domingo, 19 de janeiro de 2014

MOSAICO DE NOTÍCIAS

Caro Leitor:
A liberdade na Ucrânia, a cada dia que passa, fica mais ameaçada. Leia neste mosaico as notícias coletadas e traduzidas do jornal "Verdade Ucraniana". A situação se agrava e a Ucrânia está sob ameaça de uma guerra civil ou de um terrível regime de opressão imposto por um governante eleito pelo povo, mas que se coloca sob a botas do comunismo russo de Vladimir Putin.
O Cossaco.

Notícias da Ukraina
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana) 17 e 18.01.2014

Anatoli Hrytsenko, deputado do Partido Pátria (oposição) renunciou ao mandato. Ele espera que seus eleitores compreendam sua decisão. "Eu fui eleito para o Parlamento da Ukraina, não para Coreia do Norte", - disse ele.
 
O Conselho não vai caçar as leis aprovadas em 16 de janeiro, disse o presidente do Parlamento Volodymyr Rebak.
 
A oposição convoca para uma nova Assembléia Popular na Praça da Independência em Kyiv, e prepara-se para greve, "para que o governo veja que ninguém o teme".
Klychko: "... as pessoas na Ukraina foram privadas de direitos e liberdades civis e, realmente, colocadas fora da lei".
Tiahnebok: "... os acontecimentos no Parlamento é cenário típico de Kremlin, ditado a Yanukovych por seu colega russo Vladimir Putin".
Yatseniuk: V. Yanukovych "vendeu a Putin nossa liberdade" por 15 bilhões de dólares. "Eles aprovaram uma lei que não permite pensar, falar e fazer o que cada ukrainiano gosta".
 
No Parlamento, a reunião para votação do orçamento e das leis ditatoriais enviadas pelo presidente Yanukovych foi aberta pelo vice´presidente Ihor Kalyetnek. No início , a votação realizava-se no modo eletrônico mas, devido os deputados do Partido das Regiões votarem pelos colegas ausentes, os deputados da oposição conseguiram apoderar-se de vários cartões. Quando votaram a favor da alteração do Código Penal sobre a possibilidade de processo penal à revelia, não houve votos suficientes para aprovação. Então, o vice-presidente Kalyetnik declarou que devido ao bloqueio da tribuna, etc., o orçamento seria votado sem discussões, através do sistema manual. No vídeo podemos ver que não houve contagem de votos, o número de votantes era fornecido de acordo com o número de associados dos Partidos das Regiões (203) e Comunista (32). 
Apenas o representante dos deputados sem-partido recusou-se do fornecimento de dados declarando que não havia possibilidade de fazer a contagem. As leis foram aprovadas sem discussão, com 235 votos dos regionais e comunistas (São necessários 50%, isto é 225 votos).
 
Durante a peregrinação do Automaidan (Automaidan é quando a oposição usa veículos, no caso a distância de Kyiv é de 25 km) à localidade "Dzinkova Krynytsia", na aldeia "Novi Petrivtsi" , Berkut espancou brutalmente o morador  e pensionista local Petró Katsymon apenas porque ele queria passar pela rua que vai até sua residência. Ele foi considerado culpado pela agressão verbal aos "aplicadores da lei", e multado em 136 UAH.

No dia 22 de janeiro, Dia da Unificação da Ukraina, os ukrainianos de todo o país estão sendo convidados para executar um panelaço, em protesto contra mentiras, corrupção e violações de direitos humanos.
 
A primeira ação do Automaidan de Donetsk será no dia 19 de janeiro. Os manifestantes visitarão a propriedade da Família Yanukovych na aldeia Kalinkino.
De acordo com as palavras do presidente do Partido UDAR, de Donetsk, Yegor Firsov a ação já foi registrada nos órgãos estatais locais.
Todos os habitantes de Donetsk, não indiferentes à situação atual da Ukraina são convidados.
 
Zakharchenko, o odioso Ministro do Interior promete reação dura a todo aquele que não quer "paz e tranquilidade". (Paz e tranquilidade significa submissão. O C.)
 
