quinta-feira, 24 de setembro de 2026

DISCURSO DE ZELENSKYI NO FÓRUM ECONÔMICO DOS CÁRPATOS

Discurso do Presidente aos participantes do Fórum Econômico dos Cárpatos

18 de setembro de 2026 - 22:47

Discurso do Presidente aos participantes do Fórum Econômico dos Cárpatos

Caros amigos,

Prezados participantes de nossa Cúpula dos Cárpatos e de sua parte comercial,

É muito importante que a Iniciativa dos Cárpatos comece exatamente assim – com trabalho prático e com uma base econômica sólida. Hoje, em primeiro lugar, tivemos uma primeira parte política absolutamente excelente. Quero agradecer a todos os líderes que vieram até nós. E agradeço a presença de vocês, grandes apoiadores da Ucrânia. Muito obrigado!

E temos aqui quase 1.400 participantes. Mais de 800 representantes de governos, regiões e comunidades, e mais de 500 representantes empresariais de todos os países do C8. Meus parabéns. E esta é a primeira cúpula desta magnitude para a nossa macrorregião.

E esta região mudou muito durante os anos de guerra. O que antes era visto principalmente como uma região fronteiriça tornou-se, na verdade, uma importante base para logística, energia e indústria. E o nosso objetivo é ver os países dos Cárpatos crescerem fortemente nos próximos anos – com mais investimentos, indústrias mais fortes e novas oportunidades em toda a região.

E especialmente agora, devido à política agressiva, absolutamente agressiva, da Rússia, há muitos motivos para fortalecer esta região. Mais segurança. Conexões energéticas mais robustas. Melhores estradas e ferrovias e, claro, portos. A segurança sempre depende da nossa capacidade de trabalhar em conjunto – quando nossos sistemas estão conectados e nossos países cooperam, nossa proteção também se torna mais forte.

Hoje já temos algo muito, muito prático com que trabalhar. Nossos 8 países apresentam um portfólio de investimentos comum de 95 projetos, avaliados em cerca de 40 bilhões de euros. E esta é uma oferta regional conjunta para investidores. Pela primeira vez, a macrorregião dos Cárpatos se apresenta como um único mercado, com um portfólio de investimentos unificado. E hoje, mais de 50 acordos, no valor de mais de um bilhão de euros, estão prontos para assinatura. E este é apenas o ponto de partida. Apenas o primeiro ano da nossa iniciativa. Meus parabéns.

A energia representa cerca de metade do portfólio energético, e este pode se tornar um dos principais contributos dos Cárpatos para a Europa. Energia solar e eólica. Armazenamento de energia. E novas interligações. E as nossas grandes instalações subterrâneas de armazenamento de gás. Existe também um projeto para um parque eólico nos Cárpatos com 1,5 gigawatts de capacidade. Os Cárpatos podem tornar-se um contribuinte energético para a União Europeia – e não apenas uma região de trânsito. E isto apoia diretamente o objetivo da Europa de alcançar a independência energética em relação à Rússia.

Logística e indústria são igualmente importantes. Estamos falando de novos corredores de transporte, centros logísticos, terminais, processamento e armazenamento, e nova produção industrial. A guerra provou algo muito, muito claramente: quando as estradas, ferrovias e portos de países vizinhos funcionam em conjunto, o comércio pode continuar mesmo nas condições mais adversas. Portanto, precisamos transformar essa resiliência em infraestrutura permanente, e não em uma solução temporária para tempos de guerra.

Nossas regiões e nossas comunidades devem ser parte integrante deste trabalho. Cerca de 170 representantes das regiões dos Cárpatos estão aqui hoje. Muito obrigado! Sejam bem-vindos! As comunidades de montanha frequentemente enfrentam os mesmos problemas: estradas, meio ambiente, demografia e desenvolvimento. E esses são problemas que nenhuma capital consegue resolver sozinha. É por isso que a cooperação entre regiões e comunidades é tão importante. Ela traz alguns dos resultados mais duradouros.

E também temos uma clara disposição da União Europeia em apoiar a macrorregião dos Cárpatos. Todos entendem por que isso é importante.

E a região dos Cárpatos conecta naturalmente três outras macrorregiões europeias: o Báltico, os Alpes e o Danúbio. Aqui, nos Cárpatos, convergem importantes rotas comerciais, energéticas e de defesa da Europa Oriental. Além disso, esta região conecta-se diretamente com o sul da Europa.

E, graças à nossa defesa ativa, a macrorregião dos Cárpatos também se tornou uma base muito importante para a produção de defesa e para as indústrias que apoiam a defesa moderna. E esse papel só tende a crescer. Graças a toda a nossa produção de tecnologia militar, a todas essas pessoas extremamente inteligentes e aos nossos guerreiros.

E há também, creio eu, um importante ponto geopolítico.

A cooperação nos Cárpatos ajuda a aproximar a Ucrânia da União Europeia. Quanto mais as nossas regiões, as nossas empresas e as nossas comunidades trabalharem em conjunto aqui, mais a Ucrânia se integrará na vida prática da União Europeia.

Toda essa cooperação deve trazer crescimento econômico real, investimento real e empregos reais.

Obrigado pelo seu trabalho aqui hoje. Juntos, vamos fortalecer este formato. Tenho certeza. Cem por cento.

A Iniciativa Cárpatos veio para ficar.

Glória à Ucrânia!

 

DISCURSO DE ZELENSKYI NA ONU

 Muito obrigado.

 Senhoras e senhores!

 Nesta segunda-feira, a caminho de Nova York, em algum lugar no céu acima do grande e belo Oceano Atlântico, li a postagem do Presidente Trump no Truth Social. O Presidente escreveu que “a Rússia perdeu o controle de sua indústria de diesel devido à guerra com a Ucrânia”. E é difícil imaginar uma derrota mais humilhante para um país que tem um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e se orgulha de suas exportações de petróleo. Cito: “Uma parte significativa de suas refinarias de diesel foi destruída e, pelo menos temporariamente, desativada”. Fim da citação.

E é verdade. A Rússia errou. E a conclusão da postagem também está correta: “Esta guerra insensata e interminável com a Ucrânia precisa acabar”.

Não conheço nenhum líder mundial que diria o contrário. Não conheço ninguém que apoie abertamente esta guerra…

Exceto uma pessoa.

Senhoras e senhores!

Por quase cinco anos, generais russos vêm tentando cumprir a ordem insana de Putin de tomar o nosso leste, a região de Donetsk. E somente neste ano, de janeiro a agosto, o exército russo perdeu 248.964 homens no campo de batalha na Ucrânia. Em oito meses. Duzentos e quarenta e oito mil. Mortos e gravemente feridos. Em 21 países ao redor do mundo, a população é menor do que o número de soldados russos perdidos apenas nesses oito meses.

Temos vídeos que comprovam cada uma dessas perdas. E não são apenas estatísticas. São pessoas. Temos um arquivo de vídeos de drones – vídeos que mostram milhares e milhares de russos morrendo nas zonas proibidas. Isso é uma loucura. Mas eles continuam indo para lá para morrer. Porque é exatamente isso que Putin quer.

 E, tendo perdido tantas pessoas, a Rússia conseguiu, neste ano, tomar pouco mais de mil quilômetros quadrados do nosso território, e nós já libertamos uma parte significativa dele.

A Rússia é um país que já possui 17 milhões de quilômetros quadrados de território próprio – sem contar, aliás, o território ucraniano. Portanto, para adicionar mais mil quilômetros quadrados, Putin está pagando com a vida de 248 pessoas por quilômetro. Alguém ainda o considera razoável e moderado?

Seu camarada, o líder da Coreia do Norte, enviou tropas à Rússia para reforçar os pontos fracos do exército russo. Os norte-coreanos também sofreram perdas. Perdas pesadas.

Você provavelmente já viu as transmissões de Pyongyang, onde homenageiam os mortos. E isso também é uma loucura. Por que os coreanos deveriam dar suas vidas em uma guerra contra a Ucrânia?

Kim Jong-un os usa como moeda de troca. E recebe algo em troca. E os vizinhos da Coreia do Norte e outros países asiáticos provavelmente já notaram a melhoria de seus mísseis balísticos e as capacidades muito superiores de Pyongyang no campo dos drones.

Portanto, a guerra que não foi evitada a tempo, que não foi interrompida a tempo e pela qual a Rússia não foi punida a tempo, continua a se alastrar, e com ela o mal se espalha.

Recentemente, enviamos dois prisioneiros de guerra norte-coreanos para a República da Coreia. Esses caras não são fáceis de capturar vivos. Um deles, ao perceber que seria capturado, tentou se suicidar. E ficou chocado por o destino não ter permitido que morresse.

É assim que as pessoas são criadas no Norte. Essa é a realidade. Elas são privadas de sua liberdade. São privadas do direito de escolha. E são marteladas em suas cabeças que devem morrer, custe o que custar.

Vocês realmente querem dar a uma força assim ainda mais tempo para aprender a lutar?

Isso já dura cinco anos.

E sabemos que Putin prometeu recentemente, mais uma vez, a representantes do presidente americano que tomaria a nossa região de Donetsk. E ele disse que só precisa de mais alguns meses… Esta é provavelmente a 17ª ou 18ª vez em cinco anos que ele faz tal promessa. É sempre a mesma coisa: “Só mais alguns meses”. E então ele adia o prazo novamente. E desta vez Putin também não vai cumprir.

Mas depois disso, ele deixará claro mais uma vez para o mundo que nem mesmo a nossa região de Donetsk é suficiente para ele. Ele quer as nossas outras cidades: Odessa e Kharkiv, Dnipro e outras. Alguém no Kremlin chegou a colocar uma foto com a inscrição: “Devolvam-me Kiev!”. A Rússia está invadindo o território do nosso vizinho Moldávia. Está constantemente ameaçando a Polônia e os Estados Bálticos. A Rússia não demonstra nenhum respeito pela soberania dos países do Cáucaso do Sul e da Ásia Central. E, infelizmente, infelizmente, as pessoas na Síria e em toda a África também sabem muito bem o que são os assassinos russos.

Parece que sempre há algo que impede Putin de simplesmente dizer: “Chega. Basta. Paz.” Algo sempre o impede de admitir que 17 milhões de quilômetros quadrados de seu próprio território, internacionalmente reconhecidos por todos vocês, deveriam ser suficientes para este homem. Putin está constantemente procurando alguém que o ajude a matar mais pessoas por quilômetro quadrado, a tomar mais território, a atacar outro país em vez de simplesmente ficar parado e governar o seu próprio país.

Depois de tudo isso, vocês conseguem imaginá-lo sem guerra? Ele é o “paciente zero”, aquele de quem essa ideia de guerra continua a se espalhar. E onde quer que se espalhe, traz apenas dor, instabilidade, novos riscos e, claro, novas crises. Quanto mais liberdade Putin tiver para agir, mais perigoso o mundo se torna para todos os outros.

É por isso que o “paciente zero” precisa ser detido. Ele precisa ser privado do espaço para... Eu sou quem tem o poder e o espaço para espalhar ainda mais esse mal.

Senhoras e senhores!

No ano passado, quando falei aqui, disse que vivemos em uma época em que as armas decidem quem sobreviverá. E disse: se uma nação quer a paz, precisa investir em armas poderosas. A Ucrânia está fazendo exatamente isso. E é por isso que, pela primeira vez na história da Rússia, estamos ouvindo que seu orgulho – a indústria petrolífera – está morrendo. Mas o petróleo em si não é o objetivo da Ucrânia. Não é o nosso objetivo. Assim como não é a gasolina ou o diesel. Nem fábricas e portos. Nosso objetivo é impedir que a Rússia financie esta guerra, a prolongue e a torne ainda mais brutal e destrutiva.

Para deter Putin, precisamos interromper o financiamento e a produção russos.

E nossos maravilhosos soldados e nossas armas trabalham exatamente para esse propósito, exclusivamente para esse propósito. O apoio mundial à Ucrânia está nos ajudando a fazer isso. E sou grato a todos, a cada país que nos apoia – que apoia a Ucrânia – e que ajuda nosso povo.

Sanções, pacotes de ajuda, nossa produção conjunta de armas – tudo isso, é claro, importa. Tudo isso nos fortalece. Quando alguém dá mais dinheiro à Rússia por meio do comércio, dá mais tempo para esta guerra. É por isso que insistimos em limitar o comércio com o agressor e é por isso que nós mesmos “queimamos” as receitas russas.

Muitos de vocês aqui já viram mais de uma vez como o abuso do direito de veto na ONU enfraquece o mundo e distancia a paz. Quando a Rússia tem dinheiro, ela sempre diz “não” – “não” à diplomacia. E isso também é uma espécie de veto à paz – não um direito oficial, mas um direito real.

E quando alguém no mundo relaxa as sanções contra os oligarcas russos, isso pode tornar a vida dos russos ricos mais confortável, mas também dá mais tempo para a guerra, mais tempo para Putin enviar os pobres para a zona proibida. Portanto, os lucros da Rússia devem continuar sendo o objetivo. O déficit orçamentário da Rússia está agora maior do que em qualquer outro ano, e a maioria das regiões russas já está falida.

Neste verão, a Rússia planejou operações em larga escala na frente de batalha. Todas fracassaram.

A aposta da Rússia em mísseis de cruzeiro e Shaheds não funcionou como Putin planejou. Eles ainda causam danos, mas não nos derrotaram. Construímos nossas defesas. O que realmente nos desafia agora são os mísseis balísticos russos e seus novos Shaheds, tecnologia iraniana. Imagine só. Desde o início deste ano, a Rússia já usou mais de 2.100 mísseis de vários tipos contra nós, contra a Ucrânia, contra o nosso povo e contra as nossas crianças. Mais de 950 deles são balísticos. Em oito meses deste ano, a Rússia usou mais de 63.000 drones de ataque de vários tipos contra a Ucrânia, contra o nosso povo. E mais de 7.700 deles eram Shaheds, armas verdadeiramente devastadoras e muito perigosas. Pense nisso.

Os russos estão lançando caças a jato a cada hora – a cada hora – contra nossas cidades, nossa economia, nossa infraestrutura. Nossos caças os combatem ininterruptamente. E isso faz parte da estratégia russa: criar uma ameaça aérea a cada hora, complicar a economia, perturbar a vida normal das pessoas e impedir que as crianças aprendam, simplesmente aprendam na escola. Seu país sobreviveria se, Deus nos livre, tivesse que enfrentar algo assim?

A Ucrânia sobreviveu. Nossos soldados já testaram com sucesso quatro novos drones interceptadores de jatos contra caças russos. Portanto, estamos aumentando a produção e, é claro, também criaremos proteção contra essa ameaça.

Também lançamos o programa de mísseis antibalísticos FREYJA com nossos parceiros. Dez países já aderiram: Ucrânia, Noruega, Suécia, Dinamarca, Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Espanha e Holanda. Na semana passada, convidei a Polônia a participar. E também estamos em consulta com vários outros governos aliados que desejam aderir ao FREYJA. Permanecemos abertos a qualquer país que possa contribuir para a criação de uma defesa antimíssil balístico. Nosso programa FREYJA não substitui sistemas comprovados e eficazes, como o Patriot ou os sistemas antibalísticos SAMP/T modernizados. Queremos criar um sistema que possa ser produzido em escala muito maior e a um custo menor, um sistema que possa se tornar parte integrante da defesa da Ucrânia e da Europa. Um sistema que possa ajudar qualquer povo que valorize a liberdade.

A fila global por sistemas antibalísticos é muito longa. As ameaças balísticas estão se tornando cada vez mais numerosas. E a capacidade industrial daqueles que optam pela guerra é muito significativa. Portanto, precisamos produzir defesas suficientes para que cada pessoa nesta sala possa dizer: "Meu povo está verdadeiramente protegido". Essa é a nossa abordagem para a segurança.

Hoje, mesmo os países mais ricos do mundo não conseguem encontrar mísseis interceptores suficientes. A produção atual simplesmente não é suficiente. E mesmo aqueles que vêm acumulando interceptores há anos já utilizaram uma parte significativa deles.

Infelizmente, essa é a realidade até mesmo nos países do Golfo, onde houve um esforço real para criar um sistema antibalístico robusto, uma defesa antibalística eficaz. Portanto, precisamos de um novo programa. Precisamos do FREYJA. Junte-se a este esforço conjunto.

E sim, às vezes pode parecer que a Ucrânia está focada apenas na guerra.

Porque estamos falando de armas, estamos falando de defesa, de sanções contra o agressor. Mas os ucranianos não escolheram esta guerra. Escolhemos não morrer. Não perder nosso país, nossas famílias. Não perder nossa independência, nossa liberdade. E estamos nos defendendo. E tenho certeza de que isso é importante não só para nós.

A maioria de vocês aqui representa o que a Ucrânia era antes desta guerra. Vocês são nações pacíficas. E não pensam em guerra a cada segundo. Mas isso não significa que sejam fracos, e aqueles que desejam prejudicá-los não devem cometer esse erro.

A maioria de vocês não possui armas nucleares. Vocês não têm o hábito de atacar seus vizinhos. E, talvez, não tenham recursos para financiar uma guerra por anos. Mas isso não significa que não tenham a chance de se manterem seguros – de dissuadir aqueles que possam ameaçá-los, de fazer com que qualquer um que possa ameaçá-los pense duas vezes e proteja sua vida e, claro, proteja seu povo.

A Ucrânia provou que, mesmo contra um inimigo muito maior, é possível resistir e sobreviver.

E também temos o formato de Acordo sobre Drones. Não se trata apenas de vender drones. Claro que não. Trata-se de trabalhar com outros países para criar um sistema de defesa integrado e moderno contra ameaças de drones no ar, no mar e em terra.

Não se trata apenas de proteger os céus. Os drones nos ajudam a controlar nossas fronteiras – e isso é importante – áreas montanhosas e, claro, estradas. Sem eles, seria simplesmente impossível. Trata-se também de proteger infraestruturas, infraestruturas críticas, de resiliência, de organizar recursos e as Forças de Defesa para que as infraestruturas críticas e o transporte possam continuar a operar mesmo nas condições mais difíceis – isso também faz parte dos acordos que oferecemos. São formatos de segurança prontos que adaptamos a cada país e região específicos. Já estamos trabalhando com parceiros no Golfo, no Cáucaso do Sul e em toda a Europa no âmbito dos Acordos sobre Drones.

Hoje assinei um Acordo sobre Drones, um acordo sério sobre drones, com a Finlândia, e isso é importante. Hoje também assinei um acordo de segurança com a Austrália, e os drones também fazem parte dele. Estamos preparando acordos para drones com o Canadá e outros países.

Quando a Rússia iniciou esta guerra, jamais poderia imaginar que um dia drones ucranianos de longo alcance alcançariam suas fábricas, suas fábricas militares em algum lugar da Sibéria e na Península de Yamal – a milhares de quilômetros da nossa fronteira. Milhares.

Nenhum almirante russo esperava que seríamos capazes de afundar o orgulho da Rússia – cruzadores que deveriam dominar os mares, mas que não resistiram aos nossos drones navais.

E, além de diferentes tipos de drones, também produzimos uma ampla gama de armas convencionais – rápidas, baratas e comprovadas em guerras modernas.

A Ucrânia está construindo sua própria segurança de uma forma que fortalece seu papel como um verdadeiro provedor de segurança e ajuda outros a obterem a proteção que já funcionou para nós e que pode realmente reduzir o espaço para o início e a propagação de guerras no mundo. Paz através da proteção.

Senhoras e senhores!

Pensem bem: nenhum oficial russo jamais poderia imaginar que o “General Zima”, que lutou ao lado da Rússia por séculos, um dia mudaria de lado e apoiaria aqueles que se defendem da Rússia. Neste inverno, faremos isso acontecer se a Rússia continuar a atacar nossos sistemas de energia e aquecimento.

Os ucranianos entendem que este inverno pode ser muito difícil para nós. Mas, em contrapartida, não teremos outra escolha senão tornar o inverno difícil também para a Rússia. E é por isso que dizemos que as medidas de desescalada são importantes, que são necessárias antes do inverno. Agora.

Precisamos de diplomacia e precisamos de poder. E, passo a passo, estamos reduzindo as divergências em ambas as direções.

Ontem nos reunimos com o Presidente dos Estados Unidos, e foi isso que discutimos.

Infelizmente, não tivemos a oportunidade de falar diretamente com o líder da China, que está nos Estados Unidos hoje, mas não aqui. E ele também pode influenciar a Rússia – mais do que muitos outros. E gostaríamos que ele desejasse a paz tanto quanto nós na Ucrânia.

Acreditamos que o mundo tem o poder de alcançar isso. Acreditamos que o mundo precisa disso.

Trata-se de energia. Trata-se de infraestrutura crítica. Trata-se de segurança alimentar. Isto diz respeito à vida de muitas, muitas pessoas em muitos países. Diz respeito também a finalmente desacelerar o rápido desenvolvimento de armas de destruição em massa, um processo que vem ocorrendo ao longo desta guerra e que já se tornou uma ameaça global.

Precisamos desacelerá-lo antes de avançarmos para a próxima etapa. Porque já no próximo ano, existe uma possibilidade real de que a IA – e não apenas os humanos – comece a decidir o que acontece no campo de batalha. E precisamos de paz antes de chegarmos a esse ponto.

Senhoras e senhores!

O líder da Rússia – o “paciente zero”, o homem que iniciou esta guerra e de quem ela se espalhou pelo mundo, tornando-se a maior guerra na Europa desde a Segunda Guerra Mundial – inevitavelmente deixará este mundo. Mas quanto mais tempo Putin puder continuar a guerrear, mais mal ele deixará no mundo.

Aliás, nada funciona na guerra hoje como funcionava em 2022 – exceto a coragem humana. Tudo mudou. E x

Quem sabe se a coragem funcionará da mesma forma no futuro.

Se você ouvir alguns dos mais fervorosos defensores do desenvolvimento da IA, eles dizem: hoje a IA ainda é predominantemente digital, mas um dia ela migrará do mundo digital para a “formação de átomos”. E quando isso acontecer, é melhor estarmos em paz. Precisamos, sem dúvida, pôr fim às guerras que já estão em curso.

A Ucrânia merece segurança. E todos vocês também. Todos os países. E todos os povos.

E mais uma coisa.

Há semanas, os europeus vêm alertando que a Rússia pode ir mais longe – para a Europa, até mesmo para o território da OTAN. Os líderes têm informações que sugerem as intenções da Rússia. E agora eu não quero me dirigir à Europa. Quero me dirigir aos países cujos cidadãos a Rússia pode tentar usar em outra campanha absolutamente brutal.

Não tivemos apenas prisioneiros de guerra norte-coreanos. Sabemos que a Rússia está usando cidadãos de 47 países em sua guerra, nesta guerra: Gana, Nepal, Tadjiquistão, Índia, Iêmen, Quênia, Zimbábue, Cuba, Bielorrússia, Sudão, África do Sul e muitos, muitos outros. E, de tempos em tempos, recebemos pedidos para trazer de volta prisioneiros de guerra específicos. E em nossas imagens de drones, também vemos pessoas que não são russas morrendo no campo de batalha. Pessoas de seus países – de 47 países – que acabaram na Rússia por meio de engano e artimanhas. Então, quero falar diretamente com cada um dos representantes desses 47 países. Vocês sabem o que a Rússia está fazendo com seu povo, seus cidadãos. Cuidem deles. E não deixem que eles acabem na outra frente. Não deixem Putin arrastá-los para a guerra dele. Não deixem a Rússia apagar seus incêndios, encobrir sua vergonha e pagar por sua loucura com a vida de seu povo. Limitem seu espaço de atuação. Limitem seu dinheiro. Limitem sua guerra.

E, por favor, todos vocês que estão aqui hoje, não sejam os últimos a se levantar em defesa da vida. Seja o primeiro a dizer: "Garantimos a segurança."

Obrigado a todos que ajudam. Obrigado a todos que nos apoiam, ao nosso povo, às nossas crianças e à Ucrânia.

Glória à Ucrânia!

 

 

Дуже дякую.

Пані та панове!

Цього понеділка дорогою до Нью-Йорка, десь у небі над великим і прекрасним Атлантичним океаном, я прочитав допис Президента Трампа у Truth Social. Президент написав, що «Росія втратила контроль над своєю дизельною промисловістю через війну з Україною». І важко уявити собі більш принизливу поразку для країни, яка має постійне місце в Раді Безпеки ООН і так пишається своїм нафтовим експортом. Цитую: «Значна частина їхніх НПЗ, що виробляють дизельне пальне, була підірвана та, принаймні тимчасово, виведена з ладу». Кінець цитати.

І це правда. Росія облажалася. І висновок допису також правильний: «Цю безглузду й нескінченну війну з Україною треба закінчити».

Я не знаю жодного світового лідера, який би сказав інакше. Я не знаю нікого, хто б відкрито підтримував цю війну…

За винятком однієї людини.

Пані та панове!

Уже майже п’ять років російські генерали намагаються виконати божевільний наказ Путіна – захопити наш Схід, Донецьку область. І лише цього року, із січня до серпня, російська армія втратила на полі бою в Україні 248 964 особи. За вісім місяців. Двісті сорок вісім тисяч. Загиблих і важкопоранених. У 21 країні світу населення менше, ніж кількість російських військових, втрачених лише за ці вісім місяців.

У нас є відеопідтвердження кожної із цих втрат. І це не просто статистика. Це люди. У нас є архів відеозаписів із дронів – відео, на яких видно, як тисячі й тисячі росіян гинуть у кіл-зонах. Це божевілля. Але вони все одно продовжують іти туди на смерть. Бо саме цього хоче Путін.

І, втративши стільки людей, Росія цього року спромоглася захопити трохи більш ніж тисячу квадратних кілометрів нашої землі, і ми вже звільнили значну її частину.

Росія – це країна, яка вже має 17 мільйонів квадратних кілометрів власної землі – без урахування, до речі, української території. Отже, щоб додати ще тисячу квадратних кілометрів, Путін платить життям 248 людей за кожен кілометр. Хтось іще досі вважає його розсудливим і поміркованим?

Його товариш, лідер Північної Кореї, відправив свої війська до Росії, щоб підтримати слабкі місця російської армії. Північнокорейці також зазнали втрат. Важких втрат.

Ви, мабуть, бачили трансляції з Пхеньяна, де вшановували загиблих. І це теж божевілля. Чому корейці мають віддавати свої життя у війні проти України?

Кім Чен Ин використовує їх як валюту. І дещо за це отримує. І сусіди Північної Кореї та інші країни Азії, мабуть, уже помітили вдосконалення її балістичних ракет і значно більші можливості Пхеньяна у сфері дронів.

Отже, війна, якій не вдалося вчасно запобігти, яку не вдалося вчасно зупинити й за яку Росію вчасно не покарали, і далі поширюється, і разом із нею шириться зло.

Нещодавно ми відправили двох північнокорейських військовополонених до Республіки Корея. Цих хлопців нелегко взяти в полон живими. Один із них, коли зрозумів, що його візьмуть у полон, намагався накласти на себе руки. І він був шокований тим, що доля не дозволила йому померти.

Ось так виховують людей на півночі. Це реальність. У них забирають свободу. У них забирають право вибору. І їм вбивають у голови, що вони мусять померти, як би там не було.

Ви справді хочете дати такій силі ще більше часу, щоб вона навчилася воювати?

Це триває вже п’ять років.

І ми знаємо, що Путін нещодавно знову пообіцяв представникам американського Президента, що захопить нашу Донецьку область. І сказав, що йому потрібно ще лише кілька місяців… Це, мабуть, уже 17-й чи 18-й раз за п’ять років, коли він дає таку обіцянку. Завжди одне й те саме: «Та ще кілька місяців». А потім він знову переносить дедлайн. І цього разу в Путіна теж не вийде.

Але після цього він укотре чітко дасть зрозуміти світові, що навіть нашої Донецької області йому замало. Він хоче й інші наші міста: Одесу та Харків, Дніпро та інші. Хтось у Кремлі навіть розмістив картину з написом: «Даєш Київ!». Росія зазіхає на нашу сусідку Молдову. Вона постійно погрожує Польщі та країнам Балтії. Росія не виявляє жодної поваги до державності країн Південного Кавказу та Центральної Азії. І, на жаль, на жаль, люди в Сирії та по всій Африці також дуже добре знають, що таке російські вбивці.

Здається, щось завжди заважає Путіну просто сказати: «Все. Досить. Мир». Щось завжди заважає йому визнати, що 17 мільйонів квадратних кілометрів його власної території, визнаної на міжнародному рівні всіма вами, має бути достатньо для цієї людини. Путін постійно шукає когось, хто допоможе йому вбити більше людей за кожен кілометр землі, захопити більше територій, напасти на іншу країну замість того, щоб просто зупинитися і керувати власною країною.

Після всього цього чи можете ви взагалі уявити його без війни? Він – «нульовий пацієнт», той, від кого ця ідея війни продовжує поширюватися далі. І хай куди б вона поширювалася, вона приносить лише біль, нестабільність, нові ризики і, звісно, нові кризи. Що більше свободи дій має Путін, то небезпечнішим стає світ для всіх інших.

Ось чому «нульового пацієнта» треба зупинити. Його треба позбавити простору для дій і простору для подальшого поширення цього зла.

Пані та панове!

Минулого року, коли я виступав тут, я сказав, що ми живемо в часи, коли зброя вирішує, хто виживе. І я сказав: якщо нація прагне миру, вона повинна працювати над сильною зброєю. Україна саме це й робить. І саме тому вперше в історії Росії ми зараз чуємо, що її гордість – нафтова промисловість – дихає на ладан. Але нафта сама по собі не є ціллю України. Це не наша ціль. Так само, як і бензин чи дизель. Чи заводи та порти як такі. Наша ціль – здатність Росії фінансувати цю війну, затягувати її, робити її ще жорстокішою та більш руйнівною.

Щоб зупинити Путіна, потрібно зупинити російські фінанси та російське виробництво.

І наші чудові солдати та наша зброя працюють саме для цього, виключно для цього. Світова підтримка України допомагає нам це робити. І я вдячний усім, кожній країні, яка підтримує нас – підтримує Україну – і допомагає нашому народу.

Санкції, пакети допомоги, наше спільне виробництво зброї – усе це, звісно, має значення. Усе це робить нас сильнішими. Коли хтось дає Росії більше грошей через торгівлю, він дає більше часу цій війні. Саме тому ми наполягаємо на обмеженні торгівлі з агресором, і саме тому ми самі «спалюємо» російські доходи.

Багато хто з вас тут не раз бачив, як зловживання правом вето в ООН послаблює світ і віддаляє мир. Коли в Росії є гроші, вона завжди каже «ні» – «ні» дипломатії. І це також своєрідне вето на мир – не офіційне право, але реальне.

І коли хтось у світі послаблює санкції проти російських олігархів, це, можливо, робить життя багатих росіян комфортнішим, але це також дає більше часу війні, більше часу Путіну, щоб відправляти бідних людей у кіл-зону. Тому прибутки Росії мають залишатися ціллю. Дефіцит бюджету Росії зараз більший, ніж у будь-який інший рік, і більшість російських регіонів уже збанкрутувала.

Цього літа Росія планувала масштабні операції на фронті. Усі вони провалилися.

Ставка Росії на крилаті ракети й «шахеди» не спрацювала так, як планував Путін. Вони все ще завдають шкоди, але вони не зламали нас. Ми побудували свою оборону. Що для нас зараз справді складно, то це російські балістичні ракети та їхні нові реактивні «шахеди», іранські технології. Просто уявіть. Від початку цього року Росія вже застосувала проти нас, проти України, наших людей і наших дітей понад 2100 ракет різних типів. Понад 950 із них – балістика. За вісім місяців цього року Росія застосувала проти України, проти наших людей 63 тисячі ударних дронів різних типів. І понад 7700 із них були реактивні «шахеди» – справді руйнівна та дуже небезпечна зброя. Просто замисліться.

Росіяни запускають реактивні «шахеди» щогодини – щогодини – проти наших міст, нашої економіки, нашої інфраструктури. Наша бойова авіація протидіє їм цілодобово. І це частина російської стратегії – щогодини створювати загрозу з повітря, ускладнювати роботу економіки, порушувати нормальне життя людей і не давати дітям можливості вчитися, просто вчитися у школі. Чи витримала б ваша країна, якби, не дай боже, вам довелося зіткнутися з чимось подібним?

Україна витримала. Наші воїни вже успішно випробували чотири нові реактивні дрони-перехоплювачі проти російських реактивних «шахедів». Тож ми нарощуємо виробництво і, звісно, створимо захист і від цієї загрози.

Ми також разом із нашими партнерами запустили антибалістичну програму FREYJA. До неї вже долучилися десять країн: Україна, Норвегія, Швеція, Данія, Німеччина, Франція, Італія, Велика Британія, Іспанія та Нідерланди. Минулого тижня я запросив Польщу долучитися. І ми також проводимо консультації ще з кількома урядами союзних держав, які хочуть приєднатися до FREYJA. Ми залишаємося відкритими для кожної країни, яка може зробити внесок у створення захисту від балістичних ракет. Наша програма FREYJA не замінює перевірені й ефективні системи, як-от Patriot або модернізовані антибалістичні системи SAMP/T. Ми хочемо створити систему, яку можна буде виробляти в значно більших масштабах і за нижчою ціною, систему, яка зможе стати інтегрованою частиною оборони України та оборони Європи. Систему, яка зможе допомогти будь-якому народу, що цінує свободу.

Світова черга на антибалістичні системи дуже довга. Балістичних загроз стає дедалі більше. А промислові спроможності тих, хто обирає війну, дуже значні. Тому нам потрібно виробляти достатньо засобів захисту, щоб кожна людина, яка сидить у цій залі, могла сказати: «Мій народ справді захищений». Саме такий наш підхід до безпеки.

Сьогодні навіть найбагатші країни світу не можуть знайти достатньо ракет-перехоплювачів. Нинішніх обсягів виробництва просто недостатньо. І навіть ті, хто роками накопичував запаси перехоплювачів, уже використали значну їх частину.

На жаль, така реальність навіть у країнах Затоки, де справді працювали над створенням сильної антибалістичної системи, антибалістичної оборони. Тож нам потрібна нова програма. Нам потрібна FREYJA. Долучайтеся до цих спільних зусиль.

І так, іноді може здаватися, що Україна зосереджена лише на війні, тому що ми говоримо про зброю, говоримо про оборону, про санкції проти агресора. Але українці не обирали цю війну. Ми обрали не помирати. Не втратити свою країну, свої родини. Не втратити свою незалежність, свою свободу. І ми захищаємо себе. І я впевнений, що це важливо не лише для нас.

Більшість із вас тут такі, якою Україна була до цієї війни. Ви мирні нації. І ви не думаєте про війну щосекунди. Але це не означає, що ви слабкі, і ті, хто може хотіти завдати вам шкоди, не повинні припускатися такої помилки.

Більшість із вас не має ядерної зброї. У вас немає звички нападати на своїх сусідів. І, можливо, у вас немає коштів, щоб роками фінансувати війну. Але це не означає, що у вас немає шансів залишатися в безпеці – стримувати тих, хто може вам загрожувати, змусити будь-кого, хто може вам загрожувати, подумати двічі й захистити своє життя та, звісно, захистити своїх людей.

Україна довела, що навіть проти значно більшого ворога можна вистояти й вижити.

І в нас також є формат Drone Deal. Це не просто продаж дронів. Звісно, ні. Це співпраця з іншими країнами для створення сучасної інтегрованої системи оборони від дронових загроз у повітрі, на морі та на суходолі.

Ідеться не лише про захист неба. Дрони допомагають нам контролювати наші кордони – і це важливо, – гірські райони та, звісно, дороги. Без них це було б просто неможливо. Ідеться також про захист інфраструктури, критичної інфраструктури, про стійкість, про організацію ресурсів і Сил оборони так, щоб критична інфраструктура й транспорт могли продовжувати працювати навіть у найскладніших умовах – це також частина угод, які ми пропонуємо. Це готові безпекові формати, які ми адаптуємо до кожної конкретної країни та кожного конкретного регіону. Ми вже працюємо з партнерами в країнах Затоки, на Південному Кавказі та по всій Європі в межах Drone Deals.

Сьогодні я підписав Drone Deal, серйозну угоду щодо дронів, із Фінляндією, і це важливо. Також сьогодні я підписав безпекову угоду з Австралією, і дрони теж є її частиною. Ми готуємо Drone Deals із Канадою та іншими країнами.

Коли Росія розпочала цю війну, вона ніколи не могла уявити, що одного дня українські далекобійні дрони діставатимуть до її заводів, її військових заводів десь у Сибіру та на півострові Ямал – за тисячі кілометрів від нашого кордону. Тисячі.

Жоден російський адмірал не очікував, що ми зможемо потопити гордість Росії – крейсери, які мали панувати на морі, але не змогли вистояти проти наших морських дронів.

І поряд із різними типами дронів ми також виробляємо широкий спектр конвенційної зброї – швидко, дешевше, ніж у багатьох інших країнах, і перевіреної в сучасній війні.

Україна вибудовує власну безпеку так, щоб посилювати свою роль справжнього постачальника безпеки й допомагати іншим отримувати захист, який уже спрацював для нас і який справді може звузити простір для початку та поширення воєн у світі. Мир через захист.

Пані та панове!

Просто замисліться: жоден російський посадовець ніколи не міг уявити, що «генерал Зима», який століттями воював на боці Росії, одного дня перейде на інший бік і підтримає тих, хто захищається від Росії. Цієї зими ми зробимо так, щоб це сталося, якщо Росія продовжить бити по нашій енергосистемі й теплопостачанню.

Українці розуміють, що ця зима може бути для нас дуже важкою. Але у відповідь у нас не буде іншого вибору, крім як зробити її болючою також і для Росії. І саме тому ми говоримо, що кроки для деескалації важливі, що вони потрібні до зими. Зараз.

Нам потрібна дипломатія і нам потрібна сила. І крок за кроком ми усуваємо прогалини в обох напрямах.

Учора ми зустрілися з Президентом Сполучених Штатів, і саме це ми обговорювали.

На жаль, у нас не було можливості напряму поговорити з лідером Китаю, який сьогодні перебуває в Америці, але не тут. А він також може впливати на Росію – більше, ніж дуже багато інших. І ми б хотіли, щоб він прагнув миру так само, як прагнемо його ми в Україні.

Ми віримо, що світ має силу, щоб цього досягти. Ми впевнені, що світові це потрібно.

Ідеться про енергетику. Про критичну інфраструктуру. Ідеться про продовольчу безпеку. Ідеться про життя багатьох-багатьох людей у багатьох країнах. Ідеться також про те, щоб нарешті сповільнити стрімкий розвиток зброї для вбивств – процес, який тривав упродовж усієї цієї війни і вже став глобальною загрозою.

Нам потрібно сповільнити його, перш ніж ми перейдемо до наступного етапу. Бо вже наступного року є реальна ймовірність того, що ШІ – а не тільки люди – почне вирішувати, що відбуватиметься на полі бою. І нам потрібен мир до того, як ми дійдемо до цієї точки.

Пані та панове!

Лідер Росії – «нульовий пацієнт», людина, з якої почалася ця війна і від якої вона поширилася світом, ставши найбільшою війною у Європі з часів Другої світової, – неминуче піде із цього світу. Але що довше Путін матиме змогу вести війну, то більше зла він залишить по собі у світі.

Сьогодні у війні вже ніщо не працює так, як, до речі, працювало у 2022 році, – крім людської мужності. Усе змінилося. І хто знає, чи працюватиме мужність так само в майбутньому.

Якщо послухати деяких із найпалкіших прихильників розвитку ШІ, вони кажуть: сьогодні ШІ все ще залишається переважно цифровим, але одного дня він перейде з цифрового світу до «формування атомів». І коли це станеться, нам краще вже бути в мирі. Нам точно потрібно завершити війни, які вже тривають.

Україна заслуговує на безпеку. Так само, як і всі ви. Кожна країна. І кожен народ.

І ще одне.

Уже кілька тижнів європейці попереджають, що Росія може піти далі – у Європу, навіть на територію НАТО. Лідери мають розвідувальні дані, які свідчать про наміри Росії. І зараз я хочу звернутися не до Європи. Я хочу звернутися до тих країн, чиїх людей Росія може спробувати використати в іще одній абсолютно жорстокій кампанії.

У нас були не лише північнокорейські військовополонені. Ми знаємо, що Росія використовує у своїй війні, у цій війні, громадян 47 країн: Гани, Непалу, Таджикистану, Індії, Ємену, Кенії, Зімбабве, Куби, Білорусі, Судану, Південної Африки та багатьох-багатьох інших. І час від часу ми отримуємо запити щодо повернення конкретних військовополонених додому. А на відео з наших дронів ми також бачимо, як на полі бою гинуть люди, які не є росіянами. Люди з ваших країн – із 47 країн, – які опинилися в Росії через обман і хитрощі. Тож я хочу безпосередньо звернутися до кожного представника цих 47 країн. Ви знаєте, що Росія робить із вашими людьми, вашими громадянами. Подбайте про них. І не дайте їм опинитися на іншому фронті. Не дозволяйте Путіну втягнути вас у його війну. Не дозволяйте Росії гасити свої пожежі, приховувати свою ганьбу та розплачуватися за своє безумство життями ваших людей. Обмежуйте його простір для дій. Обмежуйте його гроші. Обмежуйте його війну.

І, будь ласка, всі, хто сьогодні тут, не будьте останніми серед тих, хто стає на захист життя. Будьте першими, хто скаже: «Ми гарантували безпеку».

Дякую всім, хто допомагає. Дякую всім, хто підтримує нас, наш народ, наших дітей та Україну.

Слава Україні!

 

ZELENSKYI DISCURSA NA SEXTA CÚPULA INTERNACIONAL

 Discurso do Presidente aos participantes da Sexta Cúpula da Plataforma Internacional da Crimeia

23 de setembro de 2026 - 19:18

Discurso do Presidente aos participantes da Sexta Cúpula da Plataforma Internacional da Crimeia

Prezadas senhoras e senhores, queridos amigos, verdadeiros amigos e parceiros,

Primeiramente, quero agradecer o apoio à nossa plataforma – a Plataforma da Crimeia. Aliás, este é o sexto encontro da nossa Plataforma da Crimeia, e hoje contamos com mais de 60 participantes, incluindo 16 líderes de todos os continentes. E, pela primeira vez, o Panamá – estamos muito felizes em tê-los conosco – e Trinidad e Tobago participam. A representação continua crescendo, e hoje temos a maior participação de todos os tempos da Plataforma da Crimeia. A maior de todas. E essa presença global é realmente importante.

E isto não é apenas mais um formato. E não é apenas um encontro anual. É uma confirmação constante de que vocês realmente respeitam os princípios básicos da vida normal, da vida humana normal.


Hoje em dia, soa quase estranho até mesmo pronunciar as palavras "direito internacional". E quase ninguém no mundo acredita mais em direito internacional.

Mas ainda assim não queremos que essas palavras percam completamente o seu significado. Queremos que o direito internacional tenha força real – é ele que decide se a vida humana tem algum valor real.

Quando falamos de direito internacional, queremos dizer o seguinte: queremos que a Rússia – que iniciou esta guerra e está roubando terras – seja responsabilizada.

Queremos que as pessoas que a Rússia mantém sob ocupação na Crimeia e em outras partes temporariamente ocupadas do nosso país, nas regiões de Zaporíjia e Kherson, no nosso Donbas ucraniano, e aquelas que a Rússia mantém em prisões e campos, tenham ao menos a esperança de que um dia, um dia a Rússia será responsabilizada por esses crimes.

Quando nos reunimos em encontros como este, quando vemos que a Plataforma da Crimeia une pessoas como vocês, sabemos que a esperança ainda existe. E isso não é algo que importa apenas em um sentido moral.

Hoje, enquanto o mundo luta contra a crise do custo de vida e aumentos absolutamente terríveis nos preços da energia e dos alimentos, tudo isso inevitavelmente nos leva de volta à Crimeia. Foi lá que tudo começou, aliás, há muitos anos, em 2014.

A Crimeia – a nossa Crimeia – está no centro da guerra de Putin e de todas as crises que surgem dos combates no Mar Negro. Se a Rússia não tivesse anexado a Crimeia, se Putin não a tivesse transformado numa fonte de guerra e numa enorme base militar, grãos e fertilizantes, diesel e petróleo estariam agora a circular livremente pelo Mar Negro, tal como acontecia antes da guerra de Putin contra nós.

Mas ele optou por quebrar todas as regras possíveis. E agora, além disso, vemos a guerra com o Irã e outras crises no Oriente Médio e no Golfo. Elas só reforçam o que começou há muito tempo com a crença de Putin de que ele poderia iniciar uma guerra e sair impune.

Hoje, em muitos países, as pessoas estão pagando mais, tirando mais dinheiro do próprio bolso, apenas para sobreviver, enquanto outras são forçadas a lutar por suas vidas – simplesmente porque um homem decidiu que podia redesenhar as fronteiras como bem entendesse.

Ano após ano, somos obrigados a lidar com os mesmos problemas novamente. Assim como em 2022, agora estamos trabalhando mais uma vez para garantir o corredor alimentar no Mar Negro – e a exportação de outros produtos que os mercados globais realmente precisam.

E sou grato à Europa e à América – a todos que estão tentando nos ajudar. Sou grato à Turquia, ao Egito e a outros países do mundo…

Já discutimos isso com nossos parceiros. Muitos já se uniram aos esforços para proteger a segurança alimentar e a navegação segura no Mar Negro. Egito, Índia e Turquia já nos apresentaram opções. Elas estão documentadas. Concordamos com um caminho que possa trazer segurança e agora aguardamos a resposta da Rússia.

A Ucrânia está pronta para fazer a sua parte para garantir uma navegação tranquila e segura, bem como a segurança alimentar no Mar Negro, se a Rússia também estiver disposta a tomar medidas concretas para a desescalada.

Temos que começar por algum lugar – e a Rússia tem que começar respeitando os outros.

E o respeito básico pelo mundo começa com coisas simples: segurança alimentar, segurança energética e o direito das pessoas de viverem sem medo. A Rússia precisa passar por essa transformação.

O desrespeito começou com a Crimeia em 2014, quando a Rússia entrou na região. Portanto, não pode haver um retorno pleno à normalidade sem a Crimeia – sem restaurar a segurança, proteger as pessoas e suas vidas, libertar os prisioneiros mantidos pela Rússia e retornar aos princípios básicos do direito internacional.

A integridade territorial importa. A soberania dos Estados importa. Vidas humanas importam. A Rússia precisa aprender isso.

Hoje, temos aqui conosco alguém que sabe exatamente o que isso significa: Daryna, uma jovem da Crimeia. Ela vai contar como é viver sob ocupação, ser intimidada, enfrentar propaganda todos os dias, que tenta mudar a forma como as pessoas pensam e sentem, e ainda assim permanecer ao lado da Ucrânia. Muito obrigada. Obrigada, Daryna. E eu agradeço a todos vocês que estão nos ajudando. Obrigada por estarem conosco hoje, por estarem sempre ao lado da Ucrânia.

Obrigado por se lembrarem da Crimeia. Crimeia ucraniana. Obrigado!

Glória à Ucrânia!

terça-feira, 15 de setembro de 2026

A INFÂMIA DA BARBÁRIE RUSSA

 A infâmia da barbárie russa. Entrevista com o Arcebispo Maior da Igreja Greco-Católica de Kyiv.

 15 set

Os drones do Kremlin sobrevoando as crianças que retornam à escola, o medo e a força de um povo. “A Europa não compreende que a Ucrânia está defendendo a vida tranquila dos ocidentais”, afirma-nos o Arcebispo Maior Sviatoslav Shevchuk.

No momento em que Sua Beatitude Sviatoslav, Chefe da Igreja Greco-Católica Ucraniana, entra em contato com a redação do jornal «Il Foglio» (1) para esta conversa, soam as sirenes de alerta. Nestes dias, os estudantes estão retornando às aulas, e Vladimir Putin decidiu que a melhor maneira de lembrar aos habitantes dos territórios ocupados que a guerra continua e continuará enquanto ele assim o desejar é enviar drones para que, do alto, observem as crianças correndo para as salas de aula. Um sombrio memento mori — uma lembrança da morte inevitável.

Há alguns meses, a guerra contra a Ucrânia, em duração, já havia ultrapassado a Primeira Guerra Mundial. No imaginário coletivo, aquele conflito armado ocorrido há um século entrou para a história como uma «matança inútil» — uma definição perfeita dada pelo então Papa Bento XV, ao contemplar os milhões de mortos nas trincheiras, mortos ou envenenados por gases para a conquista de alguns pedaços de terra que, no dia seguinte, inevitavelmente seriam perdidos.

E, no entanto, parece que agora se trata apenas — como afirmou o ideólogo de Nigel Farage, James Orr, que atualmente caiu em desgraça — de um conflito eslavo regional. Um conflito entre russos e ucranianos seria uma perda de tempo para os ocidentais que querem tranquilamente ir à praia, fazer compras, saborear ouriços-do-mar e bifes de angus em um restaurante. Um incômodo, uma náusea. Como se já não houvesse problemas suficientes. Normalmente, é assim que falam aqueles que nunca ouviram os sinais de alerta que anunciam a guerra.

— Esta guerra é uma grande hemorragia do tecido humano da Europa. Infelizmente, permanecendo no contexto médico, as hemorragias que não provocam dor são as mais perigosas — afirma Sua Beatitude Sviatoslav.

— As pessoas morrem por causa dessas hemorragias internas. Gostaria de recordar a dimensão desta tragédia. É claro que se trata de uma guerra híbrida, muito semelhante à guerra de trincheiras da Primeira Guerra Mundial, mas suas proporções são terríveis.

Por exemplo, somente nos primeiros dois meses da invasão em grande escala, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas, 12,7 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas. Algumas se tornaram deslocadas internas, enquanto outras foram para o exterior. Esse número supera toda a população da Bélgica, que conta com quase 12 milhões de habitantes. Segundo dados divulgados pelo ACNUR no início do ano, pouco menos de 6 milhões encontram-se no exterior como refugiados. Graças a Deus, conseguimos acolher essas pessoas e impedimos que essa crise humanitária se transformasse em uma tragédia.

Outro número, muito delicado e frequentemente esquecido, é o da linha de frente, cuja extensão varia entre 1.000 e 1.200 quilômetros. Para que o leitor italiano possa imaginar melhor, isso corresponde a 55% da extensão da fronteira terrestre interna da Itália.

Esta guerra está contaminando a terra com explosivos. Não se trata simplesmente de combates entre grupos, mas também de uma causa de contaminação ambiental, pois, segundo dados oficiais, 132 mil quilômetros quadrados do território ucraniano estão contaminados por explosivos. Isso representa 44% de toda a área da Itália.

Outro fato que considero terrível, especialmente do ponto de vista pastoral, é que 114 mil pessoas estão oficialmente registradas como desaparecidas.

Lembremos que, durante a guerra dos Estados Unidos no Vietnã, foram registrados 2.640 desaparecidos, e isso é considerado uma tragédia para a nação americana. No último domingo, quando o mundo inteiro celebrou o Dia Internacional dos Desaparecidos em Conflitos Armados, nós, na Ucrânia, sabíamos que já temos 114 mil. Ou seja, 114 mil famílias que nada sabem sobre o destino de seus entes queridos.

Sobre a Primeira Guerra Mundial, dizia-se que era difícil estabelecer números exatos, mas recentemente alguns órgãos das Nações Unidas afirmaram que hoje há 1 milhão e 700 mil soldados — russos e ucranianos — nas trincheiras. Muitos russos estão morrendo, e é difícil para nós compreender isso. Isso é barbárie: Moscou envia continuamente novos soldados para ataques de «carne», sem sequer contabilizar o número de suas próprias vítimas. Nesses ataques, aquele que ataca perde mais do que aquele que se defende.

Mas esta guerra não é travada apenas por meio dos combates na linha de frente. Aqui são empregadas armas modernas e extremamente sofisticadas. Kyiv, Sumy, Zaporizhzhia, Odesa e Kharkiv são bombardeadas dia e noite por drones modernos equipados com câmeras. O operador vê em tempo real os civis que está matando. São atacadas lojas onde as pessoas vão comprar pão, mercados, universidades, escolas — qualquer lugar onde haja concentração de pessoas.

Antes do início do ano letivo, foram construídas na Ucrânia 100 escolas subterrâneas e, segundo se afirma, outras 100 serão construídas até o final deste ano. Os drones russos vigiam as crianças que vão à escola e atacam-nas. Isso é terrorismo!

Alguns analistas afirmam que esta guerra se parece cada vez mais com a guerra entre o Iraque e o Irã nos anos 1980. Os dois países não conseguiam avançar na linha de combate e começaram a aterrorizar a população civil. Foi chamada de «guerra das cidades», mas não levou a nada — apenas ao esgotamento de ambos os lados.

Como afirmou em Moscou o Arcebispo Gallagher, esta guerra não tem solução militar. É realmente uma hemorragia do tecido humano da Europa, e lamento que essa hemorragia já não cause dor às grandes democracias da Europa e do mundo, que simplesmente se escondem atrás dos ucranianos, os quais, com o próprio peito, defendem a vida tranquila e pacífica da União Europeia.

O chefe da Igreja Greco-Católica Ucraniana fala de uma Ucrânia que, com o próprio peito, protege os europeus — aqueles que se incomodam com o barulho e o estrondo das armas atrás de uma suposta cortina que ainda tentam manter entre o Ocidente e o Oriente, como se aquilo que acontece lá fosse assunto apenas daqueles povos.

Esse desconforto também é provocado pela retórica segundo a qual a Rússia não pode ser derrotada — afinal, ela é tão grande e possui um exército extremamente forte e numeroso. Pode recrutar soldados em qualquer lugar: das planícies da Sibéria até Vladivostok. Conta inclusive com o apoio de Kim Jong-un, um verdadeiro especialista quando se trata de soldados reduzidos à condição de carne para o abate. Mas por que, perguntamos a este homem de Kyiv, nós, ocidentais, ainda pensamos assim, depois de quatro anos de guerra?

— Na minha opinião, a Europa Ocidental ainda não compreendeu plenamente o que é a Ucrânia como nação e como Estado independente. Sabemos pela história que a Rússia venceu grandes guerras — e isso é verdade — e também as venceu porque ucranianos lutaram ao seu lado.

Hoje, a Rússia, sem os recursos ucranianos — tanto humanos quanto naturais — já não é uma potência mundial. A Rússia não tem capacidade de reconstruir seu império ou sua antiga grandeza soviética. Esta é a primeira vez na história moderna em que a Ucrânia não luta lado a lado com a Rússia. Muitos, tanto na Rússia quanto no Ocidente, não compreenderam isso. Além disso, esse fato destrói o mito de uma Rússia grande e invencível. Agora já não é assim. Muitos estereótipos e formas de pensar perderam sua base.

Uma grande parte dos ocidentais sempre considerou que a Europa Oriental constituía um mundo separado e homogêneo. Um mundo estrangeiro. A própria palavra «Europa» era frequentemente utilizada apenas no sentido de Europa Ocidental. Mas agora já não é assim. A Ucrânia já provou que é sujeito, e não objeto, da política, da diplomacia e da economia europeias. Mais ainda: ela própria está defendendo a Europa.

Muitos perguntam de onde vem essa resistência ucraniana. Nós mesmos não a compreendemos plenamente. Todos os dias nos surpreendemos com essa força. Estamos redescobrindo a força do nosso povo.

Estamos diante do confronto entre dois tipos diferentes de sociedade. A Ucrânia de hoje é uma sociedade fundamentada em uma rede social, uma rede de solidariedade, informação e apoio mútuo; uma rede de sociedade civil que, às vezes, dá origem às estruturas do Estado e à vida política. São pessoas que colaboram, que vivem uma vida em comum.

A Rússia, por outro lado, é uma pirâmide rígida, construída sem a sociedade civil e contra ela. No topo dessa pirâmide está um governo criminoso e cleptocrático — um poder que procura reconstruir-se segundo o modelo do sistema soviético. Na Rússia não existe sociedade civil. Os russos são politicamente apáticos porque sabem que não podem mudar nada. E essa pirâmide ficou frente a frente com a rede. Os russos não conseguem vencer na Ucrânia.

É claro que cada um desses tipos de sociedade possui seus pontos fortes e suas fragilidades. Na Ucrânia, por exemplo, essa rede precisa ser constantemente reconstruída e novamente costurada. Cada trauma, cada perda na frente ou entre a população civil nas cidades provoca o rompimento de diferentes vínculos da rede. As Igrejas desempenham nela um papel muito ativo, porque estão na guarda das relações humanas, tratando as feridas provocadas pela guerra e novamente costurando essa rede.

Dizemos que, às vezes, temos dificuldade para construir estruturas estatais fortes, mas em nosso país o poder muda, passando de umas mãos para outras. Na Ucrânia, o poder muda porque existe uma base de sociedade civil que provoca essas mudanças.

Na Rússia acontece o contrário, embora essa pirâmide rígida esteja começando a apresentar fissuras internas. Ela começa a desmoronar, como um enorme colosso, e por isso se torna cada vez mais perigosa e mortal. Ela se vê como uma fortaleza sitiada e considera todo o mundo como inimigo.

Essa sociedade vertical e piramidal é, evidentemente, muito rígida e opaca. Por exemplo, se o presidente russo se ocupa pessoalmente da microgestão militar, decidindo qual aldeia deve ser atacada em determinado dia, todos os demais líderes, inclusive os militares, sentem-se desvalorizados e já não conseguem tomar decisões.

A sociedade em forma de rede, ao contrário, torna-se cada vez mais flexível e dinâmica, sendo construída e desenvolvida sobre os princípios da solidariedade, da ajuda mútua, da iniciativa privada, do respeito à atividade humana e à sua inviolabilidade.

Ao contemplarmos essas duas imagens opostas, talvez possamos compreender a resistência ucraniana — a resistência de uma sociedade ferida que reage ao ataque. Esta guerra não provoca apenas rupturas na rede, mas também feridas interiores na alma — para nós, é uma luta existencial. Se essa pirâmide engolir a rede, sabemos que os acontecimentos do passado se repetirão, como o Holodomor — o genocídio no qual mais de 6 milhões de ucranianos morreram em consequência da fome artificialmente provocada.

É por isso que precisamos nos defender. E podemos fazê-lo graças à rede internacional, pois somos um povo transnacional: temos uma comunidade global de 60 milhões de ucranianos que vivem em todo o mundo, apoiam-se mutuamente e defendem seu país.

Em meio a tudo isso, a Santa Sé procura manter o contato inclusive com o agressor. Dez dias atrás, o Arcebispo Paul Richard Gallagher visitou Moscou, e muitos na Itália interpretaram essa viagem como um passo em direção à Rússia. No entanto, o mesmo Gallagher esteve na Ucrânia dois meses atrás e se manifestou de maneira muito firme sobre a necessidade de defender a causa ucraniana. Ele também apoiou a integridade territorial do país invadido por Moscou. Qual é a sua opinião sobre isso?

— A missão do Arcebispo Gallagher foi profética, no sentido de que foi a profecia de uma voz que clama no deserto. É interessante que o Arcebispo Gallagher tenha chegado à Rússia justamente no momento em que o chefe da inteligência dos Estados Unidos aterrissou lá. O Arcebispo Gallagher realmente falou sobre diálogo e paz. Disse que esta guerra não tem solução militar, que é necessário encontrar uma solução diplomática e assim por diante.

Mas, no momento em que pronunciava essas palavras proféticas, a Rússia planejava uma escalada da guerra na Ucrânia. Mais ainda, ela tentou — e ainda tenta — levar a guerra para além da Ucrânia, até mesmo para além do espaço aéreo terrestre.

Na Ucrânia, afirma-se que o motivo da visita a Moscou do chefe da inteligência dos Estados Unidos foi o fato de a Rússia estar tentando transferir a guerra para o espaço e até mesmo planejar uma explosão nuclear destinada a atingir o sistema de satélites GPS e, assim, atacar as comunicações globais.

Isso nos faz compreender que a declaração feita pelo Arcebispo Gallagher estava em forte contraste com a realidade que se desenrolava diante dele em Moscou. Acompanhamos sua visita com muita atenção. Foi como se tivéssemos descido ao abismo do inferno e, de lá, proclamado a fé na ressurreição dos mortos.

Infelizmente, Lavrov e Peskov comentaram as palavras do Arcebispo Gallagher como um simples slogan, um «slogan vazio». Isso é um fato muito sério, pois demonstra o quanto a Rússia despreza a diplomacia. A única linguagem que ela entende é a força, a força bruta e militar, e a Rússia é incapaz de reconhecer seu interlocutor como um igual.

Além disso, gostaria de acrescentar que os russos só estão interessados no diálogo quando seus interlocutores podem ser utilizados para fins de propaganda de Moscou. Com aqueles que não querem ser usados, eles se recusam a lidar. A viagem do Arcebispo Gallagher foi muito delicada: o risco de ser utilizado para esse fim é muito grande e, naturalmente, a Santa Sé não pode concordar com isso.

O Papa e o responsável pelas Relações com os Estados falaram de maneira clara e inequívoca sobre a paz. Aliás, falar sobre a paz na Rússia atual é considerado um crime. Portanto, eu diria que foi uma visita profética, mas, infelizmente, ela não abriu nenhum caminho; até hoje não houve nenhum avanço.

É evidente que tanto os meios de comunicação pró-russos quanto seus amigos no Ocidente, como verdadeiros «idiotas úteis», irão utilizá-lo para seus próprios objetivos. Mas nós, na Ucrânia, sabemos que o Papa Leão é o Papa da paz, que a proclama mesmo quando isso contradiz determinada corrente política. Leão XIV proclama valores, defende a dignidade humana e, quando fala da Ucrânia, fala da guerra na Europa e do respeito à nossa Constituição. Ou seja, proclama os princípios sem os quais não é possível pôr fim a esta guerra.

E depois de anos de evidente tensão ou, melhor dizendo, de incompreensão, como é vista hoje na Ucrânia a atuação da Santa Sé em relação à guerra que continua?

— Posso constatar que, neste momento, a linguagem do Papa Leão e da diplomacia vaticana é muito clara. No passado, os mal-entendidos surgiam às vezes justamente por causa de determinada interpretação, não tanto das intenções, mas dos símbolos e das palavras. Hoje, tudo aquilo que a Santa Sé diz e faz é muito claro e altamente valorizado na Ucrânia.

Desde o dia de sua eleição, Leão XIV foi proclamado na Ucrânia como o Papa da paz, que não se limita a slogans pacifistas, pois a verdadeira paz cristã nada tem a ver com o pacifismo, especialmente aquele de modelo comunista, mas proclama os princípios sobre os quais essa paz pode ser construída. Uma paz justa e duradoura — uma paz «desarmada e desarmante».

Por isso, somos muito gratos por essa clareza; nesse sentido, sentimos o apoio da Santa Sé. E somos gratos sobretudo porque, em junho, durante o Consistório, foi rejeitada a ideologia da «guerra justa». Trata-se daquilo que agora é proclamado em Moscou: o Patriarca Kirill acaba de publicar um livro sobre a «guerra justa», que para ele é uma guerra santa. Na minha opinião, a Santa Sé pensa de maneira completamente diferente.

Há ainda outro problema fundamental, novamente relacionado ao fato de que o Ocidente é desatento e cheio de preconceitos, além de carregar avaliações histórico-religiosas completamente equivocadas. Sempre há aqueles que veem na Rússia uma fortaleza de defesa dos «verdadeiros valores», especialmente dos valores cristãos.

E isso apesar de Vladimir Putin não ver nada de errado em bombardear até mesmo o complexo da Catedral da Dormição em Kyiv. Isso no que diz respeito ao respeito pelos símbolos cristãos…

O  Chefe da Igreja Greco-Católica Ucraniana sorri silenciosamente e espera alguns segundos antes de responder.

— Alguns dias atrás — diz ele — foi publicado um artigo muito claro e importante sobre esse tema, escrito por Sergei Chapnin. Ele é um fiel ortodoxo que pertenceu durante 15 anos ao sistema do Patriarcado de Moscou e que, depois, por determinadas razões, foi obrigado a romper com ele. Seu artigo tem o título «Faith Under Pressure», ou seja, «Fé sob pressão». Chapnin desmonta o mito da Rússia como fortaleza de defesa dos valores tradicionais.

Gostaria de esclarecer: aqui não se trata, de modo algum, de valores cristãos. A propaganda russa apoia-se nos chamados valores tradicionais. E a tradição à qual se refere não é, de maneira alguma, cristã. Eles utilizam os valores familiares para fins militares, pregam uma teologia da morte, e não da ressurreição. Aqui não se trata absolutamente de valores cristãos, nem dos mandamentos de Deus.

Trata-se de uma religião civil, cujos valores coincidem com os valores do Estado russo. Por isso, falar de valores tradicionais é uma armadilha ideológica — uma armadilha da ideologia do «mundo russo» (Russkiy Mir).

Um pequeno exemplo para compreender: um sacerdote ortodoxo que não quer rezar pela guerra, mas reza pela paz, não é simplesmente um dissidente; ele é considerado um herege. Qual é a sua culpa? O fato de não apoiar essa «nova teologia», que combina fragmentos do cristianismo com a ideologia comunista e marxista da União Soviética, sob a forma de um novo tipo de sincretismo religioso.

É nesse contexto que existe o mito da Rússia como defensora dos valores tradicionais. Isso não tem absolutamente nada a ver nem com a tradição cristã nem com o Evangelho de Jesus Cristo.

Ontem, ao final da oração do «Angelus», o pensamento do Papa voltou-se novamente para a Ucrânia:

«Com o coração dolorido, acompanhei as notícias sobre os ataques brutais que recentemente atingiram diversas cidades e infraestruturas civis na Ucrânia, causando a morte de pessoas inocentes. Meu coração se une ao sofrimento da população que há anos vive em estado de ansiedade e medo. Renovo o apelo para que se ponha fim à violência, que se detenha a destruição, que se abram os corações ao diálogo e à paz. Espero que os esforços realizados nestes dias para retomar as negociações produzam frutos concretos e abram espaço para a diplomacia».

Matteo Mazzucci.

Tradução do Ucraniano: Pe. Estefano Wonsik, OSBM.

Link original: https://ugcc.ua/data/merzennist-rosiyskogo-varvarstva-intervyu-blazhennishogo-svyatoslava-dlya-il-foglio-9304/ 


NOTA: Il Foglio é um jornal diário italiano de circulação nacional, fundado em 30 de janeiro de 1996 pelo jornalista e escritor Giuliano Ferrara. Com sede em Roma, o periódico tornou-se conhecido por sua atenção especial à política italiana e internacional, bem como por seus artigos de análise e opinião. Ferrara dirigiu o jornal desde sua fundação até 2015, com uma breve interrupção entre 1996 e 1997. Desde 28 de janeiro de 2015, a direção está a cargo do jornalista Claudio Cerasa, que anteriormente atuava como chefe de redação política do periódico.