segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

CESSAR-FOGO

Ucrânia diz não estar pronta para retirar armas pesadas devido a violação do cessar-fogo

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015 10:45 BRST

KIEV/MOSCOU (Reuters) - As forças armadas ucranianas não estão prontas para retirar armamentos pesados, como acordado nas conversas de paz em Minsk, capital de Belarus, porque os separatistas estão violando o cessar-fogo, afirmou o porta-voz dos militares em Kiev nesta segunda-feira.
O acordo de Minsk entre Ucrânia, Rússia, Alemanha e França determinou que os militares ucranianos e os rebeldes apoiados pela Rússia começassem a remover a artilharia e as armas de grande calibre 48 horas depois que o cessar-fogo entrasse em vigor.
Mas o porta-voz Andriy Lysenko disse que os separatistas continuaram a atacar posições do governo e que cinco soldados ucranianos foram mortos e 25 ficaram feridos desde que a trégua teve início, na meia-noite de sábado pelo horário local.
“A pré-condição da retirada de armamentos pesados é cumprir o primeiro ponto dos acordos de Minsk – o cessar-fogo. Cento e doze ataques não são um indicador de cessar-fogo. No momento, não estamos prontos para retirar os armamentos pesados”, declarou Lysenko em um boletim.
Em resposta, os separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia disseram que estão prontos para retirar seus armamentos pesados quando a Ucrânia baixar suas armas, segundo noticiou a agência Interfax.
(Reportagem de Pavel Polityuk e Thomas Grove)
 
As armas pesadas nas mãos dos mercenários no leste da Ucrânia vieram de onde? Quem as forneceu? O Cossaco

domingo, 15 de fevereiro de 2015

CESSAR FOGO: ATÉ QUANDO?

As armas calaram-se em (quase) toda a Ucrânia

Forças ucranianas e separatistas cumprem o cessar-fogo "de uma forma geral", segundo a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa. Situação em Debaltseve continua por resolver.
 
Tal como em Setembro do ano passado, durante a primeira tentativa de cessar-fogo no Leste da Ucrânia, as armas do Exército ucraniano e dos separatistas pró-russos voltaram a calar-se "de uma forma geral" na noite de sábado para domingo, à hora marcada para o início de uma trégua assinada há três dias em Minsk.
Os observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) registaram "confrontos esporádicos" nas proximidades das cidades de Donetsk, Lugansk e Gorlivka (todas sob controle dos separatistas), mas o cenário mais preocupante é Debaltseve, onde milhares de soldados ucranianos tentam resistir ao cerco dos rebeldes pró-russos.
A julgar pelas declarações dos separatistas, o eventual sucesso do cessar-fogo terá de ser avaliado sem levar em conta a situação em Debaltseve – nesta cidade, que é também um importante nó ferroviário entre Donetsk e Lugansk, os combates só vão parar quando os soldados ucranianos se renderem.
"É claro que podemos abrir fogo [sobre Debaltseve]. Está localizada no nosso território. Mas ao longo da linha de confronto não há ataques", disse à agência Reuters um dos comandantes rebeldes, Eduard Basurin.
Debaltseve está debaixo de uma cortina de fogo constante, com os separatistas a tentarem conquistá-la e os soldados fiéis a Kiev a tentarem defendê-la. O Governo ucraniano e os Estados Unidos dizem que os rebeldes foram reforçados com armamento pesado enviado pela Rússia, já depois do acordo assinado na manhã de quinta-feira em Minsk. O Presidente russo, Vladimir Putin, nega estar a apoiar militarmente os separatistas e diz ser apenas um intermediário interessado na paz no Leste da Ucrânia. [Esse Putin é um CÍNICO, MENTIROSO, PSICOPATA !!! O Cossaco]
Na primeira conferência de imprensa após o início do cessar-fogo, realizada ao início da tarde de domingo, os responsáveis da OSCE disseram que os seus observadores foram impedidos pelos separatistas de entrarem em Debaltseve.
"Tentámos enviar os nossos observadores para Debaltseve, mas a nossa missão foi travada pela autoproclamada República Popular de Donetsk. Apelamos a todas as partes a aderirem totalmente ao cessar-fogo em todas as zonas e a garantir o acesso da OSCE a todas as áreas, para que possamos cumprir a nossa missão de monitorizar o cessar-fogo", disse Ertugrul Apakan, responsável máximo da missão especial da OSCE para a Ucrânia.
 

 
Apesar da situação em Debaltseve, Ertugrul Apakan disse que o cessar-fogo "manteve-se de uma forma geral nas primeiras 12 horas".
Em Mariupol – outra cidade ainda controlada pelas forças fiéis ao Governo de Kiev que tem sido alvo de várias tentativas de conquista por parte dos separatistas – a missão da OSCE "não observou qualquer violação do cessar-fogo". À exceção de uma ou outra troca de tiros, também nas cidades de Donetsk, Lugansk e Gorlivka a manhã de domingo foi de raro sossego para a população civil.
Casais aproveitaram para levar os seus filhos a passear na Praça Lenine, em Donetsk, onde no sábado apenas se ouvia o barulho de peças de artilharia. Outros habitantes passeavam de bicicleta ou pescavam num rio coberto por uma camada de gelo.
Numa estrada perto da pequena cidade de Svitlodarsk, a alguns quilómetros do inferno de Debaltseve, soldados ucranianos aproveitaram a pausa nos combates para jogar à bola, entre tanques e outros veículos militares, numa demonstração de que o cessar-fogo estava de facto a ser cumprido "de uma forma geral", como observaram os membros da OSCE.
Mas a aparente acalmia está longe de garantir o eventual sucesso do cessar-fogo, ainda que as partes em confronto tratem a violência em Debaltseve como se fosse um caso à parte. Os primeiros dias da trégua aprovada em Setembro do ano passado também foram de relativa calma, mas os combates acabaram por regressar, em muitos casos com uma intensidade e devastação ainda maiores do que antes.
Numa declaração transmitida diretamente pela televisão na noite de sábado para domingo, o Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, deu ordens às suas tropas para que deixassem de atacar as posições dos separatistas, mas avisou que não irá "dar a outra face" se o seu Exército for atacado. [Esse Poroshenko é um Chuchu. Fala muito e age pouco – O Cossaco]
"Em Minsk, nós estávamos prontos para um cessar-fogo imediato, mas por uma razão que conseguimos perceber, os nossos homólogos exigiram mais 60 horas", disse Poroshenko, numa referência indireta à batalha pela cidade de Debaltseve.
"Mas pagámos um preço muito elevado por estas 60 horas, porque dezenas de civis ucranianos, incluindo crianças e mulheres, foram mortos", disse ainda o Presidente da Ucrânia.

RÚSSIA REFORÇA SEPARATISTAS ANTES DO CESSAR-FOGO

Ucrânia acusa Rússia de reforçar separatistas antes do cessar-fogo


Moscou diz que é a retórica de Kiev que põe em perigo o fim dos combates. Batalhões de voluntários ucranianos prometem continuar a atacar rebeldes.
A cidade de Debaltseve está cercada pelos combatentes pró-russos ANDREY BORODULIN/AFP
A esperança de que o Exército ucraniano e os separatistas pró-russos baixem as armas este fim-de-semana vai-se esfumando à medida que se aproxima a hora marcada para o início do cessar-fogo. O Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, acusou diretamente a Rússia de ter intensificado os bombardeamentos contra a cidade de Debaltseve, e vários batalhões de voluntários fiéis ao Governo de Kiev garantem que vão continuar a lutar contra os rebeldes.
"Depois do que acordámos em Minsk, não se trata já de um ataque contra a população civil da Ucrânia nem contra os militares ucranianos. É um ataque contra os acordos de Minsk", disse o Presidente ucraniano, referindo-se aos resultados da reunião de cúpula que decorreu entre quarta e quinta-feira na capital da Bielorrússia, promovida pela chanceler alemã, Angela Merkel, e pelo Presidente francês, François Hollande.
"Sem qualquer explicação, a Rússia intensificou de forma significativa a sua operação ofensiva depois de Minsk. O acordo de Minsk continua a estar em perigo", afirmou Petro Poroshenko.
A resposta de Moscou chegou através de um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros. No documento, as autoridades russas dizem-se "preocupadas" com o que consideram ser a tentativa de Kiev e do Ocidente de "deformarem" os pontos do acordo alcançado na quinta-feira, que inclui um cessar-fogo incondicional a partir das 0h00 de domingo na capital ucraniana.
Para Moscou, os separatistas das autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Lugansk "mostraram uma atitude responsável para com os seus compromissos", mas "as declarações dos políticos ucranianos em Kiev suscitam desconfiança". "Reafirmamos a principal mensagem dos acordos de Minsk de pôr fim aos combates, de retirar o armamento pesado e de dar início a uma verdadeira reforma constitucional na Ucrânia", lê-se no comunicado.
No final de 16 horas de negociações, os líderes da Alemanha, de França, da Rússia e da Ucrânia deram o seu aval a um documento com 13 pontos que prevê, para além de um cessar-fogo, medidas como a realização de eleições e a concessão de uma maior autonomia às províncias separatistas ao longo dos próximos meses.
Para além dos obstáculos ao consenso sobre o futuro estatuto político das províncias de Donetsk e Lugansk (a Ucrânia apenas admite uma maior descentralização e os separatistas exigem a independência, por exemplo), o acordo promovido por Angela Merkel e François Hollande nada diz sobre a situação particular do cerco a Debaltseve.
Situada a meio caminho entre as cidades de Donetsk e Lugansk (ambas controladas pelos separatistas pró-russos), Debaltseve está ainda sob controlo das forças governamentais ucranianas, mas tem sido devastada por bombardeamentos constantes.
De acordo com a agência Reuters, Debaltseve é alvo da artilharia dos rebeldes pró-russos "quase todos os minutos". O repórter da agência disse ter visto uma coluna de veículos militares com peças de artilharia e tanques a passar por um posto de controlo dos separatistas, a cerca de dez quilômetros de Debaltseve. Um dos combatentes, que falou à Reuters sob a condição de anonimato, disse que as suas forças estavam a ser apoiadas por "convidados que vieram da Rússia".
"Os separatistas estão a destruir Debaltseve. O bombardeamento de áreas residenciais e de edifícios civis continua. A cidade está a arder", disse o chefe da polícia da região de Donetsk, Viacheslav Abroskin, citado pela BBC.
O vice-ministro da Defesa da Ucrânia, Petro Mekhed, acusou os separatistas de quererem "içar a sua bandeira" em Debaltseve antes do início do cessar-fogo.
Mais a Sul, perto de Mariupol, há também relatos de combates entre batalhões de voluntários ao serviço do Exército ucraniano e combatentes separatistas.
À intensificação do ataque dos rebeldes pró-russos contra Debaltseve soma-se a promessa da violação do cessar-fogo por parte de voluntários ucranianos, como os membros do batalhão neonazi de Azov, que defende a cidade de Mariupol, e os ultranacionalistas do Setor Direito.
Dmitro Iarosh, líder do grupo paramilitar que desempenhou um importante papel nas manifestações que levaram à queda do antigo Presidente ucraniano Viktor Ianukovich, disse que qualquer acordo com "os terroristas pró-russos" é "inconstitucional" e defendeu "o direito de continuar a realizar operações militares".
A guerra no Leste da Ucrânia começou em Abril do ano passado, semanas depois da anexação da península da Crimeia pela Rússia, com a ocupação de edifícios governamentais por combatentes pró-russos. A NATO [OTAN], os Estados Unidos e a União Europeia acusam o Presidente Vladimir Putin de ter fomentado o conflito e de apoiar militarmente os separatistas, uma acusação que Moscou sempre negou.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

NOVAS SANÇOES CONTRA RÚSSIA

Canadá introduz novas sanções contra a Rússia


Canadá introduz novas sanções contra a Rússia

26 de janeiro de 2015 14:55
Canadá vai introduzir sanções adicionais contra a Rússia por causa de descascar bairro residencial de Mariupol, o que resultou em numerosas vítimas.
O ministro do Comércio Internacional do Canadá Edward em uma rápida reunião em Kiev na segunda-feira, informa Gazeta.ua, "Em conexão com a tragédia em Mariupol Canadá decidiu introduzir medidas adicionais contra a Rússia Faremos isso em cooperação com nossos aliados - Estados Unidos e a UE. Estamos indignados pelos acontecimentos em Mariupol e indignados que a agressão russa contra a Ucrânia. Nós estaremos juntos com o povo ucraniano e forneceremos todo o apoio necessário para a Ucrânia que retornou à vida civil e tornou-se um país próspero," 
Fonte: Castelo Alto.

domingo, 25 de janeiro de 2015

GUERRILHEIROS RUSSOS ATACAM MARIUPOL NA UCRÂNIA






Ataque contra Mariupol rasga cessar-fogo que nunca saiu do papel


Cerca de 300 mortos nos últimos 15 dias, ataques com rockets contra escolas, paragens de autocarro e blocos de apartamentos. É cada vez mais difícil salvar o que resta do Sudeste ucraniano.
Corpos espalhados pelas ruas, uns cobertos com lenços a tapar-lhes a face, outros mais expostos, com marcas visíveis da devastação provocada por uma tempestade de rockets que se abateu sobre um jardim-de-infância, uma escola e blocos de apartamentos na cidade ucraniana de Mariupol, na manhã de sábado [24].
As imagens que circulam pela Internet mostram aquilo a que só alguns discursos políticos mais desesperados teimam em fugir: se é verdade que o cessar-fogo assinado em Setembro do ano passado entre representantes do Governo de Kiev e dos rebeldes pró-russos nunca chegou a ser cumprido na totalidade, agora já não há dúvidas de que a guerra no Leste da Ucrânia voltou a atingir um pico de violência extrema. Não são ataques, não é um conflito: é uma guerra que já fez quase cinco mil mortos, cerca de 300 nos últimos 15 dias. [A imprensa continua a desinformar o mundo criminosamente. Não existem "rebledes pró-russos" o que existe são guerrilheiros mercenários russos infiltrados no território ucraniano atuando como se fossem ucranianos pró-Rússia. De onde vem as armas? Como a população civil sabe usá-las tão bem? - O Editor.]
No domingo, os observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) foram a Mariupol tentar perceber o que aconteceu, e quem terá sido responsável pela morte de pelo menos 30 civis, num ataque comrockets Grad e Uragan, que caíram sem parar durante 35 segundos em tudo menos em alvos militares.
O local mais atingido foi a rua Olimpiiska e a sua área circundante, a pouco mais de oito quilômetros do centro da cidade, mas a apenas 400 metros de um posto de controle das Forças Armadas da Ucrânia.
"A missão observou múltiplos impactos em edifícios, lojas, habitações e numa escola. Os observadores [da OSCE] viram automóveis em chamas e janelas estilhaçadas na parte virada para Nordeste de um edifício de apartamentos com nove andares. Os observadores contaram 19 ataques com rockets, mas estão certos de que houve mais", lê-se no relatório.
A linguagem da OSCE é cuidadosa, mas ainda assim aponta as palavras na direção dos rebeldes pró-russos: "De acordo com a análise dos impactos, osrockets Grad foram lançados de uma posição a Nordeste, na área de Oktiabr (19 quilômetros a Nordeste da rua Olimpiiska), e os rockets Uragan foram lançados de uma posição a Leste, na área de Zaishenko (15 quilómetros a Leste da rua Olimpiiska), ambas controladas pela 'República Popular de Donetsk'" – as aspas estão no original.
Rebeldes acusam Kiev
Alexander Zakharshenko, o líder da autoproclamada República Popular de Donetsk, garante que não – para o rebelde pró-russo, os rockets que caíram na cidade portuária de Mariupol foram lançados pelo Exército ucraniano, com o objetivo de atrair para lá as forças rebeldes, que estão concentradas em defender a conquista do aeroporto internacional de Donetsk.
"Até agora, não estávamos a realizar nenhuma operação nas imediações de Mariupol. Estamos a poupar esforços", disse Zakharshenko, citado pela agência russa RIA-Novosti. Mas agora a estratégia vai mudar, disse o líder rebelde: "Depois de Kiev ter decidido culpar-nos pelo seu ataque com rocketsGrad contra áreas residenciais em Mariupol, dei ordens para que as posições dos militares ucranianos a Leste de Mariupol sejam suprimidas."
O líder dos rebeldes garantiu ainda que os habitantes de Mariupol não têm nada a temer – ao contrário do que tinha sido avançado por várias agências internacionais no sábado, citando o próprio Alexander Zakharshenko, as forças pró-russas garantem agora que não têm qualquer intenção de lançar um ataque para conquistar a importante cidade portuária.
Enquanto dezenas de civis morrem por estes dias nas ruas de cidades como Mariupol e Donetsk (onde um ataque com rockets matou 13 civis na semana passada), a União Europeia (UE) marcou uma reunião extraordinária para a próxima quinta-feira. O anúncio foi feito no Twitter por Federica Mogherini, responsável pela política externa da UE.
Mogherini disse também que os rockets lançados contra zonas civis em Mariupol vão fragilizar ainda mais as relações da UE com a Rússia, acusada por Kiev e pela NATO de alimentar as forças rebeldes com quase 10.000 combatentes, a que Moscou chama "voluntários". Na mesma declaração, a italiana voltou a pedir a Moscou que exerça "a sua influência sobre os líderes separatistas e que ponha fim a qualquer forma de apoio militar, político ou financeiro".
Neste domingo, foi a vez do ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, de fazer um pedido a Federica Mogherini, numa conversa telefônica – para além de reiterar a posição de Moscovo de que o Presidente Vladimir Putin nunca ordenou o envio de tropas russas para o Leste da Ucrânia, Lavrov pediu a Mogherini que exerça a sua influência sobre o Governo de Kiev para que todas as partes se voltem a sentar à mesa de negociações, culpando o Exército ucraniano pelas dezenas de mortes entre a população civil nos últimos dias.



sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

RETROSPECTIVA 2014

O ano em que fanou a imagem de Vladimir Putin

O passado glorioso dos mártires cristãos inspirou a reação ucraniana
O passado glorioso dos mártires cristãos inspirou a reação ucraniana
Na passagem de 2013 para 2014, vivia-se na Praça Maidan, da capital ucraniana, um clima nobremente condizente com o passado glorioso dos mártires cristãos e oposto ao da conciliação da Igreja com os seus inimigos.

Sob um frio de muitos graus negativos, bispos e sacerdotes dos ritos greco-católico e latino sustentavam espiritualmente a resistência dos ucranianos que não queriam o retorno de um comunismo metamorfoseado na fachada, mas igual na essência; daquele comunismo que tentou liquidar na Ucrânia a Igreja Católica e que exterminou pela fome milhões de camponeses pobres.

Em barracas transformadas em capelas e sob a égide de uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, esses sacerdotes católicos rezavam a Missa, batizavam, confessavam, não raras vezes sob as balas e os ataques da polícia do regime pró-Rússia (“La Croix”, 17-1-14). 

sábado, 10 de janeiro de 2015

MILHARES DE NACIONALISTAS DESFILAM EM KIEV

 
Vários milhares de apoiantes da da direita ucraniana desfilaram em Kiev para comemorar o aniversário do antigo líder nacionalista Stepan Bandera, nascido há 106 anos.
Personagem controversa na Ucrânia, Bandera é visto por alguns como herói nacional e símbolo da luta pela independência da antiga-república soviética, enquanto outros o acusam de ter colaborado com os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.
O desfile foi organizado por duas formações da direita ucraniana. Valentina Barchiuk, economista e membro do partido Svoboda, defende que Bandera “já dizia que a Rússia era o inimigo e hoje vemos que é exatamente assim, pois atacou a Ucrânia independente e provou que as suas palavras eram verdade”.
A marcha decorre este ano num contexto de crise no leste do país, onde há vários meses grupos separatistas pró-russos combatem o Exército ucraniano depois de terem autoproclamado duas repúblicas independentes nas regiões de Donetsk e Lugansk.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Kiev e rebeldes avançam para nova tentativa de pôr fim à violência

Decretado “dia do silêncio” para a próxima semana que vai servir para avaliar possibilidade de cessar-fogo permanente no Leste.

 Conflito na Ucrânia já fez 4300 mortos desde Abril ANATOLII STEPANOV / AFP
É a mais recente tentativa de travar a violência no Leste da Ucrânia. Na próxima terça-feira vai ser declarado um “dia do silêncio”, que deverá marcar o fim das hostilidades entre o exército e as forças separatistas pró-russas. Porém, no terreno os confrontos permanecem e as várias quebras de acordos de cessar-fogo anteriores trazem incerteza quanto à validade das tréguas.

O anúncio foi feito pelo Presidente, Petro Poroshenko, através de um comunicado publicado quinta-feira no seu site. A notícia foi confirmada pelo lado separatista, através do presidente do parlamento da autoproclamada República Popular de Donetsk, Andrei Purguine.

O acordo foi alcançado no âmbito do grupo de contacto mediado pela Organização para a Cooperação e Segurança na Europa (OSCE) e que conta com representantes do Governo de Kiev, das forças rebeldes e da Rússia. Tratou-se de um compromisso “oral”, contou à AFP uma fonte separatista, e para isso contribuiu o facto de os dois lados estarem “cansados dos tiros sem qualquer sentido”.

Desde 5 de Setembro – data em que foi assinado um acordo de cessar-fogo em Minsk – que têm sido ensaiadas várias tentativas de pôr fim à violência, sempre sem sucesso. O memorando de Minsk previa o recuo de 15 quilômetros do armamento pesado ao longo da linha da frente, de forma a criar uma zona-tampão. Porém, os confrontos continuaram, sobretudo na área do aeroporto de Donetsk e em zonas urbanas de Lugansk. Durante o período do cessar-fogo que não o chegou a ser morreram mais de mil pessoas, no total das mais de 4300 vítimas mortais do conflito iniciado em Abril.

Com o falhanço reconhecido do acordo de Minsk, os intervenientes no conflito foram tentando implementar tréguas sectoriais. Na segunda-feira, foi anunciado um cessar-fogo na área do aeroporto de Donetsk e um acordo “de princípio” para o fim das hostilidades em Lugansk a vigorar dias depois.

Mas o desenvolvimento no terreno rapidamente dissipou qualquer esperança nos acordos firmados. Bombardeamentos esta quinta-feira provocaram a morte de um homem e feriram a sua mulher num distrito de Donetsk, controlado pelas forças rebeldes, segundo a Reuters. As forças armadas ucranianas comunicaram a morte de seis soldados e treze feridos, nos combates das últimas horas – um dos balanços mais pesados em semanas. O porta-voz do exército, Andrei Lisenko, afirmou que as forças rebeldes sofreram igualmente “muitas baixas” durante três tentativas em romper as linhas ucranianas.

A persistência dos confrontos abre espaço a um crescente cepticismo e impaciência de parte a parte. “Temos perdas humanas e sofrimento todos os dias”, lamentou o ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros, Pavlo Klimkin, durante uma reunião ministerial da OSCE em Basileia, em que pediu “uma verdadeira implementação” do acordo de cessar-fogo e “não apenas compromissos e palavras”.

O seu homólogo russo, Sergei Lavrov, também em Basileia, fez apelos no mesmo sentido, lembrando que “um cessar-fogo já foi anunciado antes” e que “acabou por diminuir consideravelmente a violência, mas não totalmente”. Lavrov garantiu ainda que o Governo russo irá desdobrar-se em contactos para “persuadir todos a respeitar os compromissos, assim como tudo aquilo que foi acordado em Minsk”. Um fim das hostilidades poderia levar a uma diminuição da escala das sanções económicas actualmente em vigor contra a Rússia.

Terá de se esperar até terça-feira para verificar se não haverá, como até aqui, mais quebras nas palavras dos dois lados do conflito. Ao que tudo indica, o “dia de silêncio” irá servir como um indicador acerca das reais possibilidades para que um cessar-fogo definitivo seja alcançado. Uma fonte próxima da presidência ucraniana, citada pela AFP, esclareceu que, “caso [o dia de tréguas] seja respeitado, o recuo da artilharia pesada será iniciado a 10 de Dezembro”.

Fonte: Publico.pt