domingo, 26 de janeiro de 2014

PRESOS DA BANKOVA

História dos 9
Ukrainska Pravda. (Verdade Ukrainiana), 10.12.2013

Ivanna Kobernyk, Irena Solomko, Anna Tsukanova

Em 1º de dezembro após o massacre brutal na Bankova foram presas nove pessoas. Como comprovam os vídeos, estas pessoas foram torturadas e espancadas por várias horas sob a Administração Presidencial. Sete deles ainda estão nas camas do hospital com ferimentos graves, dois - na cadeia.

Em 3 de dezembro o Tribunal Distrital Shevchenko (¹) decretou a prisão dessas nove pessoas por 2 meses - por suspeita na organização de distúrbios em massa o que prevê de 5 a 8 anos de aprisionamento. Esta decisão assombrou toda sociedade - no banco dos acusados - roxas do espancamento pessoas em ataduras. Ao Tribunal não foram fornecidas nenhumas evidências que provariam a culpa dos detidos ou a sua periculosidade à sociedade. No entanto elas foram aprisionados por dois meses como reincidentes perigosos.

E, somente depois de 5 dias, depois de pronunciamentos maciços de jornalistas, deputados, Provedor de Justiça e embaixadas estrangeiras a Procuradoria reconheceu os 9 espancados na Bankova como vítimas e iniciou ações investigativas e ações penais por crimes forenses da unidade especial do Berkut. No Berkut, no entanto, ninguém até agora foi aprisionado, nem afastado do trabalho - até 10 de dezembro.

Estes 9 presos não tinham relações de amizade, nem se conheciam anteriormente. Não tiveram problemas com a lei. Não eram membros de partidos políticos. Viviam e trabalhavam em diferentes cidades e em áreas completamente diferentes. Lá tem um jornalista, motorista caminhoneiro, gerente de concertos, comerciante, fotógrafo voluntário, engenheiro, desenhista arquitetônico.

Em seguida - sua história - confirmação estranha, como o sistema é capaz de pegar qualquer um na rua, bater como a uma almôndega, jogar atrás das grades. E isso é tudo - não na longínqua região distrital, mas no centro da capital com a presença de vídeo-evidências do espancamento brutal do Berkut.

YEHOR PREVIR


7 anos. No passado, funcionário do Departamento de Pessoal. Neste ano, para mudar de atividade frequentava cursos de informática, trabalhava na reconstrução de filmes históricos. Este é o detento que perdia a consciência no Tribunal Shevchenko no dia 03.12.2013 ao qual chamaram a emergência, o qual não conseguia ficar em pé mesmo durante a leitura da decisão sobre detenção por dois meses, o que não causava nenhuma impressão sobre o juiz.

Os parentes e amigos ficaram chocados com o que acontecia. Ele era uma pessoa pacífica. Não usava álcool, não fumava, era vegetariano. Levava um estilo de vida saudável.

O primeiro socorro médico lhe forneceram somente às 10 horas do dia seguinte (!), quando o trouxeram ao hospital emergencial. Os parentes, até então, não sabiam aonde ele estava e o que acontecia com ele - ninguém lhes deu nenhuma informação. Ele tem trauma crânio-cerebral, comoção cerebral, nariz quebrado e maxilar deslocado. Mesmo depois de uma semana ele perdia a consciência - os médicos chegaram a suspeitar de politraumatismo, mas análises mais aprofundadas isto não revelaram

No dia 1º de dezembro toda família foi ao Maidan. Depois os pais e a irmã foram para casa, o irmão decidiu verificar o que acontecia na Bankova. No famoso vídeo do espancamento brutal dos detidos pelo Berkut Yehor é visto com braços levantados e espancado pelos degenerados. Dele tiraram a jaqueta (com zero de temperatura) e colocaram com rosto no asfalto, caminhando pelo corpo deitado, ao menor movimento. Assim o seguraram até às 22 horas, quando o levaram ao departamento policial de Holosiyivske.

Quando, em 5 de dezembro, no hospital, a advogada encontrava-se com Yehor, ela reparou que ele encontrava-se com a mesma roupa ensanguentada, com a qual foi preso em 1º de dezembro. Seus sapatos estavam gastos até os buracos - depois que o arrastaram no asfalto da Bankova.

Somente em 6 de dezembro a Procuradoria reconheceu Yehor como vítima e começou os procedimentos sobre infrações da unidade especial Berkut. Realização da perícia médico-legal e primeiros interrogatórios.

Em 1º de dezembro no apartamento de Yehor Previr realizaram a busca e encontraram um formulário em branco, de adesão à organização "Irmandade". Os familiares dizem, que ainda ontem, no quarto do Yehor nada disso havia. Mas, testemunhas no momento da exclusão dos papéis encontravam-se em outro quarto. (As pessoas decentes precisam deixar de ser ingênuas com o governo sujo. Bastam poucos segundos e eles forjam provas. Não é a primeira vez que leio tais depoimentos - OK). E mais, a busca foi iniciada antes da chegada dos advogados o que os incapacitou da possibilidade de proteger os direitos de seu protegido. (Mais uma ingenuidade!).

VLADYSLAV ZAHOROVKO

38 anos, casado, três filhos. Esposa em licença maternidade. A criança mais novinha com pouco mais de um ano. Motorista-caminhoneiro de tráfego internacional.

 
Ao Maidan em 1º de dezembro veio pela primeira vez, tendo visto a dispersão dos estudantes na noite anterior. Quando Berkut começou o espancamento das pessoas ele não conseguiu escapar - luminosa e sonora granada lhe danificou a vista, ele nada via.

Vladyslav Zahorovko foi pego pelo Berkut que, por várias horas o manteve deitado no asfalto, colocava de joelhos e espancava brutalmente.

Em 3 de dezembro foi fixada medida de detenção para dois meses. Na sala estava presente sua esposa com três crianças pequenas, as quais não tinha com quem deixar. Como a questão verificava-se tarde da noite, as crianças dormiam no banco. Depois disso Vladyslav foi levado ao distrito policial Holociiv e apenas às 3:00h da noite (mais de 11 horas desde a detenção!) chamaram o advogado, o que também é uma violação de direitos.

A advogada do serviço de assistência gratuita, que atendeu ao chamado, viu o ensanguentado Vladyslav com lesão no olho e cabeça rachada e chamou uma ambulância. Ele foi levado ao hospital. Além da lesão no olho e cabeça ele tem costela fraturada e vários hematomas pelo corpo todo, especialmente nas pernas. Não considerando tudo isso transferiram-no para prisão e faziam interrogatórios na questão da organização de distúrbios em massa na Bankova. Paralelamente o investigador recusava-se em aceitar a declaração do crime cometido pelas forças especiais Berkut contra V. Zahorovko.

 

Com a esposa

Somente após 6 dias a Procuradoria ocupou-se com a declaração do crime do Berkut na Bankova e reconheceu Zahorovko como vítima no processo penal. Também graças a intervenção de jornalistas, deputados, Provedor da justiça que Zahorovko foi transferido da cadeia ao hospital. A ameaça é que o pai de tantos filhinhos pequenos pode perder a visão ainda persiste, mas operar agora não pode - há inflamação no olho afetado. Antes de tudo, ele não poderá trabalhar mais como motorista-caminhoneiro, e este seu trabalho alimentava toda sua família.

SERHII NUZHENKO

31 anos. Natural de Kirovohrad. Trabalhava no comércio. Interessava-se por fotografia. Na rede há muitas fotos de suas viagens, e mais ainda de orfanatos. Já por muitos anos ele ocupava-se com ajuda voluntária aos órfãos, por isso após sua prisão manifestaram-se dezenas de voluntários de diferentes cidades da Ukraina, e até da Rússia. Em Kirovohrad até houve uma ação de protestos em seu apoio. Mas, não ajudou - em 3 de dezembro o Tribunal Distrital Shevchenko fixou a decisão sem fundamento, escrito sob modelo - 2 meses de detenção.

Antes de espancamento

Crianças dos internatos visitados por Nuzhenko, escrevem seus apelos para liberar "tio Serhii" e dizem, que a liberdade dele - é o mais desejado presente de Ano Novo. Um dos adolescentes disse: "Como é possível fotografar e, ao mesmo tempo, jogar pedras". Mas, por enquanto, como aos outros, ameaça de 5 a 8 anos de prisão. Em 11 de dezembro, no Tribunal de Recursos examinar-se-á a apelação quanto a seu aprisionamento.

Em 1º de dezembro Nuzhenko esteve na Bankova com uma câmera profissional. Como a maioria neste caso, não conseguiu fugir quando começou o espancamento.

Depois do espancamento.

Serhii tem uma sutura interna na cabeça e vários hematomas. A sutura na cabeça é de

10 cm. Ele, como as outras vítimas, Berkut colocou no chão e bateu até ele perder a consciência. Depois da surra ele foi levado à emergência, onde continua até hoje.

Para o encontro com o advogado, os acusados nos distúrbios são levados ao hall e presos com algema a uma bateria.

GENNADY CHEREVKO

Sem partido, pai de duas crianças, trabalha como agente comercial, Gennady Cherevko, 41 anos, viajou de Lubny, Poltava, a Kyiv, para, como explicou à esposa, ver os acontecimentos históricos no Maidan. Berkut bateu nele tanto que derrubou-o e lhe quebrou o osso da mão direita, fez cortes na cabeça e deixou-o com inúmeros hematomas, inclusive no rosto

Já na emergência do hospital Gennady foi acusado de organizar motins de massa, no mesmo artigo 294, que o resto dos detidos, com a perspectiva de até 8 anos de prisão.

Durante os conflitos, próximo a Administração Presidencial ele estava próximo ao Berkut e fotografava o que acontecia, com celular. Quando a milícia atacou os manifestantes, ele começou correr com os outros, mas caiu, e não conseguiu mais levantar-se, sobre ele choveu uma saraivada de golpes de cassetetes da polícia. Ele tentava proteger a cabeça - então batiam em suas mãos.

Depois levantaram-no e levaram-no, através de um corredor do Berkut ao pátio da Administração Presidencial. De acordo com as palavras do advogado, Gennady foi conduzido pelos alinhados Berkutivtsi, e cada um deles batia nele.
 
foto do casal

Deitado no chão com todos os oito detidos ele, de tempo em tempo, perdia a consciência. Periodicamente ele era surrado. Enquanto isso fotografavam-se contra o pano de fundo de suas vítimas, como os caçadores de rapina.

Natália Cherevko, professora de inglês, quase ficou louca procurando seu marido. O contato com ele foi perdido - seu telefone deslocado da mão pelo Berkut, desapareceu. Somente no dia seguinte lhe telefonaram do hospital de ajuda emergencial, onde Gennady encontra-se até hoje, em enfermaria especial alugada pela polícia.

"Eu chorei durante três dias", - diz Natália. Ela deixou as crianças - filha de 13 anos de idade e filho de 3 anos incompletos e foi para Kyiv visitar o marido. A visita foi rápida, com a presença da polícia. "Eu acariciei a mão dele. Ele tem hematomas no nariz e nos dedos", diz a esposa. "Eu temo por ele", acrescenta ela.

