sábado, 22 de setembro de 2018

BATISMO DE KIEV: MIL ANOS APÓS

Posted: 11 Sep 2018 05:11 PM PDT
Papa Francisco e 'Patriarca' Kiril assinam em Havana
acordo que inclui evitar conversões ao catolicismo de rito ucraniano
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs
















































Um aspecto lancinante e apocalipticamente trágico da “mudança de paradigma” empreendida pelo Papa Francisco vem sendo dissimulado por alguns de seus admiradores, e por artífices da velha política de aproximação com os governos marxistas ou Ostpolitik. 

Mas é apontado pelos melhores entendidos da política internacional: a virada das costas do Pontífice ao Ocidente e seus braços estendidos ao pior inimigo da ordem ocidental e cristã: a Rússia.

Sim a Rússia que Nossa Senhora em Fátima apontou como o flagelo que se abateria sobre o Ocidente se esse não abandonava a estrada dos maus costumes fazendo penitência. 


Num artigo para a revista Catholic Herald da Grã-Bretanha (27.7.2018), o Pe. Raymond J. de Souza, da arquidiocese de Kingston, Canadá, e editor de convivium.ca, indagou se a diplomacia vaticana seria culpada de uma abjeta capitulação diante de Vladimir Putin,. 



A matéria que deve ser abordada com o maior respeito foi tratada até pelo vaticanista americano John Allen, simpatizante da Ostpolitik vaticana com a Rússia. Allen fez aflorar críticas até agora reprimidas até em setores eclesiásticos próximos do Pontífice. 



Allen apontou que o Papa Francisco se mostra um aliado de Putin na Síria, onde o dono do Kremlin é chefe de guerra pesado em favor do presidente Bashar al-Assad, herdeiro de uma velha aliança com a União Soviética. 



Allen também sublinhou o mutismo do Pontífice diante da criticável – a luz da moral católica e do Direito Internacional – invasão russa do leste da Ucrânia e da anexação da Crimeia. 



O posicionamento do pontífice vem desapontando repetidamente ao Rito Greco-Católico Ucraniano, o maior dos ritos orientais da Igreja que conta com muitos milhões de membros na Ucrânia e no mundo todo, inclusive uma possante comunidade no Brasil e países vizinhos.

Distensiva troca de presentes entre o Papa Francisco e o enviado do Patriarcado putinista
que reclama a extinção dos católicos ucranianos
Porém, recebendo no Vaticano uma delegação da igreja dita ortodoxa russa no dia 30 de maio (2018) o Papa Francisco se afastou com o gesto e com as palavras dos fiéis seguidores do rito greco-católico ucraniano.

Confira: “‘Patriarcado de Moscou’ pede ao Papa Francisco impedir o progresso dos greco-católicos”

“A euforia russa foi compreensível, à luz segundo Magister, “do modo que Francisco abraçou as teses do patriarcado de Moscou e, pelo contrário, condenou com palavras muito ásperas as posições da Igreja greco-católica ucraniana”. Rito que, aliás, vive sob as ameaças constantes dos chefes do Patriarcado-FSB (ex-KGB) moscovita”.

Não muito depois, no dia 3 de julho (2018) o pontífice romano teria recebido em audiência privada ao arcebispo-mor desse rito católico o Arcebispo Sviatoslav Shevchuk, por ocasião do 1.030º aniversário do Batismo de Kiev. 


Esse gaudioso evento aconteceu em 988 e foi o início da conversão do tronco principal do mundo eslavo russo.



O comunicado emitido pelo Rito Greco-Católico Ucraniano após essa reunião “refutou sistematicamente todos os pontos afirmados pelo Papa Francisco em seu encontro com os ortodoxos russos”, escreve o Pe. de Souza.

Para os ortodoxos russos, o mencionado rito católico nem deveria existir. 


A União Soviética ordenou esmaga-lo, confiscar todos os seus bens, condenou os sacerdotes que não aderiam ao cisma, martirizou muitos deles, além de religiosas e leigos.



São Vladimir o Grande se fez batizar no rito católico bizantino num local da Crimeia. Ele governava todo o mundo russo com o título de Príncipe desde Kiev – Moscou não existia. 



O cismático Patriarcado de Moscou, entidade sem legitimidade religiosa, foi fundado pelos czares como uma fachada religiosa que serviria a suas ambições políticas imperialistas. 


A revolução bolchevista reprimiu toda forma de cristianismo não submissa ao Patriarcado de Moscou
A revolução bolchevista reprimiu
toda forma de cristianismo não submissa ao Patriarcado de Moscou

O mesmo capricho dos czares que o criou, o extinguiram poucos séculos depois. Ele voltou à existência em conluio com a Revolução Bolchevista e hoje Putin o usa como instrumento dócil a suas intenções hegemônicas.


Os Papas e com eles a Igreja Católica toda sempre viram os católicos ucranianos – considerados em todos seus ritos – como os únicos autênticos representantes do cristianismo no imenso mundo derivado do Batismo de Kiev. 



Portanto, exercendo uma influencia moral de primogênito até na própria Rússia, onde existe também um rito greco-católico russo aprovado pela Santa Sé.



E o arcebispo-mor do rito greco-católico ucraniano ostenta de antigo o título de Patriarca de todas as Rússias. 



Não cabe esse título ao espúrio Patriarcado de Moscou, que o usurpou sem direito e abusa dele desavergonhadamente.

Essa realidade histórica foi reafirmada o dia 15 de julho (2018) pelo arcebispo-mor ucraniano Mons. Shevchuk:


“O dom da Fé cristã vem nos sendo transmitido como nosso maior tesouro. Hoje agradecemos a Deus que a Igreja Greco-Católica Ucraniana seja privilegiada enquanto sucessora do Príncipe Vladimir e de seu santo batismo”.

