quarta-feira, 19 de setembro de 2012

ENTREVISTA COM FRENCIS FUKUIAMA

Frencis Fukuiama: A Revolução Laranja foi uma advertência para o mundo todo
Ukrainska Pravda - Zhyttia (Verdade Ukrainiana - Vida), 26.07.2012
Svitlana Zalishchuk, Movimento Cívico Honestamente.
 
Frencis Fukuiama
Stanford - forja de muitos políticos conhecidos do governo dos EUA. Dentro dessas paredes - uma das melhores universidades do mundo - nascem visões e modelos de desenvolvimento da geopolítica planetária.

Eu um de seus modestos escritórios nós conversamos com Frencis Fukuiama - cientista sênior, membro do Instituto Freeman - Spohli e autor de muitos livros, especialmente o muito conhecido no espaço pós-soviético "Fim da história e última pessoa".

Em seu tempo sua teoria sobre a democracia liberal como estágio final da evolução socio-cultural da humanidade foi a base da política internacional de Bush-filho. Atualmente Fukuiama deixou a política e voltou-se à vida científica, em grande parte reinterpretando suas visões anteriores, mas ainda detem a concepção "fim da história".

- Quero perguntar ao senhor, como cientista que dedicou muito estudo à democracia - que lugar ocupa Ukraina no mapa da democracia mundial?
- Eu considero que o fato mais interessante sobre Ukraina é que houve grande mobilização política e formou-se um verdadeiro movimento cívico, porque desde 1990 e até o início da crise dos anos 2000, a maioria dos observadores acreditava que, em comparação com a Rússia, na Ukraina não havia sociedade civil com forte oposição.
Então,em dois anos anteriores a Revolução Laranja formaram-se novas organizações da sociedade civil, os jornalistas executaram muitas investigações e publicaram muito maiis reportagens - tudo isto me impressionou porque eu sempre pensei, que de uma forma ou outra, a cultura política na Ukraina era muito passiva.
Esses fatos, realmente são muito importantes, porque não pode haver democracia se as pessoas não se mobilizam, se não há sociedade civil. (Até parece que Fukuiama está falando do Brasil - OK). Exatamente foram esses fatores que contribuíram para o início da Revolução Laranja. E eu não penso, que todas essas conquistas da sociedade serão perdidas, apesar dos resultados da última eleição presidencial.
Mas à Ukraina ainda não foi possível concluir o processo de transformação democrática para um sistema de governo democrático. Quando a coalizão laranja, finalmente, chegou ao poder, não havia liderança unida. Constantemente havia brigas entre Yushchenko e Tymoshenko. Em resultado dessa debilidade política a coalizão não conseguiu vencer tão sérios problemas como a corrupção nos órgãos do governo e a não efetividade do serviço público.

Também na Ukraina existem problemas a longo prazo, como oligarquia, os clãs econômicos, controles obscuros do governo. Eu penso, que enquanto não houver transparência, Ukraina não será uma democracia efetiva e, penso que a Revolução Laranja foi uma advertência peculiar ao mundo todo - mobilizar a população não será suficiente, se não se criarem instituições eficazes que prestem serviços públicos.

- Em seu famoso flivro "O fim da História", após o colapso da União Soviética o senhor previa que todos os países se tornarão democracias liberais. 20 anos depois, o senhor, como antes, ainda sente que este modelo, é sem alternativa para o mundo?
-Eu não penso que realmente há um modelo alternativo do governo além da democracia legal. Mas, a democracia exige a presença de institutos, e esses institutos são difíceis de criar, é preciso um longo tempo, e, em certo sentido, Ukraina aderiu ao processo.
Prova disso é que mesmo os políticos autoritários, como Putin e Yanukovych ainda acreditam que devem passar pelo ritual das eleições. Mas as instituições que apoiam o governo democrático, não são criadas automaticamente - este processo requer luta e competição política.

- Como o senhor avalia o papel da Ukraina no desenvolvimento da região pós-soviética?
- O papel da Ukraina é extremamente importante - a Revolução Laranja mostrou que o desejo de democracia na antiga União Soviética ainda existe e vai ser uma fonte de inspiração para os russos.
Quanto à Rússia, penso que os russos têm um grande problema concernente às gerações - algumas pessoas, como antes, votam nos comunistas. As pessoas de minha idade, tenho 58 anos, que cresceram durante o período comunista e lembram-se daqueles tempos, não sentem, especialmente, nostalgia deste período - eles colocaram grandes esperanças nos anos 90 de Yeltsin. E as pessoas mais jovens, agora com 40 anos ou menos, receberam a sua principal base vivencial no tempo de Yeltsin, e atualmente são partidárias de Putin, porque não lembram, o quão ruím foi a época do comunismo.
Mas eles lembram, que os anos de 1990 foram muito caóticos, o país era fraco, e por isso são mais nacionalistas e apoiam a política de Putin.
Eu penso, que exatamente as pessoas desta geração devem seguir em frente, porque os russos jovens que tomam a estabilidade como certo, frequentemente viajam e tem uma melhor educação, com o tempo formarão a base social para uma Rússia mais democrática.
 
 

- Parte dos políticos ukrainianos orienta-se segundo o modelo russo. Como é que isso pode influir na Ukraina?
- Primeiro de tudo, a Rússia não é um país de sucesso. Eu estou me referindo ao modelo econômico da Rússia - isto é, apenas um estado petrolífero. Se eles não possuíssem petróleo e gás, em penso que ninguém no mundo os levaria a sério. Eles não conseguiram criar uma economia moderna, e se você quiser seguir o exemplo de um país-rentista, onde um pequeno grupo da elite enriqueceu à custa dos recursos naturais e usa as finanças para compra de canais televisivos, propaganda e compra de votos nas eleições, se tudo isso é um bom modelo de sociedade, então sim, você deve seguir o modelo russo.
Use para comparação a China - lá, pelo menos, produzem coisas reais, eles realmnete têm uma economia industrial, eles introduzem inovaçõess e produzem aquilo, que o restante do mundo quer comprar. Rússia não tem possibilidades para tanto, excluindo a venda de matérias-primas.

- Qual a sua visão para o futuro da Rússia, dada a recente onda de mobilização da sociedade? Há previsões de que, devido a graves convulsões sociais, Rússia não poderá sobreviver como um único país?
- Eu não acho que Rússia vai desmoronar. Há problemas no Cáucaso, mas não acho que isso é um grande problema. O verdadeiro problema são as instituições erradas, e, portanto, os russos poderão afastar-se do modelo econômico de energia. Este é um modelo muito ruim para o desenvolvimento, porque o poder está concentrado nas mãos de um círculo muito pequeno de oligarcas, e isto impede o crescimento econômico. E sem crescimento econômico não haverá classe média ampla e não haverá apoio a democracia.

- Devido ao vetor de mudança na política internacional e da instabilidade política no Ocidente a Ukraina é frequentemente chamada "país balanço". Às vezes pode-se encontrar a expressão "estado que não se realizou" (estado falido). O senhor tem sua definição própria para Ukraina?
- Não é exatamente o "estado que não se realizou". Anteriormente eu não conseguia entender o propósito da entrada da Ukraina na OTAN e UE e pensava, que isto não era uma boa política por várias razões. Em primeiro lugar, por causa da OTAN, porque esta é uma aliança de defesa, em cuja pertinência preveem-se obrigações militares sérias. É evidente, que a OTAN não vai defender Ukraina da Rússia, portanto não precisa fazer promessa que não se pode cumprir.
Também, eu penso, que a situação, se Ukraina, simplesmente seguisse o exemplo da Polônia e da República Checa, e se tornasse parte da UE, por várias razões não é realista. Na estratégia de longo prazo essa aspiração é necessária, mas do ponto de vista geoestratégico o país é muito próximo da Rússia, e muito longe da Europa. No entanto, isso não significa que Ukraina deve ser dependente da Rússia.
A visão eurointegracional de Yushchenko não era realista, por várias razões. Primeiro, por causa da situação interna - Ukraina é etnicamente dividida, aqui vive um grande número de população de língua russa, que não partilha esta visão e, portanto não havia suficiente consenso na sociedade ukrainiana.
Se vocês pensam sobre OTAN, como uma organização defensiva, vocês não podem desenhar as fronteiras européias, na fronteira da Ukraina com Rússia. Isto não funcionará em termos da União Européia. Eu penso, que nós já estamos vendo as consequências do alargamento da UE - eles não deviam ter aceito Grécia.

- O senhor acha natural a Turquia se tornar um membro da UE, e Ukraina não?
- Não, Turquia não se tornará membro da UE. Nunca diga nunca, mas eu penso que este sonho - não se realizará. Países como Alemanha e França não querem que imigrantes muçulmanos venham até eles. Eles não podem falar sobre isso abertamente, mas esse fator é decisivo.

- E aonde, o senhor pensa, é a fronteira da UE?
-A essa pergunta é difícil responder porque, como eu disse, a UE expandiu suas fronteiras muito rapidamente. Na verdade, a Grécia deveria ter sido excluída, porque o país não cumpriu os critérios do pacto da estabilidade, mas não há nenhum mecanismo legal para a exclusão. Política da Bulgaria e da Romênia também não corresponde às normas européias, sua adesão também é problemática.
Eu penso que o consenso político, necessário para o funcionamento da UE, revelou-se bem mais fraco que todos esperavam, especialmente após a crise financeira. Os alemães não querem assegurar o mecanismo das ações de união, apoiando muitos membros de pleno direito da UE, de modo que qualquer idéia de acréscimo de novos membros torna-se menos realista.

- De que maneira destacou-se a estratégia amiricana da "redefinição" com a Rússia nas relações Ukraina-USA?
- A assim chamada redifinição com a Rússia à qual estava ativamente ligado Michael MCFaul (atual embaixador dos EUA na Rússia), é realmente uma estratégia muito boa, porque, embora a retórica do governo Bush foi bastante satisfatória, ela, não era real. Principalmente nós dizíamos à Rússia que tínhamos uma grande lista de coisas que queríamos deles, que não vamos dar nada em troca, simplesmente considerávamos que eram coisas certas e, por isso, deviam ser feitas.
Eu penso, que não foi levado em conta o fato, que a Rússia dos anos 2000 - não é Rússia dos anos 1990, ela é muito mais forte e mais estável e irá defender seus próprios interesses. Eu penso, que os desejos da Geórgia e Ukraina da aderir à OTAN não é realista e atrapalha a regulação de relações com a Rússia. A entrada para UE da Geórgia é mais impossível que a entrada da Ukraina porque a dificuldade de defender Geórgia da Rússia é dez, ou até 100 vezes maior.

Esta não é uma meta realista. Se continuaríamos declarar à Rússia, que nossa prioridade é a entrada da Ukraina e Geórgia à OTAN, os russos simplesmente diriam que não vão cooperar conosco em outras questões. Se remover um dos ítens mais populares da agenda diária, poderemos estabelecer uma cooperação mais estreita com Rússia em outras questões, e ao mesmo tempo continuar apoiando politicamente a independência da Ukraina e Geórgia da Rússia por outros meios, sem a retórica sobre a adesão a OTAN.
Georgianos acreditam que a adesão à OTAN é uma proteção mágica, e se você é um bom membro da OTAN, os russos não vão te atacar. É engraçado, porque os russos vão considerar outros fatores, como quem estiver mais próximo, quem tem mais tropas. Até mesmo os países não membros da OTAN, a aliança e EUA podem fazer muito para segurança e independência. Se Rússia começar a ameaçar qualquer país, independentemente dele ser ou não membro da OTAN, à Rússia vão aplicar sanções diplomáticas. Eu acho que vocês podem obter uma série de benefícios de cooperação com a OTAN, sem adesão formal.
- Por outro lado, a OTAN é a mais poderosa aliança militar internacional no mundo. A adesão da Ukraina e Geórgia poderia ser um fator de impedimento para intromissão militar de qualquer lado.
- Eu entendo. Ser membro da OTAN realmente fornece um compromisso formal de proteção a seus membros, ao qual ameaça Rússia, ou quaisquer outro país, entre outras possibilidades, com o uso de armas nucleares. Mas, mesmo durante a Guerra Fria, quando a União soviética entrou em Berlim, nós não estávamos preparados para usar armas nucleares. E se expandirmos as fronteiras da OTAN mais e mais a leste, as possibilidades e a plena potência dessas obrigações será direcionada para defesa de países de fronteira.
Quando a Rússia entrou na Georgia, em agosto de 2008, eu pensei muito sobre nós não podermos proteger a Polônia da Rússia agora, e os poloneses entendem isso. E, se amanhã Rússia decidir ocupar Estônia, nenhum país poderá fazer algo para prevenir isso, assim que as obrigações legais que vocês tiverem não serão suficientes para evitar ações militares.
Como Ukraina é um país mais democrático que a Rússia, ela deve ver a si própria, no futuro, como parte de uma grande comunidade democrática, independentemente de pertencer a UE ou OTAN. É nisto que está o futuro da Ukraina. Mas estratégica e geograficamente vocês estão ao lado da Rússia, e vocês têm muitas relações comerciais e também a dependência do gás. Por isso eu penso que é indispensável a Ukraina tornar-se independente ao máximo criando relações econômicas com os países da Europa, e outras partes do mundo, as quais no total formarão a base de maior independência da Ukraina.

 - Pergunta sobre a primavera árabe. O quanto é justa a afirmação que as redes sociais e as informações tecnológicas influenciaram as mudanças sociais nesses países?
 - Eu não penso que a tecnologia facilita a mobilização social rápida, mas certamente ela é muito útil quando você tenta trazer uma grande multidão à rua para protestar contra o regime autoritário. Na verdade, a democracia contribui à modernização, o que significa um alto nível de educaçãoo, desenvolvimento econômico e desenvolvimento da classe média que tem determinadas características: os seus representantes são melhor educados e sentem que não querem viver sob ditadura.
As pessoas não escreviam sobre isso no Facebook e Twitter, mas realmente no Egito e Túnisia há muitas pessoas esclarecidas que têm ensino superior, mas não conseguiram emprego, não puderam participar da gestão política, e exatamente estes fatores causaram a revolução. Portanto, as pessoas deveriam prestar mais atenção ao desenvolvimento da classe média, fonte da revolução democrática. E, se vocês conseguirem a transformação social final, a transformação do sistema político virá em seguida.
Mas, atenção! As redes sociais também podem ser usadas para maus propósitos, para mobilizar multidão antidemocrática, espalhando mensagens de ódio e tudo mais. As tecnologias são neutras em relação aos reais acontecimentos políticos, em que são utilizadas.
 - Há uma demanda crescente por parte de cidadãos em todo mundo para participar da tomada de decisões, especialmente em estados democráticos. Em vários países civilizados as pessoas saem às ruas para exigir não mudanças em quaisquer soluções específicas, mas mudanças fundamentais no sistema. Se é possível criar novas formas de democracia como contrapeso a democracia representativa? Quando não é o parlamento e governo decidem, o que quer a população, mas a própria população expressa a sua visão através de mecanismos específicos?
 - Eu me coloco com muito ceticismo nessa questão, criar ou não tais mecanismos, e um dos motivos para meu ceticismo é o Estado da California, porque lá existe um sistema de referendos, que começou no início do século XX, quando as pessoas não estavam satisfeitas com o governo. As pessoas acreditavam que, se elas obtivessem o referendo nacional, elas teriam a participação direta dos cidadãos. Mas aconteceu que o processo da construção do referendo caiu sob o controle de grandes e poderosos grupos de lobby, que usaram-no para fazer passar os seus interesses, tomando o poder do Legislativo, que tem de aprovar o orçamento e, portanto, constantemente estamos em crise financeira.
Quando você pergunta às pessoas o que elas querem, elas nunca dizem que querem aumento de impostos e corte de custos mas, na verdade, a responsabilidade do legislador é a aprovação do orçamento em que as receitas fiscais confrontam-se com os custos. Eu penso, que vocês devem usar as velhas formas de democracia, vocês precisam de partidos políticos, governo representativo e também um nível muito mais elevado de participação de pessoas, as quais realmente fazem as instituições trabalharem.
É indispensável melhor mobilizar as pessoas, para melhor trabalharem os velhos instrumentos, e quanto a mudança do sistema para consulta popular, não penso que isso vai funcionar. A maioria das questões atuais de políticas públicas é extremamente complexa, elas necessitam muito conhecimento sobre os problemas, muita informação. 99% de cidadãos simplesmente não tem tempo ou vontade para dedicar a isto muita atenção.
 Por exemplo, quando em Califórnia houve um referendo sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo, após a pesquisa constatou-se que 10-15% dos eleitores realmente não entenderam a formulação da pergunta, e se eles votaram "sim" pensando que votaram em apoio ao casamento gay, na verdade seu voto foi inscrito contra isto. Isso também não é democracia. Eu penso que é bom que as pessoas participem, é bom que as pessoas estejam mobilizadas, mas não penso que os novos mecanismos são necessariamente corretos.
 -Sobre o que será seu próximo livro?
- "As origens de ordem política", mas o primeiro volume descreve o período desde o início de nossa era até a Revolução Francesa, então eu ainda devo escrever o asegundo volume, da Revolução Francesa até o século XXI.
 - Como experiente conselheiro, o que o senhor pode aconselhar ao governo ukrainiano hoje?
- Penso que tudo é bastante simples. O conselho mais importante - realizar eleições livres e justas, respeitar os desejos dos cidadãos da Ukraina - são valores que devem constituir prioridade do governo atual, e isto não é tão difícil de executar!
 
Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Arvo Pärt - SALVE REGINA



Em 1944, Arvo Pärt presencia a ocupação da Estônia pela União Soviética, ocupação que duraria 50 anos, deixando profundas impressões sobre ele.
Ainda no início dos anos 1960, inicia-se na composição serial, com suas duas primeiras sinfonias...
Isto vai provocar inimizades, dado que a música serial era considerada como um avatar da decadência burguesa ocidental. Também politicamente incorretas, no contexto soviético, eram as suas composições de inspiração religiosa e a técnica de colagem que adotou por algum tempo. Nessas circunstâncias, sua obra será severamente limitada.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

FLAGELO RUSSO

Comunistas. Joseph Stalin. URSS. Ucrania. Holodomor. Holocausto esquecido. Entre 7 e 10 milhões de vítimas inocentes.

Em 1933, Stalin cercou a Ucrania, e privou de alimentos os camponeses, os kulaks, durante mais de um ano, em razão do que mais de 10.000.000 de pessoas agonizaram lentamente, de fome e frio, até a morte.

Stalin se rejubilou com esse holocausto. O Ocidente tomou conhecimento de tudo, muitas primeiras páginas foram estampadas com relatos e fotos das atrocidades, e ao final, o "heróico" Churchill, com uma canetada, selou o destino dos milhões de vítimas que se encontravam no Leste Europeu e foram escravizadas pelo comunismo soviético. O mesmo que tentava se apossar do nosso Brasil.

E agora, em 2012, os herdeiros do comunismo soviético tomaram a América do Sul e Central, e... Pasmei, confesso... Erigem momumentos a Stalin... Na Ucrania...


Posted: 09 Sep 2012 06:17 PM PDT
Estátua de Stalin em Zaporizhye, 2010
O governo de Kiev está favorecendo a reabsorção do país pela Rússia de Putin.

Para esse fim, facilita entre outras medidas as atividades propagandísticas dos desmilinguidos saudosistas do regime que exterminou milhões de ucranianos num dos maiores genocídios da História.

Mercê desse apoio proveniente de Moscou e Kiev, o Partido Comunista de todos os Bolchevistas da União, organização que perpetua o velho Partido Comunista da União Soviética, anunciou a ereção no país de mais quatro estátuas em honra de Josef Stalin.

Segundo informa o site comunista brasileiro Vermelho.org.br, a organização reagrupada pela cientista social e militante Nina Andreieva vai erguer as estátuas a um dos maiores responsáveis pelo extermínio de ucranianos nas cidades de Kiev, Lviv, Odessa e Dnipropetrovsk.
Milhões de ucranianos morreram de fome por ordem de Stalin
Milhões de ucranianos morreram de fome por ordem de Stalin
O mesmo partido já ergueu estátuas para o ex-líder soviético e dirigente do PCUS nas regiões de Zaparíjie, Doniets, Sumi e Kharkiv.

Os novos ventos pró-comunistas que sopram de Moscou animaram os prosélitos de Marx.

Eles informaram então que é “um dever sagrado honrar a quem deu a liberdade nacional ao povo ucraniano”, sob a pressão da fome homicida deliberadamente provocada pelo sanguinário ditador russo.

Essas iniciativas são altamente polêmicas no país e acontecem em meio a um vasto repúdio popular.

Fonte: http://flagelorusso.blogspot.com.br/ 

sábado, 15 de setembro de 2012

LVIV RESISTE DOMINAÇÃO RUSSA NA UCRÂNIA

Em Lviv os educadores realizaram manifestações para proteção do idioma ukrainiano
Tyzhden (Semana), 11.09.2012

No dia 11.09.2012 cerca de 3 mil professores fizeram uma manifestação para apoiar o idioma ukrainiano. A manifestação realizou-se próximo ao monumento do grande poeta Tarás Shevchenko. (Foto 1)
Foto 1
Eles seguravam bandeiras e cartazes com os seguintes dizeres: "Os escravos - uma nação que não tem seu próprio idioma e, portanto, não é capaz de proteger-se", "Cada palavra pronunciada em outro idioma, é um prego no caixão do idioma ukrainiano", "Apenas a língua materna tem a face de mãe natal", "Defenderemos a língua ukrainiana", "Kolesnichenko e Kivalov, eu vou falar em ukrainiano!"
Foto 2
Muitos manifestantes usavam os trajes nacionais, bordados.

Vários professores discursaram, eles conclamavam a todos para falar no idioma ukrainiano. E declaravam que Rússia não é um parceiro estratégico, mas um inimigo da Ukraina por isso deve ser tratada como país adversário. E conclamavam à união em prol do idioma ukrainiano.
Foto 3
O prefeito Andrii Sadovyi disse que pode parecer absurdo que na maior cidade do mundo, de idioma ukraniano, estar se realizando uma manifestação a favor do idioma ukrainiano, mas que a realidade é tal que a língua ukrainiana realmente precisa de proteção.

O apelo ao presidente Yanukovych diz: "Senhor presidente! Assinando a lei sobre política linguística na Ukraina, o Senhor se colocou no nível de outros exterminadores do idioma ukrainiano: Pedro, o Grande; Catarina II; Valuyev; Alexandre II; Nicolau II; Stalin e os 'opritchnik' dos comunistas" ("opritchnik" - elemento de guarda de Ivan o Terrível - OK).

Até o momento, a lei "Sobre os Princípios da Política Linguística do Estado", os governos locais de três regiões recusaram reconhecê-la, em 9 regiões o status do idioma regional russo foi aprovado (neste caso serão usados dois idiomas: o ukrainiano e o russo, em toda a documentação, nomes de ruas, preços, etc. E nas escolas será ensinado o idioma da preferência da maioria dos pais - OK). Numa cidade do Zakarpattia o idioma húngaro tornou-se regional. (Os funcionários públicos deverão usar nos documentos o idioma húngaro e ukrainiano - OK).

Em 30.08.2012 o Conselho Municipal de Lviv dirigiu-se à Justiça Constitucional exigindo esclarecer oficialmente certos artigos da lei, e também se os Conselhos das Províncias têm o direito de aprovar a língua russa como regional.

Também o conselho Municipal aprovou um apelo ao povo ukrainiano onde acusou o presidente Viktor Yanukovych na tentativa de liquidar a soberania do Estado ukrainiano na destruição do espaço informativo, na russificação da educação, ciência , cultura e toda a esfera política. (Lembramos: esta lei foi aprovada no Parlamento ukrainiano com graves violações e, mesmo assim, foi assinada pelo presidente - OK).

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: AOliynik

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

PUTIN E O PROJETO EURASIANO

Paz fria: O polo governista de Putin desafia Europa
Tyzhden (Semana), 07.07.2012
Janusz Buhayski - membro sênior do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (EUA).
 
 
O presidente Vladimir Putin anseia estabelecer a Rússia como um polo do governo em um mundo multipolar. Essa meta estratégica implica na necessidade de supervisão atenta às diferentes sub-regiões européias e euroasiáticas inclusive com Leste Europeu, áreas do Báltico e Mar Negro, o Cáucaso e a Ásia Central.

O desejo de Moscou, acima de tudo é dominar os territórios da ex-URSS. Ele espera que os EUA, UE e todos os grandes países da Europa Ocidental percebam sua posição dominante nestas áreas. Entretanto a condescendência submissa a Kremlin, não só desestabilizará e dividirá muitos vizinhos da Federação Russa, mas será um desafio para segurança de novos países-membros da UE e OTAN, com simultânea ameaça à unidade européia e cooperação transatlântica.

Ambições estratégicas de Moscou
A julgar pelas declarações e ações, os líderes russos personificam um ambicioso projeto para reviver a dominação regional da Federação Russa, minar a influência dos EUA no mundo, dividir OTAN, neutralizar a UE. Os planos globais de Moscou em relação ao Ocidente - reduzir a superioridade dos EUA através da transformação de 'unipolaridade" em "multipolaridade" em que Rússia teria mais peso. Apesar da perda do status de potência mundial ela pretende se tornar um polo euroasiático de poder.

As autoridades do Kremlin acreditam que o mundo deve ser organizado de acordo com a versão atualizada da "Concepção da Europa" do século XIX, onde as superpotências equilibram seus próprios interesses, e países menores giram em torno delas como satélites ou territórios dependentes. Essas pessoas oficiais definem a sua estratégia como "multipolaridade". O projeto neoimperialista russo já não conta com instrumentos da era soviética, tais como devoção ideológica, a força militar ou plantio do governos fantoches. A primeira tarefa torna-se a propagação da influência dominante através da política de segurança externa dos vizinhos mais próximos, de tal forma que eles apoiem os planos de Kremlin.

Embora os objetivos de Moscou são de fato, neoimperialistas, suas estratégias ainda são flexíveis. Ela aplica métodos específicos, tais como tentação, ameaça, incentivos e pressões lá, onde os seus interesses nacionais são tratados como tais que prevalecem sobre os vizinhos. O real interessee nacional da FR gira em torno da conservação de sua integridade territorial e preservação de intervenção militar estrangeira. Neste contexto, à segurança de Moscou, não ameaça diretamentee a adesão de países geograficamente próximos a OTAN. No entanto, sua condição de membros na Aliança enfraquece a capacidade de controlar a política de segurança e orientação internacional desses países.

Entre as principais tarefas do terceiro mandato de Putin é a reintegração das ex-repúblicas soviéticas baseadas no estreitamento de relações econômicas, cujo ponto culminante seria um pacto político e de segurança liderado pela Rússia. Exatamentee a concepção da união Eurasiana será a base dos esforços do presidente da FR direcionados na conquista da fama de agregar países pós-soviéticos. Moscou, evidentemente, teme que o território da antiga URSS ficará, para sempre dividido e flutuará entre as "esferas de influências européias ou asiáticas. Em substituição Putin aspira criar o bloco euroasiático como contrapeso a UE no ocidente e China no oriente, bem como um forte elemento de segurança como contrapeso a OTAN. Esses laços econômicos e militares gerarão estreita reciprocidade de política que tornarão a adesão dos vizinhos da Rússia a alianças alternativas menos prováveis.

Projeto Eurasiano
Para implementar as ambições eurasianas Moscou deve reunir em torno de si um grupo de países, leais ou dispostos a servir aos seus interesses. Algumas tendências globais nos últimos anos contribuem para o processo. Em primeiro lugar, trata-se de um resultado secundário de "excesso de carga" nas relações com a Rússia que conduz a administração Obama a partir de 2009: Washington limitou, enquanto não rejeitou completamente, a sua campanha de expansão da OTAN, direcionada na integração dos países pós-soviéticos. Então eles se tornaram mais abertos e mais vulneráveis à pressão e medidas unificadoras de Moscou. Além disso, Bielorrússia, Moldávia e Ukraina não pertencem à esfera de interesses prioritários do governo americano.
Em segundo lugar, problemas financeiros e turbulências políticas internas na UE desviaram a atenção de Bruxelas da cooperação com as antigas repúblicas soviéticas. Isto, por sua vez, diminuiu a realização da Parceria Oriental - iniciativa lançada em maio de 2009, que visava a harmonização dos Estados europeus pós soviéticos aos padrões da UE. Ao mesmo tempo, os líderes russos chegaram a conclusão, que UE encontra-se em sérias dificuldades, e por isso, pelo menos durante alguns anos, preocupar-se-á com problemas internos, se não entrar em colapso.
 Em terceiro lugar, na UE estão desapontados com muitos países pós-soviéticos. Esses países não tem planos de ação ou compromissos reais indispensáveis para total integração com o Ocidente, ao contrário dos países da Europa Central, que os elaboraram depois da libertação da influência de Moscou no início de 1990, ou dos Balcâs Ocidentais que têm acordos com a União Européia na estabilização e associação. Pelo contrário, no caso da Bielorrússia e Ukraina temos fortes divergências com vários países europeus por causa da regressão política e simuladas reformas econômicas.
 Em quarto, a volta de Putin ao Kremlin reavivou as ambições neoimperialistas russas através de grandes projetos geoestratégicos, entre os quais a criação da União Euroasiática. A vantagem adicional da enérgica política exterior de Moscou é que ela ajuda no desvio da atenção da comunidade mundial dos problemas internos da FR (em particular, e com a oposição). A nova presidência de Putin foi apresentada como uma necessidade vital para a segurança nacional russa por duas razões. Isto, dizem eles, protegerá a FR da turbulência devastadora dos protestos públicos, e contribuirá para a reestruturação da Eurásia sob sua liderança, eliminando influências indesejáveis do Ocidente, que propositadamente criam desafios à segurança da Rússia.
 As ambições da FR em relação aos vizinhos, incluindo a Ukraina, são dobradas: submissão da política externa aos interesses de Kremlin e integração em organização de segurança e economia pró-Moscou. As mais distorcidas por Moscou, multinacionais iniciativas de fortalecidas integraçoes e centralização incluem a Comunidade de Estados Independentes (CIS), da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (CSTO), a Comunidade Econômica Eurasiana (EurAsEC), a União Aduaneira (UA), Espaço Econômico Único (CES) e a planejada União Eurasiana (EuraC).
 CSTO (Organização do Tratado de Segurança Coletiva) - uma aliança político-militar composta por Bielorrússia, Armênia, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia, Tajiquistão e Uzbequistão - criada contra as ambições da OTAN em territórios da Eurásia. Hoje persiste a revisão dos princípios básicos da organização. O estatuto atual exige.
 EurAsEC criaram unanimidade nas decisões, mas, de acordo com as alterações previstas, terão o direito de votar apenas os países diretamente interessados na aceitação do ítem proposto. Deste modo, qualquer oposição à política da FR (vejamos um exemplo, no caso, quando a FR considerar necessário realizar uma ação armada no território de seu vizinho) torna-se impossível .
 EurAsEC criaram em outubro de 2000 na cúpula em Astana e Kremlin o olham como primeiro passo para a União Euroasiática. Essa organização inclui Bielorrússia, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão Tajiquistão e Uzbequistão. Em julho de 2011, Moscou, Minsk e Astana lançaram a União Aduaneira para eliminar todas as barreiras comerciais entre os três países. Em outubro de 2011 Putin reuniu os primeiros ministros da Bielorrússia, Armênia, Cazaquistão, Quirguistão Moldávia, Tajiquistão e Ukraina em São Petersburgo e anunciou o acordo desses países na criação de zona de livre comércio. Isso aconteceu depois de longos anos de negociações infrutíferas. Em primeiro de janeiro de 2012 assinaram um acordo formal sobre a criação de EEE (Espaço Econômico Europeu): mercado comum indivisível que envolve três países da União Aduaneira e está aberto para o resto de países pós-soviéticos. Antes da entrada na EEE os líderes da Bielorrússia, Rússia e Cazaquistão também assinaram a Declaração à integração econômica Eurasiana. O presidente Dmitry Medvedev convidou todos os membros da EurAsES para aderir ao EEE, particularmentee seus três observadores: Armênia, Moldávia e Ukraina.
 Às entidades empresariais dos três países do Espaço Econômico Comum é garantida a liberdade de circulação de mercadorias, serviços, capital e trabalho. Até agora o governo Yanukovych resistiu a esta tentação, temendo a limitação de influência dos oligarcas ukrainianos. Todos estes planos previam a introdução de único sistema de valores semelhante a euro. O estabelecimento da União Eurasiana foi considerado como objetivo final da integração econômica. Previa-se o regime de livre comércio, única alfândega e rgulaçãoo sem tarifas, acesso universal aos mercados domésticos, um único sistema de transportes, mercado energético comum e moeda única. A cúpula de EurAsEC de Moscou, realizada em 19 de março de 2012 delineou uma estratégia ampla de integração com o entendimento de que a comunidade se tornará uma verdadeira união econômica em 2015. Tais medidas de integração, é claro, serão reforçadas com uma aliança política mais estreita.
 As primeiras duas semanas de seu novo período presidencial Putin foi o hospedeiro da cimeira informal da CIS (Comunidade de Estados Independentes), para a qual convergiram representantes da maioria das ex-repúblicas soviéticas. Foi realizada uma sessão extraordinária da CSTO. Em ambos os casos a base das iniciativas revelou-se a idéia de União da Eurasia. De acordo com o entendimento de Putin, esta deve ser "potente, supranacional união, capaz de se tornar um dos polos de poder no mundo atual e servir como uma ponte efetiva entre a Europa e a dinâmica Ásia-Pacífico região". Putin considera que esta organização deve ser construída sobre o legado da URSS: "infraestrutura, sistema de especialização regional de produção desenvolvido, e espaço comum de idioma, ciência e cultura".
 Afastamento europeu
 A discussão sobre o quanto serão auspiciosos os planos de reintegração de Moscou, determinar-se-á na prática. No entanto, o alcance destes objetivos involuntariamente prejudica a segurança e a soberania dos vizinhos da Rússia. A pressão de funcionários russos prejudica a possibilidade destes países realizar plenamente sua independência, escolhendo livremente suas alianças internacionais. Pode-se tembém esperar que uma abordagem mais agressiva para a integração dos países pós-soviéticos refletirá numa política impaciente aos países da Europa Central e Oriental baseada na intervenção econômica, dependência energética e neutralização política. Qualquer progresso alcançado na integração de países pós-soviéticos com a Eurasia, econômica, política e do sistema de segurança incentivará Moscou para continuar sua política obssessiva em relação aos seus antigos satélites do centro e leste europeu, agora novos membros da União Européia.
Os líderes russos consideram a UE não como uma força estratégica de base, mas apenas como um valoroso instrumento duplicado: máquina econômica da qual Rússia sorverá investimentos, tecnologia e produtos, e como parceiros dos Estados Unidos aos quais ela pode contribuir em desligar-se e depois maximizar a sua própria influência reduzindo a influência americana na Europa. A política da Rússia quanto a UE é construída em torno de três abordagens. Primeiro, ela procura relações diretas com as instituições da Ue como um parceiro igual, não como um candidato ou como país-participante, porque deste modo sua influência seria fraca. Segundo, Moscou concentra-se em forjar relações bilaterais políticas, de negócios e energéticos com os maiores países da UE, tais como Alemanha, França, Itália, cujos governos revelam-se mais receptivos. Esta aproximação também enfraquece a manifestação da aprovação da coerente e única política da UE.
 Terceiro. A UE veem como um concorrente potencial da Rússia, em seu "exterior próximo", porquanto ele pode atrair alguns países pós-soviéticos longe da órbita de influência de Moscou. Por exemplo, na região do Mar Negro Moscou não está interessada em projetos de vizinhança comuns sob os auspícios de Bruxelas, porque deseja apoiar a exclusiva zona de influência, e critica o programa de Parceria Oriental da UE como um mecanismo para minar as alianças russas. Devido a sua ênfase aos direitos humanos e pluralismo, e também a UE coloca ameaça ao modelo de controlada democracia e até a longa sobrevivência da FR estruturada não democraticamente. Além disso, os padrões comerciais da UE, são orientados à transparência, concorências e responsabilidade, comprometem o modelo de negócios da Rússia que baseiam-se em três pilares: opacidade, monopólio e sigilo.
 Conseguindo posições de monopólio no trânsito e fornecimento de gás natural e petróleo à Europa, Moscou aspira melhorar a sua influência dentro dos limites da UE. A discussão entre os partidários de apoiado pela UE gasoduto Nabucco (parte do projeto "Corredor Meridional de Gás) e patrocinado pela Rússia gasoduto "South Stream" é uma indicação clara da luta pela segurança energética na Europa. Apesar de cada vez mais criticada a viabilidade do "South Stream", o Kremlin continua a utilizar diferentes táticas para frustrar a execução do Nabucco, ou diminuir o seu valor, ou bloqueando países fornecedores do gás nos contratos de fornecimento de longo prazo, ou minando a estabilidade no sul do Cáucaso para criar obstáculos a investidores estrangeiros, ou propondo acordos favoráveis para potenciais países de trânsito.
 Para Ue a próxima década será de séria provação, porquanto ela não conseguiu garantir suas posições de superpotência mundial e sua atividade econômica sofreu graves deformações com consideráveis endividamentos de governos de vários países da UE e persistentes dúvidas sobre o futuro da união monetária. Muitos analistas concluem que, devido a hegemonia global dos Estados Unidos, a UE entrou no cenário mundial como uma força ponderável. O guarda-chuva de segurança de EUA permitiu que UE se concentra-se no desenvolvimento econômico e integração política, sem aumentar o poder militar. No entanto, assim que a influência dos EUA diminuir, a UE começará participar fortemente da corrida armamentista global, mas sem "poder duro" e enfraquecimento constante de ferramentas macias".
 As autoridades russas estão bem conscientes da vulnerabilidade de Bruxelas e aproveitarão diversas possibilidades para enfraquecer as relações transatlânticas, ajustando relações com países membros da UE em separado. Ela inspira-se com a diminuição da atenção do presidente Obama para com a Europa, como prioridade estratégica e rupturas políticas internas na UE. As fraquezas do Ocidente, contradições e indecisões incentivava e desenvolvia Moscou, porque isto ajuda diretamente aos "putinistas" no desenvolvimento no projeto eurasiano com o centro russo como pólo de poder.
 Programa do Putin
 Citações dos trabalhos eleitorais de Vladimir Putin em 2012:
 "Nossos problemas nacionais e migratórios estão diretamente relacionados com a destruição da URSS e, de fato, historicamente - grande Rússia, que surgiu, basicamente no século XVIII. Uma vez que, inevitavelmente, seguiram-se degradações das instituições públicas, sociais e econômicas. Com uma enorme lacuna de desenvolvimento no espaço pós-soviético.
A auto-determinação do povo russo - uma civilização poliétnica, consolidada com o núcleo cultural russo. E essa escolha o povo russo confirmava vez após vez - e não nos plebiscitos e referendos, mas com sangue. Com toda sua história milenar." (Isso é o que os russos dizem, mas não é o que as nações, total ou parcialmente submetidas ao jugo russo pela violenta e bárbara dominação sentem - OK).
(Sim, com sangue. Enquanto o povo era escravizado pelos czares, os cossacos ukrainianos eram obrigados lutar ao lado dos russos na conquista de mais terras para os czares. E mesmo durante a II Grande Guerra, enquanto os jovens ukrainianos lutavam contra os alemães, Stalin provocou uma recorrente fome na Ukraina retirando os produtos alimentícios e enviando-os à países da Europa Ocidental para atraí-los à sua causa - OK).
 
O MUNDO SEMPRE SOUBE DA FOME PROVOCADA (HOLODOMOR) NA UCRÂNIA, INCLUSIVE QUANDO ESTAVA ACONTENCENDO E CALOU-SE! POR QUE? (O Cossaco).
("Rússia: questionamento nacional", "Gazeta independente", 01.03.2012)
 "Percebemos que temos uma experiência histórica, a qual ninguém tem. Nós temos um forte suporte na mentalidade, na cultura, na identidade, que os outros não tem.
 Nós vamos reforçar o nosso "estado histórico" que herdamos de nossos antepassados. Estado-civilização que pode resolver organicamente o problema de integração de diferentes etnias e credos.
 Vivemos juntos há séculos. Juntos vencemos a mais terrível guerra (Mas, ainda na véspera do Dia da Vitória, deste ano, Putin disse que Rússia teria vencido sem participação ukrainiana, com o que ofendeu os ex-combatentes ukrainianos - OK). E juntos vamos viver. E àqueles que querem, ou tentam dividir-nos, posso dizer uma coisa - não conseguirão"...
 É exatamente por este prisma que percebemos alguns aspectos do comportamento dos EUA e da OTAN, os quais não se encaixam na lógica do desenvolvimento atual, baseiam-se em estereótipos do pensamento bloqueado. Todos compreendem o que eu tenho na mente. Esta propagação da OTAN, que inclui a colocação de novos objetos de infraestrutura militar e planos de aliança (de autoria americana) com a criação do sistema PRO (defesa contra mísseis balísticos) na Europa. Não tocaria neste assunto, se esses jogos não se realizassem contra a estabilidade mundial".
("Rússia e o mundo em mudança", "Gazeta russa - Domingo", Nº 5718(45), 27.02.2012).
 
Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

terça-feira, 11 de setembro de 2012

UCRÂNIA: 84 MEDALHAS E QUARTO LUGAR NO MUNDO PARAOLÍMPICO

Paraolímpicos voltaram triunfantes para Ukraina
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 11.09.2012

Atletas Paraolímpicos da equipe ukrainiana voltaram dos Jogos de Londres.

Na competição eles ganharam 32 medalhas de ouro, 24 de prata e 28 de bronze.

Ukraina classificou-se em quarto lugar. Participaram ao todo 4.000 atletas de 166 países que competiram em 20 modalidades.

Ukraina foi representada por 155 atletas paraolímpicos.





Tradução: Oksana Kowaltschuk

ELEIÇÕES PARLAMENTARES NA UCRÂNIA

Notícias sobre eleições

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 08.08.2012
 

O Partido "UDAR" (A tradução da palavra "udar" é golpe, pancada, soco... seu lider é Vitaly Klychko, famoso boxeador. No entanto as letras que compõem a sigla tem outro significado: Aliança Democrática Ukrainiana pelas Reformas - OK).

"UDAR" reclama da pressão sobre seus candidatos. O partido diz que sobre seus candidatos na região de Donetsk exercem pressão administrativa.

O representante local do partido Velerii Karpuntsov diz que tanto os candidatos por distritos majoritários, quanto os constantes nas listas já cedem à pressão dos funcionários do governo, quanto a dos proprietários das empresas em que trabalham. Alguns exemplos: 


a) A candidata N° 59 foi forçada a retirar o seu consentimento para candidatar-se porque o reitor da universidade onde ela trabalha recomendou-lhe retirar sua candidatura para não haver dificuldades no seu trabalho na universidade;

b) Yevhen Korzh, N° 61 comunicou que foi demitido de seu emprego na fábrica de construção de máquinas, posteriormente ao Congresso do Partido do dia 31.07.12, onde ele foi indicado candidato e recusou-se em retirá-la;

c) Outro candidato do partido pelo distrito eleitoral Nº 43 Roman Volkov, após o retorno do Congresso do Partido, em Donetsk foi convocado pelo diretor da empresa que lhe propôs terminar com a atividade partidária para prosseguir no emprego. Ele observou que a escolha foi feita e permanece no partido.

Ao mesmo tempo o presidente do partido de Donetsk Yehor Firsov expressou preocupação, que estes fatos de pressão sobre os candidatos do partido estão apenas começando, e preveniu que eles irão ocorrer no futuro em outras regiões.

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 08.08.2012
 

Membro do Comitê Central das Eleições: "As eleições estarão no limiar do caráter grosseiro do jogo, e câmeras não evitarão fraudes, disse Andrii Maguera em uma entrevista a "Fatos e Comentários".

"Queira Deus que eu esteja errado. Mas, infelizmente, devido ao retorno da parte integrante da maioria, penso, que nas eleições aumentará significativamente o nível de corrupção no processo eleitoral", - explicou ele.

"Os distritos não são grandes: em cada um deles vivem de 146 a 180 mil eleitores. O interesse em cada um dos votos para cada candidato aumenta significativamente" - acrescentou.

"Então as ações dos majoritários no melhor dos acontecimentos estarão no limiar da grosseria. No pior dos acontecimentos estrarão o direito ao suborno dos eleitores, intimidação e chantagem dos concorrentes, tentativas de uso de alavancas administrativas para influenciar o processo eleitoral", diz o convicto Maguera. Ele também declarou, que as webcam não tem capacidade de controlar a contagem de votos e, assim, evitar fraudes. (Com a instalação de câmeras Yanukovych pensa que engana Europa - OK).

Com o auxílio da webcam é impossível ver, o boletim impresso com pequenas letras, no qual consta algo pelo partido A, mudam para o partido B", - declarou ele.

"E não se convence as pessoas, que as câmeras podem fixar uma falsa contagem de votos na seção eleitoral" - acrescentou Maguera.

"Com o auxílio da tecnologia você pode ver uma grande reunião de pessoas ou alguma atividade ilegal, como uma briga", - disse ele.

Maguera ficou surpreso com o fato de que para as webcam "Rápida e facilmente encontraram no orçamento quase um bilhão de UAH
(Nestes primeiros dias de setembro um USD passa a corresponder a 8,20 UAH, e os prognósticos são de mais desvalorização. - OK). "Apesar de mais de um ano atrás o Comitê Central das Eleições apelou ao Gabinete Ministerial para prever no orçamento do Estado para 2012 um bilhão e 200 milhões de UAH para eleições parlamentares. Então recebemos 800 milhões de UAH com aviso que mais dinheiro não havia", - lembrou ele.

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 01.09.2012

Em Donetsk, especialmente na Escola Nº13, os candidatos do Partido das regiões, nas comemorações do "Dia do Saber" (início do ano letivo - 1º de setembro) doavam aos alunos da primeira série livros de clássicos da literatura russa, em grande quantidade.
 

Clássicos da literatura russa para os ucranianos
 

Nas escolas Nº 7 e 12 apresentou-se a candidata Tetiana Bakhteyeva. Ela doou material escolar aos alunos do 1º ano.

Já o candidato David Zhvania doou 275 conjuntos de uniformes à escola Trindade em Odessa.

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 03.09.2012
Tytiana Nikolayenko

Recusou-se votar em Melnyk - chutados para fora de casa.

"Yanukovych será presidente! Peguem as cédulas e votem... E será, meus estimados, claramente demonstrado, quem é quem" - exatamente com estas palavras, em 2004, o reitor da Academia de Irpim (cidade na Província de Kyiv, distante da cidade de Kyiv 13km pela ferrovia e 30km pela rodovia), Petró Melnyk dirigiu-se a seus alunos.


 


Petró Melnyk - Candidato
Passaram-se 8 anos mas o esquema de atuação de Petró Melnyk não mudou. Agora ele está se candidatando no circuito eleitoral Nº 95. E agora os alunos da Academia devem garantir ao reitor a entrada ao Parlamento.

Na semana passada o correio editorial simplesmente transbordou de queixas contra Melnyk. Principalmente dos parentes dos estudantes da Academia aos quais obrigam pegar o atestado de mudança do local de voto, e ir, da filial da Academia em Vinnytsia (Localizada a 246km de Kyiv - OK) para votar em Irpim. Os números das seções eleitorais, onde devem ir votar, os estudantes recebem pelo sms. E lhes constantemente recomendam não viajar sem as cédulas adicionais que os estudantes da filial de Vinnytsia devem levar a Irpim.

Uma mãe veio para o registro e chorando pedia "para liberar seu filho, porque do contrário ela terá que gastar mais 600 UAH (mais ou menos 73 USD) na viagem para votar em Irpim.

Mas vão não somente os estudantes, mas também membross de suas famílias. "Recentemente veio um casal de idade respeitável e pediu as tais cédulas para seção de Irpim. Disseram que vão para lá como observadores. E até claramente nomearam a seção em Irpim", - diz outro responsável pelo registtro.
Os recém-chegados?

Como é de conhecimento de todos, o vice-prefeito de Irpim é Max, 23 anos, filho de Melnyk. Por isso, a família pode trabalhar com eficácia. Os pais que viajam para outra província, para que seu filho não "voe" para fora da Universidade ainda não alcançam o cimo da apoteose.

Trabalhadores assustados estão prontos para um conflito franco com a família, para não perder o emprego. Ainda no verão os funcionários da Academia foram obrigados a apresentar uma relação de 4 pessoas que votariam em Melnyk. Estas pessoas também devem pegar as cédulas adicionais e viajar para votar em Irpim.

"Na semana passada meu pai, que trabalha na Academia, nos trouxe a notícia de que devemos ir para Irpim e votar em Melnyk. Eu e meu maridoo recusamo-nos, mas meu pai considerou isso como traição. E insinuou que por tal desobediência e por nós o colocarmos em situação difícil, pode nos expulsar de casa" - contou a moça (Há muita dificuldade em aquisição de casa própria, muitas vezes os filhos casados moram com os pais - OK).

Antes de cada eleição em Irpim eu ouvia dizer que Melnyk obrigava os estudantes a coletar seus pais, de toda Ukraina, com as tais cédulas, sob ameaça de expulsão da universidade. Agora eu mesma tornei-me figurante desta história", - acrescenta ela.

Além da coação para votação Petró Melnyk tem outras maneiras de trabalhar com o eleitorado, que merece atenção. Por exemplo, os professores da 4ª escola "Boyarka" foram forçados a uma manifestação no encontro com esse candidato. E, também na 3ª escola, mas este encontro foi transferido devido Melnyk ter decidido falar sobre educação na TV.

Um pai nos escreveu: "Quando as crianças já estavam solenemente reunidas, o diretor avisou que para comemoração deve comparecer um deputado, e será preciso aguardar. As crianças ficaram em forma, quase uma hora esperando a vinda do "favorito de todas as mulheres da Ukraina" Petró Melnyk (Este título ele recebeu após ter usado de força contra Iryna Harashchenko num posto de votação).

Melnyk chegou, e teve início a comemoração. Melnyk cumprimentou os primeiranistas (Primeiro de setembro - primeiro dia de aula ou "Dia do Saber" é muito comemorado nas escolas da Ukraina e os alunos da primeira série são os "heróis" das festividades - OK), e distribuiu as Cartilhas, publicadas pelo governo, porém acomodadas em sacolas com logotipo do candidato (foto a seguir).


 



Agora as crianças já sabem a quem se igualar! No pátio da escola pessoas jovens ativamente distribuíam impressos com propaganda do Melnyk, o qual, aliás, recusou-se dos símbolos do Partido das Regiões porque "aqui ninguém gosta deles" - disse o indignado "paizinho".

À 3ª escola Melnyk mandou representante. E, em 28 de agosto o Conselho Municipal tornou-o "cidadão honorário da cidade". Mas, anteriormente, o prefeito organizou uma reunião de Melnyk com os citadinos, onde lhes contaram quem se preocupa com eles, e quem constrói os playgrounds infantis. Na verdade, esta é uma ferramenta de publicidade para todos os candidatos do Partido das Regiões.

É necessário observar que Melnyk não é o único neste esquema de utilização de recursos administrativos. Da mesma forma Maksym Lutskyi, que é candidato no circuito Solomyanskyi, de Kyiv.

Na primavera, o coletivo de trabalho da Universidade Nacional de Aviação lançou seu primeiro vice-reitor Maksym Lutskyi como candidato. Agora o coletivo faz uma reforçada contribuição para sua eleição como deputado. O candidato espera que os alunos, professores e demais funcionários votem nele. Além disso, os funcionários trabalharão como observadores do candidato. E não somente - ao coletivo da faculdade "pediram" para incluir 5 pessoas que poderão agitar para apoiar o candidato. E, já depois de poucos dias chamam estas pessoas com a interrogação "o que você sabe sobre Lutskyi?" e "você está pronto para votar a favor de Lutskyi?"

Quando o repórter perguntou aos interlocutores por que eles não votam como querem, eles apenas balançaram as mãos. "É surpreendente mas, em nosso meio, rapidamente, muito rapidamente, espalha-se a informação sobre dissidentes. E o emprego nós não queremos perder". disseram os funcionários da universidade. (Perder o emprego significa ir ao exterior como migrante laboral, porque na Ukraina já não há possibilidade de trabalho para muitos atualmente, e ainda mais enfrentando perseguição política. - OK)
Na verdade, a paranóia de tais declarações surpreende. Sobre abusos de Melnyk e Lutskyi (se fossem só estes dois!) reclamam os parentes das vítimas, não as vítimas.

Certamente, não se pode forçar ninguém a arriscar seu emprego. Mas, mantendo tal escolha, estas pessoas preservam o sistema que lhes permite, viver apenas no quadro de paranóiia completa.

Sem queixas formais dos que sofrem pressão, parar este processo é impossível.
Ukrainska Pravda, (Verdade Ukrainiana), 04.09.2012
"Opora" (Apoio), rede de apoio aos cidadãos diz que no mês de agosto, de acordo com o ranking de partidos-infratores, o Partido das Regiões cometeu 188 violações da lei, o segundo lugar pertencee aos auto-candidatos com 47 violações e, o terceiro ao Partido Comunista com 6 casos. Oposição Unida - 4 casos.
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 04.09.2012
O partido das Regiões de Zhytomur realizou um festival para viciados?



O coletivo da equipe esportiva aérea declara sobre a realização do Partido das Regiões, a respeito do festival de drogas pesadas na noite de 23 para 24 de agosto.
"Os organizadores deste evento, com o apoio da polícia, sem o nosso consentimento, trouxeram para o aeroporto algumas centenas de viciados e organizaram um sabat, acompanhado pelo uso público de narcóticos e atos de vandalismo", diz a declaração dos representantes do centro esportivo.
Segundo o grupo, "esta ação social foi organizada em apoio ao candidato do círculo eleitoral número 62, Ryzhuk S. M., o qual é presidente da Administração Regional de Estado, da Província de Zhytomyr".
"...as autoridades regionais: província e cidade, do Partido das Regiões, que não destinaram nem um centavo ao apoio do paraquedismo, encontraram dinheiro para os viciados. E - no local, preparado pelos esportistas, às suas próprias custas, para realização de campeonato", diz no comunicado. Ainda, segundo o comunicado, a noite toda houve venda de drogas e bebidas alcoólicas, sob a bandeira do Partido das Regiões, e os eleitores de Ryzhuk, sob a influência do álcool, coletivamente enviavam as necessidades naturais na base de treinamento. "Como resultado da destruição do aeroporto, a base educacional e de treinamento está atualmentee em condição imprópria, devido ao grande número de excrementos, danificação do café e destruição de dois aviões An-2. E, com o uso da iluminação forte e equipamentos de som, consumiram energia a noite toda.
O centro esportivo de aviação é uma organização pública e funciona, exclusivamente, sob o patrocínio pessoal dos próprios atletas.
À carta enviada à Administração Regional cobrando pelos prejuízos causados não obtiveram resposta. Então vão recorrer à justiça e à Comissão Eleitoral Central com exigência de cancelar a inscrição do candidato a deputado Ryzhuk S.M. que, usando de seus poderes administrativos, engaja-se na promoção do uso de drogas, realiza atividades antissociais e obriga os atletas paraquedistas a pagar sua campanha.
 
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 06.09.1012 / Blog de Yurii Andreyev
Hereha obrigará a todos os funcionários do "Epitsentro" votar nela?


 
O candidato do Partido "UDAR", Ihor Opadchyi afirma que a candidata a deputada, pelo mesmo circuito 215, Halyna Hereha planeja trazer para votação seus 10 mil funcionários do "Epitsentro", rede de hipermercados na Ukraina.
Ihor Opadchyk pede ao Tribunhal Constitucional explicações da lei sobre o direito dos eleitores votarem em distritos de único candidato, sem concorrência, no caso de mudança temporária do local.
Segundo Yurii Andreyev, Hereha distribui a seus possíveis eleitores, junto com sua propaganda, produtos alimentícios baratos e de qualidade duvidosa. E, em seus materiais de campanha usa, principalmente, a cor laranja (cor-símbolo da Revolução Laranja de 2004, que era contra o resultado fraudulento das eleições e contra o Partido das Regiões e o então candidato à presidência Viktor Yanukovych. - OK), embora é candidata meio secreta do Partido das Regiões nestas eleições.
O governo ajuda na manipulação dos cidadãos.
Durante meses os moradores usuários da rota de ônibus Nº 63 imploravam pelo seu prolongamento, mas recebiam apenas promessas vazias. Agora, às vésperas das eleições para, graciosamente, promover o seu candidato, o governo torna a senhora Hereha patrocinadora e principal responsável pela "melhoria" da vida" dos moradores do distrito.
Surge uma porção de perguntas, maioria - retóricas:
- Por que toda essa "melhoria de vida" não ocorreu antes?
- Por que, até agora, ninguém não prestou atenção aos moradores locais?
- Onde estava a deputada Halyna Hereha um ou dois anos atrás?
- Por que as pessoas neste país são consideradas "bedlo" (a palavra significa animais, mas num sentido pejorativo) e lembram delas apenas nas vésperas das eleições, e imediatamente após a sua conclusão - esquecem-se delas por longos anos?
A estas perguntas cada um de nós deve encontrar uma resposta.
São perguntas, respostas às quais temos obrigação de dar no dia 28 de outubro nas seções eleitorais.
 
Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

domingo, 9 de setembro de 2012

UKRAINIDADE INVISÍVEL

Tyzhden (Semana), 23.08.2012
Inna Zavhorodnia


A maioria da população do sudeste do país compõe-se de falantes do idioma ukrainiano. O sudeste da Ukraina não é homogêneo: A maior parte das grandes cidades está rodeada por cidades pequenas e aldeias que adotam o idioma ukrainiano. As grandes cidades, onde os ukrainianos foram russificados desde a sua fundação, certamente continuam fazendo isso até agora.

Entretanto, a calmaria das aldeias ukrainianas e pequenas cidades, embora tenha absorvido elementos do léxico russo, mantêm a consciência ukrainiana. "Semana" investigou as características da formação da identidade no sudeste do país, onde através da tinta descascada da União Soviética aparecem cruzes cossacas.

O que une?
Na praça central dos falantes ukrainianos de Tomakivka, em Dnipropetrovsk, em honra do aprovado projeto de idiomas, realizou-se um concerto no qual reuniram, apenas, próximo de 100 pessoas. Na comarca local de ukrainianos publicaram um editorial com o título absurdo: "Idioma que nos une". Na praça central aqui vizinham um novo monumento a Tarás Shevchenko com o velho recém-pintado Lenin. Tem ruas de Khmelnytskyi e KGB.

"Se você vive na Ukraina, deve conhecer o idioma ukrainiano - isto não se discute", - convence a vendedora Vira do mercado de Tomakivka. Aqui já várias semanas ocorrem debates. "Se você se tornou funcionário - enquanto não aprender o idioma ukrainiano não pode sê-lo! Em Tomakivka todos querem que haja idioma ukrainiano - nada de dois idiomas", acrescenta Vassyl. "Nós estudamos idioma inglês, alemão, e temos vergonha do idioma ukrainiano? - assim parece? - não sossega Vira. - Nossas escolas são ukrainianas, nas quais nossos filhos estudam. Mas, em seguida vão para Dnipropetrovsk, e lá continuam os estudos já no idioma russo. Isto não está correto, a continuação deve ser em ukrainiano. As televisões dizem uma coisa, mas na verdade aqui nas províncias de Dnipropetrovsk e Zaporizhzhia as pessoas apoiam o idioma ukrainiano. Lá (no governo) dizem: o leste quer idioma russo. Não, o leste não quer isso. Talvez alguns queiram mas não todos.

"A escola, claro, era no idioma ukrainiano - lembra Natália Huseina. - Entrei para o Instituto - lá, tudo em russo. E eu tinha dificuldades em relação aos colegas, que estudaram em instituições russas. Devido a isso me senti deprimida, de segunda categoria, até dominar o russo. A situação com o idioma em Dnipropetrovsk praticamente não mudou desde os tempos de Huseina em 1990. Com raras exceções - a maioria do ensino ainda é realizada em russo. "Eu venho para Dnipropetrovsk e falo somente em ukrainiano, diz Natália. - Talvez superei isto. Anteriormente me submetia: se uma pessoa se dirigia a mim em russo, esforçava-me para responder nesse idioma. Agora só falo na língua nacional, na língua que falo em família. Por que nós nos submetemos a eles? Na Rússia ninguém introduz o ukrainiano! As pessoas buscavam a independência - perderam saúde e vida por ela. E agora é isso?

Em Mukolaiv recentemente apareceram cartazes que indicavam que há na província 780 mil habitantes que falam russo, isto é, aproximadamente toda população da cidade - é manipulação. De acordo com o censo de 2001, na província residem aproximadamente 1,3 milhões de pessoas, dessas - 81,9% são ukrainianos. E, 69,2% da população indicaram o idioma ukrainiano como sua língua materna.

O idioma ukrainiano - é nosso idioma, - diz Liudmyla Zelinska, da aldeia Pokrovka, a qual tem uma atividade turistíca nas margens do Mar Negro. - Nas aldeias predomina o idioma ukrainiano. Nas cidades, como Mykolaiv, - principalmente o russo". Decepcionar-se hoje, com o que acontece na Ukraina forçou a realidade que ela observa diante de si. "Apoderaram-se das matas na Criméia, com armas postaram-se, não deixam ninguém entrar (Os ukrainianos gostam de passear nas matas e colhem frutos, com a venda dos quais chegam a aumentar seus parcos rendimentos. - OK). Isto não é normal. Aqui apoderaram-se de terras, vinham figurões e arrebatavam para si. Com esse governo eu não vejo perspectivas. Eu trabalhei nas eleições - não pagaram. Eu, e a maioria das pessoas no Sul não estamos satisfeitos com aqueles que escolhemos. E nem com os anteriores. Boas pessoas, que querem trabalhar para nação não admitem - matam, destroem".

No distrito Genichesk em Kherson vive uma considerável população tártara. Mas esperar pelo idioma tártaro não devem. Eles são usados para o lobby da "compreensível a todos" (língua russa). "Eu conversei com o representante da sede do "Partido das Regiões" em Genichesk - diz o jornalista de Kherson Dementiy Bilei. - Ele dizia: "Nós realizamos um trabalho esclarecedor". Eu respondi: "Isso é bom, agora vocês terão o idioma tártaro como idioma regional". Após uma pausa o "regional" perguntou: "E para que? Eles conhecem muito bem o idioma russo".

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana", 27.08.2012
A Rússia está pronta para ajudar as instituições educacionais ukrainianas em maximizar o potencial da lei "Sobre os princípios da Política Linguística do Estado".

Isto foi afirmado pelo embaixador russo na Ukraina, Mikhail Zurabov em agosto, durante a reunião: "Ukraina-Rússia: Diálogo Aberto", em Kyiv.

"Na Rússia estão conscientes da situação da educação na Ukraina, entendem os desafios que brevemente terão de enfrentar em algumas regiões da Ukraina no processo educacional", disse ele.

"E não será uma posição passiva, será a posição de ativo interesse", disse o embaixador russo.

De acordo com Zurabov, não se trata apenas para auxiliar na reciclagem de especialistas, fornecimento de técnicas necessárias, mas também a transferência de conhecimentos para implementação de abordagens modernas que já foram aprovadas na educação russa, incluindo o uso de novos meios técnicos e organização de aprendizagem interativa.

Concomitantemente Zurabov disse que neste assunto muito depende da atividade dos pais, e também da ativa posição do Ministério da Educação da Ukraina.

Tyzhden (Semana), 29.08.2012
Lenin, Stalin e Ko por 10 UAH (pouco mais de 1 USD).
 

 

O que podem ter em comum os cadernos com fotos de Lenin, Stalin, Fidel que são vendidos na Ukraina e, por exemplo a recente declaração do embaixador russo Zurabov que seu país está pronto para ajudar ativamente na nossa implementação da lei sobre a linguística do Estado na Educação?
 


Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik