quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

OS PROTAGONISTAS DA BATALHA DE KIEV

A violência conheceu um novo extremo na capital ucraniana nos últimos dias. Desde Novembro que os protestos se modificaram e a Praça da Independência vive momentos de elevada radicalização.


Presidente e líderes dos partidos da oposição têm sido os rostos da negociação. Mas nas ruas, são os grupos informais que lideram as acções mais violentas.


Viktor Yanukovych
No poder desde 2010, Viktor YanukovYch, de 63 anos, viu a sua reputação afectada depois de suspeitas de fraude eleitoral nas eleições de 2004, na origem da Revolução Laranja. Com a queda crescente da popularidade de Yulia Tymoschenko, Yanukovych conseguiu vencer as eleições de 2010 por uma pequena margem de 3% dos votos, num sufrágio considerado limpo pelos observadores internacionais.
A base de apoio ao Partido das Regiões encontra-se sobretudo no leste do país, nas regiões mais próximas da Rússia, tanto ao nível cultural como econômico. Cidades como Donetsk, Kharkov e Luhansk têm uma população considerável de falantes de russo e de russos étnicos. O primeiro idioma de Yanukovych é russo, apesar de ter aprendido ucraniano desde que tomou posse.
Num país onde o poder econômico se confunde frequentemente com o poder político, os oligarcas exercem uma influência assinalável. No Parlamento, por exemplo, apesar de os deputados estarem divididos em grupos parlamentares partidários é a lealdade a um empresário poderoso que muitas vezes se torna determinante.
Yanukovych conta com o apoio de Rinat Akhmetov, o homem mais rico da Ucrânia, com uma fortuna avaliada pela Forbes em 15,4 milhões de dólares (11,2 mil milhões de euros). Akhmetov fez fortuna na exploração mineira na região de Donetsk, que já foi governada por Yanukovych, – onde também é proprietário do clube Shakhtar Donetsk.
Apesar de aparecer hoje como um aliado de Moscou, publicamente Yanukovych sempre alinhou por uma política de aproximação à União Europeia. Numa entrevista à BBC, chegou a afirmar que “a integração da Ucrânia na UE continua a ser o objetivo estratégico”. A primeira viagem oficial que fez foi precisamente a Bruxelas.
Uma das principais críticas sobre Yanukovych é a suspeita que recai sobre a chamada “família”, um círculo próximo do Presidente que terá enriquecido à custa de favorecimentos ilícitos.

Vitali Klitschko
É provavelmente o rosto mais conhecido da oposição ucraniana, muito devido à sua carreira no boxe profissional. Vitali Klitschko, de 42 anos, iniciou a sua carreira política com uma candidatura à Câmara Municipal de Kiev, em 2006, tendo ficado atrás do vencedor. Nas eleições locais de 2008, Klitschko conseguiu 15 lugares no Conselho de Kiev, depois de ter contratado como consultor o ex-mayor de Nova Iorque, Rudolph Giuliani.
Mas foi a partir de 2012 que o ex-campeão mundial de pesos pesados alcançou maior notoriedade. Foi nesse ano que fundou o seu partido, o UDAR (a Aliança para a Reforma Democrática Ucraniana, cujas siglas significam “murro”), tendo alcançado 14% dos votos nas legislativas, apostando numa num programa anti-corrupção.
Durante os protestos dos últimos meses, Klitschko apresentou o discurso mais pró-europeu e tem aproveitado a sua forte popularidade na Alemanha, onde fez grande parte da carreira, para construir ligações ao Ocidente. No entanto, a proximidade forte à Alemanha também lhe valeu críticas, obrigando-o a renunciar à nacionalidade alemã recentemente.
As principais fraquezas que lhe são apontadas são a inexperiência política – nunca exerceu qualquer cargo público – e as fracas capacidades oratórias. Mas o próprio Yanukovych vê em Klitschko o principal adversário nas eleições presidenciais de 2015, segundo vários analistas.

Arseni Yatseniuk
Lidera o partido Batkivshchina (Pátria), tendo sucedido a Yulia Tymochenko, após a sua detenção, apesar de a “musa” da Revolução Laranja continuar como líder formal. Aos 39 anos, Iatseniuk já passou por vários cargos políticos de relevo, tendo assumido as pastas dos Negócios Estrangeiros e das Finanças em governos anteriores e ter liderado o Parlamento.
Foi a Yatseniuk que Yanukovych ofereceu a liderança do governo, a 25 de Janeiro, na tentativa de fazer cessar os protestos. Num primeiro momento, Iatseniuk afirmou estar pronto para “assumir as responsabilidades”, mas logo recuou e esclareceu que não iria aceitar o “presente envenenado” do Presidente.
Yatseniuk está longe de ser o líder mais popular junto dos manifestantes, faltando-lhe o carisma reconhecido a Tymochenko. Mas é o reconhecimento da sua experiência política que o apresenta como uma aposta segura numa futura administração. Pelo menos foi essa a indicação dada pela vice-secretária do Departamento de Estado norte-americana, Victoria Nuland, durante uma conversa telefônica que chegou a público nas últimas semanas.

