terça-feira, 15 de janeiro de 2013

GENOCÍDIO NA UCRÂNIA EM 1941

Mais uma etapa do genocídio. Como matavam os encarcerados nas prisões de 1941.
Istorychna Pravda (Verdade Histórica), 06.09.2012
Volodymyr Honskyi

Pego a câmera e volto para fotografar montanhas de cadáveres. Às camaras já não tenho forças para voltar. Depois de uma semana minhas fotos apareceram nas "Notícias de Kharkiv", mas não todas. Algumas foram consideradas demais assustadoras".


Bilhões de crenças enterradas na terra preta,
Bilhões de venturas dissipadas ao pó...
... Se todos enganados recuperassem a visão,
Se todos assassinados revivessem...
Tremam, assassinos, pensem, lacaios!
A vida não rasteja no seu calcanhar.
Vocês ouvem? No cemitério das ilusões
Já não há lugar para sepulturas!
Volodymyr Semonenko, 1962

Por alguma razão, nenhum notável historiador ou político não lembra investigar e dizer-nos (acentuo - não apenas investigar, mas também tornar conhecido) sobre o papel e lugar dos ukrainianos na segunda guerra Mundial, que começou em setembro de 1939, com ataque da Alemanha à Polônia? E por que nós tão raramente e com indiferença lembramos esta data. Como se isto fosse lá com eles, a nós não dissesse respeito.

Quem dos comandantes ou soldados destacou-se na defesa heróica de Varsóvia? Quantos de nós sucumbiram então, durante a guerra germano-polaca? O percentual dos ukrainianos no então exército polonês não era menor que no exército soviético.

E por que os políticos que "unem" Ukraina de Uzhhorod a Luhansk não lembram até hoje que a guerra para Ukraina começou ainda mais cedo: 15 de março de 1939 o exército regular da Hungria com a bênção de Hitler invadiu os Cárpatos Ukrainianos (nome atual - Transcarpathia - Estado ucrainiano independente em 1939) e brutalmente destruíram o país - junto com milhares de patriotas ukrainianos - não somente os transcarpathianos.
Esta foi curta, sangrenta, mas verdadeiramente guerra patriotica. Lutaram voluntários da Halychyna e os "orientais" ukrainianos ( aqueles que conseguiram fugir do Holodomor e repressões), veteranos da UNR (República Popular Ukrainiana), etc.

Aquela guerra, financeiramente e com informação apoiaram todos os ukrainianos, e não somente exemplos epopéicos de valorosas ukrainianos, honra, heroismo, cavalheirismo! Dos quais hoje temos tanta falta para iluminar moral e psicologicamente os faróis, para imunizá-los da brutalidade russófila.

Exército dos Cárpatos Ukrainianos

Retornemos a junho de 1941. Sobre o heroísmo dos soldados soviéticos, abandonados à própria sorte por Stalin e seus medíocres e cruéis comandantes, já foi dito muito. Que a terra lhes seja leve... História conhece alguns exemplos de tão criminosa e indiferente atitude de líderes aos seus soldados. Mas a história não conhece atos satánicos, análogos aos quais eu quero chamar a sua atenção neste artigo. Nos primeiros dias da guerra, nas condições de retirada em massa e agonizante derrota, o regime bolchevique decidiu culminar ao máximo a destruição da elite ukrainiana ou simplesmente os mais ou menos "elementos" de consciência ukrainiana.

 

Corpos de torturados até a morte, estendidos para identificação no pátio da prisão N°1. Rua Lontskoho, Lviv. Junho de 1941.

Através de toda Ukraina expandiu-se onda de prisões e fuzilamentos de dezenas de milhares daqueles que não conseguiram destruir com o confisco de seus meios de subsistência, Holodomores e repressões.
Ao encontro dos escalões com soldados mobilizados do Exército Soviético, para o Oriente , à Sibéria e tundra (não ao front), íam dezenas de escalões superlotados de novos "inimigos da nação".

Como fuzilavam os presos em Lviv, no verão de 1941.

Os presos das cidades e cidadezinhas ocidentais da Ukraina Ocidental (e não apenas - por exemplo Vinnytsia) em geral resolveram pela "Categoria 1", isto é, matar. Através de telefonemas a todos os organismos punitivos regionais enviaram a ordem apropriada. Pena, que o limite dos artigos na internet não permite citar todos os testemunhos documentais dos executores e vítimas. Por isso citarei os dados mais notáveis, com abreviaturas.

Memorando: Sobre a evacuação de prisões das regiões ocidentais da Região de Lviv.
A evacuação iniciou-se no dia 22 de junho. Nas quatro prisões havia 5.424 presos. No primeiro dia da invasão dos alemães na URSS foram fuzilados 2,464 prisioneiroos. Todos foram enterrados nos subsolos das prisões, nos morros e no Jardim de Zolochev.

Região de Drohobych : nas duas prisões: Sambir e Stryi havia 2s242 aprisionados. (Da prisão de Peremyshel não temos dados). Durante a evacuação fuzilaram 1.101 prisioneiros. Ficaram expostos 80 cadáveres, a pedido do chefe da prisão ao NKVD para auxiliá-lo no enterro responderam com recusa. O vigilante Libman suicidou-se. Outro vigilante, Savkun desertou...

Região de Stanislau: De três prisões: Stanislau, Kolomeia e Pechenizhyn evacuaram 1.275 presos. Em Stanislau ficaram 647 prisioneiros, principalmente réus de crimes quotidianos. Os demais foram fuzilados.

Lutsk: na prisão foram fuzilados aproximadamente 2.000 presos e todos os seus objetos pessoais foram queimados.

Ostrog: prisão nº 3 - 77 presos foram fuzilados, cadáveres enterrados.

Berezhany: ficaram sem enterrar 48 cadáveres, 20 no subsolo da administração e 40 foram jogados no rio, sob a ponte.
 

Berezhany no verão de 1941.

Tais declarações de Satanás já encontraram-se muitas. Deve notar-se que os fuzilamentos ocorriam também depois desses relatórios. Os prisioneiros, aos quais os relatórios referem-se como abandonados na prisão, mais tarde também foram baleados. Nos últimos dias antes da fuga dos russos, devido a chegada dos alemães, as execuções realizavam-se já sem listas e, muitas vezes, diretamente nas câmaras. Obviamente, o verdadeiro número de mortos e o nome de todas as vítimas nunca será conhecido. Eles foram enxotados e conduzidos em duas colunas de pedestres, para o leste. Uma das colunas, de acordo com testemunhas, foi destruída próximo do Velho Sambor - os guardas jogaram os prisioneiros vivos dentro das minas de sal de Salina.

Foram estabelecidos apenas poucos nomes. Todas as listas, que não foram perdidas durante o récuo dos "vermelhos", durante anos permaneceram nos arquivos da KGB classificados como "absolutamente secreto".
Muitos anos de pesquisa em diversas fontes permitiram estabelecer o número geral de vítimas do terror nas prisões produzido durante a retirada dos bolcheviques da Ukraina Ocidental - mais de 22 mil pessoas, das quais cerca de 5 mil em Lviv, mais 3 mil - na região de Ternopil.
A Sociedade de Lviv "Busca" com base em várias fontes compilou a lista do martirológio nominal dos assassinados, que continua completando-se. Os resultados da pesquisa da "Busca" foram publicadas no livro "Tragédia da Ukraina Ocidental de 1941.

     
Exumação das vítimas da NKVD em 1941 no pátio da prisão N°2 em Lviv. Em 1991

Os acontecimentos daquela época revelam terror em massa sem precedentes na crueldade e cinismo, que teve ressonância global e foi claramente refletido na imprensa, tanto ocidental ukrainiano quanto a européia.

Após a retirada dos "vermelhos" os habitantes locais correram para as portas das prisões abandonadas. Quebravam as portas das câmaras, na esperança de libertar os detidos. Infelizmente, vivos eram raros.
Em todos os lugares encontravam-se recentes covas, subsolos murados, caldeirões com infelizes cozidos, e montanhas de cadáveres mutilados deixados nas prisões. A destruição dos prisioneiros era acompanhada por indescritíveis tórturas. Isso foi relatado por testemunhas oculares.
Mas previno os leitores especialmente vulneráveis: detalhes destas evidências não são apenas pouco estéticas, mas parecem pouco prováveis àqueles, que leem ou ouvem falar sobre eles pela primeira vez. Talvez, também ao autor. Se ele mesmo não tivessee ouvido de muitas testemunhas, de cuja veracidade não podia duvidar. Eis alguns testemunhos que foram recolhidos pela Sociedade "Busca".

Talvez, pelo menos este choque, estes horrores além dos limites finalmente sacudam a indiferente consciência sovietizada dos escravos mentais da pós-genocida sociedade ukrainiana?

Testemunho de Ivan Chapl

Camponês da aldeia Nahuyevych - Drohobych - Lviv.

Em 1939 nós recebemos o Exército Vermelho com solenidade... Os russos começaram organizar as fazendas coletivas. As pessoas não queriam entrar, então eram espancadas, presas nos porões. Eu trabalhava como ferreiro, não esperava problemas. No dia 22 de junho veio um grupo da NKVD do centro regional. Imediatamente pegaram o ex-diretor da escola rural (já aposentado), o presidente da Sociedade Escolar, o secretário do Conselho da Aldeia, o diretor da escola, e eu. Fomos levados a Pidbuzh onde já estavam aprisionadas outras pessoas: diretor da escola lojista, sapateiro e moradores das aldeias vizinhas.
No dia 26 de junho, às 10h da noite nós puseram num caminhão em direção a Drohobych. Éramos 20 e estávamos sendo acompanhados pelo procurador e 14 milicianos.

Investigação do sepultamento em massa na cidade de Volodymyr - Volyn. Em 1997

Em dado momento o carro parou e recebemos ordem para descer porque a máquina carregada não poderia subir o morro. Devíamos formar duas filas de mãos dadas. A um sinal do procurados todos os milicianos dispararam. Os carrascos abatiam ainda vivos chutando com botas, pás, pés-de-cabra dos quais o crânio rachava. Assim foram assassinados 16 pessoas. Graças ao tiroteio indiscriminado, escuridão e da própria milícia, que se apressava para trazer o próximo lote de aprisionados, nós quatro conseguimos sobreviver.
Não sei como o procurador ficou sabendo, mas no dia seguinte ele veio me procurar. Mas, eu ferido, fui bem escondido pelos parentes. Com certeza, os carrascos ficaram preocupados em deixar uma testemunha viva, mas não conseguiram esconder seu crime.

Quando os bolcheviques fugiram com a aproximação dos alemães, as pessoas foram buscar os assassinados. K. Kaminskyi tinha o corpo todo cortado. S. Dum'iak tinha a barriga toda cortada. A Ivan Dobrianskyi abriram o peito, retiraram o coração e a cavidade encheram com capim. E tais tiranos eram os nossos "libertadores". Por que eles matavam civis inocentes? No entanto, ninguém pode destruir a palavra viva e o espírito da nação que ama a liberdade.

Testemunho de Ivan Kindrat
Nasceu em 1923, doutor em medicina, Rochester, EUA.
"Em junho de 1941 eu morava numa habitação coletiva estudantil na Skarbivska, 10, em Lviv. No dia 29 aproximavam-se os exércitos da Wehrmacht, a cidade estava em pânico e caos. Permaneciam na cidade tropas de designação particular da NKVD.
Um amigo, que morava em frente da prisão "Lontskoho", contou que na noite de 28 de junho ouviu tiros e gritos enlouquecidos. Nós, quatro estudantes, saímos para um reconhecimento. Cimentado agora, mas fechado então, o portão explodimos com algumas granadas.

Ao entrar vimos 8 pessoas, homens e mulheres, mortas, perto da parede - ainda duas mulheres ainda vivas, mas ensanguentadas e desmaiadas. Depois descobrimos que não eram prisioneiros e sim funcionários , que foram destruídos por último para não haver testemunhas do crime sangrento. As duas mulheres faleceram. Todos os dez foram mortos com perfurações de baionetas. Alguns com vários ferimentos no peito e barriga.

Pecado do comunismo. Todos nós devemos nos arrepender, como fizeram os alemães.

Do quintal entramos numa sala grande, com cadáveres até o teto. Os que ficavam embaixo ainda estavam quentes. Suas idades - de 15 a sessenta anos, mas a maioria de 20 a 35 anos. Estavam deitados em várias poses, com olhos abertos e máscaras de horror no rosto. Havia várias mulheres.

Na parede esquerda estavam crucificados três homens, mal cobertos com roupas a partir dos ombros, com o seu membro genital cortado. Sob eles no chão, meio sentadas e inclinadas - duas freiras, com aqueles membros na boca.

As reveladas por nós, vítimas do sadismo da NKVD foram mortas com tiros na boca ou no pescoço. Mas a maioria foi apunhalada com baioneta na barriga. Uns estavam nus, ou quase nus, outros em roupa decente de rua. Um usava gravata, provavelmente acabou de ser preso.

 
  
 Investigação da sepultura em massa próximo de Ivano-Frankivsk. Demyaniv Laz. 1989. (Demyaniv Laz - Laz de Damyan.

Nota: Laz é um carreiro estreito na mata usado pelos animais; escotilha, abertura, acesso).

Do alojamento central, inundado com poças de sangue, saem dois corredores. Eu segui pela direita, na esperança de encontrar pessoas vivas. Primeira câmara: do gancho na parede pendia enforcado com barbante um homem vestido com calça militar e botas. Sua altura era acima do gancho. Na parede ao lado estava rabiscado "Que viva Rússia livre". vítima - major da aviação soviética.
A uma dessas câmaras foi difícil entrar. Do outro lado da porta - vários corpos com rosto encostado numa fenda da porta. Acabavam de queimar os restos de gás venenoso - cheiro de ovos podres

Na próxima câmara - duas muito jovens e lindas até pós a morte mulheres, enforcadas, com cordas no pescoço. Ao lado dois bebês com crânios estraçalhados. Perto da porta - manchas frescas do cérebro derramado.

Mais uma manifestação selvagem - dedos cortados, retiradas tiras de pele nas costas. Iniciavam enrolando o começo dessas tiras num pedaço de madeira e diariamente prosseguiam. Quando terminavam uma tira - começavam outra. Cuidadosamente cortavam com bisturi, esterelizando os lugares anteriores, para que o torturado não morresse prematuramente.

Demyaniv Laz. Genocídio da Halychyna(1)


[...] Entro numa dependência maior, com mesa no meio. Na mesa está amarrado um homem nu com o rosto incrivelmente retorcido. O corpo é coberto por uma redoma de vidro. Na barriga - feridas com estranhos buracos. De repente, do buraco rastejam para fora, um atrás do outro, vários ratos. Este - um de vários métodos de tórtura da NKVD. Sob a redoma, ao prisioneiro vivo, colocam ratos famintos.

Acabou. As forças me abandonaram. Parece que perdi, nesta hora, 12 anos de vida. Meio inconsciente do horror, corri para fora da prisão. Nenhum de nós se deparou com vivos.
Numa loja semi destruída pego uma câmera e volto para fotografar a montanha de cadáveres, padre crucificado e freira na sala principal.. Às câmaras não tenho mais forças para voltar. Dentro de uma semana minhas fotos apareceram em "Novidades de Krakiv", mas nem todas, algumas foram censuradas. Crimes tão selvagens não ariscaram publicar. Posteriormente, em 1943 eu enterrei estas fotos na horta próximo de casa". (Com a volta do domínio russo seria perigoso conservá-las - OK).

Memórias de Mikhailo Mirus
Nascido em 1929, morador de Chotkov, Ternopil.
"Ouvindo que os alemães que entraram na cidade, abriram a cadeia, eu, como outros moradores de Chortkov, fui lá. O visto impregnou-se em minha memória com uma imagem terrível para toda vida. Ao comprido dos muros estendiam-se os gramados com canteiros de novas flores. O espaçoso terreiro estava vazio. [...] Marido e mulher, ambos mortos, encostados na parede e escorados com estacas para não cair. Ele, com o órgão sexual amarrado com arame farpado, ela, com um feixe do tal arame dentro do órgão sexual. [...]
 

           Demyaniv Laz. Carcaças sobre a roupa dos torturados.

Em todo o espaço da primeira dependência foi escavado um buraco, cheio de cadáveres. Em cima deles foi pulverizada uma fina camada de terra. É evidente que o trabalho não tinha terminado. Em cima ainda havia dois cadáveres, provavelmente os executores desse trabalho. Ali estavam também as pás.
O rosto do homem estava como queimado ou escaldado, enegrecido. No meio encontrava-se um tanque de metal, a partir do qual partiam tubos da grossura de um braço. Daqueles tubos avançava um vapor que corroía a carne. Sob os olhos, dos sufocados pelo vapor - saquinhos. Orelhas já não havia, cairam, os narizes também.

Memórias de Yulian Pavliv
Nascido na aldeia Narayev, Ternopil. Em 1930.
"Na primavera de 1941 na aldeia Narayev, como em outros locais, eram aprisionados os representantes de inteligência local, inclusive minhha tia Ivanna, professora da aldeia. Em junho de 1941 saiu a sentença. Dos 19 aprisionados 3 receberam a pena de morte. Os aprisionados estavam detidos em Berezhany. Com o início da guerra a aldeia esperava a volta dos prisioneiros. Ao invés disso vieram notícias de pavorosas torturas. No início de julho os parentes partiram em busca dos entes queridos e, por segurança levaram os adolescentes de 10 - 12 anos. Lá nos encontramos montes de cadáveres danificados nos subsolos.

Nos Carpatos encontraram vítimas da NKVD enterradas

Regadas com sangue câmaras e corredores. O rastro de sangue conduzia ao pátio. Lá já estavam deitados em filas os corpos sem orelhas e narizes e rostos enegrecidos. O calor de julho já provocava um terrível mau cheiro. Ecoavam choros, gritos de desespero, blasfêmias.
Tia Ivanna nós encontramos na margem do rio Zolota Lypa (Tília de Ouro) próximo do castelo, que NKVD usava como câmara de tórturas. Ao lado havia ainda dois homens, alguém cobriu seus corpos nus e desfigurados. O corpo da tia Ivanna, dos pés aos ombros, estava coberto de profundas aranhaduras. Rosto enegrecido. Removido o trapo da boca - língua arrancada.
De lado a lado feridas de faca, barriga cortada de baixo até o peito, garrafa enfiada no órgão sexual. Mais duas moças de Narayev foram barbarizadas deste modo. Outros corpos não tinham menos sinais de torturas: olhos retirados, órgãos sexuais cortados, dedos cortados, cabeças esmagadas.

Os habitantes locais nos contaram, que durante a semana ao redor da prisão atroaram os motores dos tratores, o que não conseguiu afogar completamente os gritos de torturados. Procuravam os seus familiares principalmente pela roupa. Longa foi a pesca dos corpos no rio Zolota Lypa, onde foram lançados pela NKVD. Por vários quilômetros flutuavam na água colorida com sangue e até a represa na aldeia Saranchyky, onde os desfigurados e assustadores cadáveres eram pegos e enterrados pelos aldeões. Os não reconhecidos enterravam em valas comuns. Muitos assassinados foram enterrados em aldeias próximas.

       
(carcaça de crânio): Escavações do Demyaniv Laz. Mordaça no crânio da vítima.

Os habitantes de Narayev encontraram e enterraram 12 torturados de sua aldeia. Corpoos de mais três condenados à morte foram encontrados no outono, num buraco, cobertos com pedra, próximo à floresta de Berezhany. Um deles, T. H. Pavliv tinha as pernas cortadas. Quatro não foram encontrados. 15 dos 19 assassinados da aldeia tinham menos de 23 anos.
Agora observem a seguinte evidência. Esta "história dos fuzilamentos" contém únicos quadros do momento e tecnologias do ato do crime do império-bolchevique. Tais amostras são únicas porque outras dezenas de milhões de indivíduos do Universo silenciaram para sempre.

Testemunho de Yaroslau Rozhyi
Aldeão de Romaniv. Peremyshyl. Lviv
Era junho de 1941. À câmara sempre traziam novos prisioneiros das aldeias de Biberechen. Junto ao portão sempre ficava um policial ukrainiano. Certo dia, à tardinha, ele nos disse: "Rapazes, aqueles diabos novamente foram a algum lugar!" E nós lhe dissemos: "Então abra o portão e solte-nos." Mas ele respondeu que as chaves a NKVD levou. "Levem os bancos e quebrem as grades". O advogado Kultchytskyi explicou-nos que isto poderia ser uma cilada, que nem os bolcheviques poderiam condenar sem decisão do Tribunal (o advogado, ingênuo e honesto, ainda não sabia como agia NKVD). Voltando, a NKVD começou levar um por um ao subsolo e fuzilar. Nós chegávamos até a porta e escutávamos. Korolyk chorou muito quando foi conduzido. Mas Mykola Duchii foi quem mais implorou: Camaradas, eu sou seu pobretão, tenho mulher e filho, por piedade, não me matem!" Aqueles apenas riam, e um deles disse: "Não é nada, é exatamente como arrancar um dente: dói - uma vez e acabou!" Depois ouvimos tiros no subsolo.

        
Demyaniv Laz. Crânios dos torturados, preparados para perícia.

"Depois de várias execuções, "troika" (trio) da NKVD ia para dyzhurku", provavelmente beber vodka, porque quando eles vieram a mim, deles exalava vodka. De minha morte eu tinha certeza, quando me chamaram. Dois me pegaram debaixo dos braços, o terceiro com revólver caminhava atrás. Levaram-me para subsolo. Já no limiar do porão escuro, os dois que me seguravam, largaram e o terceiro colocou a mão no meu ombro. Num segundo eu, de algum modo senti-o levantar o braço direito e, parecia, que ouvi o estalo do revólver. Eu,momentaneamente virei a cabeça. Houve um tiro!
E, como hoje lembro, que caí em cima de quentes corpos humanos. Quanto tempo fiquei inconsciente, eu não soube. Depois, na escuridão, de algum modo readquiri a consciência. Pensei estar em outro mundo porque lembrei que fui baleado.
A primjeira impressão foi a intensa dor nas pernas e braço. Doíam muito. Minha boca estava cheia de sangue quente, salgada. Sobre mim havia algo pesado. Este peso, vagarosamente consegui empurrar. Era o cadáver do advogado Kultshytskyi que nos convencia não fugir porque ele conhecia os códigos bolcheviques. Eu tinha furadas as duas bochechas e estava deitado numa pilha de cadáveres. Alguém nesta pilha ainda rouquejava [...]"

        
Demýaniv Laz. Tranças femininas com crânios, retirados de outro túmulo.

Infelizmente, muitos outros testemunhos e documentos precisarão ser retirados para além deste artigo. Mas no final eu compartilho com vocês a eterna saudade de muitos conterrâneos, que eles manifestaram outrora à minha mãe de Kharkiv.

Nos anos trinta a juventude da aldeia Holyn de Ivano-Frankivsk, como em toda Ukraina Ocidental delirava com liberdade. Era uma fé pessoal, sonho, fator de honra, sustentáculo da moral pessoal e da comunidade.

Os melhores foram para subterrâneos da OUN (Organização dos Nacionalistas Ukrainianos). Os mais moderados absorviam literatura e história ukrainiana, etc. Grande quantidade da juventude de Haluchyna tornou-se ativista da "Prosvita" (cultura, educação, civilização) - dedicada à representação de teatro ukrainiano, poesia, corais e ... futebol.

    
Demyaniv Laz. Perfuração quadrada no crânio. Apenas o Exército Vermelho possuía baionetas quadradas.

E ais que após a "libertação" de 1939, em um dia, somente num dia sumiram 14 jovens da aldeia Holyn. Alguém descobriu que eles foram levados pela NKVD. Mas, somente no início da guerra em 1941 os familiares puderam visitá-los na prisão de Ivano-Frankivsk (então Stanislavsk) - para encontrar seus corpos.

O sangue estava por toda parte. Exatamente como nos relatados testemunhos acima. Demoraram para encontrar os corpos queridos entre centenas de cadáveres. Eles foram encontrados numa das câmaras de tortura. Lembro-me bem da descrição do corpo do jovem que estava prestes para se casar com sua linda menina.

E, eis seu corpo crucificado, pregado na parede. E, na barriga aberta... estava a cabeça de sua amada...
Tudo!!! Introduza-se a terra e o céu ao rugido do meu sofrimento. Viver não apenas por nós mesmos - nós temos de viver também por eles. Este é Vasyl Semonenko. A ele, aliás, os carrascos do império permitiram viver apenas aos incompletos 29 anos. "Dolorosamente ele amava Ukraina".

(1) Halychyna é o nome da região das tês províncias: Lviv, Ivano-Frankivsk e Ternopil.

Neste artigo foi aproveitado o material do Centro de Pesquisa do Movimento de Libertação, Museu de Ocupação Soviética, "Memorial de Kyiv" em nome de V. Stus, sociedade "Busca"; aos quais o autor é imensamente grato pelo trabalho santo.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: AOliynik
 
 

domingo, 13 de janeiro de 2013

ANO NOVO UCRANIANO

Caros Conterrâneos:

Desejamos a todos um BOM ANO.

Os Editores Oksana e Anatoli.


Com Velho Ano Novo
Pelo calendário Juliano o Ano Novo na Ucrânia se comemora no dia 14.


Feliz Ano Novo!
 



HISTÓRIA DO CALENDÁRIO
 
O calendário gregoriano surgiu em virtude de uma modificação no calendário juliano, realizada em 1582, para ajustar o ano civil, o do calendário, ao ano solar, decorrente do movimento de elipse realizado pela Terra em torno do Sol. Antes de Júlio César (100 a.C. – 44 a.C.), o calendário que vigorava em Roma era dividido em 355 dias e 12 meses, o que causava um grande desajustamento ao longo do tempo, pois as estações do ano passavam a ocorrer em datas diferentes. Quando se tornou ditador da República romana, Júlio César resolveu reformar o calendário para adequá-lo novamente ao tempo natural.
Para isso, foi necessário criar, em 46 a.C., um ano com 15 meses e 455 dias para compensar a defasagem, este ano ficou conhecido como o “ano da confusão”. A reforma de Júlio César instituiu o ano depois de 45 a.C. com 365 dias e seis horas, divididos em 12 meses, o que conseguiu resolver o problema durante um tempo. As seis horas que sobravam de cada ano seriam compensadas a cada quatro anos com a inclusão de mais um dia em fevereiro, os dias bissextos.
No entanto, ainda persistiu a defasagem entre o ano do calendário e o ano natural, sendo que durante a Idade Média foram várias as tentativas de resolvê-la. O Concílio de Trento, realizado em 1545, decidiu pelas alterações no calendário da Igreja, cabendo a Gregório XIII instituir o novo calendário, que passaria a se chamar calendário gregoriano em sua homenagem. Para adequar a data da Páscoa com o equinócio de primavera no Hemisfério Norte, o papa Gregório XIII ordenou que o dia seguinte a 4 de outubro de 1582 passasse a ser o dia 15 de outubro. Um salto de 11 dias! Para diminuir a defasagem, os dias bissextos não ocorreriam nos anos centenários (terminados em 00), a não ser que fossem divisíveis de forma exata por 400.
A maior parte do mundo católico aceitou a mudança, mas foram vários os países que rejeitaram a alteração, fazendo com que mais de um calendário existisse no mundo cristão. Os últimos países a adotarem o calendário gregoriano na Europa foram a Grécia, em 1923, e a Turquia, em 1926.

Por Tales Pinto


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

HOMO SOVIETICUS

Pessoas da multidão: como formava-se o homo sovieticus
Tyzhden (Semana), 07.12.2011
Serhii Hrabovskyi

O futuro brilhante do comunismo deveria tornar-se uma consequência direta do terror em massa, denúncias, sauqes, atitude desprezível à moral humana.
 

Futuro brilhante, felicidade e prosperidade de toda a humanidade - para menos o Partido Bolchevique não estava de acordo e para esta meta do programa conduzia as nações com mão de ferro. Ao mesmo tempo esse futuro brilhante era para ser uma consequência direta do terror em massa, denúncias e saques, atitude desprezível a toda moral humana e às "desnecessárias à revolução do proletariado aquisições culturais".

A unidade dialética desses dois princípios do bolchevismo com sucesso encarnava-se na prática. "Roube o roubado!" - conclamava Vladimir Ulianov Lenin, e rapidamente, assim que acabaram os "não degolados burqueses e kulaks", as massas partidárias gostosamente iniciaram tirar as excessivas propriedades de seus próprios companheiros bolcheviques. "A coersão proletária em todas as suas formas, começando pelos fuzilamentos e finalizando com trabalho obrigatório, é um método de criação da humanidade comunista, da humanidade material da era capitalista", - escrevia o líder teórico Nikolai Bukharin. Não se completaram duas décadas, quando em estrita conformidade com esta fórmula ele, a exemplo de milhões de outros, e sob estrondosos aplausos de outros trabalhadores, foi conduzido ao subsolo para fuzilamento. "Viver se tornou melhor, companheiros. Viver se tornou mais divertido", - resumia Josef Stalin, e deu ordem à liderança da NKVD para preparar-se ao Grande Expurgo no partido e no exército. O povo aprovou "as atividades sabias do partido e do governo", os escritores exigiam "não apiedar-se dos cachorros loucos", as crianças renunciavam aos pais, e esposas - a maridos. Havia, é claro, exceções, mas elas desapareciam em campos de concentração. "A compaixão rebaixa a pessoa", - ensinava grande sabedoria à nação o grande escritor do proletariado Maxim Gorky. E com tanto sucesso ensinou que, mesmo depois de quatro décadas após o Grande Expurgo, que em maioria das testas inteligentes e iluminadas permaneceu o hábito de cruzar para outro lado, durante um encontro casual na rua com alguém expulso do trabalho "politicamente incerto" colega ou membro da família de preso político...

Mas o lado da "unidade política da nação" tinha o seu reverso sombrio. A nomenclatura, começando de escalões superiores e terminando nos inferiores, saqueava "a propriedade nacional"; e nisto a nação apoiava amigavelmente. Na época de Stalin - devido ao Holodomor, depois - pelo princípio, ainda mais tarde - para a continua melhoria de sua prosperidade. Aos ladrões, que carregavam para casa tudo o que era possível, das fábricas e kolkhozes, a gazeta "Pravda" carinhosamente chamava "carregadores." Àqueles, que excessivamente se afundavam além da conta, castigavam. Por exemplo, o secretário do Presidium do Soviete Supremo da URSS Mikhail Heorhadze, de quem em novembro de 1982 confiscaram valores no valor de seis bilhões de rublos. (Mas o qual depois do suicídio foi enterrado no Cemitério Novodivychyi em Moscou e a questão não foi divulgada porque recebia subornos conforme solução de questões, segundo "caso Leonid Ilitch"). Então não é em vão que não poucas pessoas lamentam por aqueles tempos de corrupção geral: "Os comunistas roubavam, mas também davam para nós."

No entanto, não cabe colocar nos bolcheviques toda a culpa pela excitação das piores qualidades humanas, animalização dos instintos de amplas massas. Neste plano Lenin - Bukharin - Stalin e companhia foram fiéis seguidores de dois barbudos fundamentais da "doutrina do proletariado".

"Reino da Liberdade" sobre fundamento de terror
Mais de século e meio atrás, o jovem Karl Marx, apoiando-se em seus escritos na idéia de Hegel de necessidade histórica, definiu a teoria de justiça da sociedade universal que baseava-se na liberdade espiritual, prosperidade material, elevada cultura Mas, no caminho para o tal reino da liberdade (ou comunismo), de acordo com Marx, está o sistema capitalista, que naquele tempo já preponderava na Europa Ocidental. O principal fator que impede a possibilidade de organização de uma sociedade feliz, é a propriedade particular dominante, especialmente dos meios de produção, quando a maioria dos criadores das riquezas materiais e espirituais revelam-se por assim dizer, com nada a ver com a distribuição e uso deles, quando estes benefícios confrontam seus criadores. E é porque através de uma revolução violenta e sangrenta precisa destruir a propriedade privada, "expropriar os expropriadores", e deste modo passar para o reino da liberdade, onde se revelará, plenamente, a essência criadora humana. Além do mais, exatamente durante a revolução sangrenta a sociedade deve renovar-se e purificar-se. O portador dessas mudanças, única classe social "correta", é o proletariado industrial, a parte mais ignorante e oprimida da sociedade, que de acordo com a lógica dialética de Marxx é a herdeira de toda a cultura clássica da humanidade, sua filosofia, arte e tecnologia. Outras classes desapareceriam (de que maneira, Marx não detalha) no turbilhão da revolução.

Muitos detalhes concretos e interessantes de tais mudanças estão contidos em minuciosos extraídos com alter ego de Marx, de Friedrich Engels, "Princípios do Comunismo", que se tornou a base para elaboração do bem conhecido "Manifesto do Partido Comunista" - até ao terror político e criação de Campos de concentração" (lugares especiais sob guarda"). O objetivo de todas essas ações é denominado com muita clareza: "Concentrar nas mãos do Estado todo capital, toda a agricultura, toda a indústria, todos os transportes e todas as trocas." E essa concentração é o totalitarismo em sua forma concluída. Portanto os marxistas russos foram, neste sentido discípulos fiéis e coerentes de Marx e Engels.

Eram eles alunos também de outras questões. Engels amplamente utilizava a concepção de nações contarrevolucionárias. Editada por Marx "New Rheinische Zeituyng" ele escreveu: "Entre todas as nações grandes e pequenas da Áustria, somente três eram portadoras de progresso, ativamente influenciavam na história e até agora conservaram a vitalidade: são os alemães, poloneses e hungaros. Por isso agora eles são revolucionários. A todas as outras grandes e pequenads nacionalidades e povos pertence, no próximo futuro, morrer na tempestade da revolução mundial. Por isso eles agora são contrarrevolucionários".

Então não eram apenas burgueses que deviam desaparecer no turbilhão revolucionário...

Em outras palavras, a ideologia totalitária do comunismo já nos seus primórdios incluía o terror como atributo social contra classes hostis, e terror étnico contra nações contrarrevolucionárias. Estes componentes no liame dos bolcheviques os levaram a um estado de perfeição e incorporação na prática social em todo o território controlado. E, será possível o terror em massa, assassinatos sem julgamento e confisco das propriedades (desde fábricas até calças e galochas) de dezenas de milhões de pessoas, além de aproveitar e inflamar os institnos mais brutais de amplas massas? Além da conversão dos "expropriadores"os quais, talvez, iniciaram suas ações com pensamentos ideológicos) em ladrões banais, que entregaram sua mente, honra e consciência para plena disposição do comitê central do partido.

O curso dos acontecimentos históricos brindou os experimentadores sociais, ajudando-os no principal - na alteração da natureza do homem massa.

Centenário da Multidão
Quando Karl Marx escrevia sobre as ações dos proletários de todos os países e sua união, ele pensava com categoria especulativa hegeliana. No entanto, no século XX o coletivo social e o sujeito nacional torna-se uma realidade empírica. A informação necessária para sua atividade vivencial, começou circular "dentro" dele com auxílio de meios técnicos, praticamente instantaneamente. Espalhadas no espaço as massas humanas começaram operar em sincronia no tempo, relacionava-se isso com a ofensiva no front, manifestações de partidos políticos de oposição, auditório engolindo espetáculos "diante do microfone" com a participação de famosos atores ou produtivos ciclos das cadeias de produção. Não foi casualmente que na noite de 24 para 25.10.1917 Vladimir Ulianov Lenin exigia dos participantes da reviravolta primeiramente dominar "correios, telégrafos, telefone" e a mais poderosa na Rússia rádio estação de Tsarskoye Selo. Sem esses recursos (de cujos valores não tinham consciência nem os democratas nem conservadores) a potência total do governo seria impossível. Como a propaganda contínua na qual deveria apoiar-se este governo mediante domínio simultâneo de influência ideológica de qualquer número de massas (precisava apenas estender as linhas telegráficas à região desejada e deixar lá as instalações, o que fizeram na URSS um pouco mais tarde colocando nas ruas e apartamentos "pratos" reprodutores, de cujo som esconder-se era impossível.

Complexos gigantes industriais e megalópoles, onde se concentravam milhões de pessoas que viviam no mesmo rítmo, contribuíram aos processos de massificação e unificação do meio não apenas dos funcionários, como do gerenciamento.

A Primeira Guerra Mundial que começou em 1914, assinalou prejuízo de vida individual, devido à criação e introdução à ação de modos de destruição em massa, surgimento de onipotentes órgãos políticos de repressão e dos meios de comunicação facilmente usados como meios de propaganda para massas. Desmoronaram os tabus culturais presentes até então para autodefesa de ações humanas, normas morais, percepções sobre o valor de vida, dos outros e sua. Significação, parece, adquiriram somente ações coletivas de classe e nacionais, unidas com auxílio de comunicações e multiplicados pela técnica. Renúncia de próprias aspirações, seus bloqueios, afastamento ao subconsciente para "dissolver-se" na entidade coletiva, tornaram-se normas sócio-culturais para muitas nações, que por várias razões encontraram-se no limite da catástrofe nacional. Impossibilidade de ser a própria pessoa na situação de turbolência total conduziu à sacramental "fuga da realidade" (Erich Fromm). Real tornou-se apenas o que se associava com o curso de ações da "grande entidade coletiva", que no nível empírico sobressaía com o aspecto de maiores ou menores multidões.

E então, a sua ideologia Lenin, Trotsky e Stalin (e mais tarde os socialistas antimarxistas da espécie de Mussolini e Hitler com Goebbels sustentaram recomendações práticas para manipulação de multidões traçadas pelo pensador francês Gustave Le Bon. Seu livro "Psicologia de Nações e Massas", sublinhado e com cantos de páginas dobradas, encontrava-se sobre as mesas de todos os líderes totalitários acima, servindo-lhes um roteiro peculiar para o futuro.

Interessante. Le Bon foi um adversário ferrenho do socialismo, em qualquer de sua variedade, mas sem ele as experiências totalitárias socialistas, provavelmentee seriam improváveis de sucesso.

Marx, realizado segundo Le Bon Explorando o fenômeno da multidão, Le Bon concluiu que, sob determinadas condições o conjunto de indivíduos, independentemente de sua nacionalidade, profissão ou gênero recebe novas qualidades, substancialmente diferentes daquelas que caracterizam os participantes individuais desta reunião. "A personalidade consciente desaparece, sendo que os sentimentos e idéias de todas as unidades, que compõem o todo da multidão, obtem uma direção. Forma-se uma alma coletiva, que tem, naturalmente, caráter temporário, porém determinadas características". O que, de fato, é necessário àqueles que buscam mudar o mundo segundo seus interesses.

"Principais propriedades da multidão: assassinato (impunidade), contágio (difusão de idéias), sugestibilidade (você pode até ser obrigado ver o que não existe), desejo de implementar suas idéias, imediatamente, à vida. A psicologia da multidão parece psicologia de selvagens, mulheres e crianças: impulsividadee, irritabilidade, incapacidade de raciocínio, ausência de reflexão crítica, sensibilidade exagerada. O seu comportamento é instável, porquanto reage a impulsos. Estão ausentes as dúvidas..."

E, ainda algumas conclusões de Le Bon, distinguidos por Lênin e Stalin:

"O indivíduo na multidão acumula, somente graças à quantidade, noção de sua força maior, e esta consciência lhe permite a possibilidade de entregar-se a instintos, aos quais nunca daria liberdade quando age individualmente. Na multidão ele é menos inclinado a domar esses instintos, porque a multidão é anônima e não é responsável por nada. O sentimento da responsabilidade, que sempre restringe os indivíduos isolados, desaparece completamente na multidão."

" O indivíduo, depois de passar algumas horas entre a multidão, ou sob a influência de correntes que emanam dela, ou por qualquer outro motivo não conhecido exatamente, vem rapidamentee a tal estado que lembra muito um sujeito hipnotizado. Essa entidade em consequência da paralisia de sua consciente vida cerebral torna-se escravo de atividade inconsciente de sua espinha dorsal, cujo hipnotizador dirige de acordo com suas preferências. A personalidade conscientee no hipnotizado desaparece totalmentee, assim como a vontade e a inteligência, e todos os sentimentos e pensamentos são dirigidas pela vontade do hipnotizador".

Tornando-se parte de uma multidão organizada, a pessoa desce diversas posições na escada da civilização. Isolada, ela, possivelmente, continuaria culta, educada; na multidão torna-se bárbara, age por instinto. Ela apresenta tendências para tirania, violência, fúria, mas também o entusiasmo e o heroísmo, inerentes ao homem primitivo, semelhança com a qual reforça-se pelo fato de que na multidão, ela, extremamente fácil submete-se a palavras e imaginações que não teriam nela, isolada, nenhuma influência, e executa ações que claramente contrariam seus interesses e hábitos. Indivíduo na multidão - é um grão de areia entre incontáveis outros grãos, levantados e levados pelo vento.

A história do século XX, aos nossos olhos, demonstrou a validade dessas conclusões.

Certamente, a multidão (e em habilidoso uso de comunicação e quebra de tabus sociais e culturais em consequências de grandiosos cataclismas, nações inteiras transformam-se no sistema de multidões capazes não somente para ações amorais e destrutivas, mas também heróicas e nobres. Mas as últimas não dependem tanto da disposição interna da multidão, como de uma hábil manipulação dela. Afinal, segundo Le Bon, "o juizo da multidão sempre lhe é imposto e nunca são resultado de ampla discussão." E, visto que "sejam quais forem as idéias impostas à multidão, elas podem se tornar dominantes apenas sob as condições de forma o mais categorica e o mais simples" porque "os crimes da multidão são sempre provocados por poderosas sugestões. E os indivíduoss, que participaram de suas realizações, estão convencidos que apenas cumpriram com sua obrigação", e inicialmente prometida pelos líderes como resultado disto "a grande vitória, grande milagre, grande esperança", então é claro, Lenin, Trotsky, Bukharin ou Stalin eram a priori muito mais inteligentes e próximos com as massas no pós-imperial território nos anos 1917-1921, que quaisquer indolentes intelectuais ou ilustrados generais.

Continuando, o sistema stalinista de terror e propaganda combinados, acrescentava todos os esforços, para que as multidões não se tornassem nações mas, manipulados pelo governo, indivíduos - indivíduos auto-suficientes. É claro que Marx, com seus alvos iniciais (com todas as suas contradições e esquisitices) e principalmente enredos parlamentares, foi empurrado para trigésimo plano, e dominantes, afinal de contas, prevaleceram os slogans tradicionaiis dos "Centurias Negras" dos tempos do Império Russo, mal veladas com bandeiras vermelhas. E o que é interessantee, o que não inclui Le Bon: a permanência da população da URSS em constante proximidade vivencial conduziu a que novas gerações trouxessem inatas as piores características de "pessoas da multidão".

O que teve influência negativa quando apareceu a possibilidade de liberdade.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

DO BAÚ DA HISTÓRIA

Lembre. Reverencie! Martirológio dos fuzilados em Sandormakh

Em 27 de outubro de 1937 na floresta de pinheiros próximo a cidade Myedvyezh'yehorsk foram ouvidos tiros direcionados aos prisioneiros políticos da assim chamada "etapa de Solovetsky". Juntos eram 1.111. Aproximadamente metade - russos, 163 - ukrainianos, 135 - judeus, 40 - bielorrussos, 31 - alemães, 30 - poloneses...

Lembramos que, em 05.08.1937 sob a ordem de NKVD - URSS N° 00447 (Comissariado do Povo dos Assuntos Internos - União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) entrou em vigor a resolução do Politburo do PCUS(b) (Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética) - de 02.07.1937 L 51/94 "Sobre os elementos anti-soviéticos".

Iniciou-se a maior "limpeza" da sociedade, de toda a época soviética. Dirigia-se aos elementos que consideravam-se não adequados à construção do comunismo. A base teórica para esta resolução preparou o novo comissário da NKVD Mykola Yejhov, foi editada pelo próprio Stalin. O PCUS(b) propôs submeter ao Comitê Central os componentes dos órgãos extrajudiciais - "trios", e também a quantidade de pessoas sujeitas a serem executadas ou exiladas.

Os "trios" (tróikas) da NKVD, eram órgãos extrajudiciais que existiram na URSS nos anos 1937 - 1938, formados no nível regional. Compunham-se, geralmente, do superior da NKVD, do secretário do Partido e do procurador.

Para cada república, província, cidade ou distrito determinavam-se as quotas de pessoas para repressão. Para categoria I e II (I - fuzilamento, II detenção). Dos órgãos subalternos vieram relatórios que excediam o número de quotas determinado. Desencadearam-se competições socialistas, competição para superação de limites, pedidos e exigências para aumento das quotas, especialmente para categoria I, apresentavam-se "contraplanos". Por exemplo, o comissário do povo, de Assuntos Internos da URSS, Izrael Leplevskyi três vezes pediu pelo aumento da quota. O comissário designado após fuzilamento de Leplevskyi, Aleksandr Uspenskyi - pediu duas vezes. E Moscou os contemplava.

A ação dos "trios" estendia-se a todas as categorias da população. Sob a repressão podiam encontrar-se os "kulaks", os "criminosos", os "contrarrevolucionários" de diversos matizes, os "insurgentes", os "religiosos", os "espiões", os "trotkistas", os "aldeões", os "membros dos partidos de oposição", os diversionistas", os "sabotadores" e a "inteligência ukrainiana", a qual, de acordo com Stalin "não merecia confiança."

Os "trios" combinavam a investigação, processo, julgamento e execução da sentença. Todo processo realizava-se em 10 dias. Não se previa a participação de advogado e, às vezes, nem do acusado, apelação da sentença e petição de clemência. A sentença executava-se imediatamente após a sua aprovação.

O cumprimento da referida "limpeza" teve lugar também nos campos de concentração. Assim, o superior da prisão de Solovky de especial designação, Ivan Apeter recebeu ordem para compilar uma lista para fuzilamento de 1.825 prisioneiros. Outro grupo de 507 prisioneiros foi fuzilado em Leningrado em 08.12.1937, 200 em Solovky em 14.02.1938.

O destino da chamada "etapa de Solovky", de 1.111 pessoas tornou-se conhecida apenas em 1997. Foram fuzilados em 27.10 e 01,02,03,e,04.11.1937 em Sandarmokh, no sul da Carélia.

No total, em todas as repúblicas da União Soviética, a partir de agosto de 1937 a novembro de 1938 foram presas de 800 a 820 mil pessoas, das quais de pelo menos de 350 a 445 mil foram executadas, o restante enviado aos Gulags. Deste modo, as primeiramente fixadas quotas de aprisionar 233.700 pessoas e dessas fuzilar 59.200 - foram muito aumentadas. Foi a maior operação do período chamado "Grande Terror."

Este número é dos historiadores atuais. No entanto, segundo a estatística apresentada por Nikita Khrushchev foram aprisionadas 1,5 milhões de pessoas e destas 680 mil fuziladas. Nos gulags, em 01.07.1938 havia 786.595 prisioneiros, em 01.07.1938 eram 1.126.500 e em 01.01.1939 acima de 1.317.195.

A ordem somente foi publicada em 1992. Foram encontrados documentos desde a sua preparação e sua condução e idicam que o Partido Comunista da União Soviética e seus líderes estavam diretamente envolvidos na organização da perseguição e execuções em massa.

No dia 27 de novembro as comemorações são em memória das vítimas do obscurantismo de Stalin. Entre os milhares que para sempre ficaram na fria terra de Carélia, havia milhares de ukrainianos. Alguns dos mais conhecidos: criador do teatro "Beresil" Lech Kurbas, poeta neoclássico Mykola Zerov, dramaturgo Mykola Kulish, ex-ministro de educação Anton Krushelnytskyi e seus filhos Bohdan, economista e pedagogo e Ostap jpornalista e cineasta, historiador e acadêmico Matvii Yavorskyi, professor Volodymyr Chekhivskyi, professor Serhii Hrushevskyi, geógrafo Stepan Rudnytskyi; escritores: Valerian Pidmohylmyi, Pavlo Fylynovych, Valerian Polishchuk, Hryhorii Epik, Myroslav Irchan, Marko Voronyi, Mykhailo Kozoris, Oleksa Slissarenko, Mykhailo Yalovyi; Cientistas: Mykola Pavlushkov, Vasyl Volkov, Petró Bovsunivskyi, Mykola Trokhymenko, professor e criador do serviço hidrometeorológico da URSS nascido holandês Alex Vangengeim, ministro das Finanças da URSR (República Socialista Soviética da Ukraina) Mykhailo Poloz...


 

 

Lembremos aqueles - e isto já é absolutamente certo - que foram fuzilados em Sandarmokh. Talvez houve alguém de sua família. Olhe, aqui não há seu sobrenome?

Авдієнко Михайло Авер'янович
Акимов Іван Дмитрович
Алдакімова Пелагея Павлівна
Альошин Сергій Опанасович
Алимов Семен Григорович
Андрейчук Тарас Прохорович
Андрієвський Іван Микитович
Андрощук Іван Антонович
Арапов Іван Михайлович
Атаманюк-Яблуненко Василь Іванович
Бабарицький Іван Юхимович
Бабенко Олександр Романович
Бабецький Євтихій Андрійович
Баб'як Василь Васильович
Бадан-Яворенко Олександр Іванович
Баланчук Олексій Тихонович
Балицький Степан Лук'янович
Балико Семен Захарович
Барабаш Андрій Іванович
Баран Михайло Лукич
Баранник Михайло Сидорович
Барановський Дмитро Марк'янович
Барановський Лука Степанович
Барановський-Левкович Яків Йосипович
Барбар Аркадій Олексійович
Бардашевський Федір Васильович
Бацура Яків Харитонович
Бедрій (Бедрин) Станіслав-Остап Матвійович
Безпалько Іван Йосипович
Белевський Степан Павлович
Белевцов Микола Антонович
Беліков Василь Якович
Белінський Володимир Іванович
Белявський Федір Леонтійович (ієромонах Іринарх)
Бечаснов Василь Васильович
Бешинський Макей Пантелеймонович
Бзунюк Кузьма Миколайович
Білий Михайло Іванович
Білий Михайло Степанович
Білик Климентій Юхимович
Білоус Карп Никонович
Білошицький Федір Антонович
Біолковський Ілля Михайлович
Блажеєв Іван Миколайович
Бобко Матвій Павлович
Бовсунівський Петро Федорович
Богдан Прохор Йосипович
Богданович Микола Улянович
Божевський Деонісій Костянтинович
Бойко Іван Іванович
Бондар Оксентій Іванович
Бондарев Іван Ілліч
Бондаренко Петро Степанович
Бондаренко Семен Прокопович
Бондарчук Ганна Устинівна
Бондарчук Харитон Дмитрович
Боровський Петро Андрійович
Боярчук Терентій Олександрович
Брайловський Олександр Миколайович
Будяк Никифор Васильович
Буйненко Федір Маркович
Булах-Булач Дмитро Андрійович
Буренко Андрій Іванович
Бурлак-Мащенко Петро Савелійович
Бут Петро Олександрович
Бистрий Яків Єремійович
Вальда-Франовський (Вальда-Фарановський) Олександр Казимирович
Вангенгейм Олексій

Варенко Антон Платонович
Варчук Гнат Костянтинович
Василишин Прокопій Трохимович
Васильєв Григорій Павлович
Васильєв Леонід Петрович
Васьковський Станіслав Іванович
Васянович Фросина Василівна
Ващенко Володимир Дмитрович
Ващенко Іван Семенович
Ведимак (Ведьмак) Яків Михайлович
Вербовський (Вербовий) Зиновій Фомич
Верещак Тимофій Якович
Ветребенко Михайло Абрамович
Виборний Василь Антонович
Височенко Віра
Височенко-Вишневська Анастасія Власівна
Вишневський Микола Васильович
Вікул Сергій Павлович
Віницький (Вінницький) Тарас Іванович (Кюнц Франц Михайлович)
Власенко Симон Макарович
Власюк Степан Пилипович
Вовк Степан Петрович
Вовкотруб Семен Петрович
Войтюк Яків Семенович
Войчук Фіт Никонович
Вокор (Вакар) Григорій Васильович
Волгай Василь Костянтинович
Волков Василь Митрофанович
Волков Георгій Федорович
Волок (Волох) Омелян Іванович
Волощук Памфіл Гнатович
Вольф Михайло
Ворець (Борець) Олександр Михейович
Воробей Кирило Миронович
Ворон (Ворона) Костянтин Семенович
Вороний Марко Миколайович
Воскобойников Купріян Касьянович
Гавловський Павло Андрійович
Галан Василь Андрійович
Гамулла Михайло Никифорович
Гамулла Федір Никифорович
Ганджа (Ганжа) Олексій Миколайович
Ганич Іван Васильович
Гарбуз Антон Микитович
Гармаш Володимир Максимович
Генкель Остап Іванович
Герасимчук Арсеній Дем'янович
Гераскевич Конон Миронович
Гергей Іван Олексійович
Гетало Гаврило Севастіянович
Геюк Олексій Єрмолайович
Главацький (Гловацький) Олександр Григорович
Глущенко Георгій Васильович
Глюз Павло Пилипович
Головатий Микита Мойсейович
Голубатий Василь Андрійович
Гончаренко Федір Максимович
Горай Володимир Якович
Горбань Кузьма Макарович (Захарович)
Горбач Григорій Купріянович
Гордієнко Юхим Лаврентійович
Горностай Олександр Сергійович
Горобець Олександр Матвійович
Гоца Василь Пилипович
Гоцман Феодосій Артемович
Григор Федір Артемійович
Григорович Дмитро Артемійович
Григорчук-Яковчук Андрій Климович
Гринюк Юрій Михайлович
Грищенко Мартин Гаврилович
Грищук Аврам Власович
Грозь Василь Степанович
Грушевський Сергій Григорович
Гуменюк Григорій Филимонович
Гумецький Федір Михайлович
Гурда Іван Матвійович
Гутовський Микола Максимович
Гуцуляк Семен Юрійович
Ґудзь Степан Маркович
Даниленко Максим Іванович
Данилюк Ольга Іванівна
Данишевський Михайло Іванович
Данюк Василь Степанович
Дейнеко Прокопій Йосипович
Деменко Федір Петрович
Деменчук Микола Євтихійович
Демченко Конон Лаврентійович
Демченко Микола Іванович
Демчишин Михайло Єфремович
Демчук Петро Іванович
Дем'яненко Андрій Андрійович
Дем'янчук Василь Климентійович
Дергач Петро Петрович
Детюк Ростислав Федорович
Дзема Федір Трохимович
Дивинський Іов Іванович
Дидушек (Дидушок) Василь Федорович
Дидушек-Гельмер (Дидушок-Гельмер) Петро Федорович
Дидушек (Дидушок) Володимир Федорович
Дикий Юхим Порфирович
Добровечний Сергій Костянтинович
Домашин Улян Іванович
Домбровський Петро Гнатович
Домославський Євтух Павлович
Дондик Іван Денисович
Дорожний-Миненко Іван Дмитрович
Доценко Микита Никифорович
Дробатковський Павло Володимирович
Друзнюк Іван Тимофійович
Дубрівний Лука Захарович
Дуб-Тонін Микола Васильович
Дудкевич Казимир Іванович
Дульський Герасим Васильович
Дятлов Петро Юрійович
Епік Григорій Данилович
Ерстенюк Микола Васильович
Єгоркін Іван Якович
Єрмолаєнко Тимофій Семенович
Жак Дмитро Григорович
Желєзняк Порфирій Омелянович
Живталюк Іван Устинович
Жуковський Михайло Олександрович
Жураковський Леонтій Євстахійович
Заболотний Олексій Григорович
Завірюх Михайло Якович
Заводський (Заводськой) Гнат Амбросимович
Загоруйко Василь Михайлович
Загоруйко Федір Дорофійович (Загоруй Федір Єрофійович)
Зайцев Олександр Дмитрович
Закусило-Карпець Іван Матвійович
Закушняк Федір Остапович
Залізняк Андрій Карпович
Замиралов Конон Іванович
Замислов Петро Кузьмич
Зан(к)орко-Набловська Наталія Романівна
Запорований Степан Гаврилович
Запорожець Георгій Євстахійович
Запорожченко Іван Єрмилович
Заруба Дмитро Юхимович
Захленюк Іван Федорович
Зацерковний Степан Борисович
Зелінський Микола Володимирович
Зеров Микола Костянтинович
Золочевський Степан Сидорович
Зощенко Данило Мартинович
Іванець Семен Іванович
Іванюк Сергій Сергійович
Іжицький Василь Павлович
Ізовіт Прокопій Антонович
Ільїнський Павло Васильович
Ільницький Володимир Володимирович
Ірчан Мирослав Дмитрович (Баб'юк Андрій Дмитрович)
Ісаєнко Іван Наумович
Ісачук Петро Іванович
Казачек Данило Євтихійович
Калашников Василь Михайлович
Калуцький-Луцький Іван Федорович
Каменюк Йосиф Лаврентійович
Капустін Петро Аристович
Карпинський Федір Мартинович
Качанюк Михайло Адамович
Каюта Олександр Тарасович
Квасюк Дмитро Миколайович
Кереказо Костянтин Іванович (Юрченко Андрій Григорійович)
Кизюн Данило Євдокимович
Кимарський Опанас Іванович
Кирпань Овдій Карпович
Кисіль Василь Романович
Кишон Петро Васильович
Клименко Володимир Миколайович
Клосс Михайло Миколайович
Кликов Григорій Миколайович
Клюковський Рафаїл Петрович
Кляпетура (Кляпигура) Михайло Іванович
Книшик (Книшек) Олексій Михайлович
Кобилянський Лука Іванович
Ковальов Василь Опанасович
Коваленко Григорій Іванович
Ковальський Йосиф Віталійович
Ковальчук Василь Самуїлович
Ковальчук Володимир Антонович
Ковальчук Григорій Іванович
Ковальчук Зиновій Потапович
Ковальчук Іван Пилипович
Ковальчук Кирило Іванович
Ковальчук Сава Спиридонович
Ковальчук Яків Єфремович
Ковган Дмитро Федорович
Ковнацький Валентин Євгенович
Ковнацький Євген Іванович
Когут Лука Пилипович
Кожухар Іван Пилипович
Козловський Борис Григорович
Козловський Михайло Олександрович
Козоріс Михайло Кирилович
Кокоша Іван Маркович
Колбасовський Карпо Якимович
Колесник Григорій Степанович
Колесник Йосиф Іванович
Колесников Іван Іванович
Колесников Федір Андрійович
Колодрубський Омелян Якович
Колодяжний Іван Степанович
Колотюк Тихон Григорович
Комар Олексій Юхимович
Коник Климентій (Клементій) Йосипович
Конопчук (Конончук) Семен Григорович
Корбутяк Василь Юлійович
Коренковський (Кореновський) Павло Лук'янович
Корзун Ілля Тихонович
Корнійчук Йосип Пилипович
Корнієнко Костянтин Миколайович
Корниченко Павло Єрмолайович
Корсовецький Ілля Олександрович
Коряк Іван Мойсейович
Косар-Заячковський Мирон Титович
Косинець Пилип Іванович
Костенко Олександр Степанович
Костенко Опанас Степанович
Костенчук Онисим Олексійович
Костюк Яків Фомич
Котиков Костянтин Іович
Котляревський Герасим Данилович
Котляревський Григорій Порфирович
Кошицький Прокопій Якович
Кошкарьов Микола Петрович (Кошлань Макар Павлович)
Кощук (Кошик) Петро Кирилович
Красовський Франц Вікентійович
Крашевський Адам Антонович
Кремінський Євген Станіславович
Кривенко-Матиєнко Петро Михайлович
Криворучко Адам Петрович
Кривошеєв-Потапенко Василь Гаврилович
Криминський Никанор Якович
Крисюк Антон Антонович
Крот Іван Тодосійович
Крупковський (Круковський) Степан Олександрович
Крушельницький Антон Владиславович
Крушельницький Богдан Антонович
Крушельницький Остап Антонович
Крижановський Євген Костянтинович
Кубрак Йосип Микитович
Кудін Степан Олексійович
Кудинський Федір Гнатович
Кузєв Олексій Іванович
Кузич Павло Васильович
Кузняк Микола Григорович
Кузьменко Тимофій Тарасович
Кулик Степан Йосипович
Кулинич Семен Тихонович
Куліш Микола Гурійович
Купченко Федір Петрович
Курбас Лесь Степанович
Кухаренко Микола Олександрович
Кучер Каленик Северинович
Кучернюк Севастіян Єфремович
Кучерчук Мирон Федотович
Кушнер Василь Сидорович
Кушнір Дмитро Степанович
Кушнір Іван Лукич
Кушнір Степан Федорович
Ладига Кирило Григорович
Лазарєв Митрофан Матвійович
Лазаренко Григорій Єгорович
Латанський Петро Федорович
Лашуня Харитон Денисович
Лебейчук Юхим Іванович
Левадний Кіндрат Федорович
Левчук Степан Федорович
Лемені-Македон Віктор Якович
Лила Іван Іванович
Лихач Олександр Гнатович
Лищенюк Кіндрат Авакумович
Лівий Іван Кирилович
Ліденко Євген Іванович
Лісовський (Лісовий) Микола Дем'янович
Лобойко Олексій Трохимович
Лодзянов Микита Микитович
Лозинський Михайло Михайлович
Лошко Леонід Іванович
Луцик Маріан Савич
Луцький-Луцьков Леонтій Едуардович
Лисенко Михайло Григорович
Любинський Микола Михайлович
Люсюк Артем Іванович
Ляшева Марія Кузьмівна
Лящов Олександр Васильович
Маєвський-Білохатка Ігор Іванович
Мазуренко Юрій Петрович
Майдан-Найдан Петро Павлович
Маймур Пилип Мойсейович
Максименко Степан Павлович
Максимчук Петро Антонович
Максим'юк Юзеф Григорович (Гопкало Микола Федорович)
Малий Микола Йосипович
Мальшаков Михайло Іванович
Мендель Мойсей
Маркелова Неоніла Олександрівна
Марковська Феодора Григорівна
Маркоз Тимофій Харитонович
Марценюк Арсентій Михайлович
Марченко Олександр Захарович
Марченко Григорій Гаврилович
Марченко Григорій Дмитрович
Марчук Андрій Пантелеймонович
Матвієць Петро Тимофійович
Матийченко Дмитро Іполитович
Машкевич Юрій Миколайович
Мельник Дмитро Іванович
Мельник Михайло Романович
Мельник Степан Потапович
Мельник Филимон Федорович
Мельничук Федір Іванович
Милечко Володимир Григорович
Мінченко Микола Остапович
Миронюк Денис Васильович
Михайловський Тодось Петрович
Михальчишин Филимон Григорович
Молоток Яків Васильович
Молчановський Опанас Опанасович
Момот Пилип Павлович
Мороз Федір Михайлович
Морозов Микола Пантелійович
Мошенко Макарій Іванович
Мошковський Петро Якович
Муляр Марк Васильович
Мильніков Павло Федорович
Мисловський Петро Людвігович
Назаренко Іван Семенович
Назаров Олександр Михайлович
Налапко Данило Микитович
Нарижняк Опанас Гордійович
Насменчук Григорій Абросимович
Науменко Митрофан Кузьмич
Науменко Яків Петрович
Невельчук Кирило Климович
Неврлі-Янсон Поляна Корнілійовна
Недашковський Дмитро Іванович
Несветій Дмитро Онисимович
Несвицький Микола Петрович
Нестеренко Федір Федотович
Нестерова Тамара Миколаївна
Нечитайло Григорій Дем'янович
Никитченко Григорій Опанасович
Нищеряков Іван Никифорович
Нищетюк Григорій Іванович
Нога Йосип Йосипович
Огнівенко Анатолій Іванович
Огородник Пилип Назарович
Озерський Юрій Іванович
Оклей Петро Григорович
Оксенюк Захар Сидорович
Олійник Василь Онуфрійович
Олійник Василь Костянтинович
Олійник Йосип Михайлович
Олійник Лука Захарович
Олійник Петро Григорович
Онопрійчук Опанас Миколайович
Орловський Петро Васильович
Орлов-Сосновський Григорій Григорович
Осипчук Адам Петрович
Осипчук Клим Петрович
Остапенко Олександр Іванович
Павленко Микола Федорович
Павлов Михайло Романович
Павлушков Микола Петрович
Павлюк Іван Дорофійович
Пагор Іван Семенович
Пакін Михайло Корнійович
Паламарчук Олексій Тимофійович
Панасюк Григорій Іванович
Панов Андрій Степанович
Папуш (Папуша) Трохим Максимович
Парубець Микола Федорович
Пащук Андрій Мойсейович
Поперечнюк Пантелеймон Дмитрович
Перемитько Петро Васильович
Перенишко Остафій Никандрович
Перепечаєв Михайло Данилович
Перетятько Іван Олександрович
Петренко Артем Іванович
Петренко-Пігорєв Володимир Сергійович
Петренко-Самойленко Микола Трохимович
Петрук Степан Трохимович
Печенюк Іван Петрович
Півень Іван Савич
Підмогильний Валер'ян Петрович
Пилипенко Борис Кузьмич
Пилипенко Іван Макарович
Пихалов Іван Степанович
Плетенчук Анасім Іванович
Плискотюк Іван Пантелеймонович
Плюндрас Прокопій Васильович
Підгаєцький Володимир Якович
Піддубний Антон Семенович
Підкопай-Войтенко Дмитро Дмитрович
Підлипчук Никифор Федорович
Подорогін Гаврило Данилович
Поздик Дмитро Григорович
Поклада Яків Пилипович
Покутний Григорій Кузьмич
Поліщук Андрій Якович
Поліщук Борис Євтихійович
Поліщук Валеріан Львович
Поліщук Клим Лаврентійович
Полоз Михайло Миколайович
Поляков-Шаховцов Іван Іванович
Понойко Юрій Демидович
Попов Андрій Дорофійович
Попов-Апостолов Григорій Потапович
Попович Степан Миколайович
Попружний Степан Якимович
Поставничий Іван Савелійович
Постолаті Нестер Селіверстович
Потапенко Арсентій Іванович
Приступа Петро Іванович
Прохоренко Олексій Якович
Проценко Анатолій Ілліч
Процький Федір Олексійович
Пух-Гринчук Григорій Прокопійович
Рябушенко Микола Юркович
Радзієвський Михайло Васильович
Ратушинський Микола Антонович
Рацилевич Йосип Іванович
Ращук Мефодій-Федір Прокопійович
Рей Устин Ісакович
Репа Тимофій Іванович
Репяхов Олександр Степанович
Рефіцький Іван Сергійович
Решал Арон
Ригований Фома Сергійович
Ричич Олексій Мойсейович
Роговий Іларіон Селіверстович
Романов Пилип Якович
Романюк Антон-Анатолій Никифорович
Ромащенко Анатолій Дмитрович
Рублевський Олексій Денисович
Рудницький Степан Львович
Рибачек Степан Калістратович
Рик Микита Юхимович
Саблін Ян Григорович
Савенко Степан Михайлович
Савченко Леонтій Андрійович
Савчук Олексій Григорович
Савчук Петро Павлович
Садовський Геннадій Леонідович
Сакало Олексій Григорович
Сакуренко Іван Никифорович
Салюк Семен Степанович
Самборський (Самбурський) Юрій Якович
Самчук Павло Іванович
Сапега Савер'ян Сергійович
Сарван Олексій Григорович
Сахновський Дмитро Григорович
Свест Кароль Павлович
Свинченко Тихон Опанасович
Свиридюк Опанас Петрович
Семенчук Василь Спиридонович
Серебрянський Іван Карпович
Середа Семен Митрофанович
Сетер-Іващенко Андрій Никифорович
Сибко Василь Федорович
Симоненко-Бондаренко Андрій Матвійович
Синько Андрій Семенович
Сирота Костянтин Миколайович
Сікорський Іван Ананійович
Сіяк Іван Михайлович
Сіяк Микола Михайлович
Скидан Микола Степанович
Складний Іван Микитович
Скряга Микола Пилипович
Скубко Борис Тихонович
Славинський Володимир Кирилович
Слісаренко Олекса Андрійович
Слюсар Григорій Іванович
Смоченко Михайло Олександрович
Смялковський Мелентій Олексійович
Собченко Василь Ілліч
Солдугєєв Андрій Михайлович
Солодуб Петро Кирилович
Спельник Терентій Леонтійович
Стадник Іван Максимович
Станишевський Володимир Олександрович
Старченко Макар Назарович
Стасюк Петро Іванович
Стасюк Уляна Петрівна
Сташенко Григорій Дмитрович
Стеблененко Володимир Михайлович
Степаненко Василь Григорович
Стефановський Микола Михайлович
Столяревський Лука Васильович
Сторожев Григорій Дмитрович
Стороженко Харлампій Гнатович
Стрілець Максим Федорович
Стрельцов Микола Костянтинович
Стрельчук Кіндрат Федорович
Стрижийчук Тимофій Антонович
Ступаченко Павло Євгенович
Суботін Іван Ілліч
Сугак-Сугаков Іван Микитич
Сухенко Василь Васильович
Сухобрус Степан Гнатович
Суходольський Григорій Юхимович
Тамасов Іван Костянтинович
Таран Опанас Афіногенович
Таран Григорій Михайлович
Тараненко Іван Іванович
Тараненко Логін Петрович
Тарасенко Олександр Тихонович
Таращук (Паращук) Василь Петрович
Тебенько Яків Григорович
Терешенко (Терещенко) Іван Васильович
Терлецький Петро Микитович
Тимошенко Авксентій Захарович
Тимошенко Федір Якович
Тимощук Яким Кузьмич
Тихонов Тимофій Іванович
Ткаченко Архип Гордійович
Ткаченко Микола Григорович
Ткаченко Сергій Іванович
Ткачук Іван Йосипович
Ткачук Мирон Герасимович
Ткачук Федір Кузьмич
Трохименко Микола Федотович (Федорович)
Трунько Никандр-Конон Данилович
Туз Єрмил Трохимович
Туз Іван Андрійович
Тур Іван Никифорович
Тур-Запоренюк Іван Петрович
Турко Тихон Іванович
Туркотенко Іван Єремійович
Турчак Демид Васильович
Турчанський Іван Григорович
Тютюник Микола Антонович
Уляновський Степан Іванович
Умоєць Володимир Іванович
Униловський Олексій Володимирович
Фарін Петро Дем'янович
Фасоляк Степан Олексійович
Федишин Василь Захарович
Федоренко Микола Тихонович
Фенник (Феник) Андрій Васильович
Філенко Василь Якимович
Филипович Павло Петрович
Філонюк Гнат Андрійович
Фісенко Іван Іванович
Фрєєв Степан Михайлович
Фур'єр Осип Миронович
Хам Микола Андрійович
Хаменюк Юхим Миколайович
Хижняк Михайло Федорович
Химич Микола Дорофійович
Хлистун Василь Федорович
Хлопась Петро Миронович
Хмель Марк Григорович
Холодовський Михайло Михайлович
Хотинський Микола Іванович
Хотяновський Іван Костянтинович
Худзик Олександр Федорович
Хуторянський Володимир Якович
Цибуля Семен Семенович
Циба Іван Тимофійович
Цяпка Іван
Чайка Іван Федорович
Чашка Яків Васильович
Черниш Федір Васильович
Черняк Євген Йосипович
Чехівський Володимир Мойсейович
Чмель Федір Олексійович
Чорний Григорій Петрович
Чорний Микола Арсентійович
Чуєв Сергій Денисович
Чулий Макарій Васильович
Шайтан Павло Дмитрович
Шаль Іван Васильович
Шаргородський Петро Семенович
Шафинський Стах Миколайович
Шах Іван Григорович
Шваюк Олексій Іванович
Швейчук Георгій Костянтинович
Швець Олександр Іванович
Швець-Шевчук Павло Микитович
Шевченко Іван Каленикович
Шевченко Іван Пантелійович
Шемет(а) Андрій Ілліч
Шерстюк Степан Іванович
Шикер Михайло Степанович
Шинкоренко Іван Якович
Шмат Демид Кузьмич
Шмат Степан Петрович
Шматько Михайло Пилипович
Шпак Михайло Іванович
Штангей (Штангай) Володимир Фокич
Штефан Іван Дем'янович
Штром Іван Юстинович
Шурига Франц Андрійович
Юдін Семен Опанасович
Южник Костянтин Леонтійович
Юзьков Федір Павлович
Юрчин Василь Арсентійович
Юхненко Василь Онисимович
Яворський Олексій Климентійович
Яворський Матвій Іванович
Яворський Петро Леонтійович
Язвинський Микола Семенович
Яковлєв Микола Михайлович
Яловий Михайло Миколайович
Ямка Василь Свиридович
Яремчук Антон Левкович
Яцун Олександр Кузьмич
Ящук (Ящун) Михайло Йосипович
Ящук Артем Данилович

Tradução: Oksana Kowaltschuk

domingo, 6 de janeiro de 2013

CRISTO NASCEU !

A Igreja Oriental Ortodoxa adota o calendário Juliano e comemora o nascimento de Jesus em 7 de janeiro, do nosso calendário Gregoriano.
A todos os ucranianos que seguem o rito da Igreja Ortodoxa, os votos de um Feliz Natal !
 
Os Editores
 



Antigas tradições natalinas na Ukraina
Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 06.01.2013
Oksana Harina

Sobre tradições e celebrações na Ukraina lembra Lessya Shparovska, de 92 anos.

"O Natal podemos chamar de mãe de todos os dias santificados. Se Cristo não tivesse nascido como homem e não fosse batizado, - o que aconteceu na Epifania, e não fosse crucificado, - daí a Páscoa, e não mandasse o Espírito Santo, - que cria o Pentecostes. Portanto, a partir do Natal de Cristo surgiram todas estas festividades, como correntes natalinas, todas de uma fonte. E, não apenas por esta razão poderia este santo dia ocupar o primeiro lugar, mas também porque, o acontecimento deste dia - é o mais notável de todos os eventos.

São João Crisóstomo

Por que, lembrando a infância, a primeira menção é o Natal? Porque, provavelmente, nessas horas nós nos sentíamos felizes - diz a nonagésima senhora de Lviv (Ukraina Ocidental) Lessya Shparovska. - O Natal vinha à cidade junto com os estandes de feira com baratos pães de mel e enfeites de Natal, que já no início de dezembro colocavam na Praça do Mercado. Mas o que fazia sentir a aproximação dos dias santificados (7 - 8 - 9 de janeiro), era quando mamãe pegava o bloco de anotações e fazia a lista de compras: "Passas amarelas, nozes, amêndoas, chocolatinhos... " Tudo isto mamãe comprava no Comércio Nacional, e depois retirava da velha cômoda, velhos papéis amarelados pelo tempo, e longamente lia as anotações da vovó. No entanto, assava "a olho", e assim me ensinou. Dos homens exigia-se comprar no mercado apenas o peixe e o vinho. Os proprietários das lojas ofereciam aos clientes descontos pré-natalinos ou um presentinho, que podiam ser toalhas ou lenços, ou toalhas de cozinha.

Desde cedo, no dia seis, as crianças andavam quase que na ponta dos pés, para não perturbar o silêncio festivo. O que mais temiam é que a primeira pessoa que viesse à casa fosse mulher, porque isto não prometia nada de bom. Por isso, nosso zelador, que gostava de um cálice de vodka, já cedinho nos trazia o feno, que mamãe colocava na mesa sob a toalha festiva, e também no chão. As crianças maiores teciam "aranhas" da palha, para decoração natalina.

Em nossa casa também, além do pinheirinho, já em moda, colocavam "didukh", que é um feixe de trigo que simboliza boa colheita, riqueza, espírito imortal dos antepassados, iniciador da primeira geração, vida espiritual dos ukrainianos, proteção da família. "didukh" - espírito de um avô ou o espírito dos velhos, isto é, de todos os precursores. Este é um rito antigo e é evidente com que honra e respeito os nossos antepassados homenageavam sua genealogia.

Da cozinha vinham fragrâncias surpreendentes. Papai era chamado para provar a bebida temperada com mel. As crianças moíam o açucar para polvilhar os doces.

O dia findava rapidamente. Mamãe cobria a mesa com uma toalha branca e colocava o pão festivo, e alho em todoos os quatro cantos. Quando aparecia a primeira estrela no céu, papai pegava um prato com pão bento e mel e ia até a mamãe. Eles se cumprimentavam, cada um desejava felicidades ao outro e beijavam-se. Depois dirigiam-se a nós, que nesta altura tinhamos lágrimas nos olhos... Íamos todos para a mesa, rezávamos e iniciávamos a nossa Santa Ceia. O primeiro e mais importante prato era "kutya", (trigo em grão cozido e temperado com mel e uvas passas). Seguiam-se borshch (sopa de beterraba), varenekê (pastéis cozidos com diversos recheios, panquecas, charutos...

Entre os diversos pratos meu irmão pegava a Bíblia e lia pequenos trechos sobre o nascimento de Jesus. Mas eu não conseguia esperar o final do jantar para ir à sala e acender as luzinhas da árvore de Natal, antes não podia - era quaresma.

Papai começava a cantar as canções natalinas. Primeiro: - "Deus Eterno" e depois as outras... Hoje, no centro, cantam geralmente os estudantes, a mocidade. Antigamente os adultoos íam de casa em casa para cantar e o dinheiro que recebiam era revertido para igreja e escola, ou outras necessidades nacionais.

Entre tudo os pais sonhavam em voz alta por uma boa sorte para todos os filhos, netos e Ukraina natal. Era assim todos os anos, e que seja assim para sempre.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

INDÚSTRIA POLUENTE NA UCRÂNIA ATINGE MORADORES

Luta pelo oxigênio. Como os residentes de Mariupol defendem o direito de respirar com segurança
Tyzhden (Semana), 30.11.2012
Natália Kommodova

Recentemente, mais de 10 mil moradores saíram em manifestação de protesto com a exigência de cessar a fumaça venenosa, que quase diariamente cobre Mariupol devido a atividade do conjunto industrial metalúrgico "Azovstal" e MMK Ilyich (Magnitogorsk Iron and Steel Works), que pertencem a "Metinvest Holding" do bilionário Rinat Akhmetov. (foto)

                    

As pessoas asseguram que apesar dos relatos das empresas e funcionários governamentais sobre a redução das emissões prejudiciais, os gigantes industriais abertamente os cobrem com oxigênio. Na cidade dizem: Mariupol lenta, mas seguramente morre. Perece sem par o Mar de Azov, enquanto os órgãos de controle fecham os olhos para tirania ambiental e suas consequências desastrosas.

As milhares de assinaturas da resolução "antipoluição" apelaram para o Presidente, o Governo, o Provedor da Justiça e até aos representantes "verdes" do Parlamento Europeu. Desesperados, os habitantes de Mariupol estavam prontos para bloquear os trabalhos no município e dos principais poluídores, até que os proprietários das usinas de aço estabeleçam os atuais controles modernos, e o serviço sanitário-epidemiológico diga o que realmente as pessoas respiram. Depois de um protesto sem precedentes os indústriais se dispuseram para algumas concessões.

Câmara de gás na praia

O ar do balneário de Mariupol oficialmente é o mais sujo da Ukraina. Aqui se concentram as mais potentes e ecologicamente as mais perigosas empresas de metalurgia pesada e transformação do carvão de pedra em gás e outros produtos químicos. Eles são fontes da quarta parte de emissões atmosféricas de toda a região de Donetsk. Os habitantes de Mariupol brincam dizendo que em sua cidade é possível não somente ver, mas até apalpar o que se respira.

Em um ano a cada residente corresponde mais de 800kg de poluição industrial. Isto é quase 10 vezes mais do que recebe a média dos ukrainianos. De câncer do pulmão aqui morre cada quinta pessoa, o cemitério local, dizem que é o maior da Europa... Os sociólogos observam um êxodo maciço de pessoas e desvalorização das moradias. No entanto, nem as autoridades locais, nem o governador, nem as autoridades ambientais não consideram a situação catastrófica em Mariupol.

Os principais poluidores da cidade litorânea de Azov - MK "Azovstal' e MMK Ilitch, os quais respondem por 98% das emissões. Ao complexo industrial pertencem os mercados, lojas, farmácias, etc. Na indústria trabalham cerca de 40 mil trabalhadores. Aqui, pacientemente se acostumaram a poeira e fuligem, devido aos quais ardem os olhos e dá vertigem. Não obstante, neste outono a situação ambiental piorou muito. O cáustico "cheiro de dinheiro" - assim aqui chamam o smog - já se espalhou para áreas distantes das empresas da região, e a névoa sufocante tornou-se um fenômeno comum.


Mariupol - única cidade da Ukraina, onde os moradores são alertados oficialmente sobre as condições desfavoráveis provocadas pelas emissões poluídoras. Durante as emissões é perigoso permanecer na rua e até mesmo ventilar o ambiente. Devido a neblina ou falta de vento as emissões não se dissipam e acumulam-se em bairros residenciais vizinhos aos conjuntos industriais. Neste momento, as ruas assemelham-se às câmaras de gás. As crianças são as mais prejudicadas.
"Antes o nosso bairro consideravam puro porque fica distante dos conjuntos industriais. Hoje, da poeira e fumaça não protegem nem as janelas fechadas - diz Inna Dmytryshyn, mãe da Mariana, 2 anos e Daryna, 4 anos. A filha adquiriu bronquite obstrutiva e agora ela não pode respirar sem inalador. Os compartimentos de pneumologia estão transbordando. Ao comprar o inalador, o fornecedor de Donetsk me perguntou: "O que acontece na sua região? Nós não conseguimos entregar-lhes as muitas encomendas."

Durante 10 meses de 2012 o smog cobria Mariupol com densa camada por 187 dias, que é mais de seis meses! Em setembro era difícil respirar 23 dos 30 dias, e durante o mês de outubro por três vezes declararam contaminação de 2° grau. Com tais condições oficialmentee informam aos moradores para sair na rua somente com roupas de proteção e máscara tipo "pétala".
Durante as aulas de educação física escolar, que durante a estação quente se realizam ao ar "fresco", o playground pode, instantaneamente, cobrir-se com smog. As crianças começam engasgar, portanto já tornou-se hábito a "evacuação" imediata às instalações escolares. Às vezes até é necessária a assistência médica aos mais sensíveis", - diz a professora de educação física escolar Eleanor Hayvoronska, ativista do movimento ambiental local. Segundo ela, apesar do fato de que as crianças frequentemente adoecem, principalmente durante as emissões, os médicos não diagnosticam "bronquite-tóxico-química", colocam "SARS", sem dar aos pais a possibilidade de provar na justiça a causa do dano a saúde das crianças.

No entanto, o Serviço Epidemiológico capta superação do limite de poeira e substâncias prejudiciais (sulfeto de hidrogênio, fenol, formaldeido...) em 25% das amostras selecionadas de ar, constatando que as zonas sanitárias, que deveriam proteger os habitantes de Mariupol do envenenamento, há muito tempo já não são efetivos, e por isso a poluição cobre suas casas. Mas, a pedido de ativistas ambientais para verificar e determinar o que realmente as pessoas respiram durante o smog, no SES ( Sanitário-Epidemiológica Estação) dirigiram-se à reforma e falta de gasolina...

Envenenar é permitido?

Reconstrução da planta de sinterização (Processo em que duas ou mais partículas sólidas se aglutinam pelo efeito de aquecimento a uma temperatura inferior à de fusão, mas suficientemente alta para possibilitar a difusão de átomos das duas redes cristalinas - Dic. Aúlélio) e redução da expulsão de Azovstal exigiam até 2012-2013 as emitidas permissões do Ministério da Ecologia e Recursos Naturais da Ukraina, mas em setembro o governo municipal, em conjunto com "Metinvest (Companhia internacional de mineração e siderurgia, que possui 24 empresas na Ukraina, Europa e EUA e realiza extração de minério de ferro e carvão - pesquisa Google) aprovou um novo programa de melhoria para Mariupol, que empurrou a modernização da sinterização de Azovstal para quatro anos...
Temporariamente pararam e decidiram tomar a decisão depois de 4 de novembro. Então, durante o surgimento do smog da vez, a cidade reuniu mais de 10 mil manifestantes que, usando respiradores invadiram o Conselho da cidade, exigindo a renúncia do inerte prefeito Yuri Khotlubei e demais funcionários. Poucos dias após a minifestação a direção de Azovstal anunciou uma pausa em suas atividades para reparos, e causa provável para fumaça sufocante indicaram a fumaça proveniente da reciclagem da matériai-prima com turfa... Os funcionários da empresa testemunham, a principal razão é econômica. Devido ao excessivamente gasto equipamento de controle da poluição e mais que centenárias tecnologias da usina simplesmente não podem mais atuar contra as emissões poluentes.


"Infelizmente, durante os cálculos econômicos as indústrias nacionais não levam em conta os riscos ambientais e o nível de perigo potencial de produção, - diz o gerente da campanha da estabilidade da produção e energética da Associação de enérgética ukrainiana "Mundo Verde" Pavlo Khazan - Paradoxo: nossa legislação ambiental é considerada uma das mais avançadas da Europa, mas ela não funciona. As autoridades de controle de hoje, realmente permitem às grandes empresas industriais lançar à atmosfera e cair na água tal quantidade de substâncias prejudiciais que ameaçam a saúde das pessoas. Alegando de que as siderúrgicas de Mariupol não podem reduzir as emissões por meio de processos existentes, os funcionários do Meio Ambiente e as autoridades locaiis estão colocando em risco os moradores da cidade", - afirma Khazan.
Este fato confirma o ex-chefe da liquidada Inspeção Estatal para Proteção do Mar Azov Mykola Afanasiev. Segundo suas palavras, as empresas, anualmente, separavam uma quantia para importantes medidas ambientais. Como resultado - no ar de Mariupol diminuíram as substancias menos nocivas e visualmente perceptíveis, mas o número de pouco visíveis, especialmente gases tóxicos nas emissões permaneceu inalterada.
A salvação os especialistas preveem num aumento significativo de penalidades e estabelecimento da responsabilidade (particularmente criminal) por violações de leis ambientais, através das quais às empresas simplesmente não será rentável poluir o meio ambiente, e aos funcionários fingir que o problema não existe.

Alerta ao sistema

Mais de 13 mil habitantes de Mariupol que assinaram a resolução da manifestação "Stop Smog! de 04.11.2012, instam os deputados da cidade natal a iniciar as alterações legislativas, observando a situação no novo Parlamento. As pessoas enfatizam que não solicitam o fechamento de empresas, mas a transparência e real responsabilidade social, o que inclui o cumprimento da legislação ambiental e direito da pessoa para um ambiente seguro à vida e saúde.
"Nossa manifestação - é advertência, sinal ao sistema que a paciência está chegando ao final: "A Comunidade levada ao ponto de ebulição exige solucionar o problema aqui e agora. Confiança num governo acessorial com medidas paliativas, e empresas industriais, já não existe!"

Do Parlamento exigem a alteração à Lei da Ukraina "Sobre zona de extraordinária situação ecológica", para dar um estatuto correspondente às regiões habitadas com perigos ambientais, associados não apenas com desastres, mas também com prolongados efeitos nocivos das emissões industriais. Além disso, querem auditoria ambiental de todas as empresas industriais para determinar seu impacto real sobre a saúde dos moradores.

Metinvest, por sua vez, promete até 2020 (quantos perderão a saúde e quantos morrerão até la? - OK) investir mais de US$ 620 milhões nas melhorias da situação ecológica em Mariupol, mas lembra, que as usinas de aço dali são profundamente danosas. "E com os nossos extraordinários danos nós continuamos financiar a reconstrução em grande escala, a qual antes de nós ninguém realizou nos últimos 50 anos, - relataram no centro de imprensa do governo.

Simultaneamente o Conselho Municipal aprovou, com a participação de especialistas do Metinvest o "Programa da proteção e saneamento de Mariupol para 2012 - 2020, que envolve a redução das emissões em 40%, "sob condições favoráveis de mercado." E, conquanto, a saida da crise aos metalúrgicos não profetizam, a desconfiança dos Mariupolianos às promessas oficiosas é completamente compreensível

Agora, enquanto o trabalho em Azovstal da prejudicial sinterização paralizou por um mês, os Mariupolianos estão se acostumando às janelas abertas, passeios no parque e ar sem fumaça.

O levante antissmog em Mariupol foi considerado sem precedentes para região de Donbas (que é a região pró-Yanukovych e pró-Rússia - OK), uma onda de consciência cívica. Os especialistas não descartam que ela pode se tornar um modelo para outras cidades problemáticas em termos ambientais, e não somente nesta região.

(Adendo: Sobre a vida de Rinat Akhmetov há diversas versões na internet, mas sobre si, ele mesmo diz: "Como já lhes disse, em 1992-95 (primeiros anos da independência ukrainiana) era um período de economia informal. Nós fundamos a companhia "Ars". Nós fazíamos comércio com carvão. Nestes anos eu consegui meu primeiro milhão."
Rinat Akhmetou nasceu em 1966. Nacionalidade tártara. Seu irmão mais velho e seu pai trabalhavam como mineiros em Donetsk - Ukraina. Em 2001 Rinat concluiu a Faculdade de Economia. - OK
).

Tradução: Oksana Kowaltschuk

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

FELIZ NATAL !!!

Aos nossos conterrâneos, amigos e visitantes desejamos um FELIZ NATAL !!!

Os Editores
 






 
Salve oh! cheia de Graça, Virgem Mãe de Deus,
defensora e protetora da humanidade,
pois de Ti encarnou o Salvador do mundo!
Só Tu es Mãe e Virgem sempre Bendita e cheia de glória!
Roga a Cristo Nosso Deus
que dê a paz, ao mundo inteiro!