Enciclopédia de ilusões: fronteira da Ukraina Tyzhden (Semana), 01.12.2012
Ihor Losyev
O comportamento do supremo poder na Ukraina durante estes 20 anos, constantemente despertava dúvidas quanto a nossa soberania. Discursos intermináveis sobre relações especiais com a Rússia, em consequência do que frequentemente negligenciavam com o estabelecimento da prática formalmente diplomática normal nas relações internacionais, construí-los não no direito internacional, mas nos conchavos, nos encontros "sem gravatas" (bem, pelo menos não sem calças), negligenciando nesta esfera com rituais e cerimônias - tudo isso formou um fundo escorregadio e perigoso na convivência russo-ukrainiana.
Mas o que aconteceu com o dissidente russo (infelizmente preciso voltar ao vocabúlario político dos anos 60 - 70 do século XX) Razvozzhaeyv no centro da capital da Ukraina, claramente destacou o fato de que nossa soberania é uma ficção. Uma equipe das forças de segurança russa, chegando em Kyiv como em suas Uriupinsk ou Syzran, agarrou o homem praticamente na entrada da representação internacional para os refugiados e levou-o para Rússia. A fronteira, os raptores com sua vítima atravessaram sem nenhum problema ou mal-entendidos com os guarda-fronteira ukrainianos. Estes competentes especialistas, capazes, se necessário, perceber um superfluo pacote de cigarros, não perceberam uma pessoa amarrada no interior do veículo. Então, de fato, nós não temos serviços especiais, não temos guardas de fronteira, não temos a própria fronteira, e com o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério do Interior também tudo é muito problemático. Totais adereços cênicos, como o antigo Ministério dos Negócios Estrangeiros da URSS (que não tinha embaixadas no exterior).
As forças de segurança russas mesmo anteriormente sentiam-se bastante confortáveis na Ukraina independente, mas com o comando de Donetsk (Yanukovych) começaram comportar-se com insolente arrogância e desafio, mostrando que lembram bem as famosas palavras de seu dirigente supremo, ditas ao presidente dos EUA: "George, Ukraina - não é nem mesmo Estado". Verdade, se no centro da capital, de qualquer Estado de pleno direito, ainda que muito pequeno, agências de inteligência estrangeiras roubassem uma pessoa, isto causaria demissão em massa de pessoas altamente colocadas, responsáveis por esta área de atividade do Estado. Mas, nos quadros superiores do Partido das Regiões e nomeados por ela comandantes - nenhuma reação a este escarro público de irmãos russos para aqueles da Ukraina, que deveriam garantir a Constituição, particularmente a soberania, a independência, direitos e liberdades da pessoa, outras coisas boas.
Pagadores de impostos, se em nosso país, finalmente se formassem classes de pessoas capazes de raciocinar categoricamente, poderiam perguntarr: por que nós pagamos impostos para a manutenção do Serviço de Segurança, Serviço de Fronteiras, Ministério dos Negócios Estrangeiros, os quais, até agora , não foram capazes de expressar algo consciente sobre o que aconteceu. No coração de nossa capital - natural roubo a mão armada no estilo dos exilados caucasianos. E onde estão aqueles, com a cabeça fria, coração quente e mãos limpas? Se nada sabiam? Se nada sabiam, então isso mostra a oficial irresponsabilidade e definitiva desqualificação. Se sabiam e nada fizeram, isto parece ser um crime oficial. Os serviços de segurança em diferentes países existem, para não permitir aos colegas do exterior praticar atos descarados em território estrangeiro. Por exemplo, a capital da Suiça é considerada o ápice de espionagem, porque cada serviço secreto considera necessário manter neste país sua base. A contrainteligência local sabe, tudo acompanha, mas não prende ninguém, enquanto os cavaleiross de capa e espada permanecem dentro dos limites de decência, isto é não matam nem roubam ninguém. Assim que algo mais grave aconteça, o governo deste país reage imediatamente, porque trata-se de atentado à soberania e ordem pública.
E aqui um real banditismo internacional e um enigmático silêncio de estruturas oficiais da Ukraina. Claramente nós percebemos as consequências da ausência de controle público efetivo das atividades das agências de aplicação das leis na Ukraina, que ainda são injustificadamente fechadas e opacas. O que a comunidade sabe, por exemplo, sobre os contatos específicos do SBU (Serviço de Segurança da Ukraina) com os serviçoos especiais russos? Hoje, depois de uma mudança radical dos dirigentes do serviço alguns espirituosos denominam esta estrutura FSBU... E o Serviço de Fronteiras, cujo dirigente alcançou até o cargo de general de exército? Será que o Serviço nos protegeu de centenas de milhares de migrantes ilegais, de traficantes de drogas, de movimento não controlado em toda nossa fronteira? E será que tal existe?
Então, no outro dia "águias de Putin" pegaram na Ukraina um cidadão russo. Mas, persuadidos de absoluta impunidade, não colocar-se-ão os "chequistas" russos (como até agora se denominam, embora seja difícil imaginar que a inteligência da atual Alemanha orgulhosamente chamaria a si de Gestapo) no sequestro de cidadãos da Ukraina, aos quais lhes ocorrerão pretensões?
Será que precisamos de tais estruturas de força? Nossos amigos na desgraça soviética - Lituânia, Letônia e Estônia - não reformaram a KGB em seus países, mas destruíram esse órgão punitivo da ditadura totalitária, criando em seu lugar serviços especiais nacionais, civilizados, sem hereditariedade de Stalin - Yezhov - Beria.
O incidente em Kyiv deixa a sensação de inquietude: se não se transformará Ukraina em território de incontida caça para o FSB, Agência Central de Inteligência, Serviço de Inteligência Exterior, e outras unidades especiais da Federação Russa para os cidadãos de nosso país? E se isto não significa que as forças de segurança ukrainianas podem, desta forma, trazer da Rússia para Ukraina os fugitivos do tempo da Revolução Laranja: Bakay, Bodolen, Bilokim?
Adendo:
1 - Razvozzhayev, oposicionista russo, auxiliar do deputado da Duma Ilya Ponomarov, ativista. Foi acusado de "preparar e organizar" distúrbios de massa. Pretendia conseguir o estatuto de refugiado na Ukraina. Ele foi sequestrado em 19.10.2012 em Kyiv. A versão oficial é que Razvozzhayev, sozinho, apresentou-se em Moscou e admitiu ter participado do planejamento dos tumultos. Mas, Razvozzhayev, através de seus advogados afirma que o serviço de segurança russo o sequestrou em Kyiv, onde ele queria pedir abrigo, e levou-o para Moscou, onde ele confessou sob tortura e pressão.
2 - Ihor Bakay: ex-deputado, ex-presidente do Naftogaz, ex-conselheiro do presidente. Desde 2005 era procurado internacionalmente por suspeita de crime, abuso de poder e posição, e por desvio de dinheiro.
3 - Ruslan Bodelan: ex-deputado, ex-prefeito de Odessa. Após a mudança de governo em 2005 foi acusado criminalmente por abuso de poder em benefício de terceiros.
4 - Mykola Bilokim: ex-Ministro de Assuntos do Interior. Deixou Ukraina para evitar ser processado após Revolução Laranja.
Pesquisa e tradução: Oksana Kowaltschuk