segunda-feira, 2 de abril de 2012

GENOCÍDIO - Parte 2

Ou por que os ukrainianos desaparecem em vastas extensões do império russo?

Segunda Parte


Os especialistas afirmam, não sem bases, que apenas em 30 anos, de 1929 a 1959 Ukraina perdia 14,6 milhões de pessoas.

De 1979 a 1989 a população ukrainiana aumentou em 2 milhões de pessoas (51,7 milhões). Este é o menor índice em todas as repúblicas soviéticas. É impossível não concordar com Liubomyr Perih, o qual afirma, "que a diminuição da população de raiz da Ukraina, e o aumento de pessoas de outras nacionalidades, pessoas, às quais o solo ukrainiano e sua natureza, lhe são estranhos e conduzem à ruína da moral social, da perda do destino histórico comum, da cultura, construíndo ambiente de rivalidade doentia e até inimizade no terreno social e nacional".

É indispensável mencionar, que os dados mostrados sobre aumento da população, de 1913 a 1989, ainda não caracterizam um verdadeiro quadro demográfico. Acima de tudo eles são evidências daqueles processos doentios ou artificiais, processos de emigração, direcionados para russificação da Ukraina e sua pérfida-pacífica conquista. A massa básica da população (principalmente da Rússia) migrava para Ukraina já no período da União Soviética. Assim, ainda em 1923, na república residiam 3 milhões de russos, em 1939 - 4 milhões, em 1959 já constituíam 7 milhões, e em 1970 - 10 milhões. Hoje já ultrapassam 13 milhões. Somente na Criméia, no transcorrer de 1939-1945 o número de russos cresceu em 1,1 milhão de pessoas.

A migração orientada da população russa para Ukraina cresceu extraordinariamente após Holodomor (morte pela fome - provocada intencionalmente - O.K.) de 1932-1933, no período da tal chamada industrialização, e nas regiões ocidentais - após II Guerra e em 1970- 1980, durante o período da construção da "única nação soviética".

Paralelamente à deportação da população ukrainiana, iniciada no império ainda pelos czares (ela acontecia, presumivelmente, com a deportação para Sibéria e Extremo Oriente, dos rebeldes, dos aldeões para povoar os territórios despovoados da Rússia, cultivo de terras virgens, distribuição de especialistas, industrialização e "grandes construções do comunismo"), nas terras da Ukraina realizava-se desenfreada russificação da nação ukrainiana.

Cruéis mós da russificação na Ukraina absorviam todas as pessoas desde os primeiros dias do nascimento (desde o rótulo com sobrenome, na maternidade) e as acompanhavam pela vida, até o ritual do sepultamento no cemitério.

Na supervisão da russificação e assimilação dos ukrainianos e criação do fenômeno do século XX "população da língua russa", no império trabalhavam poderosas estruturas governamentais, ensino escolar e superior, todos, sem exceção, órgãos governamentais, judiciário, milícia, exército.

Portanto, não surpreende que cada próximo censo identificava diminuição da quantidade dos ukrainianos, os quais consideravam a língua de seus pais como sua.

São estas as tristes realidades na Ukraina atual e nos próximos países fronteiriços.

Qual foi o destino que encontraram nossos conterrâneos que foram parar além da fronteira pátria? Sobre os que a miséria e o terror stalinista jogou para Europa Ocidental, continente americano e até Austrália, nós temos bom conhecimento, principalmente agora, quando a diáspora ocidental tornou-se aberta para nós. Lá, nossos conterrâneos, com seu trabalho, conseguiram respeito de outras nações, criaram boa situação econômica para si, e puderam preservar a língua e desenvolver a cultura ukrainiana. E, o que tem os ukrainianos, que foram parar no hospitaleiro limiar do "irmão maior"?

A estatística testemunha, que após a criação da União Soviética e organização bolchevique das repúblicas soviéticas, os ukrainianos na Federação Russa ocupavam, pela quantidade, o segundo lugar depois dos russos. Em algumas regiões (Kuban, Rostov, Saratov, Stavropolsk e Primorsky) os ukrainianos eram dominantes na população. Por um bom tempo julgava-se que os dados sobre o número de ukrainianos nos territórios da URSS (50 milhões) eram consideravelmente exagerados, uma invenção propagandista de nacionalistas de além-fronteiras. Infelizmente, os dados objetivos quanto à composição da população nacional no império soviético, para os seus cidadãos, eram tão secretos quanto seu conhecimento sobre o próprio potencial de armamento. Mesmo os órgãos demográficos não têm este tipo de literatura.

Recentemente, com a abertura dos arquivos da KDB (Comitê de Segurança do Estado) e do Ministério do Interior, certifica-se que a população ukrainiana na antiga União Soviética ultrapassava 80 milhões de pessoas. (Revista "Novos Dias", dezembro de 1992).

Então, os dados oficiais sobre o número dos ukrainianos na Rússia (4,3 milhões) são pura falsificação. Tentemos provar isso com base no censo realizado na Rússia em 1897, e o último censo na Antiga União Soviética, em 1989. Entre os dois transcorreram 92 anos, sendo que 72 correspondem ao periódo soviético. Prevenimos que não temos possibilidade de analisar os dados estatísticos em todas as regiões da Rússia. Para exemplo forneceremos dados sobre a população ukrainiana somente em algumas províncias e países.

Ainda no início de 1930, de acordo com dados oficiais, eram 6,3 milhões de ukrainianos que moravam na Rússia. Após 50 anos, isto é, no início dos anos 80, a quantidade da população ukrainiana na Federação Russa diminuiu 2 milhões. Este misterioso desaparecimento não é explicado. Os existentes dados estatísticos de diversas regiões da Rússia simplesmente impressionam. Assim, na Província de Stavropolsk em 1897 foram registrados 320 mil ukrainianos (37% do total), e transcorridos 92 anos - somente 69 mil, isto é, 2,4%.

Na Província de Don, no final do século passado havia 720 mil ukrainianos - 28% do total, e na atual Província de Rostov, de acordo com o censo de 1989 ficaram 178,8 mil (4,2%).

Na Província de Kursk, no final do século XIX, os ukrainianos eram 530 mil (23%), e hoje, apenas próximo de 1,7 %. E isto apesar do fato do arbítrio stalinista, no final dos anos 20 anexar à Província de Kursk vários distritos da Ukraina, habitados principalmente por ukrainianos. Mais surpreendente ainda é o quadro da Província de Voronezh. Na Rússia czarista, em 1897 ali se contavam 930 mil ukrainianos (36% do total). Durante a União Soviética apesar da anexação de alguns distritos ukrainianos, a população diminuiu 8 vezes, ficando em 122,6 mil (5%). A impressão é que os ukrainianos, nestas províncias simplesmente morreram.

Durante 92 anos foi reduzida, significativamente, a percentagem da população ukrainiana na Sibéria. Em 1897, nas provínciais Tyumen, Tobolsk e Enisejsk os ukrainianos constituíam 20% da população. Atualmente, segundo dados estatísticos oficiais são 3,3%. Em 1897, em Ussuri, havia 25% e em Amur 20% de ukrainianos. Já em 1989 contavam-se apenas 6,2% em Ussuri e 8,2% em Amur.

É, em grande parte, graças à população ukrainiana que ocorreu, e ainda ocorre o desbravamento e a colonização do Norte e Leste russo. De acordo com os dados de Yakumenko, que estudou o papel dos ukrainianos no povoamento e na colonização da Sibéria e Extremo-Oriente, desde o final do século XIX - início do século XX, em 1917, além dos Urais viviam 748,6 mil ukrainianos.

Graças ao árduo trabalho dos migrantes ukrainianos, já naquela época, nestas regiões foram criadas imensas riquezas materiais. Os ukrainianos desbravaram 500 mil hectares de terras virgens e fundaram alguns milhares de distritos. Os nomes ukrainianos foram preservados até os dias atuais. Os migrantes trouxeram da Ukraina para Sibéria e Extremo Oriente os métodos de trabalhar a terra e iniciaram o cultivo da batatinha, pepino, tomate, beterraba de açúcar e muitas outras culturas. Também introduziram a apicultura, que já antes de 1917 tornou-se produto de exportação. Em consequência do trabalho pesado, privações e pobreza, doenças e clima inóspito, de 1909 a 1913 morreu mais de um terço de indivíduos.

Hoje, são essas regiões que são as principais fornecedoras de nafta, energia elétrica, madeira.

A despeito da excessiva pressão assimilatória, e ausência de condições elementares ao desenvolvimento da cultura nacional, ainda assim os ukrainianos nestas regiões formam numerosos grupos étnicos. De acordo com o censo de 1989, o número de ukrainianos em Yamalo-Nenetskyi, Chukotskyi e arredores autônomos constitui, respectivamente 17,2% e 16,8%, na Província de Magadan - 15,4%, Kamchatka - 9,1%, Yakuti - 7%. Entre o povo Komi - 8,3%. Nos arredores de Taymyr - 8,6%, em Koriatskyi - 7,2%. Em Kaliningrado os ukrainianos são 7,2%, em Murmansk - 9% e mais de 200 mil ukrainianos reside em Moskov.

Na véspera da II Guerra Mundial, no assim chamado Sirei Klyn (Cunha cinzenta), território do atual Cazaquistão e províncias vizinhas da Rússia, Omsk era centro da vida ukrainiana. M. Bondarenko, natural de Poltava - Ukraina, que trabalhava como agrimensor naquelas localidades, confirma: "A cidade de Omsk parece uma cidade moscovita, mas no mercado e na feira conversam em ukrainiano". (Citado por V. Serhiychuk,1991). Não é de estranhar, pois nos arredores de Omsk estabeleceram-se assentamentos cossacos, povoados exclusivamente por ukrainianos.

Os migrantes individuais para Sirei Klyn partiram da Ukraina ainda no final dos anos 80, do século XIX. Logo o caminho trilhado por eles, para Cazaquistão, tornou-se aquela artéria, da qual, no transcorrer do século extraíam-se forças vitais, mãos trabalhadoras e inteligência. Somente de 1891 a 1914 das províncias de Volyn, Katerynoslav, Kyiv, Tavryi, Kharkiv, Kherson e Chernihov, para o desenvolvimento de Sirei Klyn saíram perto de 1,7 milhões de ukrainianos. No início de 1930, em Cazaquistão contavam-se mais de um milhão de ukrainianos. A população ukrainiana vivia de modo compacto. Em 29 distritos viviam de 50 a 100 mil pessoas.

De acordo com o censo de 1926, em KASSR (República Autônoma Socialista Soviética de Carélia) a população ukrainiana constituía 13,2% do total. Em Aktyubynsk - 93 mil, em Kostanaysk - 164, em Petropavlovsk - 184 mil, em Akmolinsk - 110 mil, em Syr Darya – 41 mil, no Ural - 21 mil.

A coletivização criminosa da agricultura estimulava os processos migratórios. Das fazendas coletivas e "rozkurkuliuvania" (o fenômeno da apropriação, pelo governo soviético, dos bens dos aldeões: terra, gado bovino, cavalar e suíno e instrumentos agrícolas, para as fazendas coletivas - O.K.) os camponeses ukrainianos salvavam-se em Cazaquistão, Ásia Central e Sibéria. Milhões de ukrainianos, no transcorrer de dezenas de anos desbravavam terras virgens ou abandonadas de Cazaquistão, Sibéria ou Altai. Então, a larga escala comercial de produtos agrícolas de Cazaquistão iniciaram nossos conterrâneos. Os nomes das gigantes empresas agrícolas, nas antigas pouco habitadas terras virgens de Cazaquistão, significativamente testemunham a prioridade para nossa nação na sua assimilação.

A longínqua região do Extremo Oriente, ou como é designado pela população, "Zelenyi Klyn" (Cunha Verde). Províncias: Primorskyi, Khabarovsk, Kamchatka, Sakhalin, Amur, fundamentavam-se e equipavam-se com a participação da nação ukrainiana.

O povoamento do "Zelenyi Klyn" iniciou o primeiro exilado político da Ukraina - "Hetman" (comandante) Demian Mnohohrishnyi com família. Na segunda metade do século XIX inicia-se a migração em massa de ukrainianos para o Extremo Oriente.

A migração intensiva acontece no início do século XX, Só para Província de Amur, entre 1906-1917 vieram da Ukraina 64 mil pessoas (quase 50% de todos os habitantes). E para Primorsky, no decorrer desses anos veio da Ukraina quase 103 mil pessoas (61% de todos migrantes).

Para distante região estrangeira, da casinha familiar todos eram afugentados pela pobreza e falta de terra. Ainda hoje milhares de localidades em "Zelenyi Klyn" têm nomes ukrainianos. Todas elas foram fundadas pelos nossos conterrâneos, os quais, tanto o governo czarista quanto o comunista, com esperteza fraudulenta, incorporaram ao "povo de língua russa". A colonização e a economia agrícola é fato incontestável. Isso precisam considerar até os pesquisadores do período soviético. Em uma edição do livro "Dalnevostochnyi Krayi", 1932, referia-se: "Migrando de províncias sulinas, os ukrainianos trouxeram seu modo de vida, costumes culturais e idioma, que, independentemente da cruel russificação dirigida pelo governo czarista, preservaram-se em seus fundamentos e, sem dúvida, isso nós dá uma grande possibilidade para realizar uma completa ukrainização dessas províncias e transformar essa terra em realmente terra ukrainiana, não só em condições formais, mas de fato". (citado em V. Serhiichuk, 1991).

Os ukrainianos de "Zelenyi Klyn" passaram por uma vigorosa russificação e orientada assimilação. Mas, tudo isso não erradicou o ânimo à liberdade dos descendentes cossacos. A população ukrainiana do Extremo Oriente participou ativamente dos acontecimentos revolucionários de 1917. Houve uma tentativa desesperada de organizar lá uma República Ukrainiana do Extremo Oriente, a qual foi liquidada em 1922 pelos bolcheviques. O seu Secretariado Geral foi preso e condenado.

O censo da população do Extremo Oriente de 1926 por ordem de Moscou, tanto aqui como em outras regiões, foi falsificado. Segundo dados oficiais havia somente 315 mil ukrainianos. Apesar de que em 1918, segundo os dados das organizações ukrainianas no Extremo Oriente, em "Zelenyi Klyn" viviam 437 mil. Então, segundo todos os dados demográficos, incluindo o crescimento natural da população, a quantidade da população no Extremo Oriente em 1926 deveria constituir 570-600 mil habitantes. Quanto a Primorsky, então a população ukrainiana deveria ultrapassar 50 - 60%.

No período pós-guerra a migração da população ukrainiana para o Extremo Oriente sofreu acréscimo, Para tanto contribuíram fatores objetivos: primeiramente o baixo nível de vida na Ukraina. Interpretando a situação étnica em Kuban nós, conscientemente, concluímos o exame desse tema, porquanto, exatamente nos materiais correspondentes a esta região temos a possibilidade de responder, aonde e porque desaparecem os ukrainianos nas vastas extensões do império russo. O nome desse evidente crime - genocídio. A colonização de Kuban com os cossacos do Zaporizhzha e população ukrainiana - fato incontestável e tema de conversa em separado. Não ousam desmenti-lo nem os mais obstinados chauvinistas - dirigentes principais do Kremlin, educados nos cursos do Comitê Central do PCUS(b)

A migração ukrainiana é representada com um monumento no local do primeiro desembarque em Taman, em 1792.

Em 1992 o mundo civilizado, tanto na Ukraina quanto na Rússia comemorava 200 anos desta notável data. Infelizmente, na Criméia, forças chauvinistas-separatistas, exatamente neste tempo e com ajuda do governo agravavam a antiukrainiana histéria, ocupando-se com a "renascença" de nunca aqui existentes cossacos de Azov-Mar Negro. O acontecimento de importância européia e russa passou desapercebido. É mais que lamentável, porque Kuban - é nossa mais próxima amiga.

Graças aos cossacos do Zaporizhzha em algumas décadas Kuban tornou-se uma das maiores, melhor organizada e abastada região da Rússia. Em 1911-1915 ali havia 450 unidades de produção agrícola. A par com Ukraina, Kuban era uma das maiores regiões fornecedoras de grãos. O alcance quinquenal de produção naquele período foi de: grãos - 3.700.000 toneladas; óleo - 38.000 toneladas; fumo - 33.000 toneladas; hortaliças - 350.000 toneladas. Também, antes da revolução destacava-se a produção de frutas diversas e uvas. A criação de gado superava Ukraina e Rússia.

O governo czarista deu a Kuban certa autonomia. Entretanto a população ukrainiana, na era czarista também era despojada dos direitos nacionais e sofria o pesado jugo da assimilação e russificação.

Depois da revolução de fevereiro de 1917 os cossacos de Kuban assumiram uma luta decidida pelo retorno dos antigos direitos e liberdades. Os sátrapas czaristas muito se esforçaram, mas não conseguiram extrair das almas dos descendentes dos gloriosos cossacos do Zaporizhzha a lembrança da Ukraina e amor à pátria dos antepassados. No curto espaço de sua existência o Conselho de Kuban, e depois República Nacional Independente de Kuban tentou entendimento e estabelecimento de relações com o Conselho Central ukrainiano. Porém o curso dos acontecimentos na Ukraina, e em Kuban desviou esta intenção. Na fornalha da guerra fratricida em Kuban morreram centenas de milhares de cossacos de Kuban, separados ao meio por políticos criminosos, entre bolcheviques e as forças de Denikin.

Continua...

Tradução: Oksana Kowaltschuk

segunda-feira, 26 de março de 2012

GENOCÍDIO - Parte 1

Artigos - História; Anticomunismo.

Ou por que os ukrainianos desapareceram em vastas extensões do império russo?
Primeira parte

Petró Vasylovych Volvach - Simferopol-Ua

Na União Soviética as estruturas autoritárias e os ideólogos do Partido Comunista gostavam criar lendas e mitos. Em um sexto do globo terrestre, talvez seja difícil de encontrar um ramo de atividade humana em que durante o domínio bolchevique não foi construído um belo mito. Esta mitologia tornou-se objeto de trabalho meticuloso e de ordem corporativa dos diplomados pseudo intelectuais, os quais concentravam-se, principalmente, nos terrenos sociológicos e conhecimentos históricos. Se calcularmos a quantidade de tratados "científicos" e teses defendidas, revela-se que justamente nesta esfera criou-se a maioria dos mitos. São de amplo conhecimento os mitos cor-de-rosa sobre o internacionalismo soviético, papel messiânico de "irmão maior", a fusão voluntária das nações e criação de uma nova, "excepcional e histórica comunidade-nação soviética", isto é, "população de língua russa".

O apogeu da criminalidade mito-criadora deu-se no período da tirania de Stalin e Brezhnev. No entanto, o que se refere à época da destruição nacional e russificação da nação ukrainiana as primeiras iniciativas ocorreram na época dos monarcas russos. Os bolcheviques, neste assunto, revelaram-se dignos sucessores dos avanços czaristas. Se acreditar na propaganda oficial comunista, o movimento dos povos ao império soviético e impreciso amorfismo da "população da língua russa" ou "nação soviética" reflete a objetividade dos processos de integração que ocorreram na sociedade. Tramitavam eles, aparentemente, sem pressão das estruturas governamentais e sem influência "da administração orientadora".

Em frenética histeria chauvinista de grande Estado esqueceu-se até a destruidora característica essencial do império czarista, dada pelo próprio pai do socialismo russo, exemplo e líder do proletariado mundial. É conhecido o episódio em que, entusiasmado com a conquista do poder pelos bolcheviques, Lenin, muito acertadamente, chamou Rússia Imperial, cárcere das nações. Os historiadores pós-revolucionários que em ritmos acelerados vieram, originaram-se do resplandecer dos operários vermelhos e cresceram sob o capote militar de Stalin, esqueceram que, ainda nos tempos de Ivan, o Terrível, a agressividade e a expansão militar tornaram-se dominantes na política exterior do então jovem império. Como professavam os pastores espirituais de Ivan, o Terrível: "Rússia deve, continuamente, ampliar suas fronteiras à custa de seus vizinhos". Portanto, não é de estranhar, que no transcorrer de 525 anos, do século XV até o presente momento, o império conduziu 329 anos em guerras, quase dois terços de sua história. Ele lutou com 26 países e regiões vizinhas. Graças às suas ações militares o império russo aumentou, nesta época, seu território quase em 1.000 vezes.

Ainda em 1462, a área de Moscovia (antigo nome da Rússia - O.K.) era de, aproximadamente 24 mil quilômetros quadrados. Mas, já em 1914 o Império Russo ocupava um sexto das terras secas do nosso planeta (23,8 milhões de km²). O território da Rússia, a partir do século XV, aumentava, em média, 80 quilômetros quadrados por dia. Para este crescimento territorial despendeu-se enorme potencial econômico e sacrificou-se milhões de vidas humanas.

Hoje cada pessoa, não contaminada com chauvinismo de grande potência e despojada de ambições imperiais, compreende perfeitamente, que após a queda do despotismo czarista em fevereiro de 1917, a maior parte das terras que compunham o despótico império novamente foram anexadas pela nova pressão bolchevique, a assim chamada União Soviética, somente graças a traição de Lenin e ajuda das baionetas.

Em relação a Ukraina, o primeiro comandante do Exército Vermelho Leon Trotskyi, ainda em 1920, sem excessiva diplomacia declarou abertamente: "O governo soviético manteve-se na Ukraina até agora (e manteve-se com dificuldade), basicamente com a força de Moscou, comunistas notáveis e Exército Vermelho". A independência puderam conseguir apenas aquelas colônias (Finlândia e Polônia), para as quais faltou força militar. No entanto, o inesquecível Ilich não pôde aceitar a perda da Polônia e já em 1920 recomendava aos seus falcões vermelhos rever a revolução polonesa com baionetas. E seu fiel discípulo e companheiro Stalin, em 1939, tentou absorver Finlândia, mas não obteve sucesso.

Somente graças à resistência e aliados da coalisão anti-hitlerista na Segunda Guerra Mundial não houve anexação direta ao império, de muitos países do Leste Europeu. Mas, com intervenção do império soviético, na maioria deles predominou regime comunista fantoche. Todos eles terminaram sua existência inglória quase simultaneamente com o colapso da antiga União Imperial.

Como nos tempos do czarismo, também durante o período soviético, o germe de nosso Estado e raízes da cultura ukrainiana o governo soviético destruía frenética e sistematicamente. Para aqueles que ainda acreditam cegamente nos mitos de criação pacífica do império, nos processos "naturais" de fusão das nações, em uma aversão patológica dos ukrainianos em relação ao seu idioma e cultura, em sua autofagia e seu desejo nostálgico de "confluência ao mar russo", recordamos os marcos mais significativos no caminho da destruição da genealogia ukrainiana, demolição da cultura e espiritualidade da nação ukrainiana e sua russificação. Sem esses conhecimentos não se alcança a profundidade do abismo, ao qual Ukraina foi conduzida durante 340 anos.

1708-1709 - repressão brutal da nação ukrainiana pelo verdugo Pedro I, ao movimento de libertação nacional e a destruição total do restante da Ukraina como estado.

1720 - decreto de Pedro I sobre proibição de edições de livros ou jornais em língua ukrainiana.

17-01-1721 - extermínio maciço dos cossacos ukrainianos na guerra russa do Norte, na conquista litorânea do Mar Báltico e sua dominação, na construção do Canal Ladoha e São Petersburgo.
1729 - decreto do Sínodo sobre exclusão das cartilhas e textos de livros religiosos ukrainianos em posse da população.

1768 - conspiração criminosa de Catarina II com a nobreza polaca para em conjunto reprimir o movimento de libertação do povo ukrainiano, na região do lado direito do rio Dnipró "Pravoberezhna Ukraina" (que estava sob o domínio polonês - O.K.), e que entrou para história sob o nome de "Koliivchena"; primeira deportação em massa dos ukrainianos para Sibéria.

1768-1775 - aniquilação dos cossacos ukrainianos na guerra russo-turca.

1775 - insidiosa destruição pelos esbirros da Catarina II da Sich Zaporozhka (região da Ukraina onde viviam os cossacos, sua base militar - O.K.), fechamento de escolas ukrainianas adjuntas às chancelarias cossacas, prosseguimento na escravização da nação ukrainiana.

1771-1783 - liquidação definitiva da autonomia ukrainiana representada pela "Hetmanchena" (de Hetman - lider cossaco O.K.) do exército cossaco.

1811 - fechamento, durante o governo de Alexandre I, da Kyivo-Mohylianska Academia - centro espiritual de cultura ukrainiana.

1816 - 1821 - ocupação militar da Ukraina com a força de 500 mil soldados, sob a forma de unidades do exército nas terras ukrainianas.

1847 - destroçamento da Irmandade Kyrylo Myfodiivska (organização que pretendia uma sociedade com base em moral cristã, criar uma federação democrática de nações, com direitos iguais e independentes, destruição do czarismo, fim da escravidão, direito à língua, ensino e cultura nacional -O.K); terror político sob o czar Mykola I.

1917-1920 - invasão da Ukraina pelos exércitos de Denikin, destruição do Estado ukrainiano. Guerra fratricida provocada entre os bolcheviques e as forças de Deniken, derrocada do movimento nacionalista ukrainiano.

1921-1922 - anos de política comunista de guerra e fome na Ukraina, que ceifou a vida de centenas de milhares de pessoas, brutal sufocamento de aldeões insurgentes e derramamento de sangue no combate aos operários grevistas.

1928-1932 - coletivização da agricultura na Ukraina que conduziu ao destroçamento das aldeias, aniquilação das camadas melhor posicionadas e deportação de milhões de aldeões para além das fronteiras ukrainianas.

1929-1930 - início do grande terror político na Ukraina, destruição da Igreja Autocefálica Ukrainiana.

1932-1933 - fome artificial na Ukraina [Holodomor], provocada pelo governo bolchevique com a finalidade de destruir os insubmissos aldeões. Pela avaliação dos especialistas internacionais, na Ukraina morreram de fome mais de 10 milhões de pessoas.

1933 - telegrama de Stalin mandando parar a ukrainização, liquidação da assim chamada tendência nacionalista.

1933-1938 - genocídio em massa contra nação ukrainiana, com destruição total do ensino e cultura.

1938 - resolução de Stalin sobre a obrigatoriedade do aprendizado da língua russa.

1939 - guerra contra Finlândia com a meta de conquista. Prejuízos econômicos e consideráveis perdas humanas ukrainianas.

1939-1940 - anexação da Ukraina Ocidental (anterior domínio polonês, austro-húngaro e novamente polonês - O.K.). Repressão em grande escala contra população, deportações para longínquo Oriente e Sibéria de quase 500 mil ukrainianos ocidentais.

1941-1945 - segunda guerra mundial, iniciada pelos regimes nazistas e bolcheviques, que conduziu à completa ruína da economia ukrainiana e morte de cada sexto habitante da Ukraina (aproximadamente seis milhões de pessoas).

1944-1945 - elaboração do plano de Stalin-Beria sobre deportações de ukrainianos, ordem nº 78/42 da NKVD e "Narcomat" (Comissariado Popular da Defesa da URSS) de 22.06.1944: "Evacuar para outros países da URSS todos os ukrainianos".

1946-1947 - fome na Ukraina, na qual morreram dezenas de milhares de pessoas.

1947 - em grande escala, a ação comum soviético-polonesa Visla, que destruiu centenas de milhares de ukrainianos que viviam na Polônia.

1944-1949 - destruição do exército insurgente ukrainiano (que agia na clandestinidade - O.K.) e deportação em massa da população da Ukraina Ocidental para o norte siberiano.

1954-1959 - assimilação de 10 milhões de hectares de terras virgens no Cazaquistão e Sibéria, fato que retirou da Ukraina recursos materiais e humanos (da Ukraina saíram perto de três milhões de jovens trabalhadores).

1064-1983 - reações do partido comunista e luta com o novo renascimento ukrainiano.

1978 - deliberação do Comitê Central do PCUS para fortalecimento do estudo e ensino da língua e literatura russa (circular Brezhnew).

1983 - resolução do Comitê Central do PCUS para fortalecimento do estudo da língua russa nas escolas (decreto de Andropov).

1986 - Catástrofe de Chernobyl, a qual é consequência do partido comunista totalitário e irresponsabilidade perante a nação. Em consequência foram excluídos 5 milhões de hectares de terras agricultáveis, sofreram consequências três milhões de pessoas, a população tem seus genes ofendidos para séculos. O antigo império deixou Ukraina sozinha com a tragédia de Chornobyl.

1989 - resolução do plenário do Comitê Central do PCUS sobre único idioma oficial, o russo, em URSS (circular de Horbachov).

Quanto à Criméia, esta triste lista de ações antiukrainianas podem prolongar a Constituição e Leis aprovadas em 1992 sobre o ensino na República, as quais, nesta região, realmente colocam o idioma ukrainiano fora da lei. Portanto, a fuga da situação em que hoje se encontram a economia e a vida espiritual na Ukraina necessita procurar, não em breve independência, mas na permanência do suficientemente longo jugo colonial.

O seu alcance e nascimento é também a nossa baixa consciência nacional, a ausência de orgulho nacional, traições, negação de tradições nacionais, perda de orientação moral, muito comuns, especialmente nas regiões sudeste e central.

A situação demográfica em qualquer país - um dos mais sólidos indicadores de sua prosperidade. Ela reflete não só a estabilidade econômica e política da sociedade, é também indicador da saúde da nação. Uma nação privada do crescimento natural de sua população, não tem futuro, e é condenada à extinção.

A análise da situação demográfica da Ukraina, em sua longa permanência na composição do império russo argumenta convincentemente, que são os ukrainianos, o povo mais próximo de uma catástrofe étnica. Infelizmente a tragédia de Chornobyl em 1986 agrava esse problema ainda por centenas de anos. Todavia, a mortalidade na Ukraina já supera os nascimentos. É o primeiro sinal que a nação começa extinguir-se. Ukrainianos - uma das mais populosas nações européias, que nos últimos anos está sobre o precipício.

Pelos dados estatísticos, na Ukraina, desde o final do século XIX até o final do século XX registraram-se as mais baixas taxas de crescimento natural da população. Assim, enquanto em 1913 a população da Ukraina (sem as províncias ocidentais e Bukovyna), que era de 35,2 milhões de pessoas, em 1939, depois da adesão à União Soviética destas regiões, contavam-se 40,5 milhões, ou seja, em 25 anos a população aumentou apenas cinco milhões de pessoas. E, nos próximos 20 anos (1939-1959) o aumento da população constituía somente 1,4 milhões de pessoas (população em 1959 - 41,7 milhões.

Primeiramente na Ukraina começou a extinção da aldeia. Como informa o membro-correspondente da Academia de Ciências da Ukraina Liubomyr Perih, "O processo da perda dos índices da nação teve início nas aldeias em 1979 e, um pouco mais tarde nas cidades - em 1990. Ainda em 1920 o crescimento normal da população ukrainiana constituía mais de 300 mil pessoas. Ao cabo de dez anos este número diminuiu para 174 mil. Sendo que durante este período o acréscimo verificava-se somente na população citadina.

 Continua...

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Fonte: Pesquisa Internet

quarta-feira, 21 de março de 2012

DA EURÁSIA PARA AZIOPA

Da Eurásia para Aziopa: três estágios de degradação


Tyzhden (Semana), 19.01.2012
Oksana Pakhlovska



"Nós, pela amplidão dos vales e florestas / diante da própria Europa / Daremos passagem. Nos voltaremos para vocês/ com nossa cara asiática, / - advertia o grande poeta Aleksandr Blok em seu poema "Os citas", escrito em 1918.

"A cara asiática" tão próximo chegou a Europa que esta já respira com dificuldade. Os perfis ímpares de políticos ukrainianos, pelos quais choraria Lombroso afluem a Bruxelas. Mas não vamos ofender a Ásia. Porque esta é uma civilização historicamente estabelecida - em oposição a Europa, mas civilização. Enquanto a Eurásia - quimera geopolítica. Sonho de dominação mundial de políticos-bonsai do Kremlin e seus amigos baobás de Kyiv.
 

Putin disse "em pé", e os irmãos de infortúnio, ortodoxos da Bielorrússia e "Pequena Russia" (os russos gostam de denominar assim a Ukraina) prontamente vão proteger o território dos países correspondentes para Eurásia. Mas, trata-se de duas concepções, diferentes no tempo e modalidades. Eurásia dos anos XX do século XX - uma teoria intelectual, portadores da qual eram os cientistas-emigrantes russos, que tentavam reorganizar o espaço imperial russo para o "apocalipse", como escreveu Rosanov em 1917. E há o neoeurasionismo em 1990 - absurdo geopolítico nascido no círculo de nazistas de Moscou. No entanto, entre essas duas teorias há pontos em comum: trata-se das correntes e oposição conceitual ao mundo democrático.

O fantasma do projeto da eurásia atualiza-se cada vez que a Rússia enfrenta o colapso de seu Estado, e no mesmo século XX já aconteceu duas vezes. Pergunta-se: o novo projeto Eurasiano sinaliza seu próximo colapso?

Eurasismo histórico: Rússia de Elba a China"

O eurasismo, que surgiu em resposta à Revolução de Outubro, precedeu a visão euro-asiática da Rússia que se formou na segunda metade do século XIX. "Alargamento paulatino da Rússia" como resultado da conquista colonial levou a uma contínua expansão territorial do espaço. Mas este espaço compunha-se, cada vez mais de incomunicáveis entre si, realidades étnicas, religiosas e culturais. "Bulimia política", denomina este fenômeno Norman Davies: engolir engoliu, mas digerir não consegue. O corpo do império tornava-se cada vez mais amorfo, até que 75% dele localizaram-se na Ásia. A fórmula da "autocracia, ortodoxia, nacionalismo" já não pôde cimentar esta massa incompetente de terras e povos.

O primeiro eurasionista foi Dostoievsky, que acreditava, que "russo não é somente europeu, mas também asiático... No futuro o nosso destino pode ser a Ásia, a nossa principal solução"! Sistematicamente começou a desenvolver esse espectro Fyodor Tyutchev, que imaginou a Rússia como um império pancontinental "Desde o Nilo até o rio Neva, do Elba até China". Este "Império legítimo do Oriente" que conquistaria toda Europa", deveria tornar-se "Rússia sob a forma definitiva". O ideólogo do pan-eslavismo Nikolai Daniliévskyi em seu livro "A Rússia e a Europa (1869) conceitualizou o antagonismo civilizacional desses dois "Tipos histórico culturais", compreendendo sob Rússia, contrastada pela Europa, uma federação de povos eslavos com o centro em Constantinopla. E Konstantin Leontiev em Vyzantynysm e Slavyanstvo (Bisanteismo e Eslavismo), 1875, foi mais além: considerando (não sem base!) os eslavos demais europeizados, expressou a idéia da necessidade de unir a Rússia com países asiáticos, nos quais permaneceu a autoridade centralizada, hierarquia rígida, fidelidade às tradições religiosas. Desta forma ela se tornaria o centro da conservadora "raça turco-eslava", opondo-se ao espírito progressista e modernista da civilização européia.

Em 1917-1918 desmoronaram três impérios: Romanov, Habsburgo e Otomano. A Rússia não soviética procurava novas coordenadas geográficas do perdido protagonismo imperial. Em 1920, os adeptos da idéia do eurasionismo tornaram-se destacados cientistas: o filósofo e linguista Nicolay Trubetskoy, geógrafo e economista Piotr Savitsky, filósofo e teólogo George Florovsky, historiador da arte Piotr Suvchinskiy, historiador George Vernadsky, filósofo Leo Karvasin, linguista Roman Jakobson e outros. O projeto da hegemonia russa foi visto como uma Eurásia gigante centrada em Moscou, que incluiria como "periferia" a Europa, a China, a Índia, o mundo islâmico, em oposição ao "triângulo euro-atlântico": EUA, Canadá e Grã-Bretanha. Mas, já então, soaram vozes críticas: historiador Pavel Milyukov e, posteriormente, Joseph Brodsky denominarão a sonhada Eurásia, de Aziopa.

"O último eurasiano" denominava assim a si mesmo Lev Gumilev, filho de Akhmatova, sucessivo crítico do eurocentrismo, autor da passional teoria da etnogênese, o qual considerava, que a salvação da Rússia seria apenas como potência euro-asiática.

Neoeurasismo como paria-fascismo: "e perecem todas as nações na Rússia..."

O colapso da União Soviética provocou o renascimento desta teoria, mas de outra forma. O neoeurasionismo - é reflexo de uma profunda crise de identidade russa no contexto da globalização, de tendências centrífugas dos antigos satélites, estendendo o mundo democrático em direção a Europa Oriental. O principal ideólogo do neoeurasionismo - Aleksandr Duguin, autor de inúmeros livros sobre a hegemonia mundial da Rússia eurasiana, escritos no estilo de pseudofilosófico xamantismo. Iniciou suas atividades no círculo do poeta esotérico Yevhen Golovina, que fundou a organização "Ordem Negra da SS". Depois, houve a xenófoba "frente nacional patriótica" "Memória" e criação com Eduard Limonov do Partido Nacional Bolchevique (posteriormente Duguin e Limonov se separaram).

Principal foco do neoeurasismo - antiatlantismo. O mundo Atlântico, segundo Duguin é condenado à derrota desde a raça nórdica. Os neoeurasianos russos estão associados com uma densa rede de movimentos de extrema direita na Europa (particularmente na Itália são apoiados pelos neofascistas e "professor-mudjakhid Claudio Mutti (durante a revolução espanhola, 1905-1911, membros mudjakhides eram denominados membros da organização revolucionária ilegal da esquerda que lutou pela independência). Recentemente Duguin fundou na Universidade de Moscou um centro de Estudos Conservadores, onde juntou "professores" extremistas, aparentemente incompatíveis entre si, porém unidos pelo ódio a democracia: o francês "nova-direita" Alain de Benoist, o comunista italiano Juliet K'yeza, o Mufti Supremo da Rússia Talgat Tadzhuddin, o "hipersionista" Avigdor Eskin, conhecido pelas provocações a muçulmanos, queima de bandeira ukrainiana, etc. As manifestações dos neoeurasianos acontecem sob as bandeiras com imagem de Genghis Khan. Outro inspirador - Ivan Hroznyi (Ivan o Terrível). E favorita é a simbologia "oprychnyna" (sistema de medidas extraordinárias de Ivan, o Terrível, 1547-1584). Entre as fontes, em particular, o filósofo italiano Julius Evola, próximo ao fascismo.

Duguin crê que o Ocidente (império atlântico) implementa a missão de Satanás, portanto, a Rússia como "império continental" realizando a "missão de Deus", deve derrubar o "novo Cartago". O confronto entre a Rússia e América - é luta da "Vaca Vermelha" contra o "Bezerro de Ouro". Qualquer crítica à Federação Russa vira castigo de Deus, como aconteceu com a elite polonesa em Smolensk. Os oponentes ao curso de Putin - "são mentalmente doentes, eles precisam ser enviados para tratamento. Putin - guia, Putin - tudo, Putin - absoluto, Putin - insubstituível". "Mercado, democracia e direitos humanos - fora com eles!" Russos - fora do tribunal de Deus e da História, porquanto "até nossos delitos estão incomparavelmente acima da nossas virtudes". Rússia - síntese de três projetos imperiais no resplendor da "suástica do sol": Terceira Roma - Terceiro Reich - Terceira Internacional" - construirá não qualquer, mas o fascismo verdadeiro, genuíno,... fascismo fascista... ilimitado, como nossas terras, e vermelho como nosso sangue.

Portanto, não surpreende, que cada homem digno na terra - russo. Ao russismo pertencem não somente pessoas, mas especialmente elementos escolhidos, alguns deles animais, espíritos, plantas, pedras preciosas, água. Russismo não começa com leis da física, biologia ou psicologia. Todos dispositivos quando dimensionam o homem russo quebram-se... O idioma russo é um idioma transcendental, ele não se traduz em outros idiomas... Russo incorpora em si o Dia do Juizo..." E, em geral "será que o homem russo - não é o Universo?...Já que o Universo também é russo, para nós, e não apenas para nós, é necessário precisamente ser russo... Todos os russos pertencem a Deus - é necessário inserir aí todos,... e perdem-se todas as nações no russismo - e não há ninguém, somente o russismo, e somente o sol dança sobre eles, sol nosso, russo...” Em suma, "O patriotismo russo: selvagem felicidade, com a qual fomos agraciados". Verdadeira felicidade.

À estruturas neoeurasianas pertencem muitos representantes do governo russo. Essas estruturas financiam-se pelas grandes corporações. Seria interessante, talvez, acrescentar que Vitrenko e Korchenskyi, em 2004, tornaram-se membros do Supremo Conselho Internacional "Movimento Eurasiano" (MED), cujos representantes demoliram os símbolos nacionais ukrainianos na Hoverla (o pico mais alto da Ukraina, 2061m, nos Cárpatos - OK), em 2007.

O fenômeno de glamour do neoeurasianismo na Ukraina é o poeta Oleg Hutsuliak de Ivano-Frankivsk, inventor da teoria Mesogaia e líder dos "Oficiais Dharma, Jaamat Viking, Protetores Graal". Comentários obviamente desnecessários.

Eurasianismo de Putin "Eterno trem no brejo pantanoso".

"Ukraina sem império - um nada!" - disse Duguin - assim também Putin, tem o mesmo parecer. Em suma "nós temos escolha: nós podemos construir a nação ukrainiana, e podemos não construí-la". "Para a mãe-Europa Ukraina é um lugarejo mal cheiroso, habitado por degenerados, mal alimentados, ladrões, tolos, que absolutamente não são necessários para essa mesma Europa". Outra questão para Rússia: Ukraina - "este é o lugar, onde Kyi, Schek e Khoryv iniciaram a nossa grande nação russa... e Kyiv para nós - é o pai da Moskovia, do tzarstvo (reino) de Moscou". (A Rússia rouba tudo: roubou os fundadores de Kyiv, roubou Kyiv como a cidade onde foi fundada a grande nação russa; roubou até o primeiro nome da nação que foi fundada em Kyiv, e que se chamava "Russ" e que, depois que os moscovitas se apossaram do nome "Russ", modificando-o para Rússia, não restou outra alternativa aos legítimos "russynos" que adotar o nome Ukraina - OK).

Ao Yanukovych, nesta história é conferido um papel especial: "reincidente com duas "canas", na verdade é um "milagre escatológico": Ele vai salvar a Federação Russa, liderando a insurreição da Eurasia contra o mundo Atlântico.

A teoria eurasiana novamente mostra a visão irrealista da própria Rússia por ela mesma. Ela está rachada entre o projeto eurasiano e o projeto "Mundo Russo", os quais se excluem mutuamente. Este é o resultado superficial, incompleto de sua identidade e imutabilidade de "arquétipo das autoridades russas", que, de acordo com o que considera o historiador russo Yurii Afanasyev é um produto histórico das tradições bizantinas e hordas mongóis, enraizadas no nível genético.

Então, Putin já através de terceiro círculo deseja construir aquilo, que já está espalhado. Naturalmente, é embaraçoso admitir, que ele encontrou a Eurasia na barba espessa do "ariosofista" Duguin. E na visão da pancontinental Eurasia de Tyutchev permaneceu, essencialmente, arrogância: restos da Bielorrússia e Cazaquistão, onde as tropas reprimem protestos dos petroleiros. E na própria Federação Russa - a caça aos caucasianos, tadjiques, churkos (denominação desdenhosa aos povos não representantes de Moscou): islamitas, tártaros, usbeques, basquires, turcomenistães tadjiquistães, e outros, independentemente de religião praticada. Povos que deveriam compor o cerne da Eurasia. Ukraina nesta situação - salvação demográfica e cultural da Rússia, única oportunidade de deslocar-se da Ásia para tal-qual, mas Europa.

Putin tirou do eurasionismo qualquer conteúdo intelectual. Nenhuma ideologia. Nenhum valor. Rígido e pragmático interesse, cálculo cínico: dessangrar países vizinhos, para desta forma prolongar a existência da Rússia como apêndice de matéria-prima da Europa e China. Em suma, terceira Eurasia - de Putin - é continuação, afirma Afanasyev, "sempre aquele circular russo, quando a cada passo aprofunda-se o trem no eterno brejo pantanoso". Este, em essência, é um breve fechamento de sua história: ao invés da síntese dos continentes, Rússia - Eurasia não se tornou nem Europa, nem Asia, mantendo em si talvez as piores características de ambas as civilizações.

Mas este breve fechamento é perigoso: a Rússia de hoje, cuja sociedade é reduzida a "sobrevivência arcaica", adverte Afanasyev, - para o mundo todo "é o mesmo perigo, que um avião com uma bomba atômica a bordo, que sofre uma catástrofe”.

E finalmente. Categorias antieuropéiass de teoria eurasiana... emprestadas justamente em geopolíticos ocidentais. Trata-se primeiramente do geógrafo britânico Mackinder Halfordd, que em seu artigo "O eixo geográfico da História" (1904) argumentou, que a História - uma luta dialética da Terra e Mar, Mongol e Viking, e Eurásia, nesse sentido - espaço continental no centro do mundo, em oposição ao espaço oceânico da civilização anglo-saxônica. E o fundador da geopolítica alemã Karl Haushofer desenvolveu a teoria do "bloco continental" de países europeus como contrapeso ao mundo anglo-saxão. E também colocou na base de seus estudos a concepção malthusiana de "espaço vital" que a hierarquia nazista transformou em "espaço de vida no leste", Lebernsraum im Osten um ponto-chave de propaganda ariana. Ao assunto, Genghis Khan foi um dos heróis da ideologia nazista.

Como, começando o artigo citei um poeta russo, acabarei citando um poeta ukrainiano. Shevchenko foi também um profeta. Pelo menos nestas linhas: "Alemão dirá: "Vocês - Moguls!" / "Moguls, Moguls!" / Do dourado Tamerlão / Netinhos despidos!" /

 Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik
Fonte da imagem:  http://tyzhden.ua/World/39886

domingo, 18 de março de 2012

YANUKOVYCH E OS ESQUEMAS INTERNACIONAIS

Leitores:

O presidente mafioso e pernóstico da Ucrânia adota como estilo de vida a seguinte máxima popular: "Quando a farinha é pouca, meu pirão primeiro". O sujeito, além de megalômano, não tem senso das proporções e quer se comparar às grandes potências econômicas mundiais governando um país constituído por um povo paupérrimo que vive na miséria ou, no mínimo, na penúria para os mais otimistas. Estúpido ele não é, mas perdulário, ególatra e hedonista com certeza. Com essa reportagem, fica evidente, também, que o mafioso é o chefe de uma enorme quadrilha e está envolvido em esquemas internacionais para dilapidação do erário da nação e enriquecimento ilícito.

E o povo? Ah! o povo é um mero detalhe. Que trabalhe para sustentar o(s) parasita(s)!

O Cossaco.



Lustre de ouro do áureo Yanukovych
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 27.02.2012
Serhii Lyshchenko

Yanukovych construiu um escritório em Mezhyhiria, para ficar como em Downing Street e a Casa Branca. A construção é dentro do Mezhyhirira, onde Yanukovych está construíndo um complexo residencial fantástico, já descrito neste blog.

A construção está dentro do Mezhyhiria. Segundo declarou Vadym Kolesnichenko do Partido das Regiões, no canal ICTV: "Como nós nos esforçamos para reunir-mo-nos à Europa, então tomamos o exemplo da Europa". O deputado esclareceu: "Downing Street: o presidente do Gabinete Ministerial vive lá onde trabalha. Casa Branca: o presidente trabalha lá, onde vive. Já que nós queremos nos tornar europeus, devemos fazer de modo conveniente e à moda européia", falou o deputado justificando o presidente. (Esse deputado deveria retornar à escola e estudar geografia para aprender em que continente se situa a Casa Branca. Fazer analogia da Casa Branca com Europeu... é de matar. O Cossaco).

A diferença é que os dirigentes ocidentais citados habitam residências do Estado e pelas instalações e uso não pagam para empresas particulares. Yanukovych segue o exemplo de Volodymyr Putin que frequentemente recebe visitas e subordinados em residência fora da cidade.

Mas, a um país onde o povo sobrevive com grandes dificuldades econômicas, por que não seguir países como, por exemplo a Suécia, onde os parlamentares vão ao trabalho de bicicleta, ou a Alemanha onde os deputados vivem em pequenos apartamentos e precisam preparar a própria comida porque o Estado não paga empregados domésticos.

A decisão do escritório junto à residência de Yanukovych foi explicada, oficialmente, como necessidade de trabalhar em qualquer dia ou horário. Também para não causar dificuldades nas ruas de Kyiv, interrompendo o tráfego quando passa o comboio, especialmente na hora do "rush".

A construção terá 128,8m²: gabinete, recepção e sala de trabalho auxiliar, sala para reuniões.

[O inusitado é a compra de um abajur de mesa por] 10.000 dólares - muito ou pouco? Com certeza é muito para a grande maioria desse país que, por muitos anos pagará um crédito semelhante para comprar um carro. Mas, se uma residência custa 100 milhões de dólares, então 10 mil por um abajur são centavos. Mas, é claro, mesmo ganhando razoavelmente bem, você não vai pagar 10 mil dólares por um abajur. A não ser que você tenha rendimentos não declarados - ou que você pague com dinheiro do orçamento [erário].

Dez mil dólares por um abajur de mesa - é verdadeira quinta-essência da imagem do Mezhyhiria - símbolo de corrupção obsena, que se cobre de glória sobre o miserável país.








Nas fotos que a assessoria de imprensa enviou podemos ver douraduras, couro-verde, painéis de madeira. Através de um pedido no "Facebook", com ajuda de um usuário, descobrimos que a lâmpada foi vendida anos atrás por 300 mil rublos (moeda russa), ou um pouco mais de 10 mil dólares. A loja trabalha com produtos únicos, por encomenda. Interessantee, que após o nosso telefonema a foto da lâmpada "sumiu" da web-página. Nós temos a gravação da conversa.

O gabinete presidencial

O abajur

Vista geral do gabinete presidencial

O gabinete e o abajur de 10 mil dólares


"Agora o preço de uma lâmpada igual seriam 500 mil rublos, porque eu estou lhe dando preços antigos. Prepará-la são mais de dois meses de trabalho que é muito complexo. A parte superior é de pedra inteira e as placas no abajur também são de pedra", disseram no magazine. ( www.vippresent.ru ).


Bem entendido que uma lâmpada dessas não pode enfeitar um interior barato. E, realmente, os objetos representados nas fotos no gabinete do presidente, custam dezenas de milhares de dólares. O lustre, de fabricação espanhola "Mariner" também custa 10 mil dólares. De conformidade com o visto, não parece assim tão irreal a torneira de ouro no banheiro do Mezhyhiria.

Por hábito, a manutenção deste luxo V. Yanukovych colocou no orçamento do Estado da Ukraina. Mas a história da lâmpada é apenas uma pequena nuance num fundo muito maior revelado pelo próprio presidente. Ele próprio destruiu o mito cuidadosamente construído durante anos. E fez isso inconscientemente, embora em sua lenda fictícia poucos acreditavam. (Ou será que já se sente tão poderoso que não vê necessidade de ocultar nada? - OK)

Quanto a privatização da residência do Mezhyhiria escolheu a tática "eu não sou eu e a casa não é minha". Para todas as pretensões de desonenstidade governamental quanto à privatização do Mezhyhiria ele afirmava que possuía apenas uma área de 1,76ha com uma pequena casa. E todo o resto não é dele.

Após a divulgação das fotos podemos estimar apenas o gabinete de Yanukovych. Mas, o gabinete é completamente diferente do que ele mostrou aos repórteres a meio ano atrás, quando os convidou para sua casa. Na verdade, nesta casa ele já não mora a um bom tempo.

Para locação do edifício dos escritórios o Departamento de Assuntos Públicos assinou contrato, conforme exigido por lei, até o ano de 2020 (Yanukovych está contando, no mínimo, com segundo mandato. - OK), com possibilidade de prorrogação anual.

O que revolta nesta história?

Primeiro. Yanukovych, ao qual o país já proveu o loclal de trabalho na administração presidencial, e para o funcionamento do qual são necessários mais de um bilhão de UAH (125 milhões de USD), agora desejou criar um outro escritório - no Mezhyhiria.

Segundo. Para suposto "aluguel" deste escritório pagar-se-á do Tesouro do Estado, que cronicamente tem falta de dinheiro para os inválidos, mutilados do Afeganistão e liquidatários de Chernobyl.

Terceiro. Isto se faz supostamente com a meta, para que a passagem do presidente até a administração não crie congestionamento nas ruas. Na verdade, conseguir que o trânsito nas ruas não seja interrompido, só será possível se Yanukovych, completamente, deixar de ir, de Mezhyhiria à rua Bankova.

O fato de que os líderes europeus - por exemplo à passagem da chanceler da Alemanha - o trânsito não é interrompido. Yanukovych, provavelmente, não ouviu dizer. Como também não sabe, que ela não aluga um escritório para si, próximo de sua casa - à chanceler são suficientes os escritórios do Departamento Federal.

Começando, "para não criar incômodo", Yanukovych, através do Departamento de Assuntos Públicos tomou em aluguel um helicóptero de sua empresa. O preço do acordo de sua manutenção por ano, o qual ele pendurou no orçamento do país, é de 7 milhões de UAH (875 mil USD). ´Depois, pelo dinheiro do orçamento iniciaram as construções de helipontos em áreas do percuso presidencial. Depois, "para não criar incômoodo", pegaram de sua empresa, em aluguel, também um avião. Agora, sua empresa, aluga uma parte do Mezhyhiria.

Em seguida o Departamento de Administração deve tomar de Yanukovych, para alugar para Yanukovych, um conjunto de tacos e avestruzes - para garantir o entretenimento presidencial.

Quarto. Criando uma filial da administração presidencial no Mezhyhiria em Nova Petrivtsi, Yanukovych aumenta os gastos do orçamento não somente com o aluguel, mas também com cada viagem de seus subordinados porque cada chamada a Mezhyhiria significa custos adicionais de combustível e amortização do transporte rodoviário.

Certamente, nesta história com novo gabinete presidencial lê-se o desejo da administração presidencial manter o seu dirigente num ambiente de aconchegante entretenimento do Mezhyhiria, ao qual, como admitiu recentemente Yanukovych lhe faltava tempo. Deste modo, o número de pessoas com as quais contacta, tornar-se-á ainda menor, e o isolamento da vida - maior.

Quinto. Não está claro em que base da Administração do Estado assinaram o acordo para arrendar as instalações até 2020, quando seu mandato termina em 2015, quando sua classificação atual, numa eleição honesta, não deixa chances de reeleição. (Yanukovych já se declarou desejoso de segundo mandato, inclusive, já circulou a notícia em alguns jornais que, posteriormente, lançaria seu filho à presidência. Só as construções que realiza no Mezhyhiria testemunham que Yanukovych não veio para poucos anos. - OK).

Sexto. Ainda mais incompreensível, porque o arrendamento do prédio prevê o prolongamento após 2020, quando a Constituição da Ukraina proibe o cargo presidencial mais de duas vezes.

Sétimo. Infelizmente, a administração presidencial não divulgou de quem mesmo foram "alugadas" as instalações para Yanukovych. Mas nós partilhamos o que descobrimos durante uma investigação de pequeno porte.

O gabinete presidencial situa-se no segundo andar e chama-se "Edifício Administrativo". Fica à direita da entrada central ao Mezhyhiria. Foi construído em 2010-2011 e pertence à empresa "Tantalit", participação na qual Yanukovych nega. Exatamente a esta empresa "Tantalit" que domina tudo no Mezhyhiria, exceto aquela pequena casa que Yanukovych mostrou aos jornalistas tentando convencê-los que era sua.

Lembramos que o verdadeiro dono da "Tantalit" perde-se nos cofres do offshore . O diretor desta companhia é Paulo Lytovchenko, com 0,035 de ações - cardeal cinza da família Yanukovych. É a empresa "Tantalit" que governa os demais objetos no Mezhyhiria - o lendário edifício de 5 andares "Honka", clube de golfe, iate clube, arena equestre, instalação subterrânea de tiro, centro de spa, clube de boliche, aberta e fechada quadra de tênis. Isto é "Tantalit", em Mezhyhiria é dono de tudo, exceto aquela pequena casa.

Lytovchenko - deputado do Conselho de Kyiv pelo Partido das Regiões, tem procuração do filho mais novo de Yanukovych e assina documentos oficiais. Nos últimos anos trabalhou como jurista para as empresas do filho mais velho.

O outro fundador de "Tantalit" com 99%, é uma empresa austríaca, que por sua vez criou uma empresa de corretagem (cujo diretor está sob investigação em Viena) e da empresa britânica, cujas extremidades estão escondidas em Liechtenstein.



Em investigações anteriores o jornal "Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana) escrevia com detalhes que a empresa "Tantalit", através de uma série de suplantadas pessoas e estruturas pertence a Yanukovych.
Então seu gabinete em Mezhyhiria Yanukovych alugou de sua própria empresa e a honra de pagar por esta satisfação colocou no orçamento vazio da Ukraina.
Essa história da locação do Mezhyhiria, além do exemplo financeiro é também de permissividade moral. Ela reflete o desejo de Yanukovych ao conforto, porque o gabinete permite não sair para o trabalho e avisar o serviço de imprensa que está trabalhando em casa.
Sabemos que desde os tempos imemoriais no território do Mezhyhiria localizava-se o Mosteiro da Transfiguração, destruído por autoridades soviéticas. Este santuário localizava-se no interior, de acordo com o site oficial do Conselho da Vila Novopetrivtsi.
E, eis que recentemente Yanukovych teve a idéia de reconstruir o Mosteiro. Mas surgiu um problema - a terra do Mosteiro está sob o controle de "Tantalit". Milagres não acontecem: o proprietário (leia-se: Yanukovych) não pôde ou não quis - separar ao Mosteiro dois hectares dos 140ha de seu território total. E resolveram reviver o Mosteiro a... 6km do lugar aonde ele esteve realmente.
Circo? Não, é sério.
A partir de agora será mais difícil refutar a conclusão óbvia que Yanukovych é o verdadeiro proprietário do Mezhyhiria, escondido atrás da empresa "Tantalit".
Em compensação ele não precisa mais esconder que considera seus eleitores idiotas.
Nós adivinhávamos isso - agora simplesmente sabemos.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik