sábado, 2 de setembro de 2017

MOSCOVITAS: Usurpadores históricos

Bis

MOSCOVITAS: NÃO SÃO 'RUSKIYE' E NÃO SÃO ESLAVOS (TRÍPTICO)*

Autores: Stepan Diativskyi, Sviatoslav Semeniuk, Pavlo Shtepa

* Tríptico - uma coleção de artigos de três autores ukrainianos de diferentes gerações, projetados de forma simples e concisa para dar ao público os materiais reais para desmascarar o mito da origem dos russos e expor os historiadores-falsificadores russos.

E, mais uma vez provar que os russos nunca foram "irmãos" dos ukrainianos, muito menos "sênior"; e que eles não tem nada a ver com os povos eslavos e, em particular auto apropriaram-se do nome "ruskiye", que vem do primeiro nome do Estado ukrainiano Kyivska Rus, (primeiro nome da Ukraina) à qual os antigos russos nunca pertenceram.

PRÓLOGO
"No pântano sangrento da escravidão russa, não na severa glória da era Norman está o berço da Rússia. Alterando nomes e datas, veremos que a política de Ivan III e a política do atual império moscovita não é simplesmente parecida mas idêntica.
A Rússia foi gerada e criada na disforme e humilhada escola da escravidão mongol. Forte ela tornou-se porque, no ofício da escravidão ela mostrou habilidade superior. Mesmo quando a Rússia se tornou independente, ela continuou a ser país de escravos. Petró I (Pedro I) combinou astúcia política do escravo mongol com a grandeza do governante mongol, ao qual Genghis Khan profetizou subjugar o mundo...
Política russa - permanece inalterada. Métodos e táticas mudaram e mudam, mas a principal estrela da política russa - subjugar o mundo e governá-lo - é e será imutável. O pan-eslavismo de Moscou - é apenas uma das formas da conquista moscovita."

PAÍS MOKSEL OU MOSCÓVIA
Sob este título no fórum do livro em Lviv (Ukraina), em 2008, aconteceu a apresentação do livro (em dois volumes) de Volodymyr Bilinski [Romance de Pesquisa. - K: Editora Olena Teliha, 2008. Livro 1 - 376 pag, Livro 2 - 318 pag.]
O livro informa fatos provenientes de fontes históricas (principalmente russos), que testemunham a verdadeira história do Império Russo e não em aspecto distorcido. O império russo criou e sacramentalmente guardou e guarda a sua história mitológica que foi radicalmente distorcida e subordinada à finalidade do invasor.
Esta mitologia histórica poderia ser desconsiderada, se ela não prejudicasse os interesses fundamentais da Ukraina - sua história, língua e literatura.

PARA O QUÊ A RÚSSIA [MOSCOVIA] APROPRIOU-SE DA HISTÓRIA DA KYIVSKA RUS
Criando o grande império russo, a elite de Moscou sabia, que sem um grande passado era impossível criar uma grande nação. Era necessário embelezar o passado, até mesmo apropriar-se do alheio.
Para esta finalidade os czares de Moscou, começando por Ivan IV, o Terrível (1533-1584) foi dada a tarefa de apropriar-se da história da Kyivska Rus e criar a mitologia do império russo. A maior parte neste sentido foi feito pela czarina Catarina II (1762-1796), a qual não aceitava a idéia de que na família czarista ela poderia estar entre a nobreza comum tártaro-mongol.
Com o decreto de 4 de dezembro de 1783 Catarina II criou uma comissão constituída por 10 "eminentes" historiadores para "montagem de notas sobre a história antiga, preferencialmente russa" sob a direção da própria Catarina II e do conde Shuvalov. A comissão trabalhou 10 anos. Em 1792 a "história materna" foi lançada ao mundo. No decorrer dos trabalhos foram reunidos e transcritos todos os anais antigos, os originais - destruídos. O resultado foi totalmente reescrito, no interesse da história russa, sem salvar nenhum original destes antigos anais.
Assim a história da Kyivska Rus tornou-se, descaradamente, a base da história do império russo. Durante séculos, principalmente desde o início do século XVI, introduziam e introduzem nas cabeças das pessoas que o Estado Russo e a nação russa tiveram início a partir do Grão-Ducado de Kyiv. Não há dúvida que isto é invenção e falsificação em favor do Império Russo. Pois sabe-se que:
Na época da existência do Estado Kyivska Rus, sobre o Estado da Moscóvia não havia nem menção. Sabe-se que Moscóvia como "ulus" (povoamento temporário de nômades) da Horda de Ouro foi fundado pelo khan Meng-Timur somente em 1277.
Não há nenhuma evidência sobre a relação da Kyivska Rus com a etnia finlandesa do século XI e posteriormente do Principado de Moscou com os principados nas terras da Kyivska Rus até o século XVI. Naquele tempo, quando em 988 aconteceu o Batismo do Estado da Kyivska Rus, as tribos finlandesas da terra Moksel estavam ainda em um estado semi-selvagem. 
Afim de preservar o roubado e atribuir aos assim chamados "veleko-russos" (grandes russos) a história da Kyivska Rus era necessária, em primeiro lugar estrangular a nação ukrainiana, encurralá-la na rígida escravidão, tirar-lhe o seu idioma, cultura, o próprio nome ou, simplesmente, destruí-la. Pelo menor desvio do oficioso perseguiam as pessoas, colocavam nas prisões e campos de concentração, deportavam para Sibéria ou simplesmente destruíam fisicamente.
O período soviético foi o mais cruel. Durante este período, a Ukraina perdeu mais de 25 milhões de seus filhos, que morreram sistematicamente de fome (houve três períodos de fome: 1921-1923; 1932-1933; 1946-1947) nos Gulags, degredos e prisões.
Assim o "irmão maior' nos cruéis "abraços do amor" mantinha o "irmão menor".

Quem é ele no aspecto histórico este "irmão maior?"
Até o final do século XV não existia Estado russo, não havia irmão maior - grande russo e nação russa, existia apenas a terra de Suzdal - terra Moksel, depois - principado da Moscóvia, e aquela terra era povoada por pessoas, as quais do final do século XIII até o começo do século XVIII chamavam-se moscovitas.

NAÇÕES DA TERRA MOKSEL
Nos séculos IX - XII a grande região de Tula e Ryazan, norte e leste pertencia a tribos finlandesas: Murom, Marya, Vis, Moksha, Chud, Mordova, Mari, outros - todas estas são nações "Moksel". Estas tribos mais tarde tornaram-se a base dos "velekorosiv" (grandes russos).
Um dos filhos mais jovens do príncipe de Kyiv Monomakh - Yurii Dovhorukyi - acabou ficando sem herança, e ele encaminhou-se às terras livres de Zaleshanski. Assim iniciou a dinastia dos Ruriúkovychiv nas terras Moksel, encabeçando o principado de Suzdal em 1137. De sua esposa local nasceu o filho Andrii, o qual chamaram de "Boholiúbskyi" (que ama Deus). Nascido e criado na floresta do fim do mundo, entre tribos finlandesas o príncipe Andrii rompeu todos os laços com o destacamento militar de seu pai e com as antigas tradições de Kyiv. Em pouco tempo (50 - 80 anos) em cada assentamento finlandês era colocado um príncipe da família dos Ruriúkovychiv nascido de mãe merya, murom, tártara, etc. Assim surgiu a terra finlandesa de Suzdal, e mais tarde - fino-tártara Moscóvia.
Em 1169 os habitantes de Suzdal, após uma feroz batalha capturaram e destruíram Kyiv; veio o bárbaro que não sentia nenhuma relação familiar com essa terra.
O historiador russo Kliúchevskii V.O. disse: "Na pessoa de Andrii "velekoros" (grande russo) pela primeira vez apareceu numa cena histórica". Tal foi a relação familiar de Kyiv com Suzdal e, posteriormente, com Moscóvia.

AGRESSÃO ÀS TERRAS MOKSEL POR TÁRTARO-MONGÓIS. SURGIMENTO DA MOSCÓVIA
Em 1237 vieram às terras de Suzdal os tártaro-mongóis. A Moscóvia, como principado, surgiu em 1277 sob as ordens do Khan (título de nobreza da Ásia antiga) tártaro-mongol e era um costumeiro ulus da Horda de Ouro. Isto é, a própria cidade de Moscou e principado-ulus de Moscou não surgiu na época do Grande Principado de Kyiv, não por ordem dos príncipes de Kyiv, mas nos tempos tártaro-mongóis, por ordem dos khans da Horda de Ouro, no território subjugado a dinastia Chynhizydiv. Que Moscou foi fundada por Yuri Dovhorukyi em 1147 não é verdade. É um mito que não tem evidência probatória.

Não existia nem Moscou, nem principado de Moscou antes de 1237-1240, isto é, até a vinda dos tártaro-mongóis às terras de Suzdal.
O primeiro príncipe de Moscou tornou-se em 1277 - Danyil Newsky (filho mais novo de Oleksandr Newsky, nascido em 1261). Ele deu início à dinastia de príncipes e czares de Moscou (Ruriúkovychiv).
Oleksandr Yaroslavych, chamado e glorificado pelos historiadores russos como Newsky, com oito  anos de idade - em 1238 - foi levado pelo khan Batu (ou seja, refém), dando ao pai - Yaroslav Vsevolodovych rótulo para principado de Vladimir. Estando na Horda de Batu de 1238 a 1252, Oleksandr Newsky assimilou todo sistema e hábitos da Horda de Ouro. Ele não participou de nenhuma batalha importante. Todas as vitórias de Oleksandr Newsky - deplorável mentira. Ele simplesmente não podia participar em confrontos sobre o rio Neva em 1240 e no lago Peipsi-Piskov - em 1242, porque ainda era criança.
Não souberam tártaro-mongóis conquistar com a espada e a força os grandes orgulhos da Kyivska Rus - Novgorod e Pskov. Estes santuários eslavos trouxe aos tártaros Oleksandr Newsky "no pratinho".
Na história dos "velykorossiv" (grandes russos) não houve príncipe que se esforçasse pela Horda tanto quanto o Príncipe Oleksandr Newsky. Ele contribuiu com mais de 300 anos de escravidão dos "velykorossos" à Horda de Ouro. Oleksandr Newsky e seu pai Yaroslav Vsevolodovych sem lutar, caiu de joelhos e beijou, como sinal de humildade, a bota do grande khan da Horda de Ouro.
Estando em absolutas condições análogas não se sujeitaram aos tártaro-mongóis os lituanos, poloneses, húngaros e tchecos.
Os ukrainianos em conjunto com os lituanos conquistaram a independência da opressão tártaro-mongol na luta. Na primavera de 1320 o príncipe lituano Gedemin conquistou Ovruch, Zhytomyr... ocupou Kyiv, que entregou-se voluntariamente. Gedemin libertou a Kyivska Rus do jugo dos mongóis. Em 1362 os regimentos eslavos dos ukrainianos e lituanos derrotaram os tártaro-mongóis em Synikh Vodakh (Águas Azuis).
Os historiadores de Moscou criaram um mito sobre a batalha de Kulykiv na qual Moscóvia venceu a Horda de Ouro. Mas isso é uma mentira deslavada. A batalha de Kulykiv aconteceu em 8 de setembro de 1380 e durou apenas 3-4 horas. Nesta batalha Dmytrii Donskyi lutava contra Mamaia, que liderava um dos grupos da Horda de Ouro. Dmytrii Donskyi lutava pela Horda de Ouro, pela preservação da ordem dinástica da Horda de Ouro, não contra ela.
Todos os governantes de Moscou, honestamente e fielmente serviam a um único estado - a Horda de Ouro, e nunca demonstraram nenhuma separação.
A elite governante de Moscou não podia e, até hoje não consegue reconciliar-se com o fato de que, com a libertação da Kyivska Rus dos tártaros em 1320 a Moscóvia, ainda por aproximadamente 200 anos permaneceu na composição da Horda de Ouro, pagava-lhe tributos como antes, glorificava os khans em seus templos, celebrava orações ao khan como ao seu soberano.
Moscóvia odiava com muita força a Lituânia e a Ukraina, porque não se curvaram diante da Horda de Ouro.
Na primavera de 1502 o khan da Criméia Mengli-Giray derrotou a Horda de Ouro. Desta forma, o khan da Criméia é o verdadeiro libertador da Moscóvia da Horda de Ouro, e não Dmytrii Donskyi. A horda da Criméia desde o tempo de Ivan III tornou-se padroeira da Moscóvia. Em 1473 Ivan III jurou na Bíblia aos Giray da Criméia, e Moscóvia tornou-se vassalo da Criméia e pagava-lhe tributo até quase o ano de 1700.
Já há muito tempo é hora de desistir de esconder o fato da origem do principado da Moscóvia na composição da Horda de Ouro como povoamentos tártaros. Tártaro-mongóis realmente tornaram-se "padrinhos de batismo" do Estado de Moscou. Quando no governo de khan Meng-Timur surgiu Moscou como ulus (povoamento), registrado em 1272 com o terceiro censo tártaro-mongol, o primeiro principado de Moscou, como mencionado acima, surgiu na composição da Horda de Ouro em 1277.

OS MOSCOVITAS TÊM ORIGEM ESLAVA?
À história da Rússia a elite dominante permitiu grande quantidade de mentiras para provar origem eslava a Moscóvia e aos moscovitas. A afirmação de que Kyiv é a "mãe" de três nações e estados - Ukraina, Bielorrússia e Rússia é completamente mentirosa. Esta mentira é necessária para confirmar a "legalidade" da submissão por nação de nações eslavas - ukrainiana, bielorrussa, polonesa, outras.
Examinemos a questão: de onde surgiram os eslavos nas terras Moksel? Até o século XII nas terras Moksel habitavam apenas tribos finlandesas. Isto é confirmado por escavações arqueológicas de O.S. Uvarov. [Muriany e seu modo de vida atrás dos outeiros das escavações, 1872 - 215 pág.] 7729 outeiros nas antigas Moskovska, Volodymyrska, Yaroslavska, Kostronska, Riazanska províncias.
Foi estabelecido que esses montes pertenciam exclusivamente a etnia myrianska (finlandesa). Não foi encontrado nenhum enterro eslavo. No século XIII nas terras Moksel vieram os tártaro-mongóis. Surge a questão, por que os eslavos da região quente próxima a Dnieper passariam para regiões finlandesas mais frias? Tal não podia acontecer, que os eslavos fossem ao encontro da invasão tártaro-mongol. Em escavações posteriores O.S. Uvarov descobriu, que nas terras myrianska (futura Moscóvia), nos outeiros dos séculos XI - XVI não foi encontrada nenhuma moeda de Kyiv.
Com base nos resultados de O.S.Uvarov, temos todo o direito de dizer: durante os séculos IX - XVI a terra myriana e seu povo praticamente não tiveram relações econômicas e culturais nem com o Grande Kyiv, nem com o Grão-Ducado da Lituânia.
Chegou a hora de rejeitar as mentiras sobre "origem eslava da Moscóvia e moscovitas. Porque os moscovitas são de origem finlandesa, e posteriormente, fino-tártara.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

Ver também o artigo “Gênese da Ucrânia”.