segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Mandado de captura contra Yanukovych por "homicídio em massa"

Ministro do Interior interino diz que o Presidente destituído foi visto pela última vez, domingo à noite, na Crimeia.

Viktor Yanukovych é alvo de um mandado de captura por “homicídio em massa”, anunciou o atual responsável pelo ministério do Interior ucraniano, adiantando que o Presidente destituído foi visto pela última vez, domingo à noite, na região autônoma da Crimeia.

“Foi aberto um inquérito criminal por homicídio em massa de manifestantes pacíficos contra Yanukovych e vários outros responsáveis”, escreveu na sua página no Facebook Arsen Avakov, indicado pela oposição para chefiar o ministério do Interior até à tomada de posse de um governo interino.  
Os últimos números oficiais apontam para 88 mortos, a maioria manifestantes, nos confrontos da última semana em Kiev. Quinta-feira, dia em que era suposto vigorar uma trégua, foi o dia mais sangrento, com dezenas de pessoas baleadas depois de os manifestantes terem investido contra a polícia. Vários vídeos amadores mostram os manifestantes a ser atingidos por disparos, alegadamente de snipers.
Yanukovych foi destituído pelo Parlamento no sábado, horas depois de ter abandonado Kiev. Numa declaração transmitida pela televisão ao final do dia assegurou que não pretendia demitir-se e declarava ilegais as ações do Parlamento, mas não é claro quando e onde foram feitas a gravação.
No sábado, foi noticiado que estaria em Kharkiv, cidade no Leste da Ucrânia, e já na manhã de ontem a guarda fronteiriça disse ter recusado autorização para que o avião em que ele viajava decolasse do aeroporto de Donetsk em direção à Rússia.
Avakov escreveu, no entanto, que o Presidente destituído foi visto pela última vez a sair de uma residência em Balaclava, na península da Crimeia, tendo abandonado o local, na companhia de um assessor, num automóvel que seguiu para local desconhecido. Situada no Sudeste da Ucrânia, a Crimeia é uma região autônoma onde a maioria da população é de etnia russa. Moscou tem também ali, no porto de Sebastopol, uma das suas mais estratégicas bases navais, onde está fundeada a Frota do Mar Negro.

Resposta russa

De Moscou chegou o aviso de que uma aproximação da Ucrânia à União Europeia irá ser respondida com o aumento das taxas aduaneiras para os produtos ucranianos. "Dizemos à Ucrânia: é claro que vocês têm o direito a escolher a vossa via", afirmou o ministro da Economia russo, Alexei Oulioukaev, num artigo de opinião no diário alemão Handelsblatt, citado pela AFP.

O responsável fazia referência à possível assinatura de um acordo comercial da Ucrânia com a UE, que já estava prevista para Novembro. Foi a recusa de Yanukovych em avançar que deu início aos protestos contra a sua governação. Caso o compromisso se estabeleça "iremos ver-nos na obrigação de aumentar os direitos aduaneiros das importações", acrescentou Oulioukaev.

O ministro deixou claro que a assinatura de "um [acordo] não é compatível com o outro". Afirmando ser "claro" que a Ucrânia irá enfrentar "uma recessão", Oulioukaev sublinhou que "muitos fundos de investimento vão retirar o seu dinheiro da Ucrânia, e a maior parte imediatamente depois da Rússia".


EU SOU UMA UCRANIANA

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domingo, 23 de fevereiro de 2014

Parlamento escolhe presidente interino para substituir Yanukovych

Deputados aprovaram nacionalização da residência do Presidente destituído, cujo paradeiro é incerto. Tymoshenko não quer ser primeira-ministra.

Oleksander Turchinov, novo presidente do Parlamento e aliado da antiga primeira-ministra Yulia Tymoshenko, foi nomeado chefe de Estado interino da Ucrânia até próximas eleições, agendadas para Maio. A decisão foi tomada pelos deputados numa sessão em que começou a ser desmantelada a estrutura de poder montada desde 2010 por Viktor Yanukovych, o Presidente destituído no sábado e cujo paradeiro é desconhecido.
A praça da Independência, transformada por meses de protesto numa quase zona de guerra, amanheceu tranquila, depois de na noite de sábado uma multidão ter festejado a fuga de Yanukovych e escutado o primeiro discurso da antiga primeira-ministra Yulia Tymoshenko, libertada da prisão horas antes. Ao longo da manhã, a praça foi-se enchendo de pessoas, mas o ambiente era sobretudo de expectativa e celebração, relatam os jornalistas no local.
A AFP conta que algumas lojas nas imediações da praça abriram portas, depois de vários dias encerradas por causa da violência. Os serviços de defesa organizados pela oposição mantinham-se de guarda às barricadas e aos edifícios públicos agora em seu poder. Ali perto, porém, a sede do partido comunista, aliado do Presidente destituído, foi saqueada e vandalizada por manifestantes. “Assassinos” e “escravos de Yanukovych, escreveram na fachada do edifício.
Turchinov, eleito na véspera presidente do Parlamento, abriu a sessão deste domingo avisando os deputados que é preciso preencher o vazio de poder. “Peço aos deputados que iniciem de imediato as discussões para a constituição de uma nova maioria parlamentar e a formação de um governo de unidade nacional. Isso deve ser feito até terça-feira”, afirmou. Vice-presidente do Pátria, o partido de Tymoshenko, o novo presidente interino é considerado um confidente da antiga primeira-ministra, sendo como ela oriundo de Dnipropetrovsk, cidade no Leste. Após a revolução Laranja, em 2004, chefiou os Serviços de Segurança do Estado, escreve a Reuters.
“Não temos muito tempo”, admitiu Vitali Klitscho, um dos líderes da oposição, que confirmou à BBC que será candidato às presidenciais, que o Parlamento quer realizar a 25 de Maio. A AFP adianta que os dirigentes dos três partidos da oposição e representantes dos deputados dissidentes do Partido da Regiões estiveram reunidos toda a noite para discutir a formação de um novo executivo.
Os assessores de Tymoshenko revelaram que a antiga primeira-ministra falou ao telefone com a chanceler alemã, Angela Merkel, que a felicitou pela saída da prisão e lhe pediu para que se empenhe na defesa da integridade territorial da Ucrânia, respondendo também às preocupações da população do Leste. Tymoshenko fez saber, porém, que não pretende assumir novamente o cargo de primeira-ministra, para o qual, afirma um comunicado publicado no seu site, teria sido convidada.

Parlamento nacionaliza mansão de Yanukovych
Além da eleição do novo presidente interino, os 324 deputados que se mantêm em funções aprovaram por unanimidade a restituição ao Estado de Mejiguiria, residência que a oposição diz ter sido ilegalmente privatizada e que Yanukovych transformou num luxuoso complexo – populares e jornalistas que entraram sábado na residência impressionaram-se com uma jardim zoológico privado, réplicas de um galeão e de ruínas romanas.
Na sessão da manhã foi também aprovada a destituição dos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Educação. E o magistrado que a oposição indicou para assumir interinamente a procuradoria-geral anunciou que foram emitidos mandados de captura contra o seu antecessor, um dos responsáveis pela acusação que levou à condenação de Tymoshenko, em 2011, e contra o antigo ministro do Tesouro. Os novos responsáveis confirmaram também a abertura de inquéritos para apurar os responsáveis pela morte de dezenas de manifestantes, na terça e quinta-feira em Kiev, e investigar suspeitas de corrupção e abuso de poder sobre o círculo de Yanukovych.
Foi ainda anulada a lei que permitia o reconhecimento do russo como língua oficial nas regiões onde a população russófona fosse superior a 10%. A iniciativa, aprovada por 232 votos a favor, foi saudada por Oleg Tiahnibok, líder do partido de extrema-direita Svoboda, mas promete gerar grande contestação no Sul e Leste do país, região com fortes ligações à Rússia e onde a maioria da população fala russo.

Yanokovych em fuga
Multiplicam-se, entretanto rumores sobre o paradeiro do Presidente destituído e dos seus ministros, com diferentes fontes a afirmar que vários terão sido detidos quando tentavam sair do país.
Yanukovych abandonou Kiev na noite de sexta-feira para sábado, horas depois de ter assinado um acordo com os líderes da oposição que não satisfez as ruas. Várias fontes asseguraram que estaria em Kharkiv, no Leste do país, e numa declaração pré-gravada difundida ontem garantia que não se demite nem reconhece as decisões tomadas pelo Parlamento.
Ao final do dia, a polícia fronteiriça disse ter recusado autorização para que o avião de Yanukovych levantasse voo do aeroporto de Donetsk em direção à Rússia, mas a informação não foi confirmada oficialmente. Um porta-voz disse já neste domingo à agência AP não saber onde está o Presidente destituído.
Num comunicado divulgado já neste domingo, os deputados dissidentes do Partido das Regiões condenam a “traição” e a “fuga covarde” de Yanukovych, sublinhando que é dele, e do seu círculo de colaboradores, a responsabilidade pelas “ordens criminosas que levaram à perda de vidas” e pelas decisões que “arrastaram o país para a beira do precipício”.


UCRÂNIA: AS TRÊS DIMENSÕES DO CONFLITO

Opinião

sábado, 22 de fevereiro de 2014

O Parlamento depôs Yanukovych, as eleições estão marcadas para 25 de maio

Svoboda (Liberdade), 22.02.2014
O Parlamento apoiou a resolução sobre a eliminação de Viktor Yanukovych da presidência da Ukraina.
O documento teve apoio de 328 deputados (O mínimo necessário é 225).
De acordo com o decreto, as eleições presidenciais realizar-se-ão em 25 de maio de 2014.
A resolução diz, que o Conselho, para saída de absoluta necessidade, estatui que Viktor Yanukovych autodemitiu-se de seus plenos poderes, de forma inconstitucional e, portanto, não está mais no exercício de suas funções.

***

Yanukovych desapareceu na sexta-feira à noite. Foi relatado que seu avião foi para Kharkiv. 
Ele era esperado no Congresso separatista em Kharkiv, mas lá, ele não apareceu. Em compensação, nos canais relacionados com Serhii Arbuzov, apareceu a seguinte entrevista.

Yanukovych: Eu não pretendo me demitir.
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 22.02.2014

O presidente da Ukraina Viktor Yanukovych declarou que não tem intenção de renunciar e deixar o país.
"Tudo o que acontece hoje, em maior medida, - é vandalismo, banditismo e golpe de estado. Esta é minha avaliação, e eu estou absolutamente convencido disto", declarou Yanukovych.

O que eu vou fazer em seguida? Eu vou fazer de tudo, para proteger meu país da divisão e parar o derramamento de sangue. Eu, ainda não sei, como vou fazer isto", - acrescentou.

"Hoje já me encontrei com muitas pessoas, aconselhava-me - eu tive esta chance. Eu também irei para o sudeste do país, que ainda é menos perigoso, ou mais seguro. Eu vou continuar viajando para encontrar-me com as pessoas", - disse o presidente.

"Eu quero achar a resposta, o que nós vamos continuar fazendo no país. Que curso seguiremos. E, naturalmente, aquele pânico, que hoje envolveu, eu direi pessoas normais - e no ocidente, e no leste, e no centro... Eu vi o que acontece em Kyiv.

"Meu carro foi baleado, mas eu não tenho medo", - disse Yanukovych. "A tristeza me envolve pelo nosso país. Eu sinto responsabilidade. E, o que nós vamos fazer, eu vou, todos os dias, falar publicamente", - acrescentou.

"Eu permaneço no território da Ukraina. Eu vou chamar todos os observadores internacionais, todos os intermediários que participaram desse conflito político, para eles pararem os bandidos, isto não é oposição, isto são bandidos", - considera o político.

"Hoje, na saída do Parlamento batem nos deputados, cobrem com pedras, intimidam. As decisões que agora aprovam (no Conselho), todas são contra lei. Eu não vou assinar  nada com os bandidos, que hoje aterrorizam todo o país e toda nação ukrainiana, envergonham Ukraina", declarou Yanukovych

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Os deputados do Congresso de Kharkiv tomam o poder no Sudeste e na Criméia, até a garantia da ordem constitucional em Kyiv.

"Os acontecimentos dos últimos dias na capital da Ukraina, cidade de Kyiv, levaram à paralisação dos órgãos centrais do governo e desestabilização no país", - diz a resolução.

Eles consideram que a oposição não cumpriu os acordos, que grupos armados ilegais continuam capturar o governo central e matar cidadãos pacíficos dos órgãos de proteção... que o Parlamento trabalha em condições de terror... que os órgãos centrais estão paralisados... 

Então, o conselho Superior da Criméia e o Conselho da cidade de Sevastopol declararam, que no período da restauração da ordem Constitucional "para restauração das leis e assegurar o funcionamento  normal das condições de trabalho dos deputados, sem chantagem e ameaças, a eles e membros de suas famílias, os governos locais de todos os níveis assumem a total responsabilidade no sul e leste da Ukraina, como também no território da Criméia e Sevastopol. 

Os participantes do Congresso dirigiram-se aos membros das Forças Armadas para que elas permaneçam nos locais,  e para prover os armazéns de armas e técnicas, mas evitar conflitos.

Aos deputados propõem voltar às suas bases para "restaurar as leis" nos órgãos centrais do governo.

Eles salientaram que no país há cinco estações nucleares, 15 reatores nucleares, alegadamente, tornaram-se objetos de ameaça direta dos extremistas, e as consequências podem tornar-se imprevisíveis.

Esta resolução é aberta à adesão de todos os órgãos do governo, alterações e aditamentos, de acordo com a situação política.

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Segundo Turchenov Yanukovych queria fugir para Rússia. Ele tentou embarcar no avião que ia à Federação Russa, mas os guardas da fronteira não permitiram. Agora ele deve estar escondido em Donetsk.

E, ainda, o ex-procurador geral Pshonka e o ex-presidente do Ministério das Rendas da Ukraina Oleksandr Klymenko tentaram atravessar a fronteira com a Rússia na região de Donetsk, mas não conseguiram. Tentaram detê-los mas, dos tiros dos guardas eles se esquivaram.

Estas notícias do "Interfax Ukraina", Turchenov contou, ao apresentar o nomeado interino Arsen Avakov para Ministério do Interior.

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O líder do partido Pátria, Arsenii Yatseniuk declara,  que de acordo com a Constituição, agora as funções de Chefe de Estado deve executar Oleksandr Turchynov uma vez que ele é presidente do Parlamento da Ukraina.

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As pessoas pegaram o "regional" Nestor Shufrych, na saída do Parlamento e queriam levá-lo ao Maidan.
Yatseniuk e seu guarda tentaram protegê-lo. Yatseniuk tentou reconduzi-lo ao prédio do Parlamento mas as pessoas, muito brabas, não deixaram. Agora estão levando também Yatseniuk. Com outra parte das pessoas ficou Turchynov para aclarar a situação e convocá-los não agir com agressividade. 

Shufrych foi salvo pela autodefesa que criou um corredor até o prédio do Parlamento, pelo deputado Andrii Shevchenko e o musicista Sviatoslav Vacarchuk. (Os ânimos estão mesmo exacerbados. Anos e anos de penúria e humilhação, observando o aproveitamento da riqueza do país pela classe política dominante, deixaram consequências - OK).

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PARTE DA CERIMÔNIA FÚNEBRE DOS ASSASSINADOS PELO GOVERNO DA UCRÂNIA



Tradução: Oksana Kowaltschuk

NEM TUDO SÃO FLORES: O PIOR ESTÁ POR VIR

Fim da presidência de Yanukovych.

Ukrainska Pravda, (Verdade Ukrainiana), 22.02.2014
Transmissão direta

Yanukovych renunciou. O Parlamento aprovou a libertação de Yulia Tymoshenko, escolheu novo orador e nomeou novo Ministro do Interior. A autodefesa assumiu a guarda dos prédios administrativos. Ao mesmo tempo, os membros do Congresso reunidos em Kharkiv assumem o governo no Sudeste e na Criméia.

Nas ruas de Kyiv há muitas pessoas. Todos procuram ajudar.

Nas entradas e saídas estabeleceram postos de controle.

Próximo aos aeroportos foram organizados, pela defesa, postos de controle (Infelizmente, anteriormente, já circularam notícias de grande retirada de capitais - OK) postos organizados pela autodefesa.

Os manifestantes exigem que os deputados trabalhem até aprovação de tudo o que é indispensável. Principalmente tudo o que se relaciona com a renúncia do presidente.

Em Kharkiv:

Os membros do Congresso (Partido das Regiões) reunidos em Kharkiv, assumem todo o poder para garantir a ordem constitucional em Kyiv.  Isto foi afirmado na resolução do congresso em Kharkiv.

"O Conselho Supremo da Ukraina sob condições do terror, ameaças com armas e assassinatos", - dizem os autores.;

Devido a isto, eles acreditam "que a decisão do Parlamento Ukrainiano, adotada nestas condições são questionáveis em sua legitimidade e legalidade". Em sua opinião, os órgãos centrais estão paralisados. 
O deputado regional Vadym Kolesnichenko, na sala onde acontece o congresso, grita: "Pela amizade com Rússia! Econômica! Espiritual! Religiosa!" a sala responde: "Rússia! Rússia!"

YULIA TYMOSHENKO: ENFIM A LIBERDADE


TRINTA MESES...

Timoshenko no momento que deixava a prisão numa cadeira de rodas.



Tymoshenko deixando a cidade de Kharkiv

Фото з Facebook Євромайдану 
Yulia na aeronave deixando o cativeiro

TYMOSHENKO LIVRE, PRESIDENTE REJEITA DESTITUIÇÃO




Yulia Tymoshenko (foto) já saiu da prisão e vai a caminho de Kiev. Yanukovych está em Kharkiv. Parlamento marca eleições presidenciais para 25 de Maio.

15h37min (horário de Kiev) - "A ditadura caiu" na Ucrânia, disse Yulia Tymoshenko, na sua primeira declaração após ter saído da prisão, publicada no site do seu partido Pátria. “A ditadura caiu não graças aos homens políticos e aos diplomatas, mas graças às pessoas que saíram à rua e que conseguiram proteger as suas famílias e o seu país”, declarou.

14h52min - A ex-primeira-ministra abandonou o hospital prisional de Kharkiv numa cadeira de rodas, entrou num jeep preto e partiu em liberdade.

No Parlamento, os deputados ucranianos (as bancadas da oposição mais os muitos deputados que abandonaram o Partido das Regiões de Yanukovytch) acabaram de votar a favor da destituição do Presidente. Os deputados declararam a incapacidade constitucional do chefe de Estado para exercer as suas funções e marcaram para dia 25 de Maio a realização de novas eleições presidenciais.

-  Iuri Ilin, chefe do Estado Geral das Forças Armadas, acaba de fazer uma declaração e anunciar que o exército não vai se envolver na crise política: “O pessoal das forças armadas permanece nas suas instalações normais em tempo de paz, mantendo as suas funções de rotina”. 


Oleg Tiahnibok (Partido Liberdade) recebe telefonem de Yulia Tymoshenko

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Presidente em Kharkiv, vazio de poder em Kiev

O Presidente da Ucrânia viajou para o Leste do país. O edifício da Presidência está aparentemente vazio e sem proteção policial. Manifestantes permanecem concentrados em Kiev. O Presidente do Parlamento demitiu-se.

AS PESSOAS [DO MAIDAN] DERAM UM ULTIMATO: DEMISSÃO DE YANUKOVYCH ATÉ O DIA 22

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 21.02.2014

 

Os presentes no Maidan da Independência vaiaram os líderes da oposição que vieram lhes falar sobre o acordo com o governo, para acabar com a crise.

O discurso de Klychko interrompeu um dos centuriões do Maidan. Ele subiu ao palco e declarou que, se o presidente Yanukovych não se demitir até às 10 horas do dia 22 de fevereiro, as pessoas vão em ataque armado. "Nós fizemos todo o momento crucial. Nós demos chance aos políticos, para se tornassem futuros ministros, presidentes, mas eles não querem cumprir uma única condição - para que o ex-prisioneiro vá embora!" (Referência direta a Yanukovych que, na mocidade foi preso duas vezes por pequenos roubos. - OK) - disse o homem do palco. "Amigos, eu não vou verbalizar. Eu não quero fomentar aqui essa conversa boba, com a qual nos alimentam já por dois meses e meio, eu não acredito nestes difíceis processos políticos sobre os quais eles falam. 77 pessoas deram sua vida, e eles negociam", - acrescentou ele.

"Eu lhes peço: apoiem esta causa. Eu lhes digo de minha centena, aonde está meu pai que veio até aqui: se vocês até as 10 horas da manhã não se apresentarem com a declaração, que Yanukovych será demitido, nós vamos ao assalto com armas, eu lhes juro", - sublinhou ele.
Os presentes no Maidan rapidamente apoiaram esta declaração.

Neste momento, através da multidão até o palco, trouxeram os caixões com os ativistas mortos pelos truculentos e franco-atiradores durante os conflitos em Kyiv.

Os presentes no palco, inclusive os políticos, dobraram um joelho, para honrar os mortos. Mas eles não foram convincentes e suas apresentações seguintes continuaram sob vaias.
 Luzes em homenagem aos ativistas mortos






Posteriormente pronunciou-se Dmytro Yarosh, o líder do "Setor direito": "Aqueles acordos que foram alcançados, não correspondem às nossas aspirações. O 'Setor direito' não abandonará as armas. 'Setor direito" não retirará os bloqueios de nenhuma instituição estatal, enquanto não for cumprida a principal exigência - demissão de Yanukovych", - enfatizou Yarosh. "Todos são culpados: Zakharchenko, comandantes do Berkut, franco-atiradores e devem ser presos", - acrescentou.

"Setor direito" apela a todas as pessoas do Maidan para continuação da nossa luta comum contra o regime de ocupação interna da nossa Ukraina. Nós estamos prontos para assumir a responsabilidade pelo desenvolvimento da revolução ukrainiana", - disse ele.


Outras questões que foram acordadas com o governo, ontem:

- volta à Constituição de 2004, com reformas ulteriores;

- liberdade, sem punição, aos ativistas, auxílio do país às famílias dos mortos;

- demissão de Zakharchenko;

- aprovação da lei que possibilitará a libertação de Tymoshenko;

- realização de eleições presidenciais em dezembro


Tradução: Oksana Kowaltschuk

COMENTÁRIOS DO BLOG:

As "conquistas" anunciadas não passam de um refinado besteirol para a oposição, mas uma importante procrastinação ao governo para articular as táticas e estratégias que os manterá no controle do país, agora com mão de ferro: 
- Quanto a Constituição de 2004, vão distorcer tudo depois quando e como quiserem; 
- A demissão de Zakharchenko não vai resolver nadinha, há outros iguais ou piores;
- Libertar Tymoshenko não vai ajudar o país;  e 
- Realizar as eleições em dezembro, um adiantamento de poucos meses (é o que Yanukovych mais deseja), não evitará fraudes nas eleições, a exemplo do que ocorreu na última.
Finalmente: Viktor Yanukovych é um homem de assinar compromissos, mais do que respeitá-los. Mas sobretudo porque a rua, a Maidan, onde se instalou a fronteira entre a liberdade e a ditadura, não esquece os mortos e exige a demissão do Presidente – a única saída aceitável para um chefe de Estado que deixou a sua capital transformar-se num teatro de guerra.

A SAÍDA: Renúncia e prisão de Yanukovych. Ele precisa pagar pelos crimes que cometeu, notadamente quanto aos assassinatos de ucranianos autênticos, vez que ele é um pária da pátria; um russificado corrupto, assassino e imoral!!!

Os Editores.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Na Praça da Independência em Kiev: “A nossa luta está a ser vitoriosa”

Milhares de manifestantes não arredam pé da Maidan, território da oposição transformado em campo de batalha.


Kiev amanheceu com paz e um sol intenso a fazer derreter as barricadas feitas de neve e sacos de gelo. Uma das tarefas dos manifestantes, que agora dominam por completo a Praça da Independência e arredores, é substituir a neve por sacos de pedras.
A atmosfera é de medo e desconfiança, mas também de triunfo. Muitos estão vestidos como guerreiros, camuflado, capacete, escudo metálico e bastão, ou mesmo colete à prova de bala. Vê-se que permanecem alerta, como quem espera um ataque, mas também com a confiança de quem consolidou o território.
A paisagem é de campo de batalha, com os seus montes de detritos, pneus, pontos de armamento, munições e extintores, tendas de lona verde e uma fuligem negra cobrindo tudo e pairando sobre as carcaças de contentores e carros incendiados.
Mas a rudeza está sobretudo nos rostos e nas mãos. Os que aqui passaram a noite, defendendo as posições na praça depois de três dias de massacre que fizeram mais de cem mortos, não parecem estudantes, intelectuais ou a classe média ucraniana. Têm antes ar de camponeses pobres, operários ou velhos rufias desempregados, um lumpen excedentário das fábricas comunistas, do caciquismo do PCUS ou das campanhas do Afeganistão. Gente que nunca teve um lugar na sociedade pós-soviética.
Enquanto as negociações prosseguiam durante toda a noite, entre o Presidente e representantes da oposição, mediadas pelos chefes das diplomacias alemã, francesa e polaca, os manifestantes mantinham-se firmes na praça que sentem já ser deles.
Todos os acessos à Maidan (a praça) estão bloqueados com barricadas de mais de três metros de altura, delimitando um perímetro agora muito mais vasto do que o ocupado pelos protestos antes dos ataques policiais dos últimos dias. Os manifestantes alargaram a zona “libertada” e organizaram os seus piquetes, barreiras e apoio logístico.
Não há quaisquer forças policiais à vista, os manifestantes dominam todo o centro de Kiev. Nas primeiras horas da manhã milhares de pessoas já enchiam a Maidan, embora reinasse um estranho silêncio, só quebrado pelos discursos dos ativistas que se sucediam no palco, pelos cânticos de padres e velhos cossacos, ao lado de uma estátua da Virgem com um manto branco e muitos quadros representando o rosto de Cristo, entre velas acesas.
“Os polícias são animais, porque atacaram uma tenda onde havia figuras e vários objetos religiosos”, diz Alexander, 58 anos, ex-membro de um grupo de forças especiais soviéticas. Refere-se ao assalto que as forças policiais lançaram sobre os manifestantes da praça, provocando mais de 70 mortos. “Eles atacaram por ali”, aponta. “Mas os snipers profissionais ficaram naqueles prédios, e era de lá que iam apontando aos manifestantes que estavam no meio da praça, abatendo dezenas, um a um.
Alexander e o seu amigo Oleg, de 54 anos, passaram a noite na Praça da Independência. Oleg é treinador profissional de luta greco-romana, mas, por ter vindo para a praça, perdeu o emprego. “Yanukovych é um fascista”, diz ele. “Anunciou um dia de luto pelos mortos, fez hastear por todo o lado as bandeiras a meia-haste, e depois lançou a polícia contra o povo, para provocar ainda mais mortos. Ultrapassou todos os limites.”
Alexander e Oleg deslocaram-se para a praça em protesto contra a morte dos primeiros estudantes que tinham vindo manifestar-se pacificamente. “Os protestos iniciais eram pacíficos, protagonizados por jovens. Só depois da repressão policial é que nos tornamos também agressivos.” Oleg bate no peito com os nós dos dedos, mostrando o colete à prova de bala, e indica o arranhão no capacete provocado, segundo ele, pelo tiro de um sniper da polícia.
“A nossa luta está a ser vitoriosa. A partir de agora, as coisas só podem melhorar. Acho que é inevitável que o Presidente convoque eleições. O Governo vai mudar”, diz Oleg, que se diz simpatizante dos partidos radicais de direita. Alexander está menos confiante. O que está em jogo é demasiado importante, pensa ele, para que o conflito se resolva de forma simples. “Não é só Yanukovych. Ele é apenas uma marionete nas mãos de Vladimir Putin.” Expõe uma algo intrincada teoria sobre a Ucrânia ser o centro da Europa (Se virarmos o mapa ao contrário, Kiev fica no lugar de Londres”), e conclui: “Não vai ser fácil. Putin é o homem mais perigoso do mundo.
Entre os manifestantes há, aliás, quem esteja convencido de que as forças russas já estão infiltradas nas unidades policiais da Ucrânia. “Ninguém sabe, neste país, mas eu tenho a certeza de que há muitos russos misturados com a Berkut [a força especial da polícia ucraniana]”, diz Sveta, 37 anos, que acaba de chegar de Ternopil, uma cidade do Oeste da Ucrânia. Veio num dos cinco autocarros que há dias trouxeram manifestantes para a Maidan. Deixou em casa dois filhos e abandonou o emprego de cabeleireira. “Vim para dizer que é preciso acabar com a violência.” Não se importou de perder o trabalho, porque o salário não era suficiente para alimentar os filhos. Para ela “o que é importante, neste momento, é a liberdade. Yanukovych é um ditador, e é preciso livrar o país dele e da ditadura”.
Leo, 27 anos, georgiano e marido de Sveta, completa a visão dela com uma perspectiva mais global e oblíqua: “Há uma conspiração da maçonaria e dos milionários americanos para destruir a Ucrânia. Não acha?” E perante tal evidência não é difícil concluir que a situação apenas tenda a complicar-se: “Isto é o princípio de uma grande guerra entre a Ucrânia e a Rússia.”
Sveta não acompanha o raciocínio, mas concorda que é preciso fazer qualquer coisa: “Eu tenho muito medo de estar aqui. Mas é a minha obrigação. Eu vim para dizer que as mulheres e as mães do Ocidente da Ucrânia estão com a Maidan.”

UCRÂNIA: MOSAICO DA ÚLTIMAS NOTÍCIAS

O Parlamento proibiu "operações antiterroristas". 

236 deputados aprovaram a resolução que proíbe a realização a realização na Ukraina de "operações antiterroristas", prevê a volta de todas as forças especiais para os seus locais de implantação permanente e fim do bloqueio de todas as rotas. A resolução também encarrega o serviço de Segurança e o Gabinete do Procurador Geral de tomar as medidas adequadas contra aqueles cidadãos que convocaram contra a integridade do território e os truculentos  devem liberar todos os detidos a partir de novembro do ano passado.

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Morte de pessoas.  "Berkut e "titushky formavam os bandos" - especialista militar

 Частина вбитих силовиками учасників протесту проти режиму Януковича, 20 лютого 2014 року
Produto da sanha de um presidente psicopata

Kyiv - trégua, anunciada pela oposição e Ministério do Interior não impediu os confrontos somente no dia 20 de fevereiro de, depois de seu anúncio, de balas de franco-atiradores de grosso calibre, morreram aproximadamente 30 pessoas, dizem os líderes do Maidan. O Ministério do Interior fala de 9 soldados mortos (Mentira!!! Se fosse verdade, o governo estamparia as fotos dos soldados em todos os jornais para desqualificar a oposição - O Cossaco). Os especialistas militares rejeitam a amplamente divulgada informação nos meios de comunicação russos que os rebeldes disparam contra os seus, em vez disso eles supõem que os franco-atiradores vieram da Rússia, ou eram funcionários do Serviço de Segurança que anunciou recentemente uma operação antiterrorista contra os ativistas do Maidan.
De 70 a 100 ativistas morreram nos últimos dias no centro de Kyiv, segundo Stepan Kubiv, um dos comandantes do Maidan.
Professora Olga Bohomolets, coordenadora do auxílio médico no Maidan, disse que as lesões de bala mais comuns foram na cabeça ou no pescoço.

Deputado Oleksandr Bryhynets viu como, da janela do hotel Ukraina, um franco-atirador atirou num manifestante, que morreu
A arma deles é atual. Quando no palco do Euromaidan mostraram o distintivo russo (usado na manga esquerda ou no peito do uniforme de soldados ou oficiais ), comecei a inclinar-me para a idéia de que os atiradores vieram da Rússia. Os manifestantes, de modo algum atirariam nos seus. Isto é um absurdo! Me corta o ouvido quando todos dizem - operação antiterrorista porque está é operação é terrorista., porque a formação dos bandos hoje é Berkut e "titushky" - indigna-se o especialista militar.

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Maidan. Assassinato de pessoas. Conselho suspende as execuções.

Oposição e ativistas conclamam todos para permanecer no Maidan. O Parlamento proibiu"operações antiterroristas." 

No Maidan, aproximadamente 30 mil pessoas. O deputado Oleh Liashko anunciou, que amanhã, o Parlamento pretende, entre outros assuntos, tomar a decisão de mudar a sua gestão e afastamento de Zakharchenko, Ministro do Interior.
Um grande número de pessoas parou para rezar.

Os sacerdotes, no palco do Maidan, rezam pelos participantes do Maidan que foram mortos.

Como nunca, os ukrainianos podem compreender a dor dos outros e a injustiça. aos jornalistas no Egito, por desempenharem seu trabalho, ameaça prisão.

Euromaidan: mais cinco deputados saíram do Partido das Regiões. São eles: Moshak, Kovash, Haiduk,Lanhov e Dushkar.

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O ativista social Bohdan Hloba informou em sua página no Facebook que os moradores de Poltava bloquearam a rota Poltava Kharkiv para não deixar "titushkas" ir a Kyiv. Os locais Berkut e polícia completamente passaram para o lado do povo, escreve ele. Eles ajudam proteger a pista. Os truculentos passaram para o lado do povo também em Uzhhorod, Rivne, Lutsk, Ternopil. De outras cidades também mas ainda há necessidade de verificação formal.

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Os ministros do Exterior da França, Alemanha e Polônia sentiram na própria pele como é passar entre o Berkut no quarteirão governamental. Os jornalistas, nos últimos meses aí não eram permitidos. Felizmente os ministros passaram.

Sanções da União Européia: Congelamento dos ativos dos representantes do regime Yanukovych

Bruxelas - dividido entre a missão de negociações em Kyiv e reunião de emergência de diplomatas europeus em Bruxelas, a UE, na quinta-feira, finalmente chegou a uma decisão categórica: aplicar a proibição de introdução na Ukraina meios técnicos de repressão, recusar a entrada e congelar os ativos dos culpados na morte e violência na Ukraina.
Todas as conclusões técnicas deste passo,incluíndo listas dos responsáveis pela violência e assassinatos na Ukraina feitas mais tarde. Obviamente, já no dia 21 de fevereiro.

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Yanukovych concordou com a realização de eleições  antecipadas neste ano.
O premier Donald Tusc da Polônia  durante as negociações com os representantes da UE manifestou sua disponibilidade para realização das eleições antecipadas neste ano. Ele disse, que o presidente também manifestou sua disponibilidade para criar um governo de unidade nacional nos próximos dez dias, e introduzir as mudanças na Constituição até o verão deste ano.
"Mas nós acreditamos que é difícil levar a sério estas propostas no contexto de ainda não concluídas obrigações de Yanukovych. A experiência mostra que os compromissos que assumem as autoridades ukrainianas raramente são executadas", - acrescentou o Premier polonês.

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Yanukovych interrompeu sua reunião com os ministros europeus para chamar Putin, relata Gazeta Wyborcza, com referência a agência PAP.

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Em vez de votar no Parlamento, os regionais fogem da capital.

O texto lista vários deputados que viajaram para fora de Kyiv. Alguns viajaram com suas famílias, outros enviaram para fora somente as famílias. Serviram-se de voos charter do aeroporto de Boryspil ou do aeroporto Juliani.

Para negociações, à administração do presidente Yanukovych, às 1h 20min da noite chegou o embaixador russo para Ukraina Mikhail Zubarov e o comissário para os direitos humanos da FR Volodymyr Lukin. À pergunta do correspondente da "Verdade Ukrainiana" com que proposta ele veio a Kyiv e do que lhe encarregou o presidente da FR Vladimir Putin, Lukin respondeu: "com proposição de paz".

Tradução: Oksana Kowaltschuk

UCRÂNIA: A EUROPA ACORDOU TARDE



Editorial

Bruxelas devia ter exigido a Yanukovych que abandonasse o poder.

Kiev assistiu ontem ao dia mais mortífero desde o início dos protestos, com pelo menos várias dezenas de mortos.


A Comissão Europeia acordou e decidiu aplicar sanções ao regime ucraniano, uma decisão que Moscou considerou um ato de chantagem, ao mesmo tempo que apoiava o recurso à violência pelas autoridades. Os desafios à legitimidade do poder central e as ameaças de secessão multiplicam-se, do Ocidente pró-europeu à Crimeia pró-russa. A única questão ainda sem resposta é saber se a Ucrânia já ultrapassou o ponto de não retorno ou se ainda há uma esperança, por tênue que seja, para o regresso ao diálogo.

Informações não confirmadas davam conta de que o Presidente Yanukovych estaria disposto a aceitar eleições antecipadas e a criação de um governo de unidade nacional. Mas conhecendo os antecedentes de Yanukovych, há todas as razões para desconfiar que ele apenas pretenda ganhar tempo e introduza nessa negociação, se ela vier a acontecer, todo o tipo de expedientes que a tornarão inútil.

Era preciso que o poder russo, que apoia e paga a conta ao regime de Kiev, desse o mínimo sinal a favor de uma solução negociada para o conflito. Mas de Moscou têm vindo mensagens em sentido contrário.

Parece claro que Yanukovych nunca teria tomado a decisão de atacar os manifestantes se não pensasse que a resposta europeia ia ser tímida e ineficaz, como foi. Bruxelas acordou tarde e as sanções terão muito pouco poder para intimidar o regime. Apenas o risco de desagregação interna pode neste momento levar o Presidente a mudar de posição. Ora, no ponto a que a crise chegou, a única saída possível para Yanukovych era tomar a iniciativa de se demitir e sair da cena política. Era isso, aliás, que Bruxelas devia ter exigido.

Ninguém previu que o gigante ucraniano corria o risco de se desmoronar. Ou que a esperança de democracia dos ucranianos teria merecido bem mais do que anos e anos de indiferença da União Europeia.


Se a Ucrânia se partir, a Rússia ganhará sempre alguma coisa

Kiev é fundamental para o sucesso da união euroasiática de Putin. Por isso, Moscou não deixará de interferir na política ucraniana.
 
A pergunta está na boca de quem olha para a escalada de violência sem que se desenhe uma solução clara: é preciso que a Ucrânia se parta, com o Leste simpatizante dos russos para um lado, e o Ocidente, onde a maioria das pessoas fala ucraniano, para outro? A resposta, como tudo na Ucrânia, depende também do fator russo.

Os alicerces de um país que só se tornou independente após a queda da União Soviética estão a ser postos em causa pelos protestos contra o regime de Viktor Yanukovych. A Ucrânia combina territórios que foram do Império Austro-Húngaro, no Ocidente, com zonas onde a maioria das pessoas falam russo, no Sul e no Leste.
As tensões étnicas refletem-se na política: há uma coincidência quase perfeita entre as zonas onde são maioritários os falantes de russo e os resultados das últimas presidenciais, ganhas por Viktor Yanukovych. Refletem-se também na onda de violência: no Sul e no Leste, há relatos de que tituski, milícias privadas que apoiam a polícia, estão a colaborar na repressão dos protestos. Nas províncias do Leste, que faziam parte da República Socialista Soviética antes da II Guerra – antes do resto de o território ter sido anexado pelo Exército Vermelho – Yanukovych, um filho da região, é menos impopular do que no resto do país.
A especulação sobre as tensões foi reforçada com notícias de que Vladislav Surkov, um conselheiro do Kremlin que lidou com as regiões separatistas da Geórgia Abkházia e Ossétia do Sul foi visto em Kiev e na Crimeia, diz a revista The Economist. E o presidente do parlamento da Crimeia sugeriu que a região poderia separar-se do resto do país. Ali está estacionada a frota russa do mar Negro e dois terços dos habitantes são russos étnicos.
Em Moscou, traçam-se cenários de contingência prevendo a divisão do país, relata o jornal Christian Science Monitor. Andrei IlIarionov, um ex-conselheiro econômico do Presidente Vladimir Putin, enumerou as opções possíveis no seu blogue – e a fratura da Ucrânia não é, de todo, algo que assuste os russos.
O cenário preferido de Moscou, e que tentou forçar até agora, é a imposição de um governo autoritário em Kiev, do gênero do de Vladimir Putin e dependente em termos econômicos e políticos da Rússia. Uma guerra civil poderia levar à divisão permanente da Ucrânia, com a parte pró-ocidental a juntar-se à União Europeia, e a mais russificada a permanecer na órbita de Moscou. Esta opção também é aceitável para o Kremlin, sugere Yllarionov. Finalmente, se a oposição sair a ganhar do atual confronto, então a Rússia poderia usar a carta de uma Crimeia separatista para gerar instabilidade na Ucrânia.
O que será certo, defende o historiador Timothy Snyder, professor em Yale (Estados Unidos) e autor do livro Terra Sangrenta – A Europa entre Hitler e Estaline (Bertrand) em vários artigos publicados esta semana, é que Moscou não está disposta a tolerar uma democracia em Kiev. É que a Ucrânia é fundamental para realizar a sua pretendida união euroasiática com ex-repúblicas da antiga URSS. Esse bloco econômico e político “tem de ser constituído apenas por ditaduras, dado que qualquer sociedade livre que a integrasse desafiaria a governação russa. Por isso, Moscou tem de ter na Ucrânia um vizinho autoritário e fácil de manipular”.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

AÇÃO COVARDE DOS BERKUT

Muitos ucranianos da oposição ao governo corrupto, déspota e pró-comunismo, não morreram no confronto contra a truculência da milícia de Yanukovych, mas foram covardemente assassinados, conforme se pode constatar por este vídeo.
O Cossaco.