domingo, 18 de março de 2012

YANUKOVYCH E OS ESQUEMAS INTERNACIONAIS

Leitores:

O presidente mafioso e pernóstico da Ucrânia adota como estilo de vida a seguinte máxima popular: "Quando a farinha é pouca, meu pirão primeiro". O sujeito, além de megalômano, não tem senso das proporções e quer se comparar às grandes potências econômicas mundiais governando um país constituído por um povo paupérrimo que vive na miséria ou, no mínimo, na penúria para os mais otimistas. Estúpido ele não é, mas perdulário, ególatra e hedonista com certeza. Com essa reportagem, fica evidente, também, que o mafioso é o chefe de uma enorme quadrilha e está envolvido em esquemas internacionais para dilapidação do erário da nação e enriquecimento ilícito.

E o povo? Ah! o povo é um mero detalhe. Que trabalhe para sustentar o(s) parasita(s)!

O Cossaco.



Lustre de ouro do áureo Yanukovych
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 27.02.2012
Serhii Lyshchenko

Yanukovych construiu um escritório em Mezhyhiria, para ficar como em Downing Street e a Casa Branca. A construção é dentro do Mezhyhirira, onde Yanukovych está construíndo um complexo residencial fantástico, já descrito neste blog.

A construção está dentro do Mezhyhiria. Segundo declarou Vadym Kolesnichenko do Partido das Regiões, no canal ICTV: "Como nós nos esforçamos para reunir-mo-nos à Europa, então tomamos o exemplo da Europa". O deputado esclareceu: "Downing Street: o presidente do Gabinete Ministerial vive lá onde trabalha. Casa Branca: o presidente trabalha lá, onde vive. Já que nós queremos nos tornar europeus, devemos fazer de modo conveniente e à moda européia", falou o deputado justificando o presidente. (Esse deputado deveria retornar à escola e estudar geografia para aprender em que continente se situa a Casa Branca. Fazer analogia da Casa Branca com Europeu... é de matar. O Cossaco).

A diferença é que os dirigentes ocidentais citados habitam residências do Estado e pelas instalações e uso não pagam para empresas particulares. Yanukovych segue o exemplo de Volodymyr Putin que frequentemente recebe visitas e subordinados em residência fora da cidade.

Mas, a um país onde o povo sobrevive com grandes dificuldades econômicas, por que não seguir países como, por exemplo a Suécia, onde os parlamentares vão ao trabalho de bicicleta, ou a Alemanha onde os deputados vivem em pequenos apartamentos e precisam preparar a própria comida porque o Estado não paga empregados domésticos.

A decisão do escritório junto à residência de Yanukovych foi explicada, oficialmente, como necessidade de trabalhar em qualquer dia ou horário. Também para não causar dificuldades nas ruas de Kyiv, interrompendo o tráfego quando passa o comboio, especialmente na hora do "rush".

A construção terá 128,8m²: gabinete, recepção e sala de trabalho auxiliar, sala para reuniões.

[O inusitado é a compra de um abajur de mesa por] 10.000 dólares - muito ou pouco? Com certeza é muito para a grande maioria desse país que, por muitos anos pagará um crédito semelhante para comprar um carro. Mas, se uma residência custa 100 milhões de dólares, então 10 mil por um abajur são centavos. Mas, é claro, mesmo ganhando razoavelmente bem, você não vai pagar 10 mil dólares por um abajur. A não ser que você tenha rendimentos não declarados - ou que você pague com dinheiro do orçamento [erário].

Dez mil dólares por um abajur de mesa - é verdadeira quinta-essência da imagem do Mezhyhiria - símbolo de corrupção obsena, que se cobre de glória sobre o miserável país.








Nas fotos que a assessoria de imprensa enviou podemos ver douraduras, couro-verde, painéis de madeira. Através de um pedido no "Facebook", com ajuda de um usuário, descobrimos que a lâmpada foi vendida anos atrás por 300 mil rublos (moeda russa), ou um pouco mais de 10 mil dólares. A loja trabalha com produtos únicos, por encomenda. Interessantee, que após o nosso telefonema a foto da lâmpada "sumiu" da web-página. Nós temos a gravação da conversa.

O gabinete presidencial

O abajur

Vista geral do gabinete presidencial

O gabinete e o abajur de 10 mil dólares


"Agora o preço de uma lâmpada igual seriam 500 mil rublos, porque eu estou lhe dando preços antigos. Prepará-la são mais de dois meses de trabalho que é muito complexo. A parte superior é de pedra inteira e as placas no abajur também são de pedra", disseram no magazine. ( www.vippresent.ru ).


Bem entendido que uma lâmpada dessas não pode enfeitar um interior barato. E, realmente, os objetos representados nas fotos no gabinete do presidente, custam dezenas de milhares de dólares. O lustre, de fabricação espanhola "Mariner" também custa 10 mil dólares. De conformidade com o visto, não parece assim tão irreal a torneira de ouro no banheiro do Mezhyhiria.

Por hábito, a manutenção deste luxo V. Yanukovych colocou no orçamento do Estado da Ukraina. Mas a história da lâmpada é apenas uma pequena nuance num fundo muito maior revelado pelo próprio presidente. Ele próprio destruiu o mito cuidadosamente construído durante anos. E fez isso inconscientemente, embora em sua lenda fictícia poucos acreditavam. (Ou será que já se sente tão poderoso que não vê necessidade de ocultar nada? - OK)

Quanto a privatização da residência do Mezhyhiria escolheu a tática "eu não sou eu e a casa não é minha". Para todas as pretensões de desonenstidade governamental quanto à privatização do Mezhyhiria ele afirmava que possuía apenas uma área de 1,76ha com uma pequena casa. E todo o resto não é dele.

Após a divulgação das fotos podemos estimar apenas o gabinete de Yanukovych. Mas, o gabinete é completamente diferente do que ele mostrou aos repórteres a meio ano atrás, quando os convidou para sua casa. Na verdade, nesta casa ele já não mora a um bom tempo.

Para locação do edifício dos escritórios o Departamento de Assuntos Públicos assinou contrato, conforme exigido por lei, até o ano de 2020 (Yanukovych está contando, no mínimo, com segundo mandato. - OK), com possibilidade de prorrogação anual.

O que revolta nesta história?

Primeiro. Yanukovych, ao qual o país já proveu o loclal de trabalho na administração presidencial, e para o funcionamento do qual são necessários mais de um bilhão de UAH (125 milhões de USD), agora desejou criar um outro escritório - no Mezhyhiria.

Segundo. Para suposto "aluguel" deste escritório pagar-se-á do Tesouro do Estado, que cronicamente tem falta de dinheiro para os inválidos, mutilados do Afeganistão e liquidatários de Chernobyl.

Terceiro. Isto se faz supostamente com a meta, para que a passagem do presidente até a administração não crie congestionamento nas ruas. Na verdade, conseguir que o trânsito nas ruas não seja interrompido, só será possível se Yanukovych, completamente, deixar de ir, de Mezhyhiria à rua Bankova.

O fato de que os líderes europeus - por exemplo à passagem da chanceler da Alemanha - o trânsito não é interrompido. Yanukovych, provavelmente, não ouviu dizer. Como também não sabe, que ela não aluga um escritório para si, próximo de sua casa - à chanceler são suficientes os escritórios do Departamento Federal.

Começando, "para não criar incômodo", Yanukovych, através do Departamento de Assuntos Públicos tomou em aluguel um helicóptero de sua empresa. O preço do acordo de sua manutenção por ano, o qual ele pendurou no orçamento do país, é de 7 milhões de UAH (875 mil USD). ´Depois, pelo dinheiro do orçamento iniciaram as construções de helipontos em áreas do percuso presidencial. Depois, "para não criar incômoodo", pegaram de sua empresa, em aluguel, também um avião. Agora, sua empresa, aluga uma parte do Mezhyhiria.

Em seguida o Departamento de Administração deve tomar de Yanukovych, para alugar para Yanukovych, um conjunto de tacos e avestruzes - para garantir o entretenimento presidencial.

Quarto. Criando uma filial da administração presidencial no Mezhyhiria em Nova Petrivtsi, Yanukovych aumenta os gastos do orçamento não somente com o aluguel, mas também com cada viagem de seus subordinados porque cada chamada a Mezhyhiria significa custos adicionais de combustível e amortização do transporte rodoviário.

Certamente, nesta história com novo gabinete presidencial lê-se o desejo da administração presidencial manter o seu dirigente num ambiente de aconchegante entretenimento do Mezhyhiria, ao qual, como admitiu recentemente Yanukovych lhe faltava tempo. Deste modo, o número de pessoas com as quais contacta, tornar-se-á ainda menor, e o isolamento da vida - maior.

Quinto. Não está claro em que base da Administração do Estado assinaram o acordo para arrendar as instalações até 2020, quando seu mandato termina em 2015, quando sua classificação atual, numa eleição honesta, não deixa chances de reeleição. (Yanukovych já se declarou desejoso de segundo mandato, inclusive, já circulou a notícia em alguns jornais que, posteriormente, lançaria seu filho à presidência. Só as construções que realiza no Mezhyhiria testemunham que Yanukovych não veio para poucos anos. - OK).

Sexto. Ainda mais incompreensível, porque o arrendamento do prédio prevê o prolongamento após 2020, quando a Constituição da Ukraina proibe o cargo presidencial mais de duas vezes.

Sétimo. Infelizmente, a administração presidencial não divulgou de quem mesmo foram "alugadas" as instalações para Yanukovych. Mas nós partilhamos o que descobrimos durante uma investigação de pequeno porte.

O gabinete presidencial situa-se no segundo andar e chama-se "Edifício Administrativo". Fica à direita da entrada central ao Mezhyhiria. Foi construído em 2010-2011 e pertence à empresa "Tantalit", participação na qual Yanukovych nega. Exatamente a esta empresa "Tantalit" que domina tudo no Mezhyhiria, exceto aquela pequena casa que Yanukovych mostrou aos jornalistas tentando convencê-los que era sua.

Lembramos que o verdadeiro dono da "Tantalit" perde-se nos cofres do offshore . O diretor desta companhia é Paulo Lytovchenko, com 0,035 de ações - cardeal cinza da família Yanukovych. É a empresa "Tantalit" que governa os demais objetos no Mezhyhiria - o lendário edifício de 5 andares "Honka", clube de golfe, iate clube, arena equestre, instalação subterrânea de tiro, centro de spa, clube de boliche, aberta e fechada quadra de tênis. Isto é "Tantalit", em Mezhyhiria é dono de tudo, exceto aquela pequena casa.

Lytovchenko - deputado do Conselho de Kyiv pelo Partido das Regiões, tem procuração do filho mais novo de Yanukovych e assina documentos oficiais. Nos últimos anos trabalhou como jurista para as empresas do filho mais velho.

O outro fundador de "Tantalit" com 99%, é uma empresa austríaca, que por sua vez criou uma empresa de corretagem (cujo diretor está sob investigação em Viena) e da empresa britânica, cujas extremidades estão escondidas em Liechtenstein.



Em investigações anteriores o jornal "Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana) escrevia com detalhes que a empresa "Tantalit", através de uma série de suplantadas pessoas e estruturas pertence a Yanukovych.
Então seu gabinete em Mezhyhiria Yanukovych alugou de sua própria empresa e a honra de pagar por esta satisfação colocou no orçamento vazio da Ukraina.
Essa história da locação do Mezhyhiria, além do exemplo financeiro é também de permissividade moral. Ela reflete o desejo de Yanukovych ao conforto, porque o gabinete permite não sair para o trabalho e avisar o serviço de imprensa que está trabalhando em casa.
Sabemos que desde os tempos imemoriais no território do Mezhyhiria localizava-se o Mosteiro da Transfiguração, destruído por autoridades soviéticas. Este santuário localizava-se no interior, de acordo com o site oficial do Conselho da Vila Novopetrivtsi.
E, eis que recentemente Yanukovych teve a idéia de reconstruir o Mosteiro. Mas surgiu um problema - a terra do Mosteiro está sob o controle de "Tantalit". Milagres não acontecem: o proprietário (leia-se: Yanukovych) não pôde ou não quis - separar ao Mosteiro dois hectares dos 140ha de seu território total. E resolveram reviver o Mosteiro a... 6km do lugar aonde ele esteve realmente.
Circo? Não, é sério.
A partir de agora será mais difícil refutar a conclusão óbvia que Yanukovych é o verdadeiro proprietário do Mezhyhiria, escondido atrás da empresa "Tantalit".
Em compensação ele não precisa mais esconder que considera seus eleitores idiotas.
Nós adivinhávamos isso - agora simplesmente sabemos.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

quinta-feira, 15 de março de 2012

PRESOS POLÍTICOS OU CONDENADOS À MORTE?

Últimas notícias da Tymoshenko
Ukrainsla Pravda (Verdade Ukrainiana), 29.02.2012

Oleksandr Turchynov, vice-presidente do partido, foi à Colônia conversar com Tymoshenko, tendo providenciado a permissão para o encontro. Não conseguiu porque a prisão exigia que o encontro acontecesse na sala destinada a este fim, mas Tymoshenko não conseguia locomover-se até esta sala. Não recebeu auxílio e não permitiram que o encontro acontecesse na cela. Turchynov permaneceu na Colônia das 11 às 15 horas. (Isto é de proposital, ordem superior, para evitar que Tymoshenko, como líder do partido e política experiente dê orientações a Turchynov. - OK).

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 03.03.2012

O serviço prisional do Estado não permitiu a Vice-Presidente do Parlamento da OSCE Valbuzi Habsburk Douglas e outros quatro representantes de várias instituições européias visitar Y. Tymoshenko na Colônia Kachanivka.

Apesar da negativa a visita européia veio a Kachanivka, mas voltou de mãos vazias. Apelaram para liderança do presídio para conversar com Tymoshenko ao menos pelo celular, mas a administração recusou. Também apelaram para remover da cela o sistema de vídeo, mas foi inútil. O administrador da Colônia Ivan Pervushkin disse-lhes que não podia influenciar na situação.

Os europeus queixaram-se que o aviso de que não teriam licença para visitar Tymoshenko,  somente foi recebido às 11 horas, quando já se encontravam na cidade de Kharkiv. Eles pensam que as ações do governo ukrainiano são dirigidas para esconder da comunidade internacional as condições de habitação e de saúde da Tymoshenko.

De acordo com o Código Penal da Ukraina, primeiro parágrafo, artigo 110, o condenado à prisão terá direito a visita de estrangeiros e representantes de delegações não oficiais de até 4 horas.

Filha da Tymoshenko: mamãe já por várias vezes perdeu a consciência.
Isto Evhenia declarou ao jornal alemão Die Welt. "Ela recebe analgésicos muito fortes, frequentemente, e tem pressão muito baixa. As injeções e medicamentos que lhe dão, a família não conhece.

Evhenia teme que sua mãe, na prisão, pode estar sendo, lentamente, envenenada como acontecia no tempo da União Soviética.

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 08.03.2012

Os amigos do partido trouxeram para Y. Tymoshenko, em comemoração ao Dia da Mulher uma torta e um ramalhete com mais de 100 tulipas mas o dirigente da penitenciária disse que o presente não poderia ser entregue no dia 8 devido a folga de funcionários. Assim Tymoshenko receberá na segunda-feira a torta estragada e flores murchas.

Visitarão e conviverão com Tymoshenko por 3 dias sua mãe e sua filha. De acordo com a lei, cada aprisionado tem direito a conviver 3 dias, exclusivamente com familiares, a cada três meses de aprisionamento.

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 09.03.2012

Tymoshenko e filha (a mãe não pôde vir porque não está bem) passam os três dias (9-10-11 de março) numa acomodação destinada a este tipo de encontro. Nesta prisão há sete acomodações deste tipo e mais duas melhores. Tymoshenko e filha estão numa das duas. Elas possuem micro-ondas, chaleira elétrica, geladeira e televisão. O preço de cada cama é de 70 UAH, no caso 140 por dia (18 USD). Tymoshenko não conseguiu vir até a acomodação especial sozinha. O pessoal da prisão precisou ajudá-la. Por que não ajudaram quando ela teve encontro autorizado com o vice-presidente de seu partido, pergunta o advogado.

Os médicos alemães e ukrainianos concordaram que Tymoshenko está doente e precisa de tratamento imediato.
A tal conclusão chegaram os médicos alemães e ukrainianos do Ministério da Saúde e do Serviço Penitenciário do Estado. Compareceram também a esta reunião médica o Procurador Geral V. Pshonka, a representantee do Ministério da Proteção da Saúde Raisa Bohatyriovaa e o vice-presidente do Ministério de Assuntos do Exterior Ruslan Demchenko.

O Procurador Geral disse que, se houver necessidade, Tymoshenko receberá tratamento além da Colônia.

Os médicos alemães afirmaram que o tratamento não pode ser realizado na prisão devido a sua complexidade.


X-X-X
Yurii Lutsenko: "Se escolher entre prisão e perda da dignidade, eu escolho prisão".
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 06.03.2012
Serhii Lyshchenko
Hoje, Lutsenko se comunica com o mundo exterior por correspondência.
Suas primeiras mensagens à liberdade avaliou Yurii Andrukhovych. "...Lutsenko revelou-se gigante do jornalismo. A prisão revelou nele o talento literário", - disse o escritor sobre o seu xará. Publicamos excertos da entrevista que Yurii Lutsenko deu por escrito.
"Para mim é claro, que na atual situação política eu não receberei, na Ukraina, um julgamento justo e objetivo. Mas, para provar a minha inocência eu vou lutar também perante o Tribunal de Recurso".
 "A mim já transmitiram que na Colônia em Mensk já me esperam os que foram aprisionados por violar as normas do Ministério de Segurança Interna. Mas as "lamentações" - não estão nas minhas regras". (Lutsenko, quando Ministro dos Assuntos do Interior, procurou acabar com as torturas que havia nas prisões por parte da milícia. Na Colônia de Mensk, para onde o governo cogita mandar Lutsenko, é onde está a maioria desses milicianos presos. Preocupa a possibilidade de vingança. - OK).
 "Nenhum contato com a Procuradoria Geral nem eu nem a minha defesa teve. A declaração falsa do Procurador que eu, parcialmente, admiti minha culpa, foi uma espécie de proposta para me dobrar para período condicional. Tais negócios são inaceitáveis para mim. Se a escolha é entre prisão e perda da dignidade, eu escolho prisão. Em meu último discurso eu me expressei claramente".
 "Quando lhe propõem beijar o governo abaixo das costas pela "decisão humanitária" outra resposta de atrás das grades eu não encontrei. Eu aprendi perdoar os tolos e covardes. Mas perdoar os agressivamente entusiasmados vilões eu ainda não aprendi". (Resposta a por quê ele cuspiu em um dos procuradores - OK).
 "Eu considero, que o veredicto é politicamente motivado e não com base em testemunhos, de peritos e documentos do caso".
 "Durante dois dias procurei ouvir a mim mesmo: que mudanças no status de criminoso com confisco de bens, perda da condição de funcionário público e 4 anos de aprisionamento? Com 99% de inevitabilidade de um tal resultado do "tribunal" eu ouço um agudo senso de injustiça, na verdade - ofensa. Surge um desejo de mandar tudo aos diabos. Ser apenas um ícone de "vítima da repressão política" - não quero, e ser um político pleno, nestas circunstâncias - quase impossível. Como escreve Adam Michnik (polonês, ativista social, dissidente, jornalista - OK), "não há lugar para política normal, onde governa violência anormal". Mas a solidão, afastamento da sociedade - seria o reconhecimento da derrota, até mesmo traição. Então eu tenho que continuar a defender os ideais do Maidan (referência à Revolução Laranja da qual destacou-se como líder - OK). Até mesmo à força. Porque a História repete-se infinitamente, constantemente. Alguém defende Termópilas, alguém vai para fogueira e alguém diz: "E sempre ela gira".
 "Em qualquer caso declaro, que nenhuma declaração sobre pedido de perdão, que tanto excita a máfia do Mezhyhiria (residência do presidente), eu não vou escrever".
 "Para mim conta-se uma pequena contribuição no Banco de Poupança e 1/5 do apartamento paterno de 4 quartos em Rivne. Então, meu irmão Serhii precisa preparar-se para conviver com o promotor na cozinha. (Quando em ukrainiano diz "4 kimnat", segundo dicionário a palavra "kimnata", pode ser: quarto, aposento, peça, sala de visitass, sala de jantar, peça assoalhada. Não disponho de explicação segura, porém é provável que na maioria das vezes trata-se de qualquer aposento porque, mesmo para classe média, a aquisição de moradia própria é muito cara. Apartamento de 4 quartos, como nós conhecemos, seria um grande luxo. - OK). Também o automóvel Toyota em nome da esposa. O que será confiscado - não sei. Veremos".
 "Último livro lido foi "À procura da liberdade" de Adam Michnik. Foi muito útil antes e durante o veredicto. De 144 livros lidos, nos últimos 14 meses, é difícil destacar o melhor. Entre os livros de literatura gostei muito de Ken Kesey (americano) em "Às vezes loucura maior", K.
Ishiguro (britânico) em "Não me deixe ir", Samuel Beckett (irlandês) em "Molloy", de Volodymyr Lys (ukrainiano) em "Century James" ("Stolittia Yakova") e I. Mak'yuenk (britânico) em "Amsterdam".
 "Entre as publicações científicas recebi muito da "História da Filosofia Ocidental" de B Russell (inglês), "As discussões com Masaryk de K. Capek (checo) e "História de Deus" de K. Armstrong (inglês)".
 "Concordo plenamente com Oscar Wilde (também foi preso por 4 anos) que "os maiores eventos do mundo - aqueles que ocorrem nos cérebros do homem". A partir desta perspectiva, o maior impacto sobre mim teve o livro de Z. Bauman, sociólogo inglês de nacionalidade polonesa, "A Sociedade Individualizada". Ler esta obra ficam claros muitos motivos e consequências de revoluções radicais da civilização, que realizam-se diante de nossos olhos. E o mais importante - ali há alimento para reflexão sobre o significado da vida humana e da sociedade".
 "Uma pessoa com 47 anos sempre tem o que lamentar e pedir desculpas. Eu fiz isso várias vezes e publicamente, porque penso que o reconhecimento de próprios erros é atributo de uma pessoa normal. Mas acho que pedir desculpas estando atrás das grades é um pouco forçado, ou pior - despedida. E eu não me apresso para debaixo da lápide, então falaremos sobre isso numa outra ocasião, em liberdade".
"Condições de detenção: câmara de 9 m2 para 3 pessoas, passeio diário. Leio, escrevo, estudo história, filosofia. Também estudo a já um pouco a esquecida física".
"Alguns problemas com a saúde, mas o pior é com as emoções devido ao afastamento da família e quase sinto, fisicamente, como o tempo escoa por entre os dedos, tempo perdido com minha família".
"Na TV assisto apenas as notícias e "Voz do país". Tenho possibilidade de receber livros e jornais".
"A esposa que tem o status de defensora pode vir todos os dias, os filhos uma vez ao mês".
"Os próximos dois anos e nove meses preciso planejar como todos. Vou ler bons livros, escrever cartas honestas e planejar o futuro".
"Vou apoiar a família e os amigos, contar os dias ao encontro. Vou rir com ousadia sobre os inimigos, - porque o riso vence o mal".
"Vou ajudar a oposição com meu ponto de vista, vou tentar influenciar a opinião pública".
"Em suma - eu não vou desistir e vou lutar por mim e pela Ukraina. Prisão - lugar feio, mas tentarei também aqui, não só acreditar no inverossímil, mas fazer o impossível".
Tradução: Oksana Kowaltschuk

sábado, 10 de março de 2012

UNIÃO EURASIANA: Ressuscitando a antiga URSS

Caro Leitor:

Comporta uma explicação preliminar sobre o artigo e sobre o entrevistado.

O entrevistado, Alexandre Dugin (lê-se Dúguin), nasceu em 7 de janeiro de 1962 em Moscou em uma família de militares. Seu pai era oficial da KGB e sua mãe médica.

Líder do Movimento Eurasiano Internacional e diretor do Centro de Pesquisas Conservadoras da Faculdade de Sociologia da Universidade Estatal de Moscou. É também o guru intelectual de Vladimir Putin. Sua principal função junto a Putin e ressuscitar o domínio comunista compondo uma nova URSS porém com a alcunha de União Eurasiana. Uma questão semântica. Esclarecendo: Trata-se do "novo" comunismo, agora em escala mundial jamais visto e imaginado na história da humanidade. Um projeto satânico de dominação e totalitarismo mascarado sob o falso argumento de formação de um novo bloco econômico. Na verdade trata-se de um projeto insidioso visando a instituição de um governo mundial único. Leviatã que se levanta, porém, mais forte e poderoso para brigar pelo butim com a ONU que possui projeto semelhante e almeja ser a única a dominar o mundo. Será uma batalha de gigantes. Pobre humanidade!!!
Duguin utiliza-se de uma linguagem hermética, quase que cifrada, que só pode ser plenamente entendida e compreendida por estudiosos do assunto, especialistas e engajados.

O Cossaco

 
Alexander Dugin: União Eurasiana - pólo fundamental em um mundo multipolar
Pesquisa: Internet

Para realizar a idéia da União Eurasiana é indispensável rever todo o sistema internacional existente, porque a União só é possível conforme a Teoria do mundo multipolar.

No dia 4 de outubro, no jornal "Izvestia", foi publicado o artigo programático do primeiro-ministro russo Vladimir Putin sobre a criação da União Eurasiana. Como emana das teses propostas por Putin a União Eurasiana, pela analogia com a União Européia será o único espaço econômico em que as barreiras migratórias e de fronteiras serão removidas e, portanto, qualquer cidadão de um país da União vai sentir os privilégios. O filósofo e ideólogo Eurasiano Alexander Dugin chamou "absolutamente correto" o artigo de Putin "Novo projeto integracional para Eurasia - futuro, que nasce hoje", vendo no programa provavelmente do futuro presidente da Rússia o reflexo de suas idéias, que ele constantemente promovia durante muitos anos.

O Portal "Eurasia" publica a entrevista com Alexander Dugin, na qual o ideólogo mais detalhadamente se fixa em alguns aspectos da futura União Eurasiana.

"Rússia - um continente separado, civilização inteiramente original. Pode-se chamá-la 'outra Europa', mas então esta Europa será preciso ou esquecê-la, ou conquistá-la".


- Até que ponto EurAsEC (Comunidade Econômica Eurasiana) poderia tornar-se o primeiro núcleo de uma nova união política? Que formas poderia ou teria que aceitar se criada esta União?


- EurAsEC e União Aduaneira podem ser consideradas como base econômica da União Eurasiana. A composição de países incluídos nestas estruturas de integração, são o núcleo da União Eurasiana. Mas o projeto da União Eurasiana é um projeto precisamente de integração política. O que ele poderia ser? Esta é uma questão em aberto. Nursultan Nazarbayev (Cazaquistão) propõe repetir o modelo da União Européia, ele até já escreveu a Constituição da União Eurasiana, totalmente copiada da UE. Portanto, sua pergunta coloca outra pergunta: o que é a União Européia, a qual empreende-se pelo princípio - confederação, Estado nacional, ou uma nova forma de organização do espaço político - por exemplo, "Estado pós-moderno", como propôs Robert Cooper.

Eu considero que para União Eurasiana é necessária uma teoria política especial - Teoria de mundo multipolar. Nela os sujeitos, atores devem destacar-se. Não Estados tradicionais modernos (no espírito do sistema de Westfália) mas a civilização. Civilização como união. Para isso é necessário rever todo o sistema internacional existente. Isto é, a União Eurasiana deve tornar-se um novo sistema político, ter determinadas características de estado confederado, com base na subsidiariedade e larga autonomia das regiões, mas, concomitantemente determinadas características de centralismo estratégico inerente aos impérioos de aspiração clássica.

Idéia da União Eurasiana é idéia alternativa pós-moderna, distinta de Estado dominante moderno e de impérios pré-modernos. A principal diferença de impérios pré-modernos consiste que, o princípio de organização política de sistema internacional com atributo civilizacional torna-se contrução racional, reflete-se e descreve-se em termos técnicos. Existe a civilização como inércia, e existe como projeto. A União Eurasiana propões como projeto. Esta é a meta energicamente projetada.

- Muitos no Ocidente temem que a União Eurasiana pode tornar-se novamente uma repetição do velho russo-soviético império. O que, no seu pensamento, haverá nela de novo?
- Esta é uma pergunta correta. Sim. A aliança Eurasiana será o renascimento do russo-soviético império, mas na medida que a UE é renascimento do Império Carolíngio de Carlos Magno. As principais diferenças, no caso da Eurasia, da Rússia czarista e da União Soviética estão no fato, que ela não será um estado monárquico-ortodoxo e também não será um estado marxista. As diferenças ideológicas, políticas e legais, portanto são tão grandes, que os europeus, que tem medo, podem ser considerados impolidos em ciências políticas ou simplesmente atlantistas pró-americanos envolvidos em grosseira propaganda políticaa.

- A experiência da UE, fundada com base no puro monetarismo, revelou-se fracassada. O senhor afirma que a União Eurasiana deve ser construida em outros fundamentos, para se proteger de erros semelhantes? Se assim for, quais são esses princípios?
- Também é uma boa pergunta. No exemplo da crise da União Européia, nós vemos que para haver uma forte integração, a economia não é suficiente. Se não houver um projeto político global, se não tem uma geopolítica expressiva, criar algo promissor é impossível. E, a construção da União Eurasiana não deve ser considerada. Portanto deve-se começar com a construção da Teoria do mundo multipolar, não com etapas técnicas de integração econômica.

O Eurasinismo está na idéia subjacente da União Eurasiana. Esta é uma política filosófica particular - não nacionalista, não comunista, não manárquica, não nostálgica, não revisionista, mas também não liberal. É mais precisamente descrita em termos de Quarta Teoria Política (não é liberalismo, não é comunismo, não é fascismo). A ideologia Eurasiana, Quarta Teoria Política, Teoria do mundo multipolar, e também, concomitantemente a direções geopolíticas, filosóficas, sociológicas, e também teorias da esfera de relações internacionais, antropologia, etnologia, que hoje desenvolvem-se na Rússia, nos melhores institutos acadêmicos - particularmente no MSU (Universidade Estadual de Moscou - Lomonosou).

Tudo isso compõe o novo fundamento para integração, onde as ferramentas clássicas de ciências políticas estão ao lado de ciências inovadoras, em parte, pós-modernas e construtivistas (críticas quanto a democracia liberal, hegemonia americana e globalização individualista), e em parte, vistos sob nova ótica os princípios do tradicionalismo e conservadorismo revolucionário.

A atitude dos Estados Unidos para com União Eurasiana sob qualquer administração será radicalmente e abertamente hostil. A criação da União Eurasiana é diretamente contrária à estratégia de segurança adotada pelos Estados Unidos.

- Como principal representante do eurasionismo, que horizontes o senhor vê nesta União? Quais serão as futuras relações com a Europa Ocidental de um lado e China do outro?
- A União Eurasiana somente é possível em novos acordos radicais do sistema internacional. Nem no mundo global ("sem polaridade" - por Richard Haas), nem na hegemonia unipoloar americana (Robert Dzhilpin) a União Eurasiana pode existir. Se o mundo multipolar for construido, então Europa e China estarão nele como pólos independentes. A tarefa da União Eurasiana como mais um, e também pólo independente - construir com eles relações de parceria comum, e evitar situações em que Europa e China poderiam tornar-se aliados estratégicos dos Estados Unidos. Europa e China - são duas civilizações absolutamente distintas da União Eurasiana. Com elas é possível e necessário ter amizade, mas os sistemas de valores são a tal ponto diferentes, que deve prevalecer não a síntese, mas o diálogo.

- O senhor escreveu que a Eurasia localiza-se entre a estepe e a floresta. Nós, italianos apresentamo-nos como o que está entre a mancha do Mediterrâneo Central e floresta centro-européia. Naturalmente, são duas realidades geopolíticas diferentes, mas elas não poderiam encontrar-se?

- Eu acabo de terminar um livro muito importante, "A Geopolítica da Rússia". Até agora ninguém escreveu nada parecido. Quando eu estava trabalhando no livro, percebi que completa e precisa "história geopolítica da Europa" simplesmente não existe, ninguém escreveu. Carlo Terrachano, Francis Tyual, Yves Lacoste e outros geopolíticos europeus fizeram muito, mas serviço generalizado sobre estrutura geopolítica de toda história da Europa - desde as guerras do Peleponeso e guerras Púnicas até a nossa época não tem. Mas, poderia haver e deveria haver. Nela haveira a identidade geopolítica e seria compreendida no contexto geral.

Não se pode comparar geopolítica da Itália com a geopolítica da Rússia. Tanto a terra, como a floresta ou o mar executam diferentes funções, têm carga conceitual diferente. Itália - o pólo mais importante da Europa - a partir de Roma até os tempos atuais, de diferentes qualidades, com diferentes funções em diferentes fases. Isto requer uma compreensão detalhada, sistematização, antes de falar sobre os paralelos com a geopolítica de outras regiões. É mais correto comparar a Rússia com Europa como um todo ao invés de um determinado país europeu. Rússia - um continente separado, civilização com todas as características originais. Podemoos denominá-la "outra Europa", mas então "esta Europa" terá que ser esquecida, ou vencida.

