sábado, 1 de junho de 2013

MATILHA ATERRORIZA A UCRÂNIA



Na Ukraina, sob a supervisão das autoridades de segurança forma-se o exército de lutadores de rua.

Tyzhden (Semana), 22 de maio de 2013
Oleksandr Mykhelson, Ruslana Velychko

O espancamento em 18 de maio da jornalista do Canal 5, pelo capanga da "manifestação antifascista" causou um grande escândalo político que se tornou uma surpresa desagradável para o Partido das Regiões. Pelo menos, as fracas "justificações dos partidários e do próprio ministro dos assuntos internos confirmam o pensamento, que se as provocações foram planejadas pelo governo, elas fugiram do script.


Esnobismo da matilha


Enquanto isso os acontecimentos que tiveram lugar simplesmente sob as paredes do departamento da milícia, onde algumas dezenas de "svobodivtsiv" (do Partido oposicionista Liberdade) atacavam o carro blindado com provocadores, e depois foram atacados por um grupo de combatentes "antifascistas", levantaram questões interessantes sobre o papel e lugar na política pátria dos representantes das chamadas "subculturas da juventude".

Aqui há dois fatos alarmantes. Primeiro. Os combatentes "carecas" no último tempo são vistos regularmente em ações de força contra a oposição política e simplesmente discordantes com algumas ações das autoridades. Tornou-se exemplo clássico das últimas eleições parlamentares, quando personagens característicos fingindo-se de jornalistas, bloqueavam e interrompiam os trabalhos nos distritos eleitorais onde vencia a oposição. Durante e após as eleições seus "préstimos" foram questionados. Assim, personagens semelhantes atacaram em 8 de maio um comício de luto em Dnipropetrovsk, onde um grupo de cidadãos tomou a iniciativa de homenagear, em vez do Dia da Vitória (homenageado na Ukraina pelos ainda simpatizantes da União Soviética - OK) o Dia de Luto como em toda Europa. Como em 18 de maio em Kyiv, a milícia estava presente, mas não reagia à violência.
Segundo. Os combatentes, que em troca de tais serviços desagregam os próprios órgãos de defesa, freqüentemente pertencem a organizações neonazistas ou neofascistas. E verifica-se que o atual governo sob o slogan de "luta contra nazistas" (nas pessoas de adversários políticos) pessoalmente fortalece verdadeiros racistas.

"Mesmo entre os seus não há misericórdia".

Como asseguram os nossos co-interlocutores a partir das jovens não-formais estruturas, antiga e tenaz luta entre a extrema-direita e seus oponentes de rua "antifascistas" (também chamados "antifa") não impede "trabalhar" junto a alguns membros das tendências opostas. Assim, entre os combatentes, que lutaram em 18 de maio, supostamente apareceram algumas pessoas que se diziam "antifa", e completamente apolíticas como se fossem legítimos torcedores de futebol. Entre os últimos em primeiro lugar "iluminaram-se" os assim chamados "koni" ("cavalos" - do já extinto clube de futebol de Kyiv, chamado "Clube Central Esportivo do Exército que surgiu em 1934 a exemplo do Clube de Moscou. Os torcedores eram chamados "koni". Segundo a versão mais provável a base de treinamento em Moscou ficava na base do exército de fronteira, o campo de futebol era o campo de pastagem dos cavalos - OK).
Porém os nossos co-interlocutores afirmam que recrutar para esta ação procuravam também os combatentes das fileiras dos "Khokhliv" (Хохлів - nome pejorativo dado pelos russos aos ukrainianos) conhecidos por seus pontos de vista ultradireitistas de simpatizantes do "Dínamo" da capital.

No entanto, dizem as fontes, que apesar de contradições ideológicas a maioria das correntes informais professam práticas fascistas semelhantes. "Agora estas culturas adquirem grande popularidade entre os jovens. Alguns vão porque é moda e desejam posicionar-se como rapazes que podem resolver problemas. Outros devido a seus problemas psicológicos, ou para entrar em contato com inimigos ideológicos", - disse um dos interlocutores. - "Nestas estruturas os rapazes envolvem-se desde os 13 anos".

De acordo com as palavras dos experientes participantes das lutas de rua (que eles chamam de "Makhachi"), somente em Kyiv nos registros da milícia são 5 mil jovens envolvidos em "Clubes de luta" de diversos tipos. Estes podem cruzar-se, ou não, com focos de fãs de futebol. Eles também podem ter mais ou menos ideologia expressa, ou podem seguir apenas sinais exteriores de quaisquer estruturas "ideológicas".

Os membros mais jovens destas lutas são chamados "bona"; o total deles "carne". Finalmente há a elite - "lutadores". Gerencia tudo a "base" - destes, de fato, líderes ideológicos no significado literal das palavras.

A luta (peleja) não é apenas negócio, mas, em certo sentido, filosofia de vida desses cidadãos. "Quando é simplesmente "makhachi" (lutas) entre diversas "bases" para treinar, as "bases" transitam por primeiro e contam cada patrulha, a distância do destacamento da milícia da região, presença de câmeras, freqüência dos cidadãos na área. Tais "makhachi", às vezes, acontecem, simplesmente durante o dia, ou no intervalo do almoço. A organização de tais lutas é demonstração de força..." contaram a este jornal na condição de anonimato os participantes destes acontecimentos - "Estes rapazes - lutadores, que desde o início são treinados para adquirir resistência e força. Mesmo entre os seus não se admite piedade, enquanto a "base" não determina o final da luta que pode continuar até o primeiro sangue, ou fratura.

