quarta-feira, 19 de março de 2014

COMO SALVAR A UCRÂNIA?


Tyzhden [Semana]



A resposta da comunidade internacional para as ações de forças na Criméia mostra que os jogadores internacionais não entendem o que está acontecendo. Em vez de encontrar uma forma pragmática para a crise, os diplomatas centram o foco na discussão política das tropas russas no território da Ucrânia e na ilegalidade do referendo na Crimeia.

A Ucrânia e os países que a apoiam têm uma escolha simples: lutar ou admitir a derrota. É óbvio que a Ucrânia não é capaz de vencer a guerra contra a Rússia militarmente. Além disso, a corrente dos EUA e da Otan não estão dispostos a fornecer qualquer apoio militar ou de proteção da Ucrânia, que estão limitados a um conjunto de sanções que têm pouca chance de se tornar eficaz para lidar com Moscou.

A Ucrânia deveria mostrar força. Autoridades ucranianas deveriam ter plantado imediatamente todas as tropas ucranianas nas fronteiras orientais e na linha administrativa. Detenções separatistas, incluindo os líderes do movimento separatista na Crimeia, se  realizadas de forma rápida, ajudariam a introduzir as forças de segurança da Ucrânia como um oponente formidável. No entanto, a inatividade das autoridades ucranianas permitiu espaço de manobra aos inimigos dentro tropas ucranianas na Criméia que deveriam ser protegidas e fortalecidas. A sua viabilidade seria reforçada com à criação de um centro permanente de controle do espaço aéreo sobre a península, e as tropas russas deveriam ser advertidas claramente que em caso de um ataque a avião ucraniano, seria dada uma resposta.


Suspender a adesão da Rússia no Conselho de Segurança da ONU - é possível

É preciso atualizar as abordagens para a pressão diplomática sobre Moscou: deve-se suspender a adesão da Rússia no Conselho da Europa. A Ucrânia deve procurar ONU para uma sessão extraordinária da Assembleia Geral para a aprovação de uma resolução de condenação aos atos de agressão e para coordenar a introdução de tropas de paz da ONU no território da Criméia.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS




Tyzhden [Semana] -19 de marco de 2014
Horário de Kiev


17:52
A Crimeia distribuiu passaportes russos
Serviço de Migração Federal (FMS) da Rússia na Crimeia começou a emitir passaportes russos. Disse aos jornalistas nesta quarta-feira o chefe do departamento de Constantin Romodanovskiy.

17:27
Tymoshenko recebeu alta da clínica alemã e voltou a Kyiv.
Ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko recebeu [19 de março] alta do Hospital Universitário Charité. Relatado pelo "Deutsche Welle".

17:10
Nos Estados Unidos acreditam que invasores russos são responsáveis pelo tiroteio em Simferopol
A parte russa é responsável pelos tiroteios em Simferopol, o que levou à morte de duas pessoas. O anúncio foi feito na quarta-feira pelo porta-voz do Departamento de Estado dos EUA Jennifer Psaki.

terça-feira, 18 de março de 2014

Kasparov: "Cada vez que se adia a resposta forte contra um ditador, o preço sobe"


O ex-campeão do mundo de xadrez, e dissidente russo, Garry Kasparov, compara o Presidente Vladimir Putin a Adolf Hitler e lamenta a resposta do Ocidente à crise da Crimeia. "Se o Ocidente pestanejar, passamos a 1939", disse em entrevista ao PÚBLICO.

 Garry Kasparov está pessimista quanto ao desfecho da crise da Crimeia Fernando Veludo/NFactos

Garry Kasparov, campeão do mundo de xadrez durante 15 anos, viaja desde Fevereiro com um passaporte da Croácia: a nova cidadania, como explicou ao PÚBLICO, é uma garantia de liberdade de movimentos. Por causa da sua oposição ao regime de Vladimir Putin, que descreve como uma ditadura, Kasparov deixou a Rússia para poder chamar a atenção do mundo para o que se passa dentro do seu país. “A Rússia foi feita refém por um gangue de criminosos”, observa.
Numa paragem pelo Porto, onde entregou os prémios do Campeonato Europeu de Veteranos, organizado pela Federação Portuguesa de Xadrez, Garry Kasparov discutiu o referendo da Crimeia, manifestou o seu pessimismo quanto à atitude das potências ocidentais face à crise e animou-se ao comentar a campanha para a presidência da Federação Internacional de Xadrez (FIDE) – um processo que diz ser mais justo do que a sua candidatura falhada contra Putin em 2007.

Tem escrito vários editoriais sobre a atual crise na Crimeia, que no domingo decidiu em referendo a separação da Ucrânia e integração na Federação Russa. Esse processo não foi reconhecido pela União Europeia e os Estados Unidos, que esta segunda-feira anunciaram sanções contra vários dirigentes.
Acabei de ler que o Ocidente aplicou sanções, mas o que li é uma piada. É uma reação extremamente débil, que mostra que o Ocidente não tem determinação suficiente para se opor à agressão e nem sabe muito bem o que fazer, uma vez que ainda está a falar numa solução diplomática. Mas qual solução diplomática? Não se negocia com terroristas. O que aconteceu na Crimeia foi a primeira vez desde 1945 que se fez uma anexação – quer dizer, exceto quando Saddam Hussein anexou o Kuwait.

Em 2008, o Exército de Putin invadiu a Geórgia…
Sim, mas não anexou – e essa é uma distinção importante. Nessa altura foram tímidos e nunca tentaram oficializar a anexação – embora o tenham feito, de fato. Tiveram pudor em integrar a Ossétia do Sul e a Abkházia na Rússia. Se tivesse havido uma reação mais forte em 2008, talvez se tivesse evitado esta crise. Cada vez que se adia a resposta forte contra um ditador, o preço sobe. Porque ele não vai parar. Putin precisa de vitórias de política externa para melhorar a sua reputação e a sua imagem na Rússia. Depois de estar no poder há 15 anos e com a economia em queda, tem de provar ao público russo que tem uma causa.

Num artigo que escreveu para o The Wall Street Journal, defendeu que o Ocidente devia “usar os bancos e não os tanques” para conter a atual ofensiva russa na Ucrânia. Mas acabou de descrever a reação como fraca. Quer isto dizer que a via militar passou a ser a única resposta possível?
É fraca por causa dos nomes envolvidos. O que Obama fez é uma piada. Foi atrás de alguns burocratas, mas ninguém espera que os burocratas influenciem Putin – eles são subordinados, são peões. O dinheiro a sério está nas mãos dos oligarcas, que podem realmente influenciar os acontecimentos na Rússia. Se o seu dinheiro ficar em risco, acho que eles serão capazes de encontrar uma maneira de lidar com Putin. Neste momento, estas sanções terão o efeito contrário: terão um efeito reduzido, se é que terão algum, e apenas aumentarão a confiança de Putin, que reconhecerá que o Ocidente é demasiado fraco para ir atrás dos peixes grandes.

Na sua opinião, qual é o objetivo da Rússia com esta operação? Ainda há alguma hipótese de travar a escalada?
Putin só tem uma preocupação na vida, que é manter-se no poder. Os líderes ocidentais ainda acreditam que podem negociar com ele, mas Putin é uma causa perdida. Ele não tem nenhuma maneira de desistir desta operação: o Führer, o líder, não sobrevive na derrota, por isso ele só pode avançar. Onde é que isto pode parar? Não sei. A Ucrânia tornou-se vital porque os acontecimentos em Kiev enviaram o sinal errado ao povo russo. Para Putin, a Crimeia é o gatilho. Por isso acho que ainda avançará mais: ele quer remover o Governo ucraniano. Por isso fez todas aquelas declarações a dizer que não reconhecia o Governo, e por isso a Rússia quer todas estas mudanças constitucionais para tentar travar as eleições a 25 de Maio. Esse é um momento importante: se a Ucrânia conseguir sobreviver sem grande agressão até essa data, realizar as eleições e ter um Presidente e um Governo legitimamente eleito, Putin perdeu o jogo. E é por isso que ele está a tentar provocar a instabilidade no leste da Ucrânia. Hoje vemos as notícias e são os provocadores russos que passam a fronteira para criar tensão e tentar atiçar a violência.

CRISE NA CRIMÉIA

Ucrânia: Aumenta a tensão na Crimeia

18/03 20:19 CET

O primeiro-ministro interino da Ucrânia, Arseniy Yatseniuk, afirmou esta terça-feira que o conflito na península da Crimeia entrou numa fase militar, depois de homens armados terem atacado uma base militar ucraniana em Simferopol fazendo um morto e um ferido.

Segundo o porta-voz do Ministério da Defesa ucraniano na Crimeia, Vladislav Selezniov, um oficial morreu na sequência de ferimentos de bala no pescoço e num ombro e um outro militar ficou ferido.
“Todos os militares da base foram detidos e foram-lhes confiscadas as identificações e o dinheiro. Retiraram-nos da base, puseram-nos em fila e desarmaram-nos”, adiantou o porta-voz.
Entretanto o mesmo ministério fez saber que as suas forças militares estão “autorizadas a usar armas”.
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 Kiev não abdica da Crimeia
 18/03 17:31 CET

A Crimeia pertence e vai continuar a pertencer à Ucrânia.
Palavras do Presidente interino, horas depois de Vladimir Putin ter assinado um acordo de integração com os líderes da Crimeia.
Olexandre Tourchinov fala de uma violação da lei e pede ajuda à comunidade internacional.
“O chefe de Estado russo gosta de falar sobre fascismo e acaba de copiar o fascismo do século passado ao anexar o território de um estado independente” afirma.
O ministro da Defesa ucraniano confirmou, entretanto, a morte de um soldado numa base militar em Simferopol após uma troca de tiros com soldados russos.

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