quarta-feira, 6 de julho de 2011

DA RUSSIFICAÇÃO À POBREZA

Tyshdyn, 10.06.2011
Oleksii Sokyrko

Imposição do idioma russo - apenas um aspecto da exportação russa de seu modo de vida.

O termo parece bem familiar. Hoje até os manuais escolares animadamente explicam sua essência: russificação, dizem, é política direcionada para afirmar e fortificar a superioridade da política nacional russa na Ukraina e outros países, com a ajuda da transmissão ou introdução de pessoas de nacionalidade não russa, para a língua e cultura russa e sua posterior assimilação.

O tratamento popular deste fenômeno conduz sua genealogia partir do limite dos séculos XIX - XX quando o braço político do movimento de libertação nacional lutava contra todos os tipos de restrições na área de expressão e de imprensa ucrainiana.

Em seguida, já durante a era soviética, este tratamento transformou-se em flagelação revelada na política cultural e educacional da URSS. No entanto, a russificação desde o seu início não se aplica apenas ao idioma e bordados.

Russificação Econômica: obuses em vez de manteiga

Na maioria das vezes a russificação é compreendida como introdução e cultivo do russo, que deve eliminar e nivelar o que é especificamente seu, autêntico. Na verdade, a opressão e a assimilação foram e são apenas parte das medidas de russificação. Sua outra função é preservação e desenvolvimento daqueles componentes da cultura local ou práticas sociais que, por definição, forem úteis para a metrópole, prometendo reforçar sua autoridade local.

A russificação, tradicionalmente e com justiça, é identificada como propagação, na Ukraina, da influência política russa, quando, após a revolução dos cossacos no século XVII e uma série de guerras com a Polônia e Turquia, cada vez mais do território ucrainiano caía sob o domínio do "czar ortodoxo branco". No entanto, o início da russificação não se relaciona, absolutamente, com a esfera cultural-educacional, mas sócio-econômica. Defendendo com zelo positivo, que isto acontecia graças às conquistas russas da era imperial à vida econômica ukrainiana.

Os contadores de histórias da frente ideológica sempre sublinhavam a acessibilidade da Ukraina aos mercados externos para venda de produtos (principalmente agrícolas), à conversão do território ukrainiano do sul e "Livoberegia" (parte do território à esquerda do rio Dnipró - O.K.) no celeiro da Europa. A amarga verdade consiste em que, todas essas modificações, antes de tudo, contribuíam para a preservaçãoo dos direitos econômicos alheios a Ukraina, fato percebido no século XVIII. Não é nenhum segredo que o "acesso" para os mercados ocidentais dos comerciantes ukrainianos não ocorria pelos caminhos da rentabilidade, como acontecia na Idade Média, mas por intermédio da Rússia e através dos centros de trânsito da metrópole.

A ideologia do comércio exterior da Rússia não tinha nada em comum com a filosofia da livre troca, característica do mundo ocidental, e era centrada exclusivamente nas necessidades do estabelecimento do poder econômico, e domínio político. Pela introdução gradual das restrições à exportação estratégica de mercadorias importantes e direcionamento de fluxos do comércio em seus postos de trânsito, Rússia rapidamente estabeleceu, completamente novas para os ukrainianos regras do jogo, onde o comércio podia ser bem sucedido apenas para os "seus". No futuro próximo mantiveram-se nele, principalmente aqueles que conseguiram apoio e proteção de nobres influentes ou os favoritos do czar.

Outro fruto amargo foi a entrada dos produtores ukrainianos no mercado comum russo, elogiado por muitos historiadores da época imperial e da União Soviética. A agricultura na Ukraina tinha seu caráter orientado para exportação. Os pseudopatriotas se alegravam muito com o status da Ukraina como alimentadora da Europa enquanto silenciavam que, além fronteira prevalecia a venda de cereais forrageiros, os quais eram re-exportados para as colônias, e não para os consumidores europeus.

O desenvolvimento dinâmico na fabricação do açúcar na Pravoberezhna Ukraina (terras à direita do rio Dnipró - O.K.) tornou-se guloseima que acariciou a vaidade citadina, também tornou-se uma espécie de "milagre econômico", apenas com a ressalva, que as condições de trabalho nos engenhos de açúcar eram extremamente difíceis. E, a rede de empresas não resolvia o problema do desemprego e baixos padrões de vida. Embora a Ukraina era considerada quase uma capital européia da fabricação de açúcar, a média de consumo de açúcar de seus habitantes de posses intermediárias, por ano, era menor que de seus vizinhos europeus.

O crescimento industrial da segunda metade do século XIX foi, comprovadamente, projeto "russo", porque o governo controlava todo investimento, aspirando utilizá-lo não para benefício da prosperidade do país, mas para o desenvolvimento de estrategicamente importantes setores, orientados para as necessidades do Exército e da Marinha. O princípio de Bismarck "projéteis ao invés de manteiga", atraía investidores estrangeiros devido a garantia de venda de seus produtos (armas, navios, aço, trilhos, vagões, carros, equipamentos industriais) consumidos pelo governo. A revolução industrial do Império e, posteriormente, a industrialização soviética professavam praticamente as mesmas prioridades econômicas: predomínio da extração de matérias-primas e indústria pesada sobre a indústria leve e alimentícia. Na véspera da Primeira Guerra Mundial as exportações ukrainianas de produtos acabados representavam menos de 20%, o restante eram matérias primas e produtos semi-acabados.

A não otimização do desenvolvimento da indústria e da agricultura, projetada e estimulada aos interesses da comunidade minoritária, impedia o desenvolvimento do consumo interno. O atraso do modelo imperial da economia realmente conservou as antigas formas de alimentação e costumes culturais ukrainianos. O consumo excessivo de pão e cerais, que compensavam a falta de proteínas e gorduras na dieta, o consumo elevado de álcool, que era, implicitamente, incentivado pelo monopólio estatal - todos esses rudimentos do cotidiano arcaico sobreviveram com sucesso a civilização imperial, tornando-se um dos códigos básicos da civilização soviética.

O retrocesso na área de comunicações, sobre a qual o Google escreveu, considerando-a como uma doença crônica da Rússia, tornou-se um fato estabelecido para Ukraina. A irracional e frágil construção de estradas e ferrovias, o atraso nas tecnologias, o desvio e roubo de fundos tornaram-se para sempre a marca russa nesta esfera. Os projetos referentes ao transporte freqüentemente transformavam-se em propaganda, que encobriam a verdadeira insegurança: cenas de construção da estrada de ferro Trans-Siberiana, onde o futuro czar Nicolau II, segurando um carrinho de mão, entraram em todos os manuais escolares de história, e depois de algum tempo reencarnaram-se na propaganda de outro projeto de Potemkin, agora já soviético BAM (estrada de ferro na Rússia asiática, de Baikal a Amur - O.K.) Com notas comuns a eles ressoam os atuais projetos de infra-estrutura referentes a Euro - 2012 da pós-soviética Ukraina.

Russificação social: filas em vez de barricadas

A mais brilhante manifestação de "russificação" social - participação das elites ukrainianas no desenvolvimento do império russo e soviético - freqüentemente utiliza-se como argumento a favor da proximidade destas formações e sua ideologia à mentalidade ukrainiana. À causa de exatidão distinguiremos: "khokhly" (termo pejorativo usado pelos russos em relação aos ukrainianos - O.K.) - construtores do império - não é apenas Rosumovski, Bezborodkos, Troshchynski e Kochubeí (membros da elite ukrainiana - O.K.), mas centenas de milhares de camponeses e cossacos ukrainianos, com os quais Petersburgo "em prol da russificação" povoava Kuban, Criméia, Leste siberiano e Cazaquistão.

O fato marcante da política social da metrópole era: todas as medidas regulatórias relativas à sociedade ukrainiana eram direcionadas somente para duas camadas sociais: nobreza e camponeses. Os primeiros obtinham perspectivas de carreira e perspectivas militares no exército imperial, perdendo em troca a sua [condição] social - política de auto-suficiência e, em seguida a própria identidade. Os camponeses, ora com chicote, ora com bolo de mel, eram atraídos para uma mítica "terra e liberdade" camponesa. No entanto, a política dos governos imperial e soviética sucessivamente ignorava e marginalizava a terceira camada - a classe média.

Os direitos de propriedade na legislação dos impérios, para grupos não privilegiados, sempre pareceram ilusórios e as liberdades políticas estavam completamente ausentes. Em geral, tal situação não dava oportunidade para desenvolvimento da burguesia, como portadora de outros princípios estabelecidos na independência, responsabilidade e iniciativa.

Em compensação a "russificação social" sempre se preocupava com a preservação da estrutura hierárquica da sociedade. O topo, tradicionalmente ocupavam os "escolhidos" e protegidos pelo regime político, funcionários e oficiais, aos quais poderiam se juntar outras categorias de "servidores do povo". Em condições de ineficiência crônica do aparato administrativo e econômico, estas categorias tinham, além da influência no governo, acréscimos e vantagens preferenciais - desde acesso a bens da civilização ocidental, efetivo tratamento de saúde e quotas de alimentos em distribuidores especiais. O restante da sociedade era tratada como massa amorfa, despersonalizada, sem independência, sem possibilidade de demonstrar seus dotes, sua vocação, sem sua própria individualidade. Devendo ser seu principal valor a submissão total e fé no Estado forte (czar, chefe). As aspirações sociais não eram dirigidas na sua auto-realização e aperfeiçoamento próprios, mas na procura de caminhos ao número de "eleitos" e, então apossar-se dos benefícios a eles destinados.

A liberdade pessoal em estruturas coletivistas de comunidades rurais ou brigadas Stakhanov (O movimento Stakhanov, iniciado em 1935 e direcionado aos trabalhadores para que alcançassem sempre maiores recordes de produção. Os que se distinguiam eram apontados como exemplo a seguir. O. Stakhanov, operário de minas de carvão, foi o primeiro a alcançar alta produção. Daí o nome. - O.K.). As brigadas Stakhanov sempre foram anomalia e desafio aos valores tradicionais.

Os pontos de referência e orientação paternalista sempre tiveram como conseqüência a passividade e boa direção - o mais valioso resultado comum de projetos de russificação. Exatamente eles davam a possibilidade à metrópole moldar novas comunidades não somente na igualdade de identificação, mas também na massa física dos homens - precisamente assim tornou-se possível o fenômeno da "nação soviética", população que se manteve até agora, praticamente em todas as repúblicas da antiga União Soviética.

No entanto, o sucesso social da russificação foi e permanece um dos mais duvidosos e limitados. As razões para isso são muitas – desde a memória social ukrainiana surpreendentemente duradoura (como a dos camponeses, os quais, como argumentam os psicólogos sociais, com intuitiva e subconsciente desconfiança ao governo causada por experiências traumáticas do Holodomor [morte pela fome] e coletivização de suas propriedades, vive e trabalha durante, no mínimo 4 - 5 gerações) para elementar falta de jeito e superficialidade de realizar iniciativas concretas.

Investindo tempo e muito dinheiro no nivelamento das diferenças sociais e étnicas entre as "fraternas” repúblicas soviéticas, a falecida URSS, finalmente colidiu, no final de sua existência com a explosão dos oprimidos àquele “nacionalismo”, e ressurgimento das tradições sociais, as quais ela tentou, sem sucesso, erradicar.

A falha sistêmica da russificação foi a sua não construção. Examinando as conseqüências da russificação na Criméia, que aos olhos da sociedade russa era análoga à civilização de selvagens, o publicista russo Yevgeny Markov com desolada sinceridade declarou: "A questão do benefício da população deve ser resolvido com uma lógica completamente imparcial e sincera... Olhemos o assunto diretamente nos olhos e coloquemos a mão no coração, falemos honestamente, se nós verdadeiramente demos vida melhor ao tártaro da Criméia?"

Russificação cultural: "pobres, porque parvos, parvos porque pobres"

O plano da russificação cultural parece ser o mais visível. No entanto, ele é muito mais amplo e ameaçador que a circular de Valuev que proibia a impressão de livros em língua ucrainiana em 1863 (Rússia czarista) ou o passo acelerado da música pop russa na televisão ukrainiana.

O resultado global da russificação ukrainiana - é inoculação de valores e motivações do novo sistema, especificamente na vida cotidiana. São os hábitos e opiniões sociais que nos falam pela boca das personagens [irônicas] de Skovoroda[1] (1722-1794) e Nechui-Levitskyi[2] (1838-1918): "o chefe sempre tem razão", "não se mostre", "mas, eu preciso disso?" E assim por diante.

A indiferença social e letargia espiritual, na verdade são mais terríveis que os gostos primitivos que acalentam o culto massivo do "Ruskyi mir" (Mundo russo). Neste sentido os efeitos da russificação estão presentes, mesmo nos locais onde ecoa a língua ukrainiana, mas em hospitais e tribunais tratam as pessoas de acordo com seu nível social e espessura de sua carteira.

Outro trauma civilizacional, por assim dizer, causado pela russificação - surgimento em nosso léxico cultural dos termos "província" e "capital". Antes da era russificacional a paisagem cultural do saber não conhecia tal divisão devido a específica homogeneidade européia na Ukraina - tanto as maiores quanto as menores cidades criavam o fundamento econômico e cultural, substrato da vida regional, no qual os centros educacionais e fortes centros comerciais podiam não coincidir necessariamente com a capital administrativa e os domicílios dos poderosos. A reformatação da era imperial trouxe ao país uma nova e coordenada rede, na qual esta homogeneidade rapidamente desapareceu junto com os velhos centros culturais e econômicos (é pouco provável que alguém, hoje, reconheça em Kamianets-Podilskyi, Bila Tserkva, Koropa, ou Novhorod-Siverskyi antigas cidades "estrela"). Os centros de peso foram deslocados, em grande parte para as artificialmente destinadas pelo governo novas células, as quais não foram capazes de autodesenvolvimento, e o esclarecimento das possibilidades e perspectivas passou a ser determinado não com naturais habilidades da região ou localidade mas próprios do império divisões hierárquicas entre o "centro" e "cercanias". Então o provincianismo não era mais de categoria geográfica, antes essência, qualidade.

Imunidade contra russificação

Os modelos de russificação eram e são muito necessários para manter a integridade e a influência do império. Mas, são eles assim tão poderosos e efetivos? O calcanhar de Aquiles da russificação é total indiferença a qualquer identidade em cuja base foram inteiramente colocados os valores dos cidadãos (a primazia dos direitos individuais, o individualismo, a tolerância, o construtivismo social, etc.) Porque até mesmo os cidadãos russificados nem sempre se dão bem com os valores e as condições do "mundo russo", mesmo que sejam russos étnicos. O modelo russificado do sistema social e cultural propõe um país não efetivo, instabilidade material e passividadde social privando a possibilidade da escolha. Esse modelo antinatural do progresso é um obstáculo para um genuíno desenvolvimento não só de Lviv, Kolomeia, ou Lutsk (cidades da Ukraina ocidental que sofreram menos anos de domínio e russificação - O.K.), mas igualmente a Luhansk, Djankoy ou Kherson (cidades na região da Ukraina que sofreram mais anos de domínio e russificação - O.K.).

Russificação e sua nova forma nunca terão chance lá, onde as pessoas preferem ser cidadãos e não vassalos!

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik


[1] Filósofo, pedagogo, escritor, professor e tradutor ukrainiano - O.K.
[2] Professor lingüista, prosador ukrainiano – OK.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

TRIBUNAL DA INQUISIÇÃO NA UCRANIA CONTINUA

"Julgamento" de Yulia Tymoshenko

A sessão do tribunal, de 29.06.2011 durou apenas 1 (uma) hora.

Por várias vezes o juiz observou a falta de respeito da Tymoshenko em não levantar quando falava.

"- Eu já lhe disse uma vez, que precisa levantar perante o tribunal.”, disse o juíz.
“- O senhor não representa o tribunal. O senhor é uma farsa. E, a julgar pela sua decisão, no sábado, ao ignorar todas as minhas solicitações, ignorando a lei, a Constituição, todos os meus direitos, o senhor não representa a justiça. Portanto, levantar perante o senhor, eu não vou!", disse Tymoshenko.

Em seguida o juiz pediu a Tymoshenko seu passaporte (identidade) e declarar seu sobrenome, nome e patronímico (usa-se nesta ordem. Patronímico é o sobrenome derivado do nome do pai ou de um antecessor - O.K.), data de nascimento e local de moradia.

Tymoshenko se recusou a responder, lembrando que todos esses dados estão escritos em seu passaporte, bem como nos autos do processo. E acrescentou: "Meu sobrenome é igual ao de milhões de pessoas, as que não acreditam nos tribunais ukrainianos corrompidos, dependentes, injustos.

Depois disso foi entregue o relatório da sessão.

Ainda o juiz esclareceu que, por lei, se o réu não recebeu o relatório da sessão, somente o recebendo na sessão posterior, ele terá três dias para se familiarizar com o documento. Como a sessão anterior terminou às 23 horas (gente, das 10 às 23 horas?) no sábado, e o documento só foi entregue na presente sessão, portanto ela está sendo adiada para o dia 04.07.2011.

No entanto, o advogado da Tymoshenko argumentou que, se o último dia do prazo cai no final da semana, como é o caso, então o prazo, pela lei, deveria terminar na terça-feira. "Mas, parece que o juiz está com muita pressa.", concluiu o advogado.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

domingo, 3 de julho de 2011

"Freedom House": Ukraina - no beco sem saída - igual ao mundo árabe

A maioria dos antigos países soviéticos têm os mesmos indícios de "vulnerabilidade a crises imprevistas”, tais como as que ocorrem no Oriente Médio e Norte da África.

Aproximadamente 80% da população da ex-União Soviética vive sob o domínio autoritário em países que são potencialmente perigosos para essas nações em um futuro próximo.

O relatório diz que na Ukraina, exemplo na região com reformas anteriores "realizou-se a diminuição de indicadores democráticos em cinco de oito parâmetros investigados". "Freedom House" também constata, na Ukraina, tendências autoritárias e ausência no aperfeiçoamento da democracia, como é constatado também em outros países pós-soviéticos, e países do Oriente Médio e Norte da África.

Os autores do documento "Nações na Estrada" enfatizam que o colapso das reformas na Ukraina acontece sob a liderança do presidente Viktor Yanukovych.

"No relatório, que abrangeu 29 países notamos, em especial, a erosão continua da democracia nos países da ex-União Soviética, exceto os países bálticos" - disse Freedom House.

"O estudo descobriu que os líderes, as autoridades, na maioria desses Estados autoritários não só permanecem no comando, como não realizam iniciativas sérias para reformas democráticas. Eu penso que algo semelhante nós vimos nos países do Oriente Médio e Norte da África" - disse Walker.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

sábado, 2 de julho de 2011

Piora a situação dos direitos humanos na Ukraina - "Anistia Internacional"

Assim foi considerado nosso país em seu último relatório, pela organização "Anistia Internacional".

Foi constatado aumento de torturas e tratamento desumano nos serviços estruturais de poder, restrições à liberdade de expressão e de reunião, e grandes manifestações de xenofobia.

Em geral, "Anistia Internacional" fixa os limites da liberdade de expressão durante o último ano em 89 países, a tortura - em 98, julgamento injusto - em 54 países.

Ukraina está em cada uma dessas listas, anunciou na apresentação do relatório em Kyiv, a representante da "Anistia Internacional" Tatyana Mazur.

"É a primeira vez que Ukraina está mencionada no comunicado da imprensa. Nossos observadores e voluntários distinguem a deterioração dos direitos humanos fundamentais. Durante o ano passado aumentou o número de relatos de tortura em centros de detenção na polícia" - disse ela, e lembrou os fatos mais comentados como o espancamento na prisão de Vinnytsia, o caso do Andrii Bondarenko que foi encaminhado pelo tribunal três vezes para exame psiquiátrico e do refugiado de Abkhazia Tamaz Kardava que morreu depois de espancamentos, e pelo fato de que na prisão não lhe foi dada a assistência médica adequada.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

sexta-feira, 1 de julho de 2011

RESGATANDO A VERDADE HISTÓRICA NA UCRÂNIA - II

Fuzilamentos de prisioneiros em junho-julho de 1941. Como isto aconteceu.

Ukrainska Pravda
- Istorychna Pravda (1)
- Ihor Derevianyi (2)

Assim não fizeram nem os poloneses em 1939, nem os nazistas em 1944.

A milícia da União Soviética fuzilava em massa - com armas automáticas, pelas janelinhas destinadas ao fornecimento de alimentos. Ou lançava granadas para as câmeras. Algumas dessas câmeras foi preciso emparedar para evitar propagação de doenças - e exumar os restos mortais somente com a chegada do inverno.

Junho de 1941 é lembrado na Ukraina Ocidental não somente com o ataque da Alemanha nazista, também com massacres sanguinários, cometidos por supostamente seu governo, na retaguarda.

Trata-se de, até para hoje, fenômeno inédito, mesmo na prática do Comissariado do Povo dos Assuntos Internos (NKVD) da União Soviética - execuções em massa de presos políticos nas prisões da Ukraina Ocidental no final de junho - início de julho de 1941.

A "Verdade Histórica" fornece exemplos de três justiçamentos desse tipo: nas prisões de Lviv, nas minas de sal em Salina e na prisão de Lutsk. O texto de hoje é dedicado a assassinatos em massa em Lviv.

Primeira página da relação dos fuzilados na prisão Nº 3 em Zolochev. São nítidas as observações no documento - determinação da sentença pelo chefe da investigação do setor do UNKGB (Comitê Popular Ukrainiano da KGB) na Província de Lviv, Shumakov, e imposição de sanções para execução da sentença pelo procurador da Província de Lviv, Kharytonov. Duas pessoas decidiram o destino de milhares... Arquivo do Centro de Pesquisa do Movimento de Libertação TSDVR.

No exemplo de Lviv pode-se mostrar com exatidão o trabalho secreto dos "valorosos combatentes da contrarrevolução".

Em Lviv havia três prisões: Nº 1 - Lontskoho, Nº 2 - Zamarstynivska e N° 4 - Brygidky. A prisão Nº 3 ficava no Castelo Zolochev, a 70km de Lviv - para cá eram mandados os presos quando as prisões de Lviv estavam superlotadas (e eram superlotadas: a prisão na Lontskoho, com limite até 1500 pessoas chegou a comportar 3638 presos).


Lado esquerdo do documento anterior. A inscrição em vermelho, feita pela mão do investigador Shumakov: "Instrução para fuzilar os inimigos da nação". E sobrenomes - Barenleym, Didukh, Krachkovskyi, Tsverling, Bonder, Mazurchak, Kotyk...

Nas prisões de Lviv em 22 de junho de 1941 havia 5424 prisioneiros. A maioria era acusada de crimes nos termos do artigo 54 do Código Penal da URSS, isto é - atividades contra-revolucionárias.

Pelo "Processo 59", em dezembro de 1940, em Lviv condenavam as pessoas porque elas eram - ukrainianas.

As medidas oficiais imediatas para solucionar o problema da superlotação vieram sob a ordem Nº 2445/M, do Comissário de Segurança do Estado, Merkulova, de 23.06.1941, e a ordem do chefe da Administração de Prisões da NKVD URSS, capitão da Segurança do Estado, Filippov, em 23.o6.1941.


Parte do lado direito do documento anterior. A anotação com tinta preta - autorização para morte - escrito com a mão do procurador da Província de Lviv, Kharytynov: "Fuzilar como inimigos da nação, sanciono".

No primeiro documento verificava-se o tempo limite de todos os prisioneiros, e a distribuição daqueles que estavam sujeitos à deportação para os campos de concentração do Gulag, e aqueles que necessariamente era preciso fuzilar (Dessa tarefa incumbia-se a NKGB). Para evacuação alocaram-se 204 vagões.

De acordo com a instrução da NKVD URSS, de 29 de dezembro de 1939, um vagão deveria conter trinta deportados, então os vagões indicados seriam suficientes para evacuar 6900 prisioneiros. No entanto evacuaram apenas 1822 dos 5000 planejados.


Petro V. Stashynskyi (1904 - 1941) nascido na aldeia Borshchovychi, na Província de Lviv. Aprisionado em 09.10.1940.  Membro do "Prosvita" (pela educação), organização "Força" e OUN (Organização dos Nacionalistas Ukrainianos). Acusado nos termos do Artigo 54pm. 6,11 do Código Penal. Fuzilado na prisão Nº 1 da cidade de Lviv, à rua Lontskoho (Hoje esta rua denomina-se Stepan Bandera, ficando a prisão com o nome Lonstkoho. - O.K.) em 26.06.1941.
A foto é anterior aos anos da guerra, na Praça do Mercado em Lviv. TSDVR (Arquivo do Centro de Pesquisa do Movimento de Libertação).


3602 permaneceram nas prisões de Lviv. E o que aconteceu com os comboios - os documentos não falam.

As execuções começaram em 22.06.1941 - foram fuzilados os condenados à morte. Do relatório intercalar do chefe da prisão UNKVD da Província de Lviv, Lerman, sabe-se que a partir de 24 de junho, nas prisões de Lviv e Zolochev foram fuzilados 2072 presos.

Em 26 de junho confirmaram as relações dos fuzilados - ainda 2068 pessoas foram submetidas à destruição. Elas foram mortas em 24-28 de junho.


Cadáveres dos prisioneiros fuzilados na prisão Lontskoho, Lviv, 1º de julho de 1941. Algumas câmeras os alemães precisaram emparedar para esquivar-se de epidemias. Segunda exumação realizaram em fevereiro de 1942, quando vieram fortes geadas. Arquivo TSDVR.

Desta forma na Província de Lviv foram fuzilados 4140 prisioneiros. No entanto os cálculos não fecham: ficaram nas prisões 3602 pessoas mas fuzilaram mais.

A resposta para esta pergunta fornecem os relatórios de Lerman: aqui havia também a chegada de novos prisioneiros. Os documentos da prisão sobre estas pessoas não formalizavam-se adequadamente.

Na maioria dos casos não relatavam nem os motivos das acusações, mas seguramente, os classificavam como partícipes da OUN, espiões, diversionistas - ou seja, pessoas que deviam ser fuziladas.





Exumação de prisioneiros
  
Processo de exumação de prisioneiros fuzilados. 03.07.1941 na cidade de Lviv. Para realização destes trabalhos, os alemães obrigavam os judeus de Lviv. Arquivo TSDVR.

Este é apenas um fragmento da trágica estatística, compreensão dividida por Stalin. A imagem verdadeira revela-se quando olhamos o mapa inteiro da Ukraina Ocidental - quase 24 mil assassinados.

Inicialmente aplicavam a prática usual da NKVD: individualmente, em câmeras especiais, o tiro na nuca. Com a aproximação da frente da batalha, mas os planos ainda não foram executados - fuzilavam em massa: levavam os prisioneiros para as câmeras no porão e através da porta para passagem do alimento disparavam com armas automáticas.

A janelinha abria - o prisioneiro, ao invés da comida para sustentáculo de sua vida, via o meio da destruição... último objeto que via na vida.



Os habitantes de Lviv procuram entre os fuzilados seus parentes no pátio da prisão Nº 1 da cidade de Lviv, 03.07.1941. Arquivo TSDVR.

E nos últimos dias - lançavam granadas dentro das câmeras. Ou abriam a porta da cela. Os prisioneiros saíam para o corredor, pensando que seriam libertados, mas neste momento eram fuzilados com armas automáticas.

Os corpos eram levados por caminhões e enterrados em lugares especiais, os quais agora, gradualmente são descobertos pelos arqueólogos.

Na região do Pré Cárpatos recentemente abriram uma sepultura comum. Parece que são vítimas de 1941.

No entanto, antes da chegada dos alemães os chekistas, apressadamente enterravam os assassinados nos quintais e no subsolo. Mais tarde as escavações dessa hecatombe tornaram-se material de propaganda nazista - certamente não por razões humanitárias.

Houve também a destruição dos prisioneiros evacuados para as províncias centrais e orientais da Ukraina - nas prisões de migrantes de Uman, Kyiv e Kharkiv. Estas cidades eram chamadas de pontos intermediários onde havia a mistura de presos para evitar rebeliões e êxodo em massa durante a deportação.



Propaganda nazista dos fuzilados em prisões - principalmente ukrainianos, poloneses (que aqui viviam devido ao anterior domínio) e judeus - chamando-os "folksdoychamy". Inscrição do correspondente alemão Hubner na foto das conseqüências de execução de prisioneiros em Massa. Arquivo TSDVR.
(O texto em alemão, segundo tradução livre de uma amiga, fala sobre o reencontro com cenas macabras. Os familiares dos massacrados, os quais foram retirados de covas comuns, tentam identificar seus parentes. Eles tampam o nariz diante do forte odor, devido ao estado adiantado de putrefação. Polônia 1939. Nos países ocupados pelos alemães foi anunciado que os russos queriam eliminar o inimigo político, nestas pessoas. - O.K.)

Separadamente merece recordação a tragédia Zalishchytska em Ternopil, quando uma ponte ferroviária sobre o rio Dniester, por raciocínio tático foi destruída, justamente quando dos dois lados vieram comboios com 7 vagões cada. Cada um dos 14 vagões tinha entre 50 e 70 prisioneiros.

NKVD resolveu o problema rapidamente: os vagões foram banhados com produto incendiário e jogados no rio. As margens do Dniester neste local são muito altas e íngremes - ninguém sobreviveu.

Claro, a propaganda soviética "pendurou" todos esses crimes nos nazistas (como também os fuzilamentos dos prisioneiros de guerra poloneses) e, infelizmente, esses mitos andam como fantasmas, mesmo nos dias de hoje.


Surpresa e horror no rosto da moça de Lviv que acabou de entrar no pátio da prisão. 03.07.1941, Lviv. Arquivo TSDVR.

A sociedade ocidental vivenciou o choque do que viu. Afinal, coisa semelhante Polônia não fez no início da II Grande Guerra em 1939 (quando abriram as prisões e libertaram todos os prisioneiros políticos, até avisaram: movam-se para o leste, porque na linha de frente os ex-prisioneiros podem ser fuzilados.

Mais tarde, em 1944 atos assim não praticaram os nazistas (a administração deixou os prisioneiros de campos de concentração vivos antes da chegada dos Aliados). E, este ato terrível, na própria incongruência do assassinato em massa dos presos, tornou-se um dos principais fatores do enraizamento da posição antissoviética da então geração e gerações futuras.

Todos os anos a comunidade de Lviv vem às prisões para lembrar os mortos, e a antiga prisão Nº 1 - Prisão Lontskoho agora é Museu Memorial de todas as vítimas de regimes de ocupação.


(1) Verdade ukrainiana - Verdade histórica
(2) Ihor Derevianyi é historiador e colaborador científico do Museu de Memória Nacional das vítimas de regime de ocupação "Prisão na Lontskoho"

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotos dos arquivos de TSDVR
Fotoformação: AOliynik

quinta-feira, 30 de junho de 2011

RESGATANDO A VERDADE HISTÓRICA NA UCRÂNIA: DIA 22/06/1941

Dia 22/06/2011, completou 70 anos que isto aconteceu. O povo ucraniano, assim como o mundo, não podem ignorar que ISTO aconteceu. Portanto, caro leitor, saiba o que aconteceu e como aconteceu, nos artigos que Notícias da Ucrânia publicará a partir deste, entretanto, falta a terceira pergunta desta trilogia macabra: Por que aconteceu? Porque por um lado um grupo de psicopatas comunistas e por outro um grupo de psicopatas nazistas resolveram reformar o mundo, criar um homem novo e colocar-se no lugar de Deus.
O nazismo foi extinto ao final da Segunda Guerra Mundial, mas o comunismo NÃO. Ele está aí, às nossas portas, todo revigorado, mas oculto sob mil disfarces para que você não o perceba e acredite que ele não existe mais. Ledo engano, meu caro leitor. Ledo engano!

O Cossaco.

22.06.1941Neste dia teve início a II Grande Guerra em Lviv, principal cidade da região ocidental da Ukraina.

Nesta data a cidade viveu, talvez, sua maior tragédia, porque com a chegada dos nazistas, os soviéticos em fuga assassinaram o maior número de prisioneiros políticos que conseguiram, para que a culpa recaísse nos alemães.

A população de Lviv, como de toda Ukraina, sofreu igualmente nos regimes nazistas e comunistas, tanto em tempo de guerra como em tempo de paz.

Foi destruída grande quantidade de sua população. As prisões e os campos de concentração eram igualmente aproveitados pela NKVD e Gestapo. As forças criminosas atuavam do mesmo modo.

A primeira ocupação soviética da Ukraina Ocidental aconteceu entre 1939 e 1941. Ainda nos anos 1889-1990, no governo autro-hungaro foi construído o prédio, que passou a ser aproveitado como prisão pela ocupação polonesa, para os ativistas políticos, isto é, para os patriotas ukrainianos que se opunham ao invasor polonês, soviético e nazista. Os interrogatórios realizavam-se na base de torturas.

A prisão comportava 1500 presos. Com a ocupação nazista em 1941, os soviéticos em fuga fuzilaram aproximadamente 1000 presos políticos. Mas, muitos mais morreram fuzilados, ou devido aos interrogatórios extenuantes com torturas como enfiar agulhas ou pregos sob as unhas, cortar os seios das mulheres, péssima alimentação, doenças, ou foram mandados aos campos de trabalhos forçados, durante os anos da dominação soviética.

Entre 1941-1944 os nazistas continuaram usar o prédio como prisão. Neste período perderam aqui a vida mais de 3000 ukrainianos.

Entre 1944-1991 aqui atuou o departamento de investigação e prisão da NKVD, MGB-KGB. Também o Departamento de Assuntos Internos da cidade de Lviv e Ministério do Interior da Ukraina.

A partir de 28.06.2009 o prédio, Prisão em Lontskoho, começou funcionar como Museu-Memorial das vítimas do regime soviético,
http://uk.wikipedia.org/wiki/%D0%A2%D1%8E%D1%80%D0%BC%D0%B0_%D0%BD%D0%B0_%D0%9B%D0%BE%D0%BD%D1%86%D1%8C%D0%BA%D0%BE%D0%B3%D0%BE com status de nacional.

O dia 22 de junho é comemorado pela população de Lviv como dia da Mágoa ou da Tristeza. Mas, devido às provocações acontecidas no dia 9 de maio, dia em que é comemorado o final da II Grande Guerra, havia receio dos governantes e da população.

Surgiram até organizações populares como "Comitê contra antissemitismo" e "judeus contra Hurwitz" os quais declararam a intenção de realizar um ato antifascista, com uso de bandeira vermelha, nas Colinas da Glória. Como se viu posteriormente, essas "organizações judaicas", absolutamente não eram judaicas, segundo o presidente do Comitê Ukraino-Judaico Oleksandr Feldman, Às quais ele chamou de "provocadores".

Segundo as últimas notícias as comemorações transcorreram bem, declarou o prefeito de Lviv, porque não houve influências externas.

Os cidadãos estiveram unidos. Todas as organizações, os políticos, os partidos políticos estiveram juntos. Não houve influência externa, não houve problemas.

No dia 21 de junho o Tribunal do Distrito Administrativo de Lviv aprovou a decisão do Conselho Municipal sobre a proibição da realização de comícios em massa em 22 de junho.

Apenas foram autorizados os preparativos oficiais e todos seriam realizados em conjunto.

Somente poderia ser hasteada a Bandeira Nacional. O uso da bandeira vermelha já foi proibida anteriormente pela Justiça Constitucional.


Pesquisa: Internet
Tradução: Oksana Kowaltschuk

quarta-feira, 29 de junho de 2011

COMUNISTAS SE ATRAEM

Hu Jintao, além de ser o presidente da República Popular da China, é também o secretário-geral do Partido Comunista. Yanukovych é um comunista pró-Rússia e a aproximação entre os dois países faz parte do projeto de dominação global russo-chinês denominado "Movimento Eurasiano". Estes acordos não passam de camadas que ocultam muito mais coisas que as mentes de simples mortais possam imaginar.
O Cossaco. 

Hu trouxe 3,5 bilhões de dólares para acordos

Vysokyi Zamok. 24.06.2011
Ihor Tymots

Ukraina e China agora - parceiros estratégicos
O Presidente da Ukraina Viktor Yanukovych e o presidente da República Popular da China Hu Jintao assinaram hoje, em Kyiv, uma declaração conjunta sobre a criação e desenvolvimento da parceria estratégica entre Ukraina e China.

O acordo refere-se principalmente ao apoio mútuo da soberania de Estado, da integridade territorial e respeito ao desenvolvimento de cada um dos Estados, não uso mútuo de forças ou ameaça de força, não uso de pressão econômica, ou qualquer outro tipo de pressão.

O acordo assinado entre Ukraina e China durante a visita de Hu Jintao a Ukraina é cerca de 3,5 bilhões de dólares, disse Yanukovych.

Yanukovych espera que o volume de negócios comerciais entre os dois países, dos atuais 8 bilhões cresça para mais de 10 bilhões em 2012. Segundo o Presidente o volume de negócios, neste ano, está aumentando em 80%. "Eu gostaria de enfatizar a necessidade de atrair grandes investimentos para projetos de infraestrutura na Ukraina - com o envolvimento de tecnologia chinesa. Amplas perspectivas de uma maior cooperação com a China, eu vejo com a criação de "joint ventures" na Ukraina e, a re-exportação de produtos para "terceiros" países - disse Yanukovych. Ele disse, ainda, que as empresas "Antonov" poderiam cooperar com as empresas chinesas de aviação, por exemplo, no desenvolvimento conjunto de grandes e médios aviões de transporte, em produção conjunta de An-70, An-148 e An-158.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

terça-feira, 28 de junho de 2011

CONTINUA O JULGAMENTO DE YULIA TYMOSHENKO

Tribunal privou Tymoshenko de últimas ilusões

Ukrainska Pravda, 27.06.2011
Serhei Leshchenko, Tetiana Nikolaienko


Os deputados partidários da Tymoshenko, quando adentraram à sala do Tribunal, às 9 horas (O início da sessão estava marcado para as 10 horas) já encontraram o grupo de adversários, de camisetas pretas, porém o dobro de jovens da sessão anterior. Ocupavam praticamente todo o espaço disponível. Os deputados conseguiram afastá-los e, um deles confessou que estavam recebendo 200 UAH (moeda local) pelo trabalho e foram introduzidos na sala do Tribunal ainda a noite.

Na entrada, de um lado Yúlia foi saudada pelos simpatizantes que gritavam seu nome; do outro, os adversários com cartazes: "Tymoshenko, Lazarenko, Único Sistema Energético da Ukraina - grupo criminoso". Tocavam sinos e gritavam.

A sala do Tribunal novamente ficou superlotada. Pelo menos trocaram o ar condicionado.

Como na sessão anterior, o juiz chamou a atenção da acusada pelo fato de ela não levantar ao dirigir-se a ele. Yúlia respondeu: - "Quando em nosso país houver justiça, eu me levantarei ao dirigir-me ao juiz. Quando no Tribunal houver honra, eu direi : Vossa Excelência" - declarou indignada Tymoshenko.

O juiz ainda insistiu dizendo que a falta de respeito era também a todos os presentes, porém Júlia não levantou nem uma vez durante a sessão.

Os simpatizantes ovacionaram a resposta da Yúlia, o juiz gritou dizendo que não estavam no teatro. Cenas idênticas repetiram-se outras vezes.

O advogado da Tymoshenko solicitou a unificação com os processos de Didenko e Makarenko (que estão presos), porque os assuntos são interligados e o crime deles é - abuso de autoridade.

Tymoshenko declarou que as determinações que ela dava se aplicavam a estas pessoas e também aos eventos. Em condições difíceis era obrigada a conduzir negociações, contrariando pressões de Dmytro Firtash e ex-presidente Yushchenko. (Firtash é proprietário do "Group DF" (The Firtash Group of Companies) que reúne ativos na esfera da indústria química, energética e imobiliária. Sua companhia "Group DF" atua, além da Ukraina, nos seguintes países: Austria, Estônia, Itália, Alemanha, Rússia, Tadjiquistão, Hungria e Suiça. - O.K.)

Isso não era do agrado dos procuradores e várias vezes pediram ao juiz para que obrigasse Yúlia ater-se ao seu problema, e não com devaneios líricos.

Quando o juiz lhe pediu que se ativesse ao essencial, ela respondeu que tentava mas o Tribunal não a deixava.

"Porque você está atrapalhando!" - gritavam as simpatizantes das últimas fileiras. - "Vamos, vamos correr com o juiz!" - e isto continuava até o juiz gritar: "Silêncio, nesta sala!"

"Várias vezes fui ameaçada por estes moços, caso não parasse de recolher do mercado ‘RosUkrEnergo’. Eu estou contando o que está nos documentos e também é material desse julgamento".

Ao pedido do juiz para se aproximar mais do essencial, ela responde: "Isso é mais que o essencial. Essa é a história criminal do período laranja", suspirou Tymoshenko.

"Estou sabendo que as pessoas sobre as quais eu estou falando, estão verificando as possibilidades de me colocar na prisão", constatou Tymoshenko.

No intervalo, a jornalista perguntou a Yúlia se, para escapar da prisão, ela seria capaz de sincero arrependimento, conforme artigo 66 do Código Criminal, ela respondeu que para o "arrependimento sincero" logo virá o tempo para o presidente. A questão não deve ser contra ela, e sim contra Yanukovych e Azarov (primeiro ministro) pela entrega de Sevastopol à Rússia até 2042.

Tymoshenko também declarou que os contratos de gás, por ela assinados, não trouxeram 194 milhões de dólares de prejuízo, pelo contrário, trouxeram um (1) bilhão de UAH (moeda local) de lucro. (No câmbio atual seriam 125 milhões de dólares. - O.K.)

Também faz parte do processo o alegado uso indevido do dinheiro do Japão que deveria ser direcionado para preservação da natureza, e à compra de um (1) mil de veículos para uso médico-assistencial e que não seriam os mais adequados para esta finalidade.

A sessão continuou com a irônica irreverência da Tymoshenko, o apoio ruidoso da assistência e a inabilidade do juiz.

Próxima sessão, quarta-feira, 29.06.2011.


Tradução: Oksana Kowaltschuk

Começou o julgamento de YULIA TYMOSHENKO

Ukrainska Pravda, 24.06.2011.


Yulia Tymoshenko, que ocupou o cargo de Primeiro Ministro no governo anterior, está sendo julgada por assuntos relacionados ao preço do gás.


Yulia e seu advogado na sala de audiências do Tribunal


Compareceram ao julgamento o presidente da UE José Manoel Pinto Teixeira e vice-cônsul da Alemanha Anke Feldhuzen, além de muitos correligionários, simpatizantes e família.

Chegada de Yulia Tymoshenko à audiência do Tribunal e agradece ao povo ucraniano pela presença e pelo apoio recebido.

Yulia responde aos jornalistas: Diz que Yanukovych (presidente) tem medo e que todos na Ukraina e no mundo sabem disso. Que ele obrigará o juiz decretar a sentença determinada por ele, porque na Ukraina a justiça não é independente. E quanto mais vão deixá-la isolada da comunidade (Ela precisa pedir licença até para visitar a própria mãe que reside em outra cidade. Não pode viajar pelo país para manter contato com a população), mais alto soará sua voz. E o que o governo faz a ela, faz contra si mesmo.


O rapaz diz que o julgamento é necessário para que, os que roubaram, devolvam o produto do roubo. Quando o repórter pergunta quanto ele recebeu do governo para estar aí contra Yulia Tymoshenko, ele faz aquele movimento de mão diante da orelha.
Comentário:
(Quando o governo quer manifestações a seu favor ele paga às pessoas, o que é aceito geralmente pelos idosos, que recebem míseras aposentadorias, e pelos estudantes que ainda não trabalham e precisam de dinheiro. Muitas pessoas não escondem este fato. - O.K.)

O advogado da Tymoshenko, durante o julgamento, tentava encaminhar solicitação para que, na continuidade das sessões mudassem de endereço devido ao espaço ser muito pequeno - 35m² para 150 pessoas. A União dos Escritores está colocando à disposição um local bem confortável para 250 pessoas. Tymoshenko pede que seja constituído um juri popular.

Iniciando seu pronunciamento Tymoshenko pergunta se o Tribunal submete-se à Constituição e às Leis. Porque ela quer saber se será julgada por uma justiça adequada. Infelizmente após todas as humilhações que foram feitas às Leis e à Constituição, pelo Presidente e seu círculo, não existe justiça na Ukraina. E, por isto nós precisamos encontrar a formula e possibilidades às quais confiariam os participantes, os cidadãos do país, todas as organizações e cidadãos no exterior. Para o dia de hoje esta justiça não é aquela em que confiam. Ela também gostaria de ressaltar que em toda justiça, Procuradoria e administração do presidente é nítido o parentesco, a amizade mútua de todos e em tudo, inclusive nas repressões. É do conhecimento de todos que o Procurador Geral Sr. Pshonka tem um irmão como presidente da justiça criminal especial. Isto significa que o Procurador Geral dá início às questões, e seu irmão em última instância da justiça superior especializada em criminalidade vai apoiar aquilo que já foi determinado pelo irmão na Procuradoria. Temos compadrio, parentesco, inaceitabilidade, e isso coloca a justiça criminal sob grande indagação e incondicionalmente lança desconfiança na população e em nós quanto participantes do processo.

O Procurador Geral, já durante sua designação declarou que servirá ao Presidente, e não à Constituição e à Lei. Todos ouviram. Portanto não é pessoa indicada para o cargo que ocupa.

Todo juiz que não executar as determinações da Procuradoria Geral será dispensado e poderá ser julgado e condenado.

O pronunciamento da Tymoshenko continua . . .

O advogado da Tymochenko reclama a falta de atenção do juiz, se ele precisa anotar algo, então deve anunciar um intervalo. (O juiz, quando fala, parece um aluno-candidato à repetência. Tymochenko é brilhante! - O.K.)

No pátio do Tribunal e ruas próximas, desde bem cedo afluíam simpatizantes da Tymoshenko. Pessoas com bandeiras do partido "Batkivshchena" (significa Pátria - O.K.) de diversas províncias. A passagem para o prédio do Tribunal foi bloqueada pelos seguranças do "Berkut" (Berkut, em ukrainiano, é um pássaro grande, carnívoro, da família das águias. A população reclama muito desses seguranças, pelo visto o nome é apropriado - O.K.) Também haviam vários ônibus com milícia. Dentro da sala do Tribunal havia simpatizantes e adversários.

Sala de audiências do Tribunal: 32m2 para 150 pessoas
Chegaram a se formar poças de suor no chão.

A sessão continuará no sábado, dia 25 de junho, às 10 horas.


Tradução: Oksana Kowaltschuk
Para visualizar outros vídeos e imagens link:
 http://www.pravda.com.ua/photo-video/2011/06/24/6326224/

segunda-feira, 27 de junho de 2011

DEMOCRACIA NA UCRÂNIA E A CORRUPÇÃO

Yanukovych no PACE
Yanukovych falou na sessão da Assembléia Parlamentar da Europa (PACE), e quase confessou a reprodução da corrupção.
Ukraina Moloda, 22.06.2011
Ivan Didushok

Membros estrangeiros tinham muitas perguntas para Viktor Yanukovych sobre a democracia na Ukraina. Segundo Volodymyr Ariev, também presente na sessão da PACE, a delegação de Marrocos foi recebida com aplausos, e Yanukovych com "silêncio sepulcral".

Ariev e seus colegas da oposição organizaram em frente ao Conselho da Europa um pequeno piquete. Apresentaram cartazes com escritos em inglês: "Yanukovych, não minta para Europa", "Não, para as perseguições políticas na Ukraina", e outros. Também compareceram ukrainianos da diáspora ukrainiana.

Os deputados de diferentes países fizeram aguçadas perguntas a Yanukovych. A principal pergunta foi sobre a perseguição da oposição na Ukraina. Yúlia Tymoshenko também foi convidada para Estrasburgo - mas, devido ao inquérito não foi autorizada. O presidente assegurou que não dá ordens à investigação. "Quanto aos princípios - sou a favor de que a política na Ukraina não conheça fronteiras. Como presidente, eu não tenho autoridade para dizer à Procuradoria quem e para onde deve ir", justificava-se V. Yanukovych.

Ele queixou-se dos políticos ukrainianos, dizendo que eles tentavam evitar responsabilidade pelos atos corruptos escondendo-se atrás de alegações de perseguição pólítica. "E a corrupção, hoje, é uma grande ameaça para "Ukraina". E falou tanto que até saiu-se com esta brilhante pérola: "... e este sistema democrático, corrupto, foi construído durante anos, dezenas de anos" [Acuse-os do que você faz, ensinava Lênin. AO].

O Grupo do Partido Popular Europeu propôs Olha Herasymiuk como vice-presidente do Comitê Regulador do PACE. O presidente do Grupo Liuka Volante, propondo a candidatura da senhora Olha declarou: "em apoio à democracia real da Ukraina". 


Bens do administrador do Yanukovych

Ukrainska Pravda, 20.06.2011
Serhii Leshchenko

Os políticos e governantes ukrainianos gostam de falar ao público sobre a necessidade de economizar. Para diminuir o deficit do governo sugerem cortar todos benefícios de quem os esteja recebendo (aposentados, veteranos de guerra, atingidos pela catástrofe de Chornobyl, etc.).

Mas, nunca pensam em diminuir as suas vantagens. Muitos residem em um dos dois territórios "Koncha Zaspa" ou "Pushcha Vodytsia" que custam aos pagadores de impostos cinqüenta milhões de UAH (moeda local) por ano. Oficialmente são chamados de "complexos de descanso" e são administrados pelo governo. Os agraciados, geralmente recebem o terreno com casa que já é antiga. A eles é permitido reformar a casa e descontar o valor gasto a título de aluguel, mas, o que acontece é que eles constroem verdadeiros palácios e ficam morando aí, graciosamente, mesmo após o término do seu mandato. E, como se fosse pouco ainda recebem os serviços de segurança, jardinagem, desconto nos preços do gás, etc. Enfim, pagam apenas 30% do valor dos serviços comunais. Alguns, além de casas nos "complexos de descanso" ainda receberam apartamentos. Outros, somente apartamentos.

O administrador dos bens físicos do governo Yanukovych, principalmente dos bens do Yanukovych, Andrii Kravets não pode estar interessado em cortar as vantagens, porque sozinho desfruta de uma residência fabulosa em "Pushcha Vodytsia".
 

Residência particular de Andrii Kravets


Tradução: Oksana Kowaltschuk

sábado, 25 de junho de 2011

USURAPAÇÃO DE DIREITOS

"Deus, mão permita que se apoderem da terra do agricultor..."

Vysokyi Zamok, 10.06.2011
Ivan Farion

Das altas tribunas do Estado, nós, quase todos os dias ouvimos anúncios de reforma agrária, juramentos persuasivos para próxima criação de um mercado de terras transparente, estabelecimento de relações justas entre o camponês e o governo. Nos asseguram que estas reformas devolverão a Ukraina a condição de celeiro do mundo, e aos ukrainianos que curvam-se sobre o "chornozem" (terra preta) e terrenos baldios, farão abastados e felizes. Que "felicidade" é essa honestamente trabalhar no seu pedacinho de terra, sob orientação de seu governo, testemunha a dramática história do agricultor da aldeia de Drabiv, de Cherkasy, Oleksandr Biriuk.

O agricultor de 48 anos, fechou-se numa cabine com uma lata de gasolina e ameaçava riscar um fósforo, por causa da arbitrariedade da administração do governo regional, cujo presidente é do Partido da Regiões Volodymyr But que, contrariamente à lei, entregou a terra arrendada por O. Biriuk para uso ilegal de outro agricultor que também pertence aos "regionais".

Oleksandr Biriuk, na primavera, para semear a terra arrendada comprou fertilizantes, sementes e combustível. Mas, pela manhã, quando chegou com seus tatoristas para semear milho e soja . . .  a terra já estava semeada. . . .  Verificou-se que a semeadura foi efetuada por Serhei Butsko, do partido do Sr. But, deputado do Conselho da Província.

O agricultor O. Biriuk estava com os papéis sobre o arrendamento em ordem. Encaminhou solicitação à administração local e à Procuradoria local, e até ao governador de Chercasy, mas ninguém deu resposta. Então pegou uma lata de gasolina e foi à Administração, porque já havia esgotado todos os métodos legais.

O. Biriuk estava consciente. Ele não usa álcool, nem mesmo toma cerveja, a quinze anos.

"Eu não tenho saída! - diz Biriuk. - Tenho 320 mil de UAH (símbolo da moeda local) de dívidas pela compra de sementes, fertilizantes e combustível, que pagaria após a colheita. Quando se apoderaram de minha terra, eu quis devolver as sementes mas não aceitaram na empresa. Também pedi à administração local que me ajudassem vender as sementes para que não me levassem minha casa pela dívida das sementes. Mas não obtive ajuda nem dos responsáveis pela minha desgraça".

O. Biriuk acabou não ateando fogo em si mesmo porque o presidente da administração local Volodymyr But acabou prometendo a devolução das terras, mas, devido a muitos enganos ele ficou meio desconfiado com a "pessoa do presidente". É como diz o ditado popular: O senhor promete um sobretudo de peles - calorosas palavras.

Finalmente O. Biriuk recebeu a licença para retomar à sua plantação ( com a interferência do governador) porque o caso "foi espalhado pelo vento". Quando chegou ao campo. . . perdeu a fala. Seus 100ha foram deliberadamente destruídos. Na terra foram feitos grandes sulcos e precisaria de 4-5 dias para novamente trazer ordem à área. E, que colheita pode haver da já retardada semeadura? Além do que derramaram substâncias químicas no terreno. Se a semente nascer, dará frutos?

Qual deveria ser a atitude do governo que se diz "profissional"? No mínimo os "regionais" deveriam "correr" com o seu partidário Serhei Butsko, porque ele agiu contra lei e contra um ser humano. E entregá-lo à justiça. E também não poderia passar despercebida a aquiescência do administrador regional, com o silêncio do qual efetivam-se guerras por terra em toda Drabiv.

Quando o vice-governador soube  da profanação do campo - não quis mais conversar com o ofendido agricultor. Foi embora.

E como fica o presidente Yanukovych com a sua promessa "ouvirei a todos"?

(É por acontecimentos desse tipo que precisaram importar até "hrechka" - trigo mourisco ou trigo sarraceno - da China. É por agir assim que os "regionais" estão se dedicando à agricultura, e muitos deles até já entraram para relação dos 100 mais ricos da Ukraina, porque eles tem facilidades, mesmo que ilegais, à terra. E, é por isso que muitos camponeses estão indo, até ilegalmente, trabalhar nos países da Europa Ocidental, onde seu salário mensal
é mais certo que o fruto de seu trabalho em sua terra natal. - O.K.)

Tradução: Oksana Kowaltschuk

sexta-feira, 24 de junho de 2011

YÚLIA NO TRIBUNAL DA INQUISIÇÃO E OUTRAS NOTÍCIAS

Hoje, 24.06.2011 começam as sessões de julgamento da ex ministra Yúlia Tymoshenko, como já está acontecendo com Lutsenko. A diferença é que Tymoshenko não está aprisionada.

O partido "Batkivshchyna" (B'iút) do qual ela é presidente, conclama a todos para uma reunião pacífica junto às paredes do "Pecherskyi" Tribunal, na cidade de Kyiv.

Segundo o presidente do partido, da cidade de Lviv, vários ativistas desta cidade estão se preparando para comparecer e demonstrar seu apoio. E, delegações irão a Kyiv de todas as cidades. "Nós estaremos lá, e também sob as paredes da Procuradoria, se for preciso!", declarou Roman Ilyk.

Mas, como sempre, o governo de Yanukovych cercea o direito de ir e vir dos cidadãos. O grupo de Lviv já contactou mais de 10 empresas de transporte e todas elas apresentaram alguma desculpa quanto à possibilidade no aluguel de ônibus (Em casos assim o governo ameaça cassar a licença do empresário. - O.K.). O mesmo fenômeno acontece também em outras cidades.

Os ativistas declararam que irão com transporte particular, ou de trem.

Os participantes do "Maidan dos Impostos" (Assim ficou conhecida a "greve" dos pequenos empresários que, no ano passado estabeleceram-se em barracas em Kyiv, e protestavam contra as novas leis. - O.K.), segundo Oleksandr Danyliuk, em seu pronunciamento na TV, também participarão. Ele conclamou todas as forças políticas e também todos os cidadãos comuns para apoiar Tymoshenko. Todos devem estar unidos e se posicionar contra o governo, esquecendo toda concorrência e todas as ofensas particulares.

"Somente unida a frente de oposição será capaz de desmantelar o atual regime. Nós não estamos agitando para votar neste ou naquele candidato. Nós precisamos de "coalisão anti-hitlerista". Hoje, todas as forças de oposição devem entender que precisam se unir", - disse ele.

Conforme informações do Partido da Tymoshenko, o Ministério dos Assuntos do Interior está colocando cercas na entrada do Tribunal. Também há muitas pessoas, em trajes civis, no pátio do Tribunal. Com certeza, amanhã estas pessoas darão lugar aos milicianos.

Estão sendo "mobilizados", pelo Partido das Regiões, os estudantes nas suas residências comunais, segundo partidários da Tymochenko.

Também chegaram notícias que no departamento do Ministro do Ensino Tabachnyk, o governo estimula a juventude para participar nas ações contra Tymoshenko - ou sob ameaça de não realização de exames, ou, ao contrário, com promessas de liquidar quaisquer "rabinhos".  E, à noite soube-se que o governo está tentando anexar às suas forças, todos os trabalhadores das agências de segurança privada.

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O ex-vice-Ministro da Defesa Valerii Ivashchenko, já está preso  por nove meses.

Lutsenko, que o encontrou  na prisão, está indignado com a ilegalidade da detenção e acusa o governo pela saúde debilitada de Ivashchenko. Não o reconheceu. Sua pele está terrosa, suas reações são lentas.

Ele recebe visitas da esposa somente uma vez por mês.

Como já foi noticiado, Ivashchenko declarou oficialmente greve de fome, para chamar a atenção dos europeus. Seu advogado apelou à justiça européia dos direitos da pessoa.


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Na cidade de Dymytrove, em Donetsk, estão construindo uma igreja ortodoxa do Patriarcado de Moscou. Os dirigentes da igreja entram em contanto com os dirigentes das empresas e fazem acordos para descontrar o pagamento de um dia de trabalho dos operários, para construção da igreja.
Os operários reclamam, não porque os ortodoxos não queiram descontar, mas porque entre eles há muitos muçulmanos, grego-católicos e judeus, e isto esta sendo exigido de todos.

Tradução: Oksana Kowaltschuk