sexta-feira, 10 de abril de 2026

UCRANIA ATINGE O CORAÇÃO FINANCEIRO DA RÚSSIA

 Como os drones da Ucrânia atingem o coração financeiro da Rússia: o petróleo

Por Jornal Nacional

 

Ucrânia ataca refinarias e terminais de exportação de petróleo da Rússia

Ucrânia ataca refinarias e terminais de exportação de petróleo da Rússia

A Ucrânia vem atacando refinarias e terminais de exportação de petróleo da Rússia. Os danos a essas estruturas são mais uma fonte de pressão sobre a cotação internacional do barril.

A Rússia é o segundo maior exportador de petróleo do mundo. Foram US$ 160 bilhões só no ano passado.

Toda essa riqueza abastece a máquina de guerra do país. E, por isso, se tornou um alvo estratégico da ofensiva da Ucrânia.

Três fontes do setor — ouvidas pela agência de notícias Reuters — indicam que a Rússia já teria perdido um quinto da capacidade total de exportação. Resultado dos ataques ucranianos sobre as refinarias do país. E também sobre a infraestrutura de escoamento, causando mais impacto sobre o ritmo de produção.

Segundo a agência Reuters, a Rússia enfrenta atualmente uma queda na capacidade de exportação na ordem de 1 milhão de barris por dia.

E mais cortes na produção de petróleo são iminentes, o que pode aumentar ainda mais a pressão sobre a crise global de energia, causada pelo Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz.

"O aumento do preço do petróleo, isso favoreceu muito a Rússia, o que preocupou a Ucrânia, ou seja, a Rússia está faturando mais com o que aconteceu após a guerra com o Irã do que estava antes. Mesma coisa o próprio Irã", diz o professor de Relações Internacionais Carlos Gustavo Poggio.

"Então, o que tem visto é a Ucrânia utilizando ferramentas e estratégias que são estratégias similares às estratégias que o Irã tem usado contra os Estados Unidos, que, ou seja, não é você confrontar o inimigo diretamente no campo de batalha, mas é você aumentar os custos econômicos e políticos para o inimigo continuar lutando essa guerra", complementou.

A Ucrânia tem usado drones para atacar a infraestrutura da Rússia. Dois desses alvos são portos localizados no Mar Báltico: Ust-Luga e Primorsk — que dão acesso ao norte europeu e a uma rota comercial estratégica.

Imagens de satélite mostram uma coluna de fumaça em Primorsk — no último domingo — depois de um ataque ucraniano.

Pelo menos oito tanques foram danificados. O que representa cerca de 40% da capacidade de armazenamento do porto.

Já a estrutura de Ust-Luga, que fica bem ali perto, sofreu ataques durante pelo menos cinco dias no mês passado — em março.

Isso teria causado a suspensão temporária do escoamento na região. Essa estratégia ucraniana tenta dar um golpe direto sobre o pilar financeiro da Rússia. É que a produção de petróleo e gás natural — segundo pesquisadores — representa um quarto de toda a receita estatal do país.

Nessa última terça-feira (1), o porta-voz do Kremlin declarou que tem sido feito um trabalho intenso para proteger o porto de Ust-Luga, além de outras instalações de infraestrutura crítica.

Dmitri Peskov chamou as ações ucranianas de terroristas.

A Rússia já enfrenta uma série de embargos econômicos — impostos por países do Ocidente, que tentam forçar o fim da guerra na Ucrânia. A União Europeia, por exemplo, que antes do conflito comprava cerca de um quarto do seu petróleo da Rússia, praticamente zerou o volume de importações e também decidiu acabar com a dependência do petróleo russo até 2027.

"A Rússia, assim como a Arábia Saudita, são os dois maiores exportadores. Então, você tem já a Arábia Saudita limitada por conta da guerra do Irã. E se você tiver agora a Rússia também limitada por conta da guerra na Ucrânia, você tem aí, eu diria, a pior situação possível em mercado extremamente restrito, cada vez mais restrito, se isso se configurar e se mantiver ao longo do tempo, diz David Zylbersztajn, ex-diretor geral da ANP.

Nenhum comentário:

Postar um comentário