quarta-feira, 24 de abril de 2013

UNIÃO ADUANEIRA

Encanto mítico da União Aduaneira. Nenhum de seus membros recebeu benefício tangível
Tyzhden (Semana), 29.03.2013
Andrii Kovalenko
A União Aduaneira gera importantes problemas econômicos, não apenas para seus membros "minoritários" - Cazaquistão e Bielorrússia, mas também para o principal "acionista" - Rússia.

 

Recentemente, o tema da adesão da Ukraina à União Aduaneira começaram mais ativamente "pedalar" os agentes políticos internos que, de um ou outro modo associam-se com Kremlin. Primeiramente trata-se sobre  "Escolha ukrainiana" de Viktor Medvedchuk(¹) que parece, chegou à fase final da "inculcação sob soleira" (fazer a cabeça) aos ukrainianos, amplamente colocando cartazes de publicidade e caixas de luz com muito direta narrativa "União alfandegaria - ao mesmo tempo a prosperidade e sucesso (anteriormente fixava-se temas de "governo próprio do país" através do "todo ukrainiano referendo").

No entanto, o senhor Medvedchuk já foi ultrapassado pelos comunistas(ukrainianos), os quais com o pronunciamento do deputado Oleksandr Holub, que revelou a intenção de, no início da primavera iniciar a preparação de um plebiscito sobre o ingresso à União Aduaneira. Então parece que começa uma outra campanha de poderosa publicidade informativa, destinada a convencer os ukrainianos em seu "sucesso", que de repente será conseguido em resultado da integração com União Aduaneira. Embora as realidades econômicas atuais dos participantes da União Aduaneira - Cazaquistão, Bielorrussia e Rússia - testemunham o contrário.
 


 Cazaquistão: "longe de Moscou?"
 
Durante os três anos de permanência na União Aduaneira a economia e a população deste país da Ásia Central confrontaram-se  com não pognosticadas anteriormente realidades negativas. E, de acordo com especialistas, Cazaquistão convincentemente perde posições nas relações com parceiros estrangeiros até com os da União Aduaneira. Se em 2011 o saldo negativo com os parceiros da UA totalizou 3,4 bilhões de USD, então no primeiro semestre do ano passado chegou a 4,7 bilhões de USD.

Com isso,o volume comercial com os parceiros da UA diminuiu 4%. Os apologistas da UA posicionam algumas cifras de crescimento cazaque como "progresso da associação". No entanto, de acordo com Gennady Shestakov, presidente da Associação dos despachantes aduaneiros de Cazaquistão, isto se explica, exclusivamente, com o aumento das tarifas aduaneiras externas. O que, por sua vez levou a um aumento significativo nos preços do varejo de muitos grupos de mercadorias no comércio interno. Assim, em 2009 (antes da adesão à UA) a taxa alfandegária média no Cazaquistão foi de pouco mais de 5% (a próposito, a norma da OMC exige que esta cifra não ultrapasse 7%), na FR - 18%, na Bielorrússia - 12%. Hoje todos os países "cresceram", de fato ao índice russo - 16%. Com o que no Cazaqistão a taxa alfandegaria sobre algns produtos triplicou - quadruplicou, e para os automóveis - em várias vezes.

Esta tendência foi especialmente atingida pelos fabricantes de Cazaquistão, onde as mercadorias são produzidas de matérias-primas importadas e utilização de equipamento e tecnologia também importados. Chegou ao ponto do absurdo: por exemplo, laminados lançados no Cazaquistão, segundo linhas de produção tecnológica belga, custa mais que os importados  diretamente da Bélgica. Mas a pior consequência da UA na realidade deste país é a surpreendente elevação nos preços das mercadorias de primeira necessidade e amplo uso (para uma série de produtos "socialmente relevantes" o governo congelou os preços e introduziu a regulação estatal).


No entanto não se conseguiu evitar a alta (em comparação com o ano 2011) para tão importantes produtos como trigo sarraceno (usam com leite) em 2,5 vezes, carne de vaca - em 40%, carne de carneiro - 33%. Açúcar e óleo encareceram o dobro.
 Segundo conclusões recentes do Banco Mundial, em conexão com a introdução de uma tarifa externa única da UA, no Cazaquistão "as custas dos negócios e dos consumidores dos importados aumentaram e sob as tarifas do "guarda-chuva" os recursos transferiram-se para áreas de produção ineficiente. Deste modo, em consequência da entrada à UA os salários reais caíram 0,5%, e o retorno real sobre o caital - 0,6%. Cazaquistão faz menos comércio com o restante do mundo, mais com a Rússia, Bielorrússia e a outra parte da CEI (Comunidade dos Estados Independentes), o que provoca diminuição das importações de tecnologia e, a longo prazo pode levar a uma queda no desempenho atual. O país perderá cerca de 0,3% da renda real por ano devido à introdução total da tarifa externa única. Então os salários e retornos reais de capital diminuirão ainda mais.

Obviamente estas negatividades refletem, em primeiro lugar nas camadas mais pobres da população, bem como nas pequenas e médias empresas, tornando a situação explosiva no país. Atualmente, já ecoam apelos populares ao presidente Nursultan Nazarbayev para denunciar o acordo e sair da UA. Talvez , por isso que a mensagem do presidente de Cazaquistão por ocasião do Dia  da Independência teve um nome fora do padrão "Estratégia Cazaquisão - 2050" e ainda mais surpreendente e intrigante conteúdo - algumas de suas posições chocaram a oficial Moscou. Ainda mais: uma fileira de especialistas rapidamente batizou esta estratégia como "Plano Marshall" para o Cazaquistão (que também baseia-se no conceito americano de "Terceira Revolução Industrial" de autoria do cientista econômico Jeremy Rifkin) Nazarbayev deixou claro que a Astana (capital de Cazaquistão) não só defenderá a identificação nacional e renascimento da importância do idioma cazaque, como manterá o foco na alta tecnologia econômica ocidental, não se limitando a política externa somente com o projeto geopolítico da UA. (Parece que já aprendeu a lição. Infelizmente o presidente ukrainiano, apesar dos exemplos, continua cego - OK).
A principal inquietação de Moscou é a orientação dos cazaques e não apenas no aprofundamento das relações com China, mas também no vetor integracional em direção a Turquia no novo projeto Turkis União (ou Rota da Seda). Na imprensa russa imediatamente floresceram fobias sobre "ameaças anti-integracionais! e preocupações como "Cazaquistão pode enterrar UA e a União Euroasiática".
 

Bielorrússia: artificial "inflação" de exportação.
Comparativamente com 2011 os investimentos diretos na economia em 2012 cairam quatro vezes (em teoria deveria ser o oposto, se der crédito às amplas gabarolices russas das "vantagens" da UA). Durante o ano 2012 o saldo em conta corrente foi negativo e atingiu 1,1 bilhões de USD. De acordo com o Institutto de Estudos Estratégicos da Bielorrússia, a partir da entrada do país à UA em 2010 -  a exportação para Rúsia e Cazaquistão aumentou em média em 36%. Embora o saldo negativo no comércio com a Rússia aumentou em mais 3 bilhões de USD. O insignificante excedente saldo com Cazaquistão explica-se principalmente devido a diminuição da importação deste país, e não com o impressionante crescimento de suas exportações. Na verdade, a dinâmica positiva nas vendas de "qualidade e a preços acessíveis" dos produtos da Bielorrússia nos mercados "aliados" é alcançada principalmente devido a considerável dumping, desvalorização da moeda nacional, energia barata e subsídios diretos da Rússia o que obviamente não pode durar para sempre) Tal exportação do "comunismo" para a república ameaça rápido esgotamento, no caso da FR ser forçada, sob influência de crise econômica cortar o "fraternal" subsídio de sua econômia. As mesmas consequências, ou seja, cessação da exportação de produtos bielorrussos com dumping pode ser previsto também após a esperada entrada da Rússia e Cazaquistão à OMC. Portanto, os "siabry" (pessoas que se dedicavam até o início do século XX com o cultivo da terra, criação de abelhas, pesca, etc.) podem ser atingidas por um colapso econômico igual ao que aconteceu na primavera de 2011. Indicativo é o recente (embora, como sempre, extravagante) grau de "sucesso" da Bielorrússia na UA, dada por Aleksandr Lukashenko. Em sua opinião, o país não se beneficiou com a entrada na UA. Resumindo a participação da Bielorússia na UA, ele chamou a estrutura eurasiana de inútil.
 
