segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

DESORDENS NA UCRÂNIA CRIAM PROBLEMAS NA INDUSTRIA MILITAR RUSSA E CHINESA

Vassili Kashi

China, Rússia, bandeira

A prolongada crise que reina na Ucrânia tornou evidente a fraqueza do Estado ucraniano. 

Mesmo se a administração do presidente ucraniano Viktor Yanukovych sobreviver a esta crise, a fraqueza continuará a existir, o que gera numerosos problemas, em particular, para as empresas russas e chinesas da indústria militar, que cooperam com as congêneres ucranianas.
Atualmente na Ucrânia existe o perigo real de intensificação de desordens internas, de destruição da infraestrutura e da repartição de bens do Estado. No caso de saída de Viktor Yanukovych, são possíveis também alterações imprevisíveis na política externa ucraniana.
Há pouco, foram publicados os textos das conversas telefônicas interceptadas entre a adjunta do secretário de Estado norte-americano Victoria Nuland e o embaixador americano na Ucrânia, Geoffrey Pyatt. Este documento torna evidente que os americanos participam diretamente da escolha da estrutura do futuro Governo na Ucrânia. É perfeitamente possível que, nestas novas condições, eles é que irão tomar a decisão final a respeito da política externa ucraniana.
Isto cria problemas complicados para as indústrias militares da Rússia e da China, que cooperam com as respectivas empresas ucranianas. Por exemplo, o parceiro-chave ucraniano para os russos e para os chineses é a empresa Motor Sich, o principal produtor de motores para os helicópteros de fabricação russa. Esta mesma empresa produz motores para aviões de treinamento e de transporte e para alguns tipos de drones e de mísseis.
O presidente da empresa, Viacheslav Boguslaiev, é uma destacada personalidade do Partido das Regiões, chefiado por Yanukovych. Na cidade de Zaporojie, onde está situada a empresa, a oposição não conseguiu tomar a sede da administração local. É possível que isso se deva à existência aí de uma grande empresa orientada para o mercado russo. No caso de mudança do poder, de saneamento do pessoal e de repartição dos bens, o destino da empresa pode ficar em questão. O roteiro pessimista é perfeitamente possível, pois os grandes saneamentos do pessoal e a apropriação de bens de grandes empresas já tiveram lugar depois da chamada “revolução laranja” de 2004. De referir que, naquela altura, as contradições entre os grupos políticos ucranianos não eram tão agudas como agora.
A crescente influência dos EUA pode fazer com que eles bloqueiem a exportação de alguns tipos de armamentos e de tecnologias militares da Ucrânia para a China, da mesma maneira que já fizeram em relação à União Europeia e a Israel.
Além dos motores da empresa Motor Sich, utilizados nos aviões chineses de treino e combate L-15, nos aviões russos Yak-130 e nos helicópteros Mi-17, – este último tipo de aeronave tem tido amplo uso na Rússia e na China, – podem ser afetadas também outras esferas da colaboração, por exemplo, os fornecimentos de motores diesel para os tanques MVT-2000, que a China produz para exportação. Existem também várias outras esferas de colaboração. Por exemplo, o fornecimento de máquinas para navios, de radares, da aparelhagem eletrônica utilizada na indústria militar, etc.
A Ucrânia era um importantíssimo centro de desenvolvimento da indústria militar e de tecnologias de ponta da URSS. Depois do desmoronamento da União Soviética, a produção de todos os tipos de armas estratégicas da Rússia dependia em grande parte do fornecimento de componentes ucranianos. Foram preciso vários anos para liquidar esta dependência. A indústria militar da Rússia reorganizou gradualmente o processo de cooperação de produção, diminuindo a sua dependência em relação à Ucrânia, mas este trabalho está longe da conclusão. Por exemplo, embora na região de Petersburgo fosse posta em funcionamento uma empresa própria de motores para helicópteros, o papel da empresa Motor Sich no fornecimento de componentes da indústria russa de helicópteros continua sendo muito importante.
A China também procura superar a dependência em relação ao fornecimento de motores diesel ucranianos de 1200 H.P., destinados aos tanques exportados. Mas, apesar da realização de testes bem-sucedidos do tanque MVT-3000, este trabalho ainda não está concluído. A nova crise política em Kiev faz que a Rússia e a China ponderem novamente os riscos relacionados com a colaboração técnico-militar com a Ucrânia. O mais provável é que Moscou e Beijing aumentem esforços a fim de superar a dependência em relação à indústria militar ucraniana.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

MOVIMENTO UCRANIANO NA ENCRUZILHADA

Ucrânia liberta da cadeia todos os manifestantes, oposição cede parcialmente

Muitos vão ser colocados em prisão domiciliar e as queixas só serão retiradas se as exigências das autoridades forem cumpridas até segunda-feira. Oposição vai agilizar ocupações e barricadas, mas promete manter o "controle" nas ruas.

 
 os opositores de Yanukovitch não vão sair totalmente dos edifícios públicos IURY KIRNICHNI/AFP

