quarta-feira, 25 de abril de 2012

TYMOSHENKO: Um caso intricado

Yulia Tymoshenko, partícipe de assassinatos?
Pesquisa Internet

A Procuradoria Geral da Ukraina examina o envolvimento do ex-primeiro-ministro da Ukraina Paulo Lazarenko e Yulia Tymoshenko em dois assassinatos. Trata-se do assassinato do deputado do Parlamento e empresário Yevhen Shcherban, nascido em 1946 e assassinado em 1966. Uma das pessoas mais ricas da Ukraina no início dos anos 90. O assassinato aconteceu no aeroporto de Donetsk, por um grupo de celerados. Na ocasião também morreu fuzilada sua esposa.

Além do assassinato deste político e empresário também examina-se o o assassinato de outro empresário de Donetsk, Mamot, que foi assassinado alguns meses antes do assassinato de Shcherban.

E, nos últimos dias também foi renovado o caso do assassinato de Vadym P. Hetman, financista e político, nascido em 1935 - assassinado em 1998, dentro do elevador no prédio onde residia, em Kyiv. Hetman desenvolveu todo o sistema bancário da Ukraina.

Todos esses assassinatos foram perpetrados pelo chamado "Bando Kushmir", grupo de bandidos da região de Donetsk.

O suspeito da morte de V. Hetman foi aprisionado apenas em 2002. Foi sentenciado à prisão perpétua. Os demais componentes do bando, ou morreram, ou fugiram do país.

O vice-procurador-Geral Renat Kusmin disse: - "Assim que provarmos o envolvimento da Tymoshenko nesses assassinatos, ela será denunciada e a questão será enviada ao tribunal. Se não conseguirmos provar, eu abertamente declararei que não conseguimos provas e a questão ficará liquidada".

CRONOLOGIA DAS NOTÍCIAS


Tyzhden (Semana), 12.08.2011
Na Procuradoria Geral afirmam que pelo assassinato de Shcherban "Yulia pagou".

O vice-Procurador Geral R. Kusmin declarou que na Procuradoria dos EUA, há uma testemunha no caso do ex-primeiro-ministro Pavlo Lazarenko sobre o pagamento pelo assassinato do deputado do Parlamento Ukrainiano Y. Shcherban, através de resursos financeiros de Pavlo Lazarenko e atual líder do Partido "União Ukrainiana Pátria" (Yulia Tymoshenko).

Pavlo Lazarenko, ex-primeiro-ministro, foi julgado nos EUA e está preso lá até dezembro de 2012.

A testemunha baseia-se numa conversa do contratante do assassinato, que teria dito: "Yulia pagará" tendo em vista pagamento pelo homicídio", - disse Kusmin.

Em agosto de 2006 a Corte Distrital dos EUA em São Francisco condenou Lazarenko à prisão de 108 meses e uma multa de 10 milhões de dólares pela lavagem de dinheiro e venda de imóveis no exterior, obtidos por meios ilegais na condução dos assuntos no cargo de primeiro-ministro da Ukraina.

A Procuradoria Geral da Ukraina, na investigação criminal, também acusa Lazarenko na organização do assassinato de Hetman e Shcherban.

O serviço de imprensa da Tymoshenko desmente a participação dela e considera que o vice-procurador sofre de doença psíquica grave.

Tyzhden (Semana), 17.08.2011
Lazarenko afirma que a Procuradoria Geral vilipendia seu nome e que não tem nada a ver com os assassinatos encomendados de Y. Shcherban e V. Hetman, segundo a declaração apresentada por sua advogada Maryna Dolhopola.

Tyzhden (Semana), 04.04.2012
Filho de Shcherban, Ruslan Shcherban, do Partido das Regiões, deu ao procurador geral Pshonka documentos de um possível envolvimento da ex-chefe da empresa "United Energy Systems da Ukraina" Yulia Tymoshenko e ex-primeiro-ministro Pavlo Lazarenko, no assassinato de Yevhen Shcherban. Porém, no julgamento dos assassinos ele não mencionou, entre os envolvidos na morte de seu pai o nome de Yulia Tymoshenko, conforme consta na sentença à "Banda de Kushnir" no Tribunal de Apelação de 2003, a qual está disponível no jornal "Verdade Ukrainiana".

Na Procuradoria Geral afirmam que Ruslan não mudou seu testemunho, apenas acrescentou fatos. E, que a Procuradoria vai examinar todas as provas.

Tyzhden ( Semana), 05.04.2012
A Procuradoria Geral renovou a investigação criminal sobre o assassinato de Yevhen Shcherban, disse na conferência de imprensa o procurador geral Viktor Pshonka.

Tyzhden (Semana), 08.04.2012
O Partido da Y. Tymoshenko quer que o Conselho investigue as circunstâncias da morte de Shcherban e Kushniriov. Para isso inicia uma Comissão Parlamentar de inquérito temporário de investigação da morte de Y. Shcherban e Y. Kushniriov, conforme avisou o presidente da facção Andriy Kozhemiakin.

Yevhen Kushniriov foi um destacado político. Ocupou vários cargos, foi deputado federal, participou da elaboração da Constituição, etc. Como governador de Kharkiv desenvolveu a região colocando-a em destaque.

Durante uma caçada foi ferido gravemente e morreu no dia seguinte. Foi incriminado seu auxiliar Dmytro Zavalnei. Zavalnei foi condenado mas, após um ano e meio consideraram que o acidente teria sido imprevisto e Zavalnei foi libertado. No entanto, os parentes de Kushniriov consideram que Zavalnei agiu intencionalmente. Kushniriov foi único dirigente do Partido das Regiões não pertencente ao clã dos "donetski". Ele representava o assim chamado "grupo de Kharkiv". Inclusive pretenderam, dentro do partido, abrir uma questão criminal, acusando-o de separatismo. Kushniriov não temia verbalizar seus pensamentos.

Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 10.04.2012
Durante o julgamento dos assassinos de Shcherban, seu filho Ruslan não falou nada contra Tymoshenko. No partido da Tymoshenko "Pátria" dizem que não houve participação da Tymoshenko na morte de Shcherban e que o governo quer desacreditar Tymoshenkoo,líder da oposição, diante da sociedade mundial.

Tyzhden (Semana), 06.04.2012
"Do matador de Shcherban "extraem testemunhos contra Tymoshenko", dizem os representantes da "Pátria".

"De funcionários das estruturas de força nós temos informações confiáveis de que o Ministério Público iniciou uma pressão ativa sobre o condenado à prisão perpétua pelo assassinato de Shcherban Vadym Bolotskyi, extraindo dele falsos testemunhos contra Y. Tymoshenko", - disse o serviço de imprensa.

Nós não sabemos o que a Procuradoria Geral promete a Bolotskyi por falsos testemunhos. Mas, de repente, no nono ano de aprisionamento na Colônia nº 60 ele deu uma entrevista na qual expressou a esperança de que seu caso seja revisto", - avisa o Partido "Pátria".

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 07.04.2012
O primeiro vice-presidente do partido "Pátria" (Tymoshenko) Oleksandr Turchenov pensa que os responsáveis pelo assassinato de Shcherban podem ser pessoas do Partido das Regiões.

Em sua entrevista a um canal de TV, ele declarou que o governo "cruzou a fronteira" tentando acusar a ex-ministra. E faz isto para chocar a Europa que defende Tymoshenko e considera-a perseguida politicamente. Segundo a versão dos investigadores, Kushnir, o cabeça da quadrilha, foi assassinado exatamente no SISÓ (cadeia) de Donetsk. No SISÓ de Donetsk mataram a única testemunha desse assassinato", - disse Turchynov.

"Seria importante descobrir os verdadeiros assassinos, isto é, aquelas pessoas que encomendaram o assassinato", - disse Turchenov. "E isto até que seria fácil - basta ver quem se apropriou da propriedade de Shcherban, quem assumiu o controle de seu negócio, sua empresa. E tornar-se-á claro que atualmente estas pessoas ocupam assentos no Parlamento, ou ocupam posições muitos sérias e responsáveis. E, todos os passos, sem sombra de dúvida conduzirão ao Partido das Regiões", - disse Turchynov.

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 06.04.2012
O assassino de Shcherban foi transferido para prisão Lukianivska, em Kyiv, a pedido da Procuradoria (Este, agora, é a galinha dos ovos de ouro e precisa de cuidados especiais. - OK). Bolotskyi foi transferido da Colônia nº 60, de Luhansk, para SISÓ de Kyiv, onde deverá permanecer por um mês.

Como já foi divulgado pelo partido "Pátria", de Bolotskyi, as estruturas de segurança "extraem" falsos testemunhos contra a ex-primeira-ministra Tymoshenko.

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 07.04.2012

Procuradoria Geral tem testemunhas do assassinato de Shcherban, segundo vice-procurador Renat Kusmin. "Estas pessoas diretamente nomeiam Tymoshenko e Lazarenko como contratantes do assassinato de Shcherban". "Além do filho há outras pessoas que confirmam os conflitos de interesses entre Tymoshenko e Shcherban em relação aos contratos de gás, e entre Lazarenko e grupo de empresários de Dnipropetrovsk e região de Donetsk", - acrescentou Kusmin.

Dzerkalo Tyzhnia (Espelho da Semana), 09.04.2012

Tymoshenko espera, que o filho de Shcherban compreenda com que infamia foi aproveitado.

Yulia Tymoshenko rejeita todas as acusações na participação do assassinato de Y. Shcherban e lamenta, que neste "cenário vergonhoso" arrastaram o filho do falecido.

