terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Se a Ucrânia se partir, a Rússia ganhará sempre alguma coisa



Kiev é fundamental para o sucesso da união euroasiática de Putin. Por isso, Moscou não deixará de interferir na política ucraniana.


É preciso que a Ucrânia se parta, com o Leste simpatizante dos russos para um lado, e o Ocidente, onde a maioria das pessoas fala ucraniano, para outro? A resposta, como tudo na Ucrânia, depende também do fator russo.

Os alicerces de um país que só se tornou independente após a queda da União Soviética, estão a ser postos. A Ucrânia combina territórios que foram do Império Austro-Húngaro, no Ocidente, com zonas onde a maioria das pessoas fala russo, no Sul e no Leste.

 

As tensões étnicas refletem-se na política: há uma coincidência quase perfeita entre as zonas onde são maioritários os falantes de russo e os resultados das últimas eleições presidenciais, ganhas por Viktor Yanukovych. Refletiram-se também na onda de violência: no Sul e no Leste, há relatos de que titushky, milícias privadas que apoiam a polícia, estavam a colaborando na repressão dos protestos. Nas províncias do Leste, que faziam parte da República Socialista Soviética antes da II Guerra – antes do resto de o território ter sido anexado pelo Exército Vermelho – Yanukovych, um filho da região, é menos impopular do que no resto do país.

A especulação sobre as tensões foi reforçada com notícias de que Vladislav Surkov, um conselheiro do Kremlin que lidou com as regiões separatistas da Geórgia Abkházia e Ossétia do Sul foi visto em Kiev e na Crimeia, diz a revista The Economist. E o presidente do parlamento da Crimeia sugeriu que a região poderia separar-se do resto do país. Ali está estacionada a frota russa do mar Negro e dois terços dos habitantes são russos étnicos.

Em Moscou, traçam-se cenários de contingência prevendo a divisão do país, relata o jornal Christian Science Monitor. Andrei IlIarionov, um ex-conselheiro econômico do Presidente Vladimir Putin, enumerou as opções possíveis no seu blogue – e a fratura da Ucrânia não é, de todo, algo que assuste os russos.

O cenário preferido de Moscou, e que tentou forçar até agora, é a imposição de um governo autoritário em Kiev, do gênero do de Vladimir Putin e dependente em termos econômicos e políticos da Rússia. Uma guerra civil poderia levar à divisão permanente da Ucrânia, com a parte pró-ocidental a juntar-se à União Europeia, e a mais russificada a permanecer na órbita de Moscou. Esta opção também é aceitável para o Kremlin, sugere Yllarionov. Finalmente, se a oposição sair a ganhar do atual confronto, então a Rússia poderia usar a carta de uma Crimeia separatista para gerar instabilidade na Ucrânia.

O que será certo, defende o historiador Timothy Snyder, professor em Yale (Estados Unidos) e autor do livro Terra Sangrenta – A Europa entre Hitler e Estaline (Bertrand) em vários artigos publicados esta semana, é que Moscou não está disposta a tolerar uma democracia em Kiev. É que a Ucrânia é fundamental para realizar a sua pretendida união euroasiática com ex-repúblicas da antiga URSS. Esse bloco econômico e político “tem de ser constituído apenas por ditaduras, dado que qualquer sociedade livre que a integrasse desafiaria a governação russa. Por isso, Moscou tem de ter na Ucrânia um vizinho autoritário e fácil de manipular”. (Clara Barata - publico.pt).


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

TRÊS ANOS DE EXISTÊNCIA

PARABÉNS, "NOTÍCIAS DA UCRÂNIA" !


Hoje, 24/02/2014, o blog completa três anos de existência. (79.256 acessos)
Estamos duplamente felizes. Por um lado, pelo fato deste blog ter sobrevivido por tanto tempo cumprindo a sua missão de informar os nossos conterrâneos espalhados pelos países de língua portuguesa. Por outro, pelo novo horizonte que se vislumbra para a UKRAINA. A história lhe sorri, apresenta-se nova oportunidade para o seu destino de paz, harmonia, amor e liberdade. Que Deus abençõe a esperança do povo ucraniano!!!
Rendemos, também, a nossa homenagem especial a uma pessoa também especial: Trata-se da nossa TRADUTORA, sem a qual este blog nem teria surgido, menos sobrevivido por este tempo.
Obrigado, OKSANA! Que Deus a proteja e te dê saúde. A comunidade ucraniana lhe deve muito pelas longas horas garimpando informações nos mais diversos jornais ucranianos, pelas noites de sono perdidas, buscando as notícias para informar os 79.256 leitores que acessaram este blog nestes três anos de sorrisos, suor, mas também de lágrimas para todos nós.

Спасибі всім,
[Obrigado a todos,] 
Бог, захищати Україну!
[Deus, proteja a Ukraina!]

ALGUMAS MENSAGENS DE NOSSOS LEITORES:

Parabens bravos guerreiros, viva a liberdade, louvado seja o Nome Santissimo de Jesus e da Santissima Virgem em Parlamento escolhe presidente interino para substituir Yanukovych
em 23/02/14
Muito emocionante ver tantos lutando pela liberdade, porém, triste assistir aos seus sacrifícios. Acabei de ver o pedido de uma ucraniana que esta no youtube e confesso que me emocionei bastante. https://www.youtube.com/watch?v=nMpPS6B6phg em UCRÂNIA: AS TRÊS DIMENSÕES DO CONFLITO
em 23/02/14
Honremos cada gota de sangue e cada lágrima derramada por esse povo guerreiro que acreditou e mudou a história de seu País mais uma vez. Слава Україні! Героям Слава! em Na Praça da Independência em Kiev: “A nossa luta está a ser vitoriosa”
em 22/02/14
Queridos amigos. Hoje somos todos ucranianos. bem-hajam pelo excelente trabalho que fazem neste blog. Estou muito emocionada como portuguesa, acompanhei toda a situação em KIev,unicamente graças a vós que me proporcionaram aceder a informação detalhada e precisa na minha própria língua. Pessoas como vós são decisivas. Veicular informação é um trabalho nobre. Bem -Hajam e muito obrigada de novo ! em A BATALHA DE KIEV - II
em 22/02/14
Parabens a todas corajosas mulheres, que a Virgem as guarde. em MULHERES NO MAIDAN: DEPOIMENTOS QUE EMOCIONAM
em 21/02/14

Mandado de captura contra Yanukovych por "homicídio em massa"

Ministro do Interior interino diz que o Presidente destituído foi visto pela última vez, domingo à noite, na Crimeia.

Viktor Yanukovych é alvo de um mandado de captura por “homicídio em massa”, anunciou o atual responsável pelo ministério do Interior ucraniano, adiantando que o Presidente destituído foi visto pela última vez, domingo à noite, na região autônoma da Crimeia.

“Foi aberto um inquérito criminal por homicídio em massa de manifestantes pacíficos contra Yanukovych e vários outros responsáveis”, escreveu na sua página no Facebook Arsen Avakov, indicado pela oposição para chefiar o ministério do Interior até à tomada de posse de um governo interino.  
Os últimos números oficiais apontam para 88 mortos, a maioria manifestantes, nos confrontos da última semana em Kiev. Quinta-feira, dia em que era suposto vigorar uma trégua, foi o dia mais sangrento, com dezenas de pessoas baleadas depois de os manifestantes terem investido contra a polícia. Vários vídeos amadores mostram os manifestantes a ser atingidos por disparos, alegadamente de snipers.
Yanukovych foi destituído pelo Parlamento no sábado, horas depois de ter abandonado Kiev. Numa declaração transmitida pela televisão ao final do dia assegurou que não pretendia demitir-se e declarava ilegais as ações do Parlamento, mas não é claro quando e onde foram feitas a gravação.
No sábado, foi noticiado que estaria em Kharkiv, cidade no Leste da Ucrânia, e já na manhã de ontem a guarda fronteiriça disse ter recusado autorização para que o avião em que ele viajava decolasse do aeroporto de Donetsk em direção à Rússia.
Avakov escreveu, no entanto, que o Presidente destituído foi visto pela última vez a sair de uma residência em Balaclava, na península da Crimeia, tendo abandonado o local, na companhia de um assessor, num automóvel que seguiu para local desconhecido. Situada no Sudeste da Ucrânia, a Crimeia é uma região autônoma onde a maioria da população é de etnia russa. Moscou tem também ali, no porto de Sebastopol, uma das suas mais estratégicas bases navais, onde está fundeada a Frota do Mar Negro.

Resposta russa

De Moscou chegou o aviso de que uma aproximação da Ucrânia à União Europeia irá ser respondida com o aumento das taxas aduaneiras para os produtos ucranianos. "Dizemos à Ucrânia: é claro que vocês têm o direito a escolher a vossa via", afirmou o ministro da Economia russo, Alexei Oulioukaev, num artigo de opinião no diário alemão Handelsblatt, citado pela AFP.

O responsável fazia referência à possível assinatura de um acordo comercial da Ucrânia com a UE, que já estava prevista para Novembro. Foi a recusa de Yanukovych em avançar que deu início aos protestos contra a sua governação. Caso o compromisso se estabeleça "iremos ver-nos na obrigação de aumentar os direitos aduaneiros das importações", acrescentou Oulioukaev.

O ministro deixou claro que a assinatura de "um [acordo] não é compatível com o outro". Afirmando ser "claro" que a Ucrânia irá enfrentar "uma recessão", Oulioukaev sublinhou que "muitos fundos de investimento vão retirar o seu dinheiro da Ucrânia, e a maior parte imediatamente depois da Rússia".


EU SOU UMA UCRANIANA

LEGENDADO

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Parlamento escolhe presidente interino para substituir Yanukovych

Deputados aprovaram nacionalização da residência do Presidente destituído, cujo paradeiro é incerto. Tymoshenko não quer ser primeira-ministra.

Oleksander Turchinov, novo presidente do Parlamento e aliado da antiga primeira-ministra Yulia Tymoshenko, foi nomeado chefe de Estado interino da Ucrânia até próximas eleições, agendadas para Maio. A decisão foi tomada pelos deputados numa sessão em que começou a ser desmantelada a estrutura de poder montada desde 2010 por Viktor Yanukovych, o Presidente destituído no sábado e cujo paradeiro é desconhecido.
A praça da Independência, transformada por meses de protesto numa quase zona de guerra, amanheceu tranquila, depois de na noite de sábado uma multidão ter festejado a fuga de Yanukovych e escutado o primeiro discurso da antiga primeira-ministra Yulia Tymoshenko, libertada da prisão horas antes. Ao longo da manhã, a praça foi-se enchendo de pessoas, mas o ambiente era sobretudo de expectativa e celebração, relatam os jornalistas no local.
A AFP conta que algumas lojas nas imediações da praça abriram portas, depois de vários dias encerradas por causa da violência. Os serviços de defesa organizados pela oposição mantinham-se de guarda às barricadas e aos edifícios públicos agora em seu poder. Ali perto, porém, a sede do partido comunista, aliado do Presidente destituído, foi saqueada e vandalizada por manifestantes. “Assassinos” e “escravos de Yanukovych, escreveram na fachada do edifício.
Turchinov, eleito na véspera presidente do Parlamento, abriu a sessão deste domingo avisando os deputados que é preciso preencher o vazio de poder. “Peço aos deputados que iniciem de imediato as discussões para a constituição de uma nova maioria parlamentar e a formação de um governo de unidade nacional. Isso deve ser feito até terça-feira”, afirmou. Vice-presidente do Pátria, o partido de Tymoshenko, o novo presidente interino é considerado um confidente da antiga primeira-ministra, sendo como ela oriundo de Dnipropetrovsk, cidade no Leste. Após a revolução Laranja, em 2004, chefiou os Serviços de Segurança do Estado, escreve a Reuters.
“Não temos muito tempo”, admitiu Vitali Klitscho, um dos líderes da oposição, que confirmou à BBC que será candidato às presidenciais, que o Parlamento quer realizar a 25 de Maio. A AFP adianta que os dirigentes dos três partidos da oposição e representantes dos deputados dissidentes do Partido da Regiões estiveram reunidos toda a noite para discutir a formação de um novo executivo.
Os assessores de Tymoshenko revelaram que a antiga primeira-ministra falou ao telefone com a chanceler alemã, Angela Merkel, que a felicitou pela saída da prisão e lhe pediu para que se empenhe na defesa da integridade territorial da Ucrânia, respondendo também às preocupações da população do Leste. Tymoshenko fez saber, porém, que não pretende assumir novamente o cargo de primeira-ministra, para o qual, afirma um comunicado publicado no seu site, teria sido convidada.

Parlamento nacionaliza mansão de Yanukovych
Além da eleição do novo presidente interino, os 324 deputados que se mantêm em funções aprovaram por unanimidade a restituição ao Estado de Mejiguiria, residência que a oposição diz ter sido ilegalmente privatizada e que Yanukovych transformou num luxuoso complexo – populares e jornalistas que entraram sábado na residência impressionaram-se com uma jardim zoológico privado, réplicas de um galeão e de ruínas romanas.
Na sessão da manhã foi também aprovada a destituição dos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Educação. E o magistrado que a oposição indicou para assumir interinamente a procuradoria-geral anunciou que foram emitidos mandados de captura contra o seu antecessor, um dos responsáveis pela acusação que levou à condenação de Tymoshenko, em 2011, e contra o antigo ministro do Tesouro. Os novos responsáveis confirmaram também a abertura de inquéritos para apurar os responsáveis pela morte de dezenas de manifestantes, na terça e quinta-feira em Kiev, e investigar suspeitas de corrupção e abuso de poder sobre o círculo de Yanukovych.
Foi ainda anulada a lei que permitia o reconhecimento do russo como língua oficial nas regiões onde a população russófona fosse superior a 10%. A iniciativa, aprovada por 232 votos a favor, foi saudada por Oleg Tiahnibok, líder do partido de extrema-direita Svoboda, mas promete gerar grande contestação no Sul e Leste do país, região com fortes ligações à Rússia e onde a maioria da população fala russo.

Yanokovych em fuga
Multiplicam-se, entretanto rumores sobre o paradeiro do Presidente destituído e dos seus ministros, com diferentes fontes a afirmar que vários terão sido detidos quando tentavam sair do país.
Yanukovych abandonou Kiev na noite de sexta-feira para sábado, horas depois de ter assinado um acordo com os líderes da oposição que não satisfez as ruas. Várias fontes asseguraram que estaria em Kharkiv, no Leste do país, e numa declaração pré-gravada difundida ontem garantia que não se demite nem reconhece as decisões tomadas pelo Parlamento.
Ao final do dia, a polícia fronteiriça disse ter recusado autorização para que o avião de Yanukovych levantasse voo do aeroporto de Donetsk em direção à Rússia, mas a informação não foi confirmada oficialmente. Um porta-voz disse já neste domingo à agência AP não saber onde está o Presidente destituído.
Num comunicado divulgado já neste domingo, os deputados dissidentes do Partido das Regiões condenam a “traição” e a “fuga covarde” de Yanukovych, sublinhando que é dele, e do seu círculo de colaboradores, a responsabilidade pelas “ordens criminosas que levaram à perda de vidas” e pelas decisões que “arrastaram o país para a beira do precipício”.


UCRÂNIA: AS TRÊS DIMENSÕES DO CONFLITO

Opinião

sábado, 22 de fevereiro de 2014

O Parlamento depôs Yanukovych, as eleições estão marcadas para 25 de maio

Svoboda (Liberdade), 22.02.2014
O Parlamento apoiou a resolução sobre a eliminação de Viktor Yanukovych da presidência da Ukraina.
O documento teve apoio de 328 deputados (O mínimo necessário é 225).
De acordo com o decreto, as eleições presidenciais realizar-se-ão em 25 de maio de 2014.
A resolução diz, que o Conselho, para saída de absoluta necessidade, estatui que Viktor Yanukovych autodemitiu-se de seus plenos poderes, de forma inconstitucional e, portanto, não está mais no exercício de suas funções.

***

Yanukovych desapareceu na sexta-feira à noite. Foi relatado que seu avião foi para Kharkiv. 
Ele era esperado no Congresso separatista em Kharkiv, mas lá, ele não apareceu. Em compensação, nos canais relacionados com Serhii Arbuzov, apareceu a seguinte entrevista.

Yanukovych: Eu não pretendo me demitir.
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 22.02.2014

O presidente da Ukraina Viktor Yanukovych declarou que não tem intenção de renunciar e deixar o país.
"Tudo o que acontece hoje, em maior medida, - é vandalismo, banditismo e golpe de estado. Esta é minha avaliação, e eu estou absolutamente convencido disto", declarou Yanukovych.

O que eu vou fazer em seguida? Eu vou fazer de tudo, para proteger meu país da divisão e parar o derramamento de sangue. Eu, ainda não sei, como vou fazer isto", - acrescentou.

"Hoje já me encontrei com muitas pessoas, aconselhava-me - eu tive esta chance. Eu também irei para o sudeste do país, que ainda é menos perigoso, ou mais seguro. Eu vou continuar viajando para encontrar-me com as pessoas", - disse o presidente.

"Eu quero achar a resposta, o que nós vamos continuar fazendo no país. Que curso seguiremos. E, naturalmente, aquele pânico, que hoje envolveu, eu direi pessoas normais - e no ocidente, e no leste, e no centro... Eu vi o que acontece em Kyiv.

"Meu carro foi baleado, mas eu não tenho medo", - disse Yanukovych. "A tristeza me envolve pelo nosso país. Eu sinto responsabilidade. E, o que nós vamos fazer, eu vou, todos os dias, falar publicamente", - acrescentou.

"Eu permaneço no território da Ukraina. Eu vou chamar todos os observadores internacionais, todos os intermediários que participaram desse conflito político, para eles pararem os bandidos, isto não é oposição, isto são bandidos", - considera o político.

"Hoje, na saída do Parlamento batem nos deputados, cobrem com pedras, intimidam. As decisões que agora aprovam (no Conselho), todas são contra lei. Eu não vou assinar  nada com os bandidos, que hoje aterrorizam todo o país e toda nação ukrainiana, envergonham Ukraina", declarou Yanukovych

*** 

Os deputados do Congresso de Kharkiv tomam o poder no Sudeste e na Criméia, até a garantia da ordem constitucional em Kyiv.

"Os acontecimentos dos últimos dias na capital da Ukraina, cidade de Kyiv, levaram à paralisação dos órgãos centrais do governo e desestabilização no país", - diz a resolução.

Eles consideram que a oposição não cumpriu os acordos, que grupos armados ilegais continuam capturar o governo central e matar cidadãos pacíficos dos órgãos de proteção... que o Parlamento trabalha em condições de terror... que os órgãos centrais estão paralisados... 

Então, o conselho Superior da Criméia e o Conselho da cidade de Sevastopol declararam, que no período da restauração da ordem Constitucional "para restauração das leis e assegurar o funcionamento  normal das condições de trabalho dos deputados, sem chantagem e ameaças, a eles e membros de suas famílias, os governos locais de todos os níveis assumem a total responsabilidade no sul e leste da Ukraina, como também no território da Criméia e Sevastopol. 

Os participantes do Congresso dirigiram-se aos membros das Forças Armadas para que elas permaneçam nos locais,  e para prover os armazéns de armas e técnicas, mas evitar conflitos.

Aos deputados propõem voltar às suas bases para "restaurar as leis" nos órgãos centrais do governo.

Eles salientaram que no país há cinco estações nucleares, 15 reatores nucleares, alegadamente, tornaram-se objetos de ameaça direta dos extremistas, e as consequências podem tornar-se imprevisíveis.

Esta resolução é aberta à adesão de todos os órgãos do governo, alterações e aditamentos, de acordo com a situação política.

***

Segundo Turchenov Yanukovych queria fugir para Rússia. Ele tentou embarcar no avião que ia à Federação Russa, mas os guardas da fronteira não permitiram. Agora ele deve estar escondido em Donetsk.

E, ainda, o ex-procurador geral Pshonka e o ex-presidente do Ministério das Rendas da Ukraina Oleksandr Klymenko tentaram atravessar a fronteira com a Rússia na região de Donetsk, mas não conseguiram. Tentaram detê-los mas, dos tiros dos guardas eles se esquivaram.

Estas notícias do "Interfax Ukraina", Turchenov contou, ao apresentar o nomeado interino Arsen Avakov para Ministério do Interior.

***

O líder do partido Pátria, Arsenii Yatseniuk declara,  que de acordo com a Constituição, agora as funções de Chefe de Estado deve executar Oleksandr Turchynov uma vez que ele é presidente do Parlamento da Ukraina.

***

As pessoas pegaram o "regional" Nestor Shufrych, na saída do Parlamento e queriam levá-lo ao Maidan.
Yatseniuk e seu guarda tentaram protegê-lo. Yatseniuk tentou reconduzi-lo ao prédio do Parlamento mas as pessoas, muito brabas, não deixaram. Agora estão levando também Yatseniuk. Com outra parte das pessoas ficou Turchynov para aclarar a situação e convocá-los não agir com agressividade. 

Shufrych foi salvo pela autodefesa que criou um corredor até o prédio do Parlamento, pelo deputado Andrii Shevchenko e o musicista Sviatoslav Vacarchuk. (Os ânimos estão mesmo exacerbados. Anos e anos de penúria e humilhação, observando o aproveitamento da riqueza do país pela classe política dominante, deixaram consequências - OK).

***

PARTE DA CERIMÔNIA FÚNEBRE DOS ASSASSINADOS PELO GOVERNO DA UCRÂNIA



Tradução: Oksana Kowaltschuk

NEM TUDO SÃO FLORES: O PIOR ESTÁ POR VIR

Fim da presidência de Yanukovych.

Ukrainska Pravda, (Verdade Ukrainiana), 22.02.2014
Transmissão direta

Yanukovych renunciou. O Parlamento aprovou a libertação de Yulia Tymoshenko, escolheu novo orador e nomeou novo Ministro do Interior. A autodefesa assumiu a guarda dos prédios administrativos. Ao mesmo tempo, os membros do Congresso reunidos em Kharkiv assumem o governo no Sudeste e na Criméia.

Nas ruas de Kyiv há muitas pessoas. Todos procuram ajudar.

Nas entradas e saídas estabeleceram postos de controle.

Próximo aos aeroportos foram organizados, pela defesa, postos de controle (Infelizmente, anteriormente, já circularam notícias de grande retirada de capitais - OK) postos organizados pela autodefesa.

Os manifestantes exigem que os deputados trabalhem até aprovação de tudo o que é indispensável. Principalmente tudo o que se relaciona com a renúncia do presidente.

Em Kharkiv:

Os membros do Congresso (Partido das Regiões) reunidos em Kharkiv, assumem todo o poder para garantir a ordem constitucional em Kyiv.  Isto foi afirmado na resolução do congresso em Kharkiv.

"O Conselho Supremo da Ukraina sob condições do terror, ameaças com armas e assassinatos", - dizem os autores.;

Devido a isto, eles acreditam "que a decisão do Parlamento Ukrainiano, adotada nestas condições são questionáveis em sua legitimidade e legalidade". Em sua opinião, os órgãos centrais estão paralisados. 
O deputado regional Vadym Kolesnichenko, na sala onde acontece o congresso, grita: "Pela amizade com Rússia! Econômica! Espiritual! Religiosa!" a sala responde: "Rússia! Rússia!"

YULIA TYMOSHENKO: ENFIM A LIBERDADE


TRINTA MESES...

Timoshenko no momento que deixava a prisão numa cadeira de rodas.



Tymoshenko deixando a cidade de Kharkiv

Фото з Facebook Євромайдану 
Yulia na aeronave deixando o cativeiro

TYMOSHENKO LIVRE, PRESIDENTE REJEITA DESTITUIÇÃO




Yulia Tymoshenko (foto) já saiu da prisão e vai a caminho de Kiev. Yanukovych está em Kharkiv. Parlamento marca eleições presidenciais para 25 de Maio.

15h37min (horário de Kiev) - "A ditadura caiu" na Ucrânia, disse Yulia Tymoshenko, na sua primeira declaração após ter saído da prisão, publicada no site do seu partido Pátria. “A ditadura caiu não graças aos homens políticos e aos diplomatas, mas graças às pessoas que saíram à rua e que conseguiram proteger as suas famílias e o seu país”, declarou.

14h52min - A ex-primeira-ministra abandonou o hospital prisional de Kharkiv numa cadeira de rodas, entrou num jeep preto e partiu em liberdade.

No Parlamento, os deputados ucranianos (as bancadas da oposição mais os muitos deputados que abandonaram o Partido das Regiões de Yanukovytch) acabaram de votar a favor da destituição do Presidente. Os deputados declararam a incapacidade constitucional do chefe de Estado para exercer as suas funções e marcaram para dia 25 de Maio a realização de novas eleições presidenciais.

-  Iuri Ilin, chefe do Estado Geral das Forças Armadas, acaba de fazer uma declaração e anunciar que o exército não vai se envolver na crise política: “O pessoal das forças armadas permanece nas suas instalações normais em tempo de paz, mantendo as suas funções de rotina”. 


Oleg Tiahnibok (Partido Liberdade) recebe telefonem de Yulia Tymoshenko

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Presidente em Kharkiv, vazio de poder em Kiev

O Presidente da Ucrânia viajou para o Leste do país. O edifício da Presidência está aparentemente vazio e sem proteção policial. Manifestantes permanecem concentrados em Kiev. O Presidente do Parlamento demitiu-se.

AS PESSOAS [DO MAIDAN] DERAM UM ULTIMATO: DEMISSÃO DE YANUKOVYCH ATÉ O DIA 22

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 21.02.2014

 

Os presentes no Maidan da Independência vaiaram os líderes da oposição que vieram lhes falar sobre o acordo com o governo, para acabar com a crise.

O discurso de Klychko interrompeu um dos centuriões do Maidan. Ele subiu ao palco e declarou que, se o presidente Yanukovych não se demitir até às 10 horas do dia 22 de fevereiro, as pessoas vão em ataque armado. "Nós fizemos todo o momento crucial. Nós demos chance aos políticos, para se tornassem futuros ministros, presidentes, mas eles não querem cumprir uma única condição - para que o ex-prisioneiro vá embora!" (Referência direta a Yanukovych que, na mocidade foi preso duas vezes por pequenos roubos. - OK) - disse o homem do palco. "Amigos, eu não vou verbalizar. Eu não quero fomentar aqui essa conversa boba, com a qual nos alimentam já por dois meses e meio, eu não acredito nestes difíceis processos políticos sobre os quais eles falam. 77 pessoas deram sua vida, e eles negociam", - acrescentou ele.

"Eu lhes peço: apoiem esta causa. Eu lhes digo de minha centena, aonde está meu pai que veio até aqui: se vocês até as 10 horas da manhã não se apresentarem com a declaração, que Yanukovych será demitido, nós vamos ao assalto com armas, eu lhes juro", - sublinhou ele.
Os presentes no Maidan rapidamente apoiaram esta declaração.

Neste momento, através da multidão até o palco, trouxeram os caixões com os ativistas mortos pelos truculentos e franco-atiradores durante os conflitos em Kyiv.

Os presentes no palco, inclusive os políticos, dobraram um joelho, para honrar os mortos. Mas eles não foram convincentes e suas apresentações seguintes continuaram sob vaias.
 Luzes em homenagem aos ativistas mortos






Posteriormente pronunciou-se Dmytro Yarosh, o líder do "Setor direito": "Aqueles acordos que foram alcançados, não correspondem às nossas aspirações. O 'Setor direito' não abandonará as armas. 'Setor direito" não retirará os bloqueios de nenhuma instituição estatal, enquanto não for cumprida a principal exigência - demissão de Yanukovych", - enfatizou Yarosh. "Todos são culpados: Zakharchenko, comandantes do Berkut, franco-atiradores e devem ser presos", - acrescentou.

"Setor direito" apela a todas as pessoas do Maidan para continuação da nossa luta comum contra o regime de ocupação interna da nossa Ukraina. Nós estamos prontos para assumir a responsabilidade pelo desenvolvimento da revolução ukrainiana", - disse ele.


Outras questões que foram acordadas com o governo, ontem:

- volta à Constituição de 2004, com reformas ulteriores;

- liberdade, sem punição, aos ativistas, auxílio do país às famílias dos mortos;

- demissão de Zakharchenko;

- aprovação da lei que possibilitará a libertação de Tymoshenko;

- realização de eleições presidenciais em dezembro


Tradução: Oksana Kowaltschuk

COMENTÁRIOS DO BLOG:

As "conquistas" anunciadas não passam de um refinado besteirol para a oposição, mas uma importante procrastinação ao governo para articular as táticas e estratégias que os manterá no controle do país, agora com mão de ferro: 
- Quanto a Constituição de 2004, vão distorcer tudo depois quando e como quiserem; 
- A demissão de Zakharchenko não vai resolver nadinha, há outros iguais ou piores;
- Libertar Tymoshenko não vai ajudar o país;  e 
- Realizar as eleições em dezembro, um adiantamento de poucos meses (é o que Yanukovych mais deseja), não evitará fraudes nas eleições, a exemplo do que ocorreu na última.
Finalmente: Viktor Yanukovych é um homem de assinar compromissos, mais do que respeitá-los. Mas sobretudo porque a rua, a Maidan, onde se instalou a fronteira entre a liberdade e a ditadura, não esquece os mortos e exige a demissão do Presidente – a única saída aceitável para um chefe de Estado que deixou a sua capital transformar-se num teatro de guerra.

A SAÍDA: Renúncia e prisão de Yanukovych. Ele precisa pagar pelos crimes que cometeu, notadamente quanto aos assassinatos de ucranianos autênticos, vez que ele é um pária da pátria; um russificado corrupto, assassino e imoral!!!

Os Editores.