YURI BOLOTOV

39 anos. Empresário particular, Yuri Bolotov ex-gerente do grupo musical "Okean Elzy" - este é o mesmo homem, que ficou tristemente notório pelo vídeo onde Berkut bate com cassetete gritando: "De joelhos escumalha".

Yuri tem dois filhos, o mais velho com 16 anos, que Yuri educa sozinho. Bolotov é de Lypkakh e no dia da manifestação foi até lá para assuntos domésticos. De ações de protesto ele não participou. Ele encontrou-se com ex-colegas na esquina da Bankova com Instytutska, onde foi detido.

O homem pensou que não tinha nada para temer, não tentou fugir e até levantou as mãos para cima para que fosse visto - nada de perigoso ele não possuía.

- Quem é você?

- Eu sou de Kyiv - respondeu ao Berkut. Então foi derrubado e arrastado pela Bankova ao pátio da Administração Presidencial

 

Como resultado do espancamento pelos "protetores da lei", ele apresenta numerosos danos nos tecidos moles, as costas transformaram-se em uma contusão quase total, machucados joelhos, cotovelos...

Como outros prisioneiros da Bankova ele passou algumas horas deitado no asfalto. Na delegacia ele até recusava-se dos cuidados médicos - pensava que era um mal-entendido, não queria perder tempo com médicos, para rapidamente voltar para casa, onde por ele aguardava seu filho. Ele não tinha idéia, que o Tribunal encontraria motivos para seu aprisionamento por dois meses.

Amigos e família o reconheceram no vídeo e começaram procurá-lo pelas delegacias e hospitais, depois procuraram por advogados, mas passou quase um dia até conseguirem informações da polícia sobre sua localização.

Tanto os familiares como os advogados conseguiram vê-lo apenas depois de 2 dias, durante a sessão do Tribunal em que decidiram aprisioná-lo por dois meses. Como os demais detidos na Bankova, ele foi acusado pela organização dos motins em massa pelo artigo 294 do Código Penal, a pena máxima para o qual é de até oito anos de prisão.

Os amigos consideram a prisão de Yuri absurda. "Esta pessoa nunca disse uma palavra grosseira em sua vida. Eu não sei como puderam acreditar que ele, mascarado, com pedaço de pau batia na polícia", diz sua ex-esposa e mãe do filho menor.

A busca em sua residência não encontrou nada comprometedor.

YAROSLAV PRYTULENKO
 


O rapaz tem 21 anos e está em cela de isolamento, em retenção temporária. Sua mãe conseguiu visitá-lo depois de alguns dias. Sua namorada Catarina disse que a salvação de Yaroslav foi a roupa própria para esportes radicais que ele usava.

Ele é vendedor na loja de roupas extremas e gosta de esportes radicais. Quando soube da repressão sangrenta dos estudantes, decidiu usar um capacete e proteção para as costas usada por snowboarders. E, exatamente por isso que suspeitam dele.

Catarina enfatiza que Yaroslav frequentava apenas manifestações pacíficas. Ela verificou todos os vídeos de abusados e torturados por Berkut, presentes na internet, mas ela não encontrou Yaroslav lá.

Após o julgamento todos compreenderam que precisam lutar, lágrimas não resolverão. Yaroslav não estava junto com os outros oito que Berkut brutalmente espancou na Bankova, ele foi aprisionado depois. Foi derrubado no chão, apanhou no rosto e na região dos rins.

Seu estado de saúde Catarina não sabe porque ainda não há resultados da esperteza médico-forense.

MYKOLA LAZAREVSKYI

22 anos, concussão cerebral, lacerações na cabeça (sutura do topo ao pescoço), nariz quebrado, contusões e hematomas por todo corpo - soma da participação em ação pacífica ao apoio a estudantes dispersados violentamente.

Sua namorada diz que o reconheceu no vídeo. Viu claramente quando batiam. Ele não se movia, apenas protegia-se com as mãos. Chutavam seu rosto com os pés. Depois pegaram sua carteira e isto também apareceu no vídeo. Ela diz que o culparam porque ele, usando jaqueta vermelha, dirigia o trator na Bankova. Mas ele não usava jaqueta vermelha, não dirigia o trator, mas usava jaqueta preta, que agora vermelha de sangue está com o Berkut.


O rapaz é de Ternopil, de família de intelectuais. O pai era professor e liquidante do acidente de Chernobyl. Chegou a estação um dos primeiros, o que lhe custou a vida. Morreu em 2000 quando Mykola tinha menos de 11 anos.

O menino sofreu muito com a morte do pai. A mãe é professora de psicologia e musicista. O irmão é cirurgião. Entre seus familiares há muitos médicos, somente Mykola resolveu seguir o caminho da criatividade. Fez construção Civil e Arquitetura, mas resolveu trabalhar com design.

Foi na manifestação com amigos. Quando os familiares perderam a comunicação saíram a procura. Na milícia diziam que não havia presos.

Somente depois de nove dias a mãe conseguiu permissão para visitá-lo no hospital. O hospital pediu roupas quentes. O medo é que o rapaz seja mandado para cadeia.

OLEKSANDR OSTACHENKO

32 anos. Aprisionado por 2 meses porque no dia 1º de dezembro esteve na Bankova. Está no hospital. Tem concussão cerebral, dedos quebrados, afundada a caixa torácica, hematomas por todo corpo. Os amigos encontraram o vídeo que registra o momento que o surravam, e até o rosto do algoz. Também mostra Oleksandr com os braços erguidos com a aproximação do Berkut, e quando Berkut empurra Oleksandr inconsciente com o pé, verificando se ele está vivo.

Em casa, esperam por ele a esposa e filha de 5 anos. A menina sabe que o pai está no hospital, mas porque ele está lá, quem é o culpado, a mãe não consegue explicar.

Com a filhinha

Oleksandr nasceu na região de Vinnytsia. É engenheiro-projetista de sistemas de abastecimento de água e saneamento. Atualmente engenheiro-chefe do Centro de Tecnologias de Tratamento de Água. Com sua esposa Maryna, jornalista, vivem próximo de Kyiv, na cidadezinha chamada Bucha.

Maryna diz que no dia 1º de dezembro, pela primeira vez ele saiu de casa para ir ao Maidan porque quis apoiar as pessoas depois da sangrenta repressão na noite de 29-30 de novembro.

Com amigo andavam tranquilamente, mas foram separados pela multidão. O amigo conseguiu fugir mas Oleksandr caiu nas mãos do Berkut. O telefone ficou mudo, foi roubado durante a detenção, mais ou menos às 5:00 horas. Conseguiu telefonar para esposa somente às 23:00 horas. Maryna conseguiu ver o marido somente no Tribunal, mas ele não a reconheceu porque seus óculos foram quebrados ainda na Bankova. Somente com ajuda do advogado Maryna conseguiu trazer-lhe novos. Não lhe permitiram falar com o marido.

VALERY HARAHUTS

Fundador e jornalista do jornal online "Faces" de Dnipropetrovsk. Budista, pacifista e vegetariano. Sozinho construiu a máquina de tecelagem, o tecido distribuía como presente a amigos. Sonhava abrir uma escolinha de tecelagem para crianças.

Depois das agressões do Berkut foi hospitalizado e ainda permanece lá. Segundo informações ele tem concussão cerebral, múltiplos hematomas nas pernas e pés e costelas fraturadas.

A acusação é igual aos demais. Artigo 294, que prevê até 8 anos de prisão.

Valery com seu tear

Valery ganhou a reputação, da mídia local, de "Amante da verdade" após publicar em sua edição fotos desagradáveis para autoridades locais. Os jornalistas se admiram com as acusações contra Harahutsa. "Valery é uma pessoa normal, equilibrada, não agressiva. O que estão falando não se relaciona a ele", dizem eles.

Valery antes do espancamento

Valery veio a Kyiv para cobertura dos protestos. Lembrando o que acontecia nos protestos anteriores trouxe um kit de primeiros socorros para ajudar as vítimas caso necessário. Durante o ataque do Berkut viu um jovem ferido e correu em seu auxílio

Valery após o espancamento

Neste momento Valery recebeu um golpe nas pernas, daí não conseguiu mais andar, muito menos fugir. Como os outros foi arrastado até a Administração Presidencial e jogado na calçada onde ficou no mínimo duas horas numa temperatura de zero graus. Se tentava levantar recebia cassetadas na cabeça ou nas costas.

Violando a lei não permitiram advogado por mais de três horas.

Somente depois de cinco dias permitiram que seu filho o visitasse. O investigador alegou que o jornalista foi aprisionado porque tinha nas mãos um coquetel Molotov. Segundo o filho o coquetel Molotov podem ter confundido com peróxido de hidrogênio e uma bandagem que seu pai usava para ajudar as vítimas. (E não podiam verificar antes de bater? - OK). "O pai parece bem. Duas equimoses. Está cheio de otimismo. Se houver chance fará tudo novamente. O único que lamenta é treinar ioga ao invés de corrida", - escreveu o filho em seu blog.

Muito importante no julgamento. O governo deve saber - não nos podem excluir da multidão, um a um, espancar e colocar atrás das grades, para assustar os outros. E não nos podem espancar na frente das câmeras, e depois aprisionar com a esperança de, silenciosamente, fabricar provas contra nós.

1. Shevchenko foi o maior poeta ukrainiano. Já no século XIX ele clamava contra a injustiça dos ocupantes moscovitas e seus cúmplices da nobreza ukrainiana. Parece que nada mudou, o povo continua sofrendo.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

24 de Janeiro: Protestos e barricadas no país


Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 24.01.2014

Protestos em todo país. Novas barricadas e novo chefe da Administração Presidencial - Andrii Kliuiev.

A família de Yurii Verbytskyi recusou auxílio financeiro para funeral. Disseram entregar para Euromaidan.

No Ministério do Interior anunciaram a preparação para provocação armada. Deram até o calibre da munição.

No Ministério do Interior informaram sobre apreensão de membros do OCG - Grupo Criminoso Organizado. (Há referencias deste grupo na internet, no mínimo desde 2008). Segundo o Departamento de combate a grupos criminosos organizados, no território de Kyiv há, aproximadamente, 20 estruturas que têm características de gangues criminosas de caráter extremista. 

A oposição informou que o deputado Yaroslav Sukhyi, do Partido das Regiões, assinou declaração de saída do partido.

Próximo de dez ônibus saíram de Donetsk, trazendo reforços contra os manifestantes. Milícia confirmou.

Kyiv marchou em apoio ao Euromaidan.

Em Uzhhorod os manifestantes tentaram apossar-se do prédio do Conselho da cidade.

No tribunal Obolonsk, Kyiv, onde deverá ocorrer o julgamento das pessoas do Automaidan (motoristas que protestavam visitando residências dos poderosos), aprisionados pelo Berkut, não permitem jornalistas. Os advogados dizem que alguns estão muito machucados e necessitam atendimento médico.

Os habitantes de Vinnytsia bloqueiam unidade militar.

