sexta-feira, 15 de abril de 2011

CHERNOBYL: 25 ANOS


O DESASTRE DE CHERNOBYL

“O elemento mais perigoso que saiu do reator de Chernobyl não foi o césio, não foi o plutônio:
Foi a MENTIRA!”

“Uma mentira que se espalhou como a radioatividade pelo país e pelo mundo inteiro”

(Alla Yaroshinskaya – Deputy of the URSS Supreme Soviet)

A MENTIRA INSTITUCIONALIZADA !

 A marca registrada do COMUNISMO

(O Cossaco)

Assista ao final desta reportagem o vídeo O DESASTRE DE CHERNOBYL com duração total de 1h35min.
(Importantíssimo à partir de 1h18min até o final)

Em 26 de abril de 2011, completa-se 25 anos da catástrofe de Chernobyl, uma usina nuclear construída pela URSS.
Por coinscidência, esta catástrofe correu 25 anos depois da catástrofe com o dique de Kurenivska. Ambas as tragédias tem muito em comum: Foram construídas com centenas de violações às normas internacionais.
Vejam as imagens 25 anos depois
 
 
































Homenagem aos bombeiros mortos pela irradiação. Foram os primeiros a chegar no local para salvar possíveis sobreviventes
ASSISTA AO VÍDEO



Tragédia de Chornobyl: 25 anos depois

26.04.2011
Fotos de Yuriy Vinchuk



Hoje Ukraina lembra a tragédia que aconteceu a 25 anos. Tragédia que mudou radicalmente a história do país, levou e continua levando centenas de vidas.

Exatamente a 25 anos, na Рівно 25 оків тому, на , em Chernobyl explodiu o reator do quarto bloco energético.Elementos radioativos de iodo, estrôncio e césio se espalharam para o norte da Ukraina, Bielorrúsia, Estados bálticos, Polônia, Suécia, finlândia e outros países.

Jornalistas da "Ukrainska Pravda" estiveram na cidade abandonada de Preypiat" e próximo da usina atômica de Chornobyl.

Na entrada da cidade de Prypiat
Já aqui o radiômetro mostra mais de 800 rad/hora

Atração infantil "maquininhas": Pracinha de atrações no centro de Prypiat. Um dos lugares de maior popularidade para turistas.


Cabine telefônica: A cabine telefônica soviética tocou pela última vez, há 25 anos.


Medições em vários lugares vão de 600 a 1000 rad ou mais.


"Lênin sempre jovem": Em Prypiat conservaram-se vários símbolos da antiga URSS.


Besouros e borboletas
Freqüentemente comunicavam que sob a ação da radiação flora e fauna apropriam-se de tamanhos desproporcionais.
Em Chornobyl não encontramos tais anomalias. Os besouros e borboletas apresentam tamanhos normais e seu comportamento é adequado.


4º bloco energético, onde aconteceu a explosão: as fotos aos jornalistas foram proibidas


Jornalistas internacionais
Os jornalistas internacionais vieram com roupas mais prevenidas. Mas, as proteções especiais, de aparências efetivas são de pouco aproveitamento.
Os ukrainianos comportavam-se com maior naturalidade, andando, inclusive sobre o musgo que absorve a radiação. No musgo a radiação alcança 1300 rad/hora


O que sobrou do sistema financeiro de Prypiat


Tanques-monumentos
Transporte que participou na liquidação do fogo no quarto bloco da Estação energética de Chornobyl.
Havia ali um número bem maior deles, agora só ficaram seus lugares.
Um funcionário do Ministério de Emergências esclareceu que a parte principal deles encontra-se em "túmulos especiais".
Segundo suas palavras, uma parte foi utilizada pela "refundição". Pela primeira vez ouvimos que o metal após a "refundição" deixa de emitir a radiação.


ENTREVISTA


Ukraina Moloda (Ukraina Jovem), 22.04.2011
Lina Kushnir

No sábado, 26.04.1986, Valentina Shevchenko estava no trabalho. "Às nove da manhã recebi o telefonema de Vasyl Durdunets, então Ministro dos Assuntos do Interior. Ele narrou os acontecimentos na Ukraina no último dia e, no final acrescentou que houve um incêndio na usina nuclear de Chernobyl, mas que já foi extinto. "E o povo?", perguntei. "Tudo bem, - disse, - uns dançavam no casamento, outros plantam verduras, e alguns pescam no rio Prypiat..."

O acidente ocorreu a 1 hora e 23 minutos, mas, mesmo pela manhã ninguém estava ciente que a era do "átomo pacífico" tinha acabado. E que a vida na Ukraina ficaria dividida em "antes" e "depois" da catástrofe de Chernobyl. Valentina Shevchenko lembra bem o ano porque esteve no epicentro dos acontecimentos - teve que tomar decisões difíceis, nem sempre do agrado de Moscou. Ela relembra os acontecimentos daquela primavera...

"Chornobyl para mim - como ferida aberta"

Presidente do Presidium do Soviete Supremo Valentina Shevchenko - sobre porque após o acidente da usina atômica realizaram uma demonstração de 1º de maio e como, contrariamente a Moscou, retiraram todas as crianças de Kyiv.


Os moradores de Prypiat saíram para três dias, mas revelou-se para sempre

- Senhora Valentina, sobre a explosão na usina atômica, dizem que Moscou soube primeiro, e não Kyiv?

- É verdade. A usina de Chernobyl não subordinava-se a Kyiv, e sim a Moscou. E o que aconteceu na usina, primeiramente souberam lá. Depois eu soube do senhor V. Shcherbetskyi que no final do dia viria uma comissão encabeçada pelo presidente do Conselho de Ministros da URSS. Viriam também os melhores especialistas atômicos da União Soviética, Ievhen Velikhov, Yuri Israel e o radiologista principal Leonid Ilyin. Diretamente de Borespil (aeroporto de Kyiv), eles foram para usina. E, já à noite, vendo a gravidade da situação, aprovaram o remanejamento dos moradores de Prypiat. Na manhã do dia 27 os ônibus se dirigiram à cidade. E, até às 15:00h, foram retiradas da cidade 53.000 pessoas. Os moradores das aldeias da província de Kyiv amistosamente receberam todas estas pessoas - dividiram o teto e o último pedaço de pão. Como o plano inicial de evacuação era para apenas três dias... As pessoas trouxeram apenas o mínimo e os documentos. No dia 28 já começaram falar sobre a necessidade de evacuar as pessoas da zona de 10km.

- A senhora foi a primeira, entre as pessoas da liderança da Ukraina, que por sua própria iniciativa foi a Chernobyl? A ameaça naquele tempo ainda não era conhecida?

- Eu sentia que ocorreu uma desgraça, mas ninguém, nos primeiros dias não compreendia todo perigo. Eu me preocupava como tão grande quantidade de pessoas foi recebida, o que necessitavam. Fui a Chernobyl e lá me encontrei com a comissão médica. Eles me pediram iodo para profilaxia, lavagem das roupas dos trabalhadores da usina, lavagem das instalações dos jardins de infância, escolas e centros médicos... Eu andava pelas casas, interessava-me como os evacuados foram recebidos. As pessoas estavam tranqüilas, esperavam pelo breve retorno. Todos diziam: "Qual perigo? Quando os alemães estiveram aqui - isso sim era perigo. E agora? Sol, calor, precisamos plantar". Eu e o motorista até almoçamos lá. Entramos no armazém e compramos queijo, pão, lingüiça... Como se fosse agora, lembro: da mata saíram mulheres com grandes bacias de airela (chornytsi - esta frutinha, de cor preta, ainda hoje não é recomendada para consumo por estar bastante impregnada de radiação - O.K.). Voltei de Chernobyl cerca de meia noite. Em Vilch nos parou um posto radiológico, que de manhã ainda não havia lá. Minhas sandálias "luziam" terrivelmente. Então eu as deixei lá.

- Mais tarde houve muitas acusações de que não se podia depois do acidente levar as pessoas para demonstração de 1° de maio. Quem tomou as decisões?

- Em 30 de abril houve uma reunião do Partido Comunista da Ukraina, onde se examinou esta questão. Os cientistas informavam, que neste dia a radiação em Kyiv seria normal. Antes do término da reunião veio comunicado de Moscou esclarecendo que não havia necessidade de adiar a demonstração. Assim todos concordaram: Permitir não muitas pessoas e ser rápida. Mas, como ficou conhecido depois, no dia 30, às 20:00h o vento virou em direção a Kyiv e na cidade começou subir a radiação. A demonstração não durou duas horas, embora elas duravam normalmente de 3 a 5 horas. Todos os líderes deviam permanecer em seus postos porque esperava-se a liderança de Moscou. Vieram Ryzhkov e Lihachov e foi decidida a evacuação das pessoas no raio de 30km. Aos evacuados destinaram 9 mil apartamentos preparados para moradores de Kyiv, como presente de 1º de maio.

As crianças chegaram praticamente em "Teplushkakh"

- A idéia de remover as crianças de Kyiv foi sua. A senhora fez isso contra a opinião de especialistas de Moscou ...

- Eu senti esta necessidade intuitivamente. Pois não sabíamos muito mais do que os outros cidadãos. Lembro, pedi à biblioteca encontrar toda a literatura disponível sobre radiologia. Aí entendi que o funcionário que trabalha numa usina nuclear, durante um ano, pode receber 5 microroentgen. E aqui para nós o ministro da preservação da saúde diz, que 5 microroentgen é dose permitida para crianças. Eu levantei a gritaria, que as crianças deveriam ser evacuadas.

Em três de maio convidei para o Presidium o principal ginecologista da Ukraina, chefe do Departamento de Saúde Materno-infantil, e o diretor adjunto do Instituto de Maternidade e Infância, para aconselhamentos em relação às crianças e mulheres grávidas. Este encontro foi "ilegal". A ninguém falei ou pedi autorização, mas eu precisava saber o que fazer. Eles recomendaram colocar as grávidas em casas de parto, e não deixar as crianças na rua.

No dia 6 de maio conversei com o General Fedorov, chefe do Serviço Federal de Defesa Civil. Ele me disse que desconfiava que a Comissão não fornecia dados objetivos sobre a área infectada. Ele me mostrou um mapa com as províncias de Chernihov, Zhytomyr e Kyiv manchadas, marcadas assim pelo exército. Nós fomos até Shcherbytskyi, que chamou Israel e Ilin, para juntos decidirmos pelo melhor. Eles foram contrários à evacuação das crianças, diziam que não havia necessidade. Mas, quando chorei, silenciaram. Interpretei o silêncio deles como aprovação. As crianças deveriam ser evacuadas.

Já no dia seguinte conversei com os dirigentes de todas as repúblicas soviéticas sobre acolher nossas crianças. Na Ukraina nos prometeram liberar todos os sanatórios, ambulatórios profiláticos, centros de lazer e descanso. De Moscou veio telegrama para não semear pânico. No dia 9 Shcherbytskui recebeu um telefonema de Gorbachov também recomendando evitar pânico. "E o que o senhor lhe respondeu?" - perguntei. - "É a Valentina Shevchenko que levantou pânico, e todos nós nos submetemos a ela". - "Então o que faremos?" - quase choro. -"Evacuaremos, - disse ele. - Pelas crianças ninguém nos repreenderá".

- Como conseguiram evacuar tal quantidade de crianças em curto tempo?

- Decidimos assim: evacuamos toda escola, liderada pelo diretor e professores. Desenvolvemos um cronograma claro, quais escolas para qual Província ou República  e dia da viagem. Constantino Masyk, vice-presidente do Conselho dos Ministros da URSS ficou encarregado pelo transporte. Não tenho idéia aonde ele conseguiu todo o transporte, mas, da estação de Kyiv, diariamente partiam dezenas de comboios. Três dias atrás eu recebi uma carta interessante de Kryvyi Rih. Nela diz, que em maio de 1986 os trabalhadores do campo preparavam-se para o encontro com crianças de Kyiv - eles recebiam a escola de número 242. O chefe lembra como um trabalhador, aproximando-se comentou: "Poderia Valentina Semenivna para o seu natal Kryvyi Rih mandar as crianças em melhores vagões". Porque as crianças vieram praticamente em "teplushkakh" (vagões de gado adaptados para transporte de pessoas. - O.K.) E, realmente foi assim, nós procuramos tudo, para o quanto antes retirar as crianças da Capital e zonas perigosas de Kyiv, Zhytomyr, Chernihov. Imagine, nós evacuamos 526 mil crianças em cinco dias!

Todas as Repúblicas da União vieram ao nosso encontro. Por exemplo, na Geórgia as crianças foram recebidas pessoalmente pelo Primeiro Secretário do Comitê Central do Partido Comunista Potiashvili. Às crianças garantiram alimentação reforçada e as melhores condições. No entanto, lembro que certa vez Shcherbytskyi disse: "queixam-se que em Repúblicas da Ásia alimentam mal nossas crianças. Fui até lá. Estive no lago Isyk-Kul, onde descansavam 2,5 mil crianças de Zhytomyr. Eu almocei com eles na sala de jantar - ótima comida. Então reuni todos no gramado e perguntei o motivo das queixas. Então um garoto se levanta e diz: "Não nos dão batata!" Comigo estava a vice-presidente do Conselho de Ministros de Quirguistão, e eu disse a ela: "Estas crianças comem batata no desjejum, almoço e jantar. Elas não se acostumaram ao arroz e ao cordeiro, portanto não se surpreenda". E às crianças disse: "Quando voltarem para Ukraina comerão batatas à vontade. Enquanto isso escrevam cartas aos parentes, e eu as levarei para Ukraina". Voltei trazendo várias caixas grandes, cheias de cartas, que entreguei para Central dos Correios.

Em Odessa tivemos um caso diferente. Recebi um telegrama dos professores, que estavam em Arkadia. Exigiam meu comparecimento imediato. Larguei tudo e fui. Contaram que as crianças recebiam cinco refeições reforçadas - caviar preto e vermelho, manteiga, muitos frutos. Em seguida os professores verificaram que a dieta das crianças foi cortada. Eles decidiram seguir três funcionários da cozinha e os prenderam quando carregavam os produtos. Foi organizado um tribunal popular, que até foi televisionado. Os funcionários foram demitidos dos empregos e condenados a três anos em liberdade vigiada - porque todos tinham filhos.

Nós pensamos que evacuamos as crianças por um mês, mas foram quase quatro. Até construírem o sarcófago sobre a usina. Precisamos resolver muitos problemas como licença às mães que viajaram com crianças pequenas. Eu disse que foram 526 mil crianças, mas na verdade, com os adultos que as acompanharam, nós evacuamos 700 mil pessoas.

E nós agimos corretamente - já foi reconhecido que protegemos estas crianças de grandes problemas com a saúde.

- E onde esteve sua família?

- Durante a demonstração de Primeiro de Maio, na tribuna, na Rua Khryshchatyk, meu filho e minha nora grávida. Todos os líderes vieram com suas famílias. Em 9 de maio junto ao Monumento da Glória estavam todos com a família, inclusive o neto de Shcherbytskyi - com o avô colocou flores. O perigo ainda não percebíamos. Mais tarde eu mandei minha nora para fora de Kyiv onde ela ficou até outubro, e deu à luz lá. O filho que era militar, foi enviado para Cazaquistão.

Moradores da Província de Sumy trouxeram até cachorros e gatos para os migrantes.

- Estabelecer um grande número de migrantes foi, provavelmente, uma tarefa ainda mais difícil?

- Até 1° de novembro foram construídas 11 mil construções individuais para os moradores reassentados das aldeias. Assinei um decreto sobre a criação de dois novos distritos - Zhurivskyi na Província de Kyiv e Brusylivskyi em Zhytomyr. E cada região da Ukraina devia construir nestes distritos uma aldeia. Se observarmos estas aldeias, cada uma tem suas particularidades, características da província que as construiu. Nos dias da entrega recebi um telefonema do presidente do Comitê de obras de Ternopil!, que dizia: "Vamos entregar a aldeia, e temos a proposição de levar às pessoas, para estas casas: farinha, grãos, batata, barricas de pepinos, de tomates, 10 galinhas, talvez um leitãozinho, para que as pessoas não entrem em paredes nuas". "Mas é maravilhoso!", digo. Depois conversei com todos os presidentes dos Comitês de Obras, e esta idéia foi aceita. Kyiv levou até aparelhos de TV, geladeiras, cortinas, louças, e de Sumy trouxeram até cachorros e gatos. As pessoas se preocuparam tanto com este mal, que ele, naturalmente uniu toda nação ukrainiana.

Até o final do ano todos os evacuados receberam um novo lar. Transferíamos aldeias inteiras. Mas... Cheguei ao distrito Zhurivskyi, e encontro duas mulheres sentadas na soleira. "Nós duas queremos ir para casa - dizem - para Polissia, onde crescemos". As pessoas ainda estão de luto por sua terra natal ... Pensa que foi fácil transferi-los? Ainda foi preciso aprovar a decisão, em 22.05.1986 sobre o despejo forçado de pessoas da zona de 30km. Eles não queriam sair. Até o último momento acreditavam que tudo ficaria bem...

- Os acontecimentos de Chornobyl com a situação no Japão a senhora compara?

- Eu, constantemente, procuro estar acompanhando os acontecimentos no Japão. É uma grande desgraça. Mas, no Japão pelo menos tem experiência. Nós não  tínhamos nada. Um acidente dessa magnitude e com conseqüências tão danosas ocorreu primeira vez no mundo. Os cientistas ainda não tinham conhecimento para solucionar tais problemas. E hoje, quando ouço: e isso estava errado, e aquilo... Mas nós fomos os primeiros!

Em fevereiro eu recebi jornalistas japoneses. Eles queriam saber, nos mínimos detalhes, como em poucas horas conseguimos evacuar os moradores de Prypiat e principalmente - quem os recebia? Eles não compreendiam, como famílias absolutamente estranhas podiam acolhê-los. E não para um - dois dias, mas para meio ano!

Tal catástrofe superar com forças somente do Japão, mesmo sendo um país de alta tecnologia, é quase irreal. Nós vencemos a catástrofe de Chernobyl com forças de todas as repúblicas. De todos os cantos da União Soviética vinham técnicas, materiais de construção e profissionais. Foi mobilizado todo o potencial econômico e intelectual de um grande país. E nós conseguimos evitar novas explosões e obstruir os resíduos das águas do Mar de Kyiv (Mar artificial - águas do rio Dnipró represadas. - O.K.), porque isto significaria sujar as águas do rio, águas que bebem 40 milhões de ukrainianos. No Japão águas foram contaminadas, e as emissões continuam. Segundo o exemplo de Ukraina, eles também constroem um sarcófago. Nós construímos o nosso para 10 anos, segundo os cálculos dos estudiosos. Eu estou muito preocupada porque no transcorrer dos 25 anos nada mais foi feito. E aquele sarcófago apresenta rachaduras. Esses dias resolveram juntar dinheiro em toda Europa para construir um novo sarcófago. Que Deus ajude os europeus valorizarem a coragem dos nossos homens, os quais com a própria vida fecharam o reator e salvaram não só Ukraina, mas também Europa.

- No filme "Mulheres de Chornobyl", filmado por sua iniciativa, ressoou a frase que com o acidente de Chornobyl teve início a desagregação da União soviética. E a senhora como pensa?

- Sim, eu me lembro desta frase. Com efeito, esta catástrofe dividiu a Ukraina em antes e depois de Chornobyl. Após o acidente houve muitas acusações contra as autoridades soviéticas - que nem todas as medidas foram tomadas, que muita coisa foi ocultado da Ukraina. O próprio Gorbachov somente se pronunciou no dia 14 de maio! E assegurava que não havia perigo.

Eu não diria que o acidente está diretamente associado com o colapso da URSS, não, já se encaminhava para isso. Mas Chornobyl, de verdade, poderia ser aquela gota que completa a taça da paciência.

Em geral, em Chornobyl havia muitas pessoas desonestas que "aqueceram suas mãos" e entraram na política. Essas pessoas nada faziam, apenas criticavam tudo e todos. Especialmente Volodymyr Yavorivskyi, que não moveu uma palha, mas exclamava: "Para tribunal Shevchenko, para tribunal Shcherbytskyi", mas fez o seu nome. Às vezes me lembro daqueles tempos e percebo que não guardei nem documentos, nem fotos daquela primeira viagem a Chornobyl. Porque então eu não pensava, que devia levar comigo um correspondente, um fotógrafo, um canal de TV... Eu pensava como posso ajudar as pessoas que tiveram problemas terríveis...

RECOMPENSAS

- Lembro muito bem quando entregava às mães e viúvas Estrelas de Ouro de Heróis, com as quais foram, postumamente, agraciados os primeiros que correram para apagar o fogo. Pedi a V. Shcherbytskyi para que essas recompensas fossem dadas por algum homem, mas ele não aceitou. Então eu fui ao encontro pensando: "O que poderei dizer a uma mãe que perdeu um filho de 23 anos? O que dizer para uma esposa, com filho de seis meses no colo e já viúva?" Entro, todos de luto, eu também uso roupa preta. Digo: "Peço desculpas às esposas, mas primeiro quero entregar as recompensas às mães. Porque elas educaram tais filhos, que às custas de suas próprias vidas, salvaram o mundo". Choravam elas, chorava eu... Depois, o fotógrafo e correspondente Yakiv Davedson aproximou-se de mim e disse: "Tal entrega de recompensas em toda minha vida, ainda não lembro. Porque não se alegravam com estas recompensas, choravam..."

AUXÍLIO

- De Prypiat e aldeias afetadas, lembro, evacuamos mais de 300 mulheres grávidas. Sem nada - saíram com a roupa do corpo. O bebê, quando nascer, precisará de roupinhas, carrinho. Entrei em contato com um grupo de soldados soviéticos amigos, que serviam na Alemanha e lhes pedi o necessário. No início de junho vieram dois aviões. Um deles com tudo o que um bebê necessita. No outro - roupas e objetos para crianças órfãs, de famílias numerosas. Tudo novo, com etiquetas! Mas, como naquela época a União Soviética recusava ajuda de além fronteira, eu mantive segredo. Os produtos dos aviões foram recebidos por pessoas confiáveis. Mais tarde encaminhei uma carta ao comando militar na Alemanha, agradecendo.


Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotos e videos formatação: AOliynik

 
O DESASTRE DE CHERNOBYL

 

terça-feira, 12 de abril de 2011

YANUKOVYCH OUVIU STALIN

Ukrainska Pravda, 03/02/2011
Mykola Tverdokhlib

“… Passará algum tempo, e o olhar das novas gerações será direcionado ao nosso trabalho e vitórias de nossa Pátria socialista. Elas levantarão novamente a bandeira de seus pais e avós e nos darão reconhecimento integral. Seu futuro eles vão construir sobre o nosso passado”. Da conversa de Stalin com Alexandra Kolontai, dezembro de 1939.
Assim profetizava o ditador. Argumento irrefutável disso é a atuação de Viktor Yanukovych no cargo de presidente da Ukraina, o qual dá à memória de J. Stalin total reverência.
O presidente da Ukraina ouviu o “líder de todos os povos”, e desde os primeiros dias de seu exercício no cargo começou a usar a experiência do ditador Stalin.

Enumeremos apenas algumas de suas ações que copiam o “grande sábio”.

A fim de reforçar seu poder pessoal no país, Stalin eliminou a oposição da vida pública. Inicialmente colocava os oposicionistas na cadeia, depois os enviava para degredo a regiões inóspitas e, finalmente, os destruía fisicamente.
Yanukovych, por enquanto, coloca os oposicionistas atrás das grades.

Stalin destruía os “kulaks”. (Kulaks eram os aldeões considerados ricos, que possuíam 2 ou 3 vacas, uma parelha de cavalos, um arado. Eram aqueles que nós chamaríamos hoje  de pequenos agricultores – e que se colocaram contra as fazendas coletivas – os Kholkhozes - O.K.)
Yanukovych sufoca os pequenos e médios empresários com seu novo Código de Impostos.

Stalin organizava encenações de atentados contra ele.
Yanukovych também segue este caminho. Ultimamente, com maior freqüência, surgem informações sobre preparação de atentados ao presidente. Como contava Vysotsky “esta idéia não é nova, mas por ninguém abraçada”. Espalhando as invencionices sobre atentados a Yanukovych, seus subordinados tentam levantar sua popularidade, convencê-lo do seu significado e acusar a oposição de terrorismo. E Yanukovych submete-se a essas intimidações. Recentemente, durante uma visita a Ukraina Ocidental, para “salvar” sua preciosa vida, embaralhava seus passos como uma lebre, mudando a rota de vôo de seu avião.

Stalin, teoricamente fundamentava sua luta com “os inimigos da nação”, criando o conceito de aguçamento da luta de classes no caminho para o socialismo. Seus caudatários, para eliminar os “inimigos da nação” baseavam-se no artigo 58 do Código Penal RSFSR (República Federativa Socialista Soviética Russa).
Yanukovych também prepara uma “base jurídica” para a punição de seus adversários políticos. Seus assessores preparam leis sobre a prevenção ao terrorismo na Ukraina, relativo à defesa da honra da polícia – a defensora do regime.

Stalin e sua camarilha contribuíram para que as músicas ouvidas no país elogiassem o “grande sábio”.
Yanukovych também não se opõe ser exaltado nas canções. É por isso que nos jardins de infância, até agora só em Donbass, as crianças cantam uma canção sobre o “bom tio Vitia”.

Stalin introduziu uma censura brutal na mídia, transformando-a em mecanismo de pressão sobre a consciência do povo.
O regime de Yanukovych, nesta área, segue seu “nativo e caro”. Os órgãos do governo restringem as atividades dos jornalistas e emissoras de televisão, proibindo as críticas ao atual governo, bem como cobrir determinados temas.

Devoção especial ao “líder de todas as nações” Viktor Yanukovych expressou após a destruição da imagem do ídolo em Zaporizhzha. Ficou tão ofendido pelo ídolo que, com grande prazer observa como seus asseclas aprisionam e torturam ukrainianos, culpando-os por esse crime.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

quinta-feira, 7 de abril de 2011

CRIMES DE GUERRA - 1941 - História e Acontecimentos

Notícias diárias ukrainianas - Lviv, Ukraina
09.07.1941
Do correspondente de guerra Kurt Hamle

Extermínio de 1500 ukrainianos em Lutsk - Ukraina

Dia 24.06.1941, pela manhã, reuniram os prisioneiros políticos da prisão soviética em Lutsk no grande pátio interno. No dia 22 de junho os alemães atravessaram a fronteira e vinham diretamente para Lutsk. De alguma maneira era preciso esvaziar a prisão, dos presos políticos. O próprio diretor, coronel soviético, aprsentou-se perante 4.000 presos e ordenou que, os que pertenciam ao movimento nacional ukrainiano deveriam reunir-se  no outro pátio, que seriam libertados. Apresentaram-se 1.500 pessoas que foram encaminhadas para o pátio indicado. Entre os restantes ficaram dois ukrainianos, os quais não acreditaram nas palaras do coronel, anteriormente conhecido pelos maus tratos aos prisioneiros. Eles permaneceram.

Sete meses de torturas

Sete meses eles já estão aqui trancados. Sobreviveram a três meses de interrogatórios diários. Seus nervos já não são dos melhores, refletem o sofrimento acumulado devido aos espancamentos, interrogatórios noturnos sob a luz de refletores, fome e outras chicanas para confissões agravantes.

E, eis agora, nos últimos dias, não se deixaram aniquilar. O que fizeram os carrascos com 1500 escolhidos ukrainianos, em engano e métodos - é bolchevique! A promessa de liberação, é claro, era engano, porque 1.500 nacionalistas ukrainianos é ameaça até para um Estado de 120 milhões. O zeloso dirigente da prisão decidiu, de acordo com ordem superior, destruir aquelas 1.500 pessoas.

A massa sob metralhadora

Colocadas as metralhadoras, as primeiras fileiras recebem a descarga. Gritos de dor elevam-se no ar. Os mortos amontoam-se sobre os menos ou mais feridos. Mas, para que o derramamento de sangue se conclua totalmente, os bolcheviques jogam granadas de mão. Durante a "limpeza" os últimos feridos são mortos com tiros de revólver. Este foi um terrível banho de sangue. Gritos e tiros produziram, nos 2.500 presos que permaneceram nas câmeras, medo e inquietação. Em acréscimo os "oprichnik" (guarda criada por Ivan, o Terrível - O.K.) da NKVD cegamente lançaram granadas para dentro das células, onde havia 30 ou mais prisioneiros..

Quando na prisão de Lutsk continuava este sangrento banho soviético, a marcha das tropas alemãs aproximava-se da cidade. O diretor e a guarda prisional fogem.

Castigo justo

Passadas algumas horas, os "oprichnik" voltam, para exterminar o resto dos prisioneiros, acreditando que os alemães ainda não entraram na cidade. Mas enganaram-se. A prisão já havia sido tomada e o massacre sangrento descoberto. Os "oprichnik" caem nas mãos dos alemães e encontram o merecido castigo.

A ação sangrenta na prisão de Lutsk - não é exceção. Ela demonstra os métodos diabólicos do bolchevismo, que desde 1917 não mudou em nada. Ela demonstra também que tipo é o inimigo, o bolchevique comunista, e que tipo de animal contrapõe-se na luta contra a organizada Europa.


Notícias diárias ukrainianas - Lviv, Ukraina.
10.07.1941

Bandidos torturam sem fim

Chegam mais notícias. Em Dubni, os bolcheviques torturaram até a morte 1.500 ukrainianos. A perícia médica constatou que estes barbaros inumanos primeiramente violentavam as mulheres e crianças. Em seguida torturavam todos até a morte. Depois dos terríveis  sofrimentos que vivenciaram, os moradores do oeste da Ukraina, com coração agradecido, recebem a aproximação do exército alemão. (Infelizmente "os libertadores" não demoraram para demonstrar o seu lado bárbaro e assassino, tal e qual - O.K.)


Notícias diárias ukrainianas - Lviv, Ukraina
10.07.1941

A "hecatombe ukrainiana"

Em Bibrtsi (cidade da Província de Lviv) a NKVD torturou o advogado Dr. Kulchytsky. Cortaram suas orelhas e o nariz, depois jogaram-no em líquido fervente. Assim torturaram mais 17 pessoas.

Em Kamianets Strumyloviy (Província de Lviv), a NKVD, com ajuda de judeus, matou o advogado Stefanovych, dois irmãos Mulkevych, prof. Mykhaylo Lytvyn, três irmãos Lukashevsk, prof. Melnyk, cidadão Kuts, e muitos outros cujos nomes permanecem desconhecidos para nós.

Na cidade Sudova Vyshnia (Província de Lviv), os bolcheviques, como em toda parte, procuravam novas vítimas. Caiu um tiro provocativo próximo a casa do cabo da UHA (Exército Ukrainiano de Halychena) Eustáquio Fostiak. Os lacaios do inimigo acusaram os ukrainianos. A NKVD invadiu a casa  de E. Fostiak que não se encontrava em sua residência.. No dia seguinte novamente um tiro de local não determinado. No dia 28 de junho, bem cedo, os bolcheviques retiraram E. Fostiak de sua casa, levaram-no ao campo e fuzilaram-no.


Homenagem no local onde foram fusilados os padres ortodoxos em novembro de 1941

Cenas de fusilamento de ucranianos em Babyn Yar
Pesquisa: Internet
Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: A. Oliynik

terça-feira, 5 de abril de 2011

TRAGÉDIA DE VINNYTSIA

 Premissas para respressões

Entre os historiadores que investigam este período da União Soviética não existe unanimidade quanto aos motivos do Terror Stalinista na URSS. Foram destacados como principais: insatisfação entre a população, medo do "inimigo interno", medo de um eventual surgimento da "quinta coluna" e, principalmente, o esforço de Stalin e seu meio para desfazer-se de inimigos políticos no país.


A nova onda de repressões nos anos 1930 também coincidiu com o processo de industrialização do país. Alguns malogros no processo de encarnação à vida dos primeiros "Planos quinquenais" foram atribuídos à resistência dos inimigos internos e elementos nacionalistas. Apesar de que o Terror Vermelho era aplicado pelo governo bolchevique contra a própria população, desde o início, nos meados de 1930 as repressões começaram a multiplicar-se não só contra quantidades insignificantes de inimigos reais do regime, mas também contra possíveis inimigos potenciais, que na predominante maiorira revelavam-se inocente população de muitas aldeias e cidades do país.

Outro objetivo do terror era o desejo de criar uma atmosfera de incerteza e completa dependência da vontade do lider do partido e "pai das nações", Stalin. Isto, por sua vez tornava impossível a existência da oposição ao regime, não somente na sociedade, mas também nas fileiras do partido, que sofreu nestes anos considerável "limpeza".

Uma das primeiras vítimas de Stalin e membros auxiliares de seu governo, foram membros do partido que estavam em oposição a Stalin pessoalmente, e às suas políticas. Além de membros do partido, a repressão afetou quase todas as esferas da sociedade e, particularmente, o exército e a NKVS (Comissariado Nacional de Assuntos do Interior - depois NKVD), onde os velhos quadros revolucionários foram substituídos por novos, dedicados a Stalin. Deste modo, como na sociedade em geral, após a eliminação da oposição real, a limpeza nas fileiras do partido, exército e NKVS, foi projetada, principalmente, na liquidação dos potenciais, mas não reais inimigos do regime.

Repressões na Ukraina

Uma nova onda de terror na União Soviética começou com a nomeação de Mykola Yezhov como chefe da NKVS no outono de 1.936. Em 04.10.1.936 o CC RKP(b) - (Comitê Central do Partido Comunista Russo (bolchevique) esclareceu os pedidos sobre repressões coletivas relacionando-os. Para apreciação dos assuntos coletivos foram criados os assim chamados "trios" que, por sua vez, condenavam centenas de pessoas. Um dos veredictos fundamentais foi o aprisionamento por muitos anos nos campos de concentração stalinistas, os "gulags", com trabalhos escravos e fuzilamentos.


Em 31/07/1937 foi aprovado o projeto 00447 - NKVS URSS que determinava reprimir centenas de milhares  de pessoas em diferentes regiões da União Soviética. Em Ukraina foi projetado o limite mínimo de 28.100 pessoas, das quais 7.800 deveriam ser condenadas ao fuzilamento. A gestão local do NKVS poderia aumentar os limites. E sempre aumentava.

Para simplificar os trabalhos repressivos, pela iniciativa de Vyshynskyi, em 11/09/1937 foi aceita a decisão sobre a possibilidade da condenação em um dia, antes da apreciação do assunto. As sentenças eram aceitas deste modo e, frequentemente, a pena máxima era executada imediatamente. Para  província de Vinnytsia, inicialmente, foi determinado reprimir 4.000 pessoas e destes fuzilar 1.000. Este número foi aumentado para 30.000.

O motivo imediato do aprisionamento do suspeito - e suspeitos, naqueles tempos de opressão stalinista eram dezenas de milhões - podia ser um simples cartão postal de parentes da Polônia ou outro país, às vezes encontrado durante a busca, uma cruzinha ou um missal. Em muitas ocasiões aprisionavam devido à denúncia sem nenhum fundamento

Testemunho de familiares

Ao pavoroso extermínio da nação, ao qual se permitiu o poder dos ocupantes comunistas de Moscou na Província de Vinnytsia, nos anos de 1936-39, e que constitui somente fragmentos do contínuo "holokost" ou extermínio da nação que aquela ocupação, em diversas formas, continuamente, pratica em Ukaina até os dias de hoje, opõem-se os depoimentos claros e coerentes de familiares das vítimas daquele terror: esposos, pais, mães, irmãos e irmãs, e que foram declarados perante a comissão de escavações das sepulturas.


Apresentamos dois desses depoimentos:

Registro do depoimento da ucrainiana OLEKSANDRA PRUSAK, da aldeia Verkhivtsi, região de Barsk: "Meu marido, Ivan Prusak, nascido em 1.898, até 1937 trabalhava na fazenda coletiva de Verkhivtsi. Até 1.929 ele era proprietário de seis hectares de terra e três vacas. Em 1929 foi obrigado a entregar seus bens para a coletivização. Até 1937 nunca foi aprisionado ou suspeito de quaisquer crimes. Em 06/04/1937, durante os trabalhos no campo foi pego pelos milicianos e levado para NKVS em Baru. Não consegui saber os motivos de sua prisão. Perguntava para Kyiv e Moscou, e de lá recebi resposta - procurar informações no NKVS de Vinnytsia. Para minhas indagações em Vinnytsia, em 1938 recebi a informação que meu marido foi exilado por 10 anos, para Sibéria, sem direito a correspondência. Quanto tempo meu marido ficou em Vinnytsia não sei deizer.


Hoje, no antigo local da NKVS (pomar frutífero) eu reconheci o casaco de meu marido. Erro não pode haver - reconhecio-o pelos remendos que eu mesma fiz. Por isso penso que o seu corpo também está enterrado neste local. Simultaneamente com meu marido, em nossa aldeia, foram aprisionadas mais onze pessoas, cuja sorte até agora é desconhecida". 
                                                                                                                 Vinnytsia, 29 de junho de 1943.

Testemunho de SOLOVIOVOI , de Zhetkivka: "Meu esposo, ukrainiano, devido a problemas de saúde foi obrigado a deixar o emprego de professor e trabalhava na filial do banco estatal em Zhetkivka. Estava com 47 anos, quando, em 17.04.1.938 foi levado, de trem, para Vinnytsia e colocado na prisão de NKVS. Quando no terceiro dia cheguei em Vinnytsia, fui informada que meu marido foi transferido para prisão municipal. No entanto lá eu não consegui nenhuma notícia. Ver meu marido ou enviar algo para ele, não consegui. Em 05/05/1938, soube que meu marido foi enviado para o distante Norte, por dez anos, sem direito à correspondência. Nunca mais tive notícias. Imediatamente após a prisão, em nossa habitação fizeram uma busca e levaram uma espingarda de caça do meu marido, um pouco de prata que eu guardava para obturação dos dentes e uma cruz de mesa. Decorridos dois anos da prisão eu recebi ordem da NKVS para entregar toda sua roupa porque ele era - "inimigo da nação".

Meu marido nunca se ocupou de política. Sua prisão surpreendeu a todos na aldeia. Eu penso que sua prisão foi motivada pelo seguinte fato: em nosso prédio veio residir um promotor, de sobrenome Felhd. Ele estava muito interessado em ocupar o prédio inteiro. A cerca de oito dias antes da prisão de meu esposo, este promotor pediu ao banco um empréstimo de 2..000 karbovantsi (moeda local em uso), para que sua esposa pudesse ir à casa de campo. Com base nas normas bancárias meu esposo não pôde conceder. Penso que este fato motivou a prisão.

O jornal "Novidades de Vinnytsia" publicou uma nota sobre um lenço com monograma "A.C". Lendo esta nota eu reconheci o lenço do meu esposo e cogito que ele nunca foi enviado para degredo, mas está aqui - entre os assassinados".
                                                                                                                 Vinnytsia, 1° de julho de 1943.

(Este é o "um mundo melhor é possível" do socialismo-comunismo. As pessoas, sob falsas denúncias, eram aprisionadas e mortas sem nenhum motivo. O "mundo melhor" era tão melhor que após entregar à administração do governo todos os bens que possuíam, precisavam remendar suas roupas e  guardar um pouco de prata para obturação de seus dentes. Este "mundo melhor está em expansão  no mundo atual. - O.K.) 

Repressões em Vinnytsia

A 68 anos atrás na província de Vinnytsia, na Ukraina, nos anos 1937-39, os representantes do poder soviético na Ukraina, ocupada por Moscou, efetuaram uma inacreditável, em tempos de paz, ação terrorista contra nação ukrainiana.

Vinnytsia, na época limitava-se com Polônia e Romênia (Durante o domínio da União Soviética houve várias mudanças nas fronteiras dos paises membros - O.K.). Nesta província vivia uma parte dos ex-soldados do Exército da República Nacional da Ukraina e do Exército Ukrainiano de Halychyna. Uma parte da população era constituída de poloneses. A proximidade da fronteira e os relacionamentos familiares e de amizade contribuíam para a suspeição da existência de uma rede de "agentes secretos estrangeiros", "diversionistas" e "inimigos da nação".

Execuções

Para lutar contra todos esses "malfeitores" foi designado Ivan Korabliov - um dos mais experientes funcionários da NKVS. Em abril de 1.938 Korabliov pede para aumentar a quota dos sentenciados (Não se prendiam as pessoas por delitos praticados, prendiam-se para alcançar determinadas quotas. Depois "fabricavam-se" os delitos - O.K.). Em Vinnytsia foram executadas em 1937-38 aproximadamente 20.000 pessoas.


Para obrigar os aprisionados ao reconhecimento de seus "crimes" eram aplicadas torturas. Os interrogatórios realizavam-se no prédio da NKVS..

O "trio", órgão local para efetuar os aprisionamentos e as execuções em Vinnytsia constituía-se de: Secretário do Comitê da Província, dirigente da NKVS da Província e o procurador da Província, que agiam sob o comando geral de Mykola Yezhov. Em 1.938 o "trio" ratificava diariamente centenas de condenações à morte. Os aprisionados eram trazidos ao prédio da NKVS ou à prisão local. As execuções ocorriam logo após os veredictos, quase todos os dias, e na maior parte das vezes no pátio do prédio da NKVS, cercado pelas garagens.. Havia ali também um local para lavar os veículos, o que possibilitava lavar imediatamente os sinais de sangue. Durante os fuzilamentos, incessantemente buzinavam os veículos de carga já preparados para o transporte dos cadáveres.

No entanto, não se exclui que alguns fuzilamentos ocorriam dentro das salas da NKVS porque testemunhas descreveram torturas terríveis durante os interrogatórios. Também o fato de que foram resgatados muitos cadáveres de mulheres completamente nuas, ou somente de camisas (As mulheres ukrainianas , as aldeãs, usavam uma espécie de camisa que ía um pouco abaixo do comprimento da saia para aparecer a barra bordada. Bordavam as mangas e o peito, Também bordavam as camisas masculinas no colarinho, na parte central e nos punhos - O.K.) Evidentemente que muitas foram despidas, violentadas, e depois mortas nas salas do prédio da NKVS.

As vítimas eram enterradas no Parque Horskyi, no cemitério ortodoxo e num pomar frutífero abandonado. O pomar foi cercado com tábuas altas e arame farpado no alto. E, como os outros, e na Ukraina inteira, recebeu o nome de "zona proibida". Como testemunharam os que moravam nas proximidades, à noite vinham pessoas em veículos de carga. Os próprios presos cavavam as sepulturas e eram fuziados no final. As covas tinham 2 a 3 m de profundidade. Os corpos eram jogados desordenadamente e cobertos com cal. Nas sepulturas irmãs havia de 33 a 144 cadáveres. Os parentes eram avisados que os condenados foram para degredo em regiões distantes da URSS, por 10 anos, sem direito à correspondência.

Várias pessoas que moravam ou trabalhavam nas proximidades não desconfiavam do que estava acontecendo. Somente alguns perceberam a realidade analisando as pistas como sangue nas proximidades das entradas aos locais de enterro. Mas, com medo das repressões calavam-se. No parque, sobre duas sepulturas construíram um local para danças e sobre uma outra sepultura criaram "uma sala para risos". E também uma balança. Com o tempo o chão começou a afundar nos locais das sepultuas, então plantaram arbustos.

As Escavações

Os sepultamentos em Vinnytsia permaneceram sem atenção por parte da população até 1941. Assim como em inúmeras cidades da Ukraina. Com o recuo das forças soviéticas, NKVS começou liquidar todos os prisioneiros. Já sob o domínio alemão a população afluiu às prisões com pedidos de apurar as notícias que circulavam com crescente insistência. A princípio Alemanha não se interessou porque não via necessidade psicológica ou ideológica na guerra com a URSS, esperava rápida vitória militar. A situação mudou em 1.943 quando começou sofrer as primeiras derrotas na frente oriental. Então resolveu utilizar esta tragédia para seus propósitos. Começaram as escavações.

Comissão e investigações

Com a autorização alemã iniciaram-se as escavações e investigações dos sepultamentos. Em 15.06.1943 foi criada a primeira comissão que compunha-se de professores, anatomopatológicos, médicos alemães e dois médicos locais. Já no início dos trabalhos de exumação foram convidados médicos legistas de 11 países europeus (Bélgica, Bulgária, Finlândia, França, Itália, Croácia, Holanda, Romênia, Suécia, Eslováquia, Hungria). Também veio uma comissão de 13 médicos legistas de 13 diversas universidades alemãs. As duas comissões procederam às investigações em separado mas os resultados obtidos, na maioria dos casos, chegaram às mesmas conclusões quanto aos fatos médicos e condições de execução.

Exumação e reconhecimento dos corpos

Os corpos encontravam-se sob espessas camadas de terra, geralmente entrelaçados, algumas vezes prejudicados com a cal e outros processos químicos. Alguns evidenciavam processos de torturas - ausência de dentes, ossos quebrados. Outros possuíam terra dentro dos pulmões e estômago, o que significa que foram enterrados ainda vivos. A roupa encontrada nas sepulturas foi exposta para que se pudesse proceder à sua identificação. Afluíam pessoas de toda província, principalmente mulheres. Pela roupa, 468 mulheres identificaram seus maridos e 202 vítimas foram identificadas pelos documentos.

Foram exumados 9.439 corpos de 95 sepulturas. A maioria apresentava sinais de arma de fogo, na região da cabeça. Alguns apresentavam vários ferimentos, outros, traumas relevantes no crânio que causaram a morte. Os cadáveres masculinos tinham as mãos amarradas nas costas, alguns também as pernas.

Foram encontrados 169 cadáveres femininos, dos quais 49 estavam despidos. Alguns cadáveres estavam tão danificados que não se pôde estabelecer sua idade, porém a maioria masculina localizava-se entre 30 e 40 anos.

Muitos cadáveres tinham consigo seus objetos pessoais. Encontraram-se documentos, anotações, alguns livros. Das primeiras 500 vítimas - 212 eram aldeões, 62 trabalhadores, 51 funcionários, 26 profissionais, 16 militares e 4 padres. Aos 109 restantes não foi possível estabelecer a atividade profissional.

Propaganda alemã

A propaganda alemã aproveitava ativamente os dados da comissão internacional contra a União Soviética. Fotografias e notícias sobre fuzilamentos apareciam em muitas edições européias. Os dirigentes alemães esperavam culpar os russos e também os judeus pela tragédia, inflamar a inimizade entre os povos da Ukraina e desta maneira aumentar a quantidade de voluntários nas unidades do exército.

Como as repressões em Vinnytsia repercutiram em toda Europa, a reação da União Soviética foi negar sua autoria, atribuindo-a aos alemães. Quando os russos voltaram para Vinnytsia em 1944, mudaram até o nome do monumento às próprias vítimas para "monumento às vítimas do facismo" e represaram todos que participaram nas investigações alemãs, ou apenas difindiam as notícias.

Pesquisa: Internet
Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: A.Oliynik

sábado, 2 de abril de 2011

BABYN YAR - Resgatando a história

"Dzerkalo Tyzhnia, nº 38, 29.09.2001

Ster Yelisavetskyi
Monumento às vitimas de Babyn Yar

BABYN YAR [1]

O que é a tragédia do Babyn Yar? Como é vista no mundo? Como a veem não somente em Kyiv, na Ukraina, mas também na Rússia e Alemanha, USA e Israel?

Em Kyiv, em Babyn Yar, a partir de setembro de 1941, exterminavam os moradores da cidade e prisioneiros de guerra, principalmente. No início eram, na maioria, mulheres, crianças e idosos, homens em menor número. Eles eram fuzilados essencialmente pelo indício étnico, somente porque eram judeus que, de acordo com a teoria racista de Hitler deveriam sofrer total aniquilação.

A propaganda oficial soviética e a historiografia silenciavam a tragédia judaica e suas principais características em Babyn Yar, no que revela-se a política discriminatória de Stalin em relação aos judeus. Eis como era a primeira mensagem sobre o crime fascista alemão na cidade de Kyiv, assinado pelo membro do Politburo CC PCUS(b), (Comitê Central - Partido Comunista da União Soviética bolchevique) Mykola Shvernyk, enviado para o responsável pelos Assuntos Estrangeiros Viacheslav Molotov: "Os bandidos hitleristas cometeram extermínio brutal em massa da população judaica. Eles, através de anúncio convocaram toda a população judaica para comparecer dia 29.09.1941 na esquina das ruas Melnykova com Doktorevskoi, trazendo consigo os documentos, dinheiro e objetos de valor. Os judeus que compareceram foram encaminhados pelos algozes ao Babyn Yar, onde foram despojados de todos os objetos de valor, e depois fuzilados". E como ficou a mensagem após a correção do EDC (Comissariado dos Negócios Estrangeiros): "Os bandidos hitleristas reuniram em 29.09.1941 na esquina das ruas Melnykova com Doktorevskoi milhares de pacíficos cidadãos soviéticos. Os que compareceram, foram conduzidos ao Babyn Yar, foram despojados de todos os valores, depois fuzilados!"

Nos dias 21 e 22.09.1941, ou seja, uma semana antes das ações antijudaicas em massa em Kyiv, começou o terror contra os judeus. Batidas realizavam-se todos os dias. Os policiais alemães paravam os judeus nas ruas, achincalhavam os velhos e doentes, e por qualquer manifestação de desobediência os mesmos eram mortos no local.

Natália Feodociivna Petrenko, ukrainiana de nascimento, lembrava: "Eu moro na rua Tyraspolckyi, 55, próximo de Babyn Yar. Em 22.09.1941, eu via quando os alemães traziam em veículos de carga, pessoas para o Babyn Yar. No dia 22 de setembro eu contei 35 veículos de carga. Eu vi como os alemães retiravam as pessoas dos veículos, despiam, obrigavam deitar no chão, espancavam com cassetetes de borracha, e depois os encaminhavam a outros alemães e, por último, aos que ficavam próximo ao barranco do Babyn Yar, onde estas pessoas eram fuziladas".

Nadia Trokhymivna Horbachova, russa, no interrogatório em 28.11.1943 testemunhou: "22 de setembro eu vi, como durante o transcorrer daquele dia, para o Babyn Yar veio mais de 40 veículos de carga, repletos de população judaica - homens, mulheres e crianças. Algumas mulheres seguravam bebês.



Crianças assasinadas - Vitimas de atos covardes e insanos
 Eu e mais algumas mulheres, discretamente para não sermos vistas pela guarda alemã, fomos até o local onde os veículos estacionavam. Nós vimos que a 15 metros do início de Babyn Yar os alemães obrigavam os judeus a despir-se e ordenavam-lhes que corressem ao longo da ravina, atirando neles com fuzis e metralhadoras. Pessoalmente eu vi como os alemães jogavam os bebês dentro do barranco. Dentro do barranco não havia só os fuzilados, também haviam os feridos e crianças vivas".

Em 25.09.1941 vieram para Kyiv Reichsfúhrer Heirich Himmler e Adolf Eikhman. Em 26.09.1941 houve uma reunião de gabinete militar Sênior, da qual participaram o comandante militar, general Eberhart, um dos postos mais altos da SS, general Ekken, comandante "C" Dr. Rash e comandante Blobel. Pelas explosões do dia 24 de setembro na rua Khrechatyk (principal rua de Kyiv) e ruas adjacentes, decidiram colocar a culpa nos judeus de Kyiv e liquidá-los. A tarefa correspondente recebeu Paulo Blobel. Além de seus  comandados, para auxiliá-lo, enviaram-lhe reforços da Gestapo e voluntários dos renegados, selecionados pelos ocupantes.

Na destruição em massa de judeus de Kyiv, de 29 de setembro a 3 de outubro, participaram 1.200 homicidas.

O advogado militar Shulmeyster Y., em seu livro "Hitlerismo na história dos judeus" escreveu: "A ação para destruir a população judaica foi organizada com instantaneidade fundamental. Babyn Yar foi o local escolhido para o crime - antigo campo de tiro militar com ravinas profundas, e que poderia acomodar centenas de milhares de cadáveres. A aproximação conveniente ao Babyn Yar, devido à proximidade da estação de trem, de mercadorias, Lukianivka, permitia convencer os condenados que não estavam à espera da morte, e sim mudança para uma nova residência".

Em Kyiv, os nazistas nem sequer planejaram a criação de um gueto judaico como em Varsóvia e Lviv, para uma morte lenta, mas inevitável de seus habitantes. A tática do Holocausto em grande parte da Ukraina foi diferente: ela consistia em destruição rápida e total da população judaica, imediatamente após a ocupação.

Zakhar Trubakov, em seu livro de memórias "O Mistério de Babyn Yar" lembrava: "Há a idéia de que todos os judeus de Kyiv foram para o endereço indicado. E de la ao Babyn Yar. Eu não corroboro com essa informação. Eu mesmo não fui, e os outros dissuadia como podia... Pessoas escutavam mas, como acontece frequentemente, não ouviam. Às minhas súplicas elas respondiam que não tinham para onde ir, especialmente aquelas com crianças pequenas. E muitas simplesmente não acreditavam no pior..."

No início da manhã de 29 de setembro de 1.941, às vésperas do Dia do Julgamento (Yom Kipur - é um dos dias mais importantes do judaismo. No calendário hebreu começa no crepúsculo que inicia o décimo dia do mês hebreu de Tishrei, que coincide com Setembro ou Outubro, continuando até o seguinte pôr do sol. - O.K.) os judeus de todos os distritos de Kyiv, cumprindo ordens nazistas, iam, o que parecia um caudal, para o distrito do cemitério de Lukianivka. Próximo dos penhascos de Babyn Yar eles entravam num corredor, criado por duas fileiras nazistas com cães. Os autores da publicação: "Sem a passagem do tempo... Tragédia de Babyn Yar" escrevem: "Com exclamações "Schnell! Shnell!" (Rápido! Rápido"- O.K.), sob gargalhadas "os civilizadores" soltavam os cães, espancavam brutalmente os condenados, conduzindo-os ao lugar onde lhes arancavam as roupas e arrebatavam suas jóias, alimentos e documentos. Completamente despidos, homens, jovens, mulheres, meninas, idosos e crianças, sob a supervisão de guardas, posicionavam-se na beira de uma vala profunda e eram fuzilados pelas metralhadoras.

O vigia do cemitério de Lukianivka, Serheii Ivanovych Lutsenko, que testemunhou o terrível crime, contava: "Durante séculos enterravam mortos em Lukianivka, mas os amaldiçoados fascistas enterraram em uma semana em Babyn Yar, tantos que em três cemitérios não caberia... Da guarita no cemitério dava para ver como despiam as pessoas, colocavam junto do precipício e fuzilavam com metralhadoras. Como pegavam as crianças pelos pezinhos, levantavam e jogavam no barranco."

Os relatos de testemunhas dão uma imagem diversificada da atitude da população local sobre a sorte e fuzilamentos dos judeus de Babyn Yar. Shelia Polichuk (Staroselska, de solteira) junto com a mãe, ginecologista, não saíram de Kyiv antes da ocupação nazista. Elas não foram em 29 de setembro para Babyn Yar, mas foram denunciadas. Foram aprisionadas e levadas para interrogatório com o investigador Ihnatovskyi. Em memórias publicadas por Shelia Polichuk lemos: "Mamãe passou a dar provas que ela era ukrainiana. Ihnatovskyi diz que sobre nós veio declaração, que somos judias. Mamãe apresenta testemunhas. De 5, uma não compareceu, três disseram que mamãe era ukrainiana, mas Tereza, nossa empregada, disse que mamãe era judia. Mamãe objetou que todas empregadas não gostam de suas patroas. O investigador nos segurou mais alguns dias... e, quando não havia ninguém presente, disse: Vão, para que eu não as veja mais. Eu não lhe acreditei, mas você é uma mulher singular, eu decidi deixá- la ir. E já autorizei entregar-lhe os documentos. Eu - não procurrei por vocês dois dias. Vão para o leste". Os testemunhos favoráveis, com suas ações, ajudaram salvar a vida de Shelia Polichuk e sua mãe.

O romance-documento dr Anatolii Kuznietsov "Babyn Yar" traz fragmentos, os quais foram excluídos de versões jornalísticas pelos censores soviéticos, ou primeiramente publicadas em livros, em 1970, em Frankfurt am Main (Frankfurt). Um deles reflete realmente a atitude de parte da população local com o destino dos judeus, que se escondiam dos ocupantes.

Quando menino, o escritor A. Kuznietsov sobreviveu à ocupação nas cercanias de Kyiv e aos 14 anos, após a guerra, anotou tudo o que viu e ouviu sobre Babyn Yar. Ele testemunha: "Eles se escondiam nos subterrâneos, quartos de despejo, cubículos. Uma família russa salvou vizinhos judeus construíndo uma parede no quarto. E lá, no espaço estreito, no escuro, praticamente sem ar, os judeus permaneceram por dois anos. Mas este foi um caso raro porque os que se escondiam, geralmente eram encontrados. E, existiam os interessados em ganhar dinheiro ou uma vaca. Próximo ao bazar Kurenivskyi, por exemplo, vivia Paraskovia Derkach. Ela observava onde se abrigavam os judeus... Eles lhe entregavam o que possuíam. Depois ela comunicava à polícia e exigia prêmio. Geralmente seu marido Vasyl, fornecia o transporte para levar os judeus ao Babyn Yar. Paraskovia com o marido, pelo caminho, arrancava das pessoas as roupas, relógios, dizendo: "Para vocês, já não é mais necessário!..."

As ordens do comando alemão em outubro-novembro de 1941 proclamavam: "Se alguém deixar um judeu entrar para pernoitar ou residir, será imediatamente executado, não somente o responsável, mas toda sua família". "Por cada denunciado judeu, comunista ou funcionário da NKVD - o Comando Alemão paga 1.000 rublos". Mas, a despeito de tais ordens, encontravam-se pessoas que arriscavam suas vidas, e a de seus familiares. Salvavam e escondiam os judeus clandestinos ou partidários não rgistrados. A família do Pe. Oleksii Hlaholiev salvou, nos anos de ocupação alemã, onze judeus. De acordo com dados incompletos, durante a tragédia do Babyn Yar, com auxílio dos moradores locais foram salvos 100 judeus adultos e 40 crianças, filhos de casamentos com outras nacionalidades. A babá ukrainiana, de avançada idade, foi para o fuzilamento de Babyn Yar com três crianças judias.

Após assassinato em massa de judeus de Kyiv, e de outras localidades, que vieram a Kyiv na esperança de aí encontrar abrigo e proteção, a tragédia de Babyn Yar não acabou. Em outubro-novembro de 1941 aqui foram exterminados os pacientes do Hospital Psiquiátrico Pavlov, milhares de combatentes de guerra e comandantes do Exército Vermelho que sofreram derrotas, e vários acampamentos ciganos. Em janeiro de 1.942 aqui trouxeram e fuzilaram aproximadamente 100 marujos da flotilha do Dnipró. Nos últimos dois anos, geralmente todas as terças e sextas traziam pessoas em veículos e fuzilavam. Finalmente traziam pessoas asfixiadas durante o transporte, em "dushohubka"[2], os opositores da "nova ordem" de Hitler. Eram de várias nacionalidades, prisioneiros e clandestinos - homens e mulheres. Babyn Yar transformou-se em grande túmulo-irmão, internacional.

Os autores do anteriormente citado livro "Sem a passagem do tempo", historiadores H.Mihrin, W. Korol, W Kucher escrevem: "Babyn Yar consumia suas vítimas regularmente - 103 semanas consecutivas. Nos primeiros dias os fascistas e seus apaniguados destruíam os judeus - até 160 mil". E, no geral, apesar de dados incompletos, conforme os documentos, Babyn Yar tornou-se túmulo de mais de 220 mil pessoas de várias nacionalidades.

Em agosto-setembro de 1943, com aproximação do exército vermelho, os nazistas tentavam esconder os vestígios de sepulturas em massa. Desenterravam e queimavam suas vítimas mortas. Para isso eles usavam os prisioneiros do Campo Syretskii, em Kyiv. Os prisioneiros eram condenados, mas em 29.09.1943 parte deles conseguiu escapar da caverna onde ficavam fechados a noite. De 326 ficaram vivos somente 18. Três deles foram testemunhas no julgamento de Nuremberg. O mundo tomou conhecimento das atrocidades nazistas em Kyiv, mas, durante muitos anos do pós guerra a União Soviética mantinha silêncio sobre a tragédia de Babyn Yar. Somente em 1959 o escritor Viktor Niekrasov fez um pronunciamento a favor de construir um monumento em Babyn Yar, ao invés de um estádio  ou parque, como se cogitava.

Somente às vésperas do colapso da União Soviética, e, principalmente com a criação de um Estado ucraniano soberano e independente, foram construídos monumentos para perpetuar a memória de dezenas de milhares de vítimas inocentes de Babyn Yar. Mas ainda há muito a ser feito, por exemplo, um Museu do Holocausto da Ukraina "Babyn Yar".

Respondendo à pergunta inicial, o que é a tragédia de Babyn Yar, dizemos: "Esta tragédia da Ukraina, é uma tragédia de toda a humanidade, à qual o nazismo preparava terreno propício para destruição de pessoas indesejáveis".

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[1] Babyn Yar - a palavra "baba" em ukrainiano significa vovó. A palavra também é usada para designar uma mulher, geralmente de mais idade, quando há  o desejo de dar à pessoa um sentido depreciativo.
     Em 1.401, havia na localidade uma taberna cuja proprietária era uma mulher. Ela vendeu as terras e a taberna a um monastério dominicano, mas o lugar permaneceu conhecido como "Babyn Yar" - Barranco da vovó.

[2] "dushohubka" - uma espécie de máquina especialmente equipada, usada pelos fascistas alemães, para asfixiar a pessoa com gás.

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Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: A. Oliynik