da culpa do condenado. E sincero arrependimento. Claro, que após isso, mesmo na Ukrana, onde os eleitores estão acostumados com a irresponsabilidade dos políticos, sobre carreira política da Tymoshenko pode-se esquecer.

Bem - Yúlia Tymoshenko é culpada em tudo sozinha. O presidente disse isto. Verdade, por alguma razão ele tinha em mente não a incriminada questão. "O erro da Tymoshenko foi que ela não defendia-se no plano jurídico. Ela escolheu o caminho da proteção política", - disse Yanukovych.

"Todo político tem o direito de falar. Mas existem leis. E alguém é responsável por isso", - de forma confusa acrescentou ele.

Do que se trata? Talvez Tymoshenko realmente não poderia receber sete anos, se ela tivesse outros advogados? Ou talvez ela foi presa não por abuso de autoridade, mas porque falou durante o processo? Por exemplo, sobre o juiz, e até mesmo, é assustador pensar, sobre o próprio presidente? Realmente, não foi falado pouco.

Mas, certamente, não, não poderia V. Yanukovych ter em mente nada parecido. Provavelmente apenas um deslize ao falar...

Rússia. "Dormir tranquilamente ao lado de um urso não pode". Esta frase dita por Yanukovych sobre a Rússia, tornou-se um sucesso absoluto e imediatamente entrou ao acervo de ouro de aforismos políticos ukrainianos. Mas, na verdade o presidente, durante a entrevista convencia, de que o problema nas relações com a Rússia - somente um. Gás e, mais precisamente, o seu preço.

"O preço justo para nós - é o preço europeu, menos o valor do trânsito para Europa" (Grande parte do gás da Rússia vendido a países europeus transita pelo território ukrainiano - OK) - completamente justo segundo Yanukovych. Pelos seus cálculos, o preço deve ser $240 - $250,não mais". (A Europa paga aproximadamente 300 USD por mil m³, enquanto na Ukraina, em 2011 o preço praticamente dobrou: de 264 USD no início do ano, chegou a 414 USD no final de 2011, preço que está vigorando neste início de ano. Ainda Rússia diz que está dando 100 USD de desconto devido ao acordo de Kharkiv. (O acordo de Kharkiv estabelece que a frota russa tem o direito de permanecer em Sebastopol, território ukrainiano, até o ano de 2042, com possibilidade de prolongamento para mais cinco anos. Como se vê, Yanukovych entregou parte do território ukrainiano para Rússia por nada - OK). Portanto Ukraina nunca, nunca concordará com o atual exorbitante preço. E em março Yanukovych espera resolver essa questão com o "mais provável" vencedor das eleições presidenciais na Rússia.

Mas exatamente que argumentos apresentará Kyiv contra os preços que "não concorda", e que até agora é obrigado pagar?! Infelizmente, Yanukovych não disse sobre isso nenhuma palavra. E os entrevistadores não se mostraram muito interessados.

Em vez disso, o presidente seriamente tentou convencer, que o preço do gás - é absolutamente o único obstáculo para as relações civilizadas entre os dois países. Ele disse: "Removendo este problema, conosco tudo bem. Tudo mais - simples questões". Então, por exemplo, o próprio fato de dependência extraordinária devido aos elevados gastos econômicos com a energia proveniente do gás russo - isso parece não ser problema. Sem mencionar as guerras dos "queijos", "carne" ou "tubulações!, natural competição entre dois países no comércio de grãos ou armas. Finalmente, a política sucessiva do Kremlin como liquidar os restos de subjetividade geopolítica de Kyiv. Todos esses problemas simplesmente não existem.

Futuro: No decorrer da conversa a Yanukovych cuidadosamente insinuaram, que a apropriação da governabilidade pelo Partido das Regiões, nas últimas eleições municipais mesmo nas regiões, onde o Partido, para dizer o mínimo, não tinha popularidade, desperta determinadas suspeitas, Yanukovych discordou categoricamente.

"Permitam-me, temos a liberdade de expressão nesta mesa, não concordar. De maneira alguma não concordo. Porque o senhor ofende meus eleitores. O senhor ofende meus eleitores", - realmente ofendido declarou o presidente. E listou todas vitórias de sua equipe: nas eleições presidenciais de 2004 (não é segredo, que Yanukovych não apenas simplesmente fala sobre isso, mas sempre acreditou realmente), também - nas eleições parlamentares em 2006 e 2007.

No entanto, nas últimas eleições, em que o Partido das Regiões realmente obteve o primeiro lugar, mas não conseguiu formar a maioria (o que obteve comprando deputados, sem princípios, de outros partidos - OK) Yanukovych denomina "sabotagem contra Ukraina". "Essa provocação... acabou que o país, como dizem, acabou com o traseiro nu diante da crise", - ofendido explicou o presidente.

Mas tal situação não vai acontecer. E o presidente "não terá vergonha olhar as pessoas nos olhos".

