quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Gás: Ukraina expõe-se ao tribunal

Medvedev (E) Yanukovych (D)
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 17.01.2012
Mustafa Nayem

A Ukraina e a Rússia há mais de três semanas encontram-se em estado de guerra do gás. Moscou e Kyiv trocaram os papéis neste importante assunto. Em 2009 Rússia colocou a Ukraina num beco sem saída. Os acordos contratuais de janeiro de 2009 deram a Moscou ilimitados recursos de pressão sobre a economia ukrainiana.

Ainda no início de 2010 a Gazprom (empresa russa) propunha, abertamente, aos colegas ukrainianos da NAK "Naftogaz": se os contratos da Yulia Tymoshenko não são de seu agrado - dirijam-se à justiça. Mas então Kyiv não podia ceder a tais provocações - processar o vendedor e depender do fornecimento de seu gás, era no mínimo desvantajoso.

Durante dois anos a Ukraina se recuperou do golpe e agora ela mesma considera o cenário de um julgamento entre os dois países. Tendo recebido um desconto político de 100 dólares e não alcançando as mudanças prometidas no contrato, a Naftogaz declara, unilateralmente, sua recusa de cumprir com suas obrigações contratuais.

Agora é a partir de Kyiv que ressoa: se aos russos algo não agrada, que dirijam-se aos tribunais. A situação mudou 180 graus. A única pergunta é: quem fará o primeiro ataque.

Em antecipação ao inimigo ambos os lados estão lutando no campo da informação. A Rússia declara em voz alta sobre aceleração da construção do "South Stream", a Ukraina demonstra o aumento da energia interna e acelera a construção do terminal GNL (gás natural liquefeito). (Os documentos para o fornecimento de gás natural liquefeito do Azerbaijão para a Ukraina deverão ser assinados durante o Forum Internacional de Investimentos em Davos, nos dias 25-26 de janeiro deste ano). No entanto ambos os lados estão conscientes, que a realização desses projetos pode levar de dois a cinco anos.
Como terminou o ano de 2011
De acordo com a "Verdade Ukrainiana", a última rodada de negociações russo-ukrainiana teve lugar em 23/12/2011 em São Petersburgo. Na véspera as partes acordaram: o lado russo está pronto para fazer concessões sobre os preços do gás em troca de um consórcio trilateral com a participação de empresas européias.
Consórcio
Há informações conflitantes sobre que condições específicas deteve-se o lado russo sobre a questão da gestão conjunta do GTS "Uktransgaz" (Sistema de transmissão do gás ukrainiano). Sabe-se apenas o seguinte.

Nas fases iniciais das negociações - ainda no verão passado - os dirigentes da Gazprom propuseram iniciar com a variante da Bielorrússia: Rússia compra a participação de 100% de ações do sistema de transmissão e em troca oferece o assim chamado desconto integracional. O preço concreto da GTS (sistema que transporta o gás russo através da Ukraina para Europa) não foi discutido. Como afirmaram os dirigentes da 
Naftogaz, a proposta foi rejeitada sem análise de cifras.

O preço de 4 bilhões de dólares, pela GTS ukrainiana, que aparece na mídia não foi oferecido. Foi apenas citação de um dirigente da Gazprom durante as conversações.

Que 4 bilhões é um preço injusto para GTS ukrainiana até um leigo sabe. Para comparação - capacidades de transporte da Bielorrússia foram avaliadas pelo banco ABN Amro em 5 bilhões. A Rússia concordou.

Note-se que o comprimento total do sistema de transporte do gás bielorrusso é pouco mais de 7.000 km, e o ukrainiano é mais de 37.600 km. Portanto mesmo uma declaração banal não pode avaliar o custo da GTS ukrainiana em 4 bilhões de dólares.

Quanto às condições da criação do consórcio, as partes discutiram três opções.

A primeira foi proposta pela Rússia no final do verão passado. Era uma divisão igual da GTS ukrainiana entre a Gazprom e a companhia ukrainiana. Na verdade, uma variação da "Byeltranshaz" bielorrussa. Esta também começou com a participação de 50% em 2007. Em novembro de 2011 a Gazprom comprou a outra metade da empresa bielorrussa.

De acordo com a "Verdade Ukrainiana" a delegação ukrainiana estava pronta para discutir esta variante, mas, apenas em troca da recusa da parte russa do "South Stream" e garantias de longo prazo para o carregamento da GTS ukrainiana.

Os representantes da Gazprom não estavam prontos para discutir a suspensão da construção do "South Stream".