Em Lutsk, Volyn, Automaidan "visitou" as residências do governador, do presidente do Conselho e do promotor chefe do Departamento Regional do Ministério do Interior. Eram mais de 50 automóveis e cerca de 150 pessoas. Primeiramente eles cantaram uma canção natalina (No Natal é tradição ukrainiana, grupos de pessoas visitam as pessoas da comunidade, cantam canções natalinas e desejam coisas boas na vida. Os visitantes-cantores geralmente são convidados para lanche e/ou recebem doações para Igreja). No final pediram a todos para desistir de seus cargos no governo, sair do Partido das Regiões e parar com a repressão política em Volyn. Foram recebidos pelo governador (o senhor de óculos no canto esquerdo)
 
Mobilização geral na Ukraina
Mais de uma centena de organizações da comunidade declararam plena mobilização na Praça da Independência em Kyiv.
O impulso para isso foi a situação no país e a decisão de leis antissociais de 16.01.2014.
"Somente uma enorme e imediata resistência da nação poderá deter os criminosos e proteger as pessoas de prisões em massa. Chegou o momento para cada um colocar-se na proteção de sua liberdade, sua família, seu país", diz o comunicado.
Os autores do comunicado apoiam a decisão da realização de uma reunião nacional domingo 19 de janeiro. "Desta reunião nós começaremos restaurar a ordem constitucional. Ditadura deverá terminar. Estes dias - serão decisivos", enfatizam os signatários.
"Aonde quer que você viva, venha a Kyiv. Chame seus vizinhos, colegas e família, e venham ao Maidan", escrevem os autores.
Aos moradores de Kyiv pedem pernoite e alimentação para os de fora. "E, onde quer que vocês trabalhem - não sigam instruções de poder ilegais, não reconheçam leis de Yanukovych e juntem-se à resistência da ditadura. 
Sob o comunicado já assinou um número significativo de organizações públicas e políticas.

Determinar um único líder de resistência à ditadura.
Aos líderes da oposição parlamentar, dos intelectuais e membros da iniciativa "Primeiro de Dezembro:
"O regime atual tomou o poder e bloqueou todos os caminhos legais e democráticos para decisão do conflito social e político.
Os planos dominantes na Ukraina e Kremlin são óbvios. Contrariando os cenários políticos e tecnológicos está a inspirada força do Maidan - muito organizada... mas vulnerável - porque não está encabeçada por uma única liderança.
Nestas circunstâncias, a continuação da campanha eleitoral não declarada, com um olho para 2.015 - é crime. O líder deve ser um. Não candidato a presidente, mas líder da resistência à ditadura. Agora é o momento da verdade - ou vocês conseguem escolher entre si um único líder, ou serão forçados a sair do palco", - enfatizam os autores da declaração.

Resumo e tradução: Oksana Kowaltschuk
 

LIBERDADE DE CULTO SOB AMEAÇA NA UCRÂNIA

Posted: 17 Jan 2014 10:15 AM PST
O governo ucraniano ameaçou declarar ilegal a Igreja greco-católica ucraniana por prestar serviços religiosos aos manifestantes opositores que ocupam a praça central de Kiev. O ministério da Cultura enviou uma carta ao arcebispo Sviatoslav Shevchuk, acusando a seus sacerdotes de «violar a lei» ao prestar serviços religiosos fora dos templos. (AFP/InfoCatólica) «A violação desta lei […]
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

NOVAS LEIS DATATORIAIS NA UCRÂNIA


Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 16.01.2014



O Partido das Regiões e o Partido Comunista votaram a favor da remoção da responsabilidade dos membros do Berkut que espancaram as pessoas no período de 21 de novembro a 26 de dezembro de 2013.

Também liberaram da responsabilidade criminal: a obstrução a atividades jornalísticas, o artigo 185 do Código Penal - roubo, destruição intencional ou dano à propriedade, falso relato de ameaça a cidadãos, destruição ou danos de propriedade do artigo 259, isenção de responsabilidade penal pelo bloqueio de comunicação de transporte, captura de empresas de transporte, apropriação indébita de veículos de transporte, perturbação grupal de ordem pública, tumultos, ações que ameacem a ordem pública, apropriação de edifícios públicos, resistência ao representante do governo, ao agente da lei, ameaça ou uso de força ou atentado contra a vida do agente da aplicação da lei. Apreensão de representante do governo como refém, abuso de poder ou autoridade, interferência no judiciário, não execução da decisão judicial. Obstrução de testemunha, vítima ou perito forçando-os ao não fornecimento de provas.



Também proibem-se comboios com mais de cinco carros sem coordenação com o Ministério do Interior, punível com multa de quarenta a cinquenta rendimentos mínimos livres de impostos, ou privação do direito de condução de veículos de um a dois anos.



A participação em ações de massa com uso de máscara, capacete ou qualquer outro meio de disfarce, será punível com multa ou prisão administrativa.



Calúnias (divulgação intencional de informações deliberadamente falsas que desacreditam a honra e a dignidade de outra pessoa) que se espalham na Internet, será punível com multa de cinquenta a trezentos rendimentos mínimos livres de impostos ou trabalho comunitário de 150 a 240 horas, ou trabalho correcional por um ano.



