segunda-feira, 3 de março de 2014

BELICISMO RUSSO (BIS)

Caro Leitor:
Este artigo já foi publicado neste blog no dia 07/12/2011. Reeditamos, pois o momento é oportuno para mostrar quem são os russos e quais são suas pretensões comuno-imperialistas.

Fora dos continentes europeu-asiático, poucos são os que sabem como são os russos. Um povo belicista, dominador, cruel e sangüinário. Mesmo tendo o território mais extenso do mundo (17.075.400 Km2), nunca se satisfaz. Está sempre a busca de novas dominações, sejam elas territoriais, psicológicas ou ideológicas.
A cronologia apresentada a seguir, demonstra e comprova a assertiva.

O Editor.


CRONOLOGIA DO BELICISMO RUSSO: UM POVO VORAZ, DOMINADOR E IMPERIALISTA

Período
Histórico
1471 - 1496
- Guerra contra Novhorod-Siversky
1499
- Marcha para Ural.
1500 - 1503
- Guerra contra Lituânia.
1512
- Guerra contra Polônia
1550
- Guerra contra o Khan de Kazan
1550
- Segunda guerra contra Kazan
1556
- Guerra contra Astrakhan
1557
- Guerra contra Criméia
1558 - 1563
- Guerra contra Linflandia (?)
1579
- Guerra contra Polônia
1581
- Marcha para Sibéria
1590 - 1595
- Guerra contra Suécia
1598
- Guerra contra Khan da Sibéria - Kutchma
1600
- Marcha ao rio Ob na Sibéria
1608 - 1618
- Guerra contra Polônia
1610 - 1617
- Guerra contra Suécia
1632 - 1634
- Guerra contra Polônia
1637
- Guerra contra Azov
1643 - 1652
- Guerra contra China
1654 - 1667
- Guerra contra Polônia, início da ocupação da Ucrânia
1656 - 1661
- Guerra contra Suécia
1668 - 1669
- Guerra contra Pérsia - Iran
1671
- Marcha para Astrakhan
1676 - 1681
- Guerra contra Turquia, Criméia, Moldava (Moldávia)
1687
- Guerra contra Criméia
1689
- Marcha para Criméia
1695
- Marcha para Azov
1695 - 1697
- Marcha para Kamtchatka
1700 - 1721
- Guerra contra Suécia, início do extermínio do Hetmanato.
1711
- Guerra contra Turquia
1722 - 1724
- Guerra contra Pérsia - Iran
1733 - 1739
- Guerra contra Polônia
1735 - 1739
- Guerra contra Turquia, Criméia, Moldava
1741
- Guerra contra Polônia
1741 - 1743
- Guerra contra Suécia
1756 - 1762
- Guerra contra Alemanha
1764
- Catarina II liquida o país dos Hetmane
1768 - 1774
- Guerra contra Turquia e Moldava
1787 - 1792
- Guerra contra Turquia e Moldava. Ocupação da Criméia
1788 - 1790
- Guerra contra Suécia
1792
- Guerra contra Polônia
1794
- Guerra contra Polônia
1769
- Guerra contra Pérsia - Iran
1799
- Guerra contra a França
1800
- Guerra contra a Inglaterra
1804 - 1807
- Guerra contra França
1805 - 1812
- Guerra contra Turquia e Moldava
1806
- Marcha para Sakhalin
1808 - 1809
- Guerra contra Suécia
1812 - 1814
- Guerra contra Suécia
1812 - 1814
- Guerra contra França
1813
- Guerra contra Geórgia
1820
- Marcha para Cazaquistão
1826 - 1828
- Guerra contra Pérsia - Iran
1828 - 1829
- Guerra contra Turquia, Moldava, Valakhia
1833
- Marcha contra Constantinopla
1839
- Marcha para Khiva (?)
1843 - 1859
- Guerra contra Chechênia, Daguistão, Tcherkacia
1847
- Marcha para Cazaquistão
1850
- Marcha para KoshKurgan
1853
- Marcha para Ak-Metsheth (?)
1853 - 1856
- Guerra contra Turquia, França e Inglaterra , na Criméia
1850 - 1856
- Marcha para Kokand
1865
- Ocupação de Tashkend
1866 - 1868
- Marcha para Bukhar
1868
- Ocupação de Samarkand
1873 - 1875
- Marcha para Khiva
1877 - 1878
- Guerra contra Turquia
1880 - 1881
- Marcha para Turkmenistan
1884 - 1885
- Marcha para Afeganistão
1901
- Ocupação da Manchúria
1904 - 1905
- Guerra contra Japão
1914 - 1917
- Guerra contra Alemanha, Austro - Hungria, Bulgária e Turquia
1917
- Guerra contra a Finlândia
1918
- Guerra contra a Ucrânia
1918
- Marcha para Lituânia, Letônia e Estônia
1919
- Marcha para Bielorrússia
1919 - 1921
- Guerra contra Ucrânia
1920 - 1921
- Ocupação da Geórgia, Birmânia e Azerbaijão
1939
- Guerra contra Polônia
1939 - 1940
- Guerra contra Finlândia
1939
- Ocupação das terras ocidentais ucranianas
1940
- Ocupação da Bessarábia e sul da Bucovina
1941 - 1945
- Guerra contra Alemanha
1941
- Ocupação militar da Pérsia - Iran
1944
- Ocupação da República de Tubinsk
1945
- Marcha para Japão
1956
- Marcha para Hungria
1968
- Marcha para Tchecoslováquia
1979 - 1990
- Guerra em Afeganistão
1992
- Guerra em Moldava
1991 - 1994
- Guerra em Ossétia do Sul e Abhkazia, contra Geórgia
1992 - 1996
- Guerra em Tadgiguistão
1994 - 2000
- Guerra em Chechênia
2008
- Guerra contra Geórgia
2014
- Invasão da Crimeia



Fonte: Jornal ucraniano virtual “Vessokiy Zamok”

Decididamente este povo não gosta de paz. São 95 guerras ou conflitos militares em 537 anos. É muita coisa.

Nota: É possível que alguns países, regiões ou localidades se defrontem com a dificuldade de transliteração do ucraniano para o português.

Pesquisa, compilação e tradução: Oksana Kowaltschuk

Foto formatação: AOliynik

EXÉRCITO UCRANIANO EM "ESTADO DE ALERTA"

Embaixador da Ucrânia na ONU diz que estão 15 mil soldados russos na Crimeia. Sectores mais radicais apelam à "mobilização geral".

O Presidente ucraniano interino, Oleksander Turchinov, anunciou ao início da noite de sábado que colocou o exército em estado de alerta, esperando uma possível intervenção militar russa.
"Dei ordem para colocar o exército em estado de alerta, de reforçara a protecção das centrais nucleares, dos aeroportos e dos locais estratégicos", afirmou Turchinov, após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros.
O primeiro-ministro, Arseni Iatseniuk, acredita que "a Rússia não irá lançar uma intervenção porque isso significaria a guerra e o fim de todas as relações entre os dois países".
 
A possibilidade de uma intervenção armada russa já levou a apelos à mobilização popular na Ucrânia. Vitali Klitschko, um dos líderes da oposição ucraniana que depôs Yanukovych, apelou à "mobilização geral" contra aquilo que designou como "agressão russa".
A mesma ideia de mobilização foi partilhada pelas franjas mais extremistas que apoiaram os protestos dos últimos meses. "É a guerra! A sociedade ucraniana deve mobilizar-se ao máximo", afirmou o partido de extrema-direita Svoboda, através de um comunicado de imprensa em que pedia ao Presidente interino que declarasse o "estado de guerra" no país.
O Setor Direito, um grupo paramilitar nacionalista, também apelou aos seus apoiantes para se "mobilizarem e se armarem urgentemente", segundo a AFP. O seu líder, Dmitro Yarosh, terá mesmo dirigido palavras a Dokka Umarov, o líder separatista checheno, a juntar-se a si contra Moscou, segundo a televisão russa RT.

Após uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador ucraniano nas Nações Unidas afirmou que se encontram 15 mil soldados russos na Crimeia e apelou àquele órgão para que impeça a "agressão da Federação Russa à Ucrânia".

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Sergei Deshchiritsia, pediu à NATO que estude a utilização "de todas as possibilidades para proteger a integridade territorial e a soberania da Ucrânia, o povo ucraniano e as instalações nucleares no território ucraniano". A NATO deverá reunir este domingo depois de a Polônia ter pedido uma reunião de emergência, invocando o artigo 4º, apenas pela quarta vez na história da aliança.

O Presidente polonês, Bronislaw Komorowski, justificou o pedido por receio para o próprio país causado por "uma intervenção militar russa potencial sobre o território da vizinha Ucrânia".

domingo, 2 de março de 2014

PUTIN vs POVO DA UCRÂNIA


Ukrainska Pravda (Verdade Ucraniana)

Domingo, 2 março, 2014 , 10:58

Parlamento realiza reunião de emergência a portas fechadas.

Segurança Nacional e Conselho de Defesa da Ucrânia decidiu colocar as forças armadas da Ucrânia em prontidão de combate completo. Homens ucranianos começaram a ser chamados de viyskomativ.

sábado, 1 de março de 2014

SINAIS DE GUERRA NO MAR NEGRO

A intervenção russa na Crimeia põe gravemente em causa um tratado internacional.

As movimentações militares russas na Crimeia, com aprovação do Parlamento russo e a pedido do Presidente Vladimir Putin são mais graves do que aparentam. É certo que há um passado que as sustenta e um presente que finge dar-lhes cobertura. A Crimeia, hoje parte da Ucrânia, já foi governada pela Rússia (no tempo do comunismo e da URSS) até que Kruschov decidiu transferi-la para a República Socialista da Ucrânia como gesto comemorativo da antiga união (ou anexação) da Ucrânia à Rússia. Com a queda do comunismo, a Ucrânia manteve a Crimeia sob sua jurisdição, apesar de ali continuar sediada, por acordo mútuo, a frota russa do Mar Negro. Não foi o único acordo firmado entre a Rússia e já independente Ucrânia: a Ucrânia aceitou abdicar do seu arsenal nuclear (o terceiro maior do mundo) sob compromisso, não só da Rússia mas também dos Estados Unidos e do Reino Unido (no memorando de Budapeste), de serem respeitadas “a independência, a soberania e as fronteiras existentes da Ucrânia”.

Ora essas fronteiras incluíam a Crimeia, península com 26 mil quilómetros quadrados e 1,9 milhões de habitantes, uma pequena parte da Ucrânia (com 603 mil quilómetros quadrados e 44,6 milhões de habitantes) mas, segundo o memorando de Budapeste, parte inalienável do resto do país. À semelhança do que se passou na infame invasão de Praga de Agosto de 1968, o avanço militar russo na Crimeia também invoca um pedido “de dentro”, dos habitantes da Crimeia que receiam ser atacados pelas forças de Kiev e do próprio presidente ucraniano Yanukovych, em lugar incerto mas sob protecção clara da Rússia. Mas, ao pôr em causa as fronteiras do país, pondo a Crimeia sob jurisdição, ainda que provisória, da Rússia, põe também em causa um tratado internacional que envolve, como já si disse, duas potências ocidentais: os EUA e o Reino Unido. Este cenário, se os russos levarem por diante a intervenção e se fosse levado à letra o texto do acordo, seria pretexto para uma guerra à escala internacional, na qual os contendores procurariam aliados naturais ou de conveniência e poderia desembocar num desastre.

Já houve uma guerra da Crimeia, envolvendo a Rússia, a Inglaterra, a França e os impérios Otomano (hoje Turquia) e Austríaco. Durou dois anos, de 1854 a 1856, e no final o czar Alexandre II, da Rússia, ficou proibido de manter forças navais no Mar Negro. Cem anos depois, o império comunista que sucedeu ao dos czares já instalara no Mar Negro a sua frota. E a Rússia que se ergueu do pós-Perestroika ali as manteve, na Crimeia, onde hoje se medem forças e se arrisca um conflito sério. As elites russas conhecem a sua história e não repetirão erros do passado. Logo, uma guerra da Crimeia não terá lugar. Mas há coisas o mais certeiro racionalismo não pode prever. E o desvario humano é uma delas.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS DA UCRÂNIA

Putin recebe autorização do Parlamento russo para enviar tropas para a Crimeia.

-
Intenção é "proteger cidadãos da Federação Russa". Embaixador russo nos EUA vai ser chamado a Moscou. [Esses russos, além de mentirosos e psicopatas belicistas são dissimulados: dão o tapa, escondem a mão, se jogam no chão e pedem maca - O Cossaco]
.
Vladimir Putin pediu à câmara alta do Parlamento russo que aprove o envio de forças armadas para a Crimeia, na Ucrânia, anunciou o Kremlin. O Senado russo vai ainda pedir ao Presidente que chame de regresso a Moscou o embaixador nos Estados Unidos.

Países ocidentais alarmados com envolvimento russo na Ucrânia

Chefe da diplomacia britânica classifica ação militar como “ameaça potencialmente grave para a soberania" ucraniana. Conselho de Segurança reúne-se na noite deste sábado. Ministros da UE concertam posições na segunda-feira.

Já depois de conhecido o pedido para envio de tropas para a Ucrânia feito ao Parlamento russo pelo Presidente, Vladimir Putin, o Reino Unido pediu uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a segunda em dois dias, a realizar na noite de sábado. E os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia marcaram encontro para segunda-feira em Bruxelas. Citado pela agência ucraniana Interfax, Andry Deschitsia, ministro interino dos Negócios Estrangeiros do novo poder em Kiev, anunciou na tarde deste sábado que também a NATO, Aliança Atlântica, marcou uma reunião especial sobre a Ucrânia para segunda-feira.

“Inquietação” foi uma palavra repetida por outros líderes ocidentais, caso da chanceler alemã, Angela Merkel, segundo a qual “tudo deve ser feito para preservar a integridade territorial” da Ucrânia. A chefe do governo de Berlim confirmou que tanto ela como “muitos outros” dirigentes ocidentais têm estado em contacto com Putin e com os novos responsáveis do governo de Kiev.

Também o Reino Unido e a França e manifestaram a sua preocupação. O chefe da diplomacia britânica, William Hague – que tem prevista para este domingo um deslocamento à Ucrânia para contatos com a nova liderança – disse que a autorização do Parlamento russo para uma ação militar é “uma ameaça potencialmente grave para a soberania da Ucrânia”.

 Putin declarou guerra à Ucrânia

Neste sábado (01/03), Putin declarou guerra à Ucrânia. Na primeira manhã o auto-proclamado primeiro-ministro da Criméia Sergey Aksenov apelou para o presidente russo, Vladimir Putin para auxiliar na manutenção da paz e tranquilidade na Criméia. Nas eleições para o Conselho Aksenov recebeu apenas 4% dos votos e apenas três assentos parlamentares.

WEBCAST AO VIVO: INVASÃO RUSSA NA CRIMÉIA

2.000 soldados russos invadiram a Criméia e bloquearam o acesso ao aeroporto militar ucraniano de Belbek. A diplomacia russa só conhece duas linguagens: a dos tanques e a dos fuzis. São especialistas em espalhar o terror e o caos pelo mundo.
O Cossaco.

Nota: O vídeo pode apresentar alguma instabilidade momentânea.
 

Veículo militar não identificado bloqueia acesso ao areoporto militar ucraninano de Belbek, na Crimeia VASILIY BATANOV/AFP

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Governo interino da Ucrânia acusa Rússia de “invasão armada” na Crimeia



PÚBLICO 28/02/2014 - 08h44min (atualizado às 12h37min) 


Ucrânia pede extradição de Yanukovych e emite mandados de captura para dez ex-dirigentes políticos.


O ministro interino do Interior da Ucrânia acusou as forças russas de “invasão armada” depois da ocupação de dois aeroportos na região da Criméia.

Membros de uma milícia pró-russa ocuparam esta sexta-feira de manhã parte do principal aeroporto da província. As autoridades ucranianas dizem ainda que forças militares russas bloquearam o aeroporto militar de Sebastopol, a cidade portuária onde a Rússia tem a sua Frota do Mar Negro estacionada. Os russos negam qualquer envolvimento: "Nenhuma unidade da Frota do Mar Negro avançou para o aeroporto, muito menos participa em qualquer bloqueio", diz um porta-voz.

“Considero o que se está a passar uma invasão armada e uma ocupação que viola todos os acordos e as normas internacionais”, escreveu o ministro Arsen Avakov na sua página de Facebook.

Ao início da tarde, as autoridades ucranianas voltaram a controlar os aeroportos, afirmou o diretor do Conselho Nacional de Segurança, Andrei Parubi. "Houve uma tentativa de tomada dos aeroportos de Simferopol e de Sebastopol, mas voltaram agora ao controle pelas forças de segurança ucranianas", revelou Parubi.

Entretanto, o chefe das Forças Armadas, Yuri Ilin, foi demitido pelo Presidente interino, Oleksander Turchinov, segundo a BBC. Ilin foi nomeado ainda por Viktor Yanukovych durante os confrontos de há duas semanas. Na altura especulava-se que o exército poderia estar perto de ser chamado a intervir.

Vários dos homens que entraram nos aeroportos acabaram por sair, embora alguns se tenham mantido, segundo várias agências. Há também relatos da aproximação de helicópteros militares russos.

“Estou com a Milícia do Povo da Criméia”, disse à Reuters um homem que se identificou como Vladimir. “Estamos a trabalhar para manter a ordem no aeroporto. Vamos receber os aviões com um sorriso.”

Segundo a AFP, para além destes milicianos, vestidos com roupas civis, há homens, com uniformes e armados com Kalashnikovs, que patrulham o exterior do aeroporto de Simferopol. Estes não permitem que os jornalistas se aproximem, ao contrário dos milicianos. “Estamos aqui para manter a ordem pública e não bloqueamos nada. Mas se os bandidos nacionalistas vierem vamos combatê-los.”


Apelo aos EUA e ao Reino Unido

O Parlamento ucraniano votou entretanto uma resolução, que vai fazer chegar ao Conselho de Segurança da ONU, onde apela aos Estados Unidos e ao Reino Unido para garantirem a sua soberania – estes países, tal como a Rússia, assinaram o Memorando de Budapeste, em 1994, acordo que dava à Ucrânia a garantia de independência em troca da sua renúncia a armas nucleares.

O texto aprovado pelos deputados pede a norte-americanos e britânicos que “confirmem os seus compromissos” com a Ucrânia e lancem “consultas imediatas para fazer baixar a tensão no país”.

A Comissão Européia fez apelos para que seja encontrada uma "solução política" e que as partes envolvidas tenham um comportamento "contido e moderado". "A situação na Criméia requer uma solução política que só pode ser alcançada através da via do diálogo entre as diferentes partes envolvidas", afirmou um porta-voz da comissão.

A Criméia é a única região da Ucrânia onde a maioria da população é de origem russa e as tensões estão em crescendo desde sábado, quando o Presidente Viktor Yanukovych desapareceu e a oposição tomou o poder. Na quinta-feira, um comando pró-russo ocupou já a sede do governo e do parlamento da região autônoma, enquanto Moscou colocava em alerta de combate os seus aviões junto à fronteira ocidental.

Os deputados regionais aprovaram a marcação de um referendo sobre a autonomia da província, justificando a medida como as ameaças à paz na Criméia, fruto “da tomada inconstitucional do poder na Ucrânia por nacionalistas radicais, com o apoio de grupos criminosos armados”.


Extradição para Yanukovych

Num outro desafio aos novos líderes de Kiev, Yanukovych prepara-se para dar uma conferência de imprensa esta sexta-feira. Isso anunciou o próprio na quinta-feira, seis dias depois de ter desaparecido. “Ainda me considero o legítimo chefe de Estado ucraniano”, disse, em declarações à agência russa Itar-Tass, sem revelar o seu paradeiro mas explicando ter pedido “às autoridades russas” para garantirem à sua segurança “contra os extremistas”.

A justiça ucraniana vai pedir a extradição de Yanukovych, caso se confirme a sua presença na Rússia, anunciou esta sexta-feira o procurador-geral. Será, contudo, improvável que Moscou aceda ao pedido da Ucrânia, alertam alguns analistas. O procurador emitiu também dez mandados de captura em nome de várias figuras da anterior administração, segundo a Reuters.

A Áustria e a Suíça congelaram as contas bancárias de vários cidadãos ucranianos suspeitos de abusos de direitos humanos, na sua maioria antigos governantes do país. Um deles será o filho de Yanukovych, Oleksander, presidente da sociedade Mako Trading, com sede em Genebra, e que tem uma fortuna calculada em 500 milhões de dólares, segundo a AFP.

As autoridades policiais suíças lançaram também um inquérito criminal aos negócios de Yanukovych e do seu filho, sob suspeita da lavagem de dinheiro. O Ministério Público afirma que já foram iniciadas buscas a alguns escritórios em Genebra.


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Milícia pró-russa toma edifícios governamentais na Crimeia

Líderes ucranianos dizem a Moscou que “qualquer movimento de tropas será considerado uma agressão militar”. Crimeia aprovou realização de referendo sobre estatuto de autonomia.
As forças de segurança estão em alerta na Crimeia BAZ RATNER/REUTERS
O presidente interino da Ucrânia avisou esta quinta-feira a frota russa contra qualquer “agressão militar”. Oleksandr Turchinov falava pouco depois de um grupo de homens armados pró-russos ter tomado vários edifícios governamentais na Crimeia, ao mesmo tempo que a agência de notícias russa Interfax noticiava que os aviões russos ao longo da fronteira ocidental tinham sido colocados em alerta de combate.
“Dirijo-me aos dirigentes militares da frota do Mar Negro: todos os militares devem permanecer no território previsto pelos acordos. Qualquer movimento de tropas será considerado uma agressão militar”, disse Turchinov numa intervenção no Parlamento, em Kiev. O enviado diplomático da Rússia foi convocado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano, que repetiu os avisos de Turchinov.
Moscou assegurou que "a frota russa no Mar Negro aplica estritamente todos os acordos em questão". O Ministério dos Negócios Estrangeiros acrescentou que "o envio de certos veículos blindados da frota do Mar do Negro foi feita em conformidade com os acordos e não necessita de qualquer aprovação". Durante as manifestações desta semana na Crimeia, foram deslocados dois veículos blindados russos para dois locais de Sebastopol.
É precisamente na cidade portuária de Sebastopol, na Crimeia, única região da Ucrânia onde a maioria da população tem origem russa, que Moscou tem estacionada a sua frota do Mar Negro. Na quarta-feira, a Rússia já anunciara o início de um grande exercício militar junto à fronteira. “Patrulhas aéreas constantes estão a ser realizadas pelos aviões de combate nas regiões de fronteira”, escreve agora a Interfax, citando o Ministério da Defesa russo. “De momento, receberam ordens para estar em alerta máximo.”
O parlamento regional da Crimeia aprovou, ao início da tarde, a marcação de um referendo sobre a autonomia da província, avançam algumas agências. Foi lançado um comunicado de imprensa que justifica a decisão com as ameaças à paz na Crimeia, que resultam "da tomada inconstitucional do poder na Ucrânia por nacionalistas radicais, com o apoio de grupos criminosos armados".
"Estamos confiantes de que apenas a realização de um referendo sobre o estatuto de autonomia irá ajudar os habitantes da Crimeia a determinar o futuro da região sem pressões externas", afirma o comunicado, citado pela agência Itar-Tass.
A consulta foi marcada para 25 de Maio, o mesmo dia em que se vão realizar as eleições presidenciais antecipadas.
Desde sábado, dia em que o Presidente Viktor Yanukovych desapareceu e a oposição ucraniana tomou o poder , após três meses de protestos, que grupos que militam pelo retorno da Crimeia à Rússia terão começado a formar uma milícia para se defender das novas autoridades.
Quarta-feira, manifestantes anti-russos invadiram o parlamento regional depois de se ter espalhado o boato de que os deputados iam decidir declarar que a Crimeia se separaria do resto da Ucrânia. Seguiu-se uma batalha campal que envolveu milhares de pessoas de um de outro lado nas ruas do centro de Simferopol, a capital da região.
Esta manhã, dezenas de homens armados controlavam não só a sede do parlamento como a do governo regional da península russófona. Entraram durante a madrugada, içaram bandeiras russas e um cartaz onde se lê “Crimeia é Rússia”.
O primeiro-ministro regional, Anatoli Mohiliov, disse à AFP que os homens estão equipados com “armas modernas” e que impediram os funcionários de entrar nos edifícios. Mohiliov já falou ao telefone com o grupo, mas não lhe foram transmitidas quaisquer reivindicações.
O ministro interino do Interior, Arsen Avakov, anunciou ter posto a polícia em alerta para evitar “um banho de sangue entre a população civil”. “Os provocadores estão em marcha. É tempo para responder com cabeça fria”, escreveu Avakov na sua página de Facebook. Há forças de segurança em redor dos edifícios tomados.
Diplomacias ocidentais avisam Rússia
A ocupação dos edifícios do governo da Crimeia pode desencadear um conflito regional, avisa o ministro dos Negócios Estrangeiros da Polônia. “Isto é um desenvolvimento drástico e aviso os que o fizeram e os que o permitiram, é assim que começam os conflitos regionais. Este é um jogo muito perigoso”, disse Radoslaw Sikorski numa conferência de imprensa.
Londres considera que as movimentações militares russas são prejudiciais "num momento em que todas as partes, sejam nacionais ou internacionais, deveriam trabalhar para desarmar as tensões". O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico acrescentou que "a instabilidade na Ucrânia não é do interesse de ninguém".
A ministra da Defesa, Ursula von der Leyen, também manifestou a sua preocupação. “O mais importante é evitar a divisão da Ucrânia”, disse, à chegada a uma reunião da NATO em Bruxelas onde se vai debater precisamente a situação ucraniana.
Em antecipação à reunião da aliança, o secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, apelou à Rússia "para não tomar qualquer ação que possa fazer escalar a tensão ou criar desentendimentos". "Estou preocupado com os desenvolvimentos na Crimeia", afirmou Rasmussen através do Twitter.