Como resultado, a versão 50/50 foi rejeitada pelos ukrainianos. De acordo com Yurii Boyko (Ministro da Energia) não haverá retorno a esta questão. Ukraina vai insistir para que entrem no consórcio, além do fornecedor - Rússia e país de trânsito - a Ukraina, também os consumidores - empresas européias.
A segunda opção admitia 40% - Europe, 40% - Rússia, 20% Ukraina (A GTS é ukrainiana). De acordo com informações não confirmadas, a delegação ukrainiana estava de acordo mas insistiu na gestão ukrainiana. Os russos recusaram.
E a terceira opção, corrente na época da última reunião prevê a seguinte distribuição: 33% para os lados russo e europeu e 34% para os ukrainianos. O gerenciamento será representado em partes iguais. O controverso nesta versão é que os russos exigem a inclusão de toda rede de distribuição, enquanto os ukrainianos são categoricamente contra. Insistem em que o consórcio refira-se apenas às linhas tronco.
O preço e sua fórmula
No momento da última rodada de negociações, foi acordada a nova fórmula para o preço do gás. Sua expressão exata é mantida em segredo. Apenas sabemos que as mudanças afetam o preço de ligação.
Sabe-se porém que há uma divergência. O lado ukrainiano insiste que o preço do gás seja calculado de acordo com a fórmula, sem qualquer negociação adicional, e automaticamente seja refletido nos cálculos do período em vigor. Rússia exige acordar anualmente os preços do gás e, possivelmente, também a fórmula.
Fontes da "Ukrainska Pravda" informam que os ukrainianos solicitaram redução de preço de cerca de 125 dólares por mil metros cúbicos de gás. Se em 2011 Kyiv pagava 304 dólares de preço médio, então, com a criação do consórcio e desconto do acordo de Kharkiv (O acordo de Kharkiv é aquele acordo entreguista no qual Yanukovych entregou Sevastopol para a permanência da frota russa do Mar Negro até o ano de 2042, com a possibilidade de permanência por mais 5 anos. Isto em troca de um desconto de 100 dólares no preço do gás, mas, mesmo com esse desconto Ukraina paga o preço mais alto da Europa. - OK) Ukraina planejava não pagar mais de 180 dólares por mil metros cúbicos de gás.
Os russos estavam prontos para discutir o preço com algumas alterações e aspectos técnicos. O récuo ocorreu após a intervenção pessoal de Vladimir Putin. Após a troca de opiniões entre Putin e o presidente do Gazprom, Alexei Miller, a posição da delegação russa mudou drasticamente. A questão chave de mudar o contrato de 2009, categoricamente foi adiada. E continuar a discutir o consórcio, sem baixar os preços do gás recusou-se o lado ukrainiano.
Ao longo das negociações - para mais de um ano - a delegação ukrainiana baseava-se nos chamados "Acordos internos" alcançados em maio de 2010, durante os quais Dmitry Medvedev prometeu a Viktor Yanukovych uma renegociação do contrato de 2009.
Durante 2010-2011 as palavras de D. Medvedev não se transformaram em ações concretas. V. Putin, revelou-se, não vai responder pelas palavras de seu antecessor. Além do mais, é desvantajoso fazer concessões para Ukraina antes das eleições. Pode complicar a já difícil situação doméstica. (Com promessas verbais, ou mesmo escritas e assinadas, os ukrainianos, pelo que já vivenciaram durante os mais de trezentos anos de domínio czarista e soviético, e pelo exemplo atual em relação à Bielorrússia, jamais deveriam esperar um gesto de honestidade e boa convivência. - OK)
E, já com início deste ano as partes voltaram à posição original. Com uma diferença: agora Ukraina não simplesmente declara a inadmissibilidade dos contratos de 2009, mas recusa-se seguí-los. E a seus parceiros da Gazprom os dirigentes da Naftogaz educadamente propõem resolver a questão de "forma civilizada" - isto é, através dos tribunais.
O que Ukraina deve questionar
No contrato de 2009 três ítens importantes não satisfazem Ukraina: injusta fórmula de precificação, ausência de garantias de carregamento da GTS ukrainiana e o rígido esquema "take or pay" (pegue ou pague).
Os dois primeiros ítens não dependem do lado ukrainiano: Kyiv não pode alterar unilateralmente o preço do gás, e, obviamente, Kyiv não pode forçar Moscou a abandonar a construção do "South Stream" (novo sistema de transporte de gás para Europa, desviando a Ukraina, a exemplo do Nord Stream - OK) e garantir o volume de trânsito do gás através da Ukraina. O único ítem ao qual Naftogaz pode protestar é o volume de compra.
De acordo com a prática mundial, "pegue ou pague" é estabelecida nos contratos de forma a minimizar o risco do vendedor que é forçado a custos específicos para o abastecimento contratado. Em troca o vendedor normalmente vai para certas concessões, incluindo o preço.
Em 2009 a Gazprom assegurou-se da redução da quantidade de gás para a Ukraina. De acordo com o contrato, se a Ukraina não compra a quantidade estabelecida ela paga multa a Gazprom. Se o gás não é comprado entre abril - setembro, a multa é de 300% do valor de todo o gás consumido. Se em outubro - março é de 150%.
O que a Ukraina recebeu em troca da assinatura de tais condições adversas continua não esclarecido. O desconto da Yulia Tymoshenko funcionou apenas em 2009, enquanto as sanções referentes à multa vão até o final do contrato - 2019.
Mas o mais misterioso no acordo é a quantidade que a Ukraina se comprometeu comprar anualmente. De acordo com o contrato, em 2009 a Naftogaz devia importar não menos de 40 bilhões de metros cúbicos de gás, e nos anos seguintes - de 2010 a 2019 - não menoso de 50 bilhões de metros cúbicos.
Mas até mesmo uma análise superficial de energia na Ukraina, nos últimos anos, mostra que a promessa de tais volumes de importação de gás é um absurdo.
Dados oficiais do volume compado: Em 2007 - 59,2 bilhões de m³, em 2008 56,2 bilhões de m³, em 2009 - 37,8 bilhões de m³. Nesta situação não está claro em que base Yulia Tymoshenko garantia comprar 52 bilhões de metros cúbicos de gás em 2010 e também nos próximos anos. (Não tem nada de absurdo. Y. Tymoshenko fez o acordo em janeiro de 2009. Tanto em 2007 como em 2008 a Ukraina gastou mais de 52 bilhões de metros cúbicos! - OK).
"Pego tanto quanto preciso"
A decisão de abandonar o princípio "take or pay", por um lado foi forçada, por outro - foi o primeiro passo para diminuir o conflito do gás. No entanto, a própria forma como foi anunciado parece um desafio.
A carta do Naftogaz sobre a intenção de reduzir o volume de compras de gás enviada a Gazprom, em tempo - seis meses antes do início de 2012.
Mas o conteúdo da carta viola os termos do contrato. A mensagem afirma que em 2012 a Naftogaz quer comprar 33,75 bilhões de metros cúbicos. Mas, de acordo com o contrato pode haver uma redução na compra de 20%. Dado que a Ukraina garantia a compra de 52 bilhões de m³, a Naftogazz tinha o direito de reduzir o máximo de 10,4 bilhões de m³, ou seja, para 41,6 bilhões de m³.
Em segundo lugar, esta carta não significa nada. Porque o contrato também afirma que a redução da amostra só é possível se o vendedor russo também fornecer uma confirmação por escrito. (A Rússia se arma, sempre, com todas as garantias - OK). De acordo com "Verdade Ukrainiana" a Gazprom não respondeu a nenhuma carta da Naftogaz.
No entanto, no início de 2012 M. Azarov (Primeiro Ministro) disse que este ano a Ukraina tem a intenção de importar 27 bilhões de m³ de gás, que é ainda 20% menos do que foi dito na carta. Teoricamente, o contrato permite reduzir a compra em 20%, mas somente se o acordo for mútuo.
Considerando que a Gazprom não deu consentimento a declaração de M. Azarov tornou-se uma provocação direta ao conflito.
Blefando
Dado que a Naftogaz no ano passado importou 37,4 bilhões de m³, a declaração de Azarov significa, que durante um ano a Ukraina é capaz de diminuir o volume em aproximadamente 10 bilhões de m³. Teoricamente Kyiv será capaz de sobreviver.
Como Kyiv prepara-se para compensar esse montante em 2012 ainda não está claro.
Na esfera pública aparecem três fontes: o fornecimento de gás liquefeito, comprar gás no mercado à vista e ampliação da energia doméstica, incluindo alternativas. No entanto, as declarações sobre todas estas fontes são semelhantes a blefe.
A entrega do gás natural liquefeito, GNL em um ano - é algo da categoria de ficção científica. A construção do terminal de GNL, em Odessa, Ukraina, é perspectiva para próximos 2 - 3 anos, nunca em 1 ano.
Gás de xisto. Também esta perspectiva parece efêmera. Os dirigentes da Naftogaz dizem que a Ukraina será capaz de extrair o gás de xisto não antes de 2015.
Carvão. A substitução do gás pelo carvão pode parecer um argumento convincente. No entanto, a transição de gás para carvão é processo de capital intensivo e leva tempo. Interessante, a substituição do gás pelo carvão e introdução necessária para sua exploração também foi cogitado pela Tymoshenko durante o conflito de 2008-2009.
O crescimento da produção doméstica do gás, no ano passado, foi de 1 (um) bilhão de m³. Segundo especialistas para conseguir chegar a 2-5 bilhões de m³ são necessários, no mínimo, oito anos.
Ukraina somente poderá atravessar este período crítico se os invernos forem quentes (o deste ano está colaborando bem - OK) e introdução de tecnologias de poupança da energia.
"Melhor uma paz ruim do que uma boa guerra."
O ímpasse atual entre a Ukraina e a Rússia caracteriza-se pelo fato de que a Gazprom não tem reais alavancas de pressão sobre a "Naftogaz da Ukraina".
Ao contrário dos anos anterioress, o monopólio russo não tem direito legalmente justificado para interromper o fornecimento de gás. E, graças ao quente inverno, em instalações de armazenamento da Ukraina acumularam-se reservas suficientes para este período.
A Ukraina não se apressa.O orçamento do Estado prevê o preço real de 416 dólares por mil metros cúbicos, preço que a Naftogaz está disposta pagar pelo volume selecionado.
Ao mesmo tempo, com suas ações, a Ukraina colocou a Gazprom num dilema. De um lado, Ukraina não se recusa pagar pelo gás importado. Por outro, a Ukraina é o maior importador mundial do gás russo. A recusa de Kyiv de diminuir a importação em 10 bilhões de m³ pode levar à perda de bilhões. Comparando: 10 bilhões de m³ de gás é a extensão do contrato da Gazprom com a França.
A Gazprom tem duas saídas - voltar à mesa de negociações e continuar a discussão do consórcio em troca de uma concessão no preço, ou colocar à Ukraina multas pelos valores não reclamados do gás. As administrações do V. Yanukovych e do Ministro da Energia dizem que nenhuma penalidade a Ukraina pagará.
Neste caso, a Gazprom terá que ir aos tribunais. Mas na arbitragem de Estocolmo a Gazprom pode descobrir que "melhor uma paz ruim, que uma boa guerra".
O fato é que a ida ao tribunal relaciona-se com prejuízo de imagem: a comunidade européia não esqueceu sob que condições o contrato foi assinado em 2009 e, provavelmente ficará ao lado da Ukraina (Rússia havia desligado o gás da Europa cujo trânsito é atraves do território ukrainiano. O inverno era bastante rigoroso. A Ukraina ficou sob pressão. A situação somente foi normalizada após a assinatura do contrato - OK). Em segundo lugar, a Ukraina poderá ter o trunfo na questão do processo da Yulia Tymoshenko, relacionado com as condições da assinatura do contrato. E, terceiro, na revisão do contrato, provavelmente surgirá a dúvida na questão do preço injusto para o trânsito e a falta de garantias para o carregamento da GTS ukrainiana.
Entre outras questões, na arbitragem de Estocolmo já existe um precedente com a italiana Edison que, através do tribunal obrigou a Gazprom vender-lhe o gás com desconto. Inicialmente, o contrato com a Edison também previa o "take or pay". E atualmente na arbitragem de Estocolmo examina-se uma demanda ao monopólio russo pela polonesa PGNiG, a qual também exige descontos para o gás.
E o mais importante para a Ukraina é que, o desvantajoso contrato de 2009 para Kyiv poderá ser rescindido ou submetido à análise pública pelas mãos da própria Gazprom.
Tradução: Oksana Kowaltschuk

