sexta-feira, 20 de setembro de 2013

ARMÊNIA DECIDIU ADERIR À UNIÃO ADUANEIRA?

Ukrainskyi Tyzhden (Semana ukrainiana), 04.09.2013

O presidente da Comissão do Parlamento Europeu dos Assuntos Externos Elmar Brok (Alemanha) considera que Rússia chantageia Armênia para que ela decida se juntar à UA. Ele emitiu este pensamento ao comentar a declaração que o presidente armênio Serzh Sarhisyan emitiu depois de conversar com Vladimir Putin em Moscou. Brok disse: " Sinto muito sobre isso. Eu tenho discutido este assunto com o presidente armênio também. Sabemos que Armênia está sob intensa pressão por causa da difícil situação com o Azerbaijão e Nagorno-Karabakh. Tudo isso é pressão. Um país tão pequeno como Armênia chantageado para aceitar tal decisão".


"Eu sinto muito, porque legalmente, devido a certas condições, é impossível ser membro da UA e assinar o Acordo de Associação e livre comércio com UE" - disse ele e acrescentou que as relações entre Armênia e UE no futuro "serão as mesmas que com outros países, mas não serão relações com perspectivas européias.

À pergunta, se Armênia pode mudar sua decisão até a cúpula em Vilnius, Elmar Brok respondeu que espera que sim, porquanto os representantes da UE irão conversar sobre a situação com Armênia.

Ele também acredita que é necessário resolver o problema de Nagorno-Karabakh. "A UE, que até agora não fez isto, deve demonstrar mais interesse na resolução deste problema".

Como ficou noticiado, o presidente da Armênia Serzh Sarhisyan declarou sobre decisão de aderir à União Aduaneira após seu encontro com Vladimir Putin em 3 de setembro.

Ukrainskyi Tyzhden (Semana ukrainiana), 07.08.2013)

Para arrastar Armênia à UA, Rússia empurrava Azerbaijão à guerra em Nagorno-Karabakh. Rússia implantou toda alavancagem possível para, na véspera da cúpula de Vilnius obrigar Armênia à recusa da criação da zona de livre comércio com UE e obrigar Armênia solicitar entrada na UA, segundo comentário no ZN.UA do ex-ministro da Segurança Nacional da Armênia, presidente do Centro de Estudos Políticos e Legais Concord David Shahnazarjan. Ele explicou a decisão repentina do presidente armênio de adesão à UA com "pressão sem precedentes do Kremlin."

A pressão realizava-se em várias frentes. Particularmente, Kremlin planejava empurrar Baku para nova guerra por Nagorno-Karabakh  fornecendo, por milhões de dólares, armas russas para Azerbaijão. E, incluíndo declarações públicas dos diplomatas russos sobre possível desestabilização na política interna da Armênia.

De acordo com o especialista, "Moscou tem certas influências no campo político interno. Há a "Armênia Próspera", o Congresso Nacional e outros, que agem a favor de interesses russos. Penso que houveram também outras alavancagens de pressão" - disse Shahnazarjan.

"Nossa Constituição não permite que o país se torne um membro de plenos direitos da UA. Se, de repente, apesar da proibição da Constituição, Armênia se tornar um membro pleno da UA, haverão consequências muito negativas para o país, porquanto ele se tornará um apêndice da Rússia", - diz David Shahnazarjan.

Já o analista político do Instituto de Cooperação Euro-Atlântico V.Gorbach declarou:  "Armênia é refém da Rússia em qualquer questão: tanto na solução do problema de Nagorno-Karabakh, como na integração européia. Além disso, praticamente toda a economia da Armênia está nas mãos da Rússia, e também Rússia tem uma base militar na Armênia. Isto quer dizer que a situação da Armênia é mais complicada para escolha independente, embora, a situação na Ukraina é semelhante. É claro que os armênios gostariam integrar-se com os dois lados, mas há a posição russa. Portanto penso, que a declaração conjunta dos presidentes da Armênia e Rússia - é um passo forçado de Yerevan".

"É claro que a probabilidade de que o acordo será rubricado ainda persiste. Por que a UE faria isto? Em particular, como um projeto para o futuro, entendendo que o acordo ainda não entra em vigor, mas, hipoteticamente pode entrar. Além disso, a rubrica de tais acordos aguardam Moldova e Geórgia "no mesmo pacote" com Armênia. Então, é necessário fechar essa questão para ela não voltar" - diz Gorbach.

Tradução: Oksana Kowaltschuk


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

MOSAICO DE NOTÍCIAS

Yanukovych prometeu proteção aos negócios em troca da integração européia

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 05.09.2013

Segundo Forbes.ua, em 05.09.2013 Yanukovych em uma reunião do Partido das Regiões instou com os deputados para apoiar as leis de integração com UE, prometendo proteger seus negócios de atenção desnecessária dos auditores e incumbiu o governo a desenvolver medidas para proteger os interesses dos produtores nacionais.

"Em detalhes o presidente explicou porque é necessário adotar cada uma das mais de 20 leis da integração européia. Além disso, ele nos aconselhou a tomar ciência do texto sobre o projeto de acordo de associação." - disse a vice-chefe do Partido das Regiões Olena Bondarenko.

Depois Yanukovych passou para comunicação pessoal. Por exemplo, ele quis saber o motivo dos temores devido ao Acordo  com UE do proprietário da companhia "Motor Sich" Vyacheslav Bohuslayev, um dos principais adversários da integração européia entre os deputados. 
Bohuslayev respondeu que a produção de sua companhia pode tornar-se não-competitiva. Então Yanukovych determinou que o primeiro vice-primeiro ministro S. Arbuzov e outros membros do gabinete ministerial preparem um conjunto de medidas para proteger os interesses dos empresários ukrainianos depois do mercado local abrir para produtos europeus.

No final, vários deputados majoritários queixaram-se ao presidente devido as infinitas verificações de suas empresas pela fiscalização e agências da lei fiscal. Yanukovych propôs criar um grupo de trabalho para proteger as pequenas e médias empresas e, imediatamente fez a sua lista, que incluiu B. Kolesnikov, S. Tihipko, V. Bohuslayev, V. Nechyporenko e outros. Eles vão interagir diretamente com Arbuzov, para proteger as empresas das forças de segurança.

"Vamos preparar alterações às leis para livrar o negócio de diversos controles e reduzi-los ao mínimo", - partilhou seus planos Kolesnikov.

No final da reunião Yanukovych convidou os deputados que se opõem à integração européia levantar de seus assentos. Todos permaneceram sentados.

Até que enfim, reconheceu!

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 07.09.2013

Durante uma reunião com o Partido das regiões em 04 de setembro, o presidente Yanukovych acusou os parceiros russos de violação de uma série de acordos.

De acordo com "ZN.UA", citando fontes, Yanukovych queixou-se de negligência nas relações, referindo-se na não realização de compromissos assumidos pela Rússia, de acordos quebrados, humilhação e esmagamento (E ele esperava o quê ??? - OK). O presidente sublinhou que deste modo, seus amigos no Kremlin e "Gazprom" causam ofensas não apenas a ele, mas a toda Ukraina. Ele lembrou, que durante o acordo de Kharkiv o lado russo, no mais alto nível, prometeu que, como parte dos acordos será alterado o preço do gás que Gazprom vende para Ukraina. Posteriormente os russos não cumpriram a promessa. Alemanha, Itália e Austria pagam de 360 a 380 dólares por mil m³, enquanto Ukraina, com desconto de 100 dólares pelo aluguel da base da Frota do Mar Negro paga 430 dólares. Então ele concluiu que não se pode esperar parceria respeitosa de seu vizinho do norte e por isso sua decisão pela integração européia é sem alternativas.

