sexta-feira, 10 de maio de 2013

UCRÂNIA ENTREGA SISTEMA DE TRANSPORTE DE GÁS À RÚSSIA

Começaram a transferência do Sistema de Transporte de Gás da Ukraina - GTS (¹)
Economichna Pravda (Verdade Econômica), 26.04.2013
Serhii Liamets
 
Putin (E) e Yanukovych (D)
Complicado era decidir. Tema do Sistema de Transporte de Gás (GTS) é o mais politizado na Ukraina de hoje.
E, no entanto  eles o fizeram. Talvez, esperar mais não era possível. O atual governo da Ukraina resolveu dá-lo à Rússia. 
O projeto correspondente está registrado no Conselho Superior, no dia 26.04.2013.
Agora, quando o último bastião da consciência foi superado, tudo seguirá o mesmo caminho. Consideração do projeto de lei - protestos da oposição para aparências - distribuição de saquinhos com dinheiro - rostos saciados e deputados satisfeitos - grande maioria "a favor" - o GTS passa para Rússia através do mecanismo de consórcio e concessões pelas dívidas, mais em troca de desconto.
A data da publicação do projeto de lei - 26 de abril - não foi escolhida por acaso - é a sexta-feira anterior a semana da Páscoa (Segundo o calendário Juliano este ano a Páscoa é no dia 5 de maio -OK). Na próxima semana, por cerca de dez dias quase todo país entra em férias. A ressonante notícia sobre a concordância do governo em entregar a GTS "resolve-se" conforme as leis do gênero.
Isso acontecerá apenas porque qualquer notícia negativa "vive" uma semana. Depois , em princípio, ela não afeta ninguém. Mesmo que isto seja como o assassinato de Kennedy. Ou seja, o governo deliberadamente empregou um ardil-tecnologia. No entanto, não pela primeira vez.
Eventos relacionados? Tomada da TVi e silêncio da oposição (TVi era o único canal de televisão pró Ukraina - OK). Tudo indica, agora é evidente, que exatamente a este acontecimento coincide o assenhoreamento do canal TVi. Passaram-se algumas horas da publicação da "Verdade Ukrainiana" da mais ressonante notícia dos últimos três anos (A transferência da GTS), e o novo diretor da TVi Artem Shevchenko sentado, conta sobre os planos futuros do canal. Nisso o tema da entrega do GTS não foi ao ar no noticiário da noite! Este é o elemento chave de seu assenhoreamento.
 
Tal nossa política foi sentida desde o primeiro dia. Na foto o "investidor" do canal Oleksandr Altman e o novo diretor Artem Shevchenko.
Para aqueles que não estão em curso. É muito provável que alguns senhores, em benefício de vice-primeiro-ministro Serhii Arbuzov a alguns dias atrás apossaram-se do controle do único canal oposicionista do país - TVi
Por que Arbuzov? Bem, talvez, nem seja ele. Talvez seja "encenação sob Arbuzov" Mas o próprio processo de captura foi formalizado tão grosseiramente e às avessas, que surge exatamente este nome. Há também um renque de pequenos detalhes, os quais sugerem esta suposição. Por exemplo, sobre os funcionários do canal "derramam" dinheiro. E os comentaristas de Arbuzov, com todas as forças desejam elevar o encantamento a TVi como conflito corporativo. Como se fosse desentendimento entre Kniazhytskyi e Kahalovskyi, e não há nada a comentar.
Também essa visão promove Mykola Kniazhytskyi, e a chamada oposição ukrainiana. Onde estão os manifestantes do partido "Liberdade" e "Bloco Klychko"? Cadê "maidan" (praça onde ocorriam os protestos da Revolução Laranja - OK) devido o fato de fechamento do último canal dissonante do ponto de vista oficial do poder?
 
Vice-primeiro-ministro Serhii Arbuzov (no centro).
 

A posição do Partido "Pátria" (Yulia Tymoshenko) ao qual aderiu a "Frente de Mudanças" (Yatseniuk) - é, em geral, uma canção. Kniazhytskyi (anteriormente diretor do canal TVi) é deputado pelo partido "Pátria" e, portanto, tem imunidade a ataque dos "seus". No primeiro dia da captação do canal, veio o aliado de Arsenii Yatseniuk (líder do Partido Pátria") - Andrii Pyshnyi. Olhou, olhou e foi embora, reação da "Pátria" não houve. Talvez, também, com toda sua alma sustentam a versão do conflito corporativo.
Igualmente, o Partido "Pátria" não emitiu nenhum parecer sobre o projeto referente à privatização do GTS. Embora para isto há, pelo menos, uma razão significativa. O projeto de lei foi submetido ao Comitê da Política Econômica, dirigida por Andrii Ivanchuk que é o mais próximo amigo de Yatseniuk.
Comentários sobre o projeto de lei não expressaram nem Yatseniuk, nem Ivanchuk, nem Pyshnyi. Talvez, haja necessidade de aconselhar-se com alguém.
 
Andrii Ivanchuk e Arsenii Yatseniuk diante de colegas.

Estranho, mas nada disseram também do partido "Liberdade". Pedimos a eles sua opinião, mas nos responderam algo como: "nossa posição anunciaremos amanhã". Aos partidários do "UDAR" de Klychko nem perguntamos. Aqui farão o que o "Papa" mandar, sem variante. Bem, é claro, o campeão mundial de boxe será, oficialmente, oposição. Ele é um homem de princípio, não é controlado por ninguém.
Haverá oposição na Ukraina? A resposta para esta pergunta já a muito é conhecida. Mas no assunto de importância como a entrega do GTS para Rússia, poderiam pelo menos, em prol da decência, dizer alguma coisa.
O que acontecerá a seguir

É fácil prever. O Partido das Regiões e o Partido Comunista votarão "sim". Diante dos deputados, anteriormente aparecerão pessoas com saquinhos recheados. Serão pessoas do Arbuzov - ele costuma "regar" os parlamentares com dinheiro, eles o adoram por isso. Para maior confiança na vitória - a votação é sempre importante, e é necessário o apoio de  muitos deputados - pagarão a alguns "traidores". Encontrar-se-ão deputados que têm pontos de vista diferentes, do ponto de vista oficial da oposição. Tal é a sua posição humana. Pode, afinal, o deputado ter sua própria opinião?

 
A oposição, provavelmente, tentará bloquear a tribuna - apesar de ter prometido não fazer mais isso. Em todo caso, ela será "contra", ou não votará.
É natural, haverão comícios, vovozinhas com lágrimas nos olhos. Caminhada à Administração Presidencial, ao Gabinete de Ministros: "Chega!", "Prezados amigos!", "Vergonha!" - Bem, toda essa retórica.
 
 

Os líderes da oposição precisarão "lutar" novamente.

Klychko usando camiseta branca, Yatseniuk com megafone, leituras públicas de carta aberta de Yulia Tymoshenko da prisão. Talvez até ovos e tomates voarão sobre os deputados "traidores". Este cenário até 18 de maio, quando o Conselho se reunirá. A votação procederá pelos risonhos regionais, comunistas satisfeitos e os vira-casacas, que rapidamente apertarão os devidos botões. E, depois disso - também questões previsíveis. Primeiro - criação do consórcio com a Rússia. Segundo - criação de uma empresa mista com a Rússia, que irá controlar  o "tubo" (GTS) e muitos outros ativos.
 
 

(da esquerda para direita): Yurii Boiko, Ministro de Energia e Indústria de Carvão da Ukraina; Olekssi Miller, presidente da administração do "Gazprom"; Euhenii Bakulin, presidente do Conselho de "Naftogaz" da Ukraina. 

Terceiro - Transferência do GTS à Rússia de acordo com o cenário da Bielorrússia, isto é, gratuitamente. Bielorrússia entregou seu sistema em troca de um desconto no preço do gás. Ukraina deverá receber um desconto e perdão de dívidas. Que dívidas? Lembremos como elas surgiram. Em 2012 o ministro da Energia intencionalmente não comprou a quantidade combinada de gás. Como no ano anterior. Mas, em 2011 Rússia supostamente perdoou Ukraina. Já em 2012 Rússia apresentou a penalidade - 7 (sete) bilhões de dólares. Mas, isso não é tudo. Estão entrando novas penalidades. Em 2013, já pelo terceiro mês (desde fevereiro) "Naftogaz" não compra gás da Rússia. O gás é comprado, através da empresa  do magnata Firtash, diretamente, através da bolsa de valores.
 

Yurii Boiko e Dmytro Firtash (no centro).

Em paralelo, o gás vem da Europa Ocidental. Ou seja, nosso país simplesmente não cumpre o contrato com a Rússia. E, de maneira atrevida coloca-se sob penalidades. Assim, os russos receberão o nosso GTS sem precisar pagar. E isto será através de mecanismo bastante astuto. E com o governo ukrainiano eles criarão o consórcio para gerir o GTS.
Mas o projeto de lei estabelece mais um mecanismo - o aluguel. (GTS necessita de consertos, reformas). E, quando o governo russo colocar no GTS algumas centenas de milhões de dólares, terá direito de tomar a propriedade - de graça ou por um valor irrisório.
Em qualquer caso GTS não será mais nossa. Isto, talvez, não seja problema - mas, então, coloquem GTS numa venda aberta, por que construir um mecanismo de entregá-la, gratuitamente, para Rússia?
Tal rendição flagrante de interesses nacionais precisa encobrir com algo. Capa para isto já foi encontrada. Ukraina vai receber, dígamos o preço "bielorusso" de gás - por exemplo, 165 dólares por mil metros cúbicos. E isto será considerado como grande conquista de Yanukovych. Primeiro. Com ela, é provável, ele irá às urnas em 2015. E, é claro,  nos perdoarão as multas. As que são desenhadas no ar, mas ainda sim... 7 bilhões de dólares.
Por tudo responderá... Stavytskyi?

 
O míope na situação com projeto de lei de entrega do GTS é o ministro de energia Eduard Stavytskyi. Ele não se cansa de demonstrar a capacidade de assumir pecados alheios. Também desta vez Stavytskyi assinou uma nota explicativa para o projeto de lei sobre privatização do GTS.
Se sabia ele o que assinava? Acreditamos que sim. Mas isso não o impediu. Pelo que nós o cumprimentamos.

1 - Este sistema transporta o gás russo para países europeus.
 
 
Tradução: Oksana Kowaltschuk

segunda-feira, 6 de maio de 2013

CHERNOBYL - 27 ANOS PASSADOS - II

Chernobyl - entrevista com Oleksii Sliussarenko

Vyssokyi Zamok (Castelo Alto), 26.04.2013
Natália Druzhliak
O ex-chefe do setor Nº 3, então responsável pelo exército químico "PrykVO" major-general Oleksii Sliussarenko passou 100 dias em Chernobyl. Seis vezes voltou para este inferno... . Hoje, depois de 27 anos da tragédia de Chernobyl, ele decidiu compartilhar suas memórias com os leitores de "Castelo Alto".
- Na noite de 25 para 26 de abril de 1986 aconteceu a pior catástrofe industrial da história da humanidade. Em decorrência de pessoal não qualificado em 40 minutos ocorreram 9 erros trágicos. Devido a forte queda da potência do reator RBMK-1000 formou-se uma forte queda de xênon-135 que, não antes de queimar "envenenou" o reator, o qual parou de responder ao comando. Houveram duas explosões. A primeira destruiu todo sistema de arrefecimento do reator. Durante a segunda explosão os gases do reator combinaram-se com oxigênio formando a "mistura explosiva". As explosões destruíram o prédio do reator e o teto da quarta unidade, - lembra Oleksii Sliussarenko. - No quarto houve incêndio. Foi jogado na atmosfera combustível radioativo. A nuvem radioativa cobriu parte do território da Ukraina, Bielorrússia, Briansk e Kaluga (Províncias russas).
- As autoridades, então, esconderam a verdade, o que realmente aconteceu em Chernobyl...
- Eu tenho em minha posse um memorando secreto do redator do jornal "Pravda", Volodymyr 
Hubarev do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética, de 16.05.1986. De 3 a 9 de maio o jornalista esteve na região de Chernobyl. Eis o que ele escreveu sobre a evacuação de Prypiat: "Dentro de uma hora se conhecia a radiação na cidade. Nenhuma ação no caso de uma emergência foi prevista. As pessoas não sabiam o que fazer. A decisão sobre a retirada da população da zona de perigo deviam tomar os líderes locais. Ninguém assumiu a responsabilidade. Os suecos, no início, retiraram as pessoas e somente depois constatou-se que o vazamento não era em sua área. Nos trabalhos em áreas de risco (dentro de 800 metros em torno do reator) os soldados não usavam equipamentos de proteção.
 
"Após a explosão eu telefonei a Moscou. Me tranquilizaram - em Chernobyl surgiram... pequenas falhas".
 - O senhor trabalhou em Prypiat chefiando as tropas do exército químico da região. Como foi o primeiro dia após o acidente?
- Planejei liberar meus oficiais para casa e, de repente, o telefone vermelho tocou. Era o comandante do distrito. Ordenou ir vê-lo. Eu devia enviar imediatamente as tropas da célula 144 para liquidação do acidente em Chernobyl. Fui nomeado responsável pela remessa. Orientações mais específicas devia obter da gestão de tropas químicas do Ministério de Defesa.
Ainda pela manhã soube dos operadores de plantão, que houve explosão de reator em Chernobyl. Telefonei para Moscou. Foi me dito, de forma evasiva, que surgiram pequenas falhas, detalhes - desconhecidos.
Depois de hora e meia unidades de reconhecimento de radiação já voavam em aviões de transporte pesado para Chernobyl. Outros dois escalões deviam ir pelo transporte ferroviário - das estações Sinna e Prychernaky. De Sinna o trem partiu na hora certa, mas com a estação Prychernaky não havia comunicação. Moscou exigia: "Enviar rapidamente!" Dos vários departamentos do Estado-Maior seguidamente telefonavam, gritavam e ameaçavam: "Enviem rápido",  "Demitiremos do cargo e entregaremos aos tribunais". Decidi pedir ajuda a um antigo amigo - comandante de uma unidade em Shukhanakh (Centro de treinamento de exército químico, coronel Basílio Sazhyna). Era uma hora da madrugada. Após 40 min. ele informou que as subdivisões estavam prontas, aguardando em colunas. A estação já ofereceu dez plataformas. O restante está em reforma porque é antigo. Pedi ao amigo para auxiliar nas reformas. Pela manhã o trem partiu para Chernobyl, com equipamentos e bens.
- Compreendia o perigo para os liquidadores?
- Sabia, que sem vítimas humanas não acontecerá. Se o Estado-Maior envia uma unidade móvel para o resgate, a situação está ruím... Após duas semanas começaram voltar os oficiais. Alguns estiveram no local da catástrofe algumas vezes. Comentavam sobre a inadequação dos instrumentos de dosimetria, que conhecimentos estavam muito aquém da prática. Eu decidi ir para Chernobyl. Na primeira reunião da liderança do conselho dirigi-me ao comandante. "A maioria dos meus oficiais esteve lá. Somente o comandante não esteve. Não tenho direito moral de dirigir as pessoas que não se esquivaram da execução da ordem, mesmo sabendo, que receberão doses perigosas de radiação". Por duas vezes me negaram. Mas, finalmente, o comandante escreveu a resolução. Fui enviado para dez dias a Chernobyl. 
 
Em vez de robôs para recolher detritos radioativos quentes enviavam soldados.
 
- Que quadro o senhor encontrou ao chegar?
- A explosão destruiu o telhado e as paredes do reator. A tampa de metal pesando várias centenas de quilogramas praticamente pairava no ar. Uma das extremidades da viga, sobre a qual apoiava-se a tampa balançava. O suporte estava destruído. Se a viga e a tampa caíssem, causariam mais destruições. O reator irradiava brilho diabólico. De sua cratera voavam pedaços de urânio, grafite e chumbo derretido que, misturado com combustível nuclear também tornou-se radioativo.
No telhado agitavam-se pessoas, em roupas protetoras e respiradores - com pinças coletavam detritos quentes... Entramos nas instalações do quarto bloco. Neste momento, quatro soldados preparavam-se para o próximo "raid". O oficial instruía: "Subam pela escada para a linha de saída - e correndo até o pedaço quente. Pegaram - e para trás! Rapazes, Pátria exige de vocês apenas um minuto de bravura. Em frente!" E eles foram executar a tarefa...
Na sala ao lado meu pessoal limpava os sistemas de ventilação de radionuclídeos. Temperatura - 40-50°C. Nos rostos - respiradores, pernas-em meias de proteção. Roupas - molhadas de suor, mas trabalhavam concentrados. Perguntei o que eles necessitavam, com o que poderia ajudar. Em resposta ouvi: "Queremos fazer o trabalho rápido - e para casa. Seria bom, que não fossem os soldados recolhendo os pedaços radioativos, mas os robôs, porque em um dia de trabalho recolhemos até 5 "ber" (cada "ber" equivale ao raio de Roentgen, a uma dose de sua irradiação).
Minha atenção foi atraída para um soldado que estava sentado no chão. Apoiando os cotovelos sobre os joelhos, olhava fixamente para um ponto. "Por que você entristeceu, rapaz?" - pergunto. "Penso, que aqueles cientistas que inventaram a energia nuclear, e depois aqueles que propuseram este método de liquidação das consequências da avaria, precisariam ser queimados na fogueira", respondeu. Todos se entreolharam...
- Como realizava-se a descontaminação?
- Soldados vestidos com roupas de proteção, máscaras e respiradores, lavavam as paredes e telhados. Buldôzers cortavam uma camada de 10-15 centímetros de terra, reuniam em montes, escavadeiras carregavam-na nos caminhões basculantes e transportavam-na para os enterros. As coberturas de palha substituíam com ardósia, nos pátios cortavam árvores, removiam a cerca contaminada. Os almoços eram entregues nos locais de trabalho pelos oficiais. Todos os produtos estavam cobertos pela película. Antes da entrega do alimento procediam à descontaminação do local - removiam uma camada de solo, lavavam as mesas, bancos, louças. Todos deviam lavar as mãos e o rosto. Depois do almoço trabalhavam até bem tarde. Mais difícil era para os que desempenhavam o serviço de inteligência - seu dia começava às quatro da manhã, o desjejum e o almoço eram nas áreas radioativas. Mesmo à noite quando voltavam para seus alojamentos eles precisavam limpar o equipamento da sujeira e lavá-lo até ficar "limpo" de radionuclídeos. Nenhum carro era colocado no parque se não fosse aprovado no monitoramento da radiação.
 
Aos liquidantes removiam até vinte garrafas de vodka - as pessoas acreditavam que o álcool reduzia o efeito da radiação.
 
- Verdade, os militares começaram a abusar do álcool?
 
- Alguém começou a espalhar boatos de que o álcool remove radionuclídeos, reduz o efeito da radiação sobre o corpo. Por isso muitos subtenentes, soldados e oficiais começaram a olhar para o cálice. O comando começou a verificar cuidadosamente o conteúdo dos carros, depois da volta de viagem. Houve carros em que 10-20 garrafas eram removidas. Os soldados começaram esconder as garrafas nos arbustos, nas proximidades dos acampamentos. Depois iam buscá-las, traziam às barracas e bebiam.
 
- O senhor é químico de profissão. Explique, por favor, como a radiação age sobre o organismo.
- O reator jogou no ar cerca de duas centenas de elementos radioativos com meia-vida, do momento a 30 anos ou mais. Os mais assustadores dos radionuclídeos são iodo-131, césio-137 e estrôncio-90. O iodo afeta a tireóide, o césio e estrôncio - todo o corpo, especialmente o fígado, o baço, os pulmões e os músculos. Todos eles destroem a médula óssea, a qual produz o sangue. Um organismo vivo é composto de proteínas, hidratos de carbono, gorduras e 65% de água. 
As moléculas dessas substâncias formam células, que são unidades estruturais de matéria viva. A radiação ioniza as moléculas nas células, levando a uma ruptura do metabolismo e outros processos, formando ativos elementos tóxicos, pode causar mudança na hereditariedade. Mas a ciência soviética não estudou as transformações que ocorrerão com a pessoa através de 5-10 anos depois da radiação. Nem os pesquisadores, nem o governo pensava sobre o que aconteceria com a nossa nação no futuro, como serão os nossos descendentes. Ao poder interessava apenas em saber qual é o efeito da radiação sobre os seres humanos durante uma semana ou um mês.
 
- Muitos cientistas afirmam - Chernobyl paira sobre nós como a espada de Dâmocles. A cobertura do "sarcófago" - é insegura...
 
- O sarcófago cobriu completamente o reator e, assim, eliminou o perigo de subsequente destruição do bloco gerador de energia e esparramamento de restos de combustível nuclear. Para evitar um excesso de pressão no telhado, entre as placas deixaram fendas. Através delas, o reator "respira", jogando no ar a próxima parcela de radionuclídeos. Antes da construção do sarcófago não previram aberturas e nichos para sensores que monitorariam o controle de temperatura, pressão, níveis de radiação, bem como outros dispositivos que informariam sobre a "vida do reator. Para essa construção sem par trabalhou o país inteiro. Estranho que após a construção, um dos policiais ordenou colocar no topo do sarcófago uma bandeira vermelha. O soldado que realizou esta ordem, ficou gravemente doente...
 
Tradução: Oksana Kowaltschuk


domingo, 5 de maio de 2013

CHERNOBYL - 27 ANOS PASSADOS

"Naquele dia em Prypiat havia dois casamentos..."
Vyssokyi Zamok (Castelo Alto), 26.04.2013
Natália Druzhliak
O coronel da milícia Anatoli Talalai, em 1980-1983 chefiava o Departamento dos Assuntos do Interior do município de Prypiat. A tragédia de escala global desenrolou-se diante de seus olhos. Quando explodiu o quarto reator Anatoli Talalai permaneceu em Preypiat, enquanto não evacuou o último residente. Lá, ele perdeu a saúde.
Quando o reator explodiu, os moradores acorreram para ver o "assustador fogo de artifício". A coluna de fogo atingiu 300 metros de altura, e apagar as chamas conseguiram apenas no oitavo dia. Será possível que não pensavam nas consequências?
O reator "ribombou" com tanta força, que despertou todos os habitantes de Prypiat (94 quilômetros de Kyiv, próximo a fronteira da Bielorrússia). Porquanto 85% dos moradores trabalhavam na usina, cada um correu para dentro do reator em que trabalhava. Ao quarto reator também apressou-se a equipe de construção (cerca de 250 pessoas). Sobre a segurança ninguém pensava. Quando retiravam, manualmente, os queimados, as pessoas decidiam que eles se envenenaram com monóxido de carbono. Reconsideraram, quando começaram perceber que a pele enegrecia e sangue começou a sair pelo nariz, boca, olhos (forte dose de radiação mata as células vermelhas e o sangue, perdendo a capacidade de coagulação jorra como água da torneira). As ambulâncias começaram levar os afetados ao hospital. Após algumas horas de radiação ficaram impressionados não apenas os observadores da explosão, mas também toda equipe médica.
Até o meio dia do dia posterior vítimas de doenças da radiação já eram muitos moradores de Prypiat. Todos eles morreram dentro dos próximos quatro meses. No relatório do Presidente da Comissão do governo da URSS, Borys Shcherbyna sobre isso - nem uma palavra. Gorbachov, falando na TV, somente depois de 20 dias informou que morreram 7 pessoas e 290 ficaram feridas. Do hospital precisaram dispensar todos os doentes, porque não havia onde colocar as vítimas da explosão de Chernobyl!
- As pessoas não entendiam o que estava acontecendo?
- Sobre o incêndio na Usina Nuclear de Chernobyl falavam, mas pensavam que o apagariam rapidamente. Pânico semeavam certas pessoas. O superior da Clínica Médica-Sanitária Volodymyr Pecherytsia sozinho tomou a decisão de distribuir comprimidos de iodeto de potássio nas escolas e jardins de infância (os comprimidos eram grandes, nem toda criança conseguia engoli-lo). O primeiro secretário do Comitê do Partido de Prypiat Aleksandr Haman propôs destituir o médico do cargo por arbitrariedade, porque sua decisão provocou pânico.
-Para eliminação das consequências de Chernobyl enviavam como prá guerra...

-O coronel Oleksii Mishchuk, comandante de parte das tropas de Kyiv, contava, como depois de uma semana da explosão lhe telefonaram da sede do exército e deram todas as instruções - mandar para reator nuclear para 10 dias, centenas de soldados e dois oficiais. Ele exigiu ordens escritas. A o que lhe responderam: "E isto é o quê? Este ´´e o dispositivo. Dê a ordem, mas não liste nomes!" E assim ele fez. Ele listou apenas os nomes dos dois oficiais, centenas de soldados foram como incógnitos. O coronel, por seis vezes mandou uma centena de soldados para eliminação dos efeitos da explosão do quarto reator. E eles, com pá e vassouras limpavam o telhado da terceira unidade, dos detritos. Depois de dois meses começaram a ficar doentes. Os médicos diagnosticavam diferentes graus de doenças de radiação, mas nos documentos escreviam outras doenças. Os soldados eram demitidos do serviço prematuramente e enviados para casa. Depois veio a ordem do estado-maior: "Comandante Mishchuk e seus oficiais enviar para aposentadoria, soldados para casa" Nenhum recebeu atestado em mãos que participou da liquidação da catástrofe. Quando, posteriormente, dirigiam-se com queixas a várias instâncias: promotores de justiça, tribunais, eles eram enviados ao Ministério do Interior. Resposta - tal unidade militar não existe, os arquivos não foram preservados.
Os pilotos dos helicópteros, que cobriam o reator com estanho, chumbo e areia, e o inundavam com água e concreto, trabalhavam sem proteção. Estes pilotos, em seguida, foram envolvidos no desvio de água de Prypiat e outros rios, do ar e do solo para análise e pesquisa. Os que trabalhavam com buldôzer, motoristas e massas de pessoas de diversas profissões, trabalhavam sem nenhuma proteção. Metade deles morreu devido a doenças da radiação. Metade - de leucemia...
Depois da tragédia de Hiroshima e Nagasaki passaram-se 66 anos, mas até agora nascem crianças e animais com defeitos físicos característicos das doenças de radiação. As explosões no quarto bloco, segundo o nível de contaminação radioativa equivale a 100 Hiroshimas! O diretor do Instituto de Óptica Física, Professor Orestes Vlokh disse certa vez que na parte inferior do destruído quarto bloco de energia permaneceram quase 200 toneladas de combustível nuclear. A reação em cadeia não controlada possivelmente, ainda pode estar em curso. Porque o elemento químico, cessando na condução de calor, não cessa sua radioatividade. Será que os representantes do poder não sabem disso, se atrasam a construção do novo sarcófago?
- Mas o quê você se preocupa com eles? Se novamente houver problemas, fugirão para exterior. Prefeito e primeiro secretário do município de Prypiat, sabendo da explosão às 03:00 horas, pessoalmente, nos próprios carros, às 06:00 horas da manhã levaram sua família para Kyiv. Aos seus vice avisaram, que "afastavam-se por uma horinha ou duas", para pessoalmente relatar aos chefes sobre o acidente, e obter instruções sobre como proceder. Mais tarde, convocaram para Kyiv os carros da frota municipal e voltaram para Prypiat. Nas primeiras horas críticas estavam ausentes! "Liquidava" as consequências da catástrofe o vice-prefeito - contador por formação. Entre outros fugitivos matutinos estava o chefe da ATP (Empresa de transporte rodoviário). Como saiu da cidade no sábado pela manhã, nem neste dia, nem no dia seguinte, ninguém o viu.
 
- As pessoas comuns permaneciam, porque não tinham informações confiáveis sobre a situação?
 
- E a quem falavam? Naquele dia, em Prypiat comemoravam dois casamentos. No rádio havia música o dia todo. No programa informativo "Chas" (Tempo) sobre o acidente nada foi dito. A Central Telefônica Automática foi desligada. A cidade foi cercada, foi ordenado não liberar ninguém. Na reunião geral do Partido Comunista e Administração Geral da Empresa Atômica de Chernobyl, que aconteceu no dia 11.05.1986, depois dos oradores estatais usou da palavra o "não planejado" trabalhador comum Tribushchenko. Ele perguntou aos dirigentes da cidade, à chefia da usina nuclear, ao secretário do Comitê Regional do Partido: "Por ordem de quem as esposas, filhos e pais foram mantidos por vários dias na cidade infectada? Por que os entendidos tiveram medo de dizer a verdade?" Ninguém dos presentes respondeu.
 
- Evacuação iniciaram 30 de abril.
 
- Mentiras! 38 mil moradores - aonde tantas pessoas alojar, como alimentar? (Mas não era a União Soviética que provia a todas as necessidades de sua população? - OK). O vice-presidente do Conselho de Ministros da Ukraina, Borys Shcherbyna insistia em que as pessoas fossem evacuadas não depois de 30 de abril. A evacuação real começou apenas no dia 3 de maio. Em 1 de maio tangeram as pessoas ao Kryshchatyk (principal rua de Kyiv) para comemorações, Gorbachov insistiu. Sherbytskyi levou ao pódio seu neto para mostrar que não havia radiação na Ukraina. Ninguém sabia para onde levar as pessoas. No dia 2 de maio chegou a Kyiv uma delegação de Moscou - Sylayev, vice-presidente do Conselho de Ministros da URSS, Ryzhkov, presidente do Soviete Supremo da URSS, Lihachov, secretário do PCUS. O presidente de Planejamento do Estado da Ukraina. Masol levou-os a Chernobyl (note bem, não para Preypiat, local do quarto reator). Lihachov insistiu na evacuação da população da cidade - primeiro as crianças. Propunha-se levá-las a 30 quilômetros de Prypiat. No sábado, 3 de maio, os funcionários ocupavam-se com a procura de transportes. No domingo ... descansavam. Tudo isto está registrado no diário do presidente do Conselho de Ministros da Ukraina Oleksandr Liashko, uma das pessoas de confiança de Shcherbytskyi. Interessante: anotações nos dias 26 e 27 de abril não há. "Mas nós não sabíamos, ninguém nos chamou na casa de campo", - justificava-se. Que mentira! Para quê, num sistema comuno - kadebista rígido - não informassem Shcherbytskyi? Outra questão, é que os dirigentes ukrainianos sem Moscou não tinham direito de tomar providências - informar as pessoas, ou tomar medidas.
A Gorbachov e Shcherbytskyi relataram o acidente, mas não contaram toda a verdade. Em 28 de abril Shcherbytskyi convocou o chefe do Comitê Estadual de Radiologia da Ukraina e perguntou qual a dose de radiação permitida para o ser humano. O outro respondeu: "Uma vez - 5 milliroentgen".  Shcherbytskyi franziu a testa: "Você responde por suas palavras? Você sabe, o que lhe acontecerá, se der informações falsas?" O interrogado acenou com a cabeça. "Então por que eles dizem, que uma dose de 50-100 milliroentgen por hora, é segura!". "Mentem, - disse o estudioso. - Única 5, no ano - 40-50 (e não aguentam todos). Se for superior - doenças de radiação vem", Shcherbytskyi ligou para Moscou e começou a xingar alguém pelo telefone.
- Os meios de comunicação da Europa anunciavam sobre a radiação da Ukraina, mas o governo soviético - silenciava...
 
- Na novela de Alla Yaroshenska "Chernobyl. Grande mentira" publicado um trecho de documento com grifo "Completamente secreto" - transcrição da reunião do Politburo - Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética de 29.04.1986. Esta foi a primeira reunião, na qual se abordou a questão de Chernobyl. Estavam presentes todos os membros do Politburo. Primeiro decidiam que informações dar. Gromyko propôs para dar informações aos países irmãos, Washington e Londres - até certo ponto, e aos embaixadores soviéticos - explicações correspondentes. E isto - pessoa, compara as consequências de Chernobyl com "consequências de pequenas guerras"! "É razoável dar três informações: para nossa população, para os países socialistas, também para Europa, EUA e Canadá. À Polônia podemos enviar uma pessoa" - manifestou-se Ryzhkov. "É importante destacar na informação que explosão nuclear não houve, mas houve apenas um vazamento de radiação em resultado da avaria", - acrescentou Zimianin. A "verdade" foi colocada apenas aos "sacerdotes". A "plebe" convenciam que "à saúde das pessoas nada ameaça", - escreve Yaroshenska.
 
Tradução: Oksana Kowaltschuk

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03 Dez 2011
03 Dez 2011
Eles armaram barracas onde estarão dia e noite, reivindicando seus direitos, porém não vão aderir a greves de fome para não prejudicar ainda mais sua saúde já prejudicada em conseqüências às avarias radioativas de ...
 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

VULGARIZAÇÃO DA SOCIEDADE UCRANIANA

Tyzhden (Semana), 07.04.2013
Bohdan Butkevych
 
Sociólogo Yevhen Holovakha (FOTO): "No topo da hierarquia social ukrainiana estão os mais vorazes, mais amorais e as mais vis pessoas".
A vulgarização da sociedade ukrainiana tem uma série de razões. O nível de orientação cultural da assim chamada elite que transmite-se para toda população é surpreendentemente baixo.
 
 
Não menos importante papel no declínio social ao fundo intelectual desempenhará o fato que hoje sua face define a geração de "autênticas pessoas soviéticas". Além disso, os ukrainianos até agora se equilibram além dos limites de qualquer sistema sócio-cultural estabelecido, o que leva a perda de correspondentes atitudes básicas. Sobre estes processos "Semana" conversou com o vice diretor do Instituto de Sociologia da Academia Nacional de Ciências da Ukraina, uma das principais autoridades sociológicas ukrainianas, Yevhen Holovakha.
 
LIVRE & POBRE
Agora nós nos encontramos bem no centro do deserto intelectual. Quando ocorre, sistematicamente, o extermínio e a intimidação de pessoas livres, o resultado mais triste nem mesmo é o fato de que a nação está perdendo sua capacidade intelectual, mas muito pior é que matam o seu espírito. Paradoxo, mas eu me convenci, que a função essencialmente intelectual revive novamente. Talvez devido ao fato que no nível genético a humanidade, apesar de tudo, ainda é capaz de manter-se. Com efeito, após inúmeros genocídios intelectuais na União Soviética, nos países que faziam parte deste estado, nasciam muitas pessoas talentosas, mas na maioria em uma área particular. Infelizmente, hoje na Ukraina em vez de intelectuais, nos primeiros papéis estão os herdeiros do genocídio intelectual. Eles não são estúpidos, simplesmente de modo algum pretendem a qualquer liberdade. Estas pessoas simplesmente não entendem como se pode resistir às regra s do jogo impostas pelo governo.
 
Quer tornar-se livre - prepare-se para ser pobre. Surge a pergunta, como é que nesse estado poderemos sobreviver, porque a maioria das pessoas, como mostra a estatística,  não é capaz de viver com o sentimento constante de humilhação e inferioridade, quando você sabe que tudo está errado, mas participa nisto. O fato de que o atual sistema realmente requer baixas qualificações e gostos, e apela para isso. No entanto ele não exige de cada cidadão para servi-lo. Este não é um sistema stalinista onde, ou você servia, ou lhe destruíam. Hoje ninguém lhe obrigará. No entanto, lhe darão o lugar que corresponde a seus gostos morais e culturais. Mas, sem a perspectiva de crescimento financeiro e de carreira. Existem professores honestos que não pedem subornos e vivem com suas duas mil UAH. Também há médicos que tratam sem pagamento adicional e recebem apenas o pagamento no limite de sobrevivência física. E, há aqueles que recebem, ou até pedem subornos e dormem tranquilamente. Essa é a nossa realidade esquisita, cada um na sua. 
 
A sociedade ukrainiana é igual em direitos apenas nas palavras, mas na realidade ela não é tratada com equidade. O processo de criação da pseudo aristocracia feudal acontece ativamente nos últimos dez anos. Embora os patrícios na Roma antiga não eram eleitos, nossos altos funcionários, que supostamente ocupam suas posições temporariamente, cada vez mais se assemelham a aristocracia hereditária. Apesar de que quanto ao nível cultural eles sejam plebeus, governam com todos os recursos e de sua vontade depende tudo neste país. Dirijam sua atenção: do presidente até o nível do promotor distrital, eles transferem os próprios privilégios, riqueza, e o mais importante - a impunidade a seus filhos. 
Os governantes atuais - são pessoas muito pequenas. Sua filosofia - o utilitarismo, e nas formas especialmente mundanas. Eles consideram, que de tudo devem obter rápidos proveitos e benefícios. Como, se seus diretos e próximos benefícios não há, então para que tudo isto é necessário? Embora, é importante notar que não menos sintomática é a tendência mundial à perda da influência de intelectuais, que agora são necessários apenas como profissionais especializados em suas estritas áreas.
"Pão e circo". Nossos "patrícios" absolutamente não se aproximam em suas capacidades pessoais aos originais romanos, mas em termos de observância do princípio fundamental de controle de plebeus fazem tudo o que é necessário. Além disso, o seu papel desempenhará a atual cultura "mosaica" que enraiza nas pessoas a superficialidade. Especialmente falamos sobre televisão e internet, visto que em 1991 o povo soviético recebeu vasto arsenal de canais de mídia, anteriormente impossível. Mas o hábito à submissão desempenhou seu papel, porque a maior parte de nossos concidadãos aceitam tudo pelo princípio da superficialidade: o que aparece diante dos olhos, é verdadeiro. E, na superfície desses recursos há mais explícito lixo e, para cavar mais fundo até as camadas da verdadeira cultura, as pessoas comuns geralmente não sabem.
A elite ukrainiana não entende, que numa sociedade igualitária as classes dominantes se recusam de consumo demonstrativo. Em nosso país, pelo contrário, quem está no poder obtém satisfação pela diferença de riqueza e status quo entre eles e pessoas comuns. Lembre apenas os relógios usados pelos nossos deputados, juízes ou procuradores.
Em plebeus morais - nenhum dispositivo de segurança. O mecanismo de crescimento social no Ocidente é muito complexo. No nosso caso é bem simples: é suficiente apenas uma vez chegar ao lugar e à pessoa certa e agradar - e mesmo que você seja medíocre, preguiçoso e burro, se você é absolutamente sem escrúpulos e disposto a fazer tudo o que o chefe diz, então o lugar sob o sol é garantido. Exatamente por isso no alto de toda nossa hierarquia social encontram-se as mais vorazes, as mais amorais e as mais vis pessoas. Isto acontece porque as pessoas mais ou menos intelectualmente livres e honestas tem muitas limitações: aqui não pode, você perde a consciência; lá não pode porque se perde a dignidade, etc.
O mecanismo de inércia social apoderou-se da Ukraina. Criativos mecanismos sociais somente são possíveis se implementados por pessoas criativas. Mas onde está esse empreendedor criativo nas atuais pessoas essencialmente soviéticas que, essencialmente reproduzem o único possível e conhecido mecanismo - de pessoa mutilada espiritualmente com o sistema totalitário? E isto na quase completa ausência de intelectuais livres que transmitiriam outros valores. Nossa sociedade encalhou entre as fases industriais e pós-industriais. Estamos marginalizados porque não sabemos o que fazer. Rússia, na luta com sua igual marginalidade foi pelo caminho de completa restauração da sociedade soviética. E, através de seus meios de comunicação, de interminável reconstituição do passado erôneo transmite à Ukraina o que tem um impacto muito negativo.
A prática de lazer ukrainiano tornou-se muito passiva. E, em geral, quase em todos os indicadores de desenvolvimento material e espiritual da sociedade, verifica-se uma tendência negativa. As pessoas pensam cada vez menos, elas querem ser entretidas. Ao mesmo tempo verifica-se a queda do consumo de alta cultura: teatro, museus, concertos de música clássica. Compreensível, isto está relacionado com o nível material da maioria dos cidadãos, mas a tendência é bastante desagradável. Mas o mais assustador na sociedade ukrainiana é o índice da leitura. Ele simplesmente assusta. Pois nos primeiros lugares escritores russos, que escrevem maciçamente sobre detectives, isto é, a leitura cultural está completamente perdida.
Na URSS bebiam de desespero, e a nossa sociedade marginal bebe devido a incerteza pelo futuro.
Significativo é o fato de que o álcool é muito mais consumido nas regiões orientais, onde o experimento da construção da pessoa soviética avançou mais do que no Ocidente. Embora para todas as regiões da Ukraina é característica esta fuga para o álcool como um meio de superar os seus desiquilíbrios internos.
Desconfiança geral preventiva - principal característica do sentimento público na Ukraina. Todos não confiam em todos: governo gangster, maus vizinhos, funcionários corruptos, médicos corruptos, etc. O ukrainiano comum considera todos os demais corruptos, a si - em nenhum caso. Esta situação é típica a uma sociedade à beira do abismo. Também a procura do culpado é muito peculiar à psicologia marginal. É por isso que os ukrainianos facilmente submetem-se ao esquema manipulador: "ruim-bom". Por isso nosso país não está assegurado contra autoritarismo.
É necessária a reorientação de segmentos inteiros da sociedade para classe média e pequena empresa. A sua maior chance Ukraina perdeu realmente a 20 anos atrás, quando na onda da prontidão da maioria das pessoas às grandes mudanças poderia e deveria ser executada a terapia de choque, como na Polônia. No entanto, então a nomenclatura partidária e intelectuais de categoria soviética não seguiram esse caminho. Mas nós, ainda chegaremos a isso.
Sair do pico da vulgarização auxiliarão a mudança de gerações e novas tecnologias. Quanto mais houver pessoas que não viveram na sociedade soviética e não conheciam o seu mecanismo, mais rapidamente acontecerão as mudanças. Sim, infelizmente, o mecanismo de retransmissão  de valores entre as gerações assim mesmo vai agir, estas novas gerações conservarão em alguns aspectos o cinismo da época atual. E aqui, a propósito, o utilitarismo deve desempenhar um papel positivo, porque os jovens cínicos perceberão, que viver assim, como na Europa, é simplesmente mais confortável e racional. Muito importante para a fratura social deve tornar-se o regime de visto livre com UE, o qual auxiliará à maioria da população da Ukraina obter mais experiência de outro tipo de vida e organização da sociedade.
 
Tradução: Oksana Kowaltschuk

sábado, 27 de abril de 2013

LEVANTA-TE UKRAINA !

Kharkiv, 12 de abril de 2013
Do blog de Arsen Avakov
Mais de 10 mil moradores de Kharkiv. Três dezenas de deputados. Yatseniuk, Klychko e Tiahnebok sobre um micro-ônibus. Uma só emoção: Sim, não é mais possível este governo, está na hora de trocá-lo.
Kharkiv - Vista parcial

 
Eles tem medo! Tem tanto medo que atravessaram com cerca de metal a principal avenida.  Na cidade de 1,5 milhão de habitantes, bloquearam com ônibus e bondes duas praças, dispensaram os alunos das aulas e os reuniram numa terceira praça, removeram dezenas de veículos de emergência de serviços comunais: gás, luz, água e esgoto. Paralisaram o trabalho dos bombeiros e ambulâncias. Centenas de milhares de pessoas foram condenadas a um longo caminho a pé pela cidade.
Não poupar ninguém. Por qualquer preço impedir a reunião de pessoas para ouvir ou dizer a verdade. Verdade a todos os moradores de Kharkiv sobre as autoridades criminais.
Mas eles não conseguiram. Kharkiv participou dos protestos. Kharkiv disse a sua palavra. Kharkiv não se intimidou.
 
Poltava, 13  de abril de 2013
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 13.04.2013
A manifestação ocorreu nas principais ruas de Poltava culminando na Praça do Teatro. Os "slogan": "Pela Ukraina, pelo seu destino, pela honra e liberdade, pela nação!"  "Liberdade para Ukraina! Liberdade para Yulia!" "Por uma aposentadoria digna!", "Pelo salário justo! Pelo trabalho para todos!".
O prefeito de Poltava, a exemplo de Kharkiv também fechou algumas ruas com os meios de transporte público.
 
 
Tradução: Oksana Kowaltschuk

sexta-feira, 26 de abril de 2013

PUTIN NÃO TEM ALIADOS NA EUROPA

Tyzhden (Semana), 12.04.2013

The Economist

No passado, uma aliada da Rússia, a Alemanha hoje é o sua maior crítica.

 "A linguagem corporal denunciou Vladimir Putin. Durante uma entrevista na televisão alemã ele não se parecia com a sua construída personalidade. Irritava-se com tudo - sorriso do jornalista, pergunta sobre repressões contra a sociedade civil, fone de ouvido, até sua própria equipe que não encontrou suficientemente rápido um documento.

Ele, realmente tem razões para preocupações. Alemanha - maior parceiro comercial da Europa e antes aliado político, transformou-se em grande crítico. É possível que até riu com o protesto das moças seminuas (grupo Femen - moças ukrainianas que realizam seus protestos nuas da cintura para cima. - OK) que perturbaram sua visita a Alemanha  mas, antes de tudo, ficou chocado com o ataque de Ângela Merkel ao Kremlin quanto a inspeção inesperada, que teve lugar em organizações públicas, incluindo dois fundos alemães", - conforme a publicação.

"Putin não tem mais verdadeiros aliados na Europa" - considera o presidente do Centro de Estudos Estratégicos Mikhail Dmitriev.

"Kremlin esperava que sua política antiamericana não terá nenhum efeito sobre Europa, onde políticos e empresários são fracos, ávidos e desesperados pela necessidade do gás, para se opor a Putin. Mas Merkel mostrou que a paciência européia tem limites. Além disso, o fato da Rússia ser fonte de gás natural para Europa foi prejudicado pela proliferação de gás de xisto... O último acordo sobre a salvação de Chipre sublinhou a inaptidão da Rússia em influenciar decisões que tocam em seus interesses financeiros"  escreveu The Economist.


Tradução: Oksana Kowaltschuk

quinta-feira, 25 de abril de 2013

YURII LUTSENKO PASSA POR NOVA CIRURGIA

Yurii Lutsenko 

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 16.04.2013

Os médicos da Clínica "Oberih" conduziram com sucesso a segunda cirurgia do ex-ministro Yurrii Lutsenko agendada para 16 de abril. 

Ele falou ao telefone com o repórteres: "comigo tudo bem e pode transmitir, para que os inimigos saibam, eu estou novamente em forma".

18.04.2013

O governo polonês convidou Yurii Lutsenko para continuar o tratamento na Polônia. Isso foi dito em entrevista ao jornal "Wprost" pelo ex-presidente da Polônia Oleksandr Kwasniewski, que encabeça a missão do Parlamento Europeu quanto aos processos judiciais contra os políticos ukrainianos.

"Quanto a Yurii Lutsenko, há muitas indicações de tratamento médico que ele precisa, e o governo polonês convida Lutsenko para continuar o tratamento e a reabilitação na Polônia" - disse Kwasniewski.

21.04.2013

Lutsenko tratará o ouvido na Polônia e o fígado na Áustria. Ele recebeu permissão do sistema penitenciário para viajar.

Segundo sua esposa, a Clínica de Otorrinolaringologia em Varsóvia realiza, principalmente, o tratamento cirúrgico das doenças do ouvido: inflamação crônica e cirurgias para melhorar a audição. A clínica também trata o câncer, alterações pós-traumáticas, outros.

A esposa Iryna relatou que durante uma transfusão de sangue na prisão Lutsenko foi infectado com o vírus da hepatite B, e no ano passado ele perdeu um terço do fígado. "A fim de tratar o fígado e encontrar drogas eficazes contra hepatite TTV são necessários profissionais altamente qualificados, laboratórios sofisticados e condições para  tratamento. Tudo isso tem na Áustria. Clínica com este perfil, em Viena, até nos mandou um convite. Então, depois da cirurgia na Polônia a família Lutsenko planeja viajar para Viena. (Há alguns anos um dos filhos de Lutsenko fez tratamento em Viena).

Enquanto Lutsenko não viaja, ele promove diversos encontros com a comunidade de intelectuais ukrainianos para que seja desenvolvido um novo programa para Ukraina. Segundo ele: "A oposição tem poder suficiente para concluir de forma independente a campanha preparatória para 2015". Ele comparou a ação "Levanta-te Ukraina!" com a ação "Ukraina sem Kuchma", (Revolução Laranja - 2004 - OK). A ação deve levar as pessoas ao entendimento que manifestar-se é possível, útil e necessário. Mas, ele ressaltou, que além dos militantes partidários devem ser incluídos os cidadãos comuns, sem partido. "É necessário que os cidadãos estejam interessados no processo, e eles não estão interessados em quem será o presidente, eles querem saber o que acontecerá como o trabalhador, a assistência médica...", explicou Lutsenko. 

Antes de viajar para o tratamento Lutsenko ainda se reunirá com os ativistas da comunidade que elaborarão o plano para "Terceira república". Taras Wozniak será o organizador do plano. "Em primeiro lugar não deve constar o nome do futuro candidato à presidência, mas o programa de desenvolvimento do país", - concluiu Lutsenko.


Tradução: Oksana Kowaltschuk
 

 

quarta-feira, 24 de abril de 2013

UNIÃO ADUANEIRA

Encanto mítico da União Aduaneira. Nenhum de seus membros recebeu benefício tangível
Tyzhden (Semana), 29.03.2013
Andrii Kovalenko
A União Aduaneira gera importantes problemas econômicos, não apenas para seus membros "minoritários" - Cazaquistão e Bielorrússia, mas também para o principal "acionista" - Rússia.

 

Recentemente, o tema da adesão da Ukraina à União Aduaneira começaram mais ativamente "pedalar" os agentes políticos internos que, de um ou outro modo associam-se com Kremlin. Primeiramente trata-se sobre  "Escolha ukrainiana" de Viktor Medvedchuk(¹) que parece, chegou à fase final da "inculcação sob soleira" (fazer a cabeça) aos ukrainianos, amplamente colocando cartazes de publicidade e caixas de luz com muito direta narrativa "União alfandegaria - ao mesmo tempo a prosperidade e sucesso (anteriormente fixava-se temas de "governo próprio do país" através do "todo ukrainiano referendo").

No entanto, o senhor Medvedchuk já foi ultrapassado pelos comunistas(ukrainianos), os quais com o pronunciamento do deputado Oleksandr Holub, que revelou a intenção de, no início da primavera iniciar a preparação de um plebiscito sobre o ingresso à União Aduaneira. Então parece que começa uma outra campanha de poderosa publicidade informativa, destinada a convencer os ukrainianos em seu "sucesso", que de repente será conseguido em resultado da integração com União Aduaneira. Embora as realidades econômicas atuais dos participantes da União Aduaneira - Cazaquistão, Bielorrussia e Rússia - testemunham o contrário.
 


 Cazaquistão: "longe de Moscou?"
 
Durante os três anos de permanência na União Aduaneira a economia e a população deste país da Ásia Central confrontaram-se  com não pognosticadas anteriormente realidades negativas. E, de acordo com especialistas, Cazaquistão convincentemente perde posições nas relações com parceiros estrangeiros até com os da União Aduaneira. Se em 2011 o saldo negativo com os parceiros da UA totalizou 3,4 bilhões de USD, então no primeiro semestre do ano passado chegou a 4,7 bilhões de USD.

Com isso,o volume comercial com os parceiros da UA diminuiu 4%. Os apologistas da UA posicionam algumas cifras de crescimento cazaque como "progresso da associação". No entanto, de acordo com Gennady Shestakov, presidente da Associação dos despachantes aduaneiros de Cazaquistão, isto se explica, exclusivamente, com o aumento das tarifas aduaneiras externas. O que, por sua vez levou a um aumento significativo nos preços do varejo de muitos grupos de mercadorias no comércio interno. Assim, em 2009 (antes da adesão à UA) a taxa alfandegária média no Cazaquistão foi de pouco mais de 5% (a próposito, a norma da OMC exige que esta cifra não ultrapasse 7%), na FR - 18%, na Bielorrússia - 12%. Hoje todos os países "cresceram", de fato ao índice russo - 16%. Com o que no Cazaqistão a taxa alfandegaria sobre algns produtos triplicou - quadruplicou, e para os automóveis - em várias vezes.

Esta tendência foi especialmente atingida pelos fabricantes de Cazaquistão, onde as mercadorias são produzidas de matérias-primas importadas e utilização de equipamento e tecnologia também importados. Chegou ao ponto do absurdo: por exemplo, laminados lançados no Cazaquistão, segundo linhas de produção tecnológica belga, custa mais que os importados  diretamente da Bélgica. Mas a pior consequência da UA na realidade deste país é a surpreendente elevação nos preços das mercadorias de primeira necessidade e amplo uso (para uma série de produtos "socialmente relevantes" o governo congelou os preços e introduziu a regulação estatal).


No entanto não se conseguiu evitar a alta (em comparação com o ano 2011) para tão importantes produtos como trigo sarraceno (usam com leite) em 2,5 vezes, carne de vaca - em 40%, carne de carneiro - 33%. Açúcar e óleo encareceram o dobro.
 Segundo conclusões recentes do Banco Mundial, em conexão com a introdução de uma tarifa externa única da UA, no Cazaquistão "as custas dos negócios e dos consumidores dos importados aumentaram e sob as tarifas do "guarda-chuva" os recursos transferiram-se para áreas de produção ineficiente. Deste modo, em consequência da entrada à UA os salários reais caíram 0,5%, e o retorno real sobre o caital - 0,6%. Cazaquistão faz menos comércio com o restante do mundo, mais com a Rússia, Bielorrússia e a outra parte da CEI (Comunidade dos Estados Independentes), o que provoca diminuição das importações de tecnologia e, a longo prazo pode levar a uma queda no desempenho atual. O país perderá cerca de 0,3% da renda real por ano devido à introdução total da tarifa externa única. Então os salários e retornos reais de capital diminuirão ainda mais.

Obviamente estas negatividades refletem, em primeiro lugar nas camadas mais pobres da população, bem como nas pequenas e médias empresas, tornando a situação explosiva no país. Atualmente, já ecoam apelos populares ao presidente Nursultan Nazarbayev para denunciar o acordo e sair da UA. Talvez , por isso que a mensagem do presidente de Cazaquistão por ocasião do Dia  da Independência teve um nome fora do padrão "Estratégia Cazaquisão - 2050" e ainda mais surpreendente e intrigante conteúdo - algumas de suas posições chocaram a oficial Moscou. Ainda mais: uma fileira de especialistas rapidamente batizou esta estratégia como "Plano Marshall" para o Cazaquistão (que também baseia-se no conceito americano de "Terceira Revolução Industrial" de autoria do cientista econômico Jeremy Rifkin) Nazarbayev deixou claro que a Astana (capital de Cazaquistão) não só defenderá a identificação nacional e renascimento da importância do idioma cazaque, como manterá o foco na alta tecnologia econômica ocidental, não se limitando a política externa somente com o projeto geopolítico da UA. (Parece que já aprendeu a lição. Infelizmente o presidente ukrainiano, apesar dos exemplos, continua cego - OK).
A principal inquietação de Moscou é a orientação dos cazaques e não apenas no aprofundamento das relações com China, mas também no vetor integracional em direção a Turquia no novo projeto Turkis União (ou Rota da Seda). Na imprensa russa imediatamente floresceram fobias sobre "ameaças anti-integracionais! e preocupações como "Cazaquistão pode enterrar UA e a União Euroasiática".
 

Bielorrússia: artificial "inflação" de exportação.
Comparativamente com 2011 os investimentos diretos na economia em 2012 cairam quatro vezes (em teoria deveria ser o oposto, se der crédito às amplas gabarolices russas das "vantagens" da UA). Durante o ano 2012 o saldo em conta corrente foi negativo e atingiu 1,1 bilhões de USD. De acordo com o Institutto de Estudos Estratégicos da Bielorrússia, a partir da entrada do país à UA em 2010 -  a exportação para Rúsia e Cazaquistão aumentou em média em 36%. Embora o saldo negativo no comércio com a Rússia aumentou em mais 3 bilhões de USD. O insignificante excedente saldo com Cazaquistão explica-se principalmente devido a diminuição da importação deste país, e não com o impressionante crescimento de suas exportações. Na verdade, a dinâmica positiva nas vendas de "qualidade e a preços acessíveis" dos produtos da Bielorrússia nos mercados "aliados" é alcançada principalmente devido a considerável dumping, desvalorização da moeda nacional, energia barata e subsídios diretos da Rússia o que obviamente não pode durar para sempre) Tal exportação do "comunismo" para a república ameaça rápido esgotamento, no caso da FR ser forçada, sob influência de crise econômica cortar o "fraternal" subsídio de sua econômia. As mesmas consequências, ou seja, cessação da exportação de produtos bielorrussos com dumping pode ser previsto também após a esperada entrada da Rússia e Cazaquistão à OMC. Portanto, os "siabry" (pessoas que se dedicavam até o início do século XX com o cultivo da terra, criação de abelhas, pesca, etc.) podem ser atingidas por um colapso econômico igual ao que aconteceu na primavera de 2011. Indicativo é o recente (embora, como sempre, extravagante) grau de "sucesso" da Bielorrússia na UA, dada por Aleksandr Lukashenko. Em sua opinião, o país não se beneficiou com a entrada na UA. Resumindo a participação da Bielorússia na UA, ele chamou a estrutura eurasiana de inútil.
 
Rússia: Contrabando "roda".
 
Apesar de paradoxal à primeira vista, não obstante a sérios problemas devido a "prática" da UA, derrapou até a Rússia apesar do fato que leva a maior parte dos recursos financeiros, baseando-se na divisão de lucros acionários. Sim, a FR recebe no seu orçamento 87,7% de todos os direitos aduaneiros, enquanto Cazaquistão - 7,33%, e Bielorrússia - 4,7%. De acordo com uma pesquisa realizada recentemente pelo Development Center Graduate School of Economics encomendado pelo Ministério do Desenvolvimento Econômico, o efeito esperado pelo "crescimento" do comércio internacional realmente não houve. "Nós dois anos que se passaram desde a criação da UA, a participação do volume de negócios de todos os países participantes não mudou. Além disso, os números mantem-se no mesmo nível desde 2005. Em 2011 a participção do comércio regional no conjunto do comércio exterior da Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão não excedeu em vigor sobre o estabelecimento da UA (2005-2009). O indicador permanece nos limites de 10-12%. Assim, a circulação de mercadorias, excluíndo o combustível, tem mais que clara tendência para baixo.
 
No entanto, diante de nosso vizinho do norte surgiu mais um problema: devido a abertura das fronteiras econômicas parte considerável (se não esmagadora) das mercadorias passa pelo "caixa" alfandegário russo. Então as entradas correspondentes ao orçamento são extremamente menores em comparação com as esperadas. De acordo com o Serviço Aduaneiro da FR, 50% do volume de negócios da UA acontece na sombra. A facilitação dos procedimentos de controles aduaneiros levou ao aumento do contrabando, que se tornou perigoso para a economia de escalas russa. Além disso, os especialistas não descartam, que a estatística oficial  quanto a circulação de mercadorias, no nível estadual deturpa-se nas alfândegas da Bielorrússia e Cazaquistão. A ausência da declaração obrigatória de mercadorias levou ao fato de que, de acordo com as estimativas do Ministério do Desenvolvimento Econômico da FR, em 2012 a estimativa de volume na importação de mercadorias foi reduzida em 9 bilhões USD (de acordo com esta cifra pode-se, aproximadamente, estimar o volume da propaganda). As fontes afirmam que o Ministério russo da Indústria e Comércio está repleto de queixas dos produtores contra a investida do mercado de produtos falsificados, duas vezes mais baratos da China e de países europeus - de calçados e eletrônica a flores e embalagens de plástico.
 
Então, em outubro passado a FR exigiu à Bielorrússia a compensação de 1,5 bilhões de USD. Neste montante foram calculadas as perdas do orçamento russo da exportação de Bielorrússia de gasolina com aparência de solventes e lubrificantes que não estão sujeitos a impostos. Da mesma forma os "competentes" órgãos estabeleceram que Bielorrússia re-exporta produtos derivados de petróleo russo, novamente mascarando-os com solventes. Este esquema permite que seus operadores evitem o pagamento, ao orçamento russo, de consideráveis somas alfandegárias pelo abastecimento de combustível além da UA. 
Este é apenas um dos muitos exemplos ilustrativos da "civilização da irmandade" de relações dentro da aliança. Chegou ao ponto, que alguns economistas russos já apelidaram a política aduaneira de "contrabando de Estado".
 
Deste modo, as promessas de Vktor Medvedchuk e comunistas ukrainianos de "Sucesso para todos os ukrainianos" no caso de adesão à UA apresentam-se cinicamente-perigosas manipulações. Especialmente, o regime Yanukovych deve, no mínimo, sete vezes ponderar antes que infantilmente e ingenuamente "comprar-se" pela promessa de Putin de 9 bilhões de USD de receita anual e impressionantes 10% do crescimento do PIB - contado em Moscou "efeito" pela adesão da Ukraina à UA. Ao invés disso, como mostra a experiência de "aduaneiros unidos", o preço da adesão à UA pode ser muito maior que o impactro econômico "negativo", - evidente é a perspectiva do incerto-duradouro "apodrecimento" na estagnada tecnologia do espaço neossoviético e ameaças à independência nacional.
 
(1) Viktor Medvedchuk, filho de pais ukrainianos, nascido em 1954 na região de Krasnoyarsk - Distrito Federal Siberiano, URSS. Estudou na Ukraina. É doutor em Ciências Jurídicas.
Eleito deputado em 1998 e 2002. Ocupou diversos cargos junto ao Parlamento, à Presidência, ao partido. 
Em 2001 declarou que a Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Moscou é a única igreja ukrainiana legal e canônica. 
Desde 2012 conduz propaganda pela anexação da Ukraina à União Aduaneira com a Federação Russa, às suas custas.
 

Tradução: Oksana Kowaltschuk