terça-feira, 15 de setembro de 2026

A INFÂMIA DA BARBÁRIE RUSSA

 A infâmia da barbárie russa. Entrevista com o Arcebispo Maior da Igreja Greco-Católica de Kyiv.

 15 set

Os drones do Kremlin sobrevoando as crianças que retornam à escola, o medo e a força de um povo. “A Europa não compreende que a Ucrânia está defendendo a vida tranquila dos ocidentais”, afirma-nos o Arcebispo Maior Sviatoslav Shevchuk.

No momento em que Sua Beatitude Sviatoslav, Chefe da Igreja Greco-Católica Ucraniana, entra em contato com a redação do jornal «Il Foglio» (1) para esta conversa, soam as sirenes de alerta. Nestes dias, os estudantes estão retornando às aulas, e Vladimir Putin decidiu que a melhor maneira de lembrar aos habitantes dos territórios ocupados que a guerra continua e continuará enquanto ele assim o desejar é enviar drones para que, do alto, observem as crianças correndo para as salas de aula. Um sombrio memento mori — uma lembrança da morte inevitável.

Há alguns meses, a guerra contra a Ucrânia, em duração, já havia ultrapassado a Primeira Guerra Mundial. No imaginário coletivo, aquele conflito armado ocorrido há um século entrou para a história como uma «matança inútil» — uma definição perfeita dada pelo então Papa Bento XV, ao contemplar os milhões de mortos nas trincheiras, mortos ou envenenados por gases para a conquista de alguns pedaços de terra que, no dia seguinte, inevitavelmente seriam perdidos.

E, no entanto, parece que agora se trata apenas — como afirmou o ideólogo de Nigel Farage, James Orr, que atualmente caiu em desgraça — de um conflito eslavo regional. Um conflito entre russos e ucranianos seria uma perda de tempo para os ocidentais que querem tranquilamente ir à praia, fazer compras, saborear ouriços-do-mar e bifes de angus em um restaurante. Um incômodo, uma náusea. Como se já não houvesse problemas suficientes. Normalmente, é assim que falam aqueles que nunca ouviram os sinais de alerta que anunciam a guerra.

— Esta guerra é uma grande hemorragia do tecido humano da Europa. Infelizmente, permanecendo no contexto médico, as hemorragias que não provocam dor são as mais perigosas — afirma Sua Beatitude Sviatoslav.

— As pessoas morrem por causa dessas hemorragias internas. Gostaria de recordar a dimensão desta tragédia. É claro que se trata de uma guerra híbrida, muito semelhante à guerra de trincheiras da Primeira Guerra Mundial, mas suas proporções são terríveis.

Por exemplo, somente nos primeiros dois meses da invasão em grande escala, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas, 12,7 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas. Algumas se tornaram deslocadas internas, enquanto outras foram para o exterior. Esse número supera toda a população da Bélgica, que conta com quase 12 milhões de habitantes. Segundo dados divulgados pelo ACNUR no início do ano, pouco menos de 6 milhões encontram-se no exterior como refugiados. Graças a Deus, conseguimos acolher essas pessoas e impedimos que essa crise humanitária se transformasse em uma tragédia.

Outro número, muito delicado e frequentemente esquecido, é o da linha de frente, cuja extensão varia entre 1.000 e 1.200 quilômetros. Para que o leitor italiano possa imaginar melhor, isso corresponde a 55% da extensão da fronteira terrestre interna da Itália.

Esta guerra está contaminando a terra com explosivos. Não se trata simplesmente de combates entre grupos, mas também de uma causa de contaminação ambiental, pois, segundo dados oficiais, 132 mil quilômetros quadrados do território ucraniano estão contaminados por explosivos. Isso representa 44% de toda a área da Itália.

Outro fato que considero terrível, especialmente do ponto de vista pastoral, é que 114 mil pessoas estão oficialmente registradas como desaparecidas.

Lembremos que, durante a guerra dos Estados Unidos no Vietnã, foram registrados 2.640 desaparecidos, e isso é considerado uma tragédia para a nação americana. No último domingo, quando o mundo inteiro celebrou o Dia Internacional dos Desaparecidos em Conflitos Armados, nós, na Ucrânia, sabíamos que já temos 114 mil. Ou seja, 114 mil famílias que nada sabem sobre o destino de seus entes queridos.

Sobre a Primeira Guerra Mundial, dizia-se que era difícil estabelecer números exatos, mas recentemente alguns órgãos das Nações Unidas afirmaram que hoje há 1 milhão e 700 mil soldados — russos e ucranianos — nas trincheiras. Muitos russos estão morrendo, e é difícil para nós compreender isso. Isso é barbárie: Moscou envia continuamente novos soldados para ataques de «carne», sem sequer contabilizar o número de suas próprias vítimas. Nesses ataques, aquele que ataca perde mais do que aquele que se defende.

Mas esta guerra não é travada apenas por meio dos combates na linha de frente. Aqui são empregadas armas modernas e extremamente sofisticadas. Kyiv, Sumy, Zaporizhzhia, Odesa e Kharkiv são bombardeadas dia e noite por drones modernos equipados com câmeras. O operador vê em tempo real os civis que está matando. São atacadas lojas onde as pessoas vão comprar pão, mercados, universidades, escolas — qualquer lugar onde haja concentração de pessoas.

Antes do início do ano letivo, foram construídas na Ucrânia 100 escolas subterrâneas e, segundo se afirma, outras 100 serão construídas até o final deste ano. Os drones russos vigiam as crianças que vão à escola e atacam-nas. Isso é terrorismo!

Alguns analistas afirmam que esta guerra se parece cada vez mais com a guerra entre o Iraque e o Irã nos anos 1980. Os dois países não conseguiam avançar na linha de combate e começaram a aterrorizar a população civil. Foi chamada de «guerra das cidades», mas não levou a nada — apenas ao esgotamento de ambos os lados.

Como afirmou em Moscou o Arcebispo Gallagher, esta guerra não tem solução militar. É realmente uma hemorragia do tecido humano da Europa, e lamento que essa hemorragia já não cause dor às grandes democracias da Europa e do mundo, que simplesmente se escondem atrás dos ucranianos, os quais, com o próprio peito, defendem a vida tranquila e pacífica da União Europeia.

O chefe da Igreja Greco-Católica Ucraniana fala de uma Ucrânia que, com o próprio peito, protege os europeus — aqueles que se incomodam com o barulho e o estrondo das armas atrás de uma suposta cortina que ainda tentam manter entre o Ocidente e o Oriente, como se aquilo que acontece lá fosse assunto apenas daqueles povos.

Esse desconforto também é provocado pela retórica segundo a qual a Rússia não pode ser derrotada — afinal, ela é tão grande e possui um exército extremamente forte e numeroso. Pode recrutar soldados em qualquer lugar: das planícies da Sibéria até Vladivostok. Conta inclusive com o apoio de Kim Jong-un, um verdadeiro especialista quando se trata de soldados reduzidos à condição de carne para o abate. Mas por que, perguntamos a este homem de Kyiv, nós, ocidentais, ainda pensamos assim, depois de quatro anos de guerra?

— Na minha opinião, a Europa Ocidental ainda não compreendeu plenamente o que é a Ucrânia como nação e como Estado independente. Sabemos pela história que a Rússia venceu grandes guerras — e isso é verdade — e também as venceu porque ucranianos lutaram ao seu lado.

Hoje, a Rússia, sem os recursos ucranianos — tanto humanos quanto naturais — já não é uma potência mundial. A Rússia não tem capacidade de reconstruir seu império ou sua antiga grandeza soviética. Esta é a primeira vez na história moderna em que a Ucrânia não luta lado a lado com a Rússia. Muitos, tanto na Rússia quanto no Ocidente, não compreenderam isso. Além disso, esse fato destrói o mito de uma Rússia grande e invencível. Agora já não é assim. Muitos estereótipos e formas de pensar perderam sua base.

Uma grande parte dos ocidentais sempre considerou que a Europa Oriental constituía um mundo separado e homogêneo. Um mundo estrangeiro. A própria palavra «Europa» era frequentemente utilizada apenas no sentido de Europa Ocidental. Mas agora já não é assim. A Ucrânia já provou que é sujeito, e não objeto, da política, da diplomacia e da economia europeias. Mais ainda: ela própria está defendendo a Europa.

Muitos perguntam de onde vem essa resistência ucraniana. Nós mesmos não a compreendemos plenamente. Todos os dias nos surpreendemos com essa força. Estamos redescobrindo a força do nosso povo.

Estamos diante do confronto entre dois tipos diferentes de sociedade. A Ucrânia de hoje é uma sociedade fundamentada em uma rede social, uma rede de solidariedade, informação e apoio mútuo; uma rede de sociedade civil que, às vezes, dá origem às estruturas do Estado e à vida política. São pessoas que colaboram, que vivem uma vida em comum.

A Rússia, por outro lado, é uma pirâmide rígida, construída sem a sociedade civil e contra ela. No topo dessa pirâmide está um governo criminoso e cleptocrático — um poder que procura reconstruir-se segundo o modelo do sistema soviético. Na Rússia não existe sociedade civil. Os russos são politicamente apáticos porque sabem que não podem mudar nada. E essa pirâmide ficou frente a frente com a rede. Os russos não conseguem vencer na Ucrânia.

É claro que cada um desses tipos de sociedade possui seus pontos fortes e suas fragilidades. Na Ucrânia, por exemplo, essa rede precisa ser constantemente reconstruída e novamente costurada. Cada trauma, cada perda na frente ou entre a população civil nas cidades provoca o rompimento de diferentes vínculos da rede. As Igrejas desempenham nela um papel muito ativo, porque estão na guarda das relações humanas, tratando as feridas provocadas pela guerra e novamente costurando essa rede.

Dizemos que, às vezes, temos dificuldade para construir estruturas estatais fortes, mas em nosso país o poder muda, passando de umas mãos para outras. Na Ucrânia, o poder muda porque existe uma base de sociedade civil que provoca essas mudanças.

Na Rússia acontece o contrário, embora essa pirâmide rígida esteja começando a apresentar fissuras internas. Ela começa a desmoronar, como um enorme colosso, e por isso se torna cada vez mais perigosa e mortal. Ela se vê como uma fortaleza sitiada e considera todo o mundo como inimigo.

Essa sociedade vertical e piramidal é, evidentemente, muito rígida e opaca. Por exemplo, se o presidente russo se ocupa pessoalmente da microgestão militar, decidindo qual aldeia deve ser atacada em determinado dia, todos os demais líderes, inclusive os militares, sentem-se desvalorizados e já não conseguem tomar decisões.

A sociedade em forma de rede, ao contrário, torna-se cada vez mais flexível e dinâmica, sendo construída e desenvolvida sobre os princípios da solidariedade, da ajuda mútua, da iniciativa privada, do respeito à atividade humana e à sua inviolabilidade.

Ao contemplarmos essas duas imagens opostas, talvez possamos compreender a resistência ucraniana — a resistência de uma sociedade ferida que reage ao ataque. Esta guerra não provoca apenas rupturas na rede, mas também feridas interiores na alma — para nós, é uma luta existencial. Se essa pirâmide engolir a rede, sabemos que os acontecimentos do passado se repetirão, como o Holodomor — o genocídio no qual mais de 6 milhões de ucranianos morreram em consequência da fome artificialmente provocada.

É por isso que precisamos nos defender. E podemos fazê-lo graças à rede internacional, pois somos um povo transnacional: temos uma comunidade global de 60 milhões de ucranianos que vivem em todo o mundo, apoiam-se mutuamente e defendem seu país.

Em meio a tudo isso, a Santa Sé procura manter o contato inclusive com o agressor. Dez dias atrás, o Arcebispo Paul Richard Gallagher visitou Moscou, e muitos na Itália interpretaram essa viagem como um passo em direção à Rússia. No entanto, o mesmo Gallagher esteve na Ucrânia dois meses atrás e se manifestou de maneira muito firme sobre a necessidade de defender a causa ucraniana. Ele também apoiou a integridade territorial do país invadido por Moscou. Qual é a sua opinião sobre isso?

— A missão do Arcebispo Gallagher foi profética, no sentido de que foi a profecia de uma voz que clama no deserto. É interessante que o Arcebispo Gallagher tenha chegado à Rússia justamente no momento em que o chefe da inteligência dos Estados Unidos aterrissou lá. O Arcebispo Gallagher realmente falou sobre diálogo e paz. Disse que esta guerra não tem solução militar, que é necessário encontrar uma solução diplomática e assim por diante.

Mas, no momento em que pronunciava essas palavras proféticas, a Rússia planejava uma escalada da guerra na Ucrânia. Mais ainda, ela tentou — e ainda tenta — levar a guerra para além da Ucrânia, até mesmo para além do espaço aéreo terrestre.

Na Ucrânia, afirma-se que o motivo da visita a Moscou do chefe da inteligência dos Estados Unidos foi o fato de a Rússia estar tentando transferir a guerra para o espaço e até mesmo planejar uma explosão nuclear destinada a atingir o sistema de satélites GPS e, assim, atacar as comunicações globais.

Isso nos faz compreender que a declaração feita pelo Arcebispo Gallagher estava em forte contraste com a realidade que se desenrolava diante dele em Moscou. Acompanhamos sua visita com muita atenção. Foi como se tivéssemos descido ao abismo do inferno e, de lá, proclamado a fé na ressurreição dos mortos.

Infelizmente, Lavrov e Peskov comentaram as palavras do Arcebispo Gallagher como um simples slogan, um «slogan vazio». Isso é um fato muito sério, pois demonstra o quanto a Rússia despreza a diplomacia. A única linguagem que ela entende é a força, a força bruta e militar, e a Rússia é incapaz de reconhecer seu interlocutor como um igual.

Além disso, gostaria de acrescentar que os russos só estão interessados no diálogo quando seus interlocutores podem ser utilizados para fins de propaganda de Moscou. Com aqueles que não querem ser usados, eles se recusam a lidar. A viagem do Arcebispo Gallagher foi muito delicada: o risco de ser utilizado para esse fim é muito grande e, naturalmente, a Santa Sé não pode concordar com isso.

O Papa e o responsável pelas Relações com os Estados falaram de maneira clara e inequívoca sobre a paz. Aliás, falar sobre a paz na Rússia atual é considerado um crime. Portanto, eu diria que foi uma visita profética, mas, infelizmente, ela não abriu nenhum caminho; até hoje não houve nenhum avanço.

É evidente que tanto os meios de comunicação pró-russos quanto seus amigos no Ocidente, como verdadeiros «idiotas úteis», irão utilizá-lo para seus próprios objetivos. Mas nós, na Ucrânia, sabemos que o Papa Leão é o Papa da paz, que a proclama mesmo quando isso contradiz determinada corrente política. Leão XIV proclama valores, defende a dignidade humana e, quando fala da Ucrânia, fala da guerra na Europa e do respeito à nossa Constituição. Ou seja, proclama os princípios sem os quais não é possível pôr fim a esta guerra.

E depois de anos de evidente tensão ou, melhor dizendo, de incompreensão, como é vista hoje na Ucrânia a atuação da Santa Sé em relação à guerra que continua?

— Posso constatar que, neste momento, a linguagem do Papa Leão e da diplomacia vaticana é muito clara. No passado, os mal-entendidos surgiam às vezes justamente por causa de determinada interpretação, não tanto das intenções, mas dos símbolos e das palavras. Hoje, tudo aquilo que a Santa Sé diz e faz é muito claro e altamente valorizado na Ucrânia.

Desde o dia de sua eleição, Leão XIV foi proclamado na Ucrânia como o Papa da paz, que não se limita a slogans pacifistas, pois a verdadeira paz cristã nada tem a ver com o pacifismo, especialmente aquele de modelo comunista, mas proclama os princípios sobre os quais essa paz pode ser construída. Uma paz justa e duradoura — uma paz «desarmada e desarmante».

Por isso, somos muito gratos por essa clareza; nesse sentido, sentimos o apoio da Santa Sé. E somos gratos sobretudo porque, em junho, durante o Consistório, foi rejeitada a ideologia da «guerra justa». Trata-se daquilo que agora é proclamado em Moscou: o Patriarca Kirill acaba de publicar um livro sobre a «guerra justa», que para ele é uma guerra santa. Na minha opinião, a Santa Sé pensa de maneira completamente diferente.

Há ainda outro problema fundamental, novamente relacionado ao fato de que o Ocidente é desatento e cheio de preconceitos, além de carregar avaliações histórico-religiosas completamente equivocadas. Sempre há aqueles que veem na Rússia uma fortaleza de defesa dos «verdadeiros valores», especialmente dos valores cristãos.

E isso apesar de Vladimir Putin não ver nada de errado em bombardear até mesmo o complexo da Catedral da Dormição em Kyiv. Isso no que diz respeito ao respeito pelos símbolos cristãos…

O  Chefe da Igreja Greco-Católica Ucraniana sorri silenciosamente e espera alguns segundos antes de responder.

— Alguns dias atrás — diz ele — foi publicado um artigo muito claro e importante sobre esse tema, escrito por Sergei Chapnin. Ele é um fiel ortodoxo que pertenceu durante 15 anos ao sistema do Patriarcado de Moscou e que, depois, por determinadas razões, foi obrigado a romper com ele. Seu artigo tem o título «Faith Under Pressure», ou seja, «Fé sob pressão». Chapnin desmonta o mito da Rússia como fortaleza de defesa dos valores tradicionais.

Gostaria de esclarecer: aqui não se trata, de modo algum, de valores cristãos. A propaganda russa apoia-se nos chamados valores tradicionais. E a tradição à qual se refere não é, de maneira alguma, cristã. Eles utilizam os valores familiares para fins militares, pregam uma teologia da morte, e não da ressurreição. Aqui não se trata absolutamente de valores cristãos, nem dos mandamentos de Deus.

Trata-se de uma religião civil, cujos valores coincidem com os valores do Estado russo. Por isso, falar de valores tradicionais é uma armadilha ideológica — uma armadilha da ideologia do «mundo russo» (Russkiy Mir).

Um pequeno exemplo para compreender: um sacerdote ortodoxo que não quer rezar pela guerra, mas reza pela paz, não é simplesmente um dissidente; ele é considerado um herege. Qual é a sua culpa? O fato de não apoiar essa «nova teologia», que combina fragmentos do cristianismo com a ideologia comunista e marxista da União Soviética, sob a forma de um novo tipo de sincretismo religioso.

É nesse contexto que existe o mito da Rússia como defensora dos valores tradicionais. Isso não tem absolutamente nada a ver nem com a tradição cristã nem com o Evangelho de Jesus Cristo.

Ontem, ao final da oração do «Angelus», o pensamento do Papa voltou-se novamente para a Ucrânia:

«Com o coração dolorido, acompanhei as notícias sobre os ataques brutais que recentemente atingiram diversas cidades e infraestruturas civis na Ucrânia, causando a morte de pessoas inocentes. Meu coração se une ao sofrimento da população que há anos vive em estado de ansiedade e medo. Renovo o apelo para que se ponha fim à violência, que se detenha a destruição, que se abram os corações ao diálogo e à paz. Espero que os esforços realizados nestes dias para retomar as negociações produzam frutos concretos e abram espaço para a diplomacia».

Matteo Mazzucci.

Tradução do Ucraniano: Pe. Estefano Wonsik, OSBM.

Link original: https://ugcc.ua/data/merzennist-rosiyskogo-varvarstva-intervyu-blazhennishogo-svyatoslava-dlya-il-foglio-9304/ 


NOTA: Il Foglio é um jornal diário italiano de circulação nacional, fundado em 30 de janeiro de 1996 pelo jornalista e escritor Giuliano Ferrara. Com sede em Roma, o periódico tornou-se conhecido por sua atenção especial à política italiana e internacional, bem como por seus artigos de análise e opinião. Ferrara dirigiu o jornal desde sua fundação até 2015, com uma breve interrupção entre 1996 e 1997. Desde 28 de janeiro de 2015, a direção está a cargo do jornalista Claudio Cerasa, que anteriormente atuava como chefe de redação política do periódico.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

CORRIGINDO UM ERRO PROPOSITAL

Visando corrigir um "erro" linguístico e propositadamente politico promovido pela Rússia para descaracterizar a identidade da Capital e regiões na Ucrânia, faz-se necessária estas correções.

PORTANTO, CONSIDERE












domingo, 2 de agosto de 2026

HERÓIS NÃO MORREM

Heróis não morrem: Emilio Gaudeda narra uma tragédia silenciosa

·         EMILIO GAUDEDA

 

















Registro histórico das primeiras famílias de imigrantes ucranianos na abertura das colônias rurais do Paraná (Final do século XIX). Foto: Divulgação / Museu do Milênio.

 Nota do Editor:

O texto que trazemos hoje aos leitores do dialeticos.com é um documento de profunda carga dramática e valor histórico. Trata-se de um relato originalmente publicado em ucraniano no Calendário do Agricultor Ucraniano de 1937, organizado por Dmetró Tiahnehore, e posteriormente resgatado e traduzido pelo escritor Emílio Gaudeda em sua obra Heróis não morrem.

A imigração ucraniana no Brasil é frequentemente celebrada pela rica herança cultural, folclórica e religiosa preservada no Paraná. Comunidades expressivas estabeleceram-se na capital, Curitiba, e expandiram-se fortemente pelo interior do estado, concentrando-se em municípios como Mallet, Irati, Guarapuava, União da Vitória, Roncador e, fundamentalmente, Prudentópolis (conhecida como a capital da Ucrânia brasileira), onde colônias rurais históricas como a de Ponte Nova preservam viva essa ancestralidade.

No entanto, os bastidores dessa epopeia guardam memórias de imensurável sofrimento. Ao abandonarem as difíceis condições de sua terra natal, as primeiras levas desembarcaram em um país de clima hostil e foram assentadas em lotes isolados de mata virgem. Sem nenhuma infraestrutura, estradas ou assistência médica, os pioneiros enfrentaram não apenas o desafio hercúleo de abrir clareiras na floresta, mas também o rigor de doenças tropicais, ataques de animais selvagens e a escassez de recursos básicos.

Esta narrativa, contada sob a perspectiva de uma idosa sobrevivente da primeira leva migratória, em um tom sentimental e trágico, humaniza as estatísticas históricas. Ela nos lembra de que a construção das prósperas colônias que hoje admiramos foi erguida sobre o silêncio, o luto e a resiliência de famílias inteiras que repousam em sepulturas esquecidas nos antigos confins da nossa selva.

Boa leitura.

Hatsuo Fukuda, Editor.

A desventura dos primeiros imigrantes no Brasil

TIAHNEHORE, Dmetró

Na casa de um colono no Paraná, deparei-me com uma idosa vovozinha. Em seu semblante, havia sinais de muita tristeza vivida; ela estava sentada, cabisbaixa.

— É sua mãe? — perguntei ao dono da casa.

— Não — respondeu-me ele —, é uma estranha. Está vivendo aqui conosco o que lhe resta da sua vida. Ela é da primeira imigração, e não foram poucas as desgraças por que já passou.

Isso me interessou. Comecei uma conversa com a vovozinha, pedindo que me contasse como foi a vida daqueles tempos desde o início. A velhinha suspirou pesadamente e começou a relatar:

— Vivia eu e meu marido em Haletchená. Tínhamos quatro filhinhos e, às vezes, passávamos por necessidades, donde surgiu a ideia de emigrar para o Brasil. Oh, quão infeliz foi o momento daquela ideia! Vendemos nossa lavoura e começamos a nos arrumar para a partida. Não dormi a noite todinha; despedia-me da minha casinha com lágrimas molhando seu chão, pois foi nele que dei os meus primeiros passos. Saí para o pomar abraçando cada arvorezinha como se crianças foram. "Oh, minha ginjeirinha viçosa, quantas vezes trepava eu em seu tronco para catar suas frutinhas", murmurava e amargamente chorava. Andei até o pocinho de água, despedi-me, no caminho, do salgueirinho verde, tirei um pouquinho de água e pela última vez dela bebi. Ao raiar o dia, partimos para a estação.


Chegamos até o mar e embarcamos no navio. A viagem foi penosa. Adoeci, adoeceram as crianças e, a muito custo, desembarcamos vivos no Brasil. Aqui, de repente, fomos recebidos por um calor abrasador. Sofremos muito até chegarmos às selvas do Paraná, onde nos assentamos, levantando um barraco, e começamos a derrubar a mata e lavorar o solo. Em volta, só floresta, cheia de animais selvagens e cobras. Longe do povo, longe do mundo.

Um dia ouvi gritos. Gritava a minha filhinha mais crescidinha, de 12 anos, a Oksaninha. Saí correndo e ela, branca como a neve, tremia; fora picada na perna por uma cobra. Deus amado! O que fazer, não sei. A perna foi inchando, desespero-me de dó; e, como eu, o meu marido. A queridinha do coração contorcia-se na cama de dor e suplicava: "Paizinho, mãezinha, acudam-me". Sofreu muito e, antes do amanhecer, morreu. De desespero, eu batia a cabeça contra a parede, pensei que ia perder o juízo. Cavamos um buraco perto da casa, sepultamos a nossa querida filhinha e fincamos uma cruz de madeira.

Nem se passaram duas semanas, ouvi gritos não longe de casa. Saímos correndo e vimos um tigre dilacerando o nosso pequeno Vasselko. Meu marido apanhou a espingarda, atirou e matou o tigre, mas o meu Vasselko já estava caído, morto, com a barriguinha dilacerada. Desmaiei ao lado dele, amaldiçoava a minha amarga sina. Enterramos o Vasselko ao lado da Oksaninha.

Ficamos dias sem comer nem beber, sentidos, como que atordoados. Um mês depois, Mekóltsio adoeceu, ficou com febre, mas aqui não havia nem remédios, nem uma alma viva para prestar socorro. Ficava eu sentada a seu lado, molhava-o com água, mas, no quarto dia de manhã, ele nos deixou. Nasceu a terceira cova, aumentando o nosso cemitério e, com ela, a nossa dor.

Ficou ainda a filhinha Maríika, única nossa alegria e consolo, mas a ela também não fora predestinado viver. Certo dia, estávamos perto de casa quando, de repente, saltaram da mata espessa dois selvagens e começaram a atirar contra nós com arco e flecha. Meu marido pegou a espingarda, deu um tiro, e eles fugiram. Corremos para a Maríika; ela estava caída no chão, morrendo, com uma flecha cravada em seu peito. Perdi os sentidos e, quando voltei a mim, a minha filhinha já estava gelada. Nasceu a quarta sepulturinha.

Foram-se os filhinhos, ficamos nós sozinhos. Eu chorava ao lado das sepulturinhas, e o meu marido, Stepan, ficava sentado perto do barraco, apoiando a cabeça nas mãos. Empalideceu, emagreceu a ponto de não ser reconhecido, não comia e, de dia em dia, ia-se acabando, como uma vela se consumindo. Depois que se deitou, não levantou mais. Ficou deitado duas semanas e, uma noite, andou até as criancinhas. Deus amado! O que se passava no meu coração, só Deus sabe. Chorando, cavei mais um buraco e enterrei o meu marido.

E, nesse exato momento, formou-se uma ventania. Veio uma tempestade, bravejava a floresta em centenas de rugidos, como que cantasse o "Vichnaya Pamyat" (Вічная пам'ять), o réquiem aos mortos ali.

Às noites, então, passava eu ao lado das sepulturas, suplicava a Deus que me desse a morte, mas a morte não vinha. Alguns meses depois, consegui chegar até umas casas e assim ando até hoje, estorvando as pessoas, e choro, choro pelo marido e pelos filhinhos.

— Assim foi a amarga sorte dos primeiros imigrantes no Brasil — concluiu a velhinha o seu triste relato, com os olhos cheios de lágrimas.

Fiquei com pena dessa pobre velhinha, que passou por tanta dor e tristeza.

Calendário do agricultor ucraniano para o ano de 1937, p. 60-61.

Tradução: Emílio Gaudeda. 

Emílio Gaudeda é professor, escritor, revisor e um dos mais destacados tradutores da língua ucraniana no Brasil. Com uma sólida carreira acadêmica dedicada às letras, atuou por mais de 30 anos como Revisor de Textos da Imprensa da Universidade Federal do Paraná (UFPR), acumulando profunda experiência na lapidação da prosa e no estudo fonético e transliteral entre os idiomas português e ucraniano.

Membro ativo e intelectual da comunidade eslava no Sul do país, Gaudeda dedica grande parte de sua trajetória ao resgate da memória histórica e cultural dos primeiros imigrantes que se estabeleceram em solo paranaense. Seu trabalho transita de forma única entre a documentação histórica, a crônica colonial e a tradução de grandes nomes da ficção contemporânea do Leste Europeu.

Principais Trabalhos Literários e Traduções:

·         Heróis não morrem – Grandes Obreiros na Comunidade Ucraniano-Brasileira (Editora do Chain): Obra fundamental de resgate étnico e biográfico que documenta a formação e a resiliência das frentes pioneiras ucranianas no Brasil.

·         Ponte Nova de Outrora (Crônicas Coloniais): Uma sensível coletânea de relatos e crônicas que reconstrói o cotidiano, as memórias e a identidade das famílias que desbravaram o interior do Paraná.

·         Lá, onde há vento (Lyubko Deresh / Tradução): Lançado no Brasil pela Editora Rua do Sabão, este trabalho traz pela primeira vez ao leitor brasileiro o romance do renomado autor ucraniano contemporâneo, narrando os dilemas da criação e da identidade em um país sob o impacto da guerra.

·         Pesquisa de campo sobre o sexo ucraniano (Oksana Zabuzhko / Tradução): Tradução cuidadosa de uma das obras literárias mais influentes e provocadoras do Leste Europeu pós-soviético.

·         Ensaios e Estudos Históricos: Coautor em publicações comemorativas ligadas aos 130 anos da imigração ucraniana no Brasil, produzindo ensaios focados nas frentes migratórias que antecederam os registros oficiais do governo.

 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

DIA DA UCRÂNIA - 28 DE JUNHO

 DIA DA CONSTITUIÇÃO DA UCRÂNIA

Em 28 de junho, na Ucrânia é celebrado o feriado nacional – Dia da Constituição da Ucrânia. Neste dia no ano 1996, a Verkhovna Rada (o Parlamento) da Ucrânia aprovou uma nova Lei no país – primeira Сonstituição do Estado moderno ucraniano.

A Constituição aprovada consolidou as bases legais da Ucrânia independente, sua soberania e integridade territorial. O documento levou em conta a experiência histórica do povo ucraniano bem como as melhores tradições mundiais.

Hoje, no dia do 30º aniversário da vigente Lei da Ucrânia, é importante lembrar, que o nosso país tem a história do constitucionalismo muito mais antiga, contribuindo significativamente no desenvolvimento dos processos constitucionais do mundo.

A marca mais distinta foi feita no século ХVIII por Pylyp Órlyk, o Hétman da Ucrânia (Chefe do Estado).

“Os Pactos e Constituições das Leis e Liberdades do Exército de Zaporizhzhia” (1710) são considerados como a primeira Constituição do Estado ucraniano (chamado naquela época Zaporizhzhia – o Estado de Cozakos).

A Constituição do Pylyp Órlyk foi concordante com as tendências do desenvolvimento do então pensamento político europeu (em particular, afirmando a separação entre igreja e governo secular), superando a teoria e prática política européia em alguns aspectos, dando a preferência aos princípios do constitucionalismo em vez da idéia do absolutismo que foi predominante na Europa.

Outra etapa de construção do Estado constitucional foi a adoção, em 29 de abril de 1918, pelo Conselho Central da Lei Fundamental da República Popular da Ucrânia (RPU) chamada “Estatuto do sistema de governo, direitos e liberdade da RPU”, bem como a aprovação, em 13 de novembro daquele ano, da Constituição Provisória da República Oeste Ucraniana. No entanto, os trágicos acontecimentos daquela época impediram a aplicação das disposições destes documentos.

Vale destacar que a Constituição da RPU foi baseada em padrões democráticos que são agora reconhecidos internacionalmente como os princípios fundamentais de construção de estado. O documento fixava a soberania do povo como a principal fonte de poder, a integridade territorial, e os direitos culturais das minorias nacionais.

O papel importante foi atribuído à governação local e ao princípio da separação dos poderes. É importante ressaltar que a Constituição define a igualdade de todos os cidadãos, independentemente da idade, raça, religião e gênero, consolidando os direitos humanos e liberdades fundamentais, abdicando-se de aplicação da pena de morte.

Devido a esta rica herança constitucional, o trabalho sobre a criação da Lei Fundamental do nosso país foi iniciado imediatamente ao proclamar a Declaração da Independência da Ucrânia, em 1991, envolvendo melhores especialistas do mundo e profissionais locais, e tendo como êxito a aprovação da Constituição da Ucrânia pelo Parlamento, em junho de 1996.

A Constituição da Ucrânia de 1996, além de consolidar os princípios fundamentais da democracia, independência, direitos humanos e liberdades fundamentais, determina que a política externa da Ucrânia é destinada a assegurar os seus interesses nacionais e sua segurança, mantendo a cooperação pacífica e mutuamente benéfica com a comunidade internacional com base em princípios e normas do direito internacional universalmente reconhecidos.

A adoção da Lei foi um ponto de partida da nova era na história da Ucrânia, o que garantiu a estabilização da situação sócio-política e sócio-econômica do país.

Lamentavelmente, com a agressão militar da Rússia em 2014, invadindo a Criméia e a partir de 24 de fevereiro de 2022 o Leste da Ucrânia, a data não pode ser comemorada condignamente, mas acredita-se que o dia da vitória final contra os ORCs russos chegará em breve. Não podemos perder as esperanças de uma Ucrânia livre, democrática vivendo em PAZ.

SLAVA UCRAÍNA !

segunda-feira, 22 de junho de 2026

VOLODYMYR ZELENSKY x KAROL NAWROCKI

 ⚠️  Zelensky devolve a mais alta condecoração da Polónia por correio convencional

Zelensky devolve medalha à Polônia após Kyiv homenagear batalhão ucraniano que massacrou poloneses na Segunda Guerra; entenda — Foto: Reprodução: AFP e X

Zelensky e outros oito altos responsáveis ucranianos, incluindo três ex-presidentes, ministros e diplomatas, devolvem as suas condecorações polacas

Uma das mais extraordinárias disputas diplomáticas entre Kyiv e Varsóvia desde o início da invasão em grande escala da Rússia eclodiu em torno da História.

Apenas dez meses após assumir funções, o presidente polaco Karol Nawrocki revogou a Ordem da Águia Branca — a mais alta distinção da Polónia — ao presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

Nawrocki justificou a decisão citando o decreto de Zelensky que homenageou uma unidade militar ucraniana que ostenta o nome dos Heróis da UPA. Para a Polónia, o legado do Exército Insurgente Ucraniano continua profundamente controverso devido aos massacres de civis polacos em Volínia durante a Segunda Guerra Mundial.

Mas a decisão desencadeou uma reação sem precedentes por parte da Ucrânia.

Quando o presidente Volodymyr Zelensky devolveu a Ordem da Águia Branca, num gesto de inequívoco sarcasmo ucraniano, teria enviado a condecoração através da Nova Poshta em vez dos canais diplomáticos. Para milhões de ucranianos, a Nova Poshta é muito mais do que uma empresa privada de entregas. É um símbolo de eficiência e resiliência, ao ponto de muitos ucranianos residentes na Polónia brincarem dizendo que a Nova Poshta funciona melhor na Polónia do que os próprios correios polacos. 

A mensagem era impossível de ignorar.

E ele não estava sozinho.

Até ao momento, o Presidente da Ucrânia e outros oito altos responsáveis ucranianos devolveram as suas condecorações polacas, e outros poderão seguir o mesmo caminho.

Numa extraordinária demonstração de unidade, a lista inclui atualmente:

* O ex-presidente Leonid Kuchma — Ordem da Águia Branca.

* O ex-presidente Viktor Yushchenko — Ordem da Águia Branca.

* O ex-presidente Petro Poroshenko — Ordem da Águia Branca.

* O ministro dos Negócios Estrangeiros Andrii Sybiha — Cruz de Comandante com Estrela da Ordem do Mérito da República da Polónia.

* O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Borys Tarasyuk — Grande Cruz da Ordem do Mérito da República da Polónia.

* O chefe da inteligência militar Kyrylo Budanov — Cruz Dourada de Oficial da Ordem do Mérito da República da Polónia.

* O vice-chefe do Gabinete Presidencial Ihor Zhovkva — Cruz de Cavaleiro da Ordem do Mérito da República da Polónia.

* O embaixador da Ucrânia na Polónia, Vasyl Bodnar — Cruz de Cavaleiro da Ordem do Mérito da República da Polónia.

O presidente Nawrocki, historiador e antigo diretor do Instituto da Memória Nacional da Polónia, declarou que homenagear formações associadas à UPA era incompatível com a manutenção da mais alta distinção polaca.

Mas a controvérsia levanta questões desconfortáveis.

Desde quando um país soberano decide que figuras históricas, unidades militares, organizações ou ruas outro país soberano pode homenagear?

E desde quando uma divergência sobre a memória histórica justifica retirar a mais elevada distinção estatal ao presidente de uma nação vizinha que luta pela sua própria sobrevivência?

A Ucrânia e a Polónia desfrutam provavelmente das relações mais próximas das suas histórias modernas desde o início da invasão em grande escala da Rússia. Milhões de ucranianos encontraram refúgio na Polónia. A Polónia tornou-se um dos mais fortes apoiantes de Kyiv, política, económica e militarmente. O inimigo comum sempre foi claro: a Rússia.

A História importa.

A memória importa.

As vítimas da Volínia merecem memória e respeito.

Mas muitos observadores questionam se abrir um conflito diplomático público sobre disputas históricas, enquanto os ucranianos continuam a morrer todos os dias sob mísseis e drones russos, serve realmente os interesses de qualquer uma das duas nações.

Os meios de propaganda russos não perderam tempo a celebrar a controvérsia. Propagandistas e comentadores russos apresentaram imediatamente o caso como prova de que a unidade entre a Polónia e a Ucrânia está a desmoronar-se. Imagens e manchetes a ridicularizar a disputa espalharam-se rapidamente pelo espaço mediático russo, transformando a controvérsia numa vitória propagandística para Moscovo.

Vários responsáveis ucranianos descreveram o episódio como um presente para Moscovo. Até o primeiro-ministro polaco Donald Tusk advertiu que a Rússia seria a principal beneficiária das tensões entre Varsóvia e Kyiv.

Talvez essa seja a questão mais inquietante de todas.

Porque, enquanto polacos e ucranianos discutem sobre o passado, a Rússia celebra o presente.

E quando o seu adversário abre champanhe por causa das suas querelas, talvez valha a pena perguntar se a batalha que está a ser travada é realmente a certa.

A História deve ser lembrada.

Mas nunca deveria transformar-se numa arma que ajuda aqueles que procuram destruir o futuro.


#amigosdaucrania

segunda-feira, 15 de junho de 2026

CARNICEIRO E PSICOPATA RUSSO EM DESESPERO?

Mosteiro histórico de Kiev em chamas após ataque russo que deixa mortos

Local é considerado Patrimônio Mundial da Unesco desde 1990, em conjunto com a Catedral de Santa Sofia

Victoria Butenko e Rhea Mogul, da CNN14/06/26 às 23:38 | Atualizado 15/06/26 às 04:44

Um proeminente complexo de mosteiros ucranianos no coração de Kiev, na Ucrânia, pegou fogo após um ataque russo em massa durante a noite deste domingo (14). Pelo menos quatro pessoas morreram no incêndio.

“Os russos danificaram a Catedral da Dormição”, disse Tetyana Berezhna, Ministra da Cultura da Ucrânia, em um comunicado. O Metropolita Epifânio de Kiev e de toda a Ucrânia pediu “orações pela salvação do santuário da destruição”. “Outro crime russo contra a humanidade, contra a história, contra o cristianismo”, disse.

O Mosteiro das Cavernas de Kiev tem origens que remontam a quase mil anos e é considerado um patrimônio mundial pela Unesco desde 1990. Em 2023, foi adicionado à lista do Patrimônio Mundial em Perigo “devido à ameaça de destruição que a ofensiva russa representa”.

O ataque russo deixou pelo menos 23 pessoas em toda a cidade, de acordo com o prefeito Vitaliy Klitschko. Um jornalista da CNN em Kiev relatou ter ouvido várias explosões.

Pelo menos quatro pessoas morreram na cidade de Kharkiv, no nordeste do país, após bombardeios russos, segundo Ihor Klymenko, Ministro do Interior da Ucrânia.

O ataque também deixou cerca de 140 mil famílias na parte norte de Kiev sem eletricidade, segundo o prefeito Vitaliy Klitschko.

Ele ocorre depois que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que conversou com o presidente dos EUA, Donald Trump, onde os dois discutiram os esforços para pôr fim à guerra, que Moscou iniciou há mais de quatro anos.

“Todos os ucranianos têm um desejo para o Presidente Trump: que possamos finalmente alcançar a paz e alcançar este sucesso juntamente com os EUA e todos os nossos parceiros”, escreveu Zelensky no X.

Trump também conversou com o presidente russo, Vladimir Putin, no domingo, segundo o Kremlin.

A origem do Mosteiro das Cavernas de Kiev





























Uma vista da Lavra Inferior do complexo do mosteiro da Torre do Sino da Grande Lavra em 22 de novembro de 2023 em Kiev, Ucrânia • Global Images Ukraine via Getty

Fundada no século XI e compreendendo uma complexa rede de igrejas superficiais e subterrâneas, é um importante centro espiritual e cultural para muitos ucranianos e um importante local de peregrinação.

O Mosteiro das Cavernas de Kiev é uma das construções mais altas de Kiev -- sua altura é de 96,5 metros. Foi construído de 1731 a 1745, e o acesso à sua parte superior esteve fechado à visitação durante os últimos 30 anos. 

Na sua listagem, a Unesco descreve o complexo como uma “obra-prima da arte ucraniana”. Ao longo dos séculos, relíquias de santos foram enterradas nas cavernas, segundo a Unesco.

 

Putin, o carniceiro, assassino e psicopata é uma ameaça para a humanidade. Ele, na condição de PSICOPATA, não tem limites, pois é desprovido de qualquer sentimento de humanidade e de dilema moral . NÃO PASSA DE UM ANIMAL IRRACIONAL. 

[Anatoli Oliynik]