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

POLÍTICA E CULTURA

Testemunhas continuam inocentando Lutsenko

Excertos de Notícias dos jornais Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), Tyzhden (Semana) e Google.
A testemunha Yevhen Troian antes da sessão do tribunal foi chamada à Procuradoria Geral. Na sessão, ele declarou que não havia violações da lei, concernentes ao seu trabalho durante o Ministério de Lutsenko.
A testemunha Mykola Isachenko que era o vice-chefe do Departamento de Medidas Operacionais, à pergunta do juiz respondeu que não soube de nenhum crime cometido por Lutsenko.
A 57ª testemunha, general Volodymyr Yevdokymov, que em 2007-2010 era vice-chefe da polícia criminal, disse que as festividades do Dia da Milícia foram sem pompa. Ele também disse que os veteranos do Ministério do Interior estão prontos para recolher o montante necessário para cobrir os custos do aluguel das salas do Palácio "Ukraina", pelo que Lutsenko é acusado pelo desvio de fundos públicos. Segundo advogados isto são 607.000 UAH: 300 mil pelo aluguel em 2008 mais 300 mil em 2009 e 7 mil para flores, medalhas e gasolina. Total 607 mil UAH (USD 75.875).
No dia 13.01.2012 Lutsenko sentiu-se mal durante a sessão de julgamento. O advogado pediu para transferir a sessão. A esposa acrescentou que o marido teve que levantar às 5h30min, estava em jejum e sem almoço. Mas somente depois de inquirir as testemunhas é que transferiram a sessão.
Manifestantes e Amigos pró apoio a Lutsenko
Sob as paredes da prisão em Kyiv, onde está Lutsenko, no dia 13.01.2012, seus amigos políticos, escritores, atores e jornalistas organizaram para ele um "Vertep de Estrelas". Vieram cumprimentá-lo por ocasião do Natal e Ano Novo desta forma porque ele sempre organizava e participava desta festividade. Lutsenko desempenhava o papel de cossaco. Seus amigos não querem que a tradição se perca.
Já no dia 14.01.2012 vieram os participantes do partido "Irmandade", da organização da comunidade "Patriota Ukrainiano" cantar canções natalinas para todos os presos políticos. Não era uma ação de protesto, e sim de apoio. "Segundo costume cristão nós viemos apoiá-los neste momento delicado e trazer-lhes um pouco de festa". Apresentaram-se alguns cantores e foi rezado Te-Deum por um padre da Igreja Ortodoxa.
Lembramos que os ukrainianos guardam o Natal pelo calendário Juliano, que cai no dia 07 de janeiro, e o Ano Novo, embora guardado no dia 1º de janeiro, pelo calendário Juliano, o "velho Ano Novo" no dia 14 de janeiro também é lembrado com todas as tradições.

O que é Vertep?
Vertep, na antiga língua eslava significa caverna, gruta.
Vertep, para os ukrainianos é um teatro de marionetes, viandante, difundido na Ukraina nos séculos XVII - XVIII. Tinha o formato de uma caixa de dois andares. No 2º andar mostravam o drama de conteúdo natalino, religioso; no primeiro - relacionado com o drama natalino, intermédio satírico do cotidiano.
A cultura ukrainiana - como cultura, prolongava-se no tempo e era marcada com influências de diferentes grupos étnicos e épocas.
Vertep é símbolo de integridade e construção do mundo ukrainiano. O sagrado e o profano, religioso e cotidiano, unidos sob o telhadinho da casinha do vertep. A espiritualidade universal cristã organicamente vinculada com a manifestação da vida ukrainiana e seu multicolorido de atributos mentais. Vertep é vivo porque tem capacidade para atualizações.

O tema do andar superior é tradicional: o rei Herodes sabe dos Reis Magos que Cristo nasceu, concorrente para o seu trono. Para se livrar do adversário, ele chama um guerreiro e ordena matar todas as crianças menores de 2 anos. O guerreiro executa a ordem, porém uma mulher, Raquel, não dá seu filho, mas Herodes ordena matar a criança. Por este crime, a morte corta a cabeça de Herodes e os Demônios o arrastam ao inferno.

Os temas do andar inferior eram sempre diferentes. No entanto tinham a mesma finalidade - retratar a realidade da vida daquela época. Então os heróis indispensáveis eram: avô, avó, cabra, morte, cigano, cigana, judeu, judia (terminologia do século XVII), um casal de nobres, moscovita (antigo nome do russo) e cossaco.

Cada personagem é envolvido no seu negócio tradicional: os avós representam relações familiares, os ciganos realizam seus rituais, os judeus ganham dinheiro, os nobres divertem-se, o cossaco e o moscovita brigam, a morte chega a qualquer momento e para qualquer um, então a cabra morre para ressuscitar.
Vertep ao vivo
No entanto havia também "vertep vivo" e seus executores, às vezes usavam máscaras. Participavam apenas os adultos. as crianças e os jovens iam às casas portando estrelas e cantavam canções de Natal.




Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação e vídeo: AOliynik 

sábado, 14 de janeiro de 2012

YULIA TYMOSCHENKO - Notícias da prisão

Kachanivka, Colônia Penal de Kharkiv desde os tempos da União Soviética ostenta status exemplar. É famosa por dois motivos: mantém 16 mulheres, que no conjunto cometeram quase 50 assassinatos, condenadas à prisão perpétua. Elas não convivem com as demais aprisionadas. E pelo fato de que as celas tem de 10 a 15 camas, com banho privado. Este é o orgulho da Kachanivka porque anteriormente as mulheres ficavam nos quartéis, de 50 a 100 por cela.

