segunda-feira, 20 de agosto de 2018

PARLAMENTO SUSPENDE VOTAÇÃO


LESTE DA UCRÂNIA: Parlamento suspende votação de três leis anti-patrióticas

Os protestos no interior e no exterior do parlamento ucraniano obrigaram ao cancelamento da votação de três leis sobre o processo de paz nas regiões “separatistas” de Donetsk e Lugansk.

As propostas rejeitadas pelo Parlamento ucraniano previam a extensão do estatuto especial das duas áreas por mais um ano.

À luz dos supostos acordos de paz que seriam assinados por Kiev, permitiria o envio de forças de paz da ONU para a região. A proposta foi, no entanto, vivamente contestada pelos partidos e setores nacionalistas da população que consideram a medida como um reconhecimento da autonomia das duas regiões invadidas, a revelia, pela Rússia belicista com a introdução de mercenários e fornecimento de armas, tanques e bombardeios aéreos descaracterizados, para dar uma falsa impressão ao mundo que se trata de um movimento espontâneo pró-russo desencadeado pela região em conflito.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

A VERDADEIRA FACE DO PAPA FRANCISCO

Posted: 24 Jun 2018 01:30 AM PDT
Um desígnio sinistro levou o representante russo HIlarion ao Vaticano.
Um desígnio sinistro levou o representante russo HIlarion ao Vaticano.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs











Palavras republicadas pelo conceituado vaticanista de Roma Sandro Magister deixaram católicos consternados porque vindas da Santa Sé! Sem dúvida, um episódio a mais do misterioso processo de autodemolição da Igreja apontado pelo Papa Paulo VI.

Magister as recopiou em seu site Settimo Cielo com a manchete “Na Ucrânia, entre ortodoxos e católicos, Francisco tomou partido por Moscou”.

As palavras foram pronunciadas pelo Papa Francisco saudando a delegação do Patriarcado
de Moscou acolhida em audiência no dia 30 de maio (2018).

Elas deviam permanecer no sigilo. Porém de tal maneira encheram de regozijo os 
representantes da igreja cismática russa administrada por agentes da ex-KGB, que eles as reproduziram em seu site oficial.

O ‘Patriarcado de Moscou’ não é uma instituição eclesiástica canonicamente constituída. Esse rótulo apareceu sob o Tsar Teodoro I, filho de Ivã IV o Terrível, em 1589.

Naquele ano, o metropolita de Moscou passou a se autodenominar “Patriarca da cidade do Tsar, Moscou, a nova Roma, e de toda a Rússia”. Dessa maneira visou agradar os déspotas temporais que instituíram Moscou como capital com esses títulos.

Essa ficção foi suprimida pelo Tsar Pedro I o Grande em 1721 que ansiava europeizar a Rússia. Por isso, o factício ‘Patriarcado de Moscou’ ficou morto e enterrado durante mais de dois séculos.

A submissão ao ditador do momento explica o 'Patriarcado de Moscou'. Desde Stalin, funciona como instrumento de repressão religiosa.
A submissão ao ditador do momento explica o 'Patriarcado de Moscou'.
Desde Stalin, funciona como instrumento de repressão religiosa.
O ‘Patriarcado’ ressurgiu na pessoa do patriarca Tikon acompanhando a revolução bolchevista de 1917, com a qual partilhava a repulsa da monarquia. Ele foi reconhecido pelo Soviete dos Comissários do Povo em 5 de fevereiro de 1918, incipiente governo leninista.

Porém sua existência nadou na confusão. Nas chacinas da guerra civil que sucedeu à revolução de Lenine o número de sacerdotes diocesanos cismáticos caiu de 50.960 para 5.665. Por volta de 90.000 monges foram massacrados pelos comunistas ficando apenas algumas centenas. 

Das 40.500 igrejas e 25.000 capelas que possuía o clero cismático sobraram apenas 4.255 devastadas pelo ódio da ditadura dos sovietes contra tudo que falava de religião.

O ‘Patriarcado’ protestou contra a imensidade dos crimes e destruições antirreligiosas. Como punição, em 5 de maio de 1922 Tikon foi encarcerado.

Mas foi liberado logo, em 1923, após prometer que “a partir de agora não sou um inimigo do poder soviético”. Tikon morreu em 1925, quiçá envenenado, e do ‘Patriarcado’ ficou uma sombra.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Stalin precisava motivar o povo a combater numa guerra muito mortífera e impopular. Então, o ditador soviético reinstituiu o espúrio ‘Patriarcado’ em 1943 em troca de sua colaboração com o poder comunista e apoio a seu engajamento na guerra mundial.

O ‘Patriarcado de Moscou’ serviu a propaganda do regime fazendo-o aparecer tolerante com a religião diante das nações estrangeiras, sobre tudo os EUA.

Stalin precisou também do ‘Patriarcado’ para submeter às comunidades cristãs e outros 'patriarcados' cismáticos nos países e territórios anexados ou ocupados pela União Soviética no conflito mundial.

Desde então, o ‘Patriarcado’ subsistiu como instrumento de consolidação do socialismo soviético.

Ele foi o agente da URSS para a perseguição do rito greco-católico ucraniano, confiscando todos seus bens com o falso pretexto de que todo o clero católico tinha aderido ao 'Patriarcado'. Cfr. Wikipedia, verbete Igreja Ortodoxa Russa
 

Tendo o ‘Patriarcado de Moscou’ publicado o comprometedor conteúdo da audiência pontifícia acima referida, a sala de imprensa da Santa Sé no dia 2 de junho tirou do segredo
a transcrição textual do discurso.

O ocultamento tampouco podia durar porque a pagina web Rome Reports já tinha espalhado vídeo com as passagens centrais das palavras do Papa (vide vídeo embaixo em inglês e espanhol).

A euforia russa foi compreensível, à luz segundo Magister, “do modo que Francisco abraçou
 as teses do patriarcado de Moscou e, pelo contrário, condenou com palavras muito ásperas
as posições da Igreja greco-católica ucraniana”. Rito que, aliás, vive sob as ameaças
constantes dos chefes do Patriarcado-FSB (ex-KGB) moscovita.

Troca de presentes entre o Papa Francisco e o representante do Patriarcado putinista
Troca de presentes entre o Papa Francisco e o representante do Patriarcado putinista

A delegação pretensamente religiosa da nova-URSS estava liderada por seu “ministro de Assuntos Exteriores”, o metropolita Hilarion de Volokolamsk, preferido do momento pelo Patriarca Kirill, por sua vez preferido do momento de Vladimir Putin.

