quinta-feira, 30 de junho de 2011

RESGATANDO A VERDADE HISTÓRICA NA UCRÂNIA: DIA 22/06/1941

Dia 22/06/2011, completou 70 anos que isto aconteceu. O povo ucraniano, assim como o mundo, não podem ignorar que ISTO aconteceu. Portanto, caro leitor, saiba o que aconteceu e como aconteceu, nos artigos que Notícias da Ucrânia publicará a partir deste, entretanto, falta a terceira pergunta desta trilogia macabra: Por que aconteceu? Porque por um lado um grupo de psicopatas comunistas e por outro um grupo de psicopatas nazistas resolveram reformar o mundo, criar um homem novo e colocar-se no lugar de Deus.
O nazismo foi extinto ao final da Segunda Guerra Mundial, mas o comunismo NÃO. Ele está aí, às nossas portas, todo revigorado, mas oculto sob mil disfarces para que você não o perceba e acredite que ele não existe mais. Ledo engano, meu caro leitor. Ledo engano!

O Cossaco.

22.06.1941Neste dia teve início a II Grande Guerra em Lviv, principal cidade da região ocidental da Ukraina.

Nesta data a cidade viveu, talvez, sua maior tragédia, porque com a chegada dos nazistas, os soviéticos em fuga assassinaram o maior número de prisioneiros políticos que conseguiram, para que a culpa recaísse nos alemães.

A população de Lviv, como de toda Ukraina, sofreu igualmente nos regimes nazistas e comunistas, tanto em tempo de guerra como em tempo de paz.

Foi destruída grande quantidade de sua população. As prisões e os campos de concentração eram igualmente aproveitados pela NKVD e Gestapo. As forças criminosas atuavam do mesmo modo.

A primeira ocupação soviética da Ukraina Ocidental aconteceu entre 1939 e 1941. Ainda nos anos 1889-1990, no governo autro-hungaro foi construído o prédio, que passou a ser aproveitado como prisão pela ocupação polonesa, para os ativistas políticos, isto é, para os patriotas ukrainianos que se opunham ao invasor polonês, soviético e nazista. Os interrogatórios realizavam-se na base de torturas.

A prisão comportava 1500 presos. Com a ocupação nazista em 1941, os soviéticos em fuga fuzilaram aproximadamente 1000 presos políticos. Mas, muitos mais morreram fuzilados, ou devido aos interrogatórios extenuantes com torturas como enfiar agulhas ou pregos sob as unhas, cortar os seios das mulheres, péssima alimentação, doenças, ou foram mandados aos campos de trabalhos forçados, durante os anos da dominação soviética.

Entre 1941-1944 os nazistas continuaram usar o prédio como prisão. Neste período perderam aqui a vida mais de 3000 ukrainianos.

Entre 1944-1991 aqui atuou o departamento de investigação e prisão da NKVD, MGB-KGB. Também o Departamento de Assuntos Internos da cidade de Lviv e Ministério do Interior da Ukraina.

A partir de 28.06.2009 o prédio, Prisão em Lontskoho, começou funcionar como Museu-Memorial das vítimas do regime soviético,
http://uk.wikipedia.org/wiki/%D0%A2%D1%8E%D1%80%D0%BC%D0%B0_%D0%BD%D0%B0_%D0%9B%D0%BE%D0%BD%D1%86%D1%8C%D0%BA%D0%BE%D0%B3%D0%BE com status de nacional.

O dia 22 de junho é comemorado pela população de Lviv como dia da Mágoa ou da Tristeza. Mas, devido às provocações acontecidas no dia 9 de maio, dia em que é comemorado o final da II Grande Guerra, havia receio dos governantes e da população.

Surgiram até organizações populares como "Comitê contra antissemitismo" e "judeus contra Hurwitz" os quais declararam a intenção de realizar um ato antifascista, com uso de bandeira vermelha, nas Colinas da Glória. Como se viu posteriormente, essas "organizações judaicas", absolutamente não eram judaicas, segundo o presidente do Comitê Ukraino-Judaico Oleksandr Feldman, Às quais ele chamou de "provocadores".

Segundo as últimas notícias as comemorações transcorreram bem, declarou o prefeito de Lviv, porque não houve influências externas.

Os cidadãos estiveram unidos. Todas as organizações, os políticos, os partidos políticos estiveram juntos. Não houve influência externa, não houve problemas.

No dia 21 de junho o Tribunal do Distrito Administrativo de Lviv aprovou a decisão do Conselho Municipal sobre a proibição da realização de comícios em massa em 22 de junho.

Apenas foram autorizados os preparativos oficiais e todos seriam realizados em conjunto.

Somente poderia ser hasteada a Bandeira Nacional. O uso da bandeira vermelha já foi proibida anteriormente pela Justiça Constitucional.


Pesquisa: Internet
Tradução: Oksana Kowaltschuk

quarta-feira, 29 de junho de 2011

COMUNISTAS SE ATRAEM

Hu Jintao, além de ser o presidente da República Popular da China, é também o secretário-geral do Partido Comunista. Yanukovych é um comunista pró-Rússia e a aproximação entre os dois países faz parte do projeto de dominação global russo-chinês denominado "Movimento Eurasiano". Estes acordos não passam de camadas que ocultam muito mais coisas que as mentes de simples mortais possam imaginar.
O Cossaco. 

Hu trouxe 3,5 bilhões de dólares para acordos

Vysokyi Zamok. 24.06.2011
Ihor Tymots

Ukraina e China agora - parceiros estratégicos
O Presidente da Ukraina Viktor Yanukovych e o presidente da República Popular da China Hu Jintao assinaram hoje, em Kyiv, uma declaração conjunta sobre a criação e desenvolvimento da parceria estratégica entre Ukraina e China.

O acordo refere-se principalmente ao apoio mútuo da soberania de Estado, da integridade territorial e respeito ao desenvolvimento de cada um dos Estados, não uso mútuo de forças ou ameaça de força, não uso de pressão econômica, ou qualquer outro tipo de pressão.

O acordo assinado entre Ukraina e China durante a visita de Hu Jintao a Ukraina é cerca de 3,5 bilhões de dólares, disse Yanukovych.

Yanukovych espera que o volume de negócios comerciais entre os dois países, dos atuais 8 bilhões cresça para mais de 10 bilhões em 2012. Segundo o Presidente o volume de negócios, neste ano, está aumentando em 80%. "Eu gostaria de enfatizar a necessidade de atrair grandes investimentos para projetos de infraestrutura na Ukraina - com o envolvimento de tecnologia chinesa. Amplas perspectivas de uma maior cooperação com a China, eu vejo com a criação de "joint ventures" na Ukraina e, a re-exportação de produtos para "terceiros" países - disse Yanukovych. Ele disse, ainda, que as empresas "Antonov" poderiam cooperar com as empresas chinesas de aviação, por exemplo, no desenvolvimento conjunto de grandes e médios aviões de transporte, em produção conjunta de An-70, An-148 e An-158.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

terça-feira, 28 de junho de 2011

CONTINUA O JULGAMENTO DE YULIA TYMOSHENKO

Tribunal privou Tymoshenko de últimas ilusões

Ukrainska Pravda, 27.06.2011
Serhei Leshchenko, Tetiana Nikolaienko


Os deputados partidários da Tymoshenko, quando adentraram à sala do Tribunal, às 9 horas (O início da sessão estava marcado para as 10 horas) já encontraram o grupo de adversários, de camisetas pretas, porém o dobro de jovens da sessão anterior. Ocupavam praticamente todo o espaço disponível. Os deputados conseguiram afastá-los e, um deles confessou que estavam recebendo 200 UAH (moeda local) pelo trabalho e foram introduzidos na sala do Tribunal ainda a noite.

Na entrada, de um lado Yúlia foi saudada pelos simpatizantes que gritavam seu nome; do outro, os adversários com cartazes: "Tymoshenko, Lazarenko, Único Sistema Energético da Ukraina - grupo criminoso". Tocavam sinos e gritavam.

A sala do Tribunal novamente ficou superlotada. Pelo menos trocaram o ar condicionado.

Como na sessão anterior, o juiz chamou a atenção da acusada pelo fato de ela não levantar ao dirigir-se a ele. Yúlia respondeu: - "Quando em nosso país houver justiça, eu me levantarei ao dirigir-me ao juiz. Quando no Tribunal houver honra, eu direi : Vossa Excelência" - declarou indignada Tymoshenko.

O juiz ainda insistiu dizendo que a falta de respeito era também a todos os presentes, porém Júlia não levantou nem uma vez durante a sessão.

Os simpatizantes ovacionaram a resposta da Yúlia, o juiz gritou dizendo que não estavam no teatro. Cenas idênticas repetiram-se outras vezes.

O advogado da Tymoshenko solicitou a unificação com os processos de Didenko e Makarenko (que estão presos), porque os assuntos são interligados e o crime deles é - abuso de autoridade.

Tymoshenko declarou que as determinações que ela dava se aplicavam a estas pessoas e também aos eventos. Em condições difíceis era obrigada a conduzir negociações, contrariando pressões de Dmytro Firtash e ex-presidente Yushchenko. (Firtash é proprietário do "Group DF" (The Firtash Group of Companies) que reúne ativos na esfera da indústria química, energética e imobiliária. Sua companhia "Group DF" atua, além da Ukraina, nos seguintes países: Austria, Estônia, Itália, Alemanha, Rússia, Tadjiquistão, Hungria e Suiça. - O.K.)

Isso não era do agrado dos procuradores e várias vezes pediram ao juiz para que obrigasse Yúlia ater-se ao seu problema, e não com devaneios líricos.

Quando o juiz lhe pediu que se ativesse ao essencial, ela respondeu que tentava mas o Tribunal não a deixava.

"Porque você está atrapalhando!" - gritavam as simpatizantes das últimas fileiras. - "Vamos, vamos correr com o juiz!" - e isto continuava até o juiz gritar: "Silêncio, nesta sala!"

"Várias vezes fui ameaçada por estes moços, caso não parasse de recolher do mercado ‘RosUkrEnergo’. Eu estou contando o que está nos documentos e também é material desse julgamento".

Ao pedido do juiz para se aproximar mais do essencial, ela responde: "Isso é mais que o essencial. Essa é a história criminal do período laranja", suspirou Tymoshenko.

"Estou sabendo que as pessoas sobre as quais eu estou falando, estão verificando as possibilidades de me colocar na prisão", constatou Tymoshenko.

No intervalo, a jornalista perguntou a Yúlia se, para escapar da prisão, ela seria capaz de sincero arrependimento, conforme artigo 66 do Código Criminal, ela respondeu que para o "arrependimento sincero" logo virá o tempo para o presidente. A questão não deve ser contra ela, e sim contra Yanukovych e Azarov (primeiro ministro) pela entrega de Sevastopol à Rússia até 2042.

Tymoshenko também declarou que os contratos de gás, por ela assinados, não trouxeram 194 milhões de dólares de prejuízo, pelo contrário, trouxeram um (1) bilhão de UAH (moeda local) de lucro. (No câmbio atual seriam 125 milhões de dólares. - O.K.)

Também faz parte do processo o alegado uso indevido do dinheiro do Japão que deveria ser direcionado para preservação da natureza, e à compra de um (1) mil de veículos para uso médico-assistencial e que não seriam os mais adequados para esta finalidade.

A sessão continuou com a irônica irreverência da Tymoshenko, o apoio ruidoso da assistência e a inabilidade do juiz.

Próxima sessão, quarta-feira, 29.06.2011.


Tradução: Oksana Kowaltschuk

Começou o julgamento de YULIA TYMOSHENKO

Ukrainska Pravda, 24.06.2011.


Yulia Tymoshenko, que ocupou o cargo de Primeiro Ministro no governo anterior, está sendo julgada por assuntos relacionados ao preço do gás.


Yulia e seu advogado na sala de audiências do Tribunal


Compareceram ao julgamento o presidente da UE José Manoel Pinto Teixeira e vice-cônsul da Alemanha Anke Feldhuzen, além de muitos correligionários, simpatizantes e família.

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Chegada de Yulia Tymoshenko à audiência do Tribunal e agradece ao povo ucraniano pela presença e pelo apoio recebido.

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Yulia responde aos jornalistas: Diz que Yanukovych (presidente) tem medo e que todos na Ukraina e no mundo sabem disso. Que ele obrigará o juiz decretar a sentença determinada por ele, porque na Ukraina a justiça não é independente. E quanto mais vão deixá-la isolada da comunidade (Ela precisa pedir licença até para visitar a própria mãe que reside em outra cidade. Não pode viajar pelo país para manter contato com a população), mais alto soará sua voz. E o que o governo faz a ela, faz contra si mesmo.


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O rapaz diz que o julgamento é necessário para que, os que roubaram, devolvam o produto do roubo. Quando o repórter pergunta quanto ele recebeu do governo para estar aí contra Yulia Tymoshenko, ele faz aquele movimento de mão diante da orelha.
Comentário:
(Quando o governo quer manifestações a seu favor ele paga às pessoas, o que é aceito geralmente pelos idosos, que recebem míseras aposentadorias, e pelos estudantes que ainda não trabalham e precisam de dinheiro. Muitas pessoas não escondem este fato. - O.K.)

O advogado da Tymoshenko, durante o julgamento, tentava encaminhar solicitação para que, na continuidade das sessões mudassem de endereço devido ao espaço ser muito pequeno - 35m² para 150 pessoas. A União dos Escritores está colocando à disposição um local bem confortável para 250 pessoas. Tymoshenko pede que seja constituído um juri popular.

Iniciando seu pronunciamento Tymoshenko pergunta se o Tribunal submete-se à Constituição e às Leis. Porque ela quer saber se será julgada por uma justiça adequada. Infelizmente após todas as humilhações que foram feitas às Leis e à Constituição, pelo Presidente e seu círculo, não existe justiça na Ukraina. E, por isto nós precisamos encontrar a formula e possibilidades às quais confiariam os participantes, os cidadãos do país, todas as organizações e cidadãos no exterior. Para o dia de hoje esta justiça não é aquela em que confiam. Ela também gostaria de ressaltar que em toda justiça, Procuradoria e administração do presidente é nítido o parentesco, a amizade mútua de todos e em tudo, inclusive nas repressões. É do conhecimento de todos que o Procurador Geral Sr. Pshonka tem um irmão como presidente da justiça criminal especial. Isto significa que o Procurador Geral dá início às questões, e seu irmão em última instância da justiça superior especializada em criminalidade vai apoiar aquilo que já foi determinado pelo irmão na Procuradoria. Temos compadrio, parentesco, inaceitabilidade, e isso coloca a justiça criminal sob grande indagação e incondicionalmente lança desconfiança na população e em nós quanto participantes do processo.

O Procurador Geral, já durante sua designação declarou que servirá ao Presidente, e não à Constituição e à Lei. Todos ouviram. Portanto não é pessoa indicada para o cargo que ocupa.

Todo juiz que não executar as determinações da Procuradoria Geral será dispensado e poderá ser julgado e condenado.

O pronunciamento da Tymoshenko continua . . .

O advogado da Tymochenko reclama a falta de atenção do juiz, se ele precisa anotar algo, então deve anunciar um intervalo. (O juiz, quando fala, parece um aluno-candidato à repetência. Tymochenko é brilhante! - O.K.)

No pátio do Tribunal e ruas próximas, desde bem cedo afluíam simpatizantes da Tymoshenko. Pessoas com bandeiras do partido "Batkivshchena" (significa Pátria - O.K.) de diversas províncias. A passagem para o prédio do Tribunal foi bloqueada pelos seguranças do "Berkut" (Berkut, em ukrainiano, é um pássaro grande, carnívoro, da família das águias. A população reclama muito desses seguranças, pelo visto o nome é apropriado - O.K.) Também haviam vários ônibus com milícia. Dentro da sala do Tribunal havia simpatizantes e adversários.

Sala de audiências do Tribunal: 32m2 para 150 pessoas
Chegaram a se formar poças de suor no chão.

A sessão continuará no sábado, dia 25 de junho, às 10 horas.


Tradução: Oksana Kowaltschuk
Para visualizar outros vídeos e imagens link:
 http://www.pravda.com.ua/photo-video/2011/06/24/6326224/

segunda-feira, 27 de junho de 2011

DEMOCRACIA NA UCRÂNIA E A CORRUPÇÃO

Yanukovych no PACE
Yanukovych falou na sessão da Assembléia Parlamentar da Europa (PACE), e quase confessou a reprodução da corrupção.
Ukraina Moloda, 22.06.2011
Ivan Didushok

Membros estrangeiros tinham muitas perguntas para Viktor Yanukovych sobre a democracia na Ukraina. Segundo Volodymyr Ariev, também presente na sessão da PACE, a delegação de Marrocos foi recebida com aplausos, e Yanukovych com "silêncio sepulcral".

Ariev e seus colegas da oposição organizaram em frente ao Conselho da Europa um pequeno piquete. Apresentaram cartazes com escritos em inglês: "Yanukovych, não minta para Europa", "Não, para as perseguições políticas na Ukraina", e outros. Também compareceram ukrainianos da diáspora ukrainiana.

Os deputados de diferentes países fizeram aguçadas perguntas a Yanukovych. A principal pergunta foi sobre a perseguição da oposição na Ukraina. Yúlia Tymoshenko também foi convidada para Estrasburgo - mas, devido ao inquérito não foi autorizada. O presidente assegurou que não dá ordens à investigação. "Quanto aos princípios - sou a favor de que a política na Ukraina não conheça fronteiras. Como presidente, eu não tenho autoridade para dizer à Procuradoria quem e para onde deve ir", justificava-se V. Yanukovych.

Ele queixou-se dos políticos ukrainianos, dizendo que eles tentavam evitar responsabilidade pelos atos corruptos escondendo-se atrás de alegações de perseguição pólítica. "E a corrupção, hoje, é uma grande ameaça para "Ukraina". E falou tanto que até saiu-se com esta brilhante pérola: "... e este sistema democrático, corrupto, foi construído durante anos, dezenas de anos" [Acuse-os do que você faz, ensinava Lênin. AO].

O Grupo do Partido Popular Europeu propôs Olha Herasymiuk como vice-presidente do Comitê Regulador do PACE. O presidente do Grupo Liuka Volante, propondo a candidatura da senhora Olha declarou: "em apoio à democracia real da Ukraina". 


Bens do administrador do Yanukovych

Ukrainska Pravda, 20.06.2011
Serhii Leshchenko

Os políticos e governantes ukrainianos gostam de falar ao público sobre a necessidade de economizar. Para diminuir o deficit do governo sugerem cortar todos benefícios de quem os esteja recebendo (aposentados, veteranos de guerra, atingidos pela catástrofe de Chornobyl, etc.).

Mas, nunca pensam em diminuir as suas vantagens. Muitos residem em um dos dois territórios "Koncha Zaspa" ou "Pushcha Vodytsia" que custam aos pagadores de impostos cinqüenta milhões de UAH (moeda local) por ano. Oficialmente são chamados de "complexos de descanso" e são administrados pelo governo. Os agraciados, geralmente recebem o terreno com casa que já é antiga. A eles é permitido reformar a casa e descontar o valor gasto a título de aluguel, mas, o que acontece é que eles constroem verdadeiros palácios e ficam morando aí, graciosamente, mesmo após o término do seu mandato. E, como se fosse pouco ainda recebem os serviços de segurança, jardinagem, desconto nos preços do gás, etc. Enfim, pagam apenas 30% do valor dos serviços comunais. Alguns, além de casas nos "complexos de descanso" ainda receberam apartamentos. Outros, somente apartamentos.

O administrador dos bens físicos do governo Yanukovych, principalmente dos bens do Yanukovych, Andrii Kravets não pode estar interessado em cortar as vantagens, porque sozinho desfruta de uma residência fabulosa em "Pushcha Vodytsia".
 

Residência particular de Andrii Kravets


Tradução: Oksana Kowaltschuk

sábado, 25 de junho de 2011

USURAPAÇÃO DE DIREITOS

"Deus, mão permita que se apoderem da terra do agricultor..."

Vysokyi Zamok, 10.06.2011
Ivan Farion

Das altas tribunas do Estado, nós, quase todos os dias ouvimos anúncios de reforma agrária, juramentos persuasivos para próxima criação de um mercado de terras transparente, estabelecimento de relações justas entre o camponês e o governo. Nos asseguram que estas reformas devolverão a Ukraina a condição de celeiro do mundo, e aos ukrainianos que curvam-se sobre o "chornozem" (terra preta) e terrenos baldios, farão abastados e felizes. Que "felicidade" é essa honestamente trabalhar no seu pedacinho de terra, sob orientação de seu governo, testemunha a dramática história do agricultor da aldeia de Drabiv, de Cherkasy, Oleksandr Biriuk.

O agricultor de 48 anos, fechou-se numa cabine com uma lata de gasolina e ameaçava riscar um fósforo, por causa da arbitrariedade da administração do governo regional, cujo presidente é do Partido da Regiões Volodymyr But que, contrariamente à lei, entregou a terra arrendada por O. Biriuk para uso ilegal de outro agricultor que também pertence aos "regionais".

Oleksandr Biriuk, na primavera, para semear a terra arrendada comprou fertilizantes, sementes e combustível. Mas, pela manhã, quando chegou com seus tatoristas para semear milho e soja . . .  a terra já estava semeada. . . .  Verificou-se que a semeadura foi efetuada por Serhei Butsko, do partido do Sr. But, deputado do Conselho da Província.

O agricultor O. Biriuk estava com os papéis sobre o arrendamento em ordem. Encaminhou solicitação à administração local e à Procuradoria local, e até ao governador de Chercasy, mas ninguém deu resposta. Então pegou uma lata de gasolina e foi à Administração, porque já havia esgotado todos os métodos legais.

O. Biriuk estava consciente. Ele não usa álcool, nem mesmo toma cerveja, a quinze anos.

"Eu não tenho saída! - diz Biriuk. - Tenho 320 mil de UAH (símbolo da moeda local) de dívidas pela compra de sementes, fertilizantes e combustível, que pagaria após a colheita. Quando se apoderaram de minha terra, eu quis devolver as sementes mas não aceitaram na empresa. Também pedi à administração local que me ajudassem vender as sementes para que não me levassem minha casa pela dívida das sementes. Mas não obtive ajuda nem dos responsáveis pela minha desgraça".

O. Biriuk acabou não ateando fogo em si mesmo porque o presidente da administração local Volodymyr But acabou prometendo a devolução das terras, mas, devido a muitos enganos ele ficou meio desconfiado com a "pessoa do presidente". É como diz o ditado popular: O senhor promete um sobretudo de peles - calorosas palavras.

Finalmente O. Biriuk recebeu a licença para retomar à sua plantação ( com a interferência do governador) porque o caso "foi espalhado pelo vento". Quando chegou ao campo. . . perdeu a fala. Seus 100ha foram deliberadamente destruídos. Na terra foram feitos grandes sulcos e precisaria de 4-5 dias para novamente trazer ordem à área. E, que colheita pode haver da já retardada semeadura? Além do que derramaram substâncias químicas no terreno. Se a semente nascer, dará frutos?

Qual deveria ser a atitude do governo que se diz "profissional"? No mínimo os "regionais" deveriam "correr" com o seu partidário Serhei Butsko, porque ele agiu contra lei e contra um ser humano. E entregá-lo à justiça. E também não poderia passar despercebida a aquiescência do administrador regional, com o silêncio do qual efetivam-se guerras por terra em toda Drabiv.

Quando o vice-governador soube  da profanação do campo - não quis mais conversar com o ofendido agricultor. Foi embora.

E como fica o presidente Yanukovych com a sua promessa "ouvirei a todos"?

(É por acontecimentos desse tipo que precisaram importar até "hrechka" - trigo mourisco ou trigo sarraceno - da China. É por agir assim que os "regionais" estão se dedicando à agricultura, e muitos deles até já entraram para relação dos 100 mais ricos da Ukraina, porque eles tem facilidades, mesmo que ilegais, à terra. E, é por isso que muitos camponeses estão indo, até ilegalmente, trabalhar nos países da Europa Ocidental, onde seu salário mensal
é mais certo que o fruto de seu trabalho em sua terra natal. - O.K.)

Tradução: Oksana Kowaltschuk

sexta-feira, 24 de junho de 2011

YÚLIA NO TRIBUNAL DA INQUISIÇÃO E OUTRAS NOTÍCIAS

Hoje, 24.06.2011 começam as sessões de julgamento da ex ministra Yúlia Tymoshenko, como já está acontecendo com Lutsenko. A diferença é que Tymoshenko não está aprisionada.

O partido "Batkivshchyna" (B'iút) do qual ela é presidente, conclama a todos para uma reunião pacífica junto às paredes do "Pecherskyi" Tribunal, na cidade de Kyiv.

Segundo o presidente do partido, da cidade de Lviv, vários ativistas desta cidade estão se preparando para comparecer e demonstrar seu apoio. E, delegações irão a Kyiv de todas as cidades. "Nós estaremos lá, e também sob as paredes da Procuradoria, se for preciso!", declarou Roman Ilyk.

Mas, como sempre, o governo de Yanukovych cercea o direito de ir e vir dos cidadãos. O grupo de Lviv já contactou mais de 10 empresas de transporte e todas elas apresentaram alguma desculpa quanto à possibilidade no aluguel de ônibus (Em casos assim o governo ameaça cassar a licença do empresário. - O.K.). O mesmo fenômeno acontece também em outras cidades.

Os ativistas declararam que irão com transporte particular, ou de trem.

Os participantes do "Maidan dos Impostos" (Assim ficou conhecida a "greve" dos pequenos empresários que, no ano passado estabeleceram-se em barracas em Kyiv, e protestavam contra as novas leis. - O.K.), segundo Oleksandr Danyliuk, em seu pronunciamento na TV, também participarão. Ele conclamou todas as forças políticas e também todos os cidadãos comuns para apoiar Tymoshenko. Todos devem estar unidos e se posicionar contra o governo, esquecendo toda concorrência e todas as ofensas particulares.

"Somente unida a frente de oposição será capaz de desmantelar o atual regime. Nós não estamos agitando para votar neste ou naquele candidato. Nós precisamos de "coalisão anti-hitlerista". Hoje, todas as forças de oposição devem entender que precisam se unir", - disse ele.

Conforme informações do Partido da Tymoshenko, o Ministério dos Assuntos do Interior está colocando cercas na entrada do Tribunal. Também há muitas pessoas, em trajes civis, no pátio do Tribunal. Com certeza, amanhã estas pessoas darão lugar aos milicianos.

Estão sendo "mobilizados", pelo Partido das Regiões, os estudantes nas suas residências comunais, segundo partidários da Tymochenko.

Também chegaram notícias que no departamento do Ministro do Ensino Tabachnyk, o governo estimula a juventude para participar nas ações contra Tymoshenko - ou sob ameaça de não realização de exames, ou, ao contrário, com promessas de liquidar quaisquer "rabinhos".  E, à noite soube-se que o governo está tentando anexar às suas forças, todos os trabalhadores das agências de segurança privada.

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O ex-vice-Ministro da Defesa Valerii Ivashchenko, já está preso  por nove meses.

Lutsenko, que o encontrou  na prisão, está indignado com a ilegalidade da detenção e acusa o governo pela saúde debilitada de Ivashchenko. Não o reconheceu. Sua pele está terrosa, suas reações são lentas.

Ele recebe visitas da esposa somente uma vez por mês.

Como já foi noticiado, Ivashchenko declarou oficialmente greve de fome, para chamar a atenção dos europeus. Seu advogado apelou à justiça européia dos direitos da pessoa.


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Na cidade de Dymytrove, em Donetsk, estão construindo uma igreja ortodoxa do Patriarcado de Moscou. Os dirigentes da igreja entram em contanto com os dirigentes das empresas e fazem acordos para descontrar o pagamento de um dia de trabalho dos operários, para construção da igreja.
Os operários reclamam, não porque os ortodoxos não queiram descontar, mas porque entre eles há muitos muçulmanos, grego-católicos e judeus, e isto esta sendo exigido de todos.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Pobreza e desigualdade ameaçam a estabilidade na Rússia. E na Ukraina?

Ukrainska Pravda, 08.06.2011
Anastácia Zanuda


De acordo com os estudiosos russos a pesquisa publicada no site do Comitê de Estatística do Estado da Rússia, a estratificação em cinco antigas repúblicas da União Soviética, inclusive Ukraina, é gritante. E pode tornar-se iniciador potencial de instabilidade política.

Apesar de que Rússia ocupa o 5° lugar no mundo em quantidade de bilionários, 3/4 da população deste país é pobre. Aos "mais miseráveis" pertence cada quinta pessoa (20,5%), aos "pouco providos" - acima da metade (52,9%), e aos "providos abaixo do nível médio" ainda 22,5% dos russos.

O diretor do instituto de tecnologias sociais russos Volodymyr Sokolov considera que tal estratificação econômica pode ser perigosa para Rússia. Ele lembra a fórmula sociológica clássica, de acordo com a qual, para um desenvolvimento normal da sociedade a correlação dos rendimentos de 10% dos cidadãos mais ricos e 10% mais pobres não deve ultrapassar seis vezes. Na Rússia, esse coeficiente, de acordo com a estatística oficial, é superior a 20 vezes, e de acordo com os cáculos dos peritos independentes - 40 vezes.

"Com tal situação a confiança na justiça do país é destruída. Ocorre a rejeição interior ao governo, total insensibilidade a tudo o que ele faz, até quando ele diz palavras certas", -  declarou Volodymyr Sokolov.

Em Azerbaijão, Cazaquistão e Ukraina a situação não é melhor. Nestes países, de acordo com a avaliação dos pesquisadores russos, podem ser considerados pobres até 90% dos habitantes. Somente na Bielorrússia a situação é um pouco melhor - lá 67% da população é "pouco provida".

Então, os países não podem desenvolver-se normalmente, a população pobre não é usuária de produtos internos, serviços e tecnologias. Além disso a exclusão da classe média da população, a qual, segundo os sociólogos é sempre considerada como fator de estabilidade política para a vida no país, ameaça com a chegada ao governo de forças marginais, radicais, e a implantação de ditaduras.

Ukraína não é Rússia?

Algumas conclusões de cientistas russos são verdadeiros para Ukraina, outros - nem tanto, julga a dirigente da seção de pesquisa do nível de vida da população, do Instituto da demografia e pesquisas sociais da Academia Nacional de Ciências da Ukraina Liudmyla Chernenko, que participou dos trabalhos de pesquisa dos cientistas russos.

Comparando as conclusões dessas pesquisas para Rússia e Ukraina na entrevista a "BBC My World", a senhora Chernenko também observou que, ultimamente, os modelos sociais clássicos não se realizam.

Liudmyla Chernenko cita o exemplo dos últimos 20 anos, quando os russos, que sempre foram considerados propensos a rebeliões, "sangrentas e implacáveis", nos anos da desagregação da União Soviética não tiveram capacidade para um protesto influente de massa. Em troca, os ukrainianos, com um dos principais traços nacionais considerados pacíficos, demonstraram ao mundo todo, em 2004, sua capacidade, mesmo que, pacífica, mas vigorosa resistência.

"Possivelmente, devido a esse impetuosamente tecnológico processo dos últimos anos, todos os modelos clássicos, sobre os quais nós lemos nos manuais, não se realizam. Tudo se efetua através de outros argumentos. Aquilo, que nós não conseguíamos nem imaginar a alguns anos, ocorre, - tanto em economia, como na vida comunitária. Por isso eu concordo com os pesquisadores russos que tão grande polarização da sociedade é extremamente perigosa. Ela simplesmente detém qualquer desenvolvimento, tanto no sentido social quanto econômico. Mas, dizer que por este motivo amanhã podemos esperar uma revolução, eu não diria".

Segundo a ONU, para além do limite da pobreza hoje vivem 4 dos 5 ukrainianos. No ano passado os ukrainianos empobreceram mais 10%. Ukraina ocupa 83° lugar no ranking de desenvolvimento da população, segundo a ONU, tendo perdido sete posições em apenas um ano.

No rankig da liberdade econômica segundo o Banco Mundial, Ukraina está em 163°  lugar - entre Cazaquistão e Honduras. Enquanto o salário médio está entre 2 a 2,5 mil UAH (UAH é a sigla da moeda ukrainiana - um dólar está valendo, aproximadamente 8 UAH - O.K.) multimilionários ukrainianos figuram não somente nos levantamentos ukrainianos, mas também nos sérios rankings entre os ricos mundiais.

Os demógrafos e sociólogos na Ukraina desenvolvem uma cadeia lógica: pobreza, má alimentação (o custo dos alimentos no orçamento familiar aumentou mais de um terço em comparação a 1991), medicina precária, mais sobrecarga profissional e as más condições no trabalho geram alta morbidade e mortalidade, queda da natalidade, refluxo migratório do país.

No entanto, os especialistas dizem que a pobreza ukrainiana em relação à pobreza na Ásia ou África tem suas próprias características, a principal delas - pobreza entre pessoas cultas.

Antes da independência, os profissionais instruídos, professores, engenheiros, cientistas - tinham uma renda média para os padrões da União Soviética. Nos anos da independência os ukrainianos encontram-se entre os "novos pobres", mas a nova classe média, que, teoricamente deveria estabilizar a sociedade - empresários, profissionais liberais, funcionários públicos - não apareceu.

Durante o último ano os sociólogos continuamente fixam o crescimento de disposição para protestos entre os ukrainianos. Com a rápida carestia de tudo - de produtos alimentícios a serviços comunais - essa disposição para protestos ainda não se intensificou.

"Na sociedade amadurece a irritação. E, se esta irritação não for dirigida para racionalidade, se as condições materiais continuarem piorando, pode acontecer uma explosão social",  declarou a diretora do fundo "Iniciativas Democráticas" Iryna Bekeshkina em entrevista para "Ukraina Moloda".

Hoje, de acordo com os sociólogos, um em cada cinco ukrainianos considera que somente os protestos populares poderão mudar a situação. Ukraina, finalmente, começou a situar-se no alto do ranking. Por exemplo, no quesito da "revolução" foi classificada no 22°  lugar pelo "The Wall Street Journal".

Significativamente, a população americana de negócios estabeleceu o seu ranking no desenrolar dos protestos em massa no Egito e outros países árabes, resultantes, principalmente, de acordo com os observadores, não apenas pela pobreza, mas também pela gritante desigualdade e impossibilidade de superar as barreiras sociais, mesmo para aqueles que conseguiram obter bons níveis educacionais.

No entanto, a tendência de estratificação da sociedade é peculiar não somente em países com economias em transição.

"Melhorar a vida" para os britânicos está ausente hoje, e amanhã

De acordo com as últimas pesquisas da "Fundação Britânica Resolução", durante a última década no Reino Unido o nível de vida das pessoas que trabalham, e que se consideram de classe média, não apresentou alcance nos padrões econômicos. Nas pesquisas desde 2003, o salário médio na Grã Bretanha quase não apresentou acréscimos. Enquanto a economia durante o último período aumentou 11%.

"Isto é absolutamente novo, sem precedentes para o Reino Unido, quando a economia se desenvolve mas os rendimentos da classe média não crescem", - declarou um dos autores da pesquisa James Planket.

O fato de que quase 11 milhões de britânicos (15% da população), que não se acomodam ao auxílio desemprego, mas trabalham, não veem nenhuma melhoria, nem mesmo perspectivas de melhora, pode levar a sérias consequências sociais e políticas, quando a elite atual já não puder reter o poder em suas mãos, e sobre o cenário político poderão aparecer forças nacionalistas radicais.

EUA: Homem rico, Homem pobre

Nos EUA que continuam a ser a maior potência econômica do mundo, o fosso entre ricos e pobres também atingiu um nível recorde no ano passado. De acordo "U.S Census Bureau", no ano passado 20% dos americanos mais ricos ( renda anual não menor a 100 mil dólares por ano) receberam quase metade de toda renda, enquanto os americanos que vivem abaixo da linha de pobreza, recebem apenas 3,4% das receitas da rotação econômica.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

sábado, 18 de junho de 2011

PAÍS POBRE, GOVERNANTES BILIONÁRIOS E A MULTIPLICAÇÃO DOS PAES

Filho do Presidente Yanukovych entrou para "centena de ouro" da Ukraina. 

UNIAN, Agência de informações, 09.06.2011

O filho mais velho do presidente, Oleksandr Yanukovych entrou para lista das cem pessoas mais ricas  da Ukraina.

Esta notícia foi divulgada no encontro de imprensa na Agência UNIAN, o principal redator do jornal "Korrespondent", Vitalii Sych. Resultados desse ranking são publicados anualmente por esta editora.

Pela informação de V. Sych, presentemente, os bens de O. Yanukovych estão avaliados em 130 milhões de dólares. A ele pertence a corporação "Mako", que opera no leste e sul do país. Trata-se do Centro de Negócios, no centro de Donetsk e um complexo hoteleiro na angra de Balaklav.

No início de maio O. Yanukovych oficialmente legalizou 100% do Banco do Desenvolvimento da Ukraina. Desde o início do ano a instituição financeira aumentou seu capital duas vezes. Em resultado, apenas em quatro meses seu capital cresceu de 100 milhões de UAH (moeda local) para 310 milhões.

Na construção do filho de Yanukovych os "esportistas" batem em pessoas.

No local da construção em Donetsk, na quarta-feira, houve conflito entre moradores locais e estranhos com aparência de "esportistas".

Os moradores próximos ao hotel "Druzhba" (Amizade) mostram-se contrários à construção do prédio que absorveu o espaço em torno de sua habitação. Alguns se sentaram no local da construção impossibilitando os trabalhos. Os "esportistas", umas 20 pessoas desconhecidas, seguidamente tentavam retirá-los.

Estavam presentes dezenas de milicianos, inclusive o chefe e subchefe da milícia de Donetsk.

A milícia procurou não interferir, mas 5 pessoas de cada lado foram enviadas para o departamento do distrito.

Segundo informava a milícia, todos os documentos necessários, de acordo com a lei, o construtor possui.

Como é do conhecimento, no lugar do hotel avariado "Druzhba" planejam construir um edifício bastante alto, para fins comerciais.

O projeto é da Corporação "Mako". Seu presidente é o filho do presidente da Ukraina, o empresário Oleksandr Yanukovych.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
 
OS RICOS

"Centena de ouro" "Korrespondent" apresentou o ranking dos ukrainianos mais ricos.

KorrespondenT. biz09.06.2011

Sexto ano seguido a edição "Korrespondent" publica o ranking dos ukrainianos mais ricos. E sexta vez o primeiro da lista cabe ao empresário de Donetsk Rinat Akhmetov. Seus ativos, no prazo de um ano subiram de $ 17,8 para $ 25,6 bilhões.

O segundo lugar, pela primeira vez, pertence a Hennadii Boholiubov com bens no valor de $ 6,6 bilhões, e seu parceiro próximo Ihor Kolomoiskyi com $ 6,2 bilhões.

"Korrespondent" assinala que na "Centena de ouro, como no espelho, refletiram-se os lados fortes e fracos da economia e política nacional. No lado forte  da economia, que transparece em toda a relação deste ano, - fortalecimento do setor agrário.

"Centena de ouro": "Korrespondent" levanta o ranking dos ukrainianos mais ricos.

De 100 empresários 42 investem no setor agrário e indústria alimentícia. O mais exitoso deles se fortalece: Yurii Kosiuk (N° 11) no início de 2010 arava 180ha, e ao final do ano - já 280 ha.

Dentro de um ano as redes de varejo cresceram. Praticamente todos os proprietários abriram dezenas de novos super e hipermercados.

A edição destaca que o ano também foi favorável aos metalúrgicos. O preço do aço subiu 1/3. Os mercados do exterior aumentaram as aquisições em 13%.

A "centena de ouro" de 2011 fortleceu-se. Em 2010 a soma total dos haveres constituía $ 66,5 bilhões, já em 2011 -- $ 83,07 bilhões.

No geral 73 participantes da "Centena de ouro" acresceram seus capitais, dois conservaram, os demais encolheram. Um dos que perderam precisou vender seus ativos aos concorrentes e saiu do negócio.

A "Centena de ouro" demonstrou um período alarmante, a monopolização da economia. Em poucos países é possível encontrar tal concentração de capitais em poder de poucas pessoas. Toda a indústria pesada encontra-se em mãos de 4-5 empresários.

Praticamente a metade do capital da "Centena de ouro" ( $ 39,5 bilhões) pertence a dois grupos financeiros: SKM (proprietário Akhmetov) e Prevat (Proprietários  Boholiubov, Kolomoiskyi e O. Martynov).

25 participantes da "Centena de ouro" são de Donetsk e da Província de Donetsk - $ 35,08 bilhões. 12 são de Dnipropetrovsk - $ 22,48 bilhões. Seis são de Kharkiv - $ 2,5 bilhões. De Kyiv são nove com apenas $ 1,77 bilhões.

A revista destaca que o Partido das Regiões (partido do presidente) tem total preponderância perante todas as organizações políticas ou comunitárias. 25 pessoas, cada quarta pessoa da "Centena de ouro", - são membros do partido no poder. Ainda no ano passado eles eram 17.

O crescimento, em parte, é explicado pela adesão dos multimilionários Andrii Verevskyi (Nº 17), Evhen Sihala (N° 32), Oleksandr Feldman (N° 41) e Stepan Hlucia (N° 81.

B'IUT, o 2° partido, sofreu perdas milionárias. Além dos citados no parágrafo anterior, mais dois empresários se afastaram. Sua participação na "Centena de ouro" é de $31,1 bilhões.

"A linguagem das cifras é eloquente. Ela, sem emoções desnecessárias mostra quem manda na casa e em que rua é a comemoração. Ao mesmo tempo as cifras não esclarecem todas as atividades de negócios ou políticas da vivência dos multimilionários ukrainianos", destaca a edição.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
 

sábado, 11 de junho de 2011

INTEGRAÇÃO DO HOLODOMOR (HOLOCAUSTO UCRANIANO) COM A MEMÓRIA CULTURAL EUROPÉIA E MUNDIAL

Den (Dia), 12.05.2011
Yurii Shapoval


Em 11.05.2011 na "Kyivo-Mohylianska Academia" foi apresentado o livro do professor americano, da Universidade de Stanford Norman Naymark



"Genocídios de Stalin" 


video

Em primeiro lugar gostaria de salientar que fiquei extremamente  interessado em participar na preparação da tradução ukrainiana do livro do professor Norman Naymark, editado pela "Kyivo-Mohylianska Academia". No início o pesquisador observa: "A questão do genocídio, naturalmente, é importante para os ukrainianos, e eu espero, que este livro vai ajudá-los a compreender mais claramente sua dinâmica". Após a leitura do livro poder-se-á afirmar que a expectativa de Norman Naymark não é infundada, já que estamos lidando com um trabalho fundamentado, sério e profissional. O livro é editado na Ukraina, no período em que falar de genocídio não está na moda"... E isto ainda aumenta mais o valor da pesquisa.

O livro trata não somente de um genocídio, perpetrado pelo sistema stalinista/comunista. Nós encontramos aqui um horrendo panorama de acontecimentos relacionados com o "roskurkulenia" (desapropriação), fome no início dos anos 30, implacáveis campanhas contra nações não russas, que iniciaram em 1934 e terminaram somente com a guerra, ações em massa contrárias à humanidade na época "iezhovshchena". Nicolai Yezhov, o Comissário Geral da Segurança do Estado (1936-1938). 1937-1938, foram os mais terríveis anos de repressão, que, no entanto durou até o início da guerra da União Soviética com a Alemanha nazista.

Mas, para mim, o assunto principal no livro são os problemas relacionados com o Holodomor na Ukraina, no início dos anos trinta. Em 22.04.1935, dirigida ao Primeiro Secretário do Partido Comunista da Ukraina Stanislau Kosior, e Segundo Secretário Paulo Postesheva, chegou uma carta do escritório econômico de contabilidade Gosplan, URSS. Nesta carta estavam fixados oficialmente (de acordo com a tradição soviética, longe de estarem completos) informações de acordo com as quais Ukraina, no início de 1934 perdeu 4.179.000 indivíduos da população rural.

Realmente, a abertura de novos arquivos nos últimos 10 - 15 anos, e novas discussões geradas pelas descobertas acima mencionadas, e também os positivos impulsos políticos, giram em torno desses números: exatamente Ukraina sofreu as maiores perdas pela fome no início dos anos trinta, que afetou muitos países da União Soviética. No total, de acordo com os dados oficiais reconhecidos pelos líderes atuais, na ex-União Soviética morreram sete milhões de pessoas. O problema consiste na explicação, por que isto aconteceu e se isso era algum tipo especial de política anti-ucrainiana.

Para começo - sobre a abertura de novos arquivos. Interessante, que eles não estavam determinados especialmente pela conjuntura política, mas ela ajudou-os consideravelmente. Nem durante o governo de Leonid Kravchuk (1991-1994), ou nos anos de Leonid Kuchma (1994-2004) foram publicados tantos, anteriormente inacessíveis, como no período do presidente Viktor Yushchenko (2005-2010). No entanto, a tradição da investigação da tragédia da fome na Ukraina começou a se compor e fortalecer ainda antes da introdução da presidência, na época do Partido Comunista da Ukraina. Em 1990 foi pullicada uma coleção de documentos "Fome de 1932-1933 na Ukraina através dos olhos de historiadores, na língua documental". Na sua segunda parte, pela primeira vez foram impressos documentos únicos e em princípio partidários que referiam-se ao Holodomor. Em tempo, infelizmente, Norman Naymark não tem conhecimento desta edição, nem sobre muitas outras publicações impressas nos últimos anos na Ukraina.

Mas voltemos à história. Foi durante o período do presidente Yushchenko que o problema do Holodomor (bem secedido e não tão bem sucedido esforço) foi lançado a nível nacional e internacional. Sobre Holodomor começou a discussão por ampla gama de pesquisadores de diferentes países (e não só os pesquisadores), porque sem um conhecimento aprofundado desta tragédia não há possibilidade de entendimento de muitos outros acontecimentos do século XX.

Na Ukraina, em investigações sobre Holodomor, Viktor Yushchenko incluiu, criado pelo seu governo em maio de 2006, o Instituto Ukrainiano de Memória Nacional (UINP), e também um serviço especial. No verão de 2006 foi aberto um rosário de fontes do Departamento de Arquivo do Serviço de Segurança da Ukraina (GDA SBU). Eles relacionavam-se com a fome de 1932-1933, e o acesso a eles foi, por muito tempo, proibido. Parte desses documentos e materiais foi inserida na publicação científico-documental "Desclassificada Memória: Holodomor 1932-1933 na Ukraina em documentos GPU - NKVD" (Administração Política do Estado - Comissariado do Povo do Interior), em duas edições.

Em 2008 os trabalhos com a abertura dos documentos secretos, ou da desclassificada memória do GDA - SBU continuaram. Desta vez eles abraçaram a fonte que geralmente refletem as atividades de missões diplomáticas estrangeiras na URSS. Trata-se de informações, avaliações sobre  Holodomor de diplomatas poloneses, alemães, italianos, turcos e japoneses. Esses materiais, através de vários canais, íam parar nas mãos de "chequistas" que atenciosamente observavam as missões diplomáticas estrangeiras.  Essas provas documentais, com a existência de publicações de documentos de diplomatas estrangeiros sobre a fome no iníco de 1930 na URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e na RSSU (República Socialista Soviética Ukrainiana) é uma fonte única e importante para futuras pesquisas e, parece, ainda nunca ter sido usada pelos cientistas. Esses documentos foram publicados no âmbito da série de publicações conjuntas polaco-ukrainianas, intitulada "Polônia e Ukraina nas décadas de trinta e quarenta do século XX. Documentos desconhecidos a partir dos arquivos de serviços especiais", como o sétimo volume da série, e em 2009, traduzido para o inglês como um volume especial.

Além dos documentos dos serviços de segurança, começaram a ser publicados ativamente as fontes do Arquivo Central do Estado de Organizações Públicas da Ukraina (antigo arquivo do partido TSDAHOU), Arquivo Central do Estado União das Comunidades da Ukraina, Arquivo Central do Estado dos Altos Órgãos do Governo e do Governo da Ukraina (TSDAVOVU) e do Arquivo do Estado Russo da História Sócio-Política (RDASPI), praticamente todos os arquivos da Ukraina.

Juntamente com esta publicação foi prorrogada a mostra dos documentos e materiais pessoais - anotações ou entrevistas dos contemporâneos e testemunhas do Holodomor, os quais falavam sobre o que viram ou viveram. No tempo da União Soviética isto seria um "comprometimento", e hoje mais uma importantíssima fonte para o estudo dos acontecimentos de 1932-1933.

Se for dito resumidamente, a abertura dos arquivos impressos e outros materiais publicados permitiram primeiramente, refletir as especificidades da fome, especialmente a submissão da Ukraina por Stalin. Esta especificidade apoiava-se, em particular, na abertura política de controle do regime pela situação da URSS, e pela brutal política de migração (ninguém podia sair da Ukraina devido ao cerco estabelecido. - O.K.) e, ainda a política implacável de requisição de grãos correspondem com a mudança da ênfase na política nacional. Neste sentido, o pesquisador alemão, professor Gerhard Zimon, em 2008 escreveu: "Concomitantemente com a "guerra" contra os camponeses aqui travava-se a guerra contra a consciência nacional ukrainiana.

Simultaneamente a desconfiança de Stalin propagava-se não apenas nos camponeses, mas também em toda a organização do partido na Ukraina. Isso mostra claramente, tornado público somente no ano 2000, a carta de Stalin a Kaganovich, de 11.08.1932. Agora conhecida (mas secreta até o final dos anos oitenta) a Resolução do partido-estado, de 14.12.1932 exigindo não somente o desempenho, a qualquer preço, os planos de requisição de grãos, mas também a "correta prática de ukrainização" (de facto cessação da "ukrainização" na Ukraina e em outras regiões da União Soviética onde houvesse áreas densamente povoadas por ukrainianos. Toda a culpa pela fome atribuía-se aos "petliurovtsi" (Petliura - principal comandante do Exército Ukrainiano do Movimento de Libertação nos anos  1917-1921 - O.K.) e "nacionalistas ukrainianos" os quais eram ativamente procurados e destruídos em todas as esferas da população. Assim parece que os ukrainianos organizaram a fome para si próprios e sozinhos se devoraram. A leviandade e o absurdo de tais avaliações ainda ficou mais evidente após as publicações dos últimos anos.

O professor e pesquisador francês Nicolas Werth, em 2009 escreveu que, anteriormente, preparando um artigo para o "Livro Negro do Comunismo", ele ressaltou que o campesinato ukrainiano era a principal vítima da fome de 1932-1933. Agora, após novas publicações, ele chegou à conclusão que de fato este foi o último episódio da colisão entre o Estado bolchevique e o campesinato, iniciado em 1918-1922. Novas provas e novos argumentos, de acordo com Werth, o convenceram que o caso ukrainiano é "claramente extraordinário" e à pergunta "Será que Holodomor foi genocídio?" A única resposta possível é "Sim!"

Então, não é em vão que em 1983, o jornalista britânico Malcolm Muggeridge, que escreveu para o Guardian Manchester e que viajava pelas regiões "famintas" da URSS, à pergunta "Aonde você viu a pior fome?" respondeu: "Certamente, na Ukraina". E acrescentou "... foi um dos maiores crimes do nosso tempo, não menos do que a catástrofe judia ou o massacre armênio".

Para Norman Naymark também não há dúvidas neste assunto. Não é à toa que ele dá a devida atenção ao texto de um especialista, que ainda em 1953, em seu trabalho "Genocídio Soviético na Ukraina" caracterizou Holodomor como "exemplo clássico de genocídio soviético, o mais longo e em grandes escala experimento de russificação, a saber - a destruição da nação ukrainiana". Trata-se do pai da compreensão da palavra "genocídio" - advogado polonês Raphael Lemkin e seu texto "Genocídio Soviético na Ukraina". Esse texto do R. Lemkin está guardado na seção dos manuscritos na Biblioteca Pública de Nova York. Em 2009, com os esforços do professor canadense Roman Serbyn editado na Ukraina, também em língua inglesa, e outras.

O professor Naymar, em seu livro defende que a origem do termo "genocídio" dos escritos de Lemkin e o trabalho em "Convenção sobre a prevenção do crime de genocídio e a punição por ele" em 1948 não eliminam a possibilidade de aplicar esse termo para identificar os grupos políticos e sociais como vítimas do genocídio. Lemkin, desde o início tinha isso em mente nos seus escritos de 1930. Nos projetos iniciais da Convenção das Nações Unidas também há menção sobre os grupos políticos e sociais como centrais na definição do genocídio.

Segundo Naymark, a fome na Ukraina deve ser considerada como um ato de genocídio. Há ampla evidência - e talvez decisiva quantidade de provas - as quais indicam que Stalin e seu círculo sabiam, que a fome em massa na URSS, em 1932-1933 provocou um extraordinário e mordaz golpe na Ukraina, e estavam prontos para assistir, como milhões de camponeses ukrainianos morrem em resultado disso. Eles não fizeram nenhum  esforço para ajudar os agricultores  que foram impedidos para, de forma independente procurar comida nas cidades ou em outras partes da União Soviética, e se recusaram diminuir os acordos dos panos de requisição de grãos, até que fosse tarde demais.

Professor Naymark enfatiza: "a hostilidade de Stalin em relação aos ukrainianos e as tentativas deles para salvar uma particular forma de governo ukrainiano, assim como a irritação contra a resistência à coletivização dos camponeses ukrainianos ainda mais agravavam a fome."

A conclusão de Naymark é que a culpa de Stalin no assassinato em massa é semelhante a culpa de Hitler.

É difícil imaginar a ação de genocídio nos anos trinta sem Stalin - assim como é impossível de imaginar na História o Holocausto sem Hitler. "Com grande número de razões o Holocausto deve ser o mais terrível acontecimento de genocídio de nossa época. No entanto, não se pode ignorar os paralelos entre Stalin e Hitler, nazismo e stalinismo - eles simplesmente são muitos. Ambos eram ditadores. Ambos mataram um grande número de pessoas no Continente Europeu. Os dois destruíam pessoas em nome de uma visão transformadora utópica. Ambos arruinaram seus países e sociedades destruíndo neles e além fronteiras um número colossal de pessoas. Ambos - finalmente foram assassinos da nação".

No pensamento de Naymark, o primeiro passo importante no sentido de melhorar as relações entre Ukraina e Rússia deve ser de apoio, tanto em Moscou como em Kyiv, a intensa pesquisa e discussão aberta sobre a fome de 1932-1933, para pôr fim aos desentendimentos sobre esses acontecimentos e construir adequado contexto para o perdão: "Russos e ukrainianos não têm legítimas razões históricas ou políticas para proteger a reputação e os crimes de Stalin".

Mas o próprio Naymark salienta, que após a guerra a prória União Soviética influenciou fortemente o pensamento política na formação da Convenção sobre genocídio. Como resultado da pressão, principalmente do lado da URSS, a Convenção sobre a Prevenção do Genocídio e Castigo", adotada pela ONU, em dezembro de 1948, limitou a definição de genocídio para os grupos raciais, religiosos, étnicos e nacionais. Excluíndo grupos sociais e políticos a partir da formulação da definição dificultou o reconhecimento do Holodomor na Ukraina como genocídio. Naymark acredita que a exclusão de grupos sociais e políticos não merecem mérito inquestionável. Mas o comportamento dos diplomatas de Stalin tornou-se uma matriz original para atual diplomacia russa.

Como sabemos, a tese sobre Holodomor como genocídio é motivoo de uma grande irritação nas relaçõeos russo-ukrainianas entre 2004-2010. Às vezes ele assume a forma de caricatura política, como notas dos ministros do exterior sobre o passado. A diplomacia russa, em geral, organiza com sucesso a resistência às tentativas ukrainianas para o reconhecimento do Holodomor como genocídio, a nível internacional. Em 2008 o ministro dos Assuntos do Exterior da Rússia, Serhii Lavrov, em carta a seus colegas de outros países (com exceção da Ukraina), pedia não apoiar as iniciativas de Kyiv nas comemorações das vítimas do Holodomor, e afirmava: "O objetivo da liderança ukrainiana é claro: atrair a Federação Russa à responsabilidade pela fome e inflamar o ódio entre os países irmãos da Ukraina e Rússia". (É muito cinismo chamar de irmão em quem sempre pisaram, e continuam pisando! - O.K.) 
E aqui, justamente, é tempo de dizer, mais uma vez, sobre a liderança ukrainiana. Alguns acreditam que o problema da investigação da fome iniciaram os "nacionalistas ukrainianos" sob a política do terceiro presidente ukrainiano Viktor Yushchenko. Como eu já disse, isso não é verdade. Como não é verdade também que havia uma "ordem pública" sobre o tema Holodomor e  especial "tensão" aos sentimentos e estereótipos antirussos. Na verdade, isto não existiu na forma pura. Mas as tentativas sem sucesso do presidente Yushchenko em conduzir a lei sobre responsabilidade da negação do Holodomor aprofundaram a atitude ambivalente da comunidade e dos pesquisadores sérios sobre o problema da fome de 1932-1933. Por outro lado a exasperação de políticoos russos, e alguns pesquisadores russos com tentativas de fornecer especificidades sobre a fome, contribuiu para aumentar a tensão dos sentimentos antiukrainianos na Rússia.

E não somente na Rússia. Alguns estudiosos ocidentais falaram até sobre a "concorrência das vítimas", que Ukraina desejava fazer "sombra" com Holodomor ao Holocausto, etc. Alguns pesquisadores produzem estimativas conflitantes, "protegem" a Rússia. No pensamento de Naymar, repito, o primeiro passo importante no sentido de melhorar as relações entre Ukraina e Rússia deve ser a colaboraçãoo, tanto em Moscou, quanto em Kyiv, das intensivas pesquisas e uma discussão aberta da fome de 1932-1933, para deste modo "colocar" um final nos desentendimentos sobre estes eventos e criar um contexto adequado para o perdão. Russos e ukrainianos não têm legítimas razões históricas ou políticas para proteger a reputação e os crimes de Stalin, diz o Professor Naymark.  E o que dizem os russos?

Em janeiro de 2007 o chefe da Agência Federal de Arquivo da Rússia Vladimir Kozlov, enviou uma carta em relação à preparação da coleção de documentos: "Fome na URSS. Biênio 1932-1933". Observando que nos trabalhos, além dos russos, participarão tembém os órgãos de arquivos da Bielorússia e Cazaquistão. Numa carta que acompanhava a nota já estava fixada a "convenção do tema da coleção": a fome foi provocada pelas necessidades da industrialização forçada.

Entre as rcomendações, de como selecionar os documentos para publicação, havia esta: "Dado o "fator ukrainiano", é adequado escolher os documentos que provarem a universalidade dos contratos de grãos em 1932, e realizados com os mesmos métodos em regiões em crise (Ukraina, Norte do Cáucaso, baixo Volga)... E eles devem ser escolhidos de tal forma que seja visível a tragédia do campesinato soviético inteiro". Resumindo: a coleção ainda não existe, os documentos ainda não foram escolhidos, mas já se tornou ciente - nenhuma atenção aos acontecimentos ukrainianos!

Este é um bom exemplo para os pesquisadores ocidentais: não há necessidade de defender a Rússia. Ela protege a si mesma de diversas maneiras, e alguns dos pesquisadores russos ainda ensinam os ukrainianos. Mesmo o estudioso respeitado, como Viktor Kondrashyn, escreve que na Ukraina desde o período do Yushchenko "devido a conjuntura política emergiu a teoria que dividiu a tragédia de todo campesinato soviético em 1932-1933 no genocídio Holodomor na Ukraina, e fome em outras regiões da antiga União Soviética, incluíndo a Rússiai". Claramente Kondrashyn é para não dividir, e sim "unificar Rússia e Ukraina"...

No entanto surge a pergunta, a que unificação é o chamamento e como pode haver união na base do anteriormente estabelecido esquema, que nivela a especificidade da tragédia da fome em diferentes regiões da URSS? Os impressos na Ukraina documentos nos últimos anos confirmam a especificidade da situação ukrainiana. Vê-la e entendê-la não significa ignorar ou menosprezar a então situação em outras regiões da URSS.

A análise historiográfica moderna ucrainiana mostra que as pesquisas ukrainianas, de todos os países da União Soviética e das dimensões internacionais sobre Holodomor ainda não se constituíram numa imagem coerente. Por exemplo, estão ausentes as comparações sérias que permitiriam a comparação detalhada da situação na URSS e na Rússia, URSS e Cazaquistão. "Por trás da cena", na verdade, também fica a descrição da perspectiva dos executores, a participação dos próprios ukrainianos, as brigadas de "reboque", e "ancoradouro", participantes de "assaltos de décadas", (referência à exploração anterior da Ukraina pelos russos, cujo domínio iniciou-se em 1645 - O.K.) os quais confiscavam o pão das pessoas, também em órgãos de repressão do partido-estado. Nos órgãos de repressão, é do conhecimento de todos, que haviam também componentes ukrainianos, pessoas que aderiam ao sistema como único meio de sobrevivência existente para si e para seus familiares. É necessário compreender as causas para estabelecer uma completa e justa avaliação dos fatos.
É claramente visível que a integração do Holodomor na cultura da memória européia e mundial não é possível sem compará-la às perdas de outros povos da URSS stalinista, e do Holocausto. Somente assim pode-se encontrar a resposta à pergunta, se Ukraina não faz "sombra" a eles com seu Holodomor.

A resposta para esta pergunta dá, no seu livro, também Norman Naymark. Ele acredita que: "... Para lidar claramente com a política genocida da Ukraina, isto trará  muitos benefícios sociais, políticos e psicológicos". É verdade. E, neste contexto, gostaria de, sinceramente, desejar mais atenção nas investigações de pesquisadores ukrainianos. Isto tem importância independentemente de quão eruditos ou influentes em nossa história tenham sido nossos colegas ocidentais. 
Sem dúvida, este livro não terá apenas adeptos, mas críticos também. E isso é normal. Significa que haverá polêmica, haverá movimento para compreensão de questões complexas da história do século passado, as quais não podem ser entregues a conjunturas políticas.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotoformatação e vídeo: AOliynik

SEGREDOS DE "MYZHYHIRIA". NOVO LUXO DO YANUKOVYCH

A expressão "Residência Mezhyhiria" progressivamente transforma-se em sinônimo não só de corrupção explícita, mas também em excesso de luxo.

Este objeto deixou de ser propriedade do Estado em 2007 - dias em que o cargo do Primeiro-ministro de Viktor Yanukovych foi chegando ao fim.

Após várias etapas de lavagem de dinheiro, falência e revenda, a propriedade se encontra no balanço financeiro da empresa de Donetsk "Tantalit", relacionada com Viktor Yanukovych.

Após a exclusão da residência da propriedade do Estado, todos os objetos foram destruídos, e em seu lugar construído um patrimônio realmente feudal.

Desde então, sobre "Myzhyhiria" criam-se lendas. Sobre avestruzes e cangurus, criados por Yanukovych. Sobre a exclusiva e exótica construção alemã no centro da propriedade, com área de vários milhares de metros, construída por mestres da empresa finlandesa "Khonka". Sobre portas de cedro do Líbano de meio milhão de UAH (moeda do país). Sobre o candelabro de 50 mil dólares. Sobre a arena para cavalos, marina para iates e futuro clube de golfe. Sobre plataforma para helicóptero equipado não pior que um aeroporto - que permitirá a Yanukovych o pouso, mesmo com visibilidade zero.

Em maio deste ano chegou ao jornal "Ukrainska Pravda" a informação que Viktor Yanukovych tem uma nova alegria na vida.

Pois, através de uma exclusiva encomenda foi construído, único no seu gênero o "Palácio sobre a água".

Em busca de confirmação, o autor viajou num barco até o "Myzhyhiria" ao lado do rio Dnipró (ou Dnieper - Myzhyhiria está na região do rio Dnipró, ou proximidades de um gigantesco lago formado pelas águas represadas do rio, que, devido ao seu tamanho é conhecido como "Kyivske more" ("Kyivske" porque próximo de Kyiv e "more" que significa mar, em ucrainiano) - O.K.) e capturou estas imagens:


Vista aérea do novo paraiso particular do presidente


Casa em fase de construção no paraiso particular do presidente

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Imagens do jornal "Ukrainska Pravda", quarta-feira, 8 de junho de 2011.