Os 234 manifestantes ucranianos que ainda estavam detidos por causa dos protestos dos últimos meses foram libertados nesta sexta-feira, mas muitos deles vão permanecer em prisão domiciliár até que a oposição cumpra as exigências do Governo de Viktor Yanukovitch.
O procurador-geral, Viktor Pshonka, anunciou que todas as queixas serão retiradas – ao abrigo da polêmica lei da anistia, aprovada em finais de Janeiro – se até segunda-feira os opositores de Yanukovitch desocuparem os edifícios públicos, como a Câmara Municipal de Kiev, e levantarem as barricadas que cortaram o trânsito na rua Hrushevskyi, que dá acesso ao Parlamento e à sede do Governo.
Depois do anúncio, Viktor Yanukovitch apelou à oposição que responda com cessões, mas não deixou de fazer referência a possível uso da força.
"Temos meios para pôr as pessoas na ordem, mas não queremos que os inocentes sofram. (…) Não quero a guerra; quero salvaguardar o Estado e retomar um desenvolvimento estável", disse o Presidente, numa comunicação televisiva.
"Apelamos à oposição para que faça também algumas concessões. Os apelos a uma luta sem perdão, à luta armada, são perigosos", afirmou.
Em nome da oposição, o ativista Andri Dzindzia, da organização não-governamental de defesa dos direitos humanos Road Control, disse que as exigências das autoridades irão ser cumpridas "parcialmente" .
"A ideia é que alguns manifestantes fiquem [na rua Hrushevskyi] para controlarem a rua. Não vamos sair de lá totalmente", disse. O mesmo ativista fez saber que alguns manifestantes irão também permanecer no edifício da Câmara Municipal de Kiev.
A saída da prisão dos últimos 234 manifestantes surge na sequência da lei da anistia aprovada em Janeiro pelo Parlamento. Para que os manifestantes detidos durante os protestos fossem libertados, os edifícios governamentais ocupados teriam de ser abandonados e as barricadas no centro de Kiev desmontadas nas duas semanas seguintes, um prazo que termina na próxima segunda-feira.
A oposição respondeu que a desocupação dos edifícios governamentais e da rua Hrushevskyi só aconteceria se fossem cumpridas três reivindicações: a aprovação de uma nova lei da anistia; uma revisão constitucional que reponha o texto de 2004; e a formação de um Governo interino ou da oposição. O fim das barricadas numa outra rua, a Kreshchatik, e a desocupação da Casa dos Sindicatos da Ucrânia ficariam dependentes da marcação de eleições presidenciais antecipadas.
Para domingo está marcada outra manifestação da oposição na Praça da Independência, no centro de Kiev.

Fonte: Público - Pt.

NENHUM PROGRESSO POLÍTICO NA UCRÂNIA

Aguardam-se precipitações na aparência de compostos inflamatórios

Ukrainskyi Tyzhden (Semana Ukrainiana), 13.02.2014
Yurii Makarov

Nada desagrega o exército como uma trégua. Já durante três semanas não voam em direção a Pechersk (região da administração estatal de Kyiv) fortes conclamações em nome do presidente dos Comissários do Povo, não queimam pneus, as administrações locais não são tomadas de assalto.


Em resposta à boa vontade da polícia, do Ministério Público e dos tribunais continuam aplicar a prática das repressões, o Parlamento sabota as menores concessões, e no Maidan colocam completamente perguntas naturais: com que diabos?

Na arena política, nenhum progresso, não é que não aconteça, nem mesmo não é previsto.

No monolítico acampamento do governo ainda esperam que, "sozinho se resolva". A liderança do Parlamento com o Partido das Regiões diz que o processo constitucional - assunto sério, até outono pode acabar. A lei sobre anistia é elaborada com tal astúcia, que prevê a liberação dos prédios governamentais e rua Hrushevskyi pela manhã e anistia à tarde. Enquanto Maidan já conhecendo os hábitos do adversário, não se ilude e exige a anistia pela manhã.

Na sede do governo, acreditam em vão, que o tempo está a seu favor. Os efeitos das "melhorias" ("melhorias" foi o que o governo Yanukovych prometeu ao país - OK) já respingaram na parte da rua que os manifestantes ainda não provocaram: a taxa de câmbio ainda não ultrapassou a marca psicológica de nove UAH por dólar, mas nos bancos já se formam fileiras dos que desejam retirar seus depósitos. A estratégia artificial da estabilidade já experimentou um aparente fiasco - com ajuda das infusões regulares do orçamento, que era praticada pelo governo atual (lembremos, que o pensionista Azarov por ela era responsável só nominalmente, porque todas as questões econômicas no Gabinete Ministerial, a mais de um ano usurpou o comando do hoje indicado temporariamente Serhii Arbusov). O Banco Nacional tenta impor restrições sobre operações, especialmente na moeda, isto é, como tradicionalmente opera segundo o princípio da vara. Por alguns dias, isto pode agir, mas o problema, como tal, não resolve: dinheiro, ao mesmo tempo para eleitorado, e para "Família" no estado não tem mais. Em proveito de quem, neste caso, os dirigentes farão a escolha, duvidar também não convém. Yanukovych acenou com a bandeira na tribuna olímpica (Sochi), mas o vizinho remoto na tribuna, por isto, nada lhe deu. A Rússia, supostamente, até o final da Olimpíada afastou-se da principal dor de seu satélite, limitando-se com a insinuação que não seria ruim pagar pelo gás.

Principalmente porque o rublo deles, parece que adoeceu também. O pulinho da hryvnia (UAH) é inevitável não há o que debater - elevará os preços da cesta básica. Também está claro que todos os problemas a liderança atual prescreverá ao Maidan e alguém lhe acreditará. Talvez, nos bastiões do poder do leste, especialmente entre os funcionários do orçamento, funcionários de empresas estatais, pensionistas, etc., gradualmente comece a sobriedade. No entanto, dada a velocidade geral dos processos mentais entre os defensores ardorosos dos regionais esperar isto vai ser preciso muito tempo. E o problema da oposição é necessário resolver hoje.

Euromaidan, por sua lógica interna procura e encontra os próximos passos para expandir e superar a estagnação. Antes de tudo é preciso suprir os grupos de autodefesa, aos quais não faltam questões práticas do cotidiano: além da exibição simbólica da força isto ainda é o mínimo para neutralizar os importados à capital ladrões de rua. Surgem relatos de patrulhas voluntárias nos maciços de Kyiv. Particularmente interessante foi a introdução da iniciativa para instalar, juntamente com os conselhos comunitários também os tribunais civis. Apesar do desempenho modesto, estas medidas contribuem, antes de tudo, porque no plano mental trouxe à vida dos ukrainianos o protesto: aperfeiçoamento dos vínculos horizontais, aumento de confiança de um ao outro, capacidade de agir independentemente nos interesses comuns sem apelação às inimigas agora instituições do Estado, isto é, crescimento de capital social.

Maidan foi e é um fator determinante nas negociações da oposição com Bankova. Sem a sua pressão diária, alguns líderes da minoria parlamentar, a muito tempo teriam concordado com concessões cosméticas do poder com acréscimo de pequenas gratificações pessoais. Mas os governantes também precisam compreender: seu principal motivo além da ganância existe, ainda, o medo. Os deputados-regionais sentem formigas no corpo do Big Boss, de suas, de modo algum ilusórias possibilidades de punir desertores "já hoje". O próprio Big Boss junto com seus consultores teme a perspectiva de perder seus haveres, talvez a liberdade. A nenhum dos figurantes no processo de negociação, como presentes, também os potenciais, ele não acredita e permanecerá até o fim. Talvez, com isto relacionam-se os rumores sobre a visita de um dos arquitetos da pirâmide, em sua forma atual à colônia Kachanivska. Considera-se, não se sabe porque, que a "protetora ukrainiana Nº 1" - única pessoa no país, cujas garantias o presidente pode aceitar. (Referência ao boato, segundo o qual, o presidente da administração presidencial Andrii Kliuiev teria ido conversar com Yulia Tymoshenko, prisioneira, que está no hospital em Kharkiv. A notícia foi veiculada vários dias, inclusive por edições pró-governamentais, até foto do avião que teria sido usado apareceu numa reportagem. Até que a própria Tymoshenko desmentisse a notícia -OK). No entanto, mesmo supondo que a evolução dos acontecimentos no estilo de Dumas (libertação, recuperação no campo político, lugar de destaque numa mesa redonda, promessas muito importantes, anistias de capitais e palácios), não é fato, que Maidan na sua constituição atual reconhecerá a nossa Joana d'Arc como líder e irá executar suas diretrizes.

Mais um herói do drama, que não pode ser ignorado - na verdade, o quarto (ou quinto, se contar o restrito nos direitos, em compensação muito eficaz Yurii Lutsenko) líder do oficial, "cênico" Maidan - Petró Poroshenko. Supostamente - mais uma porção de boatos - ele concordou em chefiar o parlamento, o que significaria um rearranjo da maioria e gradual saída do impasse. E também não é fato de que isto será abençoado por parte ativa dos rebeldes. Por exemplo, a ele podem lembrar a participação na criação do Partido das Regiões ou oportunismo de entrada temporária ao governo odiado. Na Bankova, em Poroshenko também não acreditam, compreendendo, que nestas circunstâncias, a cadeira do líder do Parlamento - é um caminho direto para a presidência, e dar adeus a um segundo mandato Yanukovych, psicologicamente não está preparado.

Sobre isto, em particular, testemunha seu consentimento para os debates, convite aos quais menosprezou Vitalii Klychko. No entanto, o campeão demonstrou reação verdadeiramente de boxeador: por favor, só após o afastamento (de Yanukovych). No entanto, a troca de golpes pode significar, que Yanukovych ainda vê em Vitalii Klychko um maravilhoso parceiro de treino, que poderá ser removido nas vésperas do jogo de quaisquer forças de um dependente do Pechersky Tribunal, sob pretexto de residência não permanente no país. Em outras palavras está no seu caprichoso, imaginário mundo pré-Maidan, teimosamente desconhecido às mudanças que ocorreram no país. Ele amorteceu no difícil processo de reconciliação com a realidade e todos os lados do conflito também amorteceram.

Mas, a prática dos últimos meses demonstra, que a arma no Maidan não fica ociosa por muito tempo. O gatilho pode ser acionado, por qualquer gesto descuidado, qualquer vilania simbólica, ou desculpa arrogante de Popov - Sivkovych, ou algo assim. Algo que afetará a dignidade de centenas de milhares de ukrainianos, envolvidos no processo real de voltar a sua dignidade. A julgar pelas conversas diárias, entrevistas, declarações públicas, milhares de pequenas ações dos manifestantes, cidadãos da Ukraina, que ainda a um mês atrás aceitavam a violência, como indesejável excesso, hoje já compreendem, que em contatos com as autoridades este é o único argumento eficaz. Portanto, a escalada é inevitável, e da próxima vez fazer voltar os ativistas aos quartéis, isto é, às barricadas, será muito mais difícil. Se alguém no Pechersk pensasse sobre isto ...

Tradução: Oksana Kowaltschuk

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

EM PROL DE SEUS INTERESSES

Ukrainskyi Tyzhden (Semana Ukrainiana), 09.02.2014

Os partidários da União Aduaneira do Partido das Regiões fortalecem seus laços com o Ocidente em prol de seus interesses. Deputados do Partido das Regiões, partido do governo, que mais ativamente conclamam aproximação com a Rússia e países da União Aduaneira - UA, no Parlamento constituem grupos interparlamentares, ou entram nos grupos já constituídos, para fortalecimento das relações com o Ocidente e o bloco OTAN em prol dos vistos simplificados a EUA e UE.
Sobre isto em seu artigo a ZN.UA escreveu o colunista Andrii Kapustin.

Os grupos interparlamentares, delegações permanentes e ou assembleias são convidados a reforçar as relações com outros países o que prevê intercâmbio ou troca de experiências com outros países e promove o nome Ukraina no exterior. Isto é, de acordo com a lógica, a cada país ou organização internacional deve ir o parlamentar que não nutre antagonismo a este país, ou organização.

Particularmente, o "regional" Oleh Tsariov encabeça o grupo parlamentar para as relações com a Síria.  Verdade, este eleito do povo, encabeça também o grupo da Eslováquia. Ao mesmo tempo ele inscreveu-se em mais 22 grupos, em que entram sete países da UE, Canadá, EUA - países que o "regional" acusava em interferência nos assuntos da Ukraina. No entanto, Tsariov não quer estreitamento de relações com os colegas dos parlamentos da Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão (países da União Aduaneira).

Mais um fã ardoroso da União Aduaneira é Mykhailo Chechetov. Na relação de seus interesses políticos da União Aduaneira é representada apenas a Rússia. Seguem os inteiramente ideológicos adversários: França, Inglaterra, Áustria, Itália, Japão.

O autor da lei sobre anistia do Maidan, apelidada pela oposição "lei dos reféns", Yuri Miroshnechenko representa Ukraina na comissão de cooperação com a Federação Russa e assembleia interparlamentar com o Parlamento da Lituânia. E mais 27 grupos de países como EUA, Reino Unido, Alemanha Itália, França, Noruega e Grão-Ducado de Luxemburgo.

O grupo de cooperação interparlamentar com Áustria, no Parlamento inclui 51 deputados, dos quais 38 são do Partido das Regiões. O dirigente do grupo é o filho do ex-primeiro-ministro  Oleksii Azarov. Seu vice - irmão do presidente da administração presidencial Serhii Kliuiev. Secretária do grupo - Iryna Berezhna - presidente do Comitê do Orçamento do Parlamento e Yevhen Heller, filho do procurador geral Artem Pshonka, Vitali Khomytynnyk e já lembrados Tsariov e Chechetov.

No grupo de cooperação interparlamentar com a Alemanha, de 134 deputados do Parlamento 95 representam o Partido das Regiões e o Partido Comunista. Dois co-presidentes: presidente da comissão do orçamento Yevhen Heller e representante do presidente no parlamento Yurii Miroshnechenko. E mais Oleksii Azarov, Iryna Berezhna, Olena Bondarenko, irmão do governador de Kharkiv Dmytro Dobkin, Vladyslav Lukianov, coautor de "leis ditatoriais" Volodymyr Oliynik e o comunista Oleksandr Holub.

Ao grupo de cooperação interparlamentar com os EUA desejaram juntar-se 152 deputados ukrainianos, dos quais 89 representam o Partido das Regiões, encabeçam Bondarenko, Yevhen Heller, Vladyslav Lukianov, Yurii Miroshnechenko, Volodymyr Oliynik, Vitali Khomytynnyk, Oleh Tsariov, pai e filho Tabalovy. Verdade, as más línguas afirmam que a um número tão substancial de eleitos do povo não é tanto o desejo de compreender os conceitos básicos da democracia, como a obtenção de um visto para os EUA.

Mas, mais que todos "distingue-se" a delegação permanente da Ukraina à Assembléia Parlamentar da OTAN. De oito deputados - cinco representam o Partido das Regiões, incluindo o "notável" defensor de aproximação com a OTAN, o ex-ministro da defesa da Ukraina Oleksandr Kuzmuk. Mas hoje para OTAN, deve criar mais problemas o presidente da delegação permanente da Ukraina Volodymyr Oliynik.
(Para a Ukraina a associação com o ocidente é maléfica, não serve. Então, por que para eles, individualmente, é boa? - OK)

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Conclamam à greve geral
Rádio Svoboda, 13.02.2014

Em Kyiv realizaram uma marcha conclamando à greve nacional, o que anunciaram hoje durante uma hora, em diversas regiões da Ukraina. 
Durante a marcha os ativistas fizeram piquetes em duas administrações regionais, no centro de Kyiv (clique no link a seguir para visualizar o vídeo).


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Фото з зустрічі із Солонтаєм (до нападу).

Uma reunião pacífica , como podemos ver no vídeo e fotos, em um café em Donetsk. Era uma reunião com o líder do movimento "Força das pessoas", com o líder Oleksandr Solontai. Falavam sobre o futuro do país.
De repente entraram rapazes de grande estatura, os "titushky", protegidos pela polícia e caíram sobre os presentes, batendo neles, espalhando gás em todas as salas e quebrando móveis. Depois eles fugiram e os policiais começaram prender as pessoas. (ver vídeo)


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Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 13.02.2014

"Bohdan" - um dos principais operadores no mercado automobilístico da Ukraina. Produz ônibus, caminhões e carros. Suas fábricas localizam-se em Lutsk, Tcherkassy e na Criméia.
  
A Corporação conclama as autoridades para cessar com a verificação contínua  de controladores e órgãos fiscais, conquanto isto leva à cessação das respectivas empresas e dispensa  de trabalhadores.

Isto foi afirmado em carta aberta da corporação ao presidente Viktor Yanukovych, Procurador-geral  Viktor Pshonka e o Primeiro-ministro Serhii Arbuzov.

De acordo com o recurso, as declarações sobre a promoção de desenvolvimento de negócios e melhorias do clima de investimento no país realmente acontece "réket" (Exigência criminal, que realiza-se pelo caminho da chantagem, ameaças e violência dos funcionários públicos.

Conduzir negócios na Ukraina podem, exclusivamente, as companhias dos "seus", diz o comunicado.

"Nós já testemunhamos absurdas inspeções estatais de controle veterinário às produções automobilísticas, agora esperamos novos, mais insolentes motivos para cessar atividades de fabricação tanto de aparelhos para pracinhas recreativas, quanto companhias de rede de serviços e distribuição", - avisam na corporação.

Como se observa, a economia do país entra em colapso, cresce o desemprego.

Companhias, que se esforçam operar em difíceis condições econômicas, operam nos limites e são submetidas às pressões das autoridades.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

NOTÍCIAS DA UKRAINA - 09, 10 e 11 fev. /2014

Médicos do Euromaidan, do palanque, apelaram  para o presidente Viktor Yanukovych. Convidaram-no para vir ao Maidan e ficar de joelhos diante da nação. 
Assinaram este apelo médicos de Dnipropetrovsk, Kyiv, Kharkiv, Volyn, Lviv, Ternopil e até um da Austrália, que está ajudando no Maidan há duas semanas.
"Nós, médicos, que por várias semanas pegamos dispensa do nosso trabalho, sem remuneração, apelamos ao senhor, Viktor Yanukovych, porque ainda esperamos na sua compreensão e bom senso.
Nós ajudamos a milhares de pessoas doentes e sofridas, de diversos cantinhos da Ukraina, de Odessa a Chernihov, de Zakarpatia a Luhansk.
Não havia extremistas, nem terroristas no Maidan mas somente pessoas simples, boas e sinceras que vieram aqui pelo desejo de seu coração, defender Ukraina e lutar por um destino melhor, até a vitória.
Prezados ukrainianos! Heróis! Estamos com vocês, e a principal exigência que nós apoiamos é Ukraina sem Yanukovych. Ukraina com modificações e nova Constituição. Sim!
Viktor Yanukovych, se o senhor é mesmo uma pessoa crente, venha no palanque principal da Ukraina, coloque-se de joelhos diante das pessoas de toda Ukraina, peça-lhes desculpas e desista de seu cargo...

Uma carta com este apelo foi enviada à presidência.


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Aumenta o número de diplomatas ukrainianos que apoiam a declaração de apoio às aspirações dos compatriotas que estão lutando por um futuro melhor na Ukraina.
No dia 06 de fevereiro, aos 30 minutos, sob o site ukrdiplomat wordpress apareceram 101 assinaturas.

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Terceira manifestação na cidade de Odessa.


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A sede da resistência nacional anunciou novos destacamentos de autodefesa, que irão patrulhar todas as áreas de Kyiv, e também de outras regiões da Ukraina. "Porque eles seqüestram nossos militantes, torturam nossos patriotas, vestem os bandidos com uniformes policiais e soltam nas pessoas pacíficas como fizeram em Kharkiv e Dnipropetrovsk. Em Kyiv queimaram os carros - mataram e estupraram. Quem nos protegerá?"

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Em Sumy também houve manifestações nas ruas centrais.


Notícias dia 10.02.2014

Moskal, deputado, presidente da comissão parlamentar temporária do Parlamento, enviou ao Procurador-Geral Viktor Pshonka apelo quanto às ações ilegais do Berkut, de policiais e de ocupantes de cargos oficiais com ataques aos direitos humanos, liberdade, vida e saúde durante os eventos associados com ações maciças de protesto social e político. 
Moskal afirma que durante os distúrbios na rua Hrushevskyi "polícia amarrava pedaços de ferro às granadas de luz e som para ferir os manifestantes". E que, no período de 19 -23 de janeiro procuraram cuidados médicos mais de 1.000 manifestantes que sofreram lesões da unidade do Berkut e das forças internas durante as ações na rua Hrushevskyi.

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Notícias dia 11.02.2014

Os procuradores e tribunais receberam ordem para não liberar os reféns - ativistas acusados na organização de protestos em massa. Segundo o Facebook de Lesya Orobets, há informações que serão trazidos de volta para prisão, aqueles que estão sob prisão domiciliar. E, já foi recusada, pelo Tribunal de Recursos, a proteção a dois ativistas do Euromaidan a medida preventiva e permaneceu a custódia a Dmytro Poltavets e Vladislav Tsilytskyi. Ambos foram espancados brutalmente pelo Berkut durante a detenção.
Vladislav Tsilytskyi sofreu concussão cerebral, queixa-se de dores de cabeça, insônia e perda da visão do olho direito.

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Ainda são procurados 20 ativistas desaparecidos. "Euromaidan - SOS" procura 20 ativistas dos quais, até a noite de 10 de fevereiro os amigos e familiares não tinham conhecimento de seus paradeiros.

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Na região de Lviv queimaram o restaurante e a sauna de propriedade da família do deputado do partido "Liberdade", Ihor Kryvetskyi. O partido lembra que, anteriormente, o regime confiscou todos os bens do líder da organização de Vinnytsia, Oleksii Furman. 

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A instabilidade política na Ukraina e altíssimos preços em Londres não interferem aos ricaços ukrainianos comprar imóveis de luxo em Londres. Isto é evidenciado pela empresa imobiliária internacional "Knight Frank", especializada em imóveis de 1 (um) milhão de libras ou mais. A procura em 2013 aumentou apesar do crescimento dos preços.
Ukraina e Argentina estão em segundo lugar (67% no crescimento de consultas no ano) imediatamente após o Brasil (115%).

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O destacamento especial na Bósnia recusou bater nos manifestantes. Eles apoiam.


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Auto-defesa do Maidan - fenômeno único de organização social. Os membros desta estrutura estão nas barricadas do Maidan por 24 horas, guardam seu território e preparam-se para oferecer resistência no caso de tentativas de força.


Tradução, resumo: Oksana Kowaltschuk

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

APENAS OS EUA PODEM DETER PUTIN

Apenas os EUA podem deter Putin - ex assessor do presidente russo

Rádio Svoboda, 8.02.2014
Entrevista a jornalista Iryna Storhin (Apenas as respostas).

Reintegração da Ukraina é "a mais alta prioridade" para Vladimir Putin porquanto irá definir-lhe o status de "unificador das terras russas" e permitir-lhe "até o fim" a consolidação no governo - considera o ex-assessor de Putin, o analista russo Andrii Ilarionov. Putin não mudará seus planos por causa do Maidan, então ele vai com tudo, até à intervenção militar direta. 
Na opinião de Ilarionov apenas os EUA podem deter Putin, se eles quiserem.

Andrii Ilarionov
 
A principal questão é manter o controle e o poder na Ukraina sob Yanukovych e por outros líderes que consideram-se adequados por Moscou e Kremlin. Yanukovych não é o único, mas desde que ele é presidente, ele é o primeiro. Os outros são Medvedchuk e Kliuiev. A questão principal é como manter o poder, como dar conta do Maidan e como implementar os interesses de Kremlin na Ukraina.

Se no circuito de Putin há pessoas que entendem, que as ações de protesto na Ukraina - não são provocações do Ocidente contra Rússia, que os frequentadores do Maidan não são pagos pelos EUA, mas cidadãos que querem justiça, é duvidoso. Mas, mesmo que haja, isso não significa que eles encontrarão força, vontade e coragem para expressar suas opiniões. E, mesmo se tais pessoas se encontrarem, isto não afetaria a posição de Putin.

V. Putin é forte internamente, psicologicamente, e se ele decidiu algo, influenciá-lo é impossível. Principalmente nas questões primordiais.

Controlar Ukraina, ou parte dela, sem sombra de dúvida, é uma das questões prioritárias para Putin, e sobre esta questão ele não pretende dar a outrem prioridade. Ele tem uma visão clara do mundo, do que ele precisa da Ukraina, e de que maneira ele pretende fazê-lo. Portanto, todos os pontos de vista alternativos, ele percebe hostis ou traiçoeiros.

Planos de Putin para Ukraina

Permitirão aos dirigentes das regiões Leste e Sul da Ukraina procurar ajuda da Rússia contra nacionalistas, nazistas, fascistas, seguidores de Bandera, (Bandera foi um dos líderes do movimento insurgente ukrainiano anterior à II Guerra Mundial, tachado como se estivesse a serviço da Alemanha, sendo que, na realidade, lutava pela independência da Ukraina. Assim que os alemães chegaram, ele foi preso e enviado a Alemanha, onde foi assassinado por um agente russo, de nacionalidade ukrainiana -OK) os quais, supostamente, os ameaçam com privação do poder. Consideram-se quatro cenários: Primeiro - estabelecimento de controle total sobre Ukraina. Opção inicial, hoje sujeita a séria revisão porque a revolução ukrainiana dos últimos meses mostra que o ocidente , o centro e dez províncias seria muito caro controlar. Então, ao primeiro lugar ascendeu a segunda opção, que começa com a federalização da Ukraina.

Este é o slogan que ouvimos de todos os cantos nos canais estatais da Rússia, da boca de uma série de representantes do Partido das Regiões, comunistas e também da boca das autoridades da Ukraina oriental. Ele consiste na divisão de plenos poderes, dos órgãos centrais do governo aos órgãos regionais. E, na segunda etapa os plenos poderes também na esfera dos contatos externos.
Isto permitirá aos gestores do leste e sul da Ukraina procurar ajuda da Rússia contra os nacionalistas, nazistas, etc., os quais, supostamente, os ameaçam com privação do seu poder. E não precisa duvidar, que tal ajuda será fornecida. E, por qualquer caminho.

Repito, por qualquer caminho. Não se deve esquecer o cenário de Abkházia e Ossétia do Sul. Quanto a Sevastopol e Criméia, não há dúvida que tal pedido de ajuda será expresso.  Quanto a outras cidades: Odessa, Mykolaiev, Luhanks, Kharkiv, a questão é mais complicada mas aqui já se conduz o trabalho.

Kyiv será interessante somente, se houver luta por toda Ukraina. Ele, sem dúvida é um pedacinho encantador para Kremlin, como "a mãe das cidades russas". No entanto, no início, pode contentar-se com o arco que vai de Kharkiv, através de Luhansk e Donetsk, Kherson, Mykolaiev, Odessa, Criméia e Transnistria ou Prednistrovia.

http://epc-ukraina.ucoz.com/_nw/0/63646.jpg
Mapa das regiões ukrainianas

Não foi casualmente que citei Transnistria, pois nos planos de federalização da Ukraina e seu posterior desenvolvimento político, Transnistria, que, aparentemente já está esquecido por todos, não está esquecida pelos autores desses planos. Eles querem definir uma ponte de terra para contato direto da fronteira oriental da Ukraina ao Dniester, com passagem de controle sobre centros costeiros ukrainianos a grupos políticos pró-Rússia ou pró Kremlin.

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4a/Europe_location_TIA.png
Localização da Transnistria
Transnistria, a partir dos séc. X e XI historicamente esteve sempre ligada à história da Ukraina, tendo feito parte do Estado poderoso e prestigiado na Europa, o Principado de Kyiv, que estabeleceu a base das identidades nacionais eslavas orientais, nos séculos subsequentes. 
Com a Revolução Russa a Transnistria foi incorporada à República Social Soviética da Ukraina (1919). Hoje esta região pertence, oficialmente, à Moldávia, embora tenha unilateralmente declarado sua independência em 1990. A região mantém-se, de fato, independente com o auxílio de forças russas. O Conselho da Europa considera a questão da Transnistria um "conflito congelado".

Depois disso o plano inicial de Putin pode ser considerado cumprido. Ele se tornará unificador "das terras russas" e, portanto, permanecerá neste novo estado até o final. O regime político na Rússia se tornará mais agressivo, chauvinista. O que acontecerá na Ukraina, penso eu, é compreensível.
 
O ocidente - é o elo mais fraco da defesa ukrainiana

Pelo menos nas palavras, durante a conferência sobre segurança, a atitude dos EUA mudou um pouco. Isto transpareceu no discurso do Sr. Kerri, quando ele, na presença do Sr. Lavrov e outros participantes declarou que a Ukraina precisa escolher com quem deve ficar: ou com a comunidade internacional, ou com um país. E ninguém tem dúvidas qual o país ele tinha em mente. Pelo menos, isto foi bem compreendido por Lavrov, que evadiu-se da sala e deu entrevista a jornalistas, dizendo que Kerri expressa agitação, o que é inaceitável a políticos sérios.

Lavrov pretendia deixar a conferência e voltar a Moscou. No entanto, de Moscou veio a ordem de voltar para sala e atentamente ouvir, que proposições mais virão do ocidente. O ocidente, em minha opinião não está pronto para ações sérias, além de declarações públicas. Este é o elo mais fraco da defesa ukrainiana.
Ninguém mais no mundo é capaz, de alguma forma, limitar as ações de Kremlin.

Na última década, V. Putin, deliberadamente, de forma consistente e com muita maestria conduz políticas antiamericanas. Este é um elemento fundamental de sua visão de mundo. Nos EUA, ele vê a única ameaça grave para a implementação da sua doutrina de política externa. Ninguém, além dos Estados Unidos é capaz de limitar, de alguma forma, as ações do atual Kremlin no cenário mundial.
Mas a administração dos EUA não demonstrou sua vontade de prosseguir uma política consistente, exceto em uma ou duas direções. Em todas as outras, geralmente concorda com a posição e políticas do Kremlin.
Yanukovych não tem chance de vitória. Então a única chance de preservar o poder - o uso da força.

No que diz respeito à ex-URSS, Putin conduz uma política de reintegração desses territórios em uma nova formação, que deve coincidir com as fronteiras do antigo império soviético. Para isto usam-se ferramentas econômicas, informativas, inteligência, operações especiais, recursos financeiros, controle dos representantes da linha pró-Kremlin em diversos países da ex-União Soviética. De vez em quando, um ou outro país encontra-se à beira de atenção. Hoje é Ukraina, e isto não é por acaso, porque Ukraina, atualmente, passa por uma grande crise econômica e política. Exatamente este período é selecionado como o mais favorável para implementação da campanha dos objetivos estratégicos da reintegração da totalidade da Ukraina, ou parte dela, à atual Rússia.
Putin não se recusa desta tarefa, e Glazyev atua no papel de agente informante, falando sobre esses planos.

Desde que nas eleições democráticas na Ukraina, se elas fossem realizadas agora, Yanukovych não teria chances. De acordo com as previsões mais positivas, ele obteria 20-25% de votos. Disto ele não precisa. Ele chegou ao poder para não perdê-lo. Então a única maneira para manter o poder é o uso da força, a força da qual ele é constantemente lembrado por Glazyev.

Yanukovych não será "governador" da Malorossia (Pequena Rússia - a parte da Ukraina, citada acima, que Rússia se contentaria a conquistar no início). Nesta situação ele não será nem governador, nem presidente. Seu único valor de significância para Kremlin consiste em que ele controle toda Ukraina, seja presidente da Ukraina. Se ele não conseguir manter-se neste cargo, ele não é necessário. Para governar Malorossia encontrarão outra pessoa.

A revolução ukrainiana não tem caráter que lhe atribuem os arquitetos do Kremlin. Não é continuação da guerra da NKVD com UPA (Exército Insurgente Ukrainiano - segunda guerra mundial), e que, quem crítica Yanukovych é injuriado como "nazista ou fascista". Confesso que por algum tempo eu também pensava assim. No entanto, a julgar pelo que está acontecendo na Ukraina, de acordo com o componente social do Maidan, onde há pessoas de Donetsk, Kharkiv, Dnipropetrovsk, Mariupol e Criméia é óbvio que a revolução ukrainiana não é o personagem que a ela atribuem os arquitetos de Kremlin.

Isto não é oposição do ocidente e centro contra o leste e sul. Talvez, no início parecia com a orientação da UE ou União Aduaneira. Mas, agora, Maidan mostrou que a sua essência - é revolução anticriminal.

As pessoas do leste e sul conheceram os meios criminosos muito mais que as pessoas do centro ou ocidente. Eles sabem bem o que representa o regime criminal que enraizou-se nas regiões leste e sul da Ukraina.

Em relação ao terror que iniciaram aos ativistas do Maidan, por parte de cidadãos da Ukraina - sem medo da palavra, é questão de vida ou morte.

Em Moscou criaram o Comitê de solidariedade com Maidan.

O Comitê de solidariedade com Maidan que criamos em Moscou tem como tarefa de informar a verdade aos russos o que, hoje, acontece na Ukraina.
Nossa associação é de pessoas que querem expressar seu apoio ao Maidan e todo o povo da Ukraina, em sua tentativa de criar um país livre de crimes, país democrático, país onde as escolhas políticas serão feitas pelo povo. Nossa principal tarefa é informar a verdade aos russos sobre o que está acontecendo na Ukraina. 
Nossa segunda tarefa - estabelecer contatos entre russos e ukrainianos normais. É a diplomacia pública. A terceira tarefa é ajudar Maidan, tanto com dinheiro, como com objetos, tendas, remédios. E, finalmente, a quarta tarefa - ações públicas para que a sociedade russa saiba, que Rússia não se limita com declarações falsas, forjadas por Kremlin e seus propagandistas. Há uma outra Rússia.

Nós expressamos nosso sincero respeito a Dmytro Bulatov e Ihor Lutsenko, e a todos que estão no Maidan, não apenas pela questão ukrainiana, também pela questão russa. Isto não é exagero.

Se o Maidan dispersarem, então nossos países por décadas encontrar-se-ão em crise. Se o Maidan vencer e conseguir alcançar a ser criado um sistema político livre, sem intervenção de criminosos e invasores, isto será um sinal forte que na Rússia, mais cedo ou mais tarde isto poderá acontecer também. Vitória do Maidan - é vitória da democracia, da liberdade, de sociedade aberta na Rússia. Um pouco mais tarde, mas será assim.

Para ajudar a vitória do Maidan é necessário criar um sistema de autodefesa de todos os participantes do Maidan. É necessário concentrar-se em duas áreas. Fortalecimento organizacional técnica, ideológica, quadros, materiais e dinheiro. É importante aprender com semanas anteriores pra que ninguém mais seja ferido.

O Maidan não pode dissolver-se sem vitória, sem nova Constituição, antes da eliminação da perseguição, antes da formação de um governo de transição que vai preparar as eleições antecipadas. Este é o trabalho do Maidan.
A outra direção é o Parlamento. Aqui Maidan deve formular exigências claras aos deputados para criação de uma nova maioria.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

sábado, 8 de fevereiro de 2014

MIDIA GLOBAL SOBRE O ESCÂNDALO DIPLOMÁTICO

Mídia global sobre o escândalo diplomático: Kremlin semeia discórdia entre os países ocidentais ou procura uma nova "Guerra Fria".

Ukrainskyi Tyzhden (Semana Ukrainiana), 07.02.2014
Olga Vorozhbyt

O escândalo com a publicação de conversas privadas dos diplomatas americanos e europeus, que discutiam a situação na Ukraina, por um tempo tornou-se o principal tópico da mídia mundial. A maioria concorda, que ao "derrame" participou Rússia e veem nisto o desejo de irritar os países do Ocidente e minar a possibilidade de regulação da situação na Ukraina através da eleição de um novo governo de oposição.


A ocorrência simultânea de gravações diplomáticas de europeus e dos EUA, independentemente de sua origem e veracidade, foram, de acordo com a Reuters a fim de desacreditar as potencias ocidentais e para retratar a oposição ukrainiana como peões ocidentais e enraivecer entre si Bruxelas e Washington.

Rússia tem interesses próprios, para considerar as atividades do Ocidente na Ukraina como ingerência na política interna, e desvendando a gravação da conversa entre o embaixador dos EUA Jeffrey Payyett e secretário adjunto de Estado dos EUA Victoria Nuland esforça-se para semear mais tentativas de discórdia entre UE e EUA, - considera o jornal alemão Die Welt.

"A palavra com a letra "F" é um tabu na América. Pessoas com boas maneiras evitam-na. Agora, deliberadamente, a introduz contra UE o diplomata de alto escalão americano, e deve pedir desculpas por isso", - diz Die Welt.

"A conversa de Nuland com Payyett torna claro, com que intensidade o Ocidente, especialmente os EUA, ocupam-se com os acontecimentos atuais na Ukraina e o que eles pensam sobre os líderes da oposição", - escreve Die Welt.


Mais uma conclusão deste "vazamento" é que "não somente a NSA (National Security Agency) americana é capaz de escutar conversas supostamente confidenciais.

Este registro, de acordo com Die Welt, representa a inteligência russa. "Moscou tem interesse significativo, para considerar as atividades do Ocidente na Ukraina como interferência do Ocidente na política interna e ao mesmo tempo para espalhar mais um pouco de discórdia entre USA e UE", - considera a publicação.

"Tensas manobras russo-americanas ao redor da Ukraina agravaram-se na quinta-feira, quando o funcionário do Kremlin acusou Washington de "interferência grosseira nos assuntos da ex-república soviética, enquanto a administração Obama acusou Moscou em propagação da interceptação de conversa privada entre diplomatas americanos", - escreve The New York Times.

Segundo a publicação com o surgimento na internet desta gravação ficou clara a atitude americana à crise política na Ukraina, já que os dois diplomatas discutiram abertamente a provável composição do novo governo.

Os acontecimentos no dia anterior da abertura dos Jogos Olímpicos de inverno em Sochi enfatizam o confronto por influência aqui (na Ukraina - Redação), que se assemelham cada vez mais com aquilo, que havia nos tempos da "guerra fria", considera The New York Times.

"*F*ck the EU!, gíria do conselheiro Ragozin?", - sugere a edição polonesa TVP.info.

De acordo com o jornal, um dos primeiros que publicou esta conversa on-line era conselheiro do vice-primeiro-ministro da Rússia Dmitry Ragozin, Dmitry Loskutkov, mas os meios de comunicação russos, relatam que os diplomatas dos EUA discutem abertamente, quem da oposição ukrainiana se encaixa, e quem não, para o cargo de primeiro-ministro, evitando respostas negativas, que ocorrem durante uma conversa sobre possíveis ações da Rússia quanto a Kyiv.

O consultor Sênior para Europa deveria ter atenuado a decepção dos europeus com USA, em vez disso ela, parece ter alimentado esse sentimento de novo - considera Spiegel Online.

"Victoria Nuland - diplomata segundo todas as regras. Filha de um professor de medicina, foi secretária de imprensa da Secretária de Estado Hillary Clinton, e desde o ano passado tem sido principal conselheiro do presidente Obama. Mulher de 52 anos responde pelo serviço profissional e recentemente, com honra completou uma delicada turnê pela Europa relacionada ao pedido de desculpas por causa do escândalo pela escuta da NSA. Mas agora, ela cometeu uma gafe que pode agravar uma excedente carga a já tensas relações entre Europa e EUA", diz a publicação.

Se os russos realmente queriam a possibilidade de ajustar a situação na Ukraina através do estabelecimento de um governo de oposição transitória, então a conversa privada de Nuland é a anulação disso, na opinião dos especialistas, - escreve The Daily Beast.

Assim, como escreve a edição Toby Gate, o ex-especialista da Casa Branca em relação a Rússia, defendeu Nuland, observando que ela simplesmente admitiu, que UE é um obstáculo para o acordo na Ukraina.

Nuland "de forma abreviada manifestou o seu desapontamento com a inaptidão da UE de encontrar uma saída nesta situação, para encontrar uma solução", - declarou Gate no comentário da publicação.
"O que ela diz, é que, temos uma crise aqui e precisamos nos mover, e nós não podemos trabalhar com a UE, como de costume".

Tradução: Oksana Kowaltschuk