terça-feira, 8 de outubro de 2013

GENE DO SUBORNO

Ukrainskyi Tyzhden (Semana Ukrainiana), 06.08.2013
Valeria Burlakova

Desde a infância os ukrainianos acostumam-se com os informais "agradecimentos" e escolhem um emprego no qual poderão recebê-los.

 

Segundo os dados de "Transparency International", cerca de 40% de nossos compatriotas, durante o ano, pelo menos uma vez dão suborno, porque não veem outra possibilidade de influenciar no processo. A situação com esta variedade de corrupção na Ukraina é uma das piores na Europa. Para efeito de comparação: na Geórgia, durante o ano passado, deram suborno 5% dos entrevistados. Na Dinamarca, Finlândia, Alemanha - não mais de 1%. Devido a total prevalência de suborno em nosso território, os ukrainianos, desde a infância, inclinam-se ao pensamento que isto é norma de vida. Isto é fomentado, primeiramente, pelo sistema de ensino corrupto.

Escola da vida

"Trazer 500 UAH para reparos", - recado anotado nos diários dos alunos pequenos. A anotação é feita a lápis, para apagar as evidências da extorsão depois que a mensagem for lida em casa, explica o pai da aluninha de Kyiv. As crianças maiores não levam anotação, elas lembram de pedir aos pais. Mas, quanto as pequenas, os professores não tem certeza. E neste procedimento esconde-se um cinismo especial. Crianças, desde pequeninas entendem: há certos pagamentos, sobre os quais todos sabem, mas sobre eles não se deve falar e até cobrir seus rastros. Ao mesmo tempo este esquema envolve suas principais autoridades morais, aqueles a quem devem seguir: pais e professores. 

Aritmética do suborno

Tyzhden (Semana) relacionou as mais disseminadas "relações de despesas" para os pais ukrainianos.

Jardins de Infância:
Recepção no jardim - de 200 a 10.000 UAH
Diversos - material de escritório, brinquedos, móveis, material de higiene, etc.               
                 (normalmente a cada semestre) a partir de 100 UAH
Consertos nas dependências - (uma vez por ano) 100 a 1000 UAH
Organização das festividades - (no mínimo 5 vezes no ano) a partir de 100 UAH
Colaboração beneficente ( no mínimo uma vez ao ano) 300 UAH ou mais  

Escolas: 
Acomodação na primeira série - de 5000 a 7000 UAH
Consertos - (uma vez ao ano) 300 a 1000 UAH
Fundo da classe - (normalmente todo mês 50 a 100 UAH 
Fundo da escola - (normalmente todo mês) 40 a 100 UAH
Diversos - materiais, alimentação (normalmente todo mês) 20 a 100 UAH
Colaboração beneficente - (no mínimo uma vez ao ano) 50 a 1000 UAH 

Faculdades:
Garantia de entrada ao Vestibular* - 8000 a 80.000 UAH
Condições favoráveis para ingresso na Faculdade - 3000 UAH ou mais
Provas - 50 a 9000 UAH
Trabalhos - 800 UAH ou mais
Diploma - 2000 UAH ou mais
Colaboração beneficente (no mínimo uma vez ao ano) - 2000 a 8000 UAH

No Ministério de Educação acentuam que "nenhuma contribuição obrigatória deve haver", e aconselham contactar o Ministério Público. No entanto, elas existem, e com elas já se apaziguaram praticamente todos os ukrainianos, cujos filhos atingiram a idade escolar.

Certamente, concussão na escola - não é apenas uma "doação tradicional" de cada um, mas o caminho de solução de um ou outro problema. Mau sinal do suborno é o exemplo dos adultos. "Colega de classe de minha filha roubou o dinheiro do armário dos pais de sua amiga e com este dinheiro acertou com professores pela "melhoria" de algumas avaliações no final do nono ano, - diz a mãe de Odessa. Depois tudo se esclareceu. O escândalo abafaram, não exigiram a devolução do dinheiro dos professores... No entanto, o fato é assustador. A criança cometeu um crime, para cometer outro crime - dar suborno. E, os assim chamados pedagogos silenciosamente tomaram dinheiro de uma adolescente de 14 anos, nem mesmo de seus pais. E não hesitaram".

Tributo nas Universidades

Se nas escolas os casos, quando a criança sozinha resolve "melhorar sua avaliação", são únicos, nas universidades ukrainianas, esta prática tem sido tradicional. De acordo com a pesquisa realizada pelo Fundo "Iniciativas Democráticas" os estudantes, com suborno nas Faculdades, pessoalmente tinham ligação ou ouviram falar de colegas, 60% de inquiridos. 74% dos que davam suborno, pagavam pelo conceito "bom" ou "excelente", 23% - pela defesa da tese, 22% tentavam evitar exclusão.

Cada quinto aluno considera, que dar suborno pela avaliação - é normal. No entanto, de acordo com os resultados da pesquisa de organização social Uniter, "subornos exigidos - é prática duas vezes mais comum que as "ofertas voluntárias". Exigi-los podem em qualquer situação. Por exemplo, ameaçam com expulsão da habitação coletiva, ao receber determinada quantia, o estudante permanece no seu lugar. Dar suborno para conseguir um lugar na habitação (casa do estudante) é uma prática enraizada. Os estudantes, ou seus pais são obrigados a fazer isto para ter melhores condições de vida. Por exemplo, ficar no quarto para duas pessoas, e não três ou quatro.

Além da manipulação com a moradia, nas universidades é confortável excluir estudantes, especialmente do orçamento, e depois atualizar pelo não oficial "agradecimento". Nas condições de anonimato diz um ex-aluno da Universidade Nacional Taras Shevchenko, de Kyiv. - "O fato que eu deveria dar o suborno me insinuavam claramente - avisavam através do monitor de outro grupo. Para resolver o conflito com a liderança da universidade seria possível com alguns milhares de dólares. Eu não paguei e fui desligado da Universidade. Como eu era bom aluno, por mim interferiram o monitor, o dirigente de estudos e o presidente da seção de estudos... Tive apoio, mas dinheiro eu não tinha".

Às vezes, a questão de dinheiro os estudantes procuram resolver, para ter possibilidade de concluir os estudos. N. de Kyiv, no ano passado, formou-se na Universidade Pedagógica M. Drahomanov. Com repugnância lembra os discursos de professores que, olhando nos olhos dos alunos que constantemente espoliavam, falavam sobre a inexistência do suborno dentro da Faculdade. Para poder estudar de dia e, ao mesmo tempo pagar propinas regulares, N. não achou nada melhor do que vender maconha. "O dinheiro eu precisava conseguir em algum lugar, e não era pouco, - explica ele. - Meus pais não podiam ajudar. Trabalhar em tempo integral eu não podia, porque queria estudar".

Subornos para entrar na Universidade, o teste de admissão externo deveria eliminar, foi criado com essa finalidade. No entanto, foi exatamente aí que se "queimou" o escandaloso reitor da Universidade Nacional de Serviços de Impostos do Estado Petró Melnyk**. O Ministério do Interior recebeu duas declarações de pais de candidatos. De alguns ele exigia 80 mil UAH, de outros 40 mil, pela matrícula na Universidade.

Não raras vezes, as pessoas que estão dispostas a desembolsar uma fortuna para seu filho entrar em tais faculdades, bem compreendem: eles pagam não pela realização do sonho de seu filho em se tornar um cobrador de impostos ou juiz, mas pela obtenção da profissão escolhida, que rapidamente dará a possibilidade de "recuperar" o custo da "aprendizagem" através de semelhantes subornos. Para profissional do Fisco há uma demanda enorme. A concorrência para entrar na Universidade é uma das mais altas entre as Universidades da Ukraina - 6,3 pessoas por vaga.

Segundo um aluno da escandalosa faculdade todos compreendem que podem contar com "o que vier", além do pagamento oficial. O rapaz está convencido que, nos tempos atuais, é preciso "virar-se" em qualquer trabalho. Mas a fiscalização, para isso, dará mais opções do que a profissão de psicólogo, o que ele pretendia seguir. Concluiu que fazer a escolha "certa" ajudaram seus pais.

Exemplos de subornos

Janeiro: Vice-Prefeito de Krasnyi Luch - recebimento de 10 mil UAH. Iniciado julgamento.

Fevereiro:  Prefeito e vice-prefeito de Melitopol acusados de suborno para falsificação de documentos e falso testemunho. Em julgamento.

Fevereiro: preso o prefeito de Artshyz (região de Odessa) pelo recebimento de 25 mil dólares. Demitido em abril.

Março: preso prefeito de Perevalska (Luhansk) pelo suborno de 50 mil UAH. Libertado sob fiança de 34 mil UAH.

Abril: detido presidente do Conselho municipal de Rodynsk (Donetsk) pelo recebimento de 110 mil UAH.

Abril: demitido prefeito de Saks por diversos motivos, inclusive suborno de 20 mil dólares. O acusado admitiu as acusações e foi condenado a três anos em liberdade condicional. O Tribunal levou em conta o diagnóstico de oncologia.

Ainda em abril: o afastamento de Serhiy Odarech, prefeito de Cherkassy, suspeito de grave violação do direito do trabalho, negligência profissional, não realização de decisão judicial. E, com suas ações causou prejuízos ao orçamento da cidade no valor de 900 mil UAH. Seus pedidos de apelação não foram considerados.

Em maio a polícia finalizou a investigação preliminar de um dos prefeitos da região do Zaporizhzhia. Segundo o órgão Principal de combate ao crime organizado, o chefe da cidade e dois de seus vereadores envolviam-se com extorsão, organizando sistema de taxas para empresas envolvidas no transporte de passageiros. De acordo com os resultados da investigação preliminar, os funcionários foram acusados de 13 crimes, incluindo recebimento de subornos, abuso de poder, falsificação e legalização de receitas obtidas dos produtos de crime.

No final de maio, o ex-prefeito de Krasnoarmiyck foi condenado a oito anos de prisão, com confisco de bens, por suborno. O prefeito, com o chefe de empresas públicas e um empresário particular exigiam suborno pela "assistência" na aquisição de um antigo albergue. Os dois "auxiliares" do prefeito também foram condenados a 8 e 5 anos respectivamente.

No início de junho prenderam o prefeito de Mykolayev (região de Lviv), seu vice, funcionário do conselho da cidade e chefe do centro de leilões. Eles exigiam de empresários 2,2 milhões de UAH pela "assistência" na compra de terreno para uma cervejaria, e também pela criação de benefício no leilão com redução no valor do terreno
e diminuição em duas vezes na contribuição do investimento para o orçamento da cidade. O prefeito foi detido como precaução e, como alternativa foi proposta fiança no valor de 1,4 milhões de UAH.

Em agosto, pelo recebimento de 20 mil UAH de suborno foi detido um vice-prefeito de Feodosia.

Em agosto o ex-vice-prefeito de Kerch foi condenado a três anos de prisão por recebimento de suborno. 

Em agosto também foi preso o prefeito de Terebovlia ao receber o suborno de 2,2 mil de UAH e 100 dólares. Dinheiro que exigiu de um morador pela permissão da licença do objeto de seus serviços.

No final de agosto, durante o recebimento de suborno, detiveram o vice-prefeito de Nova Kakhovka. Tal "agradecimento" ele exigia pela solução da questão da redução do valor do aluguel da terra que é propriedade municipal.

* O vestibular não é realizado por cada Universidade e sim, para todas elas pelo Ministério de Educação. Os pretendentes se inscrevem nas Universidades e são aceitos conforme as notas obtidas e o número de vagas. Este sistema foi criado pelo ex-ministro Vakarchuk, justamente para eliminar os subornos. Infelizmente os subornos continuam .

** O ex-reitor Petró Melnyk nas últimas eleições chegou a exigir dos alunos da Universidade, bem como de seus familiares, que transferissem seu título eleitoral para que pudessem votar nele como candidato ao Parlamento. Não foi eleito. Por alguma razão os ventos deixaram de soprar a seu favor e depois do citado suborno ele foi denunciado. Ficou ou fingiu ficar doente e até falou-se em operação do coração. Foi condenado à prisão domiciliar por dois meses (01.08.2013. Ao Tribunal compareceu amparado pelo médico. As más línguas dizem que seus bens, três impressionantes residências: sua, do filho e da sogra, são frutos de subornos. No dia 09.07.2013 livrou-se da pulseira eletrônica e fugiu. Os guardas teriam facilitado. A última notícia de seu paradeiro é a cidade São Marcos no estado da Califórnia, USA, segundo Procuradoria Geral da Ukraina, em resposta dada ao questionamento do deputado H. Moskal. Notícia publicada na "Verdade Ukrainiana" no dia 16.09.2013.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

domingo, 6 de outubro de 2013

Tymoshenko, será libertada?

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 04.10.2013

Serhii Vlasenko, advogado da Tymoshenko, numa conferência de imprensa declarou: "Encontrei-me com os representantes da missão do Parlamento Europeu - Pat Cox e Aleksandr Kwasniewski. Tenho permissão deles para comunicar aos senhores, que hoje durante o encontro com Viktor Yanukovych para legalização jurídica da possibilidade de Yulia Tymoshenko viajar para o exterior, Cox e Kwasniewski assinaram a petição para perdão de Tymoshenko", - disse Vlasenko.
E, segundo a declaração da Tymoshenko, lida por Vlasenko: "Pat Cox e Aleksandr Kwasniewski transmitiram para mim uma proposição oficial quanto a meu tratamento na Alemanha. Eu aceito esta proposta publicamente. E não porque eu não confio nos médicos ukrainianos. Sinceramente estou muito grata a eles, ao serviço de reabilitação, a enfermagem, a todos que me ajudam na clínica. Eu não confio, não nos médicos, mas no regime, que está pronto e capaz de fazer tudo a fim de se livrar de mim. Eu lutei, luto e lutarei por minha reabilitação legal completa, revogação de todas absurdas falsificações, de "a" a "z", pelo retorno à vida política plena", - anunciou Tymoshenko.

"É claro, que a saída para tratamento na Alemanha não resolve todos estes problemas. Mas eu acredito que tal passo aliviará a situação na véspera da cimeira da Parceria Oriental. Portanto, em prol de bem sucedido Vilnius e próspera Ukraina, pelo histórico e fatal Acordo com UE eu estou pronta para aceitar tal proposição" - diz em sua declaração.

Vlasenko lembrou que em 15 de outubro Cox e Kwasniewski deverão entregar o relatório sobre a implementação pela Ukraina dos critérios da UE com a meta para assinatura de um Acordo de Associação. Por isso, de acordo com Vlasenko, os chefes europeus insistem para Tymoshenko deixar Ukraina antes da assinatura.

"Poderá Viktor Yanukovych encontrar força e satisfazer o pedido de Pat Cox e Aleksandr Kwasniewski, o tempo dirá, mas para isso ele precisará exatamente um minuto" - disse o advogado.

No entanto, Tymoshenko  pede não considerar sua possível saída para Alemanha como emigração. "Eu nunca, em nenhum lugar, pedirei asilo político, não vou esconder-me no estrangeiro. Por meus problemas, a muito deixei de temer", diz em sua declaração.

De acordo com o anúncio na manhã deste mesmo dia (04.10.2013) Renat Kuzmin, que supervisionava na Procuradoria Geral da Ukraina os assuntos contra os oposicionistas, inclusive  a questão da Yulia Tymoshenko, foi demitido e transferido para o cargo de vice-secretário do RNBO (Conselho da Segurança e Defesa Nacional da Ukraina). 

Segundo notícia do dia 05.10.2013 da "Verdade Ukrainiana" a chave para resolução do problema da Tymoshenko foi fornecida pelo deputado do SEJM polonês Marchin Svienchitski que na recente conferência YES em Yalta (vide artigo anterior) percebeu que UE não assinaria o Acordo sem a libertação da Tymoshenko, e Yanukovych não pretendia dar o indulto. Ele lembrou que no Instituto Polonês há uma cláusula que prevê interrupção da pena em caso do aprisionado não poder ser tratado na prisão. Ele transmitiu todos os detalhes deste instrumento legal a uma deputada do Partido das Regiões (da Ukraina). Isto não significa que haverá a remoção da culpa do acusado. Na Polônia tal interrupção é dada pelo Tribunal. O pedido pode ser feito pelo aprisionado ou pelo seu advogado, e até pelo chefe da instituição penitenciária. A queixa apresentada pelo promotor será considerada pelo Tribunal em duas semanas.  A interrupção pode durar até um ano, ou até mais em casos especiais. Bem como pode ser cancelada se aproveitada para outros fins. No caso de, após um ano de interrupção o Tribunal se convencer que o condenado observará as leis e não voltará cometer crimes poderá até, condicionalmente, suspender a punição.

Já Oleksandr Sushko, coordenador do Fórum Nacional da Sociedade Ukrainiana, da iniciativa da UE "Parceria Oriental" disse: "Se a fonte de informação de ontem (05.10.2013 "Verdade Ukrainiana) fosse o presidente Yanukovych ou alguém de seu governo, então poderíamos dizer que o problema está praticamente resolvido, mas a forma como esta informação foi lançada ao público, através de Serhii Vlasenko, que não tem relação direta com o processo é um pouco preocupante e cria a impressão de que esta é uma tentativa de Cox e Kwasniewski que, se não vencer, pelo menos mover a situação nesta área". No entanto, Sushko diz que já não há mais espaço de manobra e Yanukovych deve tomar uma decisão. E que ele, psicologicamente, não gosta ser pressionado, mas Cox e Kwasniewski não tinham escolha porque no dia 15 devem apresentar seu último relatório.

Lembramos, a solução para a questão da Tymoshenko é uma condição para assinatura do Acordo de Associação entre Ukraina e União Européia.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

domingo, 29 de setembro de 2013

HOLOKOST: O INFERNO NA TERRA - FINAL

Lembremos de Vinnytsia - Final

Antin Drahan


A ÉPOCA DO CRIME

Não se prendendo unicamente aos documentos encontrados junto aos cadáveres, nem aos relatos das testemunhas que possibilitavam, com muita precisão, estabelecer a época da execução do pavoroso crime de extermínio da nação, a comissão jurídico-médica, por seu lado, procurava estabelecer a época certa, baseando-se no estado geral dos cadáveres dentro do solo e ainda outros indícios. Estabelecer o tempo de permanência dos cadáveres dentro do solo também possibilitavam os arbustos plantados nas sepulturas coletivas. Pelas raízes e galhos podia-se determinar se os arbustos cresceram das sementes ou galhos foram plantados. E, se foram plantados, com que idade e, quanto tempo cresciam ali. Todas as provas em conjunto, permitiram estabelecer com exatidão, que o crime de extermínio da nação, em Vinnytsia foi executado principalmente em 1938, sendo que os fuzilamentos devem ter início ainda em 1937.

As audiências e testemunhos dos familiares e conhecidos das vítimas identificadas revelaram que todos eles foram aprisionados pelos órgãos da NKVD, nos anos de 1937 e 1938. Frequentemente transcorridos poucos dias da prisão, NKVD já informava que o aprisionado "inimigo da nação" era condenado ao degredo em longínquas regiões, por dez anos, sem direito a correspondência.

Determinar a data certa do aprisionamento de algumas vítimas foi possível com base nos documentos encontrados, principalmente os protocolos preenchidos durante as buscas domiciliares pelos agentes da NKVD. Durante as buscas os protocolos se faziam em duas vias, uma das quais era dada ao prisioneiro e a outra guardada nos fichários governamentais. Os protocolos encontrados coincidiam completamente com os relatos das testemunhas. Após o aprisionamento as testemunhas não viram mais seus familiares e também nada souberam sobre eles, com exceção do "esclarecimento" da NKVD sobre o "degredo para regiões distantes", que na verdade significava bala na nuca. Simultaneamente tiveram início em Vinnytsia os transportes noturnos secretos do prédio da NKVD para as "zonas proibidas" onde, posteriormente, foram encontradas as sepulturas coletivas.

LUGAR E DETALHE DOS ASSASSINATOS


O pátio cercado pelas garagens na prisão da NKVD em Vinnytsia, no qual fuzilavam as vítimas.
Como já mencionado, documentos, informações de testemunhas e um rol de diversos fatores permitiram concluir que os fuzilamentos das vítimas realizavam-se numa parte do pátio do prédio da NKVD, cercada pelas garagens. Em frente de uma das garagens havia um local para lavar os veículos, o que possibilitava lavar imediatamente os sinais de sangue. Durante os fuzilamentos incessantemente buzinavam os veículos de carga já preparados para o transporte de cadáveres. As buzinas dos motores ensurdeciam os tiros das armas de fogo de pequeno calibre. Mas, encontraram-se testemunhas que, casualmente, ouviram tiros singulares.

No entanto, não se exclui que alguns fuzilamentos ocorreram dentro das salas da NKVD. Chegou-se a esta suposição porque testemunhas descreveram terríveis torturas durante os interrogatórios, como o fato de que foram resgatados muitos cadáveres de mulheres completamente nuas, ou somente de camisa. Então, estas mulheres aprisionadas evidentemente foram despidas, violentadas, e depois mortas nas salas do prédio da NKVD.

Com base nos testemunhos e deduções lógicas foi possível, já durante as escavações, vislumbrar o completo quadro do crime.

Destinadas ao fuzilamento as vítimas eram chamadas das câmaras prisionais, sob o motivo aparente de exílio para degredo em "longínquas regiões". Os prisioneiros juntavam seus pertences, quando os possuíam, não sabendo que eram conduzidos para morte. Guiados para fora das câmaras prisionais eles, ou nos corredores, ou em outros locais separados, 
eram amarrados. Então, um a um, ou em pequeno número, eram conduzidos para o pátio, onde já funcionavam as buzinas dos veículos de carga. Sob o som das buzinas os presos, um a um eram fuzilados. Se uma bala não era suficiente, usavam duas ou três. Se a vítima, caída no chão, ainda apresentava sinais vitais, o carrasco destroçava seu crânio com forte pancada na cabeça. As vítimas mortas, que ainda sangravam, uma por uma eram jogadas no veículo. Por cima eram jogados seus míseros pertences - roupas que levavam consigo para "longínquos degredos". Nas "zonas proibidas" os cadáveres eram jogados nas já cavadas sepulturas, após o que os funcionários de confiança da NKVD matavam e jogavam nas mesmas sepulturas aqueles que as cavaram e transportaram, e já sozinhos cobriam os buracos com terra. As roupas, objetos e documentos encontrados nas três covas, no primeiro local das escavações, comprovaram-se como pertencentes às vítimas, que eram  tomados na entrada da prisão e guardados em depósitos. Esses objetos deviam desaparecer juntamente com as pessoas para não levantar suspeitas entre funcionários não confiáveis.

EXECUTORES DO CRIME

Objetos de acusação, com base dos quais as vítimas eram aprisionadas e torturadas.
Todos os fatos estabelecidos, objetos achados e depoimentos de testemunhas fornecem provas seguras que o crime de extermínio da nação em Vinnytsya foi perpetrado pelos agentes da NKVD. Para isso apontam os seguintes já citados fatos:

1. As vítimas encontradas nas sepulturas coletivas de Vinnytsia foram aprisionadas pelos agentes da NKVD em 1937 3 1938;

2. Todos os aprisionados eram confinados nas dependências da NKVD em Vinnytsia e na seção da NKVD, na prisão municipal local;

3. Algum tempo após o aprisionamento os órgãos da NKVD davam aos familiares os "esclarecimentos" que os presos "já foram levados para o degredo, sem direito a correspondência";

4. Em alguns casos isolados a NKVD, ambiguamente insinuava aos familiares que os aprisionados - como confirmam as evidências - nesta vida nunca mais seriam vistos;

5. Na mesma época que aconteciam as prisões em massa e os órgãos da NKVD falavam sobre envio para "longínquo degredo", em Vinnytsia foram criadas as "zonas proibidas", que permaneceram sob proteção constante da NKVD;

6. Encontrados nos locais da escavação e junto aos assassinados, documentos que comprovam as buscas caseiras pelos órgãos da NKVD, correspondem às datas exclusivas à época das prisões. 

MOTIVOS DO CRIME

Procuravam os parentes aprisionados pelos órgãos da NKVD entre os cadáveres desenterrados das covas de massas em Vinnytsia. 

O que poderia motivar o bárbaro crime de extermínio da nação em Vinnytsia? Com toda segurança demonstrada pela investigação, os assassinados não tinham nenhuma culpa, criminal ou política, e seus familiares nunca puderam compreender os motivos pelos quais foram presos, torturados e assassinados. Único esclarecimento dado pelos órgãos da NKVD durante as prisões era a afirmação que o inimigo era - "inimigo da nação" mas onde, como, porque e quando essa "inimizade" se manifestou, nunca ninguém disse. Na maioria dos casos as prisões aconteciam sem nenhum motivo, banal ou fictício. De acordo com o que constava em documentos encontrados, alguém dos presos era acusado pela doença do cavalo do "Kholkhoz", outro porque, sem permissão, mudou de local de trabalho; ainda outro porque vendia na feira produtos estragados, e outras acusações ridículas. Em muitos casos o motivo da prisão era - como constava nos documentos - encontrado durante as buscas, um cartão postal de parentes na Polônia, EUA, ou outro país além fronteira.

Nos relatos das testemunhas constava que as prisões, frequentemente, efetuavam-se com base nas denúncias, às vezes anônimas. Essas denúncias, no sistema soviético, davam ao denunciante a esperança de obter para seu uso a residência do denunciado. Entre as vítimas encontradas em Vinnytsia, havia muitos que perderam a vida por causa de sua convicção religiosa. Entre os cadáveres foram identificados padres mas, segundo os documentos encontrados concluiu-se que havia pelo menos trinta. Só na cidade de Kalenivka foram presos 17 padres em 1938, que então trabalhavam no corte da madeira. Um deles foi identificado entre os cadáveres de Vinnytsia, daí a suspeita de que lá foram assassinados os demais. Sobre a suspeita do grande número de assassinados por convicções religiosas em Vinnytsia, padres ou devotos, confirmou o fato de que foram encontrados muitos objetos religiosos nas sepulturas coletivas - cruzes, missais e até vestimentas que o padre usa ao celebrar a missa. De acordo com testemunhos somente na aldeia de Losna, da região de Ulaniv, foram aprisionadas 19 pessoas por pertencerem a uma paróquia secreta. Alguns deles foram encontrados depois nas sepulturas coletivas em Vinnytsia.

A investigação e os achados não puderam determinar nenhum caso, que em qualquer outro país culto pudesse constituir-se em pena de morte, ou mesmo um inquérito policial. Acresce o fato que todos foram assassinados secretamente e secretamente enterrados. Isto certifica que a NKVD não podia imputar-lhes nenhuma culpa que justificasse processá-los e condená-los à morte.

O EXTERMÍNIO DA NAÇÃO CONTINUA

O que aconteceu em Vinnytsya com as sepulturas e pessoas após a volta dos bolcheviques já no início do ano de 1944?

O tempo e as condições para elaboração desta brochura não davam oportunidade para revisão fundamental deste assunto. E é em vão que procuraríamos mais alguma evidência desse insano "holokost" na própria Vinnytsia. E, não são muitas as testemunhas vivas que sobraram das escavações de 1943. Mas, a futura investigação desse crime deverá, com certeza, encontrar ainda muitos documentos adicionais, que permitirão completar o quadro. 

Quando o assunto é, o que aconteceu com as sepulturas e pessoas de Vinnytsia após o
 retorno dos bolcheviques em 1944, então sobre este tema encontramos uma nota no jornal "Svoboda" (Liberdade) de 12.07.50. A fonte desta notícia não é fornecida, porém "Svoboda", naquele tempo, contava com um correspondente atrás da Cortina de Ferro e não é exclusivo que tenha recebido desse correspondente de atrás da Cortina de Ferro  não  fornecendo o seu nome por motivos compreensíveis - sua fonte. A nota impressa sob o título "Sepulturas Coletivas em Vinnytsya novamente completadas com vítimas ukrainianas de extermínio da nação pelos bolcheviques" diz:

O que aconteceu com as sepulturas e pessoas em Vinnytsia após a volta dos bolcheviques? Sobre isso, agora, existem autênticas e verificadas confrontações das evidências de testemunhas oculares. Nesta base confirmam-se, sem sombra de dúvida que, esvaziados em 1943 as sepulturas em Vinnytsia novamente estão cheias de cadáveres ukrainianos, novas vítimas do extermínio da nação pelos bolcheviques. As testemunhas oculares confirmam este fato:

Dia 20 de março de 1944 o exército soviético novamente conquistou a cidade de Vinnytsya. No dia 23 de março, do mesmo ano, foi anunciado que todos os moradores da cidade deveriam passar por uma revista especial e comparecer, munidos de passaportes, no parque municipal. Compareceram alguns milhares de pessoas assustadas. Havia muitas mulheres chorosas que pressentiam uma nova desgraça. Finalmente aproximou-se um veículo com alguns homens, nos moldes da MVD. O Comissário Rapaport, indicando as sepulturas vazias, que assim permaneceram após a retirada dos milhares de fuzilados em 1937 - 1938, perguntou: "Silenciais, traidores da pátria! Conteis, serviçais da propaganda alemã, quem de vós encontrou aqui seus familiares?" Tais corajosos, que repentinamente se expusessem ao perigo mortal, não se acharam. Então o comissário ordenou ao exército circundar a multidão e sozinho saiu da cidade. O dia todo as pessoas passaram rezando sob forte tensão, aguardando nova desgraça. À tardinha o comissário finalmente voltou, com uma extensa relação. Ele chamava pelo sobrenome, principalmente mulheres. Aproximadamente 100 pessoas se adiantaram. Esses infelizes que outrora procuravam nestes buracos seus familiares e próximos, agora estavam parados na beira de sepulturas. O comissário chamou o destacamento de armas automáticas e comandou: "Para os inimigos da revolução e traidores da pátria - fogo!" 

Pessoas banhadas em sangue caíam nos pavorosos buracos que tornaram-se novamente sepulturas de infelizes vítimas ukrainianas do novo extermínio soviético. Aqueles que sobraram, sob escolta e baionetas foram conduzidos à noite pelo caminho de Liten: "Deveis no campo de batalha expiar sua culpa perante a pátria" - disse o comissário. A maioria daqueles cidadãos de Vinnytsia morreu, praticamente sem armas, sob fogo alemão próximo a Derzhan, Letychev, Mezzhybozh e Kamianets-Podilskyi.

DA PERSPECTIVA DO TEMPO

Já se passaram quatro dezenas de anos do tempo em que em Vinnytsia, de acordo com as palavras da nação "abriu-se a terra e apareceu o inferno, o comunomoscovita "holokost" abateu-se sobre a nação ukrainiana. Aproxima-se já meia centena de anos em que aquele crime foi descoberto. É evidente que Vinnytsia de longe, não é o único símbolo daquele horrível período em que dois sistemas de ditaduras totalitárias - comunismo moscovita e nazismo alemão - imprimiram a infame marca de extermínio da nação. Os crimes dos nazistas alemães revelou o Tribunal Internacional de Nuremberg. Alguns dos inúmeros crimes do sistema comunista perpetrados durante a ditadura de Stalin foram denunciados por seus companheiros após sua morte.

Mas, por que todos calam sobre Vinnytsia? Por que agora, depois de tantos anos daqueles bárbaros crimes, a internacional UNESCO distingue o aniversário do inspirador daqueles crimes, o sangrento Lenin, como grande "humanista?" Como e com o quê esclarecer o fato, que com representantes do sistema que causou e foi responsável pelo extermínio da nação, do qual Vinnytsia é somente uma parte, hoje sentam-se, até no Vaticano, e não somente os mesmos - como disse claramente o Patriarca Josef Slipey  no Congresso Mundial dos Bispos em outubro de 1971 - "fecham os olhos sobre montanhas de cadáveres e rios de sangue"  que a nação ukrainiana depositou como vítima. E, em nome de quaisquer "diplomacias" ainda pretendem fechar os olhos e a boca para os demais.

Outras nações podem ter sobre este assunto - ou pensar que têm - mais ou menos razões. Mas Vinnytsia e inúmeros outros crimes de extermínio da nação, inclusive a mortandade em massa com o auxílio da fome organizada nos anos 1932-1933 e que vitimou milhões de pessoas, nós os ukrainianos não temos o direito de esquecer.

                                   LEMBREMO - NOS DE VINNYTSIA !!!


terça-feira, 24 de setembro de 2013

PRAZO PARA ACORDO DA UCRÂNIA COM A UE PRESSIONA GOVERNO UCRANIANO

A Yanukovych determinaram a data em que, com UE iniciarão os problemas.

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 21.09.2013
 
Se a missão observadora de Cox e Kwasniewski não apresentar um relatório positivo ao Parlamento Europeu até 15 de outubro sobre a questão do acordo de associação da Ukaina "haverá problemas." Isto foi declarado durante a Reunião Anual em Yalta, YES, pelo presidente da Comissão do Parlamento Europeu das Relações Exteriores, Elmar Brock.

Durante o painel de discussão com o Ministro dos Negócios Estrangeiros Kozhara novamente Brock chamou a atenção para a importância de abordar "a questão Tymoshenko". Segundo ele, o Parlamento Europeu irá emitir sua decisão sobre o acordo da UE com Ukraina depois de ouvir o relatório da missão do ex-presidente do Parlamento Europeu Pat Cox e ex-presidente polonês Aleksandr Kwasniewski.

"Nós dissemos desde o início - nós devemos atender a todos os requisitos. Uma questão - justiça seletiva no caso de Yulia Tymoshenko. Se o senhor Cox e o senhor Kwasniewski não puderem comunicar positivamente até 15 de outubro, nós teremos um problema" - disse Brock.

Segundo o ministro das questões do exterior da Polônia a questão de Tymoshenko é grande demais para ser ignorada, nos foram dadas premissas - é uma questão de confiança. Este é um teste à credibilidade e qualidade da liderança da Ukraina", diz o ministro polonês.

No final da Reunião Kwasniewski insistiu no tratamento da Tymoshenko no exterior. "Tymoshenko está doente. Ela precisa de uma cirurgia, depois terapia, depois reabilitação. Nós esperamos que ela irá para o exterior, acrescentando que ela não confia nas instituições ukrainianas, e esperamos que o governo ukrainiano vai aceitar essa proposição que já está pronta a vários meses, acrescentou Kwasniewski.

Sobre a relação com a Rússia, após Ukraina tornar-se membro associado da UE: "Não se preocupem, suas relações com a Rússia irão melhorar e não piorar, profetizou Kwasniewski. Como o lema e compreensão de sua situação deve ser a frase do cinema soviético - "Nem um passo para trás, atrás Moscou!", - meio brincando acrescentou o ex-presidente da Polônia. Todos os presentes riram e aplaudiram com arrebatadas palmas.

Yanukovych em Yalta: última parada antes de Vilnius

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 22.09.2013
Serhii Leshchenko


O evento chave em Yalta-2013 foi uma discussão que ocorreu durante o discurso de Yanukovych com a presidente da Lituânia Dalia Grybauskaite, que levou para Yalta apenas dois guardas - no modo da economia do país. Yanukovych que era guardado por dezenas, se não centenas de civis, não traiu seu costume - ele conseguiu na presença da Grybauskaite errar seu nome.

- Estou contente que o meu parceiro hoje é um amigo de longa data da Ukraina, presidente da Lituânia Dalia Hriskaute - declarou. Mas, por outro lado, pela primeira vez em todoos os anos de reuniões em Yalta Yanukovych se atreveu falar sem cola ou ponto (como no teatro). Ele falou sem eloquência, mas calmo - e, finalmente - aquilo, que dele desejavam ouvir em Yalta já a muitos anos: Yanukovych anunciou que o Acordo de Associação com UE é cenário sem alternativa para Ukraina. Falando sem assoprador, de vez em quando agradava a audiência com metáforas.
- Ukraina percorre o caminho da eurointegração com confiança. Mas Ukraina encontra-se entre dois grandes monstros - UE e Rússia. Nós sentimos isto todos os dias...

Após esta alegoria aos monstros a líder do Báltico falou que a opção européia é estratégica para Ukraina, que ainda há tarefas específicas para serem realizadas pela Ukraina, que devem ser criadas salvaguardas para eleições justas na Ukraina, e desejou que Ukraina tenha forças contra a pressão de terceiros.

E então aconteceu o inesperado. Pela primeira vez desde 2004 o debate teve olhos nos olhos com seus adversários, anteriormente era previamente acordado.

 
Foto: Poroshenko (o rei do chocolate) e Klychko (ex-boxeador e pré-candidato a presidência em 2015).

Primeiramente a palavra foi dada a Klychko que, inesperadamente convocou Yanukovych... a demitir-se no caso da não assinatura do Acordo de Associação:
- É interessante ouvir que a situação está melhorando. Eu tenho a impressão de que estamos a falar de dois países independentes, - declarou Klychko. - Se nós não assinarmos o acordo, o senhor estaria pronto, neste caso, demitir-se?

Yanukovych sorriu e, em seguida respondeu ao ex-boxeador.

- Nós somos pessoas um pouco diferentes. Você é um homem relativamente jovem. Eu sei e você sabe, o que é levar um soco. Golpe, hein?

- Eu desafiei golpes em minha vida muitas vezes. Eu não diria tão enfaticamente como o senhor. Nós, quando realizamos reformas, tentamos reparar a velha casa. Pintamos, branqueamos ela... E vimos que não muda nada. Precisa fazer uma reforma capital. E se não tivéssemos começado em 2010, hoje não haveria esta conferência, tal como ela é.  Este é certamente um mérito da oposição - porque o senhor é apoiado por parte da sociedade. Mas o destino de responsabilidade comigo carrega também o senhor.

Em seguida chegou a vez de Yatseniuk (lider do partido Pátria). Ele anunciou a todo país que, por enquanto não está em guerra com o adversário e pediu, pela Ukraina, para cumprir um dos critérios necessários para assinatura do Acordo - parar com as perseguições políticas e libertar Yulia Tymoshenko.

Esta chamada também não tirou o equilíbrio de Yanukovych - ele estava preparado para perguntas sobre a prisioneira de Kharkiv. Portanto, em resposta voaram as acusações sobre as perdas dos contratos de gás.

- Repito novamente para aqueles que não me ouviram - pagamos mais pelo gás que a Europa, cerca de 150 dólares. São consequências vergonhosas do acordo de 2009...

Yanukovych mencionou dois políticos - ex-presidente da Polônia Kwasniewski e o ex-presidente Cox - que durante o último ano e meio estiveram na Ukraina por mais de 20 vezes, em busca de uma saída para a questão Tymoshenko. - Eu sou muito grato a eles - disse Yanukovych.  - Temos tempo ainda e vamos trabalhar de acordo com o plano que existe. Por enquanto nós não dissemos nem "sim", nem "não". A resposta deve estar no plano legal.

 
Foto: Yatseniuk, em pé

Nova discussão iniciou a presidente da Lituânia que afirmou pagar mais caro pelo gás que Ukraina. O preço do gás para Lituânia inclui outros índices: outra procedência, trânsito diferente... não cabe a comparação.

Pressionar Yanukovych com a questão Tymoshenko assumiu Lutsenko. A situação apresentou-se incomum - era um diálogo do verdugo de ontem contra a vítima.

 
 Lutsenko (centro)
- Segundo seus poderes, não há limites para perdoar quaisquer cidadão da Ukraina, além daqueles, que o senhor mesmo estabelece, - dirigiu-se Lutsenko a Yanukovych. - Eu sou um precedente de que, o senhor teve sabedoria de parar o experimento sobre mim. Neste edifício histórico eu lhe exorto, Viktor Yanukovych, pessoa que não tem medo de Putin, não deve ter medo de Yulia Tymoshenko. Aplausos interromperam Lutsenko, mas ele ainda não havia dito tudo - ele passou para assunto "pessoal" com Yanukovych.

- Eu me permito como duas vezes condenado propor ao senhor - simplesmente pegar uma caneta - e assinar a decisão que dará 100% de garantias para vitória em Vilnius.

Yanukovych esforçou-se para mostrar generosidade. - Yurii Vitaliovych, eu estou feliz em vê-lo antes de tudo. Não tenho quaisquer reservas por estar com o senhor no mesmo local, mantendo uma conversa. Estou feliz, que o senhor esteja aqui e que lhe vejo. 
Mas os argumentos de Lutsenko ele não aceitou.

- Sente-se, por favor. Eu, desde o início, dizia a todos envolvidos no seu caso, eu dizia que era bobagem... Eu era totalmente contra a sua prisão. Mas aconteceu o que aconteceu. Por isso não são corretas as comparações de sua questão com a questão de Tymoshenko.

- Não cor-re-tas! O senhor trabalhou na aplicação da lei, compreende isto muito bem. É preciso dar resposta às questões que encontram-se nos tribunais. A resposta pode dar apenas o tribunal, ou uma decisão voluntária de Tymoshenko.
O que Yanukovych tinha em mente ele não explicou. Possivelmente, reconhecimento por Tymoshenko de sua culpa na questão do UES (Único Sistema Energético da Ukraina) - ou pedido de clemência.

- Portanto, a resposta a esta questão reside no compromisso ou resposta com participação de Tymoshenko, - dizia Yanukovych confuso. - Tribunal e Tymoshenko podem, muito rapidamente, responder a esta questão.

Ilustração de como funciona a política na Ukraina, foi a cena, de como após este encontro Leonid Kozhara esforçava-se para questionar a Bildt (ministro das Relações Externas da Suécia), o que realmente lhes prometeu Yanukovych. Isto é, o ministro esforçava-se para conhecer a posição de seu presidente... de seu contraparte nas negociações.

A impressão geral com que os europeus deixaram Ukraina - Yanukovych não tomará qualquer decisão sobre Tymoshenko até o último momento. Possivelmente, sobre a libertação poderá anunciar diretamente da Cimeira de Vilnius. Grandes, mas infrutíferas esperanças ele coloca na mudança da retórica da Alemanha após as eleições para o Bundestag. O principal interesse dele hoje - são garantias de não retorno da Tymoshenko a Ukraina - após o tratamento na Alemanha e na véspera da eleição presidencial. E se ele tiver um centésimo de chance assinar o Acordo de Associação sem libertar Tymoshenko - ele o aproveitará. Possivelmente até, sacrificando a própria associação. Pelo menos, o cenário da não assinatura do Acordo Yanukovych também comentava em Yalta.

Reunião: "Estratégia Européia de Yalta" foi elaborada  com o apoio da Fundação de Viktor Pinchuk.
(Viktor Pinchuk é um oligarca, genro do ex-presidente Kuchma. Reuniões anuais. OK)

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: A.Oliynik