Ela espera que Ruslan Shcherban, que disse ter entregue documentos ao Procurador Geral sobre um possível envolvimento no assassinato de seu pai, do ex-primeiro ministro Lazarenko e Tymoshenko, compreenda "com que infâmia e baixeza foi aproveitado, e não faça mais assim", escreveu Tymoshenko.

"Eu nunca poderei perdoar, que neste cenário vergonhoso envolveram o filho da pessoa falecida. Para ele isso é uma tragédia - não uma razão para uma conferência de imprensa ou comunicado. Expô-lo ao público e obrigá-lo a especular sobre a menória do falecido pai... eu não sei de onde provêm tais monstros, em que cabeças nascem tais planos", - declarou Tymoshenko.

"Isto já é questão de maior competência moral. Aquele que irá avaliar sua vida nesta terra, não vive em "Mezhyhiria", diz no comunicado.

"Poderia ironizar muito mais sobre as tentativas do Procurador Geral amarrar-me ao assassinato de Y. Shcherban. Poderia, sarcasticamente, anunciar o meu envolvimento na morte de Michael Jacson e Whitney Houston. Mas não. Porque tais são as regras da ditadura: ela é engraçada e assustadora ao mesmo tempo. E, cada vez menos pessoas, neste país, riem do novo ditador, porque este riso é através de lágrimas", - escreveu Tymoshenko da Colônia.

A sua ligação com as questões de Shcherban, em suas palavras, - é absurdo.

Absurdo - é um absurdo. Não é objeto de análise, não pode ser contestado ou ridicularizado. Ele está do outro lado da moralidade, da honestidade, humanitarismo, bom senso. Competir contra esse absurdo é uma ocupação ingrata e sem perspectiva, porque isso é outro mundo, ilusão, antimundo", - diz o comunicado.

Tymoshenko acredita, que as pessoas compreendem a quem é vantajosa a questão de Shcherban.

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 09.04.2012

Segundo comunicado do dia 07 do corrente, da advogada Maryna Dolhopola, seu cliente Pavlo Lazarenko, ex-primeiro-ministro da Ukraina declara que não tem nenhuma relação com o assassinato, em 1996, do pai do atual deputado Yevhen Shcherban.

O ex-primeiro-ministro, que cumpre uma sentença nos EUA, está convencido que na Procuradoria "prepararam e forçaram o filho do falecido Yevhen Shcherban, Ruslan , a assinar uma descarada mentira.

Eu nunca conheci e não podia encontrar-me com Shcherban na presença de qualquer um de seus filhos, como disse Ruslan, porquanto de setembro de 1995 a julho de 1997 eu trabalhava como vice-primeiro-ministro, e em seguida como primeiro-ministro. Então, todos os meus movimentos, contatos e compromissos, especialmente fora da capital foram claramente regulamentados" - diz Lazarenko.

Segundo suas palavras, cada deslocamento "constantemente era acompanhado" pelo Serviço de Segurança do Estado e Ministério do Interior. "Encontros com Shcherban, sobre os quais, agora na posição de testemunha começou a reconhecer seu filho Ruslan, nunca houve e não poderia haver, isto é fácil de verificar. Se pode qualquer pessoa séria, em seu perfeito juízo, imaginar uma reunião de negócios do primeiro-ministro de Estado na presença de crianças?" - diz Lazarenko.

"Categoricamente afirmo, que eu nunca tive nenhuma relação de negócios com Shcherban, afirmo - nenhum!", - assegura ele. E ele entende e sabe, quem e com que finalidade obriga Ruslan Shcherban "falar mais que absurdos".

"Apenas não consigo imaginar como o filho permite-se tão descaradamente ridicularizar a memória do pai!?", surpeende-se Lazarenko.

"As desclarações que Ruslan faz hoje, contradizem tudo o que ele disse, pessoalmente no tribunal de Luhansk, em 2002, e especialmente contradiz, o que afirmou seu pai a respeito de sua segurança, pouco antes de sua trágica morte", afirma Lazarenko.

Lazarenko sugere a Ruslan ler a última entrevista, dada em final de outubro de 1996 à jornalista Olga Burda, do jornal Biznes - Donbas (Negócioos - Donbas), "Onde ele nega explicitamente a existência de qualquer conflito com o então chefe do governo e, pelo contrário, fala sobre tentativas de algumas forças em estabelecer um conflito entre os representantes de Donetsk e Dnipropetrovsk.

Ruslan Shcherban deve saber que eu não tenho nenhuma relação com a morte de seu pai. Eu gostaria de chamá-lo e lhe pedir para que seja um homem decente, e não um fantoche nas mãos daqueles que honje, manipulando sua posição filial, tão vergonhosamente e iniquamente o usam e, em seguida jogarão fora", - disse Lazarenko.

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 23.03.2012
A esposa do parceiro de Lazarenko foi jogada no SISÓ (cadeia) para obter testemunho contra Tymoshenko.

Isabella Kyrychenko declarou que a Procuradoria usou-a para chegar a seu marido com finalidade de obter provas contra Tymoshenko.

Isso ela declarou em entrevista à gazeta Kyiv Post, no momento de sua libertação do SISÓ em novembro de 2011.

Kyrychenko é cidadã dos EUA. Ela foi detida em setembro de 2011, quando chegou a Kyiv. Ela veio para vender um apartamento de seu marido, em Kyiv. Seu marido foi sócio de Lazarenko.

Kyrychenko foi questionada por dois meses. Os investigadores queriam obter provas de seu marido sobre a possibilidade de envolvimento de Tymoshenko e Pavlo Lazarenko no assassinato de Shcherban, e outros crimes.

"Desde o início os investigadores perguntavam sobre meu marido. Diziam que ele sabia sobre Tymoshenko e Lazarenko; que ele deveria responder umas 400 ou 600 perguntas. Que meu marido não é estúpido e que viria para me libertar".

Ela foi libertada em novembro devido a problemas de saúde. Seu advogado evitou responder se a sua liberdade foi em troca do testemunho de seu marido. Ele, através de um telefonema de São Francisco também não deu esta informação, mas reconheceu que a prisão da esposa foi para chegar a ele.

Pesquisa e tradução: Oksana Kowaltschuk 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

MOSAICO DE NOTÍCIAS

Notícias da prisão

Lutsenko
Tyzhden (Semana), 03.04.2012

O ex-ministro Yurii Lutsenko, que está preso, declarou à comissão internacional  Freedom House que não pretende sair da Ukraina para tratamento médico. Esta informação a esposa deu aos jornalistas após a visita dos membros da organização.

Os visitantes, alguns conhecidos desde o tempo do Ministério, interessaram-se sobre o motivo do aprisionamento e possíveis soluções. À pergunta, se Lutsenko não pretende fazer tratamento no exteriorr, ele respondeu que não, mas precisa e quer tratamento hospitalar, não na prisão.

O encontro aconteceu no gabinete do chefe da prisão, apesar de que, nos últimos dias Lutsenko foi transferido para nova câmara preparada apressadamente.


Tyzhden (Semana), 06.04.2012

Após exames realizados no hospital, os médicos confirmaram que Lutsenko tem inflamação do pâncreass, graves problemas no fígado, taquicardia.

Lutsenko está internado no hospital, onde recebeu a visita da esposa. Ele está numa enfermaria, segundo esposa, "luxo europeu": cama de última geração, sofá, duas cadeiras, mesa, bancos, vaso com flores, tapete ao lado da cama, TV de plasma, papel de parede, piso laminado, cabine nova com chuveiro. Grades nas janelas.

Guardas apenas no corredor.

Antes da transferência ao hospital, na prisão Lutsenko recebeu a visita do deputado do Parlamento Europeu Pavlo Koval (polonês) e seu assistente Oleksandr Hrombchevskyi.

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 09.04.2012

Médicos confirmaram - Lutsenko tem diabetes.

"Os problemas graves que preocupam os médicos são a hipertensão portal (varizes das veias e esôfago), estágio inicial da cirrose e confirmação de diabetes", - disse a esposa.

Lutsenko está agradecido aos médicos e demais pessoas do hospital, pelo bom tratamento a ele dedicado.

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 12.04.2012

Segundo a esposa, o volume do fígado de Lutsenko aumentou duas vezes em comparação com exames realizados no mês de julho de 2011, constatou a médica que o examinou estes dias. E todo esse tempo Lutsenko não soube do problema, nem recebeu tratamento adequado. Então não houve regeneração de células hepáticas.


Condenado Heorhii Filipchuk

Tyzhden (Semana), 05.04.2012

Ex-ministro da defesa, do governo Tymoshenko, foi condenado a três anos, para privação da liberdade. Ele foi levado à prisão diretamente do tribunal. Anteriormente ao julgamento apenas estava proibido ausentar-se da cidade.

Filipchuk foi condenado por abuso de poder durante o acordo com a empresa jurídica Astapov Lawyers, pela concessão de consultorias durante o conflito em instituições jurídicas internacionais na rescisão do acordo celebrado entre o governo ukrainiano e a companhia Vanco International Ltd., sobre a elaboração da plataforma do Mar Negro.

Segundo Natália Filipchuk seu marido foi condenado porque causou perdas ao Estado, mas que ele apenas executou os pagamentos autorizados pelo Ministério de Finanças, Tesouro, etc., e que o dinheiro foi para o pagamento de serviços prestados pela empresa Astapov Lawyers.

O advogado vai apelar porque considera a decisão absurda. "Nós fornecemos muitas evidências de que as ações de Filipchuk estavam dentro da lei", - disse ele. "Felipchuk executava incumbências do Gabinete de Ministros, particularmente da ex-primeira-ministra Tymoshenko". "Lá havia incumbências da primeira-ministra e do Gabinete de Ministros. Mas todos esses materiais, eles foram investigados pela justiça, mas infelizmente, não tidos em conta", - completou o advogado.