Nós vamos continuar o trabalho, nunca mudaremos o rumo iniciado. Eu tenho certeza de que esse caminho vai levar ao sucesso", - resumiu Yanukovych.Quanto tempo para isso é necessário, dado o ritmo das reformas dos últimos dois anos - questão das questões. Mas ninguém perguntou. No entanto, ainda no meio da conversa pediram a Yanukovych comentar a possibilidade de mudar a Constituição de modo que ele pudesse pensar no cargo em mais que dois mandatos. Yevheni Kisyeliof até perguntou diretamente: o senhor não inveja Nazarbayev (Cazaquistão), ou mesmo Putin, que tanto tempo se mantêm no poder em seus países?

Não, Yanukovych não inveja, porque "nós temos outras tradições. E, claro, em nenhum caso vai mudar a Constituição para si... Bem, como não acreditar na pessoa que tão alto clamava pela república parlamentar atuando na oposição, e tudo mudou chegando ao poder?

Mas por enquanto isso - são especulações. Enquanto sobre o segundo mandato já é possível falar a sério. "Eu tenho o direito de pensar sobre um segundo mandato, e é real, mas para isso precisa trabalhar bem", - disse o presidente. É como ele disse acima, "todo político tem o direito de falar". Embora, às vezes, "depois alguém deve assumir responsabilidades". Se não tiver sorte.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

quinta-feira, 1 de março de 2012

NOTÍCIAS CULTURAIS


O principal objetivo do Balé Nacional da Ucrânia é pesquisar, reunir e difundir as tradições e costumes da cultura do povo ucraniano a partir do estilo de dança regional e de novas coreografias que captem o espírito do passado e do presente do país. Partindo deste princípio, seu fundador, Pavlo Virsky, criou composições coreográficas de elevado nível artístico que serão apresentadas no Brasil, como Ucrânia minha Ucrânia, Os Marinheiros e divertida dança Kozaka Povzunets.
Ao lado destas danças estão, Dança ucraniana com o tamborim, Montes Cárpatos, Polka da Volinia, Dança Cigana, Hutsulka, Zaporozhti, Hopak (Dança Nacional) entre outras incorporadas pelo diretor Myroslav Vantukh, com grande sucesso em vários países.
Conduzidas pelo renomado músico ucraniano Alexander Cheberko, todas estas coreografias destacam o virtuosismo, agilidade, beleza e humor dos bailarinos do Balé Nacional da Ucrânia. Tudo isso faz do espetáculo de Virsky uma experiência inesquecível, pela riqueza teatral e pela beleza incomparável deste conjunto harmônico e suntuoso.

A turnê do Virsky no Brasil faz parte das comemorações dos 20 Anos das Relações Diplomáticas Brasil-Ucrânia.


Enviado por:

Sergio J. Maciura – Edson L. Wistuba
Dnipró Gold Tour Operator

VIRSKY – Balé Nacional da Ucrânia faz turnê pelo Brasil
Uma das mais tradicionais companhias de dança europeias, o Balé Nacional da Ucrânia – VIRSKY – chega ao país em abril para uma extensa turnê pelo Brasil.
As cores brilhantes, as coreografias de tirar o fôlego, a riqueza e a originalidade de suas apresentações – esse é o mundo de Virsky, carregado de paixão e poesia, com espetáculos vibrantes que emocionam e encantam as plateias do mundo todo com suas cores, sua alegria e energia. Foi essa interação única com a plateia que fez da Virsky – Balé Nacional da Ucrânia, uma das principais companhias de dança da Europa e um dos mais aclamados grupos de danças nacionais do mundo. Batizada com o nome de seu fundador, Pavlo Virsky, a companhia vem se destacando pelo seu virtuosismo e pela magia de seu repertório, acumulado em 75 anos de tradição.
Em abril, a companhia chega ao Brasil para uma extensa turnê com produção da Dell’Arte Soluções Culturais. Eles se apresentarão no Rio de Janeiro (17 e 18 de abril, Teatro João Caetano), Novo Hamburgo (9 de abril, Teatro Feevale), Porto Alegre ( 10 e 11 de abril, Teatro Bourbon Country), Curitiba (13 e 14 de abril, Teatro Guaíra), Belo Horizonte (19 de abril, SESC Paladium), Brasília (26 e 27 de abril, Teatro Nacional), São Paulo (1, 2 e 3 e 4 de maio, Theatro Municipal) e Santos (5 de maio, Teatro Coliseu). Outras datas poderão ainda ser confirmadas para a turnê nacional.
A companhia
Considerado um dos grupos de maior prestígio no mundo, o Balé Nacional da Ucrânia reúne em suas apresentações mais de 50 bailarinos em cena e orquestra ao vivo. Foi criado em junho de 1937 pelos coreógrafos Pavel Virsky e Nicolai Bolotov. Virsky dirigiu a companhia de 1937 a 1975, ano de sua morte, e em sua homenagem, a companhia passou a ter o seu nome – uma prova da contribuição deste artista para a dança.
A partir de 1980, Miroslav Vantoukh assume a direção da companhia. Com ele se reconstruíram as danças criadas por Pavel Virsky, consideradas clássicas dentro da linguagem teatral. Para a crítica, aliás, a dupla Pavel Virsky e Miroslav Vantoukh se destaca entre os grandes criadores do século XX, por seu repertório variado e de tanta riqueza teatral. Entre os exemplos desta obra extensa, estão o burlesco Povzounetz, a beleza incomparável da Dança das Rendilheiras e muitas outras.


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

LUTSENKO CONDENADO A 4 ANOS

O presidente troglodita e mafioso, Viktor Yanukovych, através de seus lacaios do judiciário, remove do seu caminho mais um impecilho às suas pretenções políticas totalitárias. Este será o destino de todos aqueles que possam representar qualquer ameaça às suas pretenções de perpetuação no poder. Quer reinar sozinho sobre tudo e sobre todos. Pobre Ucrânia! Este é o seu destino: vítima permanente da sanha de assassinos, psicopatas, mafiosos e comunistas !!!

O Cossaco


Ukrainska Pravda (Verdade ukrainiana), 27.02.2012
Tyzhden (Semana), 27.02.2012
Oleksandr Mykhelson



O ex-ministro do Interior, Yurii Lutsenko, foi condenado a 4 anos de prisão.

Como Lutsenko já está preso desde 27.12.2010, esse período está incluído.

Também foram confiscados todos os seus bens e não poderá assumir nenhum emprego público por mais 3 anos.

Seu ex-motorista foi condenado a 2 anos, condicionalmente.

As primeiras conclusões sobre a sentença proferida pelo Pecherskyi Tribunal ao ex-ministro são óbvias. Elas significam que a sanção imposta antes a Yúlia Tymoshenko - não é exceção. Execuções judiciais de opositores do regime na Ukraina de hoje é uma tradição e, portanto, a prática continuará.

Também pode-se afirmar com segurança que esperar pelo Tribunal de Apelação não trará modificação da sentença.

Não há dúvida que a sentença de Lutsenko foi um acerto de contas. Em 2010, quando Lutsenko ainda era ministro, ele, nas eleições presidenciais permitiu os observadores internacionais. Um grande número de georgianos veio para Donetsk, região majoritariamente do partido das Regiões. Como resultado Yanukovych não se elegeu no primeiro turno. Na data da realização do segundo turno Lutsenko já não respondia pelo ministério, não teve observadores internacionais, as fraudes pipocaram e Yanukovych foi vencedor. Lutsenko e Tymoshenko são oradores brilhantes e líderes carismáticos. Como a popularidade do presidente e do partido das Regiões despencou, tais adversários ruidosos e livres, na véspera de eleições parlamentares, em liberdade, não são necessários. Este é o real motivo do aprisionamento de Lutsenko e Tymoshenko.

Mais fatos corroboram o aprisionamento de Lutsenko como de "ordem política". Como o caso do filho do presidente do Departamento de Estradas Volodymyr Demishkan (antigo companheiro de Yanukovych) que em janeiro recebeu apenas uma pena condicional por crime confessado: roubo e brutal assassinato de um antigo parceiro de negócios. E, em julho de 2011, o mesmo juiz Vovk, que julgou Lutsenko, dispensou do aprisionamento um funcionário do governo que recebeu 140 mil UAH, ou 17.500 USD de suborno.

A União Européia está decepcionada com a sentença de Yurii Lutsenko e continuará acompanhando a evolução do caso durante a apelação, segundo a Comissária de Relações Exteriores Catherine Ashton e o Comissário Stefan Fule.

"Nós estamos desapontados com o julgamento do Sr. Lutsenko, que sinaliza a continuação dos tribunais na Ukraina, que não respeitam normas internacionais justas, transparentes e independentes do processo judicial", - declararam os diplomatas europeus.

"Lembramos que na Cimeira Ukraina-União Européia, em 19.12.2011 foi enfatizado, que o respeito ao direito supremo será fundamental para associação política e integração econômica da Ukraina com UE. Nós também lembramos a recente resolução da PACE quanto ao funcionamento das instituições democráticas na Ukraina", - disseram Ashton e Fule.

"Continuaremos a acompanhar de perto os desenvolvimentos relacionados com o processo de recurso do Sr. Lutsenko, novo julgamento da Sra. Tymoshenko e a questão do ex-ministro interino Valerii Ivashchenko, e outras questões semelhantes". - diz o comunicado.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

ÚLTIMAS NOTICIAS SOBRE YULIA TYMOSHENKO

1- O médico canadense diz que o governo ukrainiano não permitiu a realização de exames da Tymoshenko

Ukrainska Pravda (Verdade Ucrainiana), 23.02.2012

O governo ukrainiano negou aos médicos canadenses a realização de testes necessários para diagnóstico da ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko. Não foi Tymoshenko que se recusou à realização dos testes.

Isto foi afirmado na declaração do médico Petró Kuytana, cujo texto encontra-se na propriedade da Ukrainska Pravda.

Segundo Kuytana, após reunião com Tymoshenko ficou claro que ela precisa do exame de sangue e testes toxicológicos.

"Apesar do fato de que a equipe canadense tinha equipamentos para testes, que poderiam dar resultados imediatamente, as autoridades ukrainianas recusaram-se permitir a sua utilização, dizendo que nós iríamos transgredir algumas leis, que poderia resultar em processo criminal", - diz a declaração do médico.

Kuytan acrescentou, que os médicos chamaram atenção dos funcionários, que foi o governo que os convidou, e este equipamento estava listado nos documentos oficiais originais.

"A senhora Tymoshenko estava em pleno acordo com as nossas propostas e solicitou uma testagem independente e confidencial", - acrescentou ele.

"As autoridades também proibiram a coleta de quaisquer amostras necessárias para análise", - disse o médico.

"Qualquer declaração de que Tymoshenko negou-se a um exame independente não é verdade", - disse Kuytana.

"Eu considero que esta mulher está doente e permanece em constante dor - condição que requer testes toxicológicos e outras pesquisas laboratoriais. Eu também expressei preocupação com o fato de introdução a ela de substâncias que são proibidas no Canadá", - acrescentou o médico.

(Acompanho diariamente, por mais de 6 (seis) anos, os jornais ukrainianos. Tymoshenko sempre foi uma mulher muito ativa e participava de atividades diárias inerentes a seu cargo, ou como política. Era notícia diária nos jornais. Sempre com boa saúde. Por que será que adoeceu logo após sua prisão??? - OK).


2- Tymoshenko foi levada à clínica

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 23.02.2012

O serviço penitenciário do Estado comunica que, de acordo com solicitação da Tymoshenko, e no âmbito das das recomendações dos médicos estrangeiros que faziam parte da comissão médica internacional, foi assegurada a testagem adicional, ou seja, radiografia, tomografia complexa, terapia de ressonância magnética, em um dos hospitais de Kharkiv" - diz um comunicado.

Do exame de sangue Tymoshenko recusou-se novamente. Os resultados são necessários aos médicos estrangeiros para conclusões finais e recomendações sobre a saúde da Tymoshenko.


3- Filha da Tymoshenko exortou a OSCE a ocupar-se de Yanukovych

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana) 23.02.2012

A Organização para Segurança e Cooperação na Europa deve investigar abusos do sistema legal do regime Yanukovych.

Este convite soou dos lábios da filha da Tymoshenko Eugênia, na quinta-feira durante uma Comissão da Democracia, Direitos Humanos e Assuntos Humanitários da Assembléia Parlamentar da OSCE.

"A OSCE pode usar seus poderes para conduzir investigações, para examinar a situação dos direitos humanos e os constantes abusos do sistema legal para satisfazer a vontade de Yanukovych", - disse Eugênia. Ela acredita que a comunidade mundial deve mostrar solidariedade com aqueles que defendem os valores democráticos na Ukraina.

"Ainda não é tarde para minha mãe, ainda não é tarde para Ukraina, mas a escuridão condensa-se. Por isso pedimos-lhes para demonstrar compromisso e solidariedade para com Ukraina, para o nosso futuro comum de liberdade e democracia na Europa", - sublinhou ela.

"Nós podemos e vamos proteger nossos direitos e liberdades. Eu penso que há passos práticos para nos ajudar. E vocês podem aplicá-los não somente para minha mãe, mas para toda Ukraina, que olha para vocês com esperança", - declarou Eugênia.

Eugênia informou os participantes sobre a situação política na Ukraina, perseguição da oposição, estadoo de saúde e condições da Tymoshenko na prisão. Ela também disse que sente temores, que crescem a cada dia, que sua mãe pode ser morta na prisão.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O DESCONHECIDO LESTE DA UKRAINA

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Tyzhden (Semana), 14.02.2012
Oleksandr Kramar

Nos anos trinta do século passado morreram e foram russificados milhões de ukrainianos da Slobozhanshchyna Oriental e Norte do Cáucaso.

A gestão do império russo tradicionalmente realizava a divisão administrativa, ignorando as fronteiras étnicas dos povos que a habitavam. A criação de províncias mistas, e até mesmo distritos, tinha como meta impedir o processo de consolidação nacional dentro dos limites da "grande e indivisível" e contribuir à assimilação com a nação titular russa. Assim, restaurado após o colapso do Império Romanov em 1917-1920 o Estado ukrainiano imediatamente sentiu o problema relacionado com a adesão de terras, que entravam na composição russa de províncias de Voronets, Kursk, Cossacos de Don, Kuban e Stavropol.

Tentativas fracassadas de junção

Estadistas do Conselho Central durante a formação do território da UNR (Conselho Nacional Ukrainiano) em novembro de 1917 procediam do território pertencente à Slobozhanshchyna Oriental de autonomia ukrainiana. Particularmente, pela lei da UNR, de 29.11.1917 o Conselho Central anunciou a realização de eleições para Assembléia Constituinte em vários distritos. Apesar de tempos de guerra com os bolcheviques russos, esta região não se manteve fora da influência do governo ukrainiano.

Após a assinatura do tratado de paz Brest-Litovsk com os países: Alemanha, Império Austro-Hungaro e Império Otomano, o Conselho Central, de 2 a 4.03.1938 emitiu a lei sobre a divisão administrativo-territorial da Ukraina, que proclamou a anexação à UNR o território do Podonnia, com o centro em Ostrohskyi, que compreendia as províncias de Kursk e Voronets, sendo que o distrito de Bilhorod ficou pertencendo a Kharkiv e Donetsk. No entanto esta decisão adquiriu validade apenas no período do Hetman Pavlo Skoropadskyi (29.04.1918 - 14.12.1918).

Insuficiência na autodeterminação Nacional.

Após a derrubada do Hetman e a ocupação definitiva da região do Dnipró (região do rio Dnieper) pelos bolcheviques russos as regiões da Slobozhanshchyna Oriental e Donshchyna novamente foram incluídas à Rússia. Administrativamente o então leste da Ukraina fazia parte das províncias de Kursk, Voronets e Norte do Cáucaso, da Rússia. Na composição do território total das duas províncias, de 42.000km² - 1,4 milhões de habitantes (63,7%) de 2,2 milhões da população total, apesar de décadas de russificação sistemática, ainda reconhecia-se ukrainiana. No entanto, este maciço pertencente a Ukraina, maior que Kursk - não se tornou uma unidade administrativa.

Em 1920, mesmo extremamente limitada em seus poderes, a liderança da URSS (República Socialista Soviética da Ukraina) insistia em revisão das fronteiras estabelecidas entre as duas repúblicas de uma União. A razão para a reinvidicação ukrainiana eram os dados do censo, realizado em dezembro de 1926. No território adjacente a Ukraina da RSFSR (República Soviética Federativa Socialista Russa) vivia uma densa população de mais de 4,5 milhões de aukrainianos. Aproximadamente o mesmo tanto de ukrainianos vivia nos territórios ocidentais ukrainianos na composição da Polônia. No entanto, os maciços com a população étnica ukrainiana não foram anexados à vizinha província de Kharkiv da URSS. Como resultado, a propósito, Kharkiv, na época era capital da Ukraina - de fato, revelou-se uma cidade de fronteira, e a própria fronteira "ao vivo" separou as terras étnicas ukrainianas.

Bélgica nas estepes

Com uma área de 293,6km² (maior que a Grã Bretanha, idêntica às atuais Itália ou Polônia, com 8,2 milhões de habitantes, o território do Norte do Cáucaso preponderava sobre todas as repúblicas soviéticas, com exceção da Rússia e Ukraina. Sem as repúblicas autônomas, montanhosas em seu território, correspondia a três regiões da moderna Rússia: Krasnodar, Stavropol e à província de Rostov. A composição etnolinguística lembrava as atuais Bélgica ou Suiça, porque após a ocupação pelos bolcheviques russos os territórios de Don e Kuban em 1924, seus etnicamente mistos ukrainiano-russos territórios se tornaram a base da pátria Cáucaso do Norte.

Entre os camponeses, o que é mais de 80% da população, nos anos de 1920 foi mantida a paridade ukrainiana-russa (2,7 milhões). Nas tradicionalmente russificadas cidades, os ukrainianos oficialmente superavam os russos (0,99 milhões contra 0,34 milhões). Mas a parcela da população urbana, na estrutura total da população ainda não era significativa. Ao mesmo tempo, em cinco regiões adjacentes da URSS (Taganrog, Don, Donetsk, Kuban e Mar Negro) os ukrainianos camponeses constituíam maioria. Por exemplo, no distrito de Kuban eram 900.000 de 1.400.000, em Donetsk 206.000 de 376.000, em Taganrog 191.000 de 265.000. Nos cinco distritos mais remotos a parte ukrainiana equivalia de 30% a 50% e em apenas um distrito industrial Minas - Donetsk - era insignificante.

Cinismo Soviético

Nas circunstâncias, quando a propaganda oficial soviéticaa denunciava o regime de ocupação polonês devido a perseguição e assimilação dos ukrainianos da Halychyna, Volynia, Kholmshchyna, Pidliasha, ignorando as justas reinvindicações de anexação de regiões do leste ukrainiano à composição da URSS (República Socialista Soviética Ukrainiana) dentro dos limites da "União fraterna" (Os russos, constantemente explorando Ukraina, encarcerando ou matando os ukrainianos, são cínicos ao ponto de sempre chamá-los "Irmão mais novo", "país irmão", etc. - OK) parecia cínico. No entanto, o regime bolchevique, apesar das declarações da intenção de resolver a questão nacional de maneira justa, continua seguindo a política tradicional a quaisquer modificações do Império forçando a russificação, enquanto as proposições do lado ukrainiano da divisão de acordo com as fronteiras étnicas eram repetidamente ignoradas.

Na segunda metade da década de 1920 nesses territórios foi realizada parcial "ukrainização" que limitava-se à criação de escolas e instituições culturais e surgimento limitado de materiais impressos em ukrainiano. No entanto, logo descobriu-se que a verdadeira situação do leste ukrainiano na composição da União das Repúblicas Federativas Socialistas Soviéticas Russas era incomparavelmente pior do que a parte Ocidental que permanecia sob o governo da "Polônia burguesa", apesar do assédio constante dos poloneses-ukrainianos nos níveis nacional-cultural e religioso.

Massacre na Ukraina

Mesmo com a derrota da República Popular de Kuban, os cossakos de Kuban continuavam a resistência ao poder dos bolcheviques. Se na Ukraina, glorificados nas canções, os guerrilheiros agiram até o final da década de 1920. No Kuban a luta antissoviética continuou até o final de 1930 (um pequeno destacamento de Milko Kalynyk conseguiu aguentar-se até a chegada dos alemães em 1942). Além disso, nas circunstâncias do ordinário ataque do regime stalinista contra os camponeses, no limiar de 1920 - 1930 aumentou a nostalgia dos "kubantsi" pelos tempos da existência da República Popular de Kuban e novos destacamentos de insurretos formavam-se sob o slogan "Que viva Kuban livre!".

O regime respondeu com terror, o elo principal do que foi o genocídio da nação ukrainiana de 1932-1933, e as deportações em massa de "kulaks" das regiões orientais da Ukraina. Sendo que os ukrainianos da Slobozhanshchyna Oriental e Norte do Cáucaso sofreram ainda mais que nas condições da URSS. Forte sentido oculto étnico segue-se, particularmente, nas instruções do Comitê Central do PCUS(b) e Conselho dos Comissários do Povo da URSS assinados por J. Stalin e V. Molotov "sobre aquisição de grãos na Ukraina, Norte do Cáucaso e Região Oeste" de 14.07.1932. Por estranha coincidência de circunstâncias os pontos dessas diretivas econômicas condenavam a "ukrainização", propunham provocar o colapso de suas atividades, e os culpados aprisionar para 5 - 10 anos nos campos do GULAG. Colocavam-se as exigências de rapidamente transferir no Norte do Cáucaso todas as atividades dos "ukrainizados" distritos: jornais e revistas da língua ukrainiana para língua russa e, até o outono também o ensino nas escolas.

Como resultado, no território oriental étnico ukrainiano foi observada não apenas a destruição física dos ukrainianos mas também o seu genocídio étnico. Assim, quando em dezembro de 1932 começou a certificação, eles, maciçamente registraram inicialmente "nacionalidade", e depois, também em sua mente "russo". E no próximo censo, apenas dez anos depois do anterior, verifica-se uma estranha e catastrófica extinção dos nossos compatriotas nas áreas acima citadas.

Em particular, na completa região de antigas terras ukrainianas de Kursk e Voronets seu número diminuiu para quase 1/3 - de 1,4 milhões para 0,55 milhões de pessoas, e no território do Norte do Cáucaso (sem as repúblicas autônomas) em geral em 10 (!) vezes - de 3,1 milhões para 310 mil.

Após a realização das deportações da população local, emitida diretiva do Conselho Militar Revolucionário, assinado por Mikhail Tukhchevskyi, previa a povoação desses territórios pelos soldados desmobilizados do Exército Vermelho. A ordem determinava o recrutamento. Em hipótese nenhuma não podiam ser inscritos os soldados que procediam da Ukraina ou do Norte do Cáucaso.

Aprovação de mecanismos de russificação

Hoje a parcela oficial de ukrainianos em áreas, onde há 80 anos eles constituíam uma relativa ou até absoluta maioria, não ultrapassa a 1 - 4%, e a existência do verdadeiro leste ukrainiano para sempre entrou na história, deixando aos descendentes a triste experiência da perda do maciço étnico no Oriente. Os moradores locais, descendentes de nossos antigos compatriotas, de acordo com a pesquisa de opinião, mostram um dos mais altos níveis de rejeição, dentro da Federação Russa, o simples fato da existência de um estado independente ukrainiano e possibilidade diferente da Rússia para o seu desenvolvimento.

Por sua vez, testados e demonstrados até a sua conclusão, no território destas terras, os mecanismos de russificação, inculcaram aos ukrainianos a atitude inimigaa às idéias de independência nacional e, ulteriormente, foram transportadas para o Ocidente - já nos limites da URSS. Embora este processo interrompeu-se (ou, pelo menos está em marcha lenta) no início de 1990. Seus efeitos são sentidos em diferentes graus, em muitas regiões do leste e sul da Ukraina até hoje.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

UM ANO NO AR


Completamos o nosso primeiro ano de existência. Este é o nosso primeiro aniversário. Em primeiro lugar, queremos agradecer a Deus por ter dado saúde e inspiração para prosseguirmos neste apostolado ao qual nos propusemos de corpo e alma. Em segundo lugar, aos nossos leitores que nos prestigiaram sobremaneira e sem os quais não teríamos vida e motivação para levar a obra adiante. Acreditamos que nosso objetivo foi alcançado: informar e esclarecer aos nossos leitores o que se passa na Ucrânia na atualidade. Procuramos, também, resgatar um pouco da história desse povo sofrido, muitas vezes escravizado, e não raras vezes, vítima das maiores atrocidades que se pode perpetrar contra seres humanos. O Holomodor é uma delas, mas não a única.
Mas o motivo é de festa. É de comemoração. 