Pelo bloqueio de edifícios ou estruturas, que garantem atividades de órgãos estatais ou associações comunitárias poderá haver aprisionamento de até cinco anos.



Pela reunião ilegal, armazenamento ou divulgação de informações confidenciais sobre o juiz ou membros de sua família, ofensa ou pressão sobre o juiz, poderá ser aplicada multa de 300 a 500 rendimentos mínimos livres do imposto de ou dois anos de aprisionamento. A pena máxima por ações similares ao policial, ou sua família - detenção até seis meses.



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A OSCE (Organização e Cooperação na Europa) espera que Yanukovych vete estas leis ditatoriais. A representante para a Liberdade e meios de comunicação Dunja Mijatovic expressou preocupação com as alterações legislativas na Ukraina, incluindo o retorno de responsabilidade por difamação, o que ameaça a liberdade de imprensa.



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Carl Bildt, Ministro das Relações Exteriores da Suécia: De acordo com o que vimos hoje em Kyiv, ficaram claras as construções contra a democracia. E finalmente - contra a independência da Ukraina".



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Radoslaw Sikorski, Ministro das Relações Exteriores da Polônia disse que os eventos no Parlamento ukrainiano são sinistros e perguntou se Ukraina decidiu retirar-se do caminho europeu.



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Linas Linkyavichyus, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Lituânia: Massacre dos músculos no Maidan ontem, votação precipitada no Parlamento hoje - dificilmente são passos para o diálogo ou democracia na Ukraina.



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Ukraina pode enterrar a liberdade de informação segundo Repórteres sem Fronteiras. "O pacote de alterações à legislação reproduz algumas das disposições mais repressivas da legislação russa".



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Durante a aprovação do orçamento houve briga de deputados. Um deputado da oposição teve o lábio partido. Ele teria reclamado do empurra-empurra que prejudicou sua colega Maria Ionova.

Esta deputada, da oposição, sentiu-se mal e foi hospitalizada. Ela recebeu um golpe na cabeça, desferido pelo deputado governista Volodymyr Malyshev.

O situacionista Yevhen Morozenko, segundo alguns queria votar por outro colega o que lá é bem comum -OK) e foi atingido por um oposicionista. Já outros dizem que ele foi machucado pelos próprios colegas.

O orçamento foi aprovado, sem exame ou discussão. Alegaram que não era possível devido ao bloqueio da tribuna e perturbações pela oposição. (A oposição é minoria).



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Os médicos de Kyiv já se preparam para o caudal de feridos. No hospital de Kyiv, nº 18.na Av. Shevchenko colocaram mais camas em todas as enfermarias e mais seis no corredor.



O canal de TV-1 enviou para noite do dia 16 seis pessoas ao Maidan em vez das duas habituais.



Resumo e tradução: Oksana Kowaltschuk


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

YANUKOVYCH E O SEU FEUDO

No cativeiro do "Myzhyhiria" Yanukovych transformou a vida de seus vizinhos em pesadelo.

Ukrainskyi tyzhden (Semana ukrainiana), 11.01.2014
Bohdan Butkevych

A primeira coisa que faz um ditador consciente, se deseja governar por muito tempo - é ganhar o carinho da parte dos habitantes do país, geralmente pobres, que estão dispostos a vender seus direitos civis pelas riquezas materiais. Segundo - construir seu palácio o mais longe das pessoas, para ser mais fácil de guardá-lo e que ninguém espione a sua vida luxuosa.


Os moradores locais do vizinho soberano não têm nenhum benefício. Mas, os problemas são incontáveis.

"Feod" Yanukovych

(Feod - Na Ukraina Ocidental, no período do feudalismo - a terra e, às vezes o cargo e os benefícios que o vassalo recebia de seu senhor por herança com a condição da execução de certas obrigações (serviço militar, etc).

Quando o autor deste texto, em 29 de dezembro ia, com um grupo de auto-admiradores,  ao "Myzhyhiria" pelo desvio do caminho, para tentar chegar à residência presidencial sem ser percebido, tinha absoluta certeza que os moradores locais estarão do lado do presidente ou, no mínimo, não se alegrarão com a chegada de estranhos. Especialmente quando lembramos a dedicação das aldeãs às suas "senhioras" nos patrimônios dos conhecidos feudais de novos tempos, como Tetiana Zasukha e Mykhailo Poplavskyi. No entanto, a realidade mostrou-se radicalmente deferente: os novos petrivchany (habitantes da aldeia Novi Petrivtsi), muitos dos quais trabalham diretamente para os meios de vida do "feod" Yanukovych, odeiam o "garante". Nem mesmo a partir do ponto de vista político, embora desses encontramos muitos. O fato é que os medos de V. Yanukovych transformaram a vida diária quase um campo de concentração.

Yanukovych aqui normalmente não é chamado pelo nome, aqui dizem "Ele". Soa quase como "patrão", "pai". Pois assim é - saído da cidade de Yenakievo, de Donbas, transformou a grande vila metropolitana, com longa história, em próprio feudo. Mas, ao contrário de bom senhor feudal, ele não se preocupa com seus subordinados, mas ignora-os, porque teme-os.

Paramos próximo a excelente construção do Conselho, onde trabalha o odioso presidente da aldeia Novi Petrivtsi Rodion Starenkyi, o qual, sempre obedientemente corre ao tribunal pedindo a proibição de quaisquer ações próximo a vivenda presidencial. Bilateralmente algumas bancas e quiosques, dos quais rapidamente saem as vendedoras balzaquianas que, vendo as bandeirinhas amarelo-azuis nas mãos dos manifestantes começam encorajar: "Ah, vieram visitar Yanukovych. Correto, precisa enxotar esta daninha do buraco. Verdade, ele já a alguns dias fugiu para os Cárpatos - ouvimos seu helicóptero." No início eu não acreditava nos meus ouvidos. Aproximo-me mais das mulheres, puxo conversa. Pergunto por que elas não gostam de seu ilustre vizinho.

Uma das mulheres emocionalmente conta, que quase não contratam moradores locais para trabalhar no "Myzhyhiria" - todos são trazidos de outras cidades, escolhidos pela segurança interna, porque, dizem eles, os locais pertencem ao grupo de risco, portanto mão podem aproximar-se do "corpo".  Então os locais não tem nenhuma vantagem do vizinho soberano. Mas os problemas são incontáveis, a principal - desde o momento da chegada de V. Yanukovych é que, de fato, eles deixaram de ser senhores das próprias casas. Portanto, com excelente boa vontade nos ajudavam encontrar as não vigiadas passagens para a residência. É necessário reconhecer que tais são mínimas, em todos os cantos tem polícia. Nas divisas, Berkut com escudos já são familiares para os moradores. Travessas são bloqueadas com ônibus e caminhões - verdadeira - guerra.

Desde que "Ele" aqui se estabeleceu, não temos vida, - diz exaltado o vendedor de quinquilharias. - Antes dele se tornar presidente, ainda era sofrível. Depois, aqui acontece de tudo. Em meia aldeia abriram valetas, para não poder chegar até ele. Permanentemente grupos de policiais a noite estão nas ruas. A impressão é que vivemos num campo de concentração. Da minha varanda vejo aquele muro com arame farpado. Então nós brincamos, que para "ele", desde a juventude a paisagem é familiar. (Alusão ao aprisionamento de Yanukovych, quando na juventude foi sentenciado duas vezes por pequenos furtos. O vício progrediu - OK).

Não destacar-se

Quando Berkut, pára o nosso pequeno comboio no caminho da residência presidencial aproxima-se, imediatamente uma moradora local, mulher simpática de mais ou menos quarenta anos, propõe ajuda. Pergunto se ela gosta de viver próximo de tão importante homem. "E o que o senhor pensa - é simplesmente horrível. À tardinha não se pode sair em paz nem para comprar pão - milícia, ou outras pessoas de uniforme, imediatamente se aproximam, perguntam aonde e por quê vamos, exigem ver o passaporte com registro. Se você não apresentar, poderá ser detido bem próximo de seu quintal. Enquanto os manifestantes ainda não vinham ao "Myzhyhiria", eles ainda estavam em menor quantidade, mas agora são muitos, todos com escudos".
Pergunto qual a sua atitude pessoal do Maidan: "Minha irmã com o marido vivem lá. Eu também vou de vez em quando. Seria bom expulsá-lo rapidamente" - diz apontando ao "Myzhyhiria.

Ela explica a uma parte de manifestantes, como é possível, através do barranco, abrir caminho até próximo a residência de Yanukovych. Uma parte conseguiu, mas a maioria das pessoas ficou em frente das forças policiais do Berkut, na rua central de Novi Petrivtsi.
(algum tempo atrás a jornalista Tetiana Chornovol conseguiu escalar o muro. Foi detida andando dentro nos jardins. Na ocasião não a massacraram como dias atrás, talvez porque seus artigos ainda não denunciavam tão imensos roubos, como os mais recentes, ou porque não poderiam negar a culpa -OK).

Os policiais também surpreenderam. Claro, da comunicação recusavam-se, mas em seus olhos havia incerteza. O motivo não era a não esperada tão grande presença do número de manifestantes, mas também porque a milícia é bastante cética na necessidade de tão rigorosas medidas de segurança da "sagrada Pessoa do presidente". Através de nossas fontes soubemos que para compor o quadro especial de proteção do "Myzhyhiria" escolhiam com muita exigência, porém o desejo de proteger o espaço pessoal vazio do cidadão Yanukovych, expondo-se a riscos, não é lá tão grande, ao contrário de, por exemplo, de edifícios públicos. Em conversas particulares muitos soldados zombam do "fiador" e não demonstram muita vontade de deitar lá seus ossos, caso venha muitas pessoas. Também a polícia está muito insatisfeita, em por mais de um mês bloquear todas as ruas da aldeia, paralisando assim a sua vida, e diariamente ouvir maldições dos moradores locais, que se tornaram reféns do medo que o presidente tem de seu próprio povo.

No geral, todos ficaram chocados de tão grande quantidade de pessoas, aproximadamente 10 mil (a distância de Kyiv é de 25 km.) que vieram fazer piquetes em frente a residência de Yanukovych. Os rostos dos moradores expressavam agradável surpresa, que algo assim era possível. Muitos temiam participar, mas sorriam aprovando atrás de suas cercas. "Nós aqui ensinaram, que deve sempre haver silêncio, - disse o tio bigodudo, que  trabalha como guarda da casa de um colaborador de Yanukovych. "Todos foram intimidados, porque o presidente mora aqui, então a ordem e ficar quieto e não se destacar. Lembro como em 2010, diziam a todos que residem na rua que "Ele" usa para chegar em sua residência, que durante o cortejo ninguém olhasse, e Deus nos livrasse de fotos. Ameaçavam, prometiam atirar ou entregar os transgressores aos tribunais. Então as pessoas realmente têm medo, e "o" odeiam com alma. Todos da aldeia que têm carro, foram listados e todos que têm
alguma relação com a residência "dele", assinam uma declaração que proíbe a divulgação. Nós gostaríamos protestar, mas o povo não está acostumado fazê-lo". (Claro, o anterior regime soviético reprimia quaisquer manifestação, enviando as pessoas ao degredo ou prisão. Yanukovych não desaponta seus mestres. - OK).

No entanto ainda há resistência. Antes da ida aos "Novi Petrivtsi", o autor deste texto leu nas redes sociais muitas mensagens dos autóctones, que recusavam à milícia, em suas casas, a possibilidade de uso da rede elétrica para o aquecimento dos ônibus. E, até a vendedora da mercearia sorriu para mim e, apesar de dois policiais na fila, disse: "Na próxima vez, que venham centenas de milhares."

Tradução: Oksana Kowaltschuk.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

MOSAICO DE VÍDEOS DO EUROMAIDAN

Caro Leitor:
São muitas as notícias sobre o Euromaidan o que torna praticamente impossível traduzi-las todas. Este blog optou por fazer  chamadas curtas seguidas de vídeos, porém todos em língua ucraniana.
Àqueles que não dominam o idioma ucraniano as nossas desculpas.

O Cossaco.


Os três primeiros são vídeos da reunião do Maidan no dia 12/01/2014




***


Manifestação em Dnipropetrovsk


Os manifestantes conseguiram obrigar os policiais do Berkut a tirar as máscaras. Foram estes os policiais que bateram em Lutsenko. Os manifestantes bloquearam a passagem deles ao prédio do Tribunal e somente concordaram deixar passar se tirassem as máscaras.


Manifestação em Luhansk.


Em Kharkiv algumas dezenas de jovens tentavam adentrar à Igreja de São Demétrio onde, nos dias 11 e 12 deste mês, realizava-se o Fórum de todos os Euromaidan. Surgiu empurra-empurra mas a milícia impôs ordem. Não houve traumas, apenas foram detidos, pela milícia, 18 rapazes pela perturbação da ordem.
Também desligaram a luz no Euromaidan de Kharkiv. Isto aconteceu imediatamente após a homenagem, com um minuto de silêncio, às 8 vítimas do incêndio do "Hartron", em 8 de janeiro. Ocorreu um incêndio num prédio industrial de 5 andares. As pessoas, na esperança de se manterem vivas saltavam das janelas diretamente para o chão. Não havia toldos estendidos.