Mas apartamentos especiais não há

Segundo o administrador, as detentas chegam sempre nas segundas-feiras e permanecem duas semanas em quarentena, tempo para verificação da saúde, caráter, habilidades profissionais. A habilidade profissional é importante porque a Colônia sustenta sozinha a maior parte de suas necessidades, por isso, dentro de suas paredes todos trabalham. As mulheres mais espertas costuram roupas, inclusive uniformes para os policiais. As menos qualificadas costuram sacos. Podem trabalhar na construção, limpeza, cozinha, ou cuidar de aves. No Jardim de Inverno - um lugar de reabilitação das prisioneiras, podem acariciar o faisão dourado ou outras diversas aves exóticas.

A parte leonina de seus lucros fica em pagamento à Colônia pela manutenção; o restante elas gastam no mercadinho adquirindo ítens de higiene, chá, café, balas.

Usam uniforme, com indispensável lenço na cabeça e cabelo preso. Mas procuram ter boa aparência, até as 16 "perpétuas" usam maquiagem.

A prisão possui uma sala equipada para exercícios físicos. Não tem grades nas janelas. As celas contam com um banheiro e uma mesinha ao lado de cada cama, coberta com uma colcha de cor clara.

Caso a comissão européia resolva visitar Tymoshenko ninguém levará um grande susto. Ainda não são as condições européias mas também já não é o terrível campo de concentração soviético.

O regime é bastante rígido. Horário para levantar é às 5h30min, desjejum, chamada e trabalho. Somente após o jantar o tempo é livre e fazem o que querem: bordado, leitura, jogos de xadrez, voleibol, TV.

Todo território é cercado com 3m de muro e arame farpado. Em toda História da prisão somente uma mulher fugiu através das instalações de serviço, mas logo foi capturada.

Tem uma pequena igreja, construída pelas internas. Nas segundas-feiras e nos principais dias santificados vem um padre da eparquia de Kharkov rezar a missa.

Yulia Tymoshenko

Na noite do Ano Novo, em Kyiv, as pessoas se reuniram no "Maidan" (Praça da Independência). Elas portavam cartazes com saudação a Yulia ou pedindo sua liberdade. No alto do prédio da Conservatória e no mastro da Independência apareceu , escrito a laser, o lema "Yuli - voliú!” (liberdade para Yulia).

Já os simpatizantes e partidários de Kharkiv, para o encontro com o Ano Novo, reuniram-se sob os muros da Colônia Penal Kachanivka. Vieram mais de 200 pessoas. "Não havia luz nas proximidades, mas nós acendíamos Velas Bengala (pirotécnicas). Tivemos fogos de artifício, champanhe e, a meia-noite cantamos o Hino Nacional", - relatou um dos participantes.

No sábado, os deputados (os vereadores também são chamados deputados municipais - OK) conseguiram entregar um pequeno pacote para Tymoshenko, mas isto foi uma exceção.

Tymoshenko passou o Ano Novo em sua cela, com sua colega de detenção. Não teve permissão para participar do jantar especial e assistir ao concerto do Ano Novo, já que está proibida ao convívio com outras aprisionadas porque, além de cumprir a pena de 7 anos, encontra-se sob investigação em outro processo criminal. Deixaram assistir TV até às 2h00min.

No dia 03.01.2012 Tymoshenko recebeu a visita do advogado Serhii Vlasenko. O advogado ficou horrorizado devido à luz que fica acesa 24 horas por dia e prejudica o sono. Segundo a prisão, a luz é necessária para uma boa visualização, já que todas as câmaras são equipadas com meios de vigilância por câmeras, de acordo com o Artigo 7 da Lei da Ukraina.

Segundo a prisão, a cela da Tymoshenko tem TV, microondas, geladeira, espaço para preparar comida, banheira com chuveiro, máquina para lavar roupa, bidé.

Tymoshenko recebe a medicação indicada ainda em Kyiv. Devido a estar ainda em processo de julgamento não será incluída aos trabalhos.

Através do advogado, Tymoshenko enviou cumprimentos a todos, e agradeceu aos que estiveram a seu lado em Kyiv, Kharkiv e outras cidades.

Segundo o administrador da prisão Ivan Pervushkin, está tudo bem com Tymoshenko "Ela fica deitada e levanta, vai à toalete e ao banho", - disse ele.

A prefeitura de Kharkiv pediu à justiça que proíba a colocação de tendas próximo à prisão. Foi atendida.

A filha da Tymoshenko conseguiu permissão para visitar a mãe duas vezes na semana. Ela conversa com a mãe na sala de encontros onde colocaram uma cama. Segundo a filha, Yulia ficou deitada o tempo todo, sente dores ao ficar sentada.

No dia 07.01.2012, dia em que os ukrainianos comemoram o Natal (pelo calendário Juliano), sob os muros da prisão reuniram-se mais de 200 pessoas (as reuniões foram proibidas a partir do dia 07.01.2012) com bandeiras, cartazes e fotos da Tymoshenko. Eles cantavam canções de Natal. Após algum tempo veio também o padre Viktor (Maynchak) e rezou Te-Deum pela prisioneira Yulia.

"A igreja não interfere na política... Nós e o mundo todo bem sabemos que Yulia Tymoshenko está presa por tribunal injusto... A verdade aqui não prevaleceu", - disse o padre.

Segundo o serviço de imprensa da penitenciária, foi dada a seguinte notícia: no sábado, 07.11.2011, a pedido da Tymoshenko foi realizada análise instrumental e laboratorial numa clínica hospitalar de Kharkiv. Foi realizada ressonância magnética, tomografia computadorizada espiral e exame clínico de sangue.

"Os resultados dos exames confirmaram as conclusões anteriores. Doenças que requeiram tratamento adicional não foram encontradas. No momento, a saúde da Tymoshenko é satisfatória, e sob constante vigilância do DPSU (Serviço Penitenciário do Estado da Ukraina) e MOZ (Ministério da Saúde da Ukraina)" - declarou o serviço da prisão.

Mas o jornal "Verdade Ukrainiana" de hoje, 10.01.2012 traz uma notícia bem diferente sobre o "pedido" da Tymoshenko para realização de exames.

Segundo a declaração feita hoje, 10.01.2012, por Oleksandr Turchynov, vice-presidente do Partido "Batkivshchyna", Yulia, no dia 06.01.2012, próximo de 22h30min. perdeu os sentidos por 2 (duas) horas. Isto aconteceu após ela ter tomado medicamento para doença respiratória aguda. Os remédios foram dados pelos médicos da Colônia Penal.

Segundo Turchynov, a companheira de cela ficou batendo na porta para chamar a atenção dos guardas por 20 minutos (o serviço de imprensa da prisão disse que não foram nem 4 minutos). E isto na câmara observada eletronicamente por 24h00 horas?!

Os guardas chamaram o serviço médico que somente após a meia noite conseguiu trazer Yulia do estado crítico, durante o qual a pressão esteve em 60/40.

Compareceu também uma comissão do Ministério da Saúde e decidiram, às 2 horas da madrugada, do dia 07.01.2012 "urgentemente examinar Yulia em ambiente clínico". Após os exames declararam que o estado de saúde está estável. [Sempre está estável para todos e para qualquer situação, até que, inexplicavelmente, o paciente morre seguido de uma explicação lacônica. Tal como na Rússia, assim também o é na Ucrânia que se revela uma aluna bem aplicada nas táticas assassinas comunistas. OC]. A perda dos sentidos poderia ser uma reação aos remédios, mas, exatamente qual, não disseram.