Não é apenas negócio

A "base" controla tudo. Os rapazes vivem de suas contribuições (o padrão é aproximadamente 50 UAH por semana (mais ou menos 5 USD), uma espécie de contribuição sindical) e encomendas. Mesmo quando há encomendas as contribuições não mudam. Mas a principal fonte de renda, dizem nossos interlocutores - são exatamente encomendas.

Os tipos das encomendas dependem do tipo da organização. Por exemplo, lutadores de muitas organizações participam de lutas exibicionistas para as VIP pessoas pátrias. Tais shows podem ser bem pagos, no entanto, insistem as fontes, com seriedade e até a morte para diversão dos oligarcas, ninguém luta.

Outro assunto - "projetos empresariais". Aqui pode acontecer de muitos modos. O empresário pode "encomendar" seu concorrente. Sobre assassinatos profissionais ainda não se cogita, afirmam nossos entrevistados. Mas podem assustar, aleijar ou roubar a pessoa. A tarefa, freqüentemente, é criar pressão psicológica. Qualquer cenário, no entanto, exige trabalho duro: o "objeto" deve ser acompanhado, definidos seus contatos, caminhos de locomoção, etc. Toda esta questão é paga em conformidade. O dinheiro, é claro, recebe a "base", que em seguida distribui os honorários entre os participantes. Às vezes pagam com a própria estrutura de negócios que é arrebatada do dono anterior.

Entre tais organizações em Kyiv, diz-se que existe um grupo especial de mulheres. Às meninas é mais fácil atrair a vítima-homem para área desejada. Rapazes também, freqüentemente perseguem pequenos negócios ou simplesmente quiosques no mercado - em outras palavras ameaças, pequenas chantagens, violência. E, claro, participam de "raid" (assaltos) a empresas em massa, e lutas, como regra, não acontecem.

Curioso, que o futebol também pode ser negócio, e não apenas para os lutadores de rua. Às vezes, os fãs "com possibilidades" encomendam aos fanáticos acenar com fogos de artifício. Também podem encomendar pequenas lutas. Finalmente, podem encomendar a desclassificação devido ao comportamento dos fanáticos. Certamente, os verdadeiros fanáticos sua equipe não desacreditarão.

Encomendas "da rua" não acontecem

Finalmente o "negócio" é político. Como afirmam nossos entrevistados, aqui novamente depende do tipo da organização. Existem ideologicamente focadas organizações em determinadas estruturas políticas, ou aquelas que servem a um ou outro partido. Por exemplo, a chamada C-14 é, na verdade uma ala juvenil do Partido Liberdade. Ao mesmo tempo as forças políticas podem incluir lutadores sem ideais. Estes freqüentadores de clubes esportivos são de diversos matizes. Exatamente é assim Vadym "Rumun" Titushko o que bateu em Olga Snitsarchuk. Semelhantes "heróis" atraem partidos completamente contrários - digamos, é sabido, como as mesmas pessoas em épocas diferentes protegiam o Partido das Regiões (situação) e o Partido UDAR do Klychko (oposição).

Estando numa organização ideológica significa aumentar o risco já considerável sem isso, para sua saúde e vida. E o risco não é somente seu, como garante um de nossos interlocutores. O cruel espancamento em 15 de maio do irmão de Yevhen "Vortex" Karas, um dos líderes já mencionado C-14, absolutamente não foi engano (sobre o que declarava Karas): as vítimas não foram confundidas, simplesmente os inimigos do nacionalista desforraram-se sobre algumas ações de seu irmão.

Sobre encomenda política tudo pode saber apenas a "base". Normalmente 60% do pagamento vem antes da ação, restante - depois. "No entanto, ninguém vai buscar o dinheiro em grupo como comentavam depois de 18 de maio", - diz o nosso interlocutor.

Claramente estipula-se o cenário. As fontes questionadas por este jornal insistem que os contratantes dos "antifascistas" do Partido das Regiões não estabeleceram nas ações de 18 de maio a tarefa de ataque a jornalistas. "Caso contrário não aconteceria sem fraturas", - considera um dos interlocutores.

"Sem dúvida, acontecem iniciativas próprias, por exemplo, quando alguém está bêbado e "remove" alguém no bar, mas por tais iniciativas a base não responde. E, nesses casos, ninguém negocia sobre alívio da pena - exceto se o culpado trabalhava nas agências de aplicação da lei." - conta o interlocutor. "Ocupam-se com tais casos o SBU (Serviço de Segurança da Ukraina), não os mentecaptos" - acrescenta ele.

No dia das eleições aos "grupos móveis" pagavam 500 UAH (mais ou menos 50 USD) para um lutador. Para garantir a quantidade trabalhava até a "carne" e "bona". A proteção do Congresso do Partido das Regiões onde, em sua maioria estavam presentes os "khokhly", custou aproximadamente 1000 UAH (100 USD). Não tão grande pagamento, dizem os participantes, mas também o trabalho era sem complicações (principalmente porque os oposicionistas a este governo são mais educados e mais pacíficos que a máfia no poder. Mas o medo pelos malfeitos parece ser grande - OK).

Simultaneamente, nas encomendas políticas, afirmam as fontes, o contratante pode negociar pela não interferência da milícia. Claro, além daquelas exceções, quando, pelo contrário, os conflitos com a polícia fazem parte do plano. Nesses casos, tentam proteger os verdadeiros lutadores. "Para lutadores de rua, com "Berkut" (unidade da polícia para fins especiais a nível regional - OK) utiliza-se o princípio das antigas legiões de guerra romanas. Isto é, "carne" fica na frente. Os lutadores do meio pressionam a "carne" para que não recue. A última linha cobre a retaguarda, mas, se necessário passa à frente e faz um anel", - disseram-nos.

"Socialmente próximos?"

Nos tempos de Stalin na terminologia dos funcionários dos órgãos punitivos eram chamados de criminosos "comuns" - para diferenciar dos políticos. Com eles eram possíveis os contatos e cooperação, e usá-los contra os opositores políticos do regime.

Nossos interlocutores estão convencidos: na Ukraina atual a milícia, de um ou outro modo controla todos os informais "clubes de luta". Em toda parte há "ratos" suficientes. A convivência com os órgãos de proteção da lei acontece assim: os protetores da ordem fecham os olhos a certos crimes dos "protegidos" (especialmente quando se trata de ataques a minorias), mas em contrapartida eles devem executar estas ou aquelas encomendas.

O quanto neste caso (a briga que aconteceu paralelamente a manifestação em Kyiv em 18 de maio) pode-se falar sobre afinidade ideológica da milícia e criminosos é difícil dizer. Sabe-se que o investigador que procedeu ao depoimento da jornalista Olga Snitsarchuk (a jornalista que apanhou prá valer só porque estava fotografando uma briga entre alguns oposicionistas e membros do grupo criminoso -OK), por algum motivo perguntava, se ela não compartilha idéias de Bandera (Bandera foi líder da Organização dos Nacionalistas Ukrainianos contra o domínio russo e fascista, mas foi acusado pelos russos e seus atuais "filhotes" de fascista porque não ajudou o povo "irmão" contra a invasão alemã. Os nacionalistas ukrainianos proclamaram a independência do Estado Ukrainiano no mesmo dia da chegada dos alemães, mas não obtiveram sucesso - OK). Isto pode-se explicar com o desejo da milícia, de provar que Olga não estava na manifestação desempenhando suas obrigações profissionais e, portanto, o ataque a ela qualificar como vandalismo.


Segue um triste exemplo da ação desses criminosos protegidos pelo governo ukrainiano.

 Євген Парфьонов. Фото з Facebook Тамари Шевчук

O ativista de Kyiv foi espancado por causa do idioma ukrainiano.

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana, 26.05.2013

Євген Парфьонов. Фото з Facebook Тамари Шевчук

O ativista do "Hostynnei Dvir" Yevhen Parfanov (Hostynnei Dvir é uma construção que data de 1809. Atualmente ali funcionam lojas, bares e uma biblioteca dedicada às construções de arquitetura. O governo tem planos de reconstrução para fazer aí um centro comercial. Muitos ativistas, especialmente da organização "Proteja Velho Kyiv" e "Direito a cidade" iniciaram ações de protesto. Eles ocuparam parte do prédio que permanecia fechada e realizam aí eventos criativos e culturais - OK). No sábado pela manhã atacaram um ativista porque ele conversava no idioma ukrainiano. Ele conta no vídeo como aconteceu. Aproximadamente às 5 horas da manhã, próximo da loja "Silpo" na rua Hnat Yura ele falava no celular, com um amigo, na língua ukrainiana, quando aproximaram-se 6 pessoas de constituição atlética, com cerca de 25 anos de idade. Apenas disseram: - "O que, um nacionalista?" - "Sim", eu respondi e fui atingido no rosto, contou o rapaz sobre o início do conflito.
De acordo com Parfanov um batia, enquanto os outros ficaram em volta acobertando.
As fotos são de Tamara Shevchuk que visitou Yevhen no hospital e escreveu no Facebook que os médicos diagnosticaram duas fissuras no crânio, concussão cerebral, mandíbula quebrada, corte na mão, não vê com o olho esquerdo.
Assim agem os protegidos do governo!



Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: A.Oliynik




segunda-feira, 27 de maio de 2013

HOLOKOST: O inferno na terra - 4ª Parte

LEMBREMOS DE VINNYTSIA - 4ª PARTE


Antin Drahan

ABRIU-SE A TERRA E APARECEU O INFERNO

"Abriu-se a terra e apareceu o inferno" - lamentou-se uma mulher, avistando as sepulturas coletivas abertas de Vinnytsia. E, de verdade, nestas sepulturas coletivas de inocentes vítimas do terror bolchevique descortinou-se o inferno o qual, anteriormente, não conseguiria imaginar nem a mais fértil fantasia humana...

 
Fragmentos de corpos de vítimas do genocídio soviético, recuperados de valas comuns em Vinnytsia

Com a fuga da Ukraina do ainda não esquecido "valoroso" exército vermelho, camarada do nazismo, os habitantes de Vinnytsia, cada vez com mais teimosia expressavam suas terríveis suspeitas em relação a "zonas proibidas". As autoridades da ocupação alemã, inicialmente, não demonstravam interesse em desvendar esse segredo. Para quê? Todos sabiam que os nazistas não eram melhores. As pessoas diziam que entre Berlim e Moscou, a única diferença é que em Moscou fazia mais frio no inverno. Com a vinda dos alemães mudou apenas o dominador, mas em nada alteraram-se os métodos. Isto transpareceu em praticamente todos os ramos de atividades, iniciando como exorbitante autoritarismo policial e culminando com a sistemática governamental. Mudaram-se os nomes mas o conteúdo permaneceu o mesmo. No domínio bolchevique a decisão de todos os assuntos emanava do NKVD, no domínio alemão, a decisão pertencia a "gestapo". Interessante que em Vinnytsia, como em muitas outras cidades da Ukraina, a "gestapo" ocupou os mesmos prédios, anteriormente ocupados pela NKVD. Tudo permanecia igual, apenas a bandeira vermelha com foice e martelo foi substituída por outra bandeira, também vermelha, com uma cruz negra, quebrada, num círculo branco. Esta foi a única diferença. Em tempo, até muitos funcionários da NKVD já no início passaram para o trabalho na "gestapo". Em Vinnytsia, quando do desenterro das sepulturas coletivas do terror bolchevique, no prédio da NKVD já comandava "gestapo" e, provavelmente, já abria sepulturas coletivas em outro lugar. Apenas as vítimas sempre eram as mesmas - os ukrainianos.

Como foram abertas as sepulturas coletivas em Vinnytsia e como se chegou às suas escavações?

De várias fontes surgiram várias informações. De acordo com as informações da população local, na primavera de 1943, no dia 24 de maio "alguém" escavava no parque, quando topou com um cadáver apodrecido, com restos de vestes semi-apodrecidas. Aquele "alguém" que encontrou o cadáver, assustado, quanto antes comunicou a polícia local. Daí, já com autorização policial iniciaram-se posteriores investigações. Não tardou e foi encontrado mais um cadáver, depois mais um e mais um. Com esse assunto ocupou-se a autoridade civil local e iniciaram-se as escavações sistemáticas sob orientação de dois médicos locais: Dr. Doroshenko, médico judicial de Vinnytsia, e Dr. Malinina, antigo professor da Universidade de Krasnodar e residindo em Vinnytsia na ocasião. Evidentemente que o assunto era de interesse da ocupação alemã. Assim, após a escavação de duas valas coletivas e retirados mais de 200 cadáveres, a autoridade alemã constituiu uma comissão médico-jurídico que assumiu o comando das próximas escavações. Igualmente foi convidada uma comissão internacional composta de países neutros e correspondentes além fronteira, entre os quais encontrava-se o autor desta reportagem.

A notícia sobre as terríveis escavações em Vinnytsia espalhou-se como relâmpago por toda Ukraina. Para Vinnytsia, de todos os cantos começaram afluir pessoas na esperança de encontrar, ao menos, uma explicação sobre o destino do familiar querido levado no tempo dos bolcheviques pelo "inimigo negro" e de acordo com a informação oficial - condenado para degredo "em longínquos campos de trabalho sem direito a correspondência".

DESENTERROS E SEPULTAMENTOS

Os desenterros, como já mencionado, eram executados pelos prisioneiros dos cárceres locais, sob a supervisão e instruções da comissão. Ainda hoje, dezenas de anos passados, a pele se arrepia com a lembrança da inacreditável e apavorante aparição. Das entranhas da terra montanhas de cadáveres decompostos pela putrefação surgem e são dispostos em fileiras para uma possível identificação e realização do processo jurídico-médico. Após o que novamente são enterrados em covas irmãs, já com acompanhamento religioso e na presença da população.

O sepultamento das vítimas ukrainianas extraídas de sepulturas coletivas, vítimas do "holokost" do comunismo moscovita em Vinnytsia, ficou sob a responsabilidade do então bispo de Vinnytsia, Excelência Reverendíssima Hrehorii, falecido em 1985. Sobre o seu papel nestes sepultamentos escreve O. Kulenko em seu artigo "Bispo de Vinnytsia", publicado no jornal "Narodna Volia", (Vontade da Nação) em 11 de julho de 1985 e diz o seguinte:

 
Enterro das vítimas da NKVD em Vinnytsia.

"De todos os títulos das diversas etapas da vida do Metropolita Hrehorii ficará por mais tempo em sua memória a sua atuação no período de seu bispado em Vinnytsia durante a última guerra mundial.
Quis o destino que ele não só renovasse a vida destruída pela ocupação bolchevique no contexto da não menos desumana ocupação inimiga, mas também tornar-se testemunha de vários milhares de fuzilamentos stalinistas - dos anos de Jezhov (chefe da NKVD) nos anos trinta na Ukraina de 1937-1938..."

Iniciados no verão de 1943, os desenterros durante certo período revelaram horrorosa visão de filas de cadáveres com as mãos amarradas nas costas e vestígios de tortura e tiros na nuca.
A notícia rapidamente correu o país. E, apesar de todas as dificuldades dos tempos de guerra e de comunicação, de todos os lados acorriam milhares de ukrainianos no empenho de descobrir seus familiares - pais, filhos e filhas, entre os cadáveres, a roupa estendida, objetos e documentos.
Perto de dez mil cadáveres torturados foram resgatados dos buracos infernais e sepultados novamente em sepulturas irmãs. Testemunha dessa grande tragédia nacional e lastimáveis ofícios religiosos foi o Bispo Hrehorii.
Suas palavras no décimo nono sepultamento de torturadas vítimas:

"Queridos Irmãos e Irmãs! Hoje, pela décima nona vez nós nos reunimos nesta triste despedida, perante visão apocalíptica, para oferecer nossa prece pelas almas de nossos melhores filhos e filhas da Ukraina, os quais o maior antropófago universal, de maneira cruel destruiu e jogou nestas valas infernais.
Diante de nós jazem 960 sagrados restos do terror preparados para o sepultamento. Reparem nestas imensas valas irmãs. Nestas valas já descansam 8.479 valorosos filhos e filhas da Ukraina, os quais nós retiramos daqueles buracos infernais e, de acordo com sepultamentos cristãos colocamos nestas valas irmãs... E quantos desses buracos infernais e, de acordo com sepultamentos cristãos colocamos nestas valas irmãs... E quantos desses buracos ainda haverá nas largas estepes e florestas da Sibéria, Solovkiv e Kolema?!..
Nós, meus caros, tínhamos a intenção de construir nestas santas sepulturas um grandioso Santuário-Memorial. Agradecemos à generosidade do nosso povo pelas doações superiores ao necessário. Mas, não nós é concedida esta realização. Não obstante acreditamos que virá o tempo quando aqui haverá um templo em honra a todos os santos torturados e nele, dia e noite, elevar-se-ão orações a Deus pelas suas almas vitoriosas".

Com a aproximação do inverno e das frentes de combate cessaram as escavações das sepulturas em massa da cidade de Vinnytsia. Sobre as sepulturas irmãs de milhares de vítimas, até hoje, não há menor evidência, cruz ou lembrança...

 
Valas comuns já esvaziadas no antigo cemitério de Vinnytsia.

Apesar de todos os esforços de desinfecção, não só nos lugares de desenterramento, mas numa larga vizinhança espalhava-se o insuportável odor cadavérico.

Os prisioneiros, ao escavar as sepulturas, primeiramente recolhiam camadas de vestimentas apodrecidas que cobriam os cadáveres, e penduravam-nas nas cordas ou arames esticados entre as árvores. As pessoas se aproximavam e tentavam reconhecer essas vestimentas ou alguma característica que porventura apresentassem: camisa bordada ou algum objeto familiar. Com o tempo, as vestimentas que ainda apresentavam alguma possibilidade de uso, começaram a desaparecer. Eram roubadas à noite, lavadas e vendidas na feira. Tal era a miséria da população. Então, nas árvores foram fixadas tabuletas com admoestação: "pelo roubo de objetos do sítio das escavações serão julgados por um tribunal extraordinário e aos culpados será aplicada a pena máxima". Depois deste aviso os roubos cessaram.

A escavação de cadáveres das sepulturas era o extraordinário do extraordinário. As primeiras camadas de cadáveres, que na maioria das valas jaziam em completa desordem, os trabalhadores-prisioneiros passavam de mão em mão e colocavam na relva num local imediato. Simultaneamente revistavam-se os bolsos buscando documentos ou objetos quaisquer, que poderiam auxiliar na identificação. Casualmente essas revistas davam resultado. As camadas subseqüentes de cadáveres era preciso retirar com auxílio de barbantes. Fazia-se deste modo: dois trabalhadores no alto desciam o barbante na sepultura. Os trabalhadores dentro da cova prendiam o cadáver no barbante e este era puxado para o alto. Acontecia, às vezes, que o cadáver se despedaçava, perdia a cabeça ou qualquer parte do corpo.

Entre as fileiras de cadáveres e entre as roupas estendidas vagavam, como fantasmas, pessoas em grupo ou individualmente. Freqüentemente acontecia que, sobre o cadáver ou um pedaço de roupa ouvia-se um grito agudo que perpassava a alma desesperada. É alguém dos visitantes reconhecendo o falecido ou encontrando sinal característico entre as vestimentas. Aqueles que perderam seus familiares e possuíam motivos para acreditar que estariam aqui, entre os cadáveres, com inverossímil dor inclinavam-se para reconhecer a face querida.

O quadro mais trágico produziam os cadáveres das mulheres, na maioria completamente despidas. Boas almas, ao menos depois da morte cobriam-nas com algum trapo velho. Freqüentemente alguém dos visitantes arrancava dentre a relva uma modesta flor campestre e colocavam-na no peito dessas torturadas e torturados, escavados da terra aos milhares. As pessoas ficavam sobre as sepulturas, silenciosamente diziam orações, secavam as lágrimas e, somente de tempo em tempo, de algum peito comprimido pelos espasmos da compaixão e dor, escapava da garganta uma assustadora blasfêmia ao carrasco.

RESULTADOS DAS ESCAVAÇÕES E INVESTIGAÇÕES

Os resultados das escavações e investigações, realizados com ativa participação e colaboração da população local e de outras regiões, inúmeras testemunhas, bem como especialistas profissionais médico-jurídicas, traçaram um quadro real e inacreditável do crime soviético de extermínio da nação. Os resultados finais das escavações e investigações reunidas em algumas publicações, sem dúvida falam por si mesmas. De acordo com elas, e de observações próprias oferecemos este resumo geral.

LUGARES DE ESCAVAÇÃO

Como já mencionado as sepulturas comuns em Vinnytsia foram encontradas em três lugares: no pomar de árvores frutíferas, no velho cemitério, e no assim chamado "Parque da cultura e repouso". As primeiras sepulturas que foram abertas situavam-se no pomar, no local chamado "Dolenka", no subúrbio de Vinnytsia, numa distância aproximadamente de duas milhas do centro da cidade, do lado direito, noroeste, da estrada de Liten. A superfície do pomar constituía de 60 x 1000 metros de terreno levemente acidentado, coberto de mato e velhas árvores frutíferas. Entre elas cresciam também novos arbustos. No inverno de 1937-1938 este local foi ocupado pela administração do GPU-NKVD, que cercou-o com estacas aproximadamente de 3 metros de altura e tornou-se assim completamente oculto dos que por ali passavam. Oficialmente foi dito que dentro daquela estacada realizavam-se exercícios militares e para satisfazer a vista até foi construído um fictício lugar de tiro.

Neste lugar, no canto sudoeste, foi encontrado um buraco com cal virgem. Depois, no inverno de 1942-1943 quando a população local retirou as tábuas da cerca, no pomar avistavam-se pequenas depressões. Vozes teimosas da população, seguidas do casual achado de alguns cadáveres conduziram para as escavações sistemáticas. Neste pomar foram abertas 34 covas e delas extraídos 5.644 cadáveres. Numa cova havia somente documentos, em outra sapatos e na terceira roupas. O tamanho das covas isoladas apresentava as seguintes medidas: 2,5m x 3m a 2,8m x 5m.
Somente em 7 covas a quantidade de cadáveres era menor de 100. Em 20 covas variava de 100 a 200, e a maior quantidade de cadáveres numa cova foi de 284.
Todas as covas eram cobertas com aproximadamente dois metros de terra, sob sepulturas aplainadas no nível do terreno.

Ainda durante as escavações neste local, com a indicação da população local, abriram também as covas em dois outros lugares, no velho cemitério e no "parque da cultura e descanso".
O velho cemitério, localizado do lado esquerdo da estrada de Liten, a mais ou menos 600m do centro da cidade, foi - como o pomar - em 1937-1938 cercado pela NKVD com altas estacas. Em alguns lugares ainda havia cerca viva da altura de uma pessoa. Por toda parte viam-se velhos túmulos que apresentavam depressões. Depois da limpeza do terreno e eliminação de arbustos surgiram as depressões de formatos quadrados com afundamento de 10-15cm.

Escavando esses lugares numa profundidade de dois metros, principalmente encontravam uma camada de roupas e sob elas os cadáveres. Aqui foram encontradas 42 sepulturas e delas extraídos 2.405 cadáveres. A quantidade de cadáveres em cada sepultura variava de 50 a 147. Somente em três casos eram menos. Vinte e seis túmulos foram possíveis reconhecer pelas depressões, todos os outros estavam aplainados no nível do terreno e alguns disfarçados em túmulos comuns. Casualmente uma sepultura coletiva foi encontrada sob o túmulo do anteriormente falecido e pomposamente enterrado comissário da NKVD. Estranho símbolo!
As sepulturas neste local eram menores que no pomar. Sua superfície ia de 1m x 2m a 2,5m x 4,5m. A profundidade também era menor - de 3m a 3,5m. A disposição das covas não apresentava a mesma ordem do primeiro local, e as próprias covas, devido a terreno arenoso, já não possuíam a forma reta do pomar.

Logo após a abertura das sepulturas coletivas no velho cemitério, elas também foram encontradas numa distância imediata, do outro lado da estrada de Liten, no "parque da cultura e descanso". Elas foram abertas segundo as informações do antigo guarda daquele parque. No parque cresciam muitos carvalhos e novos arbustos, mas o solo era coberto com grama. A parte nordeste vizinhava diretamente com a prisão da NKVD. Neste local, já com muita dificuldade podia-se reconhecer as depressões quadradas no solo. Explicava-se este fato que, com a organização do parque, aplainava-se o solo com freqüência. Numa parte do parque, ainda durante a guerra iniciaram o cultivo de verduras e hortaliças.
Neste local foram abertas 13 sepulturas coletivas, num total de 1.383 cadáveres. A quantidade de cadáveres em sepulturas isoladas contava de 33 a 144. Sobre duas sepulturas havia uma pracinha para danças e sobre outra um "gabinete de riso". Os verdugos providenciaram para que as pessoas dançassem e rissem sobre os cadáveres de seus compatriotas e familiares.
As sepulturas abertas neste parque correspondiam às menores sepulturas do pomar e sua superfície geralmente apresentava 2,5m x 3m. Como nos casos anteriores havia uma camada de terra de 2m e uma camada de roupas e sob esta última os cadáveres. A profundidade, em quase todos os casos era de três metros.

Continua.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: A.Oliynik


Leia também:

HOLOKOST: O inferno na terra – 3ª Parte

HOLOKOST: O inferno na terra – 2ª Parte

HOLOKOST: O inferno na terra – 1ª Parte



quarta-feira, 22 de maio de 2013

YULIA TYMOSHENKO: Tribunal Europeu reconhece ilegalidade

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana)
 
30.04.2013
Tribunal Europeu reconheceu a ilegalidade da prisão de Tymoshenko, mas não viu torturas.
Tribunal Europeu dos Direitos Humanos estabeleceu motivação política na prisão da ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko na "questão do gás", e violação de seus direitos em relação à prisão.
Ao mesmo tempo, segundo a maioria dos votos, o Tribunal Europeu considerou que não houve violação do Artigo 3 (proibição da tortura) da Convenção Européia dos Direitos Humanos.
 
02.05.2013
A decisão do Tribunal Europeu foi aguardada por quase dois anos. Sua queixa foi encaminhada em 10.08.2011. E, apesar de que a questão foi considerada prioritária pelo Tribunal Europeu, demorou. Um dos motivos é que a queixa era constantemente complementada. Acrescentavam-se à ilegalidade da detenção as más condições da prisão de Kyiv e da Colônia Kachanivska, falta de assistência médica adequada, transferência forçada para hospital, na qual, segundo Tymoshenko, ela recebeu machucaduras, e monitoramento eletrônico durante 24 horas.
 
10.05.2013
"Ukraina é um dos importantes países da Europa, mas ela deve passar por todo complicado caminho de integração européia. E Ukraina, obrigatoriamente deve cumprir a decisão do Tribunal Europeu quanto a Yulia Tymoshenko", disse o ministro checo.
 
10.05.2013
A Comissão de Helsinque acredita que a prisão da Tymoshenko é símbolo da violação de direitos humanos na Ukraina e instam às autoridades para libertá-la.
O presidente da Comissão, senador Benjamin Cardin declarou ao ministro das Relações do Exterior da Ukraina: "Congratulações ao recente perdão a Yurii Lutsenko e considero que é um bom primeiro passo. Esperamos que vocês cumprirão a promessa de realizar reformas judiciais e eleitorais. Esperamos, também, que a decisão do Tribunal Europeu sobre a violação dos direitos de Yulia Tymoshenko e sua prisão arbitrária tornem-se impulso para sua libertação".
O país que exerce a presidência da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) deve demonstrar uma democracia forte. Se este país alcançar sucesso incentivará outros países para seguirem os compromissos da OSCE.
 