Rússia: Contrabando "roda".
 
Apesar de paradoxal à primeira vista, não obstante a sérios problemas devido a "prática" da UA, derrapou até a Rússia apesar do fato que leva a maior parte dos recursos financeiros, baseando-se na divisão de lucros acionários. Sim, a FR recebe no seu orçamento 87,7% de todos os direitos aduaneiros, enquanto Cazaquistão - 7,33%, e Bielorrússia - 4,7%. De acordo com uma pesquisa realizada recentemente pelo Development Center Graduate School of Economics encomendado pelo Ministério do Desenvolvimento Econômico, o efeito esperado pelo "crescimento" do comércio internacional realmente não houve. "Nós dois anos que se passaram desde a criação da UA, a participação do volume de negócios de todos os países participantes não mudou. Além disso, os números mantem-se no mesmo nível desde 2005. Em 2011 a participção do comércio regional no conjunto do comércio exterior da Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão não excedeu em vigor sobre o estabelecimento da UA (2005-2009). O indicador permanece nos limites de 10-12%. Assim, a circulação de mercadorias, excluíndo o combustível, tem mais que clara tendência para baixo.
 
No entanto, diante de nosso vizinho do norte surgiu mais um problema: devido a abertura das fronteiras econômicas parte considerável (se não esmagadora) das mercadorias passa pelo "caixa" alfandegário russo. Então as entradas correspondentes ao orçamento são extremamente menores em comparação com as esperadas. De acordo com o Serviço Aduaneiro da FR, 50% do volume de negócios da UA acontece na sombra. A facilitação dos procedimentos de controles aduaneiros levou ao aumento do contrabando, que se tornou perigoso para a economia de escalas russa. Além disso, os especialistas não descartam, que a estatística oficial  quanto a circulação de mercadorias, no nível estadual deturpa-se nas alfândegas da Bielorrússia e Cazaquistão. A ausência da declaração obrigatória de mercadorias levou ao fato de que, de acordo com as estimativas do Ministério do Desenvolvimento Econômico da FR, em 2012 a estimativa de volume na importação de mercadorias foi reduzida em 9 bilhões USD (de acordo com esta cifra pode-se, aproximadamente, estimar o volume da propaganda). As fontes afirmam que o Ministério russo da Indústria e Comércio está repleto de queixas dos produtores contra a investida do mercado de produtos falsificados, duas vezes mais baratos da China e de países europeus - de calçados e eletrônica a flores e embalagens de plástico.
 
Então, em outubro passado a FR exigiu à Bielorrússia a compensação de 1,5 bilhões de USD. Neste montante foram calculadas as perdas do orçamento russo da exportação de Bielorrússia de gasolina com aparência de solventes e lubrificantes que não estão sujeitos a impostos. Da mesma forma os "competentes" órgãos estabeleceram que Bielorrússia re-exporta produtos derivados de petróleo russo, novamente mascarando-os com solventes. Este esquema permite que seus operadores evitem o pagamento, ao orçamento russo, de consideráveis somas alfandegárias pelo abastecimento de combustível além da UA. 
Este é apenas um dos muitos exemplos ilustrativos da "civilização da irmandade" de relações dentro da aliança. Chegou ao ponto, que alguns economistas russos já apelidaram a política aduaneira de "contrabando de Estado".
 
Deste modo, as promessas de Vktor Medvedchuk e comunistas ukrainianos de "Sucesso para todos os ukrainianos" no caso de adesão à UA apresentam-se cinicamente-perigosas manipulações. Especialmente, o regime Yanukovych deve, no mínimo, sete vezes ponderar antes que infantilmente e ingenuamente "comprar-se" pela promessa de Putin de 9 bilhões de USD de receita anual e impressionantes 10% do crescimento do PIB - contado em Moscou "efeito" pela adesão da Ukraina à UA. Ao invés disso, como mostra a experiência de "aduaneiros unidos", o preço da adesão à UA pode ser muito maior que o impactro econômico "negativo", - evidente é a perspectiva do incerto-duradouro "apodrecimento" na estagnada tecnologia do espaço neossoviético e ameaças à independência nacional.
 
(1) Viktor Medvedchuk, filho de pais ukrainianos, nascido em 1954 na região de Krasnoyarsk - Distrito Federal Siberiano, URSS. Estudou na Ukraina. É doutor em Ciências Jurídicas.
Eleito deputado em 1998 e 2002. Ocupou diversos cargos junto ao Parlamento, à Presidência, ao partido. 
Em 2001 declarou que a Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Moscou é a única igreja ukrainiana legal e canônica. 
Desde 2012 conduz propaganda pela anexação da Ukraina à União Aduaneira com a Federação Russa, às suas custas.
 

Tradução: Oksana Kowaltschuk

domingo, 21 de abril de 2013

APROFUNDA-SE A CRISE ECONÔMICA NA UCRÂNIA

Tyzhden (Semana), 18.04.2013
Liubomyr Shavaliuk
 
De acordo com o Serviço de Estatística do Estado, no I Trimestre de 2013 a produção industrial na Ukraina diminuiu 5% em relação ao mesmo período do ano passado. Os líderes da queda tornaram-se: indústria química (-21,8%), de coque (-21,3%), construção de máquinas (-14,9%), construção (-16,8%), transportes (-6%).
 
Mikola Azarov - Primeiro Ministro da Ucrânia

 
Indicativa é a indústria da construção, a qual anuncia que aproxima-se o aprofundamento da recessão da economia ukrainiana. A construção de estruturas de engenharia diminuiu em 18%, e não residenciais - em 21,5%. A queda no primeiro segmento (51% dos trabalhos de construção) pode ser atribuída, em parte, à ausência este ano de fatores como Euro 2012. No entanto, a queda no segundo é, na sua maioria, de propriedades comerciais, e indica que na Ukraina não se criam novas potencialidades, portanto, quanto ao investimento privado a situação piorou rapidamente e significativamente. A redução do fluxo de investimento leva à diminuição da procura e, como consequência, da produção interna, e também fixa oportunidades perdidas, pois as capacidades que poderiam ser criadas durante este  tempo, ajudariam a sair rapidamente da recessão. Assim não importa o que o governo diz sobre melhorias do clima de investimento, há indícios de que o governo ou manipula abertamente, ou não sabe o que fazer.

 Por conseguinte, a situação da economia real na Ukraina é bastante complexa, os índices de desempenho agravam-se. Isto se reflete nas projeções econômicas. De acordo com as perspectivas da economia, segundo as discussões de abril, que regularmente acontecem junto ao Ministério do Desenvolvimento Econômico e Comercial, com a participação de 17 organizações analíticas, o consenso de prognósticos de crescimento do PIB para este ano é de 1,2% (em novembro de 2012 dava 2,9). Curiosamente, esses mesmos analistas previam em abril de 2012 o aumento do PIB para 2013 em 3,2%.
Mas o FMI foi mais impressionante. Em abril, na sua "Revisão de Economia Mundial', que normalmente é de otimismo, prevê para 2013 crescimento nulo do PIB da Ukraina, além da inflação de 0,5%. Estes números significam que no país espera-se diminuição significativa da demanda doméstica, o que vai aprofundar as tendências de recessão já observadas nos últimos três trimestres. Ao longo dos últimos três meses a missão do FMI visitou Ukraina duas vezes. Seu prognóstico: sem reformas os indicadores da economia aproximam-se aos mínimos significados. Vale observar que entre a comunidade empresarial esta organização tem altíssima reputação, por isso, quando os investidores estrangeiros virem tais prognósticos, o volume de seu dinheiro, na forma de investimento e créditos recebidos na Ukraina reduzir-se-á significativamente. Parece que os missionários do FMI que analisaram a situação na Ukraina, recomendaram à gestão não conceder crédito a Kyiv.
Em qualquer caso, as estatísticas indicam que a crise continua e dá voltas. No primeiro trimestre os mercados mundiais de ações cresciam e Ukraina pôde atrair dinheiro estrangeiro. Mas o que acontecerá, quando os mercados forem para baixo? Então o prognóstico da "Semana" sobre a queda do PIB para 0,5% em 2013 publicado no final do ano passado, pode ser demasiado otimista. E o pior é que nessa situação vem à tona a ineficiência das reformas governamentais. Isso significa que o governo realmente não sabe o que fazer. Portanto, a crise pode durar por vários anos.
 
Tradução: Oksana Kowaltschuk

domingo, 14 de abril de 2013

HOLOKOST: O Inferno na Terra - 3ª Parte

LEMBREMOS DE VINNYTSIA
Antin Drahan

ZONAS PROIBIDAS

Após o assassinato de Kirov e durante o maciço terror de 1937 - 1938, em muitas cidades ukrainianas, as áreas próximas das instituições da NKVD eram rodeadas com tábuas bastante altas, as chamadas "zonas proibidas", e ainda eram protegidas pelos guardas. A estas zonas a população não só não podia espiar como era proibida delas se aproximar. O que acontecia nestas "zonas proibidas" ninguém sabia, mas circulavam rumores e suposições terríveis. E houveram alguns corajosos despreocupados que ao anoitecer subiam em alguma árvore não muito distante para apaziguar sua curiosidade. Alguns conseguiram ver filas de buracos profundos ou pequenos montículos, mas minguém sabia de sua predestinação.

Em Vinnytsia já não havia muitas pessoas que pudessem dar uma descrição historicamente exata dos lugares que a NKVD escolheu para ocultação de suas vítimas chacinadas. Mas, encontraram-se várias pessoas que sabiam e lembravam os últimos acontecimentos desses três locais dos dois lados da estrada de Liten. No primeiro local havia anteriormente um pomar que pertencia a alguns proprietários, os quais já nos anos trinta passaram viver na cidade. Ninguém cuidava do pomar. Em março de 1938 a NKVD interessou-se pelo pomar. Iniciaram as medições e foi colocada uma cerca de tapumes de 3 - 4 metros de altura, fortalecendo-a com guardas da NKVD que revezavam-se dia e noite. Às vezes ouviam-se rosnados de cães. À população diziam que o pomar foi cercado para proteger as árvores frutíferas das crianças, ou que lá aconteciam exercícios militares.

O estabelecimento dessa "zona proibida" em Vinnytsia comprova uma transcrição da ata da reunião do Conselho Municipal e alguns testemunhos oculares que citamos:

   Transcrição do protocolo nº1 da reunião do Conselho Municipal de Vinnytsia, de I.IV.1939: 

   "Ouviram: Notificação do Comissariado da Segurança do País sobre o fechamento para o público do território próximo a fazenda leiteira Eslava em Vinnytsia.

   Deliberaram: Fechamento para o público da parte do território da fazenda leiteira Eslava que pertence ao Conselho Municipal de Vinnytsia, de 27 hectares, 9.151m², e transferi-la ao comando do Comissariado Nacional de Segurança.

   Neste local estão proibidas quaisquer construções sem autorização do Comissariado Nacional de Segurança. Os limites desta zona são:

   a) norte - mata municipal e terras da aldeia Piatychany;
   b) leste -  construção rodoviária N° 646;
   c) sul    -  estrada de Liten;

O valor das construções residenciais será pago pelo Comissariado.

Presidente do Conselho Municipal Fursa, secretário Slobodianiúk".

Testemunho do colaborador da estação hidro-biológica de Vinnytsia H. Hulevych: 

"Na primavera de 1938 eu fui para Kyiv e fiquei lá três meses. Nesse tempo, em Vinnytsia, prenderam meu irmão. Voltando no verão para Vinnytsia eu vi , em frente ao local do meu trabalho, na estrada de Liten, uma nova cerca de aproximadamente 3m de altura, de tábuas bem ajustadas e em duas linhas. Para minhas indagações o que isto significava e para que, recebi diversas respostas. A mais frequente é que era construção da NKVD. Depois de algum tempo surgiram comentários que ali enterravam os fuzilados da NKVD. Certa vez senti cheiro putrefato trazido pelo vento da direção da cerca. Observando a cerca com atenção, descobri um pequeno buraco de onde caiu um nó, e olhei através dele. Vi muita argila fresca amontoada e bem próximo da cerca - montes já escurecidos de cadáveres, os quais, provavelmente, ainda não conseguiram enterrar. Cada vez que um carro se aproximava eu o seguia com os olhos até o portão, atrás do qual ele desaparecia. Eu cogitava que dentro do carro estava também o cadáver de meu irmão. Quase diariamente eu via veículos de carga que à noitinha passavam ao longo da nossa estação para o portão da cerca de estacas e, no dia seguinte, carregados de argila partiam na direção da estrada de Liten".

Das palavras do guarda de mercado OPANAS SKREPKA, de Vinnytsia, protocolou-se o seguinte testemunho:

"De 1935 a 1941 eu era guarda das plantações frutíferas municipais, na estrada de Liten. Em março de 1938 um pomar ao lado da plantação sob minha guarda foi cercado com altas estacas de madeira. Perguntando aos trabalhadores que colocavam estas estacas eu soube que ali planejavam construir uma creche ou um parque infantil. Mais ou menos um mês depois eu subi, à noite, numa árvore que crescia próximo da cerca. Havia luar. Próximo da cerca eu vi seis buracos, cada um aproximadamente com 3m². Nos buracos havia alguns cadáveres. Não estavam cheios, daí porque ainda não estavam cobertos. Já anteriormente eu havia observado que para dentro da cerca começaram entrar veículos carregados e deles jogavam algo - ouvia o som surdo sobre o chão. Naturalmente, ver o que acontecia lá, eu não podia. Algumas vezes, de manhã bem cedinho, após a chegada de veículos de carga à noite, eu percebia um traço de sangue pela estrada de Liten até o local cercado. De manhã, o guarda da NKVD que ficava permanentemente na guarita, cobria esse traço com areia. À noite eu não ouvia nem tiros, nem gritos mas, durante o dia, às vezes via quando chegavam os comissários em automóveis. Então soavam tiros. Às vezes vinha de dentro da cerca forte cheiro cadáverico. Ninguém podia aproximar-se porque ao lado da cerca, tanto na parte interna como externa, constantemente andavam vigilantes. Em 1938 os funcionários da NKVD exigiram de mim algumas mudas do horto florestal que eu guardava. Quando eu neguei categoricamente, fui levado até o escritório municipal da NKVD. Lá me advertiram que eu não tinha direito de proibir coisa nenhuma. Depois disso os funcionários da NKVD levaram do horto aproximadamente 200 mudas jovens de pinheiros, boldos e acácias e as plantaram nas sepulturas cobertas. Somente uma parte dessas árvores vingou".

MARIA PONOMARCHUK (estrada de Liten, N°44) testemunhou:

Desde 1927 eu resido nesta moradia, e do local cercado pela NKVD até minha casa são somente 300m. Frequentemente eu percebia que os agentes da NKVD, de uniforme, noite e dia ficavam de guarda. O que eles construíam no local cercado ninguém sabia mas já naquele tempo havia murmúrios que, quando NKVD constrói boa coisa não espere. Ninguém acreditava na notícia espalhada propositalmente sobre a construção do parque esportivo infantil. Em 1938 eu vi, diversas vezes, quando na área cercada entravam dois veículos bastante carregados e cobertos com lona. Naquele tempo já se supunha que ali eram enterrados os fuzilados pela NKVD".

Os mesmos acontecimentos afirmavam outras testemunhas - diz a brochura SUMA: "Crime de Moscou em Vinnytsia". As indicações do técnico de construção FEDIR STRANYTSIA, dos trabalhadores VASYL KOZLOVSKYI, PETRO ZIVAK, motorista YEVHEN BINETSKYI, guarda OLEKSA KOZLOVSKYI, supervisor de olaria TROKHEM AMOSOV e sua esposa OLENA são perfeitamente idênticos. Todos testemunharam que após a construção da cerca, na primavera de 1938, do antigo pomar frequentemente emanava odor cadavérico, que durante a noite ali entravam ou saíam veículos de carga e que antes da vinda do exército alemão em julho de 1941, os guardas da NKVD constantemente andavam ao lado da cerca. Essas pessoas fornecem testemunho incontestável que a NKVD resolveu aproveitar essa porção de terreno como local de enterro de suas vítimas. E, para garantir que no futuro não haveria risco de descoberta do pavoroso crime, o local foi proclamado como zona proibida, como se vê no protocolo firmado pelos órgãos governamentais da cidade de Vinnytsia.