Caso Markov

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana, 12.09.2013

O Supremo Tribunal Administrativo ordenou à Comissão Central de Eleições recolher o mandato de deputado de Ihor Markov do Partido das Regiões. O Tribunal considerou que foi estabelecido o fato de fraude eleitoral, nas eleições parlamentares na circunscrição 
nº 133 em Odessa. (praticamente um ano após as eleições).

Markov acredita que as alegações de fraude eleitoral são devido ao fato de que ele é contra a integração européia da Ukraina e não tem intenção de votar a favor das leis que promovem a assinatura do acordo da associação.

No entanto, o vice-líder do Partido das Regiões Oleh Tsariov acredita que a decisão do Supremo Tribunal Administrativo de caçar o mandato de deputado a Ihor Markov não aconteceu devido ao fato de que ele se opõe à integração européia da Ukraina.

Sobre o Acordo de Associação

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 15.09.2013

Se os processos na Ukraina após a assinatura da Associação com UE não forem na direção da Europa, o Parlamento Europeu pode complicar, artificialmente, a ratificação do Acordo.

Assim, a UE decidiu garantir-se e aumentar as alavancas de influência sobre Ukraina.

Como indica o artigo de "ZN.UA", o lado europeu ligeiramente alterou sua abordagem quanto às condições iniciais da chamada aplicação temporária do Acordo (até sua ratificação por todos os 28 parlamentos - membros da UE).

"Anteriormente previa-se que para isso seria necessário ratificar o Acordo sobre associação apenas pelo Parlamento Europeu, e o lado europeu com um documento a parte notificaria o limite, dentro do qual o Acordo seria realizado temporariamente, mas agora os europeus falam sobre a necessidade de realizar a ratificação do Acordo pelo Parlamento Europeu antes do início da aplicação provisória".

Deste modo, se os processos na Ukraina após a conclusão de associação com a UE não forem encaminhadas na direção européia, a ratificação no Parlamento Europeu pode ser "esquecida".

No entanto, é importante para Ukraina, que a ratificação se realize até meados de abril de 2014, isto é, que seja realizada pelo Parlamento Europeu atual, porque após as eleições e posterior alteração na composição dos órgãos da UE pode, por muito tempo se empurrar "o tema ukrainiano" para periferia da atenção da UE", - diz a publicação.

Além disso, as fontes da publicação avisam, que o lado europeu, discutindo as medidas em que o Acordo sobre associação serão temporariamente implementadas, não pretende limitar-se apenas com as seções dedicadas à criação de uma zona de livre comércio (como se previa anteriormente). "Muito provável, que a UE vai incluir à lista algumas seções políticas, para Kyiv não relaxar na construção de uma democracia de pleno direito, especialmente às vésperas das eleições presidenciais em 2015", - acentua-se no artigo.

Tradução: Oksana Kowaltschuk 


terça-feira, 17 de setembro de 2013

HISTÓRIA DO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO SOVIÉTICO GULAG

Caro Leitor:
Embora o campo de concentração GULAG tenha sido soviético, milhares de ucranianos foram enviados para lá para nunca mais voltar. A esses milhares de conterrâneos anônimos, mortos no maior inferno já construído por mãos "humanas", rendemos os nossos sentimentos de profunda tristeza e denunciamos os seus algozes: os russos e a sua maldita ideologia comunista !

O Cossaco.


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Novos - velhos inimigos. A rivalidade entre Moscou e Berlim vai aumentar.

Ukrainskyi Tyzhden (Semana Ukrainiana)
Janusz Bugajski

Nos próximos dez anos aumentará a rivalidade entre Moscou e Berlim no cerne da qual estão os princípios de gestão incompatíveis, atitude em relação ao Estado de direito e os direitos humanos.


Anteriormente o principal argumento para a criação da OTAN foi formulado da seguinte forma: "Para manter os alemães resignados, russos na distância e americanos às pressas". Na base das mudanças geoestratégicas dramáticas nas últimas duas décadas novas realidades européias são vistas bastante diferentes: Berlim - em ascensão, Moscou pressiona, e Washington retrocede. Neste novo contexto as relações germano-russas desempenharão um papel fundamental no futuro do continente.

Redistribuição estratégica do poder

O desenvolvimento da Alemanha e a investida da Rússia (contra cada vez maior paralisia da UE e imutável indiferença dos EUA à Europa) promete implacável competição nos próximos 10 anos. No entanto, os países não competirão pelo território, mas pela difusão da influência do Estado.

As relações entre FR e UE deterioraram após o retorno, no ano passado, de Vladimir Putin, à cadeira presidencial. Anteriormente, ele tinha três amigos influentes: o chanceler alemão Gerhard Schroder, o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi e o presidente francês Jacques Chirac. Já com os atuais líderes da UE, especialmente Angela Merkel, as relações recíprocas não são boas, e a antiga "relação especial" com a Alemanha cada vez mais se perde.

A visita de Putin a este país no início de abril teve lugar no contexto de graves tensões políticas bilaterais. E elas crescem, apesar de que em 2012 o comércio russo-alemão atingiu um novo recorde, as ligações energéticas, provavelmente serão fortalecidas devido ao planejado novo ramal de gasoduto "Nord Stream" no fundo do Mar Báltico.Sim, Angela Merkel aproveitou o encontro com Putin para enfatizar as deficiências marcantes dos direitos humanos e desenvolvimento democrático na Rússia.

O reforço da posição da Alemanha tornar-se-á um desafio direto para as ambições russas na Europa

À escalação dos conflitos entre os dois países conduzem alguns fatores de caráter político e econômico, com agravamento que vem à tona a antiga rivalidade estratégica pelo domínio na Europa.

A crise bancaria em Chipre reavivou a guerra econômica entre Berlim e Moscou. Os funcionários de Estados do continente estão indignados com a exportação da corrupção da Rússia e correspondente influência sobre diversos países - membros da UE; ao mesmo tempo Moscou acusa UE no roubo descarado, como considera a política dos depósitos em contas na ilha. Concedida a Chipre (sob a égide da Alemanha) ajuda financeira para evitar falência causou graves prejuízos para investidores estrangeiros. Maioria deles - russos, que de acordo com estimativas, guardam em bancos da ilha aproximadamente 30 bilhões de euros. Quase 4 bilhões de dólares serão alocados, e os depósitos restantes submetidos a rigorosos controles de capitais. A maior parte desses fundos consideram-se como lucros ilegais, lavagem dos quais tem lugar em Chipre.

As autoridades russas declararam que podem punir a UE pela questão do Chipre, na qual Berlim é tratado como figurante principal. Alguns conselheiros de Kremlin propuseram congelar os ativos das companhias alemãs que trabalham na Rússia (particularmente Audi, BMW, Mercedes, Siemens e Bosch), ou introduzir novos impostos sobre seus bens. Negócios-lobby da Alemanha apoiaram ativamente a aproximação com Moscou; se o governo russo realmente começar pressionar os empresários, agravar-se-ão as relações políticas.

