sábado, 28 de junho de 2014

UCRÂNIA INICIA NOVOS CAMINHOS


Arseniy Yatsenyuk: Ucrânia passou pela etapa de reanimação. Temos de prosseguir para reabilitação

25 Junho, 13:49
O primeiro-ministro da Ucrânia Arseniy Yatsenyuk instruiu os membros do Governo apresentarem a sua visão de "pacote de reabilitação" para cada setor, e considera necessário introduzir o cargo de Vice-Primeiro-Ministro para a Integração Europeia, foi dito na reunião do Gabinete dos Ministros (Governo) da Ucrânia, na quarta-feira (25 de junho).
Arseniy Yatsenyuk enfatizou que a Ucrânia passou pela “etapa de reanimação” - a primeira fase que permitiu impedir a moratória: "Agora temos que prosseguir para a reabilitação - tanto econômica como política".
Ele observou a situação difícil da Ucrânia: "bilhões de hryvnas que não foram previstas no orçamento, estão sendo financiados para garantir a integridade territorial do Estado Ucraniano. Contra nós está sendo conduzida uma guerra real, do novo tipo. Esta é a guerra – eles atiram, matam, aterrorizam, destroem, intimidam. Eles tentam destruir o Estado Ucraniano e a independência ucraniana. Contra nós está sendo conduzida a guerra de informação – no interior do país e no exterior, a guerra para qual a parte russa gasta bilhões. Contra nós está sendo conduzida a guerra econômica, em que, sem qualquer fundamento, eles alegam que fecharão os mercados".
"Portanto, a responsabilidade é a minha principal exigência para o Governo e os chefes das administrações locais. Apenas através da responsabilidade é possível obter a confiança das pessoas. E só através da confiança de pessoas é possível realizar reformas. Porque a reforma não é texto escrito por funcionário público, mas é a energia de milhões de pessoas destinada pata alcançar o objetivo", - disse o Chefe do Governo.
"Começamos a viver economicamente de uma maneira nova. Os desafios sempre são umas oportunidades, e as oportunidades sempre são um avanço e progresso. Vamos aproveitar essas oportunidades", - enfatizou ele.
Arseniy Yatsenyuk lembrou que em cada ministério será criado um cargo de vice-ministro para a Integração Europeia. Foi anunciado o concurso para estes cargos.
O Chefe do Governo também reiterou que considera necessário introduzir no Gabinete dos Ministros um cargo de Vice-Primeiro-Ministro para a Integração Europeia, que chefiará o Departamento dos assuntos da Integração com a UE.

Constituição será alterada - o Presidente inicia uma descentralização do poder

25 Junho, 13:45

Amanhã na Verkhovna Rada (Parlamento) da Ucrânia será registrado um projeto da lei sobre a alteração da Constituição em relação à descentralização do poder. O projeto também será enviado para a Comissão de Veneza do Conselho da Europa, disse no seu discurso no Dia do Diálogo com os representantes dos governos locais e autoridades públicas o Presidente da Ucrânia Petro Poroshenko.
"Nós queremos mudar as autoridades locais, mais próximas às pessoas, concedendo os poderes reais à autogovernação, que o sistema de governo local nunca sabiam na história da Ucrânia", - sublinhou o Chefe de Estado.
"Este é um elemento-chave do plano de paz do Presidente, estas são as coisas com as quais, inclusive, iremos para Donbass", - acrescentou Petro Poroshenko.
O Chefe de Estado ressaltou que o projeto da lei sobre alterações da Constituição prevê a eliminação das administrações regionais e distritais e a introdução dos cargos de representantes do Presidente. Também é prevista a criação dos comitês executivos dos conselhos locais, aos quais caberão as funções principais da governação nos locais.
"Nos locais ficará uma parte significativa dos impostos recolhidos no território de tal órgão da governação local ", - disse Petro Poroshenko.
O Chefe de Estado sublinhou que a descentralização prevê a ampliação dos poderes das comunidades locais, particularmente nos assuntos da memória histórica, tradições culturais e política linguística.
"Mas a única língua oficial da Ucrânia era, é e será a língua ucraniana", - enfatizou o Presidente.
O Presidente expressou a esperança de que a Verkhovna Rada (Parlamento) já na próxima semana for capaz de aprovar na primeira leitura o projeto da lei sobre a alteração a Constituição.
       
Fonte: Embaixada da Ucrânia no Brasil
 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

UCRÂNIA: A UM PASSO DA UNIÃO EUROPÉIA


Chefe de Estado está confiante na implementação qualitativa do Acordo de Associação com a EU

25 Junho, 13:50

No seu discurso, no Dia do Diálogo com os representantes dos governos locais e autoridades públicas, Petro Poroshenko enfatizou que em 27 de junho, em Bruxelas, na presença dos 28 chefes de Estados e dos Governos da União Europeia será assinado o Acordo de Associação entre a Ucrânia e a UE.
"Isto é pelo que nós lutamos fortemente nos últimos meses e anos, desde 2007, quando pela primeira vez foi definido o conceito do membro associado. Estamos a concluir o primeiro passo muito importante, e começamos o novo", - disse o Chefe de Estado.
O Presidente lembrou que após a assinatura do Acordo de Associação com a União Europeia, a Ucrânia tem que realizar o trabalho para implementação e adaptação da legislação nacional em conformidade com os requisitos e padrões europeus. "Este trabalho é igualmente difícil e responsável. Mas tenho certeza de que cumpri-lo-emos de forma muito eficiente", - disse ele.
 
Fonte: Embaixada da Ucrânia no Brasil.             
 

A VERDADE NO LESTE DA UCRÂNIA

População de Donetsk se volta contra separatistas pró-Putin e contra milícias estrangeiras
 
Porta voz do 'Batalhão Vostok': "Somos chechenos, ex-soldados, muçulmanos, lutamos no Afeganistão. Nos viemos para proteger os russos e proteger os interesses deste país"

Entre as milícias de mercenários enviados por Putin, destacou-se o chamado Batalhão “Vostok” (“Leste”).

A unidade foi recebida em Donetsk com aplausos por algumas centenas de separatistas. Mas, na mesma ocasião, como pode ser visto em vídeo divulgado no Youtube, um de seus componentes declarou que a milícia é composta de chechenos muçulmanos, soldados profissionais que já lutaram no Afeganistão e que lá estavam para ajudar a Rússia e um “povo irmão”.

Os mercenários não perderam tempo: ocuparam a sede da administração regional e a transformaram em depósito dos frutos de suas pilhagens e saques.

As violências perpetradas por esses “libertadores” indignou a população. Por fim, acabaram sendo expulsos do prédio por simpatizantes pró-Rússia, que descobriram as salas de trabalho transformadas em armazéns com os produtos dos saques.

“Lojas pilhadas, bancos e restaurantes fechados por causa da insegurança. Uma crescente anarquia tendia a tomar conta de Donetsk, e o prédio simbólico da ‘República Popular de Donetsk’ foi esvaziado pela ala militar dos separatistas”, informou o jornal francês “Le Monde”.

Segundo o jornal inglês “The Telegraph”, um escritório destinava-se a estocar grandes queijos e salchichas roubados perto do aeroporto.

Em outras salas havia grande quantidade de cigarros, bebidas alcoólicas, meias de luxo e roupa interior.
Mercenário do 'batalhão Vostok' entre produtos da pilhagem.
Local da foto: a prefeitura de Donetsk

Uma parede do 10º andar estava pichada com as iniciais do NKVD – a temida polícia secreta do ditador soviético Josef Stalin.

O presidente do “Parlamento” separatista, Denis Poushiline, explicou que a expulsão do “Vostok” foi decidida para “nos libertar daqueles que cometeram crimes contra a República”.

A desmoralização não pode ser maior.

Igor Strelkov – coronel do GRU (serviço de inteligência do exército russo), comandante do Batalhão “Vostok” e das milícias da fantasmagórica “República Popular de Donetsk” – divulgou um vídeo no Youtube que é toda uma confissão de impopularidade.

Ele verberou o povo de Donetsk pelo fato de não se alistar às “dezenas de milhares” como “voluntário” nas milícias separatistas. Segundo ele “dezenas de milhares ficam sentados em casa, olhando calmamente TV e bebendo cerveja”, em vez de se engajarem pela união com a Rússia. Quer dizer, não estão com o separatismo.

Segundo o jornal “Le Monde”, Igor Strelkov já foi condenado por crimes contra civis chechenos em guerra acontecida em anos passados. E em Donetsk ele teria feito executar três recrutas.

As pilhagens de lojas e supermercados por homens armados, entretanto, prosseguem e a polícia está inerme.

“Há poucos dias, homens armados e mascarados chegaram a duas concessionárias e exigiram uma dezena de veículos ‘para a revolução’. Ninguém sabe quem são essas pessoas” – contou ao “Le Monde” um amigo do proprietário.

O complexo desportivo da equipe de hockey Donbass, célebre no país, foi atacado por “homens armados que amarraram os guardas e roubaram computadores, telas de vídeo, o cofre, um carro e atearam fogo no prédio”, informou o clube.


Culto de Lenine se mantém íntegro no 'separatismo' pró-russo

Os caminhões blindados dos bancos foram sequestrados e não há mais dinheiro na cidade. As atividades estão paralisadas, pois as empresas não sabem qual legislação obedecer: a ucraniana ou a russa, acrescentou “Le Monde”.

O jornal britânico
“The Telegraph”, a partir de informações próprias, também está convencido de que o panorama de Donetsk é desastroso.

O movimento rebelde debate-se em plena crise, e não é de se excluir confrontos armados entre milícias pró-russas. O caso dos gangsters do “Vostok” teria sido a gota que extravasou do vaso.

Num combate no aeroporto, os separatistas recolheram os corpos de 33 cidadãos russos, que deviam ser enviados de volta a Rostov-Don, na Rússia, de onde seriam encaminhados aos familiares.

Em outro episódio, só o motorista de um caminhão atingido pelos disparos de um helicóptero do exército da Ucrânia possuía RG ucraniano; todos os demais corpos eram de russos, que foram também encaminhados para seu país.

As baixas dos mercenários podem chegar a centenas num dia e o exército ucraniano continua avançando.

O enviado do “O Estado de S.Paulo” (25/5/2014) conseguiu habilmente fazer falar alguns mercenários em Donetsk. “São eles, explicou o jornalista, e não os voluntários da população civil, os pontas de lança do levante separatista na região de Donetsk”.

Dois comandantes separatistas aceitaram falar após garantias de que a reportagem só seria publicada no Brasil e em português, e não circularia na Europa e nos EUA.

“Um deles se identificou como Russlan Yssalev, 28 anos, muçulmano vindo da Chechênia e membro de forças especiais, registrou Andrei Netto. ... eu estive na Crimeia e em Odessa ... e agora estou em Donetsk”.

“Outro agente ... identificou-se como Yevgeny Podumme, de 30 anos. ‘Sempre fomos protegidos pela Rússia, enquanto os EUA só causam problemas. Veja Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria’, argumentou.“
Mercenários durante ocupação do prédio do governo estadual de Donetsk
Mercenários durante ocupação do prédio do governo estadual de Donetsk
Segundo o repórter brasileiro, os chefes milicianos elogiam com insistência a Rússia e seu presidente, Vladimir Putin, mas não aceitaram responder se estão sendo pagos ou não, nem de quem recebem ordens. E com razão! Falar poderia lhes custar a carreira ou a vida.

As tropas russas estacionadas na fronteira estariam recuando. Constituídas por recrutas sem formação especial, estariam passando pela renovação anual, e não têm capacidade de combate.

Compreende-se então que Putin modere cada vez mais suas bravatas contra a Ucrânia e seu povo. A população de Donetsk, que poderia ser seu apoio, está se voltando fortemente contra o separatismo e não quer saber da anexação à Rússia e das milícias estrangeiras.

Pelo contrário, quer o retorno à paz e ao trabalho sob a bandeira nacional da Ucrânia.
 
Fonte: Flagelo russo.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Desabamento da Rússia

Desabamento da Rússia poderá sepultar restos da ordem mundial

Hostilidades de Putin contra Ucrânia visariam unificar uma Rússia que se decompõe internamente

Segundo o historiador Vladimir Pastukhov – citado por Paul Goble em “Windows on Eurasia” – a guerra de Putin na Ucrânia visa também impedir a desintegração da Rússia, injetando uma “morfina patriótica” para manter a coesão dos russos.

Em artigo publicado na “Gazeta Novaya”, o estudioso russo argumenta que as consequências serão aterrorizantes, porque Moscou terá de administrar essa droga em doses cada vez maiores até morrer de “overdose”

Pelo final da década de 1980, a desagregação do império soviético atingia “todas as etnias”, escreveu. Os líderes pós-soviéticos não conseguiram criar estabilidade.

Hoje Putin sustenta a Rússia com “truques baratos”: manipulação da consciência de massa, o crime como instrumento de poder, a redistribuição de ‘rendas’ com bolsas para a população.

Mas o sistema, “esgotou-se já no final” de segundo mandato de Putin, diz Pastukhov. Agora, o colapso se manifesta “numa série de conflitos militares locais surgidos praticamente do nada como os cavaleiros do Apocalipse”. Os medos do fim do império só foram aprofundados pela revolução ucraniana.

A anexação da Criméia introduziu um “cavalo de Tróia” dentro da Rússia: “o movimento tártaro da Criméia pode se tornar o catalisador de conflito entre Moscou e Kazan”, diz Pastukhov. “Se as coisas chegarem a esse ponto, então será tarde demais para curar o país”.

Saudosistas anquilosados sonham que estão de volta à URSS, parando os ponteiros do relógio da história. Mas a Rússia na realidade virou “um parque temático do período soviético”. É mais fácil se enganar vivendo com os mitos do que enfrentar a dura realidade, diz o historiador.

Desorganização, crime e 'sistema de bolsas' afundam internamente a Rússia

A situação só vai piorar, acrescenta. “Os espasmos do império são como ataques epilépticos: cada novo ataque pode ser mais forte do que o precedente” e “a probabilidade é muito grande de que depois do próximo episódio a Rússia nunca mais se ‘levante sobre os próprios joelhos’”.

Tentar salvar o império “a qualquer preço” é um beco sem saída. Mas Putin tentará isso.

Pastukhov diz: “A Rússia precisa de um cirurgião, não de um anestesista”.

Mas – observamos nós – ao esboroar, o gigante russo poderá arrastar toda a Europa e deixá-la coberta de etnias, milícias e facções em luta permanente.

Nesse horizonte o comunismo burocrático também desapareceria, e o desabamento da ex-URSS traria como consequência a anarquia final sonhada por Marx.
 
Fonte: Flagelo russo

Ucrânia: cessar-fogo unilateral não põe termo à tensão no leste do país

23/06 17:25 CET
A explosão de duas bombas no leste da Ucrânia provocou o descarrilamento de um comboio de mercadorias russo, este domingo (22).
O incidente, que não provocou vítimas, ocorreu nos arredores da cidade de Donetsk, dias depois do governo ter decretado um cessar-fogo na região, rejeitado pelos militantes pró-russos.
Kiev afirma que nas últimas 48 horas registaram-se pelo menos 11 novos ataques contra militares ucranianos na região.
Berlim voltou hoje a apelar a Moscou para que utilize a sua influência para pressionar os russófonos da região a respeitar o cessar-fogo e a impedir o trânsito de armas através da fronteira.
Um apelo visto como uma acusação para Moscou que voltou hoje, pela voz do ministro dos Negócios Estrangeiros, a afirmar que a Rússia não tem qualquer “ambição geopolítica” na região.
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domingo, 22 de junho de 2014

PSICOPATAS GENOCIDAS NA RÚSSIA

Eurasianismo e genocídio

Olavo de Carvalho

Folha de São Paulo, 19 de junho de 2014

Não é muito difícil entender que uma ideologia voltada à reconstrução de um dos impérios mais sangrentos de todos os tempos acabará, mais dia menos dia, revelando a sua própria índole cruel e homicida.
Estudantes da Universidade Estatal de Moscou estão exigindo a demissão do prof. Alexandre Duguin por ter defendido, desde o alto da sua cátedra, a matança sistemática dos ucranianos, que segundo ele não pertencem à espécie humana. "Matem, matem, matem", disse ele. "Não há mais o que discutir. Digo isso como professor." (Os grifos são do Editor do Blog)
A declaração integral e exata está aos 17m50s deste vídeo: http://goo.gl/YSjcB3
O Império Eurasiano tal como o concebem Alexandre Duguin e seu principal discípulo, o presidente Vladimir Putin, é uma síntese da extinta URSS com o Império tzarista. Como a teoria que fundamenta o projeto é por sua vez uma fusão de marxismo-leninismo, messianismo russo, nazismo e esoterismo, e como dificilmente se encontra no Ocidente algum leitor que conheça o suficiente de todas essas escolas de pensamento, cada um só enxerga nela a parte que lhe é mais simpática, comprando às cegas o resto do pacote.
Os saudosistas do stalinismo vêem nela a promessa do renascimento da URSS. Conservadores aplaudem o seu moralismo repressivo soi disant religioso. Velhos admiradores de Mussolini e do Führer apreciam a sua concepção francamente antidemocrática do Estado, bem como seu desprezo racista pelos povos destinados à sujeição imperial.
Esoteristas, seguidores de René Guénon e Julius Evola, julgam que ela é a encarnação viva de uma "metapolítica" superior, incompreensível ao vulgo, mais ou menos como aquela que é descrita pelo romancista (e esoterista ele próprio) Raymond Abellio, em La Fosse de Babel. Muçulmanos acabam às vezes aderindo ao projeto por conta do seu indisfarçado e odiento anti-ocidentalismo, na vaga esperança de utilizá-lo mais tarde como trampolim para a criação do Califado Universal, que por sua vez os "eurasianos" acreditam poder usar para seus próprios fins.
Não seria errado entender o eurasianismo como uma sistematização racionalizada do caos mental internacional. Neste sentido, sua unidade essencial não pode ser buscada no nível ideológico, mas na estratégia de conjunto que articula num projeto de poder mundial uma variedade de discursos ideológicos heterogêneos e, em teoria, conflitantes.
Não se deve pensar, no entanto, que esse traço definidor é único e original. Ao contrário do que geralmente se imagina, todos os movimentos revolucionários, sem exceção, cresceram no terreno fértil da confusão das línguas. O eurasianismo só se destaca dos outros por cultivar, desde a origem, uma consciência muito clara desse fator e, portanto, um aproveitamento engenhoso do confusionismo revolucionário.
Qualquer que seja o caso, o uso da violência genocida como instrumento de ocupação territorial está tão arraigado nos seus princípios estratégicos que, sem isso, o projeto inteiro não faria o menor sentido.
Essa obviedade não impede, no entanto, que cada deslumbrado do eurasianismo continue vendo nele só aquilo que bem entende, tapando os olhos para as partes desagradáveis. Se milhões de idiotas fizeram isso com o marxismo durante um século e meio, recusando-se a enxergar o plano genocida que ele trazia no seu bojo desde o princípio – e explicando "ex post facto" os crimes e desvarios como meros acidentes de percurso – , por que não haveriam de dar uma chance ao mais novo e fascinante estupefaciente revolucionário à venda no mercado?

sábado, 14 de junho de 2014

Rebeldes pró-russos abatem avião militar ucraniano e matam 49 pessoas

A operação militar ucraniana contra as forças separatistas [militares profissionais russos, combatentes guerrilheiros na Georgia, Chechênia e Afeganistão ] a operar no leste do país teve uma sexta-feira, 13, entre o céu e o inferno. Um vídeo amador divulgado este sábado na internet mostra o que garantem ser imagens do incêndio no terreno resultante da queda do avião militar ucraniano abatido horas antes pelos rebeldes, próximo da cidade da Luhansk.
O aparelho, um Il-76, transportava 49 militares a bordo, incluindo 40 paraquedistas, que rumavam à cidade de Luhansk, onde iriam substituir um outro batalhão das brigadas aerotransportadas às ordens do Governo da Ucrânia. O avião foi abatido pelos separatistas pró-russos com recurso a armamento antiaéreo de alto calibre.
Não há registo de sobreviventes, neste que é o maior revés para a Ucrânia desde que foi lançada, em abril, no leste do país, a operação militar contra os grupos separatistas, que reclamam a independência de regiões administrativas como a de Luhansk ou de Donetsk Oblast.
O grupo separatista que controla Luhansk acusou, por outro lado, a força aérea ucraniana de ter bombardeado a cidade industrial de Horlivka, a norte da cidade de Donetsk.
As últimas notícias provenientes de Luhansk dão conta de que os combates prosseguem este sábado nos arredores da cidade, onde o som das sirenes de alerta de ataques aéreos tem sido uma constante.
Em Mariupol, mais a sul, o governo da Ucrânia celebrou, entretanto, nesta sexta-feira, 13, uma importante vitória. A guarda nacional e as equipas especiais da polícia ucraniana retomaram o controle da cidade costeira no sudeste do país, que era controlada pelos separatistas pró-russos.
Mais de trinta rebeldes terão sido capturados pelo apelidado batalhão Azov, uma força especial de segurança nomeada a partir do mar que banha Mariupol e que estará a atuar no terreno às ordens do Ministério do Interior ucraniano.
Os confrontos, ainda assim, não cessaram na região. Já este sábado, uma coluna de veículos que transportava elementos das forças de segurança ucranianas foi atacado por separatistas à saída de Mariupol. Três guardas fronteiriços ucranianos foram mortos.
O ataque deu-se horas depois de dois caças ucranianos terem alegadamente bombardeado a esquadra da polícia da cidade Górlovka, a qual terá sido convertida em quartel-general dos rebeldes naquela zona, 50 quilômetros a norte de Donetsk.
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segunda-feira, 9 de junho de 2014

POROSHENKO QUER PACIFICAR O LESTE DA UCRÂNIA

Poroshenko quer pacificar o leste da Ucrânia no espaço de uma semana

09/06 00:37 CET

O novo presidente ucraniano fixou como objetivo pôr fim aos combates no Leste do país, no espaço de uma semana.
Os confrontos entre militantes pró-russos e forças ucranianas fizeram mais de 200 mortos nos últimos dois meses. Os separatistas controlam Donetsk e Lugansk, as duas principais cidades da região mineira de Donbass, e uma parte da fronteira com a Rússia.
Preservar a unidade do país é a principal prioridade de Petro Poroshenko, que assumiu a presidência no sábado (7 de maio).
Para tentar obter um cessar-fogo, o chefe de Estado lançou negociações inéditas com a Rússia, decididas durante o breve encontro entre Poroshenko e Vladimir Putin à margem das cerimônias dos 70 anos do Dia D na França.
O novo presidente estendeu a mão ao leste russófono, comprometendo-se com a descentralização do poder e com a garantia do uso livre do idioma russo.
A primeira rodada de negociações teve lugar já este domingo em Kiev.
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Pelo visto a Ucrânia jamais se livrará do jugo dos malditos russos ! O Cossaco.

sábado, 7 de junho de 2014

POSSE DE POROSHENKO COMO PRESIDENTE DA UCRÂNIA

Discurso de posse de Petro Poroshenko como Presidente da Ucrânia
Poroshenko fez o juramento de Presidente da Ucrânia

 
Em Kiev, o Verkhovna Rada da Ucrânia da cerimônia de posse do 5 º presidente da Ucrânia Poroshenko.


O Presidente, com a mão sobre o evangelho, disse:

"Eu Poroshenko pela vontade do povo eleito Presidente da Ucrânia, assumindo que este alto cargo, juro solenemente lealdade à Ucrânia. Comprometo-me com todos os seus compromissos para proteger a soberania e a independência da Ucrânia, para o bem da pátria e o bem-estar do povo ucraniano, para proteger os direitos e liberdades, respeitar a Constituição e as leis da Ucrânia, servir os interesses de todos os compatriotas, aumentar o prestígio da Ucrânia no mundo."


quarta-feira, 4 de junho de 2014

COMBATES NO LESTE DA UCRÂNIA PROSSEGUEM

03/06 19:54 CET

Violentos combates prosseguem no leste ucranianoOs violentos combates no leste ucraniano entre rebeldes [entenda-se militantes guerrilheiros profissionais russos infiltrados] e tropas governamentais continuam pelo segundo dia consecutivo com mortos e feridos em ambos os lados, de acordo com fontes governamentais.
Durante a noite o exército lançou uma ofensiva nos arredores de Slaviansk, o mesmo local onde os separatistas afirmam ter abatido um avião e mais um helicóptero, dados negados por Kiev e que carecem de confirmação.
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quinta-feira, 29 de maio de 2014

MOSAICO DE NOTÍCIAS



Caixões de guerrilheiros profissionais a serviço dos russos que foram mortos durante o assalto ao Aeroporto Internacional de Donetsk, 29 de maio de 2014.


 
Os ativistas fizeram piquetes setor público Yevromaydanu Departamento da SBU em Kiev exigindo processar o ex-chefe do Serviço de Segurança em Luhansk Oblast Alexander Petrulevycha devido a assistência aos terroristas e sabotadores na obtenção de armas e material classificado, 29 de maio de 2014.

Apreendidas armas russas em poder de guerrilheiros profissionais a soldo da Rússia por ocasião da retomada do aeroporto de Donetsk pelo exército ucraniano (Foto feita líder público Arsen Avakov MIA), 28 de maio de 2014.

 
Fumaça no aeroporto em Donetsk. Ataque Militar ucraniano para retomada do aeroporto sob controle de guerrilheiros pró-russos. 26 de maio de 2014.
 

 
Plataformas de armas e guerrilheiros militantes pró-russos no telhado do Aeroporto Internacional de Donetsk, 26 de maio de 2014. [Alguém acredita que se trata de simples cidadãos separatistas de Donetsk??? Quem fornece as armas? Por que a camuflagem? Por que as máscaras? Para encobrir a verdadeira identidade dos guerrilheiros profissionais russos que já atuaram na Chechênia e na Geórgia? - O Cossaco]

Caminhão com militantes indo na direção do aeroporto de Donetsk, 26 de maio de 2014. [Reparem que o caminhão é militar, mas está descaracterizado. Por quê? - O Cossaco

domingo, 25 de maio de 2014

POROSHENKO É O PROVÁVEL PRESIDENTE

 Petro Poroshenko (Foto), 48 anos, empresário ucraniano, deve ser o futuro Presidente da Ucrânia. Aguarda-se a divulgação oficial.


25 DE MAIO: ELEIÇÕES NA UCRÂNIA

As eleições ucranianas registram uma elevada participação em todo o país, com exceção do leste da Ucrânia, onde o receio de violência dificulta o voto. [ação de militantes guerrilheiros do Putin - o psicopata russo - enviados para tumultuar o processo eleitoral. O povo não sai às ruas por medo dos russos comunistas que infestaram a região e aterrorizam a população com ações militares. O Ocidente imagina que se trata da vontade popular de separatistas, quando na verdade são os cães do kamarada Putin que agem para criar factóides - O Cossaco]
De acordo com os observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), o escrutínio foi cuidadosamente organizado.
Cerca de 36 milhões de eleitores são chamados este domingo às urnas, na Ucrânia. Estas eleições representam para muitos ucranianos o culminar de meses de protestos contra um governo corrupto e a chance de realizar as reformas exigidas pelos manifestantes de Maidan.
O favorito deste escrutínio é Petro Poroshenko, a quem as últimas sondagens davam mais de 30 por cento das preferências de voto.
A antiga primeira-ministra Yulia Tymoshenko surgia nestas sondagens em segundo lugar, com apenas seis por cento.
Depois dos acontecimentos dos últimos meses, as pessoas percebem que nestas eleições se joga o destino do país.
Uma jovem mulher sublinhou que o país vai ser agora governado pelos ucranianos:

“Estas eleições vão ajudar a impedir que a nação vizinha interfira nos nossos assuntos – vamos ter um presidente legítimo e vamos construir o nosso futuro na Ucrânia com as nossas próprias mãos”

 
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quinta-feira, 22 de maio de 2014

UCRÂNIA PREPARA ELEIÇÕES QUENTES

22/05 05:01 CET

A Ucrânia vai às urnas no domingo [25/05/2014], para a primeira volta naquelas que são as eleições presidenciais mais quentes de sempre.
Petro Poroshenko e Yulia Timoshenko são os principais candidatos nestas eleições, que se seguem ao movimento popular que derrubou Viktor Yanukovych e que acontecem numa altura em que a ameaça da guerra civil paira sobre o país. Em certas zonas do leste, dominadas pelas milícias pró-russas, é mesmo impossível votar. O clima tenso nota-se também na capital, Kiev.
Vamos votar, com certeza. Queremos passar a mensagem do povo, que é a de que estamos fartos de nos ajoelhar e temos que recuperar a nossa dignidade. Vamos todos votar”, diz um homem de Kiev.
Para os eleitores do leste da Ucrânia, a situação não é evidente: “Sou de Slovyansk, na região de Donetsk. Estamos aqui de visita. Estamos impossibilitados de votar na nossa cidade, mas eu e a minha família devemos viajar até Kharkiv para podermos votar”, diz uma mulher.
Para garantir a segurança destas eleições, as autoridades ucranianas contrataram 70 mil profissionais, incluindo paramilitares que estiveram no Iraque. Em regiões como a de Dniepropetrovsk, estão a surgir milícias para impedir o avanço dos separatistas.
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A FARSA DO "REFERENDO"

Oleksandr Turchynov: A farsa que os terroristas chamam de “referendo” não terá nenhum efeito jurídico, além da responsabilidade criminal dos organizadores

12 Maio, 12:13
A farsa que os terroristas chamam de “referendo” não terá nenhum efeito jurídico, exceto a responsabilidade criminal dos seus organizadores, comentou o Presidente interino da Ucrânia, Presidente da Verkhovna Rada da Ucrânia Oleksandr Turchynov sobre o “referendo" realizado em Donbass.
"A farsa que os separatistas e terroristas chamam de “referendo” não é nada mais do que uma cobertura propagandística para assassinatos, sequestros, violência e outros crimes graves", - disse ele.
Segundo ele, estes processos devastadores para a economia das regiões de Donetsk e Lugansk, que realmente ameaçam à vida e ao bem-estar dos cidadãos, "são inspirados pela chefia da Federação Russa, cujo objetivo é a desestabilização total da situação na Ucrânia, a sabotagem das eleições presidenciais e a derrubada do governo ucraniano".
"Esta farsa propagandística não terá nenhum efeito jurídico, além da responsabilidade criminal dos seus organizadores", - disse o chefe do Parlamento, enfatizando que as autoridades ucranianas continuam a lutar contra os terroristas, subversores e criminosos.
"Ao mesmo tempo, - resumiu Oleksand Turchynov - o Governo dialogará com aqueles, no leste da Ucrânia, que não têm sangue nas mãos e estejam prontos para defender seus objetivos e opiniões por meios legítimos".

Fonte: Assessoria de Imprensa do Presidente da Ucrânia / Embaixada da Ucrânia no Brasil.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

PSEUDOREFERENDO


Pseudoreferendo nas regiões de Donetsk e Lugansk é uma tentativa dos terroristas de encobrir os seus crimes - Chefe interino da Administração do Presidente da Ucrânia.
11 Maio, 12:09
O chamado referendo nas regiões de Donetsk e Lugansk é uma tentativa dos terroristas de encobrir os seus crimes, disse o Chefe interino da Administração do Presidente da Ucrânia Serguiy Pashynskyi durante uma coletiva de imprensa.
"De fato não se realiza nenhum referendo lá. Isso não é nada mais do que uma campanha de informação dos terroristas para encobrir os seus crimes com a opinião dos moradores de Donetsk e Lugansk", - salientou Serguiy Pashynskyi.
Ele sublinhou que para realizar um referendo no território onde vivem 6 milhões de pessoas é necessário abrir milhares de urnas de votação e organizar o trabalho das comissões eleitorais.
"Nos dois terços do território das regiões de Donetsk e Lugansk não há nenhum referendo, e em algumas cidades grandes controladas pelos terroristas hoje têm lugar, de fato, uns minicomícios fixados nas cédulas de votação feitas com impressora", - disse ele.
Também o Chefe interino da Administração do Presidente enfatizou que os funcionários públicos das regiões de Donetsk e Lugansk que participarem neste ato criminoso, serão responsabilizados de acordo com as leis da Ucrânia.
"Nós reagiremos duramente, de acordo com as leis da Ucrânia, a quaisquer manifestações de separatismo e terrorismo", - reiterou Serguiy Pashynskyi.

Fonte: Assessoria de Imprensa do Presidente da Ucrânia / Embaixada da Ucrânia no Brasil.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

NO CERNE DA CRISE NA UCRÂNIA

Caro Leitor:
Ouça a gravação desta palestra para entender não só a crise na Ucrânia, mas como ela afeta todo o mundo e, em especial, o Brasil e a América Latina.
O Cossaco.

No cerne da crise na Ucrânia: uma ofensiva que afronta e busca embair [enganar, seduzir] o Ocidente;


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Kiev aperta cerco no Leste, mas sofre baixas.



Quatro elementos das forças ucranianas foram mortos e mais de 30 ficaram feridos em combates com os separatistas em Slaviansk. Milícias pró-russas derrubaram um helicóptero e continuam a controlar o centro da cidade.

Um soldado ucraniano assume posição à entrada da cidade de Slaviansk VASILi MAXIMOV/afp

As forças leais ao Governo interino da Ucrânia reforçaram nesta segunda-feira a ofensiva contra as milícias pró-russas na cidade de Slaviansk, o bastião dos separatistas na manta de retalhos em que se transformou o Leste do país.

Pelo menos quatro paramilitares ucranianos foram mortos e 30 ficaram feridos, segundo as informações avançadas pelo Ministério do Interior, mas o número de vítimas mortais nas primeiras horas desta segunda-feira pode ter chegado às duas dezenas, entre civis e combatentes de ambos os lados.

Mais uma vez, o motivo deste novo surto de violência é explicado de forma diferente consoante a fonte da informação: o Governo ucraniano garante que as suas forças foram emboscadas pelos "terroristas" pró-russos, e os líderes dos separatistas dizem ter sido atacados pelos "fascistas" no poder em Kiev.

"Pela manhã, um esquadrão que integra a operação antiterrorista foi alvo de uma emboscada de grupos terroristas. Eles estão a usar armamento pesado", acusou o ministro do Interior ucraniano, Arsen Avakov. Nos combates que se seguiram, quatro elementos da polícia paramilitar da Ucrânia foram mortos e mais de 30 ficaram feridos, anunciou o governante.

Do lado dos separatistas, o líder das autoproclamadas forças de autodefesa de Slaviansk, Igor Strelkov, disse à agência de notícias russa RIA Novosti que os combates começaram depois de um ataque das forças leais a Kiev contra um posto de controle pró-russo à entrada de Slaviansk.

A responsabilidade pelo início dos combates desta segunda-feira diverge, mas a descrição de alguns pormenores é semelhante – ambos os lados dizem ter sido emboscados por grupos de homens sem uniforme, e um dos lados acusa o outro de usar armamento pesado.

"Sofremos baixas – morreram cerca de dez pessoas, incluindo civis, e entre 20 e 25 ficaram feridas. Não sei quantas baixas é que os nossos adversários sofreram, mas são claramente inferiores às nossas, porque eles têm armamento pesado. A maioria das nossas baixas é da responsabilidade de [tropas] vestidos à civil. Caímos na emboscada deles perto de uma estação de combustível", disse o líder separatista Igor Strelkov à agência RIA Novosti. (Alguém acredita que os separatistas são cidadãos pró-russos? É claro que são soldados guerrilheiros enviados por Moscou e infiltrados no meio da população. As técnicas de emboscada são táticas de guerra e da guerrilha bem treinada! - O Cossaco).

Na sequência dos combates, as milícias pró-russas derrubaram um helicóptero das forças ucranianas com tiros de artilharia pesada, avançou o Ministério da Defesa da Ucrânia. O aparelho – um Mi-24 de fabrico soviético – caiu num rio nas proximidades de Slaviansk, mas os seus ocupantes sobreviveram e foram resgatados.

Reforço da ofensiva em Slaviansk
No centro de Slaviansk – ainda dominado pelos separatistas pró-russos –, os sinos da igreja soaram e uma sirene alertou a população para a iminência de um ataque aéreo assim que as forças de Kiev deram mostras de quererem reforçar a operação para reconquistar o controle da cidade.

A ofensiva das forças de Kiev contra os separatistas pró-russos em Slaviansk era esperada desde domingo, quando o exército ucraniano cortou a circulação na principal estrada de acesso à cidade.

De acordo com a agência russa Interfax, os combates desta segunda-feira levaram os cerca de 800 separatistas a retirarem-se cada vez mais para o centro de Slaviansk, depois de terem perdido o controle de uma torre de televisão à entrada da cidade.

"A única opção é avançar aos poucos em direção a Slaviansk", disse o ministro do Interior ucraniano – e o objetivo de confinar os combatentes pró-russos ao centro da cidade já foi alcançado, anunciou o chefe da Guarda Nacional da Ucrânia, Stepan Poltorak.

"Os nossos adversários estão bem treinados e bem equipados. Estão a fazer tudo o que podem para nos obrigar a usar armamento pesado, mas não vamos fazê-lo para pouparmos a população civil", disse o responsável, citado pela agência AFP.

sábado, 3 de maio de 2014

Serviços de informação da Ucrânia denunciam ataque orquestrado pela Rússia sobre Odessa


Violência na terceira cidade ucraniana, junto ao Mar negro, matou 46 pessoas. "O que está acontecendo no país não é uma revolta passageira, é uma guerra", considera o responsável da unidade anti-terrorismo.

 
 Polícia montou cordão de segurança em torno do edifício incendiado REUTERS/Gleb Garani

Os candidatos à presidência da Ucrânia acorreram neste sábado para Odessa, a terceira maior cidade do país, e que acordou praticamente em estado de sítio depois de uma batalha campal entre claques de futebol apoiantes do Governo de Kiev e ativistas pró-russos, que culminou no incêndio do edifício onde se refugiaram os separatistas. O conflito fez pelo menos 46 mortos – a maior parte das vítimas sucumbiu ao fogo, mas várias foram mortalmente atingidas a tiro. O Governo decretou dois dias de luto.


Os sinais da violência da véspera estavam por todo o lado. Nas imediações da central sindical que foi ocupada pelos rebeldes, sentia-se um cheiro intenso a querosene: aparentemente, o fogo deveu-se ao arremesso de cocktails molotov. Perfilado à volta do edifício, um cordão de polícias de choque resistia aos insultos de uma multidão pró-russa.

Segundo os serviços de segurança da Ucrânia (SBU), nos confrontos de sexta-feira estiveram envolvidos “grupos paramilitares e mercenários da Transnístria”, uma província da Moldávia, que estarão a soldo dos rebeldes pró-russos. “Os incidentes do dia 2 de Maio em Odessa, que fizeram dezenas de vítimas, resultaram da interferência estrangeira”, resumiu a porta-voz da SBU, que apontou o antigo vice primeiro-ministro Sergei Arbuzov e o ex-ministro das Finanças, Alexander Klimenko, como os financiadores das manobras para desestabilizar a região do mar Negro.

O ex-pugilista Vitali Klitschko, líder do partido Udar (Murro), apareceu com Petr Poroshenko, o candidato à presidência que lidera as sondagens para as eleições marcadas para 25 de Maio. A sua adversária política yulia Tymoshenko, foi para a cidade logo na sexta-feira à noite. Os principais protagonistas políticos da Ucrânia “unida” esforçaram-se por transmitir a ideia de um ataque injustificado e orquestrado pela Rússia. “O desastre poderia ter sido evitado”, disse Poroshenko, acusando a polícia de Odessa de inação. “Esta tragédia foi produzida pelo Kremlin, que está a tentar criar um cenário jugoslavo para retalhar o país”, atacou Tymoshenko.

Em Odessa, como em Donetsk, Slaviansk e Kramatorsk – onde violentos confrontos entre o Exército ucraniano e as forças rebeldes pró-russas se prolongavam pelo segundo dia consecutivo –, cada vez é mais difícil iludir ou disfarçar o ambiente de desagregação iminente que paira no ar. “O que está acontecendo na região de Donetsk e no Leste do país não é nenhuma espécie de revolta passageira: é uma guerra”, resumiu à Reuters o responsável pela unidade anti-terrorismo da Ucrânia, Vasil Krutov.

Como Tymoshenko, os veteranos repórteres de guerra europeus diziam neste sábado que já tinham visto este filme: há mais de 20 anos, quando a união das repúblicas que formam hoje a ex-Iugoslávia entrou em colapso. “Mas desta vez, a grande potência com poder e influência é o vizinho do lado”, distinguia Jeremy Bowen, da BBC.

A Rússia negou qualquer responsabilidade na violência de sexta-feira (até agora o dia mais sangrento desde o início da sublevação separatista) e insistiu que a multiplicação de incidentes em vários pontos do país, é a prova irrefutável de que a Ucrânia não está em condições de realizar eleições no final do mês. “A ideia é absurda”, considerou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Em declarações à Reuters, o assessor sublinhou que Moscou tem recebido “milhares” de pedidos de assistência da população ucraniana que fala russo. “As pessoas pedem apoio, estão desesperadas. Naturalmente, estes pedidos são transmitidos ao Presidente”, informou Peskov. Pelo seu lado, os aliados ocidentais têm apelado ao Kremlin para “refrear” os ânimos dos separatistas ucranianos – no entanto, como admitiu o porta-voz de Putin, as autoridades russas perderam a sua capacidade de influenciar as ações dos militantes armados. “Esse elemento é absolutamente novo para nós”, frisou.

Em mais um telefonema para debater os últimos desenvolvimentos da crise ucraniana, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, repetiu que Moscou tem deixar de colaborar com os separatistas e respeitar a integridade territorial do país vizinho. Na resposta, o seu homólogo russo, Sergei Lavrov, disse que o Ocidente devia pressionar o Governo interino de Kiev a desistir da ofensiva militar no Leste, que “ameaça mergulhar o país num conflito fratricida”.

Em Slaviansk e Kramatorsk, a operação militar para dominar os separatistas e recuperar o controle dos edifícios tomados pelos rebeldes foi “reativada” nas primeiras horas da madrugada, informou o ministro do Interior, Arsen Avakov, que garantiu que as tropas ucranianas “não vão parar de avançar”.

Aurora em Odessa, pesada e sombria