Estes estão se preparando para manifestação próximo ao Myzhyhiria, em frente não é possível porque a milícia está a postos. Já é segunda vez que eles visitam Yanukovych, não podem fazer isto com mais frequência porque os palácios presidenciais localizam-se a uns 25 quilômetros de Kyiv.


Euromaidan fazendo a segunda "visita" a Yanukovych nos seus palácios. Parece que pegaram um espião. Na placa diz: Atenção Propriedade de bandidos.
Em seguida eles foram visitar, novamente Medvedchuk. Eram aproximadamente 200 carros. Medvedchuk é considerado por muitos, como principal ideólogo da Associação da Ukraina com Rússia. Euromaidan mandou-o ir para Rússia.


Os ukrainianos de Dnipropetrovsk fizeram manifestação contra os escritórios e empresas dos deputados do Partido das Regiões.

Tradução e resumo: Oksana Kowaltschuk


domingo, 12 de janeiro de 2014

LUTSENKO AGREDIDO PELA BERKUT

Ex-subordinados batem em Lutsenko e ativistas do Euromaidan.

Na noite de 10 para 11 janeiro, em Kiev, a polícia "Berkut" agrediu violentamente o ex-ministro do Interior, Yuriy Lutsenko e outros ativistas, incluindo três deputados e jornalistas.


A MOTIVAÇÃO


Um grupo de pessoas estava protestando contra a condenação dos chamados “Terroristas de Vaselkiv” cujo julgamento ocorreu na sexta-feira (dia 10) terminando no sábado (dia 11). Segundo as evidências e muitos depoimentos a favor, eles não provocaram os atos pelos quais estão sendo acusados. As provas contra eles foram plantadas.

Por esta razão as pessoas estavam diante do tribunal protestando contra a condenação e para apaziguar os dois lados, Lutsenko foi dialogar com seus ex-subordinados. O diálogo foi inútil e acabou recebendo de oito a dez golpes de cassetetes na cabeça – o Berkut bate, preferencialmente, na cabeça. Apanhou até cair desmaiado no asfalto. Lutsenko permanece hospitalizado, seu estado ainda inspira cuidados.

Não foram divulgados os números exatos de pessoas agredidas, mas estima-se que foram espancadas em torno de 20 pessoas, das quais 17 procuraram atendimento médico.



Lutsenko sendo encaminhado para o hospital 

 VEJA EM VÍDEO

A TERNURA 

 


OS DEPOIMENTOS



quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O PROCEDIMENTO REVOLUCIONÁRIO PRECISA CULMINAR COM VITÓRIA!

Ukrainskyi Tyzhden (Semana Ukrainiana), 27.12.2013
Stepan Khmara

Precisamos vencer, porque já não se trata, simplesmente, sobre eurointegração, ou fraude nas eleições, - no âmago da questão agora foi colocada a pergunta: existir ou não existir ao Estado ukrainiano, então significa que a nação ukrainiana defende seu direito à vida. A condição essencial para vitória e para preservação do Estado deve ser o afastamento incondicional do governo e obrigação à responsabilidade criminal de Viktor Yanukovych. Todo o restante pode tornar-se próximos desafios com terríveis consequências.

Por que a prioridade deve ser o afastamento de Yanukovych? Porque sem isso é impossível desmantelar o atual sistema de governo, que é indivisível nas mãos de Yanukovych e liderado por ele o antiukrainiano agrupamento criminalmente-mafioso chamado "partido das regiões".

Este grupo mafioso, com seu líder Yanukovych é a quinta coluna organizada pelo imperialismo russo na Ukraina. Se alguém duvida, então eu lembro como, consecutivamente, a liderança do império de Kremlin, imediatamente após a eleição de Yanukovych, com suas mãos e de seus comparsas, iniciou a realização ativa do desmantelamento do Estado ukrainiano e construção de totalmente controlada por Moscou Malorússia(¹), camuflada, por enquanto, sob símbolos ukrainianos e embalada com demagogia da integração européia.

Imediatamente após a eleição Yanukovych subordinou a si a Constituição, negou a existência de genocídio do povo ukrainiano através da existência do Holodomor dos anos 1932-33 criado pelos ocupantes de Moscou. Assinou os absolutamente inconstitucionais acordos de Kharkiv. E, finalmente, tentou colocar Ukraina no ridículo perante o mundo, arbitrariamente revertendo o vetor de política externa de orientação pró-européia para subordinação indisfarçável a Moscou. Realizava política de pessoal destinada para russificação e destruição de Ensino e Ciência ukrainiana.

Em consequência da política criminosa o SBU (Serviço de Proteção da Ukraina) está completamente transformado em um ramo do FSB (Agência sucessora da KGB). A permanência no cargo estratégico do Ministério da Educação e Ciência de franco antiukrainiano-condutor de interesses de Moscou na política humanitária-educacional - isto é um insolente desafio para toda a comunidade ukrainiana. Como a introdução à ação aprovada de forma fraudulenta, da lei sobre o referendo, como instrumento do estabelecimento do regime policial no Estado e da lei sobre a política linguística para russificação do país.

Tudo isso atesta, que Yanukovych é o principal organizador, protetor e participante direto dos esquemas de roubo ou corrupção predatória. E mesmo agora Yanukovych é o principal culpado das ações terroristas contra cidadãos pacíficos dos chamados protetores da lei, comporta-se com insolência e arrogância, falsamente afirmando, que tudo será de acordo com a lei, que a violência não será aplicada. Mas, ao mesmo tempo os órgãos punitivos capturam e prendem ativistas de ações pacíficas, e fabricam casos criminais. Surge a pergunta retórica: que diálogo pode-se conduzir com a pessoa que colocou-se acima da Constituição e Leis ukrainianas e está no serviço dos imperialistas russos, destruindo  o Estado ukrainiano, pisoteia os direitos e liberdades dos cidadãos ukrainianos?

Yanukovych realizou uma série de atos criminais, que apresentam sinais óbvios e traição ao Estado. Deste modo ele perdeu a legitimidade e não tem direito de denominar-se presidente da Ukraina! Portanto, não pode haver nenhum diálogo com o destruidor do Estado ukrainiano. A nação revolucionária deve deitar a Yanukovych o único ultimato: ele deve deixar a presidência. Se ele fizer isto pacificamente, então poderá contar com circunstâncias atenuantes no processo futuro.

Agora o mais importante é intensificar a pressão contínua sobre o bando de Yanukovych e evitar o arrefecimento da tensão revolucionária dos capituladores e espalhadores do estado de pânico.

Quero tranquilizar os alarmistas, que temem que Yanukovych assinará o acordo sobre "União Aduaneira". Ele, mesmo sem a entrada formal nesta "união", o tempo todo vende Ukraina.

Qualquer assinatura de Yanukovych não terá qualquer força legal, porque ele perdeu sua legitimidade como presidente. Ele a perdeu ainda em 2010, quando negou que houvesse fome-genocídio do povo ukrainiano nos anos 1932-33.

Quero, mais uma vez advertir que, se Yanukovych permanecer no cargo, então tudo mais, até mesmo a demissão do governo nada significará. A preservação do sistema continuará, mas em cenário muito pior. Os políticos que limitam-se com exigência apenas da demissão do governo, conscientemente ou inconscientemente excluem Yanukovych do golpe. E, apesar de que o atual governo merece não apenas afastamento, mas muitos ministros - responsabilidade criminal, Yanukovych, voluntariamente, governo melhor não formará. Ele deve executar o ultimato do Maidan e sancionar um novo governo interino, aprovado por Maidan.

Nossos políticos oposicionistas devem urgentemente apelar aos países da União Européia para imediatas sanções contra os altos funcionários da Ukraina. As sanções devem ser eficazes: primeiramente é necessário prender as contas financeiras, bens móveis e imóveis, ativos. Em primeiro lugar da família Yanukovych, Azarov, Kliúiev e Akhmetov.

Nós temos o direito de exigir apoio social real do Ocidente, porque a luta atual do povo ukrainiano - em primeiro lugar é luta contra o imperialismo russo, que age por meio da quinta coluna, inclusive por meio do governo antiukrainiano e Yanukovych. Nossa luta - não é apenas luta pela nossa liberdade, mas também pela segurança européia e mundial. 

Nós, não apenas uma vez encobrimos Europa da agressão de hordas asiáticas, com nossos peitos, inclusive no início do século passado nós salvamos a Europa da praga moscovita-bolchevique aceitando o peso principal nos nossos ombros. Europa indiferente e silenciosamente observava, mesmo durante a fome-genocídio de 1932-1933.

Com indiferença e sangue frio o mundo ocidental observava, como depois da II Guerra Mundial a nação ukrainiana sangrou na luta desigual contra os invasores comuno-moscovitas.

Hoje Europa e América têm verdadeiras alavancas para parar a guerra não declarada do Kremlin contra Ukraina (a propósito, as reservas cambiais da Rússia guardam-se nos EUA, acima de 400 bilhões de dólares). E as poderosas empresas multinacionais européias e americanas é possível derrubar os preços de petróleo e gás, e então ao comando de Putin não sobraria tempo para interessar-se pela Ukraina.

Queremos crer, que desta vez será manifestada solidariedade eficaz com Ukraina, lembrando que sem o Estado ukrainiano independente não haverá paz e segurança na Europa.

Ukraina luta e espera apoio solidário e ativo do mundo livre!

P.S. Quando este artigo já estava escrito, tornou-se conhecido que Yanukovych cometeu grave crime contra o Estado da Ukraina: de fato colocou aos pés de Putin a soberania da Ukraina, acrescentando ao número anterior de crimes, o maior.

Ele deve ser privado do poder indivisível, através da cassação do Parlamento da mudança inconstitucional da Constituição do assim chamado Tribunal Constitucional (através da pressão do Maidan sobre os deputados regionais).

Apelo à oposição voltar-se para o Tribunal Penal Internacional em Haia para investigação sobre crimes cometidos pelo governo em 30 de novembro e primeiro de dezembro, organizados por Yanukovych.

Stepan Khmara: prisioneiro político(URSS), Deputado da Ukraina em três legislaturas, Herói da Ukraina.

1 - Após a capitulação da Suécia na luta com Pedro I, da Rússia, em 08.07.1709, conhecida como Batalha de Poltava (Ukraina), as terras ukrainianas voltaram ao nome original de "Pequena Rus" (ou simplesmente Rus, o primeiro nome da Ukraina que foi usurpado pelos 
ocupantes moscovitas). Os russos passaram a denominar estas terras ukrainianas ocupadas de Malorússia - que significa Pequena Rússia.


Tradução: Oksana Kowaltschuk

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Comemorações Natalinas no Maidan

Na Ucrânia se comemora o Natal no dia 6 de janeiro.
O Cossaco.

Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 06.01.2014

Os ukrainianos comemoram o Natal segundo o Calendário Juliano.

No início da tarde vários sacerdotes leram orações no Maidan. A tarde apresenta-se bem chuvosa. 

Na véspera, portanto no dia 6 de janeiro, o grande destaque é a ceia natalina, com participação de toda família, e observação de diversos ritos tradicionais. Após a ceia todos cantam canções natalinas, referentes ao nascimento do Menino Jesus. 

A ceia compõe-se de 12 pratos tradicionais. Segundo os comandantes da Casa dos Sindicatos Stepan Kubiv e Serhii Averchenko, o menu festivo do Maidan, além de três receitas da "Kutia" (trigo em grão - prato indispensável), os manifestantes também poderão experimentar outras guloseimas como tortas, bolos, saladas e até sopa de cogumelos. Uma variedade da "kutia" é uma compota com mel e sementes de papoula, ou maçãs e peras, quando não havia trigo e as pessoas precisavam alimentar-se com o que conseguiam encontrar.

Os comandantes apresentaram o menu completo do Jantar de Gala do Maidan:

 l - "Kutia" com arroz, mel e sementes de papoula.
 2 - "Kutia" com trigo e nozes.
 3 - "Kutia" em compota com mel e sementes de papoula.
 4 - Donuts com geleia, sementes de papoula e passas.
 5 - Pasteizinhos assados com batata ou arroz.
 6 - Borshch.
 7 - Caldeirada de legumes com cogumelos.
 8 - Couve estufada com ervilhas.
 9 - Sopa de cogumelos, receita dos Cárpatos.
10 - Salada russa com caranguejos.
11 - Colach ukrainiano (pão doce em forma de trança).
12 - Uzvar (compota de frutas).

Os alimentos serão servidos a partir das 17:00 horas.

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No Maidan, durante o dia de hoje, apresentam-se diversos grupos musicais, artistas e pessoas do povo com mensagens natalinas.

No vídeo teremos uma apresentação do "Vertep"(¹), adaptado à realidade atual e "koliadá"(²) dos deputados.

1 - "Vertep" - teatro de bonecos da antiguidade que retratava assuntos religiosos ou seculares. No presente caso foi adaptado à situação política da realidade ukrainiana.
2 - "Koliadá" - canções natalinas ukrainianas.


O governo "colabora" com o Natal dos ukrainianos.
No Maidan da Independência, parte das ruas Khryshchatek e Instytutska, onde deve acontecer o Te-Deum, desligaram a luz. Também nos edifícios: Palácio de Outubro, Conservatório, Casa da Federação dos Sindicatos e Correios.
Os manifestantes usam geradores de energia a gasolina para iluminar as barricadas na rua Instytutska e parte do acampamento.
Notícia publicada às 19h49min.

Tradução: Oksana Kowaltschuk