quinta-feira, 4 de abril de 2013

REARMAMENTO NA RÚSSIA

Contra quem se arma Rússia? Moscou poderá assustar ainda mais seus vizinhos e o Ocidente.
Tyzhden (Semana), 28.03.2013
Maxim Buhryi

A anunciada reforma militar de Putin prevê um ambicioso programa de rearmamento. O sucesso não é garantido.



 


As crescentes ambições na política externa russa relacionam-se com o êxito da nova reforma militar. Putin verdadeiramente encarnou à vida a posição do artigo pré-eleitoral em "Gazeta russa" sob o título "Seja forte: garanta a segurança nacional da Rússia", que previa a aceleração do processo de rearmamento das Forças Armadas da Rússia. Os especialistas atribuem esta militarização a fatores geopolíticos, e o relatório do diretor da Inteligência Nacional dos Estados Unidos alerta sobre ameaça aos vizinhos.
 
Programa de rearmamento - 2020
A aceleração da reforma militar tornou-se uma das principais posições ideológicas da Volodymyr Putin durante sua campanha presidencial no ano passado. No artigo acima mencionado ele escreve sobre uma nova tendência mundial: cada vez mais o frequente desejo de resolver as questões econômicas e de recursos através do uso de força. Então, como afirma o dono de Kremlin, Rússia não deve induzir ninguém à tentação com sua fraqueza". Preparando-se para voltar ao mais alto cargo, Putin proclamou "Programa sem precedentes de desenvolvimento das Forças Armadas e do complexo militar-industrial" e anunciou, que nos próximos dez anos para isto vai atribuir aproximadamente 23 trilhões de rublos, ou mais de 750 bilhões de USD.

Significativamente, as principais teses começam no artigo da indispensável reforma da análise estratégica na esfera da defesa nacional. Meta - aceleração, capacidade de avaliar as ameaças com 30-50 anos de antecedência.Quanto a estratégia de segurança, Kremlin elegeu a teoria clássica da dissuasão nuclear como o principal mecanismo para a prevenção de uma grande guerra. Ao mesmo tempo Rússia seguirá a tendência mundial da modernidade - criação de armas de alta precisão não nucleares, de amplo raio de ação, que também poderão ser usadas para a dissuasão estratégica.

A ênfase de Moscou na dissuasão nuclear incentiva ao uso de concepções clássico-geopolíticas "aéreas e marítimas". Assim, na base para sua Força Aérea permanecerão bombardeiros estratégicos, aos quais se juntarão os drones (aéronaves controladas à distância, por meios eletrônicos e computacionais, sob a supervisão e governos humanos, ou sem a sua intervenção, por meio de Contraladores Lógicos Programáveis - OK) e caças de quinta geração. Ao mesmo tempo o desenvolvimento da Marinha prevê não somente a sua modernização com apoio nos cruzadores submarinos de mísseis, mas também a segurança da "frota oceânica", com uma presença estratégica nas regiões de interesse de Kremlin - com "demonstração da bandeira". Este mês o comandante das Forças Armadas da Rússia, vice - almirante Viktor Churikov confirmou a decisão sobre a permanência constante no Mar Mediterrâneo com a conexão operativa de cinco-seis navios da Frota do Mar Negro da FR e anunciou a possibilidade de criação de tais forças nos oceanos Pacífico e Índico. De acordo com outras informações Rússia discutiu neste inverno a questão de criação de bases militares no Vietnã.

Putin critica a modernização das armas na forma de compra de tecnologia ocidental (como a encomenda do porta-aviões francês Mistral) e aposta na modernização do seu CIM (Complexo Industrial Militar). Tipos prioritários de armas e equipamento militar para legislação da FR - são armas nucleares modernas (muitos dos mísseis existentes serviram por mais de 20 anos e devem ser aperfeiçoados), meios de defesa aeroespacial incluindo os novíssimos sistemas de comunicação altamente tecnológicos de exploração e gestão incluindo as aeronaves-drone não tripuladas, sistemas de proteção individual dos soldados no campo de batalha, armas de precisão e os meios para combatê-las. O principal aspecto dos futuros meios de defesa da Rússia devem tornar-se as forças nucleares de dissuasão e as armas nucleares de precisão, a Marinha da FR, a UPU (União Postal Universal), Força de Defesa Cósmico-militar. Deve ser criado sistema único 
aeroespacial. Deve ser criado sistema único aéro - cósmico de proteção do Estado. Exatamente este sistema com as forças de dissuasão nuclear confrontará os mísseis de qualquer tipo especialmente dos EUA e OTAN. Geograficamente a Bilokamiana (Pedra branca - edifício do governo russo em Moscou - OK) jogará com o papel garantidor da estabilidade da Eurásia: previsto na formação do sistema de segurança coletiva do "espaço eurasiano" com base na CST (Organização do Tratado de Segurança Coletiva), sendo que a prioridade para Kremlin entre as regiões do mundo é o Norte (especialmente os ricos recursos da região do Ártico Ásia-Pacífico.

Continuando a modernização das forças armadas, Putin anunciou uma melhoria significativa no apoio financeiro para os militares e policiais. É planejada uma transição gradual para passagem para exército de contrato - de um milhão de soldados em 2017, serão profissionais 700 mil, e os recrutas em 2020 serão apenas 145 mil. O líder de Kremlin examina o CIM como canal de modernização da economia do país. Até 2020 está planejando a atualização não menos de 70% do armamento e equipamento. A renovação do CIM deve tornar-se locomotiva de desenvolvimento de uma série de setores - de básicos a rádioeletrônica, informática, telecomunicações, ciências, tecnologias, etc.
A reforma incorpora princípios de formação de exército moderno, móvel, com apoio na dissuasão nuclear como compensação pelos altos custos (no final dos anos oitenta os gastos com defesa atingiam 15% do PIB) e orientando o exército soviético para guerra territorial. Os princípios desta reforma desenvolviam ainda o governo Yeltsin e ajustavam com a experiência dos dois conflitos na Chechênia e a guerra russo-georgiana de 2008. Exatamente a guerra com a Geórgia e a crise econômica global levou à rápida introdução da chamada reforma Sierdiúkova de 2008 - 2011, que alcançou alguns resultados positivos, embora pareça hoje inglória para seu principal executivo, o primeiro ministro da defesa civil, russo. Com base nestes resultados e relativa estabilidade econômica Putin iniciou sua reforma, que prevê um aumento ambicioso de despesas públicas com o exército.
 
Os petrodólares serão suficientes?
 
Despesas do orçamento federal para defesa em 2013 aumentaram em quase 15%, para 2,1 trilhões de rublos, embora inicialmente planejou-se ainda mais - cerca de 20% (para comparação: na economia do ano passado gastou-se 3,27 milhões de rublos). No entanto, o financiamento para os gastos militares pode, realmente, ser menor. Tais despesas se tornariam realidade apenas no caso de um crescimento econômico positivo. No entanto, os economistas têm cada vez mais questionado o cenário otimista do poder. O programa governamental de desenvolvimento econômico para 2018 por Dmitry Medvedev prevê um desenvolvimento médio do PIB de 5% ao ano. No entanto, os representantes do Ministério da Economia prevê, por exemplo, o crescimento real do PIB entre 3 - 3,6% e o ex-ministro de Finanças Alekxei Kudrin acredita que não será superior a 3%. A estatística distinguiu a primeira redução significativa do produto interno bruto em janeiro: a taxa de crescimento anual foi de apenas 1,6%. Na produção de indústrias extrativas caiu 2,3%. A comunidade russa de negócios preocupa-se também com problemas de desaceleração de crédito bancário: os empréstimos com a taxa de dois dígitos são demasiado elevados para pequenas e médias empresas e, ao mesmo tempo refletem o alto nível de risco para as instituições financeiras. Enquanto isso, fatores de ação prolongada, que podem afetar o sucesso da reforma militar de Putin - desequilíbrios estruturais da economia, que continua em grande parte orientada para matéria-prima. Mais um fator - problemas demográficos. Estimativas oficiais indicam: trabalhadores russos até 2020 diminuirão em 8 - 9% dos atuais 87 milhões, e esses problemas é pouco provável que poderão ser superados com medidas de migração política (programa de retorno à Rússia dos "compatriotas", que vivem no exterior, e a distribuição de passaportes russos aos cidadãos de países vizinhos, particularmente Ukraina.
 
Outros fatores negativos é o baixo nível de desenvolvimento institucional e corrupção sistêmica, que corrói o regime de Putin por dentro. Por isso, alguns especialistas militares russos avaliam as perspectivas de obtenção de totais pontos de referência como visões. Em particular, Mikhail Barabanov, editor-chefe da revista "Moscovo Breve Defesa", considera que o programa de militarização baseia-se na utópica duplicação do PIB russo em 2020, em comparação com 2014. Ele prevê que o real financiamento das despesas para reforma militar será no nível de dois terços dos volumes declarados. Para modernização das Forças Armadas foram estabelecidas premissas de preços muito otimistas e prazos irreais para criação de novos armamentos.
 
Declaração de liderança
 
A reforma militar de Putin ressoa ideologicamente com a nova concepção da política externa da FR. Ao contrário da anteriormente usada amorfa "multipolaridade", a visão de mundo russo, de acordo com um novo documento já está orientada "policêntrica", que realmente faz jus à idéia de "zonas de influência". Essas áreas estratégicas no mapa do Kremlin são três: Euro-Atlântica, Eurásia e Ásia-Pacífico. Rússia é o centro da Eurásia. No entanto, esse papel de líder regional não é suficiente, portanto o poderio de Kremlin está direcionado na nova concepção do espaço Euro-Atlântico, que deve ser construído em parceria da FR. UE e EUA. A este projeto em grande parte foi dedicado o pronunciamento do ministro do exterior russo, Sergei Lavrov, no último Fórum de Segurança em Munique.
 
  Orientação ao Plano de Putin - Perspectiva de armas russas até 2020: 
  
 
400 atuais mísseis balísticos intercontinentais de base terra e mar;  8 mísseis submarinos cruzadores de indicação estratégica; 20 barcos submarinos multifuncionais;  50 navios de superfície, de combate; 

100 aparelhos cósmicos;  600 aviões modernos, 5ª geração;  1000 helicópteros;  28 conjuntos de regimentais sistemas de defesa S-400; 

38 conjuntos de divisão antiaérea, sistemas de mísseis Knight;  10 mísseis de brigada, complexo "Iskander-M";  2300 tanques atuais;  2000 complexos de artilharia e canhões;  17.000 automóveis militares. 
 
Deste modo, bloqueando as aspirações euro-atlânticas de seus vizinhos no espaço pós-soviético, Kremlin hoje promove sua própria concepção de integração com o Ocidente. No entanto, por que Rússia, para a qual não há muito tempo era prioridade a cooperação com a modernização do Ocidente, repentinamente militariza-se.  Segundo o diretor de estudos russos Leon Aron, Putin usa a estratégia de "fortaleza sitiada": exatamente a proteção de "ameaças externas" pode fazer legítimo seu regime autoritário. Outra dimensão da filosofia do presidente - a liderança geopolítica que Rússia perdeu em muitas posições: os especialistas estrangeiros não a consideram uma grande potência. De acordo com o político russo Sergei Karaganov "o atual modelo de desenvolvimento da Rússia não lhe dá outros meios de assegurar a posição de liderança".
 
Os prognósticos estratégicos quanto a Kremlin podem tornar-se uma questão complicada. De um lado o autoritarismo russo é altamente personalizado e repousa sobre a autoridade de Putin. A sociologia fornece interessantes comparações quanto a confiança nele, ao governo e ao parlamento. A avaliação do presidente, mesmo no nível mais baixo de janeiro de 2011, ainda permanece bastante elevada, mas a credibilidade ao governo, especialmente ao parlamento, não cresce. Por causa da fraqueza das instituições a situação na Rússia se assemelha ao que havia na União Soviética durante a estagnação, então os analistas estrangeiros, como os antigos analistas americanos da vida soviética, são forçados a predizer o futuro na borra de café, como mudará o curso do país, depois de Putin.
 
Para quem a arma aponta?
 
Cada vez mais, os especialistas da FR se preocupam com o futuro de seu país. Uma das mais famosas analistas Lidia Shevtsova recentemente, com dramaticidade, expressou-se sobre o início do colapso do sistema russo. Embora o regime e parte de liberais locais, que o legitimam, ainda tem força para se reagrupar, a agonia, de acordo com a observadora, é inevitável. Ela, corajosamente indica o militarismo como o instrumento de sobrevivência do sistema russo e anuncia que agora não se trata de retórica. "Hoje a retórica neoimpeperialista e militar começa a ser implementada na doutrina, mas algumas forças do "estabilishment" podem tentar incorporá-la na prática". De fato, segundo Shevtsova, paralelamente com a concepção formal há um consenso da elite sobre o domínio da Rússia no pós-soviético espaço e possibilidade de utilização soft power (suave poder) ou intervenção armada direta, para eliminar os indesejados regimes de países vizinhos e deter a influência ocidental.
 
A militarização russa incomoda alguns países do leste da Europa, que são membros da OTAN, especialmente a Polônia e os países bálticos. Ao mesmo tempo ela chama a atenção sobre os EUA. Particularmente, de acordo com Washington Times, o Pentágono observa os maiores estudos nucleares na Rússia nos últimos vinte anos, que aconteceram no final do mês passado. No entanto os especialistas não vêem nenhuma ameaça de Moscou para o Ocidente ou a OTAN.
 
A perspectiva ukrainiana sob estas condições parece bastante sombria. Razões para falar sobre a ameaça real russa ao nosso país não há. Qualquer intervenção do exército da FR no nosso território ou mesmo provocação de caráter armado inevitavelmente provocaria dentro do país forte sentimento antirrusso e, consequentemente, para Kremlin seria muito mais difícil arrastar Ukraina para seus projetos neoimperiais de integração. Ao Kremlin é mais confortável continuar agindo com os métodos que já influencia Kyiv: pressionar no governo ukrainiano, de fato segurando-o "no gancho", e através de sua quinta coluna desestabilizar a situação no país. No entanto, aumentam os riscos da instabilidade. O passado dá alguns exemplos de crises. Dois países (¹) durante a divisão da Frota do Mar Negro da URSS em 1992 - 1994 encontravam-se à beira de um conflito armado, de fato recorriam desavenças. O grau de oposição elevava-se também durante a crise ao redor da ilha de Tuzla (¹)  em 2003 e a guerra russo-georgiana em agosto de 2008. Hoje não há conclusão da demarcação no estreito de Kersh (³) (que está relacionado com os direitos da utilização do transporte de gás Pallas), não estão reguladas as questões com a permanência na Criméia da Frota do Mar Negro, modernização do qual resiste Yanukovych, tentando impor à Rússia os serviços de fábricas locais.
 
Sob essas condições, provavelmente, a militarização russa como evidência de força aplicará o papel de força efetiva, empurrando Yanukovych para cessão de interesses nacionais, econômicos e políticos da Ukraina.
 
1,2,3 - Todos estes conflitos aconteceram entre Ukraina e Rússia.
 
 
Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: A.Oliynik

terça-feira, 2 de abril de 2013

NACIONALISMO ESTIMULA RESSURGIMENTO COSSACO

The New York Times01/04/2013 | 03h47

Presidente Vladimir Putin estimula o desenvolvimento de uma ideologia nacionalista conservadora.

 
 
 
Nacionalismo estimula ressurgimento cossaco Sergey Ponomarev/NYTNS
Funeral de chefe cossaco que foi morto tentando prender homem embriagado Foto: Sergey Ponomarev / NYTNS
Ellen Barry
Do lado de fora da sede da polícia desta cidade numa noite recente, um padre de chapéu de veludo roxo e estola dourada ia de homem em homem, oferecendo uma cruz para ser beijada, encharcando seus rostos com água benta aspergida por um longo pincel.

E assim começava outra noite de fiscalização enquanto os cossacos, cavaleiros ferozes que antes garantiam a fronteira do império russo, marchavam para se juntar à polícia patrulhando a cidade.

No terceiro mandato, o presidente Vladimir Putin ofereceu uma nova direção clara para o país: o desenvolvimento de uma ideologia nacionalista conservadora. Os cossacos surgiram como uma espécie de mascote, com crescente apoio financeiro e político.

O Kremlin está mergulhando numa piscina funda de História: os cossacos são reverenciados aqui pela bravura e código de honra pré-moderno, como os caubóis nos Estados Unidos ou os samurais no Japão. Porém, seu legado está envolto em batalhas e vigilância ao estilo paramilitar, incluindo campanhas contra turcos, judeus e montanheses muçulmanos.

Atualmente, homens com uniformes cossacos têm feito aparições tempestuosas por toda a Rússia, efetuando ataques a exposições de arte, museus e teatros como porta-bandeiras de uma igreja em ressurgimento. Contudo, aqui na parte sul da Rússia, o renascimento dos cossacos é mais do que uma ideia. Os líderes regionais estão lhes concedendo um papel maior na aplicação da lei, em muitos casos pedindo explicitamente para deter um influxo de minorias étnicas, principalmente muçulmanos do Cáucaso, num território há muito tempo dominado por eslavos ortodoxos.

"Nós vivemos lado a lado com eles e, às vezes, lutamos com eles e provavelmente os compreendemos melhor do que um moscovita", disse o capitão Vadim Stadnikov, chefe de segurança do Exército Cossaco Terek, cujos oficiais exibem um retrato do tzar Nicolau II. "Aqui se respeita a força."

"Com a polícia, a conversa é breve: você cometeu um crime, esta é a punição", ele disse. Ainda segundo Stadnikov, com os cossacos envolvidos, "existe um efeito profilático, um tipo de educação. Eles vêm aqui. Pegam este grupo de jovens. Explicam-lhes as tradições do povo ortodoxo, eslavo, cossaco da cidade de Stavropol. Quais são as regras. Como vivemos aqui".

Uma série de episódios violentos sublinhou o potencial para encrenca nesta parte incendiária e fortemente armada da Rússia. Em março, um líder cossaco foi baleado fatalmente ao tentar prender um bêbado que havia feito reféns na região vizinha de Krasnodar. Durante seu funeral, cossacos de casaco carmesim, portando chicotes de couro e sabres, seguiam um cavalo sem cavaleiro, visão que pode ter se originado no século XVI.

Na sequência, um oficial graduado disse estar na hora de o Estado permitir que patrulheiros cossacos portem armas traumáticas, sem capacidade letal, que podem resultar em ferimentos graves a curta distância – proposta endossada pelos governadores de Krasnodar e Stavropol.

"Ativistas de direitos humanos, pessoas que desejam o mal, falam muito se isso é ou não necessário", afirmou à televisão russa Nikolai A. Doluda, líder do Exército Cossaco Kuban e assistente do governo. "Este evento horrível e assustador ressalta que é necessário."

Os historiadores estão em conflito sobre quem eram os cossacos – descendentes de servos fugitivos ou guerreiros tártaros, um grupo étnico à parte ou uma casta de cavaleiros. Eles desempenharam um papel crucial na colonização do sul do império russo e, mais tarde, se voltaram contra levantes de camponeses e trabalhadores, em defesa do tzar.

Os bolchevistas quase os destruíram, deportando dezenas de milhares num processo chamado "descossaquização", mas a imagem do cossaco, selvagem e livre, continuou sendo uma parte viva da imaginação russa.

Quanto Tolstoi se sentou para escrever o clássico romance "Os Cossacos", ele o ambientou nas proximidades da Stavropol de hoje em dia, onde o rio Terek dividia as montanhas povoadas por muçulmanos das estepes, território cossaco. Numa cena ensinada a gerações de crianças, um jovem cossaco vislumbra um checheno nadando o Terek disfarçado de tronco e o alveja.

A noção de uma linha divisória étnica é amplamente aceita até hoje, mas enfrenta problemas demográficos. Grupos étnicos muçulmanos no Cáucaso têm uma taxa de natalidade elevada e os russos estão abandonando a estepe. Aproximadamente 81 por cento da população de Stavropol é de etnia russa, mas a parcela vem encolhendo há décadas, informou o International Crisis Group.

Essa rápida modificação está inquietando russos étnicos em Stavropol, que às vezes chamam de "pastores" os recém-chegados. Gennady A. Ganopenko, 42 anos, afirmou ter crescido numa cidade tão homogênea que "o som de uma língua não russa era motivo para briga".

"Antigamente, este era o portão para o Cáucaso", ele disse. "Nós abrimos o portão e, depois, ele caiu das dobradiças."

O renascimento cossaco busca reduzir essa tendência. No verão passado, Alexander N. Tkachev, governador da região de Krasnodar, a oeste, referindo-se aos vizinhos da região de Stavropol, afirmando que tantos muçulmanos havia se mudado para lá que os russos não se sentiam mais em casa. Segundo ele, a região não tinha mais sua função tradicional de "filtro étnico".

Para eliminar a migração ilegal, o governador anunciou a criação de uma força remunerada com mil patrulheiros cossacos que, conforme explicou durante discurso a agentes da ordem pública, não seriam contidos pela lei como os policiais. Suas palavras foram: "O que vocês não podem fazer, um cossaco pode".

Os líderes de Stavropol viraram o nariz para o discurso, mas ele calou fundo nos nacionalistas. Entre eles estava Boris V. Pronin, chefe dos Cossacos Romanov, uma das muitas associações na cidade não oficialmente registradas. A exemplo de muitas pessoas na região, ele afirmou que os jovens do Cáucaso começaram a se comportar muito livremente em Stavropol.

"É como se eu entrasse na sua casa, o estapeasse no rosto e falasse: 'Esta noite, vou dormir com sua esposa'", ele afirmou em entrevista.

Pronin defende a criação de uma guarda cossaca com poderes equivalentes aos da polícia.

"Quando uma pessoa tem câncer e a metástase começou, se um médico profissional não cuidar dessa metástase, o sujeito morre. Acontece o mesmo com a sociedade. Se já existe um câncer metastático no território da região de Stavropol, alguém precisa tomar as medidas preventivas apropriadas."

O aumento do apoio oficial aos cossacos é problemático para os muçulmanos, embora seus representantes oficiais tomem cuidado ao fazer essa admissão. Uma exceção foi Zainudin Azizov que, numa manhã recente, cruzou rebanhos de ovelhas e hectares de estepe cinza castanha numa picape Mercedes enquanto uma música gemia numa tela do painel de instrumentos.

"Uma classe está se tornando um tanto privilegiada", ele falou a respeito dos cossacos. "Por que não apoiam o povo russo como um todo? Por que estão apoiando somente essa pequena classe?"

Azizov representa famílias daguestanesas agora dominantes nos vilarejos no extremo oriental da região de Stavropol e está particularmente irritado com um plano para conceder terra em áreas como a sua para reassentar famílias cossacas, criando uma espécie de zona tampão de russos étnicos. E ele tampouco gosta que patrulheiros cossacos recebam salários do Estado. Enquanto alguns dos cossacos locais são velhos amigos, outros são "skinheads".

"Eles se juntam aos cossacos, mas depois se comportam como nacionalistas. Eles têm apoio da região, de Moscou. Eles sentem que podem ter tudo que quiserem, que amanhã eles terão proteção."
THE NEW YORK TIMES NEWS SERVICE.

domingo, 31 de março de 2013

UCRÂNIA AMEAÇADA PELA ESCASSEZ DE MOEDA



Escassez da moeda é uma séria ameaça para a independência da Ukraina.
Tyzhden (Semana), 11.03.2013
Volodymyr Lanovyi

Este ano Ukraina não tem moeda em quantidade necessária para satisfazer as obrigações estrangeiras. Nós não temos o dinheiro necessário para pagar, de acordo com a programação, as dívidas externas.



  



Não há dólares suficientes para apoiar a demanda doméstica. Do mesmo modo não há quaisquer evidências que sugiram que o saldo de pagamentos de 2013 pode ser levantado com um menor deficit que no ano passado. Com esta falta de moeda nós somos vulneráveis à pressão da Rússia, que exige a nossa entrada na União Aduaneira. Todos compreendem que isto é uma séria ameaça à nossa independência, e em perspectiva aos direitos soberanos de entrada em relações internacionais. E o país que não tem entrada direta às relações internacionais, não é um Estado de acordo com as normas do direito internacional. E terá que resolver todas as questões através de outro país..

O segundo componente da nossa vulnerabilidade - é que "Naftogaz da Ukraina" permanece insolvente e sua insolvência apoia-se no aumento do capital do mercado de títulos públicos. Há credores interessados, aos quais estes títulos são necessários, já que no caso de falência do Naftogaz, que inevitavelmente se aproxima, seus ativos podem caber àqueles que concentram em suas mãos os papéis. Sabemos que nesta direção ativamente trabalham os bancos russos. Depois da passagem do sistema ukrainiano do transporte de gás às mãos do Gazprom, nós esteremos impossibilitados de conduzir qualquer diálogo com eles sobre o preço do gás natural e da remuneração russa pelos serviços de seu transporte pelo nosso território.

Diminuem rapidamente as reservas de ouro do Banco Nacional da Ukraina: no ano passado elas eram de USD 25 bilhões. Principalmente em abril de 2011 Mykola Azarov (Primeiro Ministro) gabava-se com o máximo de 38,5 bilhões de USD. Mas ele não especificava que eram ingressos de crédito. Alie-se a isto a estrutura desconhecida das reservas internacionais. Com a última publicação dos dados em 2008, na forma líquida havia apenas 0,5 bilhões de USD de reservas internacionais, mais 15 bilhões - em outra moeda livremente conversível, o restante - na forma de títulos. Porquanto o Banco Nacional, desde então vendeu, principalmente, dólares e não títulos, então não há nenhuma razão para supor que a estrutura das reservas internacionais melhorou. Assim, podemos supor que, atualmente, há no máximo, em moeda livremente conversível, mais da metade de todas as reservas.

Não pode haver taxa de câmbio artificialmente inventada e apoiada pelo Banco Nacional. Mas até mesmo todas as reservas representam apenas 90% das dívidas externas baratas. Se compararmos a parte líquida das reservas internacionais do Banco Nacional, as quais eu estimo em 12 - 13 bilhões de USD com os pagamentos da dívida externa que o Estado deve assumir até 2014 e, além disso, cerca de 10 bilhões de USD que a população compra anualmente, então podemos ver, que até para estas primeiras necessidades não há liquidez suficiente. Três meses atrás as agências internacionais reconheciam Ukraina como país que se encontra em estado a beira da falência.

Quais as principais razões da diminuição de nossas reservas externas? Primeira - está acontecendo aumento do déficit em conta corrente em ritmo veloz: em 2009 ele estava em 1,75 bilhões de USD, e de acordo com os resultados de 2012 - 14 bilhões de USD. Nós já superamos o nível da crise de 2008. Segunda razão - retomada pelos bancos ukrainianos de créditos do exterior, que foram concedidos a eles nos turbulentos anos 2005 - 2007. Grandes somas vinham para Ukraina, até as instituições financeiras decidiram que podiam aqui trabalhar com seriedade, e compravam nossos bancos a preços inflacionados. Agora eles perceberam o seu erro e retornam o dinheiro do mercado ukrainiano às estruturas maternas. Anualmente deduzem 2 -3 bilhões de USD. Começando em 2008, eles já devolveram 13 bilhões de USD. E isto é um sinal muito ruím. Quando no Banco Nacional declaram que reduzem a dependência do dólar e citam como exemplo, que o endividamento das instituições ukrainianas diminuiu em 13 bilhões de USD, então eu quero dizer que eles existem para ter dívidas, e não para devolvê-los. Pelo contrário, é necessário que os bancos expandam a base de crédito, atividades operacionais, investimentos, e não reduções. Isto é, aqui como sempre, parece positivo, aquilo que é realmente negativo.



Mais um motivo - a desconfiança dos cidadãos à "hryvnia" (moeda nacional) e do sistema bancário do Estado, evidenciado pelo fato, que atualmente os ukrainianos resgatam acima de 10 bilhões de divisas. Quando haverá confiança? Somente quando não houver obstáculos para livre conversão da "hryvnia" para dólar e vice-versa. Sem quaisquer restrições e condições. Exemplo, aos bancos conceder empréstimos em dólares. Quaisquer restrições impostas em relação ao dólar, levam ao fato da descrença à moeda nacional e compram a estrangeira.

O que é preciso fazer para resolver o problema nas condições atuais? É indispensável alterar as regras, procedimentos, políticas em seus diversos componentes. Não proibir empréstimos em dólares, no entanto os bancos devem assumir os riscos cambiais, implementar seguros adequados às operações. Não pode haver taxa de câmbio artificialmente inventada e apoiada pelo Banco Nacional. Se as pessoas compram mais dólares que vendem, então a moeda está barata. Afinal, se a taxa de câmbio do dólar no país tiver um valor de mercado equilibrado, comprarão menos.



Mas a questão, é claro, é da política econômica e financeira do Estado. Não pode haver meios para cálculos de câmbio, se temos dívidas e o governo assume novamente o déficit orçamentário. Uma tarefa importante também é a importação de gás russo e melhorias da situação financeira do Naftogaz. É necessário deixar  de subsidiar os preços de gás para os consumidores industriais. Afinal, enquanto nós artificialmente rolarmos quantidades extras de combustível manteremos, por conta de todo o país, por exemplo, 2 - 3 mil trabalhadores da indústria química. Isto só retarda a economia. Nós precisamos criar um ambiente de negócios pelo qual as empresas estrangeiras venham para Ukraina, e não fujam. Aqui existirão filiais das mesmas estrangeiras, que produzirão os mesmos bens que agora importamos, o que aumentará a demanda pela moeda. Além disso, apenas um ambiente favorável para o empreendedorismo pode estimular as exportações de produtos elaborados na Ukraina, produtos com alto valor agregado, o que irá aumentar o fluxo da moeda.

O que acontecerá este ano? Eu tenho a impressão que o governo vai pelo caminho da deflação. Eles não conseguirão recursos nem no mercado externo, nem no interno. Pelo menos não antes de maio ou junho, quando ocorre o pico de pagamentos externos.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

quinta-feira, 28 de março de 2013

HOLOKOST: O Inferno na Terra - 2ª Parte

LEMBREMOS DE VINNYTSIA - 2ª PARTE
Antin Drahan


LEMBRAM COMO BRAMIU O TERROR
 Na memória recente de milhões de pessoas da escravizada Ukraina  havia três vezes amaldiçoado o faminto ano de 1933. Ainda não foram esquecidas as pessoas inchadas de fome e milhares de outros de pele e osso vagando nas ruas e estradas. Os funcionários dos cemitérios não venciam enterrá-los. Contam que vinham nas casas buscar o cadáver do pai, com sinais de morte pela fome, e para não ter que voltar um ou dois dias depois levavam também os já inchados, mas ainda vivos a mãe e os filhos. Porque quem começava inchar não tinha mais salvação. E, que auxílio poderia receber numa aldeia onde até as cascas das árvores já estavam roídas...

Tudo isso ainda permanecia na memória da população ukrainiana quando nos anos 1936-1937-1938 sobreveio mais uma terrível prostração de terror bolchevique. Na realidade ninguém sabia nem o dia, nem a hora, quando até sua casa viria o "corvo negro", o carro preto e fechado da NKVD, no qual desapareciam para sempre, milhões de pessoas. O "corvo negro" chegava na casa do trabalhador comum, trabalhador do "kolkhoz", ou ainda de assim chamadas pessoas da "inteligência", frequentemente à noite. Os agentes da NKVD realizavam uma busca ou não, ordenando aprontar-se para sair. Era última vez que os familiares viam seu ente querido. Todos os aprisionados o eram sob alegação de serem "inimigos da nação". O motivo imediato do aprisionamento do suspeito - e suspeitos, naqueles tempos de opressão stalinista eram dezenas de milhões - podia ser um cartão de parentes da Polônia ou outro país, às vezes encontrado durante a busca, uma cruzinha ou um missal. Em muitas ocasiões aprisionavam devido à denúncia sem nenhum fundamento.


 
foto 4:  Médicos estrangeiros estabelecem o modo do assassinato.


Essa terrível onda de aprisionamento durou até a explosão da II Guerra Mundial e, dificilmente deixou na Ukraina uma família que não contribuísse com uma vítima ao terror bolchevique. As prisões estavam transbordando de condenados sem julgamento, acusados de "inimigos da nação" porque a sanguinária cúpula de ditadores do Kremlin, encabeçada pelo tirano Stalin, condenou a nação inteira como "inimiga da nação". Ao mesmo tempo ninguém dos aprisionados não só não sentia nenhuma culpa, bem como não poderia tê-la contra tão bárbaro regime. Eram em sua maioria simples trabalhadores, cujo ideal era um só: poder viver e criar seus filhos. Por este ideal entregaram toda sua dedicação, suando camisa nas fazendas coletivas ou fábricas de propriedade estatal. Alguns dos infelizes foram aprisionados sob a alegação de sabotagem, porque a porca da fazenda coletiva não pariu o número de porquinhos previstos no demente plano qüinqüenal de Stalin; outros porque morreu o cavalo da fazenda coletiva. Porém, a maioria foi aprisionada sem nenhum motivo declarado.

Após esses aprisionamentos em massa os familiares tentavam ajudar os seus de alguma forma. Em desespero tentavam conseguir justiça para eles mas, no sistema vigente até esta busca era considerada crime. Durante dias inteiros rondavam os muros das prisões, dirigiam-se à administração da NKVD e, na sua ingenuidade escreviam até para Stalin pedindo-lhe que ajudasse encontrar e libertar seus familiares. Mas, para 99% respondiam que os aprisionados foram condenados como "Inimigos da nação" e enviados para distante degredo "Sem direito a correspondência". Quase dez mil desses "inimigos da nação" foram encontrados com mãos amarradas atrás e crânio perfurado, nas sepulturas coletivas em Vinnytsia".


TESTEMUNHO DE FAMILIARES

Ao pavoroso extermínio da nação ao qual se permitiu o poder dos ocupantes comunistas de Moscou na Província de Vinnytsia, nos anos de 1936-1939, e que constitui somente fragmentos do contínuo "holokost" ou extermínio da nação que aquela ocupação, em diversas formas, continuamente, pratica na Ukraina até os dias de hoje opõem-se os depoimentos claros e coerentes de familiares das vítimas daquele terror: esposos, pais, mães, irmãos e irmãs, e que foram declarados perante a comissão das escavações das sepulturas. Apresentamos alguns desses depoimentos.


OLEKSANDRA PRUSAK, da aldeia Verkhivtsi, região de Bars'k:
Meu marido Ivan Prusak, nascido em 1898, até 1937 trabalhava na fazenda coletiva de Verkhivtsi. Até 1929 ele era proprietário, tinha aproximadamente 6 hectares de terra e três vacas. Em 1929 foi obrigado a entregar seus bens para a coletivização. Até 1937 nunca foi aprisionado ou suspeito de quaisquer crimes. Em seis de abril de 1937, durante os trabalhos no campo foi pego pelos milicianos e levado à NKVD em Baru. Não consegui saber os motivos de sua prisão. Perguntei para Kyiv e Moscou e de lá recebi resposta - procurar informações na NKVD de Vinnytsia. Para minhas indagações em Vinnytsia em 1938 recebi informação que meu marido foi exilado por 10 anos na Sibéria, sem direito a correspondência. Quanto tempo meu marido ficou em Vinnytsia não sei dizer.
Hoje, no antigo local da NKVD (pomar frutífero) eu reconheci o casaco de meu marido. Erro não pode haver - reconheci-o pelos remendos que eu mesma fiz. Por isso penso que o seu corpo também está enterrado neste local. Simultaneamente com meu marido, em nossa aldeia, foram aprisionadas mais onze pessoas cuja sorte até agora é desconhecida." Vinnytsia, 29 de julho de 1943. 
 
foto 5: Comissão internacional médico-forense no local de valas escavadas em Vinnytsia  

MARIA MADII, da aldeia de Verkhivtsi, região de Bars'k, testemunhou:
"Meu marido Ivan Madii anteriormente ao "rozkurluliania" (Ato do governo soviético de tomar a terra de quem possuía um pouco mais e doá-la a quem tinha menos - OK) trabalhava por conta própria em seus dois hectares de terra. Durante o "rozkurkuliania"  nós recebemos mais um pouco de terra. Depois fomos obrigados entregar tudo para fazenda coletiva. Em abril de 1937, à noite, a milícia pegou meu marido em casa e mandou-o para Baru. Motivos do aprisionamento não forneceram. Quando fomos buscar notícias em Vinnytsia, a mim e a minha filha disseram que ele foi exilado por dez anos.
Hoje, no antigo local da NKVD eu reconheci, com precisão, o casaco do meu esposo". Vinnytsia, 29 de junho de 1943.

AGAFIA USOVA, da aldeia Tofelivka, região de Chulensk:
"Em primeiro de janeiro de 1938 meu marido, Mykola Usov, à tardinha retornava do trabalho quando foi aprisionado na rua por quatro agentes da NKVD e mandado para Chulensk. Simultaneamente foram levadas mais sete pessoas de nossa aldeia. Após efetuarem a prisão vieram agentes da NKVD até a nossa casa e reviraram tudo no seu interior. Demonstraram especial atenção para correspondência de meu esposo, mas também procuraram armas. Como resposta sobre o motivo da prisão disseram que meu marido estava sendo acusado de atuação criminosa. Não forneceram nenhuma prova ou evidência e não deram atenção às minhas perguntas. E, até com brutalidade, declararam que eu mesma devia imaginar a impossibilidade da libertação de meu esposo. Passado meio ano, minhha casa foi invadida pelos agentes da NKVD que vieram pegar as roupas de meu esposo.
Em Chulensk meu esposo ficou apenas um dia, foi levado para Haisyn. Com sorte consegui saber que em fevereiro de 1938 ele foi transferido para Bratslav, depois para Vinnytsia. Em março de 1938 fui para Vinnytsia e procurei a NKVD. Dali fui expulsa e disseram-me que nada sabiam a respeito de meu esposo. Então eu acreditei que meu esposo foi exilado para Sibéria. Aqui, na repartição da NKVD achei alguns objetoss seus e peças de roupa: casaco, saquinho de pão, duas camisetas e duas camisas. Agora estou convencida que meu esposo faz parte dos liquidados animalescamente". Vinnytsia, 1º de julho de 1943.

MARIA ANTONIUK, da aldeia Polovi-Berlyntsi, região Murovano - Kyrylivtsi.
"Em 20 de junho de 1938 a NKVD aprisionou meu marido, trabalhador da fazenda coletiva Stepan Antoniuk, com 46 anos de idade. Ele foi levado a noite, diretamente da cama e transportado para Kopai-Horod, onde permaneceu por seis dias. Para onde foi levado depois, não sei dizer. Simultaneamente foi aprisionado outro trabalhador da fazenda coletiva, Statnek, que na repartição da NKVD teria dito que ambos eram espiões. Após isto, durante seis meses não tivemos notícias sobre nossos maridos. Então, com a esposa de Statnek escrevemos para Moscou. Transcorrido um mês fomos chamadas para Kopai-Horod, para NKVD, para nós nos inteirarmos do assunto dos "inimigos da nação" aos quais pertenciam nossos maridos. Foi nos dito que eles foram exilados para Sibéria por dez anos, onde deveriam trabalhar na exploração da madeira. Isto é o que foi dito. Tenho certeza absoluta que, nem meu marido nem Statnek não tinham culpa, nunca se ocuparam com assuntos políticos.
Nas sepulturas coletivas, no local da NKVD em Vinnytsia, hoje encontrei a camisa de meu esposo que reconheci com convicção porque fui eu que a costurei. Agora eu sei que meu marido não foi enviado para Sibéria, mas foi fuzilado em Vinnytsia".   Vinnytsia, 2 de julho de 1943.

HALYNA HRUSHKIVSKA, da aldeia Horodnytsi, região Nemerivskyi.
"Em outubro de 1937 meu pai, trabalhador da fazenda coletiva, Petro Hrushkivskyi com 65 anos, foi aprisionado pelos agentes da NKVD em Bratslav. À minha mãe declararam que ele era "inimigo da nação". Eu tenho certeza que meu pai, que nunca frequentou escola, nunca se ocupou de política. Duas semanas papai permaneceu em Bratslav, depois foi levado para Vinnytsia. Minha mãe ia, diariamente, até o NKVD de Bratslav saber notícias até ser informada da transferência. Em Vinnytsia nós não tínhamos coragem de procurar notícias. Desde o dia da prisão nada mais soubemos. E também nada foi informado sobre outras dez pessoas da nossa aldeia aprisionadas concomitantemente com papai.
Eu li nos jornais sobre a abertura das sepulturas coletivas em Vinnytsia e soube que uma vizinha achou aqui peças de roupa do marido. Por isso eu vim aqui e no local da NKVD, entre os objetos encontrei o gorro de meu pai. Ele era grande e eu o reformei, portanto pude reconhecê-lo com precisão. Agora eu sei que meu pai foi morto pela NKVD". Vinnytsia, 03 de julho de 1943.

NADIA HONCHAR, da aldeia Stupievke, da região Murano-Kyrylivskyi:
"Em dezembro de 1937 dois agentes da NKVD fizeram uma busca em minha casa. Procuravam armas e documentação sobre atuação criminosa. Não achando nada aprisionaram meu esposo Paulo Honchar, 30 anos, e mandaram num veículo de carga para a NKVD de Baru. Os motivos do aprisionemento não me falaram, nem para meu marido. Naqueles dias eu estava doente e não podia, pessoalmente, averiguar onde estava meu marido. Duas semanas depois meu pai foi até Baru. Na prisão foi informado que meu marido já tinha sido mandado para Nova Terra. Quando isso aconteceu e onde ficava essa Nova Terra não esclareceram. Após transcorrido um mês eu procurei saber sobre meu marido e recebi as mesmas informações que foram dadas a meu pai.
Devo dizer que até a presente data eu pensava que meu marido encontrava-se exilado na Sibéria desde 1938. Hoje, no local da NKVD, encontrei partes das roupas de meu esposo e também seu casaco que reconheci pelos remendos que eu mesma costurei. Agora estou convencida que entre os assassinados está meu marido".  Vinnytsia, 05 de junho de 1943.

Foto 6: Procuram parentes entre os cadáveres desenterrados.

HANNA HODOVANETs, da aldeia de Mykhailivka, região Murovano -Kyrylivskyi:
Em 3 de janeiro de 1938 meu marido Kassian Hodovanets, nascido em 1886, durante o serviço na estação de Kopai-Horod foi aprisionado pelo membro da "silrada" (associação da aldeia) e pelo miliciano de serviço na estação. Pegaram seu passaporte (identidade) e mandaram-no, primeiramente para Mykhailivka e, finalmente, em 3 de março de 1938 - para Vinnytsia. Tudo isso eu fiquei sabendo de diversos conhecidos que, acidentalmente, foram testemunhas do aprisionamento.
Posteriormente meu filho Vassel, conversando com um trabalhador da fazenda coletiva de Mykhailivka, soube que o mesmo foi chamado para interrogatório sobre meu marido em Murovano-Kyrylivtsi, perante representantes da NKVD para região. Perguntaram se meu esposo rezava e por que em nossa casa havia tantos ícones. Revelou-se que esses fatos e também que meu esposo não compareceu ao trabalho em dia santificado constituíram o motivo de seu aprisionamento.  No final de abril de 1938 eu fui informada no órgão da NKVD de Vinnytsia que meu esposo fora enviado para exílio distante, sem direito a correspondência. Algum tempo depois dirigi-me ao promotor da província e dele recebi as mesmas informações. Então escrevi uma carta ao próprio Stalin pedindo para libertarem meu marido. Em 3 de maio de 1938 recebi do promotor Geral da SSSR, Vyshynskyi, o comunicado de libertação. Mas, meu marido não voltou.
Em 24 de junho de 1943, entre as roupas desenterradas no território da NKVD eu reconheci sua camisa, que eu mesma costurei, paletó com bolsos azuis que eu preguei e uma bota com ferradura especial na parte posterior que encomendei ao ferreiro em Kopai-Horod. Estes objetos eu mandei ao meu marido na prisão. Agora eu penso que ele nunca foi exilado, nem libertado. Foi assassinado em Vinnytsia".  Vinnytsia, 8 de julho de 1943.

IAVDOKHA IAVNYCH, da aldeia Voznivtsi - região de Stanislavchyk:
Em 6 de janeiro de 1937, após uma busca sem resultados, os agentes da NKVD, e com a presença de dois entendidos (Pessoas que acompanhavam os agentes da NKVD por ocasião das buscas, como testemunhas para a relação dos bens, etc. - OK) aprisionaram meu marido, Vassyl Yavnych. Na ocasião ele tinhha 40 anos e era trabalhador da fazenda coletiva. Somente depois fiquei sabendo que o consideraram culpado devido a correspondência com parentes que residem em Halychyna (Ukraina Ocidental). Meu marido era natural da Ukraina Ocidental, da aldeia Lysok, dos arredores de Zhedachiv. Em Stanislavchuk ficou apenas alguns dias, depois foi levado para Vinnytsia. Quando, após um mês fui até a prisão da cidade de Vinnytsia, disseram-me que meu esposo foi sentenciado para 10 anos de exílio, sem direito a correspondência, e que já foi enviado ao local determinado. Escrevi várias vezes para Moscou em nome de Stalin, Kahanovych e outros dirigentes e recebi de todos a mesma resposta que meu marido foi condenado a 10 anos de exílio. Hoje, 20 de julho de 1943 eu reconheci no antigo pomar da NKVD o paletó de meu marido pela originalidade dos botões. Penso que meu esposo não foi exilado, mas jaz aqui, entre os assassinados".   Vinnytsia, 20 de julho de 1943.


OLENA OLKHIVSKA, de Vinnytsia:
"Em novembro de 1937 a NKVD aprisionou, em casa, meu marido Petro Olkhivskyi. Ele era ukrainiano e trabalhava na fabricação de pão. No dia da prisão fizeram uma busca em nossa casa e levaram todos os seus documentos. Posteriormente fui várias vezes até a prisão da NKVD mas nunca pude entrar. Após uma semana fui até a prisão municipal para a qual meu esposo foi transferido, mas lá também não foi permitida minha entrada. Somente depois de um mês tive a sorte de deixar para ser entregue um paletó e botas de feltro, mas vê-lo pessoalmente não permitiram. Então me comunicaram que ele foi enviado para o longínquo Norte, por 10 anos, sem direito a correspondência. A acusação de "inimigo da nação" foi o motivo da prisão. De verdade meu marido nunca dedicou-se a política. Talvez tenho sido denunciado por uma judia, colega de trabalho, com a qual ele discutiu certa vez.
Quando começaram abrir as sepulturas eu ia lá todos os dias e, num cadáver eu reconheci o casaco preto, botas, duas calças e uma camisa. Eu estava presente quando os cadáveres eram retirados da sepultura. Depois, nesse mesmo cadáver eu reconheci meu esposo pelo dedo mínimo torto na mão direita. Portanto não pode haver nenhuma dúvida".  Vinnytsia, 01.07.1943.
foto 7: Mulheres reconhecem seus maridos.

KATYRYNA HORLEVSKA, de Zhmyrynka:
"Entre os objetos resgatados no antigo pomar da NKVD eu reconheci pertences de meu esposo: uma camisa bordada e casaco de lã com gola de pele. Meu marido Dmytro Horlevskyi, nascido em 1888, ukrainiano, era maquinista na estrada de ferro. Foi preso no dia 13 de maio de 1938 em Zhmerenka. Recebendo a convocação para comparecer a NKVD foi até lá e não mais retornou. No dia seguinte, em nossa residência a NKVD fez busca mas nada levou. A alegação que motivou a prisão foi que ele era "inimigo da nação". Na verdade, de política ele nunca se ocupou. Três meses antes da prisão até recebeu prêmio pela boa manutenção de sua locomotiva.. Depois de duas semanas foi transferido de Zhmerenka para Vinnytsia. Cada duas semanas eu ia para Vinnytsia. Levava alguma coisa para meu marido mas nunca consegui conversar com ele. Certa vez, quando eu novamente fui para Vinnytsia, me falaram que meu esposo foi transferido para Kyiv. Fui até lá. Para as indagações sobre meu marido responderam-me que ele nunca esteve em Kyiv mas foi mandado para Sibéria, sem direito a correspondência. Agora eu estou convencida que entre os assassinados no antigo território da NKVD está também meu esposo.
Pouco antes de 1º de maio de 1937, em Zhmerenka, repentinamente foram aprisionados 60 homens, todos trabalhadores ferroviários, com idade de 37 a 50 anos. Sobre eles, nunca mais ninguém soube".  Vinnytsia, 1º de julho de 1943.


SOLOVYIOVA. de Zhetkivtsi:
"Meu esposo, ukrainiano, devido a problemas de saúde, foi obrigado a deixar o emprego de professor e trabalhava na filial do banco estatal em Zhetkivtsi. Estava com 47 anos quando, em 17 de abril de 1938, no trabalho foi aprisionado. Isto aconteceu às 12h30min, e já às 14h foi levado de trem para Vinnytsia e colocado na prisão da NKVD. Quando no terceiro dia cheguei em Vinnytsia, fui informada que meu marido foi transferido para prisão municipal. No entanto, na prisão municipal eu não consegui nenhuma notícia. Ver meu marido ou enviar algo para ele eu não consegui. Em 5 de maio de 1938, soube que meu marido foi enviado para o distante Norte, para dez anos, sem direito a correspondência. Desde aquele tempo nunca mais tive notícias sobre meu marido. Imediatamente após a prisão, em nossa habitação fizeram uma busca e levaram a espingarda de caça de meu marido, um pouco de prata que eu guardava para obturação dos dentes e uma cruz de mesa. Decorridos dois anos da prisão eu recebi ordem da NKVD para entregar toda sua roupa porque ele era - "inimigo da nação".
Meu marido nunca se ocupou de política. Sua prisão surpreendeu a todos na aldeia. Eu penso que sua prisão deu-se pelo seguinte fato: em nosso prédio veio residir um promotor, de sobrenome Felhd. Ele estava muito interessado em ocupar o prédio inteiro. A mais ou menos oito dias antes da prisão do meu esposo, este promotor pediu no banco um empréstimo de 2.000 karbovantsiv (moeda em uso) para que sua esposa pudesse ir à casa de campo. Com base nas normas bancárias meu esposo não pôde conceder o empréstimo. Penso que este fato motivou a prisão.
O jornal "Novidades de Vinnytsia" publicou uma nota sobre um lenço com monograma "A.C." Lendo esta nota eu reconheci o lenço de meu marido e cogito que ele nunca foi enviado para degredo, mas está aqui - entre os assassinados". Vinnytsia, 1º de julho de 1943.


ODARKA BILETSKA, da aldeia Sherovska.
"Meu marido, padre Leonid Biletskyi, 35 anos, foi aprisionado em 24 de setembro de 1937. Em nossa casa, a noite, promoveram a busca e confiscaram a vestimenta litúrgica, livros, banheirinha de batismo e documentos. Meu marido concluiu o Seminário em Volem e era, até 1935 pároco da aldeia Pelevy. Em 1935 a igreja em Pelevy foi fechada e meu marido foi obrigado a abandonar a aldeia. Mudamos para minha aldeia natal Hreblia, onde meu esposo trabalhava cortando lenha. Quando vieram buscá-lo, sobre o motivo não me disseram nenhuma palavra, somente um agente da NKVD gritou: "Ei você, cachorro, você já viveu muito tempo".
Inicialmente meu marido ficou na prisão junto à milícia da aldeia Sherovska, após duas semanas foi transferido para Vinnytsia para a prisão da NKVD. Quando eu quis entregar-lhe alguns objetos, só aceitaram dois lenços e uma toalha. Nem quando ele esteve preso junto a milícia, nem na prisão de Vinnytsia conversar com ele não permitiram. Quando, mais ou menos depois de um mês eu fui a Vinnytsia, soube que meu marido foi mandado para degredo. Não deram pormenores. Eu fiz um pedido para Moscou e, após meio ano fui informada através da NKVD, que meu marido foi mandado para o distante Norte, por dez anos, sem direito a correspondência.
Lendo no jornal sobre as sepulturas coletivas em Vinnytsia, eu vim até aqui para procurar roupas do meu esposo. Encontrei uma vestimenta castanho escura que eu mesma costurei e da qual até hoje possuo retalhos. Penso que meu esposo não foi degredado, mas assassinado".  Vinnytsia, 1º de julho de 1943.
8ª foto: Reconhecem os torturados pelas roupas e objetos encontrados em sepulturas coletivas.

ANTONIA, de Sherovska Hreblia:
Meu marido, de nacionalidade ukrainiana, motorista-tratorista em nossa aldeia, foi aprisionado em 26 de março de 1938 durante trabalho no campo e colocado na prisão junto a milícia. Imediatamente foi realizada uma busca em nossa casa, durante a qual foram levados apenas os documentos pessoais de meu esposo. À minha pergunta sobre o motivo da prisão, responderam-me que meus irmãos Savitski, que residiam na mesma aldeia, mantinham correspondência com o exterior. Meus irmãos nunca mantiveram correspondência com o exterior. Eles foram presos ainda em novembro de 1937 e mandados para degredo. Nós recebíamos suas notícias de Mongólia.
Meu marido ficou um mês e meio na prisão local e depois foi enviado para Vinnytsia. Quando ele estava na prisão local eu o via frequentemente, através da cerca, mas não podia conversar nem entregar-lhe nenhum objeto. Quando fui para Vinnytsia saber notícias, disseram-me que ele já tinha sido enviado para o degredo. Em resposta ao meu requerimento, após dois anos, recebi a resposta que meu marido foi enviado para o longinquo Norte, por dez anos, sem direito a correspondência. O real motivo de sua prisão eu desconheço, porém sei que ele nunca se interessou pela política. Pelo jornal eu soube das escavações das sepulturas e vim aqui. Eu encontrei a camisa que eu mesma bordei e posteriormente remendei. Nesta camisa eu reconheci, com precisão, a camisa de meu marido. Penso que meu esposo já não está entre os vivos, ele também foi assassinado".  Vinnytsia, 1º de julho de 1943.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

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HOLOKOST: O inferno na terra – 1ª Parte

terça-feira, 26 de março de 2013

MOSAICO


Na Ukraina vivem mais pobres do que emCazaquistão e Rússia - ONU

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 15.03.2013

Na Ukraina 2,2% da população vive em situação de pobreza multidimensional, No Cazaquistão e na Rússia,o número é de 0,6% e 1,2% respectivamente. Sobre isso afirma o relatório de Desenvolvimento Humano do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).
De acordo com o relatório, Ukraina ocupa 78º lugar entre 187 países e territórios por Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em 2013. No topo de desenvolvimento humano em 2013 estão Noruega, Austrália e EUA. As mais baixas posições pertencem a República Democrática do Congo e Nigéria.

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Às empresas norte-americanas é difícil trabalhar na Ukraina.

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana, 15.03.2013

O embaixador dos EUA John Teffet declarou ao jornal "Notícias ukrainianas" que frequentemente era obrigado a se voltar para o lado ukrainiano devido ao fato que as empresas americanas enfrentavam dificuldades. Eram tratadas injustamente pelos órgãos do governo, da administração fiscal e aduaneira. Tornavam-se vítimas de ataques comerciais e também não conseguiam receber arbitragem igual e justa nos tribunjais.

Teffet declarou que na Ukraina há problemas com investimentos e baixa taxa de investimentos estrangeiros diretos. Em sua opinião é importante a construção de um sistema judicial justo e a erradicação da corrupção.

Lembramos que de acordo com o Serviço de Estatística do Estado, o volume de investimentos estrangeiros diretos em 2012 caiu mais de 400 milhões de USD em relação ao ano anterior.

Conforme relatado recentemente pelo diretor-adjunto do BERD (Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento) na Ukraina, Graham Hutchinson declarou que a falta de confiança na proteção de seu investimento e a instabilidade do mercado ukrainiano frequentemente desencorajam os investidores estrangeiros.

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33% dos ukrainianos estão prontos para participar de manifestações

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana) 18.03.2013

De acordo com a pesquisa sociológica do Centro Razumkov, no caso de maior deterioração das condições de vida será necessário sair às ruas na participação em protestos, já é de 49%. Os que acham que é melhor sofrer para não alterar a ordem no país é de 26,8%.
32,7% estão dispostos a boicotar as decisões dos órgãos governamentais; 9% no bloqueio de tráfego nas estradas e rodovias; 4,3 em tumultos de rua; 4% na criação, independente do governo, de formações armadas.

Os motivos mais frequentes para participação nas ações de protesto são: aumentos de preços de produtos essenciais 34,4%; salários não pagos 29%; cortes de empregos em algumas empresas ou indústrias 24,5%; protestos contra a tirania dos governos locais 22,6%; proteção dos direitoos da pessoa 20,9%; baixos salários 22,6%.

Somente 18,1% consideram que o desenvolvimento do país está na direção certa, 62,9 - que não. (Em dezembro de 2012 eram 21,5% e 55,5%).

Entre as instituições sociais, a de maior confiança é a igreja com 63,8% e mídia ukrainiana com 61,9%. Menos confiáveis são os bancos comerciais 17,3%; partidos políticos 20,5% e os tribuais 22,5%.

Foram entrevistadas 2010 pessoas maiores de 18 anos de todas as províncias da Ukraina, Kyiv e República Autônoma da Criméia, entre 1 e 6 de março de 2013.

Segundo os resultados da pesquisa realizada pela "Iniciativa Democrática"e Instituto Internacional de Sociologia de Kyiv, 28,5% de ukrainianos estão dispostos a participar de manifestações, no caso de serem realizadas. Em julho de 2004 eram apenas 18% dos ukrainianos dispostos a participar de protestos. (Lembramos, no final de 2004 houve a Revolução Laranja" - OK).

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A oposição novamente pegou os "regionais" votando pelos amigos.

UIkrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 19.03.2013

O Parlamento ukrainiano, praticamente desde o início deste ano, está com os trabalhos paralisados devido aos bloqueios da oposição que luta contra o costume dos "regionais" de votar pelos amigos do partido, ausentes na sala de reuniões.

Na data de hoje houve sessão e já na aprovação da ordem do dia alguns "regionais" votaram pelos colegas ausentes.

No dia 01.03.2013 o presidente assinou a lei contra essa prática. De acordo com essa lei, ao ser verificada a violação por outro deputado, é chamado o deputado suplente para substituir o violador. Caso o suplente não esteja presente o cartão deve ser recolhido e a proposta submetida a nova votação.

No entanto, na sessão de hoje o deputado do Partido das Regiões votou com dois cartõs, segundo denunciou o deputado Andrii Shevchenko.


 Регіонал Васильєв голосує за свого брата 


Os jornalistas também conseguiram fixar na foto a "regionalista" Tytiana Bakhtieva votando em dois lugares.

 Бахтєєва голосує за сусіда

Devido a estas violações a mesma proposta foi votada três vezes.


Mas, durante a votação da segunda proposição houveram outras transgressões: o deputado Rudkovskyi votou pelo deputado ausente Onyshchenko, a deputada Liovochkina pelo deputad ausente Horiev, a deputada Irena Berezhna pelo deputado Serhii Kivalov, o qual, atualmente, ocupa o cargo de Ministro da Defesa.

 
 Опозиція контролює кнопкодавів. Фото з Твітер Dmytro Barkar
 

 Депутат Горіна голосує з різних місць. Фото Аронця
 
 

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: A.Oliynik

domingo, 24 de março de 2013

PROTESTOS POLÍTICOS NA UCRÂNIA

Arsenii Yatseniuk: Nenhum de nós nunca, em nenhuma circunstância ganhará a eleição presidencial sozinho.
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 18.03.2013
Mustafa Naiem

Sábado terminou a primeira onda de protestos da oposição, "Levanta-te Ukraina!", que aconteceu em Vinnytsia, Uzhgorod e Lviv. Os oposicionistas tendem a comparar "Levanta-te Ukraina!" com ações de protesto às vésperas das eleições de 2002, que também iniciaram dois anos antes das eleições presidenciais. No entanto, a diferença entre esses dois eventos é óbvia. Onze anos atrás, a oposição tinha um objetivo concreto - eleições parlamentares.

Hoje as ações da oposição parecem mais espontâneas e estão acontecendo sem o anúncio da meta final. O único assunto - grande evento final em Kyiv, no Dia da Europa, que será culminante dos eventos nas regiões.

Reação da Banková (Governo)

É significativo que aos protestos nas regiões colocam-se não apenas os oposicionistas, mas também o governo. Oficialmente, o governo classifica-as de pouca importância e marginalidade mas, em contrapartida, ativamente colocou em ação diversos instrumentos de provocação. Em todos os protestos atrás dos líderes da oposição vêm figuras de arruaceiros do bando de Volodymyr Petrov - Oleksii Durneiev e companhia. Ironia do destino, Petrov que agora trabalha ativamente com os tecnólogos da Banková, ainda nas últimas eleições presidenciais se aconselhava, por algum tempo com A. Yatseniuk (Apenas ele descobriu que o governo, dono do dinheiro, paga melhor - OK).

Hoje o objetivo do grupo de ativistas da Banková - de alguma maneira provocar os líderes da oposição para pronunciamentos ou ações que, em seguida tornam-se temas de notícias da televisão, no canal de Serhii Liovochkin, de Dmytró Firtash e de Ihor Kolomoiskyi (Os governistas são donos dos canais de televisão. Apenas um canal está no comando de um oposicionista - OK).

Yatseniuk está seguro que as manifestações realizadas ultrapassam as expectativas. Vinnytsia nunca se destacou como revolucionária, então próximo de dez mil participantes é muito significativo. Foram apenas três dias de notificações às pessoas e o governo distribuiu a desinformação (se passando pela oposição) dizendo que o evento foi adiado.  Uzhgorod estava coberto pela neve. As estradas praticamente intransitáveis. Nós tivemoso dificuldades para chegar até lá, pensamos que viriam umas 100 - 200 pessoas, mas vieram três mil. 


 Марш Вставай, Україно! в Ужгороді   
 
A Lviv, devido a difícil situação nas estradas esburacadas muitas pessoas das regiões próximas, montanhosas, tiveram dificuldades na vinda, ou não vieram. Mas vieram aproximadamente 10 mil.


 

Sendo franco, direi que a decisão para realizar as manifestações foi espontânea. Mas, agora eu entendo, que politicamente foi correto e em tempo certo. Nós sentimos que apenas as ações parlamentares não resolverão o problema. O entendimento que precisamos unir os meios de luta parlamentares com extra-parlamentares nós tínhamos há muito tempo.

O governo desafiou: prisão política de Y. Tymoshenko e Yurii Lutsenko, mudança na Constituição, incríveis poderes presidenciais, fraude nas eleições locais, roubo nas eleições parlamentares, incluíndo Serhii Vlasenko, corrupção ilimitada, completo monopólio político e econômico, destruição do judiciário. Qual será a próxima ação do governo?  Chegou a hora para sair às ruas.

O principal é que as pessoas superem o medo. Elas têm medo que virá a milícia, o Ministério Público e cada um senta-se e pensa que aguentando mais dois anos, alguma coisa muda.  "Tomara que não fique pior", muitos dizem. Este é o formato do "pântano" que Yanukovych desenha para si.

Claro que não podemos com uma ação mudar tudo no país. Mas com a combinação dos esforços da rua e do parlamento nós poderemos reverter a situação - o governo começará nos temer. Este regime tem medo apenas das pessoas. Este medo pânico vem desde 2004. Da oposição eles não têm medo.

Se nós não começarmos as ações agora, não haverá nenhuma eleição em 2015, apenas nomeação do presidente. Nós lutamos pelas eleições, pela demissão do presidente, compreendendo a complexidade da questão. Nós não podemos dar a Yanukovych a oportunidade de roubar a vitória em 2015, como ele fez em circunscrições majoritárias nas últimas eleições parlamentares.

Nossa ação vai durar dois meses. Durante esse tempo realizar-se-ão encontros com diversos grupos - jornalistas, pequenos e médios empresários (Os grandes estão todos do lado do governo - OK). O ponto culminante será a ação em Kyiv, em 18 de maio, Dia da Europa.

Tradução: Oksana Kowaltschuk