segunda-feira, 3 de agosto de 2026

CORRIGINDO UM ERRO PROPOSITAL

Visando corrigir um "erro" linguístico e propositadamente politico promovido pela Rússia para descaracterizar a identidade da Capital e regiões na Ucrânia, faz-se necessária estas correções.

PORTANTO, CONSIDERE












domingo, 2 de agosto de 2026

HERÓIS NÃO MORREM

Heróis não morrem: Emilio Gaudeda narra uma tragédia silenciosa

·         EMILIO GAUDEDA

 

















Registro histórico das primeiras famílias de imigrantes ucranianos na abertura das colônias rurais do Paraná (Final do século XIX). Foto: Divulgação / Museu do Milênio.

 Nota do Editor:

O texto que trazemos hoje aos leitores do dialeticos.com é um documento de profunda carga dramática e valor histórico. Trata-se de um relato originalmente publicado em ucraniano no Calendário do Agricultor Ucraniano de 1937, organizado por Dmetró Tiahnehore, e posteriormente resgatado e traduzido pelo escritor Emílio Gaudeda em sua obra Heróis não morrem.

A imigração ucraniana no Brasil é frequentemente celebrada pela rica herança cultural, folclórica e religiosa preservada no Paraná. Comunidades expressivas estabeleceram-se na capital, Curitiba, e expandiram-se fortemente pelo interior do estado, concentrando-se em municípios como Mallet, Irati, Guarapuava, União da Vitória, Roncador e, fundamentalmente, Prudentópolis (conhecida como a capital da Ucrânia brasileira), onde colônias rurais históricas como a de Ponte Nova preservam viva essa ancestralidade.

No entanto, os bastidores dessa epopeia guardam memórias de imensurável sofrimento. Ao abandonarem as difíceis condições de sua terra natal, as primeiras levas desembarcaram em um país de clima hostil e foram assentadas em lotes isolados de mata virgem. Sem nenhuma infraestrutura, estradas ou assistência médica, os pioneiros enfrentaram não apenas o desafio hercúleo de abrir clareiras na floresta, mas também o rigor de doenças tropicais, ataques de animais selvagens e a escassez de recursos básicos.

Esta narrativa, contada sob a perspectiva de uma idosa sobrevivente da primeira leva migratória, em um tom sentimental e trágico, humaniza as estatísticas históricas. Ela nos lembra de que a construção das prósperas colônias que hoje admiramos foi erguida sobre o silêncio, o luto e a resiliência de famílias inteiras que repousam em sepulturas esquecidas nos antigos confins da nossa selva.

Boa leitura.

Hatsuo Fukuda, Editor.

A desventura dos primeiros imigrantes no Brasil

TIAHNEHORE, Dmetró

Na casa de um colono no Paraná, deparei-me com uma idosa vovozinha. Em seu semblante, havia sinais de muita tristeza vivida; ela estava sentada, cabisbaixa.

— É sua mãe? — perguntei ao dono da casa.

— Não — respondeu-me ele —, é uma estranha. Está vivendo aqui conosco o que lhe resta da sua vida. Ela é da primeira imigração, e não foram poucas as desgraças por que já passou.

Isso me interessou. Comecei uma conversa com a vovozinha, pedindo que me contasse como foi a vida daqueles tempos desde o início. A velhinha suspirou pesadamente e começou a relatar:

— Vivia eu e meu marido em Haletchená. Tínhamos quatro filhinhos e, às vezes, passávamos por necessidades, donde surgiu a ideia de emigrar para o Brasil. Oh, quão infeliz foi o momento daquela ideia! Vendemos nossa lavoura e começamos a nos arrumar para a partida. Não dormi a noite todinha; despedia-me da minha casinha com lágrimas molhando seu chão, pois foi nele que dei os meus primeiros passos. Saí para o pomar abraçando cada arvorezinha como se crianças foram. "Oh, minha ginjeirinha viçosa, quantas vezes trepava eu em seu tronco para catar suas frutinhas", murmurava e amargamente chorava. Andei até o pocinho de água, despedi-me, no caminho, do salgueirinho verde, tirei um pouquinho de água e pela última vez dela bebi. Ao raiar o dia, partimos para a estação.


Chegamos até o mar e embarcamos no navio. A viagem foi penosa. Adoeci, adoeceram as crianças e, a muito custo, desembarcamos vivos no Brasil. Aqui, de repente, fomos recebidos por um calor abrasador. Sofremos muito até chegarmos às selvas do Paraná, onde nos assentamos, levantando um barraco, e começamos a derrubar a mata e lavorar o solo. Em volta, só floresta, cheia de animais selvagens e cobras. Longe do povo, longe do mundo.

Um dia ouvi gritos. Gritava a minha filhinha mais crescidinha, de 12 anos, a Oksaninha. Saí correndo e ela, branca como a neve, tremia; fora picada na perna por uma cobra. Deus amado! O que fazer, não sei. A perna foi inchando, desespero-me de dó; e, como eu, o meu marido. A queridinha do coração contorcia-se na cama de dor e suplicava: "Paizinho, mãezinha, acudam-me". Sofreu muito e, antes do amanhecer, morreu. De desespero, eu batia a cabeça contra a parede, pensei que ia perder o juízo. Cavamos um buraco perto da casa, sepultamos a nossa querida filhinha e fincamos uma cruz de madeira.

Nem se passaram duas semanas, ouvi gritos não longe de casa. Saímos correndo e vimos um tigre dilacerando o nosso pequeno Vasselko. Meu marido apanhou a espingarda, atirou e matou o tigre, mas o meu Vasselko já estava caído, morto, com a barriguinha dilacerada. Desmaiei ao lado dele, amaldiçoava a minha amarga sina. Enterramos o Vasselko ao lado da Oksaninha.

Ficamos dias sem comer nem beber, sentidos, como que atordoados. Um mês depois, Mekóltsio adoeceu, ficou com febre, mas aqui não havia nem remédios, nem uma alma viva para prestar socorro. Ficava eu sentada a seu lado, molhava-o com água, mas, no quarto dia de manhã, ele nos deixou. Nasceu a terceira cova, aumentando o nosso cemitério e, com ela, a nossa dor.

Ficou ainda a filhinha Maríika, única nossa alegria e consolo, mas a ela também não fora predestinado viver. Certo dia, estávamos perto de casa quando, de repente, saltaram da mata espessa dois selvagens e começaram a atirar contra nós com arco e flecha. Meu marido pegou a espingarda, deu um tiro, e eles fugiram. Corremos para a Maríika; ela estava caída no chão, morrendo, com uma flecha cravada em seu peito. Perdi os sentidos e, quando voltei a mim, a minha filhinha já estava gelada. Nasceu a quarta sepulturinha.

Foram-se os filhinhos, ficamos nós sozinhos. Eu chorava ao lado das sepulturinhas, e o meu marido, Stepan, ficava sentado perto do barraco, apoiando a cabeça nas mãos. Empalideceu, emagreceu a ponto de não ser reconhecido, não comia e, de dia em dia, ia-se acabando, como uma vela se consumindo. Depois que se deitou, não levantou mais. Ficou deitado duas semanas e, uma noite, andou até as criancinhas. Deus amado! O que se passava no meu coração, só Deus sabe. Chorando, cavei mais um buraco e enterrei o meu marido.

E, nesse exato momento, formou-se uma ventania. Veio uma tempestade, bravejava a floresta em centenas de rugidos, como que cantasse o "Vichnaya Pamyat" (Вічная пам'ять), o réquiem aos mortos ali.

Às noites, então, passava eu ao lado das sepulturas, suplicava a Deus que me desse a morte, mas a morte não vinha. Alguns meses depois, consegui chegar até umas casas e assim ando até hoje, estorvando as pessoas, e choro, choro pelo marido e pelos filhinhos.

— Assim foi a amarga sorte dos primeiros imigrantes no Brasil — concluiu a velhinha o seu triste relato, com os olhos cheios de lágrimas.

Fiquei com pena dessa pobre velhinha, que passou por tanta dor e tristeza.

Calendário do agricultor ucraniano para o ano de 1937, p. 60-61.

Tradução: Emílio Gaudeda. 

Emílio Gaudeda é professor, escritor, revisor e um dos mais destacados tradutores da língua ucraniana no Brasil. Com uma sólida carreira acadêmica dedicada às letras, atuou por mais de 30 anos como Revisor de Textos da Imprensa da Universidade Federal do Paraná (UFPR), acumulando profunda experiência na lapidação da prosa e no estudo fonético e transliteral entre os idiomas português e ucraniano.

Membro ativo e intelectual da comunidade eslava no Sul do país, Gaudeda dedica grande parte de sua trajetória ao resgate da memória histórica e cultural dos primeiros imigrantes que se estabeleceram em solo paranaense. Seu trabalho transita de forma única entre a documentação histórica, a crônica colonial e a tradução de grandes nomes da ficção contemporânea do Leste Europeu.

Principais Trabalhos Literários e Traduções:

·         Heróis não morrem – Grandes Obreiros na Comunidade Ucraniano-Brasileira (Editora do Chain): Obra fundamental de resgate étnico e biográfico que documenta a formação e a resiliência das frentes pioneiras ucranianas no Brasil.

·         Ponte Nova de Outrora (Crônicas Coloniais): Uma sensível coletânea de relatos e crônicas que reconstrói o cotidiano, as memórias e a identidade das famílias que desbravaram o interior do Paraná.

·         Lá, onde há vento (Lyubko Deresh / Tradução): Lançado no Brasil pela Editora Rua do Sabão, este trabalho traz pela primeira vez ao leitor brasileiro o romance do renomado autor ucraniano contemporâneo, narrando os dilemas da criação e da identidade em um país sob o impacto da guerra.

·         Pesquisa de campo sobre o sexo ucraniano (Oksana Zabuzhko / Tradução): Tradução cuidadosa de uma das obras literárias mais influentes e provocadoras do Leste Europeu pós-soviético.

·         Ensaios e Estudos Históricos: Coautor em publicações comemorativas ligadas aos 130 anos da imigração ucraniana no Brasil, produzindo ensaios focados nas frentes migratórias que antecederam os registros oficiais do governo.

 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

DIA DA UCRÂNIA - 28 DE JUNHO

 DIA DA CONSTITUIÇÃO DA UCRÂNIA

Em 28 de junho, na Ucrânia é celebrado o feriado nacional – Dia da Constituição da Ucrânia. Neste dia no ano 1996, a Verkhovna Rada (o Parlamento) da Ucrânia aprovou uma nova Lei no país – primeira Сonstituição do Estado moderno ucraniano.

A Constituição aprovada consolidou as bases legais da Ucrânia independente, sua soberania e integridade territorial. O documento levou em conta a experiência histórica do povo ucraniano bem como as melhores tradições mundiais.

Hoje, no dia do 30º aniversário da vigente Lei da Ucrânia, é importante lembrar, que o nosso país tem a história do constitucionalismo muito mais antiga, contribuindo significativamente no desenvolvimento dos processos constitucionais do mundo.

A marca mais distinta foi feita no século ХVIII por Pylyp Órlyk, o Hétman da Ucrânia (Chefe do Estado).

“Os Pactos e Constituições das Leis e Liberdades do Exército de Zaporizhzhia” (1710) são considerados como a primeira Constituição do Estado ucraniano (chamado naquela época Zaporizhzhia – o Estado de Cozakos).

A Constituição do Pylyp Órlyk foi concordante com as tendências do desenvolvimento do então pensamento político europeu (em particular, afirmando a separação entre igreja e governo secular), superando a teoria e prática política européia em alguns aspectos, dando a preferência aos princípios do constitucionalismo em vez da idéia do absolutismo que foi predominante na Europa.

Outra etapa de construção do Estado constitucional foi a adoção, em 29 de abril de 1918, pelo Conselho Central da Lei Fundamental da República Popular da Ucrânia (RPU) chamada “Estatuto do sistema de governo, direitos e liberdade da RPU”, bem como a aprovação, em 13 de novembro daquele ano, da Constituição Provisória da República Oeste Ucraniana. No entanto, os trágicos acontecimentos daquela época impediram a aplicação das disposições destes documentos.

Vale destacar que a Constituição da RPU foi baseada em padrões democráticos que são agora reconhecidos internacionalmente como os princípios fundamentais de construção de estado. O documento fixava a soberania do povo como a principal fonte de poder, a integridade territorial, e os direitos culturais das minorias nacionais.

O papel importante foi atribuído à governação local e ao princípio da separação dos poderes. É importante ressaltar que a Constituição define a igualdade de todos os cidadãos, independentemente da idade, raça, religião e gênero, consolidando os direitos humanos e liberdades fundamentais, abdicando-se de aplicação da pena de morte.

Devido a esta rica herança constitucional, o trabalho sobre a criação da Lei Fundamental do nosso país foi iniciado imediatamente ao proclamar a Declaração da Independência da Ucrânia, em 1991, envolvendo melhores especialistas do mundo e profissionais locais, e tendo como êxito a aprovação da Constituição da Ucrânia pelo Parlamento, em junho de 1996.

A Constituição da Ucrânia de 1996, além de consolidar os princípios fundamentais da democracia, independência, direitos humanos e liberdades fundamentais, determina que a política externa da Ucrânia é destinada a assegurar os seus interesses nacionais e sua segurança, mantendo a cooperação pacífica e mutuamente benéfica com a comunidade internacional com base em princípios e normas do direito internacional universalmente reconhecidos.

A adoção da Lei foi um ponto de partida da nova era na história da Ucrânia, o que garantiu a estabilização da situação sócio-política e sócio-econômica do país.

Lamentavelmente, com a agressão militar da Rússia em 2014, invadindo a Criméia e a partir de 24 de fevereiro de 2022 o Leste da Ucrânia, a data não pode ser comemorada condignamente, mas acredita-se que o dia da vitória final contra os ORCs russos chegará em breve. Não podemos perder as esperanças de uma Ucrânia livre, democrática vivendo em PAZ.

SLAVA UCRAÍNA !

segunda-feira, 22 de junho de 2026

VOLODYMYR ZELENSKY x KAROL NAWROCKI

 ⚠️  Zelensky devolve a mais alta condecoração da Polónia por correio convencional

Zelensky devolve medalha à Polônia após Kyiv homenagear batalhão ucraniano que massacrou poloneses na Segunda Guerra; entenda — Foto: Reprodução: AFP e X

Zelensky e outros oito altos responsáveis ucranianos, incluindo três ex-presidentes, ministros e diplomatas, devolvem as suas condecorações polacas

Uma das mais extraordinárias disputas diplomáticas entre Kyiv e Varsóvia desde o início da invasão em grande escala da Rússia eclodiu em torno da História.

Apenas dez meses após assumir funções, o presidente polaco Karol Nawrocki revogou a Ordem da Águia Branca — a mais alta distinção da Polónia — ao presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

Nawrocki justificou a decisão citando o decreto de Zelensky que homenageou uma unidade militar ucraniana que ostenta o nome dos Heróis da UPA. Para a Polónia, o legado do Exército Insurgente Ucraniano continua profundamente controverso devido aos massacres de civis polacos em Volínia durante a Segunda Guerra Mundial.

Mas a decisão desencadeou uma reação sem precedentes por parte da Ucrânia.

Quando o presidente Volodymyr Zelensky devolveu a Ordem da Águia Branca, num gesto de inequívoco sarcasmo ucraniano, teria enviado a condecoração através da Nova Poshta em vez dos canais diplomáticos. Para milhões de ucranianos, a Nova Poshta é muito mais do que uma empresa privada de entregas. É um símbolo de eficiência e resiliência, ao ponto de muitos ucranianos residentes na Polónia brincarem dizendo que a Nova Poshta funciona melhor na Polónia do que os próprios correios polacos. 

A mensagem era impossível de ignorar.

E ele não estava sozinho.

Até ao momento, o Presidente da Ucrânia e outros oito altos responsáveis ucranianos devolveram as suas condecorações polacas, e outros poderão seguir o mesmo caminho.

Numa extraordinária demonstração de unidade, a lista inclui atualmente:

* O ex-presidente Leonid Kuchma — Ordem da Águia Branca.

* O ex-presidente Viktor Yushchenko — Ordem da Águia Branca.

* O ex-presidente Petro Poroshenko — Ordem da Águia Branca.

* O ministro dos Negócios Estrangeiros Andrii Sybiha — Cruz de Comandante com Estrela da Ordem do Mérito da República da Polónia.

* O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Borys Tarasyuk — Grande Cruz da Ordem do Mérito da República da Polónia.

* O chefe da inteligência militar Kyrylo Budanov — Cruz Dourada de Oficial da Ordem do Mérito da República da Polónia.

* O vice-chefe do Gabinete Presidencial Ihor Zhovkva — Cruz de Cavaleiro da Ordem do Mérito da República da Polónia.

* O embaixador da Ucrânia na Polónia, Vasyl Bodnar — Cruz de Cavaleiro da Ordem do Mérito da República da Polónia.

O presidente Nawrocki, historiador e antigo diretor do Instituto da Memória Nacional da Polónia, declarou que homenagear formações associadas à UPA era incompatível com a manutenção da mais alta distinção polaca.

Mas a controvérsia levanta questões desconfortáveis.

Desde quando um país soberano decide que figuras históricas, unidades militares, organizações ou ruas outro país soberano pode homenagear?

E desde quando uma divergência sobre a memória histórica justifica retirar a mais elevada distinção estatal ao presidente de uma nação vizinha que luta pela sua própria sobrevivência?

A Ucrânia e a Polónia desfrutam provavelmente das relações mais próximas das suas histórias modernas desde o início da invasão em grande escala da Rússia. Milhões de ucranianos encontraram refúgio na Polónia. A Polónia tornou-se um dos mais fortes apoiantes de Kyiv, política, económica e militarmente. O inimigo comum sempre foi claro: a Rússia.

A História importa.

A memória importa.

As vítimas da Volínia merecem memória e respeito.

Mas muitos observadores questionam se abrir um conflito diplomático público sobre disputas históricas, enquanto os ucranianos continuam a morrer todos os dias sob mísseis e drones russos, serve realmente os interesses de qualquer uma das duas nações.

Os meios de propaganda russos não perderam tempo a celebrar a controvérsia. Propagandistas e comentadores russos apresentaram imediatamente o caso como prova de que a unidade entre a Polónia e a Ucrânia está a desmoronar-se. Imagens e manchetes a ridicularizar a disputa espalharam-se rapidamente pelo espaço mediático russo, transformando a controvérsia numa vitória propagandística para Moscovo.

Vários responsáveis ucranianos descreveram o episódio como um presente para Moscovo. Até o primeiro-ministro polaco Donald Tusk advertiu que a Rússia seria a principal beneficiária das tensões entre Varsóvia e Kyiv.

Talvez essa seja a questão mais inquietante de todas.

Porque, enquanto polacos e ucranianos discutem sobre o passado, a Rússia celebra o presente.

E quando o seu adversário abre champanhe por causa das suas querelas, talvez valha a pena perguntar se a batalha que está a ser travada é realmente a certa.

A História deve ser lembrada.

Mas nunca deveria transformar-se numa arma que ajuda aqueles que procuram destruir o futuro.


#amigosdaucrania

segunda-feira, 15 de junho de 2026

CARNICEIRO E PSICOPATA RUSSO EM DESESPERO?

Mosteiro histórico de Kiev em chamas após ataque russo que deixa mortos

Local é considerado Patrimônio Mundial da Unesco desde 1990, em conjunto com a Catedral de Santa Sofia

Victoria Butenko e Rhea Mogul, da CNN14/06/26 às 23:38 | Atualizado 15/06/26 às 04:44

Um proeminente complexo de mosteiros ucranianos no coração de Kiev, na Ucrânia, pegou fogo após um ataque russo em massa durante a noite deste domingo (14). Pelo menos quatro pessoas morreram no incêndio.

“Os russos danificaram a Catedral da Dormição”, disse Tetyana Berezhna, Ministra da Cultura da Ucrânia, em um comunicado. O Metropolita Epifânio de Kiev e de toda a Ucrânia pediu “orações pela salvação do santuário da destruição”. “Outro crime russo contra a humanidade, contra a história, contra o cristianismo”, disse.

O Mosteiro das Cavernas de Kiev tem origens que remontam a quase mil anos e é considerado um patrimônio mundial pela Unesco desde 1990. Em 2023, foi adicionado à lista do Patrimônio Mundial em Perigo “devido à ameaça de destruição que a ofensiva russa representa”.

O ataque russo deixou pelo menos 23 pessoas em toda a cidade, de acordo com o prefeito Vitaliy Klitschko. Um jornalista da CNN em Kiev relatou ter ouvido várias explosões.

Pelo menos quatro pessoas morreram na cidade de Kharkiv, no nordeste do país, após bombardeios russos, segundo Ihor Klymenko, Ministro do Interior da Ucrânia.

O ataque também deixou cerca de 140 mil famílias na parte norte de Kiev sem eletricidade, segundo o prefeito Vitaliy Klitschko.

Ele ocorre depois que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que conversou com o presidente dos EUA, Donald Trump, onde os dois discutiram os esforços para pôr fim à guerra, que Moscou iniciou há mais de quatro anos.

“Todos os ucranianos têm um desejo para o Presidente Trump: que possamos finalmente alcançar a paz e alcançar este sucesso juntamente com os EUA e todos os nossos parceiros”, escreveu Zelensky no X.

Trump também conversou com o presidente russo, Vladimir Putin, no domingo, segundo o Kremlin.

A origem do Mosteiro das Cavernas de Kiev





























Uma vista da Lavra Inferior do complexo do mosteiro da Torre do Sino da Grande Lavra em 22 de novembro de 2023 em Kiev, Ucrânia • Global Images Ukraine via Getty

Fundada no século XI e compreendendo uma complexa rede de igrejas superficiais e subterrâneas, é um importante centro espiritual e cultural para muitos ucranianos e um importante local de peregrinação.

O Mosteiro das Cavernas de Kiev é uma das construções mais altas de Kiev -- sua altura é de 96,5 metros. Foi construído de 1731 a 1745, e o acesso à sua parte superior esteve fechado à visitação durante os últimos 30 anos. 

Na sua listagem, a Unesco descreve o complexo como uma “obra-prima da arte ucraniana”. Ao longo dos séculos, relíquias de santos foram enterradas nas cavernas, segundo a Unesco.

 

Putin, o carniceiro, assassino e psicopata é uma ameaça para a humanidade. Ele, na condição de PSICOPATA, não tem limites, pois é desprovido de qualquer sentimento de humanidade e de dilema moral . NÃO PASSA DE UM ANIMAL IRRACIONAL. 

[Anatoli Oliynik]

LÍNGUA e CULTURAS UCRANIANAS

 

Cultura Ucrânia

Como o ucraniano sobreviveu a décadas de proibições russas

Dmytro Kaniewski

13/06/2026 - 13 de junho de 2026

Há 150 anos, czar Alexandre 2º impôs restrições a língua e cultura. Repressão reforçaria identidade nacional, hoje sob ataque em territórios ocupados pelo Kremlin.

Busto do czar Alexandre II em Bad Ems, na Alemanha, marca história da identidade nacional ucranianaFoto: D. Kaniewski/DW

Estâncias termais já desempenharam papéis importantes na história mundial, como Spa, na Bélgica, ou Bad Ischl, na Áustria. Mas nenhum outro balneário se fixou tão profundamente na consciência nacional ucraniana quanto a cidade de Bad Ems, na Alemanha.

Ali esteve pessoalmente o czar russo Alexandre II como visitante para tratamento e, há 150 anos, em 30 de maio de 1876, assinou o Decreto de Ems. O texto proibiu quase completamente a impressão de livros em ucraniano e a importação de obras nessa língua do exterior, submetendo a cultura ucraniana, em todas as suas formas, a severas restrições.


O decreto foi precedido, em 1863, por uma circular secreta do ministro do Interior Piotr Valuyev, na qual afirmava que uma língua "pequeno-russa" própria, referindo-se ao ucraniano, "não existiu, não existe e não pode existir".

Como se depreende de um documento de uma comissão encarregada pelo czar, as proibições visavam impedir "que se formasse a base para a convicção de que a Ucrânia poderia, mesmo em um futuro distante, separar-se da Rússia".


Michael Moser, professor de estudos eslavos da Universidade de Viena, observa que "em uma época em que numerosas línguas europeias bem-sucedidas estavam sendo padronizadas, em maio de 1876, no belo Bad Ems, fez-se de tudo para impedir o desenvolvimento da língua ucraniana, até mesmo para matá-la".

O historiador alemão e professor emérito da Universidade de Colônia Gerhard Simon descreve a visão da época: "A 'ucranidade' era considerada uma variante da 'russidade' e uma ameaça à unidade estatal e cultural do Império czarista".


Revitalização pela dramaturgia


Na historiografia ucraniana, os primeiros anos após o decreto são chamados de "anos mortos". O influente jornal Kyjiwer Telegraf foi fechado, e muitos intelectuais e profissionais ligados à arte e à cultura tiveram de emigrar para o Ocidente.

Após o assassinato do czar Alexandre II por membros da sociedade revolucionária secreta russa Narodnaya Volya (Vontade do Povo), em 1881, abriu-se uma janela de oportunidade única para os ucranianos no Império Russo.


Enquanto as autoridades em São Petersburgo enfrentavam turbulências, Pawlo Schytezkyj, um conhecido filólogo e etnógrafo ucraniano, conclamou à revitalização da cultura ucraniana por meio do teatro.


Foi exatamente o que fez o dramaturgo Marko Kropyvnytskyi. Poucos meses após o assassinato do czar, ele enfrentou diretamente as autoridades e fundou, na então Yelysavethrad, um dos primeiros teatros profissionais ucranianos, reunindo figuras conhecidas. Hoje, a cidade leva seu sobrenome.

Dramaturgo Marko Kropyvnytskyi fundou dos primeiros teatros profissionais ucranianos após morte do czar Alexandre II Foto: Public Domain/WIKI

 

Embora o Decreto de Ems tenha permanecido formalmente em vigor até 1905, considera-se 27 de outubro de 1882 como a data em que ele perdeu efeito prático. Nesse dia, estreou em Yelysavethrad, sob a direção de Kropyvnytskyi, o drama "Natalka Poltavka", do escritor Ivan Kotliarevsky, com casa cheia. A peça tornou-se um clássico do teatro ucraniano.

"O teatro foi o ramo da cultura ucraniana no século 19 que realmente alcançou todo o povo", afirma Gerhard Simon. "No início, tratava-se de um teatro amador e, por isso, estava enraizado no campo. A partir daí, foi se profissionalizando, mas sempre permaneceu parte da cultura popular. Por isso, as apresentações teatrais, sobretudo as encenações amadoras, são tão importantes para o desenvolvimento da cultura como um todo na Ucrânia."


Naqueles anos, a criatividade floresceu. Surgiram "clássicos de ouro" do drama ucraniano, nos quais temas de assimilação cultural no Império Russo eram tratados com humor. Novos nomes ganharam espaço na literatura, entre eles Lesya Ukrainka, Mykhailo Kotsiubynsky e muitos outros.


Retomada de narrativas czaristas


Paradoxalmente, segundo Gerhard Simon, foram as repressões do regime czarista que se tornaram o verdadeiro "motor da formação da nação ucraniana". Pesquisadores indicam que, após o Decreto de Ems, houve ainda dezenas de tentativas de restringir a língua ucraniana.


Hoje, o governo do presidente russo, Vladimir Putin, volta a difundir antigas narrativas da época dos czares sobre uma "unidade histórica de russos e ucranianos". [Trata-se de um cretino que quer impor uma narrativa absurda. Moscovo nem existiam quando a Rus de Kyiv imperava no mundo. Eles eram escravos dos mongóis. Isso o cretino não fala. - a.o.]


A guerra da Rússia contra a Ucrânia vem acompanhada de um ataque à língua, à cultura e à identidade ucranianas nos territórios ocupados. "O Decreto de Ems não é história. Ainda lutamos para falar ucraniano e ler livros em ucraniano, para que essa cultura não seja destruída", disse à DW a ucraniana Iryna Shmylichowska, de Colônia.


Provavelmente, o czar Alexandre II ficaria surpreso ao saber que hoje até jovens alemães aprendem ucraniano. Um desses estudantes é Jasper Medenwald, que estudou propaganda russa. "É um fracasso anunciado tentar reprimir a Ucrânia e a língua ucraniana, porque ela sempre encontrará um caminho", afirma.

Nos últimos anos, os cursos de ucraniano vêm crescendo na Alemanha. De acordo com o Departamento Federal de Estatística, cerca de 1.250 estudantes cursam atualmente estudos eslavos, incluindo ucraniano.