quinta-feira, 28 de março de 2013

HOLOKOST: O Inferno na Terra - 2ª Parte

LEMBREMOS DE VINNYTSIA - 2ª PARTE
Antin Drahan


LEMBRAM COMO BRAMIU O TERROR
 Na memória recente de milhões de pessoas da escravizada Ukraina  havia três vezes amaldiçoado o faminto ano de 1933. Ainda não foram esquecidas as pessoas inchadas de fome e milhares de outros de pele e osso vagando nas ruas e estradas. Os funcionários dos cemitérios não venciam enterrá-los. Contam que vinham nas casas buscar o cadáver do pai, com sinais de morte pela fome, e para não ter que voltar um ou dois dias depois levavam também os já inchados, mas ainda vivos a mãe e os filhos. Porque quem começava inchar não tinha mais salvação. E, que auxílio poderia receber numa aldeia onde até as cascas das árvores já estavam roídas...

Tudo isso ainda permanecia na memória da população ukrainiana quando nos anos 1936-1937-1938 sobreveio mais uma terrível prostração de terror bolchevique. Na realidade ninguém sabia nem o dia, nem a hora, quando até sua casa viria o "corvo negro", o carro preto e fechado da NKVD, no qual desapareciam para sempre, milhões de pessoas. O "corvo negro" chegava na casa do trabalhador comum, trabalhador do "kolkhoz", ou ainda de assim chamadas pessoas da "inteligência", frequentemente à noite. Os agentes da NKVD realizavam uma busca ou não, ordenando aprontar-se para sair. Era última vez que os familiares viam seu ente querido. Todos os aprisionados o eram sob alegação de serem "inimigos da nação". O motivo imediato do aprisionamento do suspeito - e suspeitos, naqueles tempos de opressão stalinista eram dezenas de milhões - podia ser um cartão de parentes da Polônia ou outro país, às vezes encontrado durante a busca, uma cruzinha ou um missal. Em muitas ocasiões aprisionavam devido à denúncia sem nenhum fundamento.


 
foto 4:  Médicos estrangeiros estabelecem o modo do assassinato.


Essa terrível onda de aprisionamento durou até a explosão da II Guerra Mundial e, dificilmente deixou na Ukraina uma família que não contribuísse com uma vítima ao terror bolchevique. As prisões estavam transbordando de condenados sem julgamento, acusados de "inimigos da nação" porque a sanguinária cúpula de ditadores do Kremlin, encabeçada pelo tirano Stalin, condenou a nação inteira como "inimiga da nação". Ao mesmo tempo ninguém dos aprisionados não só não sentia nenhuma culpa, bem como não poderia tê-la contra tão bárbaro regime. Eram em sua maioria simples trabalhadores, cujo ideal era um só: poder viver e criar seus filhos. Por este ideal entregaram toda sua dedicação, suando camisa nas fazendas coletivas ou fábricas de propriedade estatal. Alguns dos infelizes foram aprisionados sob a alegação de sabotagem, porque a porca da fazenda coletiva não pariu o número de porquinhos previstos no demente plano qüinqüenal de Stalin; outros porque morreu o cavalo da fazenda coletiva. Porém, a maioria foi aprisionada sem nenhum motivo declarado.

Após esses aprisionamentos em massa os familiares tentavam ajudar os seus de alguma forma. Em desespero tentavam conseguir justiça para eles mas, no sistema vigente até esta busca era considerada crime. Durante dias inteiros rondavam os muros das prisões, dirigiam-se à administração da NKVD e, na sua ingenuidade escreviam até para Stalin pedindo-lhe que ajudasse encontrar e libertar seus familiares. Mas, para 99% respondiam que os aprisionados foram condenados como "Inimigos da nação" e enviados para distante degredo "Sem direito a correspondência". Quase dez mil desses "inimigos da nação" foram encontrados com mãos amarradas atrás e crânio perfurado, nas sepulturas coletivas em Vinnytsia".


TESTEMUNHO DE FAMILIARES

Ao pavoroso extermínio da nação ao qual se permitiu o poder dos ocupantes comunistas de Moscou na Província de Vinnytsia, nos anos de 1936-1939, e que constitui somente fragmentos do contínuo "holokost" ou extermínio da nação que aquela ocupação, em diversas formas, continuamente, pratica na Ukraina até os dias de hoje opõem-se os depoimentos claros e coerentes de familiares das vítimas daquele terror: esposos, pais, mães, irmãos e irmãs, e que foram declarados perante a comissão das escavações das sepulturas. Apresentamos alguns desses depoimentos.


OLEKSANDRA PRUSAK, da aldeia Verkhivtsi, região de Bars'k:
Meu marido Ivan Prusak, nascido em 1898, até 1937 trabalhava na fazenda coletiva de Verkhivtsi. Até 1929 ele era proprietário, tinha aproximadamente 6 hectares de terra e três vacas. Em 1929 foi obrigado a entregar seus bens para a coletivização. Até 1937 nunca foi aprisionado ou suspeito de quaisquer crimes. Em seis de abril de 1937, durante os trabalhos no campo foi pego pelos milicianos e levado à NKVD em Baru. Não consegui saber os motivos de sua prisão. Perguntei para Kyiv e Moscou e de lá recebi resposta - procurar informações na NKVD de Vinnytsia. Para minhas indagações em Vinnytsia em 1938 recebi informação que meu marido foi exilado por 10 anos na Sibéria, sem direito a correspondência. Quanto tempo meu marido ficou em Vinnytsia não sei dizer.
Hoje, no antigo local da NKVD (pomar frutífero) eu reconheci o casaco de meu marido. Erro não pode haver - reconheci-o pelos remendos que eu mesma fiz. Por isso penso que o seu corpo também está enterrado neste local. Simultaneamente com meu marido, em nossa aldeia, foram aprisionadas mais onze pessoas cuja sorte até agora é desconhecida." Vinnytsia, 29 de julho de 1943. 
 
foto 5: Comissão internacional médico-forense no local de valas escavadas em Vinnytsia  

MARIA MADII, da aldeia de Verkhivtsi, região de Bars'k, testemunhou:
"Meu marido Ivan Madii anteriormente ao "rozkurluliania" (Ato do governo soviético de tomar a terra de quem possuía um pouco mais e doá-la a quem tinha menos - OK) trabalhava por conta própria em seus dois hectares de terra. Durante o "rozkurkuliania"  nós recebemos mais um pouco de terra. Depois fomos obrigados entregar tudo para fazenda coletiva. Em abril de 1937, à noite, a milícia pegou meu marido em casa e mandou-o para Baru. Motivos do aprisionamento não forneceram. Quando fomos buscar notícias em Vinnytsia, a mim e a minha filha disseram que ele foi exilado por dez anos.
Hoje, no antigo local da NKVD eu reconheci, com precisão, o casaco do meu esposo". Vinnytsia, 29 de junho de 1943.

AGAFIA USOVA, da aldeia Tofelivka, região de Chulensk:
"Em primeiro de janeiro de 1938 meu marido, Mykola Usov, à tardinha retornava do trabalho quando foi aprisionado na rua por quatro agentes da NKVD e mandado para Chulensk. Simultaneamente foram levadas mais sete pessoas de nossa aldeia. Após efetuarem a prisão vieram agentes da NKVD até a nossa casa e reviraram tudo no seu interior. Demonstraram especial atenção para correspondência de meu esposo, mas também procuraram armas. Como resposta sobre o motivo da prisão disseram que meu marido estava sendo acusado de atuação criminosa. Não forneceram nenhuma prova ou evidência e não deram atenção às minhas perguntas. E, até com brutalidade, declararam que eu mesma devia imaginar a impossibilidade da libertação de meu esposo. Passado meio ano, minhha casa foi invadida pelos agentes da NKVD que vieram pegar as roupas de meu esposo.
Em Chulensk meu esposo ficou apenas um dia, foi levado para Haisyn. Com sorte consegui saber que em fevereiro de 1938 ele foi transferido para Bratslav, depois para Vinnytsia. Em março de 1938 fui para Vinnytsia e procurei a NKVD. Dali fui expulsa e disseram-me que nada sabiam a respeito de meu esposo. Então eu acreditei que meu esposo foi exilado para Sibéria. Aqui, na repartição da NKVD achei alguns objetoss seus e peças de roupa: casaco, saquinho de pão, duas camisetas e duas camisas. Agora estou convencida que meu esposo faz parte dos liquidados animalescamente". Vinnytsia, 1º de julho de 1943.

MARIA ANTONIUK, da aldeia Polovi-Berlyntsi, região Murovano - Kyrylivtsi.
"Em 20 de junho de 1938 a NKVD aprisionou meu marido, trabalhador da fazenda coletiva Stepan Antoniuk, com 46 anos de idade. Ele foi levado a noite, diretamente da cama e transportado para Kopai-Horod, onde permaneceu por seis dias. Para onde foi levado depois, não sei dizer. Simultaneamente foi aprisionado outro trabalhador da fazenda coletiva, Statnek, que na repartição da NKVD teria dito que ambos eram espiões. Após isto, durante seis meses não tivemos notícias sobre nossos maridos. Então, com a esposa de Statnek escrevemos para Moscou. Transcorrido um mês fomos chamadas para Kopai-Horod, para NKVD, para nós nos inteirarmos do assunto dos "inimigos da nação" aos quais pertenciam nossos maridos. Foi nos dito que eles foram exilados para Sibéria por dez anos, onde deveriam trabalhar na exploração da madeira. Isto é o que foi dito. Tenho certeza absoluta que, nem meu marido nem Statnek não tinham culpa, nunca se ocuparam com assuntos políticos.
Nas sepulturas coletivas, no local da NKVD em Vinnytsia, hoje encontrei a camisa de meu esposo que reconheci com convicção porque fui eu que a costurei. Agora eu sei que meu marido não foi enviado para Sibéria, mas foi fuzilado em Vinnytsia".   Vinnytsia, 2 de julho de 1943.

HALYNA HRUSHKIVSKA, da aldeia Horodnytsi, região Nemerivskyi.
"Em outubro de 1937 meu pai, trabalhador da fazenda coletiva, Petro Hrushkivskyi com 65 anos, foi aprisionado pelos agentes da NKVD em Bratslav. À minha mãe declararam que ele era "inimigo da nação". Eu tenho certeza que meu pai, que nunca frequentou escola, nunca se ocupou de política. Duas semanas papai permaneceu em Bratslav, depois foi levado para Vinnytsia. Minha mãe ia, diariamente, até o NKVD de Bratslav saber notícias até ser informada da transferência. Em Vinnytsia nós não tínhamos coragem de procurar notícias. Desde o dia da prisão nada mais soubemos. E também nada foi informado sobre outras dez pessoas da nossa aldeia aprisionadas concomitantemente com papai.
Eu li nos jornais sobre a abertura das sepulturas coletivas em Vinnytsia e soube que uma vizinha achou aqui peças de roupa do marido. Por isso eu vim aqui e no local da NKVD, entre os objetos encontrei o gorro de meu pai. Ele era grande e eu o reformei, portanto pude reconhecê-lo com precisão. Agora eu sei que meu pai foi morto pela NKVD". Vinnytsia, 03 de julho de 1943.

NADIA HONCHAR, da aldeia Stupievke, da região Murano-Kyrylivskyi:
"Em dezembro de 1937 dois agentes da NKVD fizeram uma busca em minha casa. Procuravam armas e documentação sobre atuação criminosa. Não achando nada aprisionaram meu esposo Paulo Honchar, 30 anos, e mandaram num veículo de carga para a NKVD de Baru. Os motivos do aprisionemento não me falaram, nem para meu marido. Naqueles dias eu estava doente e não podia, pessoalmente, averiguar onde estava meu marido. Duas semanas depois meu pai foi até Baru. Na prisão foi informado que meu marido já tinha sido mandado para Nova Terra. Quando isso aconteceu e onde ficava essa Nova Terra não esclareceram. Após transcorrido um mês eu procurei saber sobre meu marido e recebi as mesmas informações que foram dadas a meu pai.
Devo dizer que até a presente data eu pensava que meu marido encontrava-se exilado na Sibéria desde 1938. Hoje, no local da NKVD, encontrei partes das roupas de meu esposo e também seu casaco que reconheci pelos remendos que eu mesma costurei. Agora estou convencida que entre os assassinados está meu marido".  Vinnytsia, 05 de junho de 1943.

Foto 6: Procuram parentes entre os cadáveres desenterrados.

HANNA HODOVANETs, da aldeia de Mykhailivka, região Murovano -Kyrylivskyi:
Em 3 de janeiro de 1938 meu marido Kassian Hodovanets, nascido em 1886, durante o serviço na estação de Kopai-Horod foi aprisionado pelo membro da "silrada" (associação da aldeia) e pelo miliciano de serviço na estação. Pegaram seu passaporte (identidade) e mandaram-no, primeiramente para Mykhailivka e, finalmente, em 3 de março de 1938 - para Vinnytsia. Tudo isso eu fiquei sabendo de diversos conhecidos que, acidentalmente, foram testemunhas do aprisionamento.
Posteriormente meu filho Vassel, conversando com um trabalhador da fazenda coletiva de Mykhailivka, soube que o mesmo foi chamado para interrogatório sobre meu marido em Murovano-Kyrylivtsi, perante representantes da NKVD para região. Perguntaram se meu esposo rezava e por que em nossa casa havia tantos ícones. Revelou-se que esses fatos e também que meu esposo não compareceu ao trabalho em dia santificado constituíram o motivo de seu aprisionamento.  No final de abril de 1938 eu fui informada no órgão da NKVD de Vinnytsia que meu esposo fora enviado para exílio distante, sem direito a correspondência. Algum tempo depois dirigi-me ao promotor da província e dele recebi as mesmas informações. Então escrevi uma carta ao próprio Stalin pedindo para libertarem meu marido. Em 3 de maio de 1938 recebi do promotor Geral da SSSR, Vyshynskyi, o comunicado de libertação. Mas, meu marido não voltou.
Em 24 de junho de 1943, entre as roupas desenterradas no território da NKVD eu reconheci sua camisa, que eu mesma costurei, paletó com bolsos azuis que eu preguei e uma bota com ferradura especial na parte posterior que encomendei ao ferreiro em Kopai-Horod. Estes objetos eu mandei ao meu marido na prisão. Agora eu penso que ele nunca foi exilado, nem libertado. Foi assassinado em Vinnytsia".  Vinnytsia, 8 de julho de 1943.

IAVDOKHA IAVNYCH, da aldeia Voznivtsi - região de Stanislavchyk:
Em 6 de janeiro de 1937, após uma busca sem resultados, os agentes da NKVD, e com a presença de dois entendidos (Pessoas que acompanhavam os agentes da NKVD por ocasião das buscas, como testemunhas para a relação dos bens, etc. - OK) aprisionaram meu marido, Vassyl Yavnych. Na ocasião ele tinhha 40 anos e era trabalhador da fazenda coletiva. Somente depois fiquei sabendo que o consideraram culpado devido a correspondência com parentes que residem em Halychyna (Ukraina Ocidental). Meu marido era natural da Ukraina Ocidental, da aldeia Lysok, dos arredores de Zhedachiv. Em Stanislavchuk ficou apenas alguns dias, depois foi levado para Vinnytsia. Quando, após um mês fui até a prisão da cidade de Vinnytsia, disseram-me que meu esposo foi sentenciado para 10 anos de exílio, sem direito a correspondência, e que já foi enviado ao local determinado. Escrevi várias vezes para Moscou em nome de Stalin, Kahanovych e outros dirigentes e recebi de todos a mesma resposta que meu marido foi condenado a 10 anos de exílio. Hoje, 20 de julho de 1943 eu reconheci no antigo pomar da NKVD o paletó de meu marido pela originalidade dos botões. Penso que meu esposo não foi exilado, mas jaz aqui, entre os assassinados".   Vinnytsia, 20 de julho de 1943.


OLENA OLKHIVSKA, de Vinnytsia:
"Em novembro de 1937 a NKVD aprisionou, em casa, meu marido Petro Olkhivskyi. Ele era ukrainiano e trabalhava na fabricação de pão. No dia da prisão fizeram uma busca em nossa casa e levaram todos os seus documentos. Posteriormente fui várias vezes até a prisão da NKVD mas nunca pude entrar. Após uma semana fui até a prisão municipal para a qual meu esposo foi transferido, mas lá também não foi permitida minha entrada. Somente depois de um mês tive a sorte de deixar para ser entregue um paletó e botas de feltro, mas vê-lo pessoalmente não permitiram. Então me comunicaram que ele foi enviado para o longínquo Norte, por 10 anos, sem direito a correspondência. A acusação de "inimigo da nação" foi o motivo da prisão. De verdade meu marido nunca dedicou-se a política. Talvez tenho sido denunciado por uma judia, colega de trabalho, com a qual ele discutiu certa vez.
Quando começaram abrir as sepulturas eu ia lá todos os dias e, num cadáver eu reconheci o casaco preto, botas, duas calças e uma camisa. Eu estava presente quando os cadáveres eram retirados da sepultura. Depois, nesse mesmo cadáver eu reconheci meu esposo pelo dedo mínimo torto na mão direita. Portanto não pode haver nenhuma dúvida".  Vinnytsia, 01.07.1943.
foto 7: Mulheres reconhecem seus maridos.

KATYRYNA HORLEVSKA, de Zhmyrynka:
"Entre os objetos resgatados no antigo pomar da NKVD eu reconheci pertences de meu esposo: uma camisa bordada e casaco de lã com gola de pele. Meu marido Dmytro Horlevskyi, nascido em 1888, ukrainiano, era maquinista na estrada de ferro. Foi preso no dia 13 de maio de 1938 em Zhmerenka. Recebendo a convocação para comparecer a NKVD foi até lá e não mais retornou. No dia seguinte, em nossa residência a NKVD fez busca mas nada levou. A alegação que motivou a prisão foi que ele era "inimigo da nação". Na verdade, de política ele nunca se ocupou. Três meses antes da prisão até recebeu prêmio pela boa manutenção de sua locomotiva.. Depois de duas semanas foi transferido de Zhmerenka para Vinnytsia. Cada duas semanas eu ia para Vinnytsia. Levava alguma coisa para meu marido mas nunca consegui conversar com ele. Certa vez, quando eu novamente fui para Vinnytsia, me falaram que meu esposo foi transferido para Kyiv. Fui até lá. Para as indagações sobre meu marido responderam-me que ele nunca esteve em Kyiv mas foi mandado para Sibéria, sem direito a correspondência. Agora eu estou convencida que entre os assassinados no antigo território da NKVD está também meu esposo.
Pouco antes de 1º de maio de 1937, em Zhmerenka, repentinamente foram aprisionados 60 homens, todos trabalhadores ferroviários, com idade de 37 a 50 anos. Sobre eles, nunca mais ninguém soube".  Vinnytsia, 1º de julho de 1943.


SOLOVYIOVA. de Zhetkivtsi:
"Meu esposo, ukrainiano, devido a problemas de saúde, foi obrigado a deixar o emprego de professor e trabalhava na filial do banco estatal em Zhetkivtsi. Estava com 47 anos quando, em 17 de abril de 1938, no trabalho foi aprisionado. Isto aconteceu às 12h30min, e já às 14h foi levado de trem para Vinnytsia e colocado na prisão da NKVD. Quando no terceiro dia cheguei em Vinnytsia, fui informada que meu marido foi transferido para prisão municipal. No entanto, na prisão municipal eu não consegui nenhuma notícia. Ver meu marido ou enviar algo para ele eu não consegui. Em 5 de maio de 1938, soube que meu marido foi enviado para o distante Norte, para dez anos, sem direito a correspondência. Desde aquele tempo nunca mais tive notícias sobre meu marido. Imediatamente após a prisão, em nossa habitação fizeram uma busca e levaram a espingarda de caça de meu marido, um pouco de prata que eu guardava para obturação dos dentes e uma cruz de mesa. Decorridos dois anos da prisão eu recebi ordem da NKVD para entregar toda sua roupa porque ele era - "inimigo da nação".
Meu marido nunca se ocupou de política. Sua prisão surpreendeu a todos na aldeia. Eu penso que sua prisão deu-se pelo seguinte fato: em nosso prédio veio residir um promotor, de sobrenome Felhd. Ele estava muito interessado em ocupar o prédio inteiro. A mais ou menos oito dias antes da prisão do meu esposo, este promotor pediu no banco um empréstimo de 2.000 karbovantsiv (moeda em uso) para que sua esposa pudesse ir à casa de campo. Com base nas normas bancárias meu esposo não pôde conceder o empréstimo. Penso que este fato motivou a prisão.
O jornal "Novidades de Vinnytsia" publicou uma nota sobre um lenço com monograma "A.C." Lendo esta nota eu reconheci o lenço de meu marido e cogito que ele nunca foi enviado para degredo, mas está aqui - entre os assassinados". Vinnytsia, 1º de julho de 1943.


ODARKA BILETSKA, da aldeia Sherovska.
"Meu marido, padre Leonid Biletskyi, 35 anos, foi aprisionado em 24 de setembro de 1937. Em nossa casa, a noite, promoveram a busca e confiscaram a vestimenta litúrgica, livros, banheirinha de batismo e documentos. Meu marido concluiu o Seminário em Volem e era, até 1935 pároco da aldeia Pelevy. Em 1935 a igreja em Pelevy foi fechada e meu marido foi obrigado a abandonar a aldeia. Mudamos para minha aldeia natal Hreblia, onde meu esposo trabalhava cortando lenha. Quando vieram buscá-lo, sobre o motivo não me disseram nenhuma palavra, somente um agente da NKVD gritou: "Ei você, cachorro, você já viveu muito tempo".
Inicialmente meu marido ficou na prisão junto à milícia da aldeia Sherovska, após duas semanas foi transferido para Vinnytsia para a prisão da NKVD. Quando eu quis entregar-lhe alguns objetos, só aceitaram dois lenços e uma toalha. Nem quando ele esteve preso junto a milícia, nem na prisão de Vinnytsia conversar com ele não permitiram. Quando, mais ou menos depois de um mês eu fui a Vinnytsia, soube que meu marido foi mandado para degredo. Não deram pormenores. Eu fiz um pedido para Moscou e, após meio ano fui informada através da NKVD, que meu marido foi mandado para o distante Norte, por dez anos, sem direito a correspondência.
Lendo no jornal sobre as sepulturas coletivas em Vinnytsia, eu vim até aqui para procurar roupas do meu esposo. Encontrei uma vestimenta castanho escura que eu mesma costurei e da qual até hoje possuo retalhos. Penso que meu esposo não foi degredado, mas assassinado".  Vinnytsia, 1º de julho de 1943.
8ª foto: Reconhecem os torturados pelas roupas e objetos encontrados em sepulturas coletivas.

ANTONIA, de Sherovska Hreblia:
Meu marido, de nacionalidade ukrainiana, motorista-tratorista em nossa aldeia, foi aprisionado em 26 de março de 1938 durante trabalho no campo e colocado na prisão junto a milícia. Imediatamente foi realizada uma busca em nossa casa, durante a qual foram levados apenas os documentos pessoais de meu esposo. À minha pergunta sobre o motivo da prisão, responderam-me que meus irmãos Savitski, que residiam na mesma aldeia, mantinham correspondência com o exterior. Meus irmãos nunca mantiveram correspondência com o exterior. Eles foram presos ainda em novembro de 1937 e mandados para degredo. Nós recebíamos suas notícias de Mongólia.
Meu marido ficou um mês e meio na prisão local e depois foi enviado para Vinnytsia. Quando ele estava na prisão local eu o via frequentemente, através da cerca, mas não podia conversar nem entregar-lhe nenhum objeto. Quando fui para Vinnytsia saber notícias, disseram-me que ele já tinha sido enviado para o degredo. Em resposta ao meu requerimento, após dois anos, recebi a resposta que meu marido foi enviado para o longinquo Norte, por dez anos, sem direito a correspondência. O real motivo de sua prisão eu desconheço, porém sei que ele nunca se interessou pela política. Pelo jornal eu soube das escavações das sepulturas e vim aqui. Eu encontrei a camisa que eu mesma bordei e posteriormente remendei. Nesta camisa eu reconheci, com precisão, a camisa de meu marido. Penso que meu esposo já não está entre os vivos, ele também foi assassinado".  Vinnytsia, 1º de julho de 1943.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

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terça-feira, 26 de março de 2013

MOSAICO


Na Ukraina vivem mais pobres do que emCazaquistão e Rússia - ONU

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 15.03.2013

Na Ukraina 2,2% da população vive em situação de pobreza multidimensional, No Cazaquistão e na Rússia,o número é de 0,6% e 1,2% respectivamente. Sobre isso afirma o relatório de Desenvolvimento Humano do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).
De acordo com o relatório, Ukraina ocupa 78º lugar entre 187 países e territórios por Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em 2013. No topo de desenvolvimento humano em 2013 estão Noruega, Austrália e EUA. As mais baixas posições pertencem a República Democrática do Congo e Nigéria.

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Às empresas norte-americanas é difícil trabalhar na Ukraina.

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana, 15.03.2013

O embaixador dos EUA John Teffet declarou ao jornal "Notícias ukrainianas" que frequentemente era obrigado a se voltar para o lado ukrainiano devido ao fato que as empresas americanas enfrentavam dificuldades. Eram tratadas injustamente pelos órgãos do governo, da administração fiscal e aduaneira. Tornavam-se vítimas de ataques comerciais e também não conseguiam receber arbitragem igual e justa nos tribunjais.

Teffet declarou que na Ukraina há problemas com investimentos e baixa taxa de investimentos estrangeiros diretos. Em sua opinião é importante a construção de um sistema judicial justo e a erradicação da corrupção.

Lembramos que de acordo com o Serviço de Estatística do Estado, o volume de investimentos estrangeiros diretos em 2012 caiu mais de 400 milhões de USD em relação ao ano anterior.

Conforme relatado recentemente pelo diretor-adjunto do BERD (Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento) na Ukraina, Graham Hutchinson declarou que a falta de confiança na proteção de seu investimento e a instabilidade do mercado ukrainiano frequentemente desencorajam os investidores estrangeiros.

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33% dos ukrainianos estão prontos para participar de manifestações

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana) 18.03.2013

De acordo com a pesquisa sociológica do Centro Razumkov, no caso de maior deterioração das condições de vida será necessário sair às ruas na participação em protestos, já é de 49%. Os que acham que é melhor sofrer para não alterar a ordem no país é de 26,8%.
32,7% estão dispostos a boicotar as decisões dos órgãos governamentais; 9% no bloqueio de tráfego nas estradas e rodovias; 4,3 em tumultos de rua; 4% na criação, independente do governo, de formações armadas.

Os motivos mais frequentes para participação nas ações de protesto são: aumentos de preços de produtos essenciais 34,4%; salários não pagos 29%; cortes de empregos em algumas empresas ou indústrias 24,5%; protestos contra a tirania dos governos locais 22,6%; proteção dos direitoos da pessoa 20,9%; baixos salários 22,6%.

Somente 18,1% consideram que o desenvolvimento do país está na direção certa, 62,9 - que não. (Em dezembro de 2012 eram 21,5% e 55,5%).

Entre as instituições sociais, a de maior confiança é a igreja com 63,8% e mídia ukrainiana com 61,9%. Menos confiáveis são os bancos comerciais 17,3%; partidos políticos 20,5% e os tribuais 22,5%.

Foram entrevistadas 2010 pessoas maiores de 18 anos de todas as províncias da Ukraina, Kyiv e República Autônoma da Criméia, entre 1 e 6 de março de 2013.

Segundo os resultados da pesquisa realizada pela "Iniciativa Democrática"e Instituto Internacional de Sociologia de Kyiv, 28,5% de ukrainianos estão dispostos a participar de manifestações, no caso de serem realizadas. Em julho de 2004 eram apenas 18% dos ukrainianos dispostos a participar de protestos. (Lembramos, no final de 2004 houve a Revolução Laranja" - OK).

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A oposição novamente pegou os "regionais" votando pelos amigos.

UIkrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 19.03.2013

O Parlamento ukrainiano, praticamente desde o início deste ano, está com os trabalhos paralisados devido aos bloqueios da oposição que luta contra o costume dos "regionais" de votar pelos amigos do partido, ausentes na sala de reuniões.

Na data de hoje houve sessão e já na aprovação da ordem do dia alguns "regionais" votaram pelos colegas ausentes.

No dia 01.03.2013 o presidente assinou a lei contra essa prática. De acordo com essa lei, ao ser verificada a violação por outro deputado, é chamado o deputado suplente para substituir o violador. Caso o suplente não esteja presente o cartão deve ser recolhido e a proposta submetida a nova votação.

No entanto, na sessão de hoje o deputado do Partido das Regiões votou com dois cartõs, segundo denunciou o deputado Andrii Shevchenko.


 Регіонал Васильєв голосує за свого брата 


Os jornalistas também conseguiram fixar na foto a "regionalista" Tytiana Bakhtieva votando em dois lugares.

 Бахтєєва голосує за сусіда

Devido a estas violações a mesma proposta foi votada três vezes.


Mas, durante a votação da segunda proposição houveram outras transgressões: o deputado Rudkovskyi votou pelo deputado ausente Onyshchenko, a deputada Liovochkina pelo deputad ausente Horiev, a deputada Irena Berezhna pelo deputado Serhii Kivalov, o qual, atualmente, ocupa o cargo de Ministro da Defesa.

 
 Опозиція контролює кнопкодавів. Фото з Твітер Dmytro Barkar
 

 Депутат Горіна голосує з різних місць. Фото Аронця
 
 

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: A.Oliynik

domingo, 24 de março de 2013

PROTESTOS POLÍTICOS NA UCRÂNIA

Arsenii Yatseniuk: Nenhum de nós nunca, em nenhuma circunstância ganhará a eleição presidencial sozinho.
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 18.03.2013
Mustafa Naiem

Sábado terminou a primeira onda de protestos da oposição, "Levanta-te Ukraina!", que aconteceu em Vinnytsia, Uzhgorod e Lviv. Os oposicionistas tendem a comparar "Levanta-te Ukraina!" com ações de protesto às vésperas das eleições de 2002, que também iniciaram dois anos antes das eleições presidenciais. No entanto, a diferença entre esses dois eventos é óbvia. Onze anos atrás, a oposição tinha um objetivo concreto - eleições parlamentares.

Hoje as ações da oposição parecem mais espontâneas e estão acontecendo sem o anúncio da meta final. O único assunto - grande evento final em Kyiv, no Dia da Europa, que será culminante dos eventos nas regiões.

Reação da Banková (Governo)

É significativo que aos protestos nas regiões colocam-se não apenas os oposicionistas, mas também o governo. Oficialmente, o governo classifica-as de pouca importância e marginalidade mas, em contrapartida, ativamente colocou em ação diversos instrumentos de provocação. Em todos os protestos atrás dos líderes da oposição vêm figuras de arruaceiros do bando de Volodymyr Petrov - Oleksii Durneiev e companhia. Ironia do destino, Petrov que agora trabalha ativamente com os tecnólogos da Banková, ainda nas últimas eleições presidenciais se aconselhava, por algum tempo com A. Yatseniuk (Apenas ele descobriu que o governo, dono do dinheiro, paga melhor - OK).

Hoje o objetivo do grupo de ativistas da Banková - de alguma maneira provocar os líderes da oposição para pronunciamentos ou ações que, em seguida tornam-se temas de notícias da televisão, no canal de Serhii Liovochkin, de Dmytró Firtash e de Ihor Kolomoiskyi (Os governistas são donos dos canais de televisão. Apenas um canal está no comando de um oposicionista - OK).

Yatseniuk está seguro que as manifestações realizadas ultrapassam as expectativas. Vinnytsia nunca se destacou como revolucionária, então próximo de dez mil participantes é muito significativo. Foram apenas três dias de notificações às pessoas e o governo distribuiu a desinformação (se passando pela oposição) dizendo que o evento foi adiado.  Uzhgorod estava coberto pela neve. As estradas praticamente intransitáveis. Nós tivemoso dificuldades para chegar até lá, pensamos que viriam umas 100 - 200 pessoas, mas vieram três mil. 


 Марш Вставай, Україно! в Ужгороді   
 
A Lviv, devido a difícil situação nas estradas esburacadas muitas pessoas das regiões próximas, montanhosas, tiveram dificuldades na vinda, ou não vieram. Mas vieram aproximadamente 10 mil.


 

Sendo franco, direi que a decisão para realizar as manifestações foi espontânea. Mas, agora eu entendo, que politicamente foi correto e em tempo certo. Nós sentimos que apenas as ações parlamentares não resolverão o problema. O entendimento que precisamos unir os meios de luta parlamentares com extra-parlamentares nós tínhamos há muito tempo.

O governo desafiou: prisão política de Y. Tymoshenko e Yurii Lutsenko, mudança na Constituição, incríveis poderes presidenciais, fraude nas eleições locais, roubo nas eleições parlamentares, incluíndo Serhii Vlasenko, corrupção ilimitada, completo monopólio político e econômico, destruição do judiciário. Qual será a próxima ação do governo?  Chegou a hora para sair às ruas.

O principal é que as pessoas superem o medo. Elas têm medo que virá a milícia, o Ministério Público e cada um senta-se e pensa que aguentando mais dois anos, alguma coisa muda.  "Tomara que não fique pior", muitos dizem. Este é o formato do "pântano" que Yanukovych desenha para si.

Claro que não podemos com uma ação mudar tudo no país. Mas com a combinação dos esforços da rua e do parlamento nós poderemos reverter a situação - o governo começará nos temer. Este regime tem medo apenas das pessoas. Este medo pânico vem desde 2004. Da oposição eles não têm medo.

Se nós não começarmos as ações agora, não haverá nenhuma eleição em 2015, apenas nomeação do presidente. Nós lutamos pelas eleições, pela demissão do presidente, compreendendo a complexidade da questão. Nós não podemos dar a Yanukovych a oportunidade de roubar a vitória em 2015, como ele fez em circunscrições majoritárias nas últimas eleições parlamentares.

Nossa ação vai durar dois meses. Durante esse tempo realizar-se-ão encontros com diversos grupos - jornalistas, pequenos e médios empresários (Os grandes estão todos do lado do governo - OK). O ponto culminante será a ação em Kyiv, em 18 de maio, Dia da Europa.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

sexta-feira, 22 de março de 2013

Serhii Vlasenko: Yanukovych terá um terrível final. Mas Mubarak esperou por isso 30 anos


Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 14-15.03.2013
Serhii Leshchenko



Proibido para sair do país, sem licença advocatícia, sem mandato de deputado. Isto para não mencionar a perda real da casa. Provavelmente há um ano, Vlasenko nem em pesadelo não poderia ter previsto o que lhe iria custar o papel de defensor de Yulia Tymoshenko. Mesmo sem imunidade Vlasenko continua com a língua afiada. Nós conversamos no escritório do partido "Pátria", onde o advogado ocupa uma pequena sala decorada com fotos de Lviv, sua cidade natal.

Se para alguns os processos na Ukraina em torno de Vlasenko - são ocasioões para piada, na Europa eles são percebidos como evidência de completa negligência por parte de Viktor Yanukovych das advertências para cessar a perseguição política.
Devido a história com Vlasenko para o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha foi convidado o embaixador Paulo Klimkin, o qual ouviu algumas declarações desagradáveis do Comissário para Europa Oriental Antje Leendertse. Em atenção que Berlim dedica a este caso Leendertse testemunha sua importância planejando visitar Kyiv na próxima semana.

- Por onde você andou depois de perder poderes parlamentares? Disseram que esteve escondido, talvez em alguma embaixada...

- Isto são estórias. Simplesmente nós decidimos, que seria melhor do ponto de vista da apresentação da posição, para eu não comparecer no tribunal. A. Yatseniuk conhece minha atitude para com o judiciário, que é extremamente negativa. E nós decidimos, que é melhor que no tribunal não esteja eu, mas Yatseniuk e Tytarenko. Será que eu posso desaparecer? Atrás de mim há muitos observadores! Até agora enquanto nós conversamos, meu telefone está cheio de spams. Veja, 34 mensagens não lidas. Elas vem de um número. É o monitoramento eletrônico do meu telefone.
Além disso recebo telefonemas de pessoas que eu não conheço. No primeiro dia do julgamento eu, provavelmente, recebi chamada de uma centena de pessoas que não conheço, que diziam: "Oh, desculpe, eu me confundi". E houve a chamada identificada de Nova York, e depois esse mesmo número mas com código russo.
O propósito é abalar a psique. Infelizmente, comigo eles não tiveram sorte. Quando a chamada é do spam, eu não atendo. Em segundo lugar é para identificar a localização do telefone.

- Todas as decisões relacionadas a Yulia Tymoshenko recebe, pessoalmente, Yanukovych. É claro que ele não investiga os detalhes. Mas, o comando para pressionar a pessoa Yanukovych dá pessoalmente. Bem entendido, o trabalho executam Kuzmin, Portnov e Lukash.

- Eu penso que Portnov é o ideólogo de todos estes esquemas ditos legais. Tudo sobre a perseguição a Hrehorii Nymyria e todas as acusações contra mim - estou convencido, são de A. Portnov. Anteriormente eu não falava sobre isso mas, desde fevereiro de 2012 os tribunais começaram apresentar questões sem fundamento contra mim, em casos civis. Trata-se de minha ex-esposa, única pessoa que eles encontraram para usar contra mim. Esta pessoa, infelizmente, para aparecer, e por dinheiro, escreve qualquer coisa que lhe indiquem.
Agora está na moda a palavra "bulldozer". È quando o tribunal não ouve seus argumentos, mas simplesmente diz abertamente: "Para mim tanto faz o que você diz aqui. Eis a decisão do tribunal que você é culpado!". Os tribunais atuam assim em todos os casos contra a oposição: tanto nos civis como nos criminais.

- Meu trabalho no Serviço Fiscal foi acompanhado de manipulações e combinações. Eu declarei dispensa do Serviço Fiscal para permanecer como deputado. Isto não foi honestoo. Talvez tenha sido imaturidade de jovem político. E, depois, quando entendi que não era correto, eu mesmo pedi demissão do Serviço Fiscal em março de 2009, quando podia continuar até 2010.

- Quanto a Yanukovych, ninguém esperava o que aconteceu depois dele assumir o governo. Na verdade, metade da população até hoje não percebeu este cataclisma político que teve lugar em 30.09.2010, quando o Tribunal Constitucional anulou a Constituição. Tudo começou dali (Em 30.09.2010, o Tribunal Constitucional caçou as reformas constitucionais aprovadas em 2004. A partir desta data atua a Constituinte de 1996 - OK).

Shcherban insinuava que os conterrâneos queriam matá-lo

- Tymoshenko não reconhecer Yanukovych como presidente foi correto porque Yanukovych não ganhou as eleições em 2010. As eleições foram falsificadas. Apesar de que elas foram reconhecidas pelos observadores, eu tenho uma explicação lógica, baseada na comunicação com políticos e diplomatas europeus. Depois da terceira rodada em 2004 nós tivemos eleições parlamentares em 2006, nas quais venceu a oposição. Tivemos eleições antecipadas em 2007 e também venceu a oposição. Infelizmente as eleições de 2010, quando uniram-se Yanukovych e Yushchenko foram desonestas e não cumpriram as normas. Mas funcionou uma certa inércia mental.
Na primeira etapa do governo Yanukovych foi criado algo que, de fora, lembra democracia. A primeira batalha foi em 2010 nas eleições locais. E depois eles pensaram que vieram para sempre - e começaram aniquilar certas questões básicas.
 
 
- No julgamento da Tymoshenko eu considero que podíamos questionar melhor as testemunhas. Mas, nos primeiros dois dias eu fui afastado e, outros não foram admitidos na sala. Mas não havia chance para Tymoshenko porque o caso não tem nada a ver com a jurisprudência. Kuzmin lançou, e outros apoiaram a idéia de que a proteção de Tymoshenko é politizada. É claro, nós usamos argumentos jurídicos, sabendo que eles não seriam aceitos pelo tribunal. Mas nós preparávamos argumentos jurídicos para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.
- Kuzmin chegou a pedir um cargo para Tymoshenko quando ela era ministra. Ele veio duas vezes conversar com ela durante a campanha de 2009 e contou que o presidente Yushchenko queria obrigá-lo a abrir uma questão contra Tymoshenko culpando-a pelo assassinato de Shcherban, mas ele estudou todos os autos e lá não há nada contra ela.
- Esta questão é complicada. Na verdade procurar quem encomendou a morte de Shcherban não é trabalho da proteção. Eu conheço cinco versões do assassinato. Hoje, estudando os documentos, encontrei mais uma. No dia do assassinato, 03.11.1996, Shcherban voltava de Moscou, da festa de aniversário de casamento de J. Kobzon. A festa aconteceu no hotel "Redysson Slavyanskaya". No mesmo dia às 5:00horas da tarde, isto é, depois de quatro horas e meia do assassinato de Shcherban, em Moscou mataram o proprietário do hotel "Redysson Slavyanskaya" Pol Teitum.
Teitum e Shcherban eram amigos, eles ajudavam um ao outro. Falam que Teitum conseguiu um empréstimo americano para Shcherban, de 50 milhões de dólares, com garantias estatais.
- Eu estou intrigado com as coincidências de Volodymyr Shcherban (um parente de Yevhen Shcherban). Ele, de repente, uma vez na vida não foi ao futebol e neste dia morre, vítima de uma explosão criminosa Alik Grek. No dia em que Mamot veio e disse a Shcherban que DSI deve ganhar 110 milhões de USD ele é morto no pátio de sua casa (DSI é uma das maiores multinacionais que ocupa cargos-chave na indústria de aço na região Central e do Leste Europeu.
Em 02.10.1996 Volodymyr Shcherban é destituído do cargo de presidente do Conselho Regional. Segundo suas próprias palavras ele começa a divisão dos negócios com Yevhen Shcherban e, exatamente, um mês depois Yevhen Shcherban morre. Dois dias depois o filho de Volodymyr Shcherban recebe, das contas da falecida esposa de Yevhen (morreu no mesmo acidente) dois milhões de dólares.
- Mas eu repito - eu não sou investigador e não pretendo dizer que estas versões são verdadeiras.
- Eu acredito sinceramente que Shcherban e Lazarenko não tinham conflitos sérios entre si. Yevhen Shcherban era conselheiro de Lazarenko e o senhor viu sua entrevista na TV. Esta é apenas uma parte. Yevhen Shcherban, nesta entrevista insinua com transparência, a pessoa que gostaria matá-lo.
E são pessoas desta região. E esta versão aparenta ser mais lógica. Lazarenko não recebeu quaisquer preferências a partir da morte de Shcherban. E as relações comerciais de gás foram construídas satisfatoriamente para DSI como para CEE (empresa da Tymoshenko)
- Yulia Tymoshenko não tem nada a ver com o assassinato de Yevhen Shcherban. Tymoshenko não tratava sobre assuntos de gás na região de Donetsk. Com esta função ocupava-se Oleksandr Hravets.
- Mas eu considero muito interessante a situação do senhor Kyrychenko (atualmente reside nos EUA-OK). E, mesmo na versão da procuradoria há claramente a suspeita de que Kyrychenko é cúmplice. Porém, eu recebi a resposta de que os promotores decidiram não tomar medidas contra ele. Ao mesmo tempo, nós sabemos que o Senhor Kyrychenko, de repente começou cooperar com a investigação. Sobre isso declarou sua esposa Isabella, que foi tomada como refém, pela procuradoria, em sua visita a Ukraina. (Kyrychenko também cooperou com os procuradores nos EUA, no julgamento de Lazarenko, evitando assim sua prisão - OK).
Sobre as condições da prisão - Tymoshenko:
 
- Na enfermaria da prisão e outras instalações anexas, incluindo sala de tratamento, havia câmeras de vídeo. Tymoshenko não tinha privacidade nem por um minuto durante 24 horas. Certo dia eu com Tymoshenko, Plakhotniuk e Sas estávamoos na sala de reunião com advogados, e Tymoshenko resolveu ler um dos seus apelos. Em menos de três minutos, e segundo a lei sala de reuniões com advogado não deve ser vigiada de nenhuma forma, entram três guardas dizendo: "Se você continuar falando sobre temas políticos, nós suspenderemos a reunião". Nós, apesar de sentados, quase caímos. Eu perguntei: "Prezados, como é que vocês sabem o que nós falamos?". - "Mas... nós..."
- Em toda parte havia filmadoras. E imaginem que dentro da enfermaria havia guardas. Quando ela dormia, ao seu lado havia uma mulher-guarda. Quando Tymoshenko ia comer, atrás dela vinhah a guarda; quando lia um livro, a guarda olhava o que ela lia, Tymoshenko escreve, a guarda olha o que ela escreve... E isto todos os dias.
- Segundo o Código Penal da Ukraina cada prisioneiro tem direito a ilimitado número de telefonemas, com duração também ilimitada. Único preso que não tem esse direito é Tymoshenko. Quando morreu seu sogro, Gennady A. Tymoshenko, que era pessoa muito chegada a Tymoshenko, nós precisamos brigar durante 4 horas com os penitenciários para que Yulia pudesse expressar suas condolências à viúva.
- Quanto à entrega de alimentos - somente entregamos o que não é proibido. Vem da família e, às vezes dos defensores. Mas, de nenhum prisioneiro na Ukraina não se publica a relação desse material, somente da Tymoshenko...
- Talvez, por fora, isto até pareça uma gaiola dourada. Se Yanukovych acredita que as condições são luxuosas, eu sugiro que ele troque com Tymoshenko.
- Tymoshenko não conduz, suficientemente, atividade política como Lutsenko. Lutsenko, apesar de preso e isoladoo, tem direito ao telefone e pode dar entrevistas a jornalistas, fazer declarações políticas sobre questões importantes, até escreve um blog da cela.
- O que me espera não sei, é difícil prognosticar a vontade de uma pessoa. Eu devia ter sido preso, mas o governo não esperava reação internacional tão forte. Os europeus entendem que a questão não é Vlasenko, mas o que acontece com o parlamento ukrainiano.
- Sobre os danos que eu teria causado a ex-esposa é um absurdo completo. Eu estou agradecido às testemunhas que confirmaram suas justas declarações anteriores. Estas questões estão sendo falsificadas do mesmo modo que se falsificam as questões da Tymoshenko.
- Se eu fosse solicitado a dar minha opinião sobre o Acordo de Associaçãoo Ukraina-UE eu consideroo que Yanukovych fez o possível para que na Ukraina não considerassem os valores europeus. Aqui floresce o banditismo. E a Yanukovych não deve ser atribuído o Acordo com UE pelo que ele causa a Ukraina. E eu não acredito que hajam mudanças enquanto Yanukovych não quiser.
- Na sociedade cresce o nível de insatisfação pelo que aconteceu nestes três anos. Yanukovych foi muito hábil na construção desta "democracia de fachada", e na criação de uma atmosfera de intimidação. Mas, algo aconteceu e precisamos agir. Se as pessoas vêm à rua, pelo menos em pequenas quantidades, isto pode dar impulso às próximas ações. (A oposição está organizando protestos nas cidades - OK).
- A privação do meu mandato também é uma criação magistral da atmosfera de medo. Até cada um dos deputados regionais (do governo) vai pensar: "Tão rapidamente retiraram o mandato do Vlasenko. Com que rapidez me destruirão?".
Acredito que o deputado Verevskyi (governista) foi destituído de seu mandato com sua concordância. Ele teve problemas pelo fato de ser político porque sua empresa é internacional. Mas, circulam notícias de que ele recebeu compensações, isto é, construção de 18 praças na cidade de Kyiv.
- Meus amigos são arrastados como testemunhas, exigindo deles indicações criminais. Eles trabalham sistematicamente contra nós. Iniciando em fevereiro de 2012 me vinham sinais de diversas pessoas: "Seja mais suave na defesa da Tymoshenko, e tudo estará bem".
"Dê meio passo para trás, não seja tão duro nas estimativas".
- A questão não é, porque os cidadãos ukrainianos não protegem Tymoshenko. A questão é por que os cidadãos ukrainianos não protegem a si mesmo? Por que a vovozinha de Kharkiv, que recebe uma mísera pensão vem a mim, um deputado da oposição e diz "Filhinho, posicione-se contra a lei sobre a reforma das pensões". - "Sim. Não somos nós. E a senhora votou em quem, vovozinha?". - "Pelo Partido das Regiões". "E por que a senhora não vai falar com eles?". "Mas o fedido está em algum lugar distante, e você está aqui, falando conoosco, filhinho".
- As pessoas não se manifestam pelos seus direitos por muitas razões. Primeiro - a atmosfera do medo. Decepção de 2004 - segunda razão. Terceiro - as pessoas estão no limiar da pobreza. Em 2004, não importa o que nós disséssemos havia a classe média que podia, até por duas vezes no ano descansar na Turquia, o que já era norma. As pessoas podiam comprar automóveis e apartamentos financiados.
Nós, de 1991 a 2009 passamos de um país soviético a um país mais ou menos livre com renda de nível médio mas mentalmente, como sociedade, ficamos aquém. As pessoas ainda vivem no sistema socialista soviético. Como exemplo cito um amigo que diz: "E o que sua Yulia fez para nossa defesa?". Então eu digo: "Amigo, por que você não pergunta - o que você fez pela nossa advocacia?". Esta é a nossa mentalidade de consumidor.
Creio que o final para nosso presidente é assustador. Mas a pergunta é - quando. Mubarak esperou 30 anos.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

quarta-feira, 20 de março de 2013

OLYEG KALUGUIN - Putin é uma reviravolta temporária na história

Tyzhden (Semana), 14.09.2011
Entrevistam Olena Chekan, Oleksandr Narodetskyi

Professor do Centro Americano para o estudo da inteligência (espionagem) e contrainteligência Olyeg Kaluguin fala sobre métodos stalinistas de Vladimir Putin, Igreja Ortodoxa Russa no serviço do Serviço Federal de Segurança e riscos mortais, associados com atividade política.

A vida de Olyeg Kaluguin parece uma montanha russa. Aos 18 anos devido as convicções ele foi para KGB, aos 40 tornou-se general na história da KGB. No início da perestroika abertamente defendeu a necessidade de reforma das agências, particularmente o seu catráter político e partidário, eliminação da investigação política e rigorosos relatórios diante do Parlamento, pelo que foi enviado para reserva. Foi eleito deputado da URSS. Por duas vezes foi privado de todos os prêmios estatais e todas as distinções militares.

Na Rússia, onde ele foi condenado à revelia a 15 anos de prisão, seu nome está intimamente associado com as definições de "traidor" e "desertor". Nos EUA Olyeg Kaluguin, com o americano Dave Meydzher do Serviço de Inteligência, desenvolveu o itinerário de espionagem em Washington, com o ex-diretor da CIA William Colby escreveu o cenário do jogo de computador "CIA contra KGB" e participou da criação do Museu Internacional da Espionagem.

Três pilares do governo russo
Semana: É verdade que o serviço secreto russo criou um poderoso departamento, focado na criação de lobby pró-Rússia no exterior?
- Esta idéia foi expressa por Putin já a um bom tempo e agora sob o nome de "Mundo Russo" está incorporada em várias organizações cívicas e culturais. Nesta questão, à liderança russa presta muita ajuda a Igreja Ortodoxa, que sempre esteve ao lado da KGB. Nos tempos soviéticos o governo manteve-se ao lado do Partido Comunista da União Soviética, órgãos de Segurança do Estado e o complexo militar-industrial. Agora a Federação Russa se apóia nos órgãos de Segurança de Estado, Igreja Ortodoxa e o antigo negócio que é, em grande parte controlado por estes órgãos. As grandes empresas, os empresários russos já assimilaram bem: se eles não forem amigáveis com os representantes do governo, poderão ter seus contratos rompidos, acusados de corrupção, e até mesmo assassinados.
Aspecto particular - dinheiro de falcatruas aos dirigentes do país. Estes lhes permitem, para dizer o mínimo, existir confortavelmente e, recebendo renda adicional, não viver de salário.

Um dos principais objetos de investigação russa é a emigração, porque ela, no plano quantitativo e, também qualitativo, aumentou substancialmente. O trabalho com ela sob Putin aumentou muito e, penso, não em escala menor que na URSS. Esta é uma das formas mais convenientes para jogar com os sentimentos patrióticos, e também tirar proveito de fracassos anteriores de antigos cidadãos russos em sua nova carreira, nova vida.

Gostaria de acrescentar ainda, sobre ROC (Igreja Ortodoxa Russa), que ela ocupou o nicho que pertencia ao Partido Comunista na era soviética. Não se deve esquecer de que a Igreja Ortodoxa Russa e a construção do "Mundo Russo" - é uma das fachadas, as quais agora são usadas pela inteligência russa. Através de suas paróquias no mundo todo manipula a consciência dos devotos, supostamente oferecendo apóio espiritual e moral, mas na verdade implementa aquilo que foi inspirado pelos órgãos de Segurança da Rússia.

Semana: Em particular, na Ukraina?
- Claro, o FSB (Serviço Federal de Segurança) trabalha em toda parte, em todas as ex-repúblicas soviéticas, não desperta nenhuma dúvida. Às vezes, coopera com órgãos locais e às vezes age com independência, dependendo das condições. Para eles, lá, é muito mais fácil que, por exemplo, no Canadá, Austrália ou EUA.

Penso que em todo território pós-soviético existem redes de inteligência. Nos Estados Bálticos, por exemplo, eu não tenho nenhuma dúvida. Naturalmente, na Georgia. Na Bielorússia também precisa criar algo, porquanto "Batska" (presidente Lukashenko) às vezes cria situações problemáticas. Na Ukraina, certamente tem.

Semana: Se isto significa que o FSB afeta a elite política ukrainiana, o poder e as pessoas próximas a ele?
- Sim, pode influenciar através de seus protegidos, antigos ou adquiridos. Isto denuncia-se em operações ocultas de bastidores. Órgãos de inteligência e contrainteligência sempre agem desta forma, especialmente em regiões que podem ser explosivas. Com Ukraina, Rússia sempre teve uma relação difícil. Ukraina - maior e mais desenvolvida república da URSS depois da Rússia, mas depois do término da guerra, por muito tempo vocês se opunham contra o governo soviético, e isto, para sempre deixou marca nas relações internacionais.
 
Ascensão do operativo comun - Putin.
 
 
Semana: Quais as chances de Putin nas eleições? (prezados leitores, observem a data da publicação deste artigo).
- Para hoje elas são boas, porque Rússia está em situação econômica relativamente boa. A crise mundial também a afetou, mas não o suficiente para alterar as prioridades eleitorais em outra direção. Além disso, não existe qualquer alternativa real para Putin: Medvedev é dependente, embora tente não demonstrar. Juntamente com Putin, a KGB chegou ao poder. O atual primeiro-ministro (Putin) tem nas mãos todo o aparato estatal, onde há 70% importantes funcionários de Kremlin - são os ex-funcionários da Segurança do Estado, ou informantes relacionados com o Serviço de Segurança.
Então, resumindo, eu diria que na história da humanidade não houve nenhum caso de poder, em qualquer país, que surgissem órgãos de segurança. Militares - sim, isso acontece, mas funcionários de segurança de Estado, além de, com essa história de reputação dos tempos soviéticos ou já da Rússia, - não. Aliás, este é um indicador de mentes e atitudes na Rússia de hoje. Esta é, relativamente a nova geração de Kremlin, mas a sua realidade, o hábito de ver tudo através do prisma de suspeita e desconfiança em relações às pessoas totalmente preservou-se da era soviética. Por isso, o que agora acontece lá, - um exemplo muito franco e vivo de como KGB "aperta os parafusos" no país. Na Rússia novamente começa a dominar a atmosfera de medo. As pessoas estão com medo.
 
Semana: Então os órgãos de segurança podem controlar totalmente a eleição presidencial?
- É claro, eles sempre controlaram tudo. Na URSS e na Rússia. Certa vez participei de eleições - fui deputado, e também trabalhei nas comissões eleitorais, e eu conheço todas essas tecnologias, contagem de votos, etc. E nesse sentido, pouca coisa mudou.
 
Semana: E na sua opinião, qual a diferença entre o sistema de Putin e União Soviética? Entre os métodos de governar de Stalin e Putin?
- O sistema soviético não pode ser considerado uno. Houve o sistema de Stalin, de Krushchev, de Brezhnew, de Andropov, de Gorbachev. Putin, parcialmente, retornou aos métodos stalinistas. A diferença é apenas que as repressões de Stalin eram quantitativas. Ele colocou atrás das grades e executou milhões de pessoas. Putin age seletivamente. Novamente criou na Rússia um Estado autoritário: seu regime não é tão sangrento, mas não menos criminoso que o de Stalin.
 
Semana: Alguns anos atrás, durante sua aula pública em Nova Jersey, o senhor disse que Putin nunca trabalhou nos órgãos da inteligência.
- Em nenhum serviço de inteligência ele não serviu. Isto também afirmou em seu livro Vladimir Kriuchkov, o então chefe da inteligência soviética. Aos países ditos de democracia popular - Polônia, Alemanha Oriental, Bulgaria e outros - enviavam funcionários do aparato interno, cujo trabalho era o de fortalecer os órgãos de segurança locais, mas na segurança local eles não se engajavam.
Pessoalmente eu não conhecia Putin. Ele tinha um cargo muito pequeno e não se reportava diretamente a mim. Ele era um simples "operatyvnyk" (funcionário auxiliar de órgãos da milícia que se ocupa com atividades de pesquisa e desvendamento de crimes - OK) um dos 3.000 funcionários que andavam em nossos corredores.
 
Semana: Por que Boris Yeltsin escolheu Putin como seu sucessor?
- Vou começar esta história do final. Bóris Yeltsin, poucos meses antes de sua morte, em entrevista, disse que considera como seus erros principais a guerra na Chechênia e a escolha de Vladimir Putin como seu sucessor. Por quê? O caso é que sua família caiu sob investigação por alegados crimes econômicos, e as informações apareceram na mídia. Yeltsin estava com raiva: "...que examinem, mas por que dar informações aos meios de comunicação"? Na ocasião Putin era diretor do FSB e Yeltsin pediu para cessar a campanha de difamação contra sua família. Antes de um mês o procurador geral Yuri Skuratov foi convidado para um apartamento. Lá o esperavam duas garotas. A "festa" foi filmada e imediatamente apareceu na televisão russa. Tudo foi organizado pelo FSB. Duma, vendo as "ocupações" do procurador geral, rapidamente pediu seu afastamento. Yeltsin decidiu, que Putin era exatamente a pessoa digna de confiança em tudo.
 
Semana: No ano 2000 Putin tornou-se presidente, e o senhor foi declarado traidor. Essa é a vingança dele?
- Até 1995 eu morava em Moscou, frequentemente viajava para o exterior, falava na televisão e diversas reuniões. Falava sobre atividades da KGB. Se meu comportamento fosse outro, então teria condições para permanecer nos órgãos, mas assim, fui para aposentadoria. Então, na Rússia começou o desenvolvimento do setor privado e eu, com amigos, criamos uma joint venture russo-americana em telecomunicações. Eu, como representante desta empresa, legalmente vim para os Estados Unidos. Neste momento Putin chegou ao poder, e em uma de suas aparições públicas me chamou de traidor. Ele é representante da escola da Velha KGB e este sistema nunca perdoa oposição aberta. Em resposta eu, publicamente, o chamei de criminoso de guerra pelo que ele fez na Chechênia.
E que ele, como o ex-presidente da Iugoslávia Milosevic um dia, obrigatoriamente, vão comparecer diante de um tribunal internacional e serão severamente punidos por seus crimes contra os povos do Cáucaso do Norte.
Depois disso recebi intimação para comparecer perante investigador. Conhecendo o sistema jurídico russo-soviético, não fui à Rússia e pedi autorização para residência nos Estados Unidos. Mais tarde consegui a cidadania nos EUA. A cidadania russa me deixaram mas caçaram meus títulos, todos os prêmios, aposentadoria e condenaram à privação da liberdade por 15 anos. Os EUA agora me dão proteção e oportunidade de viajar pelo mundo.
Um episódio semelhante, embora de uma forma mais leve houve no governo de Mikhail Gorbachev quando eu apresentei um projeto de reformas, primeiramente na esfera da segurança do Estado. Daí, de acordo com a determinação da KGB surgiu o decreto de Gorbachev que me privava dos títulos, prêmios, pensão , e me acusava de traição. Mas, naquele dia que eu deveria comparecer diante da procuradoria militar eu fui registrado condidato a deputado do Conselho Supremo do território de Krasnodar. Foi pura coincidência e reação de pessoas que nunca me viram, mas quiseram me apoiar. Eu recebi 1,25 milhão de votos e me tornei deputado da URSS.
Em agosto de 1991, depois do golpe, Mikhail Gorbachev me reabilitou totalmente e até me convidou para uma recepção no Kremlin. Assim me tornei seu principal conselheiro de reformas da KGB. Depois o Comitê desmembrou-o em partes: inteligência, contrainteligência, guardas de fronteira, outros. Eu acreditava, e acredito, que o único KGB era o punho mais forte, e isto é perigoso para o país.
 
Semana: O senhor acredita que um dia será possível a verdadeira democracia na Rússia?
- Democracia - olhando o que se tem em vista. Democracia russa não se aproxima da ocidental. Na FR tem apenas características formais: presença de um sistema multipartidário, eleições presidenciais, etc., mas na minha opinião, isto é simplesmente manipulação da opinião pública. Na verdade, a KGB novamente mantem nas mãos o país. Este processo parece irreversível, mas, espero que o progresso um dia virá, porque cresce a nova geração, que não está ligada às tradições soviéticas tchekistas do passado.
A juventude de hoje pode estudar onde quiser, e há oportunidades financeiras: bolsas de estudo, prêmios, viagens. O recebimento de informações objetivas forma as mentes de pessoas jovens, e eu penso que eles mudarão a face da Rússia, torna-la-ão membro da comunidade democrática. A chegada ao poder de Putin - é uma reviravolta temporária na história.
Tradução: Oksana Kowaltschuk

domingo, 17 de março de 2013

RÚSSIA REVIVE O CULTO A STÁLIN

Governo russo revive o culto a Stalin
Tyzhden (Semana), 05,03.2013

Depois de 60 anos da morte de Joseph Stalin na Rússia observa-se o renascimento de sua popularidade. Sobre isso escreve em seu artigo para The Foreign Policy o especialista do centro analítico Carnegie Endowment Masha Lipman.

"Rússia - é o lugar, onde o legado do stalinismo mais sobreviveu. De acordo com a pesquisa para Carnegie, conduzida pelo respeitável Levada - Centro, 42% dos russos consideram Stalin um estadista público que teve maior impacto na história mundial o que é 12% mais que o registrado a Gorbachev no pico da liberalização em 1989.
Ao mesmo tempo o número daqueles que expressam opinião positiva sobre Stalin na pesquisa do Carnegie alcançou 28%. Segundo Hudkov do Levada-Centro, estes números sugerem "impressionante renascimento da popularidade de Stalin na Rússia a partir do final da URSS. Stalin é um herói latente, e esse status é parte da natureza vaga do estado russo pós-comunista e sua identidade nacional" - escreve Lipman.
"Rússia não tem reconhecimento nacional sobre a origem do novo, pós-soviético estado, nem consenso sobre a percepção de seu passado comunista. O discurso oficial sobre Stalin é impreciso, e a opinião pública é ambígua e hostil. Quase metade dos questionados concorda com afirmação que "Stalin era um líder sábio, que alcançou o poder e a prosperidade da União Soviética". Mas, mais da metade observa, que as ações repressivas de Stalin constituem "crime político, o qual não pode ser justificado". E aproximadamente dois terços concordam que, "por todas as faltas e erros de Stalin, o mais importante - é que, sob sua liderança o povo soviético tornou-se vencedor da Grande Guerra Patrótica.

Durante 60 anos da morte de Stalin a União soviética, e depois a Rússia pós-comunista passaram por duas e meia fases da desestalinização. Mas, apesar de sua imagem não estar no espaço físico russo, a presença de Stalin pode ser facilmente sentida no sistema político russo e nas relações entre o Estado e sociedade", - diz o especialista.

Quando Vladimir Putin tornou-se o sucessor de Yeltsin, ele colocou fim à instablidade política e construiu um regime inspirado na versão soviética de modelo tradicional da Rússia: governo de estado centralizado, que em grande parte depende de forças de segurança internas. De aspecto sovietizado de Putin sobre Estado forte e pessoas infortunadas arrasta-se o retorno simbólico de Stalin. Pois era no governo de Stalin que Rússia, em sua forma soviética, era mais poderosa.

O próprio Serviço Federal de Segurança nunca negou sua herança soviética. Sua sede até hoje localiza-se em Lubyanka, em cujas mal-afamadas instalações sofreram torturas muitas vítimas do stalinismo. No sistema protecional, não oficial russo, a influência política da agência não tem análoga. Ao longo de sua permanência no governo, Putin apoiava-se no Serviço Federal de Segurança para efetuar muitas indicações no governo e fazia os funcionários deste Serviço responsáveis pela rentabilidade de negócios", - acrescenta o analista.

O "retorno" de Stalin nas repúblicas da antiga União Soviética

Tyzhden (Semana), 05.03.2013
Viktória Matola

Nas ex-repúblicas soviéticas, à figura do ditador Joseph Stalin, 60 anos após a sua morte posicionam-se com ambiguidade. Em particular, na Rússia verifica-se um renascimento de sua popularidade. Atitudes diversas verificam-se entre os moradores da Ukraina, Armênia e Azerbaijão.
O posicionamento favorável a Stalin reflete-se, sobretudo, nos resultados de pesquisas de opinião pública. Assim, de acordo com uma pesquisa do Instituto Internacional de Sociologia de Kyiv, realizado em fevereiro de 2013, na Ukraina mais de um terço da população ukrainiana (37%) têm relação negativa em relação a sua figura, positivamente - 22%, não importa - 28%.
Na Geórgia, nível alarmante, manifestaram atitude positiva 45%.
Na Armênia para 55% Stalin foi um "líder sábio" e para 44% no Azerbaijão.
No Azerbaijão 22% não sabem quem foi Stalin e apenas 8% na Armênia. Ainda na Armênia 25% são indiferentes, outros 25% o admiram, respeitam ou aprovam e 35% têm sentimentos negativos em relação a Stalin.
Na Ukraina, a maior ressonância teve o incidente que ocorreu em 28.12.2010, quando um grupo de desconhecidos decapitou o monumento a Stalin no território do comitê regional do Partido Comunista no Zaporizhzhi. Durante o inquérito foram presos 9 membros da Associação "Tryzub", em nome de Stepan Bandera. Eles foram aprisionados para 2 ou 3 anos, e obrigados a indenizar os danos ao Partido Comunista aproximadamente em 110.000 UAH ( I UAH = 0,1229USD), Em novembro de 2011 o monumento foi reinaugurado após a reconstrução, mas já em dezembro um grupo de jornalistas locais colocou um cartaz representando Hitler, com a legenda: "Em que sou pior que Stalin? Construam um monumento também para mim!", e também: "Privaremos a cidade da vergonha!"

Posteriormente apareceu outro cartaz com a foto de Stalin, dizendo: "Eu matei milhões de Ukrainianos! E por que lhe construirão um monumento?"
 
         
Na Criméia (Ukraina) os ativistas do "medgelis" (palavra de origem árabe e significa "lugar de reuniões" - análogo ao parlamento - OK) do povo local, de origem tártara, no ano passado quebraram os mostruários dedicados ao aniversário de Stalin, no centro de Simferopol.
         


Vários escandalos surgem em conexão com a venda de cadernos com a foto de Stalin. No final de 2011 a mídia denunciou uma loja de Ternopil (Ukraina), de materiais escolares e de escritório, que expôs cadernos escolares com imagens de Stalin, Lenin, Fidel Castro e Mao Tse Tung. Com a solicitação do Conselho Municipal eles foram retirados.
Em abril de 2012 os cadernos com imagem de Stalin, da série "Grandes nomes da Rússia" apareceram nas lojas de Moscou. Os membros da Câmara Pública condenaram a popularização de Stalin, mas os cadernos não foram retirados.

Em agosto de 2012, em Kyiv (Ukraina), uma livraria também vendia cadernos com imagem de Stalin e Lenin. No Ministério de Educação explicaram que estes cadernos não foram certificados pelo órgão. E no aeroporto de Boryspil (próximo de Kyiv), vendiam o boneco de Stalin, de fabricação ukrainiana.
        

Em Kharkiv (Ukraina), no dia do Defensor da Pátria, cerca de 200 pessoas marcharam com retrato de Stalin.
   

Em Sevastopol (Ukraina), no ano passado, colocaram uma enorme placa com imagem de Stalin que cumprimenta os munícipes com o Dia da Vitória.
         

Também em Sevastopol, circulava o "Ônibus da Vitória, com retrato de Stalin.
        

Na Georgia, neste ano, na vila Akura os desconhecidos derrubaram do pedestal o busto de Stalin e cobriram com tinta. Aconteceu o mesmo com o recentemente renovado busto de Stalin em Zemo Alvani.
Observe-se que na Geórgia, em Gori, cidade natal de Stalin, o conselho da cidade recentemente decidiu renovar a sua estátua, que foi retirada da rua principal por ordem do presidente Saakashvili, há três anos. Há algumas semanas o conselho da cidade alocou fundos para restaurar este monumento. Como muitos apontam, esta decisão foi claramente influenciada pelas mudanças políticas em Tbilisi. Nas eleições parlamentares realizadas no ano passado, os simpatizantes de Mikhail Saakashvili perderam para o partido "Sonho Georgiano", que procura restabelecer as relações com a Rússia. O novo prefeito de Gori David Razuadze, que é membro desse partido, declara que a estátua de Stalin será recolocada até o verão.
Na Bielorússia, o presidente Aleksandr Lukashenka pediu para não demonizar Lenin e Stalin e declarou: "Eu estou muito atrás de Vladimir Ilich e Josef Stalin. Para chegar até eles preciso andar e andar. Ante eles havia imensas tarefas!... Lenin criou o Estado, Stalin o reforçou" - disse Lukashenka.
Em compensação, em Uzbequistão, ainda em abril de 2011, por ordem do governo desmontaram o último busto de Stalin. O monumento, por meio século esteve no pátio da residente da aldeia Sailyk Lazokat Normirzaevoia.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: A.Oliynik

quinta-feira, 14 de março de 2013

HOLOKOST: O Inferno na Terra - 1ª Parte

LEMBREMOS DE VINNYTSIA - 1ª Parte

Antin Drahan

Iniciamos a tradução deste pequeno livro que é o relato dos acontecimentos em Vinnytsia - Ukraina. Situações semelhantes aconteceram em todo o território ukrainiano. As pessoas, presas sem motivo eram executadas sob a alegação de serem "inimigos da nação".

Lembremos de Vinnytsia, do jornalista e escritor ukrainiano Antin Drahan. Antin Drahan nasceu na Ukraina, em 1913. Estudou jornalismo. Pertenceu a OUN (Organização de Nacionalistas Ukrainianos). Perseguido, foi preso por dois anos. Posteriormente na Alemanha, durante a II Guerra Mundial escrevia e editava jornais ukrainianos, para os ukrainianos que foram levados pelos nazistas para trabalhos forçados.
Esteve na Ukraina em 1943, durante os acontecimentos descritos no livro. Ilegalmente entrou na França em outubro de 1943 e foi preso, permanecendo sob a guarda da Cruz Vermelha. Como já era correspondente (anônimo) do jornal "Svoboda" (Liberdade), editado nos EUA, conseguiu com o redator do jornal os documentos necessários e pôde emigrar, legalmente, para os EUA. Antin Drahan faleceu nos EUA, com 73 anos de idade, em 1986.
(Pesquisa Internet)

"HOLOKOST" ESQUECIDO

Nossa nação ukrainiana na terra natal mas ainda não soberana (Este livro foi escrito antes da independência da Ukraina mas, será que agora com o governo pró-Rússia, podemos considerar a nação ukrainiana soberana? - OK), e na diáspora em várias localidades de diversos países do mundo livre, principalmente grandes comunidades ukrainianas nos Estados Unidos e Canadá, preparam-se com afinco para a comemoração do magno acontecimento histórico de nossa pátria: o milênio da aceitação formal do Cristianismo, que acontecerá no ano de 1988.

Em 1988 completará 50 anos a extraordinária ocorrência denominada pela nação ukrainiana "inferno na Terra". Nos anos 1937-39, os representantes do poder soviético na Ukraina ocupada por Moscou, efetuaram, em tempos de paz, uma inacreditável ação terrorista contra a nação ukrainiana, cujas vítimas foram dezenas de milhares de homens e mulheres que "pecaram" porque possuíam em casa uma cruz, um missal, ou reconheciam conscientemente Cristo. Estas pessoas foram barbarizadas, mortas e enterradas em sepulturas comuns, mascaradas.

Este perverso extermínio da nação, chamado "holokost", foi perpetuado contra a nação ukrainiana, subjugada pelo regime de ocupação moscovita e, casualmente tornado público cinco anos após, em 1943, quando da ocupação de outros exterminadores da nação ukrainiana, os nazistas alemães, na cidadezinha chamada Vinnytsia.

Muita água correu no rio Buh, às margens do qual está Vinnytsia. Muitos crimes do regime comunista foram revelados e anotados historicamente naqueles tempos. Alguns crimes de extermínio, perpetuados contra as nações no tempo de Stalin foram divulgados por seus sucessores. Mas, é em vão procurar documentos soviéticos, uma mínima anotação sobre "holokost" em Vinnytsia. Pelo contrário, lá se faz o possível e o impossível, usa-se todo tipo de artimanhas e mentiras para abafar este assunto, revelado a mais de 50 anos. E, até obtem-se bastante êxito porque muitos dos atuais habitantes da Ukraina com os quais conversamos, e alguns turistas, desconhecem o ocorrido.

No mundo livre também não houve divulgação suficiente nesse sentido. Esse assunto tornou-se evidente por ocasião das comemorações de 40 anos do término da Segunda Guerra Mundial na Alemanha, com a controversa presença do presidente dos EUA, Ronald Reagan, e que notabilizou-se por um dos maiores e mais corajosos debates do alcance mundial. Nesta ocasião chegou-se ao consenso que crimes de extermínio de nações jamais deverão ser esquecidos.

Mas - se esquecem. E mais, pode-se dizer - nas respectivas conjunturass políticas. Esta advertência veio do Sr. Eric Margolis no jornal "Toronto San" de 28.04.85, de Toronto, Canadá. Diz ele em seu artigo "A União Soviética é muito mais perigosa que o falecido nazismo. "A televisão, os livros, os filmes e jornais diariamente lembram o perigo nazista, mas nada falam sobre o perigo soviético. Os atuais governantes de Kremlin são politicamente, legalmente e moralmente descendentes diretos de J. Stalin. Não esqueçamos que a URSS, oficialmente nunca renunciou aos atos de Stalin. O sistema e fundamentos morais que possibilitaram o desenfreado terror stalinista sobrevive com força na Rússia atual. As almas de 27 milhões de ukrainianos, russos, lituanos, letonianos, estonianos, judeus, tártaros, muçulmanos, ainda permanecem sobre a União Soviética. Elas nunca acharam paz devido ao não arrependimento do governo como aconteceu na Alemanha. No entanto, nós os esquecemos..."

O caso de Vinnytsia em geral é muito pouco conhecido e pouco falado também no Ocidente. Por este motivo, o autor deste relato, que teve a oportunidadee de passar alguns dias em Vinnytsia durante as escavações das muitas sepulturas, em junho de 1943, extraiu para este livrinho alguns dados de suas reportagens anteriores, referentes a este tema. "Abriu-se a terra e apareceu o inferno" foi publicado no Almanaque da UNS - 1972, USA. Foram acrescentados dados oficiais e de outras publicações, baseando-se em dados fundamentais sobre o crime de extermínio da nação em Vinnytsia. Isto foi feito com esperança de que este fato, e outros dessa natureza "nunca sejam esquecidos".

VINNYTSIA - SÍMBOLO

Na linda localidade ukrainiana da região do "Podilia" (relêvo de pouca altitude), às margens do rio Buh, localiza-se a cidade de Vinnytsia, na administração soviética centro da província do mesmo nome. A cidade e seus arredores praticamente se "afogam" em pomares. No início da II Guerra Mundial - de acordo com a estatística soviética - contava, aproximadamente, 100 mil habitantes, dos quais 41% eram ukrainianos, 38% judeus, 14% russos e 4% poloneses.

De acordo com os dados soviéticos, Ukraina sovietizada possuía, em 1929, 31.194.976 hab. Essa mesma estatística apresenta em 1939, isto é, dez anos mais tarde, dentro dos mesmos limites, apenas 28.070.404 hab., sendo 3.124.572 menos. Levando em consideração que o aumento da população ukrainiana é bastante elevado e, naquela época situava-se entre 17.7 a 24.5 por mil, então em dez anos, antes da II Grande Guerra a Ukraina perdeu 10 milhões de pessoas. Aonde foram parar e o que aconteceu com elas? Uma parte formou as montanhas de cadáveres inchados que caíram vítimas da fome organizada por Moscou nos anos 1932-1933, e em seguida não menos pavorosos acontecimentos como o encontrado nas sepulturas coletivas em Vinnytsia e outras cidades ukrainianas, durante a II Guerra Mundial, e ainda nos dias atuais. Estas pessoas foram encontradas com as mãos amarradas nas costas e crânios perfurados com balas bolcheviques, em sepulturas coletivas. Somente em Vinnytsia havia quase 100 mil. Vinnytsia tornou-se símbolo dos supliciados e executados.

NO VALE DE LÁGRIMAS E DOR, RUÍNAS E MORTE

Era uma linda manhã de 16 de julho de 1943. O sol, qual bola de fogo surgiu no horizonte e com seus cálidos raios iluminou a terra na qual a já bom tempo não havia nem luz nem calor. A luz e o calor do sol, e a exuberante natureza, contrastavam com a aglomeração andrajosa e faminta de criaturas, que com pequenos fardos nas mãos, esperava na estação de trem em Koziaten. Eram, principalmente mulheres e homens de idade avançada. De tempo em tempo um ou outro tirava do fardo uma fatia de pão de alpiste e aveia, ou de restos de centeio e, cuidadosamente, quase com devoção, o colocava na boca. E, nos lixeiros cavavam sujas, maltrapilhas e famintas crianças, que colocavam na boca qualquer coisa e a cuspiam assim que constatavam não se tratar de resto de maçã ou casca de pão. Entre esses viajantes desamparados encontrava-se o apático ferroviário local não prestando nenhuma atenção em ninguém.

Estes personagens encontravam-se em apenas um canto da estação. A estação toda estava inundada de uniformes cinzentos, cinzento-verdes, marrons e pretos. São os novos conquistadores.

Pelos uniformes podia-se adivinhar o sentimento expresso em suas faces. Os de preto e marrom - barrigudos, presunçosos, confiantes e cruéis. Os de cinzento - na maioria também cinzentos. Seu entusiasmo guerreiro também acabou e evaporou quando pisaram nesta terra. Agora são empurrados para o conhecido e o desconhecido, e eles, soldados comuns do Reich de Hitler vão aonde os de preto e marrom lhes ordenam. Como eco de suas sensações um desses Fritz registrou: "Tudo vem, tudo passa, já estou dois anos na Rússia e não entendo nada". Entre esses cinzentos, como entre os viajantes andrajosos civis, permeiam, com baionetas erguidas, e capacetes, os guardas do exército.

De repentee, ao longe ecoou o trem e os de capacete imediatamente se colocaram junto às portas. Na estação adentrou um trem de carga com vagões fechados. Entre os vagões alguns daqueles capacetes com baionetas erguidas. É o novo transporte para a escravidão do Reich. O trem passou vagarosamente pela estação mas não parou. E aqueles com fardos, nos cantos, secavam as lágrimas e se benziam.

Depois de algum tempo outro trem adentrou na estação e parou. Na frente da locomotiva um vagão de carga aberto, forrado com sacos de areia e sobre os sacos uma metralhadora preparada para disparar. Tal petrecho é contra os guerrilheiros - os "partyzane" (Partyzan, do italiano partigiano - partidário de um determinado grupo social, partido. Pessoas não pertencentes ao exército regular. Durante a ocupação nazista, na Ukraina havia grupos de "partyzane" tanto russos quanto ukrainianos, que lutavam contra o domínio alemão. - OK). Atrás da locomotiva alguns vagões de carga fechados e 2 - 3 de passageiros, mas estes não são para as pessoas, somente para os alemães - como avisam as inscrições. Para as pessoas, no final 2 - 3 vagões de carga. As pessoas comentam: "Onde devem ir os porcos, agora vão pessoas, e onde devem ir pessoas, agora vão os porcos".

O trem vai para Vinnytsia. As pessoas com fardos, ajudando-se mutuamente sobem para os vagões de carga. Cada um com seu fardo acomoda-se como pode. Ouvem-se suspiros pesarosos e mãos famintas enxugam uma lágrima.

Viajando neste trem o pensamento não consegue desviar-se das inúmeras belezas e riquezas desta terra, da penúria e infelicidade de seus autóctenes! Vagarosamente o trem atravessava as aldeias, parada após parada. Em todos os lugares, até aonde a vista alcançava estendiam-se imensuráveis campos de terras produtivas e, às vezes matas verde-azuladas. Entre os campos, como que afogadas entre pomares, avistavam-se as aldeias. E, novamente o contraste - entre a riqueza da terra e sua natureza, a miséria da população. Por entre as árvores avistavam-se as choças em ruínas, sem cerca ou qualquer outra proteção. Também não se avistava nenhum instrumento agrícola, tão comum anteriormente nos quintais. Muito menos algum animal. Se algum ainda restava, agora passou para os cuidados dos sócios dos alemães, os hungáros.

Em cada aldeia, atrás do trem, corriam bandos de crianças maltrapilhas e descalças, e com mãos estendidas pediam: "Senhor, senhor, dê-me pão!

Ao longo da linha de trem, de ambos os lados, os alemães mandaram cortar, numa extensão de 100 metros, todas as árvores para que os guerrilheiros não tivessem esconderijo. Em todas as curvas havia guardas do exército alemão abrigados em pequenas casamatas. Sinais de guerra estavam visíveis a cada passo.

NA CIDADE DO MEDO E MORTE

Ainda antes do meio dia o trem parou na estação de Vinnytsia. As pessoas com fardos saíram dos vagões e subiram pelo largo bulevar Kochubenskoho, cuja ponte de madeira sobre o rio Buh encontrava-se fortemente guarnecida pelo exército. Seguiram pela Avenida Ukrainiana em silêncio. Ninguém conversava, ninguém olhava os arredores. Evidenciava-se que além dos fardos um peso muito maior oprimia-lhes a alma. Na continuação da Avenida Ukrainiana inicia-se a rodovia de Liten e para lá dirigem seus passos estas sombras vivas.

Próximo à rodovia, em três locais: em assim chamado "Parque da Cultura e Repouso do lado direito, no velho cemitério na margem oposta e no pomar de árvores frutíferas a certa distância abriram sepulturas coletivas e delas retiraram cadáveres já putrefatos de pessoas, de mãos amarradas nas costas com arames e barbantes, e com cavidades de balas nas nucas. São centenas de milhares. Novas sepulturas, novos cadáveres surgem. Cheiro fétido, cadáverico, quase insuportável espalhava-se e parecia abraçar a cidade, e toda Ukraina.

Com a notícia da abertura das sepulturas, de várias localidades, principalmente do "Podilia", afluem os desamparados à procura de alguma notícia sobre os aprisionados pela NKVD (Comissariado de Assuntos do Interior - Precursora da KGB), antes da guerra. Procuram por seus familiares - pais, irmãos, mães, irmãs, filhas e filhos. Aproximando-se destes lugares de medo e morte, eles arrancavam um pouco de capim na beira da estrada e o seguravam junto ao nariz. Alguns choravam antes de se aproximarem. Outros sentavam nas trincheiras, não sabendo o que fazer - continuar ou voltar. Se houve no mundo um retrato de miséria e desespero, então é este aqui.

Provavelmente tremiam os braços e as pernas a quem se aproximava das sepulturas. Sim, já é o lugar do horror. Aproximam-se do primeiro monte de cadáveres e, de repente, uma mulher idosa distanciou-se do grupo, arremessou seu fardo e com o grito de ave abatida caiu sobre o primeiro cadáver. O cadáver abriu-se sob seus braços. As pessoas ergueram a velhinha e a colocaram desmaiada na relva. Quando voltou a si, contou: Ela procedia da distante Chernihov e durante três noites seguidas sonhou com seu filho aprisionado em 1937, o qual, no sonho, lhe pedia que fosse a Vinnytsia e perguntasse por ele. Ela viajou durante uma semana. Aqui estava. O cadáver de seu filho reconheceu pela roupa e braço esquerdo amputado.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Chegando em Vinnytsia entrei na redação de "Notícias de Vinnytsia" e travei conhecimento com o redator Apolônio Trembovetskyi, já falecido, o qual, tempos depois, encontrei nos Estados Unidos. Em sua companhia e mais dois antigos amigos, que serviam de intérpretes durante a abertura das sepulturas, por vários dias visitei estes lugares, observava-os,conversava com as pessoas e ouvia seu pranto.

Com base nas informações obtidas e anotadas e, principalmente com base na posterior publicação de documentos, foi possível estabeler tais fatos:
De 24.06 a 26.08.43, em Vinnytsia abriram em três localidades 91 sepulturas coletivas e retiraram delas 9.432 cadáveres, incluindo 196 mulheres. Com base nas marcas no corpo, nas roupas e nos documentos, foi possível identificar 679 cadáveres, sendo que 490 eram ukrainianos, 28 poloneses e 161 de nacionalidade não estabelecida, entre os quais alguns judeus e russos. Profissionalmente foram identificados 225 trabalhadores de fazendas coletivas, 54 pertencentes às fazendas coletivas, 119 trabalhadores, 92 funcionários e 183 do chamado labor inteligente. Os cadáveres não identificados, como demonstravam suas vestes, seriam aldeões e trabalhadores.

Pelo comando da abertura das sepulturas respondia uma comissão juridico=médica, composta de alemães, o ukrainiano Dr. Doroshenko de Vinnytsia, um russo Dr. Malinina, professor da Universidade de Krasnodar. Durante as escavações, investigação e identificação de cadáveres auxiliava a população local. Todos os sítios escavados foram observados e avaliados pela comissão juridíco-médica internacional de países satélites alemães e neutros. Entraram nesta comissão: Dr. Zenon - Bélgica, Dr. Mykhailov - Bulgaria, Dr. Pezonen - Finlândia, Dr. Diuvuar - França, Dr. Katsaniga - Itália, Dr. Jurak - Croácia, Dr. Porten - Holanda, Dr. Birkle -Romênia, Dr. Khekhevict - Suécia, Dr. Kresek - Eslováquia, Dr. Orsoz - Hungria. A escavação e a retirada dos cadáveres foi realizada pelos prisioneiros dos cárceres locais.

O fato de que as escavações e investigações ocorreram sob a ocupação da Ukraina por não menos cruéis e criminosos nazistas, inimigos da humanidade, não diminui em nada esse malefício bolchevique em Vinnytsia. Os alemães se permitiram crimes semelhantes mas os seus eles não mostravam nem investigavam. Isto foi feito depois da guerra, em Nuremberg. E é preciso esclarecer que a revelação dos crimes bolcheviques em Vinnytsia não influenciou positivamente a população local aos alemães. Pelo contrário, a população amaldiçoava também os novos ocupantes.

Continua
Tradução: Oksana Kowaltschuk

Nota: "Holokost"
A palavra "holokost" ou Holocausto é derivada do grego e tem duas partes: (holos), que significa "queimado" e (kausto) que significa "oferta", "sacrifício". No início a palavra "holocausto" tinha conotações religiosas, mas também era usada por séculos em relação aos desastres e grandes calamidades principalmente relacionadas aos incêndios. Foi usada, entre outros, para descrever o genocídio dos armênios pelos turcos, em 1909, para descrever os grandes incêndios em Minnesota (EUA), em 1918, e outros.
Já em meados do século 20, a palavra "holocausto" foi usada na imprensa sobre a onda de terror contra população judaica na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial; perseguição e extermínio dos judeus europeus pela Alemanha nazista e colaboradores durante o 1939 - 1945 anos, genocídio do povo judeu durante a Segunda Guerra Mundial.
Como vítimas do Holocausto também são percebidas outras comunidades étnicas e sociais que os nazistas perseguiam e exterminavam (ciganos, homossexuais, maçons, em estágio terminal, etc.) Isto é, em um sentido mais amplo, o Holocausto - a perseguição sistemática e aniquilação de pessoas com base em sua raça, etnia, nacionalidade, orientação sexual ou tipo genético inferior, prejudicial. (Oksana).

terça-feira, 12 de março de 2013

O DIFÍCIL RETORNO

Dificuldades na volta. Custosa readaptação dos "hastarbaiters" ukrainianos em casa
(hastarbaiter - trabalhador-migrante nos países da Europa Ocidental)

Tyzhden (Semana), 27.08.2012
Vira Makoviy, Serhii Teren




 
 
Razões que estimulam os nossos compatriotas procurar emprego no exterior são diversas: pobreza, falta de trabalho, ter um capital inicial para começar um negócio, desejo de ganhar dinheiro para conseguir sua casa, educação de filhos e, até, a própria sobrevivência.
No entanto, investindo em casa ou apartamento, no qual não se sabe se haverá possibilidade de vida, ou o ensino superior para os filhos que não conseguirão emprego torna os trabalhadores ukrainianos vítimas de seus próprios sonhos, porque o dinheiro geralmente sempre falta. E, ao voltar, nem todos conseguem restaurar suas relações sociais e colocar em prática as habilidades e experiências adquiridas no exterior. Por isso, muitos que foram para um ou dois anos não se atrevem voltar para casa.

O sonho de uma casa

Helyna Ursuliak veio dos EUA à aldeia Drachynts na Província de Chernihov para um mês. Ela encomenda janelas, verifica a colocação de ladrilhos, como rebocam a fachada, etc. Assim que terminar o dinheiro viajará novamente aos EUA. A mulher constrói uma casa grande, com garagem do lado.
"Quero viver no meu país - explica seus investimentos a senhora Halyna. - Nos EUA mesmo aqueles que tem seu negócio, dizem que trabalharão mais um pouco e voltarão. Mas, quando vêem como as pessoas sobrevivem na terra natal, fogem novamente. Quanto a mim, me chamam de "americana", é ofensivo. Eu, nem por um segundo me senti americana. Nós, quando terminarmos a casa, voltaremos, mas ainda precisa muito dinheiro". E foi o sonho de uma casa própria que forçou Helyna com o marido ir para o exterior e os mantem lá, já por 11 anos. "Vida (na mesma casa com os pais) não havia. Então alugamos um apartamento em Chernivtsi. Eu trabalhava na feira, eu enregelava, dinheiro não era suficiente para uma casa. Em casa permaneceu meu filho Stanislau de um ano e meio - depois só o vi com seis anos. Os americanos não me compreendem, especialmente quando eu conto que deixei meu filho: "para mim é difícil lá fora, mas o marido diz: Um ano, dois - e voltaremos para casa, e passam cinco, sete, dez. As pessoas têm muito medo: o que vão fazer quando voltarem para Ukraina? Eles se acostumam a trabalhar com estabilidade e pagamento constante".



Sem reserva laboralUkraina pertence aos países onde em ritmo acelerado diminui a quantidade da força produtiva. Prognóstico de mudança de recursos laborais até 2020, %.
Legenda:
1) diminuição maior a 5%
2) menos 5 %
3) crescimento de zero a 10%
4) 10 - 20%
5) mais de 20%




Experiências em investimento

Os pais que ainda trabalham nos EUA, ajudaram a Oksana Prokopetz abrir um mercado no centro da vila Drachentsi, onde ela mesma é vendedora."Eu não quero mais ir a EUA, - diz a mulher, que trabalhava como faxineira numa pequena cidade de New Jersey, - aqui eu tenho minha casa, tudo é meu".

Jaroslau Rudnetskyi trabalhou mais de 2 anos em uma fazenda de leite na Dinamarca e uma na Suécia. "Agora aplico a experiência dinamarquesa-sueco na aldeia Vydumka em Zhytomyr. No início peguei a terra em arrendamento por cinco anos, depois privatezei. Nos 21 hectares plantava cenouras e batatinha, mas não podia viver com o que ganhava. Agora semeio forragens. No meio do campo tenho um estábulo com vacas, então vendo queijo, nata, leite". Seu sonho é fornecer estes produtos em áreas urbanas com aranha-seus, como nos Eua. "Enquanto houver possibilidade de permanecer em casa, (em casa significa na Ukraina - OK) diz o agricultor - eu quero ter aqui a minha fazenda, casinha, painéis solares, tanques, terra. Para que depois de mim, os filhos ou outro agricultor possa continuar este trabalho. É necessário muito esforço para desenvolver este negócio. Porque, se no exterior em todas as questões pode-se aconselhar com o consultor da área, na Ukraina, é necessário fazer tudo sozinho.

Muitos dos antigos "hastarbaiters", no regresso para casa, tentam, pelo dinheiro economizado, abrir seu próprio negócio. Oleksandr - é da primeira onda de programadores ukrainianos que viajaram para Ocidente à procura de ganhos maiores. Trabalhou mais de 5 anos numa companhia TI (Tecnologia de Informação de negócios) em Londres. Em 2009 voltou para Kyiv, onde decidiu iniciar seu próprio negócio. "No exterior eu adquiri novos conhecimentos de gerência e, então resolvi materializá-los em uma empresa de desenvolvimento do software.Os 100 mil USD ganhos na Grâ-Bretanha foram suficientes como capital circulante para me firmar no negócio". Mas, hoje, Oleksandr novamente arruma as malas para Londres - e espera levar o seu negócio para o "Nebuloso-Albion (Albion, palavra de origem celta - antigo nome das Ilhas Britânicas. É usado na Inglaterra em grande estilo, em alguns outros países no sentido irônico. Significa "montanhas" - OK). Três meses atrás vieram certos rapazes de cara dura "Você sabe por ordem de quem", e me propuseram uma "impecável" opção: 80% do negócio reescrever para "sozinho você sabe para quem", 20% continuam seus, além das funções administrativas. Oleksandr, acostumado com avaliações adequadas ao seu conhecimento, a tais proposições recusou-se, bem como dos problemas que lhe prometeu organizar a "inspeção civilizada" e que já começou incorporar-se à sua vida - recentemente o pessoal do fisco fez uma "limpeza" no escritório.

Pavlo R. durante anos plantava morangos na Inglaterra. Três anos atrás resolveu aproveitar o adquirido conhecimento em Vinnytsia. Arrendou alguns hectares de terra e este verão deveria colher a primeira grande colheita. Não aconteceu. Em maio, seus campos foram atravessados por diversos tratores. Ele tem certeza de que isto foi feito por ordem da autoridade local, a quem recusou propina na renovação do contrato de arrendamento da terra e que o ameaçaram de entregá-la a outro agricultor. No entanto, Pavlo decidiu guerrear: ele espera que haverão mudanças na aldeia depois das eleições.

Com o tempo a família resolveu retornar: os anos de trabalho no exterior não foram considerados, embora a aposentadoria foi conseguida. "Tudo mudou - lembra as dificuldades de adaptação a esposa de Mykola. Olia, - seus filhos quase não viram, eles cresceram, os pais envelheceram, e ao mesmo tempo a situação econômica praticamente não melhorou. Foi difícil passar para a pensão miserável após um bom e estável salário". Apesar da educação superior e muitos anos de experiência como engenheira eu não consegui encontrar trabalho na cidade natal - o Centro de Emprego propôs somente trabalho físico muito pesado e extremamente mal pago".
Mykola também não encontrou lugar para si - devido a restrições da idade. "No entanto eu decidiria hoje ir embora, como decidi a 13 anos. Em geral nós não nos arrependemos: os filhos estudaram, os pais foram atendidos e na casa fizemos reparos. Meus amigos poucos restam, sucumbiram ao alcoolismo. Eu estou vivo e não bebo".

Alex B. voltou para casa em Rivne, de Portugal, na véspera da crise de 2008. Com o dinheiro ganho construiu a casa. Empregou-se na "Rivneazot" - o salário era suficiente para viver. Ele disse que tudo mudou quando a empresa foi comprada por Firtash: "O oligarca imediatamente mudou a liderança. Seu diretor não considera os trabalhadores como pessoas. Na fábrica - como no gueto: podem espiar em seus bolsos, ou dar em sua cabeça. Qualquer tentativa de dizer algo contra, termina com demissão. Uma vez no restaurante local envenenaram-se pessoas. Uma das trabalhadoras começou exigir investigação - no dia seguinte encontrou-se além do portão.
Ao longo dos anos passados na Europa eu me acostumei a uma atitude normal de relacionamento, dispensada a mim tanto como empregado, quanto como pessoa, então não aguentei e pedi a conta". Alex novamente começou os preparativos para viagem - o antigo empregador na cidade do Porto concordou em aceitá-lo novamente para trabalho.

O retorno não garante que na pátria conseguir-se-á implementar as novas habilidades, investir e começar uma vida de sucesso, frequentemente devido a obstáculos criados pelos funcionários públicos, isto é, o próprio Estado. Por isso os que trazem tão importantes, para Ukraina, conhecimentos ocidentais, não podem usá-los na prática. Aqui revela-se que eles, como anteriormente, são pessoas desnecessárias. Portanto, não é surpreendente que os nossos trabalhadores no exterior só aumentam - atrás dos pais vão os filhos.
 

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: A.Oliynik