- A crise da União Européia pode abrir novos espaços para a recém-nascida União Eurasiana?"
- Talvez. O fato é que a Europa Oriental está decepcionada com a União Européia. Grecia está pronta para cair fora. Turquia se recusa a pensar seriamente na sua admissão. Por isso, na Europa Oriental forma-se um vácuo civilizacional. Eu penso, que logo, logo deve-se formar um projeto de Grande Europa Oriental, como zona geopolítica independente - intermediária entre Europa Ocidental e Eurasia. A Grande Europa Oriental que incluiria paises ortodoxos (Grécia, Bulgária, Romênia, Servia, Macedônia, Montenegro), países eslavos (Polônia, República Checa, Eslováquia, Croácia, Eslovênia) e fino-úgricas raízes, Hungria e Turquia no sul - potenciais cooperadores da União Eurasiana. É pouco provável que esta área será verdadeiramente integrada à Eurasiaa, mas a identidade civilizacional da Grande Europa Oriental será algo intermediário entre Eurasia e Europa Ocidental, 50% a 50%.

Agora, para Washington. Como o senhor pensa, reagirá a atual administração dos EUA à criação da União Eurasiana? E de que perspectivas, nas futuras mudanças da equipe da Casa Branca, poderiam ser as relações entre Rússia e Estados Unidos?
- A atitude dos EUA à União Eurasiana sob qualquer administração será radical e abertamente hostil. A criação da União Eurasiana contradiz diretamente à estratégia de segurança nacional aceita pelos EUA, voltada para meta oposta - não permissão do surgimento no território Eurasiano desenvolvimento político, econômico e estratégico-militar capaz de reduzir o controle sobre esta zona pelos EUA. Isto está escrito no "Manual de Planejamento de Defesa" de Paul Volfovittsa (1992). E depois, repetido exatamente nos documentos básicos de perspectivas estratégicas dos EUA.

A criação da União Eurasiana significa desvantagem da hegemonia americana e transição para a construção de um mundo multipolar. Neste mundo multipolar, os EUA podem continuar a ser uma grande potência, mas não de escala global, mas de escala regional. A isto, em Washington parece ninguém está pronto. Significa, que haverá uma verdadeira luta do atlantismo contra eurasionismo (a qual não deixa de existir nem por um minuto). Grande Guerra doos Continentes.

- E finalmente, como influenciará a criação da União Eurasiana no novo equilíbrio das forças geopolíticas e geoeconômicas no mundo?
- União Eurasiana - pólo fundamental em um mundo multipolar. Como no estratégico e político, também no senso econômico. Obviamente, que hoje o lado mais forte da Eurasia é a energética e recursos naturais. Grande importância tem as armas nucleares e imenso território. Tudo isso cria um potencial geoeconômico significativo. Mas, ao mesmo tempo, a União Eurasiana não tem acesso suficiente a alta tecnologia, potencial industrialização, dinâmica de desenvolvimento tecnológico, mercado consumidor em escala suficiente. Isso o torna dependente da Europa e Asia. Mas não dos EUA.

Portanto o sucesso do estabelecimento da União Eurasiana é indispensável à parceria eurasiana-européia e eurasiano-chinesa. "Europa Unida de Lisboa a Vladivostok" (como escreveu V. Putin) e o eixo Moscou-Pequim. Além disso, para União Eurasiana tem grande importância a parceria com o mundo islâmico, América Latina e os países do Oceano Pacífico e África. Tudo isso são pólos potenciais do mundo multipolar.

Cada um tem vantagens e desvantagens, deficiências de um ou outro recurso. Juntos, com base no diálogo civilizado somos capazes de construir um mundo equilibrado e com justiça. Serão nele excluídos os conflitos? Não. Eles são sempre possíveis. No entanto, há sempre maneiras de evitá-los, ao invés da guerra, e dos choques de civilizações passar para um diálogo pacífico. No choque de civilizações não há nenhuma fatalidade.

A globalização e a Pax Americana nos dão exemplos de crimes de sangue, intervenções, assassinatos em massa (Sérvia, Iraque, Afeganistão, Líbia). A escolha não deve ser: guerra ou paz? E sim: que guerra e que paz? Guerra e paz entre quem e por quem, em nome de quê e em que condições? E também como construir um mundo mais justo (multipolar) e estável, e da guerra passar ao diálogo?

Não na base de total identidade e imposição forçada da democracia - como consideram os liberais em relações internacionais, mas com base no reconhecimento dos direitos do outro (outra civilização) ser diferente, distinta, não semelhante, mas que não merece "punição" e "destruição" por isso.

Precisamos aprender a construir um sistema internacional baseado numa ampla e pensada antropologia social e cultural, e não na base do ocidental americano-europeu racismo cultural, liberal-colonialismo e universalismo totalitário, valores puramente ocidentais(individualismo, mercantilismo, capitalismo).

Entrevista concedida a Daniele Ladzeri (Itália)


Tradução: Oksana Kowaltschuk

Foto formatação: AOliynik

quarta-feira, 7 de março de 2012

NOS BASTIDORES DA MÁFIA POLÍTICA

WikiLeaks: Putin e Medvedev negociavam a favor de Yanukovych e  Tymoshenko

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 29.02.2012

Inicialmente o premier Vladimir Putin apoiava a ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko, mas abandonou esta idéia a pedido do presidente Dmitry Medvedev e alinhou-se com o candidato V. Yanukovych.

Isto é afirmado na correspondência analítica entre agentes de inteligência e análise da Companhia Stratfor, publicado no site WikiLeaks.

A carta foi escrita em 14.09.2011 e assinada por analista sênior em questões da Eurásia Loren Goodrich. No endereço do autor da carta figura Reva Bala, que é diretor de análise de Statfor.

"Vocês já conhecem um pouco desta história. Putin nunca quis Yanukovych no poder sem ninguém contrapor para mantê-lo nos freios. Putin sabia que Yanukovych tinha absoluta maioria (nem tanto, os jornais ukrainianos anunciaram a vitória dele devido a muitas fraudes nas eleições do 2º turno - OK), mas queria reforçar o papel do Kremlin em Kyiv", - escreve o autor.

"Ele queria que fosse Tymoshenko. Não que ela fosse pró Rússia, mas porque, entre todos os candidatos de maior evidência, ela seria mais fácil comprar. Naturalmente, e isto foi o seu problema, quando ela foi presa..." - diz a carta.

"Medvedev nunca gostou de Tymoshenko, principalmente porque ela nunca o respeitou durante os encontros e tratava os assuntos somente com Putin", - escreve o analista.

"Medvedev decidiu que à Tymoshenko não se pode dar o poder. Ele prometeu a Putin que manteria Yanukovych nos freios se Putin deixasse de apoiar Tymoshenko. Putin concordou, mas em troca ele mesmo elaboraria a lista dos novos ukrainianos que deviam assumir o poder em: Serviço de Segurança da Ukraina, Exército, Ministérios", - diz na carta.

"Então, quando Tymoshenko e Yanukovych apareceram em Moscou no final de 2009, paralelamente informaram a Yanukovych que deixariam de apoiar Tymoshenko, se ele, Yanukovych, concordasse com a lista de exigências. Naturalmente, Yanukovych pegou a isca", - escreve o analista.

"Agora, quando Yanukovych comporta-se mal, Putin exige que Medvedev resolva esse problema. É por sso que somente Medvedev critica, (Segundo os jornais ukrainianos, quando Tymoshenko foi presa, Putin, por algum tempo a defendia - Ok) A pergunta é, que alavancas usará Medvedev, para segurar Yanukovych nos freios: ?..." - diz a carta.

Como é de conhecimento, após a publicação da correspondência exploratório-analítica da Companhia Stratfor, seu presidente George Friedman disse que a publicação desses documentos era ilegítima. Que esses documentos podem ser falsos ou incorretos. Mas ele não quis confirmar ou refutar a autenticidade dos fragmentos de correspondência publicados.

Se realmente Putin pretendia colocar suas pessoas no governo ukrainiano, Yanukovych está demonstrando sua independência até do Partido das Regiões.

Vejamos o que diz Oleksandr Kramar sobre a composição do governo Yanukovych, no jornal Tyzhden (Semana) do dia 01.03. 2012.

A mudança de pessoal não está limitada a substituições superficiais - é uma reformatação profunda que levou a uma estrutura vertical, o que é mais claramente visto nas estruturass armadas. Não é uma rotação normal do pessoal cujo objetivo poderia ser redirecionar os indivíduos a postos mais adequadoss com suas habilidades, mas as mudanças óbvias no equilíbrio de poder entre diferentes grupos de influência no governo. Após a abolição da reforma política (que deu a Yanukovych poderes muito maiores dos de seus antecessores) Yanukovych recebeu uma oportunidade real de ignorar a posição dos principais grupos do Partido das Regiões, e então começou um esperado processo de substituição gradual de altos funcionários por pessoas de suas relações ou de seu filho mais velho Oleksandr. As primeiras modificações foram a pedido de seu filho: o Banco Nacional da Ukraina assumiu Serhii Arbuzov, os Serviços Fiscais - Oleksandr Klimenko, o Ministério dos Assuntos do Interior - Vitalii Zakharchenko.

Mas, à reformatação mais ampla do governo, o presidente e sua "Família" encorajaram-se agora. (Família são os parentes de sangue e os amigos próximos).

Em 03 de fevereiro deste ano, foi designado para responder pelo SBU (Serviço de Segurança da Ukraina) o ex-chefe de segurança pessoal de Yanukovych Ihor Kalinin, e em 8 de fevereiro tornou-se Ministro da Defesa Dmytro Salamatin, que demonstrou suas habilidades de boxeador no Parlamento quando se discutia a ratificação do acordo de Kharkiv (ocasião em que Yanukovych entregou Sebastopol para permanência da frota russa até 2042, com possível prorrogação para mais 5 anos - OK). E, após uma semana foi dispensado Andrii Kliuyev, do cargo de vice-ministro para dar lugar a Valeri Khoroshkovskyi. O Ministro da Saúde Aleksandr Anishchenko deu lugar para Raisa Bohatyriova (que também é Vice-Primeiro-Ministro de Assuntos Comunitários.

O novo Ministro das Finanças - Yuri Kolobov foi indicado, em parte, pelo filho.

A lógica das nomeações acima mostra que o presidente não confia no "ilimitado pessoal da reserva", tradicional orgulho do Partido das Regiões. Ele dá preferência a personalidades pouco conhecidas, despojadas de autoridade no partido, porém afastadas de antigos companheiros e majoritários organizadores/patrocinadores das campanhas eleitorais anteriores. Por exemplo, as mudanças no governo levaram ao isolamento do Primeiro Ministro Azarov, o qual, entre os ministros, não tem mais nenhuma "sua pessoa" e, de fato, transformou-se em uma "rainha da Inglaterra". E, nessa qualidade, por algum tempo ele pode ser benéfico ao governo como pessoa que nada resolve, mas absorve todo o negativo e ainda não aspira a jogo político independente. Yanukovych em sua última entrevista disse que, nesta fase, "Azarov nos convém."

No entanto, a entrada para o Ministério de Valeri Khoroshkovskyi causou um forte impacto não apenas sobre o primeiro-ministro, mas também sobre a influência dos "antigos grupos de Donetsk" Kliuyev e Akhmetov (este é bilionário - maior ricaço da Ukraina). Primeiramente, a perda do cargo do representante do Conselho de Segurança Nacional da Ukraina que sempre serviu ao governo como um lugar para o exílio de certos colaboradores que deixavam de satisfazer. Em compensação Akhmetou recebeu uma parte adicional de influência, de mais uma cadeira - de Boris Kolesnikov - Vice-Primeiro-Ministro Humanitário e Ministro da Saúde. No entanto, a pergunta é: por quanto tempo?

Quem é Rynat Akhmetov?


Rynat Akhmetov nasceu em Donetsk-Ukraina, em 1966, filho de pai nascido na República Autônoma Socialista Soviética de Tartaristão. Em Donetsk, seu pai e seu irmão trabalhavam nas minas de carvão, como mineiros.

Em 2001 Rynat terminou a universidade de economia com especialidade em marketing.

Ele nunca foi claro sobre seus primeiros ganhos. Era somente amizade ou negócios que mantinha com Akhatem Brahim (também conhecido como Alik Hrek), que era um empresério de Donetsk, mais conhecido como presidente do Clube de Futebol "Shakhtar" - e que morreu em 1995, no Estádio "Shakhtar", em resultado de uma explosão planejada.

Os lucros de Akhmetov provêm de mais de 90 empresass, entre as quais: Ferro e Aço Iron & Steel Works, Primeiro Banco Internacional da Ukraina, Companhia de Seguros Aska, Operadora de Telefonia Móvel, Clube de Futebol "Shakhtar", outros. No total são mais de 160 mil empregados.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik
Imagem de Wikipédia

segunda-feira, 5 de março de 2012

LIBERDADE PARA LUTSENKO

Presidente da PACE exige da Ukraina a liberdade de Lutsenko
Tyzhden (Semana), 28.02.2012

O presidente da Assembléia do Conselho da Europa (PACE), Jean-Claude Mignon insta as autoridades ukrainianas para liberar o ex-ministro da Ukraina Yuri Lutsenko.

"O ex-ministro do Interior não teve um julgamento justo, as acusações pelas quais ele foi condenado, absolutamente não justificam a pena de prisão. O fato de que a ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko ainda está presa, e também a prisão de Lutsenko reforçam a percepção de que as acusações contra esses dois adversários do governo têm a natureza política" - observou na declaração.

Mignon disse que é inaceitável a perseguição de ex-funcionários por razões políticas no país, o qual é membro do Conselho Europeu. "Essa prática é contrária ao Estado de Direito e afasta Ukraina dos princípios da nossa organização, bem como da integração européia, que o país visa" - disse o presidente da PACE.

Os países europeus, EUA e Canadá reagiram ativamente contra a sentença do ex-ministro do Interior, Yuri Lutsenko.

Ansiedade pela sentença de Lutsenko expressaram os Ministros de Assuntos do Exterior da Alemanha, Grã-Bretanha, Polônia e França.

O ministro da Suécia Karl Bild disse que esta decisão do Tribunal "prova que o sistema legal da Ukraina está sendo usado para criminalizar as atividades essencialmente políticas".

O Ministro dos Negócios do Exterior da República Checa divulgou uma declaração onde manifesta seu medo e revolta pelo veredicto a Lutsenko. "Assim como no caso da ex-primeira-ministra Y. Tymoshenko, enfatizamos que o julgamento esteve muito distante dos padrões europeus e princípios dos direitos humanos" - diz a declaração.

Separadamente reagiram alguns políticos. O representante da UE na Ukraina José Manuel Pinto Teixeira observou que "a conclusão do acordo de associação está minada devido aos desenvolvimentos recentes na Ukraina.

Presidente da delegação do Parlamento Europeu sobre a cooperação com Ukraina Pavlo Koval (Polônia) chamou o veredicto "extremamente draconiano".

A relatora da PACE Marie-Louise Beck considera Lutsenko "vítima de vingança política".

EUA apelaram às autoridades ukrainianas para liberar Lutsenko, bem como permitir a ele e a outros ex-funcionários presos a participação nas próximas eleições parlamentares.

Por sua vez Canadá acredita que a sentença de Lutsenkoo solapa as instituições da sociedade democrática na Ukraina. John Baird, Ministro de Relações Exteriores está convencido de que este veredicto é político. Ele observou que o Canadá continuará a defesa do primado do direito e da democracia na Ukraina.

Segundo a União Ukraino-Helsinki dos Direitos Humanos, mais de 25 organizações, membros da OSCE, pediram para reverter o julgamento de Lutsenko. "A sentença de Y. Lutsenko - é o próximo passo para a destruição do Estado de Direito e a independência do poder judicial na Ukraina. Este veredicto afasta Ukraina muitos passos para trás em seu desenvolvimento democrático e mostra claramente a insistência das autoridades ukrainianas em riscar as conquistas do povo ukrainiano nos últimos 20 anos" - diz o recurso.

Agora fazem tudo para matar Lutsenko
Gazeta.ua, 29.02.2012

A vida de ex-ministro Y. Lutsenko corre perigo em qualquer colônia, disse o ativista de direitos humanos  Yevhen Zakharov, a este jornal.

"O ex-miliciano não pode ir para uma colônia comum, onde cumprem pena criminosos condenados. Na Colônia Menska, na Província de Chernihov, já citada como provável, também não, pois lá cumprem pena muitas pessoas, devido ao esforço de Lutsenko para acabar com as torturas na prática que havia na milícia. Por enquanto ele ficará na prisão de Kyiv - até o Tribunal de Apelação. Depois não se sabe." concluiu.

Os bens que poderão ser confiscados da família Lutsenko.

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 29.02.2012.

Após o veredicto, que terá efeito somente após a decisão do Tribunal de Recursos, faz-se a descrição dos bens, após o que realiza-se leilão com supervisão do governo.

"Trata-se de carros, móveis, objetos, livros. Podem ser confiscados os bens adquiridos por Lutsenko, mesmo se estiverem no nome da esposa", - explicou o jurista Oleksii Sviatohor.

"Com o imóvel é mais complicado. Existem vários métodos com os quais pode-se rechaçar o confisco", - acrescentou o jurista.

Lutsenko disse que sua propriedade foi declarada ainda em dezembro de 2010. (Então já sabiam que seria condenado??? -OK)

"Tudo o que havia foi declarado: Apartamento de 3 quartos no centro de Kyiv e três carros que pertencem a mim, minha esposa e filho: Mercedes, Lexus e Mitsubichi", - contou Lutsenko.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

sábado, 3 de março de 2012

UM HOMEM PERFEITO ! Uma entrevista fantástica

Hoje pela manhã depois de barbear-me olhei para minha imagem refletida no espelho e perguntei:
- "Espelho, espelho meu. Existe no mundo alguém mais perfeito que eu?"
E o espelho respondeu:
- "SIM!"
Incrédulo, repliquei:
- "Impossível!!! Quem? Onde?"
E o espelho, placidamente, respondeu-me:
- "Yanukovych ! Na Ucrânia".
Pode???

O Cossaco.

Yanukovych garantiu, que tudo está normal e não denunciou "círculo estreito".

Tyzhden (Semana), 25.02.2012
OleksandrMykhylson


Depois de dois anos na presidência Viktor Yanukovych está convicto: ele faz tudo certo. E isto não é pose, mas sua profunda convicção interior. Então assim, o país continuará no mesmo curso.

Conferência de imprensa durante os últimos dias do segundo ano do mandato Yanukovych não realizou. Em vez disso, ele deu uma longa (107 minutos) entrevista a três canais de TV.

O próprio formato da entrevista demonstrou o caminho percorrido pela Ukraina durante esses dois anos. Perante o presidente da República sentaram-se três apresentadores, dois dos quais são cidadãos de outro país e não dominam o idioma ukrainiano. O próprio presidente, condizente, a toda hora passava ao idioma russo (em sua execução ímpar de Donetsk).

Entrevistadores: Savik Shuster, Yevheni Kisyeliof e Adrii Kylykov - de tempo em tempo, com sucesso fingiam supostamente fazer questionamento quase de improviso, e com seriedade esperavam do interlocutor cruciais revelações. Na verdade, em uma esfera - na esfera das demissões e nomeações, que sempre acontecem no Olimpo do poder - Yanukovych nesta entrevista realmente colocou alguns pingos nos diversos "i". Quanto ao que diz respeito à perguntas estratégicas de desenvolvimento do país, na maior parte das vezes precisa adivinhar.

Quadros. Andrii Kliuyev - um verdadeiro desmoronamento. O recém-nomeado secretário do Conselho Nacional de Segurança e Defesa não chefiará o órgão eleitoral do Partido das Regiões nas próximas eleições parlamentares. Com a pergunta de Kisyeliof e Shuster, aos quais este assunto interessava sobremaneira, Yanukovych declarou isso muito claramente. E até acrescentou que, "precisa ainda olhar a Constituição": se não deve Andrii Kliuyev após assumir outro cargo suspender a filiação no partido?

Na verdade "olhar a Constituição" precisa antes da nomeação, e não depois. E, o garantidor da Constituição, após dois anos de trabalho deveria saber. Mas, para o exército de funcionários de Kliuyev a questão importante é outra: notícias de que Kliuyev, no assento no Conselho de Segurança Nacional de Segurança e Defesa construirá "rígida vertical" de apoio ao Partido das Regiões, não foram confirmadas. Sanção imperial não há.

Também não há - por enquanto - prontidão imperial para sacrificar o fiel Azarov (primeiro ministro). Embora haja, constantemente, questionamento sobre este assunto. "Nós discutimos abertamente este tema em círculo estreito - inicialmente sem M. Azarov, depois com M. Azarov... nós não temos "decisões de corredores", - Yanukovych provocou riso no autor dessas linhas. Mas concluiu com seriedade: Nós decidimos que Azarov deve "farejar".

Desse modo, o primeiro-ministro, provavelmente se manterá na função até outono. Afinal a demissão do presidente do gabinete ministerial levará à necessidade de reorganizar todo o governo, e isto é - desnecessária desordem e negociações com os grupos de apoio... Quem precisa disso com aproximação das eleições?

Pena. Três pilares do jornalismo não ousaram indagar ao presidente, quem são aquelas pessoas, com as quais ele "abertamente em círculo restrito" discute o destino do governo. E seria interessante"!

Felizmente, Yanukovych, em caso de necessidade, pode apoiar-se em quadros "jovens". Por exemplo, vice-primeiro-ministro Serhii Tihipko, o qual não teve medo de dizer, olhando nos olhos do presidente: "V. Yanukovych, eu não tenho medo de assumir responsabilidades, eu quero melhorar o nível de proteção social das pessoas!" Absolutamente foi assim porque foi o próprio presidente que contou.

Há rumores de que Tihipko pode encabeçar a lista eleitoral do Partido das Regiões (O partido de Tihipko "Ukraina forte" está em processo de fusão com o Partido das Regiões - OK), com um olho na cadeira do primeiro-ministro após as eleições. Mas aqui, é claro, pouco depende de Yanukovych: como declara o presidente "cumpridor das leis". O primeiro nome da lista eleitoral pode designar apenas o congresso do partido.

Tymoshenko. Como presidente do país, Yanukovych pode influenciar na "condição de aprisionados" não apenas de seus companheiros, mas também de seus oponentes. Sim - sim, ele, certamente, concorda que Tymoshenko, Lutsenko e outros foram julgados por um não muito perfeito Código e não muito europeu Código de Processo Penal. Mas, como agir?! O Código Penal deve ser respeitado, e exigências "políticas" européias de permitir a Tymoshenko e Lutsenko de participar nas eleições, infelizmente cumprir é muito, muito difícil.

"Quem mais de todos sofreu na Ukraina sobre esta questão? Mais que todos é mesmo eu!" - sinceramente queixou-se Yanukovych (bem, na verdade, não estou aprisionado!) Embora, naturalmente, o caminho para libertar Tymoshenko existe. Primeiramente devem concluir-se todas as apelações nos tribunais, "e em seguida pode haver o indulto".

"E se esse procedimento houver - e ele começa com declaração da pessoa condenada apelando ao presidente (Tymoshenko já declarou que não fará isto, nem aceitará perdão de Yanukovych caso ele ofereça. - OK). O presidente tem uma Comissão que estuda estas questões de perdão. E eu estou convencido que somos obrigados pela Constituição considerar esta questãoo e decidir", - esclareceu Yanukovych.

Na verdade o apelo para o perdão automaticamente prevê o reconhecimento da culpa do condenado. E sincero arrependimento. Claro, que após isso, mesmo na Ukrana, onde os eleitores estão acostumados com a irresponsabilidade dos políticos, sobre carreira política da Tymoshenko pode-se esquecer.

Bem - Yúlia Tymoshenko é culpada em tudo sozinha. O presidente disse isto. Verdade, por alguma razão ele tinha em mente não a incriminada questão. "O erro da Tymoshenko foi que ela não defendia-se no plano jurídico. Ela escolheu o caminho da proteção política", - disse Yanukovych.

"Todo político tem o direito de falar. Mas existem leis. E alguém é responsável por isso", - de forma confusa acrescentou ele.

Do que se trata? Talvez Tymoshenko realmente não poderia receber sete anos, se ela tivesse outros advogados? Ou talvez ela foi presa não por abuso de autoridade, mas porque falou durante o processo? Por exemplo, sobre o juiz, e até mesmo, é assustador pensar, sobre o próprio presidente? Realmente, não foi falado pouco.

Mas, certamente, não, não poderia V. Yanukovych ter em mente nada parecido. Provavelmente apenas um deslize ao falar...

Rússia. "Dormir tranquilamente ao lado de um urso não pode". Esta frase dita por Yanukovych sobre a Rússia, tornou-se um sucesso absoluto e imediatamente entrou ao acervo de ouro de aforismos políticos ukrainianos. Mas, na verdade o presidente, durante a entrevista convencia, de que o problema nas relações com a Rússia - somente um. Gás e, mais precisamente, o seu preço.

"O preço justo para nós - é o preço europeu, menos o valor do trânsito para Europa" (Grande parte do gás da Rússia vendido a países europeus transita pelo território ukrainiano - OK) - completamente justo segundo Yanukovych. Pelos seus cálculos, o preço deve ser $240 - $250,não mais". (A Europa paga aproximadamente 300 USD por mil m³, enquanto na Ukraina, em 2011 o preço praticamente dobrou: de 264 USD no início do ano, chegou a 414 USD no final de 2011, preço que está vigorando neste início de ano. Ainda Rússia diz que está dando 100 USD de desconto devido ao acordo de Kharkiv. (O acordo de Kharkiv estabelece que a frota russa tem o direito de permanecer em Sebastopol, território ukrainiano, até o ano de 2042, com possibilidade de prolongamento para mais cinco anos. Como se vê, Yanukovych entregou parte do território ukrainiano para Rússia por nada - OK). Portanto Ukraina nunca, nunca concordará com o atual exorbitante preço. E em março Yanukovych espera resolver essa questão com o "mais provável" vencedor das eleições presidenciais na Rússia.

Mas exatamente que argumentos apresentará Kyiv contra os preços que "não concorda", e que até agora é obrigado pagar?! Infelizmente, Yanukovych não disse sobre isso nenhuma palavra. E os entrevistadores não se mostraram muito interessados.

Em vez disso, o presidente seriamente tentou convencer, que o preço do gás - é absolutamente o único obstáculo para as relações civilizadas entre os dois países. Ele disse: "Removendo este problema, conosco tudo bem. Tudo mais - simples questões". Então, por exemplo, o próprio fato de dependência extraordinária devido aos elevados gastos econômicos com a energia proveniente do gás russo - isso parece não ser problema. Sem mencionar as guerras dos "queijos", "carne" ou "tubulações!, natural competição entre dois países no comércio de grãos ou armas. Finalmente, a política sucessiva do Kremlin como liquidar os restos de subjetividade geopolítica de Kyiv. Todos esses problemas simplesmente não existem.

Futuro: No decorrer da conversa a Yanukovych cuidadosamente insinuaram, que a apropriação da governabilidade pelo Partido das Regiões, nas últimas eleições municipais mesmo nas regiões, onde o Partido, para dizer o mínimo, não tinha popularidade, desperta determinadas suspeitas, Yanukovych discordou categoricamente.

"Permitam-me, temos a liberdade de expressão nesta mesa, não concordar. De maneira alguma não concordo. Porque o senhor ofende meus eleitores. O senhor ofende meus eleitores", - realmente ofendido declarou o presidente. E listou todas vitórias de sua equipe: nas eleições presidenciais de 2004 (não é segredo, que Yanukovych não apenas simplesmente fala sobre isso, mas sempre acreditou realmente), também - nas eleições parlamentares em 2006 e 2007.

No entanto, nas últimas eleições, em que o Partido das Regiões realmente obteve o primeiro lugar, mas não conseguiu formar a maioria (o que obteve comprando deputados, sem princípios, de outros partidos - OK) Yanukovych denomina "sabotagem contra Ukraina". "Essa provocação... acabou que o país, como dizem, acabou com o traseiro nu diante da crise", - ofendido explicou o presidente.

Mas tal situação não vai acontecer. E o presidente "não terá vergonha olhar as pessoas nos olhos".

Nós vamos continuar o trabalho, nunca mudaremos o rumo iniciado. Eu tenho certeza de que esse caminho vai levar ao sucesso", - resumiu Yanukovych.Quanto tempo para isso é necessário, dado o ritmo das reformas dos últimos dois anos - questão das questões. Mas ninguém perguntou. No entanto, ainda no meio da conversa pediram a Yanukovych comentar a possibilidade de mudar a Constituição de modo que ele pudesse pensar no cargo em mais que dois mandatos. Yevheni Kisyeliof até perguntou diretamente: o senhor não inveja Nazarbayev (Cazaquistão), ou mesmo Putin, que tanto tempo se mantêm no poder em seus países?

Não, Yanukovych não inveja, porque "nós temos outras tradições. E, claro, em nenhum caso vai mudar a Constituição para si... Bem, como não acreditar na pessoa que tão alto clamava pela república parlamentar atuando na oposição, e tudo mudou chegando ao poder?

Mas por enquanto isso - são especulações. Enquanto sobre o segundo mandato já é possível falar a sério. "Eu tenho o direito de pensar sobre um segundo mandato, e é real, mas para isso precisa trabalhar bem", - disse o presidente. É como ele disse acima, "todo político tem o direito de falar". Embora, às vezes, "depois alguém deve assumir responsabilidades". Se não tiver sorte.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

quinta-feira, 1 de março de 2012

NOTÍCIAS CULTURAIS


O principal objetivo do Balé Nacional da Ucrânia é pesquisar, reunir e difundir as tradições e costumes da cultura do povo ucraniano a partir do estilo de dança regional e de novas coreografias que captem o espírito do passado e do presente do país. Partindo deste princípio, seu fundador, Pavlo Virsky, criou composições coreográficas de elevado nível artístico que serão apresentadas no Brasil, como Ucrânia minha Ucrânia, Os Marinheiros e divertida dança Kozaka Povzunets.
Ao lado destas danças estão, Dança ucraniana com o tamborim, Montes Cárpatos, Polka da Volinia, Dança Cigana, Hutsulka, Zaporozhti, Hopak (Dança Nacional) entre outras incorporadas pelo diretor Myroslav Vantukh, com grande sucesso em vários países.
Conduzidas pelo renomado músico ucraniano Alexander Cheberko, todas estas coreografias destacam o virtuosismo, agilidade, beleza e humor dos bailarinos do Balé Nacional da Ucrânia. Tudo isso faz do espetáculo de Virsky uma experiência inesquecível, pela riqueza teatral e pela beleza incomparável deste conjunto harmônico e suntuoso.

A turnê do Virsky no Brasil faz parte das comemorações dos 20 Anos das Relações Diplomáticas Brasil-Ucrânia.


Enviado por:

Sergio J. Maciura – Edson L. Wistuba
Dnipró Gold Tour Operator

VIRSKY – Balé Nacional da Ucrânia faz turnê pelo Brasil
Uma das mais tradicionais companhias de dança europeias, o Balé Nacional da Ucrânia – VIRSKY – chega ao país em abril para uma extensa turnê pelo Brasil.
As cores brilhantes, as coreografias de tirar o fôlego, a riqueza e a originalidade de suas apresentações – esse é o mundo de Virsky, carregado de paixão e poesia, com espetáculos vibrantes que emocionam e encantam as plateias do mundo todo com suas cores, sua alegria e energia. Foi essa interação única com a plateia que fez da Virsky – Balé Nacional da Ucrânia, uma das principais companhias de dança da Europa e um dos mais aclamados grupos de danças nacionais do mundo. Batizada com o nome de seu fundador, Pavlo Virsky, a companhia vem se destacando pelo seu virtuosismo e pela magia de seu repertório, acumulado em 75 anos de tradição.
Em abril, a companhia chega ao Brasil para uma extensa turnê com produção da Dell’Arte Soluções Culturais. Eles se apresentarão no Rio de Janeiro (17 e 18 de abril, Teatro João Caetano), Novo Hamburgo (9 de abril, Teatro Feevale), Porto Alegre ( 10 e 11 de abril, Teatro Bourbon Country), Curitiba (13 e 14 de abril, Teatro Guaíra), Belo Horizonte (19 de abril, SESC Paladium), Brasília (26 e 27 de abril, Teatro Nacional), São Paulo (1, 2 e 3 e 4 de maio, Theatro Municipal) e Santos (5 de maio, Teatro Coliseu). Outras datas poderão ainda ser confirmadas para a turnê nacional.
A companhia
Considerado um dos grupos de maior prestígio no mundo, o Balé Nacional da Ucrânia reúne em suas apresentações mais de 50 bailarinos em cena e orquestra ao vivo. Foi criado em junho de 1937 pelos coreógrafos Pavel Virsky e Nicolai Bolotov. Virsky dirigiu a companhia de 1937 a 1975, ano de sua morte, e em sua homenagem, a companhia passou a ter o seu nome – uma prova da contribuição deste artista para a dança.
A partir de 1980, Miroslav Vantoukh assume a direção da companhia. Com ele se reconstruíram as danças criadas por Pavel Virsky, consideradas clássicas dentro da linguagem teatral. Para a crítica, aliás, a dupla Pavel Virsky e Miroslav Vantoukh se destaca entre os grandes criadores do século XX, por seu repertório variado e de tanta riqueza teatral. Entre os exemplos desta obra extensa, estão o burlesco Povzounetz, a beleza incomparável da Dança das Rendilheiras e muitas outras.