100 cachoeiras e missas em ucraniano a 207 km de Curitiba: a Pequena Ucrânia do Paraná
preserva tradições já extintas no próprio país europeu
Em Prudentópolis, no interior do Paraná, cúpulas prateadas rompem o horizonte entre araucárias, missas são rezadas em ucraniano e ovos pintados à mão carregam simbologias que atravessaram o oceano no fim do século XIX. A Ucrânia Brasileira, como é conhecida, abriga a maior colônia ucraniana do Brasil, mais de 100 cachoeiras catalogadas e tradições que visitantes descrevem como algo que não se encontra nem mesmo na Ucrânia atual.
Como 8 mil ucranianos transformaram uma vila paranaense
Em 1896, cerca de 1.500 famílias ucranianas, totalizando 8 mil imigrantes, chegaram à região que ainda se chamava São João de Capanema. Vinham da Galícia, território que pertenceu ao Império Austro-Húngaro e hoje faz parte do oeste da Ucrânia. O fluxo migratório durou até a década de 1920 e deixou marcas permanentes na paisagem e no cotidiano.
O primeiro missionário do rito ucraniano, padre Silvestre Kizema, da Ordem dos Padres Basilianos, chegou a Prudentópolis em 6 de julho de 1897. No mesmo ano, fundou-se a primeira paróquia do rito ucraniano-católico no Brasil. O município hoje tem aproximadamente uma centena de igrejas, sendo cerca de 50 do rito bizantino ucraniano, o que rendeu à cidade o título estadual de Capital da Oração. A Prefeitura de Prudentópolis estima que 75% da população seja de descendência ucraniana, o que consolidou o título de Ucrânia Brasileira.

Que tradições sobrevivem ali e já não existem na Ucrânia
Na Igreja Matriz de São Josafat, construída entre 1925 e 1928 em estilo bizantino, as missas seguem sendo celebradas em ucraniano. O altar é recoberto pelo ikonostás, painel de ícones pintados que separa o espaço sagrado da nave, tradição do cristianismo oriental que a comunidade preserva com rigor. A igreja é tombada como Patrimônio Artístico e Cultural do Paraná.

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