Ivashchenko

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 12.04.2012

A saúde do ex-ministro interino, Valery Ivashchenko deteriorou.

Ivashchenko está indignado com as declarações da Procuradoria pela afirmação de que ele finge estar doente. "Por isso permitiu que eu informasse à sociedade sobre o seu diagnóstico", - disse o advogado.

"Ontém visitei o réu e posso informar que sua saúde se deteriorou. Ele, literalmente, chegou rastejando à sala de entrevistas. Ele foi examinado por duas comissões, uma com participação do principal neurologista de Kyiv. Parece que as conclusões do neurologista não agradaram ao Serviço Penitenciário porque também foi examinado pelo Ministério da Saúde. Penso que mais uma vez dirão que Ivashchenko não necessita de intervenção cirúrgica" - disse o advogado.


Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 13.04.2012
Inna Pukish-Yunko

O ex-ministro da Defesa Ivashchenko foi condenado a cinco anos de prisão (o Ministério Público insistia em seis), com proibição da categoria de funcionário público e três anos de proibição em ocupar cargos de liderança. Tal decisão foi proferida pelo já conhecido juiz do caso Lutsenko, o juiz Vovk.

V. Ivashchenko disse que sua questão foi fabricada. "A Procuradoria Geral transformou os tribunais em trapo, em que ela limpa os pés. - E isto permitem os próprios juízes. Um exemplo claro - o juiz Vovk, que me julgou, permanece no gancho, devido a iniciada contra ele uma questão criminal. Mas em vão ele pensa que cumprindo "encomendas" poderá livrar-se do gancho. Em vez disso, ele garantiu para si, no futuro, responsabilidade criminal por atos ilegais contra mim." - disse Ivashchenko.

Ivashchenko está decidido recorrer ao Tribunal de Apelação, e até ao Tribunal Europeu.

Ivashchenko foi condenado por "abuso de poder ou posição funcional. Ele foi acusado de violação quato a materialização dos bens da embarcação Feodosia.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

sexta-feira, 20 de abril de 2012

SISTEMA PRISIONAL NA UCRÂNIA

Lukianivska Sisó - Penitenciária para os que aguardam julgamento - Kiev

Sisó é o nome dado às penitenciárias destinadas aos suspeitos, que ainda não foram julgados. O jornalista Kostiantyn Usov apresenta um vídeo sobre Lukianivka Sisó de Kyiv, a mesma onde ficou Yulia Tymoshenko antes do julgamento. A mesma onde ainda está Yurii Lutsenko, e os demais presos políticos.

O vídeo, de mais de 40 minutos, Kostiantyn pediu à direção do Sisó para fazer as filmagens. Naturalmente negaram. Então ele trabalhou por mais de seis meses estabelecendo contatos com presos, através de conhecidos comuns e através desses outros novos contatos. É sabido que o telefone é proibido na prisão, também é sabido que todas as câmaras têm pelo menos alguns celulares. Ele trabalhou, noite após noite, telefonando aos presos, ganhando confiança. Procurou ajudá-los. A alguns prestou esclarecimentos sobre seus direitos, a outros apoiou nas audiências. Aos que não tem parentes na cidade levava gêneros alimentícios e cigarros. Levar pacotes é complicado. Precisa entrar na fila de madrugada e alguns produtos não são aceitos. Só de celulares distribuiu mais de 20.

Conseguiu confiança e todos a quem solicitou colaboraram nas filmagens.

No início do video vemos um advogado reclamando porque uma cliente sua já tinha sido declarada inocente e ainda estava detida. No dia seguinte Olena Unhurian sai da prisão para onde entrou grávida,  de uma criança esperada por 10 anos, diz ela. Na cela cheia não havia lugar nem para sentar. Devido à fumaça do cigarro ela começou a passar mal. Acabou perdendo a criança. Ficou presa 121 dias. Mas teve sorte, saiu viva da prisão o que a muitos não é dado. Motivo da prisão? Doação de uma quantia para fins humanitários que foi considerada como suborno.

Outro caso mal esclarecido é do moço de 21 anos, Roman Ruban, que teria levado um choque elétrico. O médico demorou muito porque estava bebendo no corredor. Finalmente, quando chegou bêbado teria aplicado uma injeção não adequada ao caso e Roman morreu imediatamente após esta injeção. O jornalista esperou pelo médico mais de uma semana, mas ele não apareceu na prisão, já fora avisado que havia um jornalista querendo falar com ele. Então o jornalista procurou-o em casa, também sem sucesso. O ex-preso Maksym disse ao jornalista que eram muitas as pessoas prejudicadas pelo tal médico, então alguém o encontraria...

As celas são péssimas. O prédio é antigo e todas as paredes apresentam fungo. As maiores abrigam até 30 - 36 pessoas. O WC é apenas um buraco no chão onde é preciso jogar água, manualmente, para eliminar os dejetos. Os lençois, cobertores e colchões são da penitenciária. Todos com esquisitos cheiros azedos. Nas células maiores geralmente colocam pessoas que tem algumas posses para que elas peçam transferências para as celas menores  com poucas pessoas. Os pedidos são satisfeitos mediante bom pagamento. Tudo é negociado pelos simples atendentes ou por funcionários de postos mais elevados.

Reparem na pessoa com camuflagem na cabeça. Ele é um oficial e vai ao encontro do jornalista que lhe prometeu um telefone novo, no lugar do seu que foi roubado. Vejam como recebe dinheiro e sinaliza que quer continuar o negócio. Após uma boa conversa com o jornalista, as negociações prosseguem.

Quando escurece e os oficiais vão embora, então a vida começa. Através de um sistema de cordas, os prisioneiros fazem trocas. Trocam tudo entre si. Assistem notícias , discutem política. Dormem ao amanhecer, alguns dormem o dia todo. Ninguém dorme no dia do banho semanal. A água é fria, mesmo no inverno, mas todos participam. Fazem sua própria bebida, de maçãs. Conseguem fazer uma bebida bem forte. A comida é criticada por todos. Os que tem parentes na cidade recebem o alimento deles. A análise da água, providenciada pelo jornalista, tem cloro em grande excesso  o que causa doenças, inclusive câncer. O fungo que está em todas as paredes, também foi examinado no laboratório e causa doenças do sistema nervoso, asma, pulmões, órgãos genitais.

Quando há questionamentos sobre as condições na penitenciária, sempre são mostradas câmaras falsas, espaçosas, limpas, bem equipadas.

Na prisão praticam-se tórturas, animalidades, anti-humanismo. E, ali estão pessoas que ainda não foram julgadas! Algumas aguardam pelo julgamento por vários anos. E muitas são inocentes como no caso da mãe grávida Olena Unhurian.


Com a divulgação deste vídeo, correu a notícia de que o jornalista Kostiantyn Usov seria preso. O governo desmente, diz que esta notícia é provocativa. Afirma que serão analisadas todas as transgressões, inclusive a verdadeira causa da morte do moço de 21 anos, Roman (o que é pouco porque esse foi apenas um exemplo citado - OK).

Como é sabido, anteriormente, o presidente do Comitê da Liberdade da Palavra, do Parlamento, Yurii Stets declarou que a Procuradoria de Kyiv estava cogitando abrir um processo criminal contra o jornalista. (Tem eleições parlamentares em outubro, o moço poderá ser "perdoado", mas que não será esquecido, com certeza, não será. - OK).


Tradução: Oksana Kowaltschuk
Video formatação: AOliynik
Fonte: Jornal "Verdade Ucraniana" - http://blogs.pravda.com.ua/authors/usov/4f7b6f67ec61a/ 


sábado, 14 de abril de 2012

TRABALHO INFANTIL: Ficção ou Realidade?

"Mina Nº 8 - documento, mas dizem - falso...
Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 27.03.2012
Oksana Zobro

Filme sobre o trabalho infantil em minas ilegais de Donbass, Ukraina, culparam em falseamento de fatos. (Assistam ao filme no final do artigo)


Minas ilegais, crianças que são forçadas a partir da adolescência ao trabalho até o suor e sangue, para sustentar sua desgraçada família... Alcoolismo, desesperança total quando a totalidade da povoação vive abaixo da linha da pobreza... Para Ukraina esta imagem - não é ficção, mas a realidade. Mas à tal realidade é mais confortável fechar os olhos e fingir que ela não existe, em vez de combatê-la. Tais filmes na Ukraina não é que não produzem mas, como constatou-se, não mostram.

Alguns anos atrás uma equipe da Estônia liderada pela diretora Marianna Kaat, produziu um filme sobre o trabalho infantil em minas ilegais na região de Donetsk. O filme "Mina Nº 8" foi apresentado nos festivais de 30 países do mundo. Mas, na Ukraina foi removido da apresentação no Festival de Cinema Documental em Kiev, sob a alegação de que - "não é documentário e é irreal"...

Os co-produtores ukrainianos não explicaram o motivo da retirada do filme, poucas horas antes da apresentação. Apenas disseram aos estonianos que o direito de exibir ou não o filme na Ukraina era deles.

Em seguida, a co-produtora Elena Fetysov, em nome da "Interfilm" (co-produtora do filme), disse que o filme não pertencia ao gênero de documentários. Para culminância desta história, Volodymyr Trombeta, da "Interfilm", escreveu a Marianna Kaat categoricamente proibindo a apresentação do filme e atacou Marianna Kaat, dizendo que ela tenta, de todos os modos apresentar um filme mentiroso, encenador, com fatos inverídicos e mistificados, que não é um documentário e não tem relação com o tema de direitos humanos... "Se no caso de seu festival tornar-se pirata e infrator de direitoas autorais, ela será responsável perante legislação internacional e da Ukraina...".

Svitlana Smal, presidente do Comitê organizacional, declarou a este jornal, que o filme foi retirado da apresentação e do concurso. Mas, Marianna Kaat pretende mostrar o filme sob sua própria responsabilidade. Ela disse que, quando sair da Ukraina, então aqui ninguém vai proteger o filme, então ela quer que as pessoas possam assisti-lo e tirar suas próprias conclusões. E, segundo Marianna, "Interfilm" tem direito apenas às exibições comerciais, não tem direitos quanto a festivais. Segundo Svitlana Smal o filme é realmente documental. Quando vemos este filme, aquelas minas, onde as crianças descem, nosso cabelo fica em pé. O filme está na Internet, então todos podem avaliar sua veracidade. Os heróis do filme - Yura e Dima, 15 e 17 anos quando da filmagem, hoje - 18 e 20. E eles, e o presidente do Comitê Ukrainiano de Protestos Kostiantyn Ilchenko, que por muitos anos ocupa-se com a proteção dos direitos trabalhistas dos mineradores, confirmaram aos espectadores que no filme não há nenhum quadro falso.

Marianna Kaat ficou muito surpresa com a posição e proibição do lado ukrainiano, que até recentementee considerava como parceiro e acreditava que juntos poderão promover o filme. As ações dos co-produtores ela considera como uma ordem política. "Filmes no contexto da situação política na Ukraina é complicado divulgar", - comenta Kaar. - "Minha meta - mostra individual além do festival, para que as pessoas tirem suas conclusões a respeito do filme. Porque as alegações que eu recebi hoje, são inesperadas para mim, simplesmente ofensivas.

Apóos o que aconteceu, "Mina Nº 8" tornou-se inesquicível na Ukraina. Em compensação a fita da desesperança ukrainiana continuará a ganhar festivais em todo o mundoo. Em abril ela vai participar do programa de competição da International Documentary Film Festival "Millennium" em Bruxelas.

Informação do jornal "Vysokyi Zamok":
"Mina Nº 8" - filme documental da diretora estoniana Marianna Kaat. O filme mostra o adolescente de 15 anos, Yura, e seu amigo Dima da região de Donetsk. Arriscando suas vidas, os meninos extraem carvão em escavações ilegais - nas minas abandonadas, nos parques, em faixas de reflorestamento, nos porões de edifícios abandonados. O avô de Yura antigamente foi um influente funcionário de grande empresa. Seu pai suicidou-se, a mãe tornou-se alcoólatra com novo marido. Fugindo das bebedeiras, Yura pegou suas duas irmãs, e eles se instalaram numa casa abandonada. A história foi filmada na Ukraina em 2008-2010. O filme já foi apresentado em dezenas de festivais internacionais e recebeu prêmios e destaques nos EUA, Estônia, Canadá, Croácia, Rússia e Bielorrússia.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação e vídeo: AOliynik


O filme - MINA N.º 8

quarta-feira, 11 de abril de 2012

ÊXODO NA UCRÂNIA

Os ukrainianos fogem para o exterior!
Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 15.03.2012
Natalia Druzhbliak
Os especialistas temem a possibilidade de, na Ukraina, ficarem apenas os pensionistas, os aposentados e os viciados em álcool.

"Minha fonte é do Ministério do Exterior: durante os últimos seis meses de Ukraina saíram tantas pessoas, quanto nos últimos quatro anos anteriores. Os números exatos estão sob o grifo "secreto", mas a questão foi discutida em alto nível. A reação do presidente foi uma reunião de emergência com as forças de segurança: Procurador Geral, Chefia do Sistema Fiscal, Ministério do Interior e Serviço de Segurança. A ordem foi para impossibilitar a saída de dinheiro para o exterior. "As pessoas podem ir", - escreveu em sua página no Facebook o blogueiro e jornalista Konstantin Usov".

"Em termos de otimização de custos - isto é um super esquema. Algures li, que para que funcionem as empresas exportadoras e os que servem às necessidades pessoais dos oligarcas, - são necessários apenas 500 mil trabalhadores. E mesmo esses, parece que para o nosso governo é mais seguro trazer do exterior. O estrangeiro que trabalha em turnos, não conta com aposentadoria e não pode participar nas votações, é um empregado perfeito", - escreve o jornalista.

Alguns temem que com o tempo poderão fechar as fronteiras. À lista dos que "não podem sair" entram os indesejados do "regime" - de acordo com o cenário da Bielorrússia onde o oposicionista Anatoly Lebedko não deixaram sair, e Oleksandr Dobrovolsky retiraram do trem, quando ele retornava da Lituânia. Há o risco de que na Ukraina permanecerão as "vovozinhas, os aposentados e a força parda de alcoólicos, necessária para trabalhar nas fábricas". "Eles (as autoridades) inicialmente proibirão a saída aos "devedores" (àqueles que devem aos bancos ou Serviço de Habitação, aos que devem pagar a multa de trânsito, em seguida aos "anteriormente condenados" e, finalmente, começarão condenar todos que suspeitarem com a intenção de fugir para longe daqui - sugere um ativo participante da duscussão. - "Nosso" juiz Kireev (o juiz que condenou Tymoshenko - OK) há em cada Tribunal Distrital, e os demais juízes, em quem não tropeçar, - é o juiz Vovk (o que condenou Lutsenko - OK).

De acordo com a Comissão de Estatística Estatal da Ukraina, em 2011 atravessaram a fronteira 19.773.143 ukrainianos. Somente 90 mil em assuntos profissionais. Um milhão e meio como turistas. Os demais (17 milhões) escolheram a variável "viagem particular". Líderes no número de visitas foram: Rússia (a fronteira com Ukraina foi atravessada quase cinco milhões de vezes), Polônia (mais de 5 milhões), Moldávia (mais de dois milhões), Hungria (um milhão e 700 mil) e Bielorrússia (meio milhão). O "abrigo" tradicional dos migrantes - USA - 21,5 mil ukrainianos, Canadá - 5,5 mil, Itália, onde frequentemente vão trabalhar - mais de 130 mil, Portugal - 12,5 mil.

À Ukraina em 2011 entraram 21.415.296 estrangeiros - um milhão e meio mais que saíram. Russos - mais de 9 milhões, moldavos - 4 milhões, bielorrussos - 2,6 milhões, poloneses - 1,7 milhões, israelenses - 1,2 milhões.

Segundo a estatística, Ukraina está entre os dez países do mundo - lideres de migração. De acordo com várias estimativas, para residência permanente, em 20 anos de independência, deixaram Ukraina 6,6 milhões de ukrainianos. Os "espaços vazios" foram preenchidos com 5 milhões. De acordo com o Banco Mundial "Migração e remessas de dinheiro" em 2011, as massas dirigiram-se para: Rússia, Polônia, USA, Cazaquistão, Israel, Alemanha, Moldovia, Itália, Bielorrússia e Espanha. À Ukraina vieram da Rússia, Bielorrússia, Cazaquistão, Uzbequistão, Moldávia, Azerbaijão, Geórgia, Armênia, Tajiquistão e Quirguistão. Em 2010 os migrantes enviaram para Ukraina aproximadamente 5,862 bilhões de dólares. Tal quantia aproxima-se a três parcelas do empréstimo do FMI, ou receitas que os exportadores esperam receber pelos grãos comercializados durante o ano todo! A maior parte é enviada pelos trabalhadores ukrainianos da Rússia 1,429 bilhões. Dos EUA 460,1 milhões, depois Alemanhã 308,3 milhões, Grécia 251,5 milhões, Chipre 249,4 milhões, e outros países europeus. A tendência geral, é que Ukraina recebe 25 vezes mais dinheiro, do que sai do país. Mas, se os trabalhadores ukrainianos no estrangeiro levarem seus familiares não precisarão mais subvencionar a economia pátria. É justamente nisto que os "de cima" não estão interessados.

"No meu curso havia 100 alunos. Mais de 30 foram para o exterior em busca de uma vida melhor, - disse a esta jornalista um dos graduados de uma universidade de Lviv. Alguns fugiram para os EUA aproveitando-se do programa Work & Travel - outros estão a quatro anos "visitando" parentes. Nem o bacharelado conseguiram. O visto estudantes conseguem sem problemas. Os americanos pensam com lógica - se a pessoa pagou pelos estudos por três anos, não há risco. Ela retornará para obter o diploma".

Recentemente Olena Stanko, 67 anos, recebeu o visto para o Canadá. Ela viajará para ver a filha e os netos que não vê a dez anos. Por várias vezes lhe negaram a saída. Sua filha tem cidadania canadense, mas na pátria, até agora, "participa" nas eleições e "paga" pelos serviços comunitários. Quantas dessas "almas mortas" contam-se na Ukraina, não sabe nem o Ministério do Exterior, nem a Comissão de Estatística Estatal, nem a Guarda de Fronteiras...

"O governo informa que as taxas de emprego da população são mais elevadas que as taxas européias. A taxa de desemprego na Ukraina chega a 8%, na zona do Euro - 10,3% - diz um dos principais especialistas do Centro Razumkov Pavlo Rozenko. -Mas esta ocupação não cumpre a tarefa principal - as pessoas não se sentem seguras, não conseguem alimentar a família com seus rendimentos. Grande parte de pessoas que trabalham, são pobres. É por isso que surgem as tendências de migração negativa - os ukrainianos não veem perspectivas, não podem realizar o seu potencial. O mercado de trabalho está aberto. Não existem barreiras para sair, se o empregado é altamente qualificado, instruído, sabe algumas línguas estrangeiras. Exatamente estes saem".