Oleg Tiahnibok
O líder do partido nacionalista Svoboda (Liberdade), de 45 anos, tem sido gradualmente afastado das conversações com a presidência. Oleg Tiahnibok foi o único líder da oposição a quem Yanukovych não ofereceu qualquer cargo de governo, numa demonstração clara de que este partido não deverá entrar nas contas do poder no futuro.
O Svoboda alcançou cerca de 10% dos votos nas eleições de 2012 e tem sido uma das forças mais mobilizadoras nas ruas. A presença de Tiahnibok, que chegou a referir-se à “máfia judaico-russa que domina a Ucrânia", ao lado de uma oposição pró-européia causa estranheza e preocupa os analistas.
A base de apoio do Svoboda é também o ocidente do país, tal como acontece com os outros partidos da oposição. No entanto, o confronto com Yanukovych é feito por razões bastante diferentes. Defensores da língua e da pátria ucraniana, criticam a subserviência do poder em relação a Moscou e o domínio dos oligarcas pró-russos. A cooperação com os outros partidos parece ser apenas circunstancial, o que será certamente fonte de vários problemas no futuro.

Setor Direito
Trata-se de um grupo sem qualquer filiação partidária, nascido no seio dos protestos, e que tem estado à frente dos confrontos mais violentos dos últimos meses, segundo vários correspondentes em Kiev. A entrada em cena do Praviy Sektor nos protestos coincidiu com a “transferência” do palco dos confrontos da Praça da Independência para a área perto do estádio do Dínamo de Kiev, na altura em que a violência subiu de tom.
Apesar da página do grupo na rede social de língua russa Vkontakte ter 100 mil apoiantes, no terreno o “Setor Direito” deverá contar com 300 membros, segundo a Reuters. O grupo tem uma ideologia pouco coerente, sendo que aquilo que define o Setor Direito é a ação direta.
Formado em grande parte por adeptos violentos de clubes de futebol – o nome “Setor Direito” está relacionado com uma zona dos estádios –, o grupo organiza-se através de milícias de autodefesa e são vistos em sessões de treino paramilitar em plena Praça da Independência.
O seu quartel-general era a Casa dos Sindicatos, entretanto incendiada durante os confrontos dos últimos dias. Ocupam, desde quarta-feira, o edifício central dos correios.

Causa Comum
Outro dos grupos formados durante os protestos. É menos violento do que o Setor Direito e os seus membros partilham uma ideologia nacionalista. Apresentam-se mais como um movimento social e foram notados pela permanente ocupação de edifícios.
Esse ato é visto pelos seus membros como “um ato de resistência”, que tentam sempre levar a cabo sem violência. Foram membros do Spilna Sprava que ocuparam o edifício do Ministério da Justiça, levando à primeira ameaça de declaração do estado de emergência no país.
Mais recentemente protagonizaram algumas cenas de violência contra outros manifestantes que os tentavam retirar do edifício do Ministério da Agricultura.

A BATALHA DE KIEV - II

O número de mortos pode estar perto dos 50, segundo as estimativas do jornalista Maxim Eristavi, em declarações à BBC. “O número de mortos é impressionante. Eles [as autoridades] pensam aproximar-se de 50”, afirmou. A mídia local aponta para 35 mortos esta manhã, mas o número pode subir à medida que vêm chegando relatos de novos cadáveres encontrados.







Principais acontecimentos do dia 19.02.2014.

1:13 - Merkel não conseguiu falar  (ao telefone) com Yanukovych. EUA pedem para afastar os truculentos.

1:34 - Ativistas de Odessa não conseguiram impedir a ida do Berkut a Kyiv.

1:34 - Está queimando o prédio dos sindicatos em Kyiv, sede da resistência nacional. Os bombeiros estão apagando o fogo. Todas as pessoas conseguiram sair.


1:42 - O Ministério do Exterior da Rússia culpou o Ocidente pela situação na Ukraina.

1:51 - Polícia abriu processo penal devido a captura da Administração Estatal Regional de Ivano-Frankivsk. A responsabilidade máxima sob esta seção, na forma de prisão, é de seis anos. Também foram capturadas as administrações regionais do Ministério do Interior.

2:15 - Os líderes da oposição não conseguiram nenhum acordo com Yanukovych. "O presidente disse que apenas havia uma saída - deixar tudo, limpar Maidan, e todos devem ir para casa".  É tudo o que o presidente disse, acrescentando que a responsabilidade pelas mortes das pessoas recai sobre a oposição, contou Klychko.

2:16 - Em Lviv, os protestos tomaram o setor do exército, procuradoria e o Serviço de Proteção da Ukraina.
Os militares deixaram a sede sem luta. Porém, devido aos coquetéis Molotov, que uma parte dos protestantes jogava do quartel, pegou fogo. As pessoas tentam apagar o fogo com baldes d'água, sem resultado. No local há, mais ou menos 10 mil pessoas. Suas atividades não são coordenadas, enquanto uns tentam apagar o fogo, outros jogam coquetéis Molotov.
Os protestantes conseguiram entrar no prédio do Serviço de proteção da Ukraina. Não houve resistência.
O prefeito de Lviv Andrii Sadovyi chamou os acontecimentos na Ukraina "Catástrofe humanitária", cuja culpa é do governo. "Em particular dirijo-me aos trabalhadores das estruturas de força de Lviv, venham e voltem suas armas para proteção das pessoas - seus familiares, vizinhos e amigos. Compreendam - a menor agressão de sua parte às pessoas terá força multiplicada em resposta, e contê-la será impossível, - escreveu ele no Facebook. No entanto, Sadovyi conclamou também os manifestantes ao comedimento: "Povo de Lviv, abstenham-se de justiçamentos, hoje, como nunca precisa agir friamente", - disse Sadovyi.
Os hospitais estão prontos para receber os feridos.
"Os pais devem acompanhar os filhos à escola, também no retorno" - acrescentou o prefeito.

