segunda-feira, 18 de novembro de 2013

CANADÁ RECONHECE O HOLODOMOR UCRANIANO

SEMANA HOLODOMOR - 80 ANOS

Nesta semana promoveremos uma série de reportagens para homenagear as vítimas do maior carniceiro russo de todos os tempos. O tempo: 1932-1933. Tanto os ucranianos quanto a humanidade não podem jamais esquecer estas data quando foi cometido um dos maiores genocídios da história humana contra uma única nação: 7 milhões !

O Cossaco
 
Através da fome queriam destruir a identidade nacional

Premier Canadense
Em 24.11.2012

O primeiro-ministro Stephen Harper em seu discurso por ocasião do 79º aniversário do Holodomor exortou todos os canadenses para honrar a memória de milhões de ukrainianos mortos pelo bárbaro regime comunista dirigido por Stalin.

Isto é afirmado no comunicado divulgado no site do Primeiro - Ministro do Canadá.

"Este sábado eu convido todos os canadenses para honrar a memória de milhões de homens, mulheres e crianças - principalmente, trata-se de ukrainianos, mas também casaques e russos - que morreram durante a fome-genocídio de 1932-1933, perpetrado pelo bárbaro regime comunista de Joseph Stalin", - diz o chefe do governo canadense. Harper explica: "Enviando líderes políticos, religiosos e cientistas aos campos de concentração, privando impiedosamente famílias inocentes dos produtos agrícolas e da pecuária necessários para sobrevivência, os "soviéticos" aspiravam destruir a consciência nacional ukrainiana."

"Mas o espírito da nação ukrainiana é invencível. Seus filhos e filhas sobreviveram durante estes e outros tempos sombrios para levantar-se e derrubar os grilhões soviéticos, lutando pelos valores que honramos hoje: liberdade, democracia, direitos humanos e Estado de direito", diz o apelo.

De acordo com Harper, Canadá se orgulha por ter mais de um milhão de cidadãos de origem ukrainiana.

"Muitos deles perderam seus entes queridos durante este ato brutal de maldade e fome, - sublinhou o primeiro-ministro. - Nosso governo reconhece essas perdas. Em 2008 Canadá se tornou o primeiro país que reconheceu essa ignominiosa página na história da humanidade como ato de genocídio, e além disso, foi o primeiro país ocidental que reconheceu a independência da Ukraina. Dois anos atrás eu tive a honra de expressar o meu respeito às vítimas do Holodomor no Memorial e Museu de Kyiv".

O chefe do governo conclamou os cidadãos do Canadá para se unir aos ukrainianos canadenses durante os eventos em memória das vítimas do Holodomor em todo país, para lembrar aqueles que morreram nesse triste momento da história ukrainiana.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

sábado, 16 de novembro de 2013

A UCRÂNIA E O FMI

Sem o dinheiro do FMI não haverá pensões, nem salários!

Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 07.11.2013
Zinovia Voronovych

Колаж Ігоря НЕСТЮКА


Até o final do ano, mesmo para pagamentos prioritários faltam 18 bilhões de UAH.

O próximo inverno promete ser frio e faminto. De acordo com informações extra-oficiais, o presidente autorizou aumento significativo nas tarifas de gás para população. Além disso, o governo prepara uma série de regulamentos e leis que abolirão parte de benefícios sociais e benefícios para empresas. Tudo isto são recomendações do FMI e se não forem cumpridas - o FMI não dará dinheiro. Sendo que esta é a última esperança, porque no orçamento não há dinheiro suficiente para chegar até o próximo ano. De acordo com várias estimativas, para novembro e dezembro, no caixa do governo faltam de 10 a 18 bilhões de UAH  - para pagamento de salários dos funcionários e outros custos sociais.

"Nós necessitamos não somente a continuação da cooperação com o FMI. Nós necessitamos um empréstimo até o final do ano. Se não recebermos este empréstimo, o governo não poderá fechar este ano fiscal. E, os interesses de ukrainianos comuns precisarão ser sacrificados - diz o presidente do Comitê de Economistas Andrii Novak - O FMI empresta dinheiro apenas quando está certo da solvência do devedor. Então, o empréstimo virá, apenas quando eles estiverem certos que Ukraina poderá devolver o dinheiro com juros. Para isso eles analisam as maiores despesas do orçamento e exigem que os problemas sejam afastados. Na Ukraina o déficit está no fundo de pensões, "Naftogaz" e nos enormes custos sociais. Se o governo quer ou não, ele terá que satisfazer as exigências do FMI, pois com sua política nos anos anteriores levou a si mesmo para um beco econômico sem saída.

Principais problemas: Este ano o governo estabeleceu o crescimento do PIB em 3,5%. Então temos uma queda de 1,5%. E, porque o orçamento recebe menos do previsto surgem problemas com o pagamento dos salários. Muitos educadores já experimentaram salários atrasados, e aqueles trabalhadores que "arriscaram" ficar doentes já por alguns meses esperam pelo "seguro social" e, não se sabe se receberão antes do final do ano. 

A situação com pagamentos do orçamento ocorre todos os anos, tradicionalmente em novembro-dezembro. Este ano, os problemas iniciaram ainda em junho, diz o deputado membro da Comissão de Trabalho e Política Social Pavlo Rozenko. Já por vários meses não se paga a ajuda relacionada a gravidez e parto, subsídio de desemprego, licenças médicas, salários. As estatísticas oficiais escondem a verdadeira situação. Muitos funcionários públicos são enviados em licença às suas próprias custas. E isto não são casos isolados. Esperar alguma melhoria não vale a pena - as pessoas precisam estar preparadas aos atrasos de salários, e até pensões. E, com tudo isto, ainda começaram a falar sobre aumento de tarifas.

Segundo Oleksandr Okhrimenko, presidente do centro analítico ukrainiano: "Aumentar as tarifas para população não trará resultados. Aumentar o preço do gás sem a reconstrução do sistema de aquecimento e instalação de medidores não dará resultado. Deixar a taxa do dólar cair para 9 UAH é sem sentido. A taxa deve flutuar dentro de 2,5%  do curso oficial. E ela se encaixa nestes limites. Em geral, não estou inclinado para dramatizar a situação com o déficit orçamentário. Nós nunca temos dinheiro suficiente no final do ano. Farão uma remissão técnica - e pagarão todas as dívidas". - Concluiu Okhrimenko.

Mas gastarão o dinheiro do próximo ano! Então, se no ano passado faltou dinheiro em novembro-dezembro, este ano em setembro-outubro, no próximo ano os problemas começarão desde o verão.