"A maioria quer ir aos EUA, Canadá e outros países de língua inglesa. Fazer isso oficialmente é difícil. Mais fácil é a imigração para UE: Alemanha, Holanda, Dinamarca. Lá funcionam diversos programas que estimulam a afluência de certas especialidades profissionais. Surgiram possibilidades de imigração legal para Polônia e República Checa. Sua juventude parte para o Ocidente, especialmente Grã Bretanha, porque estes países são obrigados a incluir especialistas estrangeiros, especialmente médicos - diz a gerente do Oeste Anastácia Bielova. A nós telefonam muitas pessoas interessadas, mas nem todas tem condições. A emigração é um processo longo e caro. Há necessidade de juntar muitos documentos, traduzi-los, confirmá-los e mais as despesas para a passagem. Com mais frequência as pessoas vão para o trabalho e lá permanecem. 70% de nossos clientes que viajaram para trabalhar, voltam já com o convite. Legalizam aqui os novos vistos e vão novamente. Em seguida recebem autorização para residência permanente. A maioria das pessoas saem da região Oeste e Central da Ukraina.

Enquanto isso...

Neste ano participará da loteria do Green Card um número record de ukrainianos - 853 mil. Mais que nós sonham em ir aos EUA apenas os cidadãos da Nigéria (1,36 milhões) e Gana (854 mil).

Na Páscoa ganham dinheiro no estrangeiro
Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 22.03.2012
Ivan Farion

Os ukrainianos em massa viajam para cuidar os pomares poloneses.

Região Ivano-Frankivsk.
Nas aldeias da Halychyna, durante o último mês e meio diminuiu a quantidade de gente jovem. No final de fevereiro, quando enfraqueceu o frio, eles foram em massa para Polônia, para trabalhar. Até a Páscoa eles esperam trazer para casa algumas centenas de dólares. O total não é muito mas servirá para gastos sazonais emergenciais, compras de Páscoa, sementes, fertilizantes, combustível, que serão necessários para o cultivo de pomares parentais.

Em seu país, conseguir tal dinheiro não há possibilidades...

O casal jovem Myroslava e Sviatoslav vivem numa aldeia do distrito de Rohatensk. Sviatoslav trabalhava numa empresa agrícola local, mas pagar o prometido "milhar com acréscimos" esqueciam por 3-4 meses, até agora não recebeu pelo mês de novembro. A esposa não encontrou trabalho, então empenhou-se em sua própria chacrinha.

Devido a conhecidos receberam convite de um agricultor de Wroclaw (Polônia) - para trabalhos na fazenda frutífera. Apesar de ainda 15° nagativos, viajaram. Visto feito com antecedência custou 100 USD. Passagem para um lado - 50 USD). O motorista privado concordou em receber na volta. Para roupas de trabalho, calçados, comida para viagem, cartão de operador móvel polonês e presente para o "chefe", mais meia centena de "verdes".

O proprietário os recebeu cordialmente. A primavera chegando precisa ter pressa. Nos depósitos de frutas serviço não falta. Portanto encomendou a um conhecido motorista-agente 30 trabalhadores ukrainianos. Instalou-os em seu hotel caseiro de dois andares. Renovado, com aquecimento, chuveiro, TV e acesso gratuito a Internet. Para preparar-lhes comida contratou uma ukrainiana de Lviv, que três vezes por dia preparava os solicitados pratos ukrainianos.

Pelo conforto proporcionado, o proprietário pediu devoção.

Os trabalhadores levantam às 6 horas. Após a refeição matinal as mulheres trabalham com as frutas congeladas desde outono. Separam as prejudicadas e as boas pesam e distribuem em cestinhas de papel. As frutas são despachadas para Minsk, Moscou e até Sibéria.

Os homens, no trator, podam as árvores frutíferas. O patrão diz que não devem apressar-se - o importante é fazer bem feito, com consciência. Quotas não são estabelecidas. As meninas juntam os galhos, que um pequeno trator tritura e espalha e que servirão de adubo. Já as raízes das macieiras aproveitam para aquecer caldeiras, elas proporcionam uma excelente brasa. Nada se perde.

O trabalho nos pomares vai até 18 - 19 horas. Então o comércio local fecha às 20 horas para atender alguma necessidade dos trabalhadores. No comércio entendem bem a língua ukrainiana, alguns até falam.

As relações dos poloneses com trabalhadores ukrainianos são pragmáticas. Bom trabalhador - bom tratamento. Quem passar do horário do almoço, pode ouvir uma "boa palavrinha". Depois do trabalho pode-se brincar ou conversar sobre política, preferencialmente a ukrainiana, ela é mais - "interessante".

Os poloneses pagam de 6 a 8 "zloty" por hora, o que dará até 100 USD por semana. Os ukrainianos procuram não gastar no exterior, economizam em tudo, até comunicam-se pela Internet para não gastar com telefone. Pelas seis semanas o trabalhador trará para casa no máximo, 400 "verdinhas", mas por isso também agradece.

- Se ficasse sentado todo esse tempo em casa - nada conseguiria, - diz Sviatoslav. - E, em acréscimo, aprendi muita coisa útil. Quando voltar à minha aldeia, na véspera dos dias santificados, ainda terei tempo para organizar o meu pomar, o meu canteiro de frutos - produzirá muito melhor.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

sábado, 7 de abril de 2012

GENOCÍDIO - Final

Ou por que os ukrainianos desaparecem em vastas extensões do império russo?
Última Parte

O censo de 1926 confirmou que no Cáucaso, no país do Nordeste, apesar das enormes perdas, viviam ainda mais de 3 milhões de ukrainianos. Com tão grande força cossaca o governo bolchevique, que nos primeiros anos sabiamente manipulava com prenúncios de florescimento de cultura nacional e seu renascimento nos extremos do império, precisava ter consideração. Por isso, no primeiro decênio da existência da União Soviética, de 1922 a 1932, ocorria o renascimento de Kuban.

Entretanto, aqueles que bem conheciam a deslealdade comunista e sua inconsequência, que tinham acesso às diversas decisões de secretas conferências, tinha uma boa noção que esse renascimento era temporário, tinha como meta somente o objetivo propagandistico e foi iniciado com finalidade provocativa.

Ainda na Rússia czarista Kuban, país rico doador de pão, ocupava um dos primeiros lugares no desenvolvimento de ensino e nível de alfabetização da população. Mesmo nos anos da guerra civil (janeiro de 1.920) em Kuban funcionavam 1.600 escolas primárias, 240 escolas superiores iniciais, 151 escolas de ensino médio e 124 escolas profissionais.

A revolução nacional ukrainiana de 1917 contribuiu para que, após adormecido czarismo houvesse renascimento da vida nacional e cultural ukrainiana em Kuban. A situação étnica no país, naquele tempo, favorecia o desenvolvimento e o aprofundamento desse processo. Não obstante a forte pressão de russificação que pesava sobre os "kubantsi", a população das vilas e/ou distritos, bem como das aldeias de Kuban central, no transcorrer do século comunicava-se através do idioma ukrainiano.

Por isso, desde os primeiros dias da queda do império czarista iniciou-se o renascimento da escolaridade ukrainiana, e com auxílio da UNR (Conselho Central Ukrainiano) aqui criaram-se as casas-de-leitura e a publicação de um jornal diário ukrainiano. Deste modo, o processo natural de ukrainização em Kuban iniciou-se ainda com Conselho de Kuban e República Independente de Kuban.

Sua queda e a instalação do regime soviético não conseguiram interromper o renascimento nacional em Kuban. Os bolcheviques, para não provocar uma insurgência e distúrbios em massa nesta região, foram obrigados a uma condescendência temporária. Hoje é difícil de acreditar que em Kuban, até 1932, funcionavam 240 escolas de nível I e II. Funcionava também uma inteira rede de cursos para acabar com o analfabetismo dos adultos, ensino este que se realizava em língua ukrainiana. Ainda em algumas faculdades politécnicas e institutos de medicina havia aulas em língua ukrainiana. Também em língua ukrainiana eram preparados os profissionais em pedagogia e técnicos agrários. A língua ukrainiana era usada nos órgãos da justiça e exército.

A abertura de revista ukrainiana como na Criméia, assim também em Kuban é um assunto complicado e praticamente impossível. O governo apresenta muitos argumentos quando os fracos, privados do apoio governamental, círculos sociais destes países pleiteiam o direito de editar impressos ukrainianos. No final dos anos 20 as necessidades espirituais e culturais assistiam 20 jornais e 5 revistas. Até, junto com o jornal diário do partido "Krasnoie Znamia" (Bandeira ou estandarte vermelho) editava-se um complemento ukrainiano. E VKP(b) - (Comitê do Nordeste do Cáucaso (bolchevique) editava o semanário ukrainiano "Chervonyi prapor" (Bandeira Vermelha).

No país funcionavam três editoras ukrainianas e três teatros com artistas locais. Regularmente transmitiam-se programas radiofônicos. Havia uma bem sólida organização de escritores com mais de 30 poetas e prosadores. Eles preparavam acima de 600 edições, entre artísticas, científicas, publicitárias e literatura escolar. Junto ao VKP(b) - (Comitê do Nordeste de Cáucaso bolchevique) funcionava também a seção de minorias nacionais.

Parecia que o renascimento ukrainiano em Kuban adquiria um caráter irreversível. O censo realizado em 1939 em todo país deveria fixar um extraordinário florescimento ukrainiano nesta região, entretanto "objetiva estatística soviética" atesta coisas assombrosas: o número de ukrainianos em Kuban, como nas demais regiões do império, no espaço de 30 anos, diminuiu catastroficamente. O enigmático desaparecimento de ukrainianos no território russo é uma aula histórica silenciada pelo partido comunista. Durante os 13 anos (de 1926 a 1939) a população ukrainiana em Kuban diminuiu mais de 12 vezes e, em 1939 contava apenas 150 mil (4,7% do geral).

Que bomba étnica explodiu em Kuban, a qual em 10 anos destruiu 3 milhões de ukrainianos? A cortina sobre esse segredo abrem clandestinamente as circulares de Kremlin do "pai das nações", arquivos KDBistas e algumas edições da diáspora ukrainiana, que começaram penetrar na Ukraina.

Todas estas fontes demonstram, de forma convincente, que um sangrento destroçamento do renascimento ukrainiano foi efetivado pelo governo bolchevique em Kuban e outras regiões da Rússia. O morticínio da nação ukrainiana espalhou-se em ondas sanguinárias, impulsionado por Stalin e Beria, intensamente por todo país. E, desde 1933 o total genocídio envolveu também a Ukraina. Os motivos dessa ação sem precedentes, na história da humanidade ainda devem ser exaustivamente estudadas. Entretanto, hoje já é possível afirmar que os celerados de Kremlin reconheciam que os desejos ulteriores pela independência das colônias e seu renascimento nacional ameaçaria a existência de todo sistema totalitário.

A circular de Stalin, sobre a cessação da ukrainização, pelos fantoches bolcheviques na Ukraina foi iniciada, assiduamente, em 1933. Mas, antes desta data os ukrainianos de Kuban já estavam destroçados como testemunha o revelador-mortífero documento, que surpreendentemente preservou-se no arquivo estatal. Citaremos apenas uma decisão.

"1932.12.32. Departamento Geral

Decreto. Presidium. Comitê Executivo Regional-CER.

RESOLUÇÃO do Presidium do Comitê Executivo Regional do Norte do Cáucaso de 26 de dezembro de 1932.

PROTOCOLO N 83 parte 40.

Escutaram: Sobre a Ucrainização.

Decidido: tomando em consideração que a Ucrainização de distritos e aldeias, realizada no Norte do Cáucaso na sua consequência não reflita os interesses culturais da população e serve para a classe inimiga como uma forma legal a organizar suas atividades de resistência ao poder soviético e da criação sob este pretexto de suas organizações contra-revolucionárias, o Presidium do Comitê Executivo Regional

ORDENA:

1. Suspender imediatamente a Ucrainização em todos os distritos e aldeias da região do Cáucaso do Norte.

2. Desde 1 de janeiro de 1933 em todos os órgãos do governo nas aldeias e distritos determinar a língua russa como única.

3. Durante três dias realizar a transferência de todos os jornais ucrainianos em língua russa, bem como panfletos, folhetos, jornais murais, jornal de fábrica e outra literatura, publicados antes em língua ucraniana, no futuro, para futuro
todo publicar em russo.

4. Todos os cursos de trabalho de curto prazo (estaduais, coletivos, educacionais, etc.) executar em russo.

5. Propor as providências necessárias para a Secretaria de Educação para que até outono de 1933 em todas as escolas se dê a transferência de ensino para a língua russa, nas escolas ucrainizadas fortalecer o pessoal de ensino e
apresentar as determinações para a discussão no Presidium do Comitê Executivo.

6. As transmissões de rádio em Ucraniano proibir.

7. Obrigar CER explicar esta decisão às assembléias gerais e forros dos Comitês Soviéticos.

Certo: Secretario protocolar de CER (Assinado)

Chihachev

GAKK, P-1594, OP.1,50,1.614."

Acreditamos que comentar este cínico documento não há necessidade. Conforme as normas internacionais legais, essa ação de larga dimensão não é outra coisa que genocídio contra nação ukrainiana. Os tiranos Stalin e Beria fizeram o máximo possível para que, durante alguns anos, os florescentes distritos e terras cultiváveis de Kuban tornarem-se terrenos abandonados. A testemunha ocular daqueles acontecimentos, Oles Panchenko, que salvou-se emigrando, lembra: " Em 1932 foram liquidados "Chervonyi Prapor" ( Bandeira Vermelha) e "Radianskyi Stanychnyk" (Distrito Soviético). A filial de Krasnodar da editora do governo ukrainiano, com seus subordinados e representantes em Kuban e nordeste de Cáucaso, interrompeu a distribuição da literatura ukrainiana e edições periódicas. Todas as escolas ukrainianas, instituições educacionais e culturais foram liquidadas em Kuban. Nas portas dos clubes das "Natsmen" (minorias nacionais) colocaram fechaduras.

"Em muitos distritos retiravam dos clubes e casas-de-leitura a literatura ukrainiana e a queimavam na rua. Todos os ukrainianos, que desempenharam algum papel nas atividades nacional-culturais em Kuban foram destruídos fisicamente ou deportados para trabalho escravo em campos de concentração, para variados términos". (O. Panchenko em "Destruição do Renascimento Ukrainiano em Kuban". Los Angeles - California, 1973, pág.80). Para prisões foram encaminhados e destruídos quase todos os escritores ukrainianos de Kuban.

Nas câmaras de torturas assassinaram 1.500 professores de escolas ukrainianas. Fisicamente também destruíram os professores de escolas médias e superiores de Kuban e os "kobzari".

Os "kobzari" (eram os criadores, protetores e tansmissores da criação nacional em formato de canções nacionais, dumas [baladas ukrainianas], recitações, cantos religiosos e também histórias e tradições populares, com execução musical própria, num instrumento chamado "kobza", "bandura" ou lira. Daí seu nome: "kobzari", "bandurysty" ou "lirnyky". Seu significado para nação ukrainiana é comparável aos poetas gregos, na antiga Grécia. Com sua criatividade os "kobzari" afirmavam a alma da nação ukrainiana e a base da moral cristã na comunidade. Muitos eram pessoas de certa idade ou cossacos mutilados nas guerras. Quando cegos faziam-se acompanhar por meninos. Sua importância foi muito grande, especialmente antes da alfabetização popular. Nos anos 1930, durante a campanha da Rússia contra o nacionalismo ukrainiano, muitos foram aprisionados e destruídos. - O.K.)

Em 1933 o governo bolchevique desferiu um golpe terrível à população ukrainiana dos distritos, nos quais, violentamente estava sendo introduzida a coletivização. Pelos distritos do Mar Negro rolam ondas de revoltas camponesas, cruelmente sufocadas. O. Panchenko, com base nos depoimentos de testemunhas oculares, afirma:

"Para sufocar estas revoltas os bolcheviques armados, e destacamentos da OGPU (órgão da polícia secreta), cercavam os distritos, não deixando ninguém sair e assim condenavam todos à morte, porque todos os alimentos, inclusive grãos para semear, foram confiscados e retirados. Também o gado. Os cadáveres dos mortos apodreciam porque não havia ninguém para recolhê-los". (O. Panchenko, livro citado, pag.83).

Mas, ao mesmo tempo em que as aldeias ukrainianas e os distritos de Kuban morriam de fome, nos portos da Ukraina, Novorossiysk, Eysk, Tuapse, com o pão saqueado da Ukraina e Kuban carregavam os navios e exportavam para Europa Ocidental e até China.

A coletivização e o "holodomor" (morte pela fome) em Kuban tiraram a vida da metade da população cossaca. Aqueles que sobreviveram ao "holodomor", como gado eram colocados em vagões de carga e enviados "para reeducação" à Sibéria, a Primorsky e ao Extremo Oriente. Os desafortunados distritos foram povoados com os recém-chegados aldeões da Rússia e veteranos do Exército Vermelho. O distrito Popovychiv foi povoado com ciganos.

Os sobreviventes do "holodomor" e repressões, já no Norte do Cáucaso, de acordo com o censo de 1939, tornaram-se "de língua russa". O mesmo caminho que os ukrainianos trilharam em Kuban, percorreram os ukrainianos em quase todas as regiões do império comunista - Volga (área adjacente ao rio Volga), Stavropol, Don, Cazaquistão, Kurschyni, Voronezh, Sibéria, Altai, Extremo Oriente e Primorsky. Lá eles foram contados como russos. Esperemos que os futuros pesquisadores dos paradoxos demográficos e cataclismos étnicos encontrem comprovação documental da indicada anomalia. Porém, a prova mais importante são os dados do último censo (1989) da população, os quais provam, de forma convincente o fato inegável, a existência do genocídio comunista no império contra a nação ukrainiana.

Deste modo, durante 75 anos, na mais cruel história da humanidade, no império comunista, sob o lema do proletariado internacional, amizade de nações, desinteresse de "irmão mais velho" e criação de "nova comunidade histórica - da nação soviética" ocorria total assimilação e russificação de minorias nacionais. O encargo especial de opressão e destruição recaiu no destino da nação ukrainiana. Àqueles que querem contestar ou negar esta verdade, sugerimos que respondam à pergunta: como a grande diáspora ukrainiana na Rússia realiza seus direitos nacionais? Pode-se ter certeza, que para esta pergunta nem os governantes russos, nem os "patriotas" que constantemente choram pelos direitos russos em todos os recantos do antigo império, não darão resposta. Pois estes direitos a população ukrainiana na Rússia perdeu a muito tempo. E, talvez, não sem base, o ex-Presidente ukrainiano, em uma de suas últimas entrevistas, aos meios de informação em massa declarou: "...se nós defendemos os interesses dos russos na Ukraina, então por que nunca e em parte alguma, nem o Supremo Conselho da Federação Russa, nem o Governo russo, não colocou questão sobre a defesa dos interesses dos ukrainianos residentes na Rússia? Eu tenho a minha resposta: porque a democracia russa acaba lá, onde começa Rússia..."

O povo ukrainiano durante vários séculos , talvez até mesmo em detrimento e contrapeso a seus interesses nacionais desenvolveu acordos prioritários para desenvolvimento da cultura russa em seu solo. A independente Ukraina, membro da comunidade mundial, igual em direitos, deve exigir das autoridades da Rússia, e da comunidade mundial, ações adequadas também para população ukrainiana no território da Rússia. Se isto não for feito, então milhões de ukrainianos, que milagrosamente sobreviveram na Rússia, ao longo do interminável genocídio e desvairada assimilação, em pouco tempo desaparecerão do mapa nacional da Rússia, dissolver-se-ão no "ilimitado mar russo", como em épocas anteriores desapareceram sem vestígios dezenas de milhões de nossos conterrâneos, servindo como humus para cultura, ciência e economia russa. Até a solução desse inadiável problema a reciprocidade ukrainiana-russa continuará sem perspectivas em direção a um lado, e as falas dos novos democratas russos sobre "amizade das nações" e internacionalismo - continuação da traiçoeira demagogia comunista.


Tradução: Oksana Kowaltschuk

segunda-feira, 2 de abril de 2012

GENOCÍDIO - Parte 2

Ou por que os ukrainianos desaparecem em vastas extensões do império russo?

Segunda Parte


Os especialistas afirmam, não sem bases, que apenas em 30 anos, de 1929 a 1959 Ukraina perdia 14,6 milhões de pessoas.

De 1979 a 1989 a população ukrainiana aumentou em 2 milhões de pessoas (51,7 milhões). Este é o menor índice em todas as repúblicas soviéticas. É impossível não concordar com Liubomyr Perih, o qual afirma, "que a diminuição da população de raiz da Ukraina, e o aumento de pessoas de outras nacionalidades, pessoas, às quais o solo ukrainiano e sua natureza, lhe são estranhos e conduzem à ruína da moral social, da perda do destino histórico comum, da cultura, construíndo ambiente de rivalidade doentia e até inimizade no terreno social e nacional".

É indispensável mencionar, que os dados mostrados sobre aumento da população, de 1913 a 1989, ainda não caracterizam um verdadeiro quadro demográfico. Acima de tudo eles são evidências daqueles processos doentios ou artificiais, processos de emigração, direcionados para russificação da Ukraina e sua pérfida-pacífica conquista. A massa básica da população (principalmente da Rússia) migrava para Ukraina já no período da União Soviética. Assim, ainda em 1923, na república residiam 3 milhões de russos, em 1939 - 4 milhões, em 1959 já constituíam 7 milhões, e em 1970 - 10 milhões. Hoje já ultrapassam 13 milhões. Somente na Criméia, no transcorrer de 1939-1945 o número de russos cresceu em 1,1 milhão de pessoas.

A migração orientada da população russa para Ukraina cresceu extraordinariamente após Holodomor (morte pela fome - provocada intencionalmente - O.K.) de 1932-1933, no período da tal chamada industrialização, e nas regiões ocidentais - após II Guerra e em 1970- 1980, durante o período da construção da "única nação soviética".

Paralelamente à deportação da população ukrainiana, iniciada no império ainda pelos czares (ela acontecia, presumivelmente, com a deportação para Sibéria e Extremo Oriente, dos rebeldes, dos aldeões para povoar os territórios despovoados da Rússia, cultivo de terras virgens, distribuição de especialistas, industrialização e "grandes construções do comunismo"), nas terras da Ukraina realizava-se desenfreada russificação da nação ukrainiana.

Cruéis mós da russificação na Ukraina absorviam todas as pessoas desde os primeiros dias do nascimento (desde o rótulo com sobrenome, na maternidade) e as acompanhavam pela vida, até o ritual do sepultamento no cemitério.

Na supervisão da russificação e assimilação dos ukrainianos e criação do fenômeno do século XX "população da língua russa", no império trabalhavam poderosas estruturas governamentais, ensino escolar e superior, todos, sem exceção, órgãos governamentais, judiciário, milícia, exército.

Portanto, não surpreende que cada próximo censo identificava diminuição da quantidade dos ukrainianos, os quais consideravam a língua de seus pais como sua.

São estas as tristes realidades na Ukraina atual e nos próximos países fronteiriços.

Qual foi o destino que encontraram nossos conterrâneos que foram parar além da fronteira pátria? Sobre os que a miséria e o terror stalinista jogou para Europa Ocidental, continente americano e até Austrália, nós temos bom conhecimento, principalmente agora, quando a diáspora ocidental tornou-se aberta para nós. Lá, nossos conterrâneos, com seu trabalho, conseguiram respeito de outras nações, criaram boa situação econômica para si, e puderam preservar a língua e desenvolver a cultura ukrainiana. E, o que tem os ukrainianos, que foram parar no hospitaleiro limiar do "irmão maior"?

A estatística testemunha, que após a criação da União Soviética e organização bolchevique das repúblicas soviéticas, os ukrainianos na Federação Russa ocupavam, pela quantidade, o segundo lugar depois dos russos. Em algumas regiões (Kuban, Rostov, Saratov, Stavropolsk e Primorsky) os ukrainianos eram dominantes na população. Por um bom tempo julgava-se que os dados sobre o número de ukrainianos nos territórios da URSS (50 milhões) eram consideravelmente exagerados, uma invenção propagandista de nacionalistas de além-fronteiras. Infelizmente, os dados objetivos quanto à composição da população nacional no império soviético, para os seus cidadãos, eram tão secretos quanto seu conhecimento sobre o próprio potencial de armamento. Mesmo os órgãos demográficos não têm este tipo de literatura.

Recentemente, com a abertura dos arquivos da KDB (Comitê de Segurança do Estado) e do Ministério do Interior, certifica-se que a população ukrainiana na antiga União Soviética ultrapassava 80 milhões de pessoas. (Revista "Novos Dias", dezembro de 1992).

Então, os dados oficiais sobre o número dos ukrainianos na Rússia (4,3 milhões) são pura falsificação. Tentemos provar isso com base no censo realizado na Rússia em 1897, e o último censo na Antiga União Soviética, em 1989. Entre os dois transcorreram 92 anos, sendo que 72 correspondem ao periódo soviético. Prevenimos que não temos possibilidade de analisar os dados estatísticos em todas as regiões da Rússia. Para exemplo forneceremos dados sobre a população ukrainiana somente em algumas províncias e países.

Ainda no início de 1930, de acordo com dados oficiais, eram 6,3 milhões de ukrainianos que moravam na Rússia. Após 50 anos, isto é, no início dos anos 80, a quantidade da população ukrainiana na Federação Russa diminuiu 2 milhões. Este misterioso desaparecimento não é explicado. Os existentes dados estatísticos de diversas regiões da Rússia simplesmente impressionam. Assim, na Província de Stavropolsk em 1897 foram registrados 320 mil ukrainianos (37% do total), e transcorridos 92 anos - somente 69 mil, isto é, 2,4%.

Na Província de Don, no final do século passado havia 720 mil ukrainianos - 28% do total, e na atual Província de Rostov, de acordo com o censo de 1989 ficaram 178,8 mil (4,2%).

Na Província de Kursk, no final do século XIX, os ukrainianos eram 530 mil (23%), e hoje, apenas próximo de 1,7 %. E isto apesar do fato do arbítrio stalinista, no final dos anos 20 anexar à Província de Kursk vários distritos da Ukraina, habitados principalmente por ukrainianos. Mais surpreendente ainda é o quadro da Província de Voronezh. Na Rússia czarista, em 1897 ali se contavam 930 mil ukrainianos (36% do total). Durante a União Soviética apesar da anexação de alguns distritos ukrainianos, a população diminuiu 8 vezes, ficando em 122,6 mil (5%). A impressão é que os ukrainianos, nestas províncias simplesmente morreram.

Durante 92 anos foi reduzida, significativamente, a percentagem da população ukrainiana na Sibéria. Em 1897, nas provínciais Tyumen, Tobolsk e Enisejsk os ukrainianos constituíam 20% da população. Atualmente, segundo dados estatísticos oficiais são 3,3%. Em 1897, em Ussuri, havia 25% e em Amur 20% de ukrainianos. Já em 1989 contavam-se apenas 6,2% em Ussuri e 8,2% em Amur.

É, em grande parte, graças à população ukrainiana que ocorreu, e ainda ocorre o desbravamento e a colonização do Norte e Leste russo. De acordo com os dados de Yakumenko, que estudou o papel dos ukrainianos no povoamento e na colonização da Sibéria e Extremo-Oriente, desde o final do século XIX - início do século XX, em 1917, além dos Urais viviam 748,6 mil ukrainianos.

Graças ao árduo trabalho dos migrantes ukrainianos, já naquela época, nestas regiões foram criadas imensas riquezas materiais. Os ukrainianos desbravaram 500 mil hectares de terras virgens e fundaram alguns milhares de distritos. Os nomes ukrainianos foram preservados até os dias atuais. Os migrantes trouxeram da Ukraina para Sibéria e Extremo Oriente os métodos de trabalhar a terra e iniciaram o cultivo da batatinha, pepino, tomate, beterraba de açúcar e muitas outras culturas. Também introduziram a apicultura, que já antes de 1917 tornou-se produto de exportação. Em consequência do trabalho pesado, privações e pobreza, doenças e clima inóspito, de 1909 a 1913 morreu mais de um terço de indivíduos.

