domingo, 17 de março de 2013

RÚSSIA REVIVE O CULTO A STÁLIN

Governo russo revive o culto a Stalin
Tyzhden (Semana), 05,03.2013

Depois de 60 anos da morte de Joseph Stalin na Rússia observa-se o renascimento de sua popularidade. Sobre isso escreve em seu artigo para The Foreign Policy o especialista do centro analítico Carnegie Endowment Masha Lipman.

"Rússia - é o lugar, onde o legado do stalinismo mais sobreviveu. De acordo com a pesquisa para Carnegie, conduzida pelo respeitável Levada - Centro, 42% dos russos consideram Stalin um estadista público que teve maior impacto na história mundial o que é 12% mais que o registrado a Gorbachev no pico da liberalização em 1989.
Ao mesmo tempo o número daqueles que expressam opinião positiva sobre Stalin na pesquisa do Carnegie alcançou 28%. Segundo Hudkov do Levada-Centro, estes números sugerem "impressionante renascimento da popularidade de Stalin na Rússia a partir do final da URSS. Stalin é um herói latente, e esse status é parte da natureza vaga do estado russo pós-comunista e sua identidade nacional" - escreve Lipman.
"Rússia não tem reconhecimento nacional sobre a origem do novo, pós-soviético estado, nem consenso sobre a percepção de seu passado comunista. O discurso oficial sobre Stalin é impreciso, e a opinião pública é ambígua e hostil. Quase metade dos questionados concorda com afirmação que "Stalin era um líder sábio, que alcançou o poder e a prosperidade da União Soviética". Mas, mais da metade observa, que as ações repressivas de Stalin constituem "crime político, o qual não pode ser justificado". E aproximadamente dois terços concordam que, "por todas as faltas e erros de Stalin, o mais importante - é que, sob sua liderança o povo soviético tornou-se vencedor da Grande Guerra Patrótica.

Durante 60 anos da morte de Stalin a União soviética, e depois a Rússia pós-comunista passaram por duas e meia fases da desestalinização. Mas, apesar de sua imagem não estar no espaço físico russo, a presença de Stalin pode ser facilmente sentida no sistema político russo e nas relações entre o Estado e sociedade", - diz o especialista.

Quando Vladimir Putin tornou-se o sucessor de Yeltsin, ele colocou fim à instablidade política e construiu um regime inspirado na versão soviética de modelo tradicional da Rússia: governo de estado centralizado, que em grande parte depende de forças de segurança internas. De aspecto sovietizado de Putin sobre Estado forte e pessoas infortunadas arrasta-se o retorno simbólico de Stalin. Pois era no governo de Stalin que Rússia, em sua forma soviética, era mais poderosa.

O próprio Serviço Federal de Segurança nunca negou sua herança soviética. Sua sede até hoje localiza-se em Lubyanka, em cujas mal-afamadas instalações sofreram torturas muitas vítimas do stalinismo. No sistema protecional, não oficial russo, a influência política da agência não tem análoga. Ao longo de sua permanência no governo, Putin apoiava-se no Serviço Federal de Segurança para efetuar muitas indicações no governo e fazia os funcionários deste Serviço responsáveis pela rentabilidade de negócios", - acrescenta o analista.

O "retorno" de Stalin nas repúblicas da antiga União Soviética

Tyzhden (Semana), 05.03.2013
Viktória Matola

Nas ex-repúblicas soviéticas, à figura do ditador Joseph Stalin, 60 anos após a sua morte posicionam-se com ambiguidade. Em particular, na Rússia verifica-se um renascimento de sua popularidade. Atitudes diversas verificam-se entre os moradores da Ukraina, Armênia e Azerbaijão.
O posicionamento favorável a Stalin reflete-se, sobretudo, nos resultados de pesquisas de opinião pública. Assim, de acordo com uma pesquisa do Instituto Internacional de Sociologia de Kyiv, realizado em fevereiro de 2013, na Ukraina mais de um terço da população ukrainiana (37%) têm relação negativa em relação a sua figura, positivamente - 22%, não importa - 28%.
Na Geórgia, nível alarmante, manifestaram atitude positiva 45%.
Na Armênia para 55% Stalin foi um "líder sábio" e para 44% no Azerbaijão.
No Azerbaijão 22% não sabem quem foi Stalin e apenas 8% na Armênia. Ainda na Armênia 25% são indiferentes, outros 25% o admiram, respeitam ou aprovam e 35% têm sentimentos negativos em relação a Stalin.
Na Ukraina, a maior ressonância teve o incidente que ocorreu em 28.12.2010, quando um grupo de desconhecidos decapitou o monumento a Stalin no território do comitê regional do Partido Comunista no Zaporizhzhi. Durante o inquérito foram presos 9 membros da Associação "Tryzub", em nome de Stepan Bandera. Eles foram aprisionados para 2 ou 3 anos, e obrigados a indenizar os danos ao Partido Comunista aproximadamente em 110.000 UAH ( I UAH = 0,1229USD), Em novembro de 2011 o monumento foi reinaugurado após a reconstrução, mas já em dezembro um grupo de jornalistas locais colocou um cartaz representando Hitler, com a legenda: "Em que sou pior que Stalin? Construam um monumento também para mim!", e também: "Privaremos a cidade da vergonha!"

Posteriormente apareceu outro cartaz com a foto de Stalin, dizendo: "Eu matei milhões de Ukrainianos! E por que lhe construirão um monumento?"
 
         
Na Criméia (Ukraina) os ativistas do "medgelis" (palavra de origem árabe e significa "lugar de reuniões" - análogo ao parlamento - OK) do povo local, de origem tártara, no ano passado quebraram os mostruários dedicados ao aniversário de Stalin, no centro de Simferopol.
         


Vários escandalos surgem em conexão com a venda de cadernos com a foto de Stalin. No final de 2011 a mídia denunciou uma loja de Ternopil (Ukraina), de materiais escolares e de escritório, que expôs cadernos escolares com imagens de Stalin, Lenin, Fidel Castro e Mao Tse Tung. Com a solicitação do Conselho Municipal eles foram retirados.
Em abril de 2012 os cadernos com imagem de Stalin, da série "Grandes nomes da Rússia" apareceram nas lojas de Moscou. Os membros da Câmara Pública condenaram a popularização de Stalin, mas os cadernos não foram retirados.

Em agosto de 2012, em Kyiv (Ukraina), uma livraria também vendia cadernos com imagem de Stalin e Lenin. No Ministério de Educação explicaram que estes cadernos não foram certificados pelo órgão. E no aeroporto de Boryspil (próximo de Kyiv), vendiam o boneco de Stalin, de fabricação ukrainiana.
        

Em Kharkiv (Ukraina), no dia do Defensor da Pátria, cerca de 200 pessoas marcharam com retrato de Stalin.
   

Em Sevastopol (Ukraina), no ano passado, colocaram uma enorme placa com imagem de Stalin que cumprimenta os munícipes com o Dia da Vitória.
         

Também em Sevastopol, circulava o "Ônibus da Vitória, com retrato de Stalin.
        

Na Georgia, neste ano, na vila Akura os desconhecidos derrubaram do pedestal o busto de Stalin e cobriram com tinta. Aconteceu o mesmo com o recentemente renovado busto de Stalin em Zemo Alvani.
Observe-se que na Geórgia, em Gori, cidade natal de Stalin, o conselho da cidade recentemente decidiu renovar a sua estátua, que foi retirada da rua principal por ordem do presidente Saakashvili, há três anos. Há algumas semanas o conselho da cidade alocou fundos para restaurar este monumento. Como muitos apontam, esta decisão foi claramente influenciada pelas mudanças políticas em Tbilisi. Nas eleições parlamentares realizadas no ano passado, os simpatizantes de Mikhail Saakashvili perderam para o partido "Sonho Georgiano", que procura restabelecer as relações com a Rússia. O novo prefeito de Gori David Razuadze, que é membro desse partido, declara que a estátua de Stalin será recolocada até o verão.
Na Bielorússia, o presidente Aleksandr Lukashenka pediu para não demonizar Lenin e Stalin e declarou: "Eu estou muito atrás de Vladimir Ilich e Josef Stalin. Para chegar até eles preciso andar e andar. Ante eles havia imensas tarefas!... Lenin criou o Estado, Stalin o reforçou" - disse Lukashenka.
Em compensação, em Uzbequistão, ainda em abril de 2011, por ordem do governo desmontaram o último busto de Stalin. O monumento, por meio século esteve no pátio da residente da aldeia Sailyk Lazokat Normirzaevoia.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: A.Oliynik

quinta-feira, 14 de março de 2013

HOLOKOST: O Inferno na Terra - 1ª Parte

LEMBREMOS DE VINNYTSIA - 1ª Parte

Antin Drahan

Iniciamos a tradução deste pequeno livro que é o relato dos acontecimentos em Vinnytsia - Ukraina. Situações semelhantes aconteceram em todo o território ukrainiano. As pessoas, presas sem motivo eram executadas sob a alegação de serem "inimigos da nação".

Lembremos de Vinnytsia, do jornalista e escritor ukrainiano Antin Drahan. Antin Drahan nasceu na Ukraina, em 1913. Estudou jornalismo. Pertenceu a OUN (Organização de Nacionalistas Ukrainianos). Perseguido, foi preso por dois anos. Posteriormente na Alemanha, durante a II Guerra Mundial escrevia e editava jornais ukrainianos, para os ukrainianos que foram levados pelos nazistas para trabalhos forçados.
Esteve na Ukraina em 1943, durante os acontecimentos descritos no livro. Ilegalmente entrou na França em outubro de 1943 e foi preso, permanecendo sob a guarda da Cruz Vermelha. Como já era correspondente (anônimo) do jornal "Svoboda" (Liberdade), editado nos EUA, conseguiu com o redator do jornal os documentos necessários e pôde emigrar, legalmente, para os EUA. Antin Drahan faleceu nos EUA, com 73 anos de idade, em 1986.
(Pesquisa Internet)

"HOLOKOST" ESQUECIDO

Nossa nação ukrainiana na terra natal mas ainda não soberana (Este livro foi escrito antes da independência da Ukraina mas, será que agora com o governo pró-Rússia, podemos considerar a nação ukrainiana soberana? - OK), e na diáspora em várias localidades de diversos países do mundo livre, principalmente grandes comunidades ukrainianas nos Estados Unidos e Canadá, preparam-se com afinco para a comemoração do magno acontecimento histórico de nossa pátria: o milênio da aceitação formal do Cristianismo, que acontecerá no ano de 1988.

