terça-feira, 15 de maio de 2012

A TERCEIRA FOME ARTIFICIAL NA UCRÂNIA: 1946

Fome de 1946 - terceira fome artificial na Ukraina
Tyzhden (Semana), 26.11.2011
Serhii Hrabovskyi

O primeiro Holodomor (morte pela fome) aconteceu na Ukraina de 1921 até meados de 1923. Motivos: "comunismo de guerra"; Primeira Guerra Mundial e Guerra Civil; destruição da base material da agricultura devido à seca extremamente severa que causou a perda de colheitas em 1921 e 1922. A fome abarcou 21 comarcas da Ukraina. No entanto, Ukraina continuou o envio de comboios de alimentos para Rússia. O mundo inteiro tinha conhecimento da ocorrência da fome na região do Volga, enquanto sobre a fome na Ukraina silenciava-se. Somente, a partir de meados de 1922 a população faminta da Ukraina começou receber auxílio da Administração Americana de Ajuda. O governo (russo) introduziu o sistema de "rações da fome". (Tributação especial de empresas e organizações), começou a remoção e venda no exterior de propriedades de museus e igrejas. A fome foi debelada somente em meados de 1923 - muito depois que nas regiões famintas da Rússia. Durante o período da fome morreram cerca de um milhão de pessoas.
Sobre o Holodomor, segunda terrível fome na Ukraina em 1932-1933, leia neste blog:
http://noticiasdaucrania.blogspot.com.br/2011/06/integracao-do-holodomor-com-memoria.html

A fome de 1946 colocou milhões de ukrainianos no altar da "guerra-fria".
No século XX Ukraina atravessou três períodos de fome em massa. E todas as três vezes, a fome foi consequência da política estratégica do partido e táticas de Kremlin.

Não só no pós-soviético, mas também no mundo ocidental, até hoje sobrevive o mito de que o discurso de Winston Churchil, em 05.03.1946, em Westminster College, na cidade de Fulton, Missouri, provocou o início da Guerra Fria. Bem, a máquina de propaganda bolchevique tem todo o direito de estar orgulhosa de si no outro mundo, porque tantos anos se passaram e o transformado em "pura verdade", o contra-senso vive e não pensa em morrer.

Porque, basta pensar quem era Churchil naquela época - político afastado, líder de partido derrotado nas eleições do ano anterior, idoso, gorducho, sem nenhuma chance de retornar à direção da Grã-Bretanha - para entender o absurdo desta mitologia.


Churchil nada podia "declarar", não tinha autoridade para dispor sobre o destino do planeta, ele só podia expressar pensamentos privados. E ele disse - em resposta ao discurso de Stalin aos "eleitores" (isto é, à nomenclatura) de seu distrito eleitoral em Moscou, em 9 de fevereiro de 1946. E foi exatamente este discurso que realmente marcou o início da "Guerra Fria".

"O fato é que a ordem social soviética é mais viável e estável, que a ordem social não soviética, que a comunidade soviética é a melhor forma de organização comunitária, que qualquer comunidade não soviética" - assim declarou Stalin. Então, quem não quer aprender com a experiência de organização social é inimigo do progresso. O que fazem os inimigos do progresso? Mas a mesma coisa que os inimigos do povo, apenas em escala maior". Prosseguindo, Stalin descreveu com detalhes quais as áreas da economia soviética que deveriam ser atendidas em primeiro lugar, como as que proviam o exército, isto é, a indústria pesada para competir com o mundo todo. Tratava-se de "aço" para garantir as agressões bolcheviques. Por sua vez, o discurso de Churchil centrava-se na paz. Churchil tinha por foco o estabelecimento da democracia global, todos os meios necessários para resistir à agressão e ofensiva ditatorial.

Em outras palavras, a iniciativa da "Guerra Fria" estava do lado de Stalin, especialmente no Ocidente ele tinha o suficiente de simpatizantes, comunistas e socialistas da esquerda entravam para os governos de vários países europeus, e onde havia exército soviético constituiam-se regimes inteiramente dependentes de Moscou. Mas, somente com palavras e tanques afirmar a idéia bolchevique era impossível. Então, um dos principais meios para alcançar o sucesso, nesta questão, era para ser (e foi) a ajuda soviética em grande escala, com gêneros alimentícios, para Europa do pós-guerra. Por exemplo, em fevereiro de 1946 em Moscou assinaram o acordo polaco-soviético de fornecimento à Polônia de 200 mil toneladas de grãos para a semeadura da primavera. Em abril de 1946 assinaram acordo para fornecimento a França (França, naquele tempo, era efetivamente controlada por socialistas e comunistas) 500 mil toneladas de grãos. Na verdade, a palavra "Ajuda" deve ser colocada entre aspas, porque tratava-se de uma brutal política tecnológica, como diriam hoje. Porque, a fim de conquistar o coração dos franceses e levá-los a votar nas eleições para os comunistas, o "generoso" Stalin estava pronto levar à morte pela fome milhões de camponeses sujeitos a ele, tirando-lhes o último pedaço de pão. E assim aconteceu.


Ukraina crucificada
No primeiro ano da "guerra fria" aconteceu uma desagradável surpresa para Stalin. Naquele ano de 1946 a natureza da União Soviética colocou-se do lado dos imperialistas - seca, quebra de safra. Mas modificar os seus planos estratégicos Kremlin não pretendia. Porque os bolcheviques não se acostumaram retroceder diante das dificuldades e moral para eles sempre foi apenas o que servia para vitória do comunismo.

A principal cabeça-de-ponte de ofensiva da Europa, pelos planos de Stalin, devia ser Ukraina. Isso é compreensível - terra fertil, e milhões de campesinos, cujo amor e dedicação à terra não esgotaram os "kolkhozys", e localização geográfica - pode-se exportar o trigo tanto por vias férreas, quanto pelos portos. E ao fato que após a II Guerra Mundial a agricultura na Ukraina estava em ruínas, o governo não considerou - não é o caso, vão superar, nada de se acostumar! Mas aconteceu de outro modo.

