quarta-feira, 21 de agosto de 2013

PLANO RUSSO CONTRA A UCRÂNIA: Consciente e cruel

Gazeta.dt.ua (Espelho da semana), 16.08.2013
Yulia Mostova e Tetiana Celina

O fato de que a Rússia esta na ofensiva, agora ninguém mais duvida. O fato de que o objetivo tático deste ataque - frustrar a assinatura do Acordo de Associação com UE pela Ukraina - também. Na densa cortina de fumaça de relatos conflitantes da mídia conduzem-se apenas discussões como considerar as primeiras bravatas da Moscou, o que é isto - foguetes de sinalização ou já explodem projéteis de combate?

Recebidos os últimos informes confiáveis da linha de fogo, podemos afirmar: Rússia abriu o primeiro front ukrainiano. Por enquanto primeiro.

De acordo com relatórios de inteligência DT.UA, até recentemente, Rússia não considerava a guerra econômica como o principal meio de combate da convergência da Ukraina com União Européia e assinatura da associação. Kremlin tinha certeza: a estadia de Tymoshenko na prisão - garantia mais confiável para o acordo não acontecer. Ao fato de que Tymoshenko permanecerá na prisão, Kremlin também não duvidou. E Moscou se permitiu relaxar. Mas não fechou completamente seus olhos para o nosso namoro pró europeu e, aparentemente decidiu: Ok, deixe que dancem antes do casamento  - com a União Aduaneira, é claro.

No entanto, no início de junho, Moscou recebeu a informação de Berlim, de que Merkel já não considerava a prisão de Tymoshenko como obstáculo intransponível e inclinava-se para assinatura do Acordo. Moscou rapidamente acordou e, não no melhor humor. Imediatamente foi realizada uma reunião de emergência e Putin encarregou seu assessor S. Hlazyev para projetar uma estratégia que anulasse completamente a possibilidade da assinatura do Acordo de Associação da Ukraina com UE.

Hlazyev chamou para ajudar V. Medvedchuk que, além de ser pessoa de confiança de Putin, de acordo com os entendidos desempenha a proposição... de Yanukovych, o papel de "ligação" da Bankova com o Kremlin. O fato é que Yanukovych já escolheu para o papel de confidente vários candidatos, de Liovochkin e Boiko a Poroshenko e Klyuyev - mas não se satisfez com nenhum deles. Putin e Yanukovych falam "idiomas diferentes", então eles precisam de tradutor, cujo papel às vezes desempenha o compadre (Medvedchuk) do presidente russo.

A estratégia de pressão sobre Ukraina foi desenvolvida em curto espaço de tempo e colocada a Putin. Analisando próprios erros, Moscou chegou a conclusão que, pela primeira vez eles perderam a guerra de informação. Após cuidadoso monitoramento dos meios de comunicação, ao líder russo não somente apresentaram os impressionantes temas dos principais canais ukrainianos, sobre como é ruim a União Aduaneira e como será bom a Ukraina o Acordo de Associação com UE, mas também incluíram a relação dos proprietários desses canais, seus negócios e comércio exterior com a Rússia: sobre Pinchuk com seus tubos, e Poroshenko com seus doces, e que pessoalmente faz campanha na TV pela Associação, e sobre Kolomoiskyi, que roubou descaradamente "UkrTatOil", e sobre "Família, que murmura sobre opção européia,  mas quer fazer fluxos no petróleo russo, - uma palavra, sobre todos que "engordam" pelas contas da Rússia e lhe recompensam com negra ingratidão.

Kremlin ficou furioso - não pode tão descaradamente morder a mão do seu ganha-pão. Ukraina, indispensavelmente deve ser colocada em seu lugar a ela designado na União Aduaneira, atingindo a fileira de seus pilares econômicos. Prejudicando os maiores produtores ukrainianos que exportam seus produtos para Rússia, Moscou pretende criar desafios significativos para os seus negócios, forçando seus proprietários a afinar seus insolentes meios de comunicação e exigir do governo da Ukraina rejeitar o Acordo de Associação com UE em proveito da UA. Mas, mesmo sem a pressão aos oligarcas as autoridades ukrainianas, de acordo com o projeto, brevemente deveriam sentir o sopro da guerra até numa profunda retaguarda.

De acordo com alguns dados, durante os sete meses a exportação ukrainiana caiu 12%, para Rússia - mais de 20%. Se esta tendência de continuar desdenhando a importação ukrainiana na Rússia continuar, no final do ano Ukraina pode perder de 5 a 8 bilhões de dólares.

Problemas com negócios de grandes exportadores e contribuintes de impostos, que constituem parte significativa do orçamento e do PIB, inevitavelmente conduzirá a uma menor produção, redução da receita, falta de pagamento de salários ou perda de emprego e... o quê? Correto - ao crescente descontentamento do eleitorado, que mesmo anteriormente não tinha muita compaixão pelo atual governo. Um dos objetivos do Kremlin - deslocar o fundamento eleitoral sob os pés de Yanukovych nas províncias do leste e sul do país. Como mostra a sociologia russa, ao proprietário da Bankova, com diferentes graus confiam 21% dos cidadãos da Ukraina, e ao proprietário do Kremlin 42%. Com base nestes números, Moscou espera que, em busca do culpado na acentuada deterioração da situação sócio-econômica do país e do colapso das esperanças para a restauração da amizade e amor com a Rússia os habitantes da Criméia e Odessa, Kharkiv e Zaporizhzhia, Luhansk e Donetsk apontarão naquele que confiam menos, e em oposição ao Yanukovych e Putin apoiarão o último.

Informe do alfandegário campo de batalha

Em 14 de agosto, o Serviço Federal da Alfândega da Rússia para as primeiras quatro dezenas de empresas citadas em julho deste ano, adicionou todos os exportadores ukrainianos. "E as medidas de segurança tornaram-se ainda mais reforçadas". Segundo informação da Federação dos Trabalhadores da Ukraina - FRU, a alfândega verifica todos os carregamentos ukrainianos, incluindo descarga, sobrecarga e novo carregamento. "Isto  leva ao aumento do tempo parado e, consequentemente, aumenta os custos ou frustra a entrega da mercadoria, danifica a produção, enfraquece a posição dos fabricantes ukrainianos no mercado da FR. Sendo que o mercado russo para muitas empresas ukrainianas - tem importância crítica", - enfatiza FRU. Segundo a Federação, a exportação de bens ukrainianos para Rússia na segunda metade deste ano foi projetada em 8,5 bilhões de dólares. "As perdas da Ukraina provenientes das ações do lado russo podem alcançar, dependendo da evolução dos acontecimentos, 2 - 2,5 bilhões de dólares somente no segundo semestre deste ano." - estimaram na FRU.

O governo da Federação Russa oficialmente renegou sua participação, explicando que a decisão sobre suspensão das importações ukrainianas assumiu o serviço alfandegário russo. No Serviço Aduaneiro Federal da FR anunciaram sobre a expansão da lista de documentos indispensáveis e persistentemente criam obstáculos para entrada de produtos ukrainianos para o mercado russo. De acordo com representantes de muitas empresas ukrainianas, cujo produto não pode passar pelo desembaraço aduaneiro os guardas russos agem conforme padrão: reviram o certificado de origem CT1, que permite a entrada na FR sem pagamento de imposto no âmbito da Comunidade dos Estados Independentes - CEI, manifestam dúvidas sobre a autenticidade do documento e exigem outras provas. E propõem deixar a mercadoria nos terminais da alfândega (um ou dois meses), entregando a lista de preços para os serviços de armazenagem, manuseio, descarregamento e carregamento. Se não lhe agrada esta opção, você deve entregar imediatamente a mercadoria para o comprador? Por favor, pague a taxa alfandegária estabelecida para os importadores europeus (você quer fazer parte da Europa, certo?) e siga viagem. Vai enviar queixa ao tribunal? Sim, por favor! Depois de seis meses ele dará a decisão, depois compareça. A produção de algumas empresas, por exemplo, aquelas que fornecem a Rússia legumes e frutas, na fronteira com o máximo rigor foram verificadas também pelos serviços fitossanitários. Em outros, como o "Metinvest" a alfândega começou exigir amostragem, em consequência do que violou a integridade do metal.

E, na Duma estatal explicam: não há nenhuma política, simplesmente dificuldades burocráticas, porque Ukraina - não é um membro da União Aduaneira, na UA para ela seria mais fácil...

Muitos exportadores ukrainianos como o "Obolon", decidiram não abusar da sorte e, cessaram suas exportações para FR, esperando para ver quais novas invenções alfandegárias adotarão os russos. A espera pode ser longa, e não somente alfandegária.

Por que dormiram

E agora, uma das questões mais importantes: por que Ukraina revelou-se absolutamente despreparada para tal rumo de acontecimentos? Mas, de acordo com nossas informações, ainda em fevereiro Yanukovych foi informado sobre possíveis sanções econômicas da Rússia; e que os países da UA estão desenvolvendo novas exigências para qualidade da produção; advertiram, que era necessário preparar-se, incluíndo uma possível larga escala de bloqueio econômico. O presidente, segundo nossas fontes, compartilhou a informação com o primeiro-ministro, que teria acenado, como dizem, não se preocupe, tudo resolveremos.

Os sinais alarmantes continuaram a fluir. Das embaixadas ukrainianas, que testemunhavam o trabalho dos russos nos países da Europa com criação de dificuldades para assinatura do Acordo de Associação  e propaganda da UA. E da própria Rússia que advertia (embora debilmente), que no caso da criação da Área de Livre Comércio - ZVT, com UE Ukraina se exporá às dificuldades econômicas com UA. E, também de especialistas, os quais não acreditavam que Rússia simplesmente "deixará ir" Ukraina. E, dos negócios. Aliás, o acima citado comunicado da Federação dos Trabalhadores da Ukraina - já é terceiro.

No entanto na Bankova todos estavam calmos - seja enganando-se pela moleza da Rússia, no período inverno-primaveril, ou por acreditar em gênio anticrise, ou contando com o habitual "provavelmente passará".

Onde estava, com o que se ocupava a nossa inteligência e contra-inteligência, não está claro. Para onde olhava nossa Embaixada?

De acordo com nossa informação, já em julho, quando em muitos de nossos produtores iniciaram-se as dificuldades, o presidente da FRU enviou memorando a Yanukovych no qual citou trechos dos documentos do Serviço Aduaneiro Federal da Rússia, contendo uma lista de 49 "de alto risco" empresas ukrainianas e informou as dificuldades que têm surgido. Em conexão com isto somente na semana passada (!) o Presidente instruiu RNBOY (Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ukraina) coordenar os trabalhos de avaliação e previsão, como, provavelmente, percebeu que isto é uma questão de segurança nacional, e não problemas particulares como o declarou publicamente o primeiro-vice-Primeiro Ministro Arbuzov. E, finalmente, ontem Azarov (Primeiro Ministro) criou um grupo  (liderado pelo vice-primeiro-ministro Boiko) para resolver a situação. Neste grupo não entrou nem o representante do Ministério do Exterior, porém foi incluído o indicado do "posto de observação da União Aduaneira na Ukraina " V. Muntiyan.

E por que o governo não se preocupou com o problema? Porque ele acredita que estes são problemas pessoais dos empresários. Até agora Azarov e Arbuzov, de acordo com nossas informações, davam instruções aos ministros "não apoiem", exceto uma ajuda muito seletiva àqueles que poderiam ser interessantes ao apoio da "Família". Porque para "Família" há apenas duas tarefas primordiais - manter a situação até as eleições e preservar os próprios lucros.

Somente nossos míopes e imprevidentes "pastores" não entendem, que não devem apenas acariciar e desvelar-se pelos alimentados rebanhos do negócio ukrainiano, os quais eles podam e ordenham, mas também proteger os cabeças da manada dos escandinavos do norte. Do contrário os poderão ordenhar e podar outros.

Yanukovych não reconhece, que a principal ameaça ao seu poder e propriedade - não é Tymoshenko, mas Rússia. Uma vez no poder e temeroso de perder as simpatias da base do eleitorado ele flerta com Kremlin ao invés de carregar os melhores cérebros da estratégia de desenvolvimento do país a longo prazo para as relações com o vizinho estratégico. Isso não foi feito mesmo quando essas relações começaram a inflamar. Contudo, graças à verdade observamos: a quem carregar? Arbuzov, Prasolov, Kozhara? É ridículo. Embora, com certeza, é trágico. Para o país, a máquina de estado é ineficiente, mesmo em tempos de paz. O que podemos dizer sobre o estado de emergência econômica.

Acordou - pense
o que você fez pela Ukraina

Estas palavras do ex-presidente russo Bóris Yeltsin hoje devem aplicar-se a todos políticos ukrainianos, burocratas, empresários, jornalistas, cidadãos.

No entanto, o que Ukraina pode fazer nesta situação? Eis o básico. - Imediatamente criar um centro situacional, onde grupos de peritos e juristas poderão procurar soluções e trabalhar num conjunto de medidas pertinentes e preventivas.

É claro que os atuais problemas da Ukraina devem tornar-se objeto de investigação internacional. Kyiv deve apelar a OMC, de quem é sócio como Rússia. De acordo com nossos interlocutores europeus, Ukraina pode contar com um suporte sólido da UE. Parece que não ficarão de lado os EUA, e outros membros da OMC, enquanto a Rússia - o único país na história, que começou a violar as regras da organização (e não apenas para Ukraina), não permanecendo em suas fileiras mesmo um ano.

É necessário pedir consulta urgente à Comissão Européia, por é por causa de seu desejo de assinar o Acordo de Associação que a economia ukrainiana encontrou-se na zona de fogo russa. Mas, é necessário executar todos os itens da "lista Fule" para que em novembro todos os itens do "dever de casa" sejam executados.
Vale apelar também à arbitragem da Zona de Livre Comércio - CIS, pois que, o nosso comércio é livre, hoje ninguém dirá.

E o que será se Ukraina parar de bombear o gás russo para Europa, por exemplo, duvidando de sua origem russa ou alegando que sua qualidade não segue padrões ukrainianas. A União Européia ficará revoltada? Sim, é preciso expor os nossos problemas a nível internacional. Pensam que é piada? Não, eu ouvi essa proposta de pessoas muito sérias. "Na guerra é como na guerra", - dizem eles.

Nós consideramos que poderemos resistir a este "ataque psíquico" somente com união. Devem consolidar-se os oligarcas ukrainianos, porque é óbvio que o tempo em que os problemas podiam ser resolvidos individualmente já passou. A ameaça comum deve unir e incentivar ao desenvolvimento de um plano coordenado de ações.
A sociedade ukrainiana também deve mobilizar-se. Sim, Rússia é nossa vizinha e parceiro, ao qual chamam de estratégica. Mas ela não se comporta como vizinha, e muito menos como parceira. Será que para alguns ainda não está claro? A comunidade ukrainiana na internet já explodiu com apelos para não comprar produtos russos. Nós não temos menos razão que os americanos e europeus que, demonstrativamente, nas últimas semanas derramam no asfalto a vodka russa.

É improvável que Rússia esteja aguardando resistência eficaz da Ukraina, e é porque sabe como nós o preço das autoridades ukrainianas - seu intelecto, profissionalismo e patriotismo. E porque nos últimos quinze anos Kyiv reagia a todas as maquinações de Moscou ou com deplorável sorriso ou raivoso murmúrio - não mais. Ukraina não se ornou com a garantia de um memorando sobre sua segurança e não dirigiu-se à arbitragem de Estocolmo, perdeu oportunidade para resolver muitos de seus problemas econômicos com a adesão de Moscou a OMC na etapa de sua entrada a esta organização.

Na véspera  do Dia da Independência, os cidadãos, o governo, a oposição, os jornalistas, o "terceiro setor" devem decidir que Ukraina nos é necessária. "Dada de presente" ou verdadeira. Qual deve ser conquistada e qual precisa defender.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

terça-feira, 20 de agosto de 2013

FERROVIA DA SEDA: Cazaquistão tem grandes chances para minar o monopólio da Rússia

Ukrainskyi Tyzhden (Semana Ukrainiana), 14.06.2013
Michael Binion - Astana - Londres
Cazaquistão tem grandes chances para minar o monopólio da Rússia e seu controle político sobre os fluxos de tráfego entre Oriente e Ocidente.
 
 


Durante séculos o Oriente fornecia para Europa aquilo que tinha preço, - especiarias, jade, jóias e seda. Caravanas de camelos traziam a preciosa carga através do deserto pela antiga Rota da Seda. Hoje, China tornou-se uma oficina universal e novamente reabre antigas rotas terrestres para Europa, para acelerar o transporte de milhões de seus contêineres. No entanto, a moderna Rota da Seda será feita de aço. Atualmente constroem a nova "Ponte Eurasiana Terrestre" - estrada de ferro, onde estrondearão os trens, vencendo milhares de quilômetros da "Celestial", através da Ásia Central para Istambul e, em seguida, através dos Balcãs para Alemanha, para o Ocidente.
Cazaquistão, como nenhum outro país, teve sorte com a localização geográfica: exatamente na linha de tráfego de produtos. Esta ex-república soviética, com vasto território, agora febrilmente constrói rodovias e ferrovias para o transporte de mercadorias desde a fronteira da China para Europa. Usando os excelentes lucros da indústria do petróleo e recursos minerais, Astana gastou na última década 135 bilhões de USD na abertura de uma alternativa ferroviária da Trans-Siberian. Assim ela debilitou o monopólio de Moscou e seu controle político sobe os fluxos de tráfego entre o Oriente e Ocidente, e propôs aos espectadores chineses reduzir o caminho de suas cargas à Europa de 45 dias para, no mínimo 35 dias.
Os russos não se alegram com os processos que fazem as antigas repúblicas soviéticas da Ásia Central, política e economicamente menos dependentes de Kremlin ou tornam mais estreitos seus laços com China.
Em abril, o líder imutável do Cazaquistão Nursultan Nazarbayev e o presidente do Turcomenistão Gurbanguly Berdymyhamedov oficialmente cravaram os últimos pregos de gancho, simbólicos, no último trecho na fronteira de seus países. Agora as cargas através do território turcomano rapidamente rumarão para o sul - para o porto iraniano Bandar Abas, no Golfo Pérsico. Na última década Casaquistão construiu cerca de 1200 km de novas ferrovias no oeste, próximo a Turquia. E, em outubro, será eliminado o último obstáculo: será aberto o novo túnel, no valor de 1,9 bilhões de USD, sob o Bósforo. Trens viajarão diretamente para o coração da Europa.
Em uma recente conferência em Cazaquistão, seus ministros anunciaram planos para usar novas rotas de transporte como corredores de desenvolvimento, onde será construída a infra-estrutura de alta tecnologia, com novas cidades e centros de companhias de desenvolvimento em processos tecnológicos em diversos ramos de vanguarda, coberta pela internet. No VI Fórum Econômico em Astana o vice-primeiro-ministro Kairat Kelimbetov, que estudou no Ocidente e apoia a rápida modernização do seu país, dirigiu-se a oito mil delegados do fórum com as seguintes palavras: "Nós nos tornaremos um corredor de prosperidade". Tal sistema, como ele acrescentou, ligará os mercados onde vivem bilhões de pessoas - um terço da população mundial. 
Bem sucedida economia de Cazaquistão depende do crescimento de investimentos tanto da Europa como da China, e a exportação em grande escala de recursos minerais e energéticos garante ao país grandes retornos em ambos mercados.
O melhoramento da insuficientemente desenvolvida infra-estrutura no Cazaquistão - uma das prioridades nacionais para o futuro. Mas, durante a colocação da nova ferrovia entre o Oriente e o Ocidente será preciso superar grandes problemas. Primeiro - exatamente o itinerário. A linha através do Cazaquistão, Turcomenistão e Irã para Turquia já está construída, embora a balsa através do lago Van no leste leva muito tempo. Verdade, o Ocidente sob a influência dos EUA não quer investir em qualquer linha ferroviária que atravessa o território do Irã, e nem usá-la. Além disso, as tensões políticas na região entre os estados da Ásia Central podem ser fechadas. Cazaquistão constrói alternativa: uma linha através Astana até às margens do Mar Cáspio, de onde as balsas trarão os trens até as margens do Azerbaijão e então eles irão até Geórgia. O velho, ainda soviético itinerário do Cáucaso chegava a Turquia através da Armênia, mas a guerra entre ela e Azerbaijão bloqueou-o. Então agora constroem um itinerário de desvio ao redor do território armênio à Turquia através da cidade de Kars.

Segundo problema - diferença na largura da bitola. Todos os estados da antiga União Soviética tem a largura de 1.520 mm, e na China, Irã, Turquia e Europa continental o standard é de 1.435. Nos pontos de transição entre os sistemas (na estação Dostyk, na fronteira cazaque-chinesa, Serakhs, fronteira turcomana-iraniana ou Akhalkalaki na fronteira georgiano-turca) os contêineres obrigatoriamente devem ser trasladados para outros trens com diferentes larguras de carros. Os trens de passageiros da Europa para Rússia perdem muito tempo quando eles são mudados para uma bitola mais larga, mas para transporte de mercadorias isso também será desvantajoso. Na Espanha desenvolveram um mecanismo para estreitamento dos pares de rodas quando da permutação à bitola mais estreita, então os trens podem alterar esta configuração em andamento, mas o valor da compra do novo parque de vagões de carga com tais equipamentos será praticamente inacessível. Além disso, é necessário simplificar radicalmente os acordos aduaneiros. Os representantes do Ministério dos Transportes de Cazaquistão disseram no fórum, que atualmente cerca de 32 países assinaram acordo de trabalho sobre único regime aduaneiro para o trânsito de trens. No entanto, a burocracia e corrupção ameaçam tornar a passagem pela fronteira cara e imprevisível.
Última questão - finanças. China, que sozinha constrói vigorosamente uma rede ferroviária de alta velocidade em seu próprio território, investe bilhões em sistemas semelhantes no mundo, oferecendo empréstimos e subvenções para muitos vizinhos, para prolongamento da "ponte terrestre eurasiana". Alguns estados da Ásia Central, especialmente Cazaquistão têm a sua disposição grandes somas de dinheiro para novas linhas e estradas paralelas. O Banco Mundial ofereceu a Astana um crédito no valor de 2,125 bilhões de USD - para implementar planos de desenvolvimento de transportes. Outra parte de dinheiro vem de bancos e investidores privados.
Mas, apesar do apoio de longa data das comissões regionais das Nações Unidas para assuntos econômicos e aprovação oficial da Rússia e do Ocidente, obstáculos políticos ainda existem. A FR de qualquer modo quer manter o quanto mais de transporte para sua "Trans-Siberian Railway" - lenta, obsoleta e constantes engarrafamentos. Presentes na conferência os funcionários russos acentuavam que Moscou considera a linha eurasiana um acréscimo a Siberiana, e não é contra a sua construção. Mas, de fato, o novo ramo será um concorrente direto. Sem dúvida, os russos não se alegram com os processos que fazem as ex-aliadas repúblicas da Ásia Central politicamente e economicamente menos dependentes de Kremlin ou vinculadas mais de perto com a China.
Estados Unidos colocam-se com grandes dúvidas aos planos de exportação de mercadorias da China através dos territórios do Irã e Golfo Pérsico, ou quaisquer outras linhas, que ligarão mais de perto Turquia e Irã.
Mas em ambas as extremidades da rota proposta continua a construção da ferrovia em grande escala. Europa precisa muito de produtos chineses e "Celestial" necessita vendê-los. Grandes investimentos de ambos na rapidez da ferrovia apenas alimentaram o desejo de inserir o elo perdido entre os dois mercados. Cazaquistão percebeu a oportunidade histórica para preencher a lacuna e tornar-se "karavam-sarayem" (principal local de descanso) no futuro Caminho da Seda ferroviário.
Tradução: Oksana Kowaltschuk

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

RÚSSIA INICIOU GUERRA COMERCIAL CONTRA A UCRÂNIA


Economichna Pravda (Verdade econômica), 12.08.2013
Mykola Polovetskyi
 
Viktor Yanukovych (E) e Putin (D)
 
Já por duas semanas fervem as notícias sobre a proibição do fornecimento dos produtos "Roshen" para Rússia. Revelou-se que este não é o principal problema dos produtores ukrainianos. Os russos começaram o uso maciço de mecanismos ocultos de discriminação de produtos ukrainianos. Isto é feito implicitamente - através da utilização de procedimentos administrativos, sem declaração de guerra.
 
No final de julho dezenas de empresas ukrainianas começaram experimentar dificuldades no processamento de exportação de seus produtos para Rússia. "Começaram nos observar, realizar pesquisas adicionais," - disse o representante de uma das empresas afetadas.
 
Nossa fonte no Serviço de Alfândega da Ukraina informou que não sabia nada sobre essas dificuldades. Mas as fontes da "Verdade Econômica" no Serviço Aduaneiro Federal da Rússia compartilharam conosco informações interessantes. Segundo eles, cerca de 40 empresas ukrainianas aparecem no banco de dados do Serviço Aduaneiro Federal da FR como arriscadas Em uma das declarações consta que, de acordo com o perfil de risco russo, em nossas empresas foram identificados problemas na fase de registro da declaração. Isto significa que a partir de agora, todos os carregamentos de empresas "suspeitas" poderão passar por uma revisão cuidadosa, mesmo se houver apenas um suspeito.
 
Importante! Cair no rol de empresas de risco não ameaça com proibição de importação da produção, pela Rússia, como aconteceu com "Rochen". No entanto, garante várias experiências desagradáveis durante o desembaraço aduaneiro, como abertura de vagões ou caminhões, completa descarga de mercadorias, completa verificação de todas as características, nova pesagem, carregar novamente, e muito mais.
 
Assim os russos, por qualquer erro dos fornecedores ukrainianos podem recusar-se ao desembaraço aduaneiro. Ou, no mínimo provocar atrasos na entrega, surgindo daí ameaças de rompimento de contratos e penalidades.
 
Infelizmente, o Ministério da Economia não nos forneceu nenhum comentário sobre esta situação. Embora seja fácil de supor que, nesse caso, é extremamente difícil utilizar os procedimentos da OMC para proteger os fabricantes ukrainianos. Pois, basicamente, não há nada de ilegal nos procedimentos formais descritos.
 
(Caminhões parados)
 
A "Verdade Econômica" dirigiu-se à maioria das companhias citadas. Pelo telefone nós recebemos alguns comentários informais que confirmaram a nossa informação. Resposta aberta nós recebemos apenas na seção de titânio do "Group DF" de Dmytró Firtash. Porém muitos outros grupos de exportadores ukrainianos foram incluídos, desde fabricantes de máquinas aos fabricantes de produtos de confeitaria. "Crimea TITAN" por muitos anos participa com êxito no mercado russo, participando com cerca de 30% no mercado de dióxido de titânio neste país. Rússia não produz dióxido de titânio, portanto, não há problema real de proteção aos produtores nacionais. A produção de "Criméia TITAN" e a documentação aduaneira que a acompanha cumpre todas as normas e requisitos necessários da legislação da FR e Ukraina. Esperamos que ao final do teste, "Crimea TITAN" seja excluído da base do Serviço Aduaneiro Federal da Rússia", - disse o chefe do comércio de titânio Business Group DF Oleksandr Votyntsev.
 
Componente político
 
Poucos na Ukraina acreditam que a "guerra do queijo" ou "guerra do chocolate" é desencadeada por produtos de baixa qualidade. Sim, nossos fabricantes usam óleo de palma e vários substitutos. Mas os russos, com certeza, fazem o mesmo. Portanto, a resposta à atividade dos russos deve ser procurada na arena política. A ação dos russos não se restringe a determinados ramos. Sujeito ao bloqueio  de, por exemplo, metal e acessórios, sob a categoria de "risco" seriam todas as empresas que trabalham no mesmo ramo.
 
(Yanukovych esfregando o olho)
 
Observe, que a lista dos russos não inclui produtos, cuja composição, supostamente, inclui óleo de palma ou benzopireno (produto cancerígeno). Então estudamos a lista de "risco" em termos de proprietários. Verificou-se que a maioria das empresas pertence a pessoas bastante famosas e, de alguma forma próximas ao atual governo: Petró Poroshenko, Dmytró Firtash, Igor Kolomoiskyi, Serhii Tihipko, Yurii Ivanhushchenko, irmãos Kliuiev, Kostiantyn Zhevaho, Bóris Kolesnikov, Igor Eremeiev, outros.
 
Então cogita-se de alguns "pontos negros", enviados para pessoas muito influentes antes da decisão sobre a assinatura do Acordo da Associação UE-Ukraina, previsto para novembro deste ano, em Vilnius.
Fatos interessantes: dados alfandegários russos mostram que empresas ukrainianas foram incluídas na lista de risco em 12 de julho - ou seja, muito antes da visita de Putin a Ukraina por ocasião do Batismo da Rus.
 
(Bandeira da Ucrânia)
 
Mas as sanções contra empresas ukrainianas começaram em 24-25 de julho - isto é dois dias antes da visita de Putin.
Não se exclui que o início deste perfil de risco, foi a permanência de Putin no encontro com Yanukovych, de apenas 15 minutos e sua rápida partida para uma "mesa redonda" com Medvedchuk (¹) - tudo isso são pontos de uma mesma cadeia. Mas isso ainda é apenas especulação.
Quando e em que condições cessarão as sanções contra os produtos ukrainianos, ainda não se sabe. A alfândega russa não respondeu a esta pergunta.
 
(1) Medvedchuk - político ukrainiano. Idealizador do movimento "Escolha ukrainiana" ou "Escolha civilizacional". Entre outros assuntos ele defende a entrada da Ukraina à União Aduaneira, o estatuto oficial da língua russa. Ele desenvolve ativa propaganda de suas idéias e pessoalmente paga pelos custos, segundo diz.

Putin batizou a filha do Medvedchuk.
 
Путін приїхав на круглий стіл Медведчука. Фото Олега Царьова
 
Putin, no dia 27 de julho, quando da visita a Ukraina, após 15 minutos com Yanukovych compareceu a uma conferência organizada por Medvedchuk, denominada "Conferência de valores Ortodoxo-eslavos - base da escolha civilizacional da Ukraina". Participaram desta reunião, além de Putin, Sergei Glazyev assessor do presidente russo, dirigentes de instituições científicas da Ukraina e da Rússia, peritos e especialistas comunitários e culturais, representantes de organizações comunitárias e mídia. Assunto: se à sociedade ukrainiana as autoridades européias impõem "valores europeus" os ukrainianos devem levantar-se pela preservação e fortalecimento das orientações seculares ortodoxo-eslavas, princípios e tradições.
Putin, nesta reunião declarou que, considerando a atual concorrência nos mercados mundiais, a Ukraina sem a Rússia não verá progresso.
 
Pesquisa e tradução: Oksana Kowaltschuk

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

HOLOKOST: O inferno na terra - 5ª parte

(Continuação da 4ª Parte)

LEMBREMOS DE VYNNYTSIA - 5ª PARTE
 
Antin Drahan
 
ASPECTOS E CONDIÇÕES DE CADÁVERES E VESTIMENTOS
 
Como já mencionado, as roupas e os cadáveres estavam amontoados nas sepulturas coletivas sem nenhuma ordem. Isto nos indica que eram jogados de cabeça para baixo. Somente uma parte das roupas encontrava-se em algum estado de conservação, a maioria apodreceu. Em algumas sepulturas as roupas estavam queimadas e foram constatados dois motivos. No primeiro caso, o fogo surgiu ainda por ocasião do enterro porque foram jogados fósforos acesos ou tocos de cigarro ainda aceso. No outro caso o fogo surgiu espontaneamente devido aos processos químicos ali existentes.

O resgate dos cadáveres encontrava ainda, outras complicações e dificuldades. Em várias sepulturas, principalmente no pomar, entre as camadas de vestimentas e cadáveres havia uma camada de cal virgem. A cal era jogada nos cadáveres provavelmente para eliminar o mau cheiro quando inicia-se a decomposição. Após alguns anos a cal e os cadáveres da camada subseqüente formaram uma massa sólida. Também em sepulturas onde não havia cal, o resgate não se apresentava facilmente. Como já mencionado, os cadáveres, na maioria foram jogados de cabeça para baixo, e além de estarem em desordem ainda encontravam-se trançados. E, além do próprio peso, havia o peso da camada de dois metros de terra que os transformou num corpo reunido, compactado. Era preciso retirá-los com muito cuidado para não lhes causar mais danos. Somente numa grande vala nas primeiras escavações no pomar, os cadáveres encontravam-se arrumados com bastante ordem. O que predispôs os carrascos a tanta "bondade" não é possível adivinhar. Talvez esta tenha sido a primeira cova e eles ainda não haviam adotado o costume de jogar a cabeça para baixo.

IDENTIFICAÇÃO DOS CADÁVERES

Como já relatado anteriormente, todos os cadáveres masculinos apresentavam as mãos amarradas nas costas, às vezes em dois locais. Alguns tinham também as pernas amarradas. Todos vestiam as roupas típicas soviético-ukrainianas usuais da região. Os cadáveres masculinos vestiam camisa, calça e casaco ou paletó. Alguns ainda vestiam cueca e camiseta. De 196 cadáveres femininos, 49 estavam completamente nus. Todos, de acordo com a comissão médica eram jovens e a maioria de cadáveres femininos  usava apenas uma camisa (A camisa feminina, daquela época, pode ser comparada a uma camisola. O comprimento ia até abaixo dos joelhos. Era bordada no peito e mangas, por cima usava-se uma saia). Isto induziu à terrível suspeita, corroborada com testemunhos, que estas mulheres antes do seu assassinato, ainda foram desonradas pelos seus carrascos. Somente os cadáveres de algumas mulheres mais velhas estavam vestidos. Ao contrário dos cadáveres masculinos, somente poucas mulheres tinham as mãos amarradas.

Estabelecer a identidade dos cadáveres de acordo com os procedimentos normais era impossível. Não se podia reconhecê-los, digamos - pela expressão de seu rosto. Daí, procurar com atenção uma possível anomalia de seu corpo, principalmente a existência de amputação nas partes terminais. Essas descobertas eram anunciadas na imprensa local e desta maneira conseguiu-se estabelecer a identidade de 15 cadáveres. Também dedicou-se atenção especial aos dentes e sua inserção ou falta. Mas esta averiguação não deu resultado porque naquele tempo não havia em Vinnytsia nenhum dentista que trabalhasse aí anteriormente. Também não havia nenhuma possibilidade de estabelecer a identidade pelo cabelo devido as alterações químicas nas sepulturas. A maior parte de identificações deu-se pela roupa e documentação.

Simultaneamente com as tentativas de estabelecer a identidade dos cadáveres, a comissão médica envidava todos os esforços para estabelecer suas idades, porque isto poderia ser a chave de investigação médica e jurídica. Ajustando métodos médico-jurídicos modernos, a idade era possível estabelecer com bastante precisão, salvo poucos erros. Nestes casos os dentes desempenhavam importante papel porque a idade da pessoa pode ser conhecida, não tanto pela quantidade de dentes preservados, como pelos dentes sãos. Em alguns casos as conclusões deduziam-se pela distribuição da pele no rosto, nas orelhas. Com base nos dados obtidos instituiu-se que as pessoas - cadáveres, encontradas em todas as sepulturas nos três meses de escavações, e examinadas conforme descrito, dividiam-se pela idade em tês categorias: entre 20 - 30 anos...638; entre 30 - 40 anos...4.076; acima de 40 anos...1.366. A idade dos demais não foi possível estabelecer, nem mesmo aproximadamente. Concluiu-se que as vítimas dos bolcheviques, no extermínio da nação em Vinnytsia foram, principalmente, homens na idade entre 30 e 40 anos.