Em 1988 completará 50 anos a extraordinária ocorrência denominada pela nação ukrainiana "inferno na Terra". Nos anos 1937-39, os representantes do poder soviético na Ukraina ocupada por Moscou, efetuaram, em tempos de paz, uma inacreditável ação terrorista contra a nação ukrainiana, cujas vítimas foram dezenas de milhares de homens e mulheres que "pecaram" porque possuíam em casa uma cruz, um missal, ou reconheciam conscientemente Cristo. Estas pessoas foram barbarizadas, mortas e enterradas em sepulturas comuns, mascaradas.

Este perverso extermínio da nação, chamado "holokost", foi perpetuado contra a nação ukrainiana, subjugada pelo regime de ocupação moscovita e, casualmente tornado público cinco anos após, em 1943, quando da ocupação de outros exterminadores da nação ukrainiana, os nazistas alemães, na cidadezinha chamada Vinnytsia.

Muita água correu no rio Buh, às margens do qual está Vinnytsia. Muitos crimes do regime comunista foram revelados e anotados historicamente naqueles tempos. Alguns crimes de extermínio, perpetuados contra as nações no tempo de Stalin foram divulgados por seus sucessores. Mas, é em vão procurar documentos soviéticos, uma mínima anotação sobre "holokost" em Vinnytsia. Pelo contrário, lá se faz o possível e o impossível, usa-se todo tipo de artimanhas e mentiras para abafar este assunto, revelado a mais de 50 anos. E, até obtem-se bastante êxito porque muitos dos atuais habitantes da Ukraina com os quais conversamos, e alguns turistas, desconhecem o ocorrido.

No mundo livre também não houve divulgação suficiente nesse sentido. Esse assunto tornou-se evidente por ocasião das comemorações de 40 anos do término da Segunda Guerra Mundial na Alemanha, com a controversa presença do presidente dos EUA, Ronald Reagan, e que notabilizou-se por um dos maiores e mais corajosos debates do alcance mundial. Nesta ocasião chegou-se ao consenso que crimes de extermínio de nações jamais deverão ser esquecidos.

Mas - se esquecem. E mais, pode-se dizer - nas respectivas conjunturass políticas. Esta advertência veio do Sr. Eric Margolis no jornal "Toronto San" de 28.04.85, de Toronto, Canadá. Diz ele em seu artigo "A União Soviética é muito mais perigosa que o falecido nazismo. "A televisão, os livros, os filmes e jornais diariamente lembram o perigo nazista, mas nada falam sobre o perigo soviético. Os atuais governantes de Kremlin são politicamente, legalmente e moralmente descendentes diretos de J. Stalin. Não esqueçamos que a URSS, oficialmente nunca renunciou aos atos de Stalin. O sistema e fundamentos morais que possibilitaram o desenfreado terror stalinista sobrevive com força na Rússia atual. As almas de 27 milhões de ukrainianos, russos, lituanos, letonianos, estonianos, judeus, tártaros, muçulmanos, ainda permanecem sobre a União Soviética. Elas nunca acharam paz devido ao não arrependimento do governo como aconteceu na Alemanha. No entanto, nós os esquecemos..."

O caso de Vinnytsia em geral é muito pouco conhecido e pouco falado também no Ocidente. Por este motivo, o autor deste relato, que teve a oportunidadee de passar alguns dias em Vinnytsia durante as escavações das muitas sepulturas, em junho de 1943, extraiu para este livrinho alguns dados de suas reportagens anteriores, referentes a este tema. "Abriu-se a terra e apareceu o inferno" foi publicado no Almanaque da UNS - 1972, USA. Foram acrescentados dados oficiais e de outras publicações, baseando-se em dados fundamentais sobre o crime de extermínio da nação em Vinnytsia. Isto foi feito com esperança de que este fato, e outros dessa natureza "nunca sejam esquecidos".

VINNYTSIA - SÍMBOLO

Na linda localidade ukrainiana da região do "Podilia" (relêvo de pouca altitude), às margens do rio Buh, localiza-se a cidade de Vinnytsia, na administração soviética centro da província do mesmo nome. A cidade e seus arredores praticamente se "afogam" em pomares. No início da II Guerra Mundial - de acordo com a estatística soviética - contava, aproximadamente, 100 mil habitantes, dos quais 41% eram ukrainianos, 38% judeus, 14% russos e 4% poloneses.

De acordo com os dados soviéticos, Ukraina sovietizada possuía, em 1929, 31.194.976 hab. Essa mesma estatística apresenta em 1939, isto é, dez anos mais tarde, dentro dos mesmos limites, apenas 28.070.404 hab., sendo 3.124.572 menos. Levando em consideração que o aumento da população ukrainiana é bastante elevado e, naquela época situava-se entre 17.7 a 24.5 por mil, então em dez anos, antes da II Grande Guerra a Ukraina perdeu 10 milhões de pessoas. Aonde foram parar e o que aconteceu com elas? Uma parte formou as montanhas de cadáveres inchados que caíram vítimas da fome organizada por Moscou nos anos 1932-1933, e em seguida não menos pavorosos acontecimentos como o encontrado nas sepulturas coletivas em Vinnytsia e outras cidades ukrainianas, durante a II Guerra Mundial, e ainda nos dias atuais. Estas pessoas foram encontradas com as mãos amarradas nas costas e crânios perfurados com balas bolcheviques, em sepulturas coletivas. Somente em Vinnytsia havia quase 100 mil. Vinnytsia tornou-se símbolo dos supliciados e executados.

NO VALE DE LÁGRIMAS E DOR, RUÍNAS E MORTE

Era uma linda manhã de 16 de julho de 1943. O sol, qual bola de fogo surgiu no horizonte e com seus cálidos raios iluminou a terra na qual a já bom tempo não havia nem luz nem calor. A luz e o calor do sol, e a exuberante natureza, contrastavam com a aglomeração andrajosa e faminta de criaturas, que com pequenos fardos nas mãos, esperava na estação de trem em Koziaten. Eram, principalmente mulheres e homens de idade avançada. De tempo em tempo um ou outro tirava do fardo uma fatia de pão de alpiste e aveia, ou de restos de centeio e, cuidadosamente, quase com devoção, o colocava na boca. E, nos lixeiros cavavam sujas, maltrapilhas e famintas crianças, que colocavam na boca qualquer coisa e a cuspiam assim que constatavam não se tratar de resto de maçã ou casca de pão. Entre esses viajantes desamparados encontrava-se o apático ferroviário local não prestando nenhuma atenção em ninguém.

Estes personagens encontravam-se em apenas um canto da estação. A estação toda estava inundada de uniformes cinzentos, cinzento-verdes, marrons e pretos. São os novos conquistadores.

Pelos uniformes podia-se adivinhar o sentimento expresso em suas faces. Os de preto e marrom - barrigudos, presunçosos, confiantes e cruéis. Os de cinzento - na maioria também cinzentos. Seu entusiasmo guerreiro também acabou e evaporou quando pisaram nesta terra. Agora são empurrados para o conhecido e o desconhecido, e eles, soldados comuns do Reich de Hitler vão aonde os de preto e marrom lhes ordenam. Como eco de suas sensações um desses Fritz registrou: "Tudo vem, tudo passa, já estou dois anos na Rússia e não entendo nada". Entre esses cinzentos, como entre os viajantes andrajosos civis, permeiam, com baionetas erguidas, e capacetes, os guardas do exército.

De repentee, ao longe ecoou o trem e os de capacete imediatamente se colocaram junto às portas. Na estação adentrou um trem de carga com vagões fechados. Entre os vagões alguns daqueles capacetes com baionetas erguidas. É o novo transporte para a escravidão do Reich. O trem passou vagarosamente pela estação mas não parou. E aqueles com fardos, nos cantos, secavam as lágrimas e se benziam.

Depois de algum tempo outro trem adentrou na estação e parou. Na frente da locomotiva um vagão de carga aberto, forrado com sacos de areia e sobre os sacos uma metralhadora preparada para disparar. Tal petrecho é contra os guerrilheiros - os "partyzane" (Partyzan, do italiano partigiano - partidário de um determinado grupo social, partido. Pessoas não pertencentes ao exército regular. Durante a ocupação nazista, na Ukraina havia grupos de "partyzane" tanto russos quanto ukrainianos, que lutavam contra o domínio alemão. - OK). Atrás da locomotiva alguns vagões de carga fechados e 2 - 3 de passageiros, mas estes não são para as pessoas, somente para os alemães - como avisam as inscrições. Para as pessoas, no final 2 - 3 vagões de carga. As pessoas comentam: "Onde devem ir os porcos, agora vão pessoas, e onde devem ir pessoas, agora vão os porcos".

O trem vai para Vinnytsia. As pessoas com fardos, ajudando-se mutuamente sobem para os vagões de carga. Cada um com seu fardo acomoda-se como pode. Ouvem-se suspiros pesarosos e mãos famintas enxugam uma lágrima.

Viajando neste trem o pensamento não consegue desviar-se das inúmeras belezas e riquezas desta terra, da penúria e infelicidade de seus autóctenes! Vagarosamente o trem atravessava as aldeias, parada após parada. Em todos os lugares, até aonde a vista alcançava estendiam-se imensuráveis campos de terras produtivas e, às vezes matas verde-azuladas. Entre os campos, como que afogadas entre pomares, avistavam-se as aldeias. E, novamente o contraste - entre a riqueza da terra e sua natureza, a miséria da população. Por entre as árvores avistavam-se as choças em ruínas, sem cerca ou qualquer outra proteção. Também não se avistava nenhum instrumento agrícola, tão comum anteriormente nos quintais. Muito menos algum animal. Se algum ainda restava, agora passou para os cuidados dos sócios dos alemães, os hungáros.

Em cada aldeia, atrás do trem, corriam bandos de crianças maltrapilhas e descalças, e com mãos estendidas pediam: "Senhor, senhor, dê-me pão!

Ao longo da linha de trem, de ambos os lados, os alemães mandaram cortar, numa extensão de 100 metros, todas as árvores para que os guerrilheiros não tivessem esconderijo. Em todas as curvas havia guardas do exército alemão abrigados em pequenas casamatas. Sinais de guerra estavam visíveis a cada passo.