Salo novamente entre nós

Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 31.10.2013
Yulia Lishchenko, Omar Uzarashvili 

Em Lviv - mudança de governadores: demitido "procurador" Viktor Shemchuk, nomeado "policial" Oleh Salo. Para muito é um choque!

Фото Мирона МАСЛЮКА

Oleh Salo - primeiro a esquerda. Viktor Shemchuk - segundo da direita.

No dia 31.10.2013, o presidente nomeou para governador da Administração Estatal Regional de Lviv Oleh Salo. O anterior Viktor Shemchuk foi nomeado assessor presidencial.

A notícia soou como um raio num límpido céu. Todos ficaram chocados! Assim que surgiram as ordens de nomeação/exoneração no site oficial do Presidente, cerca das 14 horas, foi dada a posse ao novo governador.

Numa conversa com jornalista, praticamente na véspera, Viktor Shemchuk disse que gostaria permanecer em Lviv até as Olimpíadas de 2022. "Se eu puder trabalhar aqui até esta data, estarei feliz e orgulhoso". Ele permaneceu no cargo apenas oito meses. Seu governo, em geral, foi positivo. Ele não se envolveu em nenhum conflito ou escândalo público. Tinha bom relacionamento com os deputados e nem uma vez recebeu o voto de falta de "confiança" como seus antecessores. (A região de Lviv, na parte ocidental da Ukraina, é a região onde predomina uma população patriótica, que é pelo distanciamento do "grande irmão russo", onde viceja o idioma ukrainiano e cultivam-se, ainda, as antigas tradições. Consequentemente é a região de forte oposição ao governo Yanukovych - OK).

Ao ser convidado ao púlpito, a sala explodiu em aplausos. Embora Shemchuk tentasse sorrir, estava claro que se esforçava, que lhe doía... Agradeceu a todos pela colaboração - "a amigos e oponentes por encontrarem uma linguagem comum". Desejou a Oleh Salo bom trabalho e concluiu: "Desejo-lhe tudo de bom. Glória a Ukraina".

Oleh Salo não consegui iniciar seu discurso. Muitos gritavam: "Vergonha!" e "Como o senhor não se envergonha!" Finalmente, ele conseguiu dizer: "Eu sou desta província. - O meu problema é que aqui haja prosperidade, felicidade, paz e tranquilidade. Espero colaboração mútua. Nós vamos trabalhar com honestidade, imparcialidade e execução de tarefas no menor tempo possível. Que Deus os proteja!".

Algumas opiniões:

Yurii Lutsenko, ex-ministro do Interior: Esta designação é sinal de como Yanukovych planeja realizar as eleições presidenciais. O governo está ciente da impossibilidade de ganhar honestamente. Salo é especialista em lançar explosivos em jornal da oposição, na falsificação de resultados oficiais...

Anatoli Romaniuk, cientista político: Viktor Shemchuk foi um dos melhores governantes de Lviv - em termos de compreensão de problemas, capacidade de comunicação com diversos meios. Ele não se compara a outros governadores. Os resultados de seu trabalho mostraram que ele pode resolver problemas de importância nacional.

Querem a demissão de Oleh Salo

Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 07.11.2013
Yulia Lishchenko

A oposição começou a coleta de assinaturas para inclusão na agenda do Conselho a questão da desconfiança ao novo governador.
Os líderes dos três partidos da oposição: "Pátria, "Svoboda" (Liberdade) e UDAR (Aliança Democrática Ukrainiana  pelas Reformas) emitiram uma declaração conjunta e iniciaram a coleta de assinaturas para inclusão na ordem do dia da sessão plenária do Conselho de Lviv à questão da desconfiança a Oleh Salo. Assinaram os líderes dos três partidos Arsenii Yatseniuk, Vitali Klychko e Oleh Tiahnybok.

Por quê os ukrainianos de Lviv não gostam de Oleh Salo

1. Quando ele era o principal miliciano de Lviv era assustador viver - à Irmandade estudantil jogaram uma granada, pelos folhetos e ações contra o presidente Kuchma os estudantes apanhavam, eram processados, das universidades exigiam ações contra eles.

2. Em fevereiro de 2005 contra Salo foram apresentadas duas questões criminais: pela transgressão do direito eleitoral e abuso da condição profissional. Foi anunciada busca internacional.

3. Desde o ano 2000 Salo mantinha amizade com o famoso criminoso russo, fundador do "Clube Russo" Máximo Kurochkin, ou Maks Bieshenei, o qual, em 2007 foi alvejado por um franco-atirador quando saía do Sviatoshynskyi Tribunal de Kyiv.

4. Em 2006 as questões contra Salo foram suspensas e ele candidatou-se ao Parlamento pelo bloco de Natália Vitrenko, financiado pelo criminoso russo Kurochkin.

5. De acordo com o general Moskal, em 2012, por ordem de Salo "Berkut" (polícia) tomou de assalto as cédulas eleitorais do distrito eleitoral Nº 132 em Mykolaiv onde vencia o empresário-agricultor Arkadii Kornatskyi (As eleições foram consideradas inválidas mas, Arkadii Kornatskyi chegou a sair do país por algum tempo porque temia por sua vida - OK)


Tradução: Oksana Kowaltschuk

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Últimas notícias sobre o Acordo de Associação

Notícias dos jornais "Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana) e Ukrainskyi Tyzhden (Semana Ukrainiana), de 13 a 15 de novembro de 2013


De acordo com o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, a decisão de prorrogar a missão foi aprovada por unanimidade  por todos os líderes dos grupos políticos.
A Conferência dos Presidentes decidiu, por unanimidade prorrogar a missão de Cox-Kwasniewski até a Cúpula de Vilnius para tentar encontrar uma solução." - disse ele na noite de 13 de novembro, em uma conferência de imprensa realizada após o término da leitura do relatório da missão na Conferência dos Presidentes.
Então, já no início da próxima semana a missão do Parlamento europeu retornará a Kyiv, como destacou Cox, não para interferir, mas para prestar assessoria e atuar como mediadores em possíveis negociações.

Neste dia, 13 de novembro o Parlamento ukrainiano não aproveitou a chance para aprovar três projetos de integração européia. Não houve votação.

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A oposição conclama os ukrainianos para um comício de apoio à assinatura do Acordo de Associação com a UE, no próximo dia 24. Isto é afirmado pelos partidos "Pátria", "Svoboda" (Liberdade) e  'UDAR" (Aliança Democrática Ukrainiana pelas Reformas).
 A oposição lembrou que a própria Tymoshenko, por várias vezes falou para não colocar o Acordo na dependência de seu destino pessoal futuro, não importa quão difícil possa ser ele.
A oposição lamenta a interrupção do Acordo. "É a inevitável volta ao passado, para o império neo-soviético chamado "União Aduaneira". Está fechada para nós e nossos filhos a porta da Europa civilizada".