CAUSAS DA MORTE

Todos os cadáveres resgatados denunciavam sinais evidentes de tiro na nuca. Somente em poucos casos isto não pôde ser comprovado devido aos danos sofridos pelo cadáver durante as escavações. Na maioria das cabeças de cadáveres foram encontradas balas. E, geralmente mais de uma. Dois tiros provados em 6.360 casos. Três buracos de bala havia em 78 crânios e 2 cadáveres possuíam 4 sinais de tiro. Outros possuíam uma marca de tiro ou a quantidade de tiros não pôde ser estabelecida.
Uma certa quantidade de cadáveres apresentava crânios esmagados com objetos sólidos, provavelmente cano de pistola. Além de tiros na nuca, alguns cadáveres apresentavam ainda tiros adicionais na testa ou no lado da cabeça.
Certa quantidade de cadáveres possuía ainda, além de balas na nuca, os lábios repuxados forçosamente até a garganta, e outros um laço no pescoço.
A comissão médica com grande precisão ainda estabeleceu a espécie do tiro. Foi confirmado que nem todos os tiros eram mortais, principalmente os que não atingiam o cérebro. Muitos tiros podiam apenas causar completa paralisação, não a morte, nem tiravam a consciência. E, daí se conclui que os carrascos davam a tarefa por concluída porque somente em alguns casos davam o golpe de misericórdia com forte pancada na cabeça. O esmagamento do crânio com pancadas foi constatado em 395 casos. As observações subseqüentes permitiram justificar a suposição que uma grande quantidade era enterrada viva. A testemunha deste fato é que dentro das gargantas e até nos intestinos foi encontrada terra que, sem dúvida, foi engolida quando já nas valas coletivas cobertos com terra.

BALAS E TIROS

Como é comum acontecer nas investigações jurídico-médicas, em Vinnytsia foi dedicada muita atenção aos crânios dos cadáveres, às balas nos lugares das escavações e à natureza dos tiros. Como já foi referido muitas balas foram encontradas nos crânios dos cadáveres que apresentavam-se deformados devido ao choque com os ossos. Mas, com base no seu peso e medição dos orifícios causados no crânio, constatou-se que os carrascos utilizaram armas automáticas de mão, de pequeno calibre. Todas as balas possuíam diâmetro inferior a 6mm. Algumas balas, talvez devido a alguma incorreção de tiro ou falha mecânica, alojavam-se na nuca sob a pele, não chegando aos ossos. Nesses casos elas preservaram sua forma e peso original que reportava às balas deformadas. O seu diâmetro apresentava 5,6 mm, 1,2 cm de comprimento e 2,5 g de peso. Nos lugares das escavações, nas sepulturas ou entre as roupas, somente poucas vezes foram encontrados cartuchos, mas somente uma única vez, após limpeza, foi possível ler: "T33". A quase total ausência de cartuchos faz supor que as vítimas não eram fuziladas no local onde eram enterradas, salvo, algumas exceções.

Outro ponto importante para estabelecer era a distância da qual eram os tiros disparados na nuca das vítimas. Foram averiguados os sinais que a bala deixava quando disparada entrava no corpo. É evidente que a longa permanência dos cadáveres na terra dificultava as investigações, mas em muitos casos, ainda assim foi possível confirmar sinais claros de queimaduras, tanto na pele, quanto na roupa, que claramente evidenciavam que os fuzilamentos foram executados de pequena distância. E em alguns casos, podia-se afirmar que a arma foi encostada na cabeça da vítima.

MODO E LOCAL DOS FUZILAMENTOS

A investigação dos cadáveres pelos especialistas, sem sombra de dúvida revelou que os fuzilamentos eram executados por mãos hábeis e que com algumas exceções eram finalizadas em outro local, não nos lugares das escavações, sobre as sepulturas ou dentro delas.

Com apenas alguns casos rejeitados foram determinados dois métodos de fuzilamento. No primeiro procedimento atiravam na nuca da vítima, de baixo para o alto, na direção do cerebelo. O segundo método consistia atirar na nuca da vítima apontando para a primeira vértebra cervical, que sustenta a cabeça, cuja perfuração provoca morte certa. Nos dois procedimentos aplicavam com exatidão o sistema elaborado. A mudança da técnica do fuzilamento era ditada, provavelmente, pela força da arma de fogo em uso.

Durante as investigações surgiu a pergunta, em que posição encontrava-se a vítima durante o fuzilamento. As marcas de tiros e a direção das balas indicaram que todos eram fuzilados na posição vertical, em pé. O tiro na nuca em direção a testa somente poderia ser dado nesta posição. Muitos cadáveres possuíam sinais de tiros suplementares na coroa, na testa ou têmporas. Com base nestes tiros a comissão pôde afirmar que os verdugos freqüentemente davam o golpe de misericórdia às suas vítimas segurando-as em posição inclinada, ou quando elas já se inclinavam abatidas pelo primeiro ou segundo tiro. Em outras ocasiões, com anteriormente descrito, a vítima tinha o crânio esmagado pela própria arma.

Quando se queria determinar o local dos fuzilamentos, as deduções da comissão e as confissões das testemunhas confirmavam que todas essas milhares de vítimas, com pouquíssimas exceções, não eram fuziladas no mesmo lugar em que eram enterradas. Apontava para isso a quase ausência de cartuchos de balas naqueles lugares. Uma pequena quantidade de cartuchos e alguns cadáveres nas camadas de roupas que cobriam a massa de cadáveres nas sepulturas testemunhavam que somente algumas pessoas eram fuziladas no local das sepulturas comuns. Surgiram suposições que um ou dois comissários da NKVD, no final, fuzilaram aqueles carrascos menores que fuzilavam os presos. Desta maneira limitava-se ao mínimo o número de possíveis testemunhas do crime e minimizava-se o risco de que o fato fosse revelado.

As confirmações das testemunhas e o exame das possibilidades corroboravam as suposições de que as vítimas, na quase totalidade, eram fuziladas no pátio da NKVD. Com base nos fatos, investigações e relatos de testemunhas a comissão pôde, com bastante propriedade, divulgar os pormenores daquele, em tempos de paz, sem procedência na história, extermínio da nação.

IMOBILIZAÇÃO DAS MÃOS E AMORDAÇAMENTO
 
Os cadáveres semi-decompostos já por si só atemorizavam, mas em Vinnytsya a visão dantesca ultrapassava todos os limites, quando os olhos dos espectadores fixavam-se em milhares de cadáveres estendidos no chão, com mãos amarradas para trás e amordaçados em muitos casos. Somente os cadáveres femininos - não possuíam mãos amarradas. A imobilização das mãos evidenciou uma técnica sofisticada. O barbante cingia fortemente os ossos nas duas mãos, em consequência do que em alguns cadáveres os punhos caíram. Nestes cadáveres podia-se afirmar que tais imobilizações causavam às vítimas grande dor. Para amarrar as mãos sempre usavam-se barbantes de fabricação industrial de fibra de linho, 608 mm de diâmetro e 1,20 m - 1,30 m de comprimento. A técnica para amarrar as mãos era assim: as mãos das vítimas eram torcidas para trás com as palmas viradas para os lados. Daí amarravam-se os punhos circundando-os duas vezes e ambas as pontas do barbante, uma por cima, outra por baixo, perpassavam-se mais uma vez entre as mãos e fortemente se amarrava de modo que cada mão estava em seu laço. Impossível retirar a mão desse laço. Em alguns casos os cadáveres retirados das valas coletivas ainda tinham amarrados os cotovelos. Para isto usava-se o mesmo tipo de barbante, porém mais comprido. Nestes casos circundavam com barbante os dois braços e, em seguida amarravam separadamente. Os motivos para imobilização dupla das mãos das vítimas não foi possível determinar. 

Além das mãos amarradas, 24 cadáveres ainda tinham amarrados os pés. Também foi usado o mesmo tipo de barbante. Os pés eram amarrados acima dos tornozelos e do mesmo modo que as mãos e os cotovelos. Concluiu-se que os pés das vítimas eram amarrados antes de serem levados para o local dos fuzilamentos porque a vítima podia, ainda, dar pequenos passos. Somente homens jovens tinham os pés amarrados, provavelmente para que não tentassem fugir.

Em alguns cadáveres havia o laço no pescoço, do mesmo barbante. Os laços estavam fortemente apertados com uma só ponta. Mas, ao que parece, o laço não foi a causa da morte, pois os cadáveres ainda apresentavam marcas de fuzilamento na nuca. Alguns cadáveres ainda apresentavam uma mordaça de lenço ou tecido, na boca. Essas vítimas também apresentavam marcas de fuzilamento na nuca. Daí a suposição que antes da morte ainda eram torturadas e fechavam-lhes a boca para que não se ouvissem gritos de dor.

(Continua)

Tradução: Oksana Kowaltschuk




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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

IMPOTÊNCIA NA POLÍTICA EXTERIOR E AUTODESTRUIÇÃO

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 09.08.2013
Oleksandr Solonhko

Recentemente a sociedade ukrainiana foi agitada por uma série de ataques informativos contra o seu país.
Os mais dolorosos e ressonantes foram as inúmeras declarações e ações dos círculos chauvinistas poloneses com a meta de desacreditar Ukraina em nível internacional. Como escândalo foi marcado o apelo do chamado "grupo 148" (¹) que pretendia na designação do mais vergonhoso acontecimento da história da Ukraina desacreditar nosso país ainda mais.


Antes que se aquietasse a onda informativa, o espaço midiático chocou Ukraina com o início da guerra econômica por parte da Federação Russa. O Serviço de Inspeção Alimentar, nos produtos ukrainianos, supostamente encontrou substâncias ilegais. O golpe foi direcionado à Empresa Roshen, cujos produtos (chocolates) supostamente mostravam "benzopyren". Seguiu-se uma série de novidades decepcionantes para o proprietário da empresa Petró Poroshenko. A produção começou a ser analisada na Bielorrússia, o trânsito para Rússia, através da Bielorrússia cessou. Em seguida, pelos chocolates de Poroshenko interessaram-se as autoridades competentes de Cazaquistão, Moldávia, Tajiquistão.
Os bielorrussos também caçaram o certificado emitido aos vinhos "Legenda Inkermana", de produção ukrainiana.
Além disso, a partir de 1º de julho ao "Interpipe" de Viktor Pinchuk foram negadas as quotas livres de imposto na colocação da produção aos países da União Aduaneira (Rússia, Cazaquistão, Bielorrússia). Como resultado, estarão sujeitos ao imposto de 18,9 - 19,9%.

Assim começou a guerra econômica da vez contra Ukraina.

O centro de influência não é difícil definir - é, certamente, Moscou. Fato significativo é que nas ações citadas foram usadas apologias quase soviéticas, criadas sob o nome de União Aduaneira, ou países, que mesmo não sendo seus sócios, mas não podem ou não querem livrar-se da influência de Moscou.

Então, este fato deve ser marcado não como guerra da União Aduaneira com Ukraina, em cujos abraços estamos sendo desesperadamente empurrados por diversas forças. No entanto, é necessário observar, que o principal e único centro que produz decisões e sua realização no âmbito da associação  - é o Kremlin.

Portanto, tudo isso é manifestação do interesse da Rússia e executa-se apenas para satisfação dos desejos e necessidades do regime de Putin. A diferença do descrito modelo consiste apenas no fato de que Moscou anexa à guerra econômica contra Ukraina seus satélites, os quais, de fato, não têm escolha.

Desde o início é necessário prestar atenção ao fato, de que isto não é pela boa vizinhança, não é como irmãos. Então o que devemos esperar no caso de, à já mencionada organização nos empurrarem a força? Seguramente, nada de bom. 

Surge a pergunta: qual a relação entre os eventos em torno das relações ukrainiano-poloneses e outros ataques ideológicos, com matizes históricos de um lado - e os golpes comerciais-econômicos do lado da União Aduaneira e aliados do outro?
A resposta é simples e óbvia - são medidas sistemáticas para desacreditar Ukraina, a nível internacional, em todas as formas possíveis, que visam frustrar a assinatura do Acordo de Associação entre Ukraina e União Européia no outono deste ano. Essa questão é uma daquelas que mais se ouvem na Ukraina nos últimos meses, e até anos.

Então, orando em Kyiv pelo "mundo russo no mundo todo" e assustando os ukrainianos, aliás, como sempre, - Putin voltou a Moscou e lançou com mais poder o volante de represálias econômicas contra Kyiv. Volante, já preparado a tempo começava agir.

Perda de negócios do "rei de Chocolate" e enfraquecimento de seu lobby não criará consequências sérias ao governo, "Família" e outros grupos influentes, porquanto, as perdas de Poroshenko não lhes causarão prejuízo - em oposição ao impacto sobre as empresas ou outros ramos que constituem um interesse direto de Yanukovych, sua comitiva pessoal e outros adeptos do regime, os quais recebem super-lucros graças a atual ordem social formada na Ukraina.

Isto quer dizer, que Moscou agora demonstra abertamente, o que pode acontecer com objetos de interesse econômico direto da mais faminta "Família" ukrainiana no caso em que Yanukovych não se atenha às condições de Putin.

O ataque a Roshen pode-se considerar como demonstração de força e possibilidades para aplicação de danos econômicos irreparáveis. Neste caso, deram a Kyiv a possibilidade de observar, quais as possibilidades para pressão econômica tem Kremlin e seus subordinados. E, se Yanukovych e Co.  não mudarem o comportamento, haverá mais e pior. Isto é fato (²).

As empresas de Poroshenko podem ser destruídas na Ukraina sem quaisquer envolvimento das forças e recursos de fora. Além disso, tudo isto se faz de acordo com decisões aceitas no nível estatal.

Moscou tentará, desesperadamente, impedir o acordo de Associação usando para isto absolutamente todos os métodos disponíveis. Por conseguinte, o nível de agressão vai crescer e adquirir legitimidade com auxílio da participação das instituições de outros países. Sob as últimas deve-se entender não apenas aquelas que entram na órbita do Kremlin - mas, digamos, os neutros, o que será mais difícil para os associarmos à zona de influência da União Aduaneira. Nós entramos não apenas na fase ativa, mas hiperativa fase de guerra econômica e a onda de tais ataques somente vai aumentar.
É completamente lógico, que num futuro próximo podemos esperar a eclosão de uma série de escândalos diplomáticos. Não devemos esquecer que ultimamente não cessam provocações chauvinistas antiukrainianas por alguns círculos da Polônia. Provavelmente haverá mais ataques, talvez mais agressivos. Isto é, a onda de agressões crescerá em todas as frentes possíveis.

Agora o tempo, que restou até a assinatura do Acordo, começa a ser reduzido a semanas. Durante este curto período, o lado russo deve queimar todas as pontes entre Ukraina e Europa, mas preservar sua própria face. Pois no fundo, do ponto de vista da não justificada parceria e apoio mútuo à agressão, que irá aumentar, será difícil explicar a Kyiv - porque pode ser benéfica a aproximação com o tema da política externa, a qual não trabalha para fortalecimento das relações mútuas, mas ativamente ocupa-se com a destruição da fraca economia ukrainiana e descredito de Kyiv aos olhos da comunidade mundial.

Caso contrário, Putin queimará as pontes também entre Ukraina e Rússia.

Também não se deve esquecer, que é improvável que o presidente russo possa contar com o fato de que aqueles, em cujas mãos agora encontra-se a maior parte do dinheiro que conseguiram retirar da Ukraina, simplesmente permitirão a Moscou enfiar a mão neste bolso, que continua a alimentá-los saborosa e satisfatoriamente. Isto até pode tornar-se um obstáculo intransponível para o estabelecimento da direta hegemonia política e econômica de Kremlin na Ukraina.

Como se comportará o poder na Ukraina?

Permanece aberta uma pergunta interessante. Como, em tal situação se comportará o governo ukrainiano? Porque estes processos são de caráter demasiado agressivo, para não reagir a eles.
Os acontecimentos dos últimos anos demonstraram claramente a posição do regime Yanukovych, incluindo questões semelhantes - é impotência na política externa e autodestruição. 
A única exceção a essa regra é o quão duro o regime luta contra o seu próprio povo, como sistematicamente esvazia os bolsos dos ukrainianos, retira seus direitos fundamentais, castiga pelas exigências legais, persegue, reprime e, ao mesmo tempo não se esquece de culpar, de todos os pecados mortais, a oposição. Como dizem, a partir das ruínas - ao fascismo. Aqui você não dialoga, as ações e decisões são duras, sistemáticas, sua implementação é operacional, inquestionável.

É difícil acreditar que o lado ukrainiano se decidirá por ações ativas em resposta, que defenderá os interesses do Estado a nível internacional, que vai recorrer a organismos internacionais, que chamará a atenção da UE para sanções econômicas politicamente motivadas. Não haverá vontade nem para suportar dignamente o golpe, para tomar medidas adequadas em resposta.

Falando a verdade, Kyiv tem poucas alavancagens de impacto econômico sobre Moscou oficial, especialmente aquelas que poderiam ser elementos de dissuasão eficaz para tais ataques agressivos. No entanto elas existem. Ukraina pode levantar a questão do trânsito de gás russo através do seu território, especialmente a discrepância proporcional para o preço do trânsito que Ukraina paga pela obtenção do gás russo.

As conseqüências econômicas de tais ações, as quais podem marcar atrasos no trânsito, e portanto, o interesse europeu na solução da situação e medidas adequadas, podem causar perdas significativas, que em Moscou compreendem espetacularmente. Compreendem também que Europa não estará em êxtase.
E, no caso de posição correta de Kyiv, expressa em efetivas ações preventivas do Ministério das Relações Exteriores ukrainianas, Europa vai culpar Moscou.

Entenderão, portanto, que Ukraina é o sujeito, não o objeto da política internacional, capaz de proteger efetivamente o interesse público, os interesses de sua nação. Deste modo, na próxima vez terão que pensar duas vezes antes de cometer algo parecido.

No entanto, o regime Yanukovych, de todas as formas possíveis e impossíveis, demonstra a incapacidade e falta de vontade para lutar e usar praticamente a única oportunidade para realização de pelo menos um efetivo curso na política exterior durante seu mandato.
Já soou a declaração de que Ukraina não vai tomar medidas de ação para a meta de estimular Rússia a cessação da escalada. E, em qualquer caso, mesmo em caso contrário, fica a pergunta da motivação. E ela será diferente daquela que deve nortear o estadista - não estrutura predatória de nível nacional.

Para cumprir os requisitos estabelecidos pela Ukraina, como condição para assinatura do Acordo da Associação, durante a próxima sessão do Parlamento ainda precisarão ser aprovadas as leis correspondentes.
Aqui haverá surpresas pois mesmo dentro do Partido das Regiões (governista) têm grupos de influência que buscam romper esse acordo, apesar da posição de eurointegração declarada pelo governo. Para não mencionar outras organizações e grupos, que realizarão "atividades subversivas", não apenas no parlamento.

Então, o outono parlamentar de 2013 na Ukraina promete ser agitado.

Possíveis conseqüências

Recentemente passou na rede uma tese de autor desconhecido, e que foi colocada na boca de Putin. Ela dizia:

"Se vocês não entrarem para União Aduaneira, nós lhes causaremos muito mal, mas se vocês entrarem, então - será ainda pior."

Soa irônico, mas é realista e responde à concepção geral de relações na mencionada relação. Com efeito, a adaptação dos países que entram para União Aduaneira, certamente reorienta suas economias para servir aos interesses do Kremlin, o que na Ukraina até agora ainda sequer conseguiram erradicar, como legado da ocupação soviética.

Então a conclusão é óbvia - terá que haver escolha.

Ou a defesa de interesses públicos - que significará perdas e aumento de tensões, mas, no futuro, garantirá o desenvolvimento progressivo e severas limitações à influência de Moscou.

Ou voltar atrás, rasgar o Acordo e pôr fim a integração européia - o que garantirá um curto enfraquecimento da pressão econômica, mas no futuro garante a perda real de independência política, não mencionando a econômica.

E quanto ao debate sobre a escolha do vetor de integração da Ukraina, então para aqueles que desejam a direção ocidental européia e, para aqueles que querem aproximação com a Rússia é válido lembrar: em qualquer dos casos a política do Estado deve ser pró-ukrainiana. E com a existência de possibilidades é necessário implementar medidas para realização da concepção do centrismo ukrainiano.
Isto deve proporcionar possibilidades para afirmar-se como sujeito de plenos direitos da política internacional, colocar e ditar suas exigências em determinados assuntos, atingir objetivos concretos e elevar o prestígio do país na arena internacional.

No entanto, nem a Yanukovych, nem a seu meio, isso não interessa.

(1) "Grupo 148" - assim denominado grupo de 148 deputados do Partido das Regiões e Partido Comunista que encaminhou ao Parlamento polonês o pedido para reconhecer como genocídio a ação dos ukrainianos contra os poloneses em Volyn-Ukraina durante a II Guerra Mundial. Fato descrito nos artigos anteriores.

(2) As empresas de Poroshenko não foram escolhidas para o golpe demonstrativo por acaso. Poroshenko é um grande empresário ukrainiano que embora não se coloque frontalmente contra o governo é de oposição. Inclusive era um dos indicados à prefeitura de Kyiv, cujas eleições foram suspensas, possivelmente até 2015. Então, os oligarcas ukrainianos, da "Família" Yanukovych foram alertados e, por enquanto, preservados. Vários países já verificaram que não há nenhuma substância prejudicial nos chocolates.

Tradução: Oksana Kowaltschuk