Desta maneira interromperam-se as construções do largo terreno, que no pensamento da NKVD afastava o perigo da descoberta do mistério das sepulturas coletivas. O plantio de árvores nas sepulturas afastaria no futuro a possibilidade de qualquer sinal.

No entanto, para sepultar a imensa massa de vítimas da NKVD, fuziladas nos anos de 1937-1939, este terreno não foi suficiente. Para o enterro dos cadáveres foi aproveitado o cemitério, também na estrada de Liten.

A primeira testemunha, HULEVICH, que informou sobre sepulturas coletivas, abertas pela NKVD, evidenciou:

"Eu residia na parte da cidade, cujo caminho mais curto para o centro era através do cemitério. Indo para o trabalho, frequentemente via que no cemitério abriam sepulturas. Mas eu não imaginava porque as preparavam. Entretanto, achando no outono de 1937, na álea principal uma galocha e percebendo a marca de sangue nela eu comecei observar com atenção. Certa vez à noitinha, no outono do mesmo ano eu vinha pela aléia principal do cemitério e notei que um veículo aproximou-se do portão. Escondi-me na sombra de uma árvore e vi que o veículo, com algumas pessoas sentadas, estava carregado e coberto com lona. O carro aproximou-se das valas. Eu percebi claramente o baque dos corpos jogados dentro das valas, acompanhados de brutais injúrias. Rapidamente, completando o fechamento da vala com terra e sempre injuriando, as pessoas subiram no veículo e saíram do cemitério".

O sacristão YURII KLEMENKO, que vive em Bobliúv, em 29.06.1943 testemunhou:

"Em 1941 eu trabalhei como guarda e atendente do depósito junto ao hospital Pirohov em Vinnytsia. Este hospital localizava-se próximo ao cemitério, separado apenas pela cerca. De minha guarita avistava todo o cemitério. No outono de 1937 eu vi os prisioneiros abrindo buracos no cemitério, de 2m². Eles eram vigiados durante o trabalho. Tudo isso despertou minha curiosidade e por isso, durante a noite comecei observar. Próximo de duas horas entrou no cemitério um veículo de carga. Sob a luz dos refletores eu vi claramente como duas pessoas jogavam algo do veículo para o buraco. Eu nunca interoguei ninguém a respeito porque tinha medo de ser aprisionado pela NKVD!"

O contador PETRO BOKKHAN testemunhou:

"Em 1937 frequentemente ia à casa dos pais de minha esposa, que residiam próximo ao cemitério. Na maioria das vezes eu ia através do cemitério e frequentemente via, no local separado próximo do hospital de Pirohov que abriam sepulturas. Voltando para casa, mais ou menos às 8:00 horas à tardinha, via que este trabalho ainda continuava. Mas, quando eu passava pelo cemitério pela manhã, todas as sepulturas estavam cobertas".

Interrogada a enfermeira YEVHENIA PROLINSKA, de Vinnytsia, contou:

"No outono de 1937 eu trabalhava como enfermeira no hospital Pirohov. Frequentemente fazia plantão à noite. Certa vez eu notei que veio ao hospital o médico da prisão da NKVD, o qual eu conhecia apenas de vista. Ele, normalmente usava uniforme da NKVD mas, na ocasião usava roupas civis. Procurava o coveiro que residia no hospital. Ordenando ao coveiro levar 3 -4- pás cortadeiras, o médico foi com ele ao cemitério. Pelo fato de que meu esposo foi aprisionado pela NKVD em 20 de dezembro, eu me interessei pelas visitas noturnas do médico. Tirei o avental branco, vesti um paletó preto e, secretamente, fui ao cemitério. Eram 2 ou 3 horas da noite. Parei próximo da cerca ao ouvir uma conversa da qual participavam umas dez pessoas. Próximo delas havia dois veículos de carga, cuidadosamente cobertos com lona. Na minha imaginação eram cadáveres dos assassinados na prisão da NKVD, e aqui faziam-se preparativos para enterrá-los. Se fossem prisioneiros que morreram naturalmente, seriam enterrados às claras, e não secretamente à noite. Vendo que as pessoas aproximavam-se dos veículos, e receando ser percebida, apressei minha volta ao hospital. De manhã, ao passar pelo cemitério no qual, neste local, fazia guarda um miliciano, eu observei com precisão que havia uma parte, de mais ou menos 3m² onde a terra foi remexida e aplainada... Quando no dia posterior eu perguntei ao guarda o que trouxeram à noite para o cemitério, ele respondeu: "Isto não lhe diz respeito, não é assunto de seu interesse". Tais acontecimentos repetiam-se com frequência, e a solicitação dos serviços do coveiro não se restringia apenas ao médico mas também aos comissários da NKVD. No local onde eu observei estas sepulturas, em condições normais não enterravam".

Tradução: Oksana Kowaltschuk

LEIA TAMBÉM:
 


HOLOKOST: O inferno na terra – 2ª Parte

HOLOKOST: O inferno na terra – 1ª Parte
http://noticiasdaucrania.blogspot.com.br/2013/03/holokost-o-inferno-na-terra-1-parte.html

sexta-feira, 12 de abril de 2013

SERHII TARUTA TESTEMUNHA A FAVOR DE TYMOSHENKO

Sócio do falecido Shcherban, Serhii Taruta, testemunhou a favor de Tymoshenko
Tyzhden (Semana), 03.04.2013
Oleksandr Mukhelson

Apesar de que esse testemunho, provavelmente não melhore a situação da acusada. Na Ukraina a investigação e o julgamento, que em todos os assuntos "políticos", tomam a mesma posição, concordaram com as exigências da proteção em ouvir o ex-sócio de Shcherban, Taruta e seu sócio atual Vitaly Haiduk, mas isto não significa que se influenciarão pelo seu depoimento.

Compareceram ao julgamento dois filhos de Yevhen Shcherban - Ruslan e Yevhen. Yulia Tymoshenko não estava presente, segundo o juiz ela não quis vir mas, segundo o advogado isto não é verdade. Tymoshenko não é trazida ao tribunal pelo serviço penitenciário, e esta já não é primeira vez.
Serhii Taruta

De acordo com o testemunho de Serhii Taruta, em 1995 Yevhen Shcherban, com seu familiar Volodymyr Shcherban, governador de Donetsk, criaram a empresa ISD Corporation que forneceria gás para empresas da região. "Ainda em 1995 Yevhen Shcherban, Volodymyr Shcherban e Oleksandr Mamot convidaram-me para liderar a ISD Corporation. Eu e Yevhen Shcherban mantinhamos boas relações."
"A empresa "Unitedd Energy Systems of Ukraine", que na época era dirigida por Tymoshenko também era fornecedora de gás em Donetsk".

Taruta declarou que realmente houve um conflito anterior entre as duas empresas porque a UES (Tymoshenko) queria fornecer o gás diretamente. Mas houve entendimento e, antes do assassinato, que foi em 03.11.1996 todos os conflitos já estavam resolvidos. Ele, especialmente confirmou que a empresa UES observava os acordos. "Eu não conheço precedentes em que a UES, depois do acordo tentasse fornecer gás com subterfúgio a ISD.Entretanto a empresa ITER praticou tal situação (ITER era empresa concorrente da UES)".

À pergunta do promotor, Taruta afirmou que ISD não  recusou-se da cooperação com UES porque havia acordo entre eles. Mas, nesta altura do depimento o promotor ficou nervoso. Taruta apenas afirmava o que já havia declarado numa entrevista aberta anteriormente. Após esta entrevista ele foi convocado à promotoria e chamado à responsabilidade pela "divulgação de materiais de investigação". Se isto realmente aconteceu, o promotor poderia prever a reação de Taruta e não demonstrar nervosismo. À pergunta se Taruta sabia sobre conflitos com Shcherban, Taruta respondeu que não tinha conhecimento de quaisquer conflitos.

Às perguntas da defesa Taruta disse que após a morte de Yevhen Shcherban a cooperação entre UES e ISD continuou, e que nenhum ativo ou propriedade não passou ao controle da UES ou pessoalmente a Tymoshenko ou Lazarenko, isto é, os acusados pela morte de Chcherban não ganharam nada.

Taruta não pôde - ou não quis falar sobre o misterioso destino da propriedade de Shcherban que "diluiu-se" não se sabe onde depois de sua morte. Após a morte  de Sherban e sua esposa, que também era parceira de negócios, as empresas por eles controladas sofreram inspeções maciças de órgãos de controlo. O dinheiro, jóias e alguns títulos de valor desapareceram sem deixar rastro. Os filhos alegam que não receberam nada.

Anteriormente os protetores de Tymoshenko, e ela mesma declaravam que os ativos do falecido passaram para o controle de Rinat Akhmetov. Taruta não deu explicações a este respeito. "Eu não tenho todas as informações porque a decisão não era minha, era do conselho da administração", afirmou Taruta.

Outros fatos colocam em dúvida a acusação contra Tymoshenko. Segundo o deputado Moskal. Ele nos conta quanto recebeu a pessoa que assumiu o crime de Ruslan, filho de Yevhen Shcherban. Crime que aconteceu durante uma caçada em 18.02.2012. A caçada realizou-se na reserva próxima a aldeia Sudorovyi do distrito Slavianska. O assassinado foi o morador local R. Drosdov.
 
Ruslan Shcherban
"Como apontaram as testemunhas, cujas palavras confirmaram montanhas de argumentos, o assassinato realizou Ruslan Shcherban (filho de Yevhen Shcherban, cujo assassinato a Procuradoria Geral diz que realizou-se devido a encomenda de Yulia Tymoshenko)", - declarou Moskal.

"No entanto, depois de 3 de abril, data em que Ruslan Shcherban escreveu sua "famosa" carta ao embaixador dos EUA, John Tefft, na qual mencionou o envolvimento da Tymoshenko na morte de seu pai, o processo criminal quanto aos acontecimentos na caçada, de assassinato premeditado reclassificaram para assassinato por negligência, e o próprio crime assumiu o desempregado Oleksandr Novikov", - indica o deputado.

De acordo com o veredicto Novikov foi condenado a 4 anos, com protelação por três anos e multa de 3400 UAH. Como é de conhecimento, em abril de 2012 Ruslan Shcherban declarou que forneceu à Procuradoria Geral os documentos para o possível envolvimento de Yulia Tymoshenko e Pavlo Lazarenko no assassinato de seu pai.

Em sua carta ao embaixador dos EUA Ruslan Shcherban se diz admirado com a reação dos EUA a este assunto. "A impressão é que alguns políticos tentam proteger os assassinos perante a justiça. Caso contrário é impossível explicar intermináveis ultimatos das autoridades ukrainianas para libertar Tymoshenko da prisão", - disse Shcherban.

Segundo o deputado Hennadi Moskal a principal testemunha Ruslan Shcherban foi protegido e pressionado. O assassinato de Drosdov foi cometido Ruslan Shcherban, que estava bêbedo, e para não ser preso concordou em dar falso testemunho contra Yulia Tymoshenko em pagamento do favor recebido.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: A.Oliynik

terça-feira, 9 de abril de 2013

MANIFESTO OPOSICIONISTA EM KYIV "LEVANTA-TE UKRAINA"

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana) e Tyzhden (Semana), 07.04.2013
 
No manifesto da oposição compareceram 15-20 mil pessoas.


 
A manifestação aconteceu na praça do monumento ao grande poeta Tarás Shevchenko, contra as ações do governo. As bandeiras são dos partidos de oposição: "Liberdade" (Tiahnebok), "Pátria" (Tymoshenko-Yatseniuk), "UDAR (Klychko), "Frente de mudanças", "Congresso de Nacionalistas Ukrainianos", outros partidos europeus e ukrainianos.
 
 
As pessoas também seguravam cartazes com pedidos de cassação da reforma de pensões, realização de eleições municipais em Kyiv (o governo adiou estas eleições porque o provável candidato da oposição (Klychko) estava recebendo muito apoio popular -OK), e demissão do Gabinete Ministerial.
 
A milícia diz que a participação era de apenas 3 mil (O que ela não diz é que ela impediu a vinda das caravanas das províncias que se dirigiam a Kyiv - OK).
 
Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: A.Oliynik
 
 

domingo, 7 de abril de 2013

LUTSENKO EM LIBERDADE!

 
Луценка випускають. Фото УНІАН
 
 
Lutsenko indultado
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana)

Yanukovych assinou o decreto perdoando o ex-ministro do Interior Yurii Lutsenko e o ex-ministro do Meio Ambiente Heorhii Filipchuk. 

Apesar de libertado Lutsenko não poderá pretender a quaisquer cargos públicos oficiais, porém ele não ficará afastado da política. Ele declarou que não tem ambições na campanha das eleições presidenciais em 2015. Ele vai apoiar o candidato da oposição para este cargo.

 "Eu nuca me afastei da política, então eu não estou voltando. Eu estava na política e na política permanecerei. Eu realmente penso ocupar-me de política. Quero enfatizar, não tenho ambições quanto a campanha presidencial, em 2015. Toda minha atividade será direcionada em apoio aos candidatos democráticos que na data de hoje já se destacaram na comunidade. Eu farei tudo para não atrapalhar a nenhum desses candidatos, e alcançarmos a vitória total. Mas eu tenho certeza que esta vitória somente existirá com o apoio da sociedade. Deste modo, o meu lugar é entre as pessoas que vão apoiar as eleições presidenciais na Ukraina. Eu estarei na rua, eu estarei entre as pessoas, e farei tudo para que Ukraina volte ao caminho da democracia, não pretendendo a nenhum papel formal nesta campanha", - sublinhou o político. Ele também disse que vai apoiar a condenada Yulia Tymoshenko e que não pretende "sacrificar" nem mais um dia com a vingança, já perdeu mais de dois anos, "eu vou trabalhar em favor das perspectivas", e acrescentou: "Saiu para liberdade o principal otimista do país". E, em resposta aos jornalistas a o que vai fazer respondeu que irá para casa "beijar a esposa e dizer as palavras que era impossível dizer sob a supervisão das Câmaras".
 

Луценко на волі. Фото Романа Шрайка
 
Луценко вийшов на волю. Фото ЛігаБізнесІнформ



 
 
Lutsenko, através do telefone apoiou a manifestação da oposição em Kyiv, hoje.
 
O advogado Ihor Fomin disse que pretende trabalhar para conseguir a reabilitação completa de Lutsenko.
 
A Comissária para os Direitos Humanos Valéria Lutkovska (encarregada do Parlamento Ukrainiano) pediu a Yanukovych pela liberdade de Lutsenko.
 
O Comissário Europeu para o Alargamento e Política de Vizinhança Stefan Füle saudou a decisão de Yanukovych na decisão de perdão a Lutsenko e Filipchuk e disse que este é o primeiro passo importante que visa resolver os problemas da justiça.
 
Para Europa Lutsenko tornou-se uma "notícia fantástica".
 
O Presidente do Parlamento Europeu Martin Shulz agradeceu a Pat Cox e Aleksandr Kwasniewski por seus esforços para libertar Lutsenko. Eles pediram pelo indulto a Yanukovych. 
 
Carl Bildt, ministro de Relações Exteriores diz que a libertação de Lutsenko foi um "primeiro bom passo". Outros deverão vir.
 
O ministro das Relações Exteriores da Polônia Radislaw Sikorski diz que a libertação de Lutsenko foi um sinal encorajador para a Cimeira da Parceria Oriental em Vilnius no final do ano.
 
A especialista Européia Amanda Pol acredita que a libertação de Lutsenko abre caminho para a assinatura do Acordo da Associação.
 
O embaixador da UE para Ukraina Ian Tombinskyi convidou Y. Lutsenko à representação da UE.
 
O ministro de Negócios Estrangeiros da Lituânia Linas Linkevychus diz que a libertação de Lutsenko foi um passo positivo para perspectiva européia. Como sabemos, Lituânia, de 1 de julho desempenhará a presidência da UE e justamente sob sua presidência realizar-se-á a Cimeira da Parceria Oriental.
 
Tradução: Oksana Kowaltschuk

sábado, 6 de abril de 2013

QUEREMOS ENTENDER

A atenção excepcional concedida aos crimes nazistas é perfeitamente justificada. Ela responde à vontade dos sobreviventes, de testemunhas, dos pesquisadores de compreender e das autoridades morais e políticas de confirmar os valores democráticos.

Mas por que os testemunhos dos crimes comunistas têm uma repercussão tão fraca na opinião pública?

Por que o silêncio constrangido dos políticos?

E, sobretudo, por que um silêncio "acadêmico" sobre a catástrofe comunista que atingiu, há aproximadamente 96 anos, um terço da espécie humana, sobre quatro continentes?

Por que essa incapacidade de situar no centro da análise do comunismo um fator tão essencial quanto o crime, o crime de massa, o crime sistemático, o crime contra a humanidade?

Estamos diante de uma impossibilidade de compreensão?

Não se trata, antes, de uma recusa deliberada de saber, de um medo de compreender?

As 149 milhões, 469 mil e 610 vitimas desse genocídio, dentre as quais 7 milhões de ucranianos só em 1932-33, aguardam respostas: Por que não os comunistas?
 
 
 A CONTA MACABRA DO COMUNISMO

http://noticiasdaucrania.blogspot.com.br/2011/11/conta-macabra-do-comunismo.html

quinta-feira, 4 de abril de 2013

REARMAMENTO NA RÚSSIA

Contra quem se arma Rússia? Moscou poderá assustar ainda mais seus vizinhos e o Ocidente.
Tyzhden (Semana), 28.03.2013
Maxim Buhryi

A anunciada reforma militar de Putin prevê um ambicioso programa de rearmamento. O sucesso não é garantido.



 


As crescentes ambições na política externa russa relacionam-se com o êxito da nova reforma militar. Putin verdadeiramente encarnou à vida a posição do artigo pré-eleitoral em "Gazeta russa" sob o título "Seja forte: garanta a segurança nacional da Rússia", que previa a aceleração do processo de rearmamento das Forças Armadas da Rússia. Os especialistas atribuem esta militarização a fatores geopolíticos, e o relatório do diretor da Inteligência Nacional dos Estados Unidos alerta sobre ameaça aos vizinhos.
 
Programa de rearmamento - 2020
A aceleração da reforma militar tornou-se uma das principais posições ideológicas da Volodymyr Putin durante sua campanha presidencial no ano passado. No artigo acima mencionado ele escreve sobre uma nova tendência mundial: cada vez mais o frequente desejo de resolver as questões econômicas e de recursos através do uso de força. Então, como afirma o dono de Kremlin, Rússia não deve induzir ninguém à tentação com sua fraqueza". Preparando-se para voltar ao mais alto cargo, Putin proclamou "Programa sem precedentes de desenvolvimento das Forças Armadas e do complexo militar-industrial" e anunciou, que nos próximos dez anos para isto vai atribuir aproximadamente 23 trilhões de rublos, ou mais de 750 bilhões de USD.

Significativamente, as principais teses começam no artigo da indispensável reforma da análise estratégica na esfera da defesa nacional. Meta - aceleração, capacidade de avaliar as ameaças com 30-50 anos de antecedência.Quanto a estratégia de segurança, Kremlin elegeu a teoria clássica da dissuasão nuclear como o principal mecanismo para a prevenção de uma grande guerra. Ao mesmo tempo Rússia seguirá a tendência mundial da modernidade - criação de armas de alta precisão não nucleares, de amplo raio de ação, que também poderão ser usadas para a dissuasão estratégica.

A ênfase de Moscou na dissuasão nuclear incentiva ao uso de concepções clássico-geopolíticas "aéreas e marítimas". Assim, na base para sua Força Aérea permanecerão bombardeiros estratégicos, aos quais se juntarão os drones (aéronaves controladas à distância, por meios eletrônicos e computacionais, sob a supervisão e governos humanos, ou sem a sua intervenção, por meio de Contraladores Lógicos Programáveis - OK) e caças de quinta geração. Ao mesmo tempo o desenvolvimento da Marinha prevê não somente a sua modernização com apoio nos cruzadores submarinos de mísseis, mas também a segurança da "frota oceânica", com uma presença estratégica nas regiões de interesse de Kremlin - com "demonstração da bandeira". Este mês o comandante das Forças Armadas da Rússia, vice - almirante Viktor Churikov confirmou a decisão sobre a permanência constante no Mar Mediterrâneo com a conexão operativa de cinco-seis navios da Frota do Mar Negro da FR e anunciou a possibilidade de criação de tais forças nos oceanos Pacífico e Índico. De acordo com outras informações Rússia discutiu neste inverno a questão de criação de bases militares no Vietnã.

Putin critica a modernização das armas na forma de compra de tecnologia ocidental (como a encomenda do porta-aviões francês Mistral) e aposta na modernização do seu CIM (Complexo Industrial Militar). Tipos prioritários de armas e equipamento militar para legislação da FR - são armas nucleares modernas (muitos dos mísseis existentes serviram por mais de 20 anos e devem ser aperfeiçoados), meios de defesa aeroespacial incluindo os novíssimos sistemas de comunicação altamente tecnológicos de exploração e gestão incluindo as aeronaves-drone não tripuladas, sistemas de proteção individual dos soldados no campo de batalha, armas de precisão e os meios para combatê-las. O principal aspecto dos futuros meios de defesa da Rússia devem tornar-se as forças nucleares de dissuasão e as armas nucleares de precisão, a Marinha da FR, a UPU (União Postal Universal), Força de Defesa Cósmico-militar. Deve ser criado sistema único 
aeroespacial. Deve ser criado sistema único aéro - cósmico de proteção do Estado. Exatamente este sistema com as forças de dissuasão nuclear confrontará os mísseis de qualquer tipo especialmente dos EUA e OTAN. Geograficamente a Bilokamiana (Pedra branca - edifício do governo russo em Moscou - OK) jogará com o papel garantidor da estabilidade da Eurásia: previsto na formação do sistema de segurança coletiva do "espaço eurasiano" com base na CST (Organização do Tratado de Segurança Coletiva), sendo que a prioridade para Kremlin entre as regiões do mundo é o Norte (especialmente os ricos recursos da região do Ártico Ásia-Pacífico.

Continuando a modernização das forças armadas, Putin anunciou uma melhoria significativa no apoio financeiro para os militares e policiais. É planejada uma transição gradual para passagem para exército de contrato - de um milhão de soldados em 2017, serão profissionais 700 mil, e os recrutas em 2020 serão apenas 145 mil. O líder de Kremlin examina o CIM como canal de modernização da economia do país. Até 2020 está planejando a atualização não menos de 70% do armamento e equipamento. A renovação do CIM deve tornar-se locomotiva de desenvolvimento de uma série de setores - de básicos a rádioeletrônica, informática, telecomunicações, ciências, tecnologias, etc.
A reforma incorpora princípios de formação de exército moderno, móvel, com apoio na dissuasão nuclear como compensação pelos altos custos (no final dos anos oitenta os gastos com defesa atingiam 15% do PIB) e orientando o exército soviético para guerra territorial. Os princípios desta reforma desenvolviam ainda o governo Yeltsin e ajustavam com a experiência dos dois conflitos na Chechênia e a guerra russo-georgiana de 2008. Exatamente a guerra com a Geórgia e a crise econômica global levou à rápida introdução da chamada reforma Sierdiúkova de 2008 - 2011, que alcançou alguns resultados positivos, embora pareça hoje inglória para seu principal executivo, o primeiro ministro da defesa civil, russo. Com base nestes resultados e relativa estabilidade econômica Putin iniciou sua reforma, que prevê um aumento ambicioso de despesas públicas com o exército.
 
Os petrodólares serão suficientes?
 
Despesas do orçamento federal para defesa em 2013 aumentaram em quase 15%, para 2,1 trilhões de rublos, embora inicialmente planejou-se ainda mais - cerca de 20% (para comparação: na economia do ano passado gastou-se 3,27 milhões de rublos). No entanto, o financiamento para os gastos militares pode, realmente, ser menor. Tais despesas se tornariam realidade apenas no caso de um crescimento econômico positivo. No entanto, os economistas têm cada vez mais questionado o cenário otimista do poder. O programa governamental de desenvolvimento econômico para 2018 por Dmitry Medvedev prevê um desenvolvimento médio do PIB de 5% ao ano. No entanto, os representantes do Ministério da Economia prevê, por exemplo, o crescimento real do PIB entre 3 - 3,6% e o ex-ministro de Finanças Alekxei Kudrin acredita que não será superior a 3%. A estatística distinguiu a primeira redução significativa do produto interno bruto em janeiro: a taxa de crescimento anual foi de apenas 1,6%. Na produção de indústrias extrativas caiu 2,3%. A comunidade russa de negócios preocupa-se também com problemas de desaceleração de crédito bancário: os empréstimos com a taxa de dois dígitos são demasiado elevados para pequenas e médias empresas e, ao mesmo tempo refletem o alto nível de risco para as instituições financeiras. Enquanto isso, fatores de ação prolongada, que podem afetar o sucesso da reforma militar de Putin - desequilíbrios estruturais da economia, que continua em grande parte orientada para matéria-prima. Mais um fator - problemas demográficos. Estimativas oficiais indicam: trabalhadores russos até 2020 diminuirão em 8 - 9% dos atuais 87 milhões, e esses problemas é pouco provável que poderão ser superados com medidas de migração política (programa de retorno à Rússia dos "compatriotas", que vivem no exterior, e a distribuição de passaportes russos aos cidadãos de países vizinhos, particularmente Ukraina.
 
Outros fatores negativos é o baixo nível de desenvolvimento institucional e corrupção sistêmica, que corrói o regime de Putin por dentro. Por isso, alguns especialistas militares russos avaliam as perspectivas de obtenção de totais pontos de referência como visões. Em particular, Mikhail Barabanov, editor-chefe da revista "Moscovo Breve Defesa", considera que o programa de militarização baseia-se na utópica duplicação do PIB russo em 2020, em comparação com 2014. Ele prevê que o real financiamento das despesas para reforma militar será no nível de dois terços dos volumes declarados. Para modernização das Forças Armadas foram estabelecidas premissas de preços muito otimistas e prazos irreais para criação de novos armamentos.
 
Declaração de liderança
 
A reforma militar de Putin ressoa ideologicamente com a nova concepção da política externa da FR. Ao contrário da anteriormente usada amorfa "multipolaridade", a visão de mundo russo, de acordo com um novo documento já está orientada "policêntrica", que realmente faz jus à idéia de "zonas de influência". Essas áreas estratégicas no mapa do Kremlin são três: Euro-Atlântica, Eurásia e Ásia-Pacífico. Rússia é o centro da Eurásia. No entanto, esse papel de líder regional não é suficiente, portanto o poderio de Kremlin está direcionado na nova concepção do espaço Euro-Atlântico, que deve ser construído em parceria da FR. UE e EUA. A este projeto em grande parte foi dedicado o pronunciamento do ministro do exterior russo, Sergei Lavrov, no último Fórum de Segurança em Munique.
 
  Orientação ao Plano de Putin - Perspectiva de armas russas até 2020: 
  
 
400 atuais mísseis balísticos intercontinentais de base terra e mar;  8 mísseis submarinos cruzadores de indicação estratégica; 20 barcos submarinos multifuncionais;  50 navios de superfície, de combate; 

100 aparelhos cósmicos;  600 aviões modernos, 5ª geração;  1000 helicópteros;  28 conjuntos de regimentais sistemas de defesa S-400; 

38 conjuntos de divisão antiaérea, sistemas de mísseis Knight;  10 mísseis de brigada, complexo "Iskander-M";  2300 tanques atuais;  2000 complexos de artilharia e canhões;  17.000 automóveis militares. 
 
Deste modo, bloqueando as aspirações euro-atlânticas de seus vizinhos no espaço pós-soviético, Kremlin hoje promove sua própria concepção de integração com o Ocidente. No entanto, por que Rússia, para a qual não há muito tempo era prioridade a cooperação com a modernização do Ocidente, repentinamente militariza-se.  Segundo o diretor de estudos russos Leon Aron, Putin usa a estratégia de "fortaleza sitiada": exatamente a proteção de "ameaças externas" pode fazer legítimo seu regime autoritário. Outra dimensão da filosofia do presidente - a liderança geopolítica que Rússia perdeu em muitas posições: os especialistas estrangeiros não a consideram uma grande potência. De acordo com o político russo Sergei Karaganov "o atual modelo de desenvolvimento da Rússia não lhe dá outros meios de assegurar a posição de liderança".
 
Os prognósticos estratégicos quanto a Kremlin podem tornar-se uma questão complicada. De um lado o autoritarismo russo é altamente personalizado e repousa sobre a autoridade de Putin. A sociologia fornece interessantes comparações quanto a confiança nele, ao governo e ao parlamento. A avaliação do presidente, mesmo no nível mais baixo de janeiro de 2011, ainda permanece bastante elevada, mas a credibilidade ao governo, especialmente ao parlamento, não cresce. Por causa da fraqueza das instituições a situação na Rússia se assemelha ao que havia na União Soviética durante a estagnação, então os analistas estrangeiros, como os antigos analistas americanos da vida soviética, são forçados a predizer o futuro na borra de café, como mudará o curso do país, depois de Putin.
 
Para quem a arma aponta?
 
Cada vez mais, os especialistas da FR se preocupam com o futuro de seu país. Uma das mais famosas analistas Lidia Shevtsova recentemente, com dramaticidade, expressou-se sobre o início do colapso do sistema russo. Embora o regime e parte de liberais locais, que o legitimam, ainda tem força para se reagrupar, a agonia, de acordo com a observadora, é inevitável. Ela, corajosamente indica o militarismo como o instrumento de sobrevivência do sistema russo e anuncia que agora não se trata de retórica. "Hoje a retórica neoimpeperialista e militar começa a ser implementada na doutrina, mas algumas forças do "estabilishment" podem tentar incorporá-la na prática". De fato, segundo Shevtsova, paralelamente com a concepção formal há um consenso da elite sobre o domínio da Rússia no pós-soviético espaço e possibilidade de utilização soft power (suave poder) ou intervenção armada direta, para eliminar os indesejados regimes de países vizinhos e deter a influência ocidental.
 
A militarização russa incomoda alguns países do leste da Europa, que são membros da OTAN, especialmente a Polônia e os países bálticos. Ao mesmo tempo ela chama a atenção sobre os EUA. Particularmente, de acordo com Washington Times, o Pentágono observa os maiores estudos nucleares na Rússia nos últimos vinte anos, que aconteceram no final do mês passado. No entanto os especialistas não vêem nenhuma ameaça de Moscou para o Ocidente ou a OTAN.
 
A perspectiva ukrainiana sob estas condições parece bastante sombria. Razões para falar sobre a ameaça real russa ao nosso país não há. Qualquer intervenção do exército da FR no nosso território ou mesmo provocação de caráter armado inevitavelmente provocaria dentro do país forte sentimento antirrusso e, consequentemente, para Kremlin seria muito mais difícil arrastar Ukraina para seus projetos neoimperiais de integração. Ao Kremlin é mais confortável continuar agindo com os métodos que já influencia Kyiv: pressionar no governo ukrainiano, de fato segurando-o "no gancho", e através de sua quinta coluna desestabilizar a situação no país. No entanto, aumentam os riscos da instabilidade. O passado dá alguns exemplos de crises. Dois países (¹) durante a divisão da Frota do Mar Negro da URSS em 1992 - 1994 encontravam-se à beira de um conflito armado, de fato recorriam desavenças. O grau de oposição elevava-se também durante a crise ao redor da ilha de Tuzla (¹)  em 2003 e a guerra russo-georgiana em agosto de 2008. Hoje não há conclusão da demarcação no estreito de Kersh (³) (que está relacionado com os direitos da utilização do transporte de gás Pallas), não estão reguladas as questões com a permanência na Criméia da Frota do Mar Negro, modernização do qual resiste Yanukovych, tentando impor à Rússia os serviços de fábricas locais.
 
Sob essas condições, provavelmente, a militarização russa como evidência de força aplicará o papel de força efetiva, empurrando Yanukovych para cessão de interesses nacionais, econômicos e políticos da Ukraina.
 
1,2,3 - Todos estes conflitos aconteceram entre Ukraina e Rússia.
 
 
Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: A.Oliynik

terça-feira, 2 de abril de 2013

NACIONALISMO ESTIMULA RESSURGIMENTO COSSACO

The New York Times01/04/2013 | 03h47

Presidente Vladimir Putin estimula o desenvolvimento de uma ideologia nacionalista conservadora.

 
 
 
Nacionalismo estimula ressurgimento cossaco Sergey Ponomarev/NYTNS
Funeral de chefe cossaco que foi morto tentando prender homem embriagado Foto: Sergey Ponomarev / NYTNS
Ellen Barry
Do lado de fora da sede da polícia desta cidade numa noite recente, um padre de chapéu de veludo roxo e estola dourada ia de homem em homem, oferecendo uma cruz para ser beijada, encharcando seus rostos com água benta aspergida por um longo pincel.

E assim começava outra noite de fiscalização enquanto os cossacos, cavaleiros ferozes que antes garantiam a fronteira do império russo, marchavam para se juntar à polícia patrulhando a cidade.

No terceiro mandato, o presidente Vladimir Putin ofereceu uma nova direção clara para o país: o desenvolvimento de uma ideologia nacionalista conservadora. Os cossacos surgiram como uma espécie de mascote, com crescente apoio financeiro e político.

O Kremlin está mergulhando numa piscina funda de História: os cossacos são reverenciados aqui pela bravura e código de honra pré-moderno, como os caubóis nos Estados Unidos ou os samurais no Japão. Porém, seu legado está envolto em batalhas e vigilância ao estilo paramilitar, incluindo campanhas contra turcos, judeus e montanheses muçulmanos.

Atualmente, homens com uniformes cossacos têm feito aparições tempestuosas por toda a Rússia, efetuando ataques a exposições de arte, museus e teatros como porta-bandeiras de uma igreja em ressurgimento. Contudo, aqui na parte sul da Rússia, o renascimento dos cossacos é mais do que uma ideia. Os líderes regionais estão lhes concedendo um papel maior na aplicação da lei, em muitos casos pedindo explicitamente para deter um influxo de minorias étnicas, principalmente muçulmanos do Cáucaso, num território há muito tempo dominado por eslavos ortodoxos.

"Nós vivemos lado a lado com eles e, às vezes, lutamos com eles e provavelmente os compreendemos melhor do que um moscovita", disse o capitão Vadim Stadnikov, chefe de segurança do Exército Cossaco Terek, cujos oficiais exibem um retrato do tzar Nicolau II. "Aqui se respeita a força."

"Com a polícia, a conversa é breve: você cometeu um crime, esta é a punição", ele disse. Ainda segundo Stadnikov, com os cossacos envolvidos, "existe um efeito profilático, um tipo de educação. Eles vêm aqui. Pegam este grupo de jovens. Explicam-lhes as tradições do povo ortodoxo, eslavo, cossaco da cidade de Stavropol. Quais são as regras. Como vivemos aqui".

Uma série de episódios violentos sublinhou o potencial para encrenca nesta parte incendiária e fortemente armada da Rússia. Em março, um líder cossaco foi baleado fatalmente ao tentar prender um bêbado que havia feito reféns na região vizinha de Krasnodar. Durante seu funeral, cossacos de casaco carmesim, portando chicotes de couro e sabres, seguiam um cavalo sem cavaleiro, visão que pode ter se originado no século XVI.

Na sequência, um oficial graduado disse estar na hora de o Estado permitir que patrulheiros cossacos portem armas traumáticas, sem capacidade letal, que podem resultar em ferimentos graves a curta distância – proposta endossada pelos governadores de Krasnodar e Stavropol.

"Ativistas de direitos humanos, pessoas que desejam o mal, falam muito se isso é ou não necessário", afirmou à televisão russa Nikolai A. Doluda, líder do Exército Cossaco Kuban e assistente do governo. "Este evento horrível e assustador ressalta que é necessário."

Os historiadores estão em conflito sobre quem eram os cossacos – descendentes de servos fugitivos ou guerreiros tártaros, um grupo étnico à parte ou uma casta de cavaleiros. Eles desempenharam um papel crucial na colonização do sul do império russo e, mais tarde, se voltaram contra levantes de camponeses e trabalhadores, em defesa do tzar.

Os bolchevistas quase os destruíram, deportando dezenas de milhares num processo chamado "descossaquização", mas a imagem do cossaco, selvagem e livre, continuou sendo uma parte viva da imaginação russa.

Quanto Tolstoi se sentou para escrever o clássico romance "Os Cossacos", ele o ambientou nas proximidades da Stavropol de hoje em dia, onde o rio Terek dividia as montanhas povoadas por muçulmanos das estepes, território cossaco. Numa cena ensinada a gerações de crianças, um jovem cossaco vislumbra um checheno nadando o Terek disfarçado de tronco e o alveja.

A noção de uma linha divisória étnica é amplamente aceita até hoje, mas enfrenta problemas demográficos. Grupos étnicos muçulmanos no Cáucaso têm uma taxa de natalidade elevada e os russos estão abandonando a estepe. Aproximadamente 81 por cento da população de Stavropol é de etnia russa, mas a parcela vem encolhendo há décadas, informou o International Crisis Group.

Essa rápida modificação está inquietando russos étnicos em Stavropol, que às vezes chamam de "pastores" os recém-chegados. Gennady A. Ganopenko, 42 anos, afirmou ter crescido numa cidade tão homogênea que "o som de uma língua não russa era motivo para briga".

"Antigamente, este era o portão para o Cáucaso", ele disse. "Nós abrimos o portão e, depois, ele caiu das dobradiças."

O renascimento cossaco busca reduzir essa tendência. No verão passado, Alexander N. Tkachev, governador da região de Krasnodar, a oeste, referindo-se aos vizinhos da região de Stavropol, afirmando que tantos muçulmanos havia se mudado para lá que os russos não se sentiam mais em casa. Segundo ele, a região não tinha mais sua função tradicional de "filtro étnico".

Para eliminar a migração ilegal, o governador anunciou a criação de uma força remunerada com mil patrulheiros cossacos que, conforme explicou durante discurso a agentes da ordem pública, não seriam contidos pela lei como os policiais. Suas palavras foram: "O que vocês não podem fazer, um cossaco pode".

Os líderes de Stavropol viraram o nariz para o discurso, mas ele calou fundo nos nacionalistas. Entre eles estava Boris V. Pronin, chefe dos Cossacos Romanov, uma das muitas associações na cidade não oficialmente registradas. A exemplo de muitas pessoas na região, ele afirmou que os jovens do Cáucaso começaram a se comportar muito livremente em Stavropol.

"É como se eu entrasse na sua casa, o estapeasse no rosto e falasse: 'Esta noite, vou dormir com sua esposa'", ele afirmou em entrevista.

Pronin defende a criação de uma guarda cossaca com poderes equivalentes aos da polícia.

"Quando uma pessoa tem câncer e a metástase começou, se um médico profissional não cuidar dessa metástase, o sujeito morre. Acontece o mesmo com a sociedade. Se já existe um câncer metastático no território da região de Stavropol, alguém precisa tomar as medidas preventivas apropriadas."

O aumento do apoio oficial aos cossacos é problemático para os muçulmanos, embora seus representantes oficiais tomem cuidado ao fazer essa admissão. Uma exceção foi Zainudin Azizov que, numa manhã recente, cruzou rebanhos de ovelhas e hectares de estepe cinza castanha numa picape Mercedes enquanto uma música gemia numa tela do painel de instrumentos.

"Uma classe está se tornando um tanto privilegiada", ele falou a respeito dos cossacos. "Por que não apoiam o povo russo como um todo? Por que estão apoiando somente essa pequena classe?"

Azizov representa famílias daguestanesas agora dominantes nos vilarejos no extremo oriental da região de Stavropol e está particularmente irritado com um plano para conceder terra em áreas como a sua para reassentar famílias cossacas, criando uma espécie de zona tampão de russos étnicos. E ele tampouco gosta que patrulheiros cossacos recebam salários do Estado. Enquanto alguns dos cossacos locais são velhos amigos, outros são "skinheads".

"Eles se juntam aos cossacos, mas depois se comportam como nacionalistas. Eles têm apoio da região, de Moscou. Eles sentem que podem ter tudo que quiserem, que amanhã eles terão proteção."
THE NEW YORK TIMES NEWS SERVICE.