domingo, 22 de fevereiro de 2015

MAIDAN: UM ANO APÓS

Crise na Ucrânia: Bomba em manifestação deixa pelo menos dois mortos.


Crédito: AP
Bomba atingiu local onde centenas de ucranianos se reuniam para marcar 1 anos dos protestos


Crédito: Getty
Marcha da dignidade: milhares foram às ruas em Kiev e outras partes do país


Crédito: Getty
Soldados libertados no último sábado, cumprindo o acordo de cessar-fogo

Uma bomba matou pelo menos duas pessoas, incluindo um policial, e deixou pelo menos outros 10 feridos em uma manifestação na cidade ucraniana de Kharkiv.
A marcha era uma das outras tantas que estão sendo realizadas no país para marcar um ano desde os grandes protestos de 2014 em Kiev que derrubaram o então presidente ucraniano pró-Rússia, Viktor Yanukovych.
Forças de segurança prenderam quatro pessoas suspeitas de terem orquestrado o ataque, segundo autoridades locais.
A explosão aconteceu às 13h20, horário local, conforme as pessoas iam se juntando perto do Palácio do Esporte na cidade para uma marcha de apoio à unidade nacional, segundo a mídia ucraniana.
Um promotor da região ouvido pela agência de notícias Reuters disse que o artefato explosivo aparentemente foi jogado de um carro.
Leia mais: Crise na Ucrânia: EUA e Inglaterra cogitam ampliar sanções à Rússia

Ataque

Alexei Grechnev, uma testemunha que estava no local no momento da explosão, disse à BBC: "Nós estávamos andando em uma coluna de pessoas, em frente à seção, quando ouvi um barulho bem alto e vi algumas pessoas caindo no chão a alguns metros de mim. Algo totalmente inesperado tinha acontecido, uma cena surreal, como nos cinemas."
Uma foto, aparentemente tirada no local da explosão, mostra um corpo enrolado em uma bandeira ucraniana enquanto as ambulâncias se aproximam.
"Os serviços de segurança prenderam pessoas que podem estar envolvidas no ataque e no planejamento de outros crimes de natureza terrorista em Kharkiv", disse um porta-voz da polícia, Markian Lubkivskyi por meio de uma rede social.
Depois, ele confirmou que os quatro suspeitos presos eram cidadãos ucranianos que haviam recebido instruções e armas na cidade russa de Belgorod, do outro lado da fronteira.
O presidente ucraniano Petro Poroshenko descreveu os ataques como "uma ousada tentativa de expandir o território do terrorismo" e prometeu justiça aos responsáveis.
Antes da explosão, Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, já havia vivido dezenas de ataques nos últimos três meses, incluindo a explosão em um bar usado por ativistas pró-governo que deixou mais de 10 pessoas feridas em novembro.

Análise: David Stern, BBC News Kiev

Um video filmado por um cinegrafista amador mostra uma marcha com algumas centenas de pessoas em uma das principais ruas de Kharkiv.
Em seguida, a explosão. A multidão corre, apavorada. Um homem cai no chão agonizando. Outro está morto na neve.
Houve outros ataques com bombas e explosões em Kharkiv nas últimas semanas, mas esse foi o mais fatal.
Rebeldes apoiados por Moscou têm ameaçado expandir seu território ali. Muitos temem que o conflito esteja se espalhando por essa cidade tão estratégica, a segunda maior da Ucrânia, a apenas meia hora de distância de carro da fronteira com a Rússia.

Clima sombrio

Enquanto isso, milhares de ucranianos participaram de "marchas da dignidade" na capital Kiev e em outras cidades, lembrando as vítimas dos protestos de fevereiro do ano passado.
Segundo David Stern, o clima estava pacífico, mas ainda sombrio.
Milhares de pessoas marcharam pela rota que incluía as principais zonas de batalha entre os manifestantes anti-governo e a tropa de choque, um ano atrás.
Mais de 100 pessoas morreram no que, até aquele momento, era o pior episódio de violência na história da Ucrânia independente.
Leia mais: Novo incidente com bombardeiros russos reflete temor europeu com avanço de Moscou

Cessar-fogo

Kharkiv é uma cidade fora da zona de conflito no leste da Ucrânia, onde um acordo de cessar-fogo assinado há duas semanas parece finalmente ter dado uma trégua na 'guerra' entre o exército ucraniano e os rebeldes.
O governo da Ucrânia concordou em começar a recolher as armas mais pesadas do local a partir deste domingo, e os rebeldes prometeram fazer o mesmo na terça-feira.
O recuo das duas partes no conflito não deverá ser concluído antes de 8 de março, cinco dias depois do deadline que foi acordado nas conversas de paz em Minsk no início do mês.
Outro elemento chave do acordo selado pelo cessar-fogo foi a liberação de 191 prisioneiros pelo exército ucraniano e também pelos rebeldes – algo que aconteceu neste sábado.
Segundo o correspondente da BBC em Donetsk, Paul Adams, esses dois fatores despertam uma certa esperança de que o acordo irá realmente funcionar, mas com tantas suspeitas e com tanta má fé dos dois lados, ainda não é possível garantir que o cessar-fogo irá durar.
Ainda assim, segundo o funcionário da OSCE, Alexander Hug, o cessar-fogo continua a ser violado, principalmente em Debaltseve, um importante centro de transporte que foi dominado pelos rebeldes nos últimos dias. Ele acrescentou que a situação humanitária está "relativamente catastrófica".
"A população local nos relata que eles não têm água, nem comida, nem gás, ou aquecimento, não têm eletricidade, nem medicamentos. E todos os prédios que os nossos monitores visitaram foram afetados pelo conflito", disse.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

PUTIN RIDICULARIZA MERKEL E HOLLANDE

Minsk: acordo “pacificador” como outrora em Munique com Hitler !


Putin: "eu não estou fazendo nada na Ucrânia!"

Por Luis Dufaur

Os canhões não pararam de trovejar após a assinatura do “cessar-fogo” de Minsk, promovidos por Angela Merkel, François Hollande e Vladimir Putin.
O chefe supremo da “nova-URSS” tem folgadas razões para comemorar “sua” vitória, ou melhor, a claudicação dos líderes europeus.
Os EUA não cessaram de denunciar insistentemente que a Rússia continuava transferindo armas pesadas ao leste a Ucrânia, segundo a AFP.
Segundo a agência Bloomberg, o tratado não passa de uma “bomba de tempo” e a contagem marcha atrás já começou.
Só que ninguém imaginou que iria tão rápido.
Putin, diz a Bloomberg, demonstrou que é um parceiro em que não se pode confiar. Ele jamais cumpriu as concessões que prometeu fazer e está saindo vencedor da maratona de negociações.
Somando e restando, o novo “cessar-fogo” é mais favorável aos separatistas manipulados por Moscou que o acordo anterior.
Os pro-russos conservarão o controle do território que ganharam violando o acordo anteriormente assinado. É algo incompreensível, escreve Leonid Bershidsky da Bloomberg.

“Um instantinho Vladimir...!”, implora Angela Merkel.
O “diálogo” com Putin em Minsk
tendeu para um entreguismo facilmente ridularizável.


Os milicianos rebeldes ganharam uma super-autonomia, e governarão o território ocupado sob o sopro russo.
Kiev deverá anistiar os rebeldes, restaurar o sistema bancário no território que está na mão de outros, fornecer serviços públicos, e pagar aposentadorias e benefícios sociais na área dominada a controle não tão remoto pela Rússia.
As contradições são tantas, diz Bershidsky, que a bomba de tempo pode explodir a qualquer momento.
As relações da Ucrânia com a União Europeia e a OTAN ficaram numa situação mais do que volátil, e a ameaça da retomada da guerra paira como uma espada de Dâmocles não só sobre Kiev, mas sobre a OTAN também.
Nenhum acordo podia ficar tão perto do que Putin desejava.
Por isso, ele disse que “não é a melhor noite de sua vida, mas um belo amanhecer”.


Vladimir Putin ficou como o personagem central das conversações


E a plenitude do dia de Putin será quando possa trazer a Ucrânia de volta para a esfera política, econômica e militar da “nova-URSS”.
A BBC com argumentos análogos aponta também para uma vitória diplomática da Rússia.
O exército ucraniano terá que retroceder e os prosélitos de Vladimir Putin ficarão com os territórios ganhos violando o “cessar fogo” anterior.
O papel assinado em Minsk diz que a Ucrânia recuperará o controle de suas fronteiras com a Rússia para impedir a entrada de armamento e soldados. Mas, isto não acontecerá até o fim de ano. E ainda assim só se forem preenchidas condições pouco prováveis de se concretizarem.
A Constituição ucraniana deverá ser reformada para admitir a autonomia das regiões rebeldes, que terão polícia, juízes e alfandegas próprias para comerciar com a Rússia.
Para a revista socialista francesa “Le Nouvel Observateur” em virtude das notas no pé da página do acordo, os enclaves autônomos na prática viram unidades como que independentes que concentram seu relacionamento com a Rússia como se fossem alheias a seu país.

 
Lança mísseis Katyusha pro-russo visa objetivos civis e militares em Donetsk


Para o jornal britânico “The Telegraph” o acordo de Minsk não resolve o problema da presença de milhares de soldados russos no território ucraniano.
Por volta de 9.000 soldados de cinco batalhões de infantaria apoiados por tanques e artilharia pesada entraram no país para reforçar os rebeldes.
Embora o acordo fale da saída das forças estrangeiras, conversa não basta, comenta o jornal. É necessário um cronograma com um limite definido, com uma autoridade, como a OSCE, que supervisione a saída.
Tudo o que não for isso é fogo de palha.
E o incêndio vermelho arde com ferocidade rumo ao Ocidente insuflado desde Moscou.

RÚSSIA CONTINUA ENVIANDO ARMAMENTO E TROPAS PARA O LESTE DA UCRÂNIA

Kiev denuncia entrada de mais tropas russas para tomar Mariupol

Merkel e Hollande insistem num cessar-fogo que parece cada vez mais longe, à medida que os combates alastram a vários locais.
 
O cessar-fogo assinado em Minsk continua a ser ignorado no Leste da Ucrânia por ambos os lados do conflito. A tomada de Mariupol pode ser a próxima batalha, avisa o exército ucraniano.
É na cidade portuária na costa do mar de Azov que as atenções se concentram. As autoridades ucranianas dizem que um novo contingente militar russo atravessou a fronteira na direção de Mariupol, uma cidade portuária de 500 mil habitantes, com o objetivo claro de apoiar a investida rebelde. Mais de 20 tanques, dez sistemas de mísseis e vários caminhões com soldados rumaram em direção a Novoazovsk – a cerca de 40 quilometros de Mariupol – depois de terem atravessado a fronteira russa, disse o porta-voz do exército, Andrei Lisenko.
“Nos últimos dias, apesar do acordo de Minsk, equipamento militar e munições foram vistos a atravessar da Rússia para a Ucrânia”, afirmou o responsável, citado pela Reuters. As acusações – suportadas pela NATO, pela União Europeia e pelos EUA – de que Moscou terá enviado unidades do seu exército regular para combater na Ucrânia têm sido uma constante desde o início do conflito, algo que sempre foi contestado pelo Kremlin.
Já nesta quinta-feira tinha havido notícia de bombardeamentos sobre posições ucranianas em Shirokine, também na costa do mar Azov. A tomada de Mariupol tem um elevado significado estratégico, dado que é a principal cidade sob controle de Kiev nas duas regiões com presença separatista e por permitir a criação de uma ligação terrestre à península da Crimeia, anexada em Março pela Rússia.
A Europa – em especial a França e a Alemanha, mediadores do acordo da semana passada – continua a defender que “Minsk 2” continua vivo e insiste na sua implementação. O mantra foi repetido nesta sexta-feira depois de um encontro bilateral em Paris entre o Presidente francês e a chanceler alemã. "Estamos convencidos de que os acordos de Minsk se devem aplicar. Todos os acordos de Minsk e nada para além dos acordos de Minsk", disse François Hollande. É necessário "fazer tudo para que o banho de sangue não continue", defendeu Angela Merkel. Para terça-feira está marcado um encontro entre os chefes da diplomacia dos quatro países envolvidos nas negociações (Alemanha, França, Rússia e Ucrânia), em que será discutida a "efetividade" dos acordos.
O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, anunciou entretanto que vai consultar os dirigentes europeus sobre “as próximas medidas” da UE, em resposta às violações ao cessar-fogo. Eventuais medidas terão como objetivo “aumentar o custo da agressão contra o Leste da Ucrânia”, disse, em comunicado. “Houve mais de 300 violações do cessar-fogo. As pessoas continuam a morrer. Chegámos a um estado em que os esforços diplomáticos são inúteis, se não forem acompanhados de ações suplementares.”
O Departamento de Estado norte-americano falou também esta sexta-feira em “custos adicionais” para o Governo de Moscou, “se a Rússia e os separatistas falharem a aplicação do acordo, pondo fim à violência”, disse a porta-voz Jen Psaki.
No terreno, as notícias não podiam ser mais diferentes daquilo que se esperaria de um cessar-fogo. As autoridades ucranianas deram conta de mais de 300 ataques das forças rebeldes, sobretudo nas zonas de Donetsk e Mariupol. “O número de ataques mostra que os terroristas não querem silenciar completamente as suas armas”, disse à Reuters o porta-voz Anatoli Stelmach.
Numa lógica de parada e resposta, as forças pró-russas também denunciaram ataques do exército ucraniano. Na quinta-feira, uma mulher civil foi morta depois de um bombardeamento a uma zona residencial de Donetsk, de acordo com o serviço de imprensa das autoridades separatistas.
Em Debaltseve, a cidade de onde o exército ucraniano se retirou esta semana, também persistem os combates, segundo declarações prestadas à Reuters. Na quinta-feira, os dirigentes separatistas tinham anunciado o controlo deste importante nó ferroviário que liga as duas principais cidades do Leste, mas revelaram a existência de “bolsas de resistência”, indicando que os confrontos naquela área ainda iriam continuar. Durante a retirada, foram capturados mais de 90 soldados ucranianos, 82 estão desaparecidos e foram mortos pelo menos 13, segundo dados do exército.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

CESSAR-FOGO

Ucrânia diz não estar pronta para retirar armas pesadas devido a violação do cessar-fogo

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015 10:45 BRST

KIEV/MOSCOU (Reuters) - As forças armadas ucranianas não estão prontas para retirar armamentos pesados, como acordado nas conversas de paz em Minsk, capital de Belarus, porque os separatistas estão violando o cessar-fogo, afirmou o porta-voz dos militares em Kiev nesta segunda-feira.
O acordo de Minsk entre Ucrânia, Rússia, Alemanha e França determinou que os militares ucranianos e os rebeldes apoiados pela Rússia começassem a remover a artilharia e as armas de grande calibre 48 horas depois que o cessar-fogo entrasse em vigor.
Mas o porta-voz Andriy Lysenko disse que os separatistas continuaram a atacar posições do governo e que cinco soldados ucranianos foram mortos e 25 ficaram feridos desde que a trégua teve início, na meia-noite de sábado pelo horário local.
“A pré-condição da retirada de armamentos pesados é cumprir o primeiro ponto dos acordos de Minsk – o cessar-fogo. Cento e doze ataques não são um indicador de cessar-fogo. No momento, não estamos prontos para retirar os armamentos pesados”, declarou Lysenko em um boletim.
Em resposta, os separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia disseram que estão prontos para retirar seus armamentos pesados quando a Ucrânia baixar suas armas, segundo noticiou a agência Interfax.
(Reportagem de Pavel Polityuk e Thomas Grove)
 
As armas pesadas nas mãos dos mercenários no leste da Ucrânia vieram de onde? Quem as forneceu? O Cossaco

domingo, 15 de fevereiro de 2015

CESSAR FOGO: ATÉ QUANDO?

As armas calaram-se em (quase) toda a Ucrânia

Forças ucranianas e separatistas cumprem o cessar-fogo "de uma forma geral", segundo a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa. Situação em Debaltseve continua por resolver.
 
Tal como em Setembro do ano passado, durante a primeira tentativa de cessar-fogo no Leste da Ucrânia, as armas do Exército ucraniano e dos separatistas pró-russos voltaram a calar-se "de uma forma geral" na noite de sábado para domingo, à hora marcada para o início de uma trégua assinada há três dias em Minsk.
Os observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) registaram "confrontos esporádicos" nas proximidades das cidades de Donetsk, Lugansk e Gorlivka (todas sob controle dos separatistas), mas o cenário mais preocupante é Debaltseve, onde milhares de soldados ucranianos tentam resistir ao cerco dos rebeldes pró-russos.
A julgar pelas declarações dos separatistas, o eventual sucesso do cessar-fogo terá de ser avaliado sem levar em conta a situação em Debaltseve – nesta cidade, que é também um importante nó ferroviário entre Donetsk e Lugansk, os combates só vão parar quando os soldados ucranianos se renderem.
"É claro que podemos abrir fogo [sobre Debaltseve]. Está localizada no nosso território. Mas ao longo da linha de confronto não há ataques", disse à agência Reuters um dos comandantes rebeldes, Eduard Basurin.
Debaltseve está debaixo de uma cortina de fogo constante, com os separatistas a tentarem conquistá-la e os soldados fiéis a Kiev a tentarem defendê-la. O Governo ucraniano e os Estados Unidos dizem que os rebeldes foram reforçados com armamento pesado enviado pela Rússia, já depois do acordo assinado na manhã de quinta-feira em Minsk. O Presidente russo, Vladimir Putin, nega estar a apoiar militarmente os separatistas e diz ser apenas um intermediário interessado na paz no Leste da Ucrânia. [Esse Putin é um CÍNICO, MENTIROSO, PSICOPATA !!! O Cossaco]
Na primeira conferência de imprensa após o início do cessar-fogo, realizada ao início da tarde de domingo, os responsáveis da OSCE disseram que os seus observadores foram impedidos pelos separatistas de entrarem em Debaltseve.
"Tentámos enviar os nossos observadores para Debaltseve, mas a nossa missão foi travada pela autoproclamada República Popular de Donetsk. Apelamos a todas as partes a aderirem totalmente ao cessar-fogo em todas as zonas e a garantir o acesso da OSCE a todas as áreas, para que possamos cumprir a nossa missão de monitorizar o cessar-fogo", disse Ertugrul Apakan, responsável máximo da missão especial da OSCE para a Ucrânia.
 

 
Apesar da situação em Debaltseve, Ertugrul Apakan disse que o cessar-fogo "manteve-se de uma forma geral nas primeiras 12 horas".
Em Mariupol – outra cidade ainda controlada pelas forças fiéis ao Governo de Kiev que tem sido alvo de várias tentativas de conquista por parte dos separatistas – a missão da OSCE "não observou qualquer violação do cessar-fogo". À exceção de uma ou outra troca de tiros, também nas cidades de Donetsk, Lugansk e Gorlivka a manhã de domingo foi de raro sossego para a população civil.
Casais aproveitaram para levar os seus filhos a passear na Praça Lenine, em Donetsk, onde no sábado apenas se ouvia o barulho de peças de artilharia. Outros habitantes passeavam de bicicleta ou pescavam num rio coberto por uma camada de gelo.
Numa estrada perto da pequena cidade de Svitlodarsk, a alguns quilómetros do inferno de Debaltseve, soldados ucranianos aproveitaram a pausa nos combates para jogar à bola, entre tanques e outros veículos militares, numa demonstração de que o cessar-fogo estava de facto a ser cumprido "de uma forma geral", como observaram os membros da OSCE.
Mas a aparente acalmia está longe de garantir o eventual sucesso do cessar-fogo, ainda que as partes em confronto tratem a violência em Debaltseve como se fosse um caso à parte. Os primeiros dias da trégua aprovada em Setembro do ano passado também foram de relativa calma, mas os combates acabaram por regressar, em muitos casos com uma intensidade e devastação ainda maiores do que antes.
Numa declaração transmitida diretamente pela televisão na noite de sábado para domingo, o Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, deu ordens às suas tropas para que deixassem de atacar as posições dos separatistas, mas avisou que não irá "dar a outra face" se o seu Exército for atacado. [Esse Poroshenko é um Chuchu. Fala muito e age pouco – O Cossaco]
"Em Minsk, nós estávamos prontos para um cessar-fogo imediato, mas por uma razão que conseguimos perceber, os nossos homólogos exigiram mais 60 horas", disse Poroshenko, numa referência indireta à batalha pela cidade de Debaltseve.
"Mas pagámos um preço muito elevado por estas 60 horas, porque dezenas de civis ucranianos, incluindo crianças e mulheres, foram mortos", disse ainda o Presidente da Ucrânia.

RÚSSIA REFORÇA SEPARATISTAS ANTES DO CESSAR-FOGO

Ucrânia acusa Rússia de reforçar separatistas antes do cessar-fogo


Moscou diz que é a retórica de Kiev que põe em perigo o fim dos combates. Batalhões de voluntários ucranianos prometem continuar a atacar rebeldes.
A cidade de Debaltseve está cercada pelos combatentes pró-russos ANDREY BORODULIN/AFP
A esperança de que o Exército ucraniano e os separatistas pró-russos baixem as armas este fim-de-semana vai-se esfumando à medida que se aproxima a hora marcada para o início do cessar-fogo. O Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, acusou diretamente a Rússia de ter intensificado os bombardeamentos contra a cidade de Debaltseve, e vários batalhões de voluntários fiéis ao Governo de Kiev garantem que vão continuar a lutar contra os rebeldes.
"Depois do que acordámos em Minsk, não se trata já de um ataque contra a população civil da Ucrânia nem contra os militares ucranianos. É um ataque contra os acordos de Minsk", disse o Presidente ucraniano, referindo-se aos resultados da reunião de cúpula que decorreu entre quarta e quinta-feira na capital da Bielorrússia, promovida pela chanceler alemã, Angela Merkel, e pelo Presidente francês, François Hollande.
"Sem qualquer explicação, a Rússia intensificou de forma significativa a sua operação ofensiva depois de Minsk. O acordo de Minsk continua a estar em perigo", afirmou Petro Poroshenko.
A resposta de Moscou chegou através de um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros. No documento, as autoridades russas dizem-se "preocupadas" com o que consideram ser a tentativa de Kiev e do Ocidente de "deformarem" os pontos do acordo alcançado na quinta-feira, que inclui um cessar-fogo incondicional a partir das 0h00 de domingo na capital ucraniana.
Para Moscou, os separatistas das autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Lugansk "mostraram uma atitude responsável para com os seus compromissos", mas "as declarações dos políticos ucranianos em Kiev suscitam desconfiança". "Reafirmamos a principal mensagem dos acordos de Minsk de pôr fim aos combates, de retirar o armamento pesado e de dar início a uma verdadeira reforma constitucional na Ucrânia", lê-se no comunicado.
No final de 16 horas de negociações, os líderes da Alemanha, de França, da Rússia e da Ucrânia deram o seu aval a um documento com 13 pontos que prevê, para além de um cessar-fogo, medidas como a realização de eleições e a concessão de uma maior autonomia às províncias separatistas ao longo dos próximos meses.
Para além dos obstáculos ao consenso sobre o futuro estatuto político das províncias de Donetsk e Lugansk (a Ucrânia apenas admite uma maior descentralização e os separatistas exigem a independência, por exemplo), o acordo promovido por Angela Merkel e François Hollande nada diz sobre a situação particular do cerco a Debaltseve.
Situada a meio caminho entre as cidades de Donetsk e Lugansk (ambas controladas pelos separatistas pró-russos), Debaltseve está ainda sob controlo das forças governamentais ucranianas, mas tem sido devastada por bombardeamentos constantes.
De acordo com a agência Reuters, Debaltseve é alvo da artilharia dos rebeldes pró-russos "quase todos os minutos". O repórter da agência disse ter visto uma coluna de veículos militares com peças de artilharia e tanques a passar por um posto de controlo dos separatistas, a cerca de dez quilômetros de Debaltseve. Um dos combatentes, que falou à Reuters sob a condição de anonimato, disse que as suas forças estavam a ser apoiadas por "convidados que vieram da Rússia".
"Os separatistas estão a destruir Debaltseve. O bombardeamento de áreas residenciais e de edifícios civis continua. A cidade está a arder", disse o chefe da polícia da região de Donetsk, Viacheslav Abroskin, citado pela BBC.
O vice-ministro da Defesa da Ucrânia, Petro Mekhed, acusou os separatistas de quererem "içar a sua bandeira" em Debaltseve antes do início do cessar-fogo.
Mais a Sul, perto de Mariupol, há também relatos de combates entre batalhões de voluntários ao serviço do Exército ucraniano e combatentes separatistas.
À intensificação do ataque dos rebeldes pró-russos contra Debaltseve soma-se a promessa da violação do cessar-fogo por parte de voluntários ucranianos, como os membros do batalhão neonazi de Azov, que defende a cidade de Mariupol, e os ultranacionalistas do Setor Direito.
Dmitro Iarosh, líder do grupo paramilitar que desempenhou um importante papel nas manifestações que levaram à queda do antigo Presidente ucraniano Viktor Ianukovich, disse que qualquer acordo com "os terroristas pró-russos" é "inconstitucional" e defendeu "o direito de continuar a realizar operações militares".
A guerra no Leste da Ucrânia começou em Abril do ano passado, semanas depois da anexação da península da Crimeia pela Rússia, com a ocupação de edifícios governamentais por combatentes pró-russos. A NATO [OTAN], os Estados Unidos e a União Europeia acusam o Presidente Vladimir Putin de ter fomentado o conflito e de apoiar militarmente os separatistas, uma acusação que Moscou sempre negou.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

NOVAS SANÇOES CONTRA RÚSSIA

Canadá introduz novas sanções contra a Rússia


Canadá introduz novas sanções contra a Rússia

26 de janeiro de 2015 14:55
Canadá vai introduzir sanções adicionais contra a Rússia por causa de descascar bairro residencial de Mariupol, o que resultou em numerosas vítimas.
O ministro do Comércio Internacional do Canadá Edward em uma rápida reunião em Kiev na segunda-feira, informa Gazeta.ua, "Em conexão com a tragédia em Mariupol Canadá decidiu introduzir medidas adicionais contra a Rússia Faremos isso em cooperação com nossos aliados - Estados Unidos e a UE. Estamos indignados pelos acontecimentos em Mariupol e indignados que a agressão russa contra a Ucrânia. Nós estaremos juntos com o povo ucraniano e forneceremos todo o apoio necessário para a Ucrânia que retornou à vida civil e tornou-se um país próspero," 
Fonte: Castelo Alto.

domingo, 25 de janeiro de 2015

GUERRILHEIROS RUSSOS ATACAM MARIUPOL NA UCRÂNIA






Ataque contra Mariupol rasga cessar-fogo que nunca saiu do papel


Cerca de 300 mortos nos últimos 15 dias, ataques com rockets contra escolas, paragens de autocarro e blocos de apartamentos. É cada vez mais difícil salvar o que resta do Sudeste ucraniano.
Corpos espalhados pelas ruas, uns cobertos com lenços a tapar-lhes a face, outros mais expostos, com marcas visíveis da devastação provocada por uma tempestade de rockets que se abateu sobre um jardim-de-infância, uma escola e blocos de apartamentos na cidade ucraniana de Mariupol, na manhã de sábado [24].
As imagens que circulam pela Internet mostram aquilo a que só alguns discursos políticos mais desesperados teimam em fugir: se é verdade que o cessar-fogo assinado em Setembro do ano passado entre representantes do Governo de Kiev e dos rebeldes pró-russos nunca chegou a ser cumprido na totalidade, agora já não há dúvidas de que a guerra no Leste da Ucrânia voltou a atingir um pico de violência extrema. Não são ataques, não é um conflito: é uma guerra que já fez quase cinco mil mortos, cerca de 300 nos últimos 15 dias. [A imprensa continua a desinformar o mundo criminosamente. Não existem "rebledes pró-russos" o que existe são guerrilheiros mercenários russos infiltrados no território ucraniano atuando como se fossem ucranianos pró-Rússia. De onde vem as armas? Como a população civil sabe usá-las tão bem? - O Editor.]
No domingo, os observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) foram a Mariupol tentar perceber o que aconteceu, e quem terá sido responsável pela morte de pelo menos 30 civis, num ataque comrockets Grad e Uragan, que caíram sem parar durante 35 segundos em tudo menos em alvos militares.
O local mais atingido foi a rua Olimpiiska e a sua área circundante, a pouco mais de oito quilômetros do centro da cidade, mas a apenas 400 metros de um posto de controle das Forças Armadas da Ucrânia.
"A missão observou múltiplos impactos em edifícios, lojas, habitações e numa escola. Os observadores [da OSCE] viram automóveis em chamas e janelas estilhaçadas na parte virada para Nordeste de um edifício de apartamentos com nove andares. Os observadores contaram 19 ataques com rockets, mas estão certos de que houve mais", lê-se no relatório.
A linguagem da OSCE é cuidadosa, mas ainda assim aponta as palavras na direção dos rebeldes pró-russos: "De acordo com a análise dos impactos, osrockets Grad foram lançados de uma posição a Nordeste, na área de Oktiabr (19 quilômetros a Nordeste da rua Olimpiiska), e os rockets Uragan foram lançados de uma posição a Leste, na área de Zaishenko (15 quilómetros a Leste da rua Olimpiiska), ambas controladas pela 'República Popular de Donetsk'" – as aspas estão no original.
Rebeldes acusam Kiev
Alexander Zakharshenko, o líder da autoproclamada República Popular de Donetsk, garante que não – para o rebelde pró-russo, os rockets que caíram na cidade portuária de Mariupol foram lançados pelo Exército ucraniano, com o objetivo de atrair para lá as forças rebeldes, que estão concentradas em defender a conquista do aeroporto internacional de Donetsk.
"Até agora, não estávamos a realizar nenhuma operação nas imediações de Mariupol. Estamos a poupar esforços", disse Zakharshenko, citado pela agência russa RIA-Novosti. Mas agora a estratégia vai mudar, disse o líder rebelde: "Depois de Kiev ter decidido culpar-nos pelo seu ataque com rocketsGrad contra áreas residenciais em Mariupol, dei ordens para que as posições dos militares ucranianos a Leste de Mariupol sejam suprimidas."
O líder dos rebeldes garantiu ainda que os habitantes de Mariupol não têm nada a temer – ao contrário do que tinha sido avançado por várias agências internacionais no sábado, citando o próprio Alexander Zakharshenko, as forças pró-russas garantem agora que não têm qualquer intenção de lançar um ataque para conquistar a importante cidade portuária.
Enquanto dezenas de civis morrem por estes dias nas ruas de cidades como Mariupol e Donetsk (onde um ataque com rockets matou 13 civis na semana passada), a União Europeia (UE) marcou uma reunião extraordinária para a próxima quinta-feira. O anúncio foi feito no Twitter por Federica Mogherini, responsável pela política externa da UE.
Mogherini disse também que os rockets lançados contra zonas civis em Mariupol vão fragilizar ainda mais as relações da UE com a Rússia, acusada por Kiev e pela NATO de alimentar as forças rebeldes com quase 10.000 combatentes, a que Moscou chama "voluntários". Na mesma declaração, a italiana voltou a pedir a Moscou que exerça "a sua influência sobre os líderes separatistas e que ponha fim a qualquer forma de apoio militar, político ou financeiro".
Neste domingo, foi a vez do ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, de fazer um pedido a Federica Mogherini, numa conversa telefônica – para além de reiterar a posição de Moscovo de que o Presidente Vladimir Putin nunca ordenou o envio de tropas russas para o Leste da Ucrânia, Lavrov pediu a Mogherini que exerça a sua influência sobre o Governo de Kiev para que todas as partes se voltem a sentar à mesa de negociações, culpando o Exército ucraniano pelas dezenas de mortes entre a população civil nos últimos dias.