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Oksana Khmyliovska: Yanukovych realiza um cenário cínico para acusar a UE na interrupção do Acordo de Associação. Se a UE, de acordo com as recomendações da missão do Parlamento Europeu (Cox-Kwasniewski) decidir se opôr à assinatura do Acordo, ele poderá, repentinamente, encontrar uma saída política ou legal, e libertar Tymoshenko, transferindo toda culpa para Europa. Este é o pensamento do cientista político Viktor Nebozhenko, dirigente do serviço sociológico "Barômetro Ukrainiano".

Mas, se mesmo no último dia Yanukovych não forçar os deputados para aprovar a lei que mudará o status da ex-primeira-ministra, a responsabilidade vai ser unicamente dele. A reunião extraordinária de hoje mostrou que o Partido das Regiões faz tudo para sabotar o processo de integração, e a oposição simplesmente não tem votos suficientes.

"O Conselho trabalha de acordo com a determinação de Yanukovych, e Europa tem consciência de que isto é um jogo. Então, provavelmente, a missão de Cox-Kwasniewski não alcançará resultado positivo nestes poucos dias de prorrogação.
Cox-Kwasniewski não farão cerimônia com Ukraina, porque eles tem responsabilidade perante o Parlamento Europeu. Mas isto não significa que Yanukovych  não será convidado, como o presidente da Armênia - a assinar a declaração habitual de amizade e cooperação entre as nações ukrainiana e européias", - disse Nebozhenko.

"E, no caso da Europa revogar a assinatura e Yanukovych "de repente" encontrar um meio político ou legal para libertar Tymoshenko, ele vai culpar a Europa. Esta opção já realiza o primeiro-ministro Mykola Azarov, que declara serem os políticos europeus culpados por Tymoshenko não estar em liberdade", -acrescentou o especialista.

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Lutsenko (o ex-preso político indultado pelo presidente. Por sinal, surgem pedidos a Yanukovych para que retire o indulto que consideram ilegal já que Lutsenko não pediu, pessoalmente, para ser indultado - OK) apoia os líderes da oposição e conclama o povo para sair à rua. Ele considera que esta é a única chance para evitar que Yanukovych e o Partido das Regiões roubem o futuro dos ukrainianos.

"Nós contamos com você! Ouço muitas palavras de ceticismo. Aos políticos, e a mim em particular, tem porque não gostar. Mas isso não é motivo para não fazer nada.
Tudo o que a mafia precisa - é a sua indiferença.
É possível enfurecer-se e agir. Então, 24 de novembro poderá ser o início da mudança".

"Nós contamos com você!"

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O governo joga sujo, sempre, em todas as ocasiões.
Em Dnipropetrovsk foi programada uma mesa redonda na Câmara dos cientistas, no dia 14, quinta-feira, com a participação do líder do movimento popular "Terceira República Popular" Yurii Lutsenko, sobre o tema da eurointegração da Ukraina.
A reunião não realizou-se porque a luz foi desligada.
Lutsenko prometeu que o encontro  será realizado em outro local. O dinheiro pago adiantado, pelas despesas, não será exigido porque a casa dos cientistas enfrenta dificuldades financeiras.
O movimento "Terceira República Popular" é financiado por três principais patrocinadores. Um deles é o ex-deputado Oleksandr Tretiakov, os outros dois são banqueiros, mas querem permanecer anônimos.

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A oposição concluiu o projeto de Lei em relação a Tymoshenko "com inclusão das observações do Partido das Regiões (os governistas não mais participam na elaboração dos projetos que podem favorecer Yulia Tymoshenko - OK).
Os representantes da oposição no grupo parlamentar de trabalhos na elaboração do projeto de lei quanto ao tratamento de prisioneiros no exterior realizaram uma reunião e finalizaram o projeto de lei Nº 3.599. Também incluíram as observações do perito científico e principal gestor do Parlamento.

Segundo Kozhemiakin foram considerados 90% das observações do perito. Deste modo o grupo decidiu todas as questões levantadas pela gestão da perícia científica. Também foram consideradas as observações "que foram feitas pelos representantes do Partido das Regiões, durante uma reunião do grupo de trabalho."
O projeto de lei prevê uma interpretação no cumprimento da pena. A pessoa que necessitar de tratamento no exterior se compromete, por escrito, voltar a Ukraina após finalizado o tratamento, no máximo em dez dias. O pagamento de tal tratamento será efetuado pela própria pessoa.
O projeto foi registrado no Parlamento sob o número 3.599-D.

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O presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, pelo telefone, lembrou a Yanukovych sobre Vilnius. A conversa foi agendada.
Também deve haver uma conversa telefônica do Comissário da UE Stefan Füle com o primeiro-ministro da Ukraina Mykola Azarov. 
No caso do Parlamento ukrainiano decidir pelo "pacote de integração européia" Stefan Füle
visitará Ukraina no dia 21 de novembro.
Como se sabe, Kyiv ainda não cumpriu as condições da UE, especialmente em relação às reformas da promotoria, da lei eleitoral e a libertação da ex-primeira-ministra Tymoshenko.

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Andrii Kluiev, presidente de Segurança e Defesa Nacional assegurou à missão de Cox-Kwasniewski que a "questão Tymoshenko" será decidida na próxima semana.
Sobre isso escreve o influente jornal alemão "Die Frankfurter Allgemeine Zeitung"
"O Parlamento ukrainiano, em que o partido do presidente Viktor Yanukovych tem a maioria, pode aprovar a lei que permitiria a prisioneira Tymoshenko, que apresenta problemas com as costas, fazer tratamento no estrangeiro. Isto aconteceria já na próxima terça-feira", - escreve a edição.
"É, exatamente, em vista destas declarações, convence a edição, a missão Cox-Kwasniewski foi prolongada até a Cúpula de Vilnius.

Resumo e tradução: Oksana Kowaltschuk


sábado, 9 de novembro de 2013

UCRÂNIA x UNIÃO EUROPÉIA: Negociação ou enrolação?

Partido das Regiões prepara o fracasso do Acordo de Vilnius

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 08.11.2013
Mustafa Naiem


Pela 25ª vez vieram a Ukraina os representantes da UE Pat Cox e Alexander Kwasniewski. No dia 14 de novembro eles devem apresentar o relatório final de sua missão na Ukraina, cujo principal objetivo é a liberação de Yulia Tymoshenko. Em 18 de novembro deve acontecer a reunião do Conselho de Ministros da UE. Nesta ocasião deve ser dado o principal sinal aos participantes da Cimeira da Parceria Oriental quanto a assinatura do Acordo de Associação com Ukraina.

Na quinta-feira, 07 de novembro, Cox e Kwasniewski, recebidos pelo presidente, ficaram agradavelmente surpresos com os resultados das negociações.   Yanukovych lhes disse que aprecia a posição dos europeus e, espera apenas a decisão do Parlamento. E, ainda prometeu que, imediatamente, após a visita, telefonaria ao presidente do Parlamento V. Rybak e ao lider do Partido das Regiões A. Efremov, pedindo a rápida aprovação do necessário projeto.

Enquanto Cox e Kwasniewski admiravam-se com a "bondosa" receptividade de Yanukovych,  os líderes da oposição tentavam entrar em acordo quanto a aprovação do projeto de lei em relação a solução da questão Tymoshenko com o presidente do Parlamento V. Rybak e A Efremov.

Conversa franca

Quando Cox e Kwasniewski se reuniram com os representantes da oposição, felizes, anunciaram que faltava solucionar apenas alguns pormenores. Os oposicionistas tentaram lhes explicar que estavam sendo enganados, mas os europeus não podiam desacreditar das palavras do presidente Yanukovych. Então todos se dirigiram ao gabinete do presidente do Parlamento. Os oposicionistas novamente perguntaram a V. Rybak e A. Efremov, se realmente, em tão exíguo tempo, poderão aprovar o projeto referente ao tratamento da Yulia Tymoshenko.  Efremov respondeu que ainda não havia nenhum projeto de lei, porque o grupo de trabalho ainda não começou a apreciação e consolidação das opções existentes.

Cox e Kwasniewski ficaram surpresos e, mais uma vez reafirmaram que o prazo é curto, que a lei deve ser aceita até o dia 14 de novembro. Em resposta Efremov respondeu que a estas questões ele não pode responder, porque com tudo deve ocupar-se o constituído grupo de trabalho, e quando eles finalizarão o trabalho, ele não sabe.

Os europeus ficaram atônitos com tal resposta. "Como pode ser assim, - eles perguntaram, - nos prometiam em todos os encontros, que a questão já está quase resolvida e somente falta a palavra do Parlamento, mas aqui está tudo pronto?"

Seguiu-se uma longa discussão ente Kwasniewski e Efremov. No final, Kwasniewski disse que ele não acredita mais nas promessas, porque tudo depende da vontade política, que ele não percebe. Os europeus deixaram o edifício do Parlamento, como de costume - sem quaisquer comentários. (Segundo o jornal "Verdade Ukrainiana" estes acontecimentos foram relatados pelos líderes da oposição, participantes diretos - e, confirmados por mais duas pessoas presentes - OK)

O que espera Viktor Yanukovych

Por mais estranho que possa parecer, Yanukovych e sua equipe ainda esperam que conseguirão o Acordo de Associação sem a solução do caso Tymoshenko, o qual eles consideram capricho dos europeus. Que os europeus acreditarão na posterior libertação da Tymoshenko. E contam que a principal alavanca de pressão sobre os europeus é o medo dos europeus da influência russa na política externa da Ukraina.

Fracasso do Acordo

De fontes próximas ao governo, cada vez mais se ouve a idéia de que a conservação do status quo pode proporcionar mais vantagens a Kyiv que a assinatura do Acordo de Associação, além de ainda jogar a culpa da não assinatura na oposição e na própria Tymoshenko.

A não assinatura enfraquecerá substancialmente a pressão da Rússia sobre Ukraina e que qualquer cenário negativo em Vilnius ela considerará como vitória sua. No entanto, a não assinatura do contrato, de acordo com os regionais não significa uma ruptura de relações com UE, com a qual será possível continuar o jogo de esconde-esconde, mantendo a imagem de integração européia.

Outro aspecto - dinheiro necessário para cobrir o déficit marcante do orçamento ukrainiano, a interrupção do processo de integração quase certamente pavimentará o caminho para empréstimos a longo prazo e em condições favoráveis da Rússia, com a possibilidade de novas negociações para o preço do gás. Ao mesmo tempo, o Acordo de Associação não significa, automaticamente, recebimento de dinheiro do FMI, nem das estruturas da UE. Pelo menos é o que consideram na administração do presidente.

No entanto, Yanukovych ainda pode dar o último passo a UE. É necessária apenas uma votação, o que dará o sinal apropriado para todas as outras partes do sistema. Há a possibilidade de que, os europeus, mesmo cansados de constantes surtos poderão desviar-se dos prazos estabelecidos.

A única esperança, que ainda resta para os euro otimistas é um milagre

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Pela suspensão da Associação com UE respondem os políticos europeus

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 09.11.2013

A responsabilidade pelo eventual fracasso do Acordo de Associação entre Ukraina e UE estão políticas européias.
Sobre isto, em Donetsk, após uma reunião do Partido das Regiões declarou o primeiro-ministro Mykola Azarov e indagou: "E quem faz tudo pela assinatura?"

"Mas se alguém, isto se refere aos políticos europeus, terá coragem de colocar na balança o destino do país, e muito duvidosa exigência em relação a Tymoshenko, então assumirá a responsabilidade. E isto não será nossa responsabilidade... , não nossa", - declarou Azarov. 
E ainda acrescentou: "Presidente e governo fazem o melhor possível, para que o Acordo seja assinado.

(Mentiras e cinismo para enganar o povo - OK)


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A assinatura do Acordo de Associação entre Ukraina e UE pode não acontecer

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 09.11.2013

Yanukovych novamente, durante as duas últimas semanas, aconselhar-se-á com Putin sobre o futuro.

