domingo, 24 de julho de 2011

Em aliados ou semi-cativos - II Parte

Dzerkalo Tyzhnia (Espelho da semana)
Tytiana Selina

União nos pés de gás
Bilhões de dólares, com os quais acenam os russos, na esperança de arrastar Ukraina para UA, na verdade tiraram do teto, dizem os nossos competentes interlocutores dos ministérios e departamentos, os quais participam das discussões sobre as consequências de tal passo para nosso país. Na verdade, nenhuma pesquisa profunda e abrangente e cálculos profissionais, considerando todos os fatores e envolvimento de negócios não houve - nem na Rússia, nem em nossa Ukraina.

Sim, provavelmente, alguns benefícios rápidos, mas de muito curto prazo, Ukraina, ou melhor, seus governantes, com a entrada na UA podem alcançar. Mas, se olhar um pouco mais longe, além das próximas eleições, se pensar um pouco mais sobre o futuro do país, então a adesão a UA - é um beco sem saída. Um colega russo muito acertadamente escreveu: "Três ditadores de papelão, três assustadas pessoinhas criam seu interdito Mini-OMC, na esperança de escapar para sempre da história. UA - último refúgio da mentalidade soviética, tolamente concebido e mal executado".

Como podemos tentar convencer os ukrainianos que a integração com a UE, com países democraticamente desenvolvidos, alcance econômico de até 15 trilhões de dólares e mercado consumidor de 500 milhões de pessoas com alto poder aquisitivo pode ser menos benéfico para Ukraina, que a integração com UA de três autoritários países pós soviéticos e volume de economia dez vezes menor - 1,5 trilhões de dólares e mercado de 170 milhões de consumidores com poder aquisitivo muito menor? A UE existe já a um longo tempo e provou sua viablidade. UA apenas formou-se e seu futuro é muito impreciso. Sim, a UE hoje tem muitos problemas, mas na Rússia, Bielorússia e Cazaquistão eles são incomparavelmente maiores.

A entrada da Ukraina na UA - é conservação do atraso, ineficiência da produção e dependência energética, convencidos estão muitos especialistas ukrainianos e ocidentais.

Altas tarifas de importação para UA significa que Ukraina (no caso da adesão) receberá maior valor de importação e mudanças nos fluxos do comércio regional em favor da Rússia, Bielorússia e Cazaquistão, que poderá levar a desvios comerciais. Considerando que a UE é um importante fornecedor de bens de investimento e bens duráveis, as importações caras da UE resultarão na redução da modernização e obstáculo a longo prazo ao desenvolvimento econômico", escrevem em seu trabalho "Política Comercial da Ukraina: os aspectos estratégicos e medidas necessárias", especialistas do Instituto de Pesquisas Econômicas e Consultas Políticas (IED) e também o Grupo Alemão de Consultas. Está convencido o presidente do IED, Ihor Burakovskyi. "Depois da adesão a UA, não devemos esperar pelo influxo de capital e tecnologias ocidentais", - disse ele em comentário a este jornal. - "E, sem eles a modernização da capacidade de produção ukrainiana é impensável nos costumeiros prazos históricos". Na Rússia, diz o seguro especialista, Ukraina confiar nesta questão não pode.

Durante a crise de 2008 os fundos de estabilização estavam esgotados, portanto, contar com seu dinheiro para nossa modernização não vale". Nos países da UA é baixa a real concorrência, mas elevados os níveis do monopólio, e um nível significativo de protecionismo na UA não pode estimular o crescimento de produção. Os inovadores modelos de desenvolvimento, explica I. Burakovskyi, aparecem em circunstâncias altamente competitivas, como resultado da luta pela sobrevivência. Nos países da UA a competição é dirigida, e o sucesso do negócio depende da proximidade de seu proprietário do governo.

A UE oferece-nos sem precedentes em sua história uma aprofundada e abrangente zona comercial, a UA - por enquanto apenas o comércio de mercadorias e energia barata.

"Em nosso acordo com a UE regularizar-se-ão até os contratos públicos,  - explica V. Piatnytskyi. - Lá também há a seção "Desenvolvimento Sustentável", que se aplica a proteção de questões ambientais e sociais. Atualmente a UA não cobre esse espectro, que é coberto pelo contrato de FTA com UE. No momento não está claro o que acontecerá na UA até com os serviços, para não mencionar outras questões. Eu acho, que para nós é mais importante passarmos pela escola do acordo com UE, e depois disso poderemos fazer uma escolha consciente. Nós nos encontraremos perante uma escolha: ou uma união aduaneira ou outra. A UE tem uma longa existência, UA, "trio" recém-criado, e nós devemos observar, o quanto ele é exitoso. Se a única coisa que o fortalece, é o preço da energia, então, o que será quando as energias baratas terminarem?
 
E, se existirão elas realmente?
O exemplo que vem da Bielorússia, muito significativo neste plano. Sendo membro do Estado - União RB (República da Bielorússia) e FR (Federação Russa), ratificando todos os documentos à UA e UEE a Bielorússia não conseguiu os preços internos da Rússia para o gás.  Além disso, no primeiro trimestre deste ano ela recebeu o gás por preço mais elevado que em 2010 - 223 dólares por 1000 m³. Os benefícios do fato de que a Rússia suprimiu o imposto sobre a exportação do petróleo, pelo que desesperadamente lutou Aleksandr Lukashenko, também são duvidosos. Pois Minsk transfere a taxa de exportação dos produtos petrolíferos, feitos a partir de matérias-primas russas, para o orçamento da FR. Mais que isso, os importadores de petróleo da Bielorússia, a partir de 2011 são obrigados a pagar aos fornecedores russos um prêmio adicional, que em janeiro era de 46 dólares por tonelada, e em fevereiro - 73 dólares. O valor depende do volume do fornecimento. Quanto mais compra menos paga. É óbvio que a Rússia está interessada em vender a maior quantidade possível de ouro negro para Bielorússia onde ele é transformado, e receber o dinheiro em seu orçamento. A essência do projeto sem a tarifa alfandegária no fornecimento do petróleo, consideram os peritos independentes da Bielorússia, é para afastá-la de outras fontes alternativas e maximamente ligá-la energeticamente e geopoliticamente aos fornecimentos russos. Alguns duvidam que, no caso do nosso país será diferente?

Quanto se pode falar e escrever, que a energia barata não é necessária a Ukraina? O ex-ministro da economia, V. Khoroshkovskyi, hoje chefe do SBU (Serviço de Segurança da Ukraina) chamou a energia barata de "crime contra as futuras gerações". O que mudou em oito anos?

Em sua mensagem anual Viktor Yanukovych se queixou de que "o nível de intensidade energética do PIB na Ukraina ultrapassa a média da CEI e quase triplica em países do mundo economicamente desenvolvidos". "Esta é uma das principais causas de nossa dependência das importações de energia em quantidades excessivamente grandes". Mas o que foi feito pelo governo atual no último ano sobre a poupança e eficiência energética? Especialistas gritam em coro: energia barata prolongará a dependência energética do país, não permitirá a realização de reformas na esfera de economia da energia e diversificação de fontes de recursos energéticos, tornará nossa economia menos compétitiva no longo prazo.

Alguns na Ukraina, como antes, ainda sonham com gás no preço interno da Rússia? Mas lá já decidiram, até 2014 equalizar o nível dos preços domésticos e de exportação. Além disso, os apreciadores do gás barato provavelmente terão problemas nos mercados estrangeiros. "Na saída de um ou outro produto, o qual contenha uma parte de energia barata, em terceiros mercados serão quebradas as condições de concorrência - adverte V. Piatnytskyi.

Supondo que os russos podem, em algum momento, reduzir os preços do gás para o nível interno da Rússia. Mas, quanto tempo isso vai durar? E, se a entrada da Ukraina na UA, ela for a única vítima, o que deverá fazer?

Sem a fusão do Naftogaz [7] com Gazprom o monopolista russo não vai reduzir os preços, afirma convicto o diretor de programas de energia do centro "Nomos" Mikhail Gonchar. Segundo o exemplo de Beltrangaz [8] pelo qual Lukashenko queria receber 17 bilhões de dólares, mas teve que contentar-se com 2,5 por 50%, Naftogaz será avaliado por baixo, 5% do valor do Gazprom, prevê o especialista. Depois, por esse valor os russos podem fornecer gás barato a Ukraina por cerca de dois anos a dois e meio. E talvez menos - quem sabe o que mais pode acontecer no mercado mundial?

No entanto, sem a fusão do Naftogaz com o Gazprom, acentua M. Gonchar, contar com o gás barato não dá, mesmo aderindo a UA. Porque o NAC Naftogaz para o monopolista russo  - é a capacidade de manipular os preços internos ukrainianos. É a "chave de ouro" para os ativos da oligarquia ukrainiana. Portanto o gás barato pode sair muito caro não só para Ukraina como país, mas também para seus não mais pobres cidadãos, para os quais, talvez, a soberania não é um grande valor, mas os quais com certeza não querem que alguém grande e forte entre em seus próprios bolsos.
 
Na véspera
Não precisa se enganar. UA e UEE - não é uma união de direitos iguais de seus membros, onde as oportunidades para o desenvolvimento recebem todos. É na UE que os parceiros fortes sempre podem alcançar o equilíbrio com a opinião de muitos países menos influentes. Nem Alemanha, nem França não tem possibilidades de forçar uma decisão, favorável, exclusivamente a eles. No entanto, UA é um projeto geopolítico e geoeconômico da Rússia. Dele 57 votos pertencem à Rússia, para Bielorússia e Cazaquistão - 21 cada (sendo que as decisões aprovam-se com 2/3 de votos). Com base na taxa da única tarifa 92% coube aos direitos de importação russa. Ainda, Rússia recebe direitos aduaneiros de importação 87,97%, Cazaquistão e Bielorússia 7,33% e 4,7%. Contrariando a promessa de entrada conjunta na OMC, Rússia está se preparando sozinha. Continuar expondo os fatos?

Será que ´"só isso" da global e aprofundada zona comercial da UE pode-se trocar por "plenos direitos" de uma tal UA?

UE, novamente intrigado dá de ombros: o assunto é seu, não vamos importuná-los. Mas, mais uma vez, juntamente com a Comissão Européia lembram: Ukraina pode realizar quaisquer acordos comerciais de acordo com suas prioridades econômicas, mas a sua adesão a UA com países que não liberalizaram seu comércio com a UE e em que aplicam-se as tarifas aduaneiras comuns, impedem as negociações com UE sobre a zona de livre comércio.

Oficialmente, hoje, Kyiv diz claramente: cooperação da Ukraina com a UA não contraria o curso de adesão com a UE.

"Já este ano pretendemos, pelo caminho do compromisso, resolver as diferenças nas posições e alcançar a assinatura decisiva de Acordo para associação e criação de zona de livre comércio" - disse o presidente Yanukovych, discursando no pódio do Parlamento.

O Ministério de Negócios Estrangeiros da Ukraina trabalha para levar a todos os nossos parceiros estrangeiros o conteúdo da mensagem do presidente ao Parlamento. Esperamos que nossos parceiros, especialmente a UE, com muita atenção coloquem-se ao par das claramente definidas prioridades", - disse o diretor do departamento de informação política O. Volochyn.
Extraoficialmente, os nossos interlocutores, a partir de seus escritórios de vários órgãos do governo também argumentam: Ukraina assinara o acordo com a UE, e UA continuará sendo seu parceiro. Mas reconhecem: os tempos se tornam cada vez mais complexos, e os russos mais rigorosos. Em dezembro haverá eleições para Duma (Parlameno), em Moscou, e Moscou quer saber. Rússia como parceiro é realmente necessária para nós. Então, em vez da adesão a UA precisamos lhe propor algo "especial", "prioritário" ou mesmo "estratégico".
 
Ideal para Ukraina, dizem nossos interlocutores, especialistas e representantes do governo, poderia ser um acordo sobre a zona de livre comércio entre Ukraina e UA ao invés de três acordos bilaterais com Rússia, Bielorússia e Cazaquistão. Se Rússia concordará com isso - é uma grande questão.
 
Portanto, nas profundezas de algumas instituições foi pensada uma outra opção - a fórmula "3 + 1", mencionada pelo presidente. O que é este "pacote", todos ainda perdem-se em conjeturas. Quão profundamente ela foi trabalhada - outra pergunta. Nossas fontes, da administração presidencial explicam que ela poderá conter acordo comercial setorial livre, zonas de livre exportação, implementação de programas conjuntos para o desenvolvimento da infraestrutura e corredores de trânsito, unificação de tarifas e regras de transporte, modernização conjunta de normas de estado conforme modelo europeu, desenvolvimento e implementação de mecanismos para melhorar a cooperação das autoridades aduaneiras e fiscais, criação de um mercado comum de serviços educacionais e muito mais. Uma descrição mais detalhada do formato "3 + 1" obviamente será apresentada a V. Putin.
 
Sobre o quanto são atraentes as proposições do primeiro-ministro russo, que métodos psicológicos de pressão na liderança ukrainiana aplicará, é possível que nunca saberemos. Hoje só podemos especular sobre que calos doloridos do presidente ukrainiano planeja pisotear e em que cordas finas do Yanukovych Putin pretende tocar. 
 
O quanto está preparado para esta reunião Yanukovych? O quanto está ciente de todos os riscos e o quanto entende as consequências da possível solução de mudar a integração européia para eurasiana?
 
Se está pronto para surpreendente derrota na política externa e radical atitude por parte de líderes mundiais, com os quais era tão agradável e prestigioso se encontrar? É improvável que eles vão querer, no futuro, ver o imprevisível e inconsistente político, incapaz de manter a palavra perante os eleitores ou parceiros estrangeiros. Se está pronto para limitar seu círculo básico de relacionamento internacional a Putin (Medvedev), Nazarbaev e Lukashenko?
 
Se lembra Yanukovych que os sacrifícios, oferecidos por ele em Kharkiv, aos colegas russos, foram por eles devidamente avaliados? Se conhece ele o provérbio "oferecerás um dedo - pegarão a mão", se sente ele que os russos já pretendem o organismo todo?
 
Se tem consciência o presidente, que o país, que apenas iniciou seu crescimento, em um segundo poderá rachar em dois campos irreconciliáveis? E, em vez da não criada República Autônoma Ukrainiana do Leste e Sul, nós poderemos receber a República Ukrainiana Centro-Oeste?
 
Se entende ele que por muito tempo afirmavam aos ukrainianos sobre a integração européia, com orgulho indicavam a reta final para associação com a UE, que finalmente acreditamos no sonho europeu? E, nas circunstâncias, quando não há com o que pagar o aluguel da moradia, e quase nada para alimentar as crianças, a renúncia ao sonho pode tornar-se detonador de uma grande explosão. E aí a vítima sacrificada será absolutamente inútil. Visto que, aquilo para o qual ela foi oferecida - o poder, - simplesmente cairá de suas mãos e alguém outro o levantará.
 
No círculo do presidente, incluindo o mais próximo, há pessoas capazes de compreender e transmitir para o presidente todos esses riscos. Porque eles também correm o risco de perder seu pedaço de poder neste país, seus fluxos e possibilidade de participar da "pulverização" - no caso da perda da soberania ou revolta nacional.
 
No entanto, qual decisão final aprovará Vitor Yanukovych (para o qual o principal inimigo hoje - absoluamente não é Tymoshenko, e a meta principal - conservar o poder), depende de quê poder ele precisa hoje - real, ou ele concorda com desempenhar poder acessório. E quanto é importante como será lembrado pelos descendentes - estadista e reformador ou pequeno vassalo, que privou o país de sua independência.
 
 
 
[7] NAC Naftogaz - Companhia acionária nacional. Oitava parte do PIB e garante a décima parte do orçamento. 175 mil funcionários. Desempenha o ciclo completo de operações no campo de exploração e desenvolvimento, produção e perfuração de poços exploratórios, transporte e armazenamento do petróleo e gás, fornecimento de gás natural e GLP para os consumidores. Mais de 90% do petróleo e gás na Ukraina é produzido por empresas da Companhia.
[8] Beltransgaz - É uma empresa de transporte e infraestrutura de gás natural da Bielorússia. É administrada pelo governo da Bielorússia e pela empresa de gás russa Gazprom, âmbas com 50% das ações. (08.04.2011)
 
 
Tradução - Oksana Kowaltschuk
 

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Em aliados ou semi-cativos? (Primeira Parte)

Dzercalo Tyzhnia (Espelho da Semana), 08.04.2011
Tytiana Selina

Putin vem para Ukraina. Sob o abrigo de Valentina Tereshkova[1]. Mas a visita à exposição no "Arsenal Art" e uma celebração conjunta com os colegas ao "Dia da Cosmonáutica" - não é o objetivo principal de sua visita. A principal tarefa do primeiro-ministro russo - cativar Viktor Yanukovych e conquistá-lo para a "União Aduaneira"(UA) e "Único Espaço Econômico" (UEE).
 
Por que Moscou quer a Ukraina?
"No início de março,o primeiro vice-ministro Igor Shuvalov disse: "Rússia está determinada: criação da "União Aduaneira" e "Único Espaço Econômico" agora para nós é valor básico". A idéia do projeto é a ressuscitação da idéia de oito anos atrás, criar a União da Eurásia - à imagem e semelhanbça da União Européia - seriamente dominou as mentes dos líderes russos. A UA e, em seguida, UEE deve ser uma primeira etapa, seguindo-se outras nos planos da Rússia para restaurar e reforçar globalmentee sua influência no cenário internacional - tanto político, quanto econômico. Rússia sonha novamente se tornar "Grandiosa". Sem o restabelecimento do controle sobre Ukraina, fazer isso é muito difícil. Sem Ukraina a União Eurasiana será deficiente, sem perspectiva e, de fato, não faz sentido. Rússia necessita do mercado ukrainiano e seus ativos, nosso sistema de transportes do gás, nossos minerais, terra, empresas químicas, aviões e indústria de foguetes espaciais, a defesa e a energia nuclear, e também nossos grãos e nossos portos e, absolutamente, não quer concorrência nos mercados globais. A amplamente propagandeada "modernização" da Rússia agora se apresenta para nós com a atualização do antigo princípio "absorva e domine".

E ainda essa irracional saudade da Ukraina...

A muito reconciliados com o colapso da União Soviética, os russos ainda não conseguem "dispensar" Ukraina - nem com intelecto, nem com o coração, nem com a alma. Eles não reconhecem que nós já nos tornamos diferentes, e não querem acreditar que nós vamos para Europa. Sem eles. É desagradável. E perigoso. Para Kremlin e Casa Branca (A deles também tem esta denominação - O.K.) porque em seus gabinetes eles têm excelente compreensão que a integração da Ukraina com a União Européia terá um impacto muito mais grave para Rússia, do que até mesmo nosso país ser membro da OTAN. Para os ideólogos da "Grande Rússia" isto será a perda não apenas geopolítica, mas também geoeconômica. A integração bem sucedida da Ukraina com UE é muito mais perigosa aos governantes de Moscou do que as "revoluções coloridas". [2] Porque neste caso, próximo às fronteiras russas haverá muito mais democracias e princípios transparentes de economia de mercado, com cujos frutos qualquer russo poderá inteirar-se não em Paris, Berlim, Varsóvia ou Vilnus, mas já na próxima Ukraina natal, nas conhecidas cidades de Kyiv, Kharkov, Lviv ou Donetsk...

Em princípio, em Kyiv sempre entenderam que, com calma à eurointegração da Ukraina, Rússia coloca-se até a hora - de acreditar em sua realidade. Bem, agora parecem acreditar. Apesar de todas as dificuldades e peripécias do processo das negociações com a UE, Ukraina aproximou-se da reta final, que precede à composição do acordo com a União Européia sobre a associação. E, para cessá-la Moscou trabalha energicamente, a qualquer preço. A conhecida frase: "não há tal preço que a Rússia não pagaria pela Ukraina" está adquirindo sentido concreto. Especialmente agora a Rússia pode se permitir isso. O surgimento dos planos napoleônicos para os russos sempre coincide com o aumento dos preços do petróleo, ou com as eleições presidenciais. Ukraina tropeçou em uma rara "aptidão": hoje estão evidentes dois propósitos catalisadores de integração instável. Após o colapso de 2008, a dinâmica instável de 2009, no ano passado os preços do petróleo em alta, e os mais recentes acontecimentos no Oriente Médio e Norte da África os empolaram, para a alegria de nossa vizinha do leste. Agora, na verdade, o preço não a detém: em competição Putin com Medvedev pela Ukraina - a garantia da vitória em uma brutal disputa a favor da Rússia.

Na verdade, por enquanto ainda não está claro, como a idéia de uma fechada e conservadora UA concilia-se com as intenções anunciadas em alto e bom som de Medvedev para modernizar a Rússia. Mas, note, o presidente russo, sobre UA e UEE (Bielorússia, Cazaquistão, FR e Ukraina), além de coisas rituais nada diz. Este grandioso projeto - é de Putin. E as promessas de chicote e pão de mel para Ukraina hoje ouvem-se da boca do primeiro-ministro russo e de seus subordinados.
 
Pão de mel na ponta do chicote
Arsenal de "sustos" e "enganos" quase não renovado desde 2003: de ameaças de guerras comerciais - às promessas de energia barata, de histórias sobre indiferença e egoismo da UE aonde a Ukraina "ninguém espera" - à lembrança sobre a unidade eslava e amizade fraternal.
Oito anos atrás nos convenciam a retirar os já assinados, com alguns países, os "inadequados" protocolos sobre adesão à OMC e quase frustraram a assinatura com o mais importante deles - com a UE. Hoje, pela boca do secretário da União Aduaneira Serhei Glazyev nos falam sobre a "desastrosa" experiência da participação da Ukraina na OMC, "discriminatorias e humilhantes" condições da UE no processo de preparação de acordos na zona de livre comércio.
Para UE, revela-se, nosso país convidam "como de matéria-prima de periferia, reservatório de recursos baratos para compras". Sentido econômico de participação em tal FTA (Free trade area, ou zona de livre comércio), de acordo com o pensamento russo, para Ukraina não há nenhum.. I. Shuvalov assegura: Único Espaço Econômico dará para Ukraina muito mais do que a zona de livre comércio com a UE. Mesmo antes da visita de março do vice-premier russo a Kyiv, os economistas já prognosticavam, que a longo prazo, "após a adesão ao Único Espaço Econômico a vantagem geral da Ukraina no balanço comercial pode estar próximo de 5 bilhões de dólares". Mas, quanto mais próxima a visita de Putin, mais generosas são as ofertas.
Dias atrás S. Glazyev prometeu a Ukraina "melhorar os acordos comerciais para 10 bilhões de dólares, o que fechará completamente o déficit na balança de pagamentos". Participou dos "preparativos" à visita de Putin também o "Gasprom"[3]: "Ukraina poderia economizar cerca de 8 bilhões de dólares por ano com o gás, se entrasse para UA - declarou no mesmo dia o vice-presidente da "Gasprom" V. Holubiev.
"Ao invés de ficar batendo com os pés, por anos, na extensa e humilhante fila da UE, - pedimos afavelmente juntar-se a nós", insistem de Moscou, obrigando os ukrainianos assustados ao pensamento: por que diante da UE há tantos candidatos, não obstante inúmeras e rigorosas exigências para associação, e a UA e UEE atraem com promessas extremamente generosas ou enchem de ameaças?
Leiam a imprensa da Bielorússia dos últimos anos: antes da assinatura de Lukashenko de todos os documentos referentes a UA e UEE precediam guerras sobre gás, petróleo, leite. E filmes depreciativos, de guerra, sobre o "pai" Lukashenko no NTV [4]  também já fomos alertados. Putin ameaçou "começar construir a fronteira", para que a Rússia não seja invadida com produtos da Ukraina. E, o encarregado do Gabinete de Ministros, em cooperação da FR e países da CEI [5] e da Comunidade Econômica da Eurásia, Valery Muntian, em entrevista convincente definiu "a parte submersa do iceberg" ao qual Ukraina arrisca-se a um dano no caso de recusa à entrada em UA: "isto é trabalho de serviços especiais, segurança, guerras comerciais, que se realizam intensamente. E quem precisa de uma nova guerra de gás?" Uma boa solução para consolidar  a união fraterna, nada a dizer.
Todos os últimos anos Kyiv utilizava, supunha-se, o argumento correto: Ukraina - membro da OMC, Rússia e Ko - não, nós jogamos pelas regras da organização mundial, vocês - por outras, adiram a OMC, então conversaremos sobre a possibilidade da integraçãoo. Mas em Moscou veem a meta mas não percebem os obstáculos. Nossas fontes disseram que durante a visita a Kyiv de I. Shuvalov, os russos confabularam tanto, que quase diretamente propuseram para Ukraina renunciar a membro da OMC. Como quem diz, desliguem-se, nós lhes compensaremos os prejuízos, e depois em conjunto, em condições mais favoráveis, pelas quais Rússia negociará, entraremos juntos nesta organização comercial.
Publicamente, na semana passada resoou uma proposição um pouco diferente. S. Glazyev declarou, que no caso da adesão da Ukraina à UA, esta poderá ir a uma "certa redução" de direitos de importação para uma série de produtos. Isto é, UA não pretende reduzir seus preços ao nível dos ukrainianos. Então, se o nosso país unir-se ao trio da Rússia, Bielorússia e Cazaquistão, o que elevará as taxas de importação ao dobro, apresentam as pretensões ao país, que sofrerá perdas, devido a mudanças dos termos do comércio, efetuadas pelo nosso país, V. Muntian até citou o montante provável - 1.9 bilhões de dólares. E explicou como os russos poderão compensar Ukraina pelos prejuízos: baixar o preço do gás ao nível do praticado no interior da Rússia, cancelar os direitos de exportação do petróleo, baixar as tarifas do transporte, especialmente os ferroviários. Além disso, "nós esperamos o crescimento da cooperação, o que dará "imenso efeito".
Estes são os "pães de mel" de Moscou que listavam para nós também outras fontes do governo executivo ukrainiano. E ainda - contavam sobre a "extraordinária" preocupação dos visitantes russos com o crescimento impetuoso de preços na Ukraina, as tensões sociais, condições severas do FMI e a necessidade de aumentar a idade da aposentadoria e tarifas comunais. Dizem: "o grupo de vanguarda de Putin" expressava a Viktor Yanukovych e seu comando não somente a grande compaixão, mas também a disposição de lhes oferecer neste momento difícil a poderosa alavanca russa: entrada da Ukraina na UA e os já listados e significativos bônus, que ajudarão estabilizar a economia, para alimentar e acalmar as pessoas e, como consequência, preservar o governo. "Voces precisam de dinheiro para executar a política social? Precisam eliminar a disposição aos protestos com aumento das aposentadorias e dos salários? Então venham!"
E, enquanto o presidente pensa, vamos tentar descobrir, se precisa Ukraina temer as ameaças da Rússia, e se pode se permitir a tentação de seus "pães de mel".
Precisamos andar para trás?
Começaremos pelo fato que a entrada na UA contradiz a Constituição. O que repetidamente foi discutido em vários níveis, desde 2003.
Sobre a saída da Ukraina da OMC pode-se dizer apenas: isto seria uma loucura completa. Portanto, essa proposta a sério ninguém em Kyiv aceita. Claro, isto poderia ser interpretado como brincadeira sem graça, se não fosse expresso pelos russos.  Em todo caso nós fomos buscar o comentário do vice-ministro da economia, chefe da delegação ukrainiana para as negociações com UE sobre FTA, Valeri Piatnytskyi sobre uma hipotética adesão da Ukraina a OMC, mas "em condições mais favoráveis".
"Mais favoráveis - para quem? Para o lado russo? - precisou imediatamente nosso interlocutor. - Se nós sairmos da OMC, o caminho de volta não vai ser simples. Após a conclusão de certos procedimentos que devem ser executados após a entrega do requerimento sobre saída, para Ukraina cessarão as aplicações de regime geral de colaboração dos países - membros da OMC. Sim, temos acordos comerciais e econômicos com diferentes países, mas como regra eles consistem em uma dezena e meia de artigos concordados para comercializar em regime de colaboração máxima, o que significa aplicar as taxas em conformidade. É só. Posteriormente, perante nosso país eles não tem nenhuma obrigação. Agora a pergunta: quem entra para OMC - Rússia ou UA? Atualmente a UA não conduz negociações com a OMC. Negociações realiza o país-Rússia. E eu não descarto a adesão da Rússia a OMC. Podemos presumir, de que modo, para um país à parte, depois "adicionar-se-ão" outros. Uma vez que a UA não entra como território separado, mas um país concreto. Depois disso começamos entrar nós. Primeiro nos dirão os russos: vocês precisam aceitar todos os acordos que aceitamos nós, mudar as taxas, aceitar as quotas. Eles concordaram, por exemplo, carne de porcoo - 200 mil toneladas, e nós aceitamos, eles decidiram sobre aves - um milhão de toneladas, e nós também. Com tudo concordamos. Mas, esses acordos compreendem as necessidades, a demanda da Rússia! E depois vem às negociações outros países e também precisarão aceitar. E confirma-se que Rússia aderiu com sucesso à OMC, o restante dos membros da UA entrarão sem sucesso".
"Mas, também no caso da Ukraina entrar para UA e continuar membro da OMC, surgirão problemas colossais, porque depois da aceitação das tarifas da UA ela precisará realizar novas negociações com todos os membros da Organização, as quais sofrerão perdas. Ukraina terá que satisfazer suas reinvidicações. E o montante poderá ser superior aos 1,9 bilhões de dólares citados por V. Muntian. Representantes de instituições ukrainianas relevantes, que realizaram os cálculos, citaram outros valores - de 4 a 6 bilhões de dólares. As promessas dos russos em compensar nossas perdas já se dissiparam...
Recentemente o governo russo declarou: a integração européia não contradiz aos interesses  da Rússia. Agora Putin ameaça introduzir "fronteiras".
Mas hoje, com o nosso acordo sobre FTA com a Rússia, a fronteira existe: realiza-se o aduaneiro, o veterinário, o radiológico - todas as formas de controle - admira-se V. Piatnytskyi. - Único que não acontece - é a cobrança das taxas.
No caso que os países queiram excluir alguns produtos do regime do livre comércio - eles assinam o protocolo e removem esse ou aquele produto. Mantendo todas as outras  formas sob controle. Se Rússia quer aderir a OMC, ela deve todas as suas regras, normas e exigências, particularmente o controle na fronteira, trazer em conformidade com as exigências desta organização.
Se aumentar o número de exclusões, será ruím, especialmente se os produtos excluídos forem importantes do ponto de vista de nossa exportação para FR. Do outro ponto de vista, dentro dos acordos sobre FTA com UE prevê-se, que dentre todos os produtos, primeiramente os agrários, nós elevaremos o grau de segurança, qualidade dessa produção. E, finalmente, - a sua competitividade. Em seguida isso já será escolha de nossos consumidores europeus ou russos: se querem eles ver produtos de alta e segura qualidade da Ukraina no mercado da UE ou FR?
A tendência mundial está assim: déficit de produção agrária cresce. E, amanhã, por ela, provavelmente irão lutar. Portanto, tenho sérias dúvidas, se vale preocupar-se com a ameaça da Rússia fechar seu mercado para os nossos agricultores.
Ao falar sobre tubos e metal - sim, Rússia usa medidas de proteção. Mas se o parceiro é sério, e quer demonstrar  sua "amizade fraterna", "vontade de ajudar", é muito mais fácil - que retire suas restrições sobre os tubos, o que indicará que suas intenções amigáveis são sérias. Se as restrições a que cada país recorre hoje, forem removidas da UA, isto provará que a referida União está passando por, pelo menos, respeito às regras básicas da OMC. Porque o artigo 24 do GATT [6] prevê para acordos preferenciais - zonas de livre comércio, uniões aduaneiras, que os acordos comerciais com terceiros países não devem deteriorar-se em virtude da criação de uma UA ou FTA. E se os países da UA, como se afirma, vão pelo caminho da observância às regras da OMC, as condições do nosso comércio não devem deteriorar-se".
O que se refere à promessa de vários locutores russos sobre o incrível florescimento do comércio no caso da Ukraina aderir a UA, então o pensamento do representante do Ministério da Economia da Ukraina é: "Com os países dessa UA - Rússia, Bielorússia e Cazaquistão - atuam acordos bilaterias de livre comércio com mínimas exceções. Se passarmos para o regime da UA, as exceções desaparecem, mas isso é pouco em termos de aumento do comércio", disse V. Piatnytskyi.
Para esclarecer melhor, damos alguns números reveladores. De acordo com o Comitê Nacional de Estatística da Bielorússia, em 2010 o volume de negócios ascendeu a 118,9% do observado em 2009. Ukraina, de acordo com os dados da aduana nacional alcançou um volume de negócios com a Rússia de 153,1%, comparando com 1009, o que supera as taxas de crescimento tanto do comércio russo - bielorusso, como russo - cazaque. O volume de negócios aumentou 1,3 vezes. Sublinhamos, conseguir alcançar tal sucesso de negócios Ukraina conseguiu não sendo membro da UA.
[1] Primeira mulher cosmonauta do mundo. Soviética, nascida em 06.03.1937.
[2] Aconteceram nos países do Leste Europeu, no final de 1990 e início de 2000. As de maior destaque clássico foram: "Revolução 
     Laranja" em 2004, na Ukraina, "Revolução das Rosas" em 2003, na Georgia e "Revolução das Tulipas" em 2005, na Quirguisia. Em
     geral visavam a substituição de governo autoritário dirigido pela Rússia, por um governo democrático, sem influências externas.
[3] Gasprom - Maior empresa de energia da Rússia, maior exportadora do gás do mundo. Exporta gás para Europa através de gasodutos
     na Ukraina e Bielorússia.
[4] Canal de TV russo, de notícias.
[5] Os 12 países que pertenciam a ex-União Soviética.
[6] Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio.
Tradução: Oksana Kowaltschuk

quarta-feira, 20 de julho de 2011

CASO LUTSENKO

Ukrainska Pravda (Verdade ukrainiana) 16.07.2011

Desde 4 de julho até o dia do veredito os vídeos e transmissões foram proíbidos. A imprensa foi reduzida a um mínimo de 6 câmeras e seis jornalistas.

Porém, na hora da entrada na última sessão os milicianos deixaram entrar somente os câmeras. Alegaram falta de espaço. Foram retirados dois bancos, e aumentou o número de milicianos. Após muita insistência a milícia deixou entrar três jornalistas.

O próprio Lutsenko argumentou com o juiz, dizendo que qualquer pessoa presente na sala poderia filmar ou gravar os acontecimentos. E, já que o processo foi anunciado como aberto, os representantes da imprensa poderiam anotar ou filmar o que julgassem necessário. Ele argumentou com convicção, mas obserando as normas de conduta adequadas à situação. Porém não teve êxito. O juiz confabulou com os demais representantes do judiciário, presentes (como se ele já não estivesse seguindo ordens da presidência - O.K.) e "para garantir a objetividade da justiça e evitar pressão às testemunhas", tanto os jornalistas quanto os câmeras foram convidados para deixar a sala.

Lutsenko não deixou barato. Lembrou que o juiz deve ter recebido um telefonema da presidência, que devem ter lembrado a ele sobre como deve trabalhar (O juiz, provavelmente deve estar sendo pressionado porque já foi acusado por crimes cometidos -O.K.).

Resumindo:

Os jornalistas puderam voltar à sala, porém sem as câmeras e os ditafones.

Lutsenko, por várias vezes pediu intercessão, que é seu direito previsto em lei, o que lhe foi negado.

Então, quando o juiz solicitou ao promotor proceder à leitura da conclusão incriminante, que ele fazia em voz pouco audível, Lutsenko, de sua degradante gaiola, em alto e bom tom lia o seu requerimento

E isto prolongou-se por um bom tempo, com o juiz admoestando energicamente o acusado. Como Lutsenko nao atendeu ao juiz, este determinou que Lutsenko fosse afastado da sala.

É necessário observar que, sem as câmeras e gravações o juiz mudou bastante sua atuação, adquiriu um comportamento bastante enérgico e frequentemente elevava o tom de voz.

Depois do intervalo o promotor continuou a leitura da conclusão incriminante. Os advogados de Lutsenko protestaram em vão devido a ausência do acusado.

De acordo com o código Processual Penal da Ukraina, uma deliberação pode ser cassada se o assunto foi discutido na ausência do acusado.

Também o juiz não tem o direito de afastar o acusado quando este pede uma intercessão, que pode ser feita a qualquer momento.

E é contra lei afastar a imprensa, com livre acesso a quem queira, salvo se se tratar de segredo de Estado.

Isso está acontecendo porque desde o início dos processos Lutsenko e Tymoshenko, o ranking do governo, tanto interno como externo caiu abruptamente. É pela primeira vez que os partidos da oposição estão subindo mais que o partido do governo.

A maioria dos especialistas vê, nos dois processos, repressão política e vingança pessoal.


Tradução: Oksana Kowaltschuk

segunda-feira, 18 de julho de 2011

UM TIRO QUE SAI PELA CULATRA

Escarro de Putin
Ukraina Moloda (Ukraina Jovem) 14.07.2011
Informativo U.M.

Os políticos da Alemanha estão indignados com concessão de prêmio honorário alemão ao primeiro-ministro da Rússia.

Na Alemanha irrompeu um escândalo político sobre a atribuição do prêmio "Quadriga!" [1] ao primeiro-ministro russo Vladimir Putin. Este prêmio, desde 2003 concedem a figuras proeminentes da política, economia e cultural, os quais são "dotados de espírito de pioneirismo" e o desejo do "bem público". Entre os vencedores - o primeiro presidente soviético Mikhail Gorbachev, ex-chenceler alemão Helmut Kohl e Gerhard Shroeder, ex-presidente tcheco Vaclav Havel e o presidente da Comissão Européia José Manuel Barroso. Este ano a comissão resolveu conceder o prêmio a Putin, adornando a sua decisão com amabilidades: "hoje ele é digno de um capítulo à parte no livro da história", "nas tradições de Pedro Primeiro, ele abre os marcos para o futuro", etc.

De acordo com Deutsche Welle" (Onda Alemã), a decisão do juri indignou fortemente alguns políticos alemães. O comissário do governo alemão, para os direitos humanos Marcus Leninh criticou duramente o vencedor, acentuando que Vladimir Putin, no cargo da presidência ocupava-se na "destruição da democracia e limitação das liberdades" e colocou a Rússia à mercê da corrupção". O deputado membro da UE do partido alemão dos "Verdes" Werner Schulz chamou a atribuição de prêmio a Putin de "zombaria", "erros políticos" e "escarro no rosto dos vencedores dos anos passados". O co-presidente D. Ozdemir, da força política "Quadriga", único que não votou a favor, e sistematicamente criticava Putin pelo autoritarismo, saiu do Conselho desta Organização. Outra co-presidente dos "Verdes" Claudia Roth, chamou a decisão de "tapa na cara dos defensores dos direitos humanos".

Segundo a presidente da União dos Exilados Alemães (associação de refugiados alemães, expulsos após a II Guerra Mundial da Europa Oriental) Erika Steinnebach, disse que salvar a reputação da "Quadriga" só será possível revertendo a decisão sobre a atribuição do prêmio a Putin. No entanto o Conselho de Supervisão da Associação declarou que sua decisão não vai mudar. Então, em 3 de outubro, Dia da Unidade Alemã, o primeiro-ministro é esperado em Berlim. Além da estatueta, com aparência da "Quadriga" que coroa o Portão de Branderburgo, durante a cerimônia lhe entregarão um cheque de 100 mil euros.

[1]Quadriga era uma carruagem puxada por 4 cavalos, 2 rodas, frequentemente usada em Roma Antiga, em corridas ou procissão triunfal.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

Prémio Quadriga retirado a Putin após onda de protestos

Os organizadores do prémio Quadriga, na Alemanha, anunciaram que desistiram de entregar o prémio da edição deste ano ao primeiro-ministro russo, depois de uma onda de protestos contra a distinção.

Vladimir Purin iria receber o prémio no Dia da Reunificação Alemã, a 3 de Outubro, mas a entrega do galardão gerou protestos entre os membros do conselho curatorial e que já levaram à demissão de um dirigente político e um cientista.

O prémio Quadriga é atribuído anualmente desde 2003 pela Werkstatt Deutschland, uma instituição de utilidade pública com sede em Berlim, a personalidades nacionais e internacionais que se distinguiram pela defesa da liberdade, da democracia e dos direitos humanos.

Entretanto, o historiador Edgar Wolfrum anunciou, este sábado, a demissão do conselho curatorial do prémio, alegando ser «inaceitável que alguns membros fiquem comprometidos com decisões com as quais não concordam, sobre as quais não foram informados e que conheceram através da imprensa».

Já no início da semana, o presidente do partido ambientalista Or Verdes, Vem Ozdemir, tinha anunciado a sua demissão do conselho por discordar da escola de Putin.

Hoje foi a vez de a porta-voz do grupo parlamentar democrata-cristão para os direitos humanos se juntar às vozes de protesto, ironizando que o conselho «também podia ter escolhido o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, o líder evolucionário cubano Fidel Castro ou a direcção do Partido Comunista Chinês».

«Embora Putin não seja equiparável aos nomes referidos, a sua nomeação para receber o prémio Quadriga é um corte muito incisivo com a respectiva tradição», acrescentou Erika Steinbach.

Entre os galardoados estiveram já o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, o ex-chanceler alemão Helmut Kohl, o ex-presidente checo Vaclav Havel, o ex-líder soviético Mikhail Gorbatchev, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, o presidente israelita, Shimon Peres e o músico britânico Peter Gabriel.

Casos Estrepitosos: Um país da impunidade

Caro Leitor:
"Todos são iguais. Alguns são mais iguais que outros".
O Editor



Ukrainska Pravda (Verdade ukrainiana), 15.07.2011
Viktoria Siumar


"- Papai, papai,
E serei eu também um miliciano?
- Não filho. Por enquanto treine com meninas...”

Piadas como essa sobre nada engraçada realidade ukrainiana pululam hoje na rede mundial. O caso do Landik somente atualiza o antigo e muito conhecido problema dos "majores", seu estilo de comportamento e, sobretudo, a impunidade.

E isto revela, de fato, um grande problema global: em 20 anos, Ukraina não conseguiu formar um sistema de governo, onde haja apenas um princípio fundamental: "uma lei para todos".

Políticos e pessoas famosas que, em diferentes momentos foram parar atrás das grades, foram percebidas como vítimas de jogos políticos. Dizem, que no período do presidente Kuchma (1994-2005) até existia uma lei, não escrita: "não toque em mulheres e crianças.”

No entanto isto resulta em desvio quando estas mulheres e crianças tornaram-se uma distinta camada da sociedade, para a qual não há nenhuma lei escrita.

Durante os últimos anos reuniram-se dezenas de casos, quando o país teve todas as oportunidades para convencer-se - não há justiça. Pelo menos aqui, na Ukraina.

Esta é uma lista, longe de completa, como prova dessa tese.


Roman Landik
 Em 4 de julho de 2011 Roman Landik espancou uma moça no restaurante "Bacarrat" em Luhanks.
A Vítima foi hospitalizada. Foi aberto inquerito criminal [1]



Dmytro Chernushenko
 Dmytro Chernushenko - filho do presidente do Tribunal de Apelação de Kyiv.
Em 07.07.2011 Dmytro Chernushenko, bêbedo, organizou uma briga em boate "Ibiza", em Odessa.



Natália Solovey
Natália Solovey - assistente de juiz, em Kyiv.
Em 24.06.2011 - Natália Solovey, dirigindo um Mercedes ML, atropelou e matou uma mulher que faleceu no local.
A motorista foi liberada sem questionamento.



Rodion Haisynskyi
 Em abril de 2011, Rodion Haisynskyi, filho do prefeito de Kharkiv, dirige a uma velocidade de 260km/hora.
A transgressão não foi registrada.



Ihor Haponiuk
 Ihor Haponiuk - filho do pró-reitor da Academia de Odessa.
Em 27.03.2011 Ihor Haponiuk na sua BMW atropelou três pessoas. Uma morreu. O caso criminal foi registrado.




Local do acidente causado por Dmytro Kravets
 Dmytro Kravets - filho do deputado do Conselho de Odessa.
Em 1108.2010 Dmytro Kravets atropelou três homens, um deles morreu no local.
Foi aberto processo criminal. Sem decisão.



Dmytro Karatumanov
 Dmytro Karatumanov - filho de deputado de Kharkiv.
Em 31 10.2008 Dmytro Karatumanov atropelou e matou um estudante de 19 anos. Fugiu do local.
O caso foi fechado - motorista declarado inocente.



Vitali Fainhold
 Vitali Fainhold é filho de deputado de Simferopol.
Em 16.09.2008 atropelou e matou um motociclista de 25 anoss. Em liberdade condicional por dois anos.



Feliks Petrocian
 Feliks Petrocian - filho de deputado da Província de Odessa
Em 13.01.2008 matou uma pessoa e danificou 11 veículos. Estava bêbado. Foi considerado inocente.



Lugar do acidente causado pelo enteado do Firtash [2]
 Serhei Kalinovski - enteado de Dmytro Firtash.
Em 30.05.2007 Serhei Kalinovski, numa BMW bateu num Lada e matou duas pessoas. A questão foi aberta, o motorista fugiu do país.


Ainda, no contexto dos "majores" vale mencionar Oles Dovhei, claramente envolvido em várias maquinações de terra, do Conselho de Kyiv, como secretário deste órgão, mas que, ao contrário do presidente da Comissão da terra Yevlakhov, não está atrás das grades. Não seria porque, tanto sua família, como família de sua esposa, tem relação direta com a força política dominante?

O que pode pensar e sentir um cidadão comum, observando todas estas histórias de crimes e, vendo os causadores safando-se da punição?

Poderá ele acreditar no sistema judicial? E pode ele acreditar que a justiça no país é justa, não uma seleta repressão ou castigo?

Como, depois disso, acrditar que Lutsenko e Tymoshenko estão sendo punidos com justiça, porque eles são criminosos, e todos os "heróis" das histórias relatadas acima - vítimas do acaso?

Se pode um cidadão confiar no governo? Pode ele acreditar que justamente ele, um ukrainiano, é a fonte de poder neste país e esse país, Ukraina - é para ele, para os ukrainianos, e não para um bando privilegiado de pessoas?

Pesquisadores ocidentais, e mesmo o conhecido Francis Fukuyama, demonstraram: o sucesso das reformas e mudanças econômicas e sociais dependem diretamente da simples categoria da confiança. Confiança no governo, de suas ações, de uns dos outros.

Como esta confiança pode surgir na Ukraina?

A responsabilidade por esta situação está na elite dominante, que até agora não entendeu o princípio básico do Estado: a necessidade do equilíbrio social, que baseia-se nas regras do jogo, seguidas por todos.

Sem isso, no país não só não haverá confiança, como não haverão muitas outras coisas - respeito à autoridade, à propriedade privada, o desejo de seguir leis e pagar os impostos. E até não haverá condições para o surgimento de todos esses fundamentos que estão na base da construção do complexo chamado Estado.

[1] Roman Landik, filho. Casou-se em maio, esposa gravida. Ele, e o amigo, altas horas da noite, convidaram duas moças para outras atividades. Uma das moças, modelo, negou. O convite teria sido feito de maneira grosseira. Foi espancada brutalmente, arrastada no chão pelos cabelos. Tem vídeo na Internet. Está hospitalizada por mais de 15 dias segundo os médicos. O pessoal do restaurante não interferiu porque tem medo. O pai do moço, que é deputado do Parlamento ukrainiano já havia acertado para o filho, que é vereador, a presidência da Associação dos Consumidores de Luhansk. O pai ameaçou os jornalistas que divulgaram o caso. Mas, devido a grande repercussão a polícia efetuou diligências para prender o delinqüente, que foi aconselhado pelo procurador para fugir para Rússia. Segundo notícias divulgadas está preso em Krasnodar na Rússia. Está mesmo?

Esta não foi a primeira demonstração de valentia. Anteriormente, ele, ao volante, atropelou e matou uma pessoa. Havia testemunhas, mas o pai conseguiu encontrar uma pessoa que afirmou estar ao volante e o moço foi inocentado. Não se sabe o que aconteceu com o falso motorista.
As pessoas da localidade dizem que o moço seguidamente arruma brigas e confusões.

[2] É um empresário, bilionário, ukrainiano, do setor de petróleo e gás.


Tradução: Oksana Kowaltschuk

sexta-feira, 15 de julho de 2011

"Corda no pescoço" do Yanukovych

Ukrainska Pravda (Verdade ukrainiana) 12.07.2011
Viktoria Siumar


Viktor Yanukovych - Presidente da Ucrânia
O governo ukrainiano gradualmente adquire mais e mais sinais de autoritarismo - a concentração de poder, o controle sobre os tribunais, o uso da aplicação da lei para opressão de opositores políticos, a perseguição de defensores dos direitos dos cidadãos e ativistas, restrições à liberdade de expressão.

Alguns representantes da equipe do governo, sinceramente vêem nisso a demonstração de força, e denominam-no de "ordem". No entanto, cada pessoa, que é capaz de pensar não em dois passos, mas pelo menos cinco passos à frente, hoje já entende: existem muitos assuntos e negócios, os quais colocam o governo numa posição muito difícil, quando a desejada ou fictícia vitória, na sua essência, for derrotada.

Extraordinariamente significativa é questão da Yulia Tymoshenko. Alguns pensam que esta é uma grande oportunidade para demonstrar "quem é o dono da casa" e o que acontecerá com aquela pessoa que tiver sérias intenções de competir pelo poder com Yanukovych. Mas este é apenas um lado da moeda.

Já está claro que ao trazer Tymoshenko aos tribunais, o poder recebeu uma enorme "dor de cabeça".

Em primeiro lugar, Yulia Tymoshenko finalmente recebeu o desejado "palco", e usa-o totalmente. Transmissões diretas da TV, a atenção forçada da imprensa ukrainiana e internacional, a inexperiência do juiz que freqüentemente comete erros e cria um indesejável ambiente "tribunalesco", como o chamou Tymoshenko.

Paradoxo, mas fato: tudo isso pode-se tornar um novo impulso à carreira política da Tymoshenko, a qual, parecia ter recebido um "ponto final".

Então, querendo neutralizar Tymoshenko como oponente político, o governo lhe proporcionou a única chance de voltar à grande política.

Em segundo lugar, o Ocidente tomou uma posição quase unânime neste caso, expressou preocupação e minuciosamente monitora o indesejável precedente. Para os países democráticos é extremamente indesejável castigar um político criminalmente devido a um processo político (é exatamente assim que tratam a assinatura de acordos, porque o interesse particular da Tymoshenko é impossível demonstrar) é um disparate.

Pelos assuntos políticos, o político é responsável perante as eleições, isto é, a responsabilidade é política, não criminal.

Dado o nível de contatos da Tymoshenko na UE, e de forma muito específica de comunicação de alguns "regionais" (partido do governo) com membros da UE, os quais, como Vasyl Kyseliov "aconselhar" o cônsul da UE "vá para sua pátria, se o clima daqui não lhe agrada", esse assunto já se tornou problema para assinatura do acordo sobre associação com a União Européia.

E, apesar do fato de que este acordo havia se tornado uma grande vitória para a diplomacia ukrainiana e pessoalmente para Viktor Yanukovych.

Terceiro. A qualidade do tribunal, a instalação onde ele ocorre, os franco-atiradores nos telhados, as forças especiais na sala, jornalistas espancados e câmeras quebradas - não é simplesmente um show político. Isso tudo é um brilhante e convincente fracasso da "reforma do sistema judicial", que as autoridades registraram em seus ativos próprios. Porque um tribunal desses mostra que para verdadeira transparência, autoridade e independência ao sistema judicial ukrainiano, ainda está muito longe!

Finalmente. Partindo da investigação criminal contra Tymoshenko e Lutsenko, Yanukovych e Ko. criaram um precedente. Já, muitos funcionários nos gabinetes ministeriais precisam pensar quantas questões poderão ser instauradas após a mudança de governo.

Mesmo, se às autoridades do ex-governo Tymochenko, as perguntas sobre corrupção foram colocadas com justeza, se o atual governo foi transparente, e se ele sempre age em estrita conformidade e com as leis. A resposta é óbvia. Então, os processos criminais contra os atuais ministros estão assegurados, é apenas uma questão de tempo.

Aqueles, que sinceramente acreditam que Yanukovych conseguirá construir um sistema hereditário, como conseguiu a Rússia, conhecem mal tanto a Rússia quanto a Ukraina.

Ao contrário da Rússia, onde a idéia imperial é a base, Ukraina é muito diferente em suas aspirações e até mesmo valores. Daí que o pêndulo constantemente vai balançar entre os vetores pró-ocidentais e pró-russos, o que significa mudança inevitável do poder.

Mais que isso, exatamente esta é a base para o progresso real do país quando, por causa da competição entre a classe política, terá que se buscar maior qualidade e responsabilidade no processo político.

O erro ainda maior é acreditar que o governo vai manter o poder a força. No caso de falsificação nas eleições, o governo receberá mais que "dois" do Ocidente, que observará atentamente o processo. Ele receberá a compreensão de muitos grupos sociais quanto às ameaças ditatoriais e "conservação" da situação. E, este processo já começou.

No momento a camada governamental é bastante estreita, representada geralmente por uma região e uma equipe de pessoas que revelam-se incapazes de estabelecer um equilíbrio condicional entre os interesses de diferentes grupos empresariais e diferentes camadas da sociedade.

E a última "corda no pescoço" de Yanukovych. Conter uma revolução - é um assunto extremamente ingrato no mundo atual, globalizado. A experiência mostra Muammar Gadafi e Aleksander Lukashenko (Bielorússia). Tais ações transformam o país na prisão para o ditador e seu comando.

Mas tal perspectiva não agradará ao grupo político ao qual pertencem as pessoas mais ricas do país. Seu dinheiro não está na Ukraina, e não está na Rússia. Seus filhos estudam na Grã-Bretanha, para tratamento da saúde eles acostumaram-se ir à Suíça e Alemanha, para descansar vão à Itália, e até mesmo para compras viajam à França. E, com todas estas possibilidades, certamente não estão preparados para o sacrifício em nome de um líder que não se destaca com um único carisma.

Semelhantes "cordas no pescoço" - sério dilema, que já é importante tê-lo em mente àqueles que confessam e incentivam o curso da "mão forte" que, de fato, pode revelar-se numa posição muito fraca já num futuro próximo.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

quarta-feira, 13 de julho de 2011

CURTINHAS

Notícias diversas
Vysokii Zamok, 06.07.2011

1 - Idioma Pátrio - Idioma Ukrainiano

Em todas as classes iniciais eram 29 horas semanais de estudo da língua ukrainiana. O governo acaba de reduzir para 28 horas.
E, pior - muito pior. Nas escolas da Província de Odessa já está em vigor a lei que faculta aos pais a escolha do idioma desejável para o aprendizado de seus filhos. Odessa pertence à região ocupada pela Rússia a mais de 350 anos. A quase totalidade da população fala russo. É óbvio que a maioria da população vai preferir o ensino do idioma russo, apesar da língua ukrainiana ser a língua oficial. Acontece que a grande maioria não fala o russo correto, gramatical. Eles usam elementos dos dois idiomas, russo e ukrainiano, unidos artificialmente e sem normas literárias. É o tal "ukrainiano russo surzhyk" (Pronuncie: surjyk).

2 - Um e meio bilhão de dólares

Segundo o Banco Nacional da Ukraina esta é a quantia que os trabalhadores ukrainianos que trabalham no exterior (por falta de emprego na Ukraina) mandaram para família, na Ukraina, nos primeiros três meses deste ano. Isto constitui 22% mais que no mesmo período no ano 2010. É a remessa oficial - através dos bancos. Quanto foi mandado através de amigos e parentes - fora de controle. A maior parte, próximo um terço, vem da Rússia - USA 10%, Grécia e Itália - 6%, Portugal - 1%.

3 - Nova lei

3 - O Parlamento da Ukraina assinou lei que poderá proibir a apresentação de filmes com: informação imprecisa, erros documentais, propaganda de guerra, violência, crueldade, fascismo, dirigidos contra independência da Ukraina, inflamar a inimizade entre etnias, raças e religiões, humilhação de nacionalidades, desrespeito aos monumentos nacionais e santuários, desrespeito às individualidades que propagam a ignorância, desrespeito aos pais, uso de narcóticos, toxicomania, alcoolismo e outros costumes prejudiciais, bem como filmes de caráter pornográfico.

(Veremos se realmente essa lei vai ser corretamente interpretada e executada, porque não faltam exemplos dos próprios governantes de promoverem desrespeito a símbolos nacionais, violência e crueldade contra pessoas tanto nas prisões como fora delas, transferências forçadas de igrejas do Patriarcado de Kyiv para o Patriarcado de Moscou, etc. - O.K.)

Resumo e tradução: Oksana Kowaltschuk

domingo, 10 de julho de 2011

COMO A RÚSSIA LUDIBRIOU A EUROPA E TODO O OCIDENTE

RÚSSIA: Uma criação artificial


Tyzhdyn (semana), 09.06.2011
Entrevistadores: Olena Checan, Oleksandr Narodetskyi


Um dos fundadores do movimento dissidente na URSS Vladimir Bukovskii fala sobre os documentos secretos da era Gorbachev, o futuro da Rússia e riscos internos para Ukraina.


Vladimir Bukovskii

Doze anos atrás das grades, particularmente em campos de concentração política em Perm, em Volodymyrskyi Tsentral (prisão na Rússia destinada principalmente para condenados políticos - O.K.) e hospitais psiquiátricos situados em seções prisionais. O vôo sensacional para Suíça, trocado pelo governo de Kremlin pelo timoneiro chileno Luís Corvalan. Hoje Vladimir Bukovskii - ideólogo do Partido Independente do Reino Unido, que ficou em segundo lugar nos resultados das eleições para o Parlamento Europeu na Grã-Bretanha, solicita a saída deste país da União Européia.

"Esqueletos no armário do Gorbachev"
U.T.: Você falava e escrevia que os documentos abertos da era Gorbachev indicam a existência de conluio entre os partidos da esquerda da Europa e da URSS sobre a federalização do mercado comum europeu. Mas, para integração em grande escala na UE, em muitos Estados-Membros dessa união os governos são da direita e do centro. Como pode haver consistência entre eles?

Isso não é bem assim. Trata-se de dois processos diferentes. Primeiro - a criação do mercado comum na Europa, o qual realmente teve início com a direita e a um bom tempo, logo após a II Guerra Mundial, quando houve acordos sobre aço, carvão, etc., deles gradualmente surgiu uma certa integração econômica. Mas observemos, que até 1985 os esquerdistas ocidentais e a URSS eram categoricamente contra este processo. A União Soviética percebia isso como uma tentativa de unir toda Europa num bastião anticomunista. E os partidos da esquerda e os sindicatos no Ocidente - como uma conspiração dos capitalistas para limitar os direitos dos trabalhadores.

O movimento da virada, como eu elucidei através de documentos, aconteceu em 1985. Gorbachev apareceu na URSS com a sua reestruturação, além disso, o Kremlin percebeu que o país entrou em uma grave crise estrutural, da qual não seria fácil sair. Eram necessárias modificações na política - tanto interna como externa. E na Europa neste momento, os partidos da esquerda chegaram à conclusão, que não conseguiriam salvar as conquistas do socialismo, como eles o chamavam, visto que observava-se uma tendência inversa. Especialmente depois de Margaret Thatcher com sua desnacionalização de grande parte de empresas e diversos ramos industriais. Demasiado depois, quando em 1980, Mitterand, chegando ao poder esforçava-se para implementar o socialismo, mas suas reformas engasgaram-se: na França instantaneamente o mercado caiu 25%. E, eis que, os esquerdistas ocidentais, vendo que Gorbachev se agitava como rato na gaiola, explicaram-lhe que eles tinham uma idéia de como sair desta situação, salvando o máximo de suas "conquistas". Que é necessário adotar esse projeto de integração européia e virá-lo de cabeça para baixo. Isto é, se é uma tentativa de criar um mercado comum e livre, então é necessário fazer desse projeto de fundação de um Estado federal europeu e já absolutamente não livre, mas regulamentado e regulado.

Veja como tudo foi.
Começando do ano de 1986 essa idéia foi ativamente promovida na mídia e muito comentada nas conversações dos políticos. Gorbachev, concordando em participar desse projeto, anunciou o assim chamado "A Europa é nosso lar comum" - esta era a sua formação. Apenas é preciso lembrar que ele não disse "lar comum socialista europeu" [mas pensou]. E sempre se esforçava para não pronunciar a palavra "socialista", como se estivesse perdendo-a. Falava: "Nós precisamos de economia de mercado". Mas, seus especialistas desenvolviam modelo não de economia de mercado, mas assim chamado mercado socialista. Uma concepção absurda: que a economia se desenvolvesse como de mercado, mas que houvesse, ao mesmo tempo, socialismo. E quando ele dizia "democracia", também "esquecia" de sublinhar, que tinha em mente democracia socialista. E nós, que vivíamos na União Soviética, sabíamos que “democracia socialista” é absolutamente divergente e contrária a concepção de “democracia” como o Ocidente a compreende.

Assim, por volta de 1987-88 Gorbachev concordava com os partidos ocidentais da esquerda. Neste momento, em quase todos os governos estavam os esquerdistas. Na França - Mitterand, Espanha - González, na Alemanha, por enquanto, por mais algum tempo permaneceu Kohl, mas quando seu governo terminou, os social-democratas de lá estavam prontos para apoiar e desenvolver este projeto. Também nós, no Reino Unido: em 1990 com o afastamento da Thatcher, imediatamente nossos social-democratas do Partido Trabalhista se juntaram "ao nosso lar comum". Por isso, por um bom tempo a direita não compreendia o que a esquerda tinha em mente, e com grande entusiasmo apoiaram a idéia de um mercado comum, embora ainda a pouco tempo atrás eram categoricamente contra.

U.T.: O senhor também afirma que o Ocidente não queria mudanças democráticas na União Soviética.

- Durante a União Soviética o Ocidente estava muito interessado neles. A maior parte do "establishment" aspirava preservar a União Soviética. Mitterand disse diretamente a Gorbachev, provavelmente em 1991, que nós necessitamos de União Soviética forte. "Só então poderemos controlar todo o espaço entre Paris e Moscou. Isto quer dizer que o Ocidente não desejava o colapso da União Soviética, e de todas as maneiras procurava impedir. Eu tenho documentos que provam que a Igreja Católica pressionava Lituânia, para que ela não exigisse a independência. Na verdade o Papa não sabia sobre isso, era trabalho dos cardeais. Os países escandinavos tentavam influenciar os Estados Bálticos. Porque os requisitos para a separação levarão a uma completa restauração - assim diziam pessoas ocidentais.

Um dos fetiches do "establishment" político ocidental é a estabilidade: somente que a eles aparece a preocupação, que em algum lugar pode haver transgressão da estabilidade, eles fazem de tudo para evitar isso. A desagregação lhes parece instabilidade - não entendem que a URSS era uma criação artificial, que forçosamente manteve-se por décadas, que ela devia desintegrar-se. Exigir preservação da estabilidade em tempo de mudanças revolucionárias - significa que você apóia o status quo, o que é insensato. Isto sempre me lembrava o menino da anedota, o qual queria, no dique, fechar o buraco com seu dedinho.

Lembro, como assustavam a todos nós com a desintegração da URSS. Sendo que não apenas a propaganda de Kremlin, mas também o Ocidente. Lembro, eu, em 1989 discutia com uma pessoa muito influente e respeitada em Washington - e foi me dito que, para nós do Ocidente, Ukraina independente não é necessária. E, como vocês sabem, a administração americana até o final criava resistência à independência da Ukraina. Em 1991 vós visitou Bush-pai e no seu célebre discurso em Kyiv exortou os ukrainianos à não separação. Foi engraçado, simplesmente ridículo, mas eles amavam tanto seu ídolo Gorbachev, que estavam decididos por ele fazer as barganhas mais óbvias.

URSS desintegrou-se praticamente sem sangue. Exceto em ocasiões quando houve provocações pelo próprio Gorbachev: Tbilisi, Vilnius, Baku. Mas não foi como a guerra intestina dos russos e bálticos, georgianos e russos. O movimento provocativo foi introduzido. A maioria da população russa reagiu com surpreendente calma ao fato de que pedaços do antigo país proclamavam sua independência. Não houve manifestações ou protestos sobre esta questão.

ÁGUIA DUPLA PARA FEDERAÇÃO

U.T.: Como o senhor avalia as chances de Putin-Medvedev à próxima presidência da Rússia?

- Eu nunca considerei seriamente a figura de Medvedev. Lembro como o colocaram, sim colocaram - nunca ninguém o escolheu. O político que não tem sua base, não pode ser independente. Ao longo dos anos passados na presidência, muito pouco mudou. A própria base ele não construiu. E, em geral, se comportou com muita obediência. Ele e Putin desempenham um certo jogo policial, o mau e o bom: o ministro ocupa-se com uma posição mais dura, o presidente parece assumir o rosto liberal do regime Putin. Todos esses jogos nós conhecemos. Eles vem desde os tempos do comunismo. Nós acostumamos com isso. Não nos enganarão!

Acontecem sobreposições quando os Ghost-writer que escrevem para Putin e Medvedev, o que devem dizer e quando não conseguem entender-se a tempo. Então, às vezes pode parecer que há algum tipo de confronto. Não há confrontação e não pode haver. O resultado de futuras eleições foi decidido com antecedência.

U.T.: Conseguirá o governo central da Rússia conter o separatismo das regiões, que cresce?

- Se tudo continuar transcorrendo como agora, Rússia, sem dúvida, continuará a decompor-se. Mas os cidadãos, a partir disto, serão beneficiados ou perderão - eis a questão. Ganham alguma coisa - perdem outra. Rússia como Estado sempre foi construída a partir do telhado, não dos fundamentos. Por isso lá nunca houve autogoverno. Eu vivo na Inglaterra, freqüentemente vou a Estados Unidos. Lá o desaparecimento do governo federal praticamente não afetará a vida das pessoas, porque as questões básicas vitais são decididas pelo governo local. Nos Estados Unidos - estados, na Inglaterra - condados. Então o governo central é de pouco interesse dos cidadãos. Pelo contrário, ninguém gosta dele, porque é ele que arrecada os impostos.

E na Rússia quando o governo central cai ou enfraquece, tudo começa desmoronar. Foi assim de 1917, e 1941, e 1991. Quando começa a crise, o país arruina-se completamente. Por quê?`Porque esta é uma forma artificial. Não está sobre nenhum apoio. O governo local - fundamento da democracia. Sem ele é totalmente impossível dirigir um país. Eu vivi um bom tempo na Suíça. Lá, a unidade básica de poder - Cantão. Abaixo está a comunidade. Ela também tem um poder bastante importante. O governo federal ou confederativo é mínimo, é mais decorativo. Os governantes geralmente ocupam cargos como resultado da rotação. Um ou outro, não importa quem. Portanto, embora a Suíça seja um país multinacional, vive pacificamente, não há conflitos lá. Claro, a Rússia, sendo multinacional, além de ter extraordinário tamanho, muitos fusos horários, não pode ser controlada a partir de um ponto em algum lugar do Kremlin. Isto é uma loucura, simplesmente absurdo. E por isso, toda vez, quando este Kremlin enfraquece, tudo começa a se desintegrar. Quando completa-se a fragmentação e cada fragmento consegue governo próprio, em princípio devemos considerar isto positivo. Não obstante surge a pergunta: que países serão esses? É pouco provável que sejam democracias parlamentares...

PATINS PARA OPOSIÇÃO

U.T.: O senhor concorda que, o projeto chamado "oposição forte e de princípios" na Rússia, na presente etapa falhou completamente?

- Eu não diria assim - falhou. O fato é que, nas condições que prevalecem hoje na Rússia, criar oposição é praticamente impossível. De um lado, forte pressão das autoridades do estado através dos poderes legislativo e executivo, quando não lhe deixam nenhum campo legal para atividade política. É impossível registrar o seu partido político, porque isso depende do estado, mas o estado não quer as forças de oposição política. É impossível você se candidatar nas eleições, porque atrás há muitas falsificações, e a mídia de base é fechada para todas as pessoas aptas para oposição. E ainda repressões, tentativas de reprimir protestos fisicamente quando se manifestam nas ruas ou praças.

Por outro lado, enquanto vigoram esses preços para petróleo, acontece um significativo suborno de todos. Especialmente isso se aplica, normalmente, nas grandes cidades, porque para o país todo os petrodólares não são suficientes. E, eles não são extraídos para serem distribuídos. Mas, ainda sim, uma parte dessa receita incrível é gasta para suborno social, para que a população não caia ao extremo, não vá aos protestos.

Na Rússia percebe-se o empobrecimento, muitos falam sobre isso. Tudo se torna mais caro, mais e mais pessoas permanecem além da linha da pobreza. E, a qualquer tempo, na base de tais tendências virá o momento, quando as massas sairão às ruas. E o que lhes restará fazer? Afinal não se tratará apenas da eletricidade, gás, etc. - elas já não poderão comprar sua comida. Mas, isto ainda é perspectiva. A oposição atual está imprensada de dois lados: um - é a pressão de cima, outro - população muito apática, que ainda não morre de fome. E nisso, por algum tempo, o país pode existir, mas, repito, apenas por algum tempo.

U.T.: Na Rússia atual, o senhor vê individualidades fortes que possam lançar um sério desafio para o atual sistema russo?

- As individualidades aparecem no processo. No processo de confronto, luta. Elas existem, mas podem revelar-se apenas quando são construídas. E assim, costumeiramente, ocupam-se de alguns negócios próprios, trabalho, profissão, retardam isso, não querem. Por exemplo, a situação começou piorar, e de repente manifestou-se o famoso músico Yuri Shevchuk. É uma individualidade muito forte, mas não quer ocupar-se com política, deseja dedicar-se à música. Mas eu sei: se nada mudar, Shevchuk, com suas características pode tornar-se líder de multidões.

CONTEXTO UKRAINIANO

U.T.: O que deve fazer Ukraina, para realmente defender sua independência?

- Com a vizinhança da Rússia a posição é mais tranqüila que antes. Naturalmente a FR vai aproveitar todas as possibilidades políticas dentro da Ukraina, como faz agora. Apoiará as mais próximas forças políticas ao seu regime, as incentivará e ajudará, em uma palavra, jogará com elas. Mas intervir fisicamente ela já não poderá. Rússia enfraquecerá.

Ukraina tem um problema próprio muito específico. É na Rússia que há a tendência para divisão em vários pedacinhos. E vocês tem a tendência absolutamente clara de divisão em duas partes. Isso é muito perigoso. Porque pode acontecer a qualquer momento e, é provável que seja associado à violência de guerra civil. Por isso, a principal preocupação dos políticos ukrainianos - como evitar o conflito, que acordos alcançar, que programas aprovar, para evitar tal cenário. Esse problema para vocês é número um. Absolutamente não é a Rússia. Ela agrava esse problema, porque interfere nele, joga com ele, e isto o torna ainda mais agudo.

U.T.: Para quem é confortável na Rússia, para Ukraina, como país independente deixe de existir? Isso poderia ajudar a própria Rússia?

- Claro que pode. Há regiões que simpatizam com Ukraina, que pensam como conseguir maior autonomia e até mesmo independência, e que eram favoráveis aos Estados Bálticos, quando eles se separaram em 1991, e a Ukraina... Seus exemplos mostram, que eles, na Rússia, podem fazer o mesmo. Em geral na Rússia, esse elemento de grande país, não mais tão grande assim, mas muito barulhento, impertinente. E, visto que o governo o incentiva, ele adquiriu considerável visualização. E, se você tentar defini-lo estatisticamente, revela-se que é uma pequena parte marginal da população, diz-se infectada por vírus, a qual nada de bom fez na vida e independência não lhe é necessária.

Vladimir Bukovskii - Escritor, ativista político e social, cientista e neurofisiologista. Quando, aos quatorze anos soube, através dos relatórios de Nikita Khrushchev dos crimes de Stalin tornou-se um ferrenho opositor da ideologia comunista.


Tradução: Oksana Kowaltschuk