A ruína não foi acidental: como os bolcheviques, também os nazistas durante a guerra utilizaram a mesma tática de "terra queimada". Como resultado foram destruídos cerca de 30 mil "kolkhozys", fazendas estatais, praticamente não havia mais tratores ou "combines", drasticamente reduziu-se o gado. Restaram apenas 30% de cavalos, 43% de bovinos, 26% de ovinos e caprinos, 11% de suínos. Em 1946 o rendimento médio de cereais nos "kolkhozys" foi de apenas 3,8 quintais métricos por hectare. A produção global de todas as culturas, inclusivee as alimentares, depois da guerra foi de 8,5 milhões de toneladas, ou seja, reduziu-se três vezes em comparação ao ano de 1940 e até menor que em 1920( e isso, apesar de que à União Soviética foram anexadas Haluchyna, Volyn, Transcarpathia, Bukovyna, sul da Bessarábia...) Enquanto isso, 43% dos trabalhadores dos "kolkhozys" não tinham vacas, 20% em geral, nenhum gado. Pagar o imposto ao governo, com produtos , todos eram obrigados: em média 40kg de carne por casa - e nenhum choro. Mais 90 ovos (mesmo se você não tem galinhas), mais de 200 l de leite, 5 a 10 rublos por árvore frutífera. Com uma palavra - aproximava-se a fome, e também porque os alimentos americanos, fornecidos sob o sistema "Lend Lease", graças aos quais o Exército Vermelho não se tornou uma multidão de exauridos, cessou. Por isso era necessário alimentar o enorme exército (exército, marinha, "conselheiros" nas fileiras dos exércitos dos países da Europa Oriental, formação da NKGB (Comissariado do Povo da Segurança do Estado) MGB (Ministério da Segurança do Estado) - a partir de outono de 1946 ultrapassava 5 milhões de "baionetas" e ainda entregavam trigo aos "irmãos da classe".
Mas Kremlin não recusou-se da exportação de grãos aos países europeus nos quais os comunistas poderiam conseguir o poder. A exportação de grãos da União Soviética somente em 1946 foi de 1,7 milhões de toneladas ou 10% de grãos de todo provisionamento do estado. Num total de 1946-1947 para Europa Central e Ocidental - Polônia, Bulgaria, Alemanha, França, Romênia, Tchecoslovaquia, etc., foram exportados 2,5 milhões de toneladas de grãos.
Então, uma grave seca, combinada com total "limpeza" dos celeiros dos agricultores, de todos os comestíveis, fez com que na segunda metade de 1946 nas aldeias novamente começasse a fome. Não admira: os trabalhadores dos "kolkhozys" da região de Kyiv, no ano total, não receberam mais de 150 gramas de grão por dia de trabalho. Nas cidades também viviam "bem". Em 29 de agosto de 1946 foi oficialmente anunciado, que em relação a seca em algumas regiões da União Soviética e com a redução de estoques públicos de alimentos foi decidido adiar por um ano o sistema de cartões de troca. Depois apareceu a deliberação sobre economia nas despesas com o pão. Nela falava-se, em particular, sobre diminuição das normas da emissão de pão para dependentes e ciranças e a privação da ração de algumas categorias de trabalhadores e funcionárioos. Nas cidades privaram da quota do pão a muitos dependentes e crianças, em maior quantidade nas regiões de Stalino, Voroshylovhrad, Dnipropetrovsk, Odessa e Kharkiv. Em geral, os regulamentos do partido-estado, de 01.10.1946 do abastecimento centralizado através de cartões, foram excluídos mais de 3,5 milhões de pessoas, deles 2,9 milhões de habitantes das zonas rurais. Tratava-se basicamente sobre pessoas impossibilitadas fisicamente ao trabalho. E era mais fácil aos capazes trabalhar com míseras rações e "vazios" dias de trabalho?
Entretanto o que pesou para liderança de Kremlin a fome de dezenas de milhões de pessoas em comparação com a perspectiva de colocar sob o seu controle - com ajuda dos comunistas locais - a França ou a Finlândia? Além disso, a elite partidária - soviética durante estes anos, ininterruptamente e não muito modestamente, abastecia-se através de distribuidores privados.
E ainda, mesmo durante o maior auge da fome, Ukraina era o principal fornecedor de grãos para Leningrado e várias províncias da Rússia, legumes - para Moscou...
Eis alguns fragmentos de documentos da época.
"Apesar de repetidas instruções para reforçar a preparação de culturas alimentícias, o senhor, a esta mais importante medida não dispensa suficiente atenção. Em 20 de outubro sua república enviou 120,783 milhões de "pud" (um "pud" equivale a 16,36 kg - medida antiga - OK) de centeio e trigo. Falta entregar 111,97 milhões de "pud". Ordeno dar às administrações regionais a instrução para realizar, conforme contas especiais dos "kollkozys" e fazendas especiais, a verificação da entrega de toda a quantidade de produtos e apresentar as rigorosas exigências de prioridade de entrega ao país o mais rapidamente possível. Os culpados pelo atraso deliberado de produtos devem ser rigorosamente responsabilizados. Sobre as medidas usadas, o senhor deverá nos relatar".
Do telegrama do ministro de abastecimento da União Soviética Dvenskyi, presidente do Conselho de Ministros da URSS ao Conselho de Ministros da República Socialista Soviética Ukrainiana, de 04.11.1946.
"No Conselho das Fazendas Coletivas elementos contrários ao Estado retardam a debulha e limpeza de grãos. Desviam muito grão aos chamados resíduos, intencionalmente realizam debulha mal feita deixando grande quantidade de grãos na palha, escondem o pão não debulhado nos palheiros, ilegalmente enterram na reserva de sementes, e as organizações locais do partido e das organizações soviéticas, e também os órgãos judiciais e das promotorias frequentemente não observam esses atos criminosos".
Do telegrama de Stalin e Jdanov a Krushchev e Korotchenko, de 26.11.1946.
Bolchevismo e canibalismo
Então, naturalmente, logo começaram a repetir-se as terríveis imagens do início de 1930. Em resultado da desnutrição entre a população da URSS (República Socialista Soviética Ukrainiana) no inverno de 1946=1947 propagou-se a distrofia. Nesta época, nos hospitais das cidades e das aldeias permaneciam 125 mil pessoas doentes. Aproximadamente mais de 100 mil precisavam de hospitalização mas não havia lugar. Até metade de 1947 já havia 900 mil doentes, até o verão - mais de um milhão.
As pessoas reviravam a terra atrás de batata ou beterraba congelada, que permaneceram na terra após a colheita. E na primavera tentavam salvar-se com a azeda, urtigas, espinafre, trevo. Em muitas regiões comiam pequenos roedores, cães, gatos.
Os pais, como no começo dos anos trinta, começaram abandonar seus filhos, porque não tinham possibilidade de alimentá-los. Novamente houve canibalismo: somente de janeiro-junho foram registrados 130 casos de canibalismo e 189 casos de ingestão de restos mortais. Pedimos atenção: registraram oficialmente, e quantos casos permanecem sem registro?
No geral, em 16 orientais, e também as anexadas a República Socialista Soviética Ukrainiana em 1940 províncias Ismailska e Chernivtsi, em 1946, devido a fome, morreram 282 mil pessoas, e em 1947 mais de 520 mil. Novamente estes são apenas casos de morte que foram registrados nos cartórios. Mas, muitas mortes ocorreram além das fronteiras da Ukraina, para onde foram em busca de salvação, no caminho para o Cáucaso, Ásia central e Kuban.
Em outras palavras, no período da fome de 1946-1947, em 18 províncias da Ukraina morreram no mínimo 800 mil pessoas. Alguns pesquisadores estimam em mais de um milhão de pessoas devido a este período de fome. Mas, ao número total de vítimas da fome, obviamente deve-se incluir também não apenas um milhão de mortos, mas as dezenas de milhares, de uma maneira ou de outra reprimida, e seus filhos. Embora em muitos locais, ensinados com a amarga experiência do passado, os presidentes dos "kolkhozys" tentavam ocultar uma parte de cereais e fechavam os olhos para pequenos "roubos" de pão dos "kolkhozys". Porém os "competentes órgãos" não dormiam. Assim, por ter escondido 360 quintais métricos de grãos e "sabotagem", para 10 anos de prisão foi condenado o presidente do "kolkhoz T. Shevchenko (Que ironia! Taras Shevchenko foi o maior poeta ukrainiano e muito combateu o domínio russo-czarista. Em seus poucos anos de vida, 1814-1861, dos quais apenas nove passou em liberdade. - OK), da Província de Chernivtsi, e 8 anos recebeu o responsável pelo depósito (Infelizmente não sei os nomes desses verdadeiros heróis da Ukraina, porque eles não constam do documento do partido, mas são dignos de respeito e merecem homenagem. E, se considerarmos em escala de toda Ukraina, quantas centenas de milhares de agricultores se salvaram!).
Passava fome em 1946 - 1947 não somente Ukraina. Moldova, baixo e médio Volga, Província de Rostov, zona Central da Rússia - todos foram alcançados pela nova espira da inteligente política de Stalin. Mas a maior fome aconteceu na Ukraina e Moldova - como já foi dito, daqui era mais fácil exportar grãos e outros produtos alimentares ao exterior.
Nesta época o líder da organização do partido e do Conselho de Comissários do Povo da União Soviética era Nikita Khrushchev. Por um lado ele recebia informações completas e objetivas sobre a situação no campo. Por outro lado, ele era um stalinista fiel e o máximo que fazia era convencer o "companheiro" Stalin que não se deve assim barbaramente tratar os agricultores.
Ainda assim Krushchev diferenciava-se radicalmente de Kosior, Postushev, Liubchenko e outros co-organizadores do "Holodomor". Ele não tinha medo de expressar opinião própria e defendê-la perante o "lider de todos os povos", embora, é claro, retrocedia e desculpava-se. "Você é muito frouxo! Mentem para você, eles jogam no seu sentimentalismo. Eles querem que gastemos nossos recursos nacionais", - jogou Stalin na face de Krushchev em janeiro de 1947. Mas, depois de um mês colocou na direção do Comitê Central do Partido Comunista, Kaganovych, "um homem de ferro", deixando o "liberal" Nikita Krushchev apenas na presidência do governo ukrainiano-soviético. Mas, o "grande lider" mandou dar uma pequena quantidade de grãos a Ukraina. Não por razões humanitárias, é claro, mas para ter o que semear na primavera.
E quando em 1947, devido a condições climáticas favoráveis e o retorno às aldeias de centenas de milhares de desmobilizados (houve redução significativa do exército porque não havia comida suficiente), foi colhida uma quantia razoável de grãos (apesar de que nem no ano de 1950 não alcançaram a quantidade que antecedeu à guerra), houve saque da aldeia com a meta de assegurar os delírios da elite de Kremlin. É compreensível: na China, os comunistas sob a direção de Mao Tse-tung lutavam pelo poder, precisava ajudar...
E movamente fragmentos de documentos:
Da carta de Kaganovych e Krushchev a Stalin, em 10.10.1947, por ocasião do cumprimento dos "kolkhozys", fazendas estatais e unidades agrícolas particulares da República Social Soviética da Ukraina, referente ao plano de entrega do pão ao Estado em 101,3%:
"A conclusão bem sucedida do plano de aquisição de grãos é resultado pessoalmente seu, companheiro Stalin, de preocupação paterna sobre os "kolkhozys" e trabalhadores da Ukraina, grande ajuda fornecida pelo partido e governo soviético para Ukraina".
Tudo isso era acompanhado com novo reforço de pressão político-ideológica, procura e encontro de "mão inimiga", e, claro "nacionalistas burgueses ukrainianos.
Na guerra, como na guerra, embora esta guerra era como que "fria"- mas para suas vítimas não ficava mais fácil.
Mas o que chama a atenção - lá, onde foi ativo o UPA (Exército Insurgente Ukrainiano), não havia fome. Em primeiro lugar, em 1946-47 os insurgentes ainda tinham força suficiente para frustrar a requisição e exportação de grãos, e em segundo lugar, as autoridades temiam que a fome em massa no oeste ukrainiano forçaria centenas de pessoas pegar em armas. Muitas pessoas do leste se salvaram da fome conseguindo alimentos de Halychena e Volyn (havia instruções especiais dos principais dirigentes do UPA para auxílio aos "orientais" e com isto ocupavam-se pessoas especialmente designadas, mas os chequistas, é claro, eliminavam os contatos dos dois lados da Ukraina, destruíam os famintos, para em seguida, colocar a culpa nos insurgentes...).
De uma ou outra forma, a luta do UPA, direta ou indiretamente salvou da morte pela fome centenas de milhares, se não milhões de pessoas. E neste número incluem-se muitos daqueles cujos descendentes hoje esconjuram todos os desempenhos dos "esfaqueadores do Bandera (Bandera foi um importante lider dos insurgentes - OK) e consideram o "companheiro" Stalin seu ídolo.
Assim, no século XX Ukraina passou por três grandes fomes. E todas as três vezes, quando no poder estava o Partido Comunista Bolchevique. Mais que isso, esta fome, todas as três vezes foi consequência da parte integrante da política partidária, estratégia e tática de Kremlin.
A fome artificial de 1946-47 revelou-se nesta série, por assim dizer, "tecnológica". Não é necessário dizer, que sem a determinação política de exportação em grande escala de grãos não haveria mais de um milhão de vítimas da fome na República Socialista Soviética Ukrainiana e centemas de milhares - em outras repúblicas da União Soviética. No entanto a "nação-vencedora" tornou-se vítima da iniciada por Kremlin "guerra fria".
Tradução: Oksana Kowaltschuk

