domingo, 19 de abril de 2015

EVIDÊNCIAS DA PARTICIPAÇÃO RUSSA NA GUERRA NO LESTE DA UCRÂNIA

domingo, 19 de abril de 2015

Féretros de “soldados fantasmas” voltam a cemitérios russos

Os habitantes estão certos que o túmulo não identificado no cemitério público de Vybuty, região de Pskov, norte da Rússia, é de um paraquedista morto na Ucrânia. Os familiares têm medo de falar.



O capitão da 106º divisão aerotransportada viajou 900 milhas desde Rostov, na fronteira com a Ucrânia, para entregar o caixão de zinco selado do paraquedista Sergei Andrianov, 20, numa remota aldeia na região de Samara, entre o rio Volga e Cazaquistão.
A família havia ficado furiosa com o quartel da divisão pela falta de notícias. No fim, um oficial exasperado ofereceu 100.000 rublos (1.850 dólares) para tranquilizá-la.
Contudo, Natasha, a mãe de Sergei, queria dados: “Como é que ele morreu? Onde?”.
— “Meu filho morreu e ninguém pode explicar o que aconteceu”, disse ela em lágrimas à VICE News.
Ela exibe os documentos que recebeu junto com o corpo. Explicações imprecisas, nenhuma referência ao local. Um oficial confidenciou que Sergei estava em “missão especial” num local de “transferência temporária”, onde aconteceu uma explosão “incompatível com a sua vida”. Rostov é mencionada em alguma parte.
“Eles agem como se fosse um segredo de governo”, disse Natasha, “mas, honestamente, eu quero dizer que isto é um crime do governo”.

Oficialmente, a Rússia não está em guerra, mas seus soldados estão morrendo às dúzias — quiçá às centenas — na Ucrânia. Putin nega uma e outra vez que haja tropas russas no país vizinho, mas os cadáveres como o de Sergei voltam.
Jornalistas e ativistas dos direitos humanos recolhem os históricos desses sacrifícios silenciados que já formam uma espécie de “exército russo de fantasmas”.
Em evento internacional em Munique, o presidente ucraniano Petro Poroshenko exibe passaportes de soldados russos mortos ou capturados na Ucrânia.

Em agosto de 2014, o exército ucraniano progredia substancialmente e encaminhava-se para extinguir a rebelião pró-russa. Foi então que Moscou enviou suas tropas para evitar a derrota de seus protegidos.

Foi uma invasão ao pé da letra. Calcula-se que 20.000 soldados violaram as fronteiras. Muitos como Sergei só voltaram dentro de sacolas para cadáver.

O caso dele bate com dezenas de outros relatórios recolhidos pelo Comitê de Mães de Soldados, liderado por Valentina Melnikova.

Segundo as denúncias que ela possui, pelo menos 500 membros das forças armadas russas morreram na Ucrânia. O número concorda aproximadamente com os cálculos do governo americano. Mas são difíceis de confirmar: a repressão espiona aqueles que se interessam pelo assunto em demasia.

Para Melnikova, nada disto é novo. Já aconteceu durante a invasão soviética do Afeganistão ou na repressão da Chechênia, registra VICE News.

A mídia estatal nada fala. A TV se refere ao governo de Kiev como “junta fascista”. Os programas estão cheios de alusões a conspirações e a “quintas-colunas” sabotando a Rússia.

O clima de medo nas famílias impede que elas saiam a público. “Todo mundo cala. Eles compreendem o que aconteceu e o que pode acontecer se você fala”, dizem os parentes.

Natasha percebeu isso não somente nos agentes do governo, mas também nos vizinhos da aldeia.

Mas o muro de silêncio começou a cair quando, em agosto (2014), chegaram os primeiros corpos ao quartel de Pskov, perto da fronteira com a Estônia, a cinco horas de carro de São Petersburgo, sede da 76º divisão aerotransportada.

Ainda em agosto, oficiais ucranianos publicaram documentos de 60 dos pára-quedistas de Pskov, cuja brigada foi quase extinta numa emboscada. A Rússia negou, e o comandante da divisão declarou que todos seus soldados passavam bem.

Numa segunda-feira, a igreja do pequeno cemitério da periferia de Pskov encheu-se de gente, altos oficiais inclusive.