Região de Lviv - presidente da Administração de Busk saiu do Partido das Regiões.

Em Bohoslov -região de Kyiv, as pessoas tentaram sitiar a Administração Estatal.

O Supremo Tribunal Administrativo rejeitou a apelação para sentenciar "Leis ditatoriais" de 16 de janeiro.

A Administração Estatal Regional de Chernivtsi está nas mãos do conselho Popular.

Parlamento da Criméia pede a Yanukovych introduzir o estado de emergência na Ukraina.

Ministro do Exterior da França Laurent Fabius chama o embaixador da Ukraina ao Ministério das Relações Exteriores. Em entrevista em Davos, sobre declaração de Azarov "tentativa de golpe", o serviço de imprensa da Embaixada da França, responde: " Em relação ao Primeiro Ministro, o mínimo que podemos dizer, é que, nos últimos dias, ele não se revelou positivamente, o senhor viu, houveram ordens para atirar na multidão, o que é, inaceitável" - disse Fabius.

Foi capturada a Administração Estatal Regional de Ivano-Frankivsk.


Em Novoiarsk, região de Lviv, as pessoas, já por mais de 12 horas fazem barreira na via estatal.

Deputado do conselho de Volyn Sviatoslav Borutskyi avisa que o presidente da Administração Estatal da Província Borys Klimchuk escreveu uma carta de demissão. A carta, após registro será enviada a Kyiv. O presidente do Conselho Regional de Volyn também renunciou. "Eu escrevi esta declaração para preservar a paz civil", - disse ele. Também renunciou ao cargo de vice-presidente do Conselho Yuri Lobach.

Barricadas próximo Administração Estatal de Lviv

Lituânia decidiu aceitar feridos para tratamento. Anteriormente, na Polônia, preparavam-se para aceitar fugitivos.

Acima de 200 pessoas doaram sangue para vítima da rua Hrushevskyi Roman Senyk. Segundo os trabalhadores do centro de doadores isso não aconteceu desde a Revolução Laranja em 2004, quando as pessoas doavam sangue caso fosse preciso. Roman Senyk, ferido na rua Hrushevskyi, teve o pulmão perfurado por bala e também ferimentos nas costas. Teve um braço amputado e perdeu 3,5 litros de sangue. Passou por três cirurgias e está em coma.

Milhares de pessoas de Lviv vieram ao enterro de Yuri Verbytskyi.

Os bancos do centro de Kyiv fecham as portas ou reforçam a guarda.

Um vídeo de jornalista polonês mostra o Maidan sendo provocado. As pessoas andam e gritam. Tem um som estridente de algo batendo. No final o jornalista pergunta ao Berkut: "O que vocês fazem?! Querem matar alguém?! Mas vocês são ukrainianos!" 


As lojas da capital suspenderam a venda de armas.

EUA fecharam a entrada para deputados do Partido das Regiões Volodymyr Oliynik e Olena Bondarenko. Kliuiev sob questionamento, avisa Myroslava Gongadze (viúva do jornalista decapitado. Ela reside nos EUA). Anteriormente já foram caçados vistos de outras pessoas, segundo declaração da embaixada que, de acordo com a lei não pode divulgar nomes.

Aos policiais de Donetsk, no Gabinete do Ministério, a noite deram medalhas: "Pelo serviço exemplar no desempenho de missões de combate" quanto a garantia da proteção da ordem pública em Kyiv, com medalhas  "Respeito do Povo aos guardas militares" foi atribuído a um certo número de soldados.

Sobre isso avisa o Serviço de Imprensa das tropas do Ministério do Interior.

Os prêmios foram concedidos a unidades militares de Mariupol e Donetsk, do comando territorial do Leste.
(Todos eles, os presenteadores e os presenteados, dignos filhos de Stalin - OK)

Atenção! No Maidan reuniram e expuseram balas de "borracha" com as quais atiravam na rua Hrushevskyi.

No Maidan, realizaram uma ação em memória dos que morreram.

Nova arma em Khmelnytskyi: Retratos de Yanukovych voam sobre milícia.

Ao representante da União Européia Juan Manoel Lopes não permitiram entrar na sala do Tribunal de Obolonsk. Ele conseguiu entrar somente devido a pressão dos deputados e da comunidade. As vídeo câmeras não foram permitidas. Houve um conflito, durante o qual a correspondente do Canal 5 Olga Petriv sofreu um trauma ocular das mãos de um soldado.

Tony Blair, Bill Gates, Richard Branson e o prêmio Nobel Mohamed Younis homenagearam os mortos na Ukraina, os quais lutaram pela liberdade e democracia.

Irena Gerashchenko no Tribunal de Obolonsk: Consegui, por uns segundos, chegar aos rapazes do Automaidan e os detidos na rua Hrushevskyi. O mais idoso tem 73 anos, o mais jovem recentemente recebeu o passaporte. Todos mantêm-se, embora alguns foram seriamente feridos. Há muita imprensa e deputados. Todos queriam saber quem perguntou por eles. E, pediram para avisar que estão bem.

Próximo ao tribunal, grande número de pessoas.

Havreliuk que apanhou do Berkut fingiu que estava muito mal. Foi levado ao hospital de onde fugiu e já está no Maidan.

Yanukovych: "Se não sair tudo bem, aplicaremos todos os métodos legais".


Tradução: Oksana Kowaltschuk

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Maidan espera pelos acordos



Diretor de Serviços médicos do Maidan Oleh Musii - sobre os mortos, feridos, baleados pelo Berkut, e sobre as necessidades do Maidan.