quinta-feira, 10 de maio de 2012

YANUKOVYCH SUPERA HARRY POTTER !

Presidente Yanukovych - escritor nº 1...
Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 17 e 19.04.2012
Ivan Farion

Seus discursos são oito vezes mais populares que os romances sobre Harry Potter?
 

A declaração de rendimentos de 2012 do presidente Yanukovych chocou os ukrainianos. Especialmente o seu oitavo ítem ("Royalty e outras receitas provenientes da venda de direitos de propriedade intelectual"), indicando que nesta área recebeu, no ano passado... 16,449 milhões de UAH (2,056 milhões de USD), o que constitui 90% de seus recebimentos totais no cargo de presidente. Quantidade fantástica! O presidente da Associação Ukrainiana de Editores Oleksandr Afonin declarou que, para o mercado ukrainiano tal remuneração é sem precedentes. Segundo ele, mais que todos, na Ukraina, ganham os autores de livros didáticos - 20 a 30 mil UAH (2.500 a 3.750 USD). É incoerente calcular, que o nosso presidente recebeu várias vezes mais, que todos os nossos escritores e poetas atuais juntos. De acordo com sua declaração ele pode ser considerado escritor nº 1...

Onde e por quê façanhas literárias V. Yanukovych ganhou dois milhões de dólares? Verificou-se que a taxa, muito generosa, foi paga ao presidente pela "Impressora Novo Mundo", localizada na região pátria de Yanukovych em Donetsk. De acordo com registro escrito o presidente deu os direitos a esta empresa, de publicar entre 2005 e 2010 quatro livros, a saber: 1) "Um ano na oposição". Em política não existem definitivas vitórias ou derrotas; 2) "... Um ano no poder. Da crise - ao crescimento econômico"; 3) "Superar o caminho"; 4) "Como continuar a vida na Ukraina". As pessoas que tiveram a "sorte" de ver essas obras de Yanukovych, dizem que são, basicamente, os discursos oficiais do atual presidente, costumeiramente elaborados por seus assistentes. A quem interessam tais "obras"? Quem as lê? Quem está disposto a comprá-las nas livrarias?

Pagando tão alta quantia, a citada "Impressora Novo Mundo" adquiriu o direito exclusivo não só na reimpressão, o seu processamento, tradução, mas também tudo o que V. Yanukovych escrever e quiser publicar no futuro. Esse desejo ele tem. Na Bankova dizem que estão prestes a serem impressas as memórias do primeiro presidente do país sobre "tempos laranja" (Revolução Laranja de 2004) dias em que ele esteve em desgraça.

Vale a pena lembrar que a "Impressora Novo Mundo" - é a mesma empresa que encomendou na Austria a impressão do escandaloso livro de Yanukovych "Opportunity Ukraine". Aquela mesma que, apesar de enormes custos para sua publicação, apressadamente retiraram da venda, porque revelou-se plágio. V.Yanukovych copiou páginas inteiras de trabalho intelectual dos outros...

A publicidade negativa da notícia de fabulosos honorários de Yanukovych tentam apagar seus subordinados. Especialmente, o presidente da Agência do Estado para Ciências, Inovação e Informação Volodymyr Symynozhenko, em nada se surpreende. Ele diz que escrever memórias e obter um bom dinheiro por elas (incluindo antecedência) é "prática internacional". Como fez o presidente francês Charles de Gaulle, o líder americano Ronald Reagan, a primeira ministra britânica Margaret Thatcher. Segundo Symynozhenko Bill Clinton vendeu os direitos de suas memórias por 10 milhões de USD. Sua esposa Hillary, antecipadamente recebeu 8 milhões de USD para suas revelações futuras. Então, nosso presidente é pior que os de além-mar? Principalmente porque ele promete em suas memórias sobre as autoridades ukrainianas ser muito, muito franco...

Não concordam com Symynozhenko muitos especialistas.Em particular, o presidente do centro analítico "Penta" Volodymyr Fesenko diz, que o total dos honorários divulgados na declaração de Yanukovych "evoca um sentimento de artificialidade". O cientista político chamou de subserviência vinda de seus amigos de Donetsk, demonstração de lealdade ao presidente e prontidão para lhe agradecer. Outros analistas sugerem, que os honorários de Yanukovych - não são outra coisa que legalização de parte de sua renda sombria.

Comentários:
Andrii Kurkov, escritor
Quando se trata do mercado ukrainiano - então precisa vender 6 (seis) milhões de livros, de capa dura, ou aproximadamente 30 milhões de capa comum, para receber tais honorárioos. Você entende, que isto nem sequer é ficção... Todos discutem os honorários sem precedentes do escritor Yanukovych mas ninguém fez a pergunta mais importante: Quem é este agente literário que foi capaz de conseguir tão inacreditável avanço, até não de uma editora, mas de uma simples impressão? Finalmente o instituto de agentes literários na Ukraina deu a conhecer o início de seu trabalho e seus sucessos. Porque altos honorários para escritor também são altas deduções para o próprio agente. Amigo, apresente-se! E a você estender-se-á um fluxo de menos sucesso, mas mais profissionais escritores.

Dmytro Kapranov, escritor e editor.
Os honorários de autor na Ukraina e no exterior são de 5 - 10 por cento do preço do livro publicado. Se o livro custar 50 UAH e no balcão 80 - 100 UAH, então de cada exemplar precisa pagar ao autor 2,5 - 5 UAH. Agora dividam 16.449 milhões de UAH por 5 - e vocês obterão a quantidade de cópias que será preciso vender para que o livro se pague. Eu calculei, e será preciso 3,200 milhões. No caso de 4 livros, então a tiragem de cada um é de 800 mil exemplaress. Isto é algo inacreditável! O superpopular romance de Vasyl Shkliar "Corvo preto" venderam 100 mil exemplares, "Anotações do ukrainiano psicopático" de Lina Kostenko - um pouco menos. A edição ukrainiana do romance sobre Harry Potter - ainda menos. Assim o livro de V. Yanukovych deveria vender oito vezes mais que "Harry Potter".
Nós temos questão com dinheiro claramente não correspondente aos livros... Este é o pagamento por quaisquer outros serviços, cobertos grosseiramente como honorários de escritor. Tudo aqui costuraram com linhas brancas...

Vasyl Skliar, escritor.
"Para receber tais royalty, o escritor precisa vender cerca de dois livros a cada ukrainiano, incluindo bebês, cegos e analfabetos. Este é - sucessivo mal-entendido, porque nosso presidente não tem idéia sobre honorários autorais".

Iren Rozdobud'ko, escritor.
"Na Ukraina esta situação é impossível para qualquer escritor. Os honorários são muito baixos. Este caso é uma manifestação de corrupção.Temos escritores de nível igual ao de William Faulkner, reconhecidos mundialmente, mas que recebem centenas, milhares de vezes menos!"

Oksana Sabuzhko, escritora.
"Na intenção de legalizar ao menos parte de seus capitais Yanukovych mostrou o quanto nosso governo não é profissional. Segundo as cifras, eles não tem o mínimo conhecimento sobre o mercado editorial na Ukraina. Precisamos entender o que realmente acontece nesse mercado negro. A quem pertencem essas "Impressoras" e quem ganha com isso..."

Mykhaylo Chechetov, deputado (Partido das Regiões.
"Vivemos em uma economia de mercado, então a Editora não trabalhará para ter prejuízo, eles contaram cada centavo. Eu fiquei impressionado - com o gesto nobre do presidente que está disposto a doar todo esse dinheiro para as crianças. Penso, isto será um exemplo digno aos políticos, estrelas, empresários - que, quando o Estado sofre com crise econômica, devemos doar nossos ganhos para caridade". (Quantos votos Yanukovych espera que seu partido ganhe com este dinheiro que ele não trabalhou para ganhar? - OK).

Sondagens deste jornal

Que obras do presidente você leu?