Obrigado a todos vocês!

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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Saúde da Tymoshenko

Caros leitores:

Voltamos a chamar a atenção para o mesmo diapasão. O método comunista para eliminação de adversários ou inimigos do regime ou da ideologia é o envenenamento lento e gradual. Observem que todos os presos políticos, tanto na Ucrânia quanto na Rússia tão logo são encarcerados entram nesse processo de eliminação. Esse método existe desde 1917. Tymoshenko não é a única, não é a primeira e nem será a última a passar por esse processo. Só por Deus é possível resistir a esse processo demoníaco.

O Cossaco.


Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), Gazeta.ua, Ekspres Online, de 13 a 17.02.2012

Nos dias 14 e 15 de fevereiro os médicos internacionais: 3 médicos canadenses e 2 médicos alemães vieram a Ukraina para examinar Yulia Tymoshenko. Os exames efetuaram-se apenas na cela da prisão. Não foram feitos exames de laboratório, ultrassonografia, tomografia, densitometria, etc.

Nem mesmo exame de sangue foi feito porque os médicos internacionais trabalharam com os médicos do Ministério da Saúde ukrainiano. Como Tymoshenko não confia neles, temia que os resultados poderiam ser distorcidos e recusou-se.

Tymoshenko não queria a participação dos médicos ukrainianos do Ministério da Saúde mas, após longas negociações acabou concordando.

Os dois médicos alemães, no dia 14, permaneceram com Tymoshenko até as 24,00 horas, e, até às 3:00 horas da madrugada com o pessoal da prisão. Segundo o advogado, ele tinha conhecimento que o pessoal da prisão exigia deles a troca de informações confidenciais com os médicos do Ministério. Eles não assinaram tal acordo devido ao princípio de sigilo médico que preservam.

Os médicos canadenses foram segurados por 6:00 horas pelo pessoal da prisão, com exigências para que divulgassem o resultado sobre saúde da Tymoshenko após examiná-la. Também exigiam que Tymoshenko concordasse em entregar-lhes o diagnóstico. Nem os médicos, nem Tymoshenko concordaram com este absurdo.

O governo ukrainiano não gostou dos médicos canadenses. Disseram que são pessoas descendentes de ukrainianos residentes no Canadá. E, que são médicos de família, não qualificados professores como os alemães. E também porque foram indicados, a pedido do governo canadense pelo Congresso dos Ukrainianos no Canadá, que, por várias vezes exigiu de Yanukovych a liberdade de Tymoshenko, o que os tornava suspeitos.

Segundo o advogado, assim que os médicos canadenses retornarem ao Canadá, darão uma conferência à imprensa quando dirão que Tymoshenko necessita de cirurgia.

Eugênia, filha da Tymoshenko confirmou que os médicos alemães diagnosticaram uma hérnia na coluna vertebral.

"Os representantes do Ministério constantemente dizem que mamãe está saudável, que além dos exercícios já pode trabalhar (na colônia todas as prisioneiras trabalham - OK). Se ela não for tratada, precisará de intervenção cirúrgica", - disse a filha.

"Esta operação não poderá ser feita na colônia, o que é contra os interesses do regime, que opera sob as ordens diretas de V. Yanukovych," - acrescentou.

Eugênia também exclui a possibilidade de acordo da mãe com o governo para sua liberação da prisão. Que seria em troca de sua atividade política a possibilidade de ir ao estrangeiro e fazer a cirurgia lá.

"Minha mãe foi presa ilegalmente. Líderes de muitos países declararam que a prisão é política. Para corrigir esta situação Yanukovych deve libertar todos os prisioneiros políticos" - diz a filha.

Finalmente deram "khodunky" a Tymoshenko (um dispositivo para que ela pudessse andar). A notícia foi dada pelo advogado, devido a recomendação da Comissão Médica Internacional como um meio de reabilitação - disse seu advogado Vlasenko.

