segunda-feira, 19 de novembro de 2012

SEMANA EM MEMÓRIA ÀS VÍTIMAS DO HOLODOMOR

De 19 a 24/11/2012 - Semana da Memória pelas vítimas do Holodomor.
O povo ucraniano, em todo o mundo, estará pranteando seus conterrâneos, vítimas da insanidade de um psicopata: STÁLIN.
Este blog se une aos conterrâneos para, também, prestar a sua homenagem com publicações históricas daquele nefasto acontecimento sob o lema

"NÃO DEIXAREMOS APAGAR A VELA DA MEMÓRIA"
 
1932-1933
 

Memorial do Holodomor em Kiev - Ucrânia
 
 
Holodomor como genocídio
Tyzhden (Semana)
Myroslava Antonovych
 
Olhares mortificados que interrogam: "O que fizemos nós? O que está acontecendo?
Perguntamos nós: Onde estava o resto do mundo enquanto isso acontecia?
 

Enquanto no Olimpo dos políticos pátrios propõem alterações à Lei "Sobre Holodomor de 1932 - 1933 na Ukraina" e apagá-lo da memória da nação, cancelando do programa escolar as lembranças desta tragédia, cada vez mais cientistas ocidentais aderem à idéia, de que isso foi genocídio.

 
Armênios, judeus, ukrainianos... Na recém publicada "Crestomatia investigativa do genocídio" o jurista americano Samuel Totten e o historiador australiano Paul Bartrop observaram que na Ukraina no transcorrer dos anos 1932 - 1933 morreram de fome de 5 a 7 milhões de agricultores, maioria dos quais eram etnicamentee ukrainianos. A fome artificaial soviética ocorreu porque o governo de Stalin retirou toda a safra e até os meios de produção de alimentos. Neste caso, o grande número de mortes foi resultado do extermínio social, ideologicamente planejado. O objetivo era destruir os "kulaks" (assim chamados os camponeses mais prósperos que relutavam em aderir à coletivização) mas, na verdade, tornaram-se alvo todos que apoiavam a ukrainização (nacionalismo ukrainiano, a liberdade de expressar sua cultura), incluindo os mais pobres. Acompanhava este comportamento a integração violenta de vários grupos religiosos e étnicos da presente estrutura soviética na condição da russificação forçada. Genocídio, produto da manifestação extrema de tecnologia social, transformava as formas tradicionais de posse e uso da terra e, literalmente, varreu das aldeias até a última migalha de tudo o que podiam consumir os moradores.

Os professores Totten e Bartrop chegaram à conclusão que o assassinato em massa de pessoas se encaixa até com a mais severa definição de genocídio, e incluem o Holodomor dos anos 1932 - 1933 na Ukraina a três atos fundamentais de tais ações contra a humanidade na primeira metade do século XX (junto com o genocídio armênio e Holocausto).

Entre os ítens listados na Convenção das Nações Unidas sobre a prevenção do crime de genocídio e castigo por ele (1948) e do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional pelos atos de genocídio (1998), quanto ao Holodomor, mais comumente utilizam o terceiro - "criação intencional a um grupo qualquer, de tais condições de vida, que são projetadas para sua completa ou parcial destruição física."

No texto "Elementos de crimes", que também é usado pelo Tribunal Penal Internacional como uma fonte de direito, nesta ação são destacados tais componentes:


1: O criminoso criou (causou, impôs) para uma ou mais pessoas determinadas condições de vida.


2: Essa pessoa ou pessoas pertencem a um determinado grupo nacional, étnico, racial ou religioso.

3: O criminoso tinha a intenção de destruir, no todo ou em parte, o grupo nacional, étnico, racial ou religioso, como tal.

4: As condições de vida estavam calculadas para destruição física deste grupo, no todo ou em parte.

5: Esta ação acontecia no contexto de uma série de ações analógicas, direcionadas contra esse grupo ou era uma ação que sozinha poderia causar tal destruição.

Com a intenção de matar Cada um destes elementos de genocídio pode ser encontrado no Holodomor dos anos 1932 - 1933 na Ukraina. Criação para pessoas de certas condições de vida: a situação ocorreu artificialmente através da fixação de quotas de grãos e exclusão primeiramente de todos os grãos, e depois o restante dos alimentos.
Isto foi dirigido contra os camponeses, massa fundamental dos quais - ukrainianos, que é indício do segundo elemento do crime de genocídio: pessoa ou pessoas pertencem a um determinado grupo nacional, étnico, racial ou religioso. Tratava-se de uma parte específica da nação, porquanto a ukrainização no começo dos anos trinta chegou a tal nível, o qual os líderes bolcheviques consideraram perigoso, e eles decidiram destruir ou comprometer o espírito deste componente da nação. Como indicou o Tribunal Penal Internacional em relação a ex-Iugoslávia, "se uma parte específica do grupo é simbólica para esse grupo, ou a mais importantee para sua sobrevivência, isto pode significar que esta parte pode ser determinada como essencial.

A resolução do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética (bolchevique) e do Conselho dos Comissários do Povo da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) "Sobre armazenamento de grãos na Ukraina, Cáucaso do Norte e da Região Oeste", de 14.12.1932 claramente investigava-se o medo do governo diante do resultado da ukrainização, que alcançou além do "permitido" pela lei, e comunicação direta de seus resultados com a política de retirada de grãos. E tinha como método a repressão a resistência social e nacional.

O terceiro elemento do genocídio - é uma intenção criminosa de destruição, no todo ou em parte, do grupo nacional, étnico, racial ou étnico como tal - também é visto claramente na fome dos anos 1932 - 1933. Obviamente, que tal poder anti-humano como o soviético, em nenhum documento não anunciava os planos de matar pela fome milhões de camponeses ukrainianos. No entanto, como observa o Tribunal Penal Internacional, a conclusão sobre a existência da intenção e consciência pode-se fazer dos fatos e circunstâncias. Isto quer dizer que o mal-intencionado não necessariamente deve ser fixado claramente nos documentos ou manifestado em discursos públicos.

Exatamente os fatos e as circunstâncias indicam a existência de tais elementos de crime de Holodomor, como intenção e consciência. Há uma grande quantidade de documentos, os quais confirmam, que o governo sabia sobre a terrível situação dos camponeses ukrainianos. Foram publicadas cartas não só de cônsules estrangeiros, mas também os relatórios secretos dos funcionários do GPU USSR (Administração Política do Estado - República Socialista Soviética Ukrainiana) sobre a fome em diversas regiões da Ukraina. Por exemplo, em um relatório informativo da Divisão da Província de Odessa, de 9 de junho de 1932 falava-se sobre a fome entre os agricultores, os quais já não tinham víveres. Testemunho de conhecimento do governo da morte pela fome mais que suficiente.

Na "lista negra" O quarto elemento do crime de genocídio: as condições de vida foram calculadas na destruição do grupo, total ou parcial. Particularmente, Stanislau Kosior e Vlas Chubar receberam o direito de suspender a entrega de mercadorias para as aldeias ukrainianas até o final do plano de armazenamento de grãos. E que ele foi absolutamente exagerado, a interrupção na entrega de mercadorias significava fome. Esta resolução referia-se apenas para aldeias ukrainianas. Entre as medidas que visavam a destruição física de seus habitantes pode-se, particularmente, distinguir o regime de "listas negras", introduzido também, exatamente, nas regiões habitadas por ukrainianos. Em geral para estas "listas" foram inscritas as fazendas coletivas de 82 distritos da Ukraina, isto é, quase a quarta parte de seu território, com 5 milhões de habitantes. Estas aldeias os bolcheviques cercavam por tropas armadas, todos os estoques de alimentos e sementes dali foram retirados, proibiam qualquer tipo de comércio e importação de quaisquer mercadorias. Isto é, a entrada na "lista negra" automaticamente significava a morte.

Quinto elemento: os fatos ocorriam no contexto de uma série de ações analógicas direcionadas contra determinado grupo. Holodomor foi organizado como um crime, entre um rosário de outros, direcionados à morte total ou parcial, da nação ukrainiana. Em seu artigo "O genocídio soviético na Ukraina" o autor do termo "gernocídio" Rafael Lemkin apresenta as ações dos bolcheviques na URSS como a destruição da nação ukrainiana em quatro etapas: 1) primeiramente a elite nacional; 2) igrejas nacionais; 3) uma parte significativa dos camponeses ukrainianos; 4) mistura de ukrainianos com outras nacionalidades, na forma de deslocamento (famílias ukrainianas eram deportadas para Sibéria, Primorskyi Krai e ao Extremo Oriente russo e no seu lugar traziam famílias russas).

Em todas as quatro fases a destruição do caráter nacional dessa operação, como escreveu Lemkin, era determinativo, porque mesmo até as principais vítimas do genocídio - esfomeados camponeses ukrainianos - são representados como portadores do espírito nacional e aqueles traços que os tornam "cultura e nação".

Portanto, em Holodomor dos anos 1932 - 1933 na Ukraina estão presentes todos os cinco elementos do crime de genocídio.

Enfim, os fatos de objeção ao genocídio do Holodomor, como genocídio, podem desempenhar um papel positivo, porque favorecem a construção de argumentos em proveito de sua qualificação como genocídio. E isto, por sua vez, ajudará o reconhecimento internacional como genocídio. Como escreveu James Earnest Mace, uma das organizações que apoiava a criação da Comissão Americana em relação ao Holodomor ukrainiano foi o Comitê Judaico da América. "Uma das maiores contribuições, que este Comitê fez para proteção dos judeus e os povos do mundo todo, foi patrocinar a literatura sobre negação do Holocausto - escreveu Mace, - os ukrainianos devem aprender esta lição.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik


sábado, 17 de novembro de 2012

O QUE HAVERÁ APÓS AS ELEIÇÕES

Maioria ukrainiana contra governo de ocupação.
O que haverá após as eleições
Estereótipos que manipulam a maioria dos ukrainianos e os conduzem ao espaço Eurasiano
 
foto 1: Vote pelo idioma russo como estatal. Vote pelo futuro.
 
foto 2: da esq. p/direita: Firtash, Akhmetov, Hubskyi e outros - são empresários ukrainianos.
 
foto3: A oligarquia pátria protege contra negócios russos.
 
foto 4: Comemorações de 1991 - Ukraina desliga-se da URSS.
 
foto 5: A maioria dos ukrainianos não tem sentimentos nacionalistas.
 
 

Tyzhden (Semana), 05.11.2012
Oles Oleksienko

No término da contagem de votos das eleições parlamentares ordinárias Mykola Azarov (primeiro-ministro), declarou que a iminência da crise está se aproximando (o que o governo negava até o último momento), e por isso o governo (que foi derrotado na eleição) está pronto para estender a mão à oposição, mas preveniu, para o caso de, em resposta encontrar populismo destrutivo e demagogia "estaremos prontos para, de forma independente, resolver os problemas de nosso país". Esta declaração foi a ilustração da vez sobre as relações entre o atual regime e a sociedade.

Há um governo que nunca vencencia as eleições e não recebia plenos poderes dos cidadãos para formar o governo e a maioria parlamentar, portanto usurpou este direito. E há a maioria da sociedade ukrainiana, que durante a Revolução Laranja e das últimas três eleições parlamentares (2006, 2007, 2012) expressa desconfiança ao Partido das Regiões, posicionando-se deste modo contra a rasteira usurpação do poder e política antiukrainiana, que então teve lugar em 2006 e 2007, e também agora.
Então, na essência, estamos lidando com um governo estranho, imposto, que de acordo com estes critérios é semelhante à ocupação e que não pretende coordenar suas ações com a vontade da maioria dos cidadãos, mas impõe a sua.

Tornar o país perigoso
O objetivo de Yanukovych e Kº praticamente já não escondem: a autocracia com censuras públicas ao Ocidente, para que ele não indique, "como viver em casa própria". Exatamente esta retórica começou a soar do governo na véspera das eleições, e a derrota real é improvável que mude esta abordagem.
Dado o comportamento, Yanukovych e Kº consideram Ukraina como sua possessão e esperam permanecer aqui por muito tempo. A queda de apoio na sociedade somente forçará o presidente e seu meio recorrer à procura de métodos mais exóticos para manter o poder.

Se isto é assim, logo podemos esperar ofensivas contra as não controladas organizações cidadãs e Mídia. Para isso, provavelmente, podemos esperar leis escandalosas (como a lei da injúria, como restrição ou proibição de financiá-las pelos não residentes). Intensificar-se-á a pressão sobre a oplosição, primeiramentee com o objetivo de privá-la de ativos da mídia, de grandes e médios patrocinadores. Será de grande risco a extensão da reforma constitucional (em particular, a transição para a forma de governo parlamentar ou a eleição do presidente pelo parlamento). Existe a possibilidade de que as decisões importantes para o governo serão tomadas com a ajuda de "corretos" referendos.

No campo econômico, obviamente, intensificar-se- á o ataque aos negócios independentes do governo, pequenas e médias empresas - nas condições da crise econômica iminente, o governo será forçado procurar compensações para as perdas do orçamento. Os problemas para as finanças estatais já estão definidas: a produçãoo industrial já em queda por vários meses seguidos, o PIB diminuiu nos últimos três meses em 1,3%, a dívida do governo da Ukraina chegou a 49,345 bilhões de USD, o salário real dos ukrainianos, em setembro, registrou uma queda de 0,4% em comparação com agosto.

Mas, dificilmente perderão algo os oligarcas próximos da "família", que continuarão realizar a estratégia definida em 2012, ou seja, minar os representantes mais fracos de seu campo de atividade, apoderar-se-ão de ainda não distribuídos recursos: terras, monopólios naturais, grandes objetos estatais (grande empresa "Turboatom" de Odessa, Naftogaz, etc). A correspondente base jurídica foi preparada para isso antes das eleições.

Nesta situação, inveitavelmente, diminuirá a proporção da classe média, a qual sob condições próximas da fome não terá recursos para desenvolvimento, e em consequência degenerar-se-á cada vez maior parte de cidadãos. Enfim, acontecerá o que já iniciou em 2010. Em seguida, haverá estreitamento do mercado interno (o qual vai aprofundar-se com a necessidade da economia orçamentária após nenhum reforço da melhoria pré-eleitoreira), e, portanto, o potencial para o desenvolvimento de ramos econômicos orientados internamente. Os investidores estrangeiros continuarão a ser incentivados com alta taxa de retorno (a qual é realmente disponível apenas para os negócios próximos ao governo), mas não com condições confortáveis para atividades empresariais. O conforto será proposto como serviço adicional pago às pessoas próximas do poder.

O regime de Yanukovych novamente recomeçou o jogo de "bom e mau" policial e tenta novamente "costurar" os representantes políticos europeus de acordo com o velho cenário, mudando a decoração - composição do governo. No caso do Ocidentee não "comprar" a proposição do nosso presidente e não aceitar a sua redecoração cosmética, pode-se esperar aprofundamento de confrontações. Se o Ocidente apenas abanar com a mão, continuará a política de dupla moral: demonstrações externas com sinais de democracia e liberdades, e crescimento de autoritarismo no interior do país.

Em troca, Rússia não esconde inquietude com os resultados das eleições parlamentares em nosso país, que testemunharam a vitória da maioria ukrainiana. Portanto, ela tem razões para se apressar, o que pode significar aumento da pressão sobre Yanukovych e, ao mesmo tempo, oferecer esquemas lucrativos para "família" e próximas ao governo oligarcas. O governo conseguiu mobilizar seu eleitorado com slogans antirrevolução "Laranja", mas a desilusão não desapareceu depois das eleições. Portanto, nas condições de ausência de alternativa na Ukraina ao desiludido eleitorado do Partido das Regiões, poderá ser a Rússia. Já agora, aos nossos conterrâneos se impõe a idéia que todos os males ukrainianos vem dos altos preços do gás e dificuldades de acesso ao mercado da União Aduaneira. E não de causas reais como a corrupção, a ausência de ambiente normal de negócios, estado de direito, bem como reformas na esfera social, distorções estruturais na economia.

Maçã da macieira
No momento, a luta de grupo de influência no conglomerado governamental carcomer-se-á pelo aumento de seu prestígio e possibilidades de acesso de recursos por conta da influência sobre Yanukovych. Como ativo utilizar-se-ão os deputados levados ao parlamento sob diferentes bandeiras.
A provável mudança de governo - velhos (Azarov e Kº) para jovens (Arbuzou e Kº) não se altera significativamente, será apenas uma forma de aliviar o stress e pleitear ao Ocidente novo crédito de confiança e dinheiro suficiente para manter a estabilidade pelo menos até 2015. Qualitativamente, a nova política não pode amadurecer no meio de velhos. Crescendo no mesmo ambiente, pelos mesmos padrões e algoritmos, irão reproduzir o estilo de gestão da velha "elite".


Superar a matriz
Por quê a maioria ukrainiana sempre vota contra o Partido das Regiões, mas ele sempre encontra uma possibilidade de voltar ou manter o poder?
Os métodos puramente tecnológicos de deturpação da vontade dos cidadãos ukrainianos, que ocorriam em maior ou menor proporção, em maior ou menor número de regiões, é evidente. E, mesmo na presente eleição, votando pela aprovação da nova lei, a oposição concordou com este processo. A campanha eleitoral foi acompanhada por maciço suborno nos circuitos majoritários, onde os representantes do govetrno compravam a consciência das pessoas, de fato, pelo dinheiro deles mesmos. Parte dos recursos foi gasto para obtenção de uma maioria absoluta nas comissões eleitorais, onde frequentemente decidiam-se os questionamentos. Esta lista pode-se continuar.
No entanto, há razões fundamentais, que durante todos esses anos criavam uma tal situação, quando o país era governado pelo Partido das Regiões, o qual conduz luta com a maioria ukrainiana.

Fragmentos do "Mundo russo"
A isso contribui a herança ukrainiana, problema do período soviético, de uma parte dos cidadãos, descendentes de reassentadas aqui pessoas de outras regiões de URSS, que não aceitaram o direito titular étnico do próprio Estado e continuam orientar-se por Moscou. Para eles, qualquer força política ukrainiana é hóstil, e, portanto, eles constituem base social para o Partido das Regiões como partido não ukrainiano clássico. Um exemplo claro é Criméia e Sebastopol, porque é ali a maior porção de cidadãos que não percebem o nosso estado, mas em 1991 receberam a cidadania ukrainiana.

No entanto, em outras regiões da Ukraina, leste e sudeste, que são mais russificadas e empobrecidas, pseudocoletivo russo-soviético (na verdade gregário) visão de mundo imposta à maioria absoluta de moradores. A genética social que realizava-se na totalitária URSS, multiplicada pela lealdade tradicional ao despotismo do czar e fidalgo, na mentalidade russa impediu e impede a iniciativa e a individualidade. Ela fazia da população local uma massa amorfa no plano social e político, curvar-se sem pensar diante do mais forte, especialmente do proprietário ou gerente de empresa, ou dirigente da administração pública de qualquer nível.
 
Negócio estrangeiro
Outro problema consiste no grande negócio, que não é ukrainiano (aqui não se trata de pertinência étnica, mas da concepção do mundo) e sobre a atitude ao país e seus cidadãos de fato, em nada difere dos grandes oligarcas. A absoluta maioria de seus representantes (exceções individuaais apenas confirmam a regra) já há muito tempo têm vários passaportes estrangeiros, conduzem negócios através de empresas offshore, possuem propriedades no ezxterior, onde costumeiramente estudam seus filhos (e muitas vezes não é só no Ocidente, mas também na Rússia) e consideram a Ukraina e ukrainianos apenas como um território e a população como fonte produtora para recebimento da margem de lucro mais elevado (deles, dos oligarcas), comparando com países desenvolvidos economicamente.
 
No entanto, este negócio não está pronto para participar de transformações na Ukraina para modificar a situação segundo o exemplo de países avançados. Este é um exemplo típico da russo-soviética fidalguia, que foi herdado na pós-colonial Ukraina. Da mesma forma a nobreza do século XIX ou a liderança soviética do século XX frequentemente tentavam imitar estas ou aquelas influências ocidentais, mas nunca queriam mudar radicalmente a situação no interior do país, sentindo-se bastante confortáveis numa sociedadee estagnada e semi- feudal. No entanto, as empresas de grande porte eram uma parte significativa de diferentes comandos políticos da oposição ukrainiana.
 
Chegando ao Parlamento "sob disfarce", Feldman, Hubskyi, irmãos Buriaky, Zhvania e outros representantes das grandes empresas sempre passavam para o Partido das Regiões apoiando suas políticas com generosos tributos financeiros, em vez de promover a criação de forças políticas alternativas na Ukraina. Em troca eles recebiam o direito à participação na pilhagem do país ou pelo menos a garantia (nas situações domésticas é suficiente a convencional) de inviolabilidade de seus negócios. As eleições de 2012 deram a possibilidade aos negócios do capital chegar ao governo (para ficar) por conta da passagem ao Parlamento como candidato independente, e ele aproveitou-se através da compra de distritos. Mas, não se tornou independente do Partido das Regiões, pelo contrário, deixou-os vencer lá, onde sob a sua própria marca, nunca chegariam a ter sucesso.
 
Necessidade de alternativas
Não obstante, é problema também o fato de que os partidos alternativos ao Partido das Regiões não refletem os sentimentos da maioria ukrainiana. Isso é evidenciado pela mudança frequente das forças oposicionistas e seus líderes, e consideráveis reinvidicações dos ukrainianos por uma nova força política de qualidade que foi desejada nas eleições presidenciais de 2010 e deste ano. As pessoas têm de escolher entre o que está disponível. E o que lhes é oferecido vem das velhas elites e das mãos da oligarquia, cujos interesses não têm nada em comum com os interesses da maioria ukrainiana. Os atuais líderes da oposição são fracos, do que se aproveita o governo.
Portanto precisamos de organizações da maioria de ukrainianos do povo, financiada na base de contribuições dos próprios membros e doações das pequenas empresas. De acordo com os dados sociológicos do Fundo "Iniciativas Democráticas", publicado no início de outubro, 6% de cidadãos estão dispostos financiar o partido que defender os seus interesses.
Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

terça-feira, 13 de novembro de 2012

SAGA DE LAZARENKO

Saga americana de Lazarenko
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 13.09.2012
Serhii Lyshchenko

A prisão Terminal Island situa-se numa ilha no Condado de Los Angeles, California, entre o Porto de Los Angeles e Long Beach Porto.
Em 1º de novembro de 2012 deverão abrir-se as portas dessa prisão, e por elas passará, para liberdade, o quase sexagenário ukrainiano de sobrenome Lazarenko, findando assim uma história de catorze anos.
Lazarenko teve todas as chnces de se tornar, em 1999, o terceiro presidente da Ukraina. Mas a ganância e a corrupção destríram sua carreira.
Foram 14 anos de isolamento: 5 numa prisão domiciliar, 8 na prisão, e alguns meses - câmara única especial.
Pelos padrões da Ukraina atual ele é um pequeno transgressor - ele precisou 3 - 4 anos para acumular em suas contas 150 milhões de dólares. Enquanto hoje esse valor rouba-se com apenas uma maquinação.
Na véspera da conclusão da prisão de Lazarenko, este jornal publica a história de sua condenação nos EUA, utilizando fontes primárias - materiais do Tribunal Distrital Norte da Califórnia, onde o juri considerou-o culpado, e os juízes condenaram-no a 97 meses de prisão.

Por três semanas, o autor deste texto pesquisou documentos - arquivos armazenados na Corte Distrital do Distrito Norte da California, em São Francisco. Entrando facilmente no tribunal, a funcionária, surpresa, verifica no computador se o material do ano 2000 não foi mandado para arquivo. Após poucos segundos encontra os documentos e os deixa disponíveis à consulta sem pedir explicações. São milhares de arquivos armazenados em centenas de pastas. O balconista especial traz os documentos do esconderijo, num carrinho, como no supermercado. Pode-se estudar os documentos numa sala especial até as 13 horas. Em seguida o funcionário recolhe -os, e seu sorriso americano diz: "Venha amanhã..."

A história de Pavlo Lazarenko é um exemplo de como, em uma democracia, age o princípio da inevitabilidade da punição de corruptos. O dinheiro não vai lhe salvar da prisão e a afirmação sobre "perseguição política" não exerce impressão sobre o juri. Em segundo lugar está é uma tragédia pessoal e humana, quando você, dos pináculos da fama, poder político e bens multimilionários despenca para o abismo da prisão. Esta é uma história de traição, quando um amigo próximo, parceiro de negócios e compadre, em troca de própria liberdade, escolheu a traição. Este é um exemplo efêmero dos bens terrenos, quando você é obrigado viver sob prisão dimiciliar em um apartamento pobre, em bairro de imigrantes, tendo em sua propriedade um palácio em área preservada. Afinal, está é a história de como um homem inteligente e bravo, mas também voraz e mentiroso arruinou sua vida em busca do lucro, e privou seus concidadãos do direito a um governo honesto. Os melhores anos de sua vida Lazatrenko passou em isolamento.
Finalmente, a verdade sobre a questão americana é necessária para parar o fluxo de mentiras conscientes e inconscientes manipulações que envolvem esta história. O atual governo ukrainiano usa a questão de Lazarenko como instrumento na guerra de propaganda contra Yulia Tymoshenko, servindo-se da ausência de informações confiáveis. Embora a evidência é outra: a história mútua com Lazarenko - é bumerangue, alcança Tymoshenko em toda a vida política.
Finalmente. Perante os atuais ladrões no poder a figura de Lazarenko já não parece tão brilhante como na década de 1990. Sim, ele cometeu crimes, mas pagou por eles quase 14 anos de isolamento. Sua vida e reputação destruída, e a saúde minada. Ele não merece apenas o desdém - olhando para trás é triste ver que ele, tão tolamente aproveitou sua vida.
Enquanto os atuais políticos roubam em escalas muito maiores, permanecem no topo do poder, experimentam permissividade total e a santa fé, que por aquilo que fazem nada lhes acontecerá, e o poder não precisarão entregar. Quase o mesmo sentia, muitos anos antes, Lazarenko, não percebendo a surpresa que o destino lhe preparou no próximo cruzamento. Os atuais heróis optaram por ignorar as lições da história. Bem, talvez no futuro, um deles vai enfrentar a mesma pergunta - por que exatamente eu fui apanhado?
Fuga de Pavlo Lazarenko
Pavlo Lazarenko fugiu da Ukraina em 14.02.1999, num avião fretado. Voou para Atenas. Contra Lazarenko foi aberto um processo por "roubar a propriedade do Estado em quantidades particularmente grandes", "a abertura ilegal e uso de contas em moeda estrangeira fora da Ukraina" e "abuso de posição oficial."
Lazarenko, apesar da imunidade parlamentar, entendeu que a prisão era iminente. Esta decisão foi apoiada pela maioria constitucional em 17 de fevereiro, três dias após a fuga. Na Grécia, Lazarenko permaneceu 5 dias, enquanto considerava qual seria o melhor destino. Em 19.02.1999, o avião com Lazarenko a bordo pousou no aeroporto John Kennedy, em Nova York. Lazarenko entrou no país com visto válido até 16.06.2001. Foi detido quando pediu asilo político nos EUA.
O primeiro interrogatório realizou-se nos terminais da Companhia Aérea "Delta" pelo Serviço de Imigração e Naturalização do Ministério da Justiça dos EUA. Sua esposa já encontrava-se no país como turista, e seus filhos estudavam nos EUA. Eles viviam na legendária propriedade, nos arredores de Novato, próximo a São Francisco.
Lazarenko pediu asilo político para permanecer nos EUA enquanto a situação política na Ukraina não se estabilizasse e não cessassem as buscas por sua pessoa. Acusou o presidente ukrainiano (Leonid Kuchma) pelo estabelecimento da ditadura, ausência de reformas econômicas e desejo de aprisioná-lo para que não se candidatasse à presidência, corrupção e contas no exterior acumuladas durante o período em que Lazarenko foi primeiro-ministro, inclusive suspeitas na tentativa de seu assassinato.
No primeiro interrogatório ele acusa o assistente do presidente Kuchma, Aleksandr Volkov, pela explosão de seu automóvel em 1996. À ausência de qualquer reação do presidente, Lazarenko alegou que suas reformas interferiam nas operações comerciais de Volkov e outros apoiadores do presidente. No ano de 2004, numa entrevista a este jornal, Lazarenko evitou a mensão da tentativa de seu assasinato por Volkov, admitindo que tinha sérios motivos para desconfiar do presidente Kuchma.
No primeiro interrogatório referiu-se, também, às ameaças telefônicas. Por mais que apelasse pela proteção ao presidente, sua proteção estatal foi removida. Ele foi ignorado. Durante o interrogatório, Lazarenko insistiu que sua extradição à Ukraina contém ameaça mortal.
Em 1997 ele passou seis semanas no hospital e, em julho, foi demitido do cargo de primeiro-ministro por motivos de saúde. "Eu tive um colapso nervoso", e que seria morto pelo presidente, declarou no interrogatório.
Surpreendentemente, logo após a demissão este "colapso-nervoso" não lhe impediu de concentrar-se numa questão importante - como transferir mais de cem milhões de dólares para um local mais seguro porque na Suiça o dinheiro poderia ser congelado.
Lazarenko implora prisão domiciar
As primeiras semanas nos EUA, Lazarenko permaneceu sob a custódia no Centro de Detenção Wackenhut, em Queens - Nova York. Implorando pelo asilo, reclamou de surgimento de problemas da saúde e pediu sua libertação. Prometeu não fugir e alegou que foi para EUA para se submeter a uma cirurgia. Lazarenko, quando chegou aos EUA, não só escapou da acusação na Ukraina, mas também de um julgamento na Suiça, onde ele, dois meses antes foi acusado de lavagem de dinheiro.
Em 16.03.1999 pediu para ser transferido à prisão Marin Country Jail, para ficar mais próximo de sua família. Concordou com o uso de pulseira eletrônica e permanecer em prisão domiciliar. Estava disposto a pagar 24h por sua vigilância mas, em abril de 1999 Suiça emitiu um mandato de extradição contra Lazarenko e ele permaneceu em regime fechado por 4 anos.
Prisão suiça e passaporte panamenho
Em 02.11.1998 Pavlo Lazarenko, na época deputado líder da oposição, da facção "Comunidade", foi preso na Suiça. Os detalhes da prisão foi possível estabelecer somente com o envio dos registros suiços aos EUA onde, em 2004, aconteceu o julgamento de Lazarenko. Ele veio à Suiça em questões de suas contas codificadas, abertas neste país. Lazarenko apresentou seu passaporte panamenho, visto que no ukrainiano não tinha visto suiço. Isso despertou suspeitas. Seria o Lazarenko panamenho o mesmo Lazarenko ukrainiano contra o qual já se iniciaram investigações em março de 1998?
Seu ex-amigo Petró Kyrychenko, que fez acordo com o governo dos EUA, contou no tribunal a seguinte história: "No final de 1994, ou início de 1995, eu e Lazarenko estivemos no Panamá a fim de obter o passaporte panamenho. No Panamá há um programa para estrangeiros, se você fizer um depósito acima de 100 mil, e o mantiver por cinco anos, você obterá um passaporte panamhenho. Este passaporte era necessário para viajarmos sem visto porque, para receber o visto com passaporte ukrainiano a espera é longa. Além disso, se você recebe o visto na Ukraina, todos sabem o seu destino", - informou Kyrychenko. Então, em 02.12.1998 Lazarenko foi preso em Basiléia por violação de visto.
Mas, ao contrário da "expulsão" da Suiça, ele foi enviado a Genebra onde já se iniciaram as investigações criminais devido a lavagem de dinheiro no território suiço, desde 06.03.1998. Graças aos registros do interrogatório suiço, transferidos para EUA, tornou-se conhecido seu conteúdo. Lazarenko procurou proteger-se alegando perseguição do presidente Kuchma, mas o juiz queria dados concretos sobre as contas que ele possuía na Suiça. Lazarenko respondeu que na ocasião não possuía contas na Suiça e pediu a presença de advogado. Sua cautela era compreensível - mais tarde se soube que ele transferiu da Suiça mais de 200 milhões de dólares. Eram duas contas que ele mantinha na Suiça: CARPO-53 no banco Aliança SCS e no Banco Credit Suisse a conta NIHPFO, que escrito da direita para esquerda passa a ser ORPHIN, nome de sua campanha nas Bahamas, e de seu sócio Petró Kyrychenko, para qual ele recebia os subornos de Lazarenko.
Em 16.12.1998 Lazarenko foi novamente levado para interrogatório e desta vez ele admitiu que tinha uma conta pessoal CARPO-53 que recebia a "renda de minhas empresas de fornecimento de gás e eletricidade", disse ele. Lazarenko admitiu que enviava dinheiro, secretamente, para o exterior - primeiro para Suiça, depois para Bahamas e Antígua, para financiar seus projetos políticos, desde que na Ukraina havia questões políticas contra ele. Ele também admitiu que através da companhia panamenha de Petró Kyrychenko "GHP Corporation" vinham fundos da UES (Sistemas da Energia Unificada da Ukraina - esta companhia era da família Tymoshenko - OK) Estes foram os valores associados com a quota da renda recebida pela UES no contexto do fornecimento de energia para as empresas ukrainianas. "As porcentagens que eu recebia da renda bruta eram de cerca de 8 - 11% admitiu . "Comunidade" nunca foi financiado por empresas estatais. Meu advogado disse que, ao financiar meu partido com dinheiro do exterior, segundo as leis suiças, não havia violação", - explicou Lazarenko.
Depois desse questionamento Lazarenko foi lebertado sob fiança de quatro (4) milhões de francos e obrigação de vir à Genebra para uma audiência em 1-2 de março de 1999. Mas isso não aconteceu - em fevereiro de 1999 o Parlamento retirou a imunidade de Lazarenko, então Suiça, caso o prendesse novamente, poderia entregá-lo às mãos da Procuradoria Geral ukrainiana. Para escapar de tal perspectiva, Lazarenko, em fevereiro de 1999 viajou para EUA, onde esperava conseguir abrigo.
Pedido suiço para extradição de Lazarenko
Os investigadores suiços, durante um ano esforçaram-se inutilmente para que EUA enviassem Lazarenko a Genebra, mas não conseguiram porque havia investigação nos próprios EUA. Então eles vieram para California. Em 17 de maio, Lazarenko e os promotores americanos acordaram que o dito aos investigadores suiços não seria aproveitado para condenação no território dos EUA, nem seria enviado a Ukraina. Em 18 de maio Lazarenko foi interrogado pelos suiços. Ele disse que não compareceu em Genebra por medo de extradição a Ukraina porque sabe que lá não receberia um julgamento justo e, pela primeira vez começou reconhecer sua culpa.
- "Eu estava envolvido em um grande número de transações comerciais internacionais. Utilizava um grande número de empresas e contas bancárias. Em geral, essas transações eram ilegais em sua natureza. Lembro-me, no entanto, que em certos casos específicos, eu poderia misturar meus interesses particulares com meus deveres oficiais..."
Os motivos, de acordo com Lazarenkoo estavam na herança pós-soviética. Após a queda da URSS, os limites das leis na Ukraina eram vagos e confusos...
O juiz suiço leu para Lazarenko um trecho do depoimento de Petró Kyrychenko, que foi seu mais próximo companheiro e depois o traiu para permanecer em liberdade nos EUA. No interrogatório Kyrychenko disse que foi forçado pagar subornos a Lazarenko, por causa de sua companhia de Dnipropetrovsk "AhroPostashZbut", que só assim podia vender produtos para exportação. Em troca do pagamento Lazarenko concordou em não interferir em suas transações comerciais com países estrangeiros. Lazarenko ficou indignado - "Kyrychenko está mentindo. Desde 1991 temos tido relações amigáveis. E, em 1993 foi ele que me pediu para ser acionista de "AhroPostashZbut". Concordamos que eu seria responsável pelas ações da empresa na Ukraina, ele - no exterior." afirmou Lazarenko. Foi por esta razão que ele recebia fundos de Kyrychenko nas contas da Suiça.
Gradualmente, as contas de Lazarenko acumularam centenas de milhões de dólares. Quando ele percebeu que poderiam ser presas devido a investigações ukrainianas ou suiças, ele resolveu transferir o "auferido" para lugar mais seguro - Bahamas.
- "Eu, oficialmente acuso-o pela violação do artigo 305-b do Código Penal da Suiça por "lavagem de dinheiro" - anunciou o juiz. Depois disso Lazarenko se declarou culpado em mais dois casos de lavagem de dinheiro na Suiça - associado com a aquisição do governo da Ukraina de casas superfaturadas da companhia de Kyrychenko e com a venda de produtos de aço através da empresa "Somoli Enterprises" da Tymoshenko.
Em junho-julho, Suiça retirou o seu pedido de extradição do fugitivo ukrainiano após a sua admissão de culpa perante as autoridades de Genebra. Ele foi condenado a um ano e meioo, incluídos no aprisionamento nos EUA, proibição de entrada na Suiça durante 5 anos, pagamento de multa no valor de 10,696 milhões de francos e cassação de seu passaporte panamenho. Em sua sentença foram listados os empresários que estiveram envolvidos no esquema. E este - é o único caso em que as decisões dos juízes no exterior relacionam episódios com Lazarenko onde se mencionou o nome de Yulia Tymoshenko. Petró Kyrychenko foi condenado por violar o mesmo artigo 305-b mas sua punição foi dez vezes inferior, apenas a multa de um milhão de francos.
Um dia após Lazarenko ter reconhecido sua culpa perante a justiça suiça, Kyrychenko fez um acordo com a investigação dos EUA. (Kyrychenko já residia nos EUA quando Lazarenko chegou lá). E este acordo de 19.05.2000 foi a chave para a longa prisão de Lazarenko.


Tradução: Oksana Kowaltschuk

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

FRAUDES NAS ELEIÇÕES UCRANIANAS PREOCUPAM ORGANISMOS INTERNACIONAIS

Leitores:
 
Ao que tudo indica, o mundo está se especializando em fraudes eleitorais. Como um governo que durante vários anos sofre as mais pesadas críticas, conduz ações anti-patrióticas, promove o assalto ao erário, forma quadrilhas, cria verdadeiras máfias, pode vencer as eleições?
Não estou falando somente da Ucrânia, mas da maioria dos países ao redor do mundo! Temos exemplos recentíssimos nas duas Américas!
 
O Cossaco.
 
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Mídia Internacional sobre Ukraina: regressão da democracia, radicalização do eleitorado e possíveis sanções.
Tyzhden (Semana), 09.11.2012
Maryna Mishchenko

Os meios de comunicação internacionais analisaram as eleições ukrainianas na Ukraina - falsificações em grande escala e suas consequências, mas também esforçaram-se para prever as próximas ações da UE em relação a Ukraina.

THE NEW EUROPE, Jean Claude Mignon - Presidente da Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa: "Apoio totalmente a visão de observadores, eles constataram a democracia em declínio. Isso não é estagnação, é regressão", - disse ele.
"É claro que temos o poder para condenar os países que não respeitam as regras. Nós consideramos, que se eles voluntariamente aderiram ao Conselho da Europa, devem seguir os prncípios do Conselho da Europa", - enfatizou Mignon.

Este parecer também é da deputada alemã Erika Steinbach, do Partido Democrata Cristão: "Embora Yanukovych rejeita qualquer crítica, ele e seu governo são responsáveis pelas eleições, que foram uma farsa óbvia. Esta eleição é a continuação da série de fracassos no desenvolvimento da Ukraina. Desde o início do governo Yanukovych a independência do sistema judicial, que evoluía lentamente, começou voltar atrás".

Comentário do eurodeputado do Partido Verde Werner Schulz: "A escala de fraudes após as eleições superou todas as preocupações, idéias e imaginações. Até que ponto esta fraude será incorporada à vida, ainda precisa investigar. Muito mais difícil é calcular os danos destes abusos que o poder causa a seus eleitores. Essas falsificações aumentarão e, perigosamente aprofundarão o fosso entre o governo e a nação. Ainda antes das eleições a passividade e o desencanto das pessoas já eram visíveis. E, mesmo assim, muitos ukrainianos decidiram não dar seu voto ao governo no poder. Mas eles não foram considerados. Novamente. Qual é a conclusão? "Ukraina precisa de uma segunda revolução", - dizem alguns. Pode ser. Se depois dessas eleições Ukraina afastar-se ainda mais do Estado de direito e dos valores democráticos da Europa, temos de separar cuidadosamente, que isto vai na conta do governo, não da nação".

De acordo com o embaixador canadense para Ukraina Andrew Robinson, na publicação de OTTAWA CITIZEN: "No dia das eleições, 28 de outubro, os observadores relataram graves violações. Durante a contagem e recontagem dos votos também observaram-se violações flagrantes e atrasos suspeitos em vários circuitos, onde a oposição liderava.
Parece que Yanukovych pensou que ninguém perceberia, uma vez que ele se concentrou na falsificação anterior e posterior ao dia das eleições. Por sorte, os observadores internacionais vieram a Ukraina já no mês de julho. Eles descreveram em detalhes uma série de violações durante a campanha. O fato de que as forças da oposição obtiveram tão bons resultados na campanha eleitoral em que todos os fatores foram dirigidos contra eles, demonstra a eficaz ilegalidade das declarações de Yanukovych, que ganhou as eleições. E, num sentido mais amplo, a nova "maioria" do Parlamento também é ilegítima".

THE WASHINGTON POST: É triste ver que o sistema político da Ukraina retrocede. As eleições foram falsificadas em favor do presidente Yanukovych e seu partido. Não houve revolução, apenas um protesto pequeno porém decidido, ignorado pelo primeiro-ministro Mykola Azarov que disse: "Estas foram as eleições melhor organizadas na Ukraina em toda história de sua independência." Na verdade elas foram "melhor organizadas" em seu especial estilo pós-soviético. As características desse sistema são mais suaves que algumas batalhas pelo poder nos anos 1990, mas não menos projetadas para dar ao poder vantagem insuperável através de truques e subversão. Embora o dia da eleição foi, em grande parte, pacífico, houve denúncias de fraude no processo de votação e durante a contagem de votos.
Os EUA investiram pesadamente após o colapso da União Soviética para que Ukraina, com 45 milhões de população pudesse tornar-se um membro da OTAN e olhar para o Ocidente. Rússia também atrai e parece que Ukraina escorrega para o modelo russo de pseudo-democracia, onde aparentemente há eleições, partidos e candidatos, mas na verdade cada vez, menos e menos, concorrência real".

EUobserver. As fontes declaram que a assinatura sobre associação UE-Ukraina numa data tão próxima é pouco provável. O atraso da cimeira do próximo ano é devido ao agravamento do nome de Yanukovych. Ninguém quer apertar a mão do Yanukovych tão perto das eleições. Isto poderia parecer como aprovação da UE ao seu governo não se importando com tão má realização das eleições parlamentares.

FINANCIAL TIMES: "A idéia de que eleições limpas permitiriam a Bruxelas dar luz verde para acordo de associação com Kyiv, que está congelada desde dezembro de 2011, era pouco esperançosa e excessivamente otimista.
A UE deve definir claramente as condições para melhorar as relações com Ukraina. São três os critérios principais: eleições, ações de justiça seletiva e progresso na agenda de reformas para o acordo de associação. Sem empenho nessas áreas e sem indícios de compromisso em relação ao líder da oposição Yulia Tymoshenko, não parecia provável que o acordo poderia ser ratificado em países-chave da UE, que são céticos em relação a Ukraina.
Há outras maneiras para manter linha dura em relação à Ukraina, além de bloquear o acordo. Um rastreamento estreito do como a elite transfere seu dinheiro entre Áustria, Reino Unido e Chipre, seria um bom começo. Poderia favorecer as empresas de pequeno e médio porte e à sociedade civil, inclusive aumentar o número de vistos.
Ainda há a preocupação de que a fusão de três partidos principais pode ser dificultada com desconfiança de um para outro. (Pelo que li nos jornais, percebi esta preocupação apenas em relação ao partido UDAR, do pugilista Klychko. Sobre isto o próprio Klychko ja declarou no "Canal 1+1" que está pronto para trabalhar com "Pátria" e "Liberdade" no Parlamento, e que ele não vai trabalhar nem com o Partido das Regiões, nem com o Partido Comunista - OK).


WORLD AFFAIRS: Professor de Ciências Políticas da Universidade Rutgers Oleksandr Motyl, analisando as forças que entraram no Parlamento disse que Regionais, Comunistas e Svoboda (Liberdade) são partidos radicais, com diferentes inclinações. "Partido das Regiões - radicais nas ações, não nas palavras, mas em menos de dois anos desmantelaram a democracia, atacaram a identidade ukrainiana e tornaram as pessoas mais pobres. Comunistas - radicais no passado e com palavras atuais ajudaram construir o "Socialismo maduro". Agora os stalinistas grisalhos falam sobre a "ditadura do proletariado", mas preferem andar em limousines de luxo. Svoboda - radicais nas palavras. Dizem que querem colocar os ukrainianos étnicos no trono de um país multinacional, mas não são radicais nas ações. Em algumas regiões da Ukraina Ocidental onde trabalham nos Conselhos locais, provaram serem "falastrões" incompetentes com propensão para corrupção".
Considerando o número de votos dados a estes partidos, o eleitorado ukrainiano também radicalizou-se: 30% para regionais, 13% para comunistas e 10% para Liberdade. Os comunistas cresceram graças ao radicalismo dos regionalistas, e não foram para o "lixo da história" como parecia acontecer. Liberdade conseguiu atravessar o limiar de 5% e deixou de ser um partido puramente regional.
O radicalismo real ou imaginário não fará o Parlamento mais estável, comedido e razoável. Pelo contrário, devemos esperar um choque de retórica radical que e a instituição tornar-se menos funcional. Isso significa que o resultado da má gestão dos regimes cairá sobre os ombros do pobre Viktor Yanukovych.
A boa notícia é que 40% dos eleitores votaram a favor dos Partidos Democráticos (Pátria e UDAR). Isto é mais que qualquer um dos partidos radicais. Isto é importante porque pode dar a possibilidade dos democratas levar a melhor. Por exemplo, os regionais e comunistas poderão votar juntos a favor da discriminação do idioma ukrainiano, cultura, identidade, mas... lhes será difícil concordar sobre os programas sócio-econômicos. Se os democratas jogarem adequadamente (é muito grande este "se") eles poderão indispor os regionaiis contra os comunistas.


Tradução: Oksana Kowaltschuk

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A GUERRA ELEITORAL CONTINUA

Dez dias após as eleições: a guerra continua
Tyzhden (Semana), 07.11.2012
Milan Lielich

A contagem de votos nos circuitos destaca-se por maciças fraudes por parte das controladas pelo governo circunscrições, decisões judiciais exclusivamente em benefício dos candidatos governistas, ataques aos problemáticos Comitês Eleitorais Regionais pelo Berkut e "observadores" pesos pesados. 


                                              


Prolongadas batalhas nos distritos majoritários foram as principais tendências políticas após 28 de outubro. Se no dia da votação apesar das expectativas, violações e fraudes não excederam a habitual "norma" para Ukraina, a falta de lei para durante a contagem de votos para os candidatos majoritários foi sem precedentes. O governo utilizou todo o arsenal tecnológico possível para distorcer a vontade popular, porquanto da primeira vez não foi cumprida a terefa básica - formação do Conselho Superior pela maioria do partido governista. Além disso deu-se o desejo incontrolável do Partido das Regiões, aberta ou astuciosamente, entrar no Parlamento, apesar de que, os eleitores votaram na oposição. Como consequência, 10 dias após as eleições ainda em vários circuitos não temos vencedor.


 
"Pontos quentes" das eleições 2012
Circuito 11, Vinnytsia

O ex-governador da província Oleksandr Dombrovskyi, candidato independente pró-governo, estava confiante em sua vitória e, além de um alto nível de reconhecimento entre os eleitores, contava com apoio de Poroshenko (ministro de Yanukovych), cujas posições em Vinnytsia são muito fortes. No entanto a concorrência ao ex-governador promoveu a candidata da Oposição Unida Natália Soleyko que, com pequena vantagem liderava quase até o final. Mas, Dombrovskyi conseguiu na justiça a recontagem de votos em vários distritos. A comissão, onde a maioria dos membros abertamente o apoiava, mudou o indicado pela oposição presidente do Comitê, após o que os resultados da recontagem já foram a favor de Dombrovskyi. Durante a recontagem , os observadores da OSCE foram "empurrados para fora" - pelas forças da milícia. As luzes, frequentemente se apagavam e as atas e boletins se iluminavam com lanternas e telefones celulares. Desconhecidos danificaram caixas com as cédulas, o que se tornou base para sua recontagem. A oposição afirmou que aos seus advogadoss, os quais defendiam o resultado de seu candidato, ameaçaram com agressão física.

1º vídeo - http://tyzhden.ua/Politics/64458

Circuito 14, Vinnytsia

Aqui a diferença entre o candidato do governo e da oposição chegava a algumas dezenas de votos. De acordo com as atas, o oposicionista Ivan Melnychuk estava na frente 251 votos, do candidato independente Viktor Zherebniuk, que é considerado criatura da administração do presidente, Serhii Liovochkin. No entanto Zherebniuk conseguiu na justiça a recontagem, alegando que as caixas com cédulas foram danificadas durante o transporte. Como consequência, em algumas seções até mais da metade das cédulas foram invalidadas, e Zherebniuk foi dado como vencedor com 81 votos a mais. Como no circuito 11, a oposição afirmou sobre pressão e ameaças para seus advogados.

2º vídeo - http://tyzhden.ua/Politics/64458

Circuito 20, Volyn

Berkut a força expulsou da reunião do Comitê Eleitoral todos, exceto os membros do circuito pertencentes ao governo que formalizarm a vitória do candidato independente Serhii Martyniuk sobre o oposicionista Roman Karpiuk, com 400 votos de vantagem.

Circuito 90, Volyn

Oleksandr Marchenko do partido "Svoboda", de acordo com os protocolos, foi vencedor com uma vantagem de 1393 votos sobre o candidato governista Vitaly Chudnovskyi, que é conhecido como namorado da irmã do presidente da administração presidencial, Yulia Liovochkin. No entanto, após a verificação das atas das seções eleitorais o vencedor, com a vantagem de 400 votos foi anunciado Chudnovskyi. Em seu favor transferiram votos de outros candidatos, as atas foram falsificadas. A oposição tentou provar na justiça, mas os "jornalistas de aparência criminosa" (são bandos de jovens fortes, geralmente de cabeça raspada, que se auto-denominam jornalistas e se fazem presentes quando surge uma dúvida. Sempre defendem os governistas - OK) vieram apoiar Chudnovskyi. Embora apresentando na justiça cópias das atas com carimbo e a gravação da elaboração das mesmas, que testemunhava possíveis fraudes, os tribunais não satisfizeram a reivindicação de Marchenko.

3º vídeo - http://tyzhden.ua/Politics/64458

Circuito 94, Kyiv

A candidata pró-governo Tatiana Zasukha não aceitou sua derrota em relação ao oposicionista Viktor Romaniuk ("Pátria"), apesar da diferença de 10 mil votos em favor do Romaniuk. Adotou o seguinte esquema: os tribunais receberam inúmeras queixas de observadores, aos quais, supostamente, não foi permitidaa entrada nas seções durante a contagem de votos. "Por coincidência", eram apenas as seções nas quais Romaniuk vencia. A oposição afirmava, que as queixas partiam apenas de observadores não registrados. No entanto, o tribunal, tradicionalmente, colocou-se ao lado do candidato governista: invalidaram 28 seções (quase 1/3 do circuito, aproximadamente 30 mil cidadãoos. Finalmente o Parlamento recomendou repetir a eleição porque é "impossível estabelecer os verdadeiros resultados da votação".

4º vídeo
http://tyzhden.ua/Politics/64458

Circuito 95, Kyiv

Desde o início das eleições previa-se que este seria um dos circuitos mais problemáticos de toda Ukraina porquanto por aqui concorria o odiado regionalista Petró Melnik - Reitor da Universidade Nacional do Serviço Estatal Tributário. Seus concorrentes , do partido "UDAR, Oleksandr Yurak e do partido "Pátria" Vyacheslau Kutovei. Os prognósticos realizaram-se, nos primeiros dois dias daqui não arredaram pé as tropas do "Berkut", dezenas de "irmãozinhos" (aqueles grupos de jovens que também se intitulam jornalistas - OK), observadores nacionais e internacionais e jornalistas. A contagem procedia devagar. Mas, afinal, a Melnik faltou apoio dos seus, que se recusaram fornecer-lhe apoio administrativo e ele reconheceu sua derrota e em seguida também Oleksandr Yurakov, acusado pela oposição de trabalhar a favor de Melnik.

Circuito 132, Mekolaiv

Certamente, "mais sangrento" revelou-se o circuito, onde encontraram-se o candidato do Partido das Regiões Vitaly Travyanko e o oposicionisa da "Pátria" Arkady Kornatskyi que, algumas semanas antes das eleições foi forçado a sair da Ukraina, com sua família, por causa da pressão dos agentes da lei. Inicialmente, no site do Comitê Central apareceu a vitória de Kornatskyi com a contageme de 100% das atas. Mas, em alguns dias já reconheciam a vitória de Travyanko. Em seguida houve a decisão da justiça para recontagem de algumas seções, que foram invadidas a força pelo Berkut. O carro com Berkut e cédulas foi sitiado por moradores locais e, finalmente, o deputado Henady Moskal conseguiu recuperar a documentação e devolvê-la ao Comitê Eleitorall. Mas, depois de algum tempo Berkut atacou novamente e levou os documentos. No dia seguinte retornaram misteriosamente. Foi decidido que após tal orgia era impossível estabelecer autenticidade aos protocolos e haverá nova eleição no circuito.

5º vídeo
http://tyzhden.ua/Politics/64458

Circuito 194, Cherkasy

O oposicionista da "Pátria" Mykola Bulatetskyi venceu com 12 mil votos a mais sobre Valyntyna Zhukovska, que dizem ser indicação do oligarca Dmytró Firtash. No circuito, frequentemente, surgiam brigas, apagava a luz. Os membros da comissão eram levados pela "rápida" porque eles esforçavam-se em roubar o carimbo e as chaves do cofre com as cédulas. O tribunal local determinou a recontagem em váras seções. No entanto, os oposicionistas conseguiram levar os protócolos que indicavam a vitória de Bulatetskyi ao Comitê Central, porém lá, já haviam decidido pela realização de novas eleições.

6º vídeo
http://tyzhden.ua/Politics/64458

Circuito 197, Cherkassy

Aqui o Parlamento esforçava-se pelo conhecido "vira-casaca" e latifundiário Bohdan Hubskyi, ao qual se opunha Leonid Datsenko (Pátria), que vencia com a margem de 5 mil votos, o que se tornou conhecido. Então Hubskyi e Kº bloquearam completamente o trabalho da comissão, e depois de vários dias foi processado pouco mais de 1% das atas. Dos 18 membros da Comissão sumiram, por diversos motivos, 10. Na Comissão Central acrescentavam a Hubskyi 200 - 300 votos em cada seção. Assim no site da Comissão Central ele apareceu como vencedor apesar de que vários presidentes das comissões locais nem conseguiram entregar as atas. A Comissão Local pediu a realizaçãoo de novas eleições. Mas, às 5:00 horas da manhã do dia 7 "Berkut" invadiu o prédio e pegou todas as atas que foram aceitas pela Comissão Central.

7º vídeo
http://tyzhden.ua/Politics/64458

Circuito 184, Kherson

O candidato oposicionista independente, Ivan Bynnyk perdeu ao regionalista Mykola Dmytruk por apenas 86 votos apesar de que liderava quando faltavam apenas 13% das atas. Conseguiu uma parte da recontagem, que foi interrompida e o final dos protocolos foi enviado a Kyiv. Na Comissão Central encontraram imprecisões e ordenaram à Comissão Local rever o total. A reunião da comissão não se realiza devido ao boicote de seus membros.

Circuito 211, Kyiv

A luta entre o deputado regional Ihor Lysov e o deputado oposicionista Serhii Teryokhin que bateu seu adversário em 3,5%. Então Lysov, através do tribunal conseguiu recontagem em 28 seções, conseguindo esta decisão em quatro processos de apelação. Como os oposicionistas não queriam ceder, iniciou-se uma briga entre deputados, membros da comissão e milicianos. O próprio Lysov acabou com costela e dedo quebrados. Ele acabou recuando, admitindo a derrota.

8º vídeo
http://tyzhden.ua/Politics/64458

Circuito 216, Kyiv

Ao contrário de Lysov não pretende desistir o candidato independente pró-governo Oleksandr Suprunenko da "jovem equipe de Chernovetskyi", o qual perdia com a diferença de 1400 votos para oposicionista Ksenia Lyapin (Pátria) e conseguiu recontagem em 27 seções. A decisão da justiça apareceu a alguns dias mas a recontagem não foi iniciada porquanto a cadeira do presidente da Comissão (ao abrigo da quota do partido "Jovens no Poder") o tempo todo permanece vaga. E não faltaram os "observadores" - pugilistas do candidato pró-governo, e lutas. A situação ainda é incerta.

Circuito 223, Kyiv

Um circuito onde, no momento, não foram contados todos os protocolos, embora todos eles testemunham a vitória do oposicionista Yurii Levchenko (Liberdade) em algumas centenas de votos. O candidato pró-governo Viktor Pylypyshyn não desiste. Já por várias vezes surgiram confrontos entre seus "irmãozinhos" com verdadeiros jornalistas, milícia e apoiantes, até com o uso do gás lacrimógêneo. Pylypyshen conseguiu recontagem em 10 seções. Apesar de que a Comissão Central decidiu por uma nova eleição, a recontagem de repente foi retomada.

Ultimamente muitos ukrainianos estão lembrando a máxima de Stalin: "O importante não é como votam, o importante é como contam."

Tradução: Oksana Kowaltschuk

 

                                                                            

MOSAICO DAS ELEIÇÕES NA UCRÂNIA

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 07.11.2012


Greve de fome
Em Odessa mais de 200 pessoas anunciaram greve de fome devido ao resultado das eleições que consideram falsificado. Foi dado como vencedor o ex-governador Serhii Hrynevetskyi, do "Partido do Povo", com pequena diferença de votos em relação ao candidato do partido "Pátria", Chekita.
Na região vivem mais de 6 mil funcionários do serviço penitenciário, e militares. Também aqui habitam 5 mil prisioneiros, alguns dos quais não têm, sequer, passaporte (carteira de identidade), no entanto, eles votaram. E os doentes do hospital militar foram trazidos nas macas. "Essas pessoas, com toda certeza, votaram segundo indicação de cima", - diz Chekita.


Novas eleições
O Conselho Superior recomenda à Comissão Central Eleitoral novas eleições em 5 circuitos. Aprovaram a decisão 268 deputados. Os circuitos seriam: 94 - 132 - 194 - 197 - 223. Porém há muitos outros circuitos com problemas.
No circuito 94 vence o candidato da oposição. No entanto o Tribunal Administrativo de Recurso não reconheceu os resultados da votação em 28 seções reconhecendo a candidata do Partido das Regiões.
No circuito 132 o candidato da oposição vencia por uma diferença de 4.167 votos. Depois de uma série de eventos escandalosos a Comissão aprovou um protocolo onde o vencedor é do Partido das Regiões.
No circuito 194 o vencedor é da Oposição, que derrotou a candidata do oligarca Dmytro Firtash com 12 mil votos de vantagem.
No circuito 197 a contagem realizava-se com extrema lentidão, os oposicionistas já esperavam fraude. A contagem mostrou vencedor o candidato da Oposição porém, na manhã do dia 5, no site da Comissão Central Eleitoral constava o nome de um candidato independente.
No circuito 223 opõem-se dois candidatos: do governo e da oposição.
A oposição declarou que é necessário recontar corretamente os votos e não proceder a novas eleições. E que a nova eleição somente é necessária nos circuitos onde destruíram as cédulas: 11 - 14 - 41 - 61 - 93.


Cansou do esconderijo
Yanukovych "apareceu" e determinou ao Procurador Geral analisar as violações da lei durante o processo eleitoral. De acordo com a análise a Procuradoria deve tomar medidas corretivas de acordo com a legislação. Sobre o trabalho realizado o Procurador deve relatar ao presidente até o dia 12.11.2012. Esta é a primeira vez que Yanukovych aparece depois do dia das eleições, dia 28.10.2012.


Não trabalhou de acordo, fora!
Yanukovych demitiu o vice-ministro do meio ambiente Ihor Vidman que perdeu a eleição em Kyiv. Ele conseguiu apenas o quinto lugar. Venceu o candidato da oposição Oleksandr Bryhanets. Já é o segundo governista demitido por perder as eleições.


Freedom House quer sanções pessoais aos funcionários ukrainianos.
O presidentee David Kremer acredita que não muda nada mediante incentivos, então a única maneira para, de algum modo influir na situação é aplicar punição.
"Nós realizamos conversações no mais alto nível, tivemos reunião pessoal com o presidente. O governo ukrainiano fala sobre compromissos mas não procura segui-los. Então, o único modo de mudar a situação - aplicar alguma punição. É tempo para uma conversa séria" - disse Kremer.


Em Londres processo contra oligarca ukrainiano.
A financista Amanda Steyvley está processando uma das pessoas mais ricas da Ukraina - Gennady Boholyobov por uma dívida de 3 milhões de libras. Esta é uma parcela relacionada com a venda em 2010, de um dos marcos mais famosos da Trafalgar Square, em Londres. Gennady Boholyobov, segundo Forbes está no quarto lugar entre os homens mais ricos da Ukraina. Seus ativos foram avaliados em 2,8 bilhões de dólares.


Lutsenko
A saúde de Lutsenko piorou, segundo sua esposa que o visitou no dia 6 de novembro. A ele receitaram repouso absoluto e medicação apenas para dor. Ele recusa a alimentação. "Yuri teve muita dificuldade para chegar até à sala de encontros. Seu corpo está completamente cobero por manchas vermelhas e ele sente constantes tonturas e náuseas", - disse Iryna.
Tudo isso são consequências da falta de tratamento, que somente poderia ser realizado num hospital, e uma dieta adequada, que a prisão se recusa a permitir". Ela acrescentou que o Provedor da Justiça deve responsabilizar a direção da penitenciária, a qual ignora todos os relatórios médicoss e não toma nenhuma providência para tratamento de Lutsenko, nem dentro da colonia nem no hospital. A cirrose hepática, hepatite e outras doenças graves que ele possui, estão incluídas na lista de doenças que são a base para libertação de prisioneiros", - disse a esposa do ex-ministro.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

ELEIÇÕES: Muita confusão, nenhum resultado

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana). 05.11.2012

Manifestação da oposição em frente ao prédio da Comissão Central das Eleições

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"Nossas exigências para Yanukovych (Não aparece desde o dia das eleições - OK) e Comissão Central das Eleições - reconhecer os resultados da vitória das forças oposicionistas, trazer à justiça todos aqueles que reescreveram atas e roubaram os resultados eleitorais", - disse o presidente da Oposição Unida.

Yatseniuk acrescentou que o presidente "é pessoalmente responsável pelo que acontece durante a contagem". Ele acrescentou que a oposição concorda com novas eleições em circuitos eleitorais onde a documentação foi destruída.




Quando os líderes da "Oposição Unida" (inicialmente uniram-se dois partidos e ficou este nome - OK), o líder do "UDAR" (Aliança Ukrainiana Democrática pelas Reformas), Vitalii Klychko e da "Svoboda" (Liberdade), Oleh Tyahnebok dirigiram-se à sala da Comissão para tentar acordo, o presidente da Comissão Oleksandr Shapoval deixou a reunião e foi para seu escritório.


Milícia alerta, que a minifestação da oposição não é legal.

A justiça, ainda antes das eleições, em 27.10.2012, aprovou a lei que proibe as manifestações no centro de Kyiv até 12.11.2012. Se o povo não dispersar, será forçado a isso.

Depois das primeiras tentativas de dispersar a população, por algum motivo a milícia recuou e a manifestação continua. A população atendeu ao chamado dos líderes, estes pedem participação de mais pessoas na manifestação.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

sábado, 3 de novembro de 2012

COM "TERNURA" TUDO SE RESOLVE...

Berkut a força apoderou-se das atas em Pervomaysk
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 02.11.2012

Em Pervomaysk, onde a luta continua entre o oposicionista Kornatsky e o "regional" Travyanko, Berkut (milícia) a força pegou os protocolos originais.
"A Comissão estava aguardando a continuação dos trabalhos porque haveria algumas especificações. De repente entrou o destacamento do Berkut e, literalmente, roubou as atas", - disse o deputado Genady Moskal.
Havia crianças na multidão.



Quebraram a porta, jogaram bancos nos membros da comissão



Estas são as eleições democráticas, sobre as quais falou o presidente?




Segundo o deputado Moskal, as ações do Berkut foram dirigidas pelo deputado do Partido das Regiões Mayboroda, o qual levou consigo o presidente da Comissão de Apuração e o carimbo






O que sobrou depois da destruição.

"Vestiram máscaras como palhaços e lutam para pegar as cédulas. Tudo porque dois oposicionistas venceram na área controlada pelo Partido das Regiões", - disse Moskal.
Primeiramente, no site da Comissão Central das Eleições apareceram dados da vitória de Karnatsky como resultado de 100% de protocolos. Mais tarde os dados foram modificados, indicando vitória do "regionalista" Travyanko. Situação análoga a outro candidato.

Segundo comentário de um leitor do jornal "Ukrainska Pravda", já são 35 circuitos eleitorais onde os resultados foram falsificados.

Milícia difundiu sua versão em vídeo, declarando que cumpriu a decisão da justiça. O vídeo mostra apenas fragmentos de agressão do defensor do oposicionista. Nenhuma agressão do lado do Berkut.


APERETIVO DE ENCERRAMENTO
 




Tradução: Oksana Kowaltschuk
Videos e foto formatação: AOliynik

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

GIGANTES GLOBAIS NA UCRÂNIA

Dirigente da Shell na Ukraina: Acordo com o governo pode não vigorar
Ekonomichna Pravda (Verdade Econômica), 18.09.2012
Danylo Nesterov, Serhii Shcherbyna
Durante o corrente ano as conversas giram em torno dos eventos que, possivelmente, permitirão a Ukraina livrar-se do gás russo - o desenvolvimento da plataforma do Mar Negro e extração do gás do xisto. (O gás de xisto é inviável devido aos altos custos de extração e baixo rendimento – Cossaco)
Como a Ukraina não tem dinheiro para realização de tais empreendimentos, o governo decidiu atrair investidores. E não são quaisquer, mas os gigantes globais - Shell, Chevron, ExxonMobile.
Os vencedores da concorrência pública foram a Shell que ficou com a plataforma Yuzovska (Donetsk e Kharkiv); a Chevron com Olesky (Lviv) e a ExxonMobile com o trecho Cita da plataforma do Mar Negro.
Agora, devem ser ultimados os acordos com os investidores sobre a divisão da produção. Atualmente realiza-se o processo de harmonização dos contratos. Do lado ukrainiano participa dos acordos o órgão estatal representado pela Companhia Acionária Nacional (NAK) – "Nadra Ukraina". (“Nadra” significa subsolo, entranhas).
Os resultados da concorrência poderiam alegrar, caso não houvesse um significativo "se".
O governo decidiu que a "Nadra Ukraina" não é suficiente e fez entrar no esquema uma misteriosa empresa: a "SPK Geoservice", (SPK = PSA - acordos da partilha de produção). A empresa "SPK Geoservice" deverá criar uma joint venture com a empresa estatal. Exatamente esta joint venture será parceira da Shell, da Chevron e da ExxonMobile.
Aos parceiros da corporação internacional tornar-se-á a empresa registrada num bairro residencial de Kyiv e que pertence a três geólogos desconhecidos, que anteriormente trabalhavam no Instituto Científico de Pesquisa da Indústria do Petróleo (NDI) "Naftogaz". Dada a realidade ukrainiana, imediatamente surgiu a pergunta: quem realmente está por trás desta empresa e se ela não legaliza a tradicional "reversão" para o acesso ao gás ukrainiano? E, em seguida se soube, que o chefe da joint venture é o antigo chefe da contabilidade da NAK "Nadra Ukraina”, Maksym Shyshlov. Ele tem uma relação indireta com a empresa "Tantalit" que tem o domínio do território da residência do presidente Viktor Yanukovych - "Mazhyhiria".
 
Tradução: Oksana Kowaltschuk

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

APURAÇÃO DE VOTOS NA UCRÂNIA

A apuração de votos da última eleição para o parlamento na Ucrania ocorrido em 28/10/2012 transcorre na mais perfeita normalidade, num clima de paz e cordialidade conforme você poderá ver neste vídeo. Nada supera um país civilizado.
 
O Cossaco


APURAÇÃO DA ELEIÇÃO NA UCRÂNIA

À contagem de votos falta transparência, sobram falcatruas
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 30.12.2012

Vários observadores internacionais estão preocupados com a falta de transparência na contagem de votos. Isto eles disseram durante uma mesa redonda organizada pela Missão Internacional, no acompanhamento das eleições na Ukraina.
"O processo de contagem de votos é muito crítico", - disse o presidente da Missão Peter Novotny. Ele observou que as eleições eram competitivas, e os ukrainianos deviam ter tido a possibilidade de apoiar os candidatos de sua preferência.
"No entanto, temos de dizer que em geral a eleição foi afetada por um rosário de violações. Especialmente o uso agressivo de recursos administrativos e em grande escala o suborno dos eleitores." - informou Novotny. Ele acrescentou, que no último mês os observadores já haviam percebiddo o aumento da pressão sobre os candidatos nos meios de comunicação. E que, comparativamente às eleições de 2006 e 2007, houve um significativo retrocesso.


Amostra de comportamentos exacerbados ou hilários

Em Kherson, no circuito 184, os eleitores atacaram os membros da comissão distrital, estes correram gritando. Os moradores locais adentraram ao escritório e prometeram não sair enquanto não fosse realizada a recontagem dos votos. Mas, os membros da comissão distrital recusaram-se à recontagem sem a vinda de três membros da Comissão Estatal de Boryslau porque estão muito assustados. "Isto mostra que a fraude é óbvia". - diz a publicação.
Depois da recontagem o candidato perdedor aproximou-se do que estava vencendo. Foram encontrados 20 boletins em branco. E, em duas seções foram atribuídos seis votos de outro candidato a Mykola Dmytruk do partido governista. Os observadores dizem que tal esquema pode atribuir até 500 votos a mais para o candidato do Partido das Regiões, o que lhe garantirá a vitória.


No circuito Nº 211, o candidato governista, que está perdenddo, exige recontagem em todas as seções do circuito. A presidente não quer fazer a recontagem, diz que a contagem foi correta, mas o vice-presidente insiste. Alguns membros da Comissão se anteciparamm à decisão e abriram as caixas com os boletins. Os observadores dizem que eles misturaram os boletins e vários sumiram.


No circuito Nº 223 usaram os punhos os apoiadores de Pylypyshyn do Partido das Regiões, e seu grupo de desconhecidos que invadiu a sala, contra Yurii Levchenko do Partido Liberdade.
Na noite do dia 30 Yurii Levchenko estava com aproximadamente 1000 votos a frente. Os boletins foram enviados à Central mas, nas embalagens dos boletins de Levchenko fizeram marcas, tornando-os nulos. E, mesmo que haja recontagem tem muitos boletins de Levchenko danificados. Acabaram decidindo pela recontagem. Quando a vice-presidente fazia alterações no protocolo, um partidário de Levchenko tentou fotografar mas um desconhecido bateu na câmera e o flash card voou. Rapidamente foi recolhido por uma participante da comissão que guardou-o em sua bolsa.


No circuito eleitoral 261 onde está vencendo Ksenia Liapin, sumiu a presidente da comissão, juntamente com os protocolos.


Em Vinnytsia é pior que na região de Donetsk, diz o deputado Andrii Pavlovskyi. Segundo ele, desconhecidos entraram no gabinete da administração regional e danificaram as cédulas. Eles destruíram as cédulas do candidato da oposição, do circuito 11. Mas Andrii Pavlovskkyi, prevenido, praticamente está dormindo em cima dos boletins já por duas noites.

Também fizeram isso no circuito Nº 14 onde vencia o candidato da oposição. Foram danificadas as caixas com os boletins que demonstravam a vitória do oposicionista, com uma diferença de 194 votos. Mesmo após a recontagem de votos houveram alterações. A situação continua indefinida.


(Essa situação de entrarem desconhecidos nas seções, para proteger os candidatos governistas, não é que algo vai lhes suceder, eles, provavelmente, são pagos para isso. Como no caso da participação nas manifestações de rua - OK).

Na noite de 28 para 29.10.12, véspera das eleições, cortaram 10 hectares da floresta Bykivnia. Os construtores barbaramente massacraram centenários pinheiros e até cercaram a área. O fato relatou o coordenador-chefe da campanha "Forum de salvação de Kyiv Vitali Cherniakhivskyi. "É evidente que a destruição de áreas verdes, o que afeta a vida de Kyiv, vai durar enquanto os ratos não forem expulsos do Conselho de Ministros e o Parlamento não aprovar a lei sobre moratória e redifinição de construções na Capital". - disse ele.


Tradução: Oksana Kowaltschuk