quinta-feira, 26 de novembro de 2020

SEMANA EM MEMÓRIA ÀS VÍTIMAS DO HOLODOMOR

 

SEMANA EM MEMÓRIA ÀS VÍTIMAS DO HOLODOMOR

De 22 a 28/11/2020 - Semana da Memória pelas vítimas do Holodomor.
O povo ucraniano, em todo o mundo, estará pranteando seus conterrâneos, vítimas da insanidade de um psicopata: STÁLIN.
Este blog se une aos conterrâneos para, também, prestar a sua homenagem com publicações históricas daquele nefasto acontecimento sob o lema

"NÃO DEIXAREMOS APAGAR A VELA DA MEMÓRIA"
 
1932-1933
 

Memorial do Holodomor em Kiev - Ucrânia
 
 
Holodomor como genocídio
Tyzhden (Semana)
Myroslava Antonovych
 
Olhares mortificados que interrogam: "O que fizemos nós? O que está acontecendo?
Perguntamos nós: Onde estava o resto do mundo enquanto isso acontecia?
 

Enquanto no Olimpo dos políticos pátrios propõem alterações à Lei "Sobre Holodomor de 1932 - 1933 na Ukraina" e apagá-lo da memória da nação, cancelando do programa escolar as lembranças desta tragédia, cada vez mais cientistas ocidentais aderem à idéia, de que isso foi genocídio.

 
Armênios, judeus, ukrainianos... Na recém publicada "Crestomatia investigativa do genocídio" o jurista americano Samuel Totten e o historiador australiano Paul Bartrop observaram que na Ukraina no transcorrer dos anos 1932 - 1933 morreram de fome de 5 a 7 milhões de agricultores, maioria dos quais eram etnicamentee ukrainianos. A fome artificaial soviética ocorreu porque o governo de Stalin retirou toda a safra e até os meios de produção de alimentos. Neste caso, o grande número de mortes foi resultado do extermínio social, ideologicamente planejado. O objetivo era destruir os "kulaks" (assim chamados os camponeses mais prósperos que relutavam em aderir à coletivização) mas, na verdade, tornaram-se alvo todos que apoiavam a ukrainização (nacionalismo ukrainiano, a liberdade de expressar sua cultura), incluindo os mais pobres. Acompanhava este comportamento a integração violenta de vários grupos religiosos e étnicos da presente estrutura soviética na condição da russificação forçada. Genocídio, produto da manifestação extrema de tecnologia social, transformava as formas tradicionais de posse e uso da terra e, literalmente, varreu das aldeias até a última migalha de tudo o que podiam consumir os moradores.

Os professores Totten e Bartrop chegaram à conclusão que o assassinato em massa de pessoas se encaixa até com a mais severa definição de genocídio, e incluem o Holodomor dos anos 1932 - 1933 na Ukraina a três atos fundamentais de tais ações contra a humanidade na primeira metade do século XX (junto com o genocídio armênio e Holocausto).

Entre os ítens listados na Convenção das Nações Unidas sobre a prevenção do crime de genocídio e castigo por ele (1948) e do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional pelos atos de genocídio (1998), quanto ao Holodomor, mais comumente utilizam o terceiro - "criação intencional a um grupo qualquer, de tais condições de vida, que são projetadas para sua completa ou parcial destruição física."

No texto "Elementos de crimes", que também é usado pelo Tribunal Penal Internacional como uma fonte de direito, nesta ação são destacados tais componentes:


1: O criminoso criou (causou, impôs) para uma ou mais pessoas determinadas condições de vida.


2: Essa pessoa ou pessoas pertencem a um determinado grupo nacional, étnico, racial ou religioso.

3: O criminoso tinha a intenção de destruir, no todo ou em parte, o grupo nacional, étnico, racial ou religioso, como tal.

4: As condições de vida estavam calculadas para destruição física deste grupo, no todo ou em parte.

5: Esta ação acontecia no contexto de uma série de ações analógicas, direcionadas contra esse grupo ou era uma ação que sozinha poderia causar tal destruição.

Com a intenção de matar Cada um destes elementos de genocídio pode ser encontrado no Holodomor dos anos 1932 - 1933 na Ukraina. Criação para pessoas de certas condições de vida: a situação ocorreu artificialmente através da fixação de quotas de grãos e exclusão primeiramente de todos os grãos, e depois o restante dos alimentos.
Isto foi dirigido contra os camponeses, massa fundamental dos quais - ukrainianos, que é indício do segundo elemento do crime de genocídio: pessoa ou pessoas pertencem a um determinado grupo nacional, étnico, racial ou religioso. Tratava-se de uma parte específica da nação, porquanto a ukrainização no começo dos anos trinta chegou a tal nível, o qual os líderes bolcheviques consideraram perigoso, e eles decidiram destruir ou comprometer o espírito deste componente da nação. Como indicou o Tribunal Penal Internacional em relação a ex-Iugoslávia, "se uma parte específica do grupo é simbólica para esse grupo, ou a mais importantee para sua sobrevivência, isto pode significar que esta parte pode ser determinada como essencial.

A resolução do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética (bolchevique) e do Conselho dos Comissários do Povo da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) "Sobre armazenamento de grãos na Ukraina, Cáucaso do Norte e da Região Oeste", de 14.12.1932 claramente investigava-se o medo do governo diante do resultado da ukrainização, que alcançou além do "permitido" pela lei, e comunicação direta de seus resultados com a política de retirada de grãos. E tinha como método a repressão a resistência social e nacional.

O terceiro elemento do genocídio - é uma intenção criminosa de destruição, no todo ou em parte, do grupo nacional, étnico, racial ou étnico como tal - também é visto claramente na fome dos anos 1932 - 1933. Obviamente, que tal poder anti-humano como o soviético, em nenhum documento não anunciava os planos de matar pela fome milhões de camponeses ukrainianos. No entanto, como observa o Tribunal Penal Internacional, a conclusão sobre a existência da intenção e consciência pode-se fazer dos fatos e circunstâncias. Isto quer dizer que o mal-intencionado não necessariamente deve ser fixado claramente nos documentos ou manifestado em discursos públicos.

Exatamente os fatos e as circunstâncias indicam a existência de tais elementos de crime de Holodomor, como intenção e consciência. Há uma grande quantidade de documentos, os quais confirmam, que o governo sabia sobre a terrível situação dos camponeses ukrainianos. Foram publicadas cartas não só de cônsules estrangeiros, mas também os relatórios secretos dos funcionários do GPU USSR (Administração Política do Estado - República Socialista Soviética Ukrainiana) sobre a fome em diversas regiões da Ukraina. Por exemplo, em um relatório informativo da Divisão da Província de Odessa, de 9 de junho de 1932 falava-se sobre a fome entre os agricultores, os quais já não tinham víveres. Testemunho de conhecimento do governo da morte pela fome mais que suficiente.

Na "lista negra" O quarto elemento do crime de genocídio: as condições de vida foram calculadas na destruição do grupo, total ou parcial. Particularmente, Stanislau Kosior e Vlas Chubar receberam o direito de suspender a entrega de mercadorias para as aldeias ukrainianas até o final do plano de armazenamento de grãos. E que ele foi absolutamente exagerado, a interrupção na entrega de mercadorias significava fome. Esta resolução referia-se apenas para aldeias ukrainianas. Entre as medidas que visavam a destruição física de seus habitantes pode-se, particularmente, distinguir o regime de "listas negras", introduzido também, exatamente, nas regiões habitadas por ukrainianos. Em geral para estas "listas" foram inscritas as fazendas coletivas de 82 distritos da Ukraina, isto é, quase a quarta parte de seu território, com 5 milhões de habitantes. Estas aldeias os bolcheviques cercavam por tropas armadas, todos os estoques de alimentos e sementes dali foram retirados, proibiam qualquer tipo de comércio e importação de quaisquer mercadorias. Isto é, a entrada na "lista negra" automaticamente significava a morte.

Quinto elemento: os fatos ocorriam no contexto de uma série de ações analógicas direcionadas contra determinado grupo. Holodomor foi organizado como um crime, entre um rosário de outros, direcionados à morte total ou parcial, da nação ukrainiana. Em seu artigo "O genocídio soviético na Ukraina" o autor do termo "gernocídio" Rafael Lemkin apresenta as ações dos bolcheviques na URSS como a destruição da nação ukrainiana em quatro etapas: 1) primeiramente a elite nacional; 2) igrejas nacionais; 3) uma parte significativa dos camponeses ukrainianos; 4) mistura de ukrainianos com outras nacionalidades, na forma de deslocamento (famílias ukrainianas eram deportadas para Sibéria, Primorskyi Krai e ao Extremo Oriente russo e no seu lugar traziam famílias russas).

Em todas as quatro fases a destruição do caráter nacional dessa operação, como escreveu Lemkin, era determinativo, porque mesmo até as principais vítimas do genocídio - esfomeados camponeses ukrainianos - são representados como portadores do espírito nacional e aqueles traços que os tornam "cultura e nação".

Portanto, em Holodomor dos anos 1932 - 1933 na Ukraina estão presentes todos os cinco elementos do crime de genocídio.

Enfim, os fatos de objeção ao genocídio do Holodomor, como genocídio, podem desempenhar um papel positivo, porque favorecem a construção de argumentos em proveito de sua qualificação como genocídio. E isto, por sua vez, ajudará o reconhecimento internacional como genocídio. Como escreveu James Earnest Mace, uma das organizações que apoiava a criação da Comissão Americana em relação ao Holodomor ukrainiano foi o Comitê Judaico da América. "Uma das maiores contribuições, que este Comitê fez para proteção dos judeus e os povos do mundo todo, foi patrocinar a literatura sobre negação do Holocausto - escreveu Mace, - os ukrainianos devem aprender esta lição.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: Anatoli Oliynik


SEXTA-FEIRA, 11 DE MARÇO DE 2011

UCRÂNIA: Vitima do comunismo russo

Realismo comuno-socialista

Foto nº 1
1. Holodomor, ou a Grande Fome na Ucrânia de 1929 a 1932.
O povo ucraniano foi vítima de uma das maiores atrocidades do século XX: o extermínio pela fome, deportações em massa e terror, de 7 a 10 milhões de ucranianos, sem contar algumas outras nacionalidades soviéticas. Se os judeus tiveram o "holocausto" ou o Shoah, os ucranianos e outros demais povos sob o jugo soviético comandado por Jósef Stálin (Ioseb Besarionis Dze Jughashivili) tiveram o holodomor, ou a "morte pela fome", em língua ucraniana. Ao coletivizar a terra dos camponeses, Stalin deportou, pela força, milhões de cidadãos para as fazendas coletivas do Estado, ou os kholkozes. No entanto, devido aos maus tratos e ao tratamento análogo de escravos com que eram tratados, os camponeses se rebelavam e fugiam das fazendas, além de esconder os grãos dos alimentos, para sua própria sobrevivência, uma vez que o Estado confiscava a maior parte dos cereais. A mesma crise que matou milhões na Rússia, em 1921, ameaçava se repetir de novo, na coletivização. Todavia, Stalin não estava preocupado com isso. Como os agricultores resistiam ao confisco de seus bens e propriedades rurais, ele simplesmente usou a "arma da fome" para subjugar o campesinato soviético. Grandes extensões da Ucrânia tiveram seus grãos confiscados, e como uma massa de esfomeados fugia para as cidades, o regime comunista fechou as fronteiras das cidades, deixando a população morrer à míngua de fome. A polícia política soviética, para controlar os passos dos fugitivos da fome no meio rural, impôs um sistema de passaportes, para fiscalizar o direito de ir e vir dos cidadãos. Quem fosse pego sem passaportes, poderia ser deportado para seu local de origem, para os campos de concentração ou então seria fuzilado. Muitas crianças esfomeadas fugiam pra Moscou e eram mandadas de volta para a Ucrânia, para morrerem lá. Stalin ainda decretou uma lei perversa, chamada pelo povo como "lei das espigas": bastava o roubo de alguns grãos de alimentos, para imputar anos de cadeia ao infrator. Ou quando não iam para seu país de origem, alguns camponeses eram mandados para o "gulag" ou como "colono especial" na Sibéria, em condições de vida desumanas. Eram usados como mão de obra da GPU, a então polícia política da época, em regime de trabalhos forçados, onde uma boa parte morria de maus tratos e exaustão. A foto nº 1 acima é uma pilha de cadáveres abandonados num cemitério, causada pela fome.

1.1 Cenas do Holodomor.


 Foto 2
Corpos abandonados em um cemitério ucraniano.


 Foto 3
Os transeuntes indiferentes, enquanto outros agonizam pela fome. . .

 Foto 4
Nem os animais são poupados da penúria. . .

 Foto 5

 Foto 6
A morte como espetáculo cotidiano. . .


 Foto 7

 Foto 8


 Foto 9
Crianças ucranianas famintas. . .

 Foto 10

 Foto 11


 Foto 12

 Foto 13
Cadáver de uma camponesa ucraniana.


Matéria publicada originalmente no blog "Conde Loppeux de la Villanueva" a quem são devidos os créditos.

EIS O QUE OS COMUNISTAS SABEM PRODUZIR COM PERFEIÇÃO!

O CAOS HUMANO
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terça-feira, 27 de outubro de 2020

RETORNO DE CHERNOBYL: Diário de um Homem Irado

AUTOR: Dupuy, Jean-Pierre

TRADUÇÃO: Pedro Sette-Câmara

Editora: É Realizações

Gênero: Ciências Humanas e Sociais

Subgênero: Antropologia

Número de Páginas: 176

Ano: 2020

Após embarcar em missão para Chernobyl, Jean-Pierre Dupuy, cientista renomado convertido à filosofia, descobre o que está por trás deste nome tornado familiar. Lá, se depara com aquilo que ele denomina “a invisibilidade do mal” – a catástrofe não deixou para trás nada além de campos devastados, povoados arruinados, casas inabitadas. Sem traço de vida. A única residência é o sinistro “sarcófago” – essa tumba que recobre o reator – e continua transmitindo suas radiações... De regresso a Paris, o autor é confrontado com a disparidade escandalosa entre o balanço oficial da catástrofe , confirmado por um relatório da ONU apresentado como definitivo, e aquilo que ele crê ter visto ou aprendido no lugar. O número de mortos em Chernobyl foram dez ou dez mil? Os bebês monstros são fato ou farsa? Face a estas contradições, Jean-Pierre Dupuy pesquisou acerca do universo mental da tecnocracia mundial. Ele mostra que todo o balanço de catástrofes deve sofrer intervenção de dimensões éticas e filosóficas que escapam aos especialistas. A questão do mal, atualmente, se coloca de uma maneira nova. Agora temos a temer tanto os arautos do bem quanto os do mal.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

FUNDADOR DO FOLCLORE NA UCRANIANO

Mykhailo Maksymovych (retrato desenhado por Taras Chevtchenko) fundador do folclore ucraniano.


Em 03 de setembro de 1804 nasceu Mykhailo Maksymovych, um filólogo ucraniano, historiador da Ucrânia, botânico (um dos primeiros evolucionistas do Império Russo), fundador do folclore ucraniano. Os trabalhos científicos de Maksimovich no campo das ciências naturais ("Sobre os sistemas do reino vegetal", 1827; "Fundamentos da Botânica", vols. 1-2, 1828-1831; "Reflexões sobre a Natureza", 1831) dão motivos para considerar o cientista um dos fundadores da botânica doméstica. A partir de 1834 ele foi o primeiro reitor da Universideade de Kyiv. Como linguista, Maksymovych publicou uma séri de artigos sobre a classificação das línguas eslavas (1838, 1845 e 1850), nos quais usou amplamente dados da língua ucraniana. Em uma discussão com M. Pogodin e P. Lavrovsky, Maksymovych defendeu a "antiguidade" da língua ucraniana. Maksimovich foi o autor da grafia etimológica "Maksimovichivka". Como crítico literário, Maksymovych estudou "A Tale of Igor's Regiment", que traduziu para o ucraniano. Ele é o autor da publicação e estudo dos mais antigos monumentos literários da Rússia de Kyiv - "Verdade Russa", "Contos de anos passados". Foi o autor da obra "História da Antiga Literatura Russa" (1839), sobre as crônicas cossacas, em particular Grabianka. Além disso, Maksymovych traduziu salmos para o ucraniano e escreveu vários poemas, incluindo "Oh, como a Ucrânia desejava você", dedicado a Taras Shevchenko. Como folclorista em 1827, Maksimovich publicou "Pequenas Canções Russas" em Moscou, em 1834 - "Canções Folclóricas Ucranianas" (a terceira coleção "Coleção de Canções Ucranianas", Parte 1 foi publicada em Kiev em 1849). Suas publicações folclóricas despertaram interesse no exterior, incluindo a Grã-Bretanha e a América. Em 1840 e 1841 em Kiev e em 1850 em Moscou publicou o histórico almanaque "Kievlyanin". Em 1859 e 1864, ele publicou o almanaque "Ucraniano" em Moscou. Maksymovych foi o primeiro historiador da antiga Kyiv, dedicando 25 artigos a ele. Ele primeiro mostrou o papel de Peter Mohyla na construção da cultura ucraniana, contou sobre a história de muitos monumentos de Kiev, incluindo a Trindade, Ascensão, Igreja de São João, Khreshchatyk, a Porta Dourada, muralhas da cidade, colinas. Ele também trabalhou no campo da arqueologia ucraniana e foi o autor da primeira obra arqueológica na Ucrânia usando o método tipológico ("Setas ucranianas dos tempos antigos", 1868). Maksymovych foi o primeiro historiador da antiga Kyiv, dedicando 25 artigos a ele.  no campo da arqueologia ucraniana e foi o autor da primeira obra arqueológica na Ucrânia usando o método tipológico ("Setas ucranianas dos tempos antigos", 1868).

sábado, 4 de julho de 2020

A SOMBRA DE STALIN


A sombra de Stalin
Eduardo Mackenzie
02/07/2020

O novo filme da realizador polonesa Agnieszka Holland é uma obra de arte e um manifesto anti-comunista.

 

L’Ombre de Staline, para os espectadores franceses, conta, de maneira magistral, um dramático episódio da vida de Gareth Jones (1905-1935), o primeiro jornalista que descobriu o que estava ocorrendo na Ucrânia em 1932-1933. Ele não entendia como Stalin fazia para exportar trigo a países ocidentais, enquanto que os meios informados europeus sabiam que os camponeses soviéticos estavam passando dificuldades tremendas.

Interpretado pelo excelente James Norton, Gareth Jones tinha um certo renome quando decidiu fazer essa reportagem. Sua habilidade lingüística (também falava em francês, russo e alemão) o havia levado aos melhores círculos diplomáticos. Em 1930, foi assessor de política exterior do ex-primeiro-ministro David Lloyd George. Enviado à Alemanha para entrevistar Hitler, Jones subiu ao avião que o líder nazista tomou para chegar a seu primeiro mitin como chanceler. Este detalhe biográfico foi utilizado depois pelos comunistas para caluniar Jones e imputar-lhe simpatias nazistas.

Ao chegar a Moscou, o jovem repórter soube que um de seus colegas que investigava sobre a Ucrânia havia desaparecido. Contra o conselho de alguns, conseguiu obter uma permissão para viajar para a Ucrânia de trem. O que ele encontrou em Kouban foi aterrador: em pleno inverno, os camponeses estavam na miséria total, sem luz elétrica, sem alimentos, sem sementes. Não tinham sapatos, nem roupas, nem papel, nem pregos, nem fogão para se aquecer. O trigo e demais produtos agrícolas eram confiscados brutalmente pelas autoridades bolcheviques.

Jones descobriu assim, e sofreu na própria carne, a terrível fome, orquestrada por Stalin, para punir os camponeses dessa região que havia sido uma base dos exércitos brancos durante a guerra civil. Essa decisão levou milhares dessas vítimas desesperadas a optar pelo canibalismo para sobreviver. Cerca de 7 milhões de soviéticos morreram de fome, quatro dos quais eram camponeses ucranianos.

Jones saiu desse lugar agonizante quase por milagre. Capturado por uma milícia local, só escapou da morte, ou ao desaparecimento, graças à credencial que tinha de Lloyd George. Sob a ameaça de que três de seus colegas presos em Moscou seriam suprimidos se ele não dissesse em Londres que estava tudo bem na Ucrânia, Joses foi expulso da URSS. Em que pese a tudo isso, ele denunciou a hecatombe em uma coletiva de imprensa, em 29 de março de 1933. Moscou optou por libertar os reféns meses mais tarde.

A intenção de Jones era frear com suas declarações a monstruosa fome, a qual passaria à história sob a denominação de “Holodomor”, quer dizer, a exterminação deliberada pela fome. Não conseguiu. Ajudados por jornalistas de esquerda, sobretudo por Walter Duranty, o cínico (e muito esquerdista) correspondente do New York Times em Moscou, os soviéticos responderam que Jones mentia, que seu testemunho era “propaganda contra-revolucionária do Ocidente capitalista”.

Duranty, que em privado reconhecia que havia uma catástrofe na Ucrânia, sem dizer em seus artigos, recebeu depois o Prêmio Pulitzer por haver “informado de maneira imparcial” sobre a Rússia. Jones, ao contrário, passou ao esquecimento. Porém, ele conseguiu publicar, ao menos, 20 artigos na imprensa inglesa e norte-americana sobre o que viu e fotografou na Ucrânia, graças a que o magnata australiano Rupert Murdock, o único que resistiu aos ditames soviéticos e da intelectualidade ocidental bem pensante, lhe deu essa possibilidade.

Três anos mais tarde Gareth Jones morreu em circunstâncias misteriosas, enquanto realizava uma reportagem na Mongólia, após ser preso e ultimado por bandidos de direito comum que possivelmente estavam sob o soldo do NKVD soviético.

Poucos especialistas conheciam até hoje o nome do jornalista que havia revelado essa imensa matança comunista. “Agnieszka Holland decidiu corrigir essa flagrante injustiça, e agora todo o mundo pode conhecer o destino desse homem valente”, comentou a escritora Yaryna Havriliouk. Ela acrescenta que esse filme mostra “a luta do homem contra o sistema”. Eu diria que esse filme presta homenagem ao triunfo póstumo de um indivíduo livre, contra uma ditadura criminosa que se acreditava invencível.

Tradução: Graça Salgueiro


quarta-feira, 20 de maio de 2020

PERSEGUIÇÃO COMUNISTA À IGREJA

Posted: 29 Mar 2020 01:30 AM PDT

Dom Sviatoslav Shevchuk, Primaz do rito greco-católico,
o maior dos ritos orientais da Igreja Católica
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs

Em entrevista para a Catholic Radio and Television Network, o Arcebispo-mor de Kiev-Galícia e de toda a Rússia, Dom Sviatoslav Shevchuk, Primaz do Rito greco-católico na Ucrânia, fez reveladoras confidências sobre sua formação eclesiástica acontecida sob o socialismo soviético. “Zenit”

O rito greco-católico é o maior dos ritos orientais da Igreja Católica: mais de 10 milhões de fiéis, incluindo a Ucrânia e a diáspora. Cerca de meio milhão deles reside no Brasil, especialmente no Paraná e em Santa Catarina. 

Dom Sviatoslav explicou que cresceu numa sociedade totalmente ateia. Na escola “nos ensinavam que Deus não existia”. Só a família transmitia a fé crista. 

O jovem arcebispo disse que a primeira vez que viu um padre foi por ocasião de um enterro. 

“O sacerdote veio na calada da noite para celebrar o funeral e depois desapareceu velozmente. Como menino, fiquei curioso de saber quem era o sacerdote e o que estava fazendo. Eu entrevia nele um reflexo da presença de Cristo”. 

“Esse sacerdote tinha estado duas vezes no cárcere por praticar seu ministério e através dele descobri verdadeiramente Alguém e alguma coisa pela qual vale a pena dar a própria vida”.


Foi assim que o futuro bispo decidiu ir para o seminário. Mas não tinha nada a ver com os seminários atuais.

A entrevista abaixo foi concedida quando Dom Sviatoslav era administrador apostólico da eparquia (diocese) de rito ucraniano em Buenos Aires. Foi concedida à associação "Ajuda à Igreja Necessitada" e tem a vantagem de estar dublada em português:

Funcionava assim: “O sacerdote que encontrei também era reitor do seminário secreto, clandestino. Para mim, foi a descoberta de um mundo completamente novo.

“Meu modo de estudar era bem estranho. Raramente encontrava meus professores do seminário – pelo menos uma vez cada dois meses.

“Quando os encontrava, davam-me sempre um livro, que tinha de copiar e estudar durante dois meses. Assim começou minha formação sacerdotal! 

“Nem minha mãe nem meu pai estavam ao corrente. Se eu fosse descoberto pela polícia secreta, minha mãe, que era professora de música, e meu pai, que era engenheiro, teriam perdido o trabalho.

“Muitas pessoas na Ucrânia que foram descobertas acabaram detrás das grades ou no exílio. 

“Graças a Deus não aconteceu nada. Para mim e para meu plano de me tornar sacerdote, a Mãe de Deus tinha que destruir a União Soviética.

“Eu me lembro que rezava: é impossível para os homens destruir o mal, mas para Deus nada é impossível.



Missa clandestina num bosque na Ucrânia sob governo comunista


“A Sagrada Eucaristia era o ponto central da nossa vida.

“Lembro-me de um sacerdote que encontrei certa vez: ele jamais falava muito dos sofrimentos, das perseguições e das torturas; ele me contava que certas vezes na prisão todos os sacerdotes celebravam a liturgia. 

“Nós ficávamos pasmos: como é que isso era possível? De onde vinham o cálice e a patena? 

“Ele tirou os óculos e disse: ‘Eis o que nós usávamos: uma lente servia de cálice com uma gota de vinho, e na outra, que servia como patena, púnhamos um pedacinho de pão. Assim nós celebramos a liturgia na prisão ou nos campos de concentração”.


O atual arcebispo Sviatoslav participou pela primeira vez de uma missa no ano 1991, quando acabava de servir como conscrito no Exército Soviético. 

Quando ele entrou no Exército Vermelho toda a vida religiosa acontecia em segredo, mas ao sair a União Soviética estava caindo. Ele assistia à divina Liturgia na igreja de sua cidade natal de Strait, na Ucrânia.

“Era maravilhoso, sentia-me como no céu! A liturgia bizantina de São João Crisóstomo é um símbolo da liturgia celeste”, exclamou.

Dom Sviatoslav explicou que “o comunismo destruiu a nossa sociedade e que só por meio da graça do Espirito Santo é que a Igreja pode curar essas feridas. 

“Durante a ex-União Soviética era perigoso ser cristão. Hoje na Europa o importante é não ter medo de ser cristão, ainda quando isso pareça não ser ‘conveniente’”.


Só o heroísmo na Fé – como o de Dom Sviatoslav e o de tantos outros sacerdotes e bispos que padeceram e até morreram sob a opressão comunista – leva à vitória os verdadeiros filhos da Igreja Católica.





quinta-feira, 5 de março de 2020

RÚSSIA PRETENDE INVADIR A UCRÂNIA?

A Rússia enviou quase 90.000 soldados, 1.100 tanques, 2.500 veículos blindados de combate, 1.600 sistemas de artilharia e mísseis, 340 aviões de combate e outras armas e equipamentos para a fronteira com a Ucrânia.

 "No total, cerca de 87.000 a 90.000 militares (em particular, mais de 35.000 membros do 1º e 2º corpo de exército) das Forças Armadas da Rússia estão estacionados ao longo da fronteira da Ucrânia nas áreas temporariamente ocupadas de Donetsk, regiões de Luhansk  e Criméia. Existem também 1.100 tanques, 2.500 veículos blindados de combate, 1.600 sistemas de artilharia e mísseis, 340 aeronaves de combate, 240 helicópteros de combate, mais de 50 navios / barcos e 6 submarinos".

Vadym Skibitsky, representante do Diretório Principal de Inteligência  do Ministério da Defesa da Ucrânia, disse em entrevista aos meios de comunicação Obozrevatel.

 Ele observou, também, que esses grupos poderão ser fortalecidos por três centros de operações de mobilização que poderiam mobilizar cerca de 40.000 pessoas.  Nas imediações das fronteiras da Ucrânia, esses centros foram estabelecidos na cidade de Boguchar (região de Belgorod na Rússia), na cidade de Kamensk-Shakhtinsky (região de Rostov na Rússia) e na vila de Novoozerne no território da República Autônoma da  Crimeia.
03/03/2020.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

HERÓIS DE KRUTY

01/28/2020, 09:55 – 175

Em 29 de janeiro de 1918, a batalha de Kruty ocorreu. Então, 600 estudantes ucranianos não apenas pararam o quarto milésimo exército dos bolcheviques, mas também desaceleraram a adesão da Ucrânia à Rússia "vermelha".



Desde 2004, a Ucrânia presta homenagem aos primeiros cyborgs no Dia da Memória dos Heróis de Kruty. Como uma das páginas mais trágicas e ao mesmo tempo lendárias foi inscrita na história da Ucrânia – no OBOZREVATEL
Dia Memorial dos Heróis de Kruty
Para comemorar os Heróis Kruty na Ucrânia em nível nacional, começou apenas em 2004. Em 2006, um memorial aos heróis foi erguido perto da estação ferroviária de Kruty e, em 2012, uma cruz memorial foi erguida no túmulo de Askold para Kruty Heroes.
A Batalha de Kruty é comparada pelo Instituto Ucraniano de Memória Nacional com a defesa do Aeroporto de Donetsk e chama os jovens que deram suas vidas pela liberdade da jovem Ucrânia os primeiros "cyborgs".
Memorial à memória dos Heróis de Kruty
Pré-requisitos para a batalha sob o Kruty
No final de dezembro de 1917, os bolcheviques se opuseram abertamente à existência da República Popular da Ucrânia. Para começar, eles criaram um fantoche "Governo Vermelho Ucraniano" em Kharkov, que declarou guerra à UNR.
Mais tarde, em apoio ao governo de Kharkiv, tropas de Moscou, Pedro etc. foram enviadas. Deve-se notar que, mesmo assim, mais de cem anos atrás, Moscou chamou sua agressão armada de "guerra civil".
Batalha do Kruty: curta
Um grupo de quatro mil bolcheviques mudou-se para Kiev, com o objetivo de capturar a capital ucraniana. Inicialmente, as forças da UNR detiveram o inimigo por algum tempo perto da estação ferroviária de Bakhmach, na região de Chernihiv, mas depois de alguns dias de combates violentos, os ucranianos recuaram para a estação de Kruty, com posições previamente preparadas. Foi em 29 de janeiro que os destacamentos bolcheviques se manifestaram sobre eles.
As tropas ucranianas, que assumiram a defesa sob Kruty, eram cerca de 300 caças do Student Smoker, 250 - a Primeira Escola Cossaca de Kiev e o Segundo Ginásio Ucraniano da Irmandade Kyrylo-Mefodiyevsky. Eles também foram ajudados por cerca de 80 voluntários locais, "cossacos grátis".
A luta durou até o final da noite de 29 de janeiro. Os ucranianos repeliram vários ataques, mas as perdas foram muito grandes. O comandante da UNR, Averkiy Goncharenko, ordenou que se retirassem para o escalão, que esperava dois quilômetros da estação. Em retirada, um grupo de estudantes ao entardecer perdeu seu marco e retornou à estação de Kruty, já ocupada pelo Exército Vermelho. Lá eles foram capturados. O comandante vermelho Yegor Popov, furioso com as horríveis perdas sofridas pelos bolcheviques por um punhado de estudantes, ordenou que os prisioneiros fossem mortos.
Dos estudantes capturados, os bolcheviques primeiro zombaram e depois atiraram. Um dos defensores de Krut cantou "A Ucrânia ainda não morreu" antes do tiroteio - o resto dos estudantes apoiou o canto e morreu com o hino ucraniano nos lábios.
Os bolcheviques proibiram os heróis de enterrá-los. No entanto, após sua retirada, os corpos dos defensores de Krut foram enterrados e, mais tarde, por ordem do governo da UNR, 28 Heróis Kruty foram enterrados no túmulo de Askold, em Kiev. Quando as autoridades soviéticas chegaram à Ucrânia, fizeram o possível para esquecer a Batalha de Kruty nos próximos anos.
Consequências da Batalha de Kruty
A Batalha de Kruto interrompeu a ofensiva do exército bolchevique por quatro dias. Além disso, deu tempo para a assinatura do Tratado de Paz Brest-Lituânia, como resultado do qual o RSFSR reconheceu a independência da UNR e retirou tropas de terras ucranianas. No final, isso atrasou a adesão da Ucrânia à União Soviética por um tempo.


segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

UM INSULTO À MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DE MAIDAN


19/01/2020, 11:15 299

A nomeação do vice-presidente do DBR Oleksandr Babikov, que supostamente trabalhou no escritório de advocacia Aver Lex, que defendeu o ex-presidente Viktor Yanukovych, está sendo preparada.

Oleksandr Babikov

Ainda não foi anunciado oficialmente. No entanto, há rumores de que Babikov manterá essa posição. A informação foi dada pela chefe do DBI, Irina Venediktova, durante uma reunião em 14 de janeiro com parentes dos mortos no Maidan, relata a Voice of America.


Um comunicado de imprensa da ONG "Família dos Heróis das Centenas Celestiais", publicado em 16 de janeiro, afirma que as famílias das "Centenas Celestiais" expressam desconfiança por Babikov.
"Exigimos uma competição aberta e transparente para a eleição de uma pessoa de confiança da sociedade", afirmou o comunicado.
A nomeação foi comentada pelo advogado da família Heavenly Hundreds Eugene Zakrevskaya.
Segundo ela, “o advogado está vinculado à sua posição, que ele formou e defendeu, na qual insistiu, representando e defendendo os interesses de seu cliente. E se o advogado de um suspeito se torna o chefe dos investigadores que investigam o caso, é um conflito direto de interesses".
"Este é um sinal claro de que não haverá investigação", acrescentou Zakrevskaya.
O site de Aver Lex, anunciando a decisão de Babikov de se mudar para o serviço público, observou que ele "se especializou em proteger agentes da lei em casos de corrupção e em casos cometidos por grupos do crime organizado".
O Bureau de Investigação do Estado não vê obstáculo em confiar ao advogado de Yanukovych a auditoria dos assuntos de Maidan. Como explicado aos parentes do falecido, a chefe da DBR, Irina Venediktova, a comissão da competição não encontrou em Babikov um conflito de interesses. Segundo ela, ele será nomeado em caso de recomendação do comitê de seleção e sujeito a inspeção especial.
Volodymyr Golodniuk, membro da Família dos Heróis das Centenas Celestiais, não acredita que Babikov seja objetivo. "Estou profundamente indignado com esses compromissos", disse ele. Segundo ele, "Se Babikov defendeu os interesses de Yanukovych, que matou o Heavenly Hundred, como ele pode agora ser confiável para proteger os interesses dos Maidan?"
Golodyniuk, que perdeu seu filho de 19 anos em Maidan, lembrou a promessa do presidente Volodymyr Zelensky de acelerar a investigação. "Em vez disso, o presidente, tendo interferido nos tribunais, libertou os ex-berkutianos e matou nossa fé na justiça".
Como ele acrescentou: «Nomear o advogado Yanukovych responsável pela investigação de tiroteios no Maidan é um cuspe diante daqueles que perderam seus parentes. É um insulto à memória das vítimas no Maidan. "


quarta-feira, 27 de novembro de 2019

O QUE DIFICULTA A PAZ ENTRE A UCRÂNIA E A RÚSSIA


26/11/2019, 16:08 - 464
Embora Moscou despreze teimosamente a soberania ucraniana e se recuse a falar sobre a Crimeia, é improvável que concorde


Volodymyr Zelensky não foi diferente da maioria dos candidatos presidenciais da Ucrânia durante a campanha deste ano, prometendo paz, mas sem explicar como isso poderia ser alcançado. As promessas de alguns políticos eram de populismo puro e outras de um desejo de capitular às demandas da Rússia.
No caso de Zelensky, isso poderia ser uma manifestação de sua ingenuidade sobre o presidente russo Vladimir Putin e sua falta de experiência em assuntos internacionais. No entanto, deve-se entender que a Ucrânia também mudou como resultado de sua resposta à agressão militar russa. De fato, a região de Dnepropetrovsk, nativa de Zelensky, tornou-se uma das regiões que mais sofreu perdas.
Em 2014-2015, o Dnipro desempenhou um papel estrategicamente importante no bloqueio do avanço da ofensiva militar russa na Ucrânia, escreve o cientista político britânico e canadense de origem ucraniana Taras Kuzio no Conselho Atlântico, relata UNIAN
Na sua opinião, a Ucrânia na forma que existia até 2014 não está mais presente. E voltar a essa época não terá sucesso. Ele lista oito razões que dificultam a paz entre a Ucrânia e a Rússia.
O primeiro deles são os pontos de vista russos sobre o país vizinho. A atitude de Moscou em relação aos ucranianos foi reduzida à retórica da Guarda Branca, que negou a própria existência do povo ucraniano como tal. E isso é ainda pior do que na União Soviética. Enquanto isso, a identidade ucraniana, especialmente entre a população de língua russa, mudou dramaticamente sob a influência de guerras, mortes, feridos, devastação e reassentamento forçado. Portanto, é improvável que acredite que Kiev consiga simplesmente concordar com uma potência estrangeira que não respeite nem a soberania ucraniana nem os ucranianos como nação separada.
O segundo obstáculo é o próprio Vladimir Putin. O autocrata russo é uma combinação desagradável da antiga cultura "chekista" e do chauvinismo russo em relação à Ucrânia. Qualquer compromisso parecerá um sinal de derrota para Putin e seus aliados.
O terceiro obstáculo é que a Rússia se recusa a negociar a Crimeia ocupada. Em Moscou, eles insistem que este "tópico está fechado". Assim, existe abertamente sobre Donbass, assegurando que "não estamos lá". Assim, o lado russo está tentando colocar a guerra no Donbass como uma "guerra civil". Moscou exige que Kiev conduza negociações diretas com os líderes dos chamados DNR e LPR, aos quais a maioria dos ucranianos se opõe. As opiniões dos cidadãos russos e ucranianos sobre este assunto são muito diferentes. 85% dos russos apóiam a anexação da Crimeia e 56% apóiam o separatismo de Donbass. A sociedade ucraniana considera a ocupação da Crimeia e a guerra em Donbass como um dos problemas da agressão russa. A maioria exige o retorno da Crimeia e o fim da invasão militar russa ao Donbass.
O quarto obstáculo: o que fazer com os líderes dos chamados "DNR" e "LPR", bem como com os funcionários civis de suas "administrações"? A maioria dos ucranianos se opõe à anistia. Enquanto isso, a grande maioria das pessoas que permanecem na parte ocupada dos Donbas quer se juntar à Rússia, e não voltar ao controle da Ucrânia. É improvável que a maioria dos 1,7 milhão de deslocados deseje retornar às regiões de Donetsk e Luhansk. Eles sobreviveram ao trauma da guerra, começaram uma nova vida em outro lugar. Seus filhos vão para novas escolas. Eles também podem achar que é perigoso retornar à sua região de origem. Afinal, os simpatizantes do LDNR os considerarão pró-ucranianos.
O quinto obstáculo é que ninguém ainda explicou como ocorrerá a desmilitarização. Desde a assinatura do Acordo de Belfast para a Irlanda do Norte em 1997, tem sido extremamente difícil desmilitarizar 2.500.000 terroristas. E eles tinham apenas armas leves. As forças armadas dos chamados "DNR" e "LPR" estão na região sul das Forças Armadas da Rússia. São 14 vezes maiores que as unidades da Irlanda do Norte e possuem armas pesadas. Além disso, existem 5 a 10 mil oficiais de FSB e GRU no território ocupado de Donbass, que sem dúvida se tornarão "locais" no processo de desmilitarização. Assim, o número total de forças LDNR aumentará para mais de 40 mil.
O sexto obstáculo é simplesmente não responder à pergunta do que acontecerá com esses lutadores. A Ucrânia exige que eles retornem à Rússia. E Moscou quer que eles se tornem a nova polícia, serviços de segurança interna, guardas de fronteira dos chamados DNR e LPR, que terão um "status especial" na Ucrânia. Nenhum líder ucraniano dará esse passo porque assim o cavalo de tróia russo será legalizado
A sétima razão segue da anterior. A Rússia não vai recuperar o controle de sua fronteira com a Ucrânia. Se isso acontecer, o DPR e o LPR deixarão de existir rapidamente. Porque a guerra que está acontecendo em Donbass é absolutamente artificial. Moscou entende o ponto de "recuperar o controle da fronteira" à sua maneira. Ela acha que as forças reformadas do LDNR estarão patrulhando a fronteira russo-ucraniana junto com os guardas de fronteira russos. Em outras palavras, trata-se de legalizar a ordem atual das coisas.
O último obstáculo está relacionado ao segundo, e tem se manifestado repetidamente nas relações russo-ucranianas desde 1991. Moscou nunca está satisfeito com as ações ucranianas que exige de Kiev. Em 2010, o presidente Viktor Yanukovych cumpriu tudo o que a Rússia exigia em uma carta aberta de Dmitry Medvedev de 2009 ao anterior líder ucraniano Viktor Yushchenko. Mas, apesar disso, a Rússia continuou a exigir cada vez mais. Forçou Yanukovych a cancelar a assinatura de um acordo de associação entre a Ucrânia e a UE e também cobrou a Kiev o preço mais alto do gás na Europa.
Não é de surpreender que a Rússia também tenha adicionado o requisito de retomar as importações diretas de gás para se encontrar com Zelensky no formato da Normandia. A Ucrânia não compra gás russo diretamente desde 2016. Retornar a isso significa importar corrupção e chantagem. O autor aconselha o presidente ucraniano a entender que Moscou sempre foi indiferente aos Donbas, pois nunca desempenhou um papel importante na identidade nacional russa.
Em 2014, o principal objetivo da Rússia era capturar Kharkiv e Odessa, que eram "diamantes da coroa" do chamado "Novorossiya". O interesse russo é o retorno de toda a Ucrânia à esfera de influência do Kremlin. E "DNR" e "LPR" - apenas "cavalo de Tróia" para atingir esse objetivo.