O encontro anterior foi em Sochi no dia 27 de outubro. No dia 25 de outubro, durante uma reunião dos países da CEI (Comunidade dos Estados Independentes: Rússia, Bielorrússia, Azerbaijão, Armênia, Cazaquistão, Quirguistão, Moldávia, Tadjiquistão e Uzbequistão. Ukraina, formalmente, é apenas país observador) Yanukovych propôs a criação de um permanente formato consultivo: "Ukraina - União Européia - União Aduaneira". Putin declarou que a adesão da Ukraina à UA, após assinatura de Associação com a UE se torna impossível. (Não é a primeira vez que Yanukovych expressa seu desejo às duas alianças, não é a primeira vez que Putin diz "Não!" - OK)


Tradução: Oksana Kowaltschuk

domingo, 3 de novembro de 2013

O DESCONHECIDO PRESIDENTE GEORGIANO


Vakhtang Kipiani
Ex-chefe da "Verdade Histórica", especialmente para "Semana Ukrainiana a partir de Tbilisi.
Em 29.10.2013

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Mikheil Saakashvili
Mikheil Nik'olozis dze Saak'ashvili ou simplesmente Mikheil Saakashvili, como é mais conhecido, é um político georgiano, e presidente daquele país desde 2004, tendo sido reeleito em 6 de janeiro de 2008, com 52,8% dos votos.
Nascimento: 21 de dezembro de 1967 (45 anos), Tbilisi, Geórgia
Mandatos presidenciais: 20 de janeiro de 2008 – 17 de novembro de 2013, 25 de janeiro de 2004 – 25 de novembro de 2007

Mikhel Saakashvili, um dos poucos presidentes democráticos europeus que conseguiram permanecer no cargo por tanto tempo, dez anos.
Ele se tornou presidente após a "Revolução das Rosas" e completa dois períodos de cinco anos no cargo do país, onde cada taxista se considera, no mínimo Talleyrand. Isto é um milagre político.

Nestes dias não há escassez de publicações sobre como e por que chegou ao final a "era Saakashvili". Surgiram muitos comentários. Uns dizem que a página Saakashvili está virada para sempre. Outros demonstram certeza, que para uma pessoa de 45 anos é muito cedo prescrever aposentadoria política. Parece que os últimos têm razão.

Últimos dias de Saakashvili

A poucos dias do término de seu mandato, o presidente convidou jornalistas à sua casa, uma pequena residência num bairro suburbano, onde viveu durante os últimos anos. Lá eles viram como a "cheta" (destacamento armado nos Balcãs) presidencial recolhe objetos, brinquedos, e até mesmo conservas em vidros de 3 litros, para levar à velha-nova residência na rua Barnova. Exatamente Onde Mikhel e Sandra viveram até 2003.

O ex-presidente demonstra claramente o curso de ação. Humildemente carrega caixas de papelão com roupas e livros, gaiola com coelhinho e promete viver no apartamento da vovó, no prestigioso bairro de "professores e intelectuais", chamado Vake. Seus vizinhos serão aqueles que teimosamente votaram contra ele e contra o seu partido nas recentes eleições. E, para terminar com o falatório, um outro terreno onde pretendia construir uma casa para aposentadoria, Saakashvili decidiu vender e, o dinheiro aplicar na construção da "biblioteca presidencial."

Dois meses atrás eu perguntei ao político com o que ele se ocupará quando deixar o palácio presidencial. Mikhel respondeu que permanecerá na política, porquanto tem muitos e ativos adeptos e ainda não aproveitado todo potencial e, em geral, exalava otimismo. Ele até disse que não era contra retornar ao governo, para prosseguir na reforma radical. Um seu amigo próximo, Giga Bokeria, que também finaliza os últimos dias como chefe do Conselho de Segurança da Geórgia, disse não ter dúvida de que Saakashvili permanecerá na política. Porque seu partido "Movimento Nacional Unido" foi capaz de sobreviver o ano sob repressão furiosa e conseguiu o dobro de votos do recente prognóstico dos sociólogos. (A um ano atrás foi eleito como primeiro ministro Bidzina Ivanishvili, cuja meta era, justamente, derrotar Saakashvili, um político pró-europeu.

A escolha de um presidente fraco

A eleição presidencial deste ano foi, significativamente, diferente de todas as anteriores. Primeiro, as modificações na Constituição transformaram Georgia em uma república parlamentar onde o órgão legislativo nomeia o primeiro-ministro. O presidente já não tem influência sobre as personalidades do poder e não pode dissolver o parlamento.  O ex-ministro da coordenação de reformas Kakha Bendukidze compara a autoridade do presidente georgiano ao presidente da Alemanha.

Em segundo lugar, a sociedade considerou as eleições de 27 de outubro como uma continuação e o acordo final, na questão da transferência de todo o poder de Saakashvili e seu partido nas mãos da coalizão "Sonho georgiano".

A palavra "coabitação", no vocabulário político georgiano tornou-se firme - imediatamente após as eleições parlamentares do ano passado, quando o bilionário russo-francês Ivanishvili recebeu o mandato dos eleitores para o poder, mas ao mesmo tempo uma figura bastante forte - e de jure e de fato - continuou como presidente.

Saakashvili tinha todo o direito constitucional de nomear os ministros da Defesa, do Interior e dos Negócios Estrangeiros. Mas, isto significaria guerra dentro das paredes do governo. Ele desistiu de seu direito de preencher todos os cargos com suas pessoas. Esperando, com isso, o respeito aos direitos da minoria oposicionista e ao próprio presidente - lider do "Movimento Nacional Unido".

Ivanishvili, embora francês no passado, não seguiu a política européia fina, como Mitterand e Chirac. Ele lançou aos centros de detenção muitos funcionários da equipe de Saakashvili, incluindo o Secretário Geral do partido do presidente Vano Merabishvili. Ao criador do milagre policial culparam em alguns episódios hilariantes. E, quando seus advogados rebatiam o ataque dos procuradores e o caso desmoronava, então lhe apresentavam nova acusação. Clássica do gênero - "havendo pessoa,  o processo encontrar-se-á".

Saakashvili tentando colocar na prática da política georgiana a coexistência de várias forças antagônicas falhou. Seus eleitores acusavam-no de que ele "entregou-se", permitiu "bandidos" no governo e "agentes russos". Os eleitores de Ivanishvili também estavam com raiva. Para eles Mikhel é um "tirano" e "criminoso", e nenhum acordo com ele pode haver.

Deste modo, os georgianos participaram das eleições com diferentes motivações. Bidzinistas - para liquidar o dualismo e entregar todo poder ao primeiro-ministro. Os partidários de Saakashvili - para provar que existem, apesar da repressão, e manter-se como principal partido de oposição do país. Todas as tarefas foram concluídas em 27 de outubro.

O fim da campanha eleitoral

A campanha pré-eleitoral de Tbilisi é pouco semelhante, por exemplo, à de Kyiv. Não há agitadores, nem tendas que se tornaram detalhe familiar do cenário político ukrainiano. Jornais e folhetos não se imprimem, com programas dos pretendentes e, portanto, não se jogam nas caixas dos correios, e não andam de porta em porta aos apartamentos. 
Há cartazes nas ruas, colados em longos "rosários" e propaganda na TV. Aqui depende tudo dos recursos captados. O blogger "Konstardiy" calculou - para obter 1% de votos David Bakradze, o candidato do partido Saakashvili gastou 7.506 lari (cerca de 4.500 dólares). O partido de Ivanishvili desembolsou mais de 69.300 lari. A agitação e propaganda de Burjanadze foi ainda mais cara: 1% para o presidente do Parlamento custou 98.855 laris.

Eram 23 candidatos registrados oficialmente. Um grupo não se preocupava em vencer, o importante é participar. A candidata mais conhecida na Ukraina - a ex-presidente do Parlamento, antigo membro de oposição durante a "Revolução das Rosas", em 2003, Burjanadze. Ela é considerada a principal fornecedora da política russa na Geórgia, uma espécie de Medvedchuk, que desempenha este papel na Ukraina. Mas é a pessoa mais carismática e capaz a riscos na participação em políticas públicas. Por muitos anos esteve na marginalidade mas, chegou o seu tempo. Parte da sociedade georgiana decepciona-se com o ídolo de ontem do "Sonho georgiano", mas sob nenhuma circunstância votará no partido de Saakashvili. Uma avaliação grosseira do eleitorado de Burjanadze, são "sovkê ( pessoas soviéticas mutiladas espiritualmente) saudosas do antigo regime. Elas, ingenuamente pensam, que além das montanhas do Cáucaso as amam e esperam. Que os russos estão dispostos a colocar os seus produtos agrários nos mercados, que o serviço de migração e a polícia vão vê-los como pessoas, e não como "vacas leiteiras" e que o bom Putin está pronto para auxiliá-las na restauração da integridade territorial de Sakartvelo (Este é o nome que os georgianos dão a seu país. Geórgia, nome adotado pelos europeus e americanos, vem de Djordjia, nome santo muito venerado neste país - OK). E que todos os problemas - é por causa do "estúpido Mishiko" (Mikhel Saakashvili).

Fundos enormes que do nada, pouco antes do início da eleição, apareceram em Burjanadze, e deram-lhe a oportunidade de ir a um sólido terceiro lugar - primeiramente nos rankings sociais, depois na eleição. Seus retratos estão em toda parte, nos ônibus amarelos da empresa ukrainiana "Bohdan" (muito populares em Tbilisi), em outdoors e vitrines.

David Bakradze - um pouco relutante candidato do ex- "partido do poder". Com a prisão do Vano Merabishvili, Saakashvili não teve um candidato carismático, bom de voto. Nas eleições primárias venceu Bakradze. Ele foi presidente do Comitê para integração européia, depois ministro de Regulação de Conflitos e das Relações Exteriores. Todos os pontos negativos do governo dos nacionalistas (Saakashvili) colocaram sobre ele.

Marhvelashvili - candidato de Ivanishvili (primeiro-ministro), o que deu possibilidade ao pouco conhecido professor de filosofia a ocupar a presidência. Ao Ministro da Educação, ao contrário de seus antecessores, não há o que mostrar a seus eleitores, de seus feitos pessoais. Ele não tem vôos nem quedas. Um ratinho cinza que acidentalmente encontrou-se num papel não peculiar a si - mas assim decidiu Bidzina Ivanishvili, e isto é suficiente.

No entanto, ao lado de Ivanishvili tem um candidato muito mais forte - 40 anos, carismático, fala inglês, orientado para UE e OTAN - ministro da Defesa, Irakli Alasania. Uma das poucas pessoas com princípios, do "Sonho Georgiano", lider do partido "Nossa Geórgia - Democratas Livres". Independente, com ótimos contatos em Washington e Bruxelas, ao contrário de seu chefe que após um ano no cargo de primeiro-ministro permaneceu desconhecido do mundo. Exatamente por isso ele não recebeu a bênção de Ivanishvili, e um ninguém Marhvelashvili - facilmente.

Comparecimento às urnas

46,6%. Tão baixa participação nunca houve. Apenas em duas regiões Guria e Racha Lechumi alcançaram 58,9%. Em Kveno Kartli menos de 38%. Seja como for, mas nesta situação o vencedor logo se tornou presidente da minoria.

Falsificação não houve. Quando o eleitor entrava, seu dedo polegar era iluminado com uma lanterna especial. Após o voto, neste dedo era colocada uma solução invisível. O voto duplo, mesmo com vários documentos, assim não funcionaria.

Mas, na região-berço do primeiro-ministro votaram 64,7%. Bidzina Ivanishvili, em princípio, é uma boa pessoa. Durante muitos anos ele pagou por seus compatriotas as despesas municipais (água, luz, serviços), educação nas universidades, presenteava com antenas, fertilizantes, roupas. Não só em palavras, mas em atos, era o "pai de família". Como, por exemplo, outro benfeitor - Leonid Chernovetsky (ukrainiano - ex-prefeito de Kyiv). O que os une é que, tendo considerável capital, não criavam nenhum emprego, preferindo distribuir esmolas aos necessitados.

Cultivar miseráveis marginalizados é muito fácil. E Ivanishvili obteve êxito. Mais de 94% de seus conterrâneos votaram pela continuação da distribuição de "esmolas". Isto também é (anti)record destas eleições.

Ao vencedor não julgam. Ao perdedor - frequentemente é possível.

George Marhvelashvili tornou-se presidente de Sakartvelo com 62% de votos. David Bakradze - 21,7% e Nino Burjanadze - 10,16%. Esta última não reconheceu os dados sociológicos e declarou desonestidade na contagem do total de votos. Mas, ela pode sentir-se um pouquinho feliz. De acordo com a legislação georgiana, o partido que recebe mais de 10% de votos recebe do orçamento um milhão de lari para sua atividade política. Então, a política pró-Rússia na Geórgia terá voz.

Bidzina Ivanishvili concentrou todo o poder em suas mãos. Agora não haverá ninguém para amortizar seus problemas e erros. O neófito Marhvelashvili estava feliz, mas ele sabe o seu lugar. Além disso, o oligarca promete demitir-se do ministério em poucas semanas para... controlar o governo a partir do terceiro setor. A impressão é que seus politólogos receberam a incumbência de enfraquecer a Geórgia. Os esforços para tal finalidade podem ser vistos a olho nu.
Ivanishvili lamentou os mais de 20% de votos dados a D. Bakradze. "Isto não é correto, eles também são cidadãos" - o europeu, provavelmente esqueceu sua nacionalidade francesa.

Em compensação Bakradze cumprimentou seu opositor e se ofereceu para trabalhar em conjunto pela Geórgia. Mikhel Saakashvili assim se expressou: "Estou profundamente convencido de que Geórgia está indo para Europa, o eleitor, fortemente, apoia este curso... Todos aqueles que não gostam do resultado das eleições, não devem desistir, cada recuo é temporário. Geórgia terá um futuro muito bom". Dignas palavras, mas a pergunta é - se está pronto o partido dos vencedores a parar as repressões que ameaçam esbarrar no atual chefe de Estado. Sininhos inquietantes já surgiram. A investigação sobre a morte do ex-chefe do Parlamento, uma das principais figuras da "Revolução das Rosas" Zurab Zhvania. Segundo a imprensa, é exatamente neste caso que tentarão fazer Saakashvili "culpado". A espera já não será longa.

Tradução: Oksana Kowaltschuk 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

CRISE NA ECONOMIA UCRANIANA

Os empresários já sentem a aproximação da crise.

Ukrainskyi Tyzhden (Semana Ukrainiana), 2013
Marharyta Ormonadze

O humor dos empresários ukrainianos eloquentemente testemunha sobre as tendências de crise crescente na economia.

 

"Se os jornalistas escrevem, que este ativo pertence a mim e que eu minimizo os impostos, amanhã virá a polícia fiscal e, simplesmente tirarão de mim o meu negócio. Mas agora todos trabalham assim, todo país" - disse em conversa com o correspondente da "Semana", o Sr. Serhii, co-proprietário de uma das maiores empresas comerciais de Kyiv.

Empresários, com os quais conversou "Semana", admitiram que a máquina estatal ukrainiana nunca foi leal aos negócios de não oligarcas, mas as características repressivas e agressivas em favor dos "escolhidos" especialmente se fizeram sentir depois da chegada ao poder do Partido das Regiões. Forma-se a impressão, que os negócios não relacionados com os representantes do governo, agora foram tomados pela posição de alienação mental que se manifesta, frequentemente, pela estagnação. "Evoluir? E para quê? Pois amanhã, alguém do governo notará o meu sucesso e eu o perco. Na melhor das hipóteses receberei um pagamento simbólico, "compensação" simbólica por anos de dedicação na construção de uma próspera empresa. Tais exemplos eu  posso lhe contar centenas", - diz o senhor Serhii.

Durante os três anos de existência de acordo com o princípio "minha casa é ao lado" os representantes do segmento mais ativo da sociedade ukrainiana, a chamada classe média, observava como apoderavam-se dos ativos de seus colegas, concorrentes, parceiros, e aumentava-se a carga tributária. No entanto, até agora, não se atreveram à união para proteção de interesses comuns. O propósito em praça pública aconteceu no longínquo 2010... Como consequência - o declínio da atividade empresarial. Em particular, as agências de recursos humanos constatam aumento de procura, o que significa demissões em massa, especialmente nas empresas de fabricação. Assim, recentemente, sobre os planos de dispensa de 500 trabalhadores anunciou a direção da empresa de construção de vagões Krukov, um dos maiores construtores ukrainianos de vagões ferroviários. De acordo com os dados do portal internacional HeadHunter, em comparação com o primeiro semestre de 2011, a tendência positiva de vagas caiu quase pela metade. Segundo Uliana Khodorkovska, chefe do centro de pesquisa do portal HeadHunter, a tendência principal é a redução de salários: "As empresas incluídas na fase de otimização - em vez de trabalhadores altamente qualificados contratam iniciantes, que exigem salários muito menores". Com isso observa-se o declínio das vagas de trabalho na indústria, e as novas geralmente referem-se às empresas comerciais.

No entanto, os especialistas em falência dizem que durante o último ano as falências aumentaram várias vezes, e as fictícias são poucas. Ilustrativa é a redução significativa da atividade empresarial em Kyiv, onde em algumas ruas quase simultaneamente fecharam várias empresas de diferentes tamanhos. Como na rua Chervonopilska onde, em alguns meses fecharam as portas um café, um salão de beleza, um centro de fitness e uma loja.

Administração de compadres

"Semana" comunicou-se com os representantes de negócios de diferentes escalas e encontrou tês principais tendências que hoje formam as condições para o desenvolvimento do empreendedorismo. Primeiro - reforço na camaradagem em geral, e fortalecimento da centralização através da influência administrativa. À corrupção e constantes extorsões aos empresários não se acostumar. Mas a questão que a 4 - 7 anos atrás ainda era possível resolver com auxílio de presentear o funcionário, a partir de 2010, em muitos casos, não se resolve apenas com suborno. O aparato fiscal por muitas vezes reforçou a sua má vontade em executar a sua função primária - a administração pública eficiente. "Problema da degradação, negligência sistêmica generalizada e a irresponsabilidade daqueles que agem em nome do Estado. No país há, cada vez menos senso comum e tudo isto lembra uma farsa" - constata Valentin Kalashnyk, diretor de marketing da OS-Direct.


Segundo avaliações dos especialistas da "Semana", que trabalham com as comunidades e empresas, as atividades tranquilas têm apenas aqueles que têm relações familiares ou de compadrio com as autoridades locais. Em troca, são muitos os que restringiram ou venderam total ou parcialmente seus negócios aos "reizinhos" locais. Deste modo, o princípio do feudalismo floresceu em todos os sentidos - do pequeno, no nível do compadrio, ao grande, no nível da monopolização de setores-chave. Isso se refere à incorporação de empresas já existentes ao mecanismo familiar-oligárquico construído pelo governo. "O país chegou ao assim chamado coletivismo burocrático em que os lucros são distribuídos entre a burocracia partidária, quando é exatamente ela que gerencia a economia e o estado", - diz o especialista em consultoria de gestão Margarita Chernenko. Significativo, que de acordo com o relatório analítico do Banco Nacional da Ukraina quanto a análise de negócios de empresas ukrainianas "os mais otimistas permaneceram como representantes de grandes empresas envolvidas nas operações de exportação e importação, e aqueles onde a participação da porcentagem no capital estatutário é maior a 25%".

Máquina do medo 

Segunda tendência - o medo constante perante autoridades constituídas. Para se adaptar ao modelo econômico, que construiu-se no território pós-soviético, a maioria dos ukrainianos conscientemente assume desvios, ao contrário não sobrevive: alguns pagam o salário em envelopes*, outros contabilizam duplamente, etc. Um dos fatores chave de negócios bem sucedidos manteve a a possibilidade de ter um "teto" com correspondentes custos para ele. Mas a partir de 2010 (governo Yanukovych) muitos empresários foram colocados na situação em que, ou se encaixavam no sistema de relações do poder, ou acabariam entregando seus bens aos representantes do poder, por uma ninharia. Muitos daqueles, cuja atividade já sofria devido a crise econômica, aceitaram a segunda proposição. "Ao empresário é importante a crença otimista no futuro do seu negócio. Agora isto não existe. Existe uma crença persistente: no momento em que você criar um recurso valioso, ele poderá ser subtraído. Independentemente da escala, tamanho. Primeiro é preciso se preocupar com a proteção e preservação, sobre sua integração ao modelo, onde as regras formais são ignoradas, e as informais constantemente mudam", - declara Valentin Kalashnyk. 

Para consolidar a compreensão, de quem no país é o "senhor", durante os últimos anos em todas as regiões foram organizadas demonstrações de execuções, quando o negócio tiravam totalmente ou em parte. No entanto, poucos se atreveram declarar o ataque ou o surgimento de um novo proprietário ou coproprietário! Publicamente a situação foi apresentada como inspeção programada ou não programada. Por exemplo, funcionários do fisco presentes, mas nada mudou. "A empresa opera como de costume" - tais respostas evasivas recebia "Semana" às suas indagações das companhias que advertiam sobre a possível apreensão de fiscais ou do UBEZ (Escritório de Combate ao Crime Econômico). Por exemplo, no final de 2011 os problemas com a alfândega e impostos surgiram com o proprietário da rede de lojas infantis "Antoshka" Vladislav Burda. No entanto, em dezembro daquele ano o empresário declarou que resolver todos os problemas lhe ajudou o próximo  da "Família" ("Família" são os empresários e políticos que apoiam Yanukovych em todos os seus assuntos, e com ele enriquecem - OK) Yuri Ivaniushchenko, atual deputado do Partido das Regiões. Em 2012 - 2013 as forças de segurança tomavam as principais sedes de muitas empresas conhecidas, com a TMM, internet - loja "Rozytka" e "Sokil". Muitos empresários, cujos negócios na verdade não eram irrepreensíveis e não conseguiram encontrar uma linguagem comum com o governo, foram parar atrás das grades. Em particular , o proprietário do ERDE BANK, Companhia de Seguros "Bem Estar", "Business-Rádio", etc. Ruslan Demchak encontrou-se na prisão sob as acusações de fraudes financeiras. Isto aconteceu na véspera das eleições parlamentares de 2012, às quais ele concorria como candidato independente na região onde o seu oponente principal era o comunista Gregório Kaletnik, que tem laços estreitos com os mais altos escalões do poder. E, apesar de que o próprio empresário já está em liberdade, o ERDE BANK atualmente encontra-se em liquidação, e na maioria de suas empresas, de acordo com a informação da "Semana" mudaram os proprietários, embora isto não foi notificado oficialmente. Sim, é ilustrativo o fato que nos meios de comunicação mais propaganda dos comunistas está sendo transmitida, exatamente na frequência do "Business Radio".

Muitos empresários foram forçados deixar o país devido a pressão direta, política ou empresarial: proprietário da companhia ProstoPrint Denys Oleinykov, concorrente do candidato governista Tetiana Zasukha na problemática região 94, Viktor Romaniuk, proprietário da fábrica "Stalkanat-Sylur", Volodymyr Nemerovskyi e o empresário de Luhansk Ihor Liski, que encabeçavam os centros regionais do partido "Frente de Mudanças" (oposição) durante a campanha eleitoral de 2012. Nas empresas que se ocupam com planejamento offshore argumentam que os empresários ukrainianos tornaram-se mais propensos em pedir para ajudá-los conseguir a certidão de residência.

"A máquina do medo", parece que age não somente no nível de ameaças: o assassinato de empresários e representantes do governo, que de um ou outro modo têm relações com negócios, pela sua frequência e crueldade lembra os anos de 1990.

Incerteza

A terceira tendência, que forma as atuais condições da condução empresarial na Ukraina é que, mesmo na situação de estabelecimento de ditadura centralizada os proprietários de ativos não tem certeza, que dentro de algum tempo, no país, não aconteça divisão do partido do poder, ou uma nova mudança de governo, a qual arraste consigo redistribuição da propriedade.

Obviamente, nessas condições a qualquer empresário surge a interrogação se é oportuna a criação de ativos eficazes. "O futuro não está em foco. Ir para um país estrangeiro ou continuar a luta em seu país natal - tais pensamentos agora estão na cabeça da maioria daqueles, que no mundo todo são estimados como "motores sociais". Muitos optam por um caminho alternativo - temporariamente, por alguns anos "ficar no fundo": obter uma formação adicional, começar a ensinar para não perder-se mentalmente, preservar e aumentar seu próprio valor", - diz Valyntyn Kalashnyk.

Os sentimentos industriais existentes já afetam a sua competitividade - economia no nível macro. "Na experiência profissional, em primeiro lugar no nível de competência entre os gestores estão os valores e hábitos comportamentais. Na Ukraina sobre tais detalhes na avaliação dos governistas nem se cogita, - diz Margarita Chernenko. Como consequência disso há uma forte queda de qualidade a longo prazo, dos bens e serviços pátrios, em resultado da criação de condições favoráveis de negócios para um número de jogadores. Pode-se esperar medidas protecionistas para pavimentar a importação e apoio ao produtor doméstico". Aliás, isto já está acontecendo, como o aumento de impostos e a introdução da taxa de utilização em carros importados.

No entanto, o apoio artificial aos fabricantes nacionais, precisamente aos preferidos, em condições atuais não causará impacto positivo na capacidade de produzir bens e serviços de qualidade. Acima de tudo, quase certamente levará a uma queda ainda maior na competitividade das empresas ukrainianas, que passarão ao controle da "Família", oligarcas e, geralmente àqueles que hoje estão no poder.

* -  "Salários em envelopes", como parte da economia paralela, estabeleceu-se firmemente em nossas vidas e hoje cria inúmeros problemas  tanto para o indivíduo, como para a sociedade como um todo.
Salário no envelope significa que o empregado não foi registrado, ou que seu registro é parcial. Neste caso nem o empregador nem o empregado pagam seus impostos totais, ou pagam parcialmente. O empregado perde não somente o direito à segurança social, por exemplo, no caso de invalidez, como não se habilita à aposentadoria. Como dos "salários em envelopes" não são pagos os impostos, ou parte deles, a primeira vista o enganado é o Estado. Na verdade é a escassez de fundos para a saúde, educação, proteção social, etc.

Tradução: Oksana Kowaltschuk