terça-feira, 10 de maio de 2011

DIA DA VITÓRIA e REFLEXOS DA RUSSIFICAÇÃO NA UKRAINA

No dia 9 de maio comemora-se 0 "Dia da Vitória", referente ao final da Segunda Grande guerra, cujos vencedores foram Rússia e países aliados.
Este dia era amplamente comemorado na ex-União Soviética. Também é, atualmente, na Federação Russa. Igualmente é comemorado na Ukraina, que era uma das repúblicas soviéticas e deu a esta vitória uma significativa contribuição.
Muitos habitantes da Ukraina são russos, fruto dos movimentos migratórios forçados, efetuados pelo Kremlin. Com o intuito de minimizar a oposição ukrainiana, o governo evacuava a população, às vezes quase totalmente, de determinadas regiões ukrainianas, transferindo-a para Sibéria, Kuban, Extremo Oriente . . .
As aldeias esvaziadas eram povoadas por russos. Assim o governo soviético conseguia vantagem em dobro: minimizava a oposição interna e povoava, com conseqüente desenvolvimento, as regiões distantes e de clima hostil.
Além dos processos migratórios a russificação acontecia através de várias modalidades: obrigatoriedade do ensino no idioma russo, casamentos entre russos e ukrainianos, doutrinação política e cultural, convivência (exército, repartições governamentais, empresas, construtoras, etc.), separação do seu grupo nacional, lingüístico e cultural, privação da conscientização étnica e nacional, submissão à língua russa como língua de relacionamentos e entendimentos.
A rápida expansão política da Moscóvia (primeiro nome da Rússia) Imperial era, e é relacionada com a russificação dos autóctones do Leste Europeu, norte e Ásia Central. Neste processo desapareceram tribos e pequenas nações.
Na Ukraina a russificação começou após o Acordo de Pereiaslav, em 1709. Em 1720 foram proibidas as edições de livros na língua ukrainiana. Em 1734, em ordem secreta, foi determinado introduzir a política de casamentos entre ukrainianos e russos. E assim sucessivamente, a política da russificação alcançava todos os setores de vida da população, inicialmente na parte esquerda do rio Dnipró (Livoberezhna Ukraina), em Kyiv e Slobozhanchena. Após a repressão à insurreição polonesa, também na parte direita do rio Dnipró (Pravoberezhna Ukraina).
A total russificação realizava-se através do governo russo durante a ocupação da Halychyna (lado direito do rio Dnipró), no período da I Guerra Mundial. Com a entrada do exército russo em Halychyna foi anunciado um manifesto no qual se considerava Halychyna como "terra russa desde tempos remotos".
Russificação na União Soviética
Com o afastamento do exército soviético da Halychyna em 1919-1920 houve o renascimento do Estado ukrainiano e, por conseguinte, uma pausa na russificação. Mas, já em 1932-1933, os líderes do governo partidário, que realizavam a ukrainização, foram aprisionados, exilados ou fuzilados. Também foi interrompida a ukrainização em Kuban e outros territórios da RSFSR (República Federativa Social Soviética Russa).
A russificação soviética abrange todo o território ucrainiano - administrativo e étnico, todas as camadas, inclusive os camponeses. E realiza-se com ajuda minuciosa de métodos mais refinados, particularmente nas instituições espirituais. Desenvolve-se com a ajuda dos inúmeros aparatos partidários governamentais e milhões de russos que habitam Ukraina, também com a colaboração da Igreja Ortodoxa Russa.
A russificação, especialmente reforçada nos anos 1940-1950 provocou, nos anos iniciais da década de 1960 um movimento de oposição que abrangeu a inteligência e parte de trabalhadores ukrainianos. Exigia-se o uso da língua ukrainiana em todo o ensino médio e superior e em todas as instituições pré-escolares. Em todas as repartições, empresas, meios de transporte, comércio e aumento de edições de livros, edições universitárias, e também dublagem de filmes em língua ukrainiana. No entanto, tudo o que conseguiram foi o agravamento da repressão. O uso do idioma russo fixou-se em todos os assuntos partidários, governamentais e de cidadania, todos os ramos econômicos, todo ensino superior e técnico-médio, profissional. Somente nas grandes cidades permaneceu o ensino através da língua ukrainiana em algumas escolas, para não mais de 20% de alunos. Como principal agente da russificação permaneceu o exército soviético.
De 1950 a 1960 a porcentagem de alunos em escolas de língua ukrainiana diminuiu em 16,9%; em escolas de língua russa aumentou 13,2%, sendo que os ukrainianos constituíam 76,8% da população, e os russos - 16,9%.
A difusão da língua russa é especialmente característica nas grandes cidades. Os russos, que constituíam 30,2% da população, consideravam o idioma pátrio 45,1% de toda população. Já os ukrainianos, que formavam 63,5% da população consideravam como idioma pátrio 53,1%, mas dominavam bem 32,6% a língua russa e a ukrainiana somente - 9,8%. Então, dos citadinos apenas não dominavam o russo 7,4%, o ukrainiano - 30,6%.
Um dos métodos mais eficazes de russificação é o movimento migratório forçado. Por exemplo: em 1970 na Lituânia, Letônia e Estônia viviam 106.700 ukrainianos (não havia ukrainianos antes de 1945 nestes países), e na RSSU (República Socialista Soviética da Ukraina 22.800 cidadãos dessas três repúblicas. E todos eles somente podiam comunicar-se através da língua russa.
Oponentes ou contrários da russificação, e até seus críticos conhecem repressões administrativas e judiciais: perdem empregos, sofrem aprisionamentos em regime severo, exílios.
A principal meta da russificação é a criação de "única nação soviética" com língua e cultura russa. Como iniciadores e propagandistas da russificação na República Social Soviética da Ukraina colocam-se também os dirigentes partidários, sovietizados, de nacionalidade ukrainiana, que, motivados pela ascensão na carreira, alcançam cargos de chefia, nas hierarquias partidárias governamentais, tornando-se inimigos da própria nação.
Situação atual na Ukraina independente
Piora a situação de publicações em língua ukrainiana: em 1995 elas constituíam 70%; em 2004, somente 28%. A tiragem dos jornais caiu de 50 para 32%. Já os jornais russos na Ukraina, em geral, cresceram de 45 para 59%.
Em 2005 o prefeito de Kharkiv introduziu na cidade a língua regional russa. Alguns partidos políticos ainda lhe deram certo apoio.
Em 16.01.2006 o Gabinete Ministerial deliberou sobre a dublagem de filmes, que progressivamente passariam do idioma russo para o idioma ukrainiano. O Tribunal de Primeira Instância de Kyiv caçou esta deliberação em 17 de outubro. O governo de Yanukovych, Primeiro Ministro na época, não apelou da sentença. Em 10.07.2008 o Superior Tribunal de Justiça caçou a deliberação do Tribunal de Primeira Instância.
Novo ataque a língua ukrainiana aconteceu em setembro de 2008, com apoio do Partido das Regiões (no governo a partir de 2010) e do partido B'iut da ex-Primeira Ministra na época, Yulia Tymoshenko. Pretendiam mudar a lei quanto ao ingresso no serviço público: Pessoa que pretende um cargo no serviço público deve dominar, além do idioma oficial, também o idioma russo. O partido B'iut somente mudou sua posição devido a avalanche de críticas.
O canal de TV "Primeiro Nacional" subordinado ao Gabinete Ministerial parou com as traduções do russo para o ukrainiano.
Desde a posse do atual presidente Viktor Yanukovych, no início de 2010, inúmeras resoluções já foram efetivadas em prejuízo do idioma ukrainiano, nas escolas e Universidades, nas transmissões de rádio e televisão, nas diversas instâncias judiciais. Em Odessa o governador já prepara a documentação para declarar o idioma russo como idioma regional. O Partido das Regiões (Partido do Rei) já prepara a lei básica sobre idiomas, segundo o qual o idioma russo receberá o status regional em todo o território ukrainiano.
Dia da Vitória na Ukraina russificada

No dia de ontem, 8 de maio, o Presidente da Ukraina cumprimentou todos os compatriotas pelo Dia da Vitória. Lembrou que mais de 10 milhões de ukrainianos perderam a vida na Segunda Grande Guerra e que o país está aberto para participar de programas de estabilidade e segurança e pronto para aliar-se às novas iniciativas internacionais de paz.

No dia de hoje, 9 de maio, pela manhã, houve um desfile comemorativo aos 66 anos do final da Segunda Grande Guerra, em Kyiv. A bandeira vermelha, com os símbolos da União Soviética, foice e martelo, abriu o desfile. Atrás vinham os estandartes de quatro frentes ukrainianas. E, somente depois dos estandartes, os guardas do Ministério da Defesa levaram a bandeira nacional ukrainiana. As programações para a tarde compreende m apresentação de canções militares do tempo da guerra, executadas por cantores e corais. À noite, queima de fogos. 




Na cidade de Lviv (cidade ukrainiana menos russificada) houve briga durante a manifestação pelo Dia da Vitória. Os manifestantes do grupo "Svoboda" (Liberdade) avistando um outro grupo com fitas de listas pretas e alaranjadas "Heorhiivska Strichka" entraram em confronto. Esta fita já é difundidida (principalmente pela Rússia) em vários países, como França, USA, China, etc. Na Ukraina ela é usada pelos grupos radicais pró-Rússia e propaga os valores da Grande Guerra Patriótica e vitória da União Soviética. Ela também é um dos elementos, no processo de endeusamento do anteriormente destronado "líder de todas as nações" J. Stalin. Assim se amarram num ente único a pessoa de Stalin, o mito pela grandeza da União Soviética e a continuação das tradições gloriosas do Império russo, bem como a própria idéia no intelecto chauvinista dos russos comuns devidamente orientados. Segundo Oleksiy Haran, historiador e politólogo:
"Eu entendo, quando os veteranos (da II Guerra) apresentam-se com as condecorações soviéticas, e nós devemos nos inclinar perante eles, pelo seu heroísmo (como também perante os heróis do UPA (Exército Insurgente ukrainiano). Mas qual aqui é o sentido da ‘Heorhiivska Strichka’? Isto é, justamente, a típica política tecnológica de Putin".
A briga que aconteceu não trouxe conseqüências trágicas, porém os ânimos estão bastante exaltados, e por essa razão as grandes aglomerações já estavam proibidas pela justiça.
Em virtude da proibição judicial a organização da Criméia "Ruskoe edynstvo" (Unidade russa) cancelou sua participação na cidade de Lviv. Eles planejavam desfilar carregando uma bandeira vermelha da União Soviética, de 15m, pela ruas de Lviv.
Os comunistas de Luhansk saíram para passeata carregando retratos de Stalin. Um retrato foi colocado em lugar apropriado para pessoas serem fotografadas. Na parte inferior do retrato escreveram: Não precisa pensar - conosco aquele, que resolverá tudo por nós!"
A citação é de uma canção de Volodymyr Vessotskui e foi dedicada à ocupação da Ukraina pelo exército nazista, e, quem deveria resolver tudo pelos soldados alemães era Adolf Hitler. (Esse povo precisa estudar um pouquinho de história! OK).


Em Donetsk (região do Presidente e grande parte de deputados oligarcas) pisotearam a bandeira do UPA (exército insurgente ukrainiano) e OUN (Organização Nacionalista Ukrainiana) que lutaram pela independência da Ukraina durante a II Grande Guerra e depois.
Em Lviv, na praça em frente ao Conselho Municipal, trouxeram e queimaram bandeiras vermelhas.
Em Ternopil, comunistas e representantes da "Unidade russa" vieram com bandeiras soviéticas, mas após a comemoração oficial e, apesar dos pedidos de deputados locais e algumas interferências do grupo "Svoboda" (Liberdade) conseguiram depositar flores no memorial.
Em Lviv a milícia bateu nos representantes do grupo "Svoboda". Vários foram hospitalizados. Havia uma proibição para exposição de bandeiras soviéticas, não foi respeitada. Segundo Oleh Pankevych, presidente do Conselho da Província de Lviv o "desentendimento" entre o governo e representantes de forças políticas locais foi intencional.
Foram muitos os acontecimentos revanchistas no dia de hoje, na Ukraina, que os jornais publicaram. São todos parecidos. De um lado os comunistas declarados e enrustidos que sentem saudades de um governo ladrão, escravocrata e assassino, mas que fecha os olhos quando seus seguidores enveredam pelo mesmo caminho, o que lhes dá a possibilidade de um certo conforto econômico sem muito esforço. É a podridão da nação, parcela mais numerosa em muitas nações. Do outro lado os nacionalistas, geralmente jovens, cheios de ideal, que trabalham e se esforçam para tornar o seu país melhor para si e seus filhos, mas que não conseguem suportar em silêncio o endeusamento do carrasco que ceifou milhares e milhares de vidas, entre as quais as vidas de seus pais e avós, e condenou a eles e a seus filhos a viver num país que, apesar de muitas riquezas naturais não consegue sair da miséria provocada pelas figuras endeusadas e seus seguidores.

Pesquisa: Internet, em 09.05.2011
Compilação e tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: A.Oliynik (imagens da Internet)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

ESTADO RICO, COMUNIDADE POBRE

Tyzhdyn (Semana) - Edição de 20.04.2011

Por Oleksandr Kramar


Exatamente assim pode-se caracterizar o modelo que hoje reina na Rússia o qual, infelizmente, nos últimos tempos é introduzido pelo governo atual também na Ukraina.

Desempregado dormindo ao relento
  Segundo os dados do anuário Quality of Life Index, publicados pelo jornal irlandês International Living, a posição quanto a qualidade de vida, no âmbito mundial, Ukraina, no transcorrer do ano, de 68° lugar passou para o 73°, colocando-se ao lado de Namíbia (72°, Botswana (74°) e Trinidad Tobago (75°). O curioso é que a Rússia, tendo um potencial muito maior, não ocupa lugar de destaque.

Oligarquia x militarização

Bilhões, auferidos pelos cidadãos russos, não podem ser usufruídos por eles porquanto estão concentrados nas mãos de um segmento restrito da oligarquia e do Estado, que tem seus próprios planos para sua aplicação. Eles se acumulam em contas no exterior, investem-se em economia além-fronteira, compram imóveis em lugares da elite no mundo, e mesmo na Rússia. Tudo isso, ao invés de aplicar capitais no desenvolvimento da produção de bens e serviços, tão necessários a grande coletividade russa.

De acordo com as condições na Federação Russa e seu paradigma sócio-econômico de desenvolvimento, investir no setor produtivo não é prático.

O fato que acima de 100 bilhões de superávit Rússia obtém no seu comércio exterior parece se destacar positivamente em relação a Ukraina, mas não evidencia o sucesso do país e sim a sua estagnação de consumo. Esta, por sua vez, é um resultado direto da distribuição desigual da renda nacional recebida: grandes camadas da população simplesmente não têm poder aquisitivo suficiente para adquirir bens potencialmente produzidos para o mercado interno.

Os oligarcas comparticipam apenas com o Estado. No entanto, em circunstâncias autoritárias mesmo aqueles recursos financeiros que ingressam no orçamento, não são gastos no interesse da maioria da sociedade, mas no acúmulo de armamento e no envolvimento do país na seguinte oposição militar com a OTAN. Este é o pagamento do povo russo pelo apoio passivo a ideologia revanchista e ilusória dos dirigentes da grande Rússia.

A estabilidade autoritária da Rússia de Putin estimulou a expansão negativa de emoções de seus cidadãos aquecendo seu ego de pertencer a um grande Estado e à construção da imagem do inimigo. É um caminho conveniente para desviar a atenção dos russos comuns de que eles, realmente não participam da distribuição da riqueza nacional. A ilusão de um rico, forte e estável Estado, serve para distraí-los de sua própria pobreza real.

Medvedev(E) x Putin(D)
São motivos provenientes de política interna que em todos os anos do regime Putin - Medvedev estiveram preponderantes no desenrolar da paródia de uma segunda guerra fria. Participar de um confronto militar e político com a OTAN é completamente contra as perspectivas do ponto de vista do futuro Estado russo e, principalmente da sociedade. Porém, pode além de garantir apoio ao governo e assegurar a imagem do inimigo externo tradicional, em determinado momento enfraquecer as conseqüências negativas do esgotamento progressivo dos recursos petrolíferos.

Digna substituição para eles, na Rússia já procuram em outro ramo, cujo potencial ainda está longe de uso totalmente aproveitado - no complexo militar - industrial. Sim, exatamente a militarização, que está sendo associada com a necessidade de proteção do ambiente da "hostilidade", pode fornecer, em determinado tempo, um segundo fôlego à economia russa e européia. Tanto o regime stalinista, quanto hitlerista, com o auxílio da militarização alcançada nos anos trinta do século passado precederam, comparativamente com os países democráticos, tempos de crescimento econômico.

Não importa que esse crescimento possa ser de curta duração, como foi visto depois que ir para o trabalho em tanques ou alimentar-se com cartuchos não pode ser. Apesar de, a experiência ser muito mais forte Na União Soviética que na Rússia atual, foi demonstrada sua incapacidade econômica para resistir a oponente mais fraco que a atual OTAN. Sobre este assunto falaremos depois.

Instabilidade político-social na Ukraina

Situação diametralmente oposta formava-se na Ukraina até pouco tempo. Mesmo sendo baixo o nível de rendimentos de cidadãos comuns na Ukraina, o tempo de seu crescimento durante os anos 2000-2008 ultrapassava os indicadores correspondentes da Federação Russa, embora a taxa de crescimento do PIB se mostrasse analóga ao país vizinho. As indústrias orientadas para satisfação da procura interna (alimentícia, madeireira, construção de máquinas), desenvolviam-se com maior avanço na Ukraina em relação ao ritmo da Rússia.

Assim, a renda nacional em nosso país "pobre" distribuía-se mais equitativamente que na "rica" Rússia. O motivo consistia no fato que a "instabilidade política" na Ukraina democrática forçava a elite política expandir a orientação social de políticas públicas, para continuar sua vida política. Compromissos que a elite política assumia perante as eleições anteriores, embora não completamente, mas precisava executar. Isto é especialmente visível agora, em vista do baixo coeficiente do desempenho atual "estável" do governo atual ucrainiano.

Em resumo, apesar de a "média" dos indicadores de renda na Rússia, na véspera da crise econômica mundial foi superior a média dos ucrainianos, e nossos trabalhadores dominavam todos os tradicionais lucros para empregados não qualificados em postos de trabalho no país vizinho, o nível de proteção social dos grupos mais vulneráveis da população na "pobre" Ukraina foi maior. Por exemplo, o salário mínimo de 2008 na Rússia foi de apenas 2.300 rublos (460 Hryvniakh - equivalente em moeda ukrainiana), quando na Ukraina era 515 hrn. A pensão mínima na Rússia - 1260 rublos (equivalente a 252 hrn), enquanto na Ukraina - 470 hrn. Para compreender o real valor destes indicadores, precisa lembrar que o custo de vida oficial na Rússia, naquele tempo, para os capacitados ao trabalho era de 4.330 rublos (868 hrn), e para os aposentados - 3.190 rublos (638 hrn).

Revela-se que, "constante instabilidade política" na Ukraina tinha incontestáveis vantagens sociais sobre a pressão autoritária estabelecida pela  "estabilidade russa". Contudo na Ukraina não havia possibilidade de manter o padrão social, como na Rússia, mas havia incentivos para fazê-lo, o qual não há na Rússia, e o mesmo hoje é destruído pelo regime do Yanukovych também na Ukraina - o princípio democrático pelo poder das forças políticas.

Yanukovych, em "mesinha" de quem procura dinheiro?

Victor Yanukovitch - Presidente da Ucrânia
Alguns dias antes das eleições presidenciais, Yanujovych, com originalidade respondeu a pergunta dos "enfadonhos" jornalistas sobre onde ele planeja conseguir dinheiro para realização de todas as suas promessas: "Na mesinha de cabeceira!" Desde então um ano se passou e todo o país pôde observar claramente, em cuja mesinha o presidente procura o dinheiro necessário às pessoas, e também que significância tem o termo "pessoas" para ele.

O fato é que a equipe atual do governo nunca escondeu sua admiração pelo modelo sócio-político e sócio-econômico que emergiu na Rússia nos últimos anos. Ao atual chefe de Estado sempre impressionou a pompa das instituições governamentais e o estilo de vida da elite de Kremlin, as marcas externas do "florescente", "forte" e "estável" país. Impressionavam todos esses  atributos também a uma boa parte da sociedade ukrainiana, que apoiou o atual presidente nas  últimas eleições.

A única diferença, é que ao contrário de Yanukovych e seu círculo íntimo, milhões de adeptos não percebiam, ou não queriam perceber o que se esconde por trás dos bastidores da prosperidade do país vizinho. Eles não entenderam que serão implementados os princípios da divisão da renda nacional, e o seu tamanho, orientado ao extensivo consumo nos recursos do regime, continuará o mesmo.

Como resultado, o dinheiro já está sendo procurado nas "gavetas das mesinhas" pela maioria absoluta do povo ukrainiano. Até o momento, com a utilização de métodos mais ou menos civilizados, como: aumento nos preços com simultâneo congelamento de salários, aumento da idade de aposentadoria, limitação das leis trabalhistas, aumento da carga tributária sobre os cidadãos independentes. No entanto as condições para condução de grandes negócios, especialmente de oligarcas próximos ao governo e também para uma vida elegante aos próximos do poder, já foram criadas. Aqui não há nenhuma surpresa, porque esta é uma seqüência lógica da introdução na Ukraina do modelo sócio-econômico da Rússia "país rico - cidadãos pobres".


Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: A.Oliynik

quarta-feira, 4 de maio de 2011

MENTIRA E LEGITIMIDADE

Grigory Yavlinskyi
Den (Dia), 12.04.2011

Grigory Yavlinskyi
"Este ano é o vigésimo aniversário da Rússia que surgiu após o colapso da União Soviética. A recusa pacífica do sistema totalitário foi uma conquista histórica de escala global. Então havia uma aparente vontade da sociedade para construir uma nova vida, a qual deveria basear-se no respeito à pessoa, princípios democráticos e livre concorrência econômica. Hoje nós compreendemos que esse potencial nunca foi concretizado. As esperanças não se justificaram" - escreveu em um seu artigo em svobodonews.ru Grigory Yavlinskyi. Propomos este artigo à sua atenção, com pequenas reduções.

O atual regime político russo, que surgiu depois de 1991 e formou-se durante última década, não construiu um Estado moderno. Como resultado - continua forte cisão entre o governo e a nação, entre Estado e população, que continuamente se aprofunda e se torna insuperável.

Isto não é falta temporária de confiança, é um problema sistêmico. A alta popularidade das primeiras pessoas - não é indicador de apoio popular. A colossal diferença de confiança a eles e ao restante das instituições do Estado demonstra a extrema inconstância, a fraqueza de toda estrutura estatal russa.

Duas vezes ao longo dos últimos 100 anos ocorria, inesperada e completamente, o colapso do Estado através do esquema - "Havia, havia e de repente não há". Motivo - nem fome, nem guerra ou repressões, mas profunda e no momento da derrocada inseparável cisão entre governo e povo.

O crescimento desta cisão é evidente hoje. Os sociólogos procuram indícios na oposição, o problema - é outro.

A nação russa não causa oposição ao Estado. Tudo é muito pior - se afasta dele. A nação não acredita no Estado. Não se interessa pelo Estado, teme-o, não espera nada de bom dele, considera-o um obstáculo e ameaça. A nação não quer aperfeiçoá-lo, ela foi convencida que em nada influi, e em geral no senso do governo ela não tem nenhum significado.

As pessoas regulam suas vidas fora do Estado. Nação, "que continua" considerando o Estado um estranho, é claro, não lhe é oposição. Em situações críticas para o Estado, como em 1917 e 1991, isto conduz ao seu desaparecimento.

O crescimento, em larga escala, do alcoolismo e toxicomania, o isolamento em um mundo virtual, o crime - tudo são formas de fuga da realidade sem perspectivas. Uma das conseqüências da cisão entre a nação e o governo é a criminalização rápida e profunda do Estado. Segundo o Presidente da Corte Constitucional, Valey Zorkin, a escalada do problema de hoje é tal, que "a questão é saber se a Rússia se preservará nos próximos dez anos".

O belicoso amoralismo e mentira abrangente que planta-se na comunidade, o retorno da propaganda oficial bruta conduziram ao cansaço espiritual da nação, para apatia política e social, "giro de cérebros", e disposição para emigração.

Os levantamentos junto à juventude russa mostram que 45% dos concluintes dos cursos superiores não excluem a possibilidade de sair do país, e de 18% a 24% - tem posições bem determinadas para sair do país. Estão decididos para sair 30% dos empresários. A saída em massa de cientistas talentosos, especialmente os jovens, para trabalhar no estrangeiro, compromete o potencial da ciência russa. O principal motivo para emigração - não são os baixos salários, mas a incapacidade de viver com dignidade. Para 79% dos potenciais emigrantes o motivo é o desejo de viver sob as regras da lei e direitos humanos.  E para 69% - possibilidade de evitar as arbitrariedades do governo.

Tais sentimentos das pessoas tornaram-se novamente parte importante da consciência de massa e são manifestações vivas de uma ruptura final. São prenúncios de reação para reformas de choque injustas, desconhecimento completo dos interesses e perspectivas das pessoas, de seus direitos, dos roubos dos governantes transformados em política oficial, cruel "protecionismo da lei" e arbitrariedade.

Essa ruptura não pode ser eliminada de uma só vez, mesmo com uma eleição relativamente honesta, ou supressão súbita de censura. Tempo perdido.

Com o auxílio das eleições, os problemas somente podem ser resolvidos quando os princípios básicos e objetivos da vida da nação e do país são consensuais e é necessário escolher, como essas obrigações comuns de toda nação é melhor realizar e por quem.

Se a sociedade está fraturada, desmoralizada e humilhada, a eleição, mesmo relativamente honesta, não dá nada de bom. Os exemplos são muitos. Na Rússia o debate político, deliberadamente, foi colocado em nível baixíssimo. Os falsos apresentadores de programas político-sociais, que hoje estão presentes nos canais federais comportam-se no estilo de briga numa cozinha comunal, cada um gritando mais que o outro. ["O tipo mais comum de espaço para morar nas cidades soviéticas eram os apartamentos comunais (komunalkas). Um único apartamento era ocupado por várias famílias, que dividiam a cozinha, um lavabo e um banheiro, se tivessem sorte" (Orlando Figes em "Sussurros" - A Vida Privada na Rússia de Stalin, Rio de Janeiro, ano 2000, pág. 220 - O.K.]. A essência dos problemas é a castração, redução da oposição a um simples ponto de vista polarizado. A internet é uma alternativa em alguns assuntos, mas não em profundidade e estilo de "discussão". Eleições sob tais condições convertem-se em corridas de populistas e garganteadores.

Na Rússia de hoje não há condições para um debate genuíno com base nos programas partidários. Atualmente, apenas são possíveis discussões de pessoas isoladas, representantes de concepções de diversas tendências, profundidade e qualidade, entre as quais - nacionalismo, "conservadorismo esclarecido", ideologia nacional-bolchevique, stalinismo que abertamente segue a liderança do PCRF (Partido Comunista da Federação Russa), pseudoliberalismo radical do tipo bolchevique.

Reflexões e ulteriores estímulos desse caos na consciência da população tornaram aceita pela suprema autoridade a decisão sobre o simbólico estatal - a absoluta águia com duas cabeças coroadas, o hino de Stalin com velhas - novas palavras e "supostamente democrática", mercantil bandeira tricolor.

Aqueles que aprovavam estas decisões, provavelmente pensam que este conjunto de símbolos é um chamariz para união de todos ou, pelo menos, satisfação: uma vez que tanto o imperialista estatal, quanto o comunista e o democrata encontrarão aí algo do seu gosto. No entanto, a identidade nacional do Estado e a consciência nacional - não é como um quebra-cabeça para coletá-lo mecanicamente. Em um país com ausência da sensação de identidade, dilacerada e dividida consciência não se pode fazer nada - nem modernização, nem inovações, nem nada útil.

Com o povo traído e corrompida sua elite, somente podemos esperar pelo colapso final.

MENTIRA - FUNDAMENTO DO PAÍS

O principal problema político do nosso país não é o nível e a qualidade da democracia ou a proteção dos direitos e liberdades dos cidadãos, como geralmente se acredita, mas a ilimitada e total mentira como fundamento do Estado e política estatal.

E o motivo aqui não é simplesmente em qualidades pessoais das primeiras pessoas - Yeltsin, Putin ou Medvedev: já desde a Revolução Bolchevique de outubro de 1917 o Estado russo é construído na mentira. A mentira tornou-se um elemento indispensável do sistema estatal que tem mais de 93 anos, que é ilegítima e é obrigado a escondê-la em todos os sentidos.

Mentira - elemento orgânico do atual sistema estatal eclético, que deseja preservar sua relação histórica com o regime soviético e o falecido absolutismo com o mundo atual. Isto somente pode ser tentado executar através do caminho da contínua e abrangente mentira.

A raiz desse problema - na catástrofe, mas não geopolítica, e sim nacional. Quase 100 anos - período de vida de várias gerações - nós atravessamos baseados em total rompimento entre direitos e leis, desaparecimento da identidade nacional.

A raiz situa-se no fato de que o sistema público atual russo conduz no plano histórico seu início nos trágicos acontecimentos de 1917- 1920 - reviravolta estatal, tomada do poder por um grupo de elementos criminosos e sangrenta guerra civil. A própria negação do reconhecimento deste fato e a tentativa da construção da pretensa Rússia pós-soviética na sensação da continuidade e assimilação da mentira dos anteriores 75 anos, torna impossível, em princípio, o movimento para frente e conduz à degradação da consciência social. É o impasse. Para sair dele somente assegurando absoluta e minimalmente indispensável legitimidade da autoridade estatal, interrompida a quase um século, e sobre esta base restabelecer a lógica do desenvolvimento histórico do país.

Nem o leninismo, nem o nacional bolchevismo de Stalin, nem a democracia formal, não se tornaram suficientemente sérios "esteios" para que o pseudopaís pudesse abandonar seus princípios fundamentais - mentiras e terror, para, pelo menos experimentasse não temer os cidadãos, mas obter seu apoio sem coersão.

O país entrou em um círculo vicioso: não desistindo das mentiras, é impossível implementar ao menos algumas reformas efetivas e a recusa da mentira ameaça o sistema como um todo.

Não resolvendo este problema, permanecendo no terreno da total mentira histórica, Rússia jamais poderá criar um estado funcional moderno, ou uma economia efetivamente concorrente. Tarefa que é preciso resolver - restabelecimento da legitimidade do governo, interrompida há quase um século, e a lógica do desenvolvimento histórico do país.

SISTEMA QUE NÃO SE REFORMA

Nos anos 90 o problema positivo do governo de legitimidade democrática não foi resolvido. A tentativa de reformar o sistema soviético através de alterações, tornar nominal (que nunca funcionou) a Constituição da RSSFR (República Socialista Soviética da Federação Russa) e atuante. E o sistema dos Conselhos combinar com o princípio da separação de poderes terminou com os acontecimentos de setembro-outubro de 1933. (Oposição entre duas forças políticas: Presidente da Rússia, Yeltsin, Conselho de Ministros, Prefeito de Moscou, lideres regionais e parte de deputados do Parlamento contra uma grande quantidade de deputados do Parlamento e deputados locais, Vice-Presidente da Rússia e alguns representantes do legislativo. A crise constitucional terminou com derramamento de sangue, inclusive de alguns civis, no centro de Moscou, em 3-4 de outubro de 1943 - O.K.).

A Constituição de 1993 foi elaborada pela necessidade urgente, não houve discussão pública, e as circunstâncias de um referendo sobre a sua aprovação e contagem de votos obtidos até agora levantam sérias dúvidas sobre a sua aprovação.

A legitimidade do sistema político dos anos 90 estava deteriorada por estas circunstâncias, e também porque a democracia permaneceu como imitação, a qual não coincide com antidemocracia oligarca "recheio" governamental. Para a velha mentira anexou-se nova - mito da inevitabilidade desse caráter de reformas, como que Yeltsin e Haidar, em 1992 salvaram o país da fome.

Nos anos da "maior liberalidade" os membros da família czarista obstinadamente não são reconhecidos como vítimas de repressões políticas, e a estação de metrô "Voykovska" assim chamada em homenagem ao homem que participou do assassinato a sangue frio da família real, que incluía um menino de doze anos e quatro meninas, não mudou seu nome, e muitos materiais de arquivo continuam fechados, comemora-se o "Dia do chequista" e assim por diante. Tudo isso - não são apenas palavras e páginas do calendário, mas uma cadeia de associações, relações lógicas, normas de pensamento que une o sistema atual com seu antecessor soviético. Como resultado conservou-se e até reforçou-se o estilo de vida, no qual a mentira e insinceridade permanecem entre os elementos que formam o sistema. Em política ocorreu e fortaleceu-se a supremacia cínica de "conveniência política", corrupção, eleições guiadas e guerras da mídia.

Quanto mais o tempo passa, o problema mais ponderável que se apresenta é a absoluta contradição e imaginação eclética dos novos governantes russos sobre o legado histórico que reside em sua base. O Estado que arruinou sua reforma econômica, que é responsável pela queda acentuada nos padrões de vida da grande maioria da população, começa flertar com componentes de consciência nacionalista de "Estado" no qual os elementos de czares - imperialistas quimericamente reconciliam-se com soviet - imperialismos.

Não é casualmente que o emblema da nova República Russa compõe-se de águia imperial com duas cabeças coroadas. De acordo com o significado Rússia, no final do século XX - início de XXI é herdeira mítico-idealista da "Rússia, que nós perdemos", Rússia, monarquia absoluta, que naturalmente saiu da cena política, "doce-rosquinha" imagem barata do passado.

Este ideal não se fixou, mas preparou o caminho para outro ideal utópico soviético. A águia imperial "arrastou" para si o canhestro hino soviético, o qual muito combina com esta águia. Aproximadamente, do mesmo modo que os sistemas oligarcas de Putin e Yeltsin.

Além disso, durante os anos noventa o problema não superado da legitimidade da ruptura foi agravado com total reforma de confisco, em larga escala de títulos na privatização especulativa governamental, que envolveu toda população do país, e ilegitimidade de grandes propriedades privadas, distribuídas através de esquemas corruptos por meio dos assim chamados leilões de títulos.

Assim a liberdade de imprensa não chegou, porque sem a mentira como sistema de governo que emergiu após o colapso da União Soviética, ela não pode viver.

Agora, é claro, a nova ordem política, constituída de acordo com a Constituição de 1993 e com base nas reformas dos anos noventa, nos últimos dez anos consolidou-se como governo de nomenclatura do tipo soviético em novos acordos econômicos, algo provincial e caseiro, algo como "capitalismo ou democracia com disciplina florescendo".

Este sistema como é constituído na mentira, medo, corrupção, que com o tempo somente crescem visto que não foi realizada nenhuma das condições de construção do Estado atual.

- A instituição legítima da propriedade privada, que se destina para massas , não foi criada;
- A igualdade dos cidadãos perante a lei é ausente;
- Em vez da justiça e arbitragem - imitação que encobre o domínio do "direitos do forte";
- O poder não é função social, mas sim um instrumento de enriquecimento pessoal e grupal.

Na verdade, ao invés do governo o que temos hoje é um invólucro do sistema com capacidade apenas para imitar as atividades do Estado. A tarefa de assegurar a defesa dos cidadãos, a capacidade defensiva do país, a união do multi-étnico país com vastíssimo território, o desenvolvimento econômico e social em tais circunstâncias não pode ser resolvido em princípio. O principal problema consiste no fato que nestas condições não pode compor-se, funcionar e desenvolver-se por inteiro, viável sociedade russa.

Penso que a situação, que se formou até o ano de 2011, está ameaçando a própria existência da Rússia.

O governo perde até mesmo os restos de legitimidade democrática formal, sistematicamente falsificando as eleições. Pelo maior partido político do governo "Rússia Unida", as pessoas votam não porque apóiam. Mesmo decepcionadas acham que é preciso, querem aproveitar a chance de escolher. No entanto, o comparecimento diminui.

O papel da Constituição reduz-se sistematicamente com grosseiras interferências em seu texto, tais como a abolição das eleições diretas para governadores ou a prorrogação dos prazos dos plenos poderes do presidente e parlamento.

As novas tentativas de substituir o vácuo com messiânicas Estado-imperialistas idéias, ainda que de forma modernizada (Moscou reivindica o papel de centro financeiro mundial) revelam-se sem esperança, e isso é óbvio. Mentira e propaganda permanecem como fator fundamental. O pensamento político congelou no nível do início do século passado. Não há nenhuma condenação do terrorismo estatal, seguidamente fazem-se tentativas para lhe encontrar alguma justificativa. A estrutura de pensamento da política externa dificulta o desenvolvimento de projetos inovadores, como a defesa russo-européia PRO (sistema antimísseis). A maioria da "elite" discutindo este tema, não pensa no futuro, pensa no passado.

A principal causa da situação que ameaça com catástrofe nacional - caráter e particularidade do sistema político - a nomenclatura burocrática que substituiu a elite política e empresarial, que concentrou em únicas mãos o poder e os bens, tende a realizar apenas uma função do governo - a segurança.

Caminho para segurança - não é caminho para estabilidade, é caminho para deterioração ou desestabilização.

Sua fraqueza - ausência de um conceito claro do Estado, compreensão das perspectivas de desenvolvimento do país, e portanto - a capacidade de propor um plano de modernização à sociedade, que mereça sua confiança e interesse.

Politicamente é indiferente, quem será indicado e formalizado presidente: Putin, Medvedev ou um terceiro. O principal, é que o sistema permanecerá inalterado - ilegítimo, política e economicamente ineficaz, vexatório e arbitrário para seus cidadãos. Sistema político russo - uma imitação de um Estado atual, "aldeia de Potemkin" (Mito histórico. Havia assentamentos nas margens do rio Dnieper. Potemkin teria maquiado as casas para que a miséria do povo local não ferisse os olhos da imperatriz em sua viagem para Criméia -O.K.) que compõe-se de pseudo-institutos, procedimentos que constantemente e grosseiramente são falsificados. Na vida da comunidade a credibilidade está ausente, foi substituída com intermináveis "simulacros". Ao invés de diversidade de pensamentos e estilos - tandem; ao invés da modernização - Skolkovo (escola de negócios da Rússia - O.K.), jogos e campeonatos; ao invés do multipartidarismo - projetos tediosos do Kremlin e "rua" aos protestos o que propositalmente priva de novas idéias e substitui o diálogo entre o governo e os cidadãos sobre as questões atuais como liberdades civis, corrupção, arbitrariedade judicial para assuntos menores como administração da guerra das milícias com os protestos de "heróis" profissionais. Como resultado verdadeiro, real é apenas o roubo e ruptura entre o glamour da rica elite da nomenclatura governamental e os privados de direito simples mortais. Então a quem vai agradar?

O triunfo dos simulacros faz a pergunta sobre o futuro do país maximamente fundamentada. O desequilíbrio na política, nas leis, na condição social dos cidadãos, na indústria e infra-estrutura, ao longo do tempo podem levar a conseqüências tais que superem significativamente o abalo de 1991. É absolutamente indispensável uma mudança qualitativa, de princípios, desse sistema.

Historicamente são infrutíferas as tentativas realizadas nas concepções "país de matérias-primas", "democracia soberana" que se fundamentam nas riquezas de seu subsolo e na procura global por recursos. O preponderante e unilateral desenvolvimento econômico das matérias primas, conhecida a partir da recusa em reconhecer a inviolabilidade da propriedade privada, imposto federal com chantagem, ameaça e violência, a incapacidade de resolver problemas de produções atuais modernas, não só dificulta o progresso econômico na Rússia, mas também prejudica o seu futuro. Conservando essas falhas antigas e novas, adquiridas ao longo dos últimos 20 anos, Rússia torna-se economicamente vulnerável, e em termos de capacidade e eficiência do governo - país fraco.

É inteiramente possível a proposição de um programa profissional de reformas econômicas direcionadas para criar uma economia de mercado moderna, diversificada, inovadora e de alta concorrência, que permita, em um período de tempo limitado, fazer da Rússia um dos países economicamente desenvolvidos, decididamente aumentar o nível e qualidade de vida no país, reverter as negativas tendências demográficas.

No entanto, os acontecimentos dos últimos 15 anos tem demonstrado, de forma convincente que, no atual regime político russo, tendo por base sua injusta natureza e falta de controle, a modernização, em princípio é impossível, como também é impossível a criação de verdadeiramente competitiva economia de mercado.

O sistema atual é impossível reformar. Inúmeros programas para sua melhoria, em especial a Estratégia "Rússia 2020" elaborada pelo Instituto de desenvolvimento atual "Estratégia 2012" e alguns outros contêm substanciais considerações táticas, mas estrategicamente nesse sentido somente lembram os esforços para melhorar o mecanismo das unidades de produção agrícola na União Soviética em 1960-1980. É importante compreender que,  em primeiro lugar, as decisões pela metade desempenharão mal ou nem trabalharão, somente criarão comprometimentos contra si próprias, e em segundo, é impossível, chegando à segunda década do século XXI, voltar para o início de 1990 para fazer "segunda tentativa" do desenvolvimento que não ocorreu.

LEGITIMIDADE

Neste tipo de sistema de governo seus líderes não são na verdade legítimos. A legitimidade no governo assegura-se com procedimentos, reconhecimento histórico nacional e reais aquisições. A legitimidade da monarquia russa estava associada com a crença no procedimento da unção do rei. A autoridade soviética, desde o início é completamente ilegítima. Em seguida, parcialmente aceita pela nação, enquanto associava-se com numerosos feitos e alcances de construtivismo pelos cidadãos soviéticos, executados principalmente não graças, mas contrariamente ao sistema, o que impediu o colapso do sistema antecipar-se no tempo.

No sistema atual, na realidade não existem procedimentos legais e pouca construção em seu próprio ativo histórico, que poderia assegurar-lhe o esperado reconhecimento nacional. Como mérito pode-se colocar, talvez que, tendo possibilidade de maior poder destrutivo e repressivo, seus líderes não o usarem. Mas não é o suficiente para, historicamente, justificar o sistema. Este sistema que já por muitos anos não encontrou a plenitude  de sua legitimação histórica, novamente agora exige mudanças fundamentais.

A ilegitimidade do atual governo russo e do seu sistema político autoritário, que imita democracia, realmente significa que ele pode ser examinado não como um significativo interesse do povo e seus representantes, mas como um sistema que protege os interesses políticos e materiais das pessoas dos círculos próximos ao governo.

Entretanto, fundamentalmente falando contra todas as formas de violência, é necessário dialogar com este governo, por exemplo, na forma de mesa redonda, isto é, buscar compromissos e decisões intermediárias.

Mas, a par de tudo isto a meta principal deve ser uma mudança radical do sistema político - criação na Rússia de um Estado de direito, com base em padrões internacionais de direitos humanos, liberdades e justas eleições, independência da justiça e rigorosa observação de direitos de propriedade privada.

O desafio consiste em conseguir tudo isso através de um caminho pacífico e construtivo não humilhando a dignidade de nenhuma pessoa. É necessário fazer todo o possível para resolver a situação, não ultrapassando o limiar da paz civil e realizando um caminho evolutivo. Estratégias e táticas da mesa redonda, composição de seus participantes, e tudo mais relacionado a isso, é assunto para outra conversa.

Mas um dos principais objetivos de tal diálogo -  a aprovação, a nível de lei maior, da reconstituição do Estado russo, destruído com a reviravolta de 1917 e da aceleração da Assembléia Constituinte em 6 de janeiro de 1918, como ponto de referência legal. É indispensável continuar e completar a transformação política, iniciada na primavera de 1917 e interrompida com a reviravolta antiestado.

A Assembléia Constituinte pode ser um evento fundamental na construção do Estado moderno.

Precisamente uma Assembléia Constituinte é capaz de restaurar o verdadeiro Estado russo. O desafio consiste em que, cada cidadão (com exceção dos irrecuperáveis marginas) se sintam envolvidos neste trabalho, quer diretamente quer através de seus representantes - não fictícios, como aqueles que agora se sentam na DUMA (Assembléia Nacional da Rússia) e na Câmara Pública, mas reais e legítimos.

Não há a menor dúvida de que a Assembléia Constituinte de 1917 decidiria exatamente esta tarefa. Reflexões sobre Assembléia Constituinte não é a primeira declaração pública sobre este tema. Mas, exatamente agora é necessário o passo direcionado na proposição para uma discussão ampla e aberta da população sobre estas questões. É importante compreender que: banalização da idéia russa da Assembléia Constituinte do século XXI - é a perda definitiva de chance de desenvolvimento, caminho direto para a estagnação continuada, decadência e finalmente, de uma forma ou outra, desagregação.

Entende-se que a preparação da Assembléia Constituinte será muito complexa e demorada. É indispensável grande compreensão da situação russa, que formou-se neste momento, seu lugar geopolítico no mundo, então a ampla discussão dos problemas do Estado e peculiaridades do sistema econômico russo. Repetir, mecanicamente, a experiência de 1917-1918 é impossível, e tentativas de práticas analógicas, são descabidas. Mas, passar sem um sério e institucional retorno, será possível?

O avanço pacífico para Assembléia Constituinte deve ser um tal processo político que por si mesmo possa legitimar  de fato, em parte o governo russo, mesmo permanecendo nos limites da Constituição atual.

Teoricamente isto é possível, mas para isso, na base da atual Constituição devem ser aprovadas normas democráticas radicais orientadas, assegurando igualdade para todos perante a lei, independência da justiça, limites de poder executivo, separação decisiva dos negócios e governo, liquidação dos irresponsáveis sistemas burocráticos aparentemente estáveis, corrupção e inatividade, estabilidade de aparência, superestruturas da nomenclatura política, desenvolvimento do controle parlamentar e cidadão, suspensão da formação política do "sistema governamental segundo entendimento", formação de curso geopolítico claro, negação completa da política, autoisolamento e sobrevivência do Estado por conta da união do atraso com recursos militares. Em outras palavras, o governo russo deve obter uma reputação de qualidade diferente e criar condições para sua legitimidade no nível de reputação.

Na verdade para isso acontecer no curto prazo, poucos acreditam. No entanto, a rejeição de tal processo aproximará no futuro de modificações radicais e, antes de tudo, destruídoras. Exatamente por isso, e apesar de tudo, devemos trabalhar ativamente na realização de opções não violentas e construtivas.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação: A. Oliynik

sábado, 30 de abril de 2011

MARGINALIZAÇÃO DO PAÍS

Tyzhden (Semana)
Oleksandr Kramar
Fracassa o programa decenal de luta contra a pobreza. A marginalização ameaça várias regiões da Ukraina.
De acordo com dados oficiais, comparando com a situação do ano 2000, o nível de pobreza aumentou em 11 províncias ukrainianas.
As "preocupações" governamentais não minoram a situação, pelo contrário, os problemas crescem.
O principal problema das regiões depressivas é o evidente e especialmente dissimulado desemprego.
Apesar dos recentes e otimistas prognósticos do diretor do Serviço governamental de Ocupação, Volodymyr Haletskyi, quanto à diminuição do desemprego em 2011, de acordo com os registros o desemprego vem aumentando em 0,1% ao mês, e já ultrapassou 0,62 milhões de pessoas (17% a mais que em 2010). Também aumenta o tempo em que a pessoa fica desempregada.
Além disso, agrava-se a estrutura. Se em 2010 os dispensados do trabalho, devido a dificuldades econômicas, de 48,6% em 2009, diminuíram para 43% em 2010, entre os concluintes de estudos, de 11,5% passaram para 13,7% os que não conseguiram colocação.
Algumas regiões apresentam elevado número de candidatos para preenchimento de 10 vagas laborais:
Khmelnytska - 293, Cherkasy - 259, Vinnytsia - 139.
Nas regiões depressivas, mesmo com a saída da crise não houve reação positiva. Houve casos em que o problema continua se agravando. Os governantes tentam apelar, afirmando que o nível de desemprego na Ukraina é menor que em outros países da União Européia. Então por que os nossos desempregados partem para os países da União Européia e lá conseguem trabalho e remuneração satisfatória, até mesmo na ilegalidade?
O desemprego é bem maior que o metodologicamente apurado pelo MOP (Órgão Internacional do Trabalho). É mais crucial nas aldeias, onde as pessoas procuram sobreviver através de trabalhos informais. São pessoas que não possuem recursos, nem conhecimentos para desenvolver atividades de maior porte na criação de animais ou mesmo na agricultura.
A parte leonina da informalidade, em 2010, que era de 4,5 milhões de pessoas, cabe aos aldeões, 2,3 milhões, e aos distritos 700 mil. O restante procura ocupar-se com "trabalhos que aparecem". O trágico da situação é que a maioria do "setor informal" é constituído de jovens de 15 a 24 anos (58,7%).
Outro grupo são pessoas que não conseguiram arranjar emprego e, depois de certo tempo desanimam e param de procurar. São 320 mil indivíduos que não são somados aos desempregados que constituem um grupo de 280 mil.
Assim, os ukrainianos, que apenas com imenso desejo são considerados "empregados", para minimizar o desemprego, contam-se 5,1 milhões. Desta forma são 8,3 milhões de desempregados e não 1,9 milhões como aponta o Órgão Internacional do Trabalho. E, ainda temos 1,32 milhões de pessoas que trabalham apenas parte do dia ou da semana.
Então é um terço da população ukrainiana que não encontra emprego e procura serviço em outros países.
Ukrainianos - mão de obra barata?
Algum tempo atrás, o ministro da política social, Serhiy Tihipko, encaminhou estudos para empregabilidade. Na verdade, estes estudos estão direcionados para auxílio aos empresários que encontram dificuldades em encontrar trabalhadores especializados, já que os salários pagos não são concorrentes em suas regiões.
A possibilidade prevista pelo governo é de transferência de trabalhadores de algumas regiões mais desenvolvidas, o que acarretará novos problemas: elevação nos preços das moradias, congelamento dos salários por haver mão-de-obra em quantidade, custo de vida em geral. E, ainda sugere o ministro, contratos de trabalho temporários, para o caso da necessidade de dispensar o trabalhador (Grande amigo dos trabalhadores este ministro! - O.K.). Por sua própria conta os trabalhadores, ou já procuram serviço no exterior, ou irão procurar.
O que falta nas regiões mais afetadas é investimento que, nestas regiões foi menor em 2010, entre duas a cinco vezes. É preciso despertar o interesse dos investidores estrangeiros para estas regiões, ou desenvolver os pequenos negócios. No entanto, o governo protege os interesses de algumas regiões e grupos orientados para exportação desenvolvendo, ao mesmo tempo, uma verdadeira guerra com pequenos empresários, ignorando o desenvolvimento do comércio interno.
Os investimentos estrangeiros diretos aprofundam as diferenças sendo que 75% deles são direcionados somente a 8 das 27 regiões. (Os investimentos beneficiam a região do Presidente e seus diletos amigos. Vários estão entre os ricos do mundo - O.K.).
Ao invés da preocupação real com o desemprego, o governo prefere não enxergá-lo. E ainda, o Partido das Regiões (amigos do rei - O.K.) propõe importar para Ukraina força trabalhadora do estrangeiro (será da Rússia? - O.K.). "Até o final do ano nós convidaremos de além fronteira pessoas, porque os nossos... não teremos mãos trabalhadoras suficientes. Nem todos hoje querem trabalhar porque acostumaram-se receber boa ajuda estando desempregados. Eles trabalham com pequenos negócios, fazem trabalhos temporários" - declarou o antigo presidente da federação dos sindicatos, hoje deputado pelo Partido das Regiões (partido do presidente) Oleksandr Stoian. Tal "política social" parece completamente direcionada na transformação da maior parte da população na mão-de-obra barata.
Complementando, Ivan Farion, escreve no jornal "Vysokyi Zamok", do dia 12.04.2011, e com base na reportagem da revista Forbes, constata que os 100 (cem) ukrainianos mais ricos possuem bens no total de 50 bilhões de dólares, enquanto o orçamento do Estado ukrainiano constitui apenas um pouco mais de 40 bilhões de dólares.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

quinta-feira, 28 de abril de 2011

223 "PIANISTAS", que desconsideram o Estado.

 Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 21.04.2011

Ivan Krulko

 No dia 19 de abril o Parlamento Ukrainiano aprovou a absurda em seu conteúdo, e antieuropéia em sua essência, a declaração referente ao "Ao 65º aniversário do Processo judicial Internacional aos antigos líderes da Alemanha, do exército Internacional, no Tribunal de Nuremberg".

O objetivo deste trabalho é muito simples - por um lado, continuar a reabilitação dos crimes do regime totalitário comunista, separando-o do regime nazi-fascista. Por outro lado impor mitos sobre os assim chamados colaboradores e cúmplices dos nazistas, lançando sombras sobre OUN ( Organização dos Nacionalistas Ukrainianos) e UPA (Exército Insurgente Ukrainiano) que lutaram tanto contra os nazistas, quanto contra a NKVD (órgão da polícia secreta da Rússia, de 1934 a 1943).

No Parlamento Ukrainiano encontraram-se 233 votos a favor deste documento, dos 450 do total. 

Tais declarações - sucessivo golpe na Integração à Europa
Os representantes do governo fazem juramentos de lealdade à opção européia da Ukraina. E isso é feito, tanto para consumo interno, porque  a integração européia é muito popular entre os eleitores ukrainianos, quanto para o exterior, demonstrando seu compromisso com o curso da integração européia.

A questão é outra quando realiza-se o cenário desejado pelo Kremlin, de atrair a Ukraina para o seu lado.

Mas, mesmo acreditando que o governo realmente deseja a integração com UE, então tais declarações que distinguem o regime soviético do regime nazista são dissonantes não apenas da posição oficial da UE, mas também das organizações, das quais Ukraina faz parte, em particular o Conselho Europeu e OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa).

Na Resolução do Conselho Europeu de Nº 1481, de 26 de janeiro de 2006 sobre a necessidade da condenação internacional dos crimes dos regimes comunistas totalitários, em particular é destacado:

"Sem exceção, todos os regimes totalitários comunistas que governaram na Europa Central e Oriental, no século passado e que ainda permanecem no poder em elguns países do mundo, caracterizam-se por inúmeras violações dos direitos humanos.

Isto foram as execuções individuais ou em massa, morte em campos de concentração, mortes pela fome, deportações, torturas, trabalhos forçados e outras formas de terror físico de massas, perseguições por motivos étnicos ou religiosos, violação da liberdade de consciência, de pensamento e expressão, violação da liberdade de imprensa e ausência de pluralismo político.

Os crimes eram justificados com a teoria da luta de classes e do princípio da ditadura do proletariado. A interpretação destes dois princípios legitimava a "eliminação" de pessoas consideradas como obstáculo na construção de uma nova sociedade e, portanto, inimigos dos regimes totalitários comunistas.

A parcela predominante de vítimas em cada um dos respectivos países foram os seus próprios cidadãos. Especialmente, isto refere-se à população da ex-URSS, onde o número de mortos foi muito maior que o número de vítimas em outros países.

A queda dos regimes comunistas totalitários na Europa Central e Oriental nem sempre foi acompanhada por uma investigação internacional, em seus crimes. Além disso, a comunidade internacional não levou ao tribunal os autores desses crimes, como foi feito com os autores dos horríveis crimes do nazismo.

Além disso a Assembléia apela a todos os partidos comunistas e pós-comunistas nos Estados Membros do Conselho Europeu - se ainda não fizeram isto - dar uma nova avaliação da história do comunismo e do seu próprio passado, e claramente dissociar-se dos crimes totalitários dos regimes comunistas e condená-los de forma inequívoca".

A mesma posição foi tomada pelo Parlamento Europeu, que em 02.04.2009 aprovou a Resolução referente ao citado documento do Conselho Europeu.

De acordo com a posição do Parlamento Europeu: "Europa não terá unidade se ela não conseguir uma idéia geral de sua história, não reconhecer o nazi-fascismo e o stalinismo, os regimes nazistas e stalinistas como herança comum e não organizar uma discussão atenciosa e honesta dos crimes desses regimes no século passado".

Neste contexto vale recordar que, de acordo com a declaração do Parlamento Europeu de 23.09.2008, o dia 23 de agosto foi proclamado Dia Europeu da Memória das Vítimas do Stalinismo e do Nazismo.

Posição semelhante observa-se na Resolução da Assembléia Parlamentar da OSCE, de 29 de junho de 2009.
Assim sendo, a posição comum da Europa Unida é inequívoca - o regime totalitário soviético e o regime totalitário nazista - são irmãos gêmeos. Daí a URSS não é nada diferente da Alemanha nazista.

A isso também é indispensável lembrar o Pacto Molotov-Ribbentrop e as comuns "danças e desfiles", dirigidos pelos soviéticos "osvoboditieli" (libertadores), com os nazistas na véspera da Segunda Guerra Mundial.

Portanto, a pergunta lógica, senhores deputados, de que maneira o Estado pode integrar-se à UE se o seu Parlamento não compartilha com a posição européia quanto ao entendimento comum da história e da condenação dos crimes do periódo totalitário?

Cópia exata conforme padrão de Kremlin, como diagnóstico do atual governo No final do ano passado, em 23 e 24 de novembro, declarações similares em conteúdo e ideologia foram aprovados pela DUMA (Parlamento russo) e do Conselho da Federação Russa.

Certas exclamações e até mesmo frases inteiras das declarações dos nossos vizinhos do norte foram "arrancadas" e incluídas no texto da declaração aprovada pelo Parlamento ukrainiano.

A cópia do original russo demonstra não somente o potencial dos "autores" da declaração, mas confirma mais uma vez que o atual governo diretamente copia todas as decisões elaboradas em Moscou.

Bandeiras vermelhas, como prorrogação da desconsideração da Ukraina
 
No mesmo dia em que foi aprovada esta vergonhosa declaração, o Parlamento incluiu na ordem do dia uma outra questão - um projeto de lei sobre alterações à Lei da Ukraina "Sobre perpetuação da Vitória na Grande Guerra Patriótica de 1941-1945" (quanto a agenda oficial de uso das cópias da Bandeira da Vitória).

Especificamente, este projeto de lei propõe "o uso oficial no Dia da Vitória de cópias da Bandeira da Vitória em edifícios (torres, mastros), juntamente com a bandeira do Estado da Ukraina.

Em outras palavras é que, sem exceção, tudo na Ukraína será  "coberto" com bandeiras vermelhas da União Soviética.

Esta lei está prevista para considerações nesta semana. E, a julgar pelo Parlamento, as chances para sua aprovação são altas.

Com a adoção desta lei, Ukraina contrasta o mundo democrático, glorificando a nível de Estado, o passado totalitário comunista, expondo bandeiras da era de Stalin ao lado das nacionais.

Mais, em todos estes acontecimentos - declarações, projetos de lei, idéias, de organizações extremistas em levar as bandeiras vermelhas na cidade de Lviv no dia 9 de maio observa-se claramente uma ação planejada. A principal meta desse projeto é a continuidade na divisão da Ukraina em oriental e ocidental, separando-a da Europa democrática e o retorno decisivo para a zona de influência do Kremlin.

Embora possa haver mais um objetivo implementado em paralelo. Na situação de pobreza em massa, elevação dos preços nos produtos alimentares e serviços comunais, o governo tentará demonstrar à Ukraina do leste, que realiza deste modo suas nostálgicas expectativas. De acordo com o princípio "não podemos dar o pão, então daremos espetáculo".

Autor: Ivan Krulko, Presidente do Movimento Jovem - Movimento Popular da Ukraina, mestre em direito.
Tradução: Oksana Kowaltschuk


 

quarta-feira, 27 de abril de 2011

DEPUTADOS NA UCRÂNIA

Vejam como votam os parlamentares na Ucrânia. Este é um "grande" exemplo de ética na política e lisura de caráter daqueles que se colocam na "defesa" dos "interesses" do povo. Pobre povo! Pobre nação!

Você não acredita? Então assista mais um pouquinho no vídeo seguinte.

É possível confiar em parlamentares assim?


Dez minutos e trinta e cinco segundos de exemplos de "virtude" e demonstração como se EMPULHA uma nação ! Não importa o sexo!!!


Tyzhden (Semana), 06.04.2011
Roman Malko

Caso de pianistas do Parlamento sob ameaça
O verdadeiro talento não se esvai, não se esconde com a investidura no Parlamento. Quem nasceu para jogar, vai fazer isso sob quaisquer condições.
O presidente dá o sinal. Os reforçados senhores, e as apresentáveis titias, com rapidez de movimentos devem, rapidamente, apertar os "botões", de seus ausentes amigos, e bem, para que o voto seja contado, e a orquestra execute a música previamente determinada.

A um mês atrás, na sessão do Parlamento ukrainiano encontravam-se vários deputados europeus que, admirados e escandalizados, fotografavam e comentavam. Depois do "espetáculo", durante alguns dias houveram planejamentos para introdução de um novo sistema eletrônico para votação. Mas, o novo sistema "Conselho 3" revelou-se primitivo demais para execução de "apreciadas melodias". Então, para que sua introdução?

Mas, como "nada é eterno debaixo do sol", de acordo com inúmeros pedidos de jornalistas e comunidade em geral, milagrosamente o Conselho Superior concordou em publicar, a partir de 06.04.2011, no site oficial, a lista de presença dos deputados.

A lista de presença pode levar ao desconto dos vencimentos. O desconto nos vencimentos pode não assustar já que o vencimento não é único . . .  E também não significa que será preciso ficar sentado o tempo todo na sala somente para apertar o tal botão já que existem outros locais bem mais interessantes. Por exemplo, o bufê, onde, além de degustar algo gostosinho, pode-se tomar um conhaque e, também dar um beliscãozinho no músculo trazeiro de alguma jornalista.

Mas, há ainda a esperança do sistema "Conselho - 3" que foi para revisão, na intenção de ficar esquecido, venha a ser implantado. O presidente do Parlamento, Volodymyr Lytvyn, fragilizado por suspeitas relacionadas com o assassinato do jornalista H. Gongadze, queira reabilitar o seu conceito perante a comunidade e fazer algo de bom destruíndo o "coro" de pianistas no Parlamento, e ao mesmo tempo causar um duro golpe em seus pares, na despedida.

Tradução: Oksana Kowaltschuk