terça-feira, 11 de março de 2014

DEPUTADOS "PIANISTAS"

Editorial



Após a eleição do Presidente Oleksandr Turchynov em 22 de fevereiro o Movimento “Honestamente” gravou e identificou pelo menos oito deputados da facção do Partido Comunista, votando por eles e por outros deputados. Os deputados “pianistas” continuam a infectar o Parlamento Ucraniano. Extirpar o câncer da política ucraniana não é tarefa fácil.

As raposas perdem o pêlo, mas não perdem o vício. As imagens valem por mil palavras !


 

DESAFIOS DO FUTURO



As provações que aguardam a Ucrânia

 Depois da revolução e dos mortos, os desafios do futuro DIMITAR DILKOFF/AFP 

Após a proclamação da independência, em Dezembro de 1991, os ucranianos apostaram ser a “interface” entre a Rússia pós-soviética e a nova Europa saída da Guerra Fria, conjugando uma identidade europeia com os laços históricos e econômicos que os ligam à Rússia. O lema passou a ser: “Dentro da Europa e perto da Rússia.” Os povos não escolhem a sua geografia nem os vizinhos.
Os desafios que agora se colocam à Ucrânia são desesperadamente mais difíceis do que destituir Viktor Yanukovych. Kiev conta com os ocidentais para travar Moscou, pelo menos nos próximos tempos. Mas não confiam cegamente. Conhecem a fraqueza política da UE, sentem que os americanos estão longe e a Rússia mesmo ao lado. Levam a sério os discursos de Moscou considerando a “perda” da Ucrânia como uma “ameaça à sua segurança nacional”, porque este é um sentimento largamente partilhado pelos russos. Sabem ainda que o projeto de uma união aduaneira, antecâmara da União Euro-asiática que integraria Kiev no espaço de influência russo, é a trave mestra da política de Vladimir Putin para restabelecer a “potência russa”. E não crêem que ele desista de interferir na Ucrânia.
Este não é o seu único problema. O mais urgente é a economia, à beira de um colapso total. O sistema político — a “democracia dos oligarcas” — está esgotado e bloqueará quaisquer reformas. O novo e frágil governo conseguiu uma pausa de estabilidade, atenuando as tensões entre o Leste e o Oeste do país. Perdida a Crimeia, a prioridade centra-se nas populações russófonas do Leste, onde é forte a influência de Moscou. Aguarda-se, enfim, a simbólica assinatura do acordo de associação com a UE e a “injeção” de empréstimos internacionais para evitar a bancarrota.
Mas continuará em aberto uma questão chamada Ucrânia.

Rússia e Europa

O primeiro dado a ter em conta é a estratégia tradicional de controle da Ucrânia pela Rússia. Estão na memória espetaculares ações punitivas como o corte do gás ou a “guerra alfandegária” imposta no ano passado para travar o acordo com a UE. Estes são instrumentos de exceção. A norma era outra: manter uma “Ucrânia fraca”, com um elemento de “instabilidade controlada”, escreve Andrew Wilson, do Conselho Europeu de Relações Externas. A ajuda russa foi sempre para “manter o regime a flutuar”, reforçando a sua dependência.
Dois especialistas poloneses, Wojciech Kononczuk e Tadeusz Olszanki, faziam em Janeiro a mesma análise: “Uma Ucrânia autoritária, corrupta, opaca e politicamente instável, incapaz de fazer as reformas estruturais de que desesperadamente necessita, é a melhor garantia de que o país ficará fora da órbita da UE — ou até na esfera de influência da Rússia.”
“Todas as alavancas da Rússia na Ucrânia foram inteiramente fabricadas por ucranianos”, confirmam Samuel Charap e Keith Darden, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres. “A eficácia da coerção econômica [de Moscou] não deve ser creditada à força russa; é antes o reflexo da completa falência da elite ucraniana para reformar a economia do país.”
A economista ucraniana Olga Shumylo-Rapiola explicou que a recusa da adesão à Parceria Oriental da UE, em Novembro, não se deveu apenas às pressões russas, mas aos oligarcas: “Kiev não quer reformas.” Os grandes oligarcas, como Rinat Akhmetov e Dmitro Firtach, os principais financiadores do Partido das Regiões, de Yanukovych, hesitaram, mas acabaram por recusar: não lhes interessava mudar o quadro legal dos negócios e, sobretudo, detestavam a palavra “transparência”. Nos índices mundiais da corrupção, a Ucrânia surge no 144º lugar — em 177.
A “atração europeia” não se deve apenas a uma partilha de valores e a uma vontade de maior independência. A maioria dos ucranianos admira e inveja a recuperação econômica da Polônia ou da República Checa. Mas a Ucrânia não fez as reformas do Leste europeu após a queda do comunismo.
Estas reformas não são as da crise do euro. Trata-se da reestruturação da economia e das suas regras — e será muito duro. Uma sondagem feita em 2013 dava resultados interessantes. A adesão à união aduaneira russa ou ao acordo de associação com a UE partiam o país ao meio: 37% para a primeira opção, 39 para segunda. O apoio à primeira opção era esmagador no Leste. A escolha da UE era muito alta na Ucrânia ocidental e central.
No Leste, não pesavam apenas os laços com a Rússia. As pessoas temiam que as reformas levassem ao desmantelamento de várias indústrias. A economia é fortemente subsidiada. “Não estamos contra a UE, mas não podemos aceitar as condições que nos põem de cortes salariais e redução de postos de trabalho, combinados com uma alta dos preços”, dizia um trabalhador a um jornal.

Oligarcas

“É impossível compreender a Ucrânia moderna sem compreender a teia de dependências entre as elites políticas e o mundo dos negócios”, explica Wojciech Kononczuk. “A interação entre os interesses dos oligarcas é o verdadeiro mecanismo que molda a política ucraniana.” Os oligarcas são, inclusivamente, mais relevantes na cena política do que os próprios políticos.
Não se limitam a financiar os partidos e políticos. A sua opinião é determinante na tomada de decisões. “É difícil identificar uma força política importante que esteja interessada na ‘desoligarquização’ da Ucrânia e — o que é crucial — tenha instrumentos para levar a cabo tal mudança.”
O que se passou com a queda de Yanukovych é a melhor ilustração. Os oligarcas deixaram-no cair não só porque lhes era inútil, mas se tornara nocivo aos seus interesses. Rinat Akhmetov deu o exemplo, apelando à defesa da “integridade territorial da Ucrânia”. Escreveu: “A unidade da sociedade, do mundo dos negócios e das autoridades é a nossa força.”
Logo a seguir à ocupação da Crimeia, foi selada uma aliança entre o novo governo e os oligarcas. Não foi surpresa, foi uma viragem. Yulia Tymochenko, acabada de sair da prisão, também ela antiga oligarca, foi o pivô da manobra. Telefonou aos bilionários. O governo, muito frágil, delegou imediatamente em grandes oligarcas o governo das regiões mais sensíveis, sobretudo no Leste. Foi uma manobra de antecipação para prevenir referendos regionais separatistas.

As instituições

A Ucrânia tem uma sociedade dinâmica e culta. Mas a economia está em ruínas e muito distantes da Europa estão as suas instituições. Os ucranianos estão cansados da corrupção, do clientelismo e da ilegalidade que marcaram a era pós-soviética.
O movimento “Euro-Maidan” derrubou Yanukovych, mas não fez uma reforma política. Sem uma economia viável e instituições funcionais, a Ucrânia permanecerá altamente vulnerável às interferências de Moscou. Anunciam-se vários riscos. Um deles é a parlamentarização do regime por oposição ao autoritarismo de Yanukovych, o que ameaça paralisar o governo e a tomada de decisões numa fase crucial da sua história.
Por fim, uma má notícia para Putin: a ocupação da Crimeia mudará o mapa eleitoral ucraniano, em favor dos “ocidentalistas”. Resume um analista: “Se a Crimeia sai da Ucrânia, a Ucrânia afasta-se mais da Rússia.” (publico.pt)

sábado, 8 de março de 2014

CRISE DA UCRÂNIA DÁ NOVO IMPULSO AO GRUPO VISEGRAD

7 de março de 2014 | 1623 GMT

Resumo
Desde o início da década, a preocupação com a fragmentação política na União Europeia, o surgimento de uma Rússia mais assertiva e com o compromisso da OTAN e dos Estados Unidos na Europa Central deram nova vida ao Grupo Visegrad. Ministros das Relações Exteriores do grupo - uma plataforma de cooperação política e militar entre a Polônia, a República Checa, Eslováquia e Hungria - reuniram-se entre 6-7 março com os seus homólogos dos estados nórdicos e bálticos em Narva, na Estônia, para discutir as questões em curso, incluindo a situação na Ucrânia. Ministros das Relações Exteriores e vice-chanceleres da Polônia, República Checa, Eslováquia, Hungria, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega, Suécia, Letônia, Lituânia e Estônia condenaram a violação da soberania da Ucrânia pela Rússia.
Os acontecimentos na Ucrânia confirmam que os fatores que impulsionam a criação do Grupo de Visegrad ainda estão no local, mas o grupo ainda é limitado no que pode realizar. Percepções de diferentes ameaças, tensões bilaterais e prioridades conflitantes continuam a minar a coesão do grupo.

Análise
O Grupo de Visegrado foi criado em 1991 com o objetivo principal de estabelecer um fórum de cooperação para os países ex-satélites soviéticos na Europa Central. Na ocasião, seus membros tinham muitas coisas em comum: eram todos ex-nações comunistas com níveis relativamente semelhantes de desenvolvimento econômico, e eles estavam em transição para a democracia liberal e a economia de mercado e realinhamento das suas políticas externas à OTAN e adesão à UE. Mas uma vez que este objetivo foi alcançado, o grupo abandonou quase todas as atividades.

Visegrad ressurge
Vários eventos recentes mudaram esta situação. A crise econômica da Europa levou a estagnação econômica e fragmentação política na União Européia. O ressurgimento da Rússia como um jogador mais assertivo nos assuntos da Eurásia - claramente evidenciado pela guerra georgiana de 2008 - reacendeu os temores de longa data de militares russos, influência política e econômica na Europa Central. Finalmente, houve uma percepção de que nem a OTAN nem os Estados Unidos estão tão focados em assuntos da Europa Central como estavam nas décadas anteriores.
Isso deu nova vida ao Grupo Visegrad, que se tornou mais ativo no início dos anos 2010s. Seus membros projetam novos planos de cooperação política, militar e econômica e até mesmo propuseram a criação de um grupo de batalha conjunta de cerca de 3.000 soldados dos quatro Estados membros. Este grupo de batalha está previsto para ficar pronto em 2016. Enquanto isso, os países do Grupo de Visegrado estão planejando realizar os seus primeiros exercícios militares conjuntos em 2015.
O renovado interesse sobre o Grupo Visegrad é altamente representativo da fragmentação política na União Europeia e da OTAN. Divisões nesses grupos estão fazendo seus Estados membros buscarem alianças suplementares e plataformas de cooperação. Que os Estados nórdicos também estão a avançar com os seus planos de cooperação militar avançado, confirma esta tendência. Em 2009, a Dinamarca, Suécia, Finlândia, Noruega e Islândia criaram o Nordic Cooperação em Defesa, uma plataforma para unir esforços em melhorar a cooperação de defesa.

Obstáculos à cooperação
Apesar de seus planos ambiciosos, o obstáculo mais sério são as diferentes prioridades geopolíticas dos países membros. As forças russas ocuparam todos os quatro estados Visegrado após a Segunda Guerra Mundial, mas a geografia lhes dá uma percepção diferente de ameaças e avaliação diferente do impacto regional de uma Rússia mais assertiva. Devido à sua posição no coração da Europa, a Polônia tem sido consideravelmente mais exposta à invasão russa do que seus vizinhos do sul. Como resultado, Varsóvia está mais preocupada com os russos e mais assertiva nos esforços principais para combatê-los, enquanto os outros países de Visegrado têm procurado o investimento russo e laços mais próximos com Moscou em áreas como a energia nuclear.
Relacionadas às suas diferentes percepções de ameaça é a sua abordagem diferente para os gastos militares. Despesas militares da Polônia, o que representa cerca de 2 por cento do produto interno bruto, é maior do que a dos outros três países (entre eles de 0,8 por cento e 1,1 por cento do PIB). A República Checa, Hungria e Eslováquia foram reduzindo substancialmente os gastos militares, mesmo antes da crise européia, enquanto a Polônia aumentou-os. Isto levou a fricção como a Polônia - que, provavelmente, esperava conseguir mais apoio dos Estados Unidos em fortalecer o Grupo de Visegrado - acredita que seus parceiros de Visegrado não são sérios sobre a integração, e muitas das atividades planejadas, incluindo agrupamento e compartilhamento de recursos, estão paralisadas.
Um número crescente de países europeus estão a tentar juntar esforços para harmonizar as suas estruturas militares e reunir recursos e aquisição de material militar. A cooperação franco-britânica e a cooperação nórdica são exemplos significativos. Mas, até agora, as diferenças de estratégia e as tensões políticas impediram os membros do Grupo de Visegrad de fazer progressos substanciais. A Polônia possui a maior economia do grupo, e, assim, Varsóvia vê-se como o líder natural - algo que gera conflitos com os outros três membros. Há também tensões bilaterais entre Budapeste e Bratislava por causa do estatuto das minorias húngaras na Eslováquia.
Em certa medida, o futuro do Grupo Visegrad será conectado aos acontecimentos na Polônia. Devido à sua posição geográfica, a Polônia é um tanto da Europa Central e um ator Báltico. Como resultado, o grupo vê a Alemanha, os países bálticos e nórdicos da Europa como parceiros políticos e militares viáveis. Em um cenário político europeu cada vez mais incerto, é provável a Polônia olhar para a cooperação militar e política fora do Grupo Visegrad e mostrar um interesse crescente em se aproximar de outros potenciais parceiros. Finalmente, Varsóvia vai continuar buscando uma aliança mais estreita com os Estados Unidos, que considera um elemento chave para sua segurança nacional, particularmente no que a União Européia se enfraquece e Rússia se torna mais assertiva.
A experiência recente do programa Parceria Oriental da UE é um exemplo significativo de como a Polônia procura parceiros fora do grupo de Visegrad. A Polônia e a Lituânia são os principais defensores da iniciativa, com o apoio significativo da Suécia. Na esteira da invasão da Criméia pela Rússia, a Polônia e os países bálticos criticaram os movimentos de Moscou e participaram dos esforços diplomáticos para fornecer apoio ocidental ao novo governo em Kiev.
Hungria, República Checa e a Eslováquia, por outro lado, não têm sido tão vocal. Budapeste prometeu proteger as minorias húngaras na Ucrânia e ofereceu assistência às pessoas que atravessam a fronteira, mas foi em grande parte silenciosa sobre as ações da Rússia na Criméia. Primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, criticou a Rússia só recentemente, porque ele estava sob pressão de seus adversários políticos. Os tchecos têm chamado para a preservação da integridade territorial da Ucrânia, mas têm também advertido que as sanções econômicas contra a Rússia faria mal a Europa por causa dos laços econômicos fortes, uma preocupação ecoou pela Eslováquia.
A crise na Ucrânia é um alerta de quão longe a Rússia está disposta a ir para proteger seus interesses estratégicos. Ela também é um alerta dos limites que as nações da Europa Ocidental enfrentam ao lidar com Moscou. Dessa forma, confirma-se que as nações da Europa Central e Oriental a sua necessidade de reavaliar as suas prioridades e desenvolver novas áreas de cooperação para compensar a fragilidade da União Européia e da indecisão da OTAN.
Eventos no leste e no oeste da Europa estão fazendo os países no meio ficarem cada vez mais nervosos. A cúpula na Estônia destaca o interesse destes países para reforçar a cooperação regional. Nos próximos anos, vamos ver mais tentativas dos países da região para desenvolver laços mais fortes, e os Estados Unidos poderiam decidir fortalecer grupos menores para ignorar postura incoerente da OTAN em relação à Rússia. Mas persistentes diferenças de estratégia e as prioridades vão manter este processo lento e difícil. [Sim, até o dia que eles acordarem escravos dos Russos por mais 80 anos – O Cossaco]

quinta-feira, 6 de março de 2014

MOSCOVITAS: USURPADORES HISTÓRICOS

MOSCOVITAS: NÃO SÃO 'RUSKIYE' E NÃO SÃO ESLAVOS (TRÍPTICO)*

Autores: Stepan Diativskyi, Sviatoslav Semeniuk, Pavlo Shtepa

* Tríptico - uma coleção de artigos de três autores ukrainianos de diferentes gerações, projetados de forma simples e concisa para dar ao público os materiais reais para desmascarar o mito da origem dos russos e expor os historiadores-falsificadores russos.
E, mais uma vez provar que os russos nunca foram "irmãos" dos ukrainianos, muito menos "senior"; e que eles não tem nada a ver com os povos eslavos e, em particular auto apropriaram-se do nome "ruskiye", que vem do primeiro nome do Estado ukrainiano Kyivska Rus, (primeiro nome da Ukraina) à qual os antigos russos nunca pertenceram.

PRÓLOGO
"No pântano sangrento da escravidão russa, não na severa glória da era Norman está o berço da Rússia. Alterando nomes e datas, veremos que a política de Ivan III e a política do atual império moscovita não é simplesmente parecida mas idêntica.  
A Rússia foi gerada e criada na disforme e humilhada escola da escravidão mongol. Forte ela tornou-se porque, no ofício da escravidão ela mostrou habilidade superior. Mesmo quando a Rússia se tornou independente, ela continuou a ser país de escravos. Petró I (Pedro I) combinou astúcia política do escravo mongol com a grandeza do governante mongol, ao qual Genghis Khan profetizou subjugar o mundo...
Política russa - permanece inalterada. Métodos e táticas mudaram e mudam, mas a principal estrela da política russa - subjugar o mundo e governá-lo - é e será imutável. O pan-eslavismo de Moscou - é apenas uma das formas da conquista moscovita."

PAÍS MOKSEL OU MOSCÓVIA
Sob este título no fórum do livro em Lviv (Ukraina), em 2008, aconteceu a apresentação do livro (em dois volumes) de Volodymyr Bilinski [Romance de Pesquisa. - K: Editora Olena Teliha, 2008. Livro 1 - 376 pag, Livro 2 - 318 pag.]
O livro informa fatos provenientes de fontes históricas (principalmente russos), que testemunham a verdadeira história do Império Russo e não em aspecto distorcido. O império russo criou e sacramentalmente guardou e guarda a sua história mitológica que foi radicalmente distorcida e subordinada à finalidade do invasor.
Esta mitologia histórica poderia ser desconsiderada, se ela não prejudicasse os interesses fundamentais da Ukraina - sua história, língua e literatura.

PARA O QUÊ A RÚSSIA [MOSCOVIA] APROPRIOU-SE DA HISTÓRIA DA KYIVSKA RUS
Criando o grande império russo, a elite de Moscou sabia, que sem um grande passado era impossível criar uma grande nação. Era necessário embelezar o passado, até mesmo apropriar-se do alheio.
Para esta finalidade os czares de Moscou, começando por Ivan IV, o Terrível (1533-1584) foi dada a tarefa de apropriar-se da história da Kyivska Rus e criar a mitologia do império russo. A maior parte neste sentido foi feito pela czarina Catarina II (1762-1796), a qual não aceitava a idéia de que na família czarista ela poderia estar entre a nobreza comum tártaro-mongol.
Com o decreto de 4 de dezembro de 1783 Catarina II criou uma comissão constituída por 10 "eminentes" historiadores para "montagem de notas sobre a história antiga, preferencialmente russa" sob a direção da própria Catarina II e do conde Shuvalov. A comissão trabalhou 10 anos. Em 1792 a "história materna" foi lançada ao mundo. No decorrer dos trabalhos foram reunidos e transcritos todos os anais antigos, os originais - destruídos. O resultado foi totalmente reescrito, no interesse da história russa, sem salvar nenhum original destes antigos anais.
Assim a história da Kyivska Rus tornou-se, descaradamente, a base da história do império russo. Durante séculos, principalmente desde o início do século XVI, introduziam e introduzem nas cabeças das pessoas que o Estado Russo e a nação russa tiveram início a partir do Grão-Ducado de Kyiv. Não há dúvida que isto é invenção e falsificação em favor do Império Russo. Pois sabe-se que:
1. Na época da existência do Estado Kyivska Rus, sobre o Estado da Moscóvia não havia nem menção. Sabe-se que Moscóvia como "ulus" (povoamento temporário de nômades) da Horda de Ouro foi fundado pelo khan Meng-Timur somente em 1277.
2. Não há nenhuma evidência sobre a relação da Kyivska Rus com a etnia finlandesa do século XI e posteriormente do Principado de Moscou com os principados nas terras da Kyivska Rus até o século XVI. Naquele tempo, quando em 988 aconteceu o Batismo do Estado da Kyivska Rus, as tribos finlandesas da terra Moksel estavam ainda em um estado semi-selvagem. 
Afim de preservar o roubado e atribuir aos assim chamados "veleko-russos" (grandes russos) a história da Kyivska Rus era necessária, em primeiro lugar estrangular a nação ukrainiana, encurralá-la na rígida escravidão, tirar-lhe o seu idioma, cultura, o próprio nome ou, simplesmente, destruí-la. Pelo menor desvio do oficioso perseguiam as pessoas, colocavam nas prisões e campos de concentração, deportavam para Sibéria ou simplesmente destruíam fisicamente.
O período soviético foi o mais cruel. Durante este período, a Ukraina perdeu mais de 25 milhões de seus filhos, que morreram sistematicamente de fome (houve três períodos de fome: 1921-1923; 1932-1933; 1946-1947) nos Gulags, degredos e prisões.
Assim o "irmão maior' nos cruéis "abraços do amor" mantinha o "irmão menor".

Quem é ele no aspecto histórico este "irmão maior?"
Até o final do século XV não existia Estado russo, não havia irmão maior - grande russo e nação russa, existia apenas a terra de Suzdal - terra Moksel, depois - principado da Moscóvia, e aquela terra era povoada por pessoas, as quais do final do século XIII até o começo do século XVIII chamavam-se  moscovitas.

NAÇÕES DA TERRA MOKSEL
Nos séculos IX - XII a grande região de Tula e Ryazan, norte e leste pertencia a tribos finlandesas: Murom, Marya, Vis, Moksha, Chud, Mordova, Mari, outros - todas estas são nações "Moksel". Estas tribos mais tarde tornaram-se a base dos "velekorosiv" (grandes russos).
Um dos filhos mais jovens do príncipe de Kyiv Monomakh - Yurii Dovhorukyi - acabou ficando sem herança, e ele encaminhou-se às terras livres de Zaleshanski. Assim iniciou a dinastia dos Ruriúkovychiv nas terras Moksel, encabeçando o principado de Suzdal em 1137. De sua esposa local nasceu o filho Andrii, o qual chamaram de "Boholiúbskyi" (que ama Deus). Nascido e criado na floresta do fim do mundo, entre tribos finlandesas o príncipe Andrii rompeu todos os laços com o destacamento militar de seu pai e com as antigas tradições de Kyiv. Em pouco tempo (50 - 80 anos) em cada assentamento finlandês era colocado um príncipe da família dos Ruriúkovychiv nascido de mãe merya, murom, tártara, etc. Assim surgiu a terra finlandesa de Suzdal, e mais tarde - fino-tártara Moscóvia.
Em 1169 os habitantes de Suzdal, após uma feroz batalha capturaram e destruíram Kyiv; veio o bárbaro que não sentia nenhuma relação familiar com essa terra.
O historiador russo Kliúchevskii  V.O. disse: "Na pessoa de Andrii "velekoros" (grande russo) pela primeira vez apareceu numa cena histórica". Tal foi a relação familiar de Kyiv com Suzdal e, posteriormente, com Moscóvia. 

AGRESSÃO ÀS TERRAS MOKSEL POR TÁRTARO-MONGÓIS. SURGIMENTO DA MOSCÓVIA 
Em 1237 vieram às terras de Suzdal os tártaro-mongóis. A Moscóvia, como principado, surgiu em 1277 sob as ordens do Khan (título de nobreza da Ásia antiga) tártaro-mongol e era um costumeiro ulus da Horda de Ouro. Isto é, a própria cidade de Moscou e principado-ulus de Moscou não surgiu na época do Grande Principado de Kyiv, não por ordem dos príncipes de Kyiv, mas nos tempos tártaro-mongóis, por ordem dos khans da Horda de Ouro, no território subjugado a dinastia Chynhizydiv. Que Moscou foi fundada por Yuri Dovhorukyi em 1147 não é verdade. É um mito que não tem evidência probatória.

Não existia nem Moscou, nem principado de Moscou antes de 1237-1240, isto é, até a vinda dos tártaro-mongóis às terras de Suzdal.
O primeiro príncipe de Moscou tornou-se em 1277 - Danyil Newsky (filho mais novo de Oleksandr Newsky, nascido em 1261). Ele deu início à dinastia de príncipes e czares de Moscou (Ruriúkovychiv).
Oleksandr Yaroslavych, chamado e glorificado pelos historiadores russos como Newsky, com oito  anos de idade - em 1238 - foi levado pelo khan Batu (ou seja, refém), dando ao pai - Yaroslav Vsevolodovych rótulo para principado de Vladimir. Estando na Horda de Batu de 1238 a 1252, Oleksandr Newsky assimilou todo sistema e hábitos da Horda de Ouro. Ele não participou de nenhuma batalha importante. Todas as vitórias de Oleksandr Newsky - deplorável mentira. Ele simplesmente não podia participar em confrontos sobre o rio Neva em 1240 e no lago Peipsi-Piskov - em 1242, porque ainda era criança.
Não souberam tártaro-mongóis conquistar com a espada e a força os grandes orgulhos da Kyivska Rus - Novgorod e Pskov. Estes santuários eslavos trouxe aos tártaros Oleksandr Newsky "no pratinho".
Na história dos "velykorossiv" (grandes russos) não houve príncipe que se esforçasse pela Horda tanto quanto o Príncipe Oleksandr Newsky. Ele contribuiu com mais de 300 anos de escravidão dos "velykorossos" à Horda de Ouro. Oleksandr Newsky e seu pai Yaroslav Vsevolodovych sem lutar, caiu de joelhos e beijou, como sinal de humildade, a bota do grande khan da Horda de Ouro. 
Estando em absolutas condições análogas não se sujeitaram aos tártaro-mongóis os lituanos, poloneses, húngaros e tchecos. 
Os ukrainianos em conjunto com os lituanos conquistaram a independência da opressão tártaro-mongol na luta. Na primavera de 1320 o príncipe lituano Gedemin conquistou Ovruch, Zhytomyr... ocupou Kyiv, que entregou-se voluntariamente. Gedemin libertou a Kyivska Rus do jugo dos mongóis. Em 1362 os regimentos eslavos dos ukrainianos e lituanos derrotaram os tártaro-mongóis em Synikh Vodakh (Águas Azuis).
Os historiadores de Moscou criaram um mito sobre a batalha de Kulykiv na qual Moscóvia venceu a Horda de Ouro. Mas isso é uma mentira deslavada. A batalha de Kulykiv aconteceu em 8 de setembro de 1380 e durou apenas 3-4 horas. Nesta batalha Dmytrii Donskyi lutava contra Mamaia, que liderava um dos grupos da Horda de Ouro. Dmytrii Donskyi lutava pela Horda de Ouro, pela preservação da ordem dinástica da Horda de Ouro, não contra ela.
Todos os governantes de Moscou, honestamente e fielmente serviam a um único estado - a Horda de Ouro, e nunca demonstraram nenhuma separação.
A elite governante de Moscou não podia e, até hoje não consegue reconciliar-se com o fato de que, com a libertação da Kyivska Rus dos tártaros em 1320 a Moscóvia, ainda por aproximadamente 200 anos permaneceu na composição da Horda de Ouro, pagava-lhe tributos como antes, glorificava os khans em seus templos, celebrava orações ao khan como ao seu soberano.
Moscóvia odiava com muita força a Lituânia e a Ukraina, porque não se curvaram diante da Horda de Ouro.
Na primavera de 1502 o khan da Criméia Mengli-Giray derrotou a Horda de Ouro. Desta forma, o khan da Criméia é o verdadeiro libertador da Moscóvia da Horda de Ouro, e não Dmytrii Donskyi. A horda da Criméia desde o tempo de Ivan III tornou-se padroeira da Moscóvia. Em 1473 Ivan III jurou na Bíblia aos Giray da Criméia, e Moscóvia tornou-se vassalo da Criméia e pagava-lhe tributo até quase o ano de 1700.
Já há muito tempo é hora de desistir de esconder o fato da origem do principado da Moscóvia na composição da Horda de Ouro como povoamentos tártaros. Tártaro-mongóis realmente tornaram-se "padrinhos de batismo" do Estado de Moscou. Quando no governo de khan Meng-Timur surgiu Moscou como ulus (povoamento), registrado em 1272 com o terceiro censo tártaro-mongol, o primeiro principado de Moscou, como mencionado acima, surgiu na composição da Horda de Ouro em 1277.

OS MOSCOVITAS TÊM ORIGEM ESLAVA?
À história da Rússia a elite dominante permitiu grande quantidade de mentiras para provar origem eslava a Moscóvia e aos moscovitas. A afirmação de que Kyiv é a "mãe" de três nações e estados - Ukraina, Bielorrússia e Rússia é completamente mentirosa. Esta mentira é necessária para confirmar a "legalidade" da submissão por nação de nações eslavas - ukrainiana, bielorrussa, polonesa, outras.
Examinemos a questão: de onde surgiram os eslavos nas terras Moksel? Até o século XII nas terras Moksel habitavam apenas tribos finlandesas. Isto é confirmado por escavações arqueológicas de O.S. Uvarov. [Muriany e seu modo de vida atrás dos outeiros das escavações, 1872 - 215 pág.] 7729 outeiros nas antigas Moskovska, Volodymyrska, Yaroslavska, Kostronska, Riazanska províncias.
Foi estabelecido que esses montes pertenciam exclusivamente a etnia myrianska (finlandesa). Não foi encontrado nenhum enterro eslavo. No século XIII nas terras Moksel vieram os tártaro-mongóis. Surge a questão, por que os eslavos da  região quente próxima a Dnieper passariam para regiões finlandesas mais frias? Tal não podia acontecer, que os eslavos fossem ao encontro da invasão tártaro-mongol. Em escavações posteriores O.S.Uvarov descobriu, que nas terras myrianska (futura Moscóvia), nos outeiros dos séculos XI - XVI não foi encontrada nenhuma moeda de Kyiv.
Com base nos resultados de O.S.Uvarov, temos todo o direito de dizer: durante os séculos IX - XVI a terra myriana e seu povo praticamente não tiveram relações econômicas e culturais nem com o Grande Kyiv, nem com o Grão-Ducado da Lituânia. 
Chegou a hora de rejeitar as mentiras sobre "origem eslava da Moscóvia e moscovitas. Porque os moscovitas são de origem finlandesa, e posteriormente, fino-tártara.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

quarta-feira, 5 de março de 2014

Europa teme a fatura pesada que vai pagar se avançar com sanções à Rússia


NATO[1] suspende cooperação com a Rússia, enquanto diplomatas tentam forçar Moscou a negociar, sem prejudicar a economia.
 
Se no século XXI os países ricos não querem nem ouvir falar de entrar em guerra com soldados e canhões uns contra os outros, como se fazia há 100 anos, e preferem falar em negociações e sanções, esse caminho também não é fácil, como se provou ontem, um dia em que se tentou explorar a via diplomática na NATO e em Paris. Mas a possibilidade de uma guerra econômica com a Rússia causa um arrepio na espinha coletiva dos governos europeus, ao pensarem nas conseqüências econômicas.
 Se não há propriamente guerra no terreno, e há tentativas de conversações diplomáticas, há um azedar das relações. A NATO anunciou uma revisão aprofundada da sua cooperação com a Rússia e a suspensão do planeamento de uma missão conjunta relacionada com a destruição das armas químicas sírias. Ao mesmo tempo, vai acelerar o envolvimento com a liderança civil e militar ucraniana, anunciou o secretário-geral da organização, Anders Fogh Rasmussen, após um encontro com representantes russos.
 
Em Paris houve uma intensa movimentação diplomática, com a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros russos a ser várias vezes desconfirmada de uma reunião em que se poderia discutir a situação na Criméia, à margem de um encontro diplomático sobre o Líbano. Acabou por conversar com o secretário de Estado norte-americano John Kerry e outros congêneres europeus.
 
Hoje, os líderes dos União Européia reúnem-se numa cimeira extraordinária para discutir sanções contra a Rússia. Mas enquanto os Estados Unidos estão a pressionar para que sejam impostas sanções fortes, na UE há divisões, que não têm apenas a ver com a dependência em relação ao gás natural russo.
 
Há outros valores que pesam, como o fato de Londres ser a cidade preferida dos milionários russos. Setenta grandes empresas russas de hidrocarbonetos, como a Gazprom, a Rosneft ou a Lukoil, ou o banco Sberbank, estão cotadas em Londres. Roman Abramovich, o milionário proprietário do clube de futebol Chelsea, é um próximo do Presidente Vladimir Putin.
 
A Alemanha tem na Rússia o seu quarto maior parceiro comercial fora da União Européia — as empresas alemãs têm 22 mil milhões de euros investidas no país. A chanceler Ângela Merkel, embora não ponha a hipótese de sanções de lado, é a líder européia que mais tem defendido a mediação — embora secundada por França, Reino Unido, Holanda e Itália. Entre as empresas com grandes investimentos na Rússia está a Renault, que é em parte propriedade do Governo francês, e está prestes a aumentar o capital que detém no maior fabricante de automóveis russo para 75% ainda este ano. E Paris tem em curso um negócio para vender a Moscou navios de guerra, de que não está pronta a abdicar.
 
Retaliação
 “Só se devem considerar sanções se não prosseguirem as negociações. As sanções têm sempre um impacto negativo para os que as lançam, devemos avaliar a situação com cuidado. É provável que haja contra-sanções”, avisou Jykri Katainen, o primeiro-ministro da Finlândia, que tem uma fronteira de 1300 quilômetros com a Rússia e uma longa experiência de disputas com Moscou.
 
Contra-sanções é exatamente o que promete Andrei Klishas, da câmara alta do Parlamento russo, que anunciou à agência RIA Novosti estar a preparar uma lei que permitirá congelar bens e propriedades de empresas americanas e européias na Rússia, em retaliação contra eventuais sanções econômicas.
 
O que Klishas tem em mente roça a chantagem: “Estamos apenas a sugerir que em vez de nos ameaçarmos uns aos outros com sanções, devíamos sentar-nos com os nossos parceiros e ler a Constituição ucraniana para compreender o que o aconteceu neste país soberano.” O objetivo, diz, é “fazer com que ouçam os nossos argumentos legais e reajam de forma adequada, quer os nossos parceiros europeus e americanos queiram, quer não.”
 
A União européia decidiu congelar os bens de 18 ucranianos suspeitos de se terem apropriado indevidamente de fundos estatais. E o secretário da Defesa norte-americano, Chuck Hagel, anunciou que a cooperação econômica com a Polônia e com os países bálticos — as nações da UE que defendem uma posição mais dura com a Rússia — ia ser reforçada.
No terreno, deu-se um incidente diplomático. Robert Serry, enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas, ficou encurralado num café em Sinferopol, a capital, com o seu carro rodeado por uma milícia armada —a Rússia continua a negar [eles negam sempre!] que os homens armados com carros militares de matrículas russas na Criméia façam parte do seu exército. (publico.pt)