2:18 - Fredom House: Yanukovych deve renunciar porque perdeu a legitimidade.

3:08 - Em Kyiv, desconhecidos mataram dois funcionários do DAI (Inspeção rodoviária estatal).

3:29 - Na ilha Trukhanov em Kyiv encontraram um corpo com lencinho de autodefesa do Maidan no pescoço. O corpo foi identificado pela cópia de documentos, como de Volodymyr Naumov, da aldeia Shevchenko. A versão oficial é que a pessoa pulou da ponte de pedestres.

3:48 - Yanukovych ameaça os dirigentes da oposição com abertura de processos penais, diz o líder do partido Pátria Arsenii Yatseniuk. "As negociações acabaram em nada, Yanukovych considera que a oposição não observa acordos", - escreveu Yatseniuk no Facebook.
Segundo Yatseniuk à posição da oposição restava apenas uma saída proposta pelo governo: desistência e abandono do território do Maidan.
"Porquanto não foi declarada trégua, e desejo disto o governo não tem, então nós realmente estamos no limiar da página mais dramática da história do nosso país", - disse Yatseniuk.
"Nós vamos ficar com as pessoas. No Maidan as pessoas são pacíficas, e estas pessoas tem o direito de ficar aqui e continuar o seu protesto pacífico," - disse o político.

4:28 - Os truculentos novamente avançaram ao Maidan. Algumas tendas estão queimando. Pegou fogo o prédio da Conservatória.


5:13 - Em Lutsk aproximadamente 150 ativistas piquetearam a repartição do Ministério do Interior da Ukraina.  O sub-dirigente Volodymyr Polishchuk pediu aos manifestantes para se dispersarem, porque os policiais "Também são filhos de alguém". Mas os ativistas lhe lembraram os mortos em Kyiv e lhe apresentaram uma declaração que ele, Polishchuk, condena a violência em Kyiv e conclama os truculentos de Volyn, que aí se encontram, ir embora. Polishchuk concordou. Ainda os ativistas danificaram as rodas do ônibus em que estavam os policiais. Eles foram obrigados descer do ônibus e foram conduzidos pelo "corredor da vergonha" ao interior da repartição. Depois disso os manifestantes foram piquetear o escritório do Partido das Regiões. 

5:52 - Yanukovych lembrou à oposição: ou se benzem dos ativistas, ou prisão.

6:26 - No hospital morreu o jornalista do jornal "Vesty" (palavra russa, significa levar, conduzir, jornal de Moscou) Viacheslev Veremii. Ele estava num táxi com seu colega Oleksii Lemarenko. Quando o táxi parou no sinal, pessoas com bastões e armas, em capacetes, camuflagem e máscaras pretas começaram balançar o carro e lançar sobre ele coquetéis Molotov. As pessoas foram retiradas e brutalmente espancadas. O motorista foi ferido na perna, Lemarenko teve o rosto desfigurado e Veremii recebeu um tiro no peito.

9:37 - Em Lutsk queimaram os escritórios dos partidos Comunista e das Regiões.

9:40 - Como chegar a Kyiv: há caminhos fechados, isto é, quase todas rodovias tem as pistas com aterros de areia, apenas com uma faixa livre. Em todos os locais está DAI (inspeção rodoviária estatal)). Apenas está livre a entrada de Veshhorod.
Na capital, até 2 quilômetros ao redor do Maidan está a inspeção rodoviária estatal com 3 ou mais carros. Até nas pequenas travessas está DAI com autômatos. Eles revistam o interior dos carros, inclusive bagageiros.

10:56 - O Conselho Popular de Lviv  assumiu total responsabilidade pelo destino da região e assumiu o controle de todos os departamentos executivos. Na presidência do Conselho Petró Kolodii, representante dos deputados, autodefesa, outras organizações, ativistas da comunidade, conhecidos intelectuais. Permanecem os Conselhos escolhidos pela população. O principal objetivo é apoio à proteção da vida, da lei e da ordem e colaboração no envio de ativistas a Kyiv, e abastecimento do Maidan de Kyiv com tudo o que for possível.

11:01 - Dólar sobe para 8,99 UAH.

11:34 - Hrytsenko: Ministro da Defesa ordenou engajar os militares.

11:51 - Zakharchenko diz não sentir responsabilidade pelo derramamento de sangue.

11:58 - Kolesnichenko diz, que as mortes no Maidan - na consciência de Merkel, devido a sua intolerância. Klychko e Yatseniuk receberam de Merkel carta branca para forçar a questão. Ele também está indignado com outros líderes europeus. Ele acha que o presidente da Polônia e os representantes dos EUA que, segundo ele ocupavam-se com provocações, financiam esta situação. 
(O cara, no íntimo, sente a própria culpa e tenta enganar a si mesmo. Nunca li nada desse tipo nas declarações das pessoas citadas - OK). E, não há necessidade de decretar Estado de Emergência na Ukraina, porque Maidan é um conflito local, "chupado do dedo".

12:16 - Yanukovych após se recusar à negociação anunciou dia de luto pelos manifestantes mortos, dia 20 de fevereiro.