Ukrainska Pravda, Verdade Ukrainiana, 22.01.2014


"A situação com os feridos é complicada, eles recusam-se a serem levados às instituições médicas estatais porque o governo interfere no tratamento. Então nós instalamos aqui um atendimento médico, onde os feridos são atendidos por médicos voluntários. 
Entre seis e oito horas da manhã trouxeram uma pessoa com queimaduras na cabeça, pescoço e peito. O outro recebeu uma bala, está com ferimento no coração.
Planejaram a destruição deste ponto de atendimento. Felizmente os médicos conseguiram sair e, justamente neste momento, trouxeram dois feridos gravemente, já inconscientes, que os médicos não puderam atender para salvar a própria vida. Hoje os médicos não foram alvejados. No entanto, ontem aconteceu um fato chocante. Exatamente, quando um dos médicos foi socorrer um policial do Berkut, que estava caído no chão e contorcia-se de dor. Pois este médico, com uma cruz vermelha nas costas, foi alvejado com três tiros.nesta cruz. Felizmente as balas eram de borracha. Um outro médico recebeu uma bala no nariz que o quebrou e causou um enorme hematoma junto ao olho. Ainda um terceiro médico que aproximava-se do policial ferido, recebeu uma granada nos pés, outra feriu suas mãos e o rosto.
Foi assim que seus próprios colegas procuraram ajudar o policial do Berkut .
Os feridos mais graves, infelizmente, somos obrigados enviar aos hospitais de Kyiv, aos que apresentam ferimentos menos graves e recusam-se serem enviados aos hospitais, nós fornecemos atendimento médico. 
O serviço médico do Maidan necessita mais médicos qualificados: reanimadores, anestesistas, de auxílio imediato, traumatologistas, etc. Também necessitamos de grupos de proteção porque o Berkut ataca seguidamente. 
Hoje não necessitamos medicamentos porque a população nos abasteceu. No caso de necessidades, pediremos (cita o endereço).
(Traduzido diretamente do vídeo- OK)

Vitali Klychko conseguiu acordo com as forças de segurança e os ativistas para uma trégua, que vai durar até a conclusão das negociações entre Yanukovych e oposição, isto é, às 8:00 horas de hoje.

As pessoas tomaram a Administração Estatal de Lviv. Hoje, 23 de janeiro, aproximadamente duas mil pessoas vieram sob as paredes da administração pública regional de Lviv e ocuparam o prédio. Eles vieram conversar com o chefe da administração Oleh Salo e anunciaram que "tomam o poder em suas próprias mãos" e irão bloquear o prédio. 
Toda a praça em frente da administração estava repleta de pessoas que gritavam: "Entramos"! "Revolução! e exortavam uns aos outros para entrar tranquilamente, não quebrar vidros, não estragar a propriedade.
O serviço de segurança não conseguiu contê-los porque eram muitos.
Sob a pressão dos manifestantes, o chefe da Administração Regional Estatal de Lviv, veio ao encontro das pessoas e assinou a declaração de demissão.
As pessoas estão sendo chefiadas pela deputada provincial Oksana Yurynets, do Partido UDAR (Klychko) e vice-chefe do Conselho Regional Valery Piatak.
Ao entrar, as pessoas começaram cantar as canções natalinas. Depois veio um auxiliar da administração e chamou-as ao gabinete de Salo. Ao entrar cantaram o Hino da Ukraina.
O representante do grupo de iniciativa explicou que, de acordo com a Constituição, artigo 5, estão criando o Conselho do Povo, e o poder transfere-se aos escolhidos pela nação - deputados do Conselho Provincial.
O grupo de iniciativa comunicou que as pessoas irão a outras administrações de Lviv, como receita, alfândega, etc., mas não vão bloquear os seus serviços.

Oleh Salo foi nomeado para governador de Lviv a cerca de dois meses. A comunidade recebeu-o com reservas devido a seu passado nada elogiável. Ele já desempenhou funções importantes nesta região. O governador anterior era muito bem visto pela população. Ele tinha bons planos para região, caso continuasse em Lviv por longo tempo. Era o que desejava.
A Ukraina Ocidental caiu sob o domínio russo após a II Guerra Mundial, a população não é tão russificada, como a do leste e sul que está sob o domínio russo desde 1654. - OK

Infelizmente Salo voltou atrás no final do dia. Ele alega que assinou a demissão sob pressão. Diz que foi obrigado fazer isso sob ameaça.
A situação, de acordo com sua proposta, será considerada pelo Ministério Público da região de Lviv.

Olena Lukash, Ministro da Justiça: os líderes da oposição não responderam se vão continuar o acompanhamento dos acontecimentos radicais nas ruas de Kyiv.
"Infelizmente eles rejeitaram as declarações sobre condenação de ações extremistas. Também não condenaram a tomada de edifícios de órgãos estatais".
No entanto, ela declara que é impossível usar a lei para liberação de ativistas detidos, do Euromaidan porque na lei referente não há nenhuma palavra sobre anistia. A lei não prevê anistia para faltas cometidas.

Klychko e Tiahnebok vieram à rua Hrushevskyi falar sobre as negociações com o governo.

Klychko disse que o presidente Yanukovych, pessoalmente lhe prometeu: "Em três dias todos os detidos serão libertados".

Segundo Tiahnebok, no dia 28 de janeiro o Parlamento vai examinar as leis de 16 de janeiro, sobre a responsabilidade do governo, e leis sobre a descriminalização de todos os participantes detidos no Maidan. "Amanhã devem ocorrer 40 julgamentos, os tribunais alterarão as medidas preventivas e todos serão dispensados. Eles comprometem-se que ao Berkut será proibido o uso de armas de fogo. (E os cassetetes continuam?). Até amanhã será anunciada uma trégua. Tiahnebok propôs a criação de uma zona "tampão", mas apenas após a divulgação pelo Procurador Geral V. Pshonka sobre as medidas preventivas para todos os detidos.

"Se nós concordarmos com o plano deles, imediatamente devem aparecer no site da Procuradoria Geral e do Ministério do Interior as declarações de Pshonka e Zakharchenko, e amanhã eles devem iniciar a soltura de ativistas presos". 

"Nós não fizemos nenhum acordo. Nós estamos consultando a comunidade", - acrescentou.

"O êxito da negociação é que o Ministério do Interior prometeu oficialmente cessar o uso das armas de fogo". A isto o povo gritava "Vergonha". 

Enquanto Klychko permaneceu na rua Hrushevskyi a multidão o cercou e gritava: "Vergonha", "Liberdade ou morte", "Mentirosos", "Klychko nas barricadas", "Revolução", "Klychko, diga o que fazer?", "Nós já tivemos o suficiente de suas promessas", - gritavam cercando Klychko. Em resposta ele declarava: "Eu não quero que haja sangue derramado". A multidão respondia "Ele já derramou".

Yatseniuk não apareceu.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

EUROMAIDAN: PRIMEIRAS VÍTIMAS FATAIS !

22 de janeiro - dia da União da Ukraina(¹). Primeiras vítimas

Ukrainska Pravda - Verdade Ukrainiana, 22.01.2014

 
Na rua Hrushevskyi 5 pessoas morreram. Segundo os médicos quatro delas é certeza que a morte foi por arma de fogo com tiro no peito, pescoço ou cabeça.

De uma colunata do Estádio Dínamo caíram duas pessoas: Um pulou e sobreviveu, outro foi empurrado e morreu.

Na região de Borespil onde, anteriormente, os raptores levaram o jornalista Ihor Lutsenko (não confundir com o ex-ministro e ex-preso político Yurii Lutsenko), encontraram dois cadáveres com sinais de tortura.

Conhecidos os nomes de três falecidos: Serhii Nyhoian, Mykhailo Zhyznevskyi, Yurii Verbytskyi.

No Maidan preparam-se para passar a noite. As mulheres ajudam juntar a neve e colocá-la em sacos que usam para fazer barricadas. Reforçam com pedras.

Oleksandr Bryhynets: Acabo de receber informação confidencial. As forças especiais puseram fogo no prédio da rua Hrushevskyi para melhorar a visão do campo de ataque. Lembro: Hitler colocou fogo no Reystah.

O Conselho Popular encabeçaram Klychko, Yatseniuk e Tiahnebok.

Yanukovych distribui prêmios para: Halyna Hereha, secretária do conselho Municipal, Olga - esposa de Viktor Pshonka, e policiais.

A rua Hrushevskyi, próximo do estádio Dínamo, está cheia de manifestantes. Cantaram o hino da Ukraina. Além das barricadas chamejam os fogos.

21 detidos. Soube-se que foram jogados na neve, surrados e pisoteados, mas não se sabe seu destino final.

Como avisaram os funcionários, cerca de 20 pessoas adentraram às instalações da TV Kyiv e começaram destruir os equipamentos técnicos. 

Berkut agarrou e bateu no rapaz de Ivano-Frankivsk, de 21 anos, estudante da Faculdade de Informática. Ele conseguiu ligar o celular no bolso. Durante uma hora sua tia ouviu-o falando com a polícia.Depois de questionado ele foi levado para um destino desconhecido. Passado algum tempo ele conseguiu ligar para tia e, silenciosamente avisou que não podia falar. Ninguém sabe onde ele está.

Барикади з мішків зі снігом

Na rua Hrushevskyi, próximo da Biblioteca do Parlamento construíram novas barricadas.

Aproximadamente 200 pessoas na Praça da Catedral de Cherkasy fizeram manifestação,  organizaram e rezaram Te-Deum pela Ukraina.

A administração está bloqueada.

O chefe da Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Kyiv recusou-se da ordem com a qual foi premiado por Yanukovych.

 

Yatseniuk disse estar pronto para enfrentar as balas com as demais pessoas.

Os participantes do fórum Econômico Mundial em Davos boicotam o Primeiro Ministro ukrainiano Mykola Azarov. O Fórum retirou o convite ao Primeiro Ministro que usaria da palavra na reunião, na sexta-feira, dia da escalada da violência em Kyiv.

Vitali Klychko disse, que durante as negociações na administração presidencial não ouviram de Viktor Yanukovych nenhuma reação às demandas do Maidan. "Amanhã, se o presidente não vier ao encontro, nós iremos à ofensiva. Outra saída não há", - declarou Klychko.

O corpo encontrado na mata de Borespil pertence a Yurii Verbytskyi, que foi sequestrado junto com Ihor Lutsenko.

Os EUA condenam fortemente a escalada da violência nas ruas de Kyiv e dizem que estão prontos para considerar medidas adicionais em resposta à violência, além da revogação de vistos para algumas pessoas. 

A Alemanha e a Grã Bretanha pedem a Yanukovych não usar violência.

 

 Serhii Nyhoian tinha 20 anos. No vídeo declama trecho da poesia de Shevchenko que exorta à luta pela liberdade. Seus pais vieram da Armênia fugindo das lutas. Nasceu na Ukraina e morreu por ela no Maidan.

NOTA:
(1) No dia 22 de janeiro de 1919 houve a reunificação da República Popular da Ukraina e República Popular da Ukraina Ocidental. Refere-se às terras ukrainianas, desde o século XVIII - início  do século XX, quando elas foram divididas entre os países: Polônia, Moskóvia, Romênia, Áustria-Hungria.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

NOITE DE 21 DE JANEIRO 2014

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 21.01.2014

 
Time publicou um vídeo com apelo do  ukrainiano ao mundo, do epicentro dos eventos da rua Hrushevskyi:

"Este é o nosso país, e por que nós devemos ter medo?" - diz o rapaz em língua inglesa, tossindo bastante devido ao gás lacrimogêneo.

Anteriormente o vídeo foi divulgado pela edição ukrainiana em língua inglesa no Kyiv Post.
No vídeo de três minutos o rapaz explica emocionalmente, à audiência de língua inglesa, que as pessoas que aqui estão - são ukrainianas e elas estão nas ruas, porque o governo as reprime.
 
"Agora eu violo a lei, porque recentemente nosso parlamento aprovou uma lei que, se você usar um capacete, você está fora da lei e deve ser aprisionado. O que é isso?" - diz ele.
 
Ele explica o que acontece na Ukraina.
 
"Eis o que acontece! O governo é contra o povo. Olhem para lá, quem está lá? (O rapaz mostra a multidão de manifestantes na rua Hrushevskyi) Eles são criminosos? Eles querem a violência ou algo assim? Eles são ukrainianos!" 
 
Em seguida o rapaz indica o outro lado das barricadas, onde está o Berkut e a milícia. Ele comenta: "Lá também estão ukrainianos, mas o governo faz com que eles briguem e lutem."
 
Em seguida ele explica, que o governo reprime, bate nas pessoas. "Já não se trata sobre União Européia, mas sobre a verdade", - acrescenta.
 
"Nós queremos ser iguais, livres, nós queremos tudo isso. Este é o nosso país, e por que devemos ter medo?" - diz emocionalmente.
 
E conclui, que os ukrainianos necessitam de apoio do mundo todo - de Europa e EUA. Ele também agradece ao mundo pelo apoio.
 
Tradução: Oksana Kowaltschuk

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Acontecimentos na rua Hrushevskyi dia 20, pela manhã:


Pela manhã, próximo ao estádio Dínamo a polícia espancou e capturou algumas pessoas, não diferenciando se eram manifestantes, jornalistas ou provocadores.
Os jornalistas da Rádio "Svoboda" estavam fotografando os acontecimentos. Eles chegaram próximo a polícia. Os militares estavam em escaramuças com os manifestantes. O vídeo mostra como batem nas pernas até as pessoas caírem, levantam-nas, chutam-nas e batem novamente. Os jornalistas foram acusados de agressão a um policial.


A este jornalista os soldados do Berkut arrancaram o capacete com a palavra "Jornalista" e bateram com cassetete, inclusive na cabeça, depois levaram para o carro. Lá os jornalistas ficaram por seis horas.

FOTOS
























 
 

PROMESSAS DE YANUKOVYCH

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 20.01.2014

 

"Vou usar todos os meios de direito e jurídicos para que haja paz.
 
Dirijo-me a vocês, cidadãos conscientes de nosso país, que entendam bem, que ameaças trazem os conflitos internos, as desavenças e contraposições para sociedade ukrainiana e para o país. Alguns líderes oposicionistas declararam que não foram partícipes das ações de massa, que em 19 de janeiro aconteceram na rua Hrushevskyi, e conclamavam os participantes daquelas ações parar com o confronto de força com os órgãos policiais.
 
Apelo aos moradores de Kyiv e outros participantes de reuniões públicas. Peço-lhes não seguir àqueles que procuram violência, que buscam divisão entre Estado e sociedade e querem jogar a nação ukrainiana na fornalha de motins.
 
Eu me posicionei com compreensão à sua participação em ações de massa, expressei com vontade ouvir sua posição para juntos encontrar o caminho para solução dos conflitos, mas agora, quando ações pacíficas transformam-se em desordens, acompanhadas por  pogroms(¹) e incêndios, uso de violência, eu estou convencido que tais fenômenos trazem  ameaça não apenas para a sociedade de Kyiv, mas de toda Ukraina.
 
Eu acredito, que exatamente vocês, como ninguém outro, compreendem que nós devemos esforçar-nos juntos para manter o nosso Estado, aumentar o seu poder, sua autoridade e possibilidades.
 
Quero mencionar, que não pouparei esforços para garantir a ordem pública, proteger os direitos dos cidadãos pacíficos e vou aproveitar todos os meios de direito e outros previstos nas leis da Ukraina métodos para garantir a paz e a segurança de todos os nossos concidadãos.
 
Eu estou convencido, de que vocês vão me ouvir e apoiar em todos os meus esforços para impedir os conflitos, provocados por aqueles que com o preço de sangue humano lutam pelo poder.

Apenas o caminho da paz, trabalho duro, unidade do povo e nosso compromisso para construir na Ukraina altos padrões de vida pessoal nós levará ao sucesso. Guerra, destruição e violência destruirão Ukraina. 
 
Eu os convoco ao diálogo, ao compromisso, à paz em nossa própria terra. Acredito na nação ukrainiana. Estou confiante na sabedoria do nosso povo. Estou pronto para servir ao país e às pessoas com fé e verdade, enquanto tiver forças e confiança da nação".
 
                                                                                Viktor Yanukovych

(1) pogroms - movimentos populares na Rússia contra os judeus.
 
Observação: Neste apelo à nação Yanukovych promete ser tudo o que ele demonstrou não ser até agora. Será que dá para acreditar? - OK.

"A RAPOSA PERDE O PELO, MAS NÃO PERDE O VÍCIO"
 
Tradução: Oksana Kowaltschuk