14.05.2013
As autoridades ukrainianas não libertarão Yulia Tymoshenko a pedido da UE, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros Leonid Kozhara em entrevista ao "The Telegraph" em 13 de maio, durante uma visita a Londres.
"Milhões de pessoas na Ukraina realmente acreditam que Tymoshenko foi condenada justamente," - disse Kozhara. "Ela causou grandes danos à nossa economia, ela violou a lei", - assegurou.
"Nós reconhecemos que o caso da Tymoshenko é um problema nas nossas relações com UE, mas estamos convencidos que uma questão não pode arruinar a nossa relação", - disse Kozhara.
 
14.05.2013
"Vocês todos sabem que a questão da justiça seletiva e prisão de Yulia Tymoshenko é pedra de tropeço no Acordo de Associação entre Ukraina e UE" - disse o embaixador da UE Ian Tombinskyi numa conferência de imprensa em Kyiv, na terça-feira.
"Não é correto esperar até o último momento para abordagem de questão tão sensível, como a prisão da Tymoshenko... A decisão deste assunto - nas mãos do governo ukrainiano, e não da UE", concluiu.
 
16.05.2013
Tymoshenko declarou sobre os delitos perpetrados pelos carcereiros. Ela nunca se recusou de comparecer ao julgamento da questão do assassinato de Yevhen Shcherban. A declaração correspondente ela apresentou em 15 de maio à Procuradoria da província de Kharkiv, Kyiv Pechersk Tribunal Distrital e chefe da Colônia Kachanivska Koplachikov I.M.
"Hoje (15 de maio) às 8 horas da manhã, eu ouvi dois representantes do Serviço Penitenciário do Estado da Ukraina, no 5º Canal de TV de que todos vocês não sabem se eu concordo ir ao Pechersk Tribunal Distrital de Kyiv para participar do interrogatório da testemunha Petró Kyrychenko "na questão de Yevhen Shcherban", - declarou Tymoshenko. 
"Informo-lhes que nenhuma vez recusei da minha condução às sessões do Tribunal aos interrogatórios de todas as testemunhas, pelo contrário - exigia em ultimato, por escrito, e em conversas com Kolpachikov para, sem falta, transportar-me a esses tribunais, apesar da difícil situação de minha saúde", - escreve ex-primeira-ministra.
"Informo a todos, que os representantes da administração da Colônia Kachanivska, liderados por Koplachikov, antes de cada sessão falsificavam minhas declarações afirmando minha recusa na participação em processos judiciais" - afirma Tymoshenko (Acompanhando as edições diárias da "Verdade Ukrainiana" testemunho que este jornal publicava as alegações de representantes da Colônia  do não desejo da Tymoshenko em comparecer às sessões, sempre desmentidas por ela, Tymoshenko, e seus advogados - OK).
 
20.05.2013
Tymoshenko viu na TV a declaração do chefe da Colônia Koplachikov que ele teria, por duas horas, tentando convencê-la para comparecer na sessão do Tribunal. Porém, neste dia, Koplachikov não compareceu à sua enfermaria. No dia seguinte ela recebeu a visita do promotor de supervisão Krasnolobov e investigador Yakutin que a informaram que, em resposta a sua declaração foi aberto processo criminal. 
"Na presença do promotor perguntei à minha colega de enfermaria se Koplachikov veio, ele ou seus subordinados, providenciar minha ida ao Tribunal. Ela respondeu claramente que não. Depois eu saí para reunião com meu defensor. Ao voltar, vi como o chefe da guarda, com grosseria e brutalidade falava com minha companheira da câmara, e ela chorava. Tenho certeza, que o processo de coerção da pessoa para dar falso testemunho, teve início", - concluiu Tymoshenko.
 
Além dos líderes da UE, presidentes de vários países europeus, EUA, líderes das igrejas ukrainianas, pessoas de destaque da sociedade ukrainiana, presidentes de organizações comunitárias, outros, dirigiram pedido ao governo ukrainiano para libertar Tymoshenko.
 
 
Tradução: Oksana Kowaltschuk

sábado, 18 de maio de 2013

LEVANTA-TE, UCRÂNIA!



"Levanta-te, Ukraina!" em Kyiv

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), de 15 a 18.05.2013


No sábado, dia 18 de maio, em Kyiv foi realizada a manifestação "Levanta-te, Ukraina!" marcada desde o início dessas manifestações nas cidades ukrainianas.
Posteriormente, o Partido das Regiões também planejou uma marcha antifascista para a manhã do mesmo dia. Houve, ao menos, um mínimo de bom senso e, aos dois acontecimentos foram determinados locais e horários distintos.
Na manifestação da oposição discursaram os líderes e foi aceita a declaração dos três principais partidos da oposição: "Pátria", "Liberdade" e UDAR" - "Sobre coordenação de ações na luta contra o regime de Yanukovych". Mas o dia não passou sem briga entre "jovens desconhecidos" (provenientes da marcha antifascista) e apoiantes do Partido "Liberdade".

Medidas do governo para minimizar a manifestação em Kyiv:

15.05.2013 - Em resposta à declaração da deputada Iryna Herashchenko sobre a obrigação de funcionários públicos em participar na manifestação do Partido das Regiões, o primeiro-ministro encaminhou a queixa ao ministro da Educação Tabachnyk (a queixa era em relação às instituições educacionais). Este prometeu tomar providências e, por sua vez apelou à oposição para não recrutar estudantes mediante pagamento.

16.05.2013 - Aos alunos de pós-graduação da Universidade Nacional de Donetsk forçam para participar, por ordem do reitor, do comício antifascista, organizado pelo Partido das Regiões em Donetsk, no dia 17 de maio, escreveu o aluno de pós-graduação em História Valentyn Krasnoliorov, ativista do movimento social "Honesto", em sua página no Facebook. E no dia 16, alguns milhares de pessoas, principalmente estudantes, marcharam pelas principais ruas de Odessa. Na frente iam idosos com faixas "O fascismo não passará", e fecharam a procissão os ativistas da "Rodina (Pátria em russo). Símbolos principalmente do Partido das Regiões. Através do microfone expressavam sua atitude para com Mussolini, Hitler e Tiahnebok, condenando as atividades de todos os três. (Tiahnebok é um político ukrainiano, sem papas na língua, da oposição, e que somente a partir do ano passado adquiriu destaque nacional. Alguns de seus princípios ideológicos nacionalistas: proibir ideologia comunista; nova lei sobre a cidadania ukrainiana apenas para os nascidos no território ukrainiano ou ukrainianos étnicos, os que residem por mais de 10 anos e dominam o idioma ukrainiano e conhecem os principais fatos históricos; processo judicial público do comunismo; reconhecimento da ocupação da Ukraina pela Rússia bolchevista de 1918 a 1991; reconhecimento oficial com pedido de desculpas e compensação da Rússia pelo genocídio da nação ukrainiana; compensação da Rússia aos descendentes dos ukrainianos represados, etc.
Mas, ele tem feito declarações como a que segue, por ocasião da comemoração dedicada à memória de um dos líderes do Exército Insurgente Ukrainiano (UPA) Dmytro Kliachkivskyi ( apelido Klym Savur), em 17.07.2004: "Eles não tinham medo, como agora nós não devemos ter, eles pegaram uma pistola-metralhadora e foram às matas, eles preparavam-se e lutavam contra os moscovitas, contra os alemães, contra os judeus e outras imundícies, que queriam tirar de nós o nosso Estado ukrainiano... É necessário entregar Ukraina, finalmente, aos ukrainianos. Estes jovens e vocês, de cabelo branco, é a mistura, a qual teme a máfia moscovita e judia, que hoje governa Ukraina".
Oleh Tiahnebok é médico e advogado por formação. Casado e pai de três filhas. (pesquisa OK).
Em seguida os participantes da manifestação aprovaram por unanimidade a resolução "para Europa - sem fascismo." (para Europa - pela assinatura do Acordo de Associação: Ukraina - UE).
Em 16 de maio as manifestações antifascistas também ocorreram na Criméia; em 15 de maio em Chernihov e Vinnytsia e também em Zhytomyr.

17.05.2013 - Oleksandr Yefremov, líder do Partido das Regiões declarou quanto pagarão aos participantes da manifestação "Marcha antifascista", organizada por seu partido: "Nós pagamos aos nossos representantes a passagem de ônibus, e pagamos as diárias porque as pessoas têm que comer em algum lugar". Disse ele. (Tudo estaria certo, mas o fato é que os apoiantes da oposição que compraram a passagem e vinham com o transporte público ou se organizavam e pagavam o ônibus especial, ou foram proibidos ou desalojados dos meios de transporte, como é que ficam? - OK).

No Ministério do Interior juram, que não trarão forças internas para Kyiv. "Oficialmente informamos que da região de Vinnytsia realmente virão 200 soldados, mas isto não pode ser considerado como "reforço", porque recentemente, da guarnição de Kyiv tiveram alta 680 soldados recrutas, e os que vieram em seu lugar ainda participam de curso básico", diz um comunicado.

Resposta do Ministro do Interior Vitalii Zakharchenko à declaração de Volodymyr Bondarenko, deputado oposicionista, de que a oposição está recebendo dezenas de comunicados de diversas cidades da Ukraina, de que os órgãos de assuntos do interior deram ordem de bloquear quaisquer transporte que pode estar trazendo manifestantes a Kyiv, bem como não vender passagens de ônibus e trem: "Não há obstáculos para reunião pacífica de cidadãos, dos órgãos dos assuntos internos. Tal comando ninguém deu." "Se vocês tiverem alguma ocorrência, enviem tal informação para mim, pessoalmente. Eu a submeterei ao meu controle e organizarei sua verificação".

Não obstante, mais de 15 trens não puderam entrar em Kyiv, na véspera da manifestação da oposição. Ficaram parados.
O trem Donetsk-Kyiv pararam com a desculpa de haver num vagão objeto explosivo. Todos os passageiros foram evacuados.
Trinta ativistas e simpatizantes do partido "Liberdade" (Tiahnebok) foram retirados do trem Mariupol-Kyiv. Foram chamados pelo nome (sabiam até os nomes) e brutalmente jogados para fora.
O trem Sevastopol-Kyiv foi parado por 5 horas. Assim chegaria em Kyiv após a manifestação. Também não conseguiram chegar os ativistas de Melitopol, Zaporizhzhia e Dnipropetrovsk.
O trem Uzhgorod-Kyiv ficou parado no campo antes de Stryi. A desculpa era que havia explosivos escondidos na estação. 
Enquanto seguravam os trens a deputada Inna Bohoslovska, governista, disse na TV que a oposição faz acusações sobre os trens porque a oposição não conseguiu juntar pessoas para manifestação.
Yatseniuk lamentou que milhares de pessoas não conseguiram chegar a Kyiv devido a impedimentos do governo que parou trens, convenceu os proprietários de ônibus a não autorizarem viagens especiais, não deixou vender passagens populares nos trens e até retiraram do avião o representante da Criméia do "Medzhelis" da Criméia ("Medzhelis" - palavra que vem do árabe e significa: lugar de reunião, órgão análogo ao parlamento. Criméia é República Autônoma da Ukraina - OK).


FOTOS DA MANIFESTAÇÃO EM KYIV




 


 


 


Tradução: Oksana Kowaltschuk