12:23 - UE prepara sanções urgentes por causa da escalada da violência na Ukraina

Imprensa mundial sobre Ukraina:


12:25 - Rússia acusou o Ocidente pelo favorecimento da revolução "marrom" na Ukraina e declarou que colocará em andamento toda sua "influência" para que haja paz na Ukraina

12:48 - Os trens de Lviv e Frankivsk estão interditados.

12:55 - O risco de "default" na Ukraina ultrapassou 60%.

13:04 - No Maidan estão, mais ou menos 5.000 pessoas. Principalmente são pessoas que trouxeram comida, roupas quentes, água e remédios, e também cidadãos comuns que vieram apoiar os protestantes. Na praça central tem uma grande quantidade de pessoas da autodefesa do Maidan. A maioria está tensa, dizem que não vão deixar o local do confronto. Eles estão separados dos policiais por um aterro de meio metro com pneus, troncos e tábuas em chamas.
O incêndio na Casa dos Sindicatos continua no 5º andar. Periodicamente ouvem-se quedas da estrutura e dos vidros. Alguns manifestantes esforçam-se para retirar do edifício as cobertas e os alimentos. Periodicamente ouvem-se explosões de petardos porém as partes  abstém-se de operações ofensivas.
Próximo a barricadas há grande quantidade de jornalistas europeus. Os protestantes, de prédios em construção na Praça São Miguel e Casa dos Sindicatos, extraem materiais para reforçar as barricadas. Há muita fumaça. No território da Catedral São Miguel tem um ponto de recolhimento de remédios. Os protestantes ajudam os feridos chegar à Catedral. Em frente da igreja há cerca de 300 pessoas. São habitantes de Kyiv que trazem comida, medicamentos e roupas quentes. 
Dentro do mosteiro organizaram o pernoite, muitos médicos selecionam os remédios.
A igreja recebeu mais de 100 pessoas. Aqui fizeram até cirurgias difíceis, todo refeitório está destinado aos feridos. Os médicos trabalharam a noite toda. 

Tradução: Oksana Kowaltschuk

A BATALHA DE KIEV



 

 

 

 


 

 

 





 

 

 
































quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Ucrânia, depois da violência a repressão

Opinião
A operação “antiterrorista” ucraniana vai ser uma caça cerrada aos oposicionistas.

Diz o hino ucraniano que “A glória da Ucrânia ainda não pereceu, nem a sua liberdade”. Mas o ambiente dantesco vivido em Kiev, deixando um rastro de destruição e morte, põem ambas em sério perigo. E reduzem a cinzas os fundamentos do lema nacional do país: “Liberdade, Concordância, Bondade”. Yanukovych, o Presidente que empurrou o país para a orla de Moscou, contra a vontade de milhões que preferiam a aproximação à União Europeia (a crise começou quando o Presidente se recusou a renovar um contrato comercial com a UE), apostou no cansaço dos manifestantes que iam enchendo a Praça da Independência. Como isso não resultou, porque a tenacidade dos opositores era muita, fez a polícia antimotim cercar a praça, numa primeira fase, e depois invadi-la com inusitada violência. O que começou por ser um protesto pacífico, há um mês atrás, foi crescendo até se tornar na semente de um conflito insanável: Yanukovych tentou ceder em pequenas coisas, demitindo até o governo, mas fê-lo sempre fora de tempo, quando os manifestantes já queriam muito mais do que ele lhes oferecia. A evolução da crise ucraniana, nos últimos dias e sobretudo nas últimas horas, com a violência a crescer nos dois lados da barricada, fazia prever um desenlace brutal. Se Yanukovytch não cedia o poder, iria usá-lo para calar os que se lhe opunham. Foi o que sucedeu na noite de ontem, com resultados ainda imprevisíveis. Aquilo a que o regime, na sequência da invasão da praça, apelidou de operação “antiterrorista”, vai ser uma caça cerrada aos oposicionistas e sobretudo aos seus líderes. A repressão terá rédea livre, com o beneplácito de Moscou. O apelo do líder do partido da oposicionista Vitali Klitschko, dizendo que “o poder desencadeou uma guerra contra o seu próprio povo, os responsáveis dos países democráticos não podem continuar inativos”, já teve algumas respostas ocidentais, com ameaças de sanções. Estará o pior ainda para vir?

TRIBUTO AOS MORTOS NA BATALHA DE KIEV

Um tributo aos que morreram pela Ucrânia livre do jugo comunista russo, sob a sanha de um presidente apátrida e sanguinário!
O Cossaco.


CORAL NACIONAL UCRANIANO "H. VERYOVKA

Oração pela Ukraina (Oh Deus, onipotente e único, Guarde para nós a Ukraina).
Escrito em 1885.
Música: Mykola Lysenko.
Letra: Oleksandr Konyskyi

Oh Deus onipotente e único,
Para nós guarde a Ukraina,
Com raios da liberdade e luz
Ilumine-a oh Deus.

Com a luz da ciência e saber
A nós, filhos, ilumine
Em puro amor à Pátria
A nós, oh Deus, cresça

Rezamos, oh Deus único,
Guarde a Ukraina para nós,
Todas suas graças e generosidades
Ao nosso povo encaminha.

Dê-lhe liberdade, dê-lhe destino,
Dê-lhe um mundo bom, felicidades,
Dê-lhe, oh Deus, ao povo
E muitos, muitos anos.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

Presidente e oposição não cedem e a Ucrânia afunda-se cada vez mais na violência

Balanço oficial mais recente dá conta de 26 mortos, entre os quais 15 civis, dez polícias e um jornalista. União Europeia discute aplicação de sanções aos responsáveis políticos ucranianos.

As horas vão passando e arrastam a Ucrânia para um campo de batalha sem fim à vista, após três meses de protestos relativamente pacíficos. Desde a manhã de terça-feira já morreram 26 pessoas, de acordo com as atualizações permanentes do Ministério do Interior. O Presidente do país, Viktor Yanukovych, acusa os líderes da oposição de terem incitado uma insurreição e garante que todos eles vão prestar contas perante a Justiça.

O centro de Kiev, ocupado por uma massa humana que contesta a legitimidade de Yanukovytch para se manter no poder, foi também o epicentro do "dia do Juízo Final", ou da "batalha de Kiev". Um dia que ameaça prolongar-se por muito mais do que 24 horas e alargar-se muito além da capital – os relatos de ocupação de edifícios públicos e de depósitos de armas em Lviv, no extremo Oeste do país, indicam isso mesmo.
O balanço de vítimas foi atualizado na manhã desta quarta-feira pelo Ministério do Interior: pelo menos 26 mortos e 241 feridos, numa contagem que as próprias autoridades reconhecem estar longe do fim. Entre as vítimas mortais há 15 civis, dez polícias e um jornalista, do diário ucraniano Vesti.
Não há qualquer indicação de que a violência poderá cessar nas próximas horas. Após uma reunião com os principais líderes da oposição, o Presidente Viktor Yanukovych acusou-os de terem "ultrapassado os limites", por terem "apelado à luta armada". Foi decretado dia de luto nacional na quinta-feira em homenagem às vítimas dos confrontos, anunciou Yanukovych.
Num comunicado publicado nesta quarta-feira no site da Presidência, Viktor Yanukovych disse que a operação policial foi lançada para impedir a tentativa dos seus opositores de "tomarem o poder através de fogo posto e de homicídios".
O Presidente ucraniano considera que deu todas as oportunidades à oposição para dialogar, mas que tem sido pressionado pelos seus conselheiros a assumir uma posição mais dura. "Sem qualquer mandato do povo, de forma ilegal e em violação da Constituição da Ucrânia, estes políticos – se é que posso usar este termo – recorreram a massacres, ao fogo posto e a homicídios para tentarem tomar o poder." (Mas sobre quais massacres Yanukovych se refere? Dos seus Berkut com granadas e pistolas 9 mm ou do povo com as mãos? O presidente truculento dá o tapa e esconde a mão! O Cossaco)

O vídeo a seguir mostra quem massacrou quem.
 
 

No final da reunião com os líderes da oposição, Yanukovych atribuiu toda a responsabilidade à oposição, mas disse que "não é tarde de mais para parar este conflito": "Para ser sincero, alguns dos meus conselheiros estão a tentar levar-me a adotar posições mais duras, para usar a força (Só se for genocídio! Vai matar toda a Ukraina, senhor presidente? - O.C.). Mas eu sempre considerei o uso da força um erro. Há meios melhores e mais eficazes – como encontrar uma linguagem comum. Tenho pedido com insistência para que as pessoas se abstenham de cometer ações radicais. Mas elas não me ouviram. Repito: ainda não é tarde de mais para nos ouvirmos uns aos outros. Ainda não é tarde de mais para parar este conflito." (Esse presidente é um cínico dissimulado. Só ele não entendeu que o Ukraina não o quer mais! - O.C.)
Quanto aos líderes da oposição, o Presidente ucraniano foi claro: "Eles ultrapassaram os limites quando apelaram às pessoas que pegassem em armas. Quem viola as lei deve ser levado a tribunal, que irá determinar a punição a aplicar. Não é um capricho pessoal, é o meu dever enquanto garante da Constituição."
Tal como o Presidente, a oposição saiu do encontro como entrou. "O Presidente pediu-nos que nos rendêssemos. Mas nós vamos ficar aqui com os manifestantes", disse um dos líderes da oposição, Arseni Iatseniouk (do partido da antiga primeira-ministra Yulia Tymochenko), ao Canal 5 ucraniano.
Vitali Klitschko, antigo campeão do mundo de pugilismo e líder do partido Udar (Murro), acusou o Governo de ter "declarado uma guerra contra o seu próprio povo". Mais tarde, revelou que o Presidente Yanukovytch quer voltar a reunir-se com os principais rostos da oposição ainda nesta quarta-feira, numa reunião em que já confirmou a sua presença.

Em Lviv, a maior cidade da parte ocidental do país, os manifestantes invadiram as instalações da polícia, segundo a BBC, que cita agências locais. Os ativistas afirmaram ter libertado todos aqueles que se encontravam detidos, acrescentam.

Grupos de manifestantes ocuparam a direção da polícia, a sede dos serviços de segurança e a procuradoria em Ivano-Frankivsk, também na região ocidental.

EUA pedem contenção, Rússia culpa Ocidente, UE fala em sanções
Numa série de tweets publicados nas últimas horas, o Departamento de Estado norte-americano lançou apelos ao Presidente ucraniano para que ponha fim à violência: "Apelamos ao Presidente Yanukovytch e ao Governo ucraniano que retome o diálogo com a oposição num caminho pacífico."
O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, telefonou a Yanukovytch para lhe manifestar a sua "grande preocupação com a crise nas ruas de Kiev". Através de Biden, a Casa Branca apelou ao Presidente ucraniano que "retire as forças governamentais e que exerça o máximo de contenção".
O vice-presidente norte-americano – prossegue o texto publicado no site da embaixada ucraniana em Kiev – "deixou claro que os Estados Unidos condenam a violência de ambos os lados, mas o Governo tem especiais responsabilidades na pacificação da situação".
Também o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, falou com o Presidente ucraniano, com que discutiu "a violência inaceitável nas ruas de Kiev".
"Apelamos ao Presidente Yanukovytch e ao Governo ucraniano para que pacifique a situação imediatamente, e que retome o diálogo com a oposição. As profundas divisões na Ucrânia não serão sanadas com o derramamento de mais sangue inocente", lê-se no comunicado assinado pela porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki.
Do lado da Rússia chegam condenações ao envolvimento dos países ocidentais na situação na Ucrânia, em especial os EUA e os Estados-membros da União Europeia, que Moscou acusa de terem "fechado os olhos aos atos agressivos das forças radicais na Ucrânia". Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo denuncia o que considera ser uma "tentativa de golpe de Estado" protagonizada pela oposição ao Presidente Yanukovytch e afirma que a Rússia irá usar "toda a sua influência" para "levar a paz e a calma" à Ucrânia.
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, defendeu na manhã desta quarta-feira que os líderes da União Europeia devem aprovar "urgentemente medidas direcionadas aos responsáveis pela violência na Ucrânia".
Foi convocada uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE para quinta-feira, durante a qual "todas as opções serão exploradas", afirmou a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, deixando antever a possibilidade de aplicar sanções.
Da Polônia chegou o aviso mais sério. O primeiro-ministro, Donald Tusk, afirmou que a Ucrânia arrisca-se a mergulhar numa "guerra civil", com consequências para a estabilidade de toda a região, e disse que irá pressionar a União Europeia a impor sanções ao Governo ucraniano.
O ministro dos Negócios Estrangeiros polaco, Radoslaw Sikorski, anunciou, através do Twitter, que se vai deslocar "brevemente" a Kiev, a pedido de Ashton.
Nesta quarta-feira chegou também a ameaça francesa da aplicação de "sanções individuais". O ministro dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, anunciou que irá reunir-se com as autoridades alemãs e disse que é "provável" que sejam aprovadas sanções dirigidas a responsáveis ucranianos.
Já o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Frank-Walter Steinmeier, acusou o Presidente ucraniano de se recusar a manter "discussões sérias" com a oposição. "As manobras dilatórias do Presidente Yanukovytch custaram caro à Ucrânia. A sua recusa em manter discussões sérias para uma solução pacífica do conflito e para uma reforma constitucional é um grande erro", disse o ministro alemão.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Carl Bildt, foi também categórico na atribuição de culpas, numa mensagem publicada na sua conta no Twitter: "Temos de ser claros: a responsabilidade das mortes e da violência é do Presidente Yanukovytch. Ele tem sangue nas mãos."

Fim da relativa contenção
A onda de violência em Kiev começou na manhã de terça-feira, quando milhares de manifestantes tentaram furar o cordão policial para chegarem mais perto do Parlamento, onde os deputados dos três partidos da oposição pretendiam discutir uma alteração à Constituição que tem como objetivo reverter o caráter presidencialista do regime político ucraniano.
Os manifestantes lançaram pedras e cocktails molotov e a polícia anti-motim respondeu com extrema violência, primeiro com balas de borracha, mas também, segundo algumas testemunhas, com munições reais. A partir desse momento tornou-se impossível voltar atrás – as ruas da capital foram somando confrontos ao longo do dia, até que as forças governamentais entraram na Praça da Independência (o símbolo da oposição nos últimos meses) e carregaram sobre os milhares de manifestantes que lá se encontravam.
Os protestos começaram em Novembro, quando o Governo nomeado pelo Presidente Viktor Yanukovytch resolveu afastar-se das negociações com vista à assinatura de um acordo de cooperação com a União Europeia, para se aproximar do bloco econômico que a Rússia está a construir com algumas das antigas repúblicas soviéticas.
O país ficou dividido – a ocidente reclama-se o regresso ao caminho da integração na União Europeia; a oriente, mais propriamente na zona noroeste do país, há uma maior proximidade econômica com a Rússia, ditada em muito pela proximidade geográfica, que facilita as trocas comerciais.
No final de Janeiro, a pressão de Moscou para que o Governo ucraniano pusesse fim à contestação popular tornou-se mais evidente, com o aperto dos controles fronteiriços e a suspensão de uma linha de crédito superior a 11 milhões de euros, entretanto desbloqueada – na segunda-feira, a Rússia anunciou a transferência de cerca de 1,5 mil milhões de euros para os cofres da Ucrânia.
Mas nessa altura, em finais de Janeiro, Sergei Glazev, um conselheiro de Putin distinguido pelo Kremlin pelo seu papel no sucesso da reaproximação da Ucrânia à Rússia – ou no falhanço da aproximação da Ucrânia à União Europeia –, deixou bem claro o descontentamento de Moscou, em declarações à revista da empresa Gazprom: "O Presidente [da Ucrânia] tem uma opção. Ou defende o Estado ucraniano e põe fim à insurreição, ou arrisca-se a perder o poder. Se isso acontecer, a Ucrânia enfrentará o caos crescente e um conflito interno sem fim à vista." (Fonte: publico.pt)

O mundo está chocado com a situação na Ukraina e apela à contenção.


Madrugada do dia 19

No centro de Kyiv "titushky" fuzilaram dois protestantes, avisa Serhii Morhunov. Nós estávamos parados e começamos recuar. Um dos atingidos estava na minha frente. Eu consegui me esconder atrás do carro. Não sei porque eles começaram atirar.


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Os lutadores do Berkut atacaram Maidan, mas a auto-defesa conseguiu conter o ataque.
Um truculento foi apreendido e lavado ao palco. Turchenov exigiu que não fosse aplicada força porque os prisioneiros devem ser tratados com dignidade.
No Maidan e ruas próximas desligaram a luz.

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O número de vítimas subiu para 20 mortos e aproximadamente 500 feridos, segundo o dirigente do Serviço Médico no Maidan. Mesmo Turchenov, no palco do Maidan teve o rosto ferido com estilhaços, mas ele está bem.

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O presidente Yanukovych esconde-se de Klychko, Yatseniuk e Tiahnebok.
Às 22h53min. a secretária de Klychko avisou que ele foi a Bankova. E que no encontro com o presidente estava Yatseniuk. Uma hora depois a secretária avisou que Yanukovych não havia recebido nem Yatseniuk nem Klychko e que, de tempo em tempo lhes dizem que já-já serão recebidos pelo presidente. Anteriormente Tiahnebok, que desejava permanecer no Maidan, também foi a Bankova porque o presidente disse que conversaria somente com os três . Que, de repente, isto não tenha sido uma cilada...

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Ternopil (Ukraina ocidental) está envolvida em protestos de massa. Os manifestantes, indignados, atearam fogo ao departamento da polícia da cidade, e invadiram a administração regional. Quebraram os vidros, para lá voam os coquetéis Molotov.
Enquanto isso, as pessoas desmantelaram o pavimento e viraram os carros dos aplicadores da lei. Retiraram os pneus e jogaram no fogo.
Inicialmente não deixavam os bombeiros entrar mas, quando o fogo chegou ao segundo andar, permitiram. 
Aos policiais que levavam para fora, obrigavam ficar de joelhos.
Oleksandr Aronets, em sua página no Facebook informa que também ocuparam a Procuradoria e queimam "todos os processos contra heróis ukrainianos".


Em Lviv atacaram a administração da polícia e em Rivne a base do Berkut.

Notícias do dia 18 de fevereiro

O presidente do Parlamento europeu Martin Schulz está preocupado com as mortes dos manifestantes em Kyiv e exorta as partes do conflito à contenção.
Por sua vez, o senador americano, Christopher Murphy apelou a Viktor Yanukovych mostrar moderação ao lidar com a situação política na Ukraina.

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Os truculentos (governistas) bateram nos membros da equipe do "Canal 5" em Kyiv. Foi espancado o jornalista Azad Safarov e o operador Serhii Klemenko. Quando os truculentos se aproximaram, Safarov declarou: "Eu sou jornalista", mas recebeu uma cassetada na mão que segurava o microfone. O microfone caiu e dividiu-se. O jornalista continuou apanhando com cassetete nos punhos e no rosto. Ao operador quebraram a Câmera e também espancaram com cassetetes.

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TSN (Serviço televisivo de notícias) relata, que durante os trabalhos no Parque Mariinskyi também apanharam. A operadora Alla Khotsinivska e o operador Artem quando, de repente, vieram os"titushky" e exigiram a câmera. Como os operadores negaram, então ambos apanharam. Os truculentos ficaram olhando. O oficial não reagiu ao pedido de socorro e, somente pararam de bater o operador quando um dos subordinados veio e disse que não precisava bater nos jornalistas, mas a câmera quebraram.

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Atiraram no jornalista do "Glavkom" Oleksii Byk. Segundo seu amigo não foi grave.

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Pela manhã, as forças do Ministério do Interior, próximo ao Parlamento, renovaram confrontos aplicando armas traumáticas, gás e granadas de luz e som.

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Uma das granadas de luz e som atingiu o foto-correspondente da "Reuters" Gleb Haranich, e os foto-correspondentes Maxim Trebukhov e Oleksandr Kozachenko padeceram nas mãos da proteção do escritório do Partido das Regiões. (A meu ver os ataques aos jornalistas realizam-se no intuito de danificar as câmaras para que nada comprometedor de suas atividades seja publicado na imprensa - OK).

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O ataque da Polícia ao Maidan, nesta tarde é inadmissível. Yanukovych mata quaisquer chance de diálogo para solução pacífica da crise na Ukraina, disse Steven Pifer, ex-embaixador dos EUA na Ukraina.

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O Canal 5 foi desligado em toda Ukraina. Agora apenas na internet, segundo declarou no Facebook Artem Ovdienko.

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Yatseniuk apela às autoridades para anunciar uma trégua, a fim de não inundar Ukraina com sangue.

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Kharkiv e Criméia anunciam mobilização para Kyiv. No comício noturno, tradicional em Kharkiv, próximo ao monumento a Shevchenko, realizou-se uma ação em memória das vítimas de Kyiv e foi declarada uma mobilização para Kyiv. 
"Estamos organizando grupos pequenos para não serem sujeitos a bloqueios. Irão também mulheres-médicas. Auxiliamos com dinheiro, remédios, alimentos.
O Euromaidan da Criméia também está se mobilizando.

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Os taxistas da capital dobraram os preços. A comunicação pela internet perdeu-se e eles recolhem os passageiros na rua. 
O metrô foi desligado pelo governo devido aos tumultos. Dada a situação está sendo encaminhado todo arsenal disponível de transporte público: ônibus, bondes e trolebus, mas não é suficiente.

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Às 20 horas os truculentos do Ministério iniciaram o ataque ao Maidan. Do lado da Praça Européia o Berkut e tropas internas alinhavam-se em posição de combate. Às suas costas vieram os canhões de água que regam as barricadas na rua Khryshchatek e os ativistas. Começaram quebrar as barricadas apesar de haver pessoas sobre elas. Usam granadas de luz e som.
Ao mesmo tempo vem as forças de segurança a partir do Palácio de Outubro que vão às barricadas da rua Instytutska. Ao Maidan vinham dois blindados mas, de acordo com o jornalista Svyatoslav Tseholka um foi queimado.

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Arbuzov prometeu a Stefan Füle, Comissário Europeu, que Berkut não vai usar armas.  O Comissário disse que vai orar para que as promessas sejam verdadeiras.

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Durante os acontecimentos do dia 18, em Kyiv morreram  9 pessoas: 7 civis e dois policiais, segundo Polícia Metropolitana.
Um no escritório do Partido das Regiões, sufocado pela fumaça, três na Casa dos Oficiais (dois devido a ferimentos de bala e um devido a ferimento de acidente), um no carro de emergência também devido a ferimento de bala, mais duas pessoas na rua Instytutska, de ataques cardíacos. Dois policiais devido a ferimentos de bala: um na ambulância, outro no hospital.

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Dois dos três falecidos na Casa dos Oficiais já foram identificados. Um deles tinha o certificado do Conselho de Horodensk (região de Ivano-Frankivsk, do Partido Liberdade" Serhii V. Didukh. Ele apresenta ferimento grave na cabeça e rosto mutilado.
O outro tinha uma carteira de motorista, Volodymyr Kishuk, nascido em 1956 na região Zaporozhye. Ele morreu de ferimento a bala na nuca. (Isso é execução!!! O Cossaco)
O terceiro não está identificado. Ele não tinha documentos.

Yanukovych responde pessoalmente pelos acontecimentos na Ukraina, declararam o embaixador dos EUA e o Ministro das Relações Exteriores da Polônia.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

PEDRAS E PAUS CONTRA GRANADAS E BALAS REAIS

Que legitimidade pode ter um governo que autoriza matar o próprio povo?








OS PROTESTOS E OS MORTOS

SITUAÇÃO DO MAIDAN ÀS 18H (horário na Ucrânia)


BALANÇO PARCIAL DO DIA 18/02/2014
- Três mortos e dezenas de feridos -

No Parlamento a oposição obstruiu a tribuna porque a maioria recusou-se ao registro de suas iniciativas constitucionais. Os "Regionais" retiraram-se da sala de sessões, parte dos comunistas a oposição bloqueou. Segundo Herashchenko, isto significa que o governo não planeja negociar com oposição. Ela também declarou que o presidente do Parlamento, Volodymyr Rybak supostamente prometeu registrar o Ato Constitucional em meia hora. Segundo o deputado Donii, os regionais recolheram os cartões e não planejam votar nada nesta terça-feira.

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O coordenador da Equipe Médica do Maidan avisa, que nos três pontos médicos, neste momento, há 25 feridos. Não há feridos graves nos nossos pontos, porque estes são recolhidos imediatamente pelo "Serviço rápido". "Necessitamos de cirurgiões, anestesistas, enfermeiros para prestar assistência cirúrgica, porque as vítimas sofreram explosões de granadas e ferimentos a bala." 

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Milícia atirava de espingardas e jogava granadas nas pessoas, do alto dos telhados do prédio. Alguns manifestantes subiram e conseguiram tirar a polícia de lá, apesar da tentativa de atirar nos manifestantes de perto (clique no link para ver o video).





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Os manifestantes viram um jipe Mercedes AA 0005 RT do qual saíram muitos "titushky" (leões de chácara contratados pelo governo) com paus e cassetetes. Tentaram abordá-los mas os "titushky" começaram atirar neles de pistolas. O motorista retirou a numeração do carro e foi embora. 



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Durante os conflitos em Kyiv, no dia de hoje, 18 de fevereiro, já morreram 3 pessoas. Segundo Olga Bohomolets, médica, no prédio dos oficiais já morreram três pessoas e há dezenas de feridos graves. "Eles morreram porque não lhes foi prestada assistência oportuna. Aqui não deixam entrar a emergência, nem entrar, nem para sair. As pessoas morreram devido a graves ferimentos na cabeça e no coração". 



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O "Setor da Direita" conclama as pessoas com armas para vir ao Maidan. "Segundo informações há alta probabilidade de dispersão do Maidan com utilização de veículos blindados e armas de fogo. Em relação a isto convocamos todos os proprietários de armas de fogo para reunir-se no Maidan e formar grupos para proteção de pessoas dos lacaios do governo criminoso", diz o comunicado. 

Tradução: Oksana Kowaltschuk