Mas essa realidade histórica, e sobre tudo religiosa, é furibundamente contestada pelos cismas e dissidências turbulentas englobadas sob o rótulo de “igrejas ortodoxas” e seus “agentes de influência” ocidentais.


A “mudança de paradigma” posta em ato pelo Papa Francisco produziu também e tal vez em máximo ponto, uma inversão contrária à História e à Fé. 



Todas as benevolências e reconhecimentos da sua diplomacia correm no sentido desejado pelo anticristo de Moscou.


Dezenas de milhares de católicos ucranianos em Kiev na despedida do Cardeal Lubomyr Husar, chefe do rito greco-católico.
Dezenas de milhares de católicos ucranianos em Kiev
na despedida do Cardeal Lubomyr Husar, chefe do rito greco-católico.
Hoje, o flagelo do cristianismo profetizado em Fátima, quer dizer a Rússia – capitaneado por Putin e sua serva a Igreja Ortodoxa Russa, ou Patriarcado de Moscou – são recebidos como profundos amigos na Santa Sé.

Em sentido contrário, os fiéis ucranianos católicos são tidos como um empecilho para a aliança com o instrumento de destruição contra o qual Nossa Senhora alertou o mundo em Fátima.


A Santa Sé em plena “mudança de paradigma” parece ter esquecido a posição assumida até 1988, sob o pontificado de João Paulo II, conclui o conceituado sacerdote.



Acrescentamos que essa inversão diplomática apocalíptica, em verdade, não tem futuro e está fadada ao insucesso.

Em Fátima, Nossa Senhora deixou assentado que após a Igreja padecer dolorosas perseguições, após o Santo Padre ter muito que sofrer, após nações inteiras desaparecer, a Rússia vai se converter.


E para essa conversão, podemos ter certeza que os sofrimentos dos católicos ucranianos, massacrados pela bota soviética, incompreendidos e perseguidos mas sempre fiéis, terão um efeito de uma glória e de um premio incomensurável.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

TEMPESTADE DE ESCÂNDALOS

Posted: 02 Sep 2018 08:17 PM PDT
O ex-Cardeal Theodore McCarrick no fulcro das denúncias do arcebispo Carlo Viganò
O ex-Cardeal Theodore McCarrick
no fulcro das denúncias do arcebispo Carlo Viganò
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs











A jornalista holandesa Jeanne Smits foi durante 14 anos gerente e diretora do jornal “Présent”, diário porta-voz do partido Front National de Jean Marie Le Pen e continuadores.

Nesse longo período privou com os representantes da “extrema direita” francesa que hoje são cortejados e até financiados pela Rússia de Vladimir Putin.

Conhecendo-os de perto, constatou que não eram bem como diziam ser e estavam trabalhados por um servilismo alarmante em relação aos ideólogos do dono do Kremlin.

Agora, diante da tempestade de escândalos no pontificado do Papa Francisco I relativa às uniões maritais ilegítimas e LGBT, Jeanne publicou uma consideração original em seu site Reinformation.tv ligando os referidos escândalos às advertências trágicas de Nossa Senhora em Fátima e à expansão dos “erros da Rússia”.

De início, ela sublinha não ser mera coincidência que  o Testemunho do ex-nuncio em Washington, Mons. Carlo Maria Viganò, fora assinado no dia 22 de agosto, festa tradicional do Coração Imaculado de Maria, cujo triunfo final foi prometido por Nossa Senhora em Fátima.

A data da festa mudou em tempos recentes, mas, diz Smits, a magnitude da tragédia que vive a Igreja dificilmente pode ser avaliada objetivamente sem levar em conta os anúncios da Virgem em Portugal.

A rede homossexual denunciada por Mons. Viganò e o pedido de renúncia do Papa Francisco se esse quiser ser coerente consigo, instalou uma crise de gravidade sem igual.

A extensão e capilaridade da rede de corrupção moral e LGBT denunciada torna difícil pensar numa solução ignorando a mensagem de Fátima.

Como imaginar a purificação da Igreja militante, parte visível do Corpo Místico de Cristo, sem um auxílio especial de Nossa Senhora?

A atual crise da Igreja só pode ser bem aquilatada desde a perspectiva da mensagem de Fátima.
A atual crise da Igreja só pode ser bem aquilatada
desde a perspectiva da mensagem de Fátima.
O inimigo do gênero humano se infiltrou no interior da Igreja, apresentando o mal como sendo bem, e o bem como sendo o mal, estabelecendo o reinado da mentira em tudo, escreve a jornalista.

A estrela que figura no hábito de Nossa Senhora de Fátima, segundo o Pe. Linus Clovis, especialista de mariologia e da mensagem de Fátima – citado por Jeanne Smits – evoca a bíblica reina Ester.

Essa foi a prefigura de Nossa Senhora que salvou o povo eleito da extinção física. A estrela ensina que Nossa Senhora esmagará a crise e seu principal instigador: a serpente infernal.

A Igreja já enfrentou muitas crises e saiu vitoriosa. Mas nunca se viu uma “mudança de paradigma” como vemos hoje justificando perversões da moral natural e católica. E promovida por um poderoso lobby homossexual instalado no Vaticano e no episcopado!

O Papa Paulo VI falou da infiltração da “fumaça de Satanás” na Igreja através de fissuras na casa de Deus. Hoje esse vapor fétido entra torrencialmente vindo de abismos de uma profundidade inimaginável onde reina o diabo, constata a jornalista.

E acrescenta: o Cardeal holandês Willem Jacobus Eijk, arcebispo de Utrecht vendo a dimensão da crise não hesitou em aplicar a nossos dias o artigo 675 do Catecismo da Igreja Católica:

“Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes (639). A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na Terra (640), porá a descoberto o «mistério da iniquidade», sob a forma duma impostura religiosa, que trará aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da verdade”. (Catecismo da Igreja Católica -- Primeira parte – A profissão da Fé, nº675)

Segundo a experiente jornalista, essa perspectiva apocalíptica põe no centro dos eventos atuais a advertência de Fátima não levada a sério sobre o papel que teriam os “erros da Rússia”.

Esses estão sendo o flagelo da Igreja que não se penitenciou dos maus costumes que já se desenvolviam em 1917. Hoje não é preciso dizer até onde chegaram. E dentro da Igreja!

Estratagema de Moscou: fingir que a Rússia de Putin é a salvadora do cristianismo
Estratagema de Moscou: fingir que a Rússia de Putin é a salvadora do cristianismo

Para Jeanne Smits, um dos aspectos misteriosos é a difusão entre as direitas de uma imensa mentira que ela denunciou profusamente.

Essa mentira gerada nos laboratórios da guerra psicológica moscovita pretende apresentar a Rússia como não sendo mais o flagelo denunciado por Nossa Senhora.

Pelo contrário, espalha que a Rússia é o “ultimo baluarte do cristianismo e derradeira defensora da moral tradicional diante da agenda LGBT, do relativismo moral e do progressismo teológico que tomou conta de Ocidente”.

A crise eclesiástica que eclodiu serve ao Kremlin para acusar o Papado de ser a “prostituta de Babilônia” de que fala o Apocalipse. Já Lutero explorou o mesmo embuste. E os escândalos atuais servem como pretextos, poderosos mas insinceros.

A sorrateira propaganda putinista acrescenta que a Rússia sob o impulso do homem formado na KGB e admirador de Stalin se teria “convertido” trazendo uma nova fórmula de salvação para o cristianismo.

Katehon, o think tank russso onde se cozinham essas montagens é financiado por Konstantin Malofeev, conselheiro de total confiança de Vladimir Putin. O mesmo Konstantin Malofeev que visita as direitas ocidentais prometendo irriga-las com dinheiro!

E um filósofo gnóstico, Alexander Dugin, é o maior dos pensadores dessa central de falsificações.

Em 2017, Katehon anunciava a próxima “queda da Igreja Católica Romana” e a instalação da Igreja Ortodoxa Russa, ou Patriarcado de Moscou, à testa do cristianismo universal.

O truque propagandístico deturpa as profecias de Fátima e de La Salette, e confunde a Igreja Católica com a rede teológica-homossexual que se infiltrou nela pelo menos desde o Concilio Vaticano II.

Katehon sofisma e inverte os papéis:
a Rússia não é o flagelo anunciado em Fátima,
o cristianismo mundial deve se submeter ao Patriarcado de Moscou
Assim, Moscou visaria enganar os católicos desgostosos com a nauseabunda crise eclesiástica em curso e tentaria atrai-los para a área de influência do Patriarcado de Moscou.

A propaganda de Katehon diz ser ecumênica e pancristã. Mas exige que os católicos renunciem a converter os cismáticos russos que tendem, como na Ucrânia, a abandonar os erros e desordens do Patriarcado de Moscou e aderir aos ritos orientais católicos.

O Papa Francisco e a Ostpolitik vaticana têm aceitado essa pretensão em repetidas ocasiões.

É a mais completa inversão da verdade. Mas a Igreja está construída sobre a rocha de Pedro, e “as portas do inferno não prevalecerão sobre Ela”, ainda quando o poder de Satanás pareça senhor do mundo.

Nossa Senhora em Fátima advertiu que esta provação universal haveria de vir se os homens não se corrigiam e se não abandonavam os costumes perversos.

Para evita-la os homens deviam fazer penitência.

Essa sim seria uma esplêndida “mudança de paradigma” portadora de ubérrimos frutos de paz e ordem social e religioso. Mas Francisco I promove uma “mudança de paradigma” em sentido oposto!

Nossa Senhora acenou com uma perseguicao sem igual contra a Igreja. E hoje a estamos vendo. Não apenas ataques do exterior, como os do Islã e do laicismo. Essas não são as piores formas de perseguição.

Os “erros da Rússia” estão sendo dentro da Igreja o flagelo que Nossa Senhora anunciou em Fátima. Fundo: vulcão Cordon Caulle, Chile.
Os “erros da Rússia” estão sendo dentro da Igreja
o flagelo que Nossa Senhora anunciou em Fátima.
Fundo: vulcão Cordon Caulle, Chile.

O tremendo é quanto o ataque procede do interior da Igreja e é executado por mãos sagradas do mais alto nível.

Realiza-se assim a advertência da mensagem de Fátima de que o Papado teria muito a sofrer. E essa dor está sendo infligida quiçá até pelas iniciativas do Pontífice – quod Deus advertat!

Os erros da Rússia, o imenso flagelo anunciado por Nossa Senhora em Fátima, se abatem dessa forma sobre o corpo da Cristandade desferido por mãos sagradas.

Poucos atentam para essa dimensão religiosa decisiva da hora atual. E o Kremlin se regozija.

Mas nada nem ninguém conseguirá vencer Àquela que é ‘mais poderosa que um exército em ordem de batalha’, como diz bela e ufanamente o Oficio de Nossa Senhora.

Aquela que prometeu na Cova da Iria que “Por fim, meu Imaculado Coração triunfará”.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

PARLAMENTO SUSPENDE VOTAÇÃO


LESTE DA UCRÂNIA: Parlamento suspende votação de três leis anti-patrióticas

Os protestos no interior e no exterior do parlamento ucraniano obrigaram ao cancelamento da votação de três leis sobre o processo de paz nas regiões “separatistas” de Donetsk e Lugansk.

As propostas rejeitadas pelo Parlamento ucraniano previam a extensão do estatuto especial das duas áreas por mais um ano.

À luz dos supostos acordos de paz que seriam assinados por Kiev, permitiria o envio de forças de paz da ONU para a região. A proposta foi, no entanto, vivamente contestada pelos partidos e setores nacionalistas da população que consideram a medida como um reconhecimento da autonomia das duas regiões invadidas, a revelia, pela Rússia belicista com a introdução de mercenários e fornecimento de armas, tanques e bombardeios aéreos descaracterizados, para dar uma falsa impressão ao mundo que se trata de um movimento espontâneo pró-russo desencadeado pela região em conflito.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

A VERDADEIRA FACE DO PAPA FRANCISCO

Posted: 24 Jun 2018 01:30 AM PDT
Um desígnio sinistro levou o representante russo HIlarion ao Vaticano.
Um desígnio sinistro levou o representante russo HIlarion ao Vaticano.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Palavras republicadas pelo conceituado vaticanista de Roma Sandro Magister deixaram católicos consternados porque vindas da Santa Sé! Sem dúvida, um episódio a mais do misterioso processo de autodemolição da Igreja apontado pelo Papa Paulo VI.

Magister as recopiou em seu site Settimo Cielo com a manchete “Na Ucrânia, entre ortodoxos e católicos, Francisco tomou partido por Moscou”.

As palavras foram pronunciadas pelo Papa Francisco saudando a delegação do Patriarcado
de Moscou acolhida em audiência no dia 30 de maio (2018).

Elas deviam permanecer no sigilo. Porém de tal maneira encheram de regozijo os 
representantes da igreja cismática russa administrada por agentes da ex-KGB, que eles as reproduziram em seu site oficial.

O ‘Patriarcado de Moscou’ não é uma instituição eclesiástica canonicamente constituída. Esse rótulo apareceu sob o Tsar Teodoro I, filho de Ivã IV o Terrível, em 1589.

Naquele ano, o metropolita de Moscou passou a se autodenominar “Patriarca da cidade do Tsar, Moscou, a nova Roma, e de toda a Rússia”. Dessa maneira visou agradar os déspotas temporais que instituíram Moscou como capital com esses títulos.

Essa ficção foi suprimida pelo Tsar Pedro I o Grande em 1721 que ansiava europeizar a Rússia. Por isso, o factício ‘Patriarcado de Moscou’ ficou morto e enterrado durante mais de dois séculos.

A submissão ao ditador do momento explica o 'Patriarcado de Moscou'. Desde Stalin, funciona como instrumento de repressão religiosa.
A submissão ao ditador do momento explica o 'Patriarcado de Moscou'.
Desde Stalin, funciona como instrumento de repressão religiosa.
O ‘Patriarcado’ ressurgiu na pessoa do patriarca Tikon acompanhando a revolução bolchevista de 1917, com a qual partilhava a repulsa da monarquia. Ele foi reconhecido pelo Soviete dos Comissários do Povo em 5 de fevereiro de 1918, incipiente governo leninista.

Porém sua existência nadou na confusão. Nas chacinas da guerra civil que sucedeu à revolução de Lenine o número de sacerdotes diocesanos cismáticos caiu de 50.960 para 5.665. Por volta de 90.000 monges foram massacrados pelos comunistas ficando apenas algumas centenas. 

Das 40.500 igrejas e 25.000 capelas que possuía o clero cismático sobraram apenas 4.255 devastadas pelo ódio da ditadura dos sovietes contra tudo que falava de religião.

O ‘Patriarcado’ protestou contra a imensidade dos crimes e destruições antirreligiosas. Como punição, em 5 de maio de 1922 Tikon foi encarcerado.

Mas foi liberado logo, em 1923, após prometer que “a partir de agora não sou um inimigo do poder soviético”. Tikon morreu em 1925, quiçá envenenado, e do ‘Patriarcado’ ficou uma sombra.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Stalin precisava motivar o povo a combater numa guerra muito mortífera e impopular. Então, o ditador soviético reinstituiu o espúrio ‘Patriarcado’ em 1943 em troca de sua colaboração com o poder comunista e apoio a seu engajamento na guerra mundial.

O ‘Patriarcado de Moscou’ serviu a propaganda do regime fazendo-o aparecer tolerante com a religião diante das nações estrangeiras, sobre tudo os EUA.

Stalin precisou também do ‘Patriarcado’ para submeter às comunidades cristãs e outros 'patriarcados' cismáticos nos países e territórios anexados ou ocupados pela União Soviética no conflito mundial.

Desde então, o ‘Patriarcado’ subsistiu como instrumento de consolidação do socialismo soviético.

Ele foi o agente da URSS para a perseguição do rito greco-católico ucraniano, confiscando todos seus bens com o falso pretexto de que todo o clero católico tinha aderido ao 'Patriarcado'. Cfr. Wikipedia, verbete Igreja Ortodoxa Russa
 

Tendo o ‘Patriarcado de Moscou’ publicado o comprometedor conteúdo da audiência pontifícia acima referida, a sala de imprensa da Santa Sé no dia 2 de junho tirou do segredo
a transcrição textual do discurso.

O ocultamento tampouco podia durar porque a pagina web Rome Reports já tinha espalhado vídeo com as passagens centrais das palavras do Papa (vide vídeo embaixo em inglês e espanhol).

A euforia russa foi compreensível, à luz segundo Magister, “do modo que Francisco abraçou
 as teses do patriarcado de Moscou e, pelo contrário, condenou com palavras muito ásperas
as posições da Igreja greco-católica ucraniana”. Rito que, aliás, vive sob as ameaças
constantes dos chefes do Patriarcado-FSB (ex-KGB) moscovita.

Troca de presentes entre o Papa Francisco e o representante do Patriarcado putinista
Troca de presentes entre o Papa Francisco e o representante do Patriarcado putinista

A delegação pretensamente religiosa da nova-URSS estava liderada por seu “ministro de Assuntos Exteriores”, o metropolita Hilarion de Volokolamsk, preferido do momento pelo Patriarca Kirill, por sua vez preferido do momento de Vladimir Putin.

Disse Francisco I: “diante dos Senhores, quero confirmar — de modo especial diante de ti, querido irmão, e diante de todos vocês — que a Igreja Católica jamais permitirá que desde suas fileiras nasça uma atitude de divisão. Jamais permitiremos fazer isso, não quero”.

O temor de os católicos conquistarem o coração dos russos frustrados com a corrupta e insincera cúpula do Patriarcado moscovita, levou os cismáticos a forjarem a mentira de que
a Igreja Católica trabalha para dividi-los e lhes arrancar os fiéis.

O Pontífice prosseguiu: “Em Moscou — na Rússia — só há um patriarcado: o de vocês. Nós não teremos outro”.

A posição soa como uma punhalada para os católicos ucranianos de rito grego que
consideram com legítimas razões que seu pastor, Dom Sviatoslav Shevchuk, arcebispo-mor
de Kiev, é a cabeça desse rito em toda a Rússia.

“Quando algum fiel católico, continuou Francisco I, seja leigo, sacerdote ou bispo, assume a bandeira dos uniatas [termo depreciativo para designar os fiéis ucranianos que retornaram à Igreja Católica], que já não tem vigência, porque se acabou, para mim é uma dor”.

“Deve-se respeitar as Igrejas que estão unidas a Roma, mas o uniatismo como caminho de unidade hoje não vai mais”.

Sublinhando sua mudança de posição em relação aos Papas anteriores acrescentou: “a Igreja Católica, as Igrejas católicas não devem se imiscuir nas questões internas da Igreja Ortodoxa Russa, nem nas questões políticas. Essa é minha atitude e a atitude da Santa Sé hoje. Aqueles que se imiscuem não obedecem à Santa Sé”.

Urbano VIII em 1627.
Abriu com entusiasmo os braços ao 'uniatismo':
“Por meio de vós, meus ucranianos,
eu espero converter o Oriente”

Pietro da Cortona (1596 – 1669) Museo Capitolino




































Já em 1643, o Papa Urbano VIII tinha deixado clara a posição da Igreja em 
favor do “uniatismo” no sermão da beatificação de São Josafá, grande apóstolo
da reunificação:

“Por meio de vós, meus ucranianos, eu espero converter o Oriente”, disse. (Cfr. Miroslav Zabunka e Leonid Rudnytzky, The Ukrainian Catholic Church, 1945-1975,
St Sophia Association, Philadelphia, 1976, p.9.)

Para Magister, o discurso de Francisco pode parecer cifrado, mas se entende perfeitamente olhando os fatos.

Dizendo que não pretende criar “patriarcado” católico algum por fora do ‘Patriarcado de Moscou’, ele não pensa na Rússia, mas na Ucrânia, onde a Igreja greco-católica tem
4 milhões de fiéis e aspira há muito tempo a ser erigida em legítimo Patriarcado.

Esse Patriarcado foi e continua sendo o desejo de seus mais devotados filhos da Igreja e heroicos líderes resistentes ao comunismo.

Na Ucrânia sob a ditadura da União Soviética todas as denominações cristãs foram escravizadas pela força comunista ao ‘Patriarcado de Moscou’ que oficiou como braço da perseguição.

Após a queda da União Soviética os católicos saíram das catacumbas muito diminuídos em número – por volta de 300.000 – mas logo se recompuseram, hoje totalizam mais de quatro milhões e progridem velozmente. Uma legião de mártires do comunismo abençoa desde
o Céu.

Em sentido contrário, os cismáticos se desintegraram. O chefe máximo do ‘Patriarcado de Moscou’ na Ucrânia, metropolita Filarete, se autoproclamou ‘Patriarca de Kiev’ com uma conotação nacionalista muito anti-russa.

Os agentes da FSB representantes do ‘Patriarcado de Moscou’ excomungaram e
amaldiçoaram a nova concorrência que logo ficou maioritária.

Também se definiu por fora do ‘Patriarcado’ moscovita a Igreja Ortodoxa Ucraniana Autocéfala, liderada pelo metropolita Metódio.

As divisões, excomunhões, maldições e novas alianças entre líderes cismáticos se
multiplicam todos os anos dando lugar a contínuos rearranjos e novos cismas dentro dos velhos.

Nessa anarquia, o governo de Kiev quer unificar pelo menos as maiores denominações cismáticas sob a égide de Bartolomeu, cismático patriarca ecumênico de Constantinopla reduzido à mínima expressão.

Nossa Senhora de Fátima no fim triunfará e converterá todo o mundo eslavo, malgrado as insídias infernais
Nossa Senhora de Fátima no fim triunfará
e converterá todo o mundo eslavo, malgrado as insídias infernais


Mas, as tentativas, apoiadas também pela Ostpolitik vaticana, se revelam como que impossíveis. E o ‘Patriarcado de Moscou’ perderia sua influencia política na Ucrânia, aliás
em contínua diminuição.

Segundo Magister, o maior inimigo dessa conciliação entre os turbulentos cismáticos é o próprio Vladimir Putin, que em relação à Ucrânia só pensa em guerra e quer ver todos os cristãos sob sua bota. E ele quer mandar na galáxia cismática como já fez Stalin!

A maior cólera dos dirigentes do patriarcado moscovita putinista provém do medo, aliás fundado nos fatos, de o povo se converter à Igreja de rito greco-católico, única ordenada e fecunda em graças e obras de caridade.

Esse grande retorno ao catolicismo que implicaria em abrir as portas da salvação para
muitos milhões de almas, é o “uniatismo” que o papa Francisco condenou sem meios termos ante a delegação de Moscou.

Em síntese, para os ortodoxos-FSB (ex-KGB), o “uniatismo” é quanto há de mais intolerável: significa que blocos cismáticos voltem a obedecer ao Vigário de Cristo, sucessor de São Pedro, o Papa de Roma, e fujam do controle do sistema putinista.

E foi contra o arcebispo-mor dos greco-católicos, Dom Sviatoslav Shevchuk, de 48 anos,
que o Pontífice dirigiu precisamente, sem mencionar o nome, as palavras mais duras do discurso de 30 de maio, lhe ordenando “não se imiscuir nas questões internas” do cisma
russo sub-repticiamente comunista, observou Magister.

O Papa se distanciou dele da mesma maneira que abandonou a Ucrânia por ocasião da agressão russa à Crimeia e ao leste do país.

Com os cismáticos quer ser amigo de todos – escreve Magister – mas suas preferências vão pelo patriarca russo, funcionário de Vladimir Putin.

Túmulo de São Josafá na basílica de São Pedro, Cidade do Vaticano.
Túmulo de São Josafá na basílica de São Pedro, Cidade do Vaticano.
Mas nada prevalecerá sobre a proteção maternal de Nossa Senhora que se evidencia ativa e fecunda sobre o catolicismo ucraniano.

Especialmente, de nada servirão as manobras diplomáticas, ainda que promovidas por altos órgãos eclesiásticos, contra a promessa da conversão do mundo eslavo feita por
Nossa Senhora em Fátima.

Não está longe o dia em que se tornará radiosa realidade a antevisão do Papa Urbano VIII na beatificação do grande São Josafá: “Por meio de vós, meus ucranianos, eu espero converter o Oriente”.

sábado, 11 de agosto de 2018

CONSTRUÇÃO NAVAL DA UCRÂNIA

CORVETAS CLASSE TAMANDARÉ – A Proposta da Ucrânia

Neste artigo é apresentada a proposta da Ucrânia com o Projeto 58300 da UKRIMASH

Arte do Projeto 58300 da UKRIMASH, apresentado na proposta das Corvetas Classe Tamandaré.

No dia, 18 de junho de 2018, o Comando da Marinha do Brasil (MB) anunciou a conclusão da segunda etapa do processo de licitação para a construção de quatro Corvetas Classe “Tamandaré” (CCT). Das 21 empresas cadastradas na primeira etapa, apenas 9 apresentaram suas propostas(ver matéria link) .

Uma notícia inesperada, mas muito importante para os observadores e especialistas militares foi a participação neste projeto da empresa que representa a indústria de Defesa e construção naval da Ucrânia – empresa estatal “UKRINMASH”. Menos de 3 semanas após a apresentação, a proposta da “UKRINMASH” foi considerada pelos especialistas como uma SUPEROFERTA, pelas razões que são expostas ao longo deste artigo.

Cabe destacar alguns fatos relevantes sobre a indústria da construção naval militar ucraniana.

Mais de 70% de todos os navios da Marinha soviética com deslocamento superior a 3.000 toneladas foram construídos nos estaleiros da cidade Mykolaiv, incluindo todos os cruzadores porta-aviões das classes “Kiev” e “Kuznetzov”, os cruzadores de mísseis da Classe “Slava” (ou “Project 1164 – Atlant”), navios de desembarque de doca, contratorpedeiros, fragatas, corvetas e submarinos. A alta complexidade desses projetos já permite, por si só, dar uma ideia do imenso conhecimento e capacidade tecnológicos acumulados pela Ucrânia na área de construção naval, notadamente no período em que ainda pertencia à então União Soviética.

Somente o complexo de estaleiros de Mykolaiv foi responsável pela construção de 11 cruzadores de mísseis guiados, com porte superior a 11.000 toneladas, em menos de 9 anos, uma marca que possibilita aquilatar o enorme potencial do referido complexo, superior, em termos físicos, a todo o conglomerado de construção naval da Hyundai, localizado em Ulsan, na Coreia do Sul.

Apesar da existência de um conflito territorial com o vizinho do norte, a Ucrânia está expandindo ativamente sua capacidade de produção, sendo um parceiro de confiança para muitos países estrangeiros no que se refere à cooperação técnico-militar. Um exemplo dessa cooperação ativa internacional é a recente divulgação, no início de julho 2018, da intenção de estabelecimento de uma parceria, na modalidade “joint venture”, entre a empresa indiana “Bharat Heavy Electricas Ltd” e a empresa ucraniana “Zorya-Mashproekt” (https://www.ibtimes.co.in/bhel-tie-ukrainian-zorya-refurbishing-warship-turbines-774240), para reparo e manutenção de turbinas a gás produzidas na Ucrânia, instaladas em 22 navios militares da Marinha da Índia.

Além disso, está previsto o início das negociações entre o Comando da Marinha indiana e empresas da indústria de defesa da Ucrânia para o reparo, complexa manutenção e modernização parcial do porta-aviões “Vikramaditya” que, também, foi construído na Ucrânia, em Mykolaiv.

A projeto 58300 Amazônia da “UKRINMASH”.

Para atender à solicitação da MB, a empresa ofereceu seu projeto “Navio de Propriedade Intelectual de Proponente – NAPIP”, denominado Projeto 58300 “Amazonia”, elaborado com base no “Projeto 58250” da Corveta Nacional da Ucrânia, que foi adaptado pela empresa estatal “State Research and Design Shipbuilding Center – SRDSC ” (que é o escritório de projeto do complexo naval de Mykolaiv) de modo a atender aos requisitos estabelecidos na “Request for Proposal – RFP”, da MB.

Em particular, foram parcialmente modificados e adaptados parte do armamento, dos sistemas de navegação, detecção e de Guerra Eletrônica para considerar equipamentos de fabricação das principais empresas europeias. O projeto atende integralmente a todos os requisitos técnicos requeridos pela MB.




Arte do Projeto 58300
Características Projeto 58300 Básicas
 Comprimento112,0 m
 Largura13,50 m
 Calado3,50 m
 Deslocamento Máx 2650 t
 Resistência(Endurance): 30 dias
 Complemento: 110
Propulsão / Velocidade:
Propulsão:CODOG
Velocidade máx:não menos 30 nós
Alcance:não menos 4000 NM a 14 nós

Sensores e Comunicação:
3D Radar de vigilância de longo alcance de ar/superfície
3D Radar de vigilância de alcance médio de ar/superfície
Targeting radar sobre horizonte de longo alcance 
CMS
Sistema de controle de fogo por radar óptico
Sistema de controle de fogo por radar optoeletrónico
Sonar montado no casco eSonar de arrasto rebocado
ESM/ECM/OECM
Radar de navegação
Intagrated bridge system
Armamento
2?4 SSM lançadores
SAM sistema de medio alcance
Canhão 76 mm
Canhões 2?1 35 mm
2?3 324 mm lançadores de torpedos
2?12.7 mm metralhadoras
Chaff decoy lançadores
Helicóptero multiusoaté 11 t

A Ucrânia aposta nos componentes associados à Compensação Comercial (“offset”) e à Transferência de Tecnologia que fazem diferença.

Ao contrário de outros participantes, a Ucrânia, em vez de buscar parceria com um estaleiro privado brasileiro com todos os problemas fiscais e trabalhistas inerentes à crise na indústria de construção naval da atualidade, foi a única a propor que a construção da série completa dos quatro navios se desse em um estaleiro militar, utilizando as instalações do Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), que serão devidamente adaptadas e modernizadas, dentro do programa de “offset” ? para a construção.

Além de concentrar todas as atividades de construção nas instalações da MB, a “UKRINMASH” oferece o envolvimento de uma ampla gama de fornecedores nacionais em todas as fases de construção, proporcionando às unidades que serão construídas um elevado índice de conteúdo local, fator muito importante para o fomento e desenvolvimento da indústria nacional, com a consequente geração de empregos diretos e indiretos. Adicionalmente, a utilização de parte das instalações do AMRJ pela “UKRINMASH”, por meio de “leasing”, propiciará à MB reduzir seus custos, fazendo com que, indiretamente, o valor final dos navios seja menor, representando, portanto, economia extra de recursos financeiros.

 A esses aspectos somam-se, ainda, os inerentes ganhos logísticos e financeiros por conta da facilidade de acompanhamento e fiscalização técnico-gerencial de toda a construção por parte da MB, em instalações de sua própria estrutura organizacional, localizadas no centro do Rio de Janeiro, região que concentra a maior parte do corpo técnico que estará envolvido nesse importante programa.

Ao final do programa, a “UKRINMASH” entregará à MB um conjunto completo de documentos do “Projeto 58300”, de sua propriedade intelectual, possibilitando à MB realizar, autonomamente, em sua própria base industrial, o gerenciamento do ciclo de vida útil desses navios, incluindo reparos, manutenções e modernizações futuras, podendo, inclusive, caso oportunamente decidido, vir a construir unidades adicionais, sem depender do consentimento de terceiros. Independentemente dessa autonomia, a MB poderá, ainda, em casos específicos e sempre que necessário, reforçar suas equipes com consultores especialistas da “UKRINMASH”.

Entretanto, a par do excelente projeto que está sendo ofertado, a Proposta de Plano de Compensação (“Offset”), inclui ? além das compensações priorizadas pela MB na RFP, relativas à modernização de sistemas e equipamentos da Corveta da Classe “Barroso” e do AMRJ, à instalação de treinadores do  Sistema de Gerenciamento de Combate (“Combat Management System – CMS”) das novas Corvetas em três Centros da MB, e à instalação de novas facilidades no Centro de Manutenção de Sistemas ?, as seguintes ofertas:

1 - Construção no Brasil de um Centro de serviços para reparo e manutenção de turbinas a gás da empresa “Zorya-Mashproekt” que serão instaladas nas novas corvetas e poderão, futuramente, dotar outras unidades da MB, com a correspondente transferência de conhecimentos científicos e tecnológicos. Esse novo Centro poderá ser a solução para o problema histórico da MB com as manutenções de suas turbinas, tradicionalmente realizadas fora do país, a elevados custos e com grande imobilização dos meios envolvidos.

2 - Fornecimento de 5 diques flutuantes, a serem construídos na Ucrânia e transportados para o Brasil, com variadas capacidades de docagem (2 até 3.500 toneladas; 2 de até 8.500 toneladas e 1 de até 25.000 toneladas), que representará expressiva contribuição para o aumento da capacidade de reparo e manutenção de navios de porte variado, podendo ser posicionados nas instalações industriais que forem mais convenientes à MB, seja no AMRJ, seja em outras Bases Navais fora do Rio de Janeiro.

3 - Transferência para a MB do cruzador de mísseis de “Projeto 1164” (“Atlant”), que será restaurado e desmilitarizado na Ucrânia para posterior entrega no Rio de Janeiro. De acordo com a decisão da Marinha quanto ao emprego do navio e sua nova configuração, esse importante meio naval será modernizado por especialistas ucranianos, já em solo brasileiro, com a implementação de um novo conjunto de documentos de projeto a ser desenvolvido pelo SRDSC, que incluirá modernos sistemas de combate e armamento, de comunicações, de navegação, dentre outros, a critério da MB. É importante notar que o cruzador permanece em água doce, sendo submetido a um programa contínuo de armazenamento e preservação em acordo com normas e procedimentos específicos.

O cruzador do “Projeto 1164” é único e é improvável que oferta similar seja feita por qualquer outro proponente.

Transferência de Tecnologia 

Finalmente, a proposta da “UKRINMASH” oferece ainda Transferências de Tecnologia, nos moldes requeridos pela MB, para o Sistema de Gerenciamento de Combate (CMS, na sigla em inglês), sendo oferecido o sistema “TACTICOS”, avançado desenvolvimento do grupo francês THALES; e para o Sistema Integrado de Gerenciamento da Plataforma (IPMS, na sigla em inglês), produzido pela gigante industrial “Zorya-Mashproekt”, responsável pelo desenvolvimento de sistemas de turbinas a gás e equipamentos associados, além de outros importantes sistemas do navio.

Assim, a Ucrânia como uma das melhores e mais tradicionais escolas do mundo na construção naval, consagrada projetista de meios navais de alta complexidade, apresenta, em sua singular proposta, a possibilidade de o Brasil combinar sua experiência com as mais avançadas tecnologias de armamento, navegação, comunicações e sistemas de controle, e implementar integralmente o projeto nas instalações industriais do AMRJ.

Finalmente, resta a questão: o Brasil, representado por sua Força Naval, ousaria avançar no nível de qualidade de suas armas sob condições de preço mais favoráveis, selecionando uma proposta de alto nível de complexidade tecnológica e de extraordinária abordagem?

 
Navio padrão do Projeto 1164 .

Fonte: WWW.DEFESANET.COM.BR

terça-feira, 7 de agosto de 2018

UMA GUERRA ESQUECIDA PELO MUNDO

Posted: 05 Aug 2018 01:30 AM PDT
Voluntário brasileiro combate do lado pro-russo.
Há muitas nacionalidades engajadas de ambos lados.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs
































A menos de 200 km de Rostov, palco do primeiro jogo do Brasil na Copa da Rússia, os torcedores não sabiam, mas estava se desenrolando um sanguinário drama silenciado pela mídia russa.


Mais de cem mil soldados ucranianos, russos, separatistas e voluntários de vários continentes se engalfinhavam furiosamente.



O Exército ucraniano quer recuperar seu território ocupado parcialmente por milícias armadas e sustentadas pela invasora Rússia.



“Essa guerra não acaba nunca, todo dia alguém está morrendo”, dizia Sasha num deprimente cemitério na periferia de Donetsk, com os olhos vermelhos pelo choro contido e pela vodca.



Os dados foram colhidos numa extensa e rica reportagem do jornalista da “Folha de S.Paulo” Yan Boechat, e que foi objeto de uma série de programas TV divulgada pela Band. 

As estradas estão entulhadas de restos acumulados em anos de conflito
As estradas estão entulhadas de restos acumulados em anos de conflito
Boechat diz que esta é a “última guerra da Europa”.

Desejamos que acabe logo e não seja o início de algo pior.

Já são quatro anos de batalhas, com mais de 10 mil mortos e zero perspectiva de solução, observou o jornalista.

Desde abril de 2014, atiçados por Moscou, milicianos rebeldes das províncias de Donetsk e Lugansk na fronteira com a Rússia declararam a independência.

Eles aspiram a serem absorvidos pela “nova-Rússia”, como a Crimeia invadida ilegalmente pelas tropas de Putin.

As forças em guerra estão entrincheiradas em uma linha imaginária que corta o leste do país de norte a sul por quase 500 km.

Casa destruída pelos bombardeios em Zaitseve, leste da Ucrânia.
Casa destruída pelos bombardeios em Zaitseve, leste da Ucrânia.
A guerra resultante da invasão russa deixou cerca de 1,5 milhão de refugiados e 3,5 milhões de necessitados de ajuda externa para sobreviver.

Cerca de 600 mil pessoas, entre as quais 100 mil crianças e muitos idosos, não têm aonde ir e residem num raio de até 15 km das áreas de combate, em prédios muitas vezes em ruínas.

A economia praticamente regional entrou em colapso.

A Ucrânia iniciou um processo de aproximação com a União Europeia e quer se integrar na Otan (a aliança militar ocidental) mas Putin advertiu que não tolerará, podendo ser esse o estopim de um conflito continental.

Na pequena Zaitseve, descreve Boechat na “Folha”, as ruas estão sempre vazias: quando alguém sai de casa, não para. Quanto menor o tempo ao ar livre, menor a chance de perder a vida.

Uma guerra lembrada apenas pela imprensa ucraniana.
Uma guerra lembrada apenas pela imprensa ucraniana.