No Ano da Unidade Global
Ucraniana, a Cúpula da Comunidade Ucraniana Mundial reuniu em Berna mais de 350
participantes e convidados de comunidades, organizações e instituições
ucranianas de mais de 50 países do mundo. Organizada pelo Congresso Mundial dos
Ucranianos em cooperação com a Sociedade Ucraniana na Suíça e em parceria com o
Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, a Cúpula foi uma manifestação do
compromisso comum da diáspora ucraniana com a Ucrânia, o povo ucraniano e o
futuro da nação ucraniana.
Acima de tudo, a Cúpula presta
homenagem às Forças Armadas da Ucrânia, às forças de segurança e defesa, aos
serviços de emergência e a todos aqueles que, arriscando suas próprias vidas,
defendem diariamente a Ucrânia e o povo ucraniano. A Cúpula confirma a
disposição inabalável da diáspora ucraniana de permanecer unida e determinada
no apoio a essa luta, bem como sua dedicação inabalável ao desenvolvimento
democrático da Ucrânia, ao seu futuro europeu, ao Estado de Direito, à
liberdade e à dignidade humana.
Neste momento em que a Ucrânia
enfrenta uma agressão russa em grande escala, defendendo a liberdade, a
segurança europeia e os princípios do direito internacional, a unidade e a ação
da diáspora ucraniana assumem um significado especial.
A Cúpula confirma as prioridades
comuns dos ucranianos em todo o mundo:
A vitória da Ucrânia — a
conquista de uma paz justa e duradoura, a restauração da integridade
territorial da Ucrânia, a responsabilização da Rússia pelos crimes cometidos e
a reparação dos danos causados por ela.
A reconstrução de uma Ucrânia
forte, segura e próspera — um Estado independente, baseado nos valores
ucranianos, livre da influência russa e de sua visão de mundo chauvinista.
A construção de uma comunidade
ucraniana forte, que forme, geração após geração, patriotas ucranianos
conscientes.
A Cúpula convoca os ucranianos do
mundo a uma ação nacional conjunta:
Homenagear e apoiar os defensores
e defensoras da Ucrânia — as Forças de Defesa da Ucrânia, que lutam pela
liberdade do nosso povo — por meio de apoio humanitário, ajuda à defesa,
contribuições financeiras e solidariedade interna.
Apoiar a Ucrânia por meio da
participação política, da defesa de causas e de atividades de informação.
Assumir um papel de liderança na
reconstrução da Ucrânia — não como observadores passivos, mas como líderes
ativos que contribuem com conhecimento, experiência, habilidades e liderança
cívica para a reconstrução de uma nova Ucrânia.
Defender e promover a identidade
ucraniana — nossa língua, cultura, educação e patrimônio nacional.
Construir comunidades ucranianas
fortes — aprofundar a confiança, a cooperação e a solidariedade além das
fronteiras; formar, geração após geração, patriotas conscientes.
Evitar divisões — combater
quaisquer tentativas de enfraquecer o apoio internacional à Ucrânia ou de
dividir o povo ucraniano.
Fortalecer a voz global da
Ucrânia — divulgar e ampliar a voz do Estado ucraniano, do povo ucraniano e das
comunidades ucranianas em todo o mundo.
A Cúpula enfatiza que os
ucranianos do mundo são parte integrante do povo ucraniano e uma importante
fonte de força da Ucrânia na arena internacional.
A unidade ucraniana global não é
um símbolo. É um pré-requisito estratégico para o sucesso da Ucrânia e do povo
ucraniano.
A Ucrânia define nossa unidade.
A responsabilidade perante o povo
ucraniano define nossa unidade.
A ação nacional define nossa
unidade.
Unidos na ação nacional.
Pela Ucrânia. Pela liberdade.
Pelo futuro.
Glória à Ucrânia!
Proclamado na Cúpula da
Comunidade Ucraniana Mundial em Berna, em 7 de junho de 2026
Carta aberta do Presidente da Ucrânia ao Presidente da Federação Russa
04 de junho de 2026, 21:39
Rússia
A agressão da Rússia contra a Ucrânia
Carta aberta
Ao Presidente da Federação Russa
Do Presidente da Ucrânia
Quando o senhor chegou ao poder na Rússia, há mais de 26 anos, muitas pessoas na Ucrânia o viam com bons olhos. Era assim. Mas isso agora é passado.
Agora, a esmagadora maioria dos ucranianos vê com bons olhos a visita dos nossos drones de longo alcance à abertura do seu fórum em São Petersburgo, percorrendo uma distância de mais de 1.000 quilômetros. Como vocês bem sabem, essa distância não representa o limite das nossas capacidades.
Durante 26 anos, seu período no poder mudou completamente a agenda das relações entre a Ucrânia e a Rússia. De discussões sobre comércio e outros assuntos civis, nossas nações passaram a falar quase exclusivamente sobre greves e perdas.
Você passou quase metade dos seus 26 anos no poder na Rússia travando guerra contra a Ucrânia.
Independentemente do que se diga sobre a OTAN, a geopolítica ou a língua russa, esta guerra é uma escolha pessoal sua — uma guerra sem uma causa real. É assim que a história a lembrará.
Aqueles anos poderiam ter sido muito diferentes.
Ouvimos com frequência que você se sente confortável com esta guerra. Claro que não, principalmente quando se trata da segurança da sua residência em Valdai ou do seu desfile em Moscou. Sua própria vida lhe é valiosa.
Mas agora todos podemos ver que os russos estão finalmente se sentindo menos confortáveis com essa realidade — com o fato de que a guerra está trazendo consequências cada vez mais negativas para a Rússia.
Eles não gostam dos nossos drones e mísseis.
Eles não gostam da escassez de gasolina e do aumento constante dos preços.
Eles não gostam de restrições constantes.
Eles não gostam da sua intenção de lançar uma segunda onda de mobilização para expandir a guerra em outra direção na Ucrânia ou para usá-la contra outros países vizinhos da Rússia.
Eles não gostam do fato de não haver fim à vista para a sua guerra.
Sim, você ainda pode forçar os russos a viverem dessa maneira. Mas seus recursos estão diminuindo significativamente.
Vocês não terão dinheiro ou capital político suficientes para continuar comprando a lealdade dos russos da maneira como fizeram nos últimos 26 anos.
E faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que o mundo ajude a aproximar esse momento.
Como você mesmo gosta de dizer, "precisamos fazer as contas".
Ontem, recebi um relatório sobre as baixas do seu exército na frente de batalha na Ucrânia durante o mês de maio. Mais uma vez, o número ultrapassou 30.000 soldados russos mortos e gravemente feridos. Temos mantido esse nível mês após mês, e temos vídeos que comprovam cada uma de suas baixas — essas não são alegações vazias.
Sabemos que 63% das suas baixas em campo de batalha são de mortos, enquanto apenas 37% são de feridos. No século XXI, nenhum exército pode se dar ao luxo de ter essa proporção. E a parcela de mortos continuará a aumentar.
Não é como se nós, na Ucrânia, estivéssemos preocupados com o destino dos soldados russos depois de tudo o que a sua guerra trouxe ao nosso país.
Mas eu me importo com os ucranianos.
Estamos perdendo nosso povo, e cada perda é dolorosa para nós. Mesmo quando a proporção de perdas ucranianas para perdas russas é de um para cinco ou um para seis, ainda assim faz muita diferença.
Também é importante que vocês adiem regularmente, a cada poucos meses, os seus próprios prazos para conquistar as nossas regiões — especialmente a região de Donetsk. E vocês não a conquistarão este ano também.
Mas nós, na Ucrânia, não queremos uma guerra permanente. Sabemos muito bem que a vida sem guerra é infinitamente melhor. E queremos alcançar isso.
Estou convencido de que a maioria dos russos também reagiria positivamente a isso — e você sabe disso.
Muitos não acreditavam que a Ucrânia conseguiria resistir por tanto tempo. Você não acreditava. E aqueles que o aconselharam também não. Isso foi um erro.
Você não esperava uma resistência em grande escala por parte da Ucrânia, e não previu que as coisas chegariam a este ponto. No entanto, aqui estamos nós — no quinto ano desta guerra em grande escala.
Não tenha medo de trilhar o caminho para fora desta guerra. Isso é o mais importante que se exige de você agora.
A Ucrânia preservou sua independência. E continuará a preservá-la. Apesar de todas as previsões em contrário.
Unimos muitas pessoas ao redor do mundo para apoiar a Ucrânia e nos opor a vocês. Encontramos as armas e o financiamento de que precisávamos.
Recebemos apoio. Vocês recebem sanções. E isso continuará até que haja justiça para a Ucrânia — a justiça que buscamos e a justiça que pode ser alcançada.
Não permitiremos que aqueles que tentam convencê-los de que as sanções contra a Rússia serão significativamente atenuadas e que o apoio à Ucrânia será significativamente reduzido, sem qualquer mudança significativa na sua posição em relação à Ucrânia, tenham sucesso. O exemplo de Orbán mostra como aqueles que optam por ajudar a Rússia na sua guerra contra nós acabam em desgraça.
A Ucrânia suportou invernos rigorosos enquanto vocês tentavam destruir nosso sistema energético. Mantivemo-nos firmes — e mesmo na escuridão, a resiliência dos ucranianos permaneceu intacta.
Levamos a guerra para o seu território, e vocês não teriam conseguido lidar com ela sem a ajuda da Coreia do Norte. Você é o primeiro governante da Rússia a recorrer a Pyongyang em busca de auxílio.
E hoje vocês dependem totalmente da China — também pela primeira vez na história da Rússia.
Vocês acreditavam que os ucranianos não teriam forças para se defender. No entanto, hoje, nosso povo está ajudando nossos parceiros no Oriente Médio e no Golfo a construir suas próprias defesas.
Você esperava por agitação interna na Ucrânia. Em vez disso, foram suas próprias formações militares que se amotinaram contra você. O dia 23 de junho marcará mais um aniversário desse evento, e o silêncio não apagará esse fato da história.
E agora é você quem seus próprios funcionários, empresários e propagandistas olham com evidente cansaço. O mundo inteiro pode ver isso.
O mundo não se cansou da Ucrânia, como você tanto esperava. Mas há um crescente cansaço em relação à Rússia — mesmo entre aqueles que, no resto do mundo, ajudam você a contornar as sanções e a manter sua economia à tona.
É impossível não notar. Após 26 anos no poder, a idade começa a cobrar seu preço. E com o tempo, o cansaço só aumentará.
Vimos relatórios de inteligência que mostram que vocês estão considerando planos para estender a guerra até 2027 e 2028. Também sabemos que vocês esperam que mísseis balísticos consigam o que todas as outras medidas falharam. Vocês querem arrastar Belarus ainda mais para o fundo desta guerra, e agora somos obrigados a nos preparar para isso também. Vemos que vocês estão tentando orquestrar algo em torno da Transnístria. Seus propagandistas ameaçam, de uma forma ou de outra, todos os países vizinhos da Rússia. Vocês realmente querem passar por tudo isso?
A escolha agora é sua.
Chega de guerra.
A Ucrânia propõe pôr fim a esta guerra.
Isso deve ser feito com honestidade, dignidade e com garantias de que a guerra não será reacendida.
Constatamos que os Estados Unidos estão totalmente focados na questão do Irã, e seria um erro simplesmente esperar que a guerra na Europa volte a ser o centro das suas atenções.
A Ucrânia propõe pôr fim a esta guerra através de um diálogo direto entre nós — e vocês.
Estou propondo uma reunião.
Todos ouviram seus representantes, sorrindo, dizerem que eu supostamente poderia ir a Moscou. Mas, depois desses 26 anos, não há nada que um líder ucraniano possa fazer em sua capital — assim como não há nada que um líder russo possa fazer em Kiev.
Existem países que tradicionalmente recebem líderes para resolver questões de guerra e paz. Suíça, Turquia, os países do mundo árabe — muitos têm condições e estão dispostos a sediar um encontro desse tipo.
São os líderes que resolvem as questões cruciais. Sempre foi assim e sempre será.
Proponho que seja definida uma data específica para essa reunião.
Ouvimos dizer que lhe foi prometida, no Alasca, a resolução de certas questões relativas à Ucrânia e à Europa. Mas você mesmo pode constatar que as questões ucranianas e europeias não são resolvidas em Anchorage.
Outros participantes acordados poderão juntar-se ao processo bilateral a ser estabelecido entre nós.
Como a guerra está ocorrendo na Europa e a Ucrânia precisa de garantias de segurança, e você também busca garantias de segurança para si, seria lógico envolver aqueles que podem genuinamente servir como fiadores.
Acreditamos que a Europa deve fazer parte deste processo — aqueles que realmente têm capacidade para influenciar a situação.
Acreditamos também que os Estados Unidos devem fazer parte do processo. Isso é o que poderia ajudar a moldar uma nova arquitetura de segurança para a nossa região do mundo.
Já vivenciamos muitos acordos com a Rússia, incluindo os Acordos de Minsk, que acabaram fracassando. É por isso que devemos primeiro encontrar respostas diretas entre nós para as questões que permanecem sem solução, e não nos esconder de problemas difíceis atrás de fórmulas, grupos de trabalho técnicos ou incontáveis horas perdidas em diplomacia itinerante.
A sua guerra separou permanentemente a Ucrânia e a Rússia.
A linha de frente hoje é a linha de onde a diplomacia deve começar.
A Ucrânia está pronta para um cessar-fogo total durante as negociações. Essa é uma prática comum, e os recentes acontecimentos em torno do Irã apenas reforçam esse ponto. Uma tentativa de estabelecer um silêncio genuíno é a melhor maneira de começar a dialogar. Acreditamos que não seria apenas uma tentativa, mas um cessar-fogo verdadeiro — se for isso que vocês desejam.
Você sabe que os Estados Unidos têm capacidade para monitorar um cessar-fogo ao longo da linha onde as hostilidades cessam.
A Ucrânia está preparada para uma troca total de prisioneiros de guerra, e isso poderia ser um bom prelúdio para o fim da guerra.
Medidas sérias devem ser tomadas para repatriar os civis e as crianças que foram levados durante a guerra.
Precisamos determinar que tipo de futuro aguarda as gerações de ucranianos e russos que virão depois de nós.
Se você, pessoalmente, não chegar à conclusão de que é hora de acabar com esta guerra, a Ucrânia continuará lutando por sua existência. Teremos aqueles que nos apoiam.
Mas vocês também terão que lutar muito mais pela sua própria existência — não pela da Rússia, mas pela sua. E isso não é uma ameaça minha ou da Ucrânia. É um fato da história russa que vocês conhecem bem: quando a Rússia se cansa, a mudança chega.
Podemos trabalhar para reduzir esse cansaço.
Você pode parar sua guerra.
Memória eterna a todos aqueles que perderam a vida nesta guerra.
A Ucrânia já tem permissão para enterrar novamente o fundador da OUN, Yevhen Konovalets – Vereshchuk
A Ucrânia já tem permissão para exumar o corpo do Coronel do Exército da UNR, comandante dos Fuzileiros de Sich, fundador e primeiro presidente da Organização dos Nacionalistas Ucranianos, Yevhen Konovalets, que está enterrado na Holanda.
A informação foi anunciada pela vice-chefe do gabinete da presidência da Ucrânia, Iryna Vereshchuk, após o novo sepultamento do líder da OUN, Andriy Melnyk, e de sua esposa, Sofia Fedak-Melnyk, segundo a agência Interfax-Ucrânia.
"O próximo será Yevhen Konovalets, que está enterrado em Rotterdam. Já temos a permissão, estamos nos preparando e realizaremos a cerimônia de translado de seus restos mortais em breve", disse Vereshchuk.
Além disso, não se trata apenas do retorno de figuras do século XX, mas também de representantes proeminentes de vários períodos históricos, em particular das eras principesca e cossaca.
Questionado sobre se figuras proeminentes após o Memorial Nacional serão reenterradas no Panteão Nacional, Vereshchuk observou que estão em andamento planos para a adoção de uma lei sobre o Panteão, que determinará a estrutura para ações futuras: quem e quando poderá ser sepultado lá. As decisões serão tomadas para cada figura individualmente.
Não apenas os Melnyks: quais outros personagens famosos a Ucrânia planeja repatriar do exterior?
Recordamos que, em junho de 2025, o Conselho de Ministros aprovou o procedimento para o novo sepultamento, no Cemitério Nacional da Grande Guerra Patriótica de 1915, de combatentes de destaque pela independência da Ucrânia no século XX.
No final de março, o chefe do Gabinete Presidencial, Kyrylo Budanov, anunciou que em breve submeteria ao presidente, para apreciação, os resultados e as propostas para a criação de um Panteão de Ucranianos Notáveis. Ucranianos ilustres que estão sepultados no exterior serão transferidos para seus países de origem.
No dia 21 de maio, os caixões contendo as cinzas do coronel do Exército da UNR e líder da OUN, Andriy Melnyk , e de sua esposa, Sofia Fedak-Melnyk, chegaram a Kiev . Nos dias 22 e 23 de maio, os ucranianos prestaram-lhes homenagem na Catedral Patriarcal da Ressurreição de Cristo da Igreja Greco-Católica Ucraniana.
Recentemente, Oleksandr Alferov também afirmou que estão em curso negociações para repatriar para a Ucrânia os restos mortais de outras figuras ilustres que foram forçadas ao exílio após a derrota na luta pela libertação.
Em particular, além do Coronel Yevhen Konovalets, estamos falando do Secretário de Assuntos Militares da UNR, Symon Petliura, e do Hetman Pavlo Skoropadsky.
Para referência: Yevhen Konovalets (14 de junho de 1891 – 23 de maio de 1938) – comandante do Corpo de Fuzileiros de Sich do Exército da República Popular Ucraniana (UNR), fundador da Organização Militar Ucraniana (UVO), criador e primeiro líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN). Faleceu em 23 de maio de 1938, após um agente soviético lhe entregar uma caixa de chocolates com um dispositivo explosivo. Está sepultado no Cemitério de Crosswijk, em Roterdã.
A
Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) realizou na tarde desta segunda-feira
(18) uma sessão solene em homenagem ao Grupo Folclórico Ucraniano Brasileiro e
à Irmandade Cossacos, dois grupos culturais ucranianos de Prudentópolis, município
do sudeste paranaense. A condecoração, realizada no Plenário, foi proposta pelo
deputado Marcelo Rangel (PSD) e aprovada por todos os demais parlamentares.
“Eles
têm história: estamos falando aqui de quase 70 anos de tradição, de valorização
da cultura e também de divulgação do que há de belo na região de Prudentópolis
e do Paraná”, afirmou Rangel. Ele relembrou que a Alep aprovou recentemente o
projeto de lei 269/2025, de sua autoria, que reconhece Prudentópolis como
“Capital Estadual da Cultura Ucraniana”.
Representando
a Irmandade Cossacos, Marcos Antonio Boiko compareceu ao Plenário vestindo as
roupas tradicionais deste povo: a calça larga (sharovary), o chapéu (papakha) e
as botas, vestimentas adaptadas ao frio extremo da Ucrânia, cujas temperaturas
mínimas chegam a -20 ºC. “Para nós é uma honra manter essa tradição, por conta
da descendência que temos”, ressaltou, pontuando que mais de 70% dos
prudentopolitanos têm descendência ucraniana.
Em
seu discurso, ele contou um pouco da história dos cossacos, grupos formados por
camponeses que se organizaram militarmente em acampamentos para proteger seus
grupos. Costumes deste povo desembarcaram em Prudentópolis com a chegada, há 71
anos, do imigrante Vassyl Kostachuk, que introduziu ali a vigília do Santo
Sudário, reconstruindo ali esse traço da cultura ucraniana”, contou Boiko.
Já
o Grupo Vesselka foi oficializado há 68 anos, em 1958, com uma trajetória
marcada por apresentações em feiras, exposições, congressos, festivais e outros
eventos. Vesselka significa “Arco-Íris”, símbolo da aliança do Criador com suas
criaturas. “Para nós, receber essa moção é um sentimento de gratidão por tudo
que a gente vem fazendo para manter a cultura ucraniana por meio da dança”,
ressaltou o presidente do grupo, Felipe Bobalo Soares.
O
Grupo Vesselka já realizou apresentações em diversos estados brasileiros. O
grupo também ultrapassou as fronteiras do país, levando sua arte para países
como os Estados Unidos e a Ucrânia. “Quando saímos de Prudentópolis, levamos
não só a cultura ucraniana, mas também a terra das cachoeiras gigantes, a
capital da oração”, pontuou.
A
cerimônia contou com a presença de diversos membros dos dois grupos, bem como
integrantes do poder público de Prudentópolis. Compareceram Beatriz Klosowski,
primeira-dama de Prudentópolis; Cristiane Boiko Rossetim, secretária de Turismo
de Prudentópolis; Nadir Vozivoda, secretária de Cultura de Prudentópolis; e
Valter Luciano Matuchenez (Agir) e Elder Pontarollo Junior (PP), vereadores do
município.
Link do vídeo da solenidade:
A condecoração,
realizada no Plenário, foi proposta pelo deputado Marcelo Rangel (PSD) e
aprovada por todos os demais parlamentares
Ataques de drones russos danificaram um abrigo
protetor sobre o edifício do Museu Nacional Literário e Memorial de Hryhoriy
Skovoroda, na vila de Skovorodynovka.
Relato do Ministério da
Cultura.
Segundo informações
preliminares, oito vãos do telhado do abrigo foram danificados em decorrência
do ataque. Um deles apresentava um grande buraco, e outros sete foram atingidos
por destroços.
Ao mesmo tempo, as estruturas do próprio edifício histórico e os
elementos de sustentação do abrigo não foram danificados. Atualmente, a
polícia, os socorristas e especialistas estão documentando as consequências do
ataque e elaborando um relatório técnico dos danos.
A
vice-primeira-ministra para Políticas Humanitárias e ministra da Cultura da
Ucrânia, Tetyana Berezhna, afirmou que o Museu Skovoroda, após o ataque russo
em 2022, tornou-se um símbolo da invencibilidade da cultura ucraniana.
"Hoje, o inimigo está mais uma vez
tentando danificar um local que preserva nossa memória histórica. Continuamos
trabalhando em conjunto com parceiros internacionais para proteger o patrimônio
ucraniano", observou ela.
O Ministério da Cultura
já comunicou os danos à UNESCO. Além disso, em breve, o Departamento de Cultura
e Turismo da Autoridade de Turismo de Kharkiv enviará uma carta oficial à
organização a respeito dos trabalhos de reparo e da mitigação das consequências
do bombardeio.
Em maio de
2022, o edifício sofreu danos significativos devido a um ataque de míssil. Após
o incidente, parceiros internacionais uniram-se para criar um abrigo protetor
com o objetivo de preservar o monumento.
Vladimir Putin, Rússia e Ucrânia em 2022; Nikita Kruschov, União
Soviética e Hungria em 1956: qualquer semelhança… talvez não seja mera
coincidência. Leia uma interessante análise da guerra atual à luz da história
recente da humanidade
Tradução: Equipe Christo Nihil
Praeponere, 4 de Março de 2022
[Este
texto não é de autoria do Padre Paulo Ricardo; foi escrito por Paul Kengor e
traduzido por nossa equipe para esta publicação.]
As pessoas têm me pedido para analisar, em termos de perspectiva
histórica, a gravidade do que Vladimir Putin e suas tropas russas estão fazendo
agora na Ucrânia. Trata-se de algo sem precedentes? Há algum paralelo na
história recente da Rússia?
Na história recente da Rússia não. A Rússia moderna é uma Rússia
pós-Guerra Fria, produto outrora esperançoso do colapso da União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas (URSS) em dezembro de 1991. Essa desintegração soviética
foi pedida por todas as “repúblicas” da União Soviética, inclusive a Ucrânia,
que declarou sua independência do monstrengo Estado-pai antes daquele dezembro.
Em dezembro de 2021, eu poderia ter escrito uma matéria para o National
Catholic Register celebrando o 30º aniversário do fim da URSS, com a Ucrânia
celebrando alegremente seu 30º ano de liberdade. A independência da Ucrânia foi
celebrada pelo Papa João Paulo II em 2001. Na ocasião, eu escrevi aqui [no Register]
sobre o assunto, observando a terrível descrição que o Papa eslavo fez daquela
terra “regada pelo sangue dos mártires”.
Neste exato momento, a Ucrânia está sendo martirizada uma vez mais. E de
novo os perseguidores marcham de Moscou.
<== Escultura de São João de Capistrano, no lado de fora da Catedral de
Viena, na Áustria.
Em termos de história russa moderna, o crime de Putin contra a
humanidade não tem paralelo. No estágio global pós-Guerra Fria, talvez a
comparação mais próxima seja a invasão do Kuwait por Saddam Hussein em 1990,
mas mesmo ela acabou antes de a URSS ser extinta. De fato, tanto Mikhail
Gorbatchov quanto Boris Iéltsin condenaram a agressão do Iraque e apoiaram a
união da comunidade internacional, sob o presidente George H. W. Bush, para
retirar as tropas iraquianas do Kuwait na primavera de 1991.
No que diz respeito à Rússia, ou — talvez eu deva dizer — “Moscou” ou o
Kremlin, a atual invasão à Ucrânia evoca memórias do Exército Vermelho
invadindo o Afeganistão, em dezembro de 1979; da chamada “Primavera de Praga”,
na Thecoslováquia, em 1968; e, sobretudo, da invasão soviética à Hungria, em
outubro e novembro de 1956.
Se estamos à procura de paralelos, sinto muito em dizer que a Ucrânia
em 2022 faz lembrar muito a Hungria em 1956, e essa não é uma perspectiva
nada agradável.
Era 23 de outubro de 1956, festa de São João de Capistrano. Nascido em
Capistrano, na Itália, em 1385, filho de um cavaleiro alemão que vivia na
cidade, João estudou Direito e terminou entrando na comunidade franciscana. Foi
para a Hungria, onde se tornou conhecido como João Capistrano. No ano de 1456,
conduzindo uma enorme cruzada contra os turcos otomanos, João marchou à frente
de um exército de 70 mil cristãos húngaros, assegurando uma vitória monumental
na grande Batalha de Belgrado. Três meses depois, ele morreu em Ilok, na
Croácia.
São João não hesitou jamais em se colocar no centro do combate contra
invasores e opressores que martirizaram muitos fiéis húngaros. Em 1956, 500.º
aniversário de sua morte e formidável vitória — e nada menos que dia de sua
festa —, os sucessores de São João tiveram de enfrentar novas forças invasoras.
Desta vez, da União Soviética. Foi o primeiro dia da Revolução Húngara.
Estátua de Stálin destruída em Budapeste. No ombro uma inscrição: “Assassino de 25 milhões de pessoas”.
O povo húngaro se reuniu naquele outubro de 1956 em Budapeste para pôr
abaixo uma estátua gigante de Stálin. Era o maior monumento a ele no mundo, e
sua localização tinha um significado profundo. Ele estava no lugar do Regnum
Marianum, uma igreja cujo nome em latim invocava a realeza da Mãe de Jesus.
A belíssima igreja foi construída em 1931. Em agosto de 1951, os comunistas
depredaram a igreja pedra por pedra. Em seu lugar erigiu-se um enorme edifício
a Stálin, cujos pés de bronze, segundo a lenda, estavam situados precisamente
onde repousava o altar da igreja. Só a cabeça inflada de Stálin era do tamanho
de cinco húngaros.
Naquele outubro, uma enorme multidão se juntou ao redor da base da
estátua cantando: “Vamos pôr isso abaixo!” Duas dúzias de caminhões apareceram.
As pessoas pegaram em cabos, cordas e maçaricos. E a escultura veio abaixo.
A vitória contra o Kremlin, no entanto, teria curta duração. Sentindo
esse grito por independência, o sucessor de Stálin, Nikita Kruschov, enviou o
Exército Vermelho. O regime ordenou um esmagamento imediato das massas
húngaras, indo direto à capital do país. Bem rapidamente, milhares de
guerreiros pela liberdade estavam mortos.
O Vaticano respondeu depressa, com o Papa Pio XII — a quem os capangas
de Stálin uma década antes chamaram “o Papa de Hitler” —, emitindo uma
declaração, Datis Nuperrime, com um subtítulo afiado: “Encíclica sobre o
uso cruel de força na Hungria”. Foi publicada em 5 de novembro e dirigia-se aos
“Veneráveis Irmãos, Patriarcas, Primados, Arcebispos, Bispos e outros
Ordinários locais em paz e comunhão com a Sé Apostólica”.
Não muito diferente do Papa Francisco convocando o mundo inteiro para
rezar pela paz na Ucrânia em 2022, o Papa Pio XII pedia por “um novo dia de
paz, com base na justiça e na liberdade, para o nobre povo da Hungria”.
Mas as orações não pararam o Kremlin em 1956, assim como não o pararam
em 2022.
O Venerável Arcebispo e Cardeal József Mindszenty, da Hungria.
Muitas pessoas na Hungria enfrentaram, depois disso, uma terrível
perseguição — inclusive um sacerdote húngaro, o [Venerável] Arcebispo József
Mindszenty, cujo mau tratamento recebido não foi para ele nenhuma surpresa.
Afinal, esse parecia ser há muito o seu destino. Em 21 de fevereiro de 1946,
ele recebeu o barrete cardinalício do Papa Pio XII. “Recebei o barrete
vermelho”, disse o Papa ao prelado, “pelo qual deveis mostrar-vos dispostos a
morrer, derramando com bravura o próprio sangue, para exaltação do Santíssimo
Salvador”. Tendo colocado a biretta vermelha sobre a cabeça do Arcebispo
Mindszenty, Pio XII olhou para os outros cardeais e profetizou: “Entre os 32
[aqui presentes], tu serás o primeiro a sofrer o martírio, de cujo
símbolo é esta cor vermelha” [i].
Não demorou muito. Pouco tempo depois de ter voltado para casa, os
comunistas assediaram, agrediram, torturaram e encarceraram o Cardeal
Mindszenty. Ele passou os oito anos seguintes em um confinamento solitário que
quase o levou à morte.
A Revolução de 1956 todavia o libertou. O prelado foi solto por forças
rebeldes, ainda que os comunistas tivessem retomado rapidamente o controle do
governo. Ao invés de abandonar seu povo, o Cardeal Mindszenty passou a morar na
embaixada dos Estados Unidos em Budapeste, recusando-se a deixar seu país. Ele
viveu na embaixada por 15 anos, oferecendo sua angústia como um mártir vivo da
fé cristã sob o regime comunista. O Arcebispo [e também Venerável] Fulton Sheen
chamou-lhe “o mártir ‘seco’ da Hungria” [ii].
A título de
registro, o Kremlin criou um Mindszenty em cada nação da Europa oriental: na
Iugoslávia, o Cardeal Aloísio Stepinac; na Polônia, o Cardeal Stefan Wyszyński;
na Tchecoslováquia, os Cardeais Štěpán Trochta e Josef Beran; na Ucrânia, o
Arcebispo Josyf Slipyj (entre outros numerosos na Ucrânia) e muitos outros
padres e religiosas para começar a mencionar, todos cujos nomes só do céu são
conhecidos.
Em todo caso, assim como fizeram com o [igualmente Venerável] Papa Pio
XII, o Kremlin tachava esses clérigos católicos de “nazistas”, “simpatizantes
de Hitler” e “fascistas”.
O presidente Vladimir Putin em
reunião por videoconferência com o presidente chinês Xi Jinping no Kremlin, em
Moscou. Imagem: Alexei Nikolsky/Sputnik/AFP.
A atual campanha do Kremlin na Ucrânia parece assombrosamente similar.
Putin e seus propagandistas têm acusado a Ucrânia e seu presidente judeu de
serem pró-nazismo, uma acusação completamente ridícula à qual ninguém dá
crédito. Eles deram início à invasão sob o pretexto de “desnazificar” a
Ucrânia. Eles estão mais uma vez usando o argumentum ad Hitlerum.
Algumas coisas não mudam nunca.
As grandes mentiras de Putin fazem lembrar as que foram contadas ao povo
da Hungria em 1956 pelo líder da KGB — Iúri Andropov (o qual se tornaria, mais
tarde, ninguém menos que o superior de Vladimir Putin na KGB). Vale lembrar
também que foi Andropov quem aprovou a tentativa de assassinato do Papa João
Paulo II pelo Kremlin.
Estranhamente, a atual situação da Ucrânia também faz lembrar a Hungria
no potencial de enviar milhões de cidadãos para o Ocidente como refugiados. Foi
precisamente o que aconteceu na Hungria em 1956, e parece estar acontecendo de
novo agora, em 2022.
Pior de tudo: o ataque do Kremlin tem o potencial de provocar um elevado
número de mortes. Até o presente, ninguém sabe realmente quantas pessoas foram
mortas na invasão de 1956. Sabemos apenas que foram muitos milhares, talvez
dezenas de milhares. Tratou-se de uma tragédia sangrenta.
Podemos apenas esperar e rezar para que uma sorte semelhante não recaia
sobre o povo ucraniano em 2022.
Notas
[i]As palavras “Recebei o barrete
vermelho…” fazem parte da fórmula de imposição do chapéu rubro. O rito sofreu
alterações depois de Pio XII, mas sua essência permanece ainda hoje: Ad
laudem omnipotentis Dei et Apostolicae Sedis ornamentum, accipite biretum
rubrum, Cardinalatus dignitatis insigne, per quod significatur usque ad
sanguinis effusionem pro incremento christianae fidei, pace et quiete populi
Dei, libertate et diffusione Sanctae Romanae Ecclesiae vos ipsos intrepidos
exhibere debere. “Para glória do Deus todo-poderoso e honra da Sé
Apostólica, recebei o barrete vermelho, sinal da dignidade do cardinalato, pelo
qual deveis mostrar-vos intrépidos [a defender] até a efusão do sangue o
incremento da fé cristã, a paz e tranquilidade do povo de Deus e a liberdade e
difusão da Santa Igreja Romana” (Cappella Papale. Concistoro Ordinario Pubblico
presieduto dal Santo Padre Benedetto XVI per la creazione di nuovi cardinali.
Basilica Vaticana, 18 feb. 2012, p. 25, trad. port. nossa) (N.T.).
[ii]Aqui o termo dry, que traduzimos
literalmente como “seco”, tem o sentido de “desadornado”, “sem galas” (N.T.).
Palestra Virtual de
Eugene Czolij – advogado, ex-presidente do Congresso Mundial dos Ucranianos
2008-2018, Presidente da Organização Ucrânia 2050 e Consul Honorário da Ucrânia
em Montreal – Canada. Organizada pela Representação Central Ucraniana
Brasileira no dia 19 de novembro de 2021.
Em primeiro lugar, gostaria
de parabenizar Sua Eminência Bispo Volodymyr Kovbych, Sua Eminência Bispo Myron
Mazur, Cônsul Honorário da Ucrânia em Curitiba Marian Tchaikovsky, Professor
Clodogil Fabiano Ribeiro Dos Santos e Vice-Presidente Regional da Ucrânia e
Vice-Presidente da Central e da Ucrânia Vice-presidente e Sociedade Central de
Educação da República Argentina de Yuri Danylyshyn.
Também gostaria de
parabenizar o Vice-Presidente do Congresso Mundial dos Ucranianos e o
Presidente da Representação Central Ucraniano-Brasileira, Vitório Sorotiuk,
e agradeço sinceramente a organização deste evento.
Também parabenizo a
comunidade ucraniana no Brasil pelo 130º aniversário da imigração ucraniana ao
Brasil.
Recordo com prazer as minhas
três viagens ao Brasil como Presidente do Congresso Mundial de Ucranianos,
nomeadamente em 2009 quando estive em Curitiba, União da Vitória, Prudentópolis
e na aldeia de Dorizon (perto de Malet) em 2011 e 2017, quando estive em
Curitiba. O principal organizador das minhas viagens ao Brasil foi Vitorio
Sorotiuk, a quem agradeço mais uma vez.
Gostaria de parabenizar a
todos, em particular ao Presidente da Representação Central
Ucraniano-Brasileira Vitório Sorotiuk, por um notável feito, a
saber, em 5 de outubro de 2021, a Câmara Municipal de Prudentópolis decidiu por
unanimidade que o ucraniano é a língua co-oficial do município
de Prudentópolis.
Este ano, os ucranianos e
nossos amigos de todo o mundo celebraram o 30º aniversário da restauração da
independência da Ucrânia, que é, sem dúvida, um dos eventos geopolíticos mais
importantes do século XX, o que o ex-presidente dos EUA Ronald Reagan
corretamente chamou de fim do "império do mal" e permitiu ao
povo ucraniano sair do colonialismo e entrar no círculo dos povos livres do mundo.
A proclamação da
independência restaurada da Ucrânia também foi muito útil para a diáspora
ucraniana, pois o Ocidente agora reconhece que os ucranianos na diáspora têm
raízes em um país chamado Ucrânia, e não em algum território desconhecido que
faz parte da Áustria-Hungria, Polônia, Romênia , ou a União Soviética.
Por sua vez, a diáspora
ucraniana também contribuiu para esta grande história de sucesso, apoiando
ativamente a nação ucraniana e seus lutadores pela liberdade e, assim,
defendendo a independência da Ucrânia e estabelecendo um Estado ucraniano.
Para os céticos de tal
afirmação, primeiro gostaria de lembrá-los de informações estatísticas
extremamente convincentes.
Durante o período de
agressão russa de 6 anos entre 2015 e 2020, o Fundo Monetário Internacional
concedeu empréstimos à Ucrânia no valor de 12 bilhões de dólares americanos.
Para efeito de comparação,
de acordo com o Banco Mundial, para o mesmo período de 6 anos, entre 2015 e
2020, ucranianos que vivem fora da Ucrânia, incluindo trabalhadores migrantes
ucranianos que sustentam suas famílias em casa, foram transferidos para o
sistema financeiro da Ucrânia 74 bilhões de dólares americanos.
Durante a difícil agressão
russa e a pandemia COVID-19 apenas em 2020, o Fundo Monetário Internacional
concedeu US $ 2,1 bilhões em empréstimos à Ucrânia, enquanto a diáspora
ucraniana transferiu quase US $ 14 bilhões.
Além disso, a diáspora
ucraniana, liderada pelo Congresso Mundial de Ucranianos, deu uma contribuição
significativa para:
● reconhecimento pela
comunidade internacional da restauração da independência da Ucrânia;
● a compra de instalações
para a Embaixada e residência do Embaixador da Ucrânia no Canadá, para os
Consulados Gerais da Ucrânia em Nova York e Chicago e para a Missão Permanente
da Ucrânia nas Nações Unidas em Nova York;
● garantir o apoio da
Ucrânia por parte dos estados ocidentais e da comunidade internacional, que
forneceu assistência econômica, técnica, militar e humanitária à Ucrânia, bem
como impôs e manteve sanções direcionadas contra a Rússia por violar a
integridade territorial da Ucrânia;
● levantar a questão dos
prisioneiros políticos ucranianos e reféns mantidos pelas autoridades russas em
vários fóruns internacionais e pedir a sua libertação, bem como enfatizar as
violações graves dos direitos humanos, nacionais e religiosos e das liberdades
dos ucranianos e dos tártaros da Crimeia nos territórios ocupados ilegalmente
territórios da Crimeia e no leste da Ucrânia, bem como na Rússia;
● combater a desinformação
russa, que visa retratar a Ucrânia como um país falido, e disseminar
informações verdadeiras sobre a Ucrânia, incluindo seu progresso na reforma e
modernização;
● em apoio às aspirações da
Ucrânia de integração europeia e eventual adesão à União Europeia, incluindo:
(1) assinatura, ratificação e implementação do Acordo de Associação UE-Ucrânia;
e (2) a introdução de um regime de isenção de visto para a Ucrânia no espaço
Schengen. Como resultado dessas conquistas de integração europeia, a União
Europeia é atualmente o maior parceiro comercial da Ucrânia. O volume do
comércio entre a Ucrânia e a União Europeia em 2020 é quase 41% do volume total
do comércio da Ucrânia com o mundo;
● em apoio ao curso
euro-atlântico da Ucrânia e sua eventual adesão à OTAN;
● auxiliar no fornecimento
do Tomos na autocefalia da Igreja Ortodoxa da Ucrânia;
● em reconhecimento do
Holodomor como genocídio do povo ucraniano, que agora foi oficialmente cometido
por mais de 15 países; e
● observar as eleições
presidenciais e parlamentares na Ucrânia.
Como alguém pensa que isso é
um exagero da contribuição de ações coordenadas da diáspora na defesa e
desenvolvimento do estado ucraniano - quero chamar a atenção para como a
própria Rússia, país agressor da Ucrânia, avalia tal contribuição do ucraniano
diáspora liderada pelo Congresso Mundial de Ucranianos (CMU).
Em 11 de julho de 2019, a
Procuradoria-Geral da Rússia decidiu declarar indesejáveis as atividades do
Congresso Mundial de Ucranianos no território da Federação Russa.
Em 17 de julho de 2019, o
Ministério da Justiça russo incluiu o CMU em sua lista de organizações
não governamentais internacionais estrangeiras cujas atividades são
consideradas indesejáveis no território da Federação Russa.
Em 9 de outubro de 2019,o CMU entrou com uma ação judicial contra o Gabinete do Procurador-Geral e o
Ministério da Justiça da Rússia no Tribunal Distrital de Tver em Moscou.
Em 11 de março de 2020, o
Tribunal Distrital de Tver de Moscou referiu-se a uma carta do Serviço de
Segurança Federal da Rússia (ou FSB) afirmando que "as atividades do
Congresso Mundial de Ucranianos são destrutivas e ameaçam os alicerces da ordem
constitucional e da segurança da Federação Russa. "O tribunal, portanto,
decidiu rejeitar a reclamação do CMU e declarou que os seguintes
exemplos de atividades do CMU eram suficientes para justificar a
decisão do Gabinete do Procurador-Geral:
1) promoção de iniciativas
políticas anti-russas para devolver a Crimeia à Ucrânia, fortalecendo as
sanções contra a Rússia, conduzindo uma campanha para revisar a "história
comum da Rússia e da Ucrânia" e minando a Ortodoxia canônica na Ucrânia;
2) O presidente do CMU conduziu 147 viagens internacionais a 51 países de 2013 a 2018, onde
ocorreram cerca de 1.500 reuniões bilaterais, durante as quais ele chamou o
negócio principal do CMU - proteger a integridade territorial da
Ucrânia da agressão russa e apelar a uma ação eficaz. com a ocupação da Crimeia
e parte do leste da Ucrânia, incluindo a prestação de assistência militar, bem
como o reforço das sanções contra a Federação Russa e a suspensão da construção
do gasoduto Nord Stream-2;
3) levantar em 2018 nos
eventos da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, o Fórum Econômico
Mundial em Davos, a Comissão Europeia, as Nações Unidas e outras plataformas
internacionais a questão da agressão russa, ocupação da Crimeia, Nord Stream 2
e a necessidade de sanções contra a Rússia; e
4) iniciar a ação global
"Cartão Vermelho para Putin" durante a Copa do Mundo FIFA 2018, que
teve como objetivo pressionar as autoridades russas.
Como resultado, todos os
tribunais de apelação e cassação da Rússia rejeitaram as queixas do CMU e consideraram o Tribunal Distrital de Tver de Moscou legal e razoável.
Assim, todos os tribunais da Rússia concordaram que tais "atividades do
Congresso Mundial dos Ucranianos são destrutivas e representam uma ameaça aos
fundamentos da ordem constitucional e da segurança da Federação Russa".
Todos estes fatos e
estatísticas devem, antes de mais nada, nos fazer sentir que a diáspora
ucraniana é uma parte integrante do povo ucraniano, que a diáspora ucraniana
pode realmente e concretamente ajudar na construção do Estado ucraniano e que a
diáspora ucraniana realmente o fez no últimos 30 anos desde a independência da
Ucrânia.
Todos esses fatos e
estatísticas devem nos encorajar a ser ainda mais sacrificiais com nosso tempo
e finanças para ajudar ainda mais o povo ucraniano nestes tempos difíceis,
porque a Rússia - embora reconhecesse a independência da Ucrânia pelo nome -
nunca aceitou a realidade geopolítica que surgiu. como resultado da restauração
da independência da Ucrânia.
É por isso que a Rússia
invadiu a Crimeia em fevereiro de 2014, e logo depois - no leste da Ucrânia.
Desde então, a Rússia tem travado uma guerra híbrida contínua contra a Ucrânia
com o objetivo claro de recuperar o controle dela.
Esta agressão militar já
destruiu cruelmente pessoas e propriedades.
Nos últimos sete anos de
agressão russa, mais de 14.000 pessoas foram mortas e mais de 30.000 feridas,
incluindo civis e soldados ucranianos, apenas nos oblastos ocupados de Donetsk
e Luhansk, e mais de 1,5 milhão de deslocados internos estão atualmente na
Ucrânia.
Infelizmente, enquanto o
Ocidente apóia a Ucrânia e condena as violações flagrantes da ordem mundial
pela Rússia, os líderes ocidentais ainda não sabem que o plano de Putin vai
muito além da Crimeia e das regiões de Donetsk e Luhansk, e visa a
independência da Ucrânia para recriar um novo e ameaçador império russo.
Portanto, devemos pedir de
forma conjunta e convincente à comunidade internacional que ajude efetivamente
a Ucrânia a restaurar e proteger totalmente a sua integridade territorial - não
apenas para a Ucrânia - mas também para a comunidade internacional, porque uma
Ucrânia independente e territorialmente integrada com plena participação na
OTAN e a União Europeia, é a melhor garantia de paz e estabilidade no mundo.
Em particular, neste momento
crítico, a diáspora ucraniana, incluindo a comunidade ucraniana no Brasil, deve
continuar seu trabalho de defesa de direitos para que a comunidade
internacional possa tomar medidas concretas para:
(1) A OTAN forneceu à
Ucrânia um Plano de Ação para a Adesão à OTAN;
(2) a Rússia não poderia
contornar a Ucrânia no fornecimento de gás à Europa e continuar a usar o gás
como arma política contra o Ocidente; e
(3) A Rússia foi proibida de
usar o sistema de pagamento SWIFT, a menos que desocupasse a Ucrânia dentro de
um determinado período de tempo estabelecido pelo Ocidente.
Seis anos atrás, em 3 de
novembro de 2015, durante seu depoimento perante o Subcomitê de Cooperação para
a Segurança Europeia e Regional do Comitê de Relações Exteriores do Senado dos
Estados Unidos,
O ex-subsecretário de Estado
adjunto dos Estados Unidos Benjamin Zif disse sobre os incríveis esforços do
Kremlin para semear incerteza, confusão e suspeita e questionar nossas verdades
mais básicas:
"O Kremlin está
patrocinando o esforço com um sofisticado aparato de propaganda de US $ 1,4
bilhão por ano em seu território e no exterior, que estima chegar a 600 milhões
de pessoas em 130 países, em 30 idiomas. O governo russo também está
financiando centros de pesquisa e organizações em países vizinhos para ajudar a
atingir seus objetivos de espalhar falsas narrativas do Kremlin; a imagem do
Ocidente como ameaça; e minando a confiança na mídia independente, bem como nas
instituições e valores ocidentais ".
Diante disso, um desafio
extremamente importante para a comunidade internacional é aumentar a
conscientização sobre essa desinformação entre as autoridades, a sociedade
civil e a população em geral dos países ocidentais.
A este respeito, a Ucrânia e
os seus 20 milhões de diáspora ucranianos devem envidar todos os esforços para
conter essa desinformação e, assim, garantir que a comunidade internacional
forme a sua opinião e tome decisões sobre a Ucrânia e a diáspora ucraniana com
base em informações verdadeiras.
Atualmente, esta é
provavelmente uma das tarefas mais importantes da diáspora ucraniana no combate
à agressão híbrida russa contra a Ucrânia.
Além disso, a diáspora
ucraniana tem a oportunidade e os meios para combater de fato essa
desinformação em vários fóruns e redes sociais, a começar pela maior rede do
Facebook, que foi usada por 2,89 bilhões de usuários no segundo trimestre de
2021.
Portanto, aproveito a
oportunidade para agradecer a todos os participantes deste evento que já
aderiram à Missão Permanente de Monitoramento da Mídia Internacional da ONG
"Ucrânia-2050" para combater a desinformação contra a Ucrânia e a
diáspora ucraniana. Hoje, a missão conta com 166 membros de 56 países,
incluindo o Brasil, que monitoram em 42 idiomas de forma voluntária e combatem
a desinformação.
Também convido sinceramente
a todos a se juntarem à nossa missão e ajudar concreta e diariamente a Ucrânia
a lutar contra a agressão híbrida russa e a afirmar ainda mais sua condição de
Estado.