Embora na Rússia ferozmente criticaram os acordos de ajuda financeira a Chipre, os analistas acreditam que os oligarcas e gestores de topo de empresas estatais da FR tinham a possibilidade de retirar em tempo seus recursos. As maiores vítimas foram os representantes de empresas médias e pequenas, que abriram contas em Chipre devido a incerteza no sistema financeiro em seu país.

Exceto o papel de oásis para não pagamento de impostos, para os russos ricos a ilha desempenhou ainda um importante papel geopolítico aos olhos de Moscou. Ela se tornou um intermediário para muitos de seus contratos para o fornecimento de armas a países como Síria, Líbano e Irã.  E em conflito com outros membros da UE Kremlin sempre podia contar com o apoio de Nicósia.

Durante a restauração do sistema financeiro em Chipre um dos alvos da Alemanha e outros países-membros da UE era evitar a propagação do impacto estratégico da FR no Mediterrâneo Oriental. No transcorrer dos acordos de auxílio aos bancos o governo cipriota propôs ao Kremlin o uso da base militar no porto de Limasol, substancial participação no capital recentemente descoberto na exploração de gás marítimo e participação de tal acordo, a primeira proposição reforçaria as possibilidades militares de Moscou, enquanto a última expandiria o papel da Rússia no setor energético na Europa.

Além de restaurar a ordem em Chipre e em outros países que sofrem dos efeitos nocivos da influência russa, Berlim agora apóia a investigação da Comissão Européia quanto a monopolização dos mercados europeus por Gazprom. A Alemanha não quer mais tolerar o fato de que o monopolista russo usa energia como instrumento de influência política e potencial de chantagem. Os governantes do continente cada vez mais protestam contra o controle do monopolista Gazprom sobre o fornecimento e transporte de gás para Europa. Com isso Putin e seus oligarcas irritaram-se, eles continuam considerando o bombeamento dos recursos energéticos como principal instrumento de política expansionista externa da FR.

Direitos humanos e agentes estrangeiros

Além disso, Berlim começou protestar mais abertamente contra a deterioração da situação com os direitos humanos na Rússia. Os governantes e parlamentares, bem como várias organizações não-governamentais alemãs apoiaram o movimento antiputin que começou na Rússia em dezembro de 2011. Em resposta, os órgãos policiais iniciaram a perseguição às Fundações não governamentais alemãs que promovem a democracia e supostamente criam ameaça à soberania da Rússia. Recentemente sofreram derrotas duas ONGs políticas alemãs em Moscou e São Petersburgo: a sua obra foi paralisada, então o ministro do Exterior alemão, Guido Westerwelle expressou fortes críticas ao governo russo.

De acordo com a lei russa, promulgada em julho do ano passado, as organizações não-governamentais patrocinadas pelo exterior, que realizam atividades políticas, devem registrar-se como "agentes estrangeiros". Aos divergentes ameaçam pesadas multas ou até mesmo prisão. Portanto, hoje há investigação contra a Fundação Konrad Adenauer e Fundação Friedrich Ebert. A primeira está intimamente ligada ao Partido Democrata Cristão da chanceler alemã Angela Merkel, a segunda - com a oposição social - democrata. Os diplomatas de Berlim advertiram, que a inibição às atividades da Fundação FRA - República Federal da Alemanha, pode afetar significativamente as relações bilaterais.

Os próximos passos dependem dos resultados das eleições de setembro para o Bundestag. O candidato a Chanceler do Partido Social-Democrata Peer Steinbrueck defende a atitude tradicional a Moscou, independentemente de seu comportamento. Em uma entrevista recente ele argumentou que os padrões democráticos ocidentais não se aplicam a Rússia. Estas palavras ecoam a posição do ex-parceiro de Putin e presidente do Conselho de Acionários do "Nord-Stream" ex-chanceler Gerhard Schroeder. Ainda é cedo para expressar previsões sobre o vencedor, no entanto a chanceler Merkel tem a oportunidade de desenvolver uma visão estratégica consistente do papel da Alemanha na Europa, que vai ajudá-la a preservar o seu poder.

A afirmação da Alemanha

Vários fatores reforçam atitudes e auto-confiança de Berlim na Europa. Trata-se de uma situação econômica interna bastante estável, apesar da recessão econômica geral na Europa; as divisões políticas dentro da UE aumentam a credibilidade da Alemanha como uma força progressista; o colapso dos EUA e concentração da diplomacia americana com foco em regiões fora da Europa; consolidação da identidade nacional alemã, dá possibilidade para competir com a Rússia.

Após a Segunda Guerra Mundial, um dos principais objetivos da construção de instituições européias foi a supressão do nacionalismo alemão. Mas, em meio à crise financeira e recessão econômica na Europa, a sociedade alemã, obviamente decepciona-se com o projeto europeu. De acordo com uma pesquisa sociológica recente realizada pelo canal ZDF, 65% dos alemães têm a opinião de que a utilização do euro prejudica o país, 49% acreditam que a Alemanha estaria melhor fora da UE. Há uma crescente insatisfação com as consequências da crise financeira e, provavelmente, um em cada quatro alemães hoje está pronto para votar no partido que se opões ao euro.

De acordo com uma pesquisa realizada pela revista semanal Focus 26% dos cidadãos alemães estão dispostos a apoiar o partido político que guiará Alemanha para fora da zona do euro. O novo movimento "Alternativa para Alemanha" (AfD) recentemente organizou uma reunião em Berlim. Esta reunião exige que o Estado abandone o euro e volte para o marco alemão ou crie uma moeda única com a Holanda, Áustria, Finlândia e outros países financeiramente estáveis.

Os principais partidos alemães ainda apoiam o euro e a UE, apesar de alguns protestos internos em conexão com a ajuda financeira aos países do sul da Europa, como a Grécia e Portugal. A chanceler Merkel tentou garantir o eleitorado, insistindo que os grandes devedores devem implementar regime estrito da economia e pagar as dívidas. Sua posição reforçou sentimentos antiberlim na Europa e encorajou as pessoas a falar sobre o chauvinismo alemão. Os social-democratas e os"verdes" apoiaram Merkel na solução de problemas financeiros da Europa, mas a popularidade do AfD (AfD - novo partido alemão criado por intelectuais, políticos, economistas, liberais e conservadores. Consideram que os países do sul, em crise deveriam sair da zona do Euro - OK) crescerá significativamente se nos próximos meses começar uma nova crise financeira.

Resultados eleitorais incertos na Itália deram à "Alternativa... " cartas na mão, porque muitos fatos indicam que o novo governo em Roma, de Enrico Letta pode dispensar a austeridade prometida. O lider da AfD Bernd Luque declarou, que o risco do cumprimento da Itália de obrigações da dívida põe fim às promessas do país: a de que a Alemanha vai resgatar o empréstimo. Da mesma forma, a coalizão de esquerda radical grega "Syriza, que, segundo as pesquisas é lider, declara que se recusará a pagar as dívidas de Atenas, se chegar ao poder.

O ressentimento dos contribuintes alemães e a onda de sentimentos antialemães dentro da UE podem começar a expulsão do país para fora da UE.

Competição da nova geração

A afirmação da Alemanha, juntamente com o aprofundamento das divisões econômicas e políticas entre o Norte e o Sul da Europa poderá levar ao surgimento de um poderoso núcleo europeu liderado por Berlim e subordinada periferia da UE. O fortalecimento da Alemanha será, além disso, um desafio direto às ambições russas no continente. Kremlin necessita governos flexíveis, que apoiarão seus interesses estratégicos, ou pelo menos manter-se-ão neutros.

As batalhas políticas entre Berlim e Moscou tornar-se-ão mais frequentes na arena internacional. Um fator significativo de tensão já existe: conflito de interesses no Oriente Médio, onde a Alemanha favorece EUA. Os poderosos alemães colocam-se, contra o apoio russo a regimes autoritários e podem recorrer a duras críticas de sua tentativa de criação de União Eurasiana na base de países da Europa Oriental, Cáucasos e Ásia Central. Ao contrário da UE, tal aliança será baseada na opacidade econômica, liderança despótica e controle russo. 

A nova rivalidade estratégica entre Alemanha e Rússia não se baseará nas ideologias de única etnia ou ambições imperiais, relacionadas com expansão, como foi durante a Segunda Guerra Mundial. Desta vez vamos falar sobre incompatíveis princípios de gestão, atitudes em relação ao estado de direito, direitos humanos e disciplina econômica, que influenciam toda a Europa.

Tradução: Oksana Kowaltschuk


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

ARMÊNIA DECIDIU ADERIR À UNIÃO ADUANEIRA?

Ukrainskyi Tyzhden (Semana ukrainiana)), 04.09.2013

O presidente da Comissão do Parlamento Europeu dos Assuntos Externos Elmar Brok (Alemanha) considera que Rússia chantageia Armênia para que ela decida se juntar à UA. Ele emitiu este pensamento ao comentar a declaração que o presidente armênio Serzh Sarhisyan emitiu depois de conversar com Vladimir Putin em Moscou. Brok disse: " Sinto muito sobre isso. Eu tenho discutido este assunto com o presidente armênio também. Sabemos que Armênia está sob intensa pressão por causa da difícil situação com o Azerbaijão e Nagorno-Karabakh. Tudo isso é pressão. Um país tão pequeno como Armênia chantageado para aceitar tal decisão".

"Eu sinto muito, porque legalmente, devido a certas condições, é impossível ser membro da UA e assinar o Acordo de Associação e livre comércio com UE" - disse ele e acrescentou que as relações entre Armênia e UE no futuro "serão as mesmas que com outros países, mas não serão relações com perspectivas européias.

À pergunta, se Armênia pode mudar sua decisão até a cúpula em Vilnius, Elmar Brok respondeu que espera que sim, porquanto os representantes da UE irão conversar sobre a situação com Armênia.

Ele também acredita que é necessário resolver o problema de Nagorno-Karabakh. "A UE, que até agora não fez isto, deve demonstrar mais interesse na resolução deste problema".

Como ficou noticiado, o presidente da Armênia Serzh Sarhisyan declarou sobre decisão de aderir à União Aduaneira após seu encontro com Vladimir Putin em 3 de setembro.

Ukrainskyi Tyzhden (Semana ukrainiana), 07.08.2013)

Para arrastar Armênia à UA, Rússia empurrava Azerbaijão à guerra em Nagorno-Karabakh. Rússia implantou toda alavancagem possível para, na véspera da cúpula de Vilnius obrigar Armênia à recusa da criação da zona de livre comércio com UE e obrigar Armênia solicitar entrada na UA, segundo comentário no ZN.UA do ex-ministro da Segurança Nacional da Armênia, presidente do Centro de Estudos Políticos e Legais Concord David Shahnazarjan. Ele explicou a decisão repentina do presidente armênio de adesão à UA com "pressão sem precedentes do Kremlin."

A pressão realizava-se em várias frentes. Particularmente, Kremlin planejava empurrar Baku para nova guerra por Nagorno-Karabakh  fornecendo, por milhões de dólares, armas russas para Azerbaijão. E, incluíndo declarações públicas dos diplomatas russos sobre possível desestabilização na política interna da Armênia.

De acordo com o especialista, "Moscou tem certas influências no campo político interno. Há a "Armênia Próspera", o Congresso Nacional e outros, que agem a favor de interesses russos. Penso que houveram também outras alavancagens de pressão" - disse Shahnazarjan.

"Nossa Constituição não permite que o país se torne um membro de plenos direitos da UA. Se, de repente, apesar da proibição da Constituição, Armênia se tornar um membro pleno da UA, haverão consequências muito negativas para o país, porquanto ele se tornará um apêndice da Rússia", - diz David Shahnazarjan.

Já o analista político do Instituto de Cooperação Euro-Atlântico V.Gorbach declarou:  "Armênia é refém da Rússia em qualquer questão: tanto na solução do problema de Nagorno-Karabakh, como na integração européia. Além disso, praticamente toda a economia da Armênia está nas mãos da Rússia, e também Rússia tem uma base militar na Armênia. Isto quer dizer que a situação da Armênia é mais complicada para escolha independente, embora, a situação na Ukraina é semelhante. É claro que os armênios gostariam integrar-se com os dois lados, mas há a posição russa. Portanto penso, que a declaração conjunta dos presidentes da Armênia e Rússia - é um passo forçado de Yerevan".

"É claro que a probabilidade de que o acordo será rubricado ainda persiste. Por que a UE faria isto? Em particular, como um projeto para o futuro, entendendo que o acordo ainda não entra em vigor, mas, hipoteticamente pode entrar. Além disso, a rubrica de tais acordos aguardam Moldova e Geórgia "no mesmo pacote" com Armênia. Então, é necessário fechar essa questão para ela não voltar" - diz Gorbach.


Tradução: Oksana Kowaltschuk

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

SUBORNO POLÍTICO E COAÇÃO: "MODUS OPERANDI" DO GOVERNO UCRANIANO

Vyssokyi Zamok (Castelo Alto), 04.07.2013
Inna-Pukish-Yunko

Se você não aceita suborno para mudar sua posição política, criarão problemas aos seus parentes de mesmo valor..."

Quando em novembro do ano passado os "inspetores" mascarados organizaram no escritório da Companhia "Phoenix Capital" uma significativa verificação, o presidente da companhia Oleksandr Omelchuk é pouco provável que imaginasse, que transcorridos sete meses, ele teria que deixar o negócio, a família e a Ukraina. Não esperou por isso sua esposa-deputada parlamentar Lesya Orobets.


Леся Оробець побоюється, що її чоловік буде нев’їзним в Україну найближчі два роки.
Lesya Orobets teme, que seu esposo não poderá voltar para a Ukraina nos próximos dois anos.  

Após as violações à liderança do "Phoenix Capital" os processos criminais sob a acusação de se esquivar do pagamento de impostos especialmente em grande escala, o casal Lesya e o marido só poderiam sonhar com a paz. Após seis meses nos tribunais contra a ordem tributária e várias derrotas a deputada Lesya Orobets chegou a decisão de que seus marido Oleksandr não poderia mais continuar na Ukraina. "Se meu marido não deixasse Ukraina, ele seria preso, diz Orobets. (Ela não, deputado tem imunidade parlamentar-OK) E assegura: "Eles não estavam interessados, nem o negócio do meu marido, nem na empresa em que ele trabalha, nem mesmo no dinheiro, diz Lesya Orobets. - Eles estavam interessados apenas em minha posição política. Eles se preparavam para conseguir mais uma 'tushka' (A palavra ukrainiana "tushka" significa, literalmente, corpo de animal abatido. É usada de modo figurativo, para os deputados da oposição que, através de benefícios recebidos, migram para o lado do governo - OK) na esperança de fazê-la de mim... Não sei se suportaria se meu esposo tivesse sido preso e achincalhado". A questão criminal na qual figura a "Phoenix Capital",  e os novos desdobramentos em torno dele são palco de um cenário que envolve a compra de deputados oposicionistas.

Sobre a pressão e argumentos inexoráveis dos "compradores" das almas de deputados Lesya Orobets contou em entrevista ao "Castelo Alto".

- As pressões à empresa "Phoenix Capital" começaram no ano passado. Então você associava isto com sua atividade parlamentar, especialmente sua crítica às "reformas de Tabachnik" (Ministro de Educação). Havia alusões claras, sinais?

- Aos políticos da oposição às vezes emitem pré-avisos sobre as consequências de suas atividades. E reagem, de acordo com a regra, segundo o fato - se a crítica contém ameaça aos interesses do regime. Comigo tentavam "conversar" cada vez que trazia à luz do dia as tramas dos gestores do Ministério de Educação - na esfera profissional, compras estatais, reforma da esfera pelo princípio de rígida verticalização do poder nas mãos do ministro. Ou, através de conhecidos, insinuavam: cuide-se, como quem diz, - os seus parentes não tem imunidade parlamentar. Ou telefonemas de números incógnitos. Tudo isso - com elementos de chantagem.

- Após os "inúmeros shows" no escritório da empresa a você apavoravam ou davam a entender que tudo se resolverá, basta aceitar as "negociações políticas"?

- Eu já estava ciente da decisão arbitrária das autoridades fiscais. Mas naquele dia eu estava em Odessa, a serviço. Estava nervosa por causa do ataque à empresa e à espera de um telefonema do advogado. Quando recebi a chamada de um número incógnito, não imediatamente entendi do que se tratava. "Lesya Orobets..., - ouvi do aparelho, - tudo pode ser acomodado. Nos interessa muito sua posição política..." Os detalhes não questionei - respondi algo não-literário e desliguei o telefone.

- Segundo suas palavras, o processo criminal contra seu marido sob a alegação de evasão fiscal começaram pelo final...

- No momento do ataque ao escritório os tributaristas não possuíam um único documento que lhes delegasse o direito de sua invasão. Mesmo a resolução para busca apareceu após a chegada do deputado Andrii Parubii que deu seu telefone ao meu marido para que ele telefonasse ao seu advogado. Até aquele momento os funcionários do escritório foram isolados do mundo, recolheram os celulares e pressionavam. Houve dobraduras de mãos e implacável pressão psicológica.
Sobre a investigação criminal nós soubemos tardiamente. E por acaso, quando nos apresentaram a notificação com o valor, supostamente não pago, de dívida fiscal, composta em resultado do ato, por assim dizer, de "controle governamental". As acusações formais foram baseadas em "documentos" fabricados com violação de todos requisitos concebíveis da lei. Por isso primeiramente decidiram apelar pela sua legitimidade no tribunal. Em um estado civilizado qualquer pessoa é protegida da pressão administrativa. E em nosso país o cidadão tem de lidar com descarada máquina com decisões carimbadas pela Bankova  (endereço da presidência). Ao meu esposo negaram, contra lei, à queixa de apelação - depois de uma revisão de cinco minutos, sem quaisquer indicações exatas e interrogações, com conclusão absurda. Provavelmente, no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos a questão nós ganharemos. Mas para isso podem passar anos.

- Depois de tentar resolver a situação através dos tribunais, os "negociadores" continuaram a procura-la?

- A julgar pelo número de telefonemas incógnitos, sim. Mas eu não reagia a eles. Nem com bandidos, nem com chantagistas negociações eu não realizo.

- E com seu marido, houve "palestras educativas"?

- Durante o interrogatório insinuaram "meios alternativos para regulação de problemas fiscais. Mas ele também não negocia com "hopnekes" (ladrões de rua).

_ De onde a informação que nos planos dos "atacantes" havia a intenção de recolher o seus esposo à cadeia de Lukianivka?

- Ele foi avisado que, perdendo a apelação, iria para cadeia, de onde sairia sob fiança de todos os supostos débitos tributários não pagos. Este montante chupado do dedo - aproximadamente 25 milhões de UAH. Depois da recusa da apelação ele poderia ser acusado a qualquer momento com ulteriores "testemunhos", indispensáveis para condução de "negociações" comigo.

- Se comunicou-se com o esposo depois de sua partida ao exterior?

- Sim. Eu fiz uma viagem oficial à Europa e USA. Pelo caminho avistei-me com meu esposo. Ele se mantém  com dignidade.

- Estando no exterior e conversando lá com pessoas influentes foi levantada a questão sobre a pressão a senhora e sua família?

- O problema não é de uma família em particular - o problema está nas perseguições políticas, das quais na Ukraina ninguém está salvo. Nos EUA eu questionei sobre a montagem de análogo ukrainiano à "lista Magnitsky"(¹)  (com nomes de nossos altos funcionários, envolvidos em negócios de corrupção e violações sistemáticas dos direitos humanos), discutíamos o formato e a reação do governo dos EUA. Penso que a declaração do senador John McCain sobre a possibilidade de uma posição mais dura dos EUA, no caso da Bankova não reagir à última resolução sobre Ukraina, demonstra claramente a prontidão dos americanos para ações mais decisivas. As sanções mais eficazes seriam as relacionadas com a negação de vistos, e também bloqueio de recursos obtidos por corrupção e confisco de bens que têm origem criminosa. O governo dos EUA possui suficientes normas e bases de recursos para procura de fundos adquiridos por meios ilícitos, onde quer que eles estejam escondidos.

- Em seu discurso na Conferência de Imprensa no Parlamento houveram palavras dirigidas às "tushkas", que pegaram o dinheiro e passaram para situação: "Olhem nos olhos de meus filhos e engasguem-se com aquele dinheiro!" Tentaram lhe comprar?

- E, como interpretar o que está acontecendo? Se você não pega o suborno para mudar de posição política, criam problemas aos seus entes queridos no mesmo valor. E ainda lhe explicam claramente: pague 3,5 milhões de dólares de multa - e a questão será encerrada. "Motivam" para maior acomodação conciliadora.

Notas:
1 - "Lista Magnitsky"
Serhii Magnitsky, 37 anos, advogado que envolvia-se em casos anticorrupção na Rússia. Sua morte ocorreu devido a condições de vida insuportáveis na prisão e sob a influência de torturas, acrescida de sucessiva negação de ajuda médica. Ele foi detido após a publicação de fatos sobre a provável participação na apropriação ilegal de 230 milhões de dólares pelos altos funcionários do Ministério de Assuntos Internos e Departamento Fiscal da Rússia, segundo um esquema pré-estabelecido.
Oficialmente Rússia declarou a causa da morte de Magnitsky como insuficiência cardíaca, embora as organizações que participaram do estudo das causas da morte do advogado disseram que a "morte" foi causada pelas condições desumanas especificamente criadas na detenção.
Magnitsky morreu na prisão de Moscou em 19.11.2009. A "lista Magnitsky" contém várias dezenas de nomes de pessoas que são proibidas de entrar no território dos EUA, por terem sido responsáveis pela morte do advogado.


Pesquisa e tradução: Oksana Kowaltschuk




sábado, 7 de setembro de 2013

UNIÃO ADUANEIRA: Expandir, para não desintegrar

Ukrainskyi Tyzhden (Semana Ukrainiana), 29.08.2013
Andrii Skumin

A formação da União Aduaneira liderada pela Rússia não justificou as previsões otimistas de seus ideólogos. A insatisfação e o movimento pela saída de sua composição intensificam-se tanto no Cazaquistão, quanto na Bielorrússia.


A tentativa de completo bloqueio dos bens ukrainianos para mercado russo pode ser considerado um know-how russo nos processos de integração. Pelo menos a experiência, até agora, na formação de uniões aduaneiras nos limites de Benelux, Europa ou países da América demonstrou, exclusivamente, a convergência voluntária. Durante os 40 anos da integração europeia, de 1973 a 2013, nenhuma expansão da comunidade foi associada com coerção. Pelo contrário, as instituições da UE precisaram criar salvaguardas contra a entrada em massa de novos membros, com consequências negativas para organização e seus membros. E, com esta finalidade, o Conselho Europeu formulou os critérios de Copenhague. Observemos, que desde o final dos anos sessenta essas comunidades já não eram apenas união aduaneira, mas profunda forma de integração, quando os países delegam às instituições coletivas consideravelmente mais soberania, que na união aduaneira. Sem dúvida, a integração econômica - processo complexo, quando os países-membros perdem ferramentas administrativas de proteção dos interesses dos produtores nacionais e agem as leis da concorrência. Daí, que dos conflitos, ninguém está assegurado, mas eles sempre foram resolvidos através do compromisso, nunca pela coerção. Como exemplo - um dos períodos mais controversos da integração européia (nos limites das comunidades européias) está associada a obstrução da França na travessia da união aduaneira ao mercado comum, quando as instituições da UE adquiriam o direito de tomar decisões por maioria e não por unanimidade. Então, França boicotava o trabalho das instituições da Comunidade Econômica Européia (de acordo com o pacto sobre União Europeia, o nome "Comunidade Econômica Europeia" foi alterado para "Comunidade Europeia"). Este período entrou para história como política de "cadeira vazia". Mas os países da comunidade não bloqueavam a fronteira para importações da França, mas, pelo contrário, procuravam (e finalmente encontraram) o entendimento.

A conservação da União Aduaneira precisa expansão constante, o que, por um determinado tempo, ampararia a ilusão de sua atratividade e perspectivas.

No entanto, apenas três anos da União Aduaneira da Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão demonstrou, que sua viabilidade econômica é questionável, e o abuso de posições dominantes próprias de Moscou são demasiado óbvias. Isto, naturalmente, irritou os parceiros, o que continua crescendo. Kremlin ocupa-se com restrições a livre circulação através território da União Aduaneira de acordo com seus próprios interesses. A pauta aduaneira também é formada nos interesses da Rússia. Isto, por exemplo, tem impacto negativo sobre o mercado de Cazaquistão, o qual é ativamente forçado comprar a produção russa, de construção russa principalmente de automóveis. Este país ainda não criou a produção própria automobilística, enquanto a FR tem problemas com as vendas do WHA. 
Com a formação da pauta aduaneira comum nesta questão foi levado em conta os interesses da Rússia e definido altas tarifas para mercadoria importada. Como consequência - depois da entrada na UA, no Cazaquistão a tarifa aduaneira dos automóveis
de qualidade elevou-se significativamente. No caso da Toyota Camry de 2,05 mil dólares para 11,3 mil dólares, VW Golf - de 1,82 para 7,84 mil dólares.

Com isso, recolhidos dentro da UA as tarifas aduaneiras vão, quase exclusivamente para orçamento da FR (89%). Aos cazaques a UA trouxe também o aumento de preços de uma série de produtos de consumo, principalmente alimentícios e commodities. Exemplo, trigo sarraceno - quase em 2,5 vezes, diferentes tipos de carnes - para 33-40%, gasolina - 25%, peças de reposição para carros populares da vizinha China - 30-40%, etc.

Mas, o desalojamento dos bens dos produtores cazaques, do seu próprio mercado interno pelas importações da Rússia e Bielorrússia, já criou um poderoso movimento social pela saída do país da UA. No início de 2013 o partido de oposição "Azot" até iniciou, nesta questão, um referendo geral e nacional. E, como testemunham as fontes deste jornal, a idéia de sair da UA é popular até nas regiões norte e leste do país onde predomina o idioma russo. Mesmo a oficial Astana cada vez mais claramente sinaliza sobre sua posição na UA. Em particular, sobre isso, em março de 2013 abertamente declarou em Moscou o vice-primeiro-ministro do Cazaquistão Kairat Kelimbetov. Lentamente cresce a insatisfação com UA também na Bielorrússia, que parecia, iria beneficiar-se com a entrada, porque sua economia é muito dependente da russa. Assim, em junho deste ano, no país aconteceu uma série de ações de protestos, inclusive uma greve de um dia, dos empresários que começaram recolher assinaturas com a exigência para sair da UA.

Moscou tenta restringir a circulação de mercadorias dentro da própria organização, como fazia anteriormente nos países com os quais atuava o Acordo de livre comércio, FTA. Através dos serviços de controle (como o Serviço Federal) e com ajuda de procedimentos administrativos, ela pode bloquear qualquer penetração de bens em seu país do território de "aliados", o que contradiz a idéia da UA. Recentemente, devido a este motivo novamente manifestou-se o presidente bielo-russo que sarcasticamente declarou, que "na Rússia o ideólogo e representante comercial número um - é o principal médico sanitário  Hyennadiy Anischynko. Ele é especialista em vinhos da Moldávia, águas georgianas e nossa carne-leite." Em particular, no final de julho deste ano, o mesmo Anischynko expressou suspeita, que parte de produtos chineses entram no território da FR através de Cazaquistão, com etiqueta "Made in Kazakhstan", e produtores bielo-russos levam para Rússia mais leite que produzem. Então, esta produção, que transportam de além fronteira para Bielorrússia, marcam como lançada lá e depois ela aparece no mercado russo. Em seguida o principal sanitarista de Kremlin disse uma frase enigmática: "E aqui precisa compreender, quais os mecanismos nós apresentaremos". Alavancagem efetiva para influenciar o voluntarismo russo Bielorrússia e Cazaquistão, ao entrar na UA, realmente não receberam.  E, de acordo com a Comissão da UA, de 06.10.2007, este único, permanentemente ativo órgão regulador da UA decide 2/3 de votos, distribuídos da seguinte forma: Rússia - 57%, Bielorrússia e Cazaquistão - 21,5% cada. Isto é, aceitar uma decisão que não seja interessante a Moscou, Minsk e Astana não têm nenhuma capacidade.

Deste modo, as contradições entre os três países, após a criação da UA não foram retiradas. Kremlin manteve amplas possibilidades para conversar com parceiros de uma posição de força, ignorando seus interesses econômicos e impondo sua vontade. Então, em conformidade, que a insatisfação aos membros daquela organização aumenta gradualmente. Em tais circunstâncias, a preservação da União Aduaneira exige constante expansão, que durante certo tempo apoiaria a ilusão de sua atratividade e perspectivas. E neste caso, é mais uma razão importante introduzir lá, por qualquer valor Ukraina.


Tradução: Oksana Kowaltschuk

domingo, 1 de setembro de 2013

VIKTOR MEDVEDCHUK: Traição dos próprios ideais

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 21.08.2013
Mustafa Nayem


No último domingo no final das notícias do principal canal informativo da Rússia - "Rússia 23" foi ao ar uma história interessante. Ela contou aos assistentes sobre o torneio internacional de combate "sambo", ao qual compareceram o presidente Putin e o primeiro-ministro Medvedev.

Depois da explanação da preparação dos atletas às competições o jornalista, entre outros assuntos lembrou, que como visitantes do torneio compareceram Nursultan Nazarbayev (presidente do Cazaquistão) e o lider do movimento popular "Escolha ukrainiana" Viktor Medvedchuk.

Apresentados os visitantes, o jornalista aproxima-se do visitante ukrainiano mas, ao invés de comentários sobre artes marciais no ar, inesperadamente um filme de Medvedchuk sobre União Aduaneira!

Qual é exatamente a relação entre a disputa do "sambo" e a escolha externa da política ukrainiana, é difícil de entender. Mas, o quanto parece natural a relação dessas duas questões, propomos avaliar pessoalmente.

Jornalista: Enquanto isso, os convidados se reúnem próximo ao ringue: "Viktor Medvedchuk, lider da "Escolha ukrainiana" - também é fã de artes marciais. Ele diz que o esporte na Ukraina está se desenvolvendo. Mas a economia - é outra questão".

V. Medvedchuk: "Infelizmente, aconteceu, que o governo e oposição uniram-se hoje na assim chamada escolha européia. Eu considero, como de fato, a maior parte da população da Ukraina, que isso não está certo, que o nosso vetor de integração econômica deve ser com o leste - União Aduaneira."

Jornalista: Serhii Hlazyev praticamente confirma Medvedchuk. Ele também veio torcer pelos atletas, mas se preocupa pelos vizinhos. "Ukraina hoje está envolvida no processo de integração européia, onde lhe impõem o papel de colônia. Colônia sem direitos. Se fizermos uma analogia, Ukraina, sem entrar no ringue, imediatamente perde".

Cerimônia de premiação do torneio de combate "sambo". Na foto, em pé, da direita para esquerda: Medvedev, Putin, Nazarbayev e Medvedchuk.

Em seu comentário Medvedchuk distorceu um pouco a realidade sociológica na Ukraina manifestando seus próprios desejos de "mais da metade do país". Ao longo dos últimos três anos, nenhum dos serviços sociais da Ukraina recebeu resultados, de acordo com os quais mais da metade dos ukrainianos davam vantagem a União Aduaneira sobre a adesão à UE.

Desde o início de seu retorno à política, a um ano e meio, lhe previram diferentes cenários. Primeiro vieram os rumores de sua nomeação à Embaixada da Ukraina na Rússia. Depois, que seu movimento, a "Escolha ukrainiana", crescerá como partido e participará de eleições parlamentares para se tornar lobby russo no Parlamento ukrainiano. A versão alarmante foi o suposto desejo de Medvedchuk se tornar primeiro-ministro da Criméia e com progressiva escalada do cenário russo na península separá-la da Ukraina

Obviamente, todas essas versões parecem bastante exóticas. Ao mesmo tempo tudo se resumia ao fato de que Medvedchuk foi eleito lobista-chefe para os interesses russos na Ukraina. Posteriormente, a esta hipótese surgiram convincentes confirmações.

Em julho de 2012, imediatamente após uma reunião de Putin com Yanukovych, pela qual Yanukovych esperou várias horas, surgiu na rede um vídeo alegadamente secreto, de um jantar amigável do presidente russo na casa de campo de Medvedchuk, lider da "Escolha ukrainiana" na Criméia. O fato de que Putin é padrinho da filha de Medvedchuk já era conhecido. Mas, o quanto eram cordiais as relações que ligam os dois políticos, foi demonstrado pela primeira vez neste vídeo. (ver vídeo no final da reportagem)

Primeiramente este vídeo foi apresentado pelo canal russo Live News. Acreditar que este vídeo foi realizado apenas para arquivo familiar e caiu na rede aleatoriamente, só uma pessoa muito ingênua acredita.

A demonstração seguinte das relações entre Putin e Medvedchuk tornou-se a participação do presidente russo na mesa redonda da "Escolha ukrainiana", que "acidentalmente" coincidiu com o dia da celebração de 1.025 anos do Batismo da Rus. (primeiro nome da Ukraina, roubado pela Rússia, com modificação -OK).

Com cada um desses gestos de relacionamento entre Putin e Medvedchuk os meios de comunicação russos entusiasmavam-se cada vez mais com a figura de V. Medvedchuk, cada vez destacando sua liderança no movimento social com o eloquente título "Escolha ukrainiana", o qual defende a adesão da Ukraina à União Aduaneira. O aparecimento de Medvedchuk com Putin nas competições em Sochi, no contexto de tensas relações entre exportadores ukrainianos e guardas fronteiriços russos devia dar ao espectador uma resposta definitiva para a questão, quem é o principal lobista de Kremlin em Kyiv.

Mas, se os partidários da União Aduaneira na Ukraina ou Rússia soubessem quais bases ideológicas defendia V. Medvedchuk há alguns anos atrás, dificilmente eles se alegrariam com sua escolha, e há uma grande dúvida, se até o cumprimentariam.

Fuga das próprias opiniões

Em uma entrevista com a esposa de Medvedchuk ela conta, que quando eles se conheceram, ela perguntou, por que ele, um homem bem sucedido nos negócios, envolvia-se com política, a o que ele respondeu: "Eu sei, como fazer deste país uma Alemanha ou França."

E isso é verdade. Dez anos atrás Medvedchuk, por razões sinceras ou oportunistas colocava-se como um dos mais fortes defensores da integração ukrainiana à Europa. Dada a quantidade de materiais encontrados nos arquivos da internet, é difícil acreditar, que com todo esse plano Medvedchuk conseguia esconder suas verdadeiras opiniões.

Talvez a mais autêntica cópia de opiniões da política externa de V. Medvedchuk seja a sua dissertação "Atual idéia nacional ukrainiana e atuais questões de criação de Estado", escrito na Academia Nacional de Assuntos Internos da Ukraina, em 1997. No entanto, familiarizar-se com este trabalho é impossível. Ele desapareceu. Não existe nem no domínio público da internet, nem na biblioteca da Academia do Ministério dos Assuntos do Interior, nem na biblioteca Vernadskyi. Esperamos, que qualquer dia poderemos ver este trabalho do Sr. Medvedchuk, e, se alguém guardou uma cópia, ficaríamos muito felizes de recebê-la nesta redação.

Os primeiros trabalhos sobre política externa de Viktor Medvedchuk conseguimos encontrar no jornal dos companheiros, irmãos Hryhorii e Ihor Surkis "Kyivski Novyny" (Novidades de Kyiv). Em agosto do ano 2000 a edição publicou um artigo do programa de V. Medvedchuk intitulado "Independência da Ukraina e valores europeus". O artigo foi publicado em dois números consecutivos - 7 e 8 de agosto - e praticamente todo foi dedicado a escolha européia da Ukraina.

Curiosamente, na Internet, este artigo quase não sobreviveu: na página do Partido Social Democrático da Ukraina não funciona, e o arquivo do jornal não é aberto ao domínio público. A única fonte onde ele pode ser encontrado - é - no site pessoal de V. Medvedchuk. Verdade, a partir da enumeração aberta das publicações ela está oculta, achá-la conseguiu-se casualmente através de palavras-chave, pesquisando nos arquivos do Google.