Anteriormente Tymoshenko pediu os "khodunky" por diversas vezes, mas não lhe deram. Até o ex-ministro da saúde já havia recomendado. E, mesmo o chefe da prisão, que pôde ver o que acontecia na cela devido a vídeo câmera 24 horas por dia, já havia comentado que Tymoshenko somente conseguia locomover-se com ajuda da companheira da cela. (O fato de ter, finalmente, recebido os tais "khodunky" prova que, realmente, Tymoshenko não tem condições de locomoção. Mas precisou equipes médicas do estrangeiro recomendar para ela receber??? - OK).
Os médicos alemães diagnosticaram em Tymoshenko uma hérnia espinhal, que requer uma cirurgia.
 No dia 17, quando todos já sabiam que foi diagnosticada hérnia em Tymoshenko, e que há necessidade de uma intervenção cirurgica, eis o que disse Pshonka, o Procurador Geral, pessoa que não é médico e nada entende do assunto de saúde: "Ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko não necessita nenhum tratamento hospitalar, nem intervenção cirúrgica. Estas são conclusões de especialistas internacionais que examinaram Tymoshenko, e que ela será tratada na prisão". Esta declaração foi dada em Dnipropetrovsk, durante o seminário de procuradores ukrainianos.
 Tymoshenko queixou-se ao seu advogado que ela não conseguiu ler, adequadamente, o diagnóstico dos médicos canadenses porque este lhe foi tomado pelos médicos ukrainianos que faziam parte da comissão.
 Os médicos do Ministério da Saúde disseram que foi a porópria Tymoshenko que lhes passou o diagnóstico.
 Mas, hoje, dia 20 de fevereiro, Ukrainska Pravda traz um comunicado dos médicos alemães.
 Em entrevista a TSN, o professor alemão, presidente da Clínica "Sharite" em Berlim, Karl Max Aynhopl, diz que as conclusões finais sobre a saúde da Tymoshenko ainda não foram dadas.
 "O que os alemães deixaram depois de examinar Tymoshenko foi apenas um rascunho, um diagnóstico provisório, onde nós denominamos um diagnóstico aproximado. E, quanto a terapia apenas indicamos as linhas gerais". - Disse Aynhopl.
 Além disso, segundo ele, são necessários mais testes e os resultados de pesquisas anteriores. (Lembramos que anteriormente não houve exames realizados porque Tymoshenko não aceitava os médicos enviados pelo governo ukrainiano por não confiar neles. Ela constantemente pedia o seu médico particular, o que lhe era negado. Mais uma mentira dos governantes ukrainianos - OK).
 Professor Aynhopl prometeu fornecer o diagnóstico final na próxima semana. E, referiu-se ao escândalo.
 "Nós não podemos concordar totalmente, com o que eu tomo conhecimento através da mídia ukrainiana. Alguns pontos daquelas declarações certamente seremos obrigados a refutar" - disse Aynhopl.
 Na legislação ukrainianaa tem uma relação de doenças, com as quais os prisioneiros podem ser libertados da puniçãoo. Se em Tymoshenko constatar-se uma delas, ela terá mais possibilidade de exigir sua libertação.
 O Congresso dos Ukrainianos do Canadá ficou indignado com a informação do Ministério da Saúde da Ukraina sobre a baixa qualificação dos médicos canadenses que participaram dos exames da Tymoshenko.
 "O que impressiona é a alta politização do Ministério, cujas declarações políticas contrariam a ética, o profissionalismo e as normas internacionais de direito, e tem pouca relação com a medicina e proteção da saúde dos pacientes", - diz a declaração do Congresso.
 O Congresso enfatizou que as declarações de baixa qualificação não são verdadeiras. Por exemploo, a médica ginecologista, Christine Derzhko é professora na Universidade de Toronto (as melhores universidades e instituições médicas da Ukraina, infelizmente, não chegam perto do nível desta Universidade)" - diz o comunicado. Derzhko é autora de mais de 70 publicações científicas no campo da ginecologia, obstetrícia e endocrinologia. Há muitos anos é conselheiro do governo do Ministério de Saúde do Canadá e também é membro de muitas organizações internacionais de medicina e educacionais. É altamente qualificada como professora e médica praticante.
 Derzhko, entre muitos prêmios, recebeu o prêmio Colin Wolf, Prêmio de Excelência na área de oncologia em ginecologia. Em 2004 foi reconhecida como melhor professor de medicina no programa internacional IMG Program (Inernational Medical Graduate).
 Em 1994 professora Christine Derzko foi convidada a Kyiv para instrução de profissionais ukrainianos.
 A situação é análoga a outros membros da comissáo médica. Cada um é altamente especializado em vários campos da medicina, o que já foi averiguado e aprovaddo pelo Ministério da Saúde do Canadáa, segundo o Congresso dos Ukrainianos.
 O Congresso também está surpreso com a declaração dos representantes do governo ukrainiano pela fluência em ukrainiano dos médicos canadenses.
 "É necessário lembrar, que no Canadá reside mais de um milhão de ukrainianos, que a identidade e o idioma ukrainiano são respeitados, e vários deputados do Parlamentoo canadense e das províncias, membros de níveis do governo e muitos profissionais e membros da comunidade ukraino-canadense conhecem a língua ucrainiana, talvez melhor do que alguns representantes do governo ukrainiano", - declara o Congresso.
 "Queremos agradecer a todos que auxiliaram a comissão médica e esperamos pelo sucesso na condução do tratamento com base nas conclusões da comissão e continuação de seu trabalho, se necessário", - diz a declaração do Congresso dos Ukrainianos do Canadá.
Tradução: Oksana Kowaltschuk