Halyna Vdovychenko, escritora.
Como não poderia ignorar o autor de tão grande sucesso, procurei no Google, mas não encontrei nada. Então telefonei para "Livraria Yé", em Lviv (Importante livraria que também realiza reuniões diversas de escritores, inerentes à sua atividade, como lançamentos, etc. - OK). Eles me disseram que nunca viram livros de tal autor".

Serhii Nebozhenko, diretor do Serviço Sociológico "Barômetro Ukrainiano".
"Já trabalhei na administração presidencial e sei bem como escrevem os textos dos presidentes Kuchma, Yushchenko, Yanukovych. Existem tecnologias especiais, existem pessoas que lhe escreverão qualquer livro. Durante vinte anos de tudo o que foi escrito, achei apenas um interessante: "Ukraina - não é Rússia" de Leonid Kuchma. Interessante, não tanto pelo conteúdo, quanto pelo título...
Quanto a Yanukovych, então vocês devem compreender, que esses livros não existem. Nós nunca os encontraremos, tudo é ficção...
Nós não compreendemos o anúncio que o presidente ganhou 16 milhões com os livros. Claro, do ponto de vista da Administração do presidente, isto parece uma forma de humanização de Yanukovych, que ele - pessoa inteligente, que existe uma relação comum entre ele e os livros. Mas, a verdade é bem diferente. Este é o modo de rebaixar a inteligência ukrainiana, prova de que a democracia pode ser aproveitada para formação de um regime totalitário, e livros podem ser fontes de corrupção.

Vadym Karasiov, diretor do Instituto de Estratégias Globais.
Eu vejo a informação sobre honorários de Yanukovych de outra maneira. Lembrem: apenas pela suspeita de plágio foi demitido o ministro da Defesa da Alemanha, uma nova estrela no horizonte político daquele país. Pela suspeita de receber empréstimo preferencial e por tentar esconder o aparecimento dessa informação nos meios de comunicação foi demitido o presidente da Alemanha. Último caso - pela suspeita de plágio foi forçado a renunciar o presidente da Hungriaa, país onde também há problemas com democracia. Na Ukraina, essa notícia escandalosa - é apenas informação sem consequências. Ninguém pensa em se demitir. Todos novamente a "engolirão", essa notícia será um tiro no vazio. É sobre isso que devemos pensar...

Tradução: Oksana Kowaltschuk

segunda-feira, 7 de maio de 2012

SÍMBOLO DA OSTENTAÇÃO DO GOVERNO UCRANIANO

Caro Leitor:

Quanto mais pobre um país, maior ostentação dos seus governantes, notadamente se forem socialistas ou gangsters.

O Cossaco.


Em "Mezhyhiria" primeiras fotos de luxo incomparável.

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 06.04.2012
Serhii Leshchenko

A residência "Mezhyhiria" já sedimentou-se na consciência pública como símbolo de corrupção em escala presidencial.

Ela foi excluída da propriedade pública em 2007, algumas semanas antes de Viktor Yanukovych perder o cargo de primeiro ministro, no governo do presidente Viktor Yushchenko, agora legalizada em uma série de títeres e empresas.

Até agora nós podíamos falar sobre a escala do "Mezhyhiria" e dinheiro que flui para seu desenvolvimento usando apenas a foto cósmica ou raras fotos cinematográficas, feitas do helicóptero.

Hoje a Verdade Ukrainiana publica, pela primeira vez, fotos da decoração do interior de uma construção do "Mezhyhiria" Estas não são as decorações que a administração presidencial mostrou no verão passado, mas o verdadeiro local de lazer do presidente. Ele é destinado ao descanso de Yanukovych com seus amigos na água, especialmente na época do verão.

No ano passado, aproximando-nos do "Mezhyhiria" do lado do Dnipró (Dnieper), nós mal conseguimos tirar uma foto deste desembarcadouro, escondido atrás das árvores. Em compensação, este "palácio sobre a água" pode ser visto em foto aérea do Google.

Pela informação das fontes da "Verdade Ukrainiana", a construção dessa maravilha de mau gosto custou 9,375 milhões de dólares.

Então, sobre os arranjos internos e preferências de Yanukovych, julguem vocês.

Diante de vocês - fotos feitas durante os trabalhos, antes da entrega do "palácio sobre a água" para funcionamento, no ano passado.

Esta plataforma consiste de várias dependências. Básico - é a sala de banquete com estrado. Nas paredes e teto - madeiras caras; no chão - mármore; em todos os lugares ao redor - douradura e cristais.

Também tem, em separado, gabinete e banheiro para Yanukovych.

Sobre valores para decoração da "doce vida" de Yanukovych, pode indicar um detalhe. No centro da sala principal do "palácio dobre a água" fizeram um nicho especial, no qual há três lustres.

Com ajuda do especialista em iluminação Lubomyr Lozovyi nós identificamos um desses lustres. Seu valor é - atenção - 97 mil dólares sem impostos. É uma criação de cristal e douraduras do produtor espanhol Mariner.

Então o preço de somente um (!) dos três lustres, de longe não da construção principal do "Mezhyhiria", é equivalentee a um apartamento em Kyiv!

Se tais quantias foram investidas no "palácio sobre as águas" do qual Yanukovych não serve-se regularmente, então é difícil imaginar os gastos para "Khonka" (o palácio principal) e outros atributos de vida do presidente.

Lembramos, lustres da empresa Mariner estão também no gabinete do "Mezhyhiria", o qual em fevereiro de 2012 foi arendado da empresa "Tantalit", que nominalmente é a proprietária de todo o "Mezhyhiria".

Este desembarcadouro também está formalizado na empresa "Tantalit" cujo diretor é pessoa de confiança da família Yanukovych, Pavlo Lytovchenko, o qual evita responder às solicitações da "Verdade Ukrainiana".

Mas Lytovchenko tem apenas 0,03% de "Tantalit". O restante, 99,7% pertence a empresa de fachada da Austria e Liechtenstein.

Finalmente, para o conhecimento dos ukrainianos, pagadores de impostos.

Recentemente, o governo anunciou a intenção de introduzir imposto sobre os bens de luxo. Mas, esse "palácio sobre a água", onde apenas um lustre custa quase 100 mil dólares e formalizado para pessoa jurídica, não se enquadra na nova lei.

Mas o privilégio para abastecer o orçamento estatal Viktor Yanukovych deixa para seus eleitores.

Tradução: Oksana Kowaltschuk.
Imagens: Ukrainska Pravda
Foto formatação: AOliynik


SÍMBOLO DA OSTENTAÇÃO

("Todos são iguais; alguns são mais iguais que outros")






Fonte: http://www.pravda.com.ua/articles/2012/04/6/6962248/ (Veja mais fotos neste link)

sábado, 5 de maio de 2012

FRAUDES NA ECONOMIA: ESPECIALIDADE DO SOCIALISMO

Erosão do capital - sinal de fraudes econômicas planejadas
Tyzhden (Semana) 23.03.2012
Volodymyr Lanovyi, presidente do Centro de Reformas de Mercado


Indústria sucateada
As empresas de economia planificada, como é sabido, praticamente não se modernizam. Seu destino não interessa aos burocratas - informais proprietários de propriedade socialista. Construídas de acordo com planejamentos estatais as instalações, com o tempo tornam-se ineficientes, mas isto não muda nada: elas são introduzidas às categorias de intocáveis - planejadas com desvantagem e transferidas para manutenção estatal. Assim, na União Soviética foram deficitárias as minas de carvão, usinas, empresas de mineração e processamento, fábricas de tijolos, produtoras de fertilizantes, etc.

A privatização de empresas estatais, infelizmente, não moveu a carroça do lugar. Não há modernização, as empresas industriais desmoronam, instalações de infraestrutura enferrujam. Metade dos objetos industriais é desvantajosa, não paga impostos, não colabora para o Fundo de Pensões. Não é capaz de manter em bom estado suas instalações e território. Nas fábricas de maquinário e de roupas, funcionam não mais que 10-20% de postos de trabalho (e os ukrainianos precisam procurar trabalho no exterior para sobreviver - OK), em outras áreas - não muito mais. Eu não sei que idéias prevalecem nas mentes dos líderes destas empresas (entre elas há privatizadas, arrendadas e estatais), mas com tais indicadores eles (os líderes) não administram estas empresas. Em qualquer caso, aumentar o número de funcionários, propor novos produtos aos mercados globais e reduzir as linhas de transmissão elétrica distantes e antieconômicas eles não podem. A maioria das empresass depende diretamente da manutenção do governo. Elas não são simplesmente ineficientes. Elas não amortizam os custos para reparos e reestruturação técnica das minas. O dinheiro para isto é alocado do orçamento do governo. Não se sabe quando virá, e não há garantias que será suficiente, se não será roubado ou interceptado para outras necessidades. Em compensação, os custos das minas são relativamente menores.

Esse atavismo era selvagem mesmo na era socialista. Como se isso não fosse uma produção, para ser autosuficiente. Como as bibliotecas públicas ou escolas, que sem financiamento público não podem existir. As consequências são esperadas: o desgaste dos equipamentos é terrível; "barato" artificialmente destaca-se o carvão, que é extraído em extraordinárias profundidades, onde a pessoa não pode permanecer mais de duas horas; o carvão barato anualmente custa dezenas, e em alguns anos - centenas de vidas de pessoas. Entretanto, na manutenção de um ramo tão infernal o orçamento do governo gasta hoje 2,5 bilhões de dólares em subsídios e danos.

Muito suspeito, não transparente modelo de recuperação da produção de capital é usado na maioria de outros ramos do complexo energético. Aqui também não levam em conta a depreciação e esperam pela manutenção do orçamento governamental. No entanto, para necessidades da central elétrica e das redes elétricas das empresas através de subsídios especiais para tarifas de energia elétrica ( o que, obviamente, é pago pelos clientes) formam ramos de fundos extra orçamentários. Eles não pertencem às companhias, mas são administrados pelos altos comandos. Finalidade de fundos - realização de investimentos de capital para desenvolvimento das estações, reparos, utilização de resíduos, demolição de blocos, etc. Isto - é mais um vestígio do modelo de planejamento soviético, que o clã das energias ukrainiana conseguiu arrastar através de todos os governos e todos os presidentes. Uma vez que estes fundos não compõem o orçamento, a eles não se aplica o controle por parte do público nem por parte do Parlamento, e, portanto, se utilizam de forma ineficiente e, muitas vezes - não com os alvos determinados. As informações são difíceis de encontrar - burocratas escondem cuidadosamente as transações financeiras questionáveis. Duvidosas, porque contradizem até para as nossas ineficientes regras fiscais e legislação sobre o apreçamento. Mas, quantos anos construíam blocos das usinas nucleares de Khmelnytskyi e Rivne e que veículos de serviço têm os dirigentes da "Energoatomo", testemunha por si mesmo.O aumento das tarifas não entra na sua composição e não chega às empresas. Também não tem o status de sistema fiscal porquanto executam função oposta. Conclusão: com cobertura governamental funciona um mecanismo de exclusão de capital social para as necessidades da burocracia energética. Alcances reais e capitais necessários para o ramo não se pode esperar enquanto cerca da metade de atômicos e blocos geradores de energia manipularem seus recursos. Também o nível de suas características de qualidade não atende às exigências atuais.

Nosso capital de produção, que não é atualizado nem modernizado, é corroido pela erosão, que reflete não apenas a deterioração física, mas também a deterioração moral, e de fato a degradação econômica de nossas empresas. Em vista da medida da efetividade e aproveitamento dos recursos financeiros, com prejuízos e não auto pagáveis empresas, elas tornam-se pesos na economia: precisam de lucros líquidos públicos para pagar seus prejuízos, saldar suas dívidas e fundos de reembolso da depreciação. Em outras circunstâncias os lucros líquidos da economia seriam empregados em acréscimo de capital e criação de empregos em outros setores, especialmente em indústrias inovadoras e com maior eficiência. E, por conseguinte, seria bem diferente a nossa dinâmica de crescimento. Acontece que, cobrindo as perdas e companhias parasitas à custa de benefícios sociais e prevendo as despesas necessárias no orçamento, nós nos transformamos numa economia planejada de perdas.

Por que empresas da era socialista não se consegue colocar em pé, o que atrapalha? Afinal tem muitas empresas pequenas, que surgiram nos tempos atuais, ou foram radicalmente renovadas - na indústria alimentar, comércio, telecomunicações, finanças, etc.

Primeiro, as fábricas soviéticas não podem inserir-se em novas necessidades do mercado com a produção que elas produzem. Suas capacidades relativamente são maiores. E ocupá-las pode-se apenas com produtos supernovos e de melhor qualidade. Mas, no momento, tais objetivos os proprietários e gestores não colocam diante de si.

Segundo, As tecnologias em que se baseavam essas empresas, ficaram no passado. E com elas tornaram-se arcaicas as estruturas da organização da produção: não são necessárias numerosas oficinas básicas especializadas em produções separadas; revelaram-se desnecessários o abastecimento de produções auxiliares - indispensáveis materiais e serviços são mais baratos quando produzidos por empresas especializadas, e obtê-las através do mercado. As fábricas devem tornar-se mais compactas e desocupados grandes lotes de terra. Neste caso reduz-se em várias vezes o consumo de combustível e de energia. Não se torna necessário um aparato numérico de gestão e manutenção.

Terceiro, Conservação da enferrujada técnica, equipamentos, construção, tornou-se possível graças a criação economicamente segura de acordos "sanatoriais" herdados dos complexos industriais da era socialista. De fato, eles não são subordinados ao princípio da responsabilidade absoluta pelos resultados dos serviços. Sim. Parece que nada mudou, e pela rentabilidade ou prejuízos das empresas responde o governo.

Quarto, A necessidade de transição para novas tecnologias, alterações organizacionais-estruturais amplas, assimilação de novas produções requerem que a maioria das instalações se atualizem totalmentee, bem como o seu perfil e situação financeira (capital autorizado, contas em fundos, dívidas, ativos financeiros, etc), a nova gestão e infraestrutura, e os proprietários. A isto, ativamente se opõem diversos funcionários e diretores que têm interesses diferentes.
Esses fantasmas do passado protegem de diversas maneiras. Nos ramos de infraestrutura e de energia na base das antigamente independentes entidades econômicas foram criados ramos estatais unificados ( holdings, corporações, consórcios, outros), os quais monopolizaram o mercado e ditam os preços, que lhes garantem o lucro. Também manejam as finanças das reais empresas. No caso, quando o aumento dos preços e tarifas torna-se complicado, por exemplo, quando o governo está ligado às promessas políticas com os eleitores para não elevar as tarifas de serviços comunais e energia, os procedimentos são diferentes. Dívidas a fornecedores de empresas, acumulados de vários anos são periodicamente amortizados. Isto significa a transferência de dívidas para o orçamento, que nos próximos anos reembolsará a perda dos fornecedores. No outono de 2011 foram listados 26 bilhões de UAH (3,250 bilhões de USD). Em caso de impossibilidade de compensação, como, por exemplo com Naftogaz da Ukraina, que acumula dívida externa perante a russa Gazprom, o nosso governo simplesmente passa para o devedor recursos do orçamento para aumentar seu capital estatutário ou refinanciamento das dívidas de petróleo.

Então pode-se causar danos, destruir a produção - sem consequências. Pode-se dizer que com sua decadência física e moral os complexos socialistas e recém surgidas quase corporações obrigadas à administração governamental, que colocou-se na proteção da irresponsabilidade burocrática, realmente demonstrou indiferença ao destino da produção real e seus funcionários. No entanto a administração descuidadamente, pegava e pega dinheiro dos pagadores de impostos para tapar buracos lá, onde deveriam aparecer lucros.
Então, à questão: como restaurar as instalações de produção "soviéticas", existem respostas concretas.

(1) Aceitar como regra de que, permanentemente, não deve haver fábricas, empresas e companhias deficitárias. Estas unidades, de propriedade estatal ou comunal, devem ser subordinadas a inadiável reorganização, de iniciativa governamental. As formas de reorganização podem ser programas de saneamento para evitar falências: mudanças para novos produtos, cooperação com iniciativa privada, incluindo as empresas internacionais, reestruturação de complexos, atualizações tecnológicas, etc. Em muitos casos, o saneamento deve ser realizado após a privatização total ou parcial da empresa.

Os procedimentos de falência de empresas particulares apresentadas por trabalhadores, bancos, fornecedores, devem ser rápidas para que a propriedade não perca valor e não se desagregue. À composição de credores não se incluem os serviços fiscais. Outro obstáculo a aplicação da falência - dependência e insuficiência de qualificação de tribunais. O sistema fiscal e seu desejo de superioridade excedem a legislação e a competência judicial. Esse tema para Ukraina é conhecido e, infelizmente, com o governo atual - as perspectivas são mínimas. E, sem a sua solução - continuaremos a apodrecer.

(2) Em primeiro lugar deve-se desmonopolizar, particularmente através da desintegração vertical e horizontal de ramos estatais de holdings, consórcios, corporações, e transferir suas unidades de negócios individuais para o regime de empresas independentes. Isto permitirá isolar do complexo de tais organizações as deficientes unidades funcionais e realizar seus saneamentos e operações de privatização. E então, aplicar os processos de falência às empresas independentes, privatizadas, que não conseguiram ser rentáveis.

(3) É necessário, enfim, libertar-se do cativeiro de planejamento de perdas planejadas e preços socialistas, quando os preços cobrem os custos e garantem renda independentemente da satisfação e percepção do produto pelos compradores.

Novamente foi declarado que o Ministério da Infraestrutura aumenta os custos dos bilhetes dos passageiros (em que direitos?) para o transporte. A companhia estatal "Estrada de Ferro Ukraina" sempre será rentável, embora seus serviços sempre piorem. Os pasasageiros utilizam-se de carros cada vez mais danificados, e o perigo de acidentes é cada vez mais real.

Mais uma vez o orçamento estatal prevê subvenções e créditos ao "Naftogaz", energia comunitária de aquecimento, setor carvoeiro, companhias de aviação, fabricantes de máquinas agrícolas e outras não competitivas empresas. Talvez chega. Os preços devem formar-se em princípios de mercado e não crescimento automático com os custos de produção. O lucro econômico deve ocorrer apenas com o melhoramento do serviço, inovações tecnológicas, redução de custos, melhoramento da qualidade do produtpo. Caso contrário, a empresa torna-se deficiente e precisa passar pela reestruturação ou falência. Apenas nestas condições pode-se esperar que o início da modernização da produção e redes ferroviárias vai começar, e nós poderemos andar em vagões confortáveis e receber em nossas casas água quente e limpa a preços acessíveis.

(4) É hora de introduzir imposto especial sobre imóveis, o que acarretará um penoso aproveitamento para produção e comércio de demasiadamente grandes lotes de terra e instalações habitacionais. Os pagadores serão pessoas jurídicas e físicas - proprietários dos grandes imóveis. Pequenos edifícios e lotes não devem ser tributados. As taxas de imposto devem ser introduzidas progressivamente - aproximadamente de zero a 5% do valor e lavantá-lo uma vez ao ano. A obrigação da tributação dos imóveis deve ser dos proprietários de objetos - inclusive estatais e municipais. Exatamente estes aproveitam-se do protecionismo dos órgãos governamentais.

(5) Há necessidades de criar condições para acumulação de ativos financeiros para modernização de empresas obsoletas. As primeiras fontes de poupança devem ser os seus fundos de amortização. As deduções devem ser obrigatórias - não se pode dispensar da amortização as produções paradas ou suspensas, porque exatamente estas isenções permitem deixar intocáveis as ruínas industriais soviéticas. Além disso, precisa permitir às empresass aumentar as taxas de amortização do capital ativo em 2,0 -2,5 vezes, e em indústrias de alta tecnologia - ainda mais alto. O valor do capital amortizado não deve ser aumentado de acordo com a inflação dos bens de consumo e serviços, como determina o código tributário. Deve ser observado o aumento do valor de máquinas e equipamentos, técnicas, transporte e trabalhos de montagem e construção e o aumento ser proporcional com a deflação de seus serviços. Caso contrário, o custo do capital de recuperação é apenas parcial. Agora é isso que está acontecendo, dado que o aumento anual dos preços de bens de capital e serviços supera em duas - três vezes a taxa de inflação.

O aumento de fundos para amortização levará à diminuição da receita, reduzindo os impostos que deverão ser pagos. Em escala nacional livrar-se-ão do imposto bilhões de dólares e se concentrarão exatamente sobre as entidades que necessitam de maiores investimentos de capitais. Tal abordagem favoravelmente diferencia-se do método de investimento empresarial estimulante, introduzido pela decisão do Código Tributário e consiste na isenção do imposto sobre o lucro que é reinvestido pela empresa. Este método permite a possibilidade de acumulação de investimentos apenas em empresas lucrativas, que, como norma, não precisam de modernização.

Este procedimento de aumento de taxas de amortização foi executado nos Estados Unidos durante a reforma do período "Reaganomics" (1980-1988). Em grande parte graças a isto nos anos 80 - 90 do século passado foi possível conduzir a indústria americana para novos e mais flexíveis módulos de tecnologia robótica.

(6) São necessários não apenas estímulos macroeconômicos. As próprias companhias devem atualizar a base tecnológica. Os maiores estímulos serão, a nosso ver, a disseminação da concorrência no mercado, a eliminação dos abusos monopolistas, corrupção política e renda para negócios de luxo. Ainda é necessário um real financiamento de mecanismos de mercado para a produção e renovação tecnológica, que incluirá: instituições de crédito independentes, sem protecionismo do governo e regulação monetária; abolição de emissão de créditos bancários específicos e responsabilidade obrigatória para devolução de seus ativos; depósitos para recursos em projetos de desenvolvimento econômico; acessíveis taxas de juros no mercado, etc.

(7) A meta da renovação de capitais de produção é alcançar tal estrutura - distribuição do capital básico entre os setores de visível tecnologia e níveis de qualidade que seria adequado às atuais necessidades da comunidade. Porquanto as necessidades mudam, deve haver uma mudança dinâmica da estrutura de capitais.

É claro, que a atual distribuição de capital ficou irremediavelmente desviado das necessidades. E isso não se aplica apenas a empresas e conjuntos industriais da era soviética. A questão mais importante para Ukraina é determinar novas prioridades de investimento para criar condições favoráveis a novos ramos de fabricação. Entre estes o lugar especial devem ocupar as tecnologias de informação econômica. Seus produtos e serviços são extremamente necessários aos mercados interno e externo e, para sua expansão tem mão-de-obra qualificada, base da indústria eletrônica e radiotécnica, laços de cooperação e outros. Ao mesmo tempo, a distribuição do investimento deve ser adaptada às necessidades de consumo determinadas pela demanda do mercado (isto é, através do comércio e serviços financeiros), e não pela indicação da burocracia.

(8) Para liberar o capital da decomposição erosiva, também é necessário remover as limitações administrativas, fiscais e barreiras no
caminho da conversão de formas naturais de objetos capitais para financiamento da venda, reconstrução, falência, liquidação, reorganização de complexos imóveis e na realização de investimentos financeiros em ativos produtivos junto a construções, absorções, anexações, renovações de tecnologias, mudança de perfis, modernizações das empresas ou suas unidades. Excesso de regulamentação dessas operações torna-as de alto risco para os proprietários de capital e inibe mudanças estruturais.

(9) Indispensável também uma transição coerentee para a propriedade privada na produção de bens e ativos financeiros na economia ukrainiana e a garantia da liberdade de iniciativa empresarial. Mas não foi para isto que chegou ao poder o Partido das Regiões. Enferrujado e atravancante capital puxa o nosso barco ao fundo - é preciso livrar-se desta bagagem pesada, ao contrário nosso barco não emerge.

Tradução: Oksana Kowaltschuk

quarta-feira, 2 de maio de 2012

TYMOSHENKO DENUNCIA AGRESSÕES FÍSICAS E TORTURA PSICOLÓGICA DO GOVERNO UCRANIANO

Carta da Yulia Tymoshenko da Colônia Kachanivska
Tyzhden (Semana), 24,04.2012

Recebemos de nossas fontes o texto da carta da Y. Tymoshenko da Colônia Kachanivska, na qual ela fala sobre os acontecimentos do dia 20 de abril do corrente ano.

"Na sexta-feira, 20.04, após o término dos trabalhos deram-me a conclusão dos médicos alemães, professores P. Haas e K.N. Aynhoupl, os quais afirmaram que eu não poderei melhorar minha condição de saúde nessa clínica que propôs o governo ukrainiano.

A causa não está nos médicos. Eu acredito nos médicos ukrainianos e os respeito profundamente. Sei em que condições eles trabalham. O motivo também não está no equipamento do hospital - corresponde aos padrões. O motivo está na situação de constante violência e achincalhe, que me organizou o atual presidente da Ukraina.

Após receber as conclusões dos médicos alemães eu comuniquei, por escrito, o chefe da Colônia, e pessoalmente ao promotor e Vice-Ministro da Saúde de Kharkiv, que até o encontro com meu protetor, eu não posso ser transferida ao hospital. Nós concordamos que a tranferência ao hospital realizar-se-ia na segunda-feira após a comunicação com Serhii Vlasenko (advogado).

Mas cerca de 21 horas, da cela onde eu estava retiraram minha vizinha, e após algum tempo entraram três homens de estatura encorpada. Eles se aproximaram da minha cama, jogaram sobre mim um lençol e começaram me puxar da cama, usando força bruta. De dor e desespero eu, como podia, tentava defender-me, mas, recebi um forte soco na barriga. Torceram minhas mãos e meus pés, me levantaram e puxaram no lençol para rua. Eu pensei que chegaram os últimos momentos da minha vida. De insuportável dor nas costas e medo, comecei gritar e pedir socorro, mas nenhuma ajuda eu recebi. Num dado momento, devido a terrível dor, eu desmaiei e voltei à vida somente no quarto de hospital. Em estado de extremo estresse eu me recusei a falar com todos até o encontro com meu protetor. No dia seguinte eu renunciei ao alimento. Mas o encontro com o meu protetor não aconteceu. Agora eu penso, que desesperança e impotência sentem as pessoas hoje, quando confrontam-se com a violência do poder em todas as suas manifestações. Quando começaram a usar contra mim a força física bruta, eu imaginei todo o desespero daquelas pessoas indefesas, nas quais batem com brutalidade bestial, e às vezes os servos do povo de uniforme, matam, em inúmeras prisões, durante os inqueritos nos isoladores, dentro de detenção, delegacias de polícia, áreas no subsolo do atual Serviço de Segurança da Ukraina, SBU-NKVD. Quando em quatro paredes fechadas, em total isolamento do mundo, te barbarizam os açougueiros com rosto contorcido de raiva e quando você não sabe se isto é o final de sua vida ou não - é exatamente nesses momentos torna-se especialmente claro, que país nós construimos em 20 anos de independência e que nós não temos o direito de deixá-lo nesta forma desumana aos nossos filhos.

Eu parei de me alimentar no dia 20 de abril com um único propósito, para chamar a atenção do mundo democrático e ao que está acontecendo na Ukraina. E a questão não está no destino dos atuais presos políticos; nós estamos prontos ao nosso caminho, com firmeza e dignidade, seja ele qual for. O problema é outro - na compreensão imediata, que o presidente da Ukraina obrigatoriamente e com pedantismo constrói na grande e européia Ukraina um grande campo de concentração, de violência e arbitrariedades, os quais completam-se com um enriquecimento sem precedentes da famíliia governante e do seu ambiente através da apropriação de recursos públicos. É preciso reconhecer imediatamente esta trágica situação e pará-la o quanto antes usando todos os meios ukrainianos de possibilidades e influências internacionais. Se o tempo for perdido, nós teremos Libia ou Siria no centro da Europa, e então será tarde demais para apagar o fogo.

Eu apelo ao mundo democrático e a todas as forças saudáveis na Ukraina para começar, imediatamente, agir e trabalhar em conjunto para eliminar esta ameaça à comunidade européia. Sim, eliminar, porque o tratamento conservador da situação já é impossível.

O plano, que proponho, consiste em dois pontos: primeiro, iniciar a investigação pública internacional de todos os negócios corruptos do Yanukovych, e de seus amigos próximos, onde houveram transações financeiras internacionais e registros de propriedades obtidas ilegalmente nos territórios de outros países.

Eu peço publicamente a todas as pessoas honestas: jornalistas, líderes de movimentos sociais, funcionários públicos, agências policiais e outras pessoas interessadas enviar para mim materiais de investigações jornalisticas, e outras, que claramente demonstrem a natureza internacional de caráter criminal da elite governante da Ukraina. Eu apelarei publicamente aos governos oficiais daqueles países, em cuja jurisdição realizaram-se os crimes de corrupção de nossos governantes, pedindo para conduzir investigação imparcial e independente desses crimes e levar à responsabilidade os culpados. Precisa começar a Grande Limpeza do País agora.

Em segundo lugar, devemos fazer todos os esforços para, sem revoluções, pacificamente, eliminar o regime autoritário, com todas as suas metástases, nas eleições parlamentares. Em tempo próximo eu anúncio um apelo a todos os cidadãos da Ukraina, com explicação como isto poderá ser feito, de acordo com o meu ponto de vista. Se nas eleições legislativas da nação ukrainiana impedirem o afastamento desse governo, isto significa que haverá necessidade de levantar uma nova revolução pacífica. Mas o que rigorosamente não pode ser feito - sim, é ser um rebanho silencioso, levado ao abate. E vocês não permitirão humilhar assim Ukraina, eu sei...

Sua Yulia Tymoshenko".


Observação: Muitos jornais da Ukraina (acredito que todos) trouxeram a notícia de Tymoshenko ter sido agredida fisicamente. O governo nega, diz que apenas foi levada a força. Houve deputado dizendo que Tymoshenko sozinha deu soco em sua barriga. Nina Karpachova, encarregada do Parlamento dos direitos da pessoa visitou Tymoshenko e declarou que as marcas roxas realmente existem. A marca na barriga, na boca do estômago, é bem grande, segundo o advogado. Alguns deputados provinciais de Lviv, já iniciaram greve de fome em apoio a Tymoshenko. Em Kyiv também já estão se preparando para greve de fome. O pessoal da UE observa, atônito.


AS FOTOS DA AGRESSÃO






Tradução e complemento: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik
Fonte da fotos: Jornal Ukrainska Pravda (Verdade Ucraniana).

terça-feira, 1 de maio de 2012

YULIA e LUTSENKO: POLÍTICA E SAÚDE

Yulia e Yurii - privados de atendimento médico
O julgamento da Tymoshenko cercado por fãs e inimigos

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 19.04.2012

Hoje teve início, no Tribunal de Kharkiv, o julgamento de Y. Tymoshenko, na questão da UESU (United Energy Sistems da Ukrânia), empresa de energia no período de 1995-2009. Nos anos de 1995-1996 esta empresa foi o maior importador de gás natural para Ukraina (da Rússia e Ásia Central). Nesse período Tymoshenko foi presidente da empresa. Sua sede localizava-se em Dnipropetrovsk e Kyiv.

Tymoshenko é acusada por má gestão financeira, especificamente no desvio de fundos da Corporação, através de supostamente ilegal indenização do IVA em 1997-1998. Ela não esteve presente no tribunal devido a questões da saúde.

Em frente ao tribunal realizaram-se comícios, de fãs e opositores. Na sala do tribunal encontrava-se presente o embaixador francês de Direitos Humanos François Zimere. Bem como vários deputados do Partido das Regiões (do Governo). Segundo o advogado Vlasenko, os deputados estavam ocupando lugares, para não haver espaço aos simpatizantes da Tymoshenko. A sala comporta, no máximo 200 pessoas. Estes deputados já encontravam-se na sala quando a porta foi aberta. "Parece que alguns deputados são brancos e outros pretos", - disse Vlasenko. Também no corredor interno, de acesso à sala do tribunal já esperavam cerca de 50 pessoas, quando a porta principal, de entrada, foi aberta.

O tribunal proibiu fotos, filmes e transmissão sobre os trabalhos durante as sessões. Com esta decisão o juiz assegura que não compromete o princípio do julgamento aberto. Esta decisão vai operar em todo o processo.

Opinião do médico alemão

O médico Karl Max Aynhoupl, em entrevista à "Rossiyskaya Gazeta" (Gazeta Russa) disse que as dores da Tymoshenko são de natureza psicossomática.

Ele observou que os detalhes da condição da paciente não serão compartilhados.

"Eu posso lhe afirmar, com toda certeza: ela está doente. Ela tem uma hérnia vertebral que causa dor severa. Ela quase não consegue se locomover e é obrigada a permanecer deitada", - disse Aynhoupl. "A gravidade depende de que forma a coluna pressiona os terminais nervosos. A dor da Tymoshenko é fortemente influenciada também pelo medo. Qualquer dor tem no início o componente psicossomático. A situação pouco difere, ela sente mais medo que um prisioneiro normal", - concluiu o médico.

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 21.04.2012

O médico alemão Karl Max Aynhoupl esteve na Ukraina. Ele visitou o hospital Nº5 da "Estrada de Ferro Ukraina", onde o governo pretende fazer o tratamento da saúde da Tymoshenko. Ele afirmou em seu relatório, que aí o tratamento não será bem sucedido. Ele reconhece que o governo ukrainiano fez grandes esforços para criar melhores condições possíveis para tratamento e reabilitação. No entanto, dados os problemas especiais da Tymoshenko, bem como sua história pessoal, não parece provável que haverá uma terapia bem sucedida. O médico também afirma que o hospital não possui todas disciplinas profissionais que são necessárias no contexto de uma reabilitação integral de síndromes crônicas, dolorosas e complicações da doença.

Os médicos não obtiveram resposta sobre o futuro especial para tratamento da doença, em particular sobre o processo crônico. E, também não foi apresentado a eles o nível psicossomático de tratamento, o qual tem importância central em estados de dor crônica.

"Parece altamente improvável, que o hospital em Kharkiv pode criar o absolutamente necessário no tratamento de dor crônica, a confiança entre paciente e terapeutas", - disse Aynhoupl.

O relatório de outro médico alemão, PhD, diretor do Centro Cirúrgico músculo-esquelético Norbert P. Haas considera que não foi apresentado o equipamento necessário para realização de multimodais concepções terapêuticas, com comandos para terapeutas, de várias especializações e vários anos de experiência.

"Em que medida, em Kharkiv há, realmente qualificados médicos, capazes de realizar o esquema de tratamento acima, em uma rápida visita, não é possível constatar. Avaliação mais substancial poderia ser feita com a participação dos especialistas de diferentes grupos profissionais, no tratamento global por pelo menos 2 - 3 semanas", - diz o relatório do médico.

O serviço de imprensa do partido "Batkivshchyna" (Pátria) declara que publicou as conslusões dos médicos, "para evitar especulações e insunuações, as quais já começaram ao lado do governo. E, para isto temos permissão especial da Tymoshenko. As conclusões foram publicadas na íntegra, exceto para questões diretamente relacionadas com a indicação de diagnósticos.

Neste sábado, Tymoshenko foi levada ao hospital, sem seu consentimento. Antes ela pretendia ouvir a opinião de seus advogados. No hospital ela recusa-se ao exame médico.

"Ela não deu autorização por escrito. Ela foi levada ontem, de noite (Isso lembra a União Soviética quando vinham à noite para aprisionar as pessoas - OK) para tratamento hospitalar, de acordo com a lei. Nós não precisamos autorização por escrito para tratamento de prisioneiros no hospital", - disse Barash, o novo diretor da Colônia de Kharkiv, Barash, disse que Tymoshenko concordou na presença de funcionários e membros da comissão médica (Tem razão a defesa quando diz que do lado do governo há especulações e insinuações. Eu que leio as notícias já percebi que os governistas afirmam o que lhes convém, mas suas afirmações logo são desmentidas. Neste caso o desmentido vem em seguida - OK).

Ao mesmo tempo, a vice-ministra da saúde Taisa Moiseenko diz que Tymoshenko, no hospital novamente recusou-se à realização de exame médico inicial, no dia seguinte, pela manhã.

Ukrainska Pravda (verdade Ukrainiana), 22.04.2012
Tymoshenko foi devolvida à Colônia.

Durante a permanência dela no hospital, ali também permaneceram algumas dezenas de policiais. Sua permanência no hospital foi curta, durou apenas 1 (um) dia. Ela foi levada de volta à Colônia.

Segundo vice-ministra da Saúde Raisa Moiseenko, a decisão de devolver Tymoshenko para Colônia foi adotada depois que, no domingo de manhã ela, de novo, recusou-se ao exame médico. "Infelizmente, apesar de nossas repetidas ofertas, Y. Tymoshenko categoricamente rejeitou nosso tratamento. Em relação a isso, não tivemos possibilidade de continuar. Isso não são serviços de hotelaria", - disse Moiseenko.

O advogado Vlasenko, por várias vezes afirmou que Tymoshenko não estava aceitando o tratamento em Kharkiv. Ela não confia no tratamento de médicos que recebem ordens "de cima". Já Turchenov, vice-presidente do partido "Batkivshchyna" pensa que devolveram Tymoshenko à Colônia, porque estando no hospital ela não poderia estar presente às sessões de seu novo julgamento.


Fotos das lesões de Yulia Tymoshenko

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 27.04.2012

As fotos foram feitas pela ombudsman Nina Karpachova, ou seu comissário, os quais visitaram Tymoshenko com a diferença de um dia.
Eles garantem que as fotos são de quarta-feira, 25 de abril. Isto é - cinco dias após Tymoshenko ter sido transportada ao hospital, durante o qual, segundo ela, foram infligidas.

Karpachova também dissiminou estas fotografias entre os diplomatas da UE durante sua reunião, realizada no dia 27, na representação da UE em Kyiv.

Além disso Karpachova demonstrou aos diplomatas a perícia das lesões, feitas nas fotos. Ela fez isso após o serviço de imprensa do Partido das Regiões declarar: "Aos nossos olhos se desenrola mais um ato de provocação surpreendente contra Ukraina, para desacreditar a liderança de nosso país. Isto é uma boa produção dos mesmos mestres de intrigas políticas e especulações sujas: "da Senhora Tymoshenko e seu estado-maior".

Examinaram as fotos:

Selim V.S. (de 1973 a 2004 perito médico judicial, responsável pelo departamento de investigação de cadáveres do distrito de Kyiv do departamento de perícia médico-judicial), Sytnyk Y.V. (de 1989 a 2007 perito médico judicial, vice-diretor do departamento de perícia médico judicial da cidade de Kyiv, de trabalhos de peritagem) e chegaram à conclusão de que as manchas nos braços são resultado de ações de objetos duros. Elas foram causadas entre 4 e 6 dias até o momento da fixação das fotos. O local danificado na extremidade superior do membro esquerdo pode ter surgido no momento da apropriação com mão alheia. A mancha com congestão interna localizada na parte frontal da parede abdominal do lado direito também é resultado de ação de um objeto duro. Pela sua forma e outras particularidades é, especialmente, fidedigno ela ter surgido em decorrência de um forte golpe com o punho.

Entendendo melhor o ocorrido

Segundo artigo de Yulia Mostova, no jornal "Dzerkalo Tyzhnia" (Espelho da semana) Nº 16:

O que deveria ter feito o presidente, não importa quem ele é - um homem decente ou um hipocrita? Ele deveria anunciar que, dada a importância de acusações da Yulia Tymoshenko, o importante e fornecer informações verdadeiras à sociedade ukrainiana. Nesta questão de princípios, e a necessidade de fornecer dados objetivos para os nossos parceiros europeus e russos, o presidente pessoalmente assumiria o controle da investigação da situação, exigindo impecáveis procedimentos legais destinados para estabelecer a verdade. O exame (fotos das manchas no corpo da Tymoshenko) deveriam ter sido feitas na presença do advogado. Permissão para ver Tymoshenko para deputados-médicos de todos os partidos, que fizeram tal solicitação. O veredicto de todos constituiria a base para o resultado da investigação. Estabelecidos os fatos, o presidente, publicamente, explicaria o ocorrido. Os participantes do ocorrido iriam para julgamento. Não encontraram indícios de sevícia? Yanukovych acusaria Tymoshenko. O mundo civilizado ficaria feliz vendo a verdade estabelecida.

No entanto, Yanukovych não fez isso. Por quê? Sua conduta é totalmente óbvia. O governo decidiu, que o melhor meio para abafar a onda de informações dadas pela própria Tymoshenko e sua defesa seria a demonstração de um vídeo obscuro (imagens péssimas) feito na prisão de Kyiv, onde Tymoshenko esteve anteriormente. Neste vídeo, uma pessoa, que seria semelhante a Tymoshenko, e que na data do vídeo (15.12.2011) já tinha dificuldade de locomoção, anda livremente na cela, e, no final recebe a visita de um homem, que seria parecido com seu advogado. Os dois acabam se beijando. Entretanto, desviar a atenção dos acontecimentos da Colônia Kachanivska talvez esta informação fosse pouca, precisavam explosões... Isso é preciso - como as urnas que explodiram em Dnipropetrovsk!

E por que não permitiram a visita a Tymoshenko, de seu advogado na primeira solicitação? Pela lei ele tem esse direito a qualquer momento, não mencionado já o "dia sanitário" (dia de limpeza). Nesta Colônia, o dia sanitário é o último dia de cada mês. No dia 23 o mês não terminava. Tymoshenko aguardava o advogado para auxiliá-la escrever a declaração sobre o ocorrido. Na terça-feira o advogado também não pôde entrar pois o "dia sanitário" não havia terminado. Assim conseguiram não deixar que Tymoshenko fosse visitada até quarta-feira após o fatídico final de semana.

Enquanto o pessoal do sistema penitenciário diz que não usaram força, o próprio promotor de Kharkiv se desmente: "A pessoa arrumou-se, agasalhou-se, e depois deitou na cama e disse:"Eu não vou a nenhum lugar". De acordo com o Código Penal o Serviço Penitenciário pode influenciar fisicamente: tomaram em seus braços, levaram até o carro e conduziram ao hospital". No entanto eu lembro - que tratar-se ou não - é direito da Tymoshenko, não um dever. Ela não tem tuberculose. Caso tivesse essa doença contagiosa a violência pela recusa seria justificada.

Muitas pessoas admiram-se com a recusa da Tymoshenko ao tratamento, já que está tão doente. A resposta é simples, ela não confia nos médicos indicados pelo governo. Não gostaria de jogar sombra nos médicos do hospital da Estrada de Ferro, de Kharkiv - não há motivo. Mas há experiência - não apenas uma dezena de acusados e testemunhas em extremamente importantes questões, antes de sua morte, por último viram exatamente médicos. Aqui trata-se das testemunhas da explosão em Kryvorizhzhia (zh pronuncie j), do líder da "gangue dos lobisomens" Honcharov e dos bandidos de Bolotskykh (banda do Kushnir) que no aeroporto de Donetsk fuzilaram o deputado Shcherban...

Tymoshenko deu o nome do profissional no qual confia - Mykola Polishchuk, reconhecido neurocirurgião mundialmente conhecido. Não
permitiram.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik

YULIA MOSTRA HEMATOMAS








Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 20.04.2012

Lutsenko foi devolvido ao SISÓ porque foram embora os especialistas europeus.

O Tratamento de Lutsenko, no hospital, cessou assim que terminaram as audiências no Tribunal Europeu sobre os Direitos Humanos e especialistas internacionaiis deixaram Ukraina.

Lutsenko foi devolvido à penitenciária. "O governo sabe, que no Tribunal Europeu, há uma queixa dos defensores de Lutsenko referente ao artigo 3 da Convenção Européia da Proteção e Direitos da Pessoa e Liberdades Fundamentais quanto ao não fornecimento oportuno e adequado de cuidados médicos, o que iguala-se à desumanidade e humilhação da dignidade da pessoa" - disse a esposa.

Tyzhden (Semana), 23.04.2012

O ex-ministro de Assuntos do Interior afirmou que por meio ano esconderam dele o diagnóstico de "hepatite". Ele afirmou isso na sessão de hoje no Pecherskyi Tribunal.

Lutsenko mostrou a juíza Anna Medushevskyi a declaração do seu cartão de saúde com o resultado dos exames realizados em Kyiv, no hospital de Emergência.

"Eu quero lembrar-lhe, que a senhora juiza repetidas vezes rejeitou, junto com o juiz Vovk meus pedidos de tratamento. Agora eu tenho em minhas mãos o resultado ocultado, desde setembro do ano passado, da análise de sangue onde está escrito "hepatite viral TTV - é presente". Esta análise agora tenho e, honestamente, este resultado me mostraram no hospital", -disse ele.

De acordo com o ex-ministro, a re-análise em 11 de abril deste ano, confirmou a presença no meu sangue do vírus da hepatite B.

"Eu suspeito que a senhora é cúmplice em esconder minha doença, porque a sua decisão de não me tratar levou ao fato de que seis meses eu vivi com hepatite, e nenhum tratamento eu não recebi. Eu entendo, que na Ukraina a vingança política chegou ao ponto em que as pessoas não só prendem nas "gaiolas", mas também infectam com o vírus da hepatite e deixam apodrecer", - acrescentou Lutsenko.

Tradução: Oksana Kowaltschuk
Foto formatação: AOliynik