Disse Francisco I: “diante dos Senhores, quero confirmar — de modo especial diante de ti, querido irmão, e diante de todos vocês — que a Igreja Católica jamais permitirá que desde suas fileiras nasça uma atitude de divisão. Jamais permitiremos fazer isso, não quero”.

O temor de os católicos conquistarem o coração dos russos frustrados com a corrupta e insincera cúpula do Patriarcado moscovita, levou os cismáticos a forjarem a mentira de que
a Igreja Católica trabalha para dividi-los e lhes arrancar os fiéis.

O Pontífice prosseguiu: “Em Moscou — na Rússia — só há um patriarcado: o de vocês. Nós não teremos outro”.

A posição soa como uma punhalada para os católicos ucranianos de rito grego que
consideram com legítimas razões que seu pastor, Dom Sviatoslav Shevchuk, arcebispo-mor
de Kiev, é a cabeça desse rito em toda a Rússia.

“Quando algum fiel católico, continuou Francisco I, seja leigo, sacerdote ou bispo, assume a bandeira dos uniatas [termo depreciativo para designar os fiéis ucranianos que retornaram à Igreja Católica], que já não tem vigência, porque se acabou, para mim é uma dor”.

“Deve-se respeitar as Igrejas que estão unidas a Roma, mas o uniatismo como caminho de unidade hoje não vai mais”.

Sublinhando sua mudança de posição em relação aos Papas anteriores acrescentou: “a Igreja Católica, as Igrejas católicas não devem se imiscuir nas questões internas da Igreja Ortodoxa Russa, nem nas questões políticas. Essa é minha atitude e a atitude da Santa Sé hoje. Aqueles que se imiscuem não obedecem à Santa Sé”.

Urbano VIII em 1627.
Abriu com entusiasmo os braços ao 'uniatismo':
“Por meio de vós, meus ucranianos,
eu espero converter o Oriente”

Pietro da Cortona (1596 – 1669) Museo Capitolino




































Já em 1643, o Papa Urbano VIII tinha deixado clara a posição da Igreja em 
favor do “uniatismo” no sermão da beatificação de São Josafá, grande apóstolo
da reunificação:

“Por meio de vós, meus ucranianos, eu espero converter o Oriente”, disse. (Cfr. Miroslav Zabunka e Leonid Rudnytzky, The Ukrainian Catholic Church, 1945-1975,
St Sophia Association, Philadelphia, 1976, p.9.)

Para Magister, o discurso de Francisco pode parecer cifrado, mas se entende perfeitamente olhando os fatos.

Dizendo que não pretende criar “patriarcado” católico algum por fora do ‘Patriarcado de Moscou’, ele não pensa na Rússia, mas na Ucrânia, onde a Igreja greco-católica tem
4 milhões de fiéis e aspira há muito tempo a ser erigida em legítimo Patriarcado.

Esse Patriarcado foi e continua sendo o desejo de seus mais devotados filhos da Igreja e heroicos líderes resistentes ao comunismo.

Na Ucrânia sob a ditadura da União Soviética todas as denominações cristãs foram escravizadas pela força comunista ao ‘Patriarcado de Moscou’ que oficiou como braço da perseguição.

Após a queda da União Soviética os católicos saíram das catacumbas muito diminuídos em número – por volta de 300.000 – mas logo se recompuseram, hoje totalizam mais de quatro milhões e progridem velozmente. Uma legião de mártires do comunismo abençoa desde
o Céu.

Em sentido contrário, os cismáticos se desintegraram. O chefe máximo do ‘Patriarcado de Moscou’ na Ucrânia, metropolita Filarete, se autoproclamou ‘Patriarca de Kiev’ com uma conotação nacionalista muito anti-russa.

Os agentes da FSB representantes do ‘Patriarcado de Moscou’ excomungaram e
amaldiçoaram a nova concorrência que logo ficou maioritária.

Também se definiu por fora do ‘Patriarcado’ moscovita a Igreja Ortodoxa Ucraniana Autocéfala, liderada pelo metropolita Metódio.

As divisões, excomunhões, maldições e novas alianças entre líderes cismáticos se
multiplicam todos os anos dando lugar a contínuos rearranjos e novos cismas dentro dos velhos.

Nessa anarquia, o governo de Kiev quer unificar pelo menos as maiores denominações cismáticas sob a égide de Bartolomeu, cismático patriarca ecumênico de Constantinopla reduzido à mínima expressão.

Nossa Senhora de Fátima no fim triunfará e converterá todo o mundo eslavo, malgrado as insídias infernais
Nossa Senhora de Fátima no fim triunfará
e converterá todo o mundo eslavo, malgrado as insídias infernais


Mas, as tentativas, apoiadas também pela Ostpolitik vaticana, se revelam como que impossíveis. E o ‘Patriarcado de Moscou’ perderia sua influencia política na Ucrânia, aliás
em contínua diminuição.

Segundo Magister, o maior inimigo dessa conciliação entre os turbulentos cismáticos é o próprio Vladimir Putin, que em relação à Ucrânia só pensa em guerra e quer ver todos os cristãos sob sua bota. E ele quer mandar na galáxia cismática como já fez Stalin!

A maior cólera dos dirigentes do patriarcado moscovita putinista provém do medo, aliás fundado nos fatos, de o povo se converter à Igreja de rito greco-católico, única ordenada e fecunda em graças e obras de caridade.

Esse grande retorno ao catolicismo que implicaria em abrir as portas da salvação para
muitos milhões de almas, é o “uniatismo” que o papa Francisco condenou sem meios termos ante a delegação de Moscou.

Em síntese, para os ortodoxos-FSB (ex-KGB), o “uniatismo” é quanto há de mais intolerável: significa que blocos cismáticos voltem a obedecer ao Vigário de Cristo, sucessor de São Pedro, o Papa de Roma, e fujam do controle do sistema putinista.

E foi contra o arcebispo-mor dos greco-católicos, Dom Sviatoslav Shevchuk, de 48 anos,
que o Pontífice dirigiu precisamente, sem mencionar o nome, as palavras mais duras do discurso de 30 de maio, lhe ordenando “não se imiscuir nas questões internas” do cisma
russo sub-repticiamente comunista, observou Magister.

O Papa se distanciou dele da mesma maneira que abandonou a Ucrânia por ocasião da agressão russa à Crimeia e ao leste do país.

Com os cismáticos quer ser amigo de todos – escreve Magister – mas suas preferências vão pelo patriarca russo, funcionário de Vladimir Putin.

Túmulo de São Josafá na basílica de São Pedro, Cidade do Vaticano.
Túmulo de São Josafá na basílica de São Pedro, Cidade do Vaticano.
Mas nada prevalecerá sobre a proteção maternal de Nossa Senhora que se evidencia ativa e fecunda sobre o catolicismo ucraniano.

Especialmente, de nada servirão as manobras diplomáticas, ainda que promovidas por altos órgãos eclesiásticos, contra a promessa da conversão do mundo eslavo feita por
Nossa Senhora em Fátima.

Não está longe o dia em que se tornará radiosa realidade a antevisão do Papa Urbano VIII na beatificação do grande São Josafá: “Por meio de vós, meus ucranianos, eu espero converter o Oriente”.

sábado, 11 de agosto de 2018

CONSTRUÇÃO NAVAL DA UCRÂNIA

CORVETAS CLASSE TAMANDARÉ – A Proposta da Ucrânia

Neste artigo é apresentada a proposta da Ucrânia com o Projeto 58300 da UKRIMASH

Arte do Projeto 58300 da UKRIMASH, apresentado na proposta das Corvetas Classe Tamandaré.

No dia, 18 de junho de 2018, o Comando da Marinha do Brasil (MB) anunciou a conclusão da segunda etapa do processo de licitação para a construção de quatro Corvetas Classe “Tamandaré” (CCT). Das 21 empresas cadastradas na primeira etapa, apenas 9 apresentaram suas propostas(ver matéria link) .

Uma notícia inesperada, mas muito importante para os observadores e especialistas militares foi a participação neste projeto da empresa que representa a indústria de Defesa e construção naval da Ucrânia – empresa estatal “UKRINMASH”. Menos de 3 semanas após a apresentação, a proposta da “UKRINMASH” foi considerada pelos especialistas como uma SUPEROFERTA, pelas razões que são expostas ao longo deste artigo.

Cabe destacar alguns fatos relevantes sobre a indústria da construção naval militar ucraniana.

Mais de 70% de todos os navios da Marinha soviética com deslocamento superior a 3.000 toneladas foram construídos nos estaleiros da cidade Mykolaiv, incluindo todos os cruzadores porta-aviões das classes “Kiev” e “Kuznetzov”, os cruzadores de mísseis da Classe “Slava” (ou “Project 1164 – Atlant”), navios de desembarque de doca, contratorpedeiros, fragatas, corvetas e submarinos. A alta complexidade desses projetos já permite, por si só, dar uma ideia do imenso conhecimento e capacidade tecnológicos acumulados pela Ucrânia na área de construção naval, notadamente no período em que ainda pertencia à então União Soviética.

Somente o complexo de estaleiros de Mykolaiv foi responsável pela construção de 11 cruzadores de mísseis guiados, com porte superior a 11.000 toneladas, em menos de 9 anos, uma marca que possibilita aquilatar o enorme potencial do referido complexo, superior, em termos físicos, a todo o conglomerado de construção naval da Hyundai, localizado em Ulsan, na Coreia do Sul.

Apesar da existência de um conflito territorial com o vizinho do norte, a Ucrânia está expandindo ativamente sua capacidade de produção, sendo um parceiro de confiança para muitos países estrangeiros no que se refere à cooperação técnico-militar. Um exemplo dessa cooperação ativa internacional é a recente divulgação, no início de julho 2018, da intenção de estabelecimento de uma parceria, na modalidade “joint venture”, entre a empresa indiana “Bharat Heavy Electricas Ltd” e a empresa ucraniana “Zorya-Mashproekt” (https://www.ibtimes.co.in/bhel-tie-ukrainian-zorya-refurbishing-warship-turbines-774240), para reparo e manutenção de turbinas a gás produzidas na Ucrânia, instaladas em 22 navios militares da Marinha da Índia.

Além disso, está previsto o início das negociações entre o Comando da Marinha indiana e empresas da indústria de defesa da Ucrânia para o reparo, complexa manutenção e modernização parcial do porta-aviões “Vikramaditya” que, também, foi construído na Ucrânia, em Mykolaiv.

A projeto 58300 Amazônia da “UKRINMASH”.

Para atender à solicitação da MB, a empresa ofereceu seu projeto “Navio de Propriedade Intelectual de Proponente – NAPIP”, denominado Projeto 58300 “Amazonia”, elaborado com base no “Projeto 58250” da Corveta Nacional da Ucrânia, que foi adaptado pela empresa estatal “State Research and Design Shipbuilding Center – SRDSC ” (que é o escritório de projeto do complexo naval de Mykolaiv) de modo a atender aos requisitos estabelecidos na “Request for Proposal – RFP”, da MB.

Em particular, foram parcialmente modificados e adaptados parte do armamento, dos sistemas de navegação, detecção e de Guerra Eletrônica para considerar equipamentos de fabricação das principais empresas europeias. O projeto atende integralmente a todos os requisitos técnicos requeridos pela MB.




Arte do Projeto 58300
Características Projeto 58300 Básicas
 Comprimento112,0 m
 Largura13,50 m
 Calado3,50 m
 Deslocamento Máx 2650 t
 Resistência(Endurance): 30 dias
 Complemento: 110
Propulsão / Velocidade:
Propulsão:CODOG
Velocidade máx:não menos 30 nós
Alcance:não menos 4000 NM a 14 nós

Sensores e Comunicação:
3D Radar de vigilância de longo alcance de ar/superfície
3D Radar de vigilância de alcance médio de ar/superfície
Targeting radar sobre horizonte de longo alcance 
CMS
Sistema de controle de fogo por radar óptico
Sistema de controle de fogo por radar optoeletrónico
Sonar montado no casco eSonar de arrasto rebocado
ESM/ECM/OECM
Radar de navegação
Intagrated bridge system
Armamento
2?4 SSM lançadores
SAM sistema de medio alcance
Canhão 76 mm
Canhões 2?1 35 mm
2?3 324 mm lançadores de torpedos
2?12.7 mm metralhadoras
Chaff decoy lançadores
Helicóptero multiusoaté 11 t

A Ucrânia aposta nos componentes associados à Compensação Comercial (“offset”) e à Transferência de Tecnologia que fazem diferença.

Ao contrário de outros participantes, a Ucrânia, em vez de buscar parceria com um estaleiro privado brasileiro com todos os problemas fiscais e trabalhistas inerentes à crise na indústria de construção naval da atualidade, foi a única a propor que a construção da série completa dos quatro navios se desse em um estaleiro militar, utilizando as instalações do Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), que serão devidamente adaptadas e modernizadas, dentro do programa de “offset” ? para a construção.

Além de concentrar todas as atividades de construção nas instalações da MB, a “UKRINMASH” oferece o envolvimento de uma ampla gama de fornecedores nacionais em todas as fases de construção, proporcionando às unidades que serão construídas um elevado índice de conteúdo local, fator muito importante para o fomento e desenvolvimento da indústria nacional, com a consequente geração de empregos diretos e indiretos. Adicionalmente, a utilização de parte das instalações do AMRJ pela “UKRINMASH”, por meio de “leasing”, propiciará à MB reduzir seus custos, fazendo com que, indiretamente, o valor final dos navios seja menor, representando, portanto, economia extra de recursos financeiros.

 A esses aspectos somam-se, ainda, os inerentes ganhos logísticos e financeiros por conta da facilidade de acompanhamento e fiscalização técnico-gerencial de toda a construção por parte da MB, em instalações de sua própria estrutura organizacional, localizadas no centro do Rio de Janeiro, região que concentra a maior parte do corpo técnico que estará envolvido nesse importante programa.

Ao final do programa, a “UKRINMASH” entregará à MB um conjunto completo de documentos do “Projeto 58300”, de sua propriedade intelectual, possibilitando à MB realizar, autonomamente, em sua própria base industrial, o gerenciamento do ciclo de vida útil desses navios, incluindo reparos, manutenções e modernizações futuras, podendo, inclusive, caso oportunamente decidido, vir a construir unidades adicionais, sem depender do consentimento de terceiros. Independentemente dessa autonomia, a MB poderá, ainda, em casos específicos e sempre que necessário, reforçar suas equipes com consultores especialistas da “UKRINMASH”.

Entretanto, a par do excelente projeto que está sendo ofertado, a Proposta de Plano de Compensação (“Offset”), inclui ? além das compensações priorizadas pela MB na RFP, relativas à modernização de sistemas e equipamentos da Corveta da Classe “Barroso” e do AMRJ, à instalação de treinadores do  Sistema de Gerenciamento de Combate (“Combat Management System – CMS”) das novas Corvetas em três Centros da MB, e à instalação de novas facilidades no Centro de Manutenção de Sistemas ?, as seguintes ofertas:

1 - Construção no Brasil de um Centro de serviços para reparo e manutenção de turbinas a gás da empresa “Zorya-Mashproekt” que serão instaladas nas novas corvetas e poderão, futuramente, dotar outras unidades da MB, com a correspondente transferência de conhecimentos científicos e tecnológicos. Esse novo Centro poderá ser a solução para o problema histórico da MB com as manutenções de suas turbinas, tradicionalmente realizadas fora do país, a elevados custos e com grande imobilização dos meios envolvidos.

2 - Fornecimento de 5 diques flutuantes, a serem construídos na Ucrânia e transportados para o Brasil, com variadas capacidades de docagem (2 até 3.500 toneladas; 2 de até 8.500 toneladas e 1 de até 25.000 toneladas), que representará expressiva contribuição para o aumento da capacidade de reparo e manutenção de navios de porte variado, podendo ser posicionados nas instalações industriais que forem mais convenientes à MB, seja no AMRJ, seja em outras Bases Navais fora do Rio de Janeiro.

3 - Transferência para a MB do cruzador de mísseis de “Projeto 1164” (“Atlant”), que será restaurado e desmilitarizado na Ucrânia para posterior entrega no Rio de Janeiro. De acordo com a decisão da Marinha quanto ao emprego do navio e sua nova configuração, esse importante meio naval será modernizado por especialistas ucranianos, já em solo brasileiro, com a implementação de um novo conjunto de documentos de projeto a ser desenvolvido pelo SRDSC, que incluirá modernos sistemas de combate e armamento, de comunicações, de navegação, dentre outros, a critério da MB. É importante notar que o cruzador permanece em água doce, sendo submetido a um programa contínuo de armazenamento e preservação em acordo com normas e procedimentos específicos.

O cruzador do “Projeto 1164” é único e é improvável que oferta similar seja feita por qualquer outro proponente.

Transferência de Tecnologia 

Finalmente, a proposta da “UKRINMASH” oferece ainda Transferências de Tecnologia, nos moldes requeridos pela MB, para o Sistema de Gerenciamento de Combate (CMS, na sigla em inglês), sendo oferecido o sistema “TACTICOS”, avançado desenvolvimento do grupo francês THALES; e para o Sistema Integrado de Gerenciamento da Plataforma (IPMS, na sigla em inglês), produzido pela gigante industrial “Zorya-Mashproekt”, responsável pelo desenvolvimento de sistemas de turbinas a gás e equipamentos associados, além de outros importantes sistemas do navio.

Assim, a Ucrânia como uma das melhores e mais tradicionais escolas do mundo na construção naval, consagrada projetista de meios navais de alta complexidade, apresenta, em sua singular proposta, a possibilidade de o Brasil combinar sua experiência com as mais avançadas tecnologias de armamento, navegação, comunicações e sistemas de controle, e implementar integralmente o projeto nas instalações industriais do AMRJ.

Finalmente, resta a questão: o Brasil, representado por sua Força Naval, ousaria avançar no nível de qualidade de suas armas sob condições de preço mais favoráveis, selecionando uma proposta de alto nível de complexidade tecnológica e de extraordinária abordagem?

 
Navio padrão do Projeto 1164 .

Fonte: WWW.DEFESANET.COM.BR

terça-feira, 7 de agosto de 2018

UMA GUERRA ESQUECIDA PELO MUNDO

Posted: 05 Aug 2018 01:30 AM PDT
Voluntário brasileiro combate do lado pro-russo.
Há muitas nacionalidades engajadas de ambos lados.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs
































A menos de 200 km de Rostov, palco do primeiro jogo do Brasil na Copa da Rússia, os torcedores não sabiam, mas estava se desenrolando um sanguinário drama silenciado pela mídia russa.


Mais de cem mil soldados ucranianos, russos, separatistas e voluntários de vários continentes se engalfinhavam furiosamente.



O Exército ucraniano quer recuperar seu território ocupado parcialmente por milícias armadas e sustentadas pela invasora Rússia.



“Essa guerra não acaba nunca, todo dia alguém está morrendo”, dizia Sasha num deprimente cemitério na periferia de Donetsk, com os olhos vermelhos pelo choro contido e pela vodca.



Os dados foram colhidos numa extensa e rica reportagem do jornalista da “Folha de S.Paulo” Yan Boechat, e que foi objeto de uma série de programas TV divulgada pela Band. 

As estradas estão entulhadas de restos acumulados em anos de conflito
As estradas estão entulhadas de restos acumulados em anos de conflito
Boechat diz que esta é a “última guerra da Europa”.

Desejamos que acabe logo e não seja o início de algo pior.

Já são quatro anos de batalhas, com mais de 10 mil mortos e zero perspectiva de solução, observou o jornalista.

Desde abril de 2014, atiçados por Moscou, milicianos rebeldes das províncias de Donetsk e Lugansk na fronteira com a Rússia declararam a independência.

Eles aspiram a serem absorvidos pela “nova-Rússia”, como a Crimeia invadida ilegalmente pelas tropas de Putin.

As forças em guerra estão entrincheiradas em uma linha imaginária que corta o leste do país de norte a sul por quase 500 km.

Casa destruída pelos bombardeios em Zaitseve, leste da Ucrânia.
Casa destruída pelos bombardeios em Zaitseve, leste da Ucrânia.
A guerra resultante da invasão russa deixou cerca de 1,5 milhão de refugiados e 3,5 milhões de necessitados de ajuda externa para sobreviver.

Cerca de 600 mil pessoas, entre as quais 100 mil crianças e muitos idosos, não têm aonde ir e residem num raio de até 15 km das áreas de combate, em prédios muitas vezes em ruínas.

A economia praticamente regional entrou em colapso.

A Ucrânia iniciou um processo de aproximação com a União Europeia e quer se integrar na Otan (a aliança militar ocidental) mas Putin advertiu que não tolerará, podendo ser esse o estopim de um conflito continental.

Na pequena Zaitseve, descreve Boechat na “Folha”, as ruas estão sempre vazias: quando alguém sai de casa, não para. Quanto menor o tempo ao ar livre, menor a chance de perder a vida.

Uma guerra lembrada apenas pela imprensa ucraniana.
Uma guerra lembrada apenas pela imprensa ucraniana.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

DIA DA CONSTITUIÇÃO DA UCRÂNIA - 28 DE JUNHO


28/06 - DIA DA CONSTITUIÇÃO DA UCRÂNIA

Bandeira da Ucrânia

Em 28 de junho, na Ucrânia é celebrado o feriado nacional – Dia da Constituição da Ucrânia. Neste dia no ano 1996, a Verkhovna Rada (o Parlamento) da Ucrânia aprovou uma nova Lei no país – primeira Сonstituição do Estado moderno ucraniano.
A Constituição aprovada consolidou as bases legais da Ucrânia independente, sua soberania e integridade territorial. O documento levou em conta a experiência histórica do povo ucraniano bem como as melhores tradições mundiais.
Hoje, no dia do 22º aniversário da vigente Lei da Ucrânia, é importante lembrar, que o nosso país tem a história do constitucionalismo muito mais antiga, contribuindo significativamente no desenvolvimento dos processos constitucionais do mundo.
A marca mais distinta foi feita no século ХVIII por Pylyp Órlyk, o Hétman da Ucrânia (Chefe do Estado).
"Os Pactos e Constituições das Leis e Liberdades do Exército de Zaporizhzhia" (1710) são considerados como a primeira Constituição do Estado ucraniano (chamado naquela época Zaporizhzhia – o Estado de Cozakos).
A Constituição do Pylyp Órlyk foi concordante com as tendências do desenvolvimento do então pensamento político europeu (em particular, afirmando a separação entre igreja e governo secular), superando a teoria e prática política européia em alguns aspectos, dando a preferência aos princípios do constitucionalismo em vez da idéia do absolutismo que foi predominante na Europa.
Outra etapa de construção do Estado constitucional foi a adoção, em 29 de abril de 1918, pelo Conselho Central da Lei Fundamental da República Popular da Ucrânia (RPU) chamada "Estatuto do sistema de governo, direitos e liberdade da RPU", bem como a aprovação, em 13 de novembro daquele ano, da Constituição Provisória da República Oeste Ucraniana. No entanto, os trágicos acontecimentos daquela época impediram a aplicação das disposições destes documentos.
Vale destacar que a Constituição da RPU foi baseada em padrões democráticos que são agora reconhecidos internacionalmente como os princípios fundamentais de construção de estado. O documento fixava a soberania do povo como a principal fonte de poder, a integridade territorial, e os direitos culturais das minorias nacionais.
O papel importante foi atribuído à governação local e ao princípio da separação dos poderes. É importante ressaltar que a Constituição define a igualdade de todos os cidadãos, independentemente da idade, raça, religião e gênero, consolidando os direitos humanos e liberdades fundamentais, abdicando-se de aplicação da pena de morte.
Devido a esta rica herança constitucional, o trabalho sobre a criação da Lei Fundamental do nosso país foi iniciado imediatamente ao proclamar a Declaração da Independência da Ucrânia, em 1991, envolvendo melhores especialistas do mundo e profissionais locais, e tendo como êxito a aprovação da Constituição da Ucrânia pelo Parlamento, em junho de 1996.
A Constituição da Ucrânia de 1996, além de consolidar os princípios fundamentais da democracia, independência, direitos humanos e liberdades fundamentais, determina que a política externa da Ucrânia é destinada a assegurar os seus interesses nacionais e sua segurança, mantendo a cooperação pacífica e mutuamente benéfica com a comunidade internacional com base em princípios e normas do direito internacional universalmente reconhecidos.
A adoção da Lei foi um ponto de partida da nova era na história da Ucrânia, o que garantiu a estabilização da situação sócio-política e sócio-econômica do país.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

PROMOTOR MILITAR DA UCRÂNIA VATICINA

Promotor militar da Ucrânia prevê surgimento de um novo Pinochet no país

© Sputnik / Stringer
EUROPA
A situação na Ucrânia pode levar à chegada de um novo Augusto Pinochet ao poder, declarou o promotor militar principal do país, Anatoly Matios, em entrevista ao Insider.
Segundo Matios, no país há cerca de 400 mil armas não contabilizadas que entraram nas regiões ucranianas a partir da zona de operações militares em Donbass. Entre as armas estão incluídas pistolas, metralhadoras, granadas e lançadores de granadas.  
Com tantas armas, os ucranianos podem criar uma "terceira força" e colocar no poder qualquer político mais ou menos conhecido. 
"Há forças saudáveis neste país que ainda não se uniram ou se decidiram pelo seu Augusto Pinochet, mas ele já está batendo na porta ou procurando por um estádio. Estou convencido disso", disse Matios. 
Augusto Pinochet foi um líder militar chileno. Ele chegou ao poder como resultado do golpe militar em 1973, quando o governo socialista do presidente Salvador Allende foi derrubado.
O golpe não foi apenas um motim, mas uma operação militar bem planejada, no centro da qual esteve um ataque combinado realizado com o uso da artilharia, aviação e infantaria. Depois do derrube do governo, foi formada uma junta militar.
Opinião do Administrador do Blog:
Se o possível Pinochet ucraniano fizer pela Ucrânia o que Augusto Pinochet fez pelo Chile, que seja bem-vindo, desde que não seja RUSSO !

Não deixe de assistir ao filme "COLHEITA AMARGA"

terça-feira, 15 de maio de 2018

O DRAMA DA UCRÂNIA

Posted: 13 May 2018 01:30 AM PDT
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A joven ucraniana Kseniya Simonova desenha com areia o drama de seu país sob a bota soviética.

Ela ganhou o prêmio "Ukraine's Got Talent" pela animação com areia.

A habilidade da jovem impressiona o público presente nesta apresentação.

Mas, também arranca lágrimas pela evocação muda das imensas dores sofridas pelo povo ucraniano sob a pior e mais desumana ditadura ideológica da história: a do "socialismo marxista", ou "socialismo real".

Hoje os sucessores dos carrascos comunistas do Kremlin usam novas vestes para acobertar os mesmos sinistros desígnios ideológicos voltados contra Ucrânia e contra o mundo.

domingo, 6 de maio de 2018

GUERRILHEIRO BRASILEIRO CAPTURADO NA UCRÂNIA


Guerrilheiro mercenario pró-Russo que combateu no Leste da Ucrânia é capturado por nacionalistas em Kiev.

Foto: Google

Um grupo de ucranianos capturou nesta sexta-feira (4) em um mosteiro em Kiev um guerrilheiro mercenário e psicopata brasileiro, Rafael Lusvarghi (centro), que combateu nas fileiras dos rebeldes pró-Rússia no leste da Ucrânia.
Lusvarghi, de 33 anos, foi levado pelos integrantes de grupos vinculados ao Batalhão Azov até a sede do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) onde foi interrogado, segundo a porta-voz do SBU, Elena Guitlianskaya.


https://youtu.be/nk2jSn7m3UM


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

sábado, 30 de setembro de 2017

UCRÂNIA: A GUERRA INVISÍVEL

30 de setembro de 2017 Por Jonathan Spyer
A Ucrânia oriental no limbo com a "Guerra Invisível"
"Às vezes, penso que, se assim permanecermos aqui, deveremos usar paintball em vez de munições ao vivo. Provavelmente é porque eu sou mais velho, mas acho um pouco diferente para os outros aqui. Sobre todo o nacionalismo e assim por diante, penso que não há nada mais importante do que a vida humana. Isso não dá para recuperar. É outra história, se você não tem escolha, é claro".
"Hammer" é um voluntário do batalhão Donbass das forças governamentais da Ucrânia. É uma hora depois do amanhecer, ele está em uma posição em frente ao limite da cidade de Marinka, perto da fronteira com a Rússia. O inimigo, os "separatistas" pró-Moscou, estão a 200 metros de distância, escondidos em um estábulo em desuso.
Os intercâmbios de fogo de armas começam todas as noites à noite. Armas pequenas, metralhadoras leves, algumas granadas propulsionadas por foguetes e granadas de mão também. No meio da troca de tiros, os lutadores trocam abusos com o humor negro e surreal, que parece acompanhar esta guerra no leste da Europa.
Ainda não é um jogo. De vez em quando, alguém é ferido ou morto. Mas não há manobras significativas. Há, afinal, um "cessar-fogo" no lugar, assinado em Minsk em 11 de fevereiro de 2015.
Esta é a guerra invisível da Europa Oriental, um conflito entre a Ucrânia e a Rússia que em grande parte despercebida pelo mundo exterior. Um conflito congelado no tempo, mas longe de terminar.
Os voluntários Donbass passam seus dias limpando suas armas, dormindo, procurando comida e esperando. Talvez algum dia a ordem venha tomar o estábulo vermelho do outro lado do mato. Os homens mais jovens, "Sniper" e "Gypsy" e "Marbeley" (milicianos ucranianos e soldados todos passam por apelidos), são unânimes de que poderia ser alcançado sem dificuldade.
Mas, por trás das posições dos "separatistas", espera o exército de Vladimir Putin, uma proposição completamente diferente. A ordem para avançar para cada lado é improvável que venha em breve.

Um soldado ucraniano na região de Donetsk. Imagem: Jonathan Spyer

A poucas horas de distância, na capital, Kiev, restaurantes e bares estão abertos. O negócio está florescendo. Somente a presença de alguns soldados fora de serviço exauridos da ATO (operação antiterrorista, o termo de governo ucraniano preferido para a área de combate) indica qualquer coisa fora do comum. A aparente normalidade é enganosa. No Dia da Independência da Ucrânia, 24 de agosto, uma explosão perto da sede do governo no centro de Kiev feriu duas pessoas. No final de junho, um carro bomba matou o coronel de inteligência militar Maksim Shapoval. De vez em quando, a guerra oferece uma lembrança de sua existência.
Pelo menos 120 soldados ucranianos foram mortos na região de Donbass este ano, de acordo com fontes oficiais, juntamente com um número desconhecido de seus inimigos. Os civis, também, estão envolvidos no fogo cruzado. Mais de 10 mil pessoas morreram no conflito desde 2014: soldados e voluntários ucranianos, combatentes separatistas, soldados regulares russos e civis. Mais de dois milhões de pessoas foram desabrigadas.
Esta “não-guerra” brutal é o filho indesejado da revolução ucraniana Maidan de 2013-14. A exibição do poder das pessoas que derrubou o governo apoiado por Moscou de Victor Yanukovych em fevereiro de 2014 desencadeou a invasão russa na península da Criméia no mês seguinte.
A agitação desencadeada pela Rússia custeando mercenários que se passavam por população russa nas províncias de Donetsk e Luhansk na região de Donbass, foi um dos maiores engodos dos últimos tempos. Um ex-oficial de inteligência russo, Igor Gurkin, conhecido como "Strelkov" (The Shooter), desempenhou um papel central na sua organização.
Pretensos grupos insurgentes, na realidade mercenários pro-russos armados apareceram e invadiram os edifícios da administração estadual em Donetsk e Luhansk, proclamando repúblicas independentes. Surgiu uma luta amarga em que as forças e as milícias do governo ucraniano conseguiram recuperar em grande parte as áreas invadidas pelos pretensos insurgentes. Mas com a vitória à vista, pró Ucrânia, a Rússia promoveu a entrada, não declarada, de forças russas regulares, incluindo unidades aéreas e armamento pesado, impedindo assim, a retomada completa das recém-proclamadas "repúblicas populares". E ali permanecem, sob o domínio dos separatistas russos.
Um cessar-fogo foi declarado em 5 de setembro de 2014, após negociações em Minsk. As violações do cessar-fogo começaram quase que imediatamente. Mais tropas russas e equipamentos pesados atravessaram a fronteira da Ucrânia em novembro. Um segundo cessar-fogo foi assinado em Minsk em fevereiro de 2015, após alguns ganhos territoriais por ambos os lados. Observadores da Organização para Segurança e Cooperação na Europa observam a manutenção de Minsk II. Uma "zona cinzenta" de áreas em disputa cuja posse não foi resolvida pelo protocolo de Minsk permanece. A guerra consiste no concurso para essas áreas.
O secretário de Defesa dos EUA, James Mattis, esteve em Kiev há algumas semanas e sinalizou seu apoio para aumentar a assistência dos EUA, incluindo armas, para o exército ucraniano em Donbass. As armas anti-tanque, e talvez os sistemas antiaéreos, estão no topo da lista de desejos para os soldados esfarrapados ao longo da linha de frente dos 400 quilômetros.
A visita de Mattis foi a segunda viagem de alto perfil para a Ucrânia por um alto funcionário dos EUA nos últimos meses. O secretário de Estado, Rex Tillerson, estava no país, prometendo seu apoio em julho. A legislação para o fornecimento de armas letais defensivas abriu caminho para a Casa Branca, mas ainda não foi assinada. Enquanto isso, nas linhas de luta, as coisas permanecem bloqueadas no lugar.
Os russos no início esperavam ser saudados com entusiasmo pela população em grande parte de descendência russa do leste da Ucrânia. Isso não aconteceu. Um projeto para um novo estado chamado "Novorossiya" foi brevemente posto em movimento. Isto incluiu não só Donetsk e Luhansk, mas a área inteira de Odessa, no sul, a Kharkiv, no norte. A tentativa russa é dividir a Ucrânia para enfraquecê-la.
Pequenos restos das ambições da Rússia. Uma existência sombria e restrita é a realidade para aqueles que vivem na área controlada pelos russos e os "separatistas". Os jornalistas ocidentais não são permitidos nas repúblicas populares de Luhansk e Donetsk. Mas as conversas com as pessoas deslocadas internamente pintam uma imagem de caos.
Em um centro comunitário em Kiev, Albert, um engenheiro mecânico aposentado de 78 anos de Luhansk, diz que os separatistas consistem em grupos de bandidos que se comportam com impunidade em relação à propriedade da população local. Sua esposa, Ludmila (o casal prefere não dar o nome de sua família), diz que tem medo de falar abertamente sobre a situação em Luhansk porque a família ainda possui um apartamento na área e as autoridades de fato começaram a confiscar imóveis vazios.
O casal descreve uma situação difícil em que a provisão de água e eletricidade é apenas parcial e homens e tanques armados são freqüentemente vistos nas ruas. "As estradas estão arruinadas pelos sulcos produzidos pelos tanques", diz Albert. "Antes, havia apenas um tanque em Luhansk, no memorial de guerra. As coisas mudaram." Ele tem idade suficiente para se lembrar da Segunda Guerra Mundial. Suas ações mais cruciais foram travadas nas paisagens do leste da Ucrânia e da Rússia ocidental. Depois de uma vida pacífica à sombra dessa guerra, outro conflito lançou-se sobre a sua tristeza.
Para os civis que ainda vivem perto da linha de frente, a guerra é uma presença constante e um perigo constante. Em Krasnogorovka, pelas ruínas de sua casa, encontramos Svetlana Voilova, 53, que trabalhou em uma fábrica de doces em Donetsk antes da guerra. A casa foi destruída pelo fogo de artilharia pesada duas semanas antes. Svetlana visitava sua mãe no hospital. Todas as suas posses desapareceram, diz ela. Todo o edifício, que continha nove apartamentos, foi destruído no bombardeio e fogo subseqüente. Um velho morreu. Ele tinha sido o único outro residente. O resto já havia fugido. Não resta mais nada.
"Todos os dias é uma roleta russa", diz Alina Kosse, da Marinka. As primeiras posições da linha de frente das forças ucranianas estão a 2 km de sua casa: "Apenas um dia atrás, as bombas caíram na área e essas bombas atingiram a minha parede e meu jardim".
No entanto, apesar de tudo isso, civis começaram a voltar para a linha de frente Marinka. "Muitas pessoas fugiram, mas agora essas pessoas começaram a voltar. Elas pagavam enormes aluguéis em outras partes da Ucrânia, então elas estão voltando porque gastaram todo seu dinheiro, pelo menos aqui eles têm um teto sobre suas cabeças e um quintal para cultivar para sobreviver".
Mas e Minsk II? E o cessar-fogo? "O cessar-fogo está lá apenas para tranquilizar as pessoas, mas não nos tranquiliza. Ouvimos os sons do "cessar-fogo" todas as noites".
Não há números confirmados para a população restante nas chamadas repúblicas populares de Donestsk e Luhansk. Mas Gyorgy Tuka, vice-ministro das áreas ocupadas no governo ucraniano, diz ao Inquirer que 1,6 milhões de pessoas deixaram áreas controladas pelo governo ucraniano desde o início do conflito. Um número desconhecido também partiu para a Rússia. Um número desproporcional de pessoas que permanecem são pensionistas e outras pessoas vulneráveis.

Um soldado ucraniano implantado na região de Donetsk. Imagem: Jonathan Spyer

De acordo com um relatório no jornal russo independente Novaya Gazeta, de um milhão de habitantes da cidade de Donetsk, 250 mil são pensionistas. A economia, uma vez que um hub central, contraiu dois terços, de acordo com o banco central ucraniano. Os varejistas e os serviços financeiros desapareceram em grande parte.
Moscou está pagando um preço contínuo por sua incursão na Ucrânia. Em 20 de junho deste ano, o Departamento do Tesouro dos EUA votou em aumentar as sanções, todavia nenhuma delas mostra qualquer sinal de produzir uma resposta russa mais flexível.
Em vez disso, as últimas ações de Moscou parecem apontar para uma maior vinculação de Donbass para a economia russa, evitando, porém, qualquer anexação formal. Sopa quente se come pelas beiradas.
Os lutadores ucranianos são um grupo misto. O período 2013-14 foi um momento revolucionário na sociedade ucraniana e, como outros períodos, atraiu muitas pessoas novas para atividades militares e políticas. O exército ucraniano, quando chegou em 2014, estava lamentavelmente mal preparado para os desafios da guerra. As milícias voluntárias montadas as pressas desempenharam um papel importante na fruição do avanço dos separatistas e, em seguida, enfrentando os soldados regulares russos.
Alguns desses milicianos foram recrutados diretamente de grupos de ativistas que participaram dos protestos da EuroMaidan, com demandas de integração europeia mais próxima e, em particular, de grupos de direita e nacionalistas ucranianos, que formaram uma presença significativa nos protestos. Outras formações surgiram dos grupos nacionalistas existentes.
Mas enquanto os grupos de milícias receberam uma grande cobertura midiática, eles agora desempenham um papel reduzido. Os mais significativos deles, incluindo os batalhões Donbass e Azov, foram incorporados em estruturas militares regulares de acordo com a Lei da Guarda Nacional da Ucrânia. Hoje, ambas as forças mantêm cerca de 1000 combatentes em Donbass, onde estão sob o comando do exército. Uma formação única, o setor Pravy (setor direito), continua a operar como um elemento independente na linha de frente.
Os combatentes dos batalhões voluntários claramente não se especializam em sua transformação de forças móveis para defensores de uma linha estática. "Em essência, um conflito congelado", diz Casper, um comandante de seção no batalhão de Donbass, pronunciando as palavras com um desprezo estudado, quando nos encontramos em uma posição logo atrás das linhas de frente. Ele está sentado sem camisa no pequeno pátio em frente à casa onde a seção está estacionada. O lado esquerdo do corpo está coberto de marcas de queimadura.
Mais tarde, em tons assombrados, ele nos fala da luta em Debaltseve, em fevereiro de 2015, quando o batalhão Donbass foi preso por um mês em um recinto por forças russas. "Vinte e cinco homens morreram de um total de 80", diz ele, e mostra um filme em seu telefone celular da eventual evacuação da unidade. Aqui aparecem os rostos dos combatentes de sua seção, ao lado dos tanques, no frio congelado de fevereiro.
A redução do papel militar desses batalhões voluntários levou alguns a se voltarem para a política, procurando se transformar em partidos políticos ativistas. Isso está levando a preocupações entre os ativistas civis, que temem as implicações que a chegada da política militarizada poderia ter para a democracia incipiente da Ucrânia.
Nazar Kravchenko, um dos líderes do novo partido político de Azov, o National Corps, rejeita essas preocupações. Ele descreve a Ucrânia como envolvida em uma "guerra híbrida" com a Rússia, e afirma que isso torna necessário o tipo de política "ativista" que seu movimento defende.
Ele observa que o movimento tem uma rede de 10 mil ativistas e descreve uma estratégia de ação direta contra "manifestações políticas de sentimento pró-separatista" e "ações anti-ucranianas".
Mas as manifestações políticas dos voluntários são pequenas e carecem de recursos. O candidato nacionalista nas eleições presidenciais de maio de 2014, Dmitro Yaros, garantiu apenas 0,7% do total de votos.
Muitos ucranianos parecem ter tido prazer em ter os nacionalistas em torno de quando houve uma incursão estrangeira para ser repelida, porém, sem terem vontade de serem governado por eles.
"Os ucranianos não querem ser liderados por extremistas", diz um jovem em Kiev.
Todos os sonhos de um grande e poderoso estado de fala russa deve certamente desaparecer. A guerra serviu para cristalizar uma maior sensação de identidade ucraniana entre a população de língua russa da Ucrânia. Não haverá "Novorossiya".
Mas não haverá retorno de Donetsk e Luhansk para o controle de Kiev em breve, também. Mesmo os níveis melhorados de apoio dos EUA atualmente em discussão estariam longe de ser suficientes para acabar com o impasse.
Enquanto isso, Moscou não tem intenção de abandonar seus novos feudos. Ele se tornou um parceiro vital em qualquer discussão sobre o futuro político da Ucrânia.
A manutenção de conflitos congelados como ferramentas de diplomacia e influência política é uma parte familiar do livro de produção russo - na Transnístria, Ossétia do Sul, Abkhazia, Nagorno-Karabakh e agora também nas arenas vitais da Ucrânia e talvez até da Síria.
Este é o meio judicioso e de baixo custo pelo qual os projetos de Moscou influenciam e garantem insegurança em torno de suas regiões fronteiriças.
No leste da Ucrânia, os sons do cessar-fogo - fogo de armas pequenas, morteiros, armas de fogo e artilharia - parecem continuar a ser ouvidos.
O Dr. Jonathan Spyer é Diretor do Rubin Center (anteriormente Centro GLORIA), IDC Herzliya e um colega no Middle East Forum. Ele é o autor de The Transforming Fire: The Rise of the Israel-Islamist Conflict (Continuum, 2010) e um colunista no jornal Jerusalém Post. Spire detém um Ph.D. em Relações Internacionais da London School of Economics e um Mestrado em Política do Oriente Médio da Escola de Estudos Orientais e Africanos em Londres. O relatório sobre a guerra na Síria e no Iraque foi publicado em uma série de principais meios de comunicação, incluindo o Wall Street Journal, The Guardian, The Times, Weekly Standard e muitos outros. Seu blog pode ser seguido em: http://jonathanspyer.com/.