Agora Tymoshenko não quer mais ser medicada pelos médicos do Ministério. Ela quer os especialistas sugeridos por outros países. [E faz muito bem, pois o governo ucraniano do mafioso comunista Yanukovych a está assassinando aos poucos, técnica utilizada pelos comunistas para se livrarem de seus opositores proeminentes, desde 1917. Aos comuns, paredão ou os gulags. OC].

Segundo Turchynov, vice-presidente do partido "Batkivshchyna", o partido quer a criação de uma Comissão temporária de investigação., no Parlamento. Isto porque a prisão afirma que o socorro a Tymoshenko não demorou mais de 4 (quatro) minutos e que ela retornou a si, com a ajuda médica, em alguns minutos. A prisão recusa-se à divulgação do vídeo proveniente da câmera instalada na cela prisional. Alegam que não guardam este tipo de material.

A oposição teme pela vida da Tymoshenko. [E com razão. OC]

Oleksandr Tymoshenko

Oleksandr Tymoshenko
O marido da Tymoshenko pediu asilo político na República Checa. O Ministro do Exterior não vê motivos para que cidadãos ukrainianos peçam asilo em países estrangeiros, já que na Ukraina observa-se o Estado de Direito e respeitam-se os direitos e as liberdades fundamentais da pessoa.

Em 06.01.2012 Oleksandr Tymoshenko recebeu asilo político na República Checa.

O ex-Ministro da Economia do ex-governo Tymoshenko, Bohdan Danylyshen recebeu asilo político na República Checa há um ano.

A filha da Tymoshenko não planeja pedir asilo.

De 1990 a 2010 receberam asilo na República Checa 171 ukrainianos. [Que democracia é essa onde cidadãos ucranianos precisam pedir asilo político para protegerem suas vidas? OC]

Oleksandr Tymoshenko tem casa e negócios na República Checa. A casa ele adquiriu 12 anos atrás, numa região da elite chamada Lidiche, o que confirmaram seus vizinhos.

A empresa, segundo registro de pessoas jurídicas, denomina-se International Industrial Project e está registrada na cidade de Usti, a uma centena de quilômetros de Praga. De acordo com a documentação a empresa ocupa-se com operações de negociação, mas no momento suas portas estão fechadas. (Por ocasião da prisão de Tymoshenko, seu marido deu uma declaração aos jornais. Sobre sua atividade profissional ele disse que se ocupava com construção no exterior, inclusive no Canadá, mas que se encontrava afastado dos negócios devido a cirurgia do coração feita recentemente. - OK)

Um dos sócios é o checo Vlastimil Prokesh, que reside na aldeia Velke Brezhno. Ele não quis conversar com os repórteres.

Oleksander Tymoshenko pediu aos países europeus para impor sanções contra o governo ukrainiano.

Ele disse que sua esposa não é necessária viva ao regime e que se mudou para República Checa para pedir ao mundo para ajudar libertar a ex-primeira ministra da prisão, salvá-la das torturas e abusos do regime.

"Não conseguiram destruí-la politicamente, então agora querem a sua destruição física, privando-a de ajuda médica qualificada. E, até no Natal espalham inverdades sobre realização de exames médicos".

Peço que o mundo compreenda: o regime de Yanukovych não necessita Yulia Tymoshenko viva".

Oleksandr Tymoshenko também anunciou a criação da Organização Social Internacional "Batkivshchyna" na República Checa cuja finalidade será: análise constante do atual governo e suas atividades criminosas para saquear Ukraina, elucidação das ações do governo Yanukovych em publicações estrangeiras, realização de monitoramento contínuo da manutenção dos direitos da pessoa e liberdades dos cidadãos e também dos princípios da democracia na Ukraina.


Tradução: Oksana Kowaltschuk

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

ENTREVISTA COM ex-vice Primeiro-Ministro da Ucrânia

Hryhorii Nemyria: "À Resolução do Conselho Europeu falta ameaças de sanções contra Ukraina"


Tyzhden (Semana), 23.12.2011
Alla Lazareva (entrevistadora)
O projeto de Resolução da Assembléia Parlamentar do Conselho Europeu constata problemas quanto a democracia na Ukraina, mas não prevê sanções.


Hryhorii Nemyria - ex-vice Primeiro-Ministro da Ucrânia
Em 15 de dezembro o Comitê de observância dos países membros, das obrigações e compromissos do Conselho Europeu (Comitê de Acompanhamento) aprovou por unanimidade um projeto de resolução da PACE (Assembléia Parlamentar do Conselho Europeu) "Funcionamento das instituições democráticas na Ukraina". Em 26 de janeiro essa Resolução será proposta para aprovação na sala de reuniões do Palácio da Europa. Em uma entrevista, Hryhorii Nemyria - ex-vice Primeiro-Ministro da Ukraina fala sobre a integração européia - conta no que enfatiza PACE.

U.T.: A seu ver, o quanto é equilibrada a Resolução da PACE em relação a Ukraina?

HN - A Resolução da PACE, quanto ao estado da democracia na Ukraina é há muito valores democráticos, direitos humanos, da superioridade do direito vigente no país, depois da chegada ao poder do presidente Yanukovych. Na Assembléia Parlamentar já há muito deviam ter sido realizados debates sobre esta questão. Tal discussão ainda no ano passado, ou início deste, poderia ter afetado significativamente e influenciado a situação atual parando as tendências negativas evidentes. Por isso, é claro, ao exame dessa questão na sessão da PACE, em janeiro, devemos dar boas-vindas. Embora, em minha opinião, isto deveria ser um relatório completo sobre o cumprimento da Ukraina, de obrigações e compromissos decorrentes da sua participação no Conselho Europeu.

No projeto da resolução destacam-se muitas questões extremamente importantes de natureza política e jurídica. No  entanto a principal desvantagem é que, no projeto estão ausentes as alavancas efetivas para estimular o atual governo ao cumprimento da resolução após sua aprovação. Trata-se sobre ameaças de sanções, sem as quais esta resolução permanecerá apenas como conjunto de recomendações para a reforma, maioria das quais já muitas vezes mencionadas nas resoluções anteriores da PACE. Nelas eram identificados todos os problemas do sistema, os quais novamente são lembrados a Ukraina no novo texto.

Apenas a ameaça de sanções e prazos claros para a implementação das recomendações da PACE será capaz de conseguir que as autoridades tomem qualquer ação significativa. Caso contrário, em resposta será aceito qualquer plano de ação da vez e todas as recomendações serão consideradas satisfeitas.

Eu outubro de 2010 a Assembléia Parlamentar já elaborou uma resolução semelhante - a grande maioria de suas disposições não foram implementadas. Ela deveria ter reagido com vigor.

U.T.: À perseguição de ex-autoridades ukrainianas foi decidido, em troca, alguns parágrafos de recomendações...
HN - Quanto a perseguições políticas, o projeto da resolução, em minha opinião, omite o fato de que as falhas sistemáticas jurídica e prática, que realmente são inerentes ao sistema ukrainiano legal, não são a explicação principal das graves violações do direito a um julgamento justo e outros direitos da pessoa, que nós vemos nestas questões. As falhas na legislação não explicam a falta de fundamentação legal para perseguição da Tymoshenko, Lutsenko, Ivashchenko, Korniychuk e outros. Não explicam a aplicação de absolutamente inconsistentes medidas preventivas, particularmente, a detenção da pessoa que já está privada da liberdade (Tymoshenko). Não explicam a falta de assistência médica e tratamento adequado. Não explicam a interferência selvagem ao direito à privacidade, a divulgação não autorizada de fotos e vídeo da pessoa sob custódia. Não explicam a violação da presunção de inocência nas palavras do presidente e chefes da procuradoria. A lista podemos continuar. Se o governo seguisse as imperfeitas leis e a Constituição ukrainiana, isto não existiria. Mas os fatos desagradáveis são resultados diretos da intimidação política à oposição e seus líderes. E isto deve ser indicado na Resolução. Oposição é uma instituição importante de uma sociedade democrática e os fatos de sua supressão rígida devem tornar-se objetos dos debates da PACE.
U.T.: O projeto da Resolução propõe legalmente prescrever mecanismos e prazos para manter pessoas sob custódia. Ukraina, como é indicado no documento, frequentemente abusa da privação da liberdade de suspeitos cuja culpa ainda não estabeleceu o tribunal. Quais são os mecanismos reais para mudar a prática, ausente na Europa, de encerramento antecipado?

HN - O projeto indica uma série de deficiências do sistema existente, referentes à prisão preventiva. Para resolver este problema sistêmico são necessários tanto alterações legislativas (em particular o Código de Processo Penal), como execução de leis existentes, e também as decisões do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Na prática deste tribunal, particularmente nas questões em relação a Ukraina, claramente estão definidos os requisitos para solicitar custódia. Muito pode ser resolvido com treinamento e educação continuada de juízes e procuradores. Quanto aos procuradores, se a atual liderança da Procuradoria Geral transferisse apenas uma parte dos esforços, que eles direcionam na supressão da oposição, aos procuradores, a necessidade de aplicação de medidas alternativas de segurança ou, digamos, perseguição de casuais torturas ou tratamentos desumanos por parte da polícia, então, esses problemas seriam parcialmente solucionados sem alterações na legislação. Estas questões simplesmente não são prioridade para liderança política do Estado e chefes da aplicação da lei - a principal tarefa para eles é a manutenção do poder monopolista do regime existente, por qualquer meio.

U.T.: O projeto da resolução constata a desigualdade da investigação e proteção dos processos judiciais. O que é preciso fazer para que se torne efetiva a competição entre a defesa e a promotoria?
HN - São necessárias, tanto as mudanças no código processual, quanto a criação de garantias reais de independência dos órgãos da promotoria. Que independência judicial pode haver se no Conselho Superior da Justiça "assentam-se" três dirigentes da Procuradoria Geral, que a qualquer momento podem iniciar um processo disciplinar contra os juízes que emitirem decisões independentes, não seguindo prescrições de procuradores. Quando o Procurador-Geral Adjunto anuncia numa conferência de imprensa, que contra os juízes da Suprema Corte pode ser iniciada uma questão pela tomada de decisões ilegais? Não importa o quão ideal possa seu um novo Código de Processo Penal, a competição não pode existir num sistema em que os tribunais estão dependentes dos órgãos da promotoria devido aos mecanismos disciplinares e de órgãos do governo executivo devido à falta de financiamento adequado.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

RETROSPECTIVA POLÍTICA NA UCRÂNIA

Abrindo as cortinas para 2012, defrontamo-nos com duas reportagens: a do jornal "Verdade Ucraniana" onde o troglodita e  tirano presidente da Ucrânia se auto-vangloria com suas pseudo-realizações e a reportagem do jornal "Castelo Alto" onde o jornalista Ivan Farion faz uma retrospectiva política na Ucrânia em 2011, sob o governo do presidente mafioso.
As visões são paradoxas: enquanto o mafioso presidente da escola russa pinta o cenário com lentes "cor-de-rosa", o povo ucraniano vê esse mesmo mundo com lentes "cinzas", para não dizer "negras", pois não há perspectivas de mudanças ou melhoras e a solução não virá via eleições como muitos ucranianos acreditam. Voto jamais foi sinônimo de democracia, apenas um anestésico para entorpecer mentes ingênuas.
A democracia, se é que ela tenha existido algum dia, foi banida da Ucrânia. O país continua subjugado à tirania, aos comunistas e agora também aos mafiosos que se proliferam como praga sob a batuta de seu líder.
Boa leitura!

O Cossaco.


Yanukovych se gaba, de que viveu um ano determinativo

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 01.01.2012

Em seu discurso às vésperas de Ano Novo, entre outras coisas, Yanukovych disse:

"Ukraina viveu 2011 com dignidade". (De que dignidade o presidente está falando? AO)

"Nós construímos pontes e estradas, escolas e hospitais, estádios e aeroportos. Obtivemos colheitas recordes, nós abrimos Ukraina para o mundo".

Nós continuaremos a modernização do nosso país, continuaremos a construção de um Estado economicamente desenvolvido, um Estado democrático". (Destruir toda e qualquer oposição e calar a voz da imprensa é democracia? AO)

"No próximo ano receberemos o Campeonato Europeu de futebol. Nós receberemos os visitantes com dignidade e lhes mostraremos nossa sincera, natural reciprocidade. Eu sei, o espírito da vitória unirá nosso país". (Significa que o país está desunido! AO)

E, ainda, de acordo com Yanukovych, Ukraina, este ano, lançou um novo nível de relações com União Européia. (Depois do fracasso quanto à assinatura do Acordo para associação??? - OK).

É importante observar que após a apresentação do presidente não soou o Hino Nacional da Ukraina.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

Governo, no qual alguns ingênuos acreditavam
Vysokui Zamok (Castelo Alto), 29.12.2011
Ivan Farion

O que ganharam-perderam os ukrainianos no segundo ano do governo de Viktor Yanukovych

No final do ano é tempo de fazer um balanço das realizações do governo. Ao contrário do prometido, os ukrainianos não se alegraram com “rica” colheita. Eles perderam mais do que ganharam, apesar de alguns receberem grandes adiantamentos. Ukraina foi sacudida por tempestades sociais, promessas de estabilidade esperadas em vão. O barômetro político continua apontando para a palavra "nublado"...

Lembro, em janeiro de 2010, dias antes do segundo turno para eleições presidenciais, um amigo, pessoa de grande experiência vivencial dizia: "Talvez sejamos preconceituosos contra Yanukovych? Se ele é um gerenciador pragmático, chegará ao poder, veja, finalmente Ukraina viverá uma vida normal. Dê-lhe pelo menos um ano para trabalhar..." As previsões do meu amigo se baseavam no fato de que, após a derrota nas eleições de 2004, Yanukovych teria reavaliado e mudado radicalmente a si mesmo, o seu estilo e os seus métodos de trabalho.

Passaram-se dois anos. Encontrei meu amigo e ele admitiu: "Desculpe, eu era ingênuo..." Sentimentos semelhantes experimentam inúmeros ukrainianos. O último estudo sociológico do Centro Razumkov mostrou que um terço de compatriotas considera sua maior decepção o presidente Yanukovych. Os analistas observam: Yanukovych perde sua credibilidade muito mais rápido que seu antecessor, o presidente Yushchenko.

O maior fiasco do ano - fiasco com a assinatura do Acordo sobre Associação com UE, embora ele já estivesse, como se costuma dizer, em seu bolso. Com essa sua derrota Yanukovych, por um longo tempo complicou a vida de muitos ukrainianos - laços mais estreitos com Europa permitiriam aos nossos compatriotas conduzir com maiores êxitos suas pequenas e grandes empresas, com significativamente menores obstáculos burocráticos e menores custos financeiros para viajar a Europa, trabalhar lá, estudar. "Engagement" com a Europa teria acelerado o fluxo de investimentos ocidentais, e isto melhoraria significativamente a nossa débil economia. Não estava escrito. Com sua inconseqüência o pseudo-euro integrador Yanukovych ganhou reputação mundial de um homem que diz uma coisa e faz outra.

O presidente conseguiu não apenas brigar com a Europa, USA, mas não conseguiu construir pontes com a Rússia, para a qual, até então inclinava-se. Em particular, não realizou seu compromisso que prometia gás barato, apesar de fazer várias concessões a Kremlin. Então, no Ano Novo as pessoas novamente vivenciarão o que será escrito em seus recibos comunais (contas a pagar).

Em 2011 Yanukovych continuou usurpar o poder. Em particular, definitivamente subjugou a si, os tribunais. Isto é claramente visível nas decisões políticas dos tribunais Pecherskyi, Shevchenkivskyi, Apelação, Corte Suprema e Constitucional. O último não hesitou, em um curto período, em uma questão aprovar duas soluções mutuamente exclusivas. O "mais justo" Constitucional agradou o governo no branqueamento de Kuchma [1], e, contrariando a Lei Básica deu direito ao Gabinete Ministerial (Azarov) o ajuste de benefícios sociais (pensões). Nos últimos dias do ano, com pressão administrativa e intrigas políticas nos bastidores, Yanukovych estendeu sua influência também sobre o Supremo Tribunal.

Em 2011 o presidente afirmou-se como pessoa vingativa. Colocou na prisão os principais oponentes políticos Yulia Tymoshenko e Yurii Lutsenko. Os processos sobre os líderes "Laranja" [2], que lembram lutas sem regras, chocaram o mundo democrático. Nem a ex-Primeira Ministra, nem ao ex-Ministro do Interior essas pressões não alquebraram. Da prisão a líder da "Batkivshchyna" escreveu para Bankova "Carta ao Ditador". Nela endereçou a Yanukovych estas palavras: "Ao senhor apenas parece, que é forte e influente, e na frente lhe espera uma gestão sem nuvens para longos anos. Não acredite nestes prognósticos. Porque mais alguns erros fatais - e o senhor será abandonado por todos, inclusive Chechetov".

A prisão e condenação da Tymoshenko tiveram um impacto negativo na unidade das fileiras oposicionistas. Revelou-se, que não há outro líder carismático, ao redor do qual agrupar-se-iam os oposicionistas ao poder. Não há, então não há força contrária que seguraria o presidente dentro da lei. Alguns deputados pularam para "aeródromos de reserva", alguns simplesmente saíram. Outros foram desmoralizados pelo governo que domou-os com "chicote" ou "pão de mel".

O estilo do comportamento de Yanukovych com a oposição não se encaixa na imagem de dirigente de país civilizado. Enfim, nem de pessoa que se posiciona como pessoa profundamente religiosa. Como chefe de Estado Yanukovych não fez nada para compreensão intercofessional. Evitando atenção a outras, abertamente declara benevolência a Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Moscou e, ao freqüente visitante de Moscou, Patriarca Curil, recebe quase todos os trimestres.

No ranking das liberdades civis, durante 2011, Ukraina (leia-se, poder) caiu em 12 pontos e ocupou lugar entre as "não democracias" e regimes autoritários. Essa regressão é visível a olhos vistos. Na Ukraina tornou-se problemático realizar um comício, comparecer a uma sessão do tribunal, receber cuidados médicos na prisão...

No governo Yanukovych criaram-se obstáculos para a imprensa livre. Os canais centrais estão subjugados a oligarcas, mantêm o nariz na direção do vento. Renasceu a censura. Num conhecido jornal da capital os jornalistas se rebelaram, porque segundo determinação de altos funcionários da administração presidencial, das colunas preparadas para impressão, retiravam materiais que lançavam sombra nos responsáveis por altos gabinetes... A jornalista de um importante canal puniram depois que ele perguntou ao presidente sobre um seu subordinado. Mesmo os assobios (vaias) antipresidenciais na abertura dos estádios de Kyiv e Lviv (euro 2012) os dedicados censores excluíram da TV...

Na Ukraina alargam-se as metástases do nepotismo, subserviência. Praticamente em todos altos cargos estratégicos o presidente colocou seus conterrâneos, parentes próximos, pessoas com reputação duvidosa. O passe para chefia freqüentemente não é a qualificação ou entendimento de altos negócios ou qualidades morais, mas é suficiente ter a certidão de nascimento de Donetsk, Makiivka ou Enakiev. Como ironicamente observam na pequena pátria (local de nascimento) do presidente, que até para conseguir emprego de foguista, precisa ter o registro no Partido das Regiões.

A despeito do slogan eleitoral "melhoria de vida a partir de hoje", sob Yanukovych os padrões de vida pioraram. Em apoio às camadas mais pobres da população, do orçamento do Estado alocam menos recursos que para manutenção de funcionários, especialmente para aparelho presidencial. Violação de direitos adquiridos sentiram os pensionistas, liquidatários do acidente de Chernobyl, antigos afegães, estudantes e educadores (professores do ensino fundamental e médio. A denominação "professor" é usada somente para os professores universitários. - OK). O país foi envolvido em protestos, para contê-los foram utilizados todos os destacamentos do exército, equipados até os dentes, os quais não guerreavam com bandidos armados, mas com pacíficas vovozinhas.

O governo preocupa-se não com os seus cidadãos pacíficos, mas com "líderes". Às pessoas que cercam o cabeça do país, assim chamada família, foram criadas condições ainda mais favoráveis para ainda maior aquisição de bens. Eles têm direito prioritário para adquirir empresas estatais. Assim a maioria das empresas energéticas passou à propriedade do conhecido magnata de futebol.

Não se destaca pela modéstia o próprio Yanukovych. A imprensa tem provas documentais do seu excessivo luxo - centenas de hectares de caça privada, fechados com altas cercas e valas profundas. Bem como acomodações de luxo com acessórios dourados e candelabros de cristal, campos de golfe, recintos para animais exóticos, piscinas, saunas, cais com barcos. E tudo - com guarda paramilitar. E, como não mencionar os helicópteros presidenciais, cujo preço é superior que dos chefes de países bem posicionados economicamente. Falar o que! - nosso presidente toma água somente de além mar...

Em 2011 nós observamos uma imitação de reformas. É difícil citá-las como mudanças estruturais com conseqüências positivas. A estatística estatal manipula as cifras da inflação. O cabelo fica em pé das transformações humanitárias de Tabachnek (1º Ministro). Cresce o ataque a língua oficial. Rola a corrupção. Os jovens riquinhos, filhos de deputados, juízes, promotores, em seus potentes e luxuosos carrões importados mutilam e matam as pessoas - e permanecem em liberdade...

Como sucesso de seu reinado Yanukovych considera as preparações para Euro 2012. Alegrar-se especialmente não há motivos. As construções dos estádios consumiram enormes somas do orçamento do governo, não fundos privados conforme a promessa. Os fluxos financeiros necessários às empreitadas, foram parar nas mãos de pessoas próximas ao presidente. Os serviços não foram contratados através de concorrência pública. Houve muitos rumores na imprensa sobre recebimento de grandes quantias. Essas notícias não são infundadas - muitos construtores dos estádios receberam em envelopes fechados, o que significa sem pagamento de impostos. Em última análise não há porque jactar-se com as conquistas para Euro-2012, quando a maioria das equipes ocidentais recusou-se participar - estão com medo da nossa realidade...

O novo ano eleitoral (Parlamento) promete aumento de paixões políticas. E esperança. Os ukrainianos têm oportunidade de mudar suas vidas para melhor - se escolherem outro governo, mais responsável.

[1] Leonid Danylovych Kuchma - presidente da Ukraina de 19.07.1994 a 23.01.2005, suspeito de ter dado ordem, ou ter sido conivente com quem a deu, de assassinar o jornalista Gongadze, o qual denunciava as falcatruas governamentais. O crime chocou sobremaneira porque o jornalista era uma pessoa conceituada e pela brutalidade. O corpo foi encontrado sem a cabeça, sobre a qual nunca ofereceram provas convincentes.

[2] Revolução Laranja - assim chamada devido a cor do candidato derrotado, Yushchenko, ser laranja. Eram muitas as evidências de que as eleições foram fraudadas. Cerca de 250 mil pessoas tomaram parte nas manifestações iniciais. Alguns dizem que foram 500 mil. As manifestações iniciaram em 22.11.2004 e continuaram até 03.12.2004 quando o Supremo Tribunal determinou o 3º turno que realizou-se em 25.12.2004, com a vitória de Viktor Yushchenko, que assumiu o governo em 23.01.2005.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

TYMOSHENKO TRANSFERIDA PARA COLÔNIA PENAL

Tymoshenko foi enviada para uma Colônia em Kharkiv
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana) e Tyzhden (Semana), 30.12.2011
Segundo a informação da prisão, Tymoshenko foi enviada hoje, às 8 horas, para o local aonde deverá cumprir a sentença, e que fica na Província de Kharkiv.
"Antes da viagem ela foi examinada por médicos. Estes concluíram que sua condição de saúde permitia o transporte", - disse o responsável pelo Serviço Prisional.
"Para o transporte foi designado um micro-ônibus com todas as comodidades: sanitário, pia e dois sofás".
"Também foram mandados todos os seus objetos (12 malas), num carro à parte"
Ela foi enviada à Colônia "em conformidade com toda a legislação aplicável". Como já foi anunciado anteriormente, o Tribunal de Recursos validou a decisão do Pecherskyi Tribunal que a condenou a 7 (sete) anos de prisão e uma multa de USD 187.500.000.
Vlasenko (advogado) disse que esta ordem do presidente violou a lei. Segundo o chefe da prisão, a ordem chegou durante o horário laboral. Isto não podia acontecer porque somente às 18 horas o Tribunal de Recursos terminou, na íntegra, a leitura das decisões judiciais. Também foi violada a lei porque na decisão do segundo aprisionamento o Tribunal Distrital Shevchenkivskyi diz claramente que Tymoshenko deve permanecer na prisão de Kyiv.
O advogado permaneceu na prisão a tarde toda do dia anterior e todos lhe garantiam que não havia nenhum preparativo para transferência. (Como vemos, a história se repete. Nos anos do Grande Terror, sob ordens de Stalin, as prisões de pessoas se efetuavam quase sempre a noite, de surpresa, sem nenhum julgamento prévio. - OK).
Segundo foi dito ao advogado, Tymoshenko foi carregada ao micro-ônibus pelos funcionários da prisão, já que ela não consegue se locomover.
Segundo Oleksandr Turchenov a direção da prisão não forneceu nenhum documento sobre a transferência e também não há indicação certa para aonde Tymoshenko foi levada. Isto é especialmente feito para que o Ano Novo seja mais doloroso para Tymoshenko e para impossibilitar qualquer comunicação com ela, inclusive médica.
Um grupo de deputados da facção B'iut-Batkivshchyna viajou para Kharkiv para encontrar-se com Yulia Tymoshenko. Os deputados prometem acompanhar o futuro da Tymoshenko e informar a comunidade.
Quando pela manhã da sexta-feira a mãe trouxe uma entrega para filha (provavelmente alimento, Tymoshenko não se alimentava com comida da prisão), ela foi avisada que Tymoshenko já não se encontrava ali.

Vista aérea da Colônia Penal de Kharkiv

Segundo últimas notícias, um pouco antes das 14 horas, à Kachanivka, colônia de mulheres, nº 54, adentraram alguns automóveis da milícia, com um automóvel especial (de vidros escuros), provavelmente com Tymoshenko.
Neste momento, na entrada já havia um grande grupo de jornalistas e ativistas do partido com bandeiras. Desde cedo circulavam automóveis da milícia.
Às 14h20min o diretor da colônia, Ivan Pervushkin confirmou a chegada da Tymoshenko e disse que ela está em acomodações provisórias. A sua pergunta, como estava, Tymoshenko respondeu que estava cansada da viagem.
Nesta colônia, segundo informações oficiais, há, aproximadamente 900 mulheres, 14 das quais condenadas até a morte.
Segundo diretor da prisão a câmara à qual encaminharam Tymoshenko tem 37,5m² no total, 31m² para permanência. Em separado banheiro com lavatório, bidê, chuveiro e vaso sanitário. A câmara destina-se para 7 pessoas mas, no momento, além da Tymoshenko tem uma mulher.
A filha da Tymoshenko disse que a mãe foi levada ao micro-ônibus em cadeira de rodas e "jogada dentro como animal". E que a estória de 12 malas é mentirosa. (Como é que Tymoshenko iria acomodar 12 malas na câmara prisional e qual seria a necessidade disso se ela, constantemente recebia visitas de familiares que podiam levar-lhe várias trocas de roupas limpas? - OK)
Segundo correspondente do jornal "Comentários de Kharkiv" os preparativos para receber Tymoshenko começaram bem cedo. Os trabalhadores rodoviários tapavam os buracos no asfalto e ao território da colônia vieram três ônibus de guardas do destacamento especial "Berkut".
A escritora e poetisa Lina Kostenko e sua filha Oksana Pakhlovska, literata, assinaram a declaração conjunta, do coletivo da inteligência, não reconhecendo a decisão do Tribunal de Recurso, no caso da Tymoshenko.
Lina Kostenko, por princípio, nunca assina apelos e manifestações. Mas, este caso é excepcional. Lina e Oksana estão indignadas. Elas consideram a transferência da Tymoshenko para colônia como decisão sádica do governo, principalmente porque isto foi feito na véspera do Ano Novo.
"Isto parece um cálculo cínico de que a comunidade, com as preocupações festivas esquecerá a pessoa que sabe dizer "não" ao abuso do estado e por isso ainda hoje sofre determinações tzaristas-stalinistas", - disse Kostenko.
Como é do conhecimento geral, anteriormente os intelectuais se manifestaram contra a decisão do Tribunal de Recursos.
Na Colônia Kachanivka Tem um mercadinho onde as prisioneiras podem fazer compras, uma oficina de costura, uma sala para encontros com familiares, padaria, criação de aves.
Há possibilidade de profissionalização: costura, serviços de pedreiro, rebocador, colocador de azulejos, pintor (a colônia abriga somente mulheres).
Para garantir o laser cultural há uma biblioteca com 11 mil livros e trabalham grupos artísticos de iniciativa própria, criação literária e diversas medidas culturais. Os funcionários da colônia estimulam e apóiam os interesses de suas pupilas. Especialmente os grupos de tricô e crochê, bordado, frivolité, "ekibany".
Também tem um clube para 420 lugares, uma pracinha de esportes de verão e recentemente abriu uma sala esportiva.
Com a educação dos presos colaboram representantes de organizações comunitárias e estatais. Organizam-se os dias de visitas para os parentes.
Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik