sábado, 30 de novembro de 2013

URGENTE !!! GRAVÍSSIMA A SITUAÇÃO NA UCRÂNIA

URGENTE ! URGENTE !! URGENTE !!!
Transmissão ao Vivo 
(mas que pode ser interrompida a qualquer momento)



Nesta madrugada os manifestantes que apoiam a adesão da Ucrânia à União Européia e que permaneceram de vigília em praça pública, foram selvagemente atacados pela polícia, os brutamontes denominados Berkut. Há feridos. Os jornais ucranianos que publicaram as notícias pela manhã, inexplicavelmente retiram-nas todas substituindo-as por outras que não retratam o que aconteceu na madrugada na Ucrânia.
O povo ucraniano ao saber do episódio voltou a ocupar em massa a principal praça da Capital em solidariedade às vítimas da violência registrada nesta madrugada.
Os líderes do protesto contra o governo dizem que as manifestações não podem ser tratadas desta forma e que irão resistir. A manifestação era pacífica, mas o governo pró-rússia ignorou o fato e autorizou o ataque de repressão. Resultado: Agrava-se a situação política na Ucrânia.

Redação do Blog.

Urgente. Dispersaram Maidan. Como isto aconteceu

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 30.11.2013

"A praça foi brutalmente esvaziada. Dezenas de feridos. Dezenas de detidos. Tal situação Ukraina ainda não viu", escreveu o deputado Andrii Shevchenko em seu Twitter.

O assalto ocorreu aproximadamente às 4:00 horas da manhã. Havia poucas pessoas na praça a noite. 

Após 11:00 horas libertaram 30 pessoas. Os feridos do Euromaidan estão na Praça  Michel na Catedral.

Yurii Lutsenko chama todos para comparecer no domingo, às 12:00 horas (Isto foi no sábado pela manhã mas, como podemos ver nas reportagens e fotos seguintes Kyiv já está cheia de gente agora, no sábado à tarde. O povo está indignado. Para o início das manifestações pacíficas houve pedido ao governo, o povo não infligiu nenhuma lei). Lutsenko disse: "Nós acordamos na Bielorrússia. Na Praça da Independência o pinheirinho é de sangue. Eu tenho um pedido aos moradores de Kyiv e visitantes: Ninguém se distraia na pista de patinagem ou sob a árvore de Natal - elas estão ensanguentadas. Que aí se distraia Yanukovych".

Carl Bildt, Ministro das Relações da Suécia: "Temo que Yanukovych optou pela política de repressão. Ainda espero que outras vozes falem. Perigo muito sério para Ukraina".

Pela manhã veio a notícia que o chefe da administração presidencial Serhii Livochkin renunciou. Sua esposa Zinaida Lihacheva declarou: "Toda pessoa que se sente ukrainiana não pode não reagir quando tal situação acontece no país. Eu mesma estive no Maidan para apoiar a Eurointegração. Após a dispersão brutal do Maidan o governo sentirá bloqueio e rejeição de todos os níveis!"

Tranquilo na Praça Michel. Manifestação improvisada.Vem muita gente. Trazem comida. Um senhor conta os terríveis fatos da noite: "A impressão é que a polícia recebeu luz verde. Eles batiam em todos, não desdenhando mulheres e idosos e até os transeuntes".

Ministro das Relações Exteriores da Polônia Radislau Sikorski: "Presidente Yanukovych subestimou e equivocou-se quanto ao Acordo de Associação e diante da nação ukrainiana".

Num vídeo das câmeras de vigilância vê-se que Berkut (um destacamento de forças especiais da polícia) mesmo terminando o dispersamento continuou batendo nas pessoas.

O reitor da Academia Teológica, no Mosteiro de Michel, aonde grande número de protestantes procurou abrigo do assalto a Euromaidan, Bispo Epifânio, diz que a polícia aprisiona e coloca algemas a todos que saem do Mosteiro. Ele pede ajuda aos deputados, imprensa, clero e crentes em geral. Aumenta o afluxo de pessoas ao mosteiro.

Vitali Klychko, líder do Partido UDAR, de oposição: "A oposição vai obstruir o trabalho do Parlamento e vai exigir a renúncia do presidente Yanukovych. Ao desenfreado regime de Yanukovych precisa colocar um final. O Parlamento estará bloqueado. Nós não daremos chance a este governo aprovar decisões antipopulares".

O Ministro do Interior disse que a dispersão dos manifestantes foi necessária para garantir a passagem de veículos para continuação dos trabalhos na preparação para os feriados do Ano Novo (Cinismo ilimitado. Já havia poucas pessoas pacíficas na praça-OK).

Svyatoslav Vakarchuk, cantor: "Não há nenhum argumento para justificar o uso de força contra civis! Não! Sob nenhuma circunstância!"

Atenção! Peço espalhar! de Vitalyi Umanets:

"Eu sou testemunha ocular do Euromaidan: As mulheres, neste momento, estavam no alto, os rapazes embaixo, em várias linhas, para protegê-las. As mulheres tremiam, mas encontraram forças para cantar, mesmo com voz trêmula, o hino da Ukraina, que neste momento lhes pareceu uma oração... Quando Berkut se aproximou, os rapazes lhe disseram que a ação era pacífica, permitida pelo Tribunal. Berkut ouviu em silêncio mas depois começou o ataque. Uns caíram sobre os outros. Batiam tanto, que se não fossem as roupas grossas de inverno, quebrariam todas as pessoas. Quando começaram perseguir os fugitivos, alguns acabaram em frente aos painéis de metal... E, atenção, os rapazes da milícia, não do Berkut, ajudaram as pessoas subir através da cerca. Os fugitivos lhes gritaram: Obrigado! Todos corriam em todas as direções. Berkut tentava alcançá-los e continuava a bater. Mesmo aqueles que sentaram nos bancos para descansar, na volta de um clube noturno, e não estavam envolvidos no Euromaidan, apanharam. Eu penso que entre os soldados das Forças Especiais, nesta noite, não havia ukrainianos".

Simon Smith, embaixador da Grã-Bretanha: "As pessoas escondem-se na Catedral de St. Michel. O ônibus do Berkut está na rua. Todos estão nervosos."

Berkut bloqueia as saídas do metrô para Euromaidan.

Na manhã de sábado os ukrainianos de Washington se reuniram em frente a Casa Branca em ato de solidariedade a Euromaidan. A petição contra sanções a Yanukovych já alcançou 100 mil assinaturas e está sujeita a uma resposta oficial da administração Obama.

Os ônibus do Berkut estão em todo centro de Kyiv, em todos os pontos principais. Todo Maidan está cercado.

O embaixador dos EUA Jeffrey Payyett em seu Twitter condenou a repressão do tranquilo Euromaidan: "Por enquanto trabalho para entender o que aconteceu, mas é claro que condenamos o uso da força contra a reunião pacífica. Depois direi mais".

No Maidan, depois da invasão viram duas pessoas desmaiadas no chão. Aonde elas foram parar - por enquanto não se sabe.

Yatseniuk foi aos detidos para lhes informar seus direitos. No comentário a Interfax ele disse que os planos não mudaram, domingo haverá outra reunião pacífica. Agora o principal é resgatar as pessoas que ainda estão no poder da milícia. O que aconteceu a noite quando Berkut, brutalmente, dispersou as pessoas significa o medo que Yanukovych tem de um movimento semelhante à Revolução Laranja (2004). Todos os participantes do Euromaidan (não os políticos) na sexta-feira, decidiram vir para um grande conselho no domingo, que o Acordo de Associação deverá ser assinado por um novo presidente, novo Parlamento e novo governo.

Na região de Shevchenkivsk há aproximadamente 30 pessoas machucadas, algumas com fraturas. Esperamos. após três horas elas serão libertadas. Vários deputados estão lá dentro.

A maioria dos feridos está sendo transferida aos três hospitais de Kyiv. Eles tem ferimentos na cabeça e hematomas nos braços. Entre os feridos há jornalistas.

Estas foram algumas das notícias da manhã de sábado - Oksana Kowaltschuk

YANUKOVYCH MALOGROU A CÚPULA DE VILNIUS

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 29.11.2013

Em Vilnius aconteceu a cerimônia de assinatura de acordos entre UE e países da Parceria Européia, no entanto, com Ukraina, nenhum acordo foi assinado.

Apesar do fato de que Yanukovych não assinou nenhum acordo, ele participou das fotos.




Nem mesmo a declaração de intenções foi assinada, porque o presidente Viktor Yanukovych quer continuar as conversações com UE com participação da Federação Russa.

Antes da assinatura Yanukovych não cumprimentou seus colegas, inclusive Angela Merkel, com a qual manteve conversação pela manhã. 

Ele foi colocado no canto, junto com os representantes da Bielorrússia. Com ele ninguém fala, disse em seu Twitter a jornalista Christina Berzynskyh, que encontrava-se em Vilnius.

Yanukovych queria assinar o Acordo por dinheiro.

Yanukovych confirmou as intenções da Ukraina para, em futuro próximo, assinar o Acordo e anunciou condições para uma maior cooperação. Ele falou sobre isso em seu discurso na reunião plenária da Cimeira.

"Eu confirmo as intenções da Ukraina para num futuro próximo assinar o Acordo de Associação. Faltam apenas alguns passos importantes".

"... para minimizar os efeitos negativos do período inicial. Isso requer nosso trabalho conjunto para o programa de assistência econômica para Ukraina, que nos permitirá fazer os preparativos para assinatura do Acordo".

"Ukraina precisa, da UE passos decisivos na questão do desenvolvimento e implementação do programa de assistência econômica e financeira utilizando todos os mecanismos e recursos disponíveis da instituição, como dos estados-membros da UE".

"Estas medidas, a nosso ver, seriam - primeiro: desbloqueio de programas de apoio orçamental setorial da UE, alocação de recursos de auxílio  macro-financeiro. Segundo: apoio efetivo das instituições financeiras internacionais, FMI e Banco Mundial. Terceiro: revisão das restrições comerciais da UE sobre itens de exportações ukrainianas, introduzidas ainda no século passado. Quarto: participação ativa da UE e das instituições financeiras internacionais na modernização de transporte do gás como elemento-chave da rede européia de energia... Quinto: À parte deste trabalho deve haver um plano de ações para eliminar as contradições e resolver os problemas do comércio da cooperação econômica com Rússia e outros membros da União Aduaneira, o que se relaciona com a criação de uma zona de livre comércio entre Ukraina e UE".

"Eu ficaria grato por seu apoio na questão do início de uma zona de criação de livre comércio entre Ukraina e União Européia. Nós estamos determinados a fazer todos os esforços para concluir este trabalho", concluiu Yanukovych.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

UNIÃO EUROPÉIA: Manifestações e opiniões de políticos

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 26.11.2013

União Européia deixou possível a assinatura do Acordo de Associação com Ukraina no projeto atualizado, para o final da cimeira.
Isto significa que a União Européia ainda não descarta a possibilidade de que o presidente da Ukraina Viktor Yanukovych poderá mudar seu pensamento antes, ou mesmo durante a cúpula e decidir assinar o Acordo.

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O governo convidou os organizadores dos estudantes para uma reunião secreta. Os estudantes recusaram este tipo de reunião, mas estão prontos para dialogar com as autoridades publicamente, na presença de jornalistas.

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Putin quer discutir Associação com UE no formato Ukraina-UE-Rússia. A situação em torno de Kyiv precisa despolitizar e conduzir a discussão de acordo com a proposta do presidente da Ukraina Viktor Yanukovych, no formato trilateral Ukraina-UE-Rússia, segundo informa "Interfax.
Putin, também fez o seguinte pedido: Eu pediria aos nossos amigos de Bruxelas, meus bons amigos pessoais na Comissão Européia, para se abster de expressões duras. Que nós precisamos, para lhes agradar, estrangular ramos inteiros de nossa economia?" - declarou Putin.
Anteriormente Mykola Azarov (primeiro ministro) já havia anunciado que o presidente Yanukovych pretendia levantar a questão do formato trilateral na cúpula de Vilnius. A UE já declarou que o formato trilateral "não é saída" e eles não veem nenhum papel para terceiros países neste processo.

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No Parlamento Europeu alertaram autoridades ukrainianas sobre graves consequências em caso de uso de força contra os apoiantes da integração européia durante os protestos em massa.
O governo ukrainiano deve abster-se do uso da força contra os manifestantes que realizam protestos pacíficos na Praça Européia, contra a decisão do governo ukrainiano em não assinar o Acordo de Associação.
"Caso contrário as consequências serão graves", - alertou o Parlamento Europeu. Os parlamentares europeus manifestaram seu "mais forte apoio a muitos milhares de ukrainianos que estão vindo para o Euromaidan em Kyiv e em outras cidades da Ukraina, num frio intenso, protestando contra decisão do governo que os priva de seu futuro europeu".
E, novamente salientaram, que a porta da UE continua aberta para nação ukrainiana.

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"Isto não é um jogo, no qual Ukraina é o prêmio final. Isto é parceria entre UE e Ukraina. Vamos continuar trabalhando e estaremos em contato construtivo um com o outro", - disse Kosyanchych, porta voz de Catherine Ashton.
"Estamos em contato constante com a Rússia - nosso parceiro estratégico é nosso importante vizinho, e continuará a ser assim no futuro". E Kosyanchych concluiu dizendo que Rússia, de modo algum, será representada na cúpula da "Parceria Oriental", em Vilnius no dia 29 de novembro.

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Primeiro-ministro da Polônia Donald Tusk: "Europa não vai comprar Ukraina por dinheiro numa licitação, mas deixará para ela "porta aberta".
Sobre assinatura do acordo: "É difícil estar otimista na questão da assinatura do Acordo em Vilnius, mas é importante que haja um futuro desenvolvimento. E, mesmo que não haja um final esperado... isto não significa que podemos desistir. Os projetos europeus para Ukraina não podem parar". 
"Os ukrainianos devem entender, que tudo atrasou-se devido ao governo ukrainiano e presidente, mas Europa está pronta e não retarda o processo porque isto é importante para o futuro, possivelmente não tão distante", - disse Tusk.
"Se os líderes ukrainianos pensam que vão realizar um leilão, quem dará o maior tributo financeiro, então podem decepcionar-se, porque Europa - é investimento estratégico, de longo prazo. Não sei quem tem a informação sobre quanto Vladimir Putin dá a Viktor Yanukovych, mas não há dúvidas que há pressão da Rússia sobre Ukraina, e também certos meios econômico-políticos são fortes. O maior ativo da Ukraina é o seu povo. Se ele quiser, cedo ou tarde isso acontecera", - finalizou Tusk.

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União Européia propõe a Ukraina um auxílio muito maior que deu a Polônia após assinatura do Acordo no início dos anos noventa, segundo o eurodeputado e ex-comissário do governo polonês nos assuntos de integração européia Jacek Saryusz-Wolski.
Trata-se de 800 milhões a 1 (um) bilhão de euros por ano. Polônia recebia, no início, algumas dezenas, e no final 200 milhões de euros por ano", - disse ele.
"Além disso este acordo prevê uma maior abertura da economia, não somente em termos comerciais através do afastamento de berreiras tarifárias, mas também na harmonização das normas. No caso de aplicação das disposições deste documento, Ukraina teria 60-70% de legislatura econômica européia, Disse Wolski. 

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Yanukovych prometeu assinar o acordo com UE quando lhe agradarem as condições.

"O Acordo de Associação com UE será assinado quando as condições forem satisfatórias para ambas as partes", - disse Yanukovych em uma entrevista aos canais de TV ukrainiana.
"Quando o país for competitivo. Assim que alcançarmos um nível confortável, quando corresponder aos nossos interesses, quando nós acordarmos em condições normais, então nós vamos conversar sobre assinatura. Quando isto será, rápido, ou muito rápido, o tempo mostrará. Eu quero que seja o quanto antes", - declarou Yanukovych.
"Nós nos definimos. Não temos mais este questionamento".  
Yanukovych enfatizou, que para transição da economia ukrainiana para normas da economia européia são necessários não menos de 20 bilhões por ano, e no total até 2017, aproximadamente 160 bilhões de euros,. Isto não é adesão (assinatura do acordo) da Ukraina à União Européia. Ukraina não será anexada aos fundos europeus. Nós não estaremos lá", - disse o chefe de Estado. 
Ele ressaltou que durante um bom tempo Ukraina negociou em diferentes níveis com diferentes estruturas da UE em questões econômicas, comerciais, energéticas.
"Quaisquer negociações que nós realizamos, eram direcionadas para entrar em boa forma. Isto é, Ukraina, antes de tudo, deveria ter recursos econômicos suficientes para implementação deste acordo", - concluiu Yanukovych.

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(As manifestações continuam firmes e orientadas pacificamente. Algumas brigas ocorreram mas são casos isolados. Os manifestantes que vem do interior frequentemente são parados para averiguações. As informações são para que não entreguem os documentos porque aí os rodoviários ficam segurando por 2-3 horas. Acabam seguindo viagem. O governo não deu ordens mais rigorosas, não esperava tal oposição. O movimento é apartidário, os estudantes estão colaborando, e até conduzindo as manifestações, o que é grande e agradável surpresa. Mas nem todas as Faculdades colaboram dispensando-os. É bonito ver quando as senhoras de idade cantam antigas canções populares para milícia que procura desalojá-las de algum local.
Além da milícia, para reforço, o governo costuma trazer do interior jovens, de grande estatura, para assustar os manifestantes, que se prestam para tais ocasiões porque recebem bom pagamento. O governo poderá não ceder, mas deve estar com medo, a prova disto é que não está usando a agressividade que lhe é costumeira - OK).

Resumo e tradução: Oksana Kowaltschuk

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

POVO UCRANIANO APROVA RESOLUÇÃO EM PRAÇA PÚBLICA

Euromaidan(¹) aprova resolução: Yanukovych e governo à demissão, plena mobilização para protestos.

Domingo, 24.11.2013

No caso da não assinatura do Acordo de Associação com UE os organizadores do Euromaidan demandarão pelo impeachment do presidente Viktor Yanukovych pela traição do Estado e apelarão a todos os países democráticos do mundo para aplicarem sanções pessoais contra Yanukovych e membros de seu regime.

Isto é afirmado na resolução da Assembléia Popular, lida por Oleksandr Turchynov no Euromaidan em Kyiv.


Orientando-se nos termos do artigo 5º da Constituição da Ukraina, segundo o qual a única fonte de poder na Ukraina é a nação, nós, os reunidos na Praça Européia em Kyiv, aprovamos a decisão em exigir a renúncia do governo de Mykola Azarov pela traição dos interesses nacionais e aprovação da decisão de recusa do curso à integração européia. Também foi aprovada a decisão da exigência da realização em 27 de novembro de 2013 de uma sessão extraordinária do Parlamento para - terminantemente considerar e aprovar todas as indispensáveis leis para integração européia, incluindo o tratamento de prisioneiros no estrangeiro, e sobre o Ministério Público.

O apelo apropriado das três facções e as necessárias assinaturas já foram enviadas ao Parlamento.

"No caso da impossibilidade do Parlamento em aprovar as indispensáveis leis ou recusa da maioria parlamentar para votar nelas, exigir a dissolução do Parlamento e realizar eleições antecipadas", declarou Turchynov.

A resolução também exige de Viktor Yanukovych imediatamente cassar a decisão do Governo Azarov, parar com as repressões políticas, libertar Yulia Tymoshenko, restaurar o curso de integração européia e assinar o Acordo de Associação em Vilnius.

"No caso da recusa do presidente em cumprir suas obrigações constitucionais e não assinar o Acordo, buscar o impeachment do presidente Yanukovych por traição de Estado e apelar a todos os países democráticos para aplicar, imediatamente, sanções pessoais contra Yanukovych e representantes de seu regime corrupto", - diz a resolução.

A Assembléia Popular também aprovou a decisão de dirigir-se aos dirigentes da UE, e aos presidentes e governos dos seus 28 países-membros para não fecharem as portas da Ukraina à Europa, e criar condições para assinatura do Acordo de Associação depois da mudança do governo no país.

"Acompanhar e auxiliar a mobilização de todos os partidos e organizações da sociedade civil que se posicionam pela integração européia da Ukraina, para realizar ações de protesto para nossa vitória", - disse Turchynov.

"Nós cansamos de traições, decepções, pobreza e transgressão de leis. Nós queremos viver num país europeu, normal e civilizado, onde há liberdade de expressão, respeito a pessoa e seus direitos, onde todos são iguais perante a lei" - concluiu Turchynov.

(¹) Euromaidan - maidan é praça. Como nas manifestações em geral, e pelo Acordo de Associação com a UE, o povo se reúne nas praças, então deram o nome de Euromaidan ao presente movimento.


Tradução: Oksana Kowaltschuk

sábado, 23 de novembro de 2013

80 ANOS DO HOLODOMOR UCRANIANO

Em Kyiv no dia de aniversário de 80 anos do Holodomor realizou-se a cerimônia das vítimas da tragédia.


A procissão fúnebre foi no centro de Kyiv. Participaram 6.000 pessoas.


 A procissão terminou no Memorial às vítimas do Holodomor na Ukraina. Lá rezaram uma missa de réquiem. Participaram o Patriarca de Kyiv e toda Rus-Ukraina Filaret, hierarquias da Igreja Greco-Católica Ukrainiana, Igreja Autocéfala Ortodoxa Ukrainiana, Igreja Ortodoxa Ukrainiana, e Igreja Católica de Roma na Ukraina.


O evento teve a participação de líderes e deputados da oposição, e representantes da diáspora ukrainiana.
Às 16:00 horas, houve um momento de silêncio em todo o país e a ação nacional "Acenda uma vela", durante a qual os participantes acenderam 10 mil velas.



Em 18 de novembro, na Ukraina começou a semana em memória às vítimas do Holodomor. Este ano comemora-se o 80º aniversário do Holodomor - genocídio de 1932-1933 na Ukraina.
De acordo com dados das pesquisas sociológicas, 66% dos ukrainianos acreditam que a fome de 1932-1933 foi um genocídio.




Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fotos e video-formatação: A. Oliynik.

UCRANIANOS PROTESTAM À FAVOR DA UNIÃO EUROPÉIA

Fule: União Européia está disposta a retomar as negociações assim que Ukraina estiver pronta.
Isto foi afirmado pelo Comissário Europeu para o alargamento e Política de Vizinhança Stefan Fule em comentário exclusivo para o jornal "Dzerkalo Tyzhnia" (Espelho da Semana). 
Ele lembrou que desde 1991 União Européia repassou a Ukraina a ajuda de 3,5 bilhões de euros, e os bancos europeus deram créditos de 10,5 bilhões de euros.
Fule sublinhou que a preparação para Acordo de Associação era "uma expressão clara da nossa vontade e determinação para desenvolver a aproximação e desenvolvimento de mais profundas relações comuns.
"Mas, na última quinta-feira o governo ukrainiano decidiu diferente", - lembrou Fule. Ele disse que a UE tomou nota da decisão do governo da Ukraina de suspender o processo de preparação, que isto foi feito sob pressão da Federação Russa e que "ninguém pede a Ukraina para abandonar o tradicional acordo de livre comércio com a Rússia. É completamente normal às empresas produzir seus produtos para diferentes mercados". 
Fule declarou que a UE está pronta para aproximação com Ukraina e está pronta para renovar a necessária aproximação assim que Ukraina anunciar sua disponibilidade para retomar seu movimento em direção à associação política e integração econômica com a UE para o benefício de seus cidadãos", - afirmou o comissário europeu. 

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Em Kyiv o povo está reunido, em protesto, na Praça da Independência (Maidan Nezalezhnosti).
Alguns tentaram instalar tendas para passar a noite. Segundo previsão chove neste final de semana no país todo. Os guardas não permitem a instalação, cumprem ordens do governo.

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Na Ukraina rolou a onda de protestos a favor de "euromaidan" (Maidan já está sendo entendido como "protesto na praça". No caso "euromaidan" significa protestar a favor da União Européia - OK). Já  foram iniciados protestos em Lviv, Chernihov, Kharkiv, Donetsk, Chernivtsi, Kryvyi Rih, Vinnytsia, Sume.

Фото з Facebook
Protestos em Lviv, principal cidade da Ukraina Ocidental


Protestos em Kyiv, Capital da Ukraina

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Yulia Tymoshenko Faz um apelo a Viktor Yanukovych para que ele assine o Acordo de Associação com a União Européia e promete, no mesmo dia que ele tomar tal decisão, ela pedirá à União Européia para que ela assine o Acordo sem o critério relacionado com sua libertação.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A UCRÂNIA RECUSA ASSOCIAR-SE À UNIÃO EUROPÉIA

Quinta-feira negra

Azarov (primeiro-ministro) recusou o Acordo de Associação com UE

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 21.11.2013
Ukrainskyi Tyzhden (Semana Ukrainiana), 21.11.2013

O governo decidiu suspender o processo de preparação para celebração do Acordo de Associação com UE.

"Suspender o processo de preparação para celebração do Acordo de Associação entre Ukraina, por um lado, e a UE, a Comunidade Européia da Energia Atômica e seus Estados-membros, por outro lado, e a ação da decisão do Conselho de Ministros da Ukraina de 18.09.2013 "Sobre a preparação para assinatura do projeto do Acordo de Associação entre Ukraina, de um lado, e a União Européia e seus Estados-Membros, por outro lado" - diz a ordem.

De acordo com a ordem, a decisão foi tomada "com a meta de garantir a segurança nacional, um estudo mais detalhado e elaboração de medidas a serem tomadas para recuperação dos volumes de produção perdidos e direções de relações comerciais e econômicas com a Federação Russa e outros países membros da CEI"


Boyko, vice-primeiro-ministro explicou que não houve compensação da UE pelas perdas que Ukraina sofreu devido ao reduzido volume de negócios com os países da CEI, incluindo a Rússia. "Nós não recebemos um sinal claro de nossos parceiros europeus que essas perdas, que nós sentimos nos últimos 4 meses, serão compensadas. O país não pode permitir isso, portanto apareceu esta resolução", - disse ele. Boyko acrescentou, que Ukraina esperava receber da União Européia não compensação em dinheiro, mas abertura dos mercados para os bens ukrainianos. E que as perdas, desde agosto deste ano chegam a 30 - 40 bilhões de UAH.

A oposição declara sobre a traição do governo e exige o comparecimento de Yanukovych e Azarov no Parlamento.

Opiniões de alguns políticos ocidentais

Kwasniewski: Acordo de Associação não vão assinar. Nossa missão está concluída.

Carl Bildt - Ministro das Relações Exteriores da Suécia: "O governo ukrainiano de repente caiu profundamente nos braços do Kremlin. Política de pressão brutal obviamente funciona" - Escreveu em seu Twitter.

Pawel Zalewski - deputado do Parlamento europeu culpou a UE por ter permitido a Putin "virar a mesa" no que foi contestado por Marek Menkishak, chefe do departamento russo do Centro de Estudos do Oriente, que disse: "pressão de Putin foi decisiva, no entanto Putin não é presidente da Ukraina. O membro da Comissão de Parlamento Europeu dos Assuntos Externos Jacek Saryusz-Wolski apoiou este ponto de vista. Ele escreveu no seu Twitter: "Yanukovych escolheu. Não haverá Acordo de Associação com UE em Vilnius. Ukraina precisa mudar de governo, para verdadeiramente líder pró-europeu". "Infelizmente, cumpriram-se as minhas previsões. Yanukovych expôs as cartas e revelou suas verdadeiras intenções. Age contra o parecer do Estado e da nação ukrainiana", - acrescentou.

Catherine Ashton - representante da UE para os Negócios Estrangeiros: 
"É frustrante não só para UE, mas também, consideramos, para a nação ukrainiana".
"As reformas, que têm sido implementadas nos últimos meses têm sido promissoras".
" A assinatura do mais ambicioso acordo que a UE já ofereceu...".
"Nós acreditamos que o futuro da Ukraina está em uma forte relação com UE. Além disso nós nos mantemos fiéis ao nosso compromisso com o povo da Ukraina, o qual seria o principal beneficiário do acordo através da forte liberdade e prosperidade ao qual ele contribuiria", - concluiu ela.

A justiça proibiu, de 22.11.2013 a 07.01.2014 a instalação de tendas na praça do Maidan, na rua Khryshchatek e na Praça Européia em Kyiv. (Deve ser prevenção contra as  manifestações contra a ruptura do Acordo de Associação - OK).

Resumo e tradução: Oksana Kowaltschuk

SOBREVIVENTES RELATAM O HOLODOMOR

Amigos deste blog:
Os depoimentos são tristes, comovedores e dramáticos, mas precisam ser mostrados ao mundo como testemunho do que representa o comunismo para a humanidade. É o lobo que trocou de pele, mas não perdeu e ferocidade demoníaca.

O Cossaco.


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

ÓPERA: HOMENAGEM AO HOLODOMOR (1932-1933)

Amigos do blog:






Em Nova York estreou ópera sobre Holodomor
05.02.2013

Ópera chamada "Holodomor (Terra vermelha. Fome)" ressoou no palco do teatro dramático Gerald W. Lynch, em Nova York. Autor da ópera - natural da Ukraina, compositor e maestro Virko Baley - sua obra escreveu quase três décadas. Ele assegurou-se com muitas testemunhas dos terríveis acontecimentos de 1932-1933 (Baley nasceu em 1938), e o empurrão final para completar o trabalho foi a apresentação da ópera dentro das paredes da Universidade de Harvard no início de 2012.
Baley trabalhou no Instituto de pesquisas ukrainianas por quase seis meses. A Conferência Internacional que teve lugar nesta universidade deu ao compositor a oportunidade de despertar o interesse do numeroso público pela ópera. Posteriormente, fragmentos da ópera "Holodomor" foram apresentados na sede da ONU.
A ópera de Virko Baley teve sua estréia mundial em Las Vegas no centro de música Lee e Thomas Bimiv em 11 de janeiro, mas fragmentos da ópera ouviram primeiro os ukrainianos. Em outubro do ano passado "Holodomor (Terra vermelha. Fome)" soou na realização da Filarmônica Nacional da Ukraina. Dois solistas - o americano John Tayker e a ukrainiana Tamara Khodakova - executaram três fragmentos da composição musical: "Canção de ninar", "Tempo de lobos" e "Eterno brilho".
Baley visitou pessoalmente a apresentação em Kyiv.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

HISTÓRIA DA FOME

História da fome: "por ter salvo a vida de várias pessoas - foi enviado para Sibéria."

Istorychna Pravda (Verdade Histórica), 26.11.2010
Olena Zakharchenko

Há uma coisa que preciso dizer: eu penso, que as pessoas nos anos 30 (séc. passado) pressentiam que haveria fome. Caso contrário, eu não posso explicar por que meu bisavô Stepan Prokopenko, ainda na primavera de 1932 semeou tanto feijão - simplesmente uma área grande - e quando colhido, precisaram guardá-lo em barris. (Feijão na Ukraina não é comida principal - OK).

Isto foi em Sumy - distrito Okhtyrsk, aldeia Komyshi. Ao bisavô eu não pude perguntar por que ele fez assim - ele morreu na cidade americana de Goshen, quando eu era bem novinha, eu nunca o vi. À vovozinha Stepanyda eu perguntei, mas ela não sabia - ela, em 1932 ainda era uma menina.

O bisavô Stepan próximo de 1933 não era "kurkul" (rico - na denominação dos comunistas). Antigo sapateiro, já não trabalhava como sapateiro, nem mais empregados havia, e até a casa onde eles se sentavam e costuravam botas foi derrubada.

Sobre aquele feijão eu já contei. Os barris com feijão ficavam no sótão. Feijão "eles" não levavam, "eles" somente queriam o trigo.

"Eles" quem eram "eles"? Ativistas? Comunistas? Simplesmente "eles", maltrapilhos, não adequados ao trabalho, com um revólver cada, usavam xales para envolver os pés. Andavam a noite. (Eram os bêbados e os que não queriam trabalhar. Candidataram-se como ativistas, para roubar as pessoas. Receberam revólveres do governo, cartões do partido e todo poder em suas mãos), 

O trigo "eles" sequestravam, pelo trigo "eles" atiravam, o trigo "eles" achavam mesmo enterrado, todo ele, onde quer que estivesse. Todos da família Prokopenko, em 1933, comiam feijão, faziam pasteizinhos de feijão com espinafre, cozinhavam e simplesmente comiam, todos os parentes.

Ainda o bisavô Stepan tinha cabras. Elas também não foram levadas à fazenda coletiva, a vaca foi levada. Cabras para Kholkhoz, para quê?

As 4 filhas do bisavô - Halia, Tetiana, Stepanyda (minha avó) e Marfa apenas olhavam a fome, o que acontecia ao redor, e levavam feijão aos parentes, em saquinhos.

Meu bisavô Stepan no início de 1960

Naquele verão choveu muito.

E crescia erva daninha. Tal planta daninha nunca cresceu tanto.  Quem sabe - talvez porque ceifá-la ou arrancá-la já não havia ninguém.

As pessoas na aldeia andavam pouco. Elas inchavam de fome. Inchadas, mal se moviam.

Vizinhos defronte - família grande, cheia de crianças. Havia duas menininhas um pouco aleijadas: uma com um pouco de idiotia, outra coxa. Fecharam as duas no chiqueirinho sem comida, sem água, depois comeram. Mas ainda assim não se salvaram. Até hoje lá, onde estava sua casa, o terreno está baldio, apenas vive o cuco.

Os parentes distantes do bisavô, que viviam adiante do moinho, todos morreram, apenas um menininho pequeno viveu - cuidavam da criança, davam-lhe mais alimento.

Minha bisavó Cristina em 1950.

Bisavó Cristina recolheu aquele menininho. Deu-lhe um pastel de grãos de feijão com espinafre, um só, pois não se pode comer muito após prolongado período de fome.

De noite a bisavó acordou sobressaltada - o menino não estava dormindo. Encontrou-o na despensa. E, la estava ele comendo e comendo aqueles pastéis, um após outro, comia e chorava. E, já sujo com fezes, e sufocando com aqueles pastéis que já não conseguia engolir...

No dia seguinte enterraram-no no quintal. Até hoje há uma cruzinha lá.

Tais cruzinhas há muitas na aldeia, nos pomares, nas hortas... É assustador quando são vistas pela primeira vez. As pessoas não tinham forças para levar defuntos até o cemitério.

Na verdade, ainda levavam ao cemitério, mas aqueles que já não possuíam parentes para enterrá-los.

E "eles" sempre andavam a noite. Já não havia trigo, não havia mais nada para recolher, então começaram exigir dinheiro, ouro, antigas moedas dos czares, que as pessoas guardavam. Vieram à casa da professora, um a segurava, outro apontava pistola - "entregue, ou atiramos". Ela tentou libertar-se, o da pistola atirou e matou seu amigo. A professora e toda sua família foi exilada para Sibéria.

Para trocar as moedas pela comida as pessoas íam longe, à cidade. Mas raramente conseguiam trazer a comida até a aldeia. Eram roubadas por "eles".

Os pais da bisavó Cristina eram "kulaks" (pessoas de posses - camponeses prósperos) - velhos infelizes e doentes. Tudo já lhes tiraram, até a chaminé derrubaram, para que não conseguissem preparar alguma comida. Eles tapavam as janelas e faziam fogo no chão, e coziam ali aquele mesmo feijão. Mas, "aqueles", de alguma maneira viram e, à noite vieram às gargalhadas. Viraram a panela, pisotearam o feijão, quebraram toda louça - "morram, kulaks!"  Com "aqueles" andava uma moça, ela não era da aldeia, assim como chegou, assim foi embora...

O bisavô Stepan foi detido no ano seguinte. Por ter sido esperto - salvo da fome muitas pessoas! Inimigo da Nação. Para Sibéria mandaram.

Minha vovozinha Stepanyda, com minha mãe e minha tia. Final dos anos 1940.

Na aldeia sobraram poucas crianças. Quando as crianças da aldeia cuidavam do gado na pastagem em tempos normais - alternadamente cada criança pastava uma ou duas vezes no mês. Mas agora havia poucas crianças, a vovó Stepanyda pastoreava e pastoreava. De cada casa, em 1934 - traziam-lhe pão, pelo pastoreio das vacas.
Embora já houvesse bastante pão na aldeia, ela pegava e agradecia a todos, porque entendia o que o pão agora significa àquelas famílias.

Depoimento de Olena Zakharchenko - Professor de Matemática aplicada na Universidade Nacional de Gestão das Águas e da Natureza.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

terça-feira, 19 de novembro de 2013

ÀQUELES QUE JULGAM QUE O HOLODOMOR "NÃO ERA GENOCÍDIO"

Istorychna Pravda (Verdade Histórica), 24.11.2011
Volodymyr Honskyi
Cantor-poeta, publicitário


Historiadores, juristas e simplesmente pessoas com bom senso e consciência frequentemente apresentavam argumentos convincentes em relação ao caráter genocida dos Holodomores ukrainianos, terrorismo e outras repressões soviéticas. Escrevia sobre isto também este autor.

Negar isto podem talvez bastardos espirituais ou diversionistas imperiais de diversos naipes, cargos e honorários. "E será que era possível enterrar todos esses seus milhões? E onde? - recorda-se um dos "cínicos contra argumentos" do jovem e promissor deputado-comunista-fiel descendente daqueles assassinos. 

"No cemitério das  ilusões fuziladas já não há espaços para sepulturas" - deseja-se responder a estes mutantes morais, que pecam sempre com novo assassinato, mas querem parecer mais santos que Papa de Roma.

No entanto, na diversidade das questões relativas ao genocídio a comunidade global sempre confronta-se com a pessoa, cuja autoridade é e será, talvez, não menor, do que aqui lembrado Papa.

Este é Raphael (Rafal) Lemkin - autor do conceito de genocídio, que formou-se a base de todos, internacionais e nacionais atos jurídicos.

Será que sabem os seguidores de Stalin, que um dos principais impulsionadores do trabalho abnegado deste Grande Humanista no campo da prevenção de destruição das nações era justamente a compreensão da destruição em massa dos ukrainianos, que mais tarde ele fundamentou como exemplo típico de genocídio?!

Rafal Lemkin nasceu em 1900 na região de Grodno. Nos anos 1920 estudou filologia e direito na Universidade de Lviv. Depois de defender sua tese de doutorado na Universidade de Heidelberg (Alemanha) Lemkin trabalhou como assistente de promotor em Beryzhany (Ukraina), em seguida, ensinou em Varsóvia. Como vemos, o futuro corifeu do direito internacional formava-se no seio ukrainiano das calamidades entre guerras.

Holodomor foi genocídio. Assim considerou o autor do termo "genocídio".

O termo "genocídio" amadureceu em Lemkin não imediatamente. Representando Polônia em várias conferências jurídicas internacionais, exatamente em 1933, o ano do Holodomor, ele propôs: considerar aqueles que causam danos às pessoas das comunidades, culpados de "barbarie", e aqueles, que destroem os valores culturais desta comunidade, -  em "vandalismo", deter estas pessoas, julgar e punir. 

A seguir Lemkin constantemente aprofunda sua investigação, e à base dos julgamentos do Tribunal de Nuremberg e da Convenção da ONU "Sobre a prevenção do crime de genocídio e punição por ele", aprovadas pela Assembléia Geral em 1948 foram introduzidos justamente as suas conclusões.

Em 1953, em Nova York, no auge de sua fama Lemkin proclama na conferência "Genocídio Soviético na Ukraina (Raphael Lemkin Papers, Manuscrit and Archives Division, The New York Public Library, Astor, Lenox and Tilden Foundations, Box 2, Folder 16).

"Aquilo, sobre o que eu quero dizer, - é, talvez, o exemplo clássico de genocídio soviético, sua mais longa e mais ampla experiência de russificação, ou seja - a destruição da nação ukrainiana", - anuncia seu pensamento Lemkin

Mas, na primeira frase ele indica que a política da URSS - é apenas continuação da política imperial da Rússia czarista:

"A destruição em massa dos povos e nações, que caracterizou o avanço da União Soviética à Europa, não é uma característica nova de sua política de expansão. Isto foi uma característica de longo período da política de Kremlin, à qual os atuais governantes da política de Kremlin tiveram amplos precedentes nas ações da Rússia czarista... Tais crimes imperiais, como o afogamento de 10 mil tártaros da Criméia por ordem de Catarina, a Grande (se sabia Lemkin sobre o afogamento em 1944? - V.H.),... extermínio pelo czar Mykola I dos líderes nacionais poloneses e católicos ukrainianos..."

E esta é muito honesta e atual condição, que todos compreendem, mas nem todos falam em voz alta. Porque se nós mesmos agora repetimos o memorizado "regime de Stalin, crimes de Stalin", nós determinamos apenas 25% da verdade. A expressão "crimes comunistas" é verdadeira apenas para 50%.

"Genocídios de Stalin". Eles eram muitos.

A raiz do mal e sua verdadeira razão, é que todos esses regimes e crimes eram e são imperiais! 
Em seguida Lemkin fundamenta, porque exatamente aos ukrainianos a sangrenta idéia imperial ataca mais. Ao lado do poder econômico e demográfico da Ukraina, ele acentua no principal problema para nazistas imperiais (e profetiza para nós):

" Enquanto Ukraina conserva sua unidade nacional, enquanto seu povo continua pensar sobre si como ukrainianos e demanda pela independência, ela representa uma grave ameaça para o coração da idéia soviética... Porque o ukrainiano não é e nunca foi um russo. Sua cultura, seu temperamento, seu idioma, sua religião - tudo é diferente... Ele se recusava da coletivização, aceitando melhor a deportação e até a morte. Por isso era especialmente importante adaptar o ukrainiano ao padrão de Procrusto*, padrão ideal do homem soviético".

Analisando a tecnologia do genocídio ukrainiano, Lemkin identifica quatro componentes
1. Destruição da inteligência ukrainiana - o cérebro da nação.
2. Destruição da igreja ukrainiana - "alma da Ukraina".
3. Holodomor - destruição dos criadores e acumuladores da cultura, idioma e tradições        
    ukrainianas.
4. Fragmentação da nação ukrainiana pelo caminho da povoação de estrangeiros na Ukraina     e, ao mesmo tempo pulverização de ukrainianos por toda Europa Oriental e Ásia para             destruir a unidade demográfica nacional.


Raphael Lemkin (em pé, primeiro da direita) entre os representantes dos países que assinaram a Convenção da ONU sobre a prevenção do genocídio e castigo por ele.

"1920, 1926 e novamente em 1930-33 professores, escritores, artistas, pensadores e líderes políticos foram eliminados, presos ou deportados... Apenas em 1931 foram exilados para Sibéria 51.713 intelectuais. Um semelhante destino encontraram, no mínimo, 114 poetas de destaque, escritores e artistas - mais destacados líderes culturais da nação. ... Pelo menos 75% dos intelectuais e profissionais da Ukraina Ocidental, Transcarpathia e Bukovyna foram brutalmente exterminados pelos russos" - revela os crimes imperialistas-nazistas o destacado humanista caracterizando o primeiro parágrafo de suas acusações.

Apropriadamente, de forma concisa e convincentemente Lemkin acusa o imperialismo comunista-nazista com argumentos sobre outro ponto de vista:

"Entre 1926 e 1932 foi liquidada a Igreja Ortodoxa Autocéfala Ukraina, seu metropolita (Lypkivskyi) e 10.000 sacerdotes. Em 1945 quando o governo soviético foi estabelecido na Ukraina Ocidental, destino semelhante encontrou a Igreja Católica Ukrainiana... Antes da liquidação desta Igreja lhe foi oferecida oportunidade de unir-se ao Patriarcado russo em Moscou - ferramenta política de Kremlin..."

Yanukovych: "Reconhecer Holodomor como genocídio é errado"

Regimes, reis, secretários gerais e outros mandatários passam, mas a guerra com a "alma da Ukraina", Igreja ukrainiana continua. O curto tempo de acesso aos arquivos ukrainianos revelou muitos documentos daquela época que podem ilustrar, completamente, também o estado atual desta guerra inverídica.

A destruição da Igreja ukrainiana, especialmente a tão atual fomentação de inimizade entre igrejas como foi segundo a Deliberação do Partido Comunista (bolchevique) de 13.02.1922: "Com a finalidade da intensificação da luta entre elas (Igreja Autocéfala Ortodoxa Ukrainiana e Igreja Ortodoxa Russa - VH) recusar-se do princípio da maioria,... não permitir questionamento de cidadãos" ( Arquivo Central do Estado das Associações de Comunidades Ukrainianas). 
E seguindo mais, você pode citar tais documentos com comandos "fortalecer a repressão", "desorganizar", "liquidar", etc., para execução da principal ainda ordem de Lenin "Quanto maior quantidade de representantes reacionários do clero (porque sempre houve e agora há "não reacionário", "nosso", "progressista" clero - VH) e burguesia reacionária nós pudermos fuzilar, tanto melhor".

"O terceiro gume de ataque soviético era dirigido contra os agricultores - grande massa de agricultores independentes, guardiões das tradições, folclore e música, língua nacional e literatura, espírito nacional da Ukraina. A arma que foi usada contra eles, é, talvez, a mais terrível de todas - enfraquecimento pela fome: Durante 1932-1933 cinco milhões de ukrainianos (a maioria de autores cita sete milhões e alguns dizem que chegou a dez milhões  - OK) morreram de fome e brutalidade", - escreve Lemkin, argumentando a terceira direção de suas acusações.

Como Holodomor mudou a consciência dos ukrainianos

Vale a pena destacar aqui a exata compreensão de Lemkin da razão da principal causa do Holodomor ukrainiano que ele reconheceu das declarações dos principais executores desse monstruoso crime: "Kossior** declarou no jornal "Izvestia" em 02.12.1933: o nacionalismo ukrainiano - é o principal perigo para nós". E erradicar esse terrível nacionalismo e estabelecer a uniformidade do Estado soviético, ofereceram como vítima os aldeões ukrainianos.

O quarto passo do genocídio ukrainiano, segundo Lemkin, foi o povoamento da Ukraina por pessoas de fora enquanto os ukrainianos eram deportados para além das fronteiras, para uma mudança radical na composição étnica da população.

"Deste modo seria destruída a unidade étnica. Entre 1926 e 1939, a proporção da população ukrainiana  diminuiu de 80% para 73%.
Como resultado da fome e da deportação, a população ukrainiana diminuiu em números absolutos de 23,2 a 19,6 milhões, enquanto a população não ukrainiana cresceu para 5,6 milhões.
Se levarmos em conta que Ukraina tinha o maior nível de crescimento da população na Europa, aproximadamente 800 mil por ano, é fácil de ver que a política russa atingiu seu objetivo".

Também, devo dizer que esta direção do genocídio nem sempre demonstram os "envergonhados" atuais pesquisadores. Mas foram encontrados até demais "maravilhosos documentos de arquivo, a fim de não falar sobre isso mais detalhado.

A deportação em massa de ukrainianos para regiões do leste da Rússia promulgava-se pela resolução do Politburo do Comitê Central da União do Partido Comunista (bolchevique) "Sobre medidas para erradicar as propriedades dos "kulaks" em regiões de completa coletivização" de 30.01.1930 e muitas "sublegais" instruções, comissões, etc.

Campanha de desapropriação. Assim acabavam de matar os camponeses ukrainianos

Já em 12.03.1930 no "Relatório sobre o andamento da deportação comunicava-se, que para além das fronteiras ukrainianas foram deportados 58.411 pessoas.

O professor Vasyl Marochko investigou que de 1929 a 1933, de acordo com este "projeto diabólico (portanto, não incluíndo outras categorias reprimidas) da Ukraina foram deportadas 200.000 famílias de lavradores, ou seja, cerca de um milhão de pessoas. 

Documento Nº 403 
Comunicado
Comitê de Reassentamento de Toda-União junto ao Comissariado da URSS sobre a deslocação de outros territórios do país.
29 de dezembro de 1933. Terminantemente secreto
Comando Superior GULAG OGPU ao camarada Berman

Publicada a lista sobre comboios com os transferidos a Ukraina, de territórios russos, em 28 de dezembro de 1933. 
De: Horkovsk, Ivanovsk, Províncias Central e Ocidental e Bielorrussia para as regiões ukrainianas: Odessa, Donetsk, Kharkiv e Dnipropetrovsk (Regiões com elevado número de simpatizantes pró Rússia até os dias atuais - OK) num total de 329 trens, 21.856 unidades agrícolas, 117.148 famílias, 14.879 cavalos, 21.896 vacas, 89.492 animais diversos.
Plano executado em 104,7%.

De 1933 a 1947  ainda foram transferidas 44.457 famílias (221.456 pessoas). Mas, justamente quando os ukrainianos, quase mortos pela fome, para salvar-se tentavam atravessar a fronteira em busca de alimentos, pela resolução do Politburo do Comitê Central nas fronteiras da URSS colocaram esquadrões de defesa que impossibilitaram sua entrada em Bielorrússia  e províncias russas. Eis o início do texto da longa resolução, com a qual os camponeses da Ukraina e Kuban (enfatizo: exatamente da Ukraina e Kuban!) ordena-se "não deixar entrar, expulsar, aprisionar", condenando à morte pela fome:

Em 22 de janeiro de 1933
Rostov-Don, Kharkiv, Voronezh, Smolensk, Stalingrado, Samara. 
Número 65/w

Ao Comitê Central vieram notícias que em Kuban e Ukraina teve início o êxodo de camponeses em massa "em busca de pão" para regiões centrais de terra vegetal, do Volga, região de Moscou, região oeste, Bielorrússia...

Representante das Repúblicas Socialistas Soviéticas V. M. Molotov
Secretário do Comitê Central do Partido Comunista J. Stalin.

Não gosto escrever sobre Holodomor, citar aqueles maus documentos, anotações, como também outros horrores da imperfeita natureza humana. Com atitude de respeito coloco-me perante a maioria dos russos, poloneses, alemães e todos aqueles que sabem respeitar a si mesmos.

Mas sempre vou lutar com aqueles que perderam a forma humana, continuam propagar a mentira e o mal, destroem a minha (ou qualquer outra) nação. E iludem submissos seguidores com esse mal.

Não sei se dirão um dia que o Grande Judeu Rafal Lemkin era um Grande Ukrainiano. Considerem que o autor já o disse.

Mas, certamente, até mesmo seus argumentos irrefutáveis não convencerão nossos tabachnyk ? (Tabachnyk - atual Ministro de Educação - simpatizante pró Rússia) ?

Não convencerão! E nós sabemos o porquê...

O autor é grato pela ajuda aos professores Roman Serbyn, Vasyl Marochko, candidata a Ciências Históricas Oleksandra Veselov, dirigente do Museu da Ocupação Soviética Roman Krutsek e outros benfeitores.

*Procrusto - personagem da mitologia grega. Era um bandido que vivia na serra de Elêusis. Em sua casa, havia uma cama de ferro, que tinha seu tamanho exato, para a qual convidava todos os viajantes a se deitarem. Se os hóspedes fossem demasiado altos, ele amputava o excesso de comprimento para ajustá-los à cama, e os que tinham pequena estatura eram esticados até atingirem o comprimento suficiente. Uma vítima nunca se ajustava exatamente ao tamanho da cama porque Procrusto, secretamente, tinha duas camas de tamanhos diferentes.
Procrusto representa a intolerância do homem em relação ao seu semelhante.

**Kossior - Comunista polonês foi um dos organizadores do Partido Comunista (bolchevique) na Ukraina. De 1928 a 1938 foi secretário geral do Comitê Central do Partido Comunista da Ukraina. Por sua iniciativa foram criados os fundos dos "kolkhozes" (fazendas coletivas) e no início de 1933 estes fundos foram excluídos, incluindo as semeaduras de acordo com a diretiva de Stalin e Molotov, e com apoio direto de Kossior ao plano de apropriação de alimentos, o que tornou-se um dos principais motivos da fome de 1932-1933 na Ukraina.
Kossior foi o organizador direto da política de genocídio físico e espiritual ukrainiano, que revelou-se na liquidação da "ukrainização", com apoio à russificação, organização da fome artificial, implantação do terror antiukrainiano, fabricação de inúmeros processos políticos e de extermínio em massa da inteligência ukrainiana. Foi durante o período de Kossior que foram submetidos a repressão ou levados ao suicídio vários líderes comunistas nacionais - Khvyliovyi, Skrypnyk, outros. Kossior foi aprisionado em 1939, acusado de pertencer à chamada "Organização Militar Polonesa" e fuzilado.

Tradução: Oksana Kowaltschuk