Hoje, são essas regiões que são as principais fornecedoras de nafta, energia elétrica, madeira.

A despeito da excessiva pressão assimilatória, e ausência de condições elementares ao desenvolvimento da cultura nacional, ainda assim os ukrainianos nestas regiões formam numerosos grupos étnicos. De acordo com o censo de 1989, o número de ukrainianos em Yamalo-Nenetskyi, Chukotskyi e arredores autônomos constitui, respectivamente 17,2% e 16,8%, na Província de Magadan - 15,4%, Kamchatka - 9,1%, Yakuti - 7%. Entre o povo Komi - 8,3%. Nos arredores de Taymyr - 8,6%, em Koriatskyi - 7,2%. Em Kaliningrado os ukrainianos são 7,2%, em Murmansk - 9% e mais de 200 mil ukrainianos reside em Moskov.

Na véspera da II Guerra Mundial, no assim chamado Sirei Klyn (Cunha cinzenta), território do atual Cazaquistão e províncias vizinhas da Rússia, Omsk era centro da vida ukrainiana. M. Bondarenko, natural de Poltava - Ukraina, que trabalhava como agrimensor naquelas localidades, confirma: "A cidade de Omsk parece uma cidade moscovita, mas no mercado e na feira conversam em ukrainiano". (Citado por V. Serhiychuk,1991). Não é de estranhar, pois nos arredores de Omsk estabeleceram-se assentamentos cossacos, povoados exclusivamente por ukrainianos.

Os migrantes individuais para Sirei Klyn partiram da Ukraina ainda no final dos anos 80, do século XIX. Logo o caminho trilhado por eles, para Cazaquistão, tornou-se aquela artéria, da qual, no transcorrer do século extraíam-se forças vitais, mãos trabalhadoras e inteligência. Somente de 1891 a 1914 das províncias de Volyn, Katerynoslav, Kyiv, Tavryi, Kharkiv, Kherson e Chernihov, para o desenvolvimento de Sirei Klyn saíram perto de 1,7 milhões de ukrainianos. No início de 1930, em Cazaquistão contavam-se mais de um milhão de ukrainianos. A população ukrainiana vivia de modo compacto. Em 29 distritos viviam de 50 a 100 mil pessoas.

De acordo com o censo de 1926, em KASSR (República Autônoma Socialista Soviética de Carélia) a população ukrainiana constituía 13,2% do total. Em Aktyubynsk - 93 mil, em Kostanaysk - 164, em Petropavlovsk - 184 mil, em Akmolinsk - 110 mil, em Syr Darya – 41 mil, no Ural - 21 mil.

A coletivização criminosa da agricultura estimulava os processos migratórios. Das fazendas coletivas e "rozkurkuliuvania" (o fenômeno da apropriação, pelo governo soviético, dos bens dos aldeões: terra, gado bovino, cavalar e suíno e instrumentos agrícolas, para as fazendas coletivas - O.K.) os camponeses ukrainianos salvavam-se em Cazaquistão, Ásia Central e Sibéria. Milhões de ukrainianos, no transcorrer de dezenas de anos desbravavam terras virgens ou abandonadas de Cazaquistão, Sibéria ou Altai. Então, a larga escala comercial de produtos agrícolas de Cazaquistão iniciaram nossos conterrâneos. Os nomes das gigantes empresas agrícolas, nas antigas pouco habitadas terras virgens de Cazaquistão, significativamente testemunham a prioridade para nossa nação na sua assimilação.

A longínqua região do Extremo Oriente, ou como é designado pela população, "Zelenyi Klyn" (Cunha Verde). Províncias: Primorskyi, Khabarovsk, Kamchatka, Sakhalin, Amur, fundamentavam-se e equipavam-se com a participação da nação ukrainiana.

O povoamento do "Zelenyi Klyn" iniciou o primeiro exilado político da Ukraina - "Hetman" (comandante) Demian Mnohohrishnyi com família. Na segunda metade do século XIX inicia-se a migração em massa de ukrainianos para o Extremo Oriente.

A migração intensiva acontece no início do século XX, Só para Província de Amur, entre 1906-1917 vieram da Ukraina 64 mil pessoas (quase 50% de todos os habitantes). E para Primorsky, no decorrer desses anos veio da Ukraina quase 103 mil pessoas (61% de todos migrantes).

Para distante região estrangeira, da casinha familiar todos eram afugentados pela pobreza e falta de terra. Ainda hoje milhares de localidades em "Zelenyi Klyn" têm nomes ukrainianos. Todas elas foram fundadas pelos nossos conterrâneos, os quais, tanto o governo czarista quanto o comunista, com esperteza fraudulenta, incorporaram ao "povo de língua russa". A colonização e a economia agrícola é fato incontestável. Isso precisam considerar até os pesquisadores do período soviético. Em uma edição do livro "Dalnevostochnyi Krayi", 1932, referia-se: "Migrando de províncias sulinas, os ukrainianos trouxeram seu modo de vida, costumes culturais e idioma, que, independentemente da cruel russificação dirigida pelo governo czarista, preservaram-se em seus fundamentos e, sem dúvida, isso nós dá uma grande possibilidade para realizar uma completa ukrainização dessas províncias e transformar essa terra em realmente terra ukrainiana, não só em condições formais, mas de fato". (citado em V. Serhiichuk, 1991).

Os ukrainianos de "Zelenyi Klyn" passaram por uma vigorosa russificação e orientada assimilação. Mas, tudo isso não erradicou o ânimo à liberdade dos descendentes cossacos. A população ukrainiana do Extremo Oriente participou ativamente dos acontecimentos revolucionários de 1917. Houve uma tentativa desesperada de organizar lá uma República Ukrainiana do Extremo Oriente, a qual foi liquidada em 1922 pelos bolcheviques. O seu Secretariado Geral foi preso e condenado.

O censo da população do Extremo Oriente de 1926 por ordem de Moscou, tanto aqui como em outras regiões, foi falsificado. Segundo dados oficiais havia somente 315 mil ukrainianos. Apesar de que em 1918, segundo os dados das organizações ukrainianas no Extremo Oriente, em "Zelenyi Klyn" viviam 437 mil. Então, segundo todos os dados demográficos, incluindo o crescimento natural da população, a quantidade da população no Extremo Oriente em 1926 deveria constituir 570-600 mil habitantes. Quanto a Primorsky, então a população ukrainiana deveria ultrapassar 50 - 60%.

No período pós-guerra a migração da população ukrainiana para o Extremo Oriente sofreu acréscimo, Para tanto contribuíram fatores objetivos: primeiramente o baixo nível de vida na Ukraina. Interpretando a situação étnica em Kuban nós, conscientemente, concluímos o exame desse tema, porquanto, exatamente nos materiais correspondentes a esta região temos a possibilidade de responder, aonde e porque desaparecem os ukrainianos nas vastas extensões do império russo. O nome desse evidente crime - genocídio. A colonização de Kuban com os cossacos do Zaporizhzha e população ukrainiana - fato incontestável e tema de conversa em separado. Não ousam desmenti-lo nem os mais obstinados chauvinistas - dirigentes principais do Kremlin, educados nos cursos do Comitê Central do PCUS(b)

A migração ukrainiana é representada com um monumento no local do primeiro desembarque em Taman, em 1792.

Em 1992 o mundo civilizado, tanto na Ukraina quanto na Rússia comemorava 200 anos desta notável data. Infelizmente, na Criméia, forças chauvinistas-separatistas, exatamente neste tempo e com ajuda do governo agravavam a antiukrainiana histéria, ocupando-se com a "renascença" de nunca aqui existentes cossacos de Azov-Mar Negro. O acontecimento de importância européia e russa passou desapercebido. É mais que lamentável, porque Kuban - é nossa mais próxima amiga.

Graças aos cossacos do Zaporizhzha em algumas décadas Kuban tornou-se uma das maiores, melhor organizada e abastada região da Rússia. Em 1911-1915 ali havia 450 unidades de produção agrícola. A par com Ukraina, Kuban era uma das maiores regiões fornecedoras de grãos. O alcance quinquenal de produção naquele período foi de: grãos - 3.700.000 toneladas; óleo - 38.000 toneladas; fumo - 33.000 toneladas; hortaliças - 350.000 toneladas. Também, antes da revolução destacava-se a produção de frutas diversas e uvas. A criação de gado superava Ukraina e Rússia.

O governo czarista deu a Kuban certa autonomia. Entretanto a população ukrainiana, na era czarista também era despojada dos direitos nacionais e sofria o pesado jugo da assimilação e russificação.

Depois da revolução de fevereiro de 1917 os cossacos de Kuban assumiram uma luta decidida pelo retorno dos antigos direitos e liberdades. Os sátrapas czaristas muito se esforçaram, mas não conseguiram extrair das almas dos descendentes dos gloriosos cossacos do Zaporizhzha a lembrança da Ukraina e amor à pátria dos antepassados. No curto espaço de sua existência o Conselho de Kuban, e depois República Nacional Independente de Kuban tentou entendimento e estabelecimento de relações com o Conselho Central ukrainiano. Porém o curso dos acontecimentos na Ukraina, e em Kuban desviou esta intenção. Na fornalha da guerra fratricida em Kuban morreram centenas de milhares de cossacos de Kuban, separados ao meio por políticos criminosos, entre bolcheviques e as forças de Denikin.

Continua...

Tradução: Oksana Kowaltschuk