As cruzes não contêm nomes mas números num cemitério na região separatista pro-Rússia, perto de Donetsk

Mas Irina Tumakova chegou muito mais cedo e pôde ver os soldados cobrindo com terra os túmulos e o nome dos mortos: eram suboficiais da unidade mortos em agosto. Um homem lhe ofereceu um copo de vodca dizendo: “Meu filho está ali”.

Irina lhe perguntou se tinha morrido na Ucrânia.

— “Onde, se não?” respondeu ele.

A história correu pelas redes sociais russas. O quartel mandou silenciar, os familiares se recusaram a receber os jornalistas, funcionários perseguiram a jornalista russa que tentou se aproximar dos túmulos, recorrendo a ameaças e agressões.

No mesmo mês de agosto, a Ucrânia apresentou prisioneiros de guerra do 331º regimento aerotransportado de Kostroma. O Kremlin teve que admitir, mas Putin disse terem entrado na Ucrânia por “erro”.

Em setembro, as emissoras estatais russas de TV reconheceram pela primeira vez que um soldado russo fora morto na Ucrânia, mas alegarem tratar-se de um “patriota voluntário”.

Um outro “voluntário”, Nikolai Kozlov, foi apresentado pelas redes de TV recuperando-se num hospital da perda de uma perna. “Ele foi porque recebeu ordem”, contou seu tio.

O povo russo continua sendo sistematicamente desinformado pela grande mídia, quase toda ela nas mãos de camaradas de Putin.

Fonte: Flagelo russo


quinta-feira, 16 de abril de 2015

UCRÂNIA PROÍBE COMUNISMO NO PAÍS

Internacional


Ucrânia abre arquivos e proíbe propaganda comunista no país

Medidas são aprovadas em meio a tensão com a Rússia

 A Ucrânia anunciou que irá abrir os arquivos secretos dos órgãos repressivos do regime comunista, que datam desde a revolução de outubro de 1917 até a proclamação da independência do país, em 1991, no mesmo dia que em o Parlamento aprovou a proibição da propaganda comunista no país.
    A desclassificação de arquivos foi autorizada pelo Rada, o Parlamento ucraniano, com 260 votos a favor entre os 320 deputados presentes na sessão.
    O organismo também aprovou hoje, com extensa maioria, um projeto de lei que classifica comunismo e nazismo nos mesmos termos, proibindo seus símbolos, sua propaganda e a negação seu caráter criminoso, os banindo do país.
    A lei define que "o regime totalitário comunista existente na Ucrânia é reconhecido como criminoso e acusado de ter promovido uma política de terror estatal". Os transgressores da norma deverão pegar até cinco anos de prisão.
    O ministro da Justiça, Pavlo Petrenko, declarou que a lei proíbe a "ideologia comunista" como parte de um processo de "descomunização" do país anunciado há alguns meses pelo governo de Kiev.
    A norma foi aprovada pelo Rada em meio a tensões diplomáticas com a Rússia, que estaria apoiando forças separatistas que atuam no leste do país. O presidente russo, Vladimir Putin, também apoia o ex-líder ucraniano, Victor Ianukovich, deposto por sua postura pró-russa e contrária à União Europeia (UE). (ANSA)
Fonte: Jornal do Brasil

sábado, 11 de abril de 2015

RÚSSIA UTILIZA A IGREJA AMESTRADA COMO INSTRUMENTO PARA EXPANDIR O COMUNISMO

Patriarca de Moscou elogia na Duma a restauração dos “valores” soviéticos e a diplomacia vaticana

O patriarca Kirill na Duma exortou a restaurar valores soviéticos  elogiou a atual política vaticana.
O patriarca Kirill na Duma exortou a restaurar valores soviéticos
e elogiou a atual política vaticana.
Pela primeira vez na história, o autodenominado Patriarca de Moscou, chefe da cismática igreja ortodoxa russa, foi falar na Câmara baixa do Parlamento russo, ou Duma, noticiou “AsiaNews”.

O objetivo principal da histórica intervenção foi um apelo para restaurar “as coisas positivas da era soviética” e construir a Rússia moderna. Em outros termos, apoiar a construção da “URSS 2.0”, conforme desejo do camarada máximo Vladimir Putin.

Também pediu aos parlamentares a proteção da família e o banimento do aborto que grassa na Rússia num dos patamares mais sinistramente altos do planeta, mas que é uma das “conquistas” da era soviética. O apelo soou incongruente.

Formado nas escolas da KGB, Kirill deplorou “frequentes casos” de destruição e confisco de igrejas ortodoxas na Ucrânia, perpetrados pelos separatistas pró-russos, como se impedi-los estivesse dependendo de uma decisão de Moscou. 

Mas Kirill não esclareceu que essas violências antirreligiosas visam deixar de pé somente a sua própria autoridade. Pois elas vêm liquidando os numerosos religiosos ortodoxos que estão escandalizados pela colaboração do Patriarcado de Moscou com o regime soviético outrora e com a agressão de Putin em nossos dias.

O patriarca – “agente Mikhailov” nos registros de membros da velha polícia soviética russa – age assim em total coerência com os objetivos a ele encomendados.

Nos mesmos dias, informou o site “Vatican Insider”, Kirill voltou a derramar tempestuosas críticas contra a Igreja Católica de rito greco-católico, ou “uniatas” ucranianos, à qual dedicou os piores epítetos de seu vasto repertório de insultos: nazistas, fascistas, nacionalistas, russófobos, etc. etc. 

O patriarca de Moscou voltou a tripudiar sobre os católicos ucranianos, enquanto tende as mãos à política vaticana de amizade com Putin.
O patriarca de Moscou voltou a tripudiar sobre os católicos ucranianos,
enquanto estende as mãos à política vaticana de amizade com Putin.
Ora, ele o faz porque os católicos ucranianos dos diferentes ritos assumiram uma posição definidamente anticomunista no passado de opressão soviética.

Passado esse marcado pelo holocausto de milhões de camponeses pela fome, pela violência e pelo martírio de centenas de heroicos bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos, enviados aos campos de concentração ou assassinados friamente.

Essa posição anticomunista dos católicos ucranianos repercute no lúcido e firme repúdio à nova tentativa de Vladimir Putin de invadir e subjugar seu país.

Em sentido contrário, o agressivo patriarca agradeceu ao Vaticano pela abordagem “equilibrada em relação à crise na ex-república soviética”, como ele define a Ucrânia; abordagem que estaria na linha do que Kirill quer. 

Este acrescentou que as relações com o atual pontificado “demostram uma dinâmica positiva”, segundo “Vatican Insider” site católico-progressista.

Por sua vez, Dom Sviatoslav Shevchuk, arcebispo-mor de Kiev e de toda a Rússia e chefe do rito greco-católico, sempre repele os desaforos do patriarca amigo de Putin. 

Por isso ele faz ponderados apelos para que Moscou reconheça a dignidade do povo ucraniano e abra um “diálogo sincero baseado na verdade”. Também convida a não acreditar na “propaganda” da Rússia atual ou “nova URSS”. 

Obviamente, essas respostas cordatas só encolerizam mais o patriarca agente de Moscou.

Fonte: Flagelo russo.

ARCEBISPO UCRANIANO ADVERTE O PAPA FRANCISCO SOBRE A RÚSSIA

‘Putin defensor dos valores cristãos’?: elo da corrente de mentiras da nova KGB, diz arcebispo

Dom Sviatoslav Shevchuk, arcebispo de Kiev sobre Putin:
a KGB jamais difundiu os valores cristãos,
mas se serviu deles com finalidades políticas.
Eu não acredito que quem sacrifica um milhão de vidas
para atingir objetivos geopolíticos
possa estar animado por valores cristãos.
Não sejamos ingênuos”.
Em entrevista de imprensa na sede da Rádio Vaticana, segundo informou o site “La Nuova Busssola Quotidiana”, Mons. Sviatoslav Shevchuk, arcebispo-mor do Rito greco-católico, disse ter advertido o Papa a respeito de afirmações da Santa Sé que podem ser associadas à propaganda russa.

Mons. Shevchuk esteve em visita ad limina a Roma, juntamente com mais de vinte bispos católicos ucranianos dos ritos latino e bizantino. Os prelados transmitiram a Francisco a dramática situação que vive seu país.

“Para descrever o que acontece na Ucrânia, disse ele no início da entrevista, só se pode usar uma palavra: invasão estrangeira e não conflito civil”.

A expressão “guerra fratricida” havia sido usada pelo Pontífice na audiência do dia 4 de fevereiro com particular infelicidade. Ela suscitou fortes reações nos ambientes católicos ucranianos e verdadeiro entusiasmo entre os seguidores de Vladimir Putin, entre os quais se destacou o Patriarcado cismático de Moscou.

A expressão “guerra fratricida”, explicou o arcebispo de Kiev, feriu a sensibilidade do povo ucraniano, pois ecoa a visualização do conflito ucraniano espalhada pela “propaganda russa”.

“Expliquei pessoalmente ao Santo Padre quais são as vítimas e quais são os agressores”, acrescentou o alto dignitário.
Na visita ad limina os bispos católicos ucranianos advertiram o Papa Francisco para não se deixar influenciar pela propaganda russa infiltrada no Vaticano
Na visita ad limina os bispos católicos ucranianos advertiram o Papa Francisco
para não se deixar influenciar pela propaganda russa infiltrada no Vaticano

Durante a visita ad limina, o Papa ouviu os pungentes relatórios dos bispos, e fez falar primeiro os bispos da Criméia e das regiões ocupadas por agentes obedientes a Moscou e soldados russos.

As cinco paróquias greco-católicas da Criméia receberam ordem de se recadrastrarem, mas o novo registro lhes foi negado nas três vezes que tentaram.

“Tememos que se trate de um expediente para privar de estatuto legal a nossa Igreja, como já aconteceu em 1946 sob o regime soviético”.

Os postos da Caritas Ucrânia acolhem diariamente por volta de 140.000 pessoas. Dom Sviatoslav explicou: “Apelei a Francisco a fim de que convoque uma iniciativa humanitária internacional”. Até o momento não há notícia a respeito.


Em relação ao Patriarcado cismático de Moscou, que tem adeptos na Ucrânia, o arcebispo explicou que “é difícil colaborar com pastores incapazes de respeitar seus fiéis. Uma hierarquia eclesiástica que se alinha com o poder contra o próprio povo perde credibilidade”.

O chefe do rito greco-católico ucraniano mencionou a angústia e o desconcerto dos ortodoxos ucranianos ligados ao patriarcado cismático. Esses seguidores não entendem que o “próprio patriarca possa se ter tornado porta-voz do agressor”.

Bispos ucranianos: declarações do Papa favoreceram a Rússia e feriram aos católicos
Bispos ucranianos: declarações do Papa
favoreceram a Rússia e feriram aos católicos
Para D. Sviatoslav, a Igreja Ortodoxa russa virou uma poderosa arma de desinformação que está danificando até os próprios cidadãos da Federação Russa.

“Muitos russos de fato não sabem que seus soldados estão sendo mortos. Inclusive pelo bem deles é preciso desmontar esta corrente de mentiras”.

Também faz parte dessa “corrente de mentiras” a imagem falaz, forjada pela propaganda russa, de um Putin defensor dos direitos cristãos. 

“Eu sou um filho da Igreja perseguida pela União Soviética – disse o arcebispo – e sei bem que a KGB [N.R.: polícia política comunista na qual se formou Putin] jamais difundiu os valores cristãos, mas se serviu deles com finalidades políticas.

“Eu não acredito que quem sacrifica um milhão de vidas para atingir objetivos geopolíticos possa estar animado por valores cristãos. Não sejamos ingênuos”, concluiu.

quarta-feira, 11 de março de 2015

A VERDADE SOBRE A "NEUTRALIDADE" RUSSA NO LESTE DA UCRÂNIA

Conscritos russos se recusam a combater na Ucrânia. Soldados russos desertam

Associação das Mães de Soldados de São Petersburgo
denuncia arbitrariedades contra os recrutas russos


A agência de informação ucraniana independente UNIAN retransmitiu informações divulgadas pela organização dos direitos humanos Mães de Soldados, de São Petersburgo. 

Segundo elas, são numerosas as queixas de recrutas do exército russo que estão sendo forçados a partir para a região de Rostov, que serve de plataforma para a invasão russa à Ucrânia.  

O número dos soldados que se recusam a ir a combater na Ucrânia atingiu recordes em dezembro e em janeiro deste ano. A organização recebeu mais de 20 reclamações provenientes das regiões de Nizhny Novgorod, Leningrado, Murmansk e Kursk, noticiou o jornal russo Kommersant. 

Alexander Peredruk, advogado das Mães de Soldados, disse que o grupo apelou à Procuradoria Geral da Rússia e ao Ministério de Defesa, “mas não temos recebido resposta”. 

O Ministério de Defesa alega que não recebeu essas reclamações.

Em represália, as Mães de Soldados de São Petersburgo
foram incluídas na Lista de Agentes Estrangeiros.
Elas apelaram, mas a Justiça manteve a decisão política.
Mas o Comando Militar geral da Federação Russa disse que a transferência de forças militares e equipamentos para a região do conflito foi efetivada de acordo com os planos de preparação das unidades de combate. 

Por outro lado, dezenas de cidadãos russos, inclusive membros do exército destacados na Ucrânia, estão se alistando como voluntários nas brigadas que lutam junto com o exército ucraniano.

Eles aguardavam que o movimento anticomunista de Maidan se espraiasse pela Rússia, ou pura e simplesmente não suportam mais o regime de Putin.

A TV Ukraine Today enviou seu correspondente Andriy Tsaplienko para visitar as linhas do frente no leste e entrevistou vários deles, inclusive ex-oficiais do exército russo.

Entrevista de Ukraine Today a alguns voluntários russos que deixaram o exército de Putin: 



20 “voluntários” russos que não queriam ir para Ucrânia foram ameaçados de fuzilamento. Protesto na Rússia. O presidente Poroshenko exibe passaportes de oficiais russos prisioneiros na Ucrânia:



O jornal russo “Kommersant” noticia que o número de soldados russos que saíram do exército duplicou na primeira metade de 2014 em relação ao mesmo período de 2013. Segundo a agência de estatísticas oficial russa o número dos que se evadiram do serviço triplicou: 

 

Fonte: Flagelo russo.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

MAIDAN: UM ANO APÓS

Crise na Ucrânia: Bomba em manifestação deixa pelo menos dois mortos.



Crédito: AP
Bomba atingiu local onde centenas de ucranianos se reuniam para marcar 1 anos dos protestos



Crédito: Getty
Marcha da dignidade: milhares foram às ruas em Kiev e outras partes do país



Crédito: Getty
Soldados libertados no último sábado, cumprindo o acordo de cessar-fogo

Uma bomba matou pelo menos duas pessoas, incluindo um policial, e deixou pelo menos outros 10 feridos em uma manifestação na cidade ucraniana de Kharkiv.
A marcha era uma das outras tantas que estão sendo realizadas no país para marcar um ano desde os grandes protestos de 2014 em Kiev que derrubaram o então presidente ucraniano pró-Rússia, Viktor Yanukovych.
Forças de segurança prenderam quatro pessoas suspeitas de terem orquestrado o ataque, segundo autoridades locais.
A explosão aconteceu às 13h20, horário local, conforme as pessoas iam se juntando perto do Palácio do Esporte na cidade para uma marcha de apoio à unidade nacional, segundo a mídia ucraniana.
Um promotor da região ouvido pela agência de notícias Reuters disse que o artefato explosivo aparentemente foi jogado de um carro.
Leia mais: Crise na Ucrânia: EUA e Inglaterra cogitam ampliar sanções à Rússia

Ataque

Alexei Grechnev, uma testemunha que estava no local no momento da explosão, disse à BBC: "Nós estávamos andando em uma coluna de pessoas, em frente à seção, quando ouvi um barulho bem alto e vi algumas pessoas caindo no chão a alguns metros de mim. Algo totalmente inesperado tinha acontecido, uma cena surreal, como nos cinemas."
Uma foto, aparentemente tirada no local da explosão, mostra um corpo enrolado em uma bandeira ucraniana enquanto as ambulâncias se aproximam.
"Os serviços de segurança prenderam pessoas que podem estar envolvidas no ataque e no planejamento de outros crimes de natureza terrorista em Kharkiv", disse um porta-voz da polícia, Markian Lubkivskyi por meio de uma rede social.
Depois, ele confirmou que os quatro suspeitos presos eram cidadãos ucranianos que haviam recebido instruções e armas na cidade russa de Belgorod, do outro lado da fronteira.
O presidente ucraniano Petro Poroshenko descreveu os ataques como "uma ousada tentativa de expandir o território do terrorismo" e prometeu justiça aos responsáveis.
Antes da explosão, Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, já havia vivido dezenas de ataques nos últimos três meses, incluindo a explosão em um bar usado por ativistas pró-governo que deixou mais de 10 pessoas feridas em novembro.

Análise: David Stern, BBC News Kiev

Um video filmado por um cinegrafista amador mostra uma marcha com algumas centenas de pessoas em uma das principais ruas de Kharkiv.
Em seguida, a explosão. A multidão corre, apavorada. Um homem cai no chão agonizando. Outro está morto na neve.
Houve outros ataques com bombas e explosões em Kharkiv nas últimas semanas, mas esse foi o mais fatal.
Rebeldes apoiados por Moscou têm ameaçado expandir seu território ali. Muitos temem que o conflito esteja se espalhando por essa cidade tão estratégica, a segunda maior da Ucrânia, a apenas meia hora de distância de carro da fronteira com a Rússia.

Clima sombrio

Enquanto isso, milhares de ucranianos participaram de "marchas da dignidade" na capital Kiev e em outras cidades, lembrando as vítimas dos protestos de fevereiro do ano passado.
Segundo David Stern, o clima estava pacífico, mas ainda sombrio.
Milhares de pessoas marcharam pela rota que incluía as principais zonas de batalha entre os manifestantes anti-governo e a tropa de choque, um ano atrás.
Mais de 100 pessoas morreram no que, até aquele momento, era o pior episódio de violência na história da Ucrânia independente.
Leia mais: Novo incidente com bombardeiros russos reflete temor europeu com avanço de Moscou

Cessar-fogo

Kharkiv é uma cidade fora da zona de conflito no leste da Ucrânia, onde um acordo de cessar-fogo assinado há duas semanas parece finalmente ter dado uma trégua na 'guerra' entre o exército ucraniano e os rebeldes.
O governo da Ucrânia concordou em começar a recolher as armas mais pesadas do local a partir deste domingo, e os rebeldes prometeram fazer o mesmo na terça-feira.
O recuo das duas partes no conflito não deverá ser concluído antes de 8 de março, cinco dias depois do deadline que foi acordado nas conversas de paz em Minsk no início do mês.
Outro elemento chave do acordo selado pelo cessar-fogo foi a liberação de 191 prisioneiros pelo exército ucraniano e também pelos rebeldes – algo que aconteceu neste sábado.
Segundo o correspondente da BBC em Donetsk, Paul Adams, esses dois fatores despertam uma certa esperança de que o acordo irá realmente funcionar, mas com tantas suspeitas e com tanta má fé dos dois lados, ainda não é possível garantir que o cessar-fogo irá durar.
Ainda assim, segundo o funcionário da OSCE, Alexander Hug, o cessar-fogo continua a ser violado, principalmente em Debaltseve, um importante centro de transporte que foi dominado pelos rebeldes nos últimos dias. Ele acrescentou que a situação humanitária está "relativamente catastrófica".
"A população local nos relata que eles não têm água, nem comida, nem gás, ou aquecimento, não têm eletricidade, nem medicamentos. E todos os prédios que os nossos monitores visitaram foram afetados pelo conflito", disse.

Fonte: Flagelo russo

sábado, 21 de fevereiro de 2015

PUTIN RIDICULARIZA MERKEL E HOLLANDE

Minsk: acordo “pacificador” como outrora em Munique com Hitler !


Putin: "eu não estou fazendo nada na Ucrânia!"

Por Luis Dufaur

Os canhões não pararam de trovejar após a assinatura do “cessar-fogo” de Minsk, promovidos por Angela Merkel, François Hollande e Vladimir Putin.
O chefe supremo da “nova-URSS” tem folgadas razões para comemorar “sua” vitória, ou melhor, a claudicação dos líderes europeus.
Os EUA não cessaram de denunciar insistentemente que a Rússia continuava transferindo armas pesadas ao leste a Ucrânia, segundo a AFP.
Segundo a agência Bloomberg, o tratado não passa de uma “bomba de tempo” e a contagem marcha atrás já começou.
Só que ninguém imaginou que iria tão rápido.
Putin, diz a Bloomberg, demonstrou que é um parceiro em que não se pode confiar. Ele jamais cumpriu as concessões que prometeu fazer e está saindo vencedor da maratona de negociações.
Somando e restando, o novo “cessar-fogo” é mais favorável aos separatistas manipulados por Moscou que o acordo anterior.
Os pro-russos conservarão o controle do território que ganharam violando o acordo anteriormente assinado. É algo incompreensível, escreve Leonid Bershidsky da Bloomberg.

“Um instantinho Vladimir...!”, implora Angela Merkel.
O “diálogo” com Putin em Minsk
tendeu para um entreguismo facilmente ridularizável.


Os milicianos rebeldes ganharam uma super-autonomia, e governarão o território ocupado sob o sopro russo.
Kiev deverá anistiar os rebeldes, restaurar o sistema bancário no território que está na mão de outros, fornecer serviços públicos, e pagar aposentadorias e benefícios sociais na área dominada a controle não tão remoto pela Rússia.
As contradições são tantas, diz Bershidsky, que a bomba de tempo pode explodir a qualquer momento.
As relações da Ucrânia com a União Europeia e a OTAN ficaram numa situação mais do que volátil, e a ameaça da retomada da guerra paira como uma espada de Dâmocles não só sobre Kiev, mas sobre a OTAN também.
Nenhum acordo podia ficar tão perto do que Putin desejava.
Por isso, ele disse que “não é a melhor noite de sua vida, mas um belo amanhecer”.


Vladimir Putin ficou como o personagem central das conversações


E a plenitude do dia de Putin será quando possa trazer a Ucrânia de volta para a esfera política, econômica e militar da “nova-URSS”.
A BBC com argumentos análogos aponta também para uma vitória diplomática da Rússia.
O exército ucraniano terá que retroceder e os prosélitos de Vladimir Putin ficarão com os territórios ganhos violando o “cessar fogo” anterior.
O papel assinado em Minsk diz que a Ucrânia recuperará o controle de suas fronteiras com a Rússia para impedir a entrada de armamento e soldados. Mas, isto não acontecerá até o fim de ano. E ainda assim só se forem preenchidas condições pouco prováveis de se concretizarem.
A Constituição ucraniana deverá ser reformada para admitir a autonomia das regiões rebeldes, que terão polícia, juízes e alfandegas próprias para comerciar com a Rússia.
Para a revista socialista francesa “Le Nouvel Observateur” em virtude das notas no pé da página do acordo, os enclaves autônomos na prática viram unidades como que independentes que concentram seu relacionamento com a Rússia como se fossem alheias a seu país.

 
Lança mísseis Katyusha pro-russo visa objetivos civis e militares em Donetsk


Para o jornal britânico “The Telegraph” o acordo de Minsk não resolve o problema da presença de milhares de soldados russos no território ucraniano.
Por volta de 9.000 soldados de cinco batalhões de infantaria apoiados por tanques e artilharia pesada entraram no país para reforçar os rebeldes.
Embora o acordo fale da saída das forças estrangeiras, conversa não basta, comenta o jornal. É necessário um cronograma com um limite definido, com uma autoridade, como a OSCE, que supervisione a saída.
Tudo o que não for isso é fogo de palha.
E o incêndio vermelho arde com ferocidade rumo ao Ocidente insuflado desde Moscou.

Fonte: Flagelo russo.

RÚSSIA CONTINUA ENVIANDO ARMAMENTO E TROPAS PARA O LESTE DA UCRÂNIA

Kiev denuncia entrada de mais tropas russas para tomar Mariupol

Merkel e Hollande insistem num cessar-fogo que parece cada vez mais longe, à medida que os combates alastram a vários locais.
 
O cessar-fogo assinado em Minsk continua a ser ignorado no Leste da Ucrânia por ambos os lados do conflito. A tomada de Mariupol pode ser a próxima batalha, avisa o exército ucraniano.
É na cidade portuária na costa do mar de Azov que as atenções se concentram. As autoridades ucranianas dizem que um novo contingente militar russo atravessou a fronteira na direção de Mariupol, uma cidade portuária de 500 mil habitantes, com o objetivo claro de apoiar a investida rebelde. Mais de 20 tanques, dez sistemas de mísseis e vários caminhões com soldados rumaram em direção a Novoazovsk – a cerca de 40 quilometros de Mariupol – depois de terem atravessado a fronteira russa, disse o porta-voz do exército, Andrei Lisenko.
“Nos últimos dias, apesar do acordo de Minsk, equipamento militar e munições foram vistos a atravessar da Rússia para a Ucrânia”, afirmou o responsável, citado pela Reuters. As acusações – suportadas pela NATO, pela União Europeia e pelos EUA – de que Moscou terá enviado unidades do seu exército regular para combater na Ucrânia têm sido uma constante desde o início do conflito, algo que sempre foi contestado pelo Kremlin.
Já nesta quinta-feira tinha havido notícia de bombardeamentos sobre posições ucranianas em Shirokine, também na costa do mar Azov. A tomada de Mariupol tem um elevado significado estratégico, dado que é a principal cidade sob controle de Kiev nas duas regiões com presença separatista e por permitir a criação de uma ligação terrestre à península da Crimeia, anexada em Março pela Rússia.
A Europa – em especial a França e a Alemanha, mediadores do acordo da semana passada – continua a defender que “Minsk 2” continua vivo e insiste na sua implementação. O mantra foi repetido nesta sexta-feira depois de um encontro bilateral em Paris entre o Presidente francês e a chanceler alemã. "Estamos convencidos de que os acordos de Minsk se devem aplicar. Todos os acordos de Minsk e nada para além dos acordos de Minsk", disse François Hollande. É necessário "fazer tudo para que o banho de sangue não continue", defendeu Angela Merkel. Para terça-feira está marcado um encontro entre os chefes da diplomacia dos quatro países envolvidos nas negociações (Alemanha, França, Rússia e Ucrânia), em que será discutida a "efetividade" dos acordos.
O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, anunciou entretanto que vai consultar os dirigentes europeus sobre “as próximas medidas” da UE, em resposta às violações ao cessar-fogo. Eventuais medidas terão como objetivo “aumentar o custo da agressão contra o Leste da Ucrânia”, disse, em comunicado. “Houve mais de 300 violações do cessar-fogo. As pessoas continuam a morrer. Chegámos a um estado em que os esforços diplomáticos são inúteis, se não forem acompanhados de ações suplementares.”
O Departamento de Estado norte-americano falou também esta sexta-feira em “custos adicionais” para o Governo de Moscou, “se a Rússia e os separatistas falharem a aplicação do acordo, pondo fim à violência”, disse a porta-voz Jen Psaki.
No terreno, as notícias não podiam ser mais diferentes daquilo que se esperaria de um cessar-fogo. As autoridades ucranianas deram conta de mais de 300 ataques das forças rebeldes, sobretudo nas zonas de Donetsk e Mariupol. “O número de ataques mostra que os terroristas não querem silenciar completamente as suas armas”, disse à Reuters o porta-voz Anatoli Stelmach.
Numa lógica de parada e resposta, as forças pró-russas também denunciaram ataques do exército ucraniano. Na quinta-feira, uma mulher civil foi morta depois de um bombardeamento a uma zona residencial de Donetsk, de acordo com o serviço de imprensa das autoridades separatistas.
Em Debaltseve, a cidade de onde o exército ucraniano se retirou esta semana, também persistem os combates, segundo declarações prestadas à Reuters. Na quinta-feira, os dirigentes separatistas tinham anunciado o controlo deste importante nó ferroviário que liga as duas principais cidades do Leste, mas revelaram a existência de “bolsas de resistência”, indicando que os confrontos naquela área ainda iriam continuar. Durante a retirada, foram capturados mais de 90 soldados ucranianos, 82 estão desaparecidos e foram mortos pelo menos 13, segundo dados do exército.