No entanto, depois de concluir a leitura do artigo, é fácil compreender, porque a equipe de V. Medvedchuk cuidadosamente esconde as palavras de seu líder de olhares indiscretos. Citamos apenas um fragmento desse material.

"Eu pertenço ao mesmo grupo de políticos ukrainianos que sempre se orientaram aos valores europeus, à experiência européia e que acreditam, que o sucesso de nossas reformas é inconcebível, se nós vamos realizá-lo fora do contexto das tendências européias, se nós vamos esquecer que Europa - é a nossa casa comum, e que a fuga do alojamento comunal soviético não significa que nós não devemos buscar a única civilizada e confortável civilização da construção européia.

Eu estou profundamente convencido de que, praticamente todos os nossos segredos para superação da nossa crise precisa procurar na Europa. Na minha profunda convicção, nós precisamos apenas, com cuidado e atenção aprender a experiência européia e adaptá-la às realidades da Ukraina.

Pode ser que nós ainda não temos fé suficiente nos valores fundamentais europeus. Nós, ukrainianos, hoje nos assemelhamos àquelas pessoas, das quais a Bíblia diz que possuíam fé suficiente para sair do reino do mal, mas não possuíam fé suficiente para entrar na Terra Prometida."

Posteriormente todas essas idéias formaram a base do livro de V. Medvedchuk: "Espírito e princípios da social-democracia: perspectiva ukrainiana", onde ele ressaltava, que a adesão de plenos direitos da Ukraina a UE é a consequência do reconhecimento de valores liberais.

Em 2002, a opção da Ukraina era declarada no programa do Partido Social Democrata da Ukraina (unido). Hoje é surpreendente lembrar que nas convenções sob os auspícios de V. Medvedchuk na sala havia pendurado um retrato do chanceler alemão Willy Brandt.

Na véspera das eleições parlamentares os partidários do PSDU(unido) promulgaram o principal programa do partido "55 teses do PSDU (unido), onde no capítulo "Política exterior" afirmava-se: "Nós partimos do fato, que Ukraina optou pelo modelo europeu de sociedade e Estado, e esta escolha não está sujeita a discussão ou revisão. O objetivo político da Ukraina - tornar-se um membro de plenos direitos da Comunidade Européia".

O documento foi publicado com a assinatura de V. Medvedchuk e seu texto, na íntegra, ainda pode ser lido no site oficial do PSDU(unido) e até mesmo baixar como arquivo.

Fuga da próprias ações

Chegando ao Parlamento, o partido de V. Medvedchuk passou das declarações ao concreto. Em 19.06.2003 o Parlamento aprovou a Lei "Sobre a segurança nacional da Ukraina", de acordo com a qual, as prioridades dos interesses nacionais da Ukraina definiam-se "integração no espaço econômico, político e jurídico europeu e espaço euro-atlântico de segurança".

Na esfera da segurança nacional a prioridade, entre outros itens foi dito "aquisição de associação na União Européia com preservação de boa vizinhança e parceria estratégica com a Rússia". Além deste parágrafo Rússia é mencionada apenas em dois contextos: "observância dos acordos sobre permanência temporária da Frota do Mar Negro" e garantia do livre desenvolvimento, uso, desenvolvimento e proteção do idioma russo e outros idiomas de minorias nacionais.

Interessante, no capítulo sobre questões econômicas a Federação Russa não era mencionada. Como prioridade da Ukraina foi determinado: "aprofundamento da integração do sistema europeu e mundial, e participação mais ativa em organizações econômicas e financeiras internacionais".

Esta lei foi aprovada por 319 votos. O partido PSDU(unido) consistia de 37 deputados, votou favoravelmente com 34 votos mas, mesmo se votasse contra - a lei seria aprovada. Foi uma escolha consciente dos social-democratas.

Medvedchuk, na época era o chefe da administração do presidente Leonid Kuchma. Mas não há nenhuma dúvida de que ele estava de acordo com os membros de seu partido na escolha européia da Ukraina. No mesmo ano de 2003 o serviço de imprensa de seu partido, PSDU(unido) anunciou o apelo de seu líder ao povo ukrainiano, por ocasião do Dia da Europa.

Os apoiadores de hoje de V. Medvedchuk ficariam surpresos, ao ouvir, que outrora seu líder exortava os cidadãos a compreender a irreversibilidade da opção européia da Ukraina, e sublinhava que "Europa - nossa morada".

"Aderindo às celebrações gerais européias, mais uma vez ressaltamos o fato de que o país independente - Ukraina - definiu sua política interna e externa à integração européia. Este difícil caminho requer de cada um de nós uma maneira diferente de pensar e agir, respeito pela lei, recusa ao legado autoritário do passado. E, principalmente, conscientização de que Europa - é nossa morada. Nosso guia - Europa, os seus valores humanistas".

E, se compararmos todas estas teses de V. Medvedchuk com o então sentimento da sociedade, então revela-se, que durante sua permanência no poder, V. Medvedchuk literalmente estuprava os ukrainianos com suas idéias sobre a integração européia. De acordo com os dados do Centro Razumkov, no início de 2002 desejavam a integração européia apenas 26% dos ukrainianos, e desejos para aproximação com a Rússia eram 34,2%. Em comparação, hoje o quadro é exatamente oposto: a integração européia apoiam 41,7% da população, e a adesão à União Aduaneira - 31%.

No entanto, é improvável que o público russo um dia verá esses dados. É ainda mais duvidoso de que a ele serão apresentadas as opiniões políticas metamorfoseadas de V. Medvedchuk do passado.

Mas aos defensores da opção européia da Ukraina também há uma boa notícia: sobre quem realmente é V. Medvedchuk na atual arena política da Ukraina, os jornalistas russos falarão apenas nas suas fantasias mais corajosas.

Medvedchuk é, definitivamente, um dos advogados mais experientes na Ukraina. Mas, em todo o país, este fato é conhecido apenas por um círculo muito restrito de especialistas. A reputação do cardeal "cinzento" dos tempos do presidente Kuchma (Kuchma foi eleito em 1994 e reeleito em 1999 - OK) nos círculos políticos fez com que até mesmo os políticos mais proeminentes, da oposição e do poder não ostentassem sua colaboração com o Sr. Medvedchuk.

Sua popularidade entre o eleitorado potencial restringe-se a incognoscibilidade. Não ajudaram nem as centenas de milhares de cartazes com a face de Medvedchuk, que tentou promover a idéia da "escolha ukrainiana" em quase todas as cidadezinhas ukrainianas. Certamente, o aparecimento regular com V. Putin pode melhorar um pouco a situação, mas é improvável que será favorável à imagem de um político ukrainiano independente.

A única pergunta que surge: por que a escolha de experientes estrategistas políticos do Kremlin, capazes de efetivamente formar a consciência do país de quarenta milhões de habitantes, caiu exatamente sobre Medvedchuk - político pouco conhecido do passado distante, com determinada reputação que a um ano e meio atrás, encontrava-se além dos limites de marginalização?

As respostas podem ser duas: ou isto é um mito habilmente construído para exportação especialmente para V. Putin, o que é uma consequência do isolamento completo de Moscou das realidades ukrainianas. Ou outra escolha além da criação artificial da "escolha ukrainiana" os russos não tinham.

Então tudo isso confirma a marginalidade de todo lobby russo na sociedade ukrainiana.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

Putin visitando a afilhada