NA CIDADE DO MEDO E MORTE

Ainda antes do meio dia o trem parou na estação de Vinnytsia. As pessoas com fardos saíram dos vagões e subiram pelo largo bulevar Kochubenskoho, cuja ponte de madeira sobre o rio Buh encontrava-se fortemente guarnecida pelo exército. Seguiram pela Avenida Ukrainiana em silêncio. Ninguém conversava, ninguém olhava os arredores. Evidenciava-se que além dos fardos um peso muito maior oprimia-lhes a alma. Na continuação da Avenida Ukrainiana inicia-se a rodovia de Liten e para lá dirigem seus passos estas sombras vivas.

Próximo à rodovia, em três locais: em assim chamado "Parque da Cultura e Repouso do lado direito, no velho cemitério na margem oposta e no pomar de árvores frutíferas a certa distância abriram sepulturas coletivas e delas retiraram cadáveres já putrefatos de pessoas, de mãos amarradas nas costas com arames e barbantes, e com cavidades de balas nas nucas. São centenas de milhares. Novas sepulturas, novos cadáveres surgem. Cheiro fétido, cadáverico, quase insuportável espalhava-se e parecia abraçar a cidade, e toda Ukraina.

Com a notícia da abertura das sepulturas, de várias localidades, principalmente do "Podilia", afluem os desamparados à procura de alguma notícia sobre os aprisionados pela NKVD (Comissariado de Assuntos do Interior - Precursora da KGB), antes da guerra. Procuram por seus familiares - pais, irmãos, mães, irmãs, filhas e filhos. Aproximando-se destes lugares de medo e morte, eles arrancavam um pouco de capim na beira da estrada e o seguravam junto ao nariz. Alguns choravam antes de se aproximarem. Outros sentavam nas trincheiras, não sabendo o que fazer - continuar ou voltar. Se houve no mundo um retrato de miséria e desespero, então é este aqui.

Provavelmente tremiam os braços e as pernas a quem se aproximava das sepulturas. Sim, já é o lugar do horror. Aproximam-se do primeiro monte de cadáveres e, de repente, uma mulher idosa distanciou-se do grupo, arremessou seu fardo e com o grito de ave abatida caiu sobre o primeiro cadáver. O cadáver abriu-se sob seus braços. As pessoas ergueram a velhinha e a colocaram desmaiada na relva. Quando voltou a si, contou: Ela procedia da distante Chernihov e durante três noites seguidas sonhou com seu filho aprisionado em 1937, o qual, no sonho, lhe pedia que fosse a Vinnytsia e perguntasse por ele. Ela viajou durante uma semana. Aqui estava. O cadáver de seu filho reconheceu pela roupa e braço esquerdo amputado.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Chegando em Vinnytsia entrei na redação de "Notícias de Vinnytsia" e travei conhecimento com o redator Apolônio Trembovetskyi, já falecido, o qual, tempos depois, encontrei nos Estados Unidos. Em sua companhia e mais dois antigos amigos, que serviam de intérpretes durante a abertura das sepulturas, por vários dias visitei estes lugares, observava-os,conversava com as pessoas e ouvia seu pranto.

Com base nas informações obtidas e anotadas e, principalmente com base na posterior publicação de documentos, foi possível estabeler tais fatos:
De 24.06 a 26.08.43, em Vinnytsia abriram em três localidades 91 sepulturas coletivas e retiraram delas 9.432 cadáveres, incluindo 196 mulheres. Com base nas marcas no corpo, nas roupas e nos documentos, foi possível identificar 679 cadáveres, sendo que 490 eram ukrainianos, 28 poloneses e 161 de nacionalidade não estabelecida, entre os quais alguns judeus e russos. Profissionalmente foram identificados 225 trabalhadores de fazendas coletivas, 54 pertencentes às fazendas coletivas, 119 trabalhadores, 92 funcionários e 183 do chamado labor inteligente. Os cadáveres não identificados, como demonstravam suas vestes, seriam aldeões e trabalhadores.

Pelo comando da abertura das sepulturas respondia uma comissão juridico=médica, composta de alemães, o ukrainiano Dr. Doroshenko de Vinnytsia, um russo Dr. Malinina, professor da Universidade de Krasnodar. Durante as escavações, investigação e identificação de cadáveres auxiliava a população local. Todos os sítios escavados foram observados e avaliados pela comissão juridíco-médica internacional de países satélites alemães e neutros. Entraram nesta comissão: Dr. Zenon - Bélgica, Dr. Mykhailov - Bulgaria, Dr. Pezonen - Finlândia, Dr. Diuvuar - França, Dr. Katsaniga - Itália, Dr. Jurak - Croácia, Dr. Porten - Holanda, Dr. Birkle -Romênia, Dr. Khekhevict - Suécia, Dr. Kresek - Eslováquia, Dr. Orsoz - Hungria. A escavação e a retirada dos cadáveres foi realizada pelos prisioneiros dos cárceres locais.

O fato de que as escavações e investigações ocorreram sob a ocupação da Ukraina por não menos cruéis e criminosos nazistas, inimigos da humanidade, não diminui em nada esse malefício bolchevique em Vinnytsia. Os alemães se permitiram crimes semelhantes mas os seus eles não mostravam nem investigavam. Isto foi feito depois da guerra, em Nuremberg. E é preciso esclarecer que a revelação dos crimes bolcheviques em Vinnytsia não influenciou positivamente a população local aos alemães. Pelo contrário, a população amaldiçoava também os novos ocupantes.

Continua
Tradução: Oksana Kowaltschuk

Nota: "Holokost"
A palavra "holokost" ou Holocausto é derivada do grego e tem duas partes: (holos), que significa "queimado" e (kausto) que significa "oferta", "sacrifício". No início a palavra "holocausto" tinha conotações religiosas, mas também era usada por séculos em relação aos desastres e grandes calamidades principalmente relacionadas aos incêndios. Foi usada, entre outros, para descrever o genocídio dos armênios pelos turcos, em 1909, para descrever os grandes incêndios em Minnesota (EUA), em 1918, e outros.
Já em meados do século 20, a palavra "holocausto" foi usada na imprensa sobre a onda de terror contra população judaica na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial; perseguição e extermínio dos judeus europeus pela Alemanha nazista e colaboradores durante o 1939 - 1945 anos, genocídio do povo judeu durante a Segunda Guerra Mundial.
Como vítimas do Holocausto também são percebidas outras comunidades étnicas e sociais que os nazistas perseguiam e exterminavam (ciganos, homossexuais, maçons, em estágio terminal, etc.) Isto é, em um sentido mais amplo, o Holocausto - a perseguição sistemática e aniquilação de pessoas com base em sua raça, etnia, nacionalidade, orientação sexual ou tipo genético inferior, prejudicial. (Oksana).

terça-feira, 12 de março de 2013

O DIFÍCIL RETORNO

Dificuldades na volta. Custosa readaptação dos "hastarbaiters" ukrainianos em casa
(hastarbaiter - trabalhador-migrante nos países da Europa Ocidental)

Tyzhden (Semana), 27.08.2012
Vira Makoviy, Serhii Teren




 
 
Razões que estimulam os nossos compatriotas procurar emprego no exterior são diversas: pobreza, falta de trabalho, ter um capital inicial para começar um negócio, desejo de ganhar dinheiro para conseguir sua casa, educação de filhos e, até, a própria sobrevivência.
No entanto, investindo em casa ou apartamento, no qual não se sabe se haverá possibilidade de vida, ou o ensino superior para os filhos que não conseguirão emprego torna os trabalhadores ukrainianos vítimas de seus próprios sonhos, porque o dinheiro geralmente sempre falta. E, ao voltar, nem todos conseguem restaurar suas relações sociais e colocar em prática as habilidades e experiências adquiridas no exterior. Por isso, muitos que foram para um ou dois anos não se atrevem voltar para casa.

O sonho de uma casa

Helyna Ursuliak veio dos EUA à aldeia Drachynts na Província de Chernihov para um mês. Ela encomenda janelas, verifica a colocação de ladrilhos, como rebocam a fachada, etc. Assim que terminar o dinheiro viajará novamente aos EUA. A mulher constrói uma casa grande, com garagem do lado.
"Quero viver no meu país - explica seus investimentos a senhora Halyna. - Nos EUA mesmo aqueles que tem seu negócio, dizem que trabalharão mais um pouco e voltarão. Mas, quando vêem como as pessoas sobrevivem na terra natal, fogem novamente. Quanto a mim, me chamam de "americana", é ofensivo. Eu, nem por um segundo me senti americana. Nós, quando terminarmos a casa, voltaremos, mas ainda precisa muito dinheiro". E foi o sonho de uma casa própria que forçou Helyna com o marido ir para o exterior e os mantem lá, já por 11 anos. "Vida (na mesma casa com os pais) não havia. Então alugamos um apartamento em Chernivtsi. Eu trabalhava na feira, eu enregelava, dinheiro não era suficiente para uma casa. Em casa permaneceu meu filho Stanislau de um ano e meio - depois só o vi com seis anos. Os americanos não me compreendem, especialmente quando eu conto que deixei meu filho: "para mim é difícil lá fora, mas o marido diz: Um ano, dois - e voltaremos para casa, e passam cinco, sete, dez. As pessoas têm muito medo: o que vão fazer quando voltarem para Ukraina? Eles se acostumam a trabalhar com estabilidade e pagamento constante".



Sem reserva laboralUkraina pertence aos países onde em ritmo acelerado diminui a quantidade da força produtiva. Prognóstico de mudança de recursos laborais até 2020, %.
Legenda:
1) diminuição maior a 5%
2) menos 5 %
3) crescimento de zero a 10%
4) 10 - 20%
5) mais de 20%




Experiências em investimento

Os pais que ainda trabalham nos EUA, ajudaram a Oksana Prokopetz abrir um mercado no centro da vila Drachentsi, onde ela mesma é vendedora."Eu não quero mais ir a EUA, - diz a mulher, que trabalhava como faxineira numa pequena cidade de New Jersey, - aqui eu tenho minha casa, tudo é meu".

Jaroslau Rudnetskyi trabalhou mais de 2 anos em uma fazenda de leite na Dinamarca e uma na Suécia. "Agora aplico a experiência dinamarquesa-sueco na aldeia Vydumka em Zhytomyr. No início peguei a terra em arrendamento por cinco anos, depois privatezei. Nos 21 hectares plantava cenouras e batatinha, mas não podia viver com o que ganhava. Agora semeio forragens. No meio do campo tenho um estábulo com vacas, então vendo queijo, nata, leite". Seu sonho é fornecer estes produtos em áreas urbanas com aranha-seus, como nos Eua. "Enquanto houver possibilidade de permanecer em casa, (em casa significa na Ukraina - OK) diz o agricultor - eu quero ter aqui a minha fazenda, casinha, painéis solares, tanques, terra. Para que depois de mim, os filhos ou outro agricultor possa continuar este trabalho. É necessário muito esforço para desenvolver este negócio. Porque, se no exterior em todas as questões pode-se aconselhar com o consultor da área, na Ukraina, é necessário fazer tudo sozinho.

Muitos dos antigos "hastarbaiters", no regresso para casa, tentam, pelo dinheiro economizado, abrir seu próprio negócio. Oleksandr - é da primeira onda de programadores ukrainianos que viajaram para Ocidente à procura de ganhos maiores. Trabalhou mais de 5 anos numa companhia TI (Tecnologia de Informação de negócios) em Londres. Em 2009 voltou para Kyiv, onde decidiu iniciar seu próprio negócio. "No exterior eu adquiri novos conhecimentos de gerência e, então resolvi materializá-los em uma empresa de desenvolvimento do software.Os 100 mil USD ganhos na Grâ-Bretanha foram suficientes como capital circulante para me firmar no negócio". Mas, hoje, Oleksandr novamente arruma as malas para Londres - e espera levar o seu negócio para o "Nebuloso-Albion (Albion, palavra de origem celta - antigo nome das Ilhas Britânicas. É usado na Inglaterra em grande estilo, em alguns outros países no sentido irônico. Significa "montanhas" - OK). Três meses atrás vieram certos rapazes de cara dura "Você sabe por ordem de quem", e me propuseram uma "impecável" opção: 80% do negócio reescrever para "sozinho você sabe para quem", 20% continuam seus, além das funções administrativas. Oleksandr, acostumado com avaliações adequadas ao seu conhecimento, a tais proposições recusou-se, bem como dos problemas que lhe prometeu organizar a "inspeção civilizada" e que já começou incorporar-se à sua vida - recentemente o pessoal do fisco fez uma "limpeza" no escritório.

Pavlo R. durante anos plantava morangos na Inglaterra. Três anos atrás resolveu aproveitar o adquirido conhecimento em Vinnytsia. Arrendou alguns hectares de terra e este verão deveria colher a primeira grande colheita. Não aconteceu. Em maio, seus campos foram atravessados por diversos tratores. Ele tem certeza de que isto foi feito por ordem da autoridade local, a quem recusou propina na renovação do contrato de arrendamento da terra e que o ameaçaram de entregá-la a outro agricultor. No entanto, Pavlo decidiu guerrear: ele espera que haverão mudanças na aldeia depois das eleições.

Com o tempo a família resolveu retornar: os anos de trabalho no exterior não foram considerados, embora a aposentadoria foi conseguida. "Tudo mudou - lembra as dificuldades de adaptação a esposa de Mykola. Olia, - seus filhos quase não viram, eles cresceram, os pais envelheceram, e ao mesmo tempo a situação econômica praticamente não melhorou. Foi difícil passar para a pensão miserável após um bom e estável salário". Apesar da educação superior e muitos anos de experiência como engenheira eu não consegui encontrar trabalho na cidade natal - o Centro de Emprego propôs somente trabalho físico muito pesado e extremamente mal pago".
Mykola também não encontrou lugar para si - devido a restrições da idade. "No entanto eu decidiria hoje ir embora, como decidi a 13 anos. Em geral nós não nos arrependemos: os filhos estudaram, os pais foram atendidos e na casa fizemos reparos. Meus amigos poucos restam, sucumbiram ao alcoolismo. Eu estou vivo e não bebo".

Alex B. voltou para casa em Rivne, de Portugal, na véspera da crise de 2008. Com o dinheiro ganho construiu a casa. Empregou-se na "Rivneazot" - o salário era suficiente para viver. Ele disse que tudo mudou quando a empresa foi comprada por Firtash: "O oligarca imediatamente mudou a liderança. Seu diretor não considera os trabalhadores como pessoas. Na fábrica - como no gueto: podem espiar em seus bolsos, ou dar em sua cabeça. Qualquer tentativa de dizer algo contra, termina com demissão. Uma vez no restaurante local envenenaram-se pessoas. Uma das trabalhadoras começou exigir investigação - no dia seguinte encontrou-se além do portão.
Ao longo dos anos passados na Europa eu me acostumei a uma atitude normal de relacionamento, dispensada a mim tanto como empregado, quanto como pessoa, então não aguentei e pedi a conta". Alex novamente começou os preparativos para viagem - o antigo empregador na cidade do Porto concordou em aceitá-lo novamente para trabalho.

O retorno não garante que na pátria conseguir-se-á implementar as novas habilidades, investir e começar uma vida de sucesso, frequentemente devido a obstáculos criados pelos funcionários públicos, isto é, o próprio Estado. Por isso os que trazem tão importantes, para Ukraina, conhecimentos ocidentais, não podem usá-los na prática. Aqui revela-se que eles, como anteriormente, são pessoas desnecessárias. Portanto, não é surpreendente que os nossos trabalhadores no exterior só aumentam - atrás dos pais vão os filhos.
 

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: A.Oliynik               

domingo, 10 de março de 2013

FRAGMENTA-SE A USINA NUCLEAR DE CHERNOBYL

Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 15.02.2013
Zinovia Voronovych

Parte do telhado sobre as máquinas desabou. Quanto tempo vai durar o sarcófago - desconhece-se.

 

Така діра утворилася у покрівлі машинного відділення ЧАЕС. Фото УНН
Este buraco foi aberto no telhado que cobre a sala de máquinas
 
Na zona isolada caiu uma parte da parede e do telhado na sala de máquinas do bloco de energia. A área danificada é de quase 600m². O presidente da subcomissão parlamentar do comitê de superação das consequências da catástrofe de Chernobyl Valerii Kalchenko diz que "nada terrível aconteceu", a radiação está sob controle. Enquanto isso France Press informa que foram evacuados os representantes das empresas francesas. 80 pessoas que trabalhavam na construção do contorno exterior do novo sarcófago sobre o bloco avariado de Chernobyl. Se desabaram os paínéis na sala de máquinas, não há garantias que num curto espaço de tempo "não comece cair" o sarcófago.

No momento não se sabe o que causou a destruição do telhado da sala de máquinas. Os trabalhadores participantes da inspeção verificaram essa construção e muitos duvidaram que isto aconteceu devido a neve. No entanto, esta é apenas a primeira impressão, as conclusões deverão ser feitas pelos profissionais, que atualmente trabalham na composição do comitê especialmente criado - diz a presidente da Comissão Parlamentar de Política Ambiental, Recursoos Naturais e Eliminação das consequências da catástrofe de Chernobyl Iryna Sekh que esteve em Chernobyl no dia seguinte ao desabamento. Sua colega na comissão Lilia Koteliak também dúvida que o desabamento foi devido a neve - as últimas fortes nevascas aconteceram em janeiro. E que tipo de cobertura é essa, se não suporta o peso da neve?

"O responsável por Chernobyl nos disse, que para evitar semelhantes acidentes no futuro, é necessário supervisão constante. Então surge a indagação, o que eles fizeram antes? Para manutenção de Chernobyl mensalmente são destinadas altas quantias - ukrainianas e estrangeiras. Então em que são aproveitadas? - pergunta Lilia Koteliak. - Nos alertou mais um fato. Quando Irena Sekh perguntou ao dirigente quantos estrangeiros trabalhavam na estação, ele evitou a resposta. Embora depois nós descobrimos que na estação trabalhavam mais de 80 franceses. Por que ele não queria falar sobre isso - não ficou claro.

O fato de que o colapso não provocou aumento da radiação, os deputados não tem certeza. "Nos alarmou o fato, de que na estação trabalhou apenas um aparelho de dosimetros - os demais estavam desligados. O aparelho mostrava o nível de radiação que não excedia as normas admissíveis. A direção da estação assegurou-nos, que o nível de radiação não aumentou. "Talvez, nós devêssemos ter levado nossos aparelhos de medição, - diz Iryna Sekh. - Obviamente, a implementação do Programa Nacional de cessamento da exploração da usina de Chernobyl e transformação do "Abrigo" em um sistema ecologicamente seguro será discutido nas audiências parlamentares - eu já registrei o correspondente processo. Também exigirei da liderança de Chernobyl o fornecimento de informações oficiais confiáveis sobre a suspensão temporária dos trabalhos na unidade de especialistas estrangeiros depois da destruição do telhado da casa de máquinas, bem como fornecer informações para estudo das causas da destruição", - concluiu Iryna.


Boryslav vive como num cilindro de gás...

Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 14.02.2013
Oleksii Daroftei

Antigamente esta cidade era chamada California de Galícia (em ukrainiano Halychyna). Agora ela sofre com a contaminação de gás, pobreza e desesperança.
 
Ось так виглядав Борислав на початку 19 століття. Тоді його називали Галицькою Каліфорнією.Фото з архіву «ВЗ»
 
Assim parecia Boryslav no início do século 19. Na época chamavam-no de California de Galícia.

Esta tragédia ocorreu em 29.04.1972. No porão da casa de dois andares, nº 12 na rua Volodymyr, o Grande, em Boryslav, houve uma forte explosão de gás. A explosão foi ouvida a 40km. Houve 18 vítimas.

Naquele tempo a escala do desastre ecológico, bem como os motivos que levaram à tragédia tentou descobrir a comissão estatal do Conselho de Ministros da URSS. A procura dos culpados não obteve êxito. A comissão sugeriu que a causa da explosão poderia ter sido uma faísca elétrica, que explode quando alguém pressiona o interruptor, ou um fósforo aceso... Isso seria suficiente para explodir uma mistura infernal, que propagou-se ao subsolo onde se situavam, próximo a casa, antigos poços de escavação de petróleo. Dado a grande quantidade de escavações antigas, abandonadas na cidade, os cientistas ficaram alarmados.

"Na época, - diz o atual prefeito de Boryslav Volodymyr Firman, - aos nossos problemas ecológicos reagiram com seriedade. Muito foi feito para drenagem de todo território da cidade. Mas a memória humana é curta..."

Segundo Chernobyl

Atualmente qual é a situação ecológica em Boryslav? Perigosa. Na verdade, a cidade vive sobre um barril de gás. Todo mundo sabe que há migração de gás no subsolo. Os moradores chamam sua cidade de segundo Chernobyl. As pessoas não conseguem entender porque o governo tão lentamente reage à situação ameaçadora. Esperam a repetição da tragédia de 40 anos atrás?
O governo municipal e a comunidade já por muitos anos pedem que a cidade seja reconhecida como zona de desastre ecológico. O novo status lhe permitiria a aplicação de abordagem sistêmica para a resolução de problemas de saúde, água, ensino escolar...

O problema de Boryslav não é apenas a gaseificação. A cerca de cinco anos nos prometem alocar fundos para restauração da ponte danificada ainda em 2008 na rua dos Reróis OUN-UPA (Organização dos Nacionalistas Ukrainianos - Exército Insurgente Ukrainiano). Essa construção é estratégica. Sua finalidade consiste em desafogar o centro da cidade do volumoso transporte "Boryslavnaftogaz" (Boryslav petróleo). A grande tonelagem dos petroleiros destrói não apenas a superfície da estrada, mas também... as comunicações subterrâneas. Em alguns trechos o leito perigosamente afunda. Racham as canalizações coletoras de concreto, despedaçam-se tubos enferrujados.

Assim vive a cidade hoje, onde pela primeira vez na Europa iniciou-se a produçãoo comercial de petróleo, onde no início do século XIX tinham suas representações de negócios de petróleo os tubarões internacionais como John Rockefeller e Alfred Nobel. Registrou-se também em Boryslav o British Petroleum. O mundo inteiro observava os acontecimentos na Califórnia da Galícia, como chamavam então Boryslav.

As pessoaos vivem com medo

Boryslav, como a 40 anos, sofre em grande escala da gaseificação. Pessoas vivem com medo. No ano passado, próximo do local onde há 40 anos houve explosão, aconteceu novamente na Rua Dovzhenko, próximo a um local de extração de óleo. Não houve vítimas. Se a mistura de óleo e gás estourasse não na área despovoada, mas a algumas dezenas de metros a esquerda - lá, onde há um edifício residencial de vários andares... O cabelo fica em pé de tal pressuposto.

Lembremos da recente explosão na mina "Komsomolskaia". Lá o nível de gaseificação era de 4,8%. Em Boryslav hoje há locais onde a gaseificação ultrapassa 6%. Quando o vice-ministro do Meio Ambiente e dos Recursoos Naturais Dmytro Mormulia soube disso numa reunião em Boryslav, seus olhos se arregalaram. Ele prometeu fazer modificações de vários atos regulatórios, os quais privam do acesso aos empresários privados no trabalho da descontaminação. Além disso Dmytro Mormulia prometeu revogar a abolição da renda às empresas e empresários que participarão de trabalhos de descontaminação em campos de petróleo abandonados. Isto não é produção de petróleo, onde a renda é obrigatória.

Antigamente esgotavam o petróleo com baldes

Antigamente o óleo em Boryslav esgotavam com baldes. As pessoas não sabiam o que fazer com ele. E não apenas. O petróleo era processado com um único propósito - para extrair querosene. A todos os outros produtos do petróleo, inclusive gasolina, não havia procura. Ela era derramada em fossas e regatos. O solo de Boryslav, para muitos metros de profundidade está saturado de petróleo.

Um dos problemas mais prementes de hoje - abastecimento da água. Faliu a empresa de Boryslav deste abastecimento, principalmente por causa de erros estratégicoos cometidos nos últimos anos. O principal deles - recusa dos antigos resursos hídricos localizados no coração de Boryslav.
Antes do início da "grande industrialização", como ironicamente denominam em Boryslav a construção em larga escala nos anos 50-60 do século passado, das grandes empresas industriais, havia água de recursos hídricos locais com sobra. Tudo mudou depois que começou o funcionamento dos gigantes industriais. Foi preciso procurar novas reservas para necessidades da população e da indústria. Decidiu-se pela construção do reservatório em Rybnek no rio Stryi. Quando a energia elétrica custava centavos, ninguém prestou atenção nas diferenças de relevo entre localização de Boryslav e o reservatório nos Montes Cárpatos. Agora, quando os preços da eletricidade sobem constantementee e "tapar os buracos" não evitou a falência da empresa de abastecimento de água, resolveram renovar os antigos recursos hídricos locais.

Rapidamente conseguiram devolver à vida o maior reservatório de Rivne. Ficou mais fácil o abastecimento de água. Mas o problema persiste. Todas as instalações na cidade vazam, precisam de substituição. Primeiramente a rede. Quando de Bukhov, onde estão as instalações de tratamento, a 310m de altura, e a água é fornecida aos consumidores da parte baixa da cidade - a rede não suporta a pressão. Os rompimentos tornaram-se verdadeiro flagelo para Boryslav. Quebram as bombas e outros equipamentos. Os tanques anti-inundação não desempenham suas funções. Onde quer que você lance o olhar - tudo abandonado. Em Boryslav os consumidores, atrevidamente roubam a água canalizada. O presidente da Comissão de liquidação do "Boryslavwodokanal" (Sistema de água) Ihor Dzebas está inclinado a acreditar, que seus patrícios-consumidores pagam apenas pela metade da água recebida. (Em vista do péssimo atendimento e roubalheira generalizada nos órgãos governamentais segundo as notícias nos jornais, esperam o quê? - OK).

Boryslav está doente

Em Boryslav vivem 36,5 mil pessoas. A maioria não tem serviço. A cidade tem uma incidência de doentes muito maior que na vizinha Truskavtsi. Na cidade que outrora tanto gostava de visitar, e encontrava personagens para suas obras Ivan Frankó (escritor, poeta, tradutor, ativista comunitário e político) agora morre o dobro de pessoas em idade laboral que na cidade da "Naftusia" (É a cidade vizinha Truskavets, com águas de elevado teor de substâncias orgânicas, muito maior que nos conhecidos resorts europeus. Tem um leve cheiro de petróleo, nafta em ukrainiano, daí o apelido "Naftúcia". A cidade-resort é muito frequentada pela "elite" ukrainiana, e até pelos estrangeiros - OK). Mesmo em Chervonograd, onde não há resort, Boryslav não compete em questões de saúde. A incidência de doenças é mais perceptível entre os trabalhadores da exploração petrolífera. Trata-se de danos no sistema endócrino, distúrbios digestivos, alterações metabólicas. É muito mais frequentemente que anteriormente, sofrem com diabetes, doenças respiratórias e doenças infecciosas. A cidade tem bairros inteiros inadequados para viver. E o problema não é apenas a existência de minas sobre minas (pouco profundas) e cheiro de gás de todos os lados. Finalmente, em Boryslav é raro onde não se sente o cheiro de enxofre com hidrogênio. A questão é também na análise da água, solo, ar... Boryslav está doente. E nada de estranho no fato de que a juventude escolar de Boryslav, segundo pesquisa da Câmara Municipal não quer vincular seu destino com a cidade natal.

Talvez Boryslav seja a única cidade do mundo onde a extração de petróleo não contribuiu para a prosperidade da comunidade. Não enriqueceu aqueles que nasceram aqui e de cujos terrenos-hortas extraíram centenas de milhares de toneladas de "ouro-negro". Em 1908 apenas um poço da "Oil siti" dava 150 cisternas de petróleo. Um ano depois Boryslav produziu dois milhões de toneladas de "ouro negro". Naquela época isto eram 4% da produção mundial. A partir de 1900, aos proprietários que vendiam suas terras para exploração do petróleo, além do pagamento astronômico, pagavam 10-15% do lucro de cada tonelada vendida. Se em Boryslav administrassem a riqueza de seu subsolo, quem hoje ouviria sobre problemas ecológicos, medicina atrasada, antiga distribuição de água, zonas da cidade deprimidas das quais os jovens fogem.
Boryslav, Boryslav... Deseja-se chorar.


Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: A.Oliynik
 


sexta-feira, 8 de março de 2013

1941: EXTERMÍNIO DE PRISIONEIROS NA UCRÂNIA

Extermínio de prisioneiros na prisão de Lutsk
Istorychna Pravda (Verdade Histórica), 20.07.2011
Lesia Bondaruk

Ouço, como amontoavam-se cadáveres de prisioneiros executados. Um cobriu minha cabeça com a barriga. Seu sangue escorreu pelo meu rosto. O peso constantemente aumentava. Pensei: "Se a bala não acertou, então os cadáveres sufocarão..."

"Verdade histórica" continua a série de publicações sobre o extermínio em massa de prisioneiros e detidos cometido por membros do Comissariado do Povo dos Assuntos Internos (NKVD) da URSS em junho de 1941. Na primeira parte falamos sobre o extermínio pelas autoridades soviéticas de pessoas nas prisões de Lviv, na segunda - sobre a vala comum na mina de sal na região de Lviv.
Hoje - sobre o extermínio na prisão de Lutsk, cidade no noroeste da Ukraina, capital da Província de Volyn.

Por eles chora o céu e a Terra.

Nos tempos da independência da Ukraina, em 23 de junho de cada ano, nas ruas de Lutsk acontece lamentosa procissão. Com flores e guirlandas dela participam, na maioria, pessoas de cabelinho branco. No entanto a cada ano aderem mais jovens. 70 anos já distanciam daquele dia infernal...

"Deus! O que eles fazem? Herodes? Fuzilam, arrebentam com granadas. Quem teria pensado. Bárbaros, assassinos! O mundo não viu, não soube de tal... Gente salvem-se, como quem puder!" No pátio oeste 10 - 15 minutos gorgulhava como numa incandescente caldeira. Repicavam metralhadoras, granadas explodiam.
Enquanto isso, no pátio leste um grupo de prisioneiros, cerca de 40 - 45 pessoas, correram para o portão de madeira o qual desejavam derrubar mas, sobre os fugitivos disparou a metralhadora. O pátio cobriu-se de cadáveres, inundava-se de sangue quente, vermelho. Então, de algum lugar choveram balas sobre todos nós.

Vejo, como à parede leste que era a mais comprida, rapazes espertos colocam tábuas que aqui ficaram da destruída estrebaria, e sobre elas sobem no muro, passam entre quatro fileiras de arame farpado e saltam para outro lado, para a liberdade. Muitos deles conseguiram atravessar o rio Styr e desaparecer dos olhos dos algozes.

Eu também corro ao muro, subo pela tábua atrás de um jovem, mas ele é ceifado pela bala e, morto cai sobre mim. Nós dois voamos para baixo. Neste momento a NKVD orienta-se na situação e todo fogo encaminha para os fugitivos. Eu ainda consegui levantar-me, correr alguns passoss com a cabeça inclinada por baixo do assobio de balas. Caí. Silenciei.

Ouço como sobre mim amontoam-se cadáveres de prisioneiros fuzilados. Um cobriu minha cabeça com a barriga. Seu sangue correu pelo meu rosto. Em seguida novamente - cadáveres, cadáveres, cadáveres... Alguns deles com muito peso caem sobre mim. Eu pensei: "Se a bala não me acertou então os cadáveres me sufocarão..."

Meu braço esquerdo estava tão machucado que depois, por muito tempo foi medicado. Os verdugos o tempo todo disparavam contra as pessoas que corriam para lá e para cá, como sevos recolhidos, derrubando uns a outros tentando escapar da morte. Feridos imploravam para acabar com eles. Alguém misericordioso pedia perdão de Deus e o reino dos céus, e alguém continuamente clamava por vingança. Vingança aos verdugos, assassinos, bárbaros.

Exatamente durante tal choro pré mortal dos feridos sobre nós surgiu uma nuvem e dela caíram grandes gotas de chuva. Neste momento, como se do céu, ouviram-se vozes: "Gente! Gente" Olhem, o céu chora por nós!"

Estas lembranças assustadoras sobre fuzilamentos na prisão de Lutsk escreveu Mykola Kudelia, o qual Deus salvou milagrosamente, para que ele carragasse esta verdade ao longo de sua vida;



  

Mykola P. Kudelia - pessoa, que milagrosamente sobreviveu durante o extermínio de pessoas na prisão de Lutsk. Todas as fotos fornecidas por Lesia Bondaruk.

Com o início de 1940 em Volyn começaram as deportações, prisões e assassinatos em massa. A Lutsk traziam os "não alinhados" de todos os cantinhos de Volyn.

Os documentos dos arquivos testemunham, que em 10 de junho de 1941 na prisão de Lutsk havia 2117 presos. Entre eles - os jovens ativistas patrióticos, ativistas da Organização dos Nacionalistas Ukrainianos (OUN), representantantes religiosos, representantes da intelectualidade científica e criativa. A todos eles planejava-se evacuar para Vologda (Rússia) e Astrakhan (Rússia). Para isso alocaram 75 vagões.

Em 22 de junho, cerca de 14:00h, a prisão de Lutsk foi bombardeada por aviões alemães hostis. Após o bombardeio os prisioneiros se amotinaram. Mas escapar só conseguiram alguns. Na busca dos fugitivos saiu a NKVD que fuzilava os fugitivos no local ou devolvia-os à prisão. O sargento da segurança estatal Stan, e outros funcionários da NKVD, nos memorandos ao responsável pela administração prisional da NKVD na região de Volyn comunicavam que em 23 de junho de 1941, em relação ao combate próximo a Lutsk, foram liberados os menores de idade, denunciantes e os condenados por crimes menores, no total de 84 pessoas, e os prisioneiros restantes, 2.000 pessoas, foram fuzilados no território da prisão de Lutsk.

Esta questão suja executou o grupo operacional de funcionários da UNKVD (Administração da NKVD) da Província de Voluyn sob a direção do capitão da Segurança de Estado Rozov, de composição pessoal 233 da escolta do regimento do exército da NKVD, equipe gestora e supervisores da prisão. Os fuzilamentos realizados com base na directiva do Comissário do Povo da Segurança de Estado URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) Merkulov, N° 2445, de 23.06.1941, de acordo com a qual às pessoas detidas nas prisões das províncias ocidentais da Ukraina, montavam-se listas, pelas quais estavam sejeitas ao fuzilamento, em seus locais de detenção, em relação ao início da guerra com a Alemanha. Fuzilavam não só as pessoas que foram condenadas à pena capital, mas também os condenados à privação da liberdade, e aqueles contra os quais mal começou a investigação.

 
 
Réquiém pelos mortos. Lutsk, verão de 1941.


Durante toda a noite até a manhã de 23 de junho, enquanto os alemães não entraram na cidade, na prisão de Lutsk fuzilavam os prisioneiros e com pressa recolhiam seus corpos. "Nós, de imediato, começamos juntar os cadáveres. Todos os mais de 70 condenados a pena capital, os já privados da liberdade e aproximadamente 800 em investigação foram por nós enterrados e no lugar dos cadáveres foi derramado querosene e ateado fogo. Depois, todos esses lugares foram cobertoos com cal..." - Do relatório do sargento Stan aos superiores.

O chão e as paredes da prisão estavam encharcados de sangue. Na prisão de Lutsk foram fuzilados mais de 2.000 habitantes de cidades e aldeias de Volyn. Na prisão ainda permaneceram 625 pessoas vivas.

Pelo quê? Pela Ukraina!

(A partir do século XIV as terras ukrainianas passavam para o domínio da Polônia e Lituânia. Em 1569 houve o acordo da Polônia e Lituânia-Rus (Rus era o nome anterior da Ukraina. A Rússia atual denominava-se Moscóvia). A partir desta data a Polônia ativamente reforçava seu domínio em prejuízo de direitos dos ukrainianos. Então, o "hetman" Bohdan Khmelnytskyi (hetman - líder dos cossacos) fez acordo com os moscovitas esperando que estes cumprissem o acordado e ajudassem os ukrainianos na luta contra os poloneses. Foi o chamado Acordo de Pereiaslav, de 1654, que previa mútua colaboração. Os moscovitas, gradualmente, desrespeitavam o acordo e com a morte de Bohdan Khmelnytskyi as terras ukrainianas foram definitivamente divididas entre Polônia e Moscóvia. - OK).

As repressões em massa que envolveram a população das regiões ocidentais e a coletivização forçada geravam sentimento anticomunista entre a população que ia maciçamente para a Organização dos Nacionalistas Ukrainianos (OUN)) - para lutar pelo Estado da Ukraina independente e unida. (É por isso que os russos, e seus simpatizantes ukrainianos, até hoje abominam o lider da OUN, Stepan Bandera e seus seguidores - OK).

O surgimento da OUN (e mais tarde UPA - Exército Insurgente Ukrainiano - OK) na arena política da Ukraina foi em conformidade às derrotas dos movimentos de libertação nacional das primeiras décadas do século XX, à escravização da vez da Ukraina pelos países estrangeiros, atualização da questão da Ukraina na política dos países europeus na véspera da fase inicial da II Guerra Mundial, e em relação a isto - intensificação da luta pela independência e unidade da Ukraina.
O período de setembro de 1939 a junho de 1941 acompanhava-se pela formação da organização bastante vigorosa, clandestina da OUN. De acordo com as informações dos documentos do arquivo da direção da OUN de Volyn, os nacionalistas iniciaram os preparativos para o levante que deveriam concluir até a primavera ou verão de 1941.

O dirigente da executiva regional da OUN Ivan Skopiúk foi encarregado de reforçar a formação militar entre todos os membros da OUN, formar grupos de batalha. Até 20.03.1940 para Ukraina transferiu-se parte de quadros dirigentes da OUN, os quais, no lugar, deveriam determinar as prerrogativas da organização dos trabalhos em futuro próximo.

Os próximos movimentos dos líderes clandestinos na URSS foram resultado de decisões tomadas pela Assembléia Revolucionária da OUN em 10.03.1940. Planejava-se que os recém-chegados quadros seriam os organizadores da insurreição nacional na Halychyna e Volyn.

   
 
Local provável de sepultamento.

Preocupados com a intensificação da ativização da OUN e esquentados relatórios de seus agentes estrangeiros sobre a preparação de uma insurreição geral dos nacionalistas para abril-maio de 1940, os serviços especiais soviéticos realizaram aprisionamentos em massa de todos os supostos envolvidos no movimento clandestino.

Os mais vigorosos ataques foram infligidos aos centros da OUN nas provínciais de Lviv, Ternopil, Rivne e Volyn. Às prisões foram encaminhados 658 membros da OUN, inclusive seis membros do Conselho Executivo, membros dirigentes provinciais e distritais, líderes do movimento da cidade de Lviv. Aos "inimigos do sistema soviético" pertenciam todos os ex-membros que operavam nos tempos do domínio polonês, nas organizações dos partidos legais, nacionais, religiosos e da juventude anteriormente condenados pelas autoridades soviéticas, membros das famílias de fuzilados pelos bolcheviques "contra-revolucionários" e cidadãos que possuíam parentes no exterior, outros.

O funcionamento de prisões era determinado pela NKVD--SRSR (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) de 11.12.1939 e URSS (República Socialista Soviética Ukrainiana) a partir de 25.12.1939. "Sobre a Declaração de Estado geral das prisões da NKVD-SRSR. Particularmente, na situação de abril de 1941 em URSS havia 62 prisões, delas 26 na Ukraina Ocidental.
Escondendo-se atrás da tese "agravamento da luta de classes" os órgãos da NKVD lançaram nas províncias ocidentais medidas de larga escala de seu "isolamento", acompanhado de prisões, fuzilamento, degredos por motivos nacionais, religiosos e indícios da posição social.

Em 1939, retirando-se diante dos nazistass de Hitler, os poloneses simplesmente deixaram as prisões assim como estavam, em consequência do que muitos prisioneiros políticos daquele tempo puderam salvar-se. Recuando em 1941 o governo soviético destruía seus prisioneiros em Lutsk, Ternopil, Dobromyl, Sambor, Drohobych, Stanislav (hoje Ivano-Franquivsk), Dubno, Kovel - em 35 cidades, o que representou mais de 20 mil pessoas fuziladas.

Memória e admoestação

O ex-prisioneiro de Lutsk, Ivan Hedz, lembra que vindo à prisão de Lutsk os alemães ficaram pasmos. "No início os alemães não mexeram em nada, mas tiraram muitas fotos. Depois trouxeram um padre católico que rezou pelos mortos. Cavaram um buraco sob a parede e jogaram para lá os corpos. Os seus supliciaram, os inimigos enterravam... Aqueles prisioneiros que tiveram a sorte de sobreviver os alemães não detiveram".

Depois de alguns dias quando a posição dos alemães em Lutsk fortaleceu-se, eles permitiram entrar até os poços sangrentos da prisão.
"Desde a Catedral da Trindade as pessoas, cujos parentes foram fuzilados, com mais de 70 padres vieram em procissão até a prisão. Lá eles rezaram a missa de réquien e colocaram as coroas de flores", - conta a moradora de Lutsk Nadia Klishchuk.
Foi criada uma comissão, a qual em julho de 1941 e com a ajuda da comunidade fizeram aterros sobre os túmulos, cobriram com relva e instalaram as cruzes de carvalho protegendo-os com uma cerquinha baixa. Colocaram placas com inscrições indicando o número de prisioneiros enterrados - respectivamente 1.200, 800, 300, 1800.

 
Túmulos próximo a prisão de Lutsk - Verão de 1941
Por iniciativa da Comissão no último domingo de agosto de 1941 realizou-se um funeral oficial, colocação de guirlandas e missa de réquien. Esta foi a última missa neste lugar até 1991, quando da iniciativa da comunidade, nos três locais onde foram enterrados os presos, foram colocados memoriais e placas.

Depois da Libertação de Lutsk em 1944 a prisão novamente utilizava-se pelo governo soviético até 1958. Mykola Kudelia, em seu livro, reporta-se à história de I. Manuilyk, o qual em 1944 era prisioneiro em Lutsk, viu estes túmulos e testemunhou como, por ordem da NKVD nas quatro sepulturas arrancaram as cruzes, os túmulos foram nivelados e a região asfaltada.
Depois da reforma na prisão de Lutsk, até 1998, abrigava-se a Escola de Música. Todo este tempo, neste local de tristes recordações, soava música. E quando a Escola de Música mudou-se para outro prédio, este ficou vazio.
Em 25.09.2001 aqui foi fundado o Monastério da Natividade. Para instalação da igreja separaram três pequenas salas. A primeira liturgia foi realizadaa em 18.12.2001

No outono de 2009, no território da prisão de Lutsk, começaram os trabalhos de exumação para identificar os restos mortais de prisioneiros fuzilados em 22 e 23.06.1941, o que realizava a empresa comunal do Conselho Provincial de Lviv "Dolia" (destino), para pesquisar os enterros dos participantes do movimento de libertação nacional e vítimas de guerras, deportações e repressões políticas.
Procedeu-se a exumações antecedidas por longas pesquisas, atividades exploratórias, coleta de relatos de testemunhas oculares daqueles acontecimentos. O chefe do departamento de defesa da herança cultural do Conselho Municipal de Lutsk foi um dos iniciadores das escavações. Serhii Hodlevskyi afirmou: "No transcorrer da investigação os especialistas estudaram minuciosamente o livro de memórias do antigo prisioneiro Mykola Kudelia "Sob os muros da prisão de Lutsk", relatório sobre a pesquisa arqueológica liderada por Sviatoslav Terskyi, o que realizaram ainda em 1991. Também organizaram a vinda da testemunha daqueles trágicos acontecimentos Hrehorii Pokotyl, que deu testemunho na Procuradoria de Lutsk, e estudaram documentos de arquivo.

Hoje sabemos sobre quatro valas comuns no território da prisão de Lutsk e inúmeros sepultamentos únicos. Informações isoladas nos forneceu a procuradoria regional, porque em julho de 1989 lá pleitearam, segundo declarações de cidadãos, uma investigação criminal pelo fato de fuzilamento de prisioneiros na prisão de Lutsk.

 
Nastia Volchkovych procura entre os fuzilados o sobrenome de seu bisavô Volodymyr Bondaruk

Os trabalhos de exumação em junho de 2010 foram suspensos, sua continuação planeja-se para abril de 2012 (Não vi nenhuma notícia nos jornais do ano passado - OK). Os lugares apontados dos enterros em massa não foram encontrados. O grupo de pesquisa, em um lugar encontrou, à parte, ossos humanos, o que permite afirmar, que no período pós-guerra o local dos enterros pode ter sido destruído, e os restos osteológicos retirados e levados em direção desconhecida.
Em outrpo local foram descobertos restos de 281 pessoas. Segundo palavras de Serhii Hodlevskyi a esperteza confirmou que estes restos mortais pertencem a prisioneiros de guerra soviéticos que permaneciam no campo de concentração nazista em Lutsk e morreram no início de 1942 de fome e doenças. Em 22 de junho de 2010 realizou-se o enterro desses corpos na colina Hnidovska em Lutsk.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: A.Oliynik

quinta-feira, 7 de março de 2013

DEPUTADO VLASENKO É CASSADO

O Tribunal cassou o mandato de deputado do Vlasenko

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 06.03.2013

O Supremo Tribunal Administrativo tomou de Vlasenko, no dia de hoje, o mandato de deputado do Parlamento ukrainiano. Isto foi motivado pelo fato de Vlasenko atuar, no entender do governo, como deputado no caso Tymoshenko. Ele pediu anulação de licença de advogado recentemente.
Porém, Vlasenko não prática a advocacia desde 2008 e não recebia honorários advocatícios de Tymoshenko, junto à qual não atuava como advogado, apenas como defensor. De acordo com o Código Processual da Ukraina defensor pode ser qualquer pessoa (Me perdoem os leitores se algumas vezes usei indevidamente o termo "advogado", não sabia que eram coisas distintas -OK).

Segundo o advogado N. Tytarenko as questões materiais não contém qualquer documento que Serhii Vlasenko agia como advogado, não como defensor. E, em todos os casos, incluindo o assassinato de Sherban, Vlasenko participou como defensor, de acordo com o velho Código Processual, não como advogado. (Recentemente foi aprovado o Novo Código Processual da Ukraina). O novo Código não se aplica aos processos iniciados anteriormente.

Membro do Parlamento Europeu Rebecca Harms considera a situação politicamente motivada. "Eu não sei quais são as condições normais para este país, quais não são normas, mas o fato de que, na petição, estava ausente a data, como se verificou, e o Tribunal considerou isto normal, é um absurdo", - disse ela e acrescentou que o julgamento ocorre em condições desumanas.

Anteriormente os representantes da Comissão Européia Stefan Füle e Ketrin Eshton manifestaram preocupação com a possível privação do mandato de deputado a Vlasenko.

O Ministério das Relações Exteriores da Ukraina não gostou das declarações dos EUA quanto ao caso de Vlasenko e pediu aos parceiros internacionais não criticar o governo ukrainiano. O Ministério diz que não ficou desapercebida a atenção seletiva exclusiva a deputados da oposição o que dá a impressão de que a política externa admite a possibilidade de evitar a responsabilidade nos termos da lei a membros da oposição.

No dia anterior foi cassado o mandato do deputado Verevskyi, do Partido das Regiões (governo) porque ele combinava atividades empresariais às atividades parlamentares. Segundo a oposição há muitos deputados governistas que se dedicam a outras atividades
econômicas.

Anteriormente já foram cassados dois deputados da oposição.

Segundo o diretor do Departamento de Informação Política do Ministério do Exterior Yevhen Perebyinis a situação com os deputados é da alçada jurídica. "Os compromissos dados a Ukraina pela UE nós realizamos de acordo com a cimeira. Esperamos assinar o Acordo de Associação com a UE em novembro deste ano, apesar das situações com os deputados". - disse Perebyinis.

Segundo Yatseniuk, um dos líderes da oposição, Vlasenko é o principal defensosr da Yulia Tymoshenko e, por isso está sendo perseguido. "A apelação será enviada ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos ainda hoje", - disse Yatseniuk.

Em sua página no Twitter o vice-presidente do Parlamento Europeu declarou: "De Vlasenko retiraram o mandato de deputado, apesar dos apelos da comunidade internacional. Eu temo, que isto é mais um passo para trás na assinatura do Acordo de Associação".

Stefan Füle, comissário europeu para o alargamento da Política Européia e Vizinhança também escreveeu em sua página no Twitter: "A privação de liberdade do deputado, como foi feito no caso de Vlasenko, - não é o caminho europeu. Será que isto aproxima Ukraina da UE"?

Declarações da deputada da UE Rebecca Harms em entrevista ao Canal 5: "No caso de abuso do poder judicial nós podemos chegar a aprovação de medidas especiais contra os membros do poder ukrainiano: proibição de entrada nos terrítórios da UE, por exemplo. Tais medidas já conhecemos e temos experiência com outros países onde houve abuso de poder na luta contra adversários políticos. Para nós, europeus, Ukraina é nosso vizinho oriental... Depois do colapso da União Soviética, depois da Revolução Laranja de 2004, nós tínhamos todas as evidências de que Ukraina está se desenvolvendo rapidamente no rumo de Estado democrático, ao contrário de outros países, - Rússia , Bielorússia...", disse Harms.

Agora os amigos temem que Vlasenko seja aprisionado. Ele já foi proibido viajar para o exterior. Segundo o deputado Pashynskyi do partido "Pátria", o partido vai trabalhar procurando todas as variáveis dentro da lei para resolver este problema e para que Vlasenko não seja preso.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

terça-feira, 5 de março de 2013

HISTÓRIA: DONBASS 2 - GENOCÍDIO NAS MINAS

Espectros de produção. Irreversível desindustrialização de Donbass leva ao despovoamento da região.
 

Tyzhden (Semana), 08.01.2013
Bohdan Butkevych, Kostiantyn Skorkin
 
Como em qualquer região historicamente industrial, a maioria das localidades habitadas no Donbass formou-se em torno de fábricas e copra que gradualmente rodeavam-se com habitações de trabalhadores que formavam distritos.

Já por duas décadas aqui rola a onda de fechamento de fábricas e minas não rentáveis, cuja consequência é a perda drástica e sem alternativa de empregos mas também o total colapso da infraestrutura. Para população isto significa a impossibilidade da sobrevivência, então começa a migração, por causa da qual inteiros distritos transformaram-se no vazio. Devido a todas estas tristes colisões esconde-se uma profunda tendência geral da não efetividade do sistema social-econômico no Donbass.


Reestruturação letal
 

Desindustrialização com a saída da população - quadro bastante típico para todas as cidades pós-soviéticas, mas devemos lembrar que Donbass - é uma região puramente industrial em sua percepção puramente arcaica do final do século XIX. Seus ciclos econômicos, e a mentalidade dos moradores locais gira em torno de apenas uma grande produção como um determinado símbolo sagrado, motivo de orgulho e até mesmo totem. "Para mim a cidade sem produção - algo irreal", - diz o trabalhador hereditário Oleh Sestin de Mariupol. Este tipo de pensamento, que é dominante na região, leva nas últimas décadas a população local ao beco sem saída. "A queda catastrófica dos ciclos de produção no Donbass teve alguns graves efeitos sobre a psique e a mentalidade dos habitantes - diz o psicólogo Andrii Bashkirov de Donetsk. - É claro que quando você perde quase instantaneamente quase todos os meios de ganhar dinheiro, então depois você teme quaisquer mudanças e se segura ao mínimo que ainda possui, é o mesmo desejo obsessivo de "estabilidade", usado hoje pelos estrategistas políticos. No entanto, o impacto de desindustrialização foi muito mais profundo. Do ponto de vista da orientação comercial de todos os trabalhadores locais que vivem tradições como "dinastias de mineração", "recordes Stakhanovskyi" (1), "dignidade proletária por sua fábrica", pessoas sem "sua" empresa em geral perdiam o censo de existência. Destruíam-se todos os fundamentos da vida estabilizada, os cidadãos perdiam a estima e o amor pelo lugar onde nasceram e viveram toda a vida. Daí, todos os problemas da "faixa negra da Ukraina" - embriaguez, indiferença às leis, explosão da criminalidade, etc. No rescaldo desse período Donbasss vive até hoje, e o que dizer sobre o atual processo do despovoamento de pequenas cidades e vilas"?

Na realidade, a falência das minas para uma cidade mineira - é, sem exagero pena de morte para a própria cidade, e as pessoas, porque as joga à época de uma agricultura de subsistência em todos os sentidos. Mina - não é apenas um trabalho que dá dinheiro para viver, mas também é uma estrutura comunitária e social, sistema de meios de vida, sentimento de utilidade, etc. Visto que alternativa em tempos de trabalho durante o encerramento das empresas ninguém deu e não dá, em 1990 teve início o despovoamento e extremas migrações sócio laborais desta região, que continua até o presente. "A assim chamada reestruturação em muitos casos, não era necessária, - afirma o ativista comunitário, empresário e ex-mineiro Oleksandr Ilchenko Sverdlovsk de Luhansk. - A indústria de carvão em 1990 deliberadamente destruíam. A gestão local recebeu carta branca de Kyiv para venda de produtos e equipamentos caros, e até as próprias empresas, por uma ninharia, para particulares. Toda região encontrou-se à beira da sobrevivência, enquanto um punhado de pessoas, que agora constituem as chamadas elites locais enriqueceram.

Este processo, embora um pouco diminuiu, continua até hoje, visto que as empresas que pararam, em 90% nunca mais retornarão à atividade. Portanto, as pessoas que lá trabalhavam são obrigadas a procurar melhor destino fora da cidade em que cresceram mas já é impossível viver. Porque nem o governo local, nem o central não faz nada, para dar aos moradores das antigas cidades mineiras qualquer outra perspectiva econômica.

"Genocídio de minas"

Um exemplo flagrante da situação no Donbass é a Província de Donetsk, onde no início de 2012 registraram 11,5 mil casas abandonadas. E isto é apenas a estatística oficial mas, como afirmam os especialistas, muito comum é a prática, quando no papel a casa tem proprietário mas, de fato, ninguém vive lá, porque as pessoas estão nos lugares de trabalho, sem chances de regresso. Portanto, a contagem real de casas abandonadas pode ser duas a três vezes maior, o que dá base para dizer da existência de muitas cidades de Donbass estarem na situação de "fantasmas".

Em algumas cidades depressivas estão esvaziados distritos inteiros. Por exemplo, em Briantsi, cidade mineira a 58km de Luhansk, onde durantee a grande reestruturação industrial, das 12 minas que alimentavam a cidade, fecharam 9. Esta manobra do governo levou à catástrofe humanitária. Em 20 anos a população diminuiu quase metade. As pessoas começaram sair, em todas as direções, para sobreviver, deixando a casa abandonada, porque em meados dos anos noventa, vender imóvel no interior de Luhansk, de 100 a 300 USD considerava-se um grande sucesso.

Oleksandr, 30 anos, agora morador de Donetsk, lembra, que em 1996, sua família vendeu a casa de dois quartos, em Zorynsk, cidade deprimida, com um bonus na forma de área de terra, por 300 USD. Ele acredita que a família teve muita sorte porque um ano depois, os vizinhos não tendo encontrado um comprador, ao sair à procura de uma vida melhor na Rússia, simplesmente fecharam a casa e saíram.

Viajamos para Zorynsk. A cidade nos recebe com uma mina. Ela não funciona mais e lembra o esqueleto de um enorme monstro de metal. Quase imediatamente chamam a atenção as casas abandonadas - no início propriedades isoladas com quintais e pomares, depois edifícios de vários andares. O processo de destruição da cidade já foi demasiado longe - quase todos os moradores que encontrávamos, contavam que não trabalham em Zorynsk e sonham em sair dali como fez a maioria de seus parentes e conhecidos. O único que ainda dá sobrevivência para alguns milhares de autóctones e a autoestrada M-04 até o ponto de fronteira "Izvaryne", que passa pela cidade e possibilita ir ao trabalho em Alchevsk.

Outra questão muito importante para os moradores, que não foi sequer diretamente relacionada com a produção local - a falta de alternativa do sistema econômico local também provoca fuga em massa da população da região depressiva. "Se você não quer ir para a fábrica, você não é compreendido, - explica o artista Andrii Sirei de Iasynuvatoia, que hoje reside em Kyiv. - Desde criança você é pressionado, se sonha com algo que não se encaixa no código cultural local. Como, você quer pintar? Como se dissessem: no país não há fábricas, mas todos desejam ser artistas. Todas as profissões, não relacionadas com a produção de materiais, em nosso país, não são consideradas sérias. Por isso, para mim e meus companheiros nunca houve e não há escolha no atual Donbass - precisa sair na primeira possibilidade, não procurando oportunidades melhores. Se precisar abandonar a casa - então deixe queimar com uma chama azul".

"Eu pouco lembro minha cidade natal - diz Serhii Halkin de Snizhne, de Donetsk, cuja família teve a sorte de mudar para Boryspil (região de Kyiv). - Nós saímos de lá em 1997 quando a mina onde trabalhavam meu pai e meu avô fechou. Serviço não havia nenhum, a dificuldade era tanta que até os produtos não chegavam regularmente, e comprá-los não havia com o quê. Desde a infância, de Snizhne pouca coisa lembro, além de muitos monumentos a Lenin. Não estive lá nem uma vez após a partida, e não me atrai, se falar abertamente".

Reduzir a dependência

Em locais onde a indústria do carvão de alguma forma manteve suas posições graças a privatização das minas, a situação com o despovoamento não progride tão catastroficamente. Por exemplo, na mal afamada cidade Sukhodolsk, onde no ano passado, em consequência de um acidente morreram 28 mineiros, nos últimos anos aos apartamentos abandonados começaram retornar as pessoas. Masmo, apesar de que, segundo a estatística, a declinação da população é uma das mais rápidas - não somente em Donbass, mas em geral, na Ukraina.

Sukhodolsk, à primeira vista causa má impressão: ruas cinzentas, prédios gastos que não viram reparos no mínimo desde o colapso da União Soviética, figuras solitárias de moradores locais depressivos da região. Mas, especialmente, a visão fantasmagórica apresentam os prédios com alguns andares habitados, outros não. Por exemplo, no prédio de 12 andares, na periferia da cidade, no quarto andar colocaram grade: mais você não sobe. "É bom que fecharam a passagem, - diz um morador local. - Porque anteriormente os viciados organizavam ali sua guarida. E na entrada vizinha um jovem casal conseguiu permissão para moradia, em um apartamento vazio. Moram lá e já tentam fazer reparos".

As autoridades locaiss de Sukhodolsk encorajam o repovoamento das habitações abandonadas. Os apartamentos transferem à propriedade de novos moradores graciosamente, mas fazer reparos é dever dos novos moradores, às suas expensas. Dessa forma, aos poucos a alguns prédios-fantasma começa retornar a vida.

Será por muito tempo? Nos últimos 2 anos, o governo de Mykola Azarov constantemente declarava que a indústria do carvão era muito necessária ao país devido ao desejo de reduzir a dependência do gás da Rússia. Por isso, dizem eles, em breve começará o renascimento nesta área. No entanto, especialistas econômicos afirmam, que aos oligarcas do governo realmente não é interessante mudar para o carvão, porque haverá necessidade reconstruir o ciclo de produção, o atual satisfaz. Então, esperar por mudanças positivas no terreno da mineração dificilmente vale a pena.

O maior problema é que, o governo nem sequer tenta, de alguma forma, diversificar a orientação econômica de Donbass para metalurgia pesada e indústria de carvão. Assim, ele deixa a população dependente desses setores que não são competitivos devido a desatualizadas técnologias, não efetivo aproveitamento da força do trabalho e de natureza bruta da produção local. A maioria das instalações de produção está nas mãos de proprietários privados, e que, dificilmente investem em modernização. Então, em tal situação, o processo de fechamento de fábricas e minas com o futuro despovoamento vai continuar.

Na verdade, podemos constatar, que todo sistema sócio-econômico de Donbass está em impasse. Para tirá-lo de lá, são necessárias, além das reformass de produção, também medidas capazes à população já incapaz de trabalhar nas fábricas e minas após reorganização, deixar de ser proletariado, amarrado até a morte à indústria do carvão. É um processo doloroso, mas muito necessárioo que Donbass deverá, cedo ou tarde ultrapassar. Assim como fizeram seus antecessores no mundo todo, como o alemão RUHR e o Gales britânico. A questão é, se não será tarde demais.
(1) O início do movimento Stakhanov foi em Donbass. Em 31.05.1935 O. Stakhanov durante seu período de trabalho extraiu 102 toneladas de carvão (o normal era 7t.). Mas, no registro foi omitido que ele trabalhou com auxiliares. Em setembro de 1935 ele repetiu o seu feito extraindo 175t., e alguns dias mais tarde 227t. Novamente o feito foi atribuído apenas a Stakhanov.

O movimento Stakhanov deu impulso para melhorar o desempenho, o que era muito estimulado e elogiado. Nas minas começou a corrida para estabelecimento de recorde absoluto. Assim em fevereiro de 1937 Mykyta Izotov extraiu 670t., com 12 auxiliares. Logo a liderança do partido começou a usar a iniciativa em todos os setores da economia. A partir de 1936 foram aumentadas as obrigações e a não execução delas castigava-se como sabotagem.

A introdução generalizada de métodos de Stakhanov foi um dos fatores da crise na indústria, acompanhada pelo aumento da exploração dos trabalhadores e repressão em massa contra a equipe técnica e os executivos de negócios. 
Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: A.Oliynik