quarta-feira, 3 de outubro de 2012

CANAL TVi PAGA SUPOSTA DÍVIDA

Mykola Kniazhytskyi: Os ukrainianos salvaram o Canal TVi

Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 25.09.2012

Os ukrainianos salvaram TVi. Graças aos esforços de milhares de doadores o Canal TVi conseguiu, em tempo, resgatar a suposta dívida de 4,1 milhões de UAH (mais ou menos 50.000 USD). Apesar da cobrança ser ilegal o não pagamento levaria ao total bloqueio do canal.

Uma campanha beneficente "Salve TVi" iniciou em 13 de setembro. As doações vieram de quase 11 mil espectadores e organizações, num total de 2.845.239,12 UAH e mais dois milhões da Oposição Unida. Sobraram 746.788 UAH que ajudarão o Canal que deveria receber 6 (seis) milhões de UAH, como compensação do Estado. Assim o Canal, além de não receber o que lhe era devido ainda precisou pagar a alta quantia abusivamente cobrada pelo governo. (O governo precisa arrecadar a qualquer custo pois, do contrárioo, aonde conseguirá dinheiro para construção do complexo palaciano de Yanukovych, helicópteros e aviões à sua disposição?? - OK). Também vários desligamentos na rede a cabo trouxeram perdas milionárias ao Canal TVi.
Mykola Kniazytskyi (Foto) agradeceu pelo apoio e disse que procurará, com responsabilidade ainda maior, não trair a confiança dos cidadãos no seu trabalho, no praticamente único Canal de Televisão de idioma ukrainiano.


Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

ELEIÇÕES PARLAMENTARES NA UCRÂNIA: DE VIOLAÇÕES ELEITORAIS ATÉ FRAUDES NOS SORTEIOS

Fundos beneficentes
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 25.09.2012
Tetiana Nikolauyenko

As eleições legislativas de 2012 entrarão para história como eleições de "boas ações". Parece que nunca antes os políticos abusaram tão abertamente de "bondosas ações" como nestas eleições.
Mas, no primeiro mês da campanha oficial apenas um candidato, David Zhvania, foi advertido pela violação da campanha.
A lei eleitoral proibe a realização da campanha eleitoral acompanhada de doações, a pessoas ou instituições, de mercadorias ou serviços, bem como de títulos, créditos ou bilhetes de loterias. É permitida a distribuição de produtos, com imagem visual do nome, símbolos, bandeira do partido, desde que seja algo barato - cujo preço não exceda mais do que três por cento do salário mínimo.

No entanto o fundo beneficente é um maravilhoso buraco na lei, através do qual os candidatos podem contornar a exigência legal. Inclusive podem começar a campanha através do fundo muito antes do lançamento oficial da campanha eleitoral, significativamente exceder ao montante do orçamento e praticar o suborno indireto em nome do fundo, e não de si mesmos.
A legislação é perfeita para este truque. Os candidatos não podem fazer parte da liderança do fundo, mas o fundo pode usar o nome do candidato.
As atividades dos fundos beneficentes não duram apenas durante a campanha oficial, às vezes suas atividades iniciam até dois anos antes.

Oleh Dovhei, de Kyiv, começou a "persuadir" os eleitores desde o ano passado. No mesmo espírito começaram trabalhar Maksym Lutskyi, Oleksandr Feldman, Veleri Pysarenko, Tetiana Bakhteyeva.
E, já no início de maio, os casos isolados tornaram-se epidemia. No Dia da Vitória dezenas de "deputados regionais", através do fundo beneficente "Ajudas ao Próximo" distribuíram trigo sarraceno, óleo e chá a pensionistas de Kharkiv.
Alla Shlapak, em seu próprio nome, já distribuiu produtos por mais de cinco vezes.
Oleksandr Onishchenko e Maksym Lutskyi servem-se do fundo "Família".
Já para o candidato Lytvyn (atual presidente do Parlamento) foram alocados 75 milhões de subsídios estatais, mas o seu fundo também agrada os eleitores com bicicletas, relógios, agendas. A Lytvyn associaram a seguinte anedota: - "Compadre, você daria um milhão? - Sim, daria. - E dez milhões daria à nação? - Claro que daria! - E o seu porquinho você dará à nação? - Porquinho não, ele é meu!". No seu distrito eleitoral Lytvyn está distribuindo 100 milhões.

Yulia Lovochkina, irmã do presidente da administração presidencial também distribuiu bicicletas aos carteiros, não do fundo beneficente, mas do "Centro Social Yulia Lovochkina". Ela também recebeu 24 milhões de subsídios estatais.

Os fundos beneficentes agem em quase todas províncias e distritos. A seguir mais alguns exemplos.
Na região de Lviv, há, no mínimo quatro círcuitos eleitorais. No círcuito eleitoral 92, sob esse esquema funciona o ex-dirigente da "Estrada de ferro" Tarás Kozak. As pessoas o procuram para realização de certos eventos e recebem ajuda desde um mil UAH.
Nos círcuitos eleitorais 118 e 120 candidatam-se os irmãos oligarcas Dubnevech. Através de seu fundo beneficente eles financiam, principalmente, comemorações religiosas, esportivas, unufirmes esportivos para crianças e, ultimamente, oferecem peregrinações a santuários.
Ihor Rybakov de Chernihov, também agita com turismo religioso.
No circuito eleitoral 125, na região de Lviv, Andrii Lopushanskyi, ex-vice-presidente de "Naftogás" e compadre do ex-líder do Congresso dos Nacionalistas Ukrainianos, ativamente remonta as estradas e organiza as comemorações nas aldeias.
Oleksandr Volkov ocupa-se desde a montagem de pracinhas infantis e computadores a garrafas de cachaça com sua foto.
Okleksandr Kostenko presenteia escolas, vencedores de diversas competições, monta pracinhas infantis, distribui entradas para jogos de futebol.
Andrii Derkach distribui diversas técnicas a escolas e jardins de infância e até a eleitores.
Kharkiv parece ser a província de candidatos "mais generosos" em agradar o eleitorado. Assim, até um leão foi doado ao zoológico local.
O magnata de automóveis Dmytro Sviatash remonta os telhados das escolas e dá diversas ajudas a instituições médicas e de ensino.

E assim por diante, assim por diante, assim por diante...
Durante o mês de agosto os observadores da rede "Opora" (Apoio) registraram uma intensa atividade eleitoral de 64 fundos beneficentes em 22 províncias da Ukraina. Segundo a Organização, 34 fundos pertencem a candidatos independentes, 20 ao Partido das "Regiões" e o restante aos Partidos "Pátria" (Yulia Tymoshenko) e "Udar" (do pugilista Klychko).

Os políticos ukrainianos acham mais fácil trazer um pacote de chá, de trigo mourisco ou mesmo um computador, em vez de expor seu programa e quaisquer estratégias para o país. Mas seu público é merecedor. São pessoas, às quais é normal que o orçamento seja destinado ao candidato de sua região e eles recebam as migalhas do bolo, que é preparado com os impostos por eles pago.


 
 
Aqui as crianças seguram as bandeiras do Partido das Regiões para o candidato a deputado Serhii Horokhov, o que é proibido por lei. Na segunda foto é o próprio conversando com as crianças.

 
 

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 22.09.2012
 
A oposição revelou muitas violações no sorteio de representantes de partidos para fiscalização das seções eleitorais.
As forças políticas oposicionais afirmam numerosos abusos durante o sorteio para criação de comissões junto às seções eleitorais. No dia 21.09.2012, que era o último dia para realização do sorteio, no circuito eleitoral 212, a comissão eleitoral levou seis (6) horas para decidir quem deveria puxar os lotes, e quantos deveriam ser. À meia-noite, a inclusão dos candidatos levou ao fracasso do sistema eletrônico. O resultado apontou inúmeros erros e foi anunciada uma pausa até às 15 horas do dia seguinte..
Também foram verificadas inúmeras violações no circuito eleitoral número 211. A comissão não conseguiu chegar a um acordo até às 7:00 horas da manhã e simplesmente deixou a sala de reunião.
 
Na foto acima veja a diferença das fichas para o sorteio
Da província de Luhansk a dirigente da oposição Iryna Veryhina declara que tentam eliminar os membros da oposição das comissões eleitorais realizando novos sorteios. Assim, nos circuitos 104 e 112 onde, após o sorteio, a maioria dos membros era da oposição, em meia hora repetiram o sorteio.
 
A organização "Svoboda" (Liberdade), da Província de Poltava, denuncia que o Partido foi completamente alijado da participação em comissões eleitorais. "Isto aconteceu, sincronicamente em toda a província, o que testemunha a vontade do regime a todo custo manter o poder, introduzindo mecanismos de fraudes maciças" - cita a imprensa do partido.
 
"Nós contestamos a decisão da Comissão no Tribunal com a introdução de mais de 50 queixas de diversos partidos. Os governistas recebem a maioria nas comissões eleitorais apenas graças à maioria aritmética. E continuam tentando enganar à todos não introduzindo os nomes de nossos candidatos para sorteio, ou colocando os nomes de quem não tem direito, aumentando a quantidade de seus, e a possibilidade.
Tradução: Oksana Kowaltschuk

sábado, 29 de setembro de 2012

DECLINAM INTERESSES DOS INVESTIDORES NA UCRÂNIA

Por que Ukraina é mais pobre que Malásia
Tyzhden (Semana), 27.04.2012
Bohdan Tsiupen entrevista Paulo Sheremeta
 
Um dos participantes da Oitava Cúpula Ukrainiana de Investimentos, realizada em abril, em Londres, o consultor de negócios de "Blue Ocean Strategy Network" Paulo Sheremeta em entrevista a "Semana" expressou sua opinião sobre as causas do declínio do interesse dos investidores na Ukraina. Senhor Sheremeta trabalhou vários anos como conselheiro do governo da Malásia, portanto, compara a experiência deste país asiático que está se desenvolvendo rapidamente, com a Ukraina.
 - No ano passado, quando eu ainda trabalhava em Malásia, onde com o Instituto de Estratégias do Oceano Azul éramos consultores do governo, ao mesmo tempo em Londres, em maio de 2011 aconteciam duas cúpulas: da Ukraina e da Malásia. Da Malásia, como é fácil de prever foi, pessoalmente, o primeiro-ministro. Da Ukraina devia comparecer Iryna Akimova, que encontrava-se "demasiadamente ocupada e não veio". O mais alto representante da Ukraina na conferência foi Vladislau Kaskiv. Estes são países comparativos. Estes não são Índia e China. Malásia e Ukraina - aproximadamente tem as mesmas necessidades. Mas na Cúpula da Malásia, deste país, veio o primeiro-ministro, o qual ativamente convidava os investidores ao seu país e, à ukrainiana Kyiv delegava Vladislav Kaskiv, cujo tom do discurso reduzia-se a: "em princípio, faremos nós mesmos". Na última cimeira ukrainiana soou algo parecido. Eu trabalhei em Malásia, a qual tinha um grande orçamento para atrair investidores estrangeiros. Eu sei quem trabalhou por aquele país. Foram os melhores "vendedores". Para representar o país nos diversos fóruns, para que ela parecesse agradável. É uma questão de marca, que é uma questão de esforços concretos. Isto é uma questão de mais altos funcionários do país, que nas cúpulas ukrainianas simplesmente não vemos.
Semana: - Por que o governo de um país como Malásia compreende e pode atrair mais de um terço a mais de investimentos estrangeiros diretos do que Ukraina?
- Se disser com uma frase: a diferença entre países ricos e pobres consiste em como percebem o poder os governantes. Essa frase é de alguém: "Em países bem sucedidos os governantes percebem o poder como responsabilidade, e nós países sem sucesso, os governantes percebem o poder como recompensa". E aí está o abismo.
 Semana: - O slogan de Yanukovych para estas eleições é apresentar Ukraina como um dos 20 países industrializados. Os slogans e programas existem também na Ukraina... 
- A este objetivo está sujeita toda atividade do governo da Malásia. Cada ministro no âmbito do programa tem os seus próprios indicadores de sucesso, que levam todo o país para esta finalidade. Se o ministro não realiza os indicadores, então surge a pergunta sobre um novo ministro. O primeiro-ministro constantemente enfatiza que é uma honra para sua geração carregar a sua batuta até o final. Este é o espírito que paira no país.
 Semana: - O que fortalece este espírito: 
- Um fato - a par Singapura. Isto, é também, o que eu não sinto até agora na Ukraina em um nível profundo - senso de competição. Singapura fazia parte da Malásia. Este é um país muito bem sucedido, a muito reconhecido como desenvolvido. Malásia diz: se eles podem, por que nós não podemos? Em Singapura na ilha não há nada. Malásia tem tudo: petróleo, gás, minérios, praias, recifes de coral, plantações de borracha, palmeiras... E população bem maior. Por que nós não podemos atingir isto? Os ukrainianos devem ter esse humor tigrino. Em abril eu participei de uma mesa redonda "Iniciativas 1° de dezembro" e novamente ouvi o "Choro de Yaroslavna (Referência a poema heróico do final do século XII que narra a história da princesa Yaroslavna, esposa do Príncipe Igor que, à espera de seu amado, chorando apela ao vento, ao rio Dnieper e ao sol pela volta dele - OK). Eu me perguntei: quando formava-se o Movimento Popular na Ukraina, com sucesso ou não - é outra questão, mas o clima era diferente? Ele era diferente. Havia o sentimento de que venceremos, que faremos, que conquistaremos independência e faremos este país desenvolvido. Enquanto nós não restaurarmos dentro de nós essa disposição e esse estado de espírito, praticamente não haverá nada. Isto é uma questão politicamente sensível sobre a qual é preciso falar com cuidado, mas Ukraina Ocidental fazia parte da Áustria-Hungria cujo PIB agora, por pessoa, é de 15 mil dólares? A parte oriental entrava no Império Russo, cujo PIB atualmente, é significativamente inferior a 15 mil dólares. Espere! Por que nós criamos este país? Nós o criamos para que os ukrainianos pudessem viver melhor que antigamente nos impérios, mas recebemos um país independente no qual se vive pior?
 Semana: - O senhor fala sobre espiritualidade e outras coisas que não podem ser medidas e implementadas com uma decisão: avante, levantemos o espírito! 
- E mais ainda, você sente isso. Você chega em qualquer país ou cidade, entra na sala e sente - esta é uma cidade viva, energética ou pessimista.
 Semana: Ukraina precisa alcançar um determinado limite, vivenciar uma catarse? Como mudar o espírito?
 - Eu acredito que Ukraina entrou em uma certa apatia após a Revolução Laranja. Depois aconteceu um fato semelhante com os partidários do atual governo, no qual os apoiantes tinham grandes esperanças em 2010. Mas estou convencido de que o país vai sair desta situação. Porque esta situação não é natural para o ser humano. Também não é uma condição natural para sociedade.
 Semana: - Pode-se esperar um espírito conjunto de pessoas que falam línguas difrentes, pessoas que vêem o seu lugar no mundo de forma diferente - na Europa, fora da Europa, com Rússia. Isto não é evidência de maior profundidade?
- Sim. Mas, todas estas manifestações eu perceberia com horror, se não tivesse estado em Malásia. Lá havia um sentimento análogo: nós somos pobres, infelizes, esfrangalhados, desintegrados. 65% dos malaios - muçulmanos, 35% - chineses, 10% indianos. Língua comum - inglesa. Língua oficial - malaia, mas a linguagem realmente comum em muitas esferas - inglês. Casamentos mistos lá quase não há. Se a pessoa não muda a religião, o que é complicado, casamentos mistos não pode haver. Com a desagragação do Império Britânico havia tristes previsões tanto quanto a India, quanto a Malásia. Diziam, que tais países não sobreviveriam. Índia dividiu-se - saiu Bangladesh e Paquistão. Malásia, apesar dos problemas não desintegrou-se. Por quê? Porque há este objetivo. Note na língua eslava as palavras: propósito e integridade - mesma raiz. Eu, como pessoa sou íntegro quando tenho um propósito. Quando não há propósito, há desintegração.
Semana: - O propósito pode ser encontrado. Todos querem viver bem, desejam o melhor para seus filhos. O que divide é a visão para o alcance da meta. Na Ukraina atualmente é a visão do desenvolvimento do modelo europeu, e tem o pensamento da necessidade de voltar a Moscou, o que supostamente ajudará com gás mais barato, o que é mais cruel, mas mais compreensível à parte da sociedade é o mundo sob slogans da assim chamada fraternidade. O senhor concorda, que o problema está nesta dualidade? (Os russos acenam com igualdade aos ukrainianos, referem-se ao "povo irmão", usam e abusam dessa expressão mas, na realidade, esse tratamento não se baseia em nenhum ato sólido e, ao longo da história serviu apenas como uma expressão cínica e enganosa - OK).
 
- Não. Eu penso que não. Em primeiro lugar, podemos encontrar um denominador comum - ele é facilmente pesquisado. Mas a tarefa principal é encontrar o maior denominador comum. Estas são as tarefas que fazemos juntos. Elas nos unem. O maior denominador comum consiste em que, um lado não obrigatoriamente faz o mesmo que o outro lado, mas eles, pelo menos, não se provocam. Deixemos de lado tudo o que irrita e ficaremos com o nosso maior denominador comum! Assim trabalham os parceiros nos negócios. É claro, que isto é trabalho da elite, trabalho do governo, o qual deve ser responsável.
Semana: - Domina na Ukraina a ideologia: "pegar rapidamente o máximo e fugir o mais longe" - é também problema do pêndulo? Isso não vai passar? Aonde irão as pessoas, as quais obtendo poder na Ukraina pensam que seu dinheiro ficará na Suiça, seus filhos estudarão na Inglaterra, e protetores - na Rússia?
- Eu sei a direção. Eu não sei os termos. Há três componentes: a direção, os termos e o que fazer. Eu sei a direção e sei o que fazer. E isto é suficiente. Os termos não me preocupam muito. Por quê? Porque eu considero como um problema de 2004 as expectativas demasiado elevadas. Um dos componentes da filosofia budista, que eu trouxe da Ásia - é minimizar as expectativas. A chuva de Londres não decepciona, mas se você esperou apenas sol, então há motivos para decepção. A direção será, sem dúvida, para o lado certo, porque a sociedade ukrainiana não é, fundamentalmente doente. Ela é, como tantas outras. Olhe, em Mianmar libertaram presos políticos! Eu estou convencido que o que está acontecendo na Ukraina - fenômeno temporário. Eu não sei daqui a quantos anos, mas um dia a história vai considerar que isto foi uma exceção para o desenvolvimento normal.
 Tradução: Oksana Kowaltschuk

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

TROCAMOS SACOLAS POR VOTOS !!!

Pirâmides eleitorais
 Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 21.09.2012
Tetiana Nikolayenko
Os ukrainianos já não se surpreendem com sacolas de alguns produtos. Os candidatos, para receber o desejado resultado nas eleições oferecem suborno - de 50 a 300 UAH (6 a 36 USD mais ou menos).
 O suborno direto, segundo o CEU (Comitê de Eleitores da Ukraina) é perigoso mas, está se tornando um fenômeno de massa e, em algumas seções pode significar que as eleições simplesmente serão compradas. A pessoa que recebe dinheiro sente que aceitou o compromisso, ela votará em quem lhe pagou.
 Como funciona? Inicialmente, vêm à cidade ou aldeia algumas pessoas do "estado-maior" do candidato e recrutam voluntários. Os voluntários vão às casas dos moradores vizinhos e os "recrutam" para reunião. Na primeira reunião recebem um "sinal". Antes das eleições recebem a segunda parcela, e a terceira é prometida para após o pleito. Os moradores que residem distante dos locais das reuniões são trazidos. As reuniões acontecem nas casas de cultura.
 A jornalista conseguiu evidências de Oksana Kaletnyk - sobrinha do deputado "regional" Hrehori Kaletnyk e irmã do presidente da Alfândega Ihor Kaletnyk.
 

A pessoa diz à jornalista que confia na obtenção da ajuda caso precise. Outra pessoa comenta sobre ajuda dada a uma família numerosa. Mas, responder se receberam dinheiro, muitos não queriam e afastavam-se rapidamente. Entretanto, um senhor confirmou que a esposa foi na reunião e recebeu. Depois, à sua casa veio a voluntária para assinar uma ficha de apoio a Oksana Kaletnyk. O cidadão disse à moça voluntária: Agradeça que você é nossa comadre, caso não fosse eu lhe daria um... e saia daqui o mais rápido possível".
 A ficha geralmente acompanha a sacola. A pessoa assina confirmando que quer ser considerada como adepta do fundo, e declara que partilha os seus valores.
 
 
 "Este é um subterfúgio moralmente muito mais forte que a simples distribuição de produtos. Assinando a tal ficha, a pessoa torna-se moralmente comprometida e se considera parte dessa comunidade", - disse o chefe do CEU Oleksandr Chernenko.
 


No segundo vídeo Oksana pede e orienta o preenchimento da ficha.
Uma vovózinha-participante em Yampol contou os acontecimentos: o encontro foi a portas fechadas, somente os convidados. Recebemos pacotinhos - água, balas, chocolate, livrinhos sobre a candidata e a ficha. Depois houve um concerto. Mostraram um filme sobre a candidata e foram executadas três canções dedicadas a ela. No final nos deram 50 UAH, diz a vovózinha, quase sussurrando.
 Já um colaborador do "estado-maior" do candidato Poroshenko-pai diz que eles também trabalham com os eleitores, mas somente dentro do permitido, não usam de subrono direto... " "Eles promovem 2-3 reuniões por dia (referindo-se a Oksana Kaletnyk). De onde tanto dinheiro? Mesmo nós não podemos nos permitir isso". (Poroshenko-pai é um cidadão muito rico e de idade bastante avançada. Nos últimos dias desistiu da candidatura por motivos de saúde. Poroshenko-filho, riquíssimo, (rei do chocolate na Ukraina), continua candidato - OK).
 Oksana Kaletnuk explica que o preenchimento da ficha é para que as pessoas aprendam a posicionar-se e reivindicar os seus direitos. Os encontros a portas fechadas é para que ninguém fique em pé ou sente nas escadas.
 É claro que nenhuma vovó Vera ou comadre Valya irá à milícia registrar o recebimento do suborno de 50 UAH. Às pessoas que vivem numa região deprimida, onde não há trabalho, até mesmo os 50 UAH trazem felicidade. E, pior, a maioria nem percebe que isto é suborno.
 O candidato Ihor Babenko pretendeu construir sua pirâmide através da ajuda dos escritórios de habitação,os ZHEK (corresponde aos nossos condomínios - OK). Trabalharia com os aposentados. O esquema seria mais ou menos semelhante ao esquema de Oksana Kaletnyk, porém o Tribunal de Apelação não permitiu. (Seria por se tratar de Kyiv, cidade de grande importância cultural onde as pessoas não aceitariam passivamente? - OK).
 Já em Luhansk uma pirâmide semelhante, do candidato Serhii Shakov está a pleno vapor.
Tradução: Oksana Kowaltschuk

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A NOVA QUESTÃO CONTRA EX-PRIMEIRA MINISTRA

Desacreditar Tymoshenko para vencer as eleições
 
Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 21.09.2012
Ivan Farion
 
O Tribunal de Comércio de Kyiv decide, na véspera das eleições, desacreditar ainda mais o ex-primeiro-ministro Yulia Tymoshenko, mesmo se tiver que pagar caro por isso - 400 milhões de USD. É mais um movimento para comprometer os oponentes do governo.
A nova questão contra Tymoshenko no Tribunal do Comércio de Kyiv, para satisfazer as pretensões do Ministério da Defesa da Rússia cuja exigência data desde o ano passado, para amortizar uma dívida de 15 anos atrás. A dívida seria da "United Energy Systems da Ukraina, que na época era dirigida por Yulia Tymoshenko. A acusação é que "United Energy Systems da Ukraina não cumpriu um acordo comercial e que o governo da Ukraina (dirigido na época por Pavlo Lazarenko) deu garantias ao lado russo. Então Ukraina deve pagar 405,5 milhões de USD.
 As reivindicações de Moscou vieram, inicialmente, na metade do ano passado. As autoridades ukrainianas negaram categoricamente a existência de quaisquer garantias do governo, respectivamente - da dívida pública perante o Ministério Russo da Defesa. Moscou abriu processo. E, de repente, o Tribunal de Comércio de Kyiv passou para o lado da Rússia e decidiu que Ukraina deverá pagar a dívida.
 Este veredicto chocou. No entanto, os especialistas e políticos da oposição vêem aí um astuto jogo de combinações. A decisão de primeira instância foi uma explosão de informações e, no meio da campanha eleitoral acrescentou negativismo a Yulia Tymoshenko e sua força política. De acordo com os analistas, o cálculo de quem ditou as linhas do acordão é simples: comprometer a oposição aos olhos do eleitor para que os cidadãos não lhe entreguem seu voto. Com toda certeza o Partido das Regiões vai reforçar sua propaganda e, a cada passo vai atacar os cérebros dos cidadãos. Gritarão algo como: "Você vê, meu caro, o que Tymoshenko causou ao país, dívidas bilionárias! Nós, agora, teremos que pagá-las e, por isso não podemos aumentar o seu salário, sua pensão. Tymoshenko é a causa de toda sua miséria e sofrimento!"
 Os observadores dizem: quando as eleições terminarem, e essa "dívida" negativa fará seu trabalho sujo, o governo protestará contra a decisão de primeira instância - e o Tribunal de Recursos caçara a decisão do Tribunal do Comércio. Desta forma, o governo espera matar dois coelhos com uma só cajadada. O governo de Azarov não vai pagar a dívida mítica, e graças à lavagem sobre Tymoshenko o Partido das Regiões e seus satélites esperam ganhar mais mandatos.
 
Tradução: Oksana Kowaltschuk

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

YULIA: RÉ DE UM NOVO PROCESSO JUDICIAL

Notícias sobre Tymoshenko e dívidas
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 11.09.2012

"Tymoshenko, mais cedo ou mais tarde terá de comparecer ao Tribunal", declarou a promotora Victória Kalyta, segundo "Interfax-Ukraina".Contra Tymoshenko foi iniciado segundo julgamento, é o caso da "United Energy Sistems of Ukraine", empresa dirigida por Yulia Tymoshenko. Mas, foi adiado atendendo ao pedido de médicos da clínica alemã "Charite", que tratam da saúde de Tymoshenko.

Segundo a promotora, 8 semanas de descanso solicitadas pelos médicos, terminam em 20 de setembro.

Neste processo Yulia Tymoshenko é acusada pela organização da apropriação da propriedade alheia (recursos de Estado) através de abuso de poder, falsificação e evasão de impostos da corporação da "United Energy Sistems of Ukraine"

Isto foi anunciado após a reunião de hoje, pelo juíz Anatoly Ivchenko, segundo o correspondente deste jornal.

Além desta acusação do governo ukrainiano a Tymoshenko, o Ministério da Defesa da Rússia cobrou do Gabinete de Ministros da Ukraina o pagamento de quase 400 milhões de USD (prejuízo que teria sido causado pela empresa da Tymoshenko) o que foi aprovado pelo Tribunal do Comércio de Kyiv, em primeira instância, dando o seguinte veredicto: "Cobrar do orçamento do Estado da Ukraina de modo indiscutível, de qualquer conta detectada durante a execução de decisões judiciais, em favor do Ministério da Defesa da FR, a dívida de 3 bilhões, 113 milhões 53 mil 506 hreyvnia e 26 centavos (aproximadamente 390 milhões de USD), e uma taxa de 61.862 UAH", - disse Ivchenko.
Ele explicou que a demanda está satisfeita em parte, porque o Ministério da Defesa da Rússia, além deste montante, pretendia ainda o pagamento da multa, cerca de 16 milhões de dólares.

Segundo declaração de Valeri Khoroshkovskyi, primeiro-vice-ministro, a possibilidade de apelação será estudada. Mas, de qualquer modo não há fundos para este pagamento.

Essa dívida, os russos afirmam, surgiu na segunda metade da década de 1990, quando liderada por Yulia Tymoshenko, a empresa "United Energy Systems of Ukraine" não cumpriu com um acordo de fornecimento de produtos de suprimentos industriais para as necessidades do departamento militar russo.

O governo da Ukraina, que na época era encabeçado por Pavlo Lazarenko, forneceu garantias estatais a Rússia. (Pavlo Lazarenko está preso nos EUA, desde 1999. Sai para liberdade em primeiro de novembro deste ano - OK).

Segundo o ex-ministro das Finanças, Viktor Pynzenyk, comentando a decisão quanto a dívida da "United Energy Sistems of Ukraine" disse: "A legislação ukrainiana, bem como em todo mundo, delimita a responsabilidade do Estado e das empresas - o Estado não é responsável pelas obrigações de empresas e as empresass não são responsáveis pelas obrigações do Estado". O ex-ministro observou, que a dívida comercial pode tornar-se estatal somente se passar por um processo determinado pela legislação para obtenção de garantia. Mas o fato da entrada da garantia em vigor relaciona-se com o não cumprimento das obrigações do devedor.

"Por essas razões, quando se avalia a dívida de qualquer país no mundo para a dívida pública direta (dívida de instituições estatais) sempre se acrescenta a dívida garantida (dívida comercial, para a qual foi dada a garantia do governo). Porque a última - é uma dívida potencial do governo", - disse Pynzenyk.

"Hoje, a dívida direta e garantida - 497 bilões de UAH (algo como 60 bilhões de USD). A composição desta dívida é conhecida. Sua relação e devedores estuda o Ministério das Finanças. Nesta relação nunca houve a dívida da "United Energy Sistems of Ukraine", observou o economista.

Segundo suas palavras, se essa dívida fosse garantida, então o não pagamento pelo devedor levaria automaticamente à garantia do Estado, e a não execução de sua obrigação pelo Estado, há muito tempo resultaria em default.

As declarações do Ministro da Justiça coincidem com o exposto pelo ex-ministro das Finanças Viktor Pynzenyk.


Notícias sobre Tymoshenko e sua saúde

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 18.09.2012

Yulia Tymoshenko será tratada por, no mínimo, mais um mês.

De acordo com as declarações da vice-ministro da saúde Raisa Moiseenko a comissão médica alemã-ukrainiana considera necessário continuar a reabilitação da ex-primeira-ministra no hospital.

"Segundo pedidos da paciente e pensamento do professor Harms (médico alemão), há necessidade de manter a paciente sob observação no hospital", - declarou Moiseenko.

Numa entrevista em Kyiv, respondendo a perguntas de jornalistas, se havia possibilidade de invalidez, o Dr. Harms respondeu que não podia dizer que este problema foi completamente eliminado. Mas, que os resultados do tratamento foram muito positivos e espera-se que a invalidez possa ser completamente evitada. Exatamente por isso Tymoshenko permanecerá no hospital por mais algum tempo. Ele acrescentou: "As melhorias são muito agradáveis. A mobilidade da paciente aumenta gradativamente. As dores estão mais fracas, menos intensas. Mas, é claro, como a paciente tem uma síndrome de dor crônica, e constantemente está sujeita a estresse, isto não é bom porque complica muito o tratamento. Mas, estamos felizes pelo sucesso alcançado no dia de hoje em nosso trabalho conjunto", - disse o médico.

Tradução: Oksana Kowaltschuk 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

ENTREVISTA COM FRENCIS FUKUIAMA

Frencis Fukuiama: A Revolução Laranja foi uma advertência para o mundo todo
Ukrainska Pravda - Zhyttia (Verdade Ukrainiana - Vida), 26.07.2012
Svitlana Zalishchuk, Movimento Cívico Honestamente.
 
Frencis Fukuiama
Stanford - forja de muitos políticos conhecidos do governo dos EUA. Dentro dessas paredes - uma das melhores universidades do mundo - nascem visões e modelos de desenvolvimento da geopolítica planetária.

Eu um de seus modestos escritórios nós conversamos com Frencis Fukuiama - cientista sênior, membro do Instituto Freeman - Spohli e autor de muitos livros, especialmente o muito conhecido no espaço pós-soviético "Fim da história e última pessoa".

Em seu tempo sua teoria sobre a democracia liberal como estágio final da evolução socio-cultural da humanidade foi a base da política internacional de Bush-filho. Atualmente Fukuiama deixou a política e voltou-se à vida científica, em grande parte reinterpretando suas visões anteriores, mas ainda detem a concepção "fim da história".

- Quero perguntar ao senhor, como cientista que dedicou muito estudo à democracia - que lugar ocupa Ukraina no mapa da democracia mundial?
- Eu considero que o fato mais interessante sobre Ukraina é que houve grande mobilização política e formou-se um verdadeiro movimento cívico, porque desde 1990 e até o início da crise dos anos 2000, a maioria dos observadores acreditava que, em comparação com a Rússia, na Ukraina não havia sociedade civil com forte oposição.
Então,em dois anos anteriores a Revolução Laranja formaram-se novas organizações da sociedade civil, os jornalistas executaram muitas investigações e publicaram muito maiis reportagens - tudo isto me impressionou porque eu sempre pensei, que de uma forma ou outra, a cultura política na Ukraina era muito passiva.
Esses fatos, realmente são muito importantes, porque não pode haver democracia se as pessoas não se mobilizam, se não há sociedade civil. (Até parece que Fukuiama está falando do Brasil - OK). Exatamente foram esses fatores que contribuíram para o início da Revolução Laranja. E eu não penso, que todas essas conquistas da sociedade serão perdidas, apesar dos resultados da última eleição presidencial.
Mas à Ukraina ainda não foi possível concluir o processo de transformação democrática para um sistema de governo democrático. Quando a coalizão laranja, finalmente, chegou ao poder, não havia liderança unida. Constantemente havia brigas entre Yushchenko e Tymoshenko. Em resultado dessa debilidade política a coalizão não conseguiu vencer tão sérios problemas como a corrupção nos órgãos do governo e a não efetividade do serviço público.

Também na Ukraina existem problemas a longo prazo, como oligarquia, os clãs econômicos, controles obscuros do governo. Eu penso, que enquanto não houver transparência, Ukraina não será uma democracia efetiva e, penso que a Revolução Laranja foi uma advertência peculiar ao mundo todo - mobilizar a população não será suficiente, se não se criarem instituições eficazes que prestem serviços públicos.

- Em seu famoso flivro "O fim da História", após o colapso da União Soviética o senhor previa que todos os países se tornarão democracias liberais. 20 anos depois, o senhor, como antes, ainda sente que este modelo, é sem alternativa para o mundo?
-Eu não penso que realmente há um modelo alternativo do governo além da democracia legal. Mas, a democracia exige a presença de institutos, e esses institutos são difíceis de criar, é preciso um longo tempo, e, em certo sentido, Ukraina aderiu ao processo.
Prova disso é que mesmo os políticos autoritários, como Putin e Yanukovych ainda acreditam que devem passar pelo ritual das eleições. Mas as instituições que apoiam o governo democrático, não são criadas automaticamente - este processo requer luta e competição política.

- Como o senhor avalia o papel da Ukraina no desenvolvimento da região pós-soviética?
- O papel da Ukraina é extremamente importante - a Revolução Laranja mostrou que o desejo de democracia na antiga União Soviética ainda existe e vai ser uma fonte de inspiração para os russos.
Quanto à Rússia, penso que os russos têm um grande problema concernente às gerações - algumas pessoas, como antes, votam nos comunistas. As pessoas de minha idade, tenho 58 anos, que cresceram durante o período comunista e lembram-se daqueles tempos, não sentem, especialmente, nostalgia deste período - eles colocaram grandes esperanças nos anos 90 de Yeltsin. E as pessoas mais jovens, agora com 40 anos ou menos, receberam a sua principal base vivencial no tempo de Yeltsin, e atualmente são partidárias de Putin, porque não lembram, o quão ruím foi a época do comunismo.
Mas eles lembram, que os anos de 1990 foram muito caóticos, o país era fraco, e por isso são mais nacionalistas e apoiam a política de Putin.
Eu penso, que exatamente as pessoas desta geração devem seguir em frente, porque os russos jovens que tomam a estabilidade como certo, frequentemente viajam e tem uma melhor educação, com o tempo formarão a base social para uma Rússia mais democrática.
 
 

- Parte dos políticos ukrainianos orienta-se segundo o modelo russo. Como é que isso pode influir na Ukraina?
- Primeiro de tudo, a Rússia não é um país de sucesso. Eu estou me referindo ao modelo econômico da Rússia - isto é, apenas um estado petrolífero. Se eles não possuíssem petróleo e gás, em penso que ninguém no mundo os levaria a sério. Eles não conseguiram criar uma economia moderna, e se você quiser seguir o exemplo de um país-rentista, onde um pequeno grupo da elite enriqueceu à custa dos recursos naturais e usa as finanças para compra de canais televisivos, propaganda e compra de votos nas eleições, se tudo isso é um bom modelo de sociedade, então sim, você deve seguir o modelo russo.
Use para comparação a China - lá, pelo menos, produzem coisas reais, eles realmnete têm uma economia industrial, eles introduzem inovaçõess e produzem aquilo, que o restante do mundo quer comprar. Rússia não tem possibilidades para tanto, excluindo a venda de matérias-primas.

- Qual a sua visão para o futuro da Rússia, dada a recente onda de mobilização da sociedade? Há previsões de que, devido a graves convulsões sociais, Rússia não poderá sobreviver como um único país?
- Eu não acho que Rússia vai desmoronar. Há problemas no Cáucaso, mas não acho que isso é um grande problema. O verdadeiro problema são as instituições erradas, e, portanto, os russos poderão afastar-se do modelo econômico de energia. Este é um modelo muito ruim para o desenvolvimento, porque o poder está concentrado nas mãos de um círculo muito pequeno de oligarcas, e isto impede o crescimento econômico. E sem crescimento econômico não haverá classe média ampla e não haverá apoio a democracia.

- Devido ao vetor de mudança na política internacional e da instabilidade política no Ocidente a Ukraina é frequentemente chamada "país balanço". Às vezes pode-se encontrar a expressão "estado que não se realizou" (estado falido). O senhor tem sua definição própria para Ukraina?
- Não é exatamente o "estado que não se realizou". Anteriormente eu não conseguia entender o propósito da entrada da Ukraina na OTAN e UE e pensava, que isto não era uma boa política por várias razões. Em primeiro lugar, por causa da OTAN, porque esta é uma aliança de defesa, em cuja pertinência preveem-se obrigações militares sérias. É evidente, que a OTAN não vai defender Ukraina da Rússia, portanto não precisa fazer promessa que não se pode cumprir.
Também, eu penso, que a situação, se Ukraina, simplesmente seguisse o exemplo da Polônia e da República Checa, e se tornasse parte da UE, por várias razões não é realista. Na estratégia de longo prazo essa aspiração é necessária, mas do ponto de vista geoestratégico o país é muito próximo da Rússia, e muito longe da Europa. No entanto, isso não significa que Ukraina deve ser dependente da Rússia.
A visão eurointegracional de Yushchenko não era realista, por várias razões. Primeiro, por causa da situação interna - Ukraina é etnicamente dividida, aqui vive um grande número de população de língua russa, que não partilha esta visão e, portanto não havia suficiente consenso na sociedade ukrainiana.
Se vocês pensam sobre OTAN, como uma organização defensiva, vocês não podem desenhar as fronteiras européias, na fronteira da Ukraina com Rússia. Isto não funcionará em termos da União Européia. Eu penso, que nós já estamos vendo as consequências do alargamento da UE - eles não deviam ter aceito Grécia.

- O senhor acha natural a Turquia se tornar um membro da UE, e Ukraina não?
- Não, Turquia não se tornará membro da UE. Nunca diga nunca, mas eu penso que este sonho - não se realizará. Países como Alemanha e França não querem que imigrantes muçulmanos venham até eles. Eles não podem falar sobre isso abertamente, mas esse fator é decisivo.

- E aonde, o senhor pensa, é a fronteira da UE?
-A essa pergunta é difícil responder porque, como eu disse, a UE expandiu suas fronteiras muito rapidamente. Na verdade, a Grécia deveria ter sido excluída, porque o país não cumpriu os critérios do pacto da estabilidade, mas não há nenhum mecanismo legal para a exclusão. Política da Bulgaria e da Romênia também não corresponde às normas européias, sua adesão também é problemática.
Eu penso que o consenso político, necessário para o funcionamento da UE, revelou-se bem mais fraco que todos esperavam, especialmente após a crise financeira. Os alemães não querem assegurar o mecanismo das ações de união, apoiando muitos membros de pleno direito da UE, de modo que qualquer idéia de acréscimo de novos membros torna-se menos realista.

- De que maneira destacou-se a estratégia amiricana da "redefinição" com a Rússia nas relações Ukraina-USA?
- A assim chamada redifinição com a Rússia à qual estava ativamente ligado Michael MCFaul (atual embaixador dos EUA na Rússia), é realmente uma estratégia muito boa, porque, embora a retórica do governo Bush foi bastante satisfatória, ela, não era real. Principalmente nós dizíamos à Rússia que tínhamos uma grande lista de coisas que queríamos deles, que não vamos dar nada em troca, simplesmente considerávamos que eram coisas certas e, por isso, deviam ser feitas.
Eu penso, que não foi levado em conta o fato, que a Rússia dos anos 2000 - não é Rússia dos anos 1990, ela é muito mais forte e mais estável e irá defender seus próprios interesses. Eu penso, que os desejos da Geórgia e Ukraina da aderir à OTAN não é realista e atrapalha a regulação de relações com a Rússia. A entrada para UE da Geórgia é mais impossível que a entrada da Ukraina porque a dificuldade de defender Geórgia da Rússia é dez, ou até 100 vezes maior.

Esta não é uma meta realista. Se continuaríamos declarar à Rússia, que nossa prioridade é a entrada da Ukraina e Geórgia à OTAN, os russos simplesmente diriam que não vão cooperar conosco em outras questões. Se remover um dos ítens mais populares da agenda diária, poderemos estabelecer uma cooperação mais estreita com Rússia em outras questões, e ao mesmo tempo continuar apoiando politicamente a independência da Ukraina e Geórgia da Rússia por outros meios, sem a retórica sobre a adesão a OTAN.
Georgianos acreditam que a adesão à OTAN é uma proteção mágica, e se você é um bom membro da OTAN, os russos não vão te atacar. É engraçado, porque os russos vão considerar outros fatores, como quem estiver mais próximo, quem tem mais tropas. Até mesmo os países não membros da OTAN, a aliança e EUA podem fazer muito para segurança e independência. Se Rússia começar a ameaçar qualquer país, independentemente dele ser ou não membro da OTAN, à Rússia vão aplicar sanções diplomáticas. Eu acho que vocês podem obter uma série de benefícios de cooperação com a OTAN, sem adesão formal.
- Por outro lado, a OTAN é a mais poderosa aliança militar internacional no mundo. A adesão da Ukraina e Geórgia poderia ser um fator de impedimento para intromissão militar de qualquer lado.
- Eu entendo. Ser membro da OTAN realmente fornece um compromisso formal de proteção a seus membros, ao qual ameaça Rússia, ou quaisquer outro país, entre outras possibilidades, com o uso de armas nucleares. Mas, mesmo durante a Guerra Fria, quando a União soviética entrou em Berlim, nós não estávamos preparados para usar armas nucleares. E se expandirmos as fronteiras da OTAN mais e mais a leste, as possibilidades e a plena potência dessas obrigações será direcionada para defesa de países de fronteira.
Quando a Rússia entrou na Georgia, em agosto de 2008, eu pensei muito sobre nós não podermos proteger a Polônia da Rússia agora, e os poloneses entendem isso. E, se amanhã Rússia decidir ocupar Estônia, nenhum país poderá fazer algo para prevenir isso, assim que as obrigações legais que vocês tiverem não serão suficientes para evitar ações militares.
Como Ukraina é um país mais democrático que a Rússia, ela deve ver a si própria, no futuro, como parte de uma grande comunidade democrática, independentemente de pertencer a UE ou OTAN. É nisto que está o futuro da Ukraina. Mas estratégica e geograficamente vocês estão ao lado da Rússia, e vocês têm muitas relações comerciais e também a dependência do gás. Por isso eu penso que é indispensável a Ukraina tornar-se independente ao máximo criando relações econômicas com os países da Europa, e outras partes do mundo, as quais no total formarão a base de maior independência da Ukraina.

 - Pergunta sobre a primavera árabe. O quanto é justa a afirmação que as redes sociais e as informações tecnológicas influenciaram as mudanças sociais nesses países?
 - Eu não penso que a tecnologia facilita a mobilização social rápida, mas certamente ela é muito útil quando você tenta trazer uma grande multidão à rua para protestar contra o regime autoritário. Na verdade, a democracia contribui à modernização, o que significa um alto nível de educaçãoo, desenvolvimento econômico e desenvolvimento da classe média que tem determinadas características: os seus representantes são melhor educados e sentem que não querem viver sob ditadura.
As pessoas não escreviam sobre isso no Facebook e Twitter, mas realmente no Egito e Túnisia há muitas pessoas esclarecidas que têm ensino superior, mas não conseguiram emprego, não puderam participar da gestão política, e exatamente estes fatores causaram a revolução. Portanto, as pessoas deveriam prestar mais atenção ao desenvolvimento da classe média, fonte da revolução democrática. E, se vocês conseguirem a transformação social final, a transformação do sistema político virá em seguida.
Mas, atenção! As redes sociais também podem ser usadas para maus propósitos, para mobilizar multidão antidemocrática, espalhando mensagens de ódio e tudo mais. As tecnologias são neutras em relação aos reais acontecimentos políticos, em que são utilizadas.
 - Há uma demanda crescente por parte de cidadãos em todo mundo para participar da tomada de decisões, especialmente em estados democráticos. Em vários países civilizados as pessoas saem às ruas para exigir não mudanças em quaisquer soluções específicas, mas mudanças fundamentais no sistema. Se é possível criar novas formas de democracia como contrapeso a democracia representativa? Quando não é o parlamento e governo decidem, o que quer a população, mas a própria população expressa a sua visão através de mecanismos específicos?
 - Eu me coloco com muito ceticismo nessa questão, criar ou não tais mecanismos, e um dos motivos para meu ceticismo é o Estado da California, porque lá existe um sistema de referendos, que começou no início do século XX, quando as pessoas não estavam satisfeitas com o governo. As pessoas acreditavam que, se elas obtivessem o referendo nacional, elas teriam a participação direta dos cidadãos. Mas aconteceu que o processo da construção do referendo caiu sob o controle de grandes e poderosos grupos de lobby, que usaram-no para fazer passar os seus interesses, tomando o poder do Legislativo, que tem de aprovar o orçamento e, portanto, constantemente estamos em crise financeira.
Quando você pergunta às pessoas o que elas querem, elas nunca dizem que querem aumento de impostos e corte de custos mas, na verdade, a responsabilidade do legislador é a aprovação do orçamento em que as receitas fiscais confrontam-se com os custos. Eu penso, que vocês devem usar as velhas formas de democracia, vocês precisam de partidos políticos, governo representativo e também um nível muito mais elevado de participação de pessoas, as quais realmente fazem as instituições trabalharem.
É indispensável melhor mobilizar as pessoas, para melhor trabalharem os velhos instrumentos, e quanto a mudança do sistema para consulta popular, não penso que isso vai funcionar. A maioria das questões atuais de políticas públicas é extremamente complexa, elas necessitam muito conhecimento sobre os problemas, muita informação. 99% de cidadãos simplesmente não tem tempo ou vontade para dedicar a isto muita atenção.
 Por exemplo, quando em Califórnia houve um referendo sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo, após a pesquisa constatou-se que 10-15% dos eleitores realmente não entenderam a formulação da pergunta, e se eles votaram "sim" pensando que votaram em apoio ao casamento gay, na verdade seu voto foi inscrito contra isto. Isso também não é democracia. Eu penso que é bom que as pessoas participem, é bom que as pessoas estejam mobilizadas, mas não penso que os novos mecanismos são necessariamente corretos.
 -Sobre o que será seu próximo livro?
- "As origens de ordem política", mas o primeiro volume descreve o período desde o início de nossa era até a Revolução Francesa, então eu ainda devo escrever o asegundo volume, da Revolução Francesa até o século XXI.
 - Como experiente conselheiro, o que o senhor pode aconselhar ao governo ukrainiano hoje?
- Penso que tudo é bastante simples. O conselho mais importante - realizar eleições livres e justas, respeitar os desejos dos cidadãos da Ukraina - são valores que devem constituir prioridade do governo atual, e isto não é tão difícil de executar!
 
Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Arvo Pärt - SALVE REGINA



Em 1944, Arvo Pärt presencia a ocupação da Estônia pela União Soviética, ocupação que duraria 50 anos, deixando profundas impressões sobre ele.
Ainda no início dos anos 1960, inicia-se na composição serial, com suas duas primeiras sinfonias...
Isto vai provocar inimizades, dado que a música serial era considerada como um avatar da decadência burguesa ocidental. Também politicamente incorretas, no contexto soviético, eram as suas composições de inspiração religiosa e a técnica de colagem que adotou por algum tempo. Nessas circunstâncias, sua obra será severamente limitada.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

FLAGELO RUSSO

Comunistas. Joseph Stalin. URSS. Ucrania. Holodomor. Holocausto esquecido. Entre 7 e 10 milhões de vítimas inocentes.

Em 1933, Stalin cercou a Ucrania, e privou de alimentos os camponeses, os kulaks, durante mais de um ano, em razão do que mais de 10.000.000 de pessoas agonizaram lentamente, de fome e frio, até a morte.

Stalin se rejubilou com esse holocausto. O Ocidente tomou conhecimento de tudo, muitas primeiras páginas foram estampadas com relatos e fotos das atrocidades, e ao final, o "heróico" Churchill, com uma canetada, selou o destino dos milhões de vítimas que se encontravam no Leste Europeu e foram escravizadas pelo comunismo soviético. O mesmo que tentava se apossar do nosso Brasil.

E agora, em 2012, os herdeiros do comunismo soviético tomaram a América do Sul e Central, e... Pasmei, confesso... Erigem momumentos a Stalin... Na Ucrania...


Posted: 09 Sep 2012 06:17 PM PDT
Estátua de Stalin em Zaporizhye, 2010
O governo de Kiev está favorecendo a reabsorção do país pela Rússia de Putin.

Para esse fim, facilita entre outras medidas as atividades propagandísticas dos desmilinguidos saudosistas do regime que exterminou milhões de ucranianos num dos maiores genocídios da História.

Mercê desse apoio proveniente de Moscou e Kiev, o Partido Comunista de todos os Bolchevistas da União, organização que perpetua o velho Partido Comunista da União Soviética, anunciou a ereção no país de mais quatro estátuas em honra de Josef Stalin.

Segundo informa o site comunista brasileiro Vermelho.org.br, a organização reagrupada pela cientista social e militante Nina Andreieva vai erguer as estátuas a um dos maiores responsáveis pelo extermínio de ucranianos nas cidades de Kiev, Lviv, Odessa e Dnipropetrovsk.
Milhões de ucranianos morreram de fome por ordem de Stalin
Milhões de ucranianos morreram de fome por ordem de Stalin
O mesmo partido já ergueu estátuas para o ex-líder soviético e dirigente do PCUS nas regiões de Zaparíjie, Doniets, Sumi e Kharkiv.

Os novos ventos pró-comunistas que sopram de Moscou animaram os prosélitos de Marx.

Eles informaram então que é “um dever sagrado honrar a quem deu a liberdade nacional ao povo ucraniano”, sob a pressão da fome homicida deliberadamente provocada pelo sanguinário ditador russo.

Essas iniciativas são altamente polêmicas no país e acontecem em meio a um vasto repúdio popular.

Fonte: http://flagelorusso.blogspot.com.br/ 

sábado, 15 de setembro de 2012

LVIV RESISTE DOMINAÇÃO RUSSA NA UCRÂNIA

Em Lviv os educadores realizaram manifestações para proteção do idioma ukrainiano
Tyzhden (Semana), 11.09.2012

No dia 11.09.2012 cerca de 3 mil professores fizeram uma manifestação para apoiar o idioma ukrainiano. A manifestação realizou-se próximo ao monumento do grande poeta Tarás Shevchenko. (Foto 1)
Foto 1
Eles seguravam bandeiras e cartazes com os seguintes dizeres: "Os escravos - uma nação que não tem seu próprio idioma e, portanto, não é capaz de proteger-se", "Cada palavra pronunciada em outro idioma, é um prego no caixão do idioma ukrainiano", "Apenas a língua materna tem a face de mãe natal", "Defenderemos a língua ukrainiana", "Kolesnichenko e Kivalov, eu vou falar em ukrainiano!"
Foto 2
Muitos manifestantes usavam os trajes nacionais, bordados.

Vários professores discursaram, eles conclamavam a todos para falar no idioma ukrainiano. E declaravam que Rússia não é um parceiro estratégico, mas um inimigo da Ukraina por isso deve ser tratada como país adversário. E conclamavam à união em prol do idioma ukrainiano.
Foto 3
O prefeito Andrii Sadovyi disse que pode parecer absurdo que na maior cidade do mundo, de idioma ukraniano, estar se realizando uma manifestação a favor do idioma ukrainiano, mas que a realidade é tal que a língua ukrainiana realmente precisa de proteção.

O apelo ao presidente Yanukovych diz: "Senhor presidente! Assinando a lei sobre política linguística na Ukraina, o Senhor se colocou no nível de outros exterminadores do idioma ukrainiano: Pedro, o Grande; Catarina II; Valuyev; Alexandre II; Nicolau II; Stalin e os 'opritchnik' dos comunistas" ("opritchnik" - elemento de guarda de Ivan o Terrível - OK).

Até o momento, a lei "Sobre os Princípios da Política Linguística do Estado", os governos locais de três regiões recusaram reconhecê-la, em 9 regiões o status do idioma regional russo foi aprovado (neste caso serão usados dois idiomas: o ukrainiano e o russo, em toda a documentação, nomes de ruas, preços, etc. E nas escolas será ensinado o idioma da preferência da maioria dos pais - OK). Numa cidade do Zakarpattia o idioma húngaro tornou-se regional. (Os funcionários públicos deverão usar nos documentos o idioma húngaro e ukrainiano - OK).

Em 30.08.2012 o Conselho Municipal de Lviv dirigiu-se à Justiça Constitucional exigindo esclarecer oficialmente certos artigos da lei, e também se os Conselhos das Províncias têm o direito de aprovar a língua russa como regional.

Também o conselho Municipal aprovou um apelo ao povo ukrainiano onde acusou o presidente Viktor Yanukovych na tentativa de liquidar a soberania do Estado ukrainiano na destruição do espaço informativo, na russificação da educação, ciência , cultura e toda a esfera política. (Lembramos: esta lei foi aprovada no Parlamento ukrainiano com graves violações e, mesmo assim, foi assinada pelo presidente - OK).

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: AOliynik

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

PUTIN E O PROJETO EURASIANO

Paz fria: O polo governista de Putin desafia Europa
Tyzhden (Semana), 07.07.2012
Janusz Buhayski - membro sênior do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (EUA).
 
 
O presidente Vladimir Putin anseia estabelecer a Rússia como um polo do governo em um mundo multipolar. Essa meta estratégica implica na necessidade de supervisão atenta às diferentes sub-regiões européias e euroasiáticas inclusive com Leste Europeu, áreas do Báltico e Mar Negro, o Cáucaso e a Ásia Central.

O desejo de Moscou, acima de tudo é dominar os territórios da ex-URSS. Ele espera que os EUA, UE e todos os grandes países da Europa Ocidental percebam sua posição dominante nestas áreas. Entretanto a condescendência submissa a Kremlin, não só desestabilizará e dividirá muitos vizinhos da Federação Russa, mas será um desafio para segurança de novos países-membros da UE e OTAN, com simultânea ameaça à unidade européia e cooperação transatlântica.

Ambições estratégicas de Moscou
A julgar pelas declarações e ações, os líderes russos personificam um ambicioso projeto para reviver a dominação regional da Federação Russa, minar a influência dos EUA no mundo, dividir OTAN, neutralizar a UE. Os planos globais de Moscou em relação ao Ocidente - reduzir a superioridade dos EUA através da transformação de 'unipolaridade" em "multipolaridade" em que Rússia teria mais peso. Apesar da perda do status de potência mundial ela pretende se tornar um polo euroasiático de poder.

As autoridades do Kremlin acreditam que o mundo deve ser organizado de acordo com a versão atualizada da "Concepção da Europa" do século XIX, onde as superpotências equilibram seus próprios interesses, e países menores giram em torno delas como satélites ou territórios dependentes. Essas pessoas oficiais definem a sua estratégia como "multipolaridade". O projeto neoimperialista russo já não conta com instrumentos da era soviética, tais como devoção ideológica, a força militar ou plantio do governos fantoches. A primeira tarefa torna-se a propagação da influência dominante através da política de segurança externa dos vizinhos mais próximos, de tal forma que eles apoiem os planos de Kremlin.

Embora os objetivos de Moscou são de fato, neoimperialistas, suas estratégias ainda são flexíveis. Ela aplica métodos específicos, tais como tentação, ameaça, incentivos e pressões lá, onde os seus interesses nacionais são tratados como tais que prevalecem sobre os vizinhos. O real interessee nacional da FR gira em torno da conservação de sua integridade territorial e preservação de intervenção militar estrangeira. Neste contexto, à segurança de Moscou, não ameaça diretamentee a adesão de países geograficamente próximos a OTAN. No entanto, sua condição de membros na Aliança enfraquece a capacidade de controlar a política de segurança e orientação internacional desses países.

Entre as principais tarefas do terceiro mandato de Putin é a reintegração das ex-repúblicas soviéticas baseadas no estreitamento de relações econômicas, cujo ponto culminante seria um pacto político e de segurança liderado pela Rússia. Exatamentee a concepção da união Eurasiana será a base dos esforços do presidente da FR direcionados na conquista da fama de agregar países pós-soviéticos. Moscou, evidentemente, teme que o território da antiga URSS ficará, para sempre dividido e flutuará entre as "esferas de influências européias ou asiáticas. Em substituição Putin aspira criar o bloco euroasiático como contrapeso a UE no ocidente e China no oriente, bem como um forte elemento de segurança como contrapeso a OTAN. Esses laços econômicos e militares gerarão estreita reciprocidade de política que tornarão a adesão dos vizinhos da Rússia a alianças alternativas menos prováveis.

Projeto Eurasiano
Para implementar as ambições eurasianas Moscou deve reunir em torno de si um grupo de países, leais ou dispostos a servir aos seus interesses. Algumas tendências globais nos últimos anos contribuem para o processo. Em primeiro lugar, trata-se de um resultado secundário de "excesso de carga" nas relações com a Rússia que conduz a administração Obama a partir de 2009: Washington limitou, enquanto não rejeitou completamente, a sua campanha de expansão da OTAN, direcionada na integração dos países pós-soviéticos. Então eles se tornaram mais abertos e mais vulneráveis à pressão e medidas unificadoras de Moscou. Além disso, Bielorrússia, Moldávia e Ukraina não pertencem à esfera de interesses prioritários do governo americano.
Em segundo lugar, problemas financeiros e turbulências políticas internas na UE desviaram a atenção de Bruxelas da cooperação com as antigas repúblicas soviéticas. Isto, por sua vez, diminuiu a realização da Parceria Oriental - iniciativa lançada em maio de 2009, que visava a harmonização dos Estados europeus pós soviéticos aos padrões da UE. Ao mesmo tempo, os líderes russos chegaram a conclusão, que UE encontra-se em sérias dificuldades, e por isso, pelo menos durante alguns anos, preocupar-se-á com problemas internos, se não entrar em colapso.
 Em terceiro lugar, na UE estão desapontados com muitos países pós-soviéticos. Esses países não tem planos de ação ou compromissos reais indispensáveis para total integração com o Ocidente, ao contrário dos países da Europa Central, que os elaboraram depois da libertação da influência de Moscou no início de 1990, ou dos Balcâs Ocidentais que têm acordos com a União Européia na estabilização e associação. Pelo contrário, no caso da Bielorrússia e Ukraina temos fortes divergências com vários países europeus por causa da regressão política e simuladas reformas econômicas.
 Em quarto, a volta de Putin ao Kremlin reavivou as ambições neoimperialistas russas através de grandes projetos geoestratégicos, entre os quais a criação da União Euroasiática. A vantagem adicional da enérgica política exterior de Moscou é que ela ajuda no desvio da atenção da comunidade mundial dos problemas internos da FR (em particular, e com a oposição). A nova presidência de Putin foi apresentada como uma necessidade vital para a segurança nacional russa por duas razões. Isto, dizem eles, protegerá a FR da turbulência devastadora dos protestos públicos, e contribuirá para a reestruturação da Eurásia sob sua liderança, eliminando influências indesejáveis do Ocidente, que propositadamente criam desafios à segurança da Rússia.
 As ambições da FR em relação aos vizinhos, incluindo a Ukraina, são dobradas: submissão da política externa aos interesses de Kremlin e integração em organização de segurança e economia pró-Moscou. As mais distorcidas por Moscou, multinacionais iniciativas de fortalecidas integraçoes e centralização incluem a Comunidade de Estados Independentes (CIS), da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (CSTO), a Comunidade Econômica Eurasiana (EurAsEC), a União Aduaneira (UA), Espaço Econômico Único (CES) e a planejada União Eurasiana (EuraC).
 CSTO (Organização do Tratado de Segurança Coletiva) - uma aliança político-militar composta por Bielorrússia, Armênia, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia, Tajiquistão e Uzbequistão - criada contra as ambições da OTAN em territórios da Eurásia. Hoje persiste a revisão dos princípios básicos da organização. O estatuto atual exige.
 EurAsEC criaram unanimidade nas decisões, mas, de acordo com as alterações previstas, terão o direito de votar apenas os países diretamente interessados na aceitação do ítem proposto. Deste modo, qualquer oposição à política da FR (vejamos um exemplo, no caso, quando a FR considerar necessário realizar uma ação armada no território de seu vizinho) torna-se impossível .
 EurAsEC criaram em outubro de 2000 na cúpula em Astana e Kremlin o olham como primeiro passo para a União Euroasiática. Essa organização inclui Bielorrússia, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão Tajiquistão e Uzbequistão. Em julho de 2011, Moscou, Minsk e Astana lançaram a União Aduaneira para eliminar todas as barreiras comerciais entre os três países. Em outubro de 2011 Putin reuniu os primeiros ministros da Bielorrússia, Armênia, Cazaquistão, Quirguistão Moldávia, Tajiquistão e Ukraina em São Petersburgo e anunciou o acordo desses países na criação de zona de livre comércio. Isso aconteceu depois de longos anos de negociações infrutíferas. Em primeiro de janeiro de 2012 assinaram um acordo formal sobre a criação de EEE (Espaço Econômico Europeu): mercado comum indivisível que envolve três países da União Aduaneira e está aberto para o resto de países pós-soviéticos. Antes da entrada na EEE os líderes da Bielorrússia, Rússia e Cazaquistão também assinaram a Declaração à integração econômica Eurasiana. O presidente Dmitry Medvedev convidou todos os membros da EurAsES para aderir ao EEE, particularmentee seus três observadores: Armênia, Moldávia e Ukraina.
 Às entidades empresariais dos três países do Espaço Econômico Comum é garantida a liberdade de circulação de mercadorias, serviços, capital e trabalho. Até agora o governo Yanukovych resistiu a esta tentação, temendo a limitação de influência dos oligarcas ukrainianos. Todos estes planos previam a introdução de único sistema de valores semelhante a euro. O estabelecimento da União Eurasiana foi considerado como objetivo final da integração econômica. Previa-se o regime de livre comércio, única alfândega e rgulaçãoo sem tarifas, acesso universal aos mercados domésticos, um único sistema de transportes, mercado energético comum e moeda única. A cúpula de EurAsEC de Moscou, realizada em 19 de março de 2012 delineou uma estratégia ampla de integração com o entendimento de que a comunidade se tornará uma verdadeira união econômica em 2015. Tais medidas de integração, é claro, serão reforçadas com uma aliança política mais estreita.
 As primeiras duas semanas de seu novo período presidencial Putin foi o hospedeiro da cimeira informal da CIS (Comunidade de Estados Independentes), para a qual convergiram representantes da maioria das ex-repúblicas soviéticas. Foi realizada uma sessão extraordinária da CSTO. Em ambos os casos a base das iniciativas revelou-se a idéia de União da Eurasia. De acordo com o entendimento de Putin, esta deve ser "potente, supranacional união, capaz de se tornar um dos polos de poder no mundo atual e servir como uma ponte efetiva entre a Europa e a dinâmica Ásia-Pacífico região". Putin considera que esta organização deve ser construída sobre o legado da URSS: "infraestrutura, sistema de especialização regional de produção desenvolvido, e espaço comum de idioma, ciência e cultura".
 Afastamento europeu
 A discussão sobre o quanto serão auspiciosos os planos de reintegração de Moscou, determinar-se-á na prática. No entanto, o alcance destes objetivos involuntariamente prejudica a segurança e a soberania dos vizinhos da Rússia. A pressão de funcionários russos prejudica a possibilidade destes países realizar plenamente sua independência, escolhendo livremente suas alianças internacionais. Pode-se tembém esperar que uma abordagem mais agressiva para a integração dos países pós-soviéticos refletirá numa política impaciente aos países da Europa Central e Oriental baseada na intervenção econômica, dependência energética e neutralização política. Qualquer progresso alcançado na integração de países pós-soviéticos com a Eurasia, econômica, política e do sistema de segurança incentivará Moscou para continuar sua política obssessiva em relação aos seus antigos satélites do centro e leste europeu, agora novos membros da União Européia.
Os líderes russos consideram a UE não como uma força estratégica de base, mas apenas como um valoroso instrumento duplicado: máquina econômica da qual Rússia sorverá investimentos, tecnologia e produtos, e como parceiros dos Estados Unidos aos quais ela pode contribuir em desligar-se e depois maximizar a sua própria influência reduzindo a influência americana na Europa. A política da Rússia quanto a UE é construída em torno de três abordagens. Primeiro, ela procura relações diretas com as instituições da Ue como um parceiro igual, não como um candidato ou como país-participante, porque deste modo sua influência seria fraca. Segundo, Moscou concentra-se em forjar relações bilaterais políticas, de negócios e energéticos com os maiores países da UE, tais como Alemanha, França, Itália, cujos governos revelam-se mais receptivos. Esta aproximação também enfraquece a manifestação da aprovação da coerente e única política da UE.
 Terceiro. A UE veem como um concorrente potencial da Rússia, em seu "exterior próximo", porquanto ele pode atrair alguns países pós-soviéticos longe da órbita de influência de Moscou. Por exemplo, na região do Mar Negro Moscou não está interessada em projetos de vizinhança comuns sob os auspícios de Bruxelas, porque deseja apoiar a exclusiva zona de influência, e critica o programa de Parceria Oriental da UE como um mecanismo para minar as alianças russas. Devido a sua ênfase aos direitos humanos e pluralismo, e também a UE coloca ameaça ao modelo de controlada democracia e até a longa sobrevivência da FR estruturada não democraticamente. Além disso, os padrões comerciais da UE, são orientados à transparência, concorências e responsabilidade, comprometem o modelo de negócios da Rússia que baseiam-se em três pilares: opacidade, monopólio e sigilo.
 Conseguindo posições de monopólio no trânsito e fornecimento de gás natural e petróleo à Europa, Moscou aspira melhorar a sua influência dentro dos limites da UE. A discussão entre os partidários de apoiado pela UE gasoduto Nabucco (parte do projeto "Corredor Meridional de Gás) e patrocinado pela Rússia gasoduto "South Stream" é uma indicação clara da luta pela segurança energética na Europa. Apesar de cada vez mais criticada a viabilidade do "South Stream", o Kremlin continua a utilizar diferentes táticas para frustrar a execução do Nabucco, ou diminuir o seu valor, ou bloqueando países fornecedores do gás nos contratos de fornecimento de longo prazo, ou minando a estabilidade no sul do Cáucaso para criar obstáculos a investidores estrangeiros, ou propondo acordos favoráveis para potenciais países de trânsito.
 Para Ue a próxima década será de séria provação, porquanto ela não conseguiu garantir suas posições de superpotência mundial e sua atividade econômica sofreu graves deformações com consideráveis endividamentos de governos de vários países da UE e persistentes dúvidas sobre o futuro da união monetária. Muitos analistas concluem que, devido a hegemonia global dos Estados Unidos, a UE entrou no cenário mundial como uma força ponderável. O guarda-chuva de segurança de EUA permitiu que UE se concentra-se no desenvolvimento econômico e integração política, sem aumentar o poder militar. No entanto, assim que a influência dos EUA diminuir, a UE começará participar fortemente da corrida armamentista global, mas sem "poder duro" e enfraquecimento constante de ferramentas macias".
 As autoridades russas estão bem conscientes da vulnerabilidade de Bruxelas e aproveitarão diversas possibilidades para enfraquecer as relações transatlânticas, ajustando relações com países membros da UE em separado. Ela inspira-se com a diminuição da atenção do presidente Obama para com a Europa, como prioridade estratégica e rupturas políticas internas na UE. As fraquezas do Ocidente, contradições e indecisões incentivava e desenvolvia Moscou, porque isto ajuda diretamente aos "putinistas" no desenvolvimento no projeto eurasiano com o centro russo como pólo de poder.
 Programa do Putin
 Citações dos trabalhos eleitorais de Vladimir Putin em 2012:
 "Nossos problemas nacionais e migratórios estão diretamente relacionados com a destruição da URSS e, de fato, historicamente - grande Rússia, que surgiu, basicamente no século XVIII. Uma vez que, inevitavelmente, seguiram-se degradações das instituições públicas, sociais e econômicas. Com uma enorme lacuna de desenvolvimento no espaço pós-soviético.
A auto-determinação do povo russo - uma civilização poliétnica, consolidada com o núcleo cultural russo. E essa escolha o povo russo confirmava vez após vez - e não nos plebiscitos e referendos, mas com sangue. Com toda sua história milenar." (Isso é o que os russos dizem, mas não é o que as nações, total ou parcialmente submetidas ao jugo russo pela violenta e bárbara dominação sentem - OK).
(Sim, com sangue. Enquanto o povo era escravizado pelos czares, os cossacos ukrainianos eram obrigados lutar ao lado dos russos na conquista de mais terras para os czares. E mesmo durante a II Grande Guerra, enquanto os jovens ukrainianos lutavam contra os alemães, Stalin provocou uma recorrente fome na Ukraina retirando os produtos alimentícios e enviando-os à países da Europa Ocidental para atraí-los à sua causa - OK).
 
O MUNDO SEMPRE SOUBE DA FOME PROVOCADA (HOLODOMOR) NA UCRÂNIA, INCLUSIVE QUANDO ESTAVA ACONTENCENDO E CALOU-SE! POR QUE? (O Cossaco).
("Rússia: questionamento nacional", "Gazeta independente", 01.03.2012)
 "Percebemos que temos uma experiência histórica, a qual ninguém tem. Nós temos um forte suporte na mentalidade, na cultura, na identidade, que os outros não tem.
 Nós vamos reforçar o nosso "estado histórico" que herdamos de nossos antepassados. Estado-civilização que pode resolver organicamente o problema de integração de diferentes etnias e credos.
 Vivemos juntos há séculos. Juntos vencemos a mais terrível guerra (Mas, ainda na véspera do Dia da Vitória, deste ano, Putin disse que Rússia teria vencido sem participação ukrainiana, com o que ofendeu os ex-combatentes ukrainianos - OK). E juntos vamos viver. E àqueles que querem, ou tentam dividir-nos, posso dizer uma coisa - não conseguirão"...
 É exatamente por este prisma que percebemos alguns aspectos do comportamento dos EUA e da OTAN, os quais não se encaixam na lógica do desenvolvimento atual, baseiam-se em estereótipos do pensamento bloqueado. Todos compreendem o que eu tenho na mente. Esta propagação da OTAN, que inclui a colocação de novos objetos de infraestrutura militar e planos de aliança (de autoria americana) com a criação do sistema PRO (defesa contra mísseis balísticos) na Europa. Não tocaria neste assunto, se esses jogos não se realizassem contra a estabilidade mundial".
("Rússia e o mundo em mudança", "Gazeta russa - Domingo", Nº 5718(45), 27.02.2012).
 
Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik