segunda-feira, 3 de março de 2014

BELICISMO RUSSO (BIS)

Caro Leitor:
Este artigo já foi publicado neste blog no dia 07/12/2011. Reeditamos, pois o momento é oportuno para mostrar quem são os russos e quais são suas pretensões comuno-imperialistas.

Fora dos continentes europeu-asiático, poucos são os que sabem como são os russos. Um povo belicista, dominador, cruel e sangüinário. Mesmo tendo o território mais extenso do mundo (17.075.400 Km2), nunca se satisfaz. Está sempre a busca de novas dominações, sejam elas territoriais, psicológicas ou ideológicas.
A cronologia apresentada a seguir, demonstra e comprova a assertiva.

O Editor.


CRONOLOGIA DO BELICISMO RUSSO: UM POVO VORAZ, DOMINADOR E IMPERIALISTA

Período
Histórico
1471 - 1496
- Guerra contra Novhorod-Siversky
1499
- Marcha para Ural.
1500 - 1503
- Guerra contra Lituânia.
1512
- Guerra contra Polônia
1550
- Guerra contra o Khan de Kazan
1550
- Segunda guerra contra Kazan
1556
- Guerra contra Astrakhan
1557
- Guerra contra Criméia
1558 - 1563
- Guerra contra Linflandia (?)
1579
- Guerra contra Polônia
1581
- Marcha para Sibéria
1590 - 1595
- Guerra contra Suécia
1598
- Guerra contra Khan da Sibéria - Kutchma
1600
- Marcha ao rio Ob na Sibéria
1608 - 1618
- Guerra contra Polônia
1610 - 1617
- Guerra contra Suécia
1632 - 1634
- Guerra contra Polônia
1637
- Guerra contra Azov
1643 - 1652
- Guerra contra China
1654 - 1667
- Guerra contra Polônia, início da ocupação da Ucrânia
1656 - 1661
- Guerra contra Suécia
1668 - 1669
- Guerra contra Pérsia - Iran
1671
- Marcha para Astrakhan
1676 - 1681
- Guerra contra Turquia, Criméia, Moldava (Moldávia)
1687
- Guerra contra Criméia
1689
- Marcha para Criméia
1695
- Marcha para Azov
1695 - 1697
- Marcha para Kamtchatka
1700 - 1721
- Guerra contra Suécia, início do extermínio do Hetmanato.
1711
- Guerra contra Turquia
1722 - 1724
- Guerra contra Pérsia - Iran
1733 - 1739
- Guerra contra Polônia
1735 - 1739
- Guerra contra Turquia, Criméia, Moldava
1741
- Guerra contra Polônia
1741 - 1743
- Guerra contra Suécia
1756 - 1762
- Guerra contra Alemanha
1764
- Catarina II liquida o país dos Hetmane
1768 - 1774
- Guerra contra Turquia e Moldava
1787 - 1792
- Guerra contra Turquia e Moldava. Ocupação da Criméia
1788 - 1790
- Guerra contra Suécia
1792
- Guerra contra Polônia
1794
- Guerra contra Polônia
1769
- Guerra contra Pérsia - Iran
1799
- Guerra contra a França
1800
- Guerra contra a Inglaterra
1804 - 1807
- Guerra contra França
1805 - 1812
- Guerra contra Turquia e Moldava
1806
- Marcha para Sakhalin
1808 - 1809
- Guerra contra Suécia
1812 - 1814
- Guerra contra Suécia
1812 - 1814
- Guerra contra França
1813
- Guerra contra Geórgia
1820
- Marcha para Cazaquistão
1826 - 1828
- Guerra contra Pérsia - Iran
1828 - 1829
- Guerra contra Turquia, Moldava, Valakhia
1833
- Marcha contra Constantinopla
1839
- Marcha para Khiva (?)
1843 - 1859
- Guerra contra Chechênia, Daguistão, Tcherkacia
1847
- Marcha para Cazaquistão
1850
- Marcha para KoshKurgan
1853
- Marcha para Ak-Metsheth (?)
1853 - 1856
- Guerra contra Turquia, França e Inglaterra , na Criméia
1850 - 1856
- Marcha para Kokand
1865
- Ocupação de Tashkend
1866 - 1868
- Marcha para Bukhar
1868
- Ocupação de Samarkand
1873 - 1875
- Marcha para Khiva
1877 - 1878
- Guerra contra Turquia
1880 - 1881
- Marcha para Turkmenistan
1884 - 1885
- Marcha para Afeganistão
1901
- Ocupação da Manchúria
1904 - 1905
- Guerra contra Japão
1914 - 1917
- Guerra contra Alemanha, Austro - Hungria, Bulgária e Turquia
1917
- Guerra contra a Finlândia
1918
- Guerra contra a Ucrânia
1918
- Marcha para Lituânia, Letônia e Estônia
1919
- Marcha para Bielorrússia
1919 - 1921
- Guerra contra Ucrânia
1920 - 1921
- Ocupação da Geórgia, Birmânia e Azerbaijão
1939
- Guerra contra Polônia
1939 - 1940
- Guerra contra Finlândia
1939
- Ocupação das terras ocidentais ucranianas
1940
- Ocupação da Bessarábia e sul da Bucovina
1941 - 1945
- Guerra contra Alemanha
1941
- Ocupação militar da Pérsia - Iran
1944
- Ocupação da República de Tubinsk
1945
- Marcha para Japão
1956
- Marcha para Hungria
1968
- Marcha para Tchecoslováquia
1979 - 1990
- Guerra em Afeganistão
1992
- Guerra em Moldava
1991 - 1994
- Guerra em Ossétia do Sul e Abhkazia, contra Geórgia
1992 - 1996
- Guerra em Tadgiguistão
1994 - 2000
- Guerra em Chechênia
2008
- Guerra contra Geórgia
2014
- Invasão da Crimeia



Fonte: Jornal ucraniano virtual “Vessokiy Zamok”

Decididamente este povo não gosta de paz. São 95 guerras ou conflitos militares em 537 anos. É muita coisa.

Nota: É possível que alguns países, regiões ou localidades se defrontem com a dificuldade de transliteração do ucraniano para o português.

Pesquisa, compilação e tradução: Oksana Kowaltschuk

Foto formatação: AOliynik

EXÉRCITO UCRANIANO EM "ESTADO DE ALERTA"

Embaixador da Ucrânia na ONU diz que estão 15 mil soldados russos na Crimeia. Sectores mais radicais apelam à "mobilização geral".

O Presidente ucraniano interino, Oleksander Turchinov, anunciou ao início da noite de sábado que colocou o exército em estado de alerta, esperando uma possível intervenção militar russa.
"Dei ordem para colocar o exército em estado de alerta, de reforçara a protecção das centrais nucleares, dos aeroportos e dos locais estratégicos", afirmou Turchinov, após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros.
O primeiro-ministro, Arseni Iatseniuk, acredita que "a Rússia não irá lançar uma intervenção porque isso significaria a guerra e o fim de todas as relações entre os dois países".
 
A possibilidade de uma intervenção armada russa já levou a apelos à mobilização popular na Ucrânia. Vitali Klitschko, um dos líderes da oposição ucraniana que depôs Yanukovych, apelou à "mobilização geral" contra aquilo que designou como "agressão russa".
A mesma ideia de mobilização foi partilhada pelas franjas mais extremistas que apoiaram os protestos dos últimos meses. "É a guerra! A sociedade ucraniana deve mobilizar-se ao máximo", afirmou o partido de extrema-direita Svoboda, através de um comunicado de imprensa em que pedia ao Presidente interino que declarasse o "estado de guerra" no país.
O Setor Direito, um grupo paramilitar nacionalista, também apelou aos seus apoiantes para se "mobilizarem e se armarem urgentemente", segundo a AFP. O seu líder, Dmitro Yarosh, terá mesmo dirigido palavras a Dokka Umarov, o líder separatista checheno, a juntar-se a si contra Moscou, segundo a televisão russa RT.

Após uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador ucraniano nas Nações Unidas afirmou que se encontram 15 mil soldados russos na Crimeia e apelou àquele órgão para que impeça a "agressão da Federação Russa à Ucrânia".

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Sergei Deshchiritsia, pediu à NATO que estude a utilização "de todas as possibilidades para proteger a integridade territorial e a soberania da Ucrânia, o povo ucraniano e as instalações nucleares no território ucraniano". A NATO deverá reunir este domingo depois de a Polônia ter pedido uma reunião de emergência, invocando o artigo 4º, apenas pela quarta vez na história da aliança.

O Presidente polonês, Bronislaw Komorowski, justificou o pedido por receio para o próprio país causado por "uma intervenção militar russa potencial sobre o território da vizinha Ucrânia".

domingo, 2 de março de 2014

PUTIN vs POVO DA UCRÂNIA


Ukrainska Pravda (Verdade Ucraniana)

Domingo, 2 março, 2014 , 10:58

Parlamento realiza reunião de emergência a portas fechadas.

Segurança Nacional e Conselho de Defesa da Ucrânia decidiu colocar as forças armadas da Ucrânia em prontidão de combate completo. Homens ucranianos começaram a ser chamados de viyskomativ.

sábado, 1 de março de 2014

SINAIS DE GUERRA NO MAR NEGRO

A intervenção russa na Crimeia põe gravemente em causa um tratado internacional.

As movimentações militares russas na Crimeia, com aprovação do Parlamento russo e a pedido do Presidente Vladimir Putin são mais graves do que aparentam. É certo que há um passado que as sustenta e um presente que finge dar-lhes cobertura. A Crimeia, hoje parte da Ucrânia, já foi governada pela Rússia (no tempo do comunismo e da URSS) até que Kruschov decidiu transferi-la para a República Socialista da Ucrânia como gesto comemorativo da antiga união (ou anexação) da Ucrânia à Rússia. Com a queda do comunismo, a Ucrânia manteve a Crimeia sob sua jurisdição, apesar de ali continuar sediada, por acordo mútuo, a frota russa do Mar Negro. Não foi o único acordo firmado entre a Rússia e já independente Ucrânia: a Ucrânia aceitou abdicar do seu arsenal nuclear (o terceiro maior do mundo) sob compromisso, não só da Rússia mas também dos Estados Unidos e do Reino Unido (no memorando de Budapeste), de serem respeitadas “a independência, a soberania e as fronteiras existentes da Ucrânia”.

Ora essas fronteiras incluíam a Crimeia, península com 26 mil quilómetros quadrados e 1,9 milhões de habitantes, uma pequena parte da Ucrânia (com 603 mil quilómetros quadrados e 44,6 milhões de habitantes) mas, segundo o memorando de Budapeste, parte inalienável do resto do país. À semelhança do que se passou na infame invasão de Praga de Agosto de 1968, o avanço militar russo na Crimeia também invoca um pedido “de dentro”, dos habitantes da Crimeia que receiam ser atacados pelas forças de Kiev e do próprio presidente ucraniano Yanukovych, em lugar incerto mas sob protecção clara da Rússia. Mas, ao pôr em causa as fronteiras do país, pondo a Crimeia sob jurisdição, ainda que provisória, da Rússia, põe também em causa um tratado internacional que envolve, como já si disse, duas potências ocidentais: os EUA e o Reino Unido. Este cenário, se os russos levarem por diante a intervenção e se fosse levado à letra o texto do acordo, seria pretexto para uma guerra à escala internacional, na qual os contendores procurariam aliados naturais ou de conveniência e poderia desembocar num desastre.

Já houve uma guerra da Crimeia, envolvendo a Rússia, a Inglaterra, a França e os impérios Otomano (hoje Turquia) e Austríaco. Durou dois anos, de 1854 a 1856, e no final o czar Alexandre II, da Rússia, ficou proibido de manter forças navais no Mar Negro. Cem anos depois, o império comunista que sucedeu ao dos czares já instalara no Mar Negro a sua frota. E a Rússia que se ergueu do pós-Perestroika ali as manteve, na Crimeia, onde hoje se medem forças e se arrisca um conflito sério. As elites russas conhecem a sua história e não repetirão erros do passado. Logo, uma guerra da Crimeia não terá lugar. Mas há coisas o mais certeiro racionalismo não pode prever. E o desvario humano é uma delas.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS DA UCRÂNIA

Putin recebe autorização do Parlamento russo para enviar tropas para a Crimeia.

-
Intenção é "proteger cidadãos da Federação Russa". Embaixador russo nos EUA vai ser chamado a Moscou. [Esses russos, além de mentirosos e psicopatas belicistas são dissimulados: dão o tapa, escondem a mão, se jogam no chão e pedem maca - O Cossaco]
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Vladimir Putin pediu à câmara alta do Parlamento russo que aprove o envio de forças armadas para a Crimeia, na Ucrânia, anunciou o Kremlin. O Senado russo vai ainda pedir ao Presidente que chame de regresso a Moscou o embaixador nos Estados Unidos.

Países ocidentais alarmados com envolvimento russo na Ucrânia

Chefe da diplomacia britânica classifica ação militar como “ameaça potencialmente grave para a soberania" ucraniana. Conselho de Segurança reúne-se na noite deste sábado. Ministros da UE concertam posições na segunda-feira.

Já depois de conhecido o pedido para envio de tropas para a Ucrânia feito ao Parlamento russo pelo Presidente, Vladimir Putin, o Reino Unido pediu uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a segunda em dois dias, a realizar na noite de sábado. E os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia marcaram encontro para segunda-feira em Bruxelas. Citado pela agência ucraniana Interfax, Andry Deschitsia, ministro interino dos Negócios Estrangeiros do novo poder em Kiev, anunciou na tarde deste sábado que também a NATO, Aliança Atlântica, marcou uma reunião especial sobre a Ucrânia para segunda-feira.

“Inquietação” foi uma palavra repetida por outros líderes ocidentais, caso da chanceler alemã, Angela Merkel, segundo a qual “tudo deve ser feito para preservar a integridade territorial” da Ucrânia. A chefe do governo de Berlim confirmou que tanto ela como “muitos outros” dirigentes ocidentais têm estado em contacto com Putin e com os novos responsáveis do governo de Kiev.

Também o Reino Unido e a França e manifestaram a sua preocupação. O chefe da diplomacia britânica, William Hague – que tem prevista para este domingo um deslocamento à Ucrânia para contatos com a nova liderança – disse que a autorização do Parlamento russo para uma ação militar é “uma ameaça potencialmente grave para a soberania da Ucrânia”.

 Putin declarou guerra à Ucrânia

Neste sábado (01/03), Putin declarou guerra à Ucrânia. Na primeira manhã o auto-proclamado primeiro-ministro da Criméia Sergey Aksenov apelou para o presidente russo, Vladimir Putin para auxiliar na manutenção da paz e tranquilidade na Criméia. Nas eleições para o Conselho Aksenov recebeu apenas 4% dos votos e apenas três assentos parlamentares.

WEBCAST AO VIVO: INVASÃO RUSSA NA CRIMÉIA

2.000 soldados russos invadiram a Criméia e bloquearam o acesso ao aeroporto militar ucraniano de Belbek. A diplomacia russa só conhece duas linguagens: a dos tanques e a dos fuzis. São especialistas em espalhar o terror e o caos pelo mundo.
O Cossaco.

Nota: O vídeo pode apresentar alguma instabilidade momentânea.
 

Veículo militar não identificado bloqueia acesso ao areoporto militar ucraninano de Belbek, na Crimeia VASILIY BATANOV/AFP

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Governo interino da Ucrânia acusa Rússia de “invasão armada” na Crimeia



PÚBLICO 28/02/2014 - 08h44min (atualizado às 12h37min) 


Ucrânia pede extradição de Yanukovych e emite mandados de captura para dez ex-dirigentes políticos.


O ministro interino do Interior da Ucrânia acusou as forças russas de “invasão armada” depois da ocupação de dois aeroportos na região da Criméia.

Membros de uma milícia pró-russa ocuparam esta sexta-feira de manhã parte do principal aeroporto da província. As autoridades ucranianas dizem ainda que forças militares russas bloquearam o aeroporto militar de Sebastopol, a cidade portuária onde a Rússia tem a sua Frota do Mar Negro estacionada. Os russos negam qualquer envolvimento: "Nenhuma unidade da Frota do Mar Negro avançou para o aeroporto, muito menos participa em qualquer bloqueio", diz um porta-voz.

“Considero o que se está a passar uma invasão armada e uma ocupação que viola todos os acordos e as normas internacionais”, escreveu o ministro Arsen Avakov na sua página de Facebook.

Ao início da tarde, as autoridades ucranianas voltaram a controlar os aeroportos, afirmou o diretor do Conselho Nacional de Segurança, Andrei Parubi. "Houve uma tentativa de tomada dos aeroportos de Simferopol e de Sebastopol, mas voltaram agora ao controle pelas forças de segurança ucranianas", revelou Parubi.

Entretanto, o chefe das Forças Armadas, Yuri Ilin, foi demitido pelo Presidente interino, Oleksander Turchinov, segundo a BBC. Ilin foi nomeado ainda por Viktor Yanukovych durante os confrontos de há duas semanas. Na altura especulava-se que o exército poderia estar perto de ser chamado a intervir.

Vários dos homens que entraram nos aeroportos acabaram por sair, embora alguns se tenham mantido, segundo várias agências. Há também relatos da aproximação de helicópteros militares russos.

“Estou com a Milícia do Povo da Criméia”, disse à Reuters um homem que se identificou como Vladimir. “Estamos a trabalhar para manter a ordem no aeroporto. Vamos receber os aviões com um sorriso.”

Segundo a AFP, para além destes milicianos, vestidos com roupas civis, há homens, com uniformes e armados com Kalashnikovs, que patrulham o exterior do aeroporto de Simferopol. Estes não permitem que os jornalistas se aproximem, ao contrário dos milicianos. “Estamos aqui para manter a ordem pública e não bloqueamos nada. Mas se os bandidos nacionalistas vierem vamos combatê-los.”


Apelo aos EUA e ao Reino Unido

O Parlamento ucraniano votou entretanto uma resolução, que vai fazer chegar ao Conselho de Segurança da ONU, onde apela aos Estados Unidos e ao Reino Unido para garantirem a sua soberania – estes países, tal como a Rússia, assinaram o Memorando de Budapeste, em 1994, acordo que dava à Ucrânia a garantia de independência em troca da sua renúncia a armas nucleares.

O texto aprovado pelos deputados pede a norte-americanos e britânicos que “confirmem os seus compromissos” com a Ucrânia e lancem “consultas imediatas para fazer baixar a tensão no país”.

A Comissão Européia fez apelos para que seja encontrada uma "solução política" e que as partes envolvidas tenham um comportamento "contido e moderado". "A situação na Criméia requer uma solução política que só pode ser alcançada através da via do diálogo entre as diferentes partes envolvidas", afirmou um porta-voz da comissão.

A Criméia é a única região da Ucrânia onde a maioria da população é de origem russa e as tensões estão em crescendo desde sábado, quando o Presidente Viktor Yanukovych desapareceu e a oposição tomou o poder. Na quinta-feira, um comando pró-russo ocupou já a sede do governo e do parlamento da região autônoma, enquanto Moscou colocava em alerta de combate os seus aviões junto à fronteira ocidental.

Os deputados regionais aprovaram a marcação de um referendo sobre a autonomia da província, justificando a medida como as ameaças à paz na Criméia, fruto “da tomada inconstitucional do poder na Ucrânia por nacionalistas radicais, com o apoio de grupos criminosos armados”.


Extradição para Yanukovych

Num outro desafio aos novos líderes de Kiev, Yanukovych prepara-se para dar uma conferência de imprensa esta sexta-feira. Isso anunciou o próprio na quinta-feira, seis dias depois de ter desaparecido. “Ainda me considero o legítimo chefe de Estado ucraniano”, disse, em declarações à agência russa Itar-Tass, sem revelar o seu paradeiro mas explicando ter pedido “às autoridades russas” para garantirem à sua segurança “contra os extremistas”.

A justiça ucraniana vai pedir a extradição de Yanukovych, caso se confirme a sua presença na Rússia, anunciou esta sexta-feira o procurador-geral. Será, contudo, improvável que Moscou aceda ao pedido da Ucrânia, alertam alguns analistas. O procurador emitiu também dez mandados de captura em nome de várias figuras da anterior administração, segundo a Reuters.

A Áustria e a Suíça congelaram as contas bancárias de vários cidadãos ucranianos suspeitos de abusos de direitos humanos, na sua maioria antigos governantes do país. Um deles será o filho de Yanukovych, Oleksander, presidente da sociedade Mako Trading, com sede em Genebra, e que tem uma fortuna calculada em 500 milhões de dólares, segundo a AFP.

As autoridades policiais suíças lançaram também um inquérito criminal aos negócios de Yanukovych e do seu filho, sob suspeita da lavagem de dinheiro. O Ministério Público afirma que já